Steve Jobs – o gênio da tecnologia responsável por revolucionar ao menos três segmentos da indústria e inovar outra – morreu nesta

quarta-feira, aos 56 anos de idade. Ex-CEO e força criativa por trás da Apple, ele lutava desde 2003 contra um câncer raro no pâncreas, que o levou a deixar, em agosto, a direção da companhia que ele fundou em 1976 e ajudou a transformar em uma das mais valiosas do planeta. Jobs deixa a mulher, Laurene, e quatro filhos – três mulheres e um homem.

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Morre Steve Jobs, criador da Apple, iPod, iPhone, iPad... O gênio visionário – responsável por revolucionar segmentos da indústria e colocar a tecnologia na palma da mão do consumidor – tinha 56 anos e lutava contra um câncer de pâncreas. Perfeccionista e inventivo, transformou a empresa criada na garagem de seus pais em uma das mais valiosas do planeta

Steve Jobs no lançamento do computador Apple II, abril de 1977 - Tom Munnecke/Getty Images

Steve Jobs – o gênio da tecnologia responsável por revolucionar ao menos três segmentos da indústria (computação pessoal, música, e telefonia) e inovar outra (animação para filmes) – morreu nesta quarta-feira, aos 56 anos de idade. Ex-CEO e força criativa por trás da Apple, ele lutava desde 2003 contra um câncer raro no pâncreas, que o levou a deixar, em agosto, a direção da companhia que ele fundou em 1976 e ajudou a transformar em uma das mais valiosas do planeta. Jobs deixa a mulher, Laurene, e quatro filhos – três mulheres e um homem. A família de Jobs se manifestou publicamente, mas pediu privacidade. "Ele morreu hoje, pacificamente, cercado por sua família... Nós sabemos que muitos de vocês sentirão a perda conosco, porém, pedimos respeito e privacidade durante esta hora de dor." No site da Apple, uma nota faz uma homenagem a Jobs: "A Apple perdeu um gênio visionário e criativo, e o mundo perdeu um ser humano incrível. Aqueles

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que tiveram o prazer de conhecer e trabalhar com Steve perderam um amigo querido e um mentor inspirador. Steve deixa para trás uma companhia que somente ele pôde erguer e seu espírito será para sempre a essência da Apple".

Steve Jobs e Steve Wozniak no lançamento do computador Apple II, abril de 1977 - Tom Munnecke/Getty Images

Jobs protagonizou uma das sagas mais fascinantes de nosso tempo, uma aventura digna de filme. Reúne drama familiar, construção de um império, traição empresarial, superação e, sim, romance. Colocado para adoção logo após o nascimento, o menino nascido em São Francisco, na Califórnia, foi acolhido por uma família simples com a condição de que pudesse cursar a universidade. Uma vez lá, o jovem Steven Paul abandonou os estudos, trocando a graduação promissora por um incerto curso de caligrafia e uma viagem mística pela Índia. De volta aos Estados Unidos, inventou na garagem dos pais, ao lado de um amigo, Steve Wozniak, o que viria a ser o primeiro computador pessoal do mundo. Aos 20 anos, a dupla fundou a Apple. Três anos depois, acumulava 100 milhões de dólares. Aos 30, Jobs foi expulso da companhia pelo homem que ele mesmo contratara, John Sculley. Fora da "maçã", fundou outra empresa de computadores e comprou, do cineasta George Lucas, uma produtora de animações, a Pixar, por 10 milhões de dólares – 11 anos depois, a empresa seria vendida por 7 bilhões de dólares com filmes como Toy Story no currículo. Aos 42, Jobs foi convocado de volta à Apple para salvar a empresa da falência. Nos anos seguintes, lançou o iPod, iniciando a revolução no mercado de distribuição de música, o iPhone, catapultando o setor de smartphones, e o iPad, promovendo movimentação no setor editorial. Ao final do ciclo, a Apple chegou

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a ocupar o posto de empresa mais valorizada do planeta, avaliada em cerca de 350 bilhões de dólares. A última década de vida, talvez a mais frutífera, foi marcada também pela batalha contra o câncer no pâncreas. Uma trajetória de tirar o fôlego. Jobs não criou tudo sozinho, é claro, mas não há dúvidas de que seu espírito – exigente e inventivo – foi decisivo para moldar a tecnologia que chegou às mãos do consumidor no último quarto de século. Foi ele, por exemplo, quem insistiu com Wozniak na ideia de levar o Apple I, primeiro computador pessoal, ao grande público. Foi dele também a decisão de abandonar, no início da década passada, o desenvolvimento do tablet e, em seu lugar, abraçar o projeto que desaguaria no iPhone, aparelho que de fato apresentou ao mundo o celular inteligente (o tablet ficaria para depois). Wozniak, o amigo e cofundador da Apple, concorda com todos os talentos atribuídos a Jobs – apurado senso estético, capacidade de liderar, visão de mercado, poder de comunicação... Mas aponta um que, a seu ver, distancia o ex-CEO da esmagadora maioria dos líderes empresariais e também da maior parte dos mortais: "Ele sabe o que as pessoas querem ver nos produtos e também o que não querem. É um entendimento total do que motiva o ser humano." "A Apple tem a ver com pessoas que pensam fora do quadrado" O nome de Jobs está presente em nada menos do que 313 patentes, que tratam de invenções, usadas em produtos como desktops, iPods, iPhones e iPads. Até alguns itens de decoração utilizados nas lojas da Apple foram registrados pelo ex-CEO. As patentes se referem a tecnologia, funcionalidades e também ao design dos aparelhos, um aspecto essencial para Jobs. "Design não é apenas a aparência de um produto. Design é como ele funciona." Várias vezes, ele deixou claro seu interesse pela zona de contato entre técnica e design e sua admiração pelo renascentista Leonardo Da Vinci (1452-1519), o mestre que pintou a Monalisa e esboçou um protótipo do helicóptero.

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Steve Jobs com o computador Lisa em uma prévia para imprensa, 1983 - Ted Thai/Getty Images

"Steve Jobs é o Henry Ford da tecnologia", aposta Leander Kahney, autor do livro A Cabeça de Steve Jobs, que procura dissecar o método do americano. "Ele é o maior inovador na indústria da tecnologia voltada ao consumidor." Carmine Gallo, colunista da revista Businessweek, complementa a comparação: "Ele mudou totalmente o modo como interagimos com equipamentos digitais. Se não fosse por Jobs, ainda estaríamos digitando linhas de comando, em linguagem de máquina." Perfeccionista, Jobs criou produtos de uso simples, mas com aparência sofisticada, que mexeram com o imaginário de seus consumidores, criando uma legião de fãs da Apple. Tanta exigência teve seu preço. Jobs passou a ser conhecido como um chefe implacável, que podia demitir um funcionário no elevador caso ele não tivesse na ponta da língua resposta sobre um produto em desenvolvimento na companhia. Em outras situações de trabalho, era comum que os colaboradores fossem interrompidos logo que pronunciavam as primeiras palavras de um raciocínio: "Já entendi. Mas o que penso sobre esse assunto é o seguinte..."

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Steve Jobs e Bill Gates durante entrevista em Nova York, 1984 - Andy Freeberg/Getty Images

O executivo não era surdo às críticas, e chegou a explicar suas razões. "Algumas pessoas não estão acostumadas com um ambiente onde se espera excelência", disse certa vez. Em outra oportunidade, mostrou o peso de ser líder: "É doloroso trabalhar com algumas pessoas que não as melhores do mundo e precisar livrarse delas. Mas constatei que minha função, às vezes, consiste exatamente nisso: descartar algumas pessoas que não correspondem às expectativas." A melhor autodefinição, contudo, talvez seja a seguinte: "Meu trabalho não é ser fácil com as pessoas. Meu trabalho é torná-las melhores." "Steve nunca permitiu que a Apple fizesse produtos apenas razoáveis, nem mesmo bons: ele só aceitava os excelentes", afirma Wozniak, o amigo de juventude com quem Jobs criou o primeiro computador pessoal. Até mesmo rivais reconheceram a estatura do executivo não apenas na condução dos negócios da Apple, mas também seu carisma para liderar e motivar sua equipe e cativar consumidores. Foi o caso de Bill Gates, o fundador da gigante de software Microsoft: "Ao pensar em líderes que conseguem inspirar seus funcionários, Steve Jobs é o melhor que já conheci. Ele acredita na excelência de seus produtos e é capaz de comunicar isso." Sem seu principal criador, a Apple caminhará sob comando de Tim Cook, antigo chefe de operações da companhia, que assumiu o cargo de CEO no final de agosto. Um dia depois do afastamento de Jobs, as ações da companhia caíram cerca de 2%, exprimindo a preocupação dos investidores com o futuro da companhia. "Em curto prazo, contudo, não vemos nenhum impacto que possa

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prejudicar a Apple. São oscilações normais de mercado", avalia Bruno Freitas, analista de mercado do grupo IDC.

Steve Jobs durante entrevista em Nova York, 1984 - Andy Freeberg/Getty Images

O conforto é fruto de uma tática quase imperceptível adotada pelo cérebro da empresa: o treino das lideranças da companhia. Nos lançamentos da marca nos últimos anos, por exemplo, Jobs dividia as apresentações: ele mostrava as novidades e deixava as explicações técnicas para os especialistas. Além disso, em 2008, foi criada a Apple University, com o objetivo de ensinar os empregados da empresa a "pensar como Steve Jobs" e a tomar decisões como ele. A idéia era impregnar nos executivos o "jeito Steve Jobs de ser". "Não há dúvidas de que, sem ele, não haveria Apple. Mas a questão é que ele criou um time e uma série de processos pensando no sucesso", diz Carolina Milanesi, analista do Gartner, grupo especializado em análise de mercado. Freitas completa: "Podemos falar que a Apple absorveu o DNA de Steve Jobs. Por isso, ela pode continuar bem, mesmo sem ele no comando."

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Steve Jobs e Ross Perot, janeiro de 1987 - Matthew Naythons/Getty Images

Só o futuro poderá dizer se o atual e os novos dirigentes da empresa manterão o vigor de Jobs. É improvável que outro profissional reúna os mesmos talentos dele. Mas é imprescindível que seus líderes nutram pela companhia – e por tudo o que ela representa – o mesmo sentimento alimentado por seu criador: "Foi como a primeira paixão", disse Jobs certa vez sobre a Apple. O futuro da Apple sem Steve Jobs O genial executivo cercou-se dos melhores profissionais e criou uma universidade com um só objetivo: manter a genialidade na empresa que fundou Desde que voltou à Apple, em 1997, depois de ter sido expulso por John Sculley em 1985, Steve Jobs conseguiu o que muitos achavam impossível: ressuscitar a empresa que ajudara a criar em 1976, tornando-se imprescindível para o seu sucesso. Em sua segunda gestão, a empresa saiu da provável falência para se tornar a segunda mais valiosa do mercado, abaixo apenas da Exxon. As ações da Apple cresceram mais de 2.000% nos últimos anos, superando gigantes como Microsoft e Google. No segundo trimestre de 2011, a margem de lucro foi de 41,4%, com uma receita de quase 25 bilhões de dólares. Em 2010, a Apple foi a única empresa a crescer no mercado de tecnologia. "Inovação distingue o líder do seguidor"

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Steve Jobs apresenta a Next, sua nova companhia de computadores, em São Francisco, 1988 - Shahn Kermani/Getty Images

Porém, desde 2004, a saúde de Jobs se tornou um assunto tão importante quanto os produtos que ele ajudava a criar. Um câncer pancreático raro foi o início de uma série de especulações sobre quem seria o sucessor do grande líder e sobre como a empresa reagiria sem a sua presença. Em 2009, uma nova licença médica, desta vez para fazer um transplante de fígado, agravou ainda mais a situação. A aparência física de Jobs, que foi ficando cada vez mais magro, começou a assustar a todos, inclusive os acionistas da Apple, que passaram a exigir um plano de sucessão, principalmente depois de uma terceira licença, no início de 2011. Em uma reunião com executivos, a proposta sobre apresentar os nomes dos candidatos a CEO foi votada e rechaçada. Apesar de se manter quieta sobre o assunto, a Apple não estava parada esperando as coisas acontecerem. Além de ter uma série de executivos candidatos ao posto, a empresa criou, em 2008, a Apple University, com o objetivo de ensinar os empregados da empresa a "pensar como Steve Jobs" e a tomar decisões como ele. A idéia é impregnar nos executivos o "jeito Steve Jobs de ser". O gerente dessa universidade é um ex-professor de Yale, Joel Podolny. Tim Cook, chefe de operações, e Ron Johnson, responsável pelas Apple Store,

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são professores. De acordo com relatos da revista Forbes, Jobs teria imaginado a universidade como maneira de passar seus ensinamentos às próximas gerações de executivos de Apple.

Steve Jobs, 1998 - Bob Riha/Getty Images

O sucessor – No dia 24 de agosto de 2011, quando Jobs enfim apresentou sua carta de afastamento do controle da Apple, foi confirmado no nome de seu substituto no cargo de CEO: Tim Cook. Ele já havia assumido o posto nas licenças médicas anteriores de Jobs. "Cook é um especialista na área operacional, o responsável pelos acordos com fornecedores, algo crucial para a Apple. Ele tem feito um grande trabalho e os investidores confiam nele", explica Eric Jackson, fundador e diretor da Ironfire Capital, empresa de investimentos. Para ele, Cook é confiável, mas não é a "pessoa criativa, que irá ajudar a desenvolver os produtos sedutores e essenciais da Apple". Ou seja, não há outro Steve Jobs. Para manter essa chama acesa, outros profissionais devem colaborar.
Steve Jobs com o primeiro iMac, Califórnia, 1998 - Moshe Brakhra/Getty Images

Phil Schiller, vice-presidente de marketing mundial, é quem mais tem aparecido nos últimos anos. Bonachão e com bom jogo de cintura, ele fez o discurso de abertura da Macworld 2009 (a última com presença da Apple) e da WWDC (evento para desenvolvedores) no mesmo ano, quando o iPhone 3Gs foi

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anunciado. Schiller é presença frequente no palco quando o assunto é relacionado a hardware e software para Mac. Era um dos homens de confiança de Jobs, na empresa desde 1997. Quando o assunto é iPhone (mais precisamente, o iOS, o sistema operacional do smartphone da Apple), o nome a ser lembrado é o de Scott Forstall. Vicepresidente de software para iPhone, Forstall começou a ser treinado para fazer apresentações em 2006, quando foi o responsável em mostrar as novidades do Mac OS X Leopard para os desenvolvedores na WWDC. Ele trabalhou na NeXT, empresa criada por Jobs quando ele foi chutado da Apple, e atualmente é o responsável pela criação do sistema para o iPhone e iPad, dois dos mais importantes produtos da empresa. Forstall veste-se de maneira semelhante à Jobs (camisa preta e calça jeans) e tem um jeitão despojado. Por fim, Jonathan Ive, responsável pelo design de todos os produtos lançados pela Apple desde 1996, deve continuar por trás da criação. Considerado um gênio em sua área, é um sujeito tímido, avesso a holofotes e entrevistas. E só é visto em vídeos de lançamentos de produtos. Personalidade A vida extremamente privada de Steve Jobs À medida que se transformava na imagem da empresa que ajudou a fundar, a Apple, Jobs criou um escudo responsável por ocultar sua trajetória pessoal

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Steve Jobs e a esposa, Laurene Powell, durante a edição 2010 do Oscar, nos EUA (Alexandra Wyman/Getty Images)

Falar sobre a vida privada de Steve Jobs é um desafio até para aficionados no assunto. À medida em que se transformava na imagem da empresa que ajudou a fundar, a Apple, Jobs criou uma espécie de escudo, responsável por ocultar diversos aspectos de sua trajetória pessoal. É uma atitude quase oposta à adotada por, entre outros, o rival Bill Gates, fundador da Microsoft, que há anos divide suas aparições com a mulher, Melinda, e que vez por outra revela o que conversa com os filhos.

Steve Jobs durante palestra em Seattle, 1998 - Daniel Sheehan/Getty Images

"Tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles já sabem o que você quer se tornar" A discrição relativa à vida de Jobs começa, sem força de expressão, em sua origem. Ele foi adotado ainda bebê por Clara e Paul Jobs. Alguns pormenores dessa importante passagem só vieram à tona logo após Jobs anunciar seu afastamento da direção da Apple, no fim de agosto, certamente motivado pela decadência de seu estado de saúde (embora a razão não tenha sido explicitada). Surgiu, então, a figura de Abdulfattah John Jandali, um imigrante sírio que se apresentou como pai biológico de Jobs. Na versão dele, o ex-executivo é fruto da relação com Joanne Simpson, a mãe biológica. Contudo, em plenos anos 50

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(o bebê veio ao mundo em São Francisco, em 1955), a família de Joanne teria impedido que o romance fosse adiante, além de forçar a mãe a doar a criança. "Eu estava muito apaixonado por Joanne, mas infelizmente seu pai, um tirano, não permitiu a nossa união", afirmou Jandali, vice-presidente da rede de cassinos Reno, sediada no estado de Nevada. "Ela disse que queria entregar o bebê para adoção e foi embora para São Francisco para não envergonhar a família." Joanne, assim como o casal Jobs, já faleceu.

Steve Jobs durante palestra para apresentação da nova geração do iMac na Califórnia, 1999 - Alan Dejecacion/Getty Images

Em 2005, durante um discurso na formatura dos alunos da Universidade de Stanford, Jobs, em uma rara oportunidade de autoexposição, relatou o episódio da adoção. "Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira e decidiu me oferecer para adoção (...) Tudo estava certo para eu fosse adotado por um advogado e sua mulher. Contudo, quando eu apareci, eles decidiram que na verdade queriam uma menina. Então, meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite perguntando: 'Nós temos um garoto: vocês querem ele?' Meus pais disseram: 'É claro'."
Steve Jobs lança o iBook, 1999 - Ted Thai/Getty Images

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A adesão ao budismo é fruto de uma viagem à Índia, em 1974, com o amigo Daniel Kottke. Para a surpresa de todos, Jobs voltou aos Estados Unidos trajando roupas típicas de monges e com a cabeça totalmente raspada. Apesar de ter abandonado as roupas logo depois, ele continuou firme em sua crença. Em 1991, com a benção do monge Kobun Chino Otogawa, ele se casou na Califórnia com Laurene Powell, atualmente presidente do conselho da Emerson Collective, organização com foco em reformas sociais. O casal teve três filhos: Reed, nascido no mesmo ano, Erin, de 1995, e Eve, de 1998. O empresário pouco aparecia em público com a família.

Steve Jobs discursa em palestra para imprensa, 2001 - Linda Spillers/AP

Jobs e Laurene se conheceram cerca de um ano antes do casamento, no dia em que ele havia ido a Stanford para uma palestra. Ela estudava economia na instituição. Em uma entrevista posterior ao jornal The New York Times, Jobs recordaria o encontro. "Eu estava no estacionamento, com a chave no carro, e pensei comigo mesmo: 'Se esta fosse minha última noite na Terra, eu preferiria passá-la em uma reunião de negócios ou com essa mulher?' Então, corri pelo estacionamento e perguntei se ela jantaria comigo. Ela dise: "Sim". Nós caminhamos pela cidade e estamos juntos desde então." No mesmo discurso em Stanford, Jobs fez duas referências a Laurene e aos três filhos comuns. Referindo-se a sua saída da Apple, em 1985, ele diz: "Nos cinco anos seguintes, fundei uma companhia chamada NeXT, outra empresa chamada

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Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornaria minha mulher", disse. "Laurene e eu temos uma família maravilhosa juntos."

Steve Jobs lança o mini iPod em São Francisco, 2004 - Justin Sullivan/Getty Images

À época da união com Laurene, contudo, Jobs já possuía uma filha. Lisa NicoleJobs, hoje jornalista, nasceu em 1978, fruto do relacionamento entre Jobs e a artista plástica Chris-Ann Brennan. No mesmo ano do nascimento de Lisa, a Apple lançou o Apple Lisa, que, segundo a companhia, era apenas a sigla para Local Integrated Software Architeture (arquitetura local de software integrado). Dias antes do anúncio da saída de Jobs do comando da Apple, John Jandali, o pai biológico, tentou um contato público com Lisa Nicole-Jobs. No perfil da jornalista no Facebook, o imigrante sírio escreveu que acompanhava o trabalho da neta e que apreciava a qualidade e o estilo de seus artigos. "Só queria lhe enviar uma nota de cumprimentos e os melhores votos para seu contínuo sucesso." O método Steve Jobs Centralizador e perfeccionista, inventivo e empreendedor. Esse era o perfil do homem que criou a maior empresa de tecnologia da história, a Apple Não existe alguém no mundo da tecnologia que desperte a mesma paixão que Steve Jobs provoca. Seus admiradores, antes um restrito grupo de usuários de Macs, podem atualmente ser encontrados entre jovens e velhos, pobres e ricos,

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especialistas e neófitos – um fruto do sucesso de iPod, iPhone e iPad. As palavras do gênio inventivo eram ouvidas com atenção por milhares conectados à internet a cada apresentação de um novo produto que ninguém sabia que existia, mas que, a partir de sua aparição, tornava-se um item "necessário" ou até "vital". Ao mesmo tempo, Jobs era conhecido como um chefe extremamente exigente, cruel por vezes, um perfeccionista que, segundo lendas, chegou a demitir funcionários no elevador da companhia porque eles demoraram a responder a uma indagação acerca de um produto em desenvolvimento. "Meu trabalho não é ser fácil com as pessoas, mas torná-las melhores"

Steve Jobs lança a primeira versão do iPhone, 2007 - Paul Sakuma/AP

Jobs não era engenheiro, designer ou administrador de empresas formado por uma universidade. Mesmo assim, conseguiu criar produtos inovadores e esteticamente imitados por toda a concorrência, além de ter tirado a empresa que ajudou a criar da falência, transformando-a em uma das mais rentáveis e lucrativas do mundo. Talvez essa seja a resposta para o seu sucesso: em vez de pensar como um técnico, ele enxergava o mundo pelo prisma do usuário. "Jobs conseguia conversar com as pessoas de igual para igual, sem aquele discurso técnico, chato", afirma Eric Johnson, da fundador e diretor da Ironfire Capital, empresa de investimentos.

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Steven Paul Jobs foi adotado. Seus pais adotivos tiveram de prometer que o menino cursaria a faculdade para poder ficar com ele. Apesar dos esforços, o rapaz desistiu de estudar seis meses depois de ingressar na Reed College, uma universidade liberal em Portland, Oregon. Resolveu viajar pela Índia (Jobs é budista) e, de volta à Califórnia, se juntou a Steve Wozniak para fundar a Apple, se tornar o mais jovem milionário da indústria de informática, ser chutado da empresa que criou, montar uma nova empresa (que fracassou), comprar um estúdio de animação 3D (que se tornaria a Pixar), voltar para a Apple e mudar a vida de todos nós com os produtos que ajudou a criar durante a última década.

Steve Jobs lança novos aplicativos e o novo Macbook Air em São Francisco, 2008 - David Paul Morris/Getty Images

A melhor maneira de entender o sucesso de Steve Jobs é recordar a avaliação que ele fez de si próprio durante o discurso proferido para a turma de formandos da Universidade de Stanford, em 2005. Ele contou que abandonou a faculdade para fazer um curso de caligrafia, narrou o episódio de saída da Apple e, por fim, falou sobre a doença que o acompanhava há anos, um câncer no pâncreas. E resumiu o mantra que criou para si: faça o que você ama e siga sua intuição.

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Em seu livro Inovação, A Arte de Steve Jobs, Carmine Gallo, especialista em treinamento de executivos e estudioso da vida do pai da Apple, afirma que o método de trabalho de Jobs obedecia a sete mandamentos: faça o que você gosta, cause impacto no universo, coloque o cérebro para funcionar, venda sonhos em vez de produtos, diga não a mil coisas, crie experiências incríveis e defina bem sua comunicação. As diretrizes guiaram todo o trabalho do criador, do processo de criação dos produtos à sua divulgação.

Steve Jobs com o novo Macbook Air, durante conferência em São Francisco, 2008 - David Paul Morris/Getty Images

Leander Kahney, autor do livro A Cabeça de Steve Jobs, adiciona outro ingrediente importante para a receita do sucesso, um componente que fez parte da personalidade do gênio empreendedor: controle. Jobs era extremamente perfeccionista e não admitia que nada fosse feito sem seu aval. Isso é tão claro que até nas embalagens dos produtos Apple há o toque dele. De acordo com Kahney, para Jobs, o ato de desembalar o produto é tão importante quanto o de usá-lo. Ele não foi o inventor do iPod, mas foi o responsável por tornar o tocador de MP3 um dispositivo que todos os usuários pudessem usar. Para isso, disse a engenheiros e designers o que iria funcionar ou não. Estava certo. Trabalhar com prazer e manter controle sobre a própria criação são dois aspectos importantes no método Steve Jobs. Enquanto o primeiro tem um aspecto romântico, o segundo revela um elemento essencial para a Apple. Um exemplo: todos os lançamentos da empresa são envoltos por uma aura de

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segredo. Como será o novo iPhone? Quais as novas funcionalidades do iPad? Esses temas são debatidos em sites de tecnologia e também na imprensa em geral – além de virar assunto entre consumidores. O segredo busca potencializar o impacto das novidades. E mesmo com o vazamento quase diário de informações, Jobs conseguia causar um grande reboliço cada vez que subia ao palco para mostrar um novo produto.

Steve Jobs durante um evento especial de divulgação do iPhone 4 na Califórnia, 2010 - Robert Galbraith/Reuters

O controle total sobre seus produtos foi fundamental também para afirmar a marca Apple. Se o usuário quer usar o iOS, tem que comprar um iPhone. Se quer o Mac OS X, deve adquirir um Mac. Assim, a empresa monitora de perto seus usuários e não abre espaço para a divisão do negócio com outros fabricantes, como acontece com a Microsoft e o Google Android, para citar dois exemplos. Para Jobs, não havia meio termo. A história recente da tecnologia provou que ele estava certo. Steve Jobs, o designer de sonhos Perfeccionista, o executivo da Apple sempre se preocupou em adicionar, em altas dosagens, duas qualidades a seus produtos: beleza e funcionalidade Steve Jobs disse certa vez que o design de um produto não se restringe a sua aparência. "Design é como ele funciona." Nada mais verdadeiro para este perfeccionista inventivo. Convicto de que seu senso estético se destacava da

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maioria, Jobs era a pessoa que indicava os rumos que os projetos da Apple deveriam tomar. Mesmo não sendo engenheiro ou designer, a palavra final era dele. E, geralmente, ele estava certo. "Este é um dos meus mantras: foco e simplicidade"

Steve Jobs lança a nova Apple TV durante conferência em São Francisco, 2010 - Paul Sakuma/AP

Isso vale para o iPod, por exemplo. Durante todo o processo, Jobs esteve presente no desenvolvimento do tocador de MP3, apontando erros e caminhos para o sucesso. O design não ficou restrito ao formato do reprodutor de música, basicamente uma caixa para colocar todos os componentes. O principal diferencial do iPod estava na interface, ou seja, no comando que permite ao usuário gerenciar as funções do aparelho. A Click Wheel (idéia de Phil Schiller) e a interface criada pela equipe comandada por Jeff Robin foram essenciais para o sucesso do aparelho. O visual externo, cortesia da mente criativa de Jonathan Ive, fez o resto. Jobs acreditava que o design precisa conter um significado, além, é claro, de ser belo. Usar alumínio nos computadores fez das máquinas da Apple itens mais elegantes – e também mais leves e ecologicamente corretos. Isso era bom design para Jobs. E se for necessário

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investir meses de trabalho para alcançar tal objetivo, isso será feito. O menor detalhe é muito importante. Um exemplo do perfeccionismo de Jobs foi relatado por Leander Kahney no livro A Cabeça de Steve Jobs. Ele conta que, antes do lançamento dos novos iMacs coloridos, em 1999, o executivo fez questão de comandar pessoalmente o ajuste da iluminação que incidiria sobre os protótipos na bancada de apresentação à imprensa. Foram diversas tentativas até que o resultado agradasse o executivo. Parece uma preocupação trivial, mas quem esteve lá garante que o publico ficou embasbacado com o efeito obtido. Atenção especial às pequenas coisas fez da Apple a Apple. Houve, é claro, momentos em que o design superior não surtiu o efeito desejado. O PowerMac G4 Cube, um lindo cubo de acrílico que nem de longe se assemelhava a um computador, foi festejado pelos críticos. Lançado em 2000, ganhou lugar no MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, e muitos prêmios de design em todo o mundo. Mas foi um fracasso de vendas. Um ano depois, foi descontinuado. Era muito caro, quando comparado a outros computadores da marca, além de ter recebido críticas devido a seu processo de manufatura, que imprimia ao chassi ranhuras que pareciam rachaduras. Apesar da insistência de Jobs com o produto, fazendo pequenos reparos, como colocar um drive para gravar CDs, as vendas continuaram baixas. O processo de criação dentro da Apple é similar ao de muitas empresas: tentativa e erro. Nenhum protótipo criado, seja de hardware ou software, é imediatamente adotado. Ele serve apenas de inspiração para um longo trabalho de aperfeiçoamento. Para fazer a barra de rolagem da primeira versão do Mac OS X, por exemplo, foram necessários seis meses de estudos e desenhos, até que finalmente o então CEO estivesse satisfeito com o resultado. Nunca eram aceitas menos de cem versões de um item, o que permite analisar detalhes e escolher a melhor opção. Apesar de seu senso apurado, Jobs sabia que era preciso ouvir outras opiniões. Por isso, costumava andar pela sede da Apple com uma prancha colorida, sobre a qual carregava desenhos de produtos que eram exibidos ao pessoal de sua inteira confiança. A partir das impressões dos interlocutores, dava seu veredicto. A escolha de nomes de produtos, como iPod, que ele rejeitou num primeiro momento, não era feita no calor do momento. Tudo acontecia de maneira fluida, mas sob controle do mestre. E tudo era feito em segredo, com

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diversas equipes trabalhando em partes de um mesmo projeto, mas sem conhecer o todo. Isso tudo porque a surpresa, para Jobs, também fazia parte do design. O computador pessoal de Steve Jobs Uma ideia acompanhou o criador da Apple desde o nascimento da companhia: transformar a máquina em um produto de massas, acessível a todo cidadão O computador é uma peça fundamental nas casas e escritórios em todo mundo. Muito novas, as crianças já sabem, por exemplo, como operar o mouse ou como navegar pela internet. Se o mundo digital está presente na vida de todos, é importante agradecer à dupla Steve Wozniak e Steve Jobs. O primeiro por ter inventado um computador realmente acessível a leigos, o Apple II, e o segundo, por ter convencido Woz a vender sua invenção. "Computadores são como bicicletas para nossa mente" Wozniak disse em sua biografia oficial que, ao criar o seu primeiro computador, não tinha intenção de comercializá-lo. "Projetei o Apple I porque queria dá-lo gratuitamente a outras pessoas", escreveu. Jobs foi a pessoa que o fez mudar de idéia, com um argumento simples: mesmo que tivessem prejuízo vendendo placas de computador, eles teriam sua própria empresa. O pensamento fascinou Woz e a dupla seguiu seu caminho para fundar a Apple Computers. Steve Jobs não era engenheiro. Sua força dentro da empresa estava em outras habilidades: seu poder de convencimento e senso estético. Foi ele o responsável pela primeira venda do Apple I: cem máquinas para uma loja de computadores, um pedido que renderia a quantia de 50.000 dólares. Ele também corria atrás dos fornecedores, convencendo-os a fazer negócio com dois garotos que nem tinham terminado a faculdade. Por outro lado, seu aguçado senso estético, conquistado nas aulas de caligrafia da faculdade, ajudou a criar o gabinete do Apple II, o primeiro feito de plástico e que se tornou um padrão para os computadores da época.

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Steve Jobs fala sobre o iPad durante conferência em São Francisco, 2010 - Justin Sullivan/Getty Images

Mas a principal contribuição de Jobs ao mundo do computador foi sua participação em um projeto menor dentro da Apple, chamado Macintosh, originalmente comandado por Jeff Raskin. Jobs acabou assumindo o grupo, transformando o Mac original em algo em que ele acreditava: um dispositivo voltado para as massas, com uma interface gráfica intuitiva. Em outras palavras, um eletrodoméstico. O Macintosh foi revolucionário em vários sentidos para sua época, mesmo não tendo um disco rígido e outras funcionalidades importantes. Sua tela monocromática, mas com pequenos ícones representando comandos, e sua caixa fechada, impedindo alterações e modificações, foi uma vitória da inteligência arrogante de Jobs. Outro passo importante de Jobs foi deixar a Apple e criar a NeXT. Seu computador em forma de cubo feito em magnésio, era diferente de tudo que se fazia na época. Em uma máquina dessas foi desenvolvido o primeiro servidor web e também o primeiro navegador para a internet. Também nessa época, começou a ser desenvolvido o sistema operacional que serviria de base para o Mac OS X. A empresa foi um fracasso, não conseguiu vender seus computadores para o grande público, mas serviu de trampolim para que Jobs voltasse à Apple para salvar a empresa que criara vinte anos antes.

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Steve Jobs no lançamento do iCloud em junho de 2011 - Justin Sullivan/Getty Images

No regresso, Jobs colocou ordem na bagunça em que a Apple se tornara, oferecendo uma infinidade de equipamentos, cada um deles roubando espaço do outro no mercado e aos olhos do consumidor. De uma só vez, Jobs cortou excessos, deixando apenas duas linhas de produtos: uma para consumidores comuns, outra para profissionais. Para atender ao usuário doméstico, apostou em um projeto monobloco, diferente de tudo que estava à disposição dos consumidores: o iMac. A Apple passou, finalmente, a ser a empresa que oferece novas tecnologias para cidadãos comuns. O iMac foi o primeiro computador equipado com portas USB, hoje um padrão de mercado. O iBook, de 1999, introduziu a rede sem fio para notebooks, com o seu AirPort. A porta de conexão FireWire, com velocidades de transferência de 400 Mb/s, ajudou a criar a indústria do vídeo digital. Por último, mas não menos importante: a marca desenvolveu baterias para notebooks com autonomia superior a 3 horas, antigo padrão de desktops. Com inovações como essa, Jobs provocou impacto na vida de todos nós e, em certa medida, ajudou a formatar o mundo de nossos dias. Fã dos Beatles, Steve Jobs revolucionou o negócio da música Quando tudo parecia perdido para as gravadoras, devido ao download ilegal, a Apple estabeleceu um modelo de reprodução e venda do formato MP3

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Da esquerda para direita: Steve Jobs em 2000, 2003, 2005, 2006, 2007 e 2008 - Reuters

Uma pequena caixinha de plástico e metal do tamanho de um maço de cigarros foi a salvação de uma empresa e também da indústria da música. Batizado de iPod e lançado em outubro de 2001 sem muita festa, o dispositivo foi uma aposta pessoal de Steve Jobs, que tinha voltado havia apenas quatro anos à companhia que fundara 25 anos antes. Se, antes do iPod, a Apple era apenas uma empresa de computadores que detinha 3% de seu mercado, atualmente ela manda no mundo musical, com mais de 10 bilhões de canções e 307 milhões de dispositivos comercializados no planeta em dez anos. Para se ter idéia do que isso representa, o Walkman, da Sony, símbolo da geração de 1980, levou 15 anos para vender 350 milhões de unidade.

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Tim Cook, o novo executivo-chefe da Apple (Chris Hondros/Getty Images)

O iPod foi uma idéia de Steve Jobs. Ele vislumbrou um novo modo de vida, em que fotos, vídeos e músicas estariam armazenadas no computador, o chamado "hub digital". Percebendo que o mercado de tocadores de MP3 ainda engatinhava, sem padrão definido e com interfaces completamente inúteis, Jobs decidiu criar um dispositivo que fosse elegante e, ao mesmo tempo, fácil de usar. Desenvolvido em menos de um ano, o iPod foi anunciado com um slogan sedutor: "Mil canções em seu bolso." Exclusivo para Macs, o aparelho levou três anos para se tornar um grande sucesso. Em 2004, chegou a ter 90% do mercado de tocadores de música. Atualmente, responde por 63%, segundo a NPD Research. A principal razão do sucesso do iPod repousa em sua interface. Simples e intuitiva, ela facilita a tarefa do consumidor que procura uma música. Girando a Click Wheel, como é chamado seu controle principal, podia-se gerenciar canções e volume. O mecanismo foi copiado com mais ou menos pudor pela concorrência. Sozinho, o iPod era uma grande arma, mas não venceria a batalha em nome da Apple. Para isso, seria necessário adicionar uma loja de músicas digital, onde seria possível comprar canções por menos de 1 dólar e copiá-las para o iPod para reprodução. A iTunes Store foi lançada em 2003, pouco antes de a Apple habilitar seu tocador para funcionar em parceria com o Windows, sistema operacional rival, da Microsoft. A partir desse ponto, as vendas saltaram de 900.000 unidades ao ano para 2 milhões por trimestre, no final de 2004.

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O ecossistema iTunes + iPod foi responsável pela afirmação da música digital, revolução iniciada com o Napster. Para quem não se lembra, o Napster era uma rede de distribuição ilegal de músicas no formato MP3 surgida em 1999. Prejudicada pelo download desenfreado, a indústria fonográfica demorou a empreender uma tática de contra-ataque. Tentou coibir a prática de download ilegal reprimindo o usuário com o auxílio da RIAA (Recording Industry Association of America). Steve Jobs percebeu ali uma brecha, uma oportunidade de revolucionar o mundo musical. Atraiu as quatro grandes gravadoras para o que seria sua loja on-line, com fonogramas sendo vendidos a menos de 1 dólar. No dia do lançamento da iTunes Store, Jobs enfatizou a importância da iniciativa. Usar o Napster era o mesmo que roubar. Já sua loja oferecia uma alternativa: a músicas em troca de um preço justo, e ínfimo, para o consumidor.

iPhone 4: executivo sempre prezou pelo design perfeito de seus produtos (Reprodução)

E ele estava certo. Em 2003, no dia do lançamento, as prateleiras virtuais da iTunes Store ofereciam apenas 200.000 músicas, provenientes do acervo das grandes gravadoras da época (atualmente, o iTunes Store conta com mais de 13 milhões de arquivos). Em um ano, foram feitos 100 milhões de downloads. Em 2010, um senhor de 71 anos comprou uma canção de Johnny Cash (Guess Things Happen That Way), a faixa vendida de número 10 bilhões. Steve Jobs em pessoa ligou para ele para dar a notícia.

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Não é exagero dizer que Jobs foi a pessoa mais influente do mercado de música digital nos últimos dez anos. Nesse período, ele conseguiu forçar as grandes gravadoras a manter o valor pago por download de músicas: 0,99 centavos de dólar a unidade. Para os artistas, era uma boa oportunidade. Estar na iTunes Store passou a ser a única maneira de atingir as novas gerações de ouvintes, que com seus iPods ditam o sucesso ou não de uma canção. Atualmente, as opções aumentaram (Amazon MP3 Store, por exemplo), mas nenhuma ainda chegou perto do prestígio (e dos lucros) da Apple. Em novembro de 2010, depois de vários anos de espera, o catálogo dos Beatles passou a ser vendido na iTunes Store com grande estardalhaço. Em poucas horas, três álbuns da banda inglesa já estavam entre os mais vendidos. Finalmente, Steve Jobs conseguiu realizar seu sonho. Afinal, diz a lenda, o nome escolhido por ele e Steve Wozniak para a empresa criada em 1976 pretendia homenagear o quarteto de Liverpool – que lançou seus discos pela gravadora Apple.

iPod: aparelho foi uma das armas da revolução musical causada pela Apple (Divulgação)

Steve Jobs, um sopro de inteligência no mercado de celulares

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O iPhone estabeleceu um padrão ainda não superado para smartphones, animados por outra invenção da Apple: um pujante mercado de aplicativos A Apple lançou o iPhone em 2007. O mundo da telefonia móvel nunca mais seria o mesmo. Em menos de quatro anos, a empresa saiu de zero para quase 4% do mercado mundial, deixando para trás a Motorola e seguindo de perto a LG, segundo dados do Gartner, especializado em análise de mercados, divulgados neste ano. Se a Nokia ainda é a maior (com a Samsung na cola) no segmento de celulares, no caso dos smartphones (aparelhos que se parecem mais com um computador de mão), a Apple é a segunda, perdendo apenas para os produtos com Android, o sistema operacional do Google (25,5% contra 34,7%, de acordo com a empresa comScore). Até o ano passado, a Apple reinava absoluta nesse mercado. "Inovação distingue o líder do seguidor" Fica mais fácil entender a força do iPhone quando se lembra que a empresa de Steve Jobs tem apenas um smartphone, que luta no mercado contra os demais fabricantes. E não é só isso: o Android, como sistema operacional, só existe porque o iOS chegou primeiro. É mais ou menos o que aconteceu com o Windows e o Mac OS na década de 1990. Mas a batalha ainda não está perdida para a Apple. Jobs foi fundamental para a criação do iPhone. Na verdade, ele foi o responsável pelo projeto, depois do enorme fracasso do ROKR E1, desenvolvido em parceria com a Motorola. Com o apoio da operadora norte-americana Cingular (hoje AT&T), Jobs passou a desenvolver um aparelho que fosse do jeito que ele queria. A idéia era usar uma tela sensível ao toque, que acabou sendo atualizada para uma com multitoque (que aceita vários comandos ao mesmo tempo), sendo possível usar gestos como o de pinça para dar zoom em uma imagem. No dia da apresentação do primeiro modelo, 9 de janeiro de 2007, o público foi pego de surpresa, pois ninguém imaginava que o iPhone seria assim: muito mais do que um simples celular. Em pouco mais de dois anos, todos os fabricantes de smartphones tentaram criar o "iPhone Killer", um rival à altura. Ninguém conseguiu até o momento. Segundo uma pesquisa da ChanceWave feita recentemente, o iPhone é o sonho de consumo de 46% das pessoas interessadas em tecnologia nos EUA. Entre os consumidores que já compraram um, 70% estão muito satisfeitos. O mercado de smartphones praticamente não existia. Na época, reinavam absolutos nessa área o Palm Treo, o Nokia N97 e os BlackBerrys, famosos pelo seu servidor de e-mails. Mas nenhum deles tinha um sistema prático de

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navegação pela internet. A tecnologia 3G ainda engatinhava. O Safari Mobile foi considerado na época o Santo Graal da internet móvel. Com ele, era possível acessar páginas da web do mesmo jeito que se fazia nos computadores. Em 2008, o crescimento deste mercado foi de 60%, chegando a 115 milhões de unidades vendidas. No seu primeiro ano, o iPhone chegou a ter 28% do total de vendas, perdendo apenas para a RIM, com 41%. Desde então, a Apple ultrapassou a empresa canadense. Em vez de se deitar nos louros da vitória, a Apple continuou a aprimorar o iPhone. Na segunda geração, de 2008, o smartphone ganhou conexão 3G e seu maior diferencial, a App Store, uma loja de aplicativos nativos para o sistema operacional do iPhone (hoje, batizado de iOS). No dia do lançamento, eram 500 programas à disposição dos usuários. Atualmente, são mais de 500.000 aplicativos, que já produziram 15 bilhões de downloads. O Android Market, loja de software para os smartphones que rodam o sistema do Google, oferece 200.000 programas (no lançamento, em março de 2009, eram 2.300). Ao lançar o iPhone 4, Steve Jobs conseguiu outro feito memorável. Logo no primeiro mês, o aparelho mostrou falhas na recepção do sinal. Muita gente reclamou e o episódio ganhou o nome de Antennagate, uma vez que o problema era atribuído à antena. A Apple veio a público. Jobs, com maestria, conseguiu provar que o problema existia em outros aparelhos, ou seja, não era exclusivo do iPhone. Para não irritar mais o público, ofereceu capinhas que atenuavam o problema no seu smartphone. Em poucos dias, o Antennagate morreu, como se nunca tivesse existido. E as vendas do iPhone 4 foram muito bem, obrigado. Neste trimestre, foram vendidos 20,34 milhões de unidades. O mercado de aplicativos móveis foi praticamente inventado pela Apple. A App Store é um modelo de negócios como nenhum outro. Há casos de desenvolvedores independentes que ficaram milionários em poucos meses, como a Rovio, que criou o jogo Angry Birds. Praticamente na falência, a empresa se tornou um grande sucesso, com vendas superando os 200 milhões de downloads, a criação de uma franquia com a FOX e até uma série para TV e filme. Nada disso seria possível sem a App Store. O iPhone e seus derivados (iPod touch e iPad) são atualmente a plataforma portátil para games mais popular do mundo, superando PSP, da Sony, e Nintendo DS. Nada mal para quem, há quatro anos, não era nada no mercado de telefonia móvel. Rivais vencidas pela Apple se curvam à genialidade de Jobs

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Sony, Nokia e Samsung perderam mercado (e muito dinheiro) com as inovações da adversária americana. Todas homenageiam Jobs, 'estrela guia da era digital' Desde que Steve Jobs voltou à presidência da Apple e transformou a empresa numa concorrente quase imbatível, três das principais companhias de tecnologia do planeta sofreram muito - e perderam muito dinheiro - em função das ideias geniais do empresário americano, morto na noite de quarta-feira. A Sony, que transformou a forma como se ouve música ao inventar o Walkman, ficou para trás com o surgimento do iPod. A Nokia, gigante da telefonia celular, perdeu mercado para o iPhone. E a Samsung, concorrente da Apple nos segmentos de computadores, tablets e players de música digital, teve de investir pesado para não ficar muito atrás da rival. Momentos depois do anúncio da morte de Steve Jobs, essas três empresas se curvaram ao seu talento e influência, prestando homenagens ao homem que transformou o mercado em que elas atuam. O presidente da Sony, Howard Stringer, admitiu claramente o tamanho do impacto de Jobs no setor: "A era digital perdeu sua estrela guia, mas a inovação e a criatividade de Steve seguirão inspirando sonhadores e pensadores durante gerações", afirmou. A Sony, que criou o Walkman em 1979, foi desbancada nesse segmento pelo iPod da Apple em 2001. Os dois grupos também são rivais nas áreas de computadores e telefones celulares. O executivo-chefe da finlandesa Nokia, Stephen Elop, também lamentou a morte de Jobs, a quem qualificou de "um autêntico visionário" da inovação tecnológica. "A paixão de Steve pela singeleza e elegância deixa a todos nós um legado que irá perdurar por gerações. Hoje, meus pensamentos e os de todos os que trabalham na Nokia estão com seus amigos e parentes", disse, em um breve comunicado. Jobs revolucionou o mercado da telefonia celular em 2007, com o lançamento do primeiro modelo de iPhone, e em poucos anos transformou a Apple no principal rival da Nokia no segmento dos smartphones. Graças à crescente popularidade do iPhone, a companhia de Jobs tirou a Nokia do posto de maior fabricante mundial de smartphones no segundo trimestre deste ano, ao vender 20,3 milhões de aparelhos, 3,6 milhões mais que a gigante finlandesa, segundo a empresa de consultoria Strategy Analytics. Em 2009, Apple e Nokia travaram uma longa batalha legal sobre supostas violações de propriedade intelectual de ambos os lados. Jobs e Elop puseram fim à chamada "guerra das patentes" em junho deste ano, quando as duas companhias assinaram um acordo para retirar todos os processos mediante o pagamento de indenização da Apple à Nokia. Outra empresa que briga nos tribunais com a Apple é a sul-coreana Samsung - e ela também se pronunciou sobre a morte de Jobs, num comunicado assinado por seu presidente, Choi Gee-sung. Ele destacou o espírito inovador de Jobs e

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transmitiu aos familiares e colegas de Jobs suas "mais profundas condolências". Referindo-se a ele como "presidente Steve Jobs", o comunicado lembra que o rival "introduziu numerosas mudanças revolucionárias na indústria da tecnologia e foi um grande empreendedor". A Samsung, cuja guerra sobre patentes com a Apple envolve cerca de 20 processos no mundo todo, destacou "o espírito inovador e suas enormes conquistas que sempre serão lembrados pelas pessoas no mundo todo". Apesar da rivalidade, as empresas fazem negócios juntas - a Samsung vende componentes para fabricar o iPhone e o iPad. Repercussão Bill Gates: 'Trabalhar com Steve Jobs foi uma honra insana' Familiares, concorrentes e colegas lamentam morte do criador da Apple

Bill Gates: "Sentirei sua falta imensamente" (Fabrice Coffrini/AFP)

“Para aqueles que, como nós, tiveram a sorte de trabalhar com Steve Jobs posso dizer: foi uma honra insana”. Foram essas as palavras escolhidas pelo maior concorrente do fundador da Apple, Bill Gates, para despedir-se do colega, que morreu nesta quarta-feira, vítima de um câncer no pâncreas. O cofundador da Microsoft disse ainda: “O mundo raramente vê alguém capaz de causar o impacto profundo que Steve Jobs causou, os efeitos de seus atos serão sentidos por muitas gerações. Sentirei sua falta imensamente”.

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"A Apple tem a ver com pessoas que pensam fora do quadrado" Jobs, que transformou os hábitos de consumo de várias gerações com produtos como o iPod, o iPhone e o iPad, morreu um dia depois da Apple apresentar a nova versão do iPhone, o 4S. Para a Apple, agora presidida por Tim Cook, o mundo perdeu “um ser humano incrível”. "A Apple perdeu um gênio visionário e criativo, e o mundo, um ser humano incrível. Steve deixa para trás uma companhia que somente ele pôde erguer e seu espírito será para sempre a essência da Apple", diz comunicado da corporação. Brilhantismo - Em homenagem a Jobs, uma enorme foto em preto e branco dele passou a ocupar toda a tela do site oficial da Apple. Ao clicar nela, o seguinte texto: "Estamos profundamente tristes em anunciar que Steve Jobs morreu hoje. O brilhantismo, a paixão e a energia de Steve foram a fonte de incontáveis inovações que enriqueceram e melhoraram todas as nossas vidas. O mundo é incomensuravelmente melhor por causa de Steve. O maior amor de sua vida era por sua esposa, Laurene, e por sua família. Nossos corações estão com eles e com todos que foram tocados por seus dons extraordinários." A família de Jobs também se manifestou publicamente, mas pediu privacidade. "Ele morreu hoje, pacificamente, cercado por sua família... Nós sabemos que muitos de vocês sentirão a perda conosco, porém, pedimos respeito e privacidade durante esta hora de dor". Além de agradecer as orações de todos aqueles que pediam a melhora de Jobs, familiares prometeram um website para os que quiserem prestar homenagens. Sucessor - Logo após o anúncio de sua morte, mais ícones da internet e da informática prestaram-lhe homenagem. Cook lamentou a morte de seu antecessor e enviou pêsames à família. "Não há palavras que expressem adequadamente nossa tristeza com a morte de Steve nem nossa gratidão pela oportunidade de ter trabalhado com ele. Nós honraremos sua memória nos dedicando a dar continuidade ao trabalho que ele tanto amava", afirmou em nota. Mark Zuckerberg, fundador da rede social Facebook, declarou: “Steve, obrigado por ser um mentor e um amigo. Obrigado por mostrar que o que você construiu pode mudar o mundo. Sentirei sua falta.” 'Steve Jobs fez a Apple ser o que é', diz o amigo Steve Wozniak Para o cofundador da gigante de tecnologia, legado do executivo foi forçar empresa a rejeitar produtos razoáveis ou bons: só a excelência era aceitável

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Steve Wozniak: cofundador da Apple ajudou Jobs a montar seu império (Marcel Antonisse/AFP)

Steve Wozniak é um nome a ser lembrado no universo da tecnologia. Criador do primeiro computador pessoal realmente utilizável, foi cofundador da Apple ao lado de Steve Jobs e Ronald Wayne – que detinha 10% das ações e servia de fiel da balança caso os dois Steves não entrassem em acordo. Ele faz parte do National Inventor Hall of Fame, dos Estados Unidos, graças à invenção do microcomputador usado em conjunto com um monitor, o Apple II. Distante das grandes empresas, ele roda o mundo atualmente fazendo conferências e estudos. Amigo íntimo de Jobs, tem uma visão clara da importância do ex-CEO da Apple tanto para a história da empresa quanto para os destinos da indústria da tecnologia. "Ele é o homem que fez a Apple ser o que ela é hoje", diz Woz, como é conhecido pelos amigos. "A principal contribuição de Steve para a Apple foi não permitir que a companhia fizesse produtos apenas razoáveis, nem mesmo bons: ele só aceitava os excelentes." Confira a seguir a entrevista que ele concedeu ao site de VEJA no início de agosto. "Meu trabalho não é ser fácil com as pessoas, mas torná-las melhores" O senhor tem conversado com Steve Jobs ultimamente? Sim. Às vezes, ele aparenta estar cheio de energia. Outras vezes, parece cansado. Não falamos sobre sua saúde. Qual é a importância dele para a Apple?

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Ele é o homem que fez a Apple ser o que ela é hoje. Qual é a maior contribuição dele para a empresa? A principal contribuição de Steve para a Apple foi não permitir que a companhia fizesse produtos apenas razoáveis, nem mesmo bons: ele só aceitava os excelentes. Ele sabe o que faz sentido e não aprova qualquer lixo apenas por delicadeza com alguém. Ele sabe o que as pessoas querem ver nos produtos e também o que não querem. É um entendimento total do que motiva o ser humano. Eu não acho que eu poderia saber essas coisas sozinho. Talvez eu percebesse isso tudo dez anos depois de Steve ter feito. Em minha vida pessoal, tento fazer várias coisas do modo que suponho que ele faria. Mas, por muitas razões, eu geralmente falho. O que torna Jobs tão único na indústria de tecnologia? Muitos líderes contratam pessoas inteligentes e as seguem. Steve contrata as pessoas inteligentes, mas é esperto o suficiente para questioná-las e saber o que é ótimo e o que é médio. Ele também sabe o que os consumidores vão querer desesperadamente e o que eles até podem comprar, mas não vão realmente amar. Como será a Apple sem Steve Jobs? Espero que ainda seja a melhor companhia, com o melhor gerenciamento possível. Qual será a contribuição da companhia para a indústria? A Apple é a líder. A empresa tem tantos produtos fantásticos que mantém os consumidores mais fiéis, que vão continuar a confiar na Apple, produto após produto. A maneira como nós seguimos com nossas vidas é mais determinante dentro da Apple do que em qualquer outra empresa. O senhor acredita que a Apple enfrentará problemas sem Jobs no comando? Não, não vejo dessa forma. Acho que os investidores verão que a empresa é muito grande e que não irá mudar em curto prazo. O senhor se vê envolvido com a Apple no futuro?

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Não, de forma alguma. Eu gosto de ter um tipo de crachá, mas não acredito que estar ligado a ela em tempo integral, como um gerente ou algo assim, seja importante. Não é a minha praia. Na verdade, nunca foi. 'Steve Jobs é o Henry Ford da tecnologia' Estudioso da Apple, Leander Kahney afirma que, a exemplo do pai da linha de montagem, o pai da Apple inovou ao levar seu produto a todo consumidor Leander Kahney é um dos principais especialistas do universo Apple. Seus livros A Cabeça de Steve Jobs, Cult of Mac (Culto do Mac) e Cult of iPod (Culto do iPod) são sucessos de venda em todo o mundo e fizeram de seu autor uma fonte obrigatória quando a tarefa é investigar a trajetória e o sucesso da marca. Para ele, Jobs já tem um lugar garantido na história: "Ele é o Henry Ford da tecnologia." Não é pouco – e faz sentido. Ford (1863-1947) fundou a montadora que leva seu nome e foi responsável pelo desenvolvimento da chamada linha de montagem, método revolucionário que deu escala à produção (de veículos primeiro; depois, de todos os tipos de produto) e concretizou um sonho do próprio empresário: popularizar seu produto a tal ponto que até os operários que participavam da fabricação dos carros pudessem adquiri-los. "Steve Jobs é o maior inovador na indústria da tecnologia voltada ao consumidor", diz Kahney, que, por isso, classifica o pai da Apple não como um inventor ou empresário, mas como artista. Confira a seguir, a entrevista que ele concedeu a VEJA a partir de São Francisco, na Califórnia, onde vive. "Computadores são como bicicletas para nossa mente" Steve Jobs é um CEO sem igual. Por quê? Jobs tem valores diferentes dos demais. Muitos na indústria de tecnologia são engenheiros e tem uma mente muito técnica para fazer produtos que podem ser facilmente usados pelo público em geral. Eles começam com a tecnologia e ignoram a experiência de usuário. Jobs se parece mais com um artista, que faz produtos de alta tecnologia para os consumidores. Ele começa com a experiência e faz o caminho inverso até a tecnologia. Jobs ainda é muito importante para a Apple? Claro que ele é muito importante. Jobs é a Apple e a Apple é Jobs. Mas, por outro lado, ele recriou a empresa à sua imagem, e ela irá continuar bem sem ele por muitos anos. Biógrafos de Jobs sempre citam o "bom Steve" e o "mau Steve", em referência à generosidade e ao rigor dele. Qual dessas características foi mais efetiva no trabalho dele á frente da Apple? O "mau Steve' é muito mais famoso, mas o "bom Steve" é mais importante. A carreira dele é marcada por uma cadeia de

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colaborações criativas, com Steve Wozniak, Jon Rubinstein, Avadis Tevenian, Jonathan Ive e John Lasseter, entre outros. Você não consegue fazer um grande trabalho com essas pessoas se gritar o tempo todo com elas. Qual será o legado de Jobs? Steve Jobs é o maior inovador na indústria da tecnologia voltada ao consumidor. Ele é o Henry Ford da tecnologia. E qual a maior contribuição dele para a Apple? Eu diria que são cinco: o Apple II, primeiro PC voltado ao consumidor comum; o Mac, primeiro PC de para consumidores que fez sucesso; o iPod, primeiro produto de tecnologia com um serviço vertical integrado e um ecossistema de mídia; e o iPhone e o iPad, que são verdadeiramente os primeiros computadores pessoais feitos para consumidores comuns. Eles fazem o Mac parecer primitivo. Como será a Apple sem Steve Jobs? Acho que a empresa ficará bem sem Jobs, mas não terá a mesma mágica. Ele é insubstituível. Mesmo assim, a Apple sempre foi uma empresa criativa, e sua cultura garantirá sua sobrevivência por muitos anos, talvez até décadas, assim como Disney, Ford, HP e IBM. Como a empresa se integrará ao futuro da indústria? Interfaces com telas sensíveis ao toque ou por comandos de voz serão, claramente, o futuro. Nós veremos tablets especializados para leitura, para assistir à TV, para comunicações e criatividade. O teclado e o mouse se tornarão dispositivos de nicho. A maioria das pessoas irá interagir com computadores usando os dedos ou voz, até mesmo – ou especialmente – no trabalho. E isso é obra da Apple. As ações da Apple podem perder valor sem Jobs? Acho que sim, as ações irão cair obviamente. Mas tenho certeza de que a queda não irá durar muito. Os investidores verão que é uma empresa forte e as ações subirão novamente. 'Steve Jobs foi um revolucionário' Autor de dois livros sobre o método de trabalho do pai da Apple, Carmine Gallo diz que o executivo reinventou não um, mas quatro setores da indústria

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Steve Jobs: o homem que revolucionou a indústria da música digital (Matt Dunham/Files/Reuters)

Atualmente, ninguém escreve tanto sobre Steve Jobs quanto Carmine Gallo. Especialista em treinamento de empresários e colunista da revista Businessweek, Gallo produziu dois livros (Faça como Steve Jobs e Inovação, A Arte de Steve Jobs) sobre o método de trabalho do ex-CEO da Apple, sempre tentando revelar as vantagens de seguir os passos de Jobs – e inovar no mundo dos negócios. Para Gallo, contudo, Jobs foi além da inovação. Foi um revolucionário. "Poucas pessoas conseguiram revolucionar uma indústria. Ele revolucionou quatro: computadores, telecomunicações, filmes e música", diz o americano. Confira a seguir a entrevista que ele condeceu ao site de VEJA. Qual foi a maior contribuição de Jobs para a Apple e para a indústria? Ele mudou totalmente o modo como interagimos com equipamentos digitais. Se não fosse por Jobs, ainda estaríamos digitando linhas de comando, em linguagem de máquina! Certo, estou exagerando, mas não muito. Poucas pessoas conseguiram revolucionar uma indústria. Ele revolucionou quatro: computadores, telecomunicações, filmes e música. Qual é o legado de Jobs? Ele enriqueceu nossas vidas, seja você um usuário de Mac ou não. Jobs é apenas carisma?

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Já ouvimos muitas histórias sobre seu estilo de gerência. Acredito que parte do seu carisma se devia à visão que ele tinha sobre os computadores e como eles iriam mudar o mundo. O senhor acredita que o budismo influenciou o trabalho dele? O conceito de simplicidade que existe no budismo influenciou muito o modo como ele queria que seus dispositivos fossem construídos. Isso também impactou suas apresentações, diretas e minimalistas. O que fez dele um homem tão único? Seu extraordinário poder de comunicação. Em geral, líderes são confusos e chatos. Uma apresentação de Jobs era um evento teatral completo, com heróis e vilões, diversos personagens e slides primorosos. Como será a Apple sem Jobs? No curto prazo, a empresa irá continuar a entregar novos e fantásticos produtos. Minha preocupação é com o futuro distante: quem vai liderar a companhia depois que as pessoas que tinham contato direto com Jobs também deixarem a Apple? A visão dele era central para tudo. Algumas empresas continuaram o legado de seus fundadores – a Disney é um bom exemplo –, mas poucas conseguem isso. Sem Steve Jobs, a Apple pode enfrentar problemas com os investidores? Investidores não gostam de incertezas, e, sem Jobs no topo, a Apple pode encarar um futuro incerto. Eu acredito que a empresa está em ótimas mãos, mas os investidores só sabem pensar no curto prazo. Qual sua avaliação sobre Tim Cook como CEO? Tim Cook é um insano – e isso é um elogio! Sua força e energia são lendárias. Assim como Jobs, Cook desafia incessantemente os empregados a fazer cada vez mais. Ele pode não ter a mesma "presença de palco" que Jobs tinha, mas é muito esperto, um grande comunicador, apaixonado pela Apple. 'Eu vi Steve Jobs' Por anos, correu o boato de que o executivo exercia uma influência quase incontrolável sobre plateias em suas apresentações. É pura verdade

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Fui a minha primeira Macworld em 2008, em San Francisco, na Califórnia. Foi a última vez que Steve Jobs apresentou o principal evento dedicado a usuários de produtos Apple do planeta. A estrela daquela edição foi a primeira versão do MacBook Air, o notebook mais fino já produzido até então. Devo admitir logo: estar ali, próximo ao palco e a poucos metros de Jobs, foi uma experiência incomum. "Tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles já sabem o que você quer se tornar" Depois que as apresentações de Jobs se tornaram frequentes, passou a ser lugar-comum dizer que seu carisma criava um "campo de distorção da realidade". Ou seja, tudo o que ele falava ou mostrava seria apreendido pelos sentidos da plateia de forma alterada – na prática, de maneira encantada. Devo admitir novamente: foi exatamente essa a sensação que tive. A plateia ficava em estado de êxtase cada vez que o executivo repetia uma frase, claramente um recurso retórico que pretendia valorizar seus produtos: "One more thing..." (Tem mais uma coisa). Gritos e assovios explodiam entre os ouvintes. Ninguém consegue fazer isso no universo da tecnologia. Cada palavra, cada gesto, todos ensaiados à exaustão, atraíam ainda mais a audiência, que sequer piscava a certa altura. Aficionados pela Apple, fanáticos por Jobs, os fãs pareciam ter a impressão de que assistiam à transformação do mundo diante de seus olhos. O curioso é que nem tudo o que se via era de fato novidade – o que revela o quão magnético era Jobs. Um exemplo: durante a apresentação, Jobs mostrou uma atualização do iOS, na época ainda a versão 1.1.3, que tinha vazado na internet semanas antes. Contudo, a cada frase de Jobs sobre o produto, a cada imagem do sistema exibida, ouvia-se um "Oh!" crescente da plateia, seguido de aplausos. Ou seja, o público reagia como se visse algo inédito. Não era. O show começara antes, com o lançamento de um novo produto, o Time Capsule: colocar um roteador Wi-Fi com um disco rígido para fazer backups. Trata-se de uma ideia incrivelmente simples, mas que ninguém havia proposto àquela altura. O projeto, como de costume, vinha embalado por um design elegante. Devo admitir mais uma vez: no exato momento em que Jobs apresentava o Time Capsule, tive a absoluta certeza de que precisava de um. E o que dizer da entrada em cena do MacBook Air? Quando Jobs retirou o finíssimo notebook de um envelope pardo... foi o ápice do evento. Especialmente porque – eis mais um truque do executivo – o envelope ficara à vista de todos durante toda a apresentação: abandonado sobre a mesa, onde

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também estava a garrafa de água que Jobs sempre carregava consigo. Quem poderia pensar naquilo além de Jobs? Deixamos todos o evento com a sensação de que a Apple é a maior, a melhor, a mais inventiva empresa de tecnologia do munto. Saímos também dispostos a gastar o que fosse preciso para adquirir um de seus produtos – e usufruir de suas vantagens. Devo admitir pela última vez: eu vi meu mundo mudar naquele dia. De NY a Pequim, o mundo se rende em homenagens a Jobs Lojas da Apple em todo o mundo manterão luzes apagadas para lembrar morte de seu gênio criativo, que sucumbiu a um câncer que enfrentava desde 2004 Steve Jobs revolucionou o mundo da tecnologia ao criar o iPod, o iPhone e o iPad - e conseguiu transformar desde a maneira como as pessoas ouvem música à forma como acessam a internet. E o impacto de sua morte, na noite desta quarta-feira, pode ser sentido ao redor do mundo nesta quinta, com homenagens em série ao gênio criativo por trás da Apple. De Nova York a Pequim, os fãs de Jobs prestam seus tributos ao cofundador da Apple utilizando-se, inclusive, de velas virtuais, expostas nas telas de iPhones e iPads. A comoção atingiu não apenas pessoas comuns, mas também importantes chefes de estado, como o presidente americano Barack Obama, o francês Nicolas Sarkozy e o russo Dmitri Medvedev. Em homenagem a Jobs, as lojas oficiais da Apple em todo o planeta manterão as luzes apagadas durante todo o dia. Na China, quase 35 milhões de mensagens no serviço de microblogs Sina Weibo, o principal do país, foram registradas nesta quinta-feira em memória de Steve Jobs. Além disso, as lojas da empresa tinham grandes filas de pessoas que pretendiam prestar homenagens. A Apple é muito popular no país asiático e, a cada lançamento da marca, os fãs da marca formam filas quilométricas. Os chineses pareciam especialmente comovidos. "Vim aqui ver como eles vão operar no primeiro dia depois de perderem Steve Jobs", afirmou Jin Yi, de 27 anos, na maior loja da Apple na China, em Xangai, que abriu no mês passado. "É uma pena o dia de hoje. Ele criou todos esses aparelhos que alteraram as percepções das pessoas sobre as máquinas. Mas não conseguiu testemunhar o último passo, pelo qual, por meio dos seus equipamentos, as vidas das pessoas poderão ser efetivamente unidas a essas máquinas." Em Hong Kong, Charanchee Chiu deixou um solitário girassol e uma rosa branca em frente a loja local da Apple. "Estou triste. Acho que ele deveria ter vivido mais", afirmou Chiu, que disse ter enviado a Jobs mensagens aconselhando-o sobre saúde e a prática do tai-chi.

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EUA – Na sede da empresa que Jobs fundou em 1976 - na Infinite Loop, 1, Cupertino, Califórnia -, bandeiras tremulavam a meio mastro, e muita gente se reuniu num gramado próximo após a morte de Jobs, na quarta-feira. Abalados, fãs da Apple deixavam flores, e um homem tocava gaita de fole. "Na minha cabeça, não existe diferença entre ele e Pasteur", disse Chitra Abdolzadeh, que trabalha no setor da saúde em Cupertino, numa referência ao ilustre químico francês. Na loja Apple do centro de San Francisco, as pessoas seguravam imagens de Jobs nas telas dos iPads, e grudavam cartões e bilhetes na vitrine, dizendo "Obrigado Steve" e "Odeio o câncer". No lado de fora havia velas e maçãs vermelhas. Cory Moll, funcionária da loja, disse que Jobs era uma inspiração para ela. "Temos sorte por tê-lo tido enquanto o tivemos", afirmou Moll, segurando um iPad com uma citação em homenagem ao empresário. "O que ele fez para nós como cultura ecoa de forma ímpar em cada pessoa. Mesmo que elas nunca usem um produto da Apple, o impacto que eles tiveram é abrangente demais." Do outro lado do país, em Nova York, um memorial improvisado com folhetos exibindo imagens de Jobs foi montado em frente à loja 24 horas da Apple na Quinta Avenida. Luzes – Embora sua filosofia seja "valorizar as tecnologias e não as pessoas", a Apple decidiu prestar mais uma homenagem a Jobs nesta quinta. Além de diminuir a iluminação das mais de 300 lojas oficiais do mundo todo - nas quais também está projetada a imagem de Jobs nas telas de seus dispositivos -, a Apple incluiu uma imagem em preto e branco do fundador da empresa acompanhada das datas de seu nascimento e morte. "A Apple perdeu um gênio criativo visionário e o mundo perdeu um ser humano maravilhoso. Nós, que tivemos a sorte de conhecer e trabalhar com Steve, perdemos um amigo querido e um mentor inspirador. Steve deixa uma companhia que só ele poderia ter construído e seu espírito será sempre o alicerce da Apple", divulga a empresa em seu site. Também foi habilitado um endereço de e-mail "rememberingsteve@apple.com" para que os internautas enviem suas homenagens. Os sites da Amazon e do Google também dedicaram espaço para homenagear o fundador da Apple, mostrando seu nome e as datas de seu nascimento e morte em sua página principal.

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Homenagem a Steve Jobs em frente a uma loja da Apple em Nova York - Andrew Burton/Getty Images/AFP

Homenagem a Steve Jobs em uma loja da Apple em Hong Kong, China - Laurent Fievet/AFP

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Loja da Apple em Seul, Coreia do Sul - Jo Yong-Hak/Reuters

Homenagem a Steve Jobs em frente uma loja da Apple, Califórnia - Robyn Beck/AFP

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Homenagem no memorial improvisado de Steve Jobs na sede da Apple, Califórnia - Kevork Djansezian/Getty Images/AFP

Maçã em homenagem a Steve Jobs em frente a uma loja da Apple em Londres - Suzanne Plunkett/Reuters

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Cartaz em homenagem a Steve Jobsl, na vitrine de uma loja da Apple em Nova York - Andrew Burton/Getty Images

A saga de Steve Jobs à frente da Apple Steve Jobs assombrou o mundo tecnológico pela primeira vez aos 28 anos, com o lançamento do Macintosh, o primeiro computador pessoal de uso fácil e intuitivo. O lançamento, em 1984, tornou sinônimos de inovação os nomes de Jobs e da Apple. A cada Macworld, evento anual em torno dos produtos da Apple, o mundo assiste a uma nova revolução: foi assim com o iPod, em 2001, com o iPhone, em 2007, e com o iPad, em 2010. As imagens de Jobs e da Apple são praticamente indissociáveis.

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Steve Jobs no lançamento do computador Apple II, abril de 1977 - Tom Munnecke/Getty Images

Steve Jobs e Steve Wozniak no lançamento do computador Apple II, abril de 1977 - Tom Munnecke/Getty Images

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À esquerda, Steve Jobs com o computador Apple II, 1977 - Ralph Morse/Getty Images À direita, Steve Jobs apresenta o computador Macintosh 128K, 1984 - Bernard Gotfryd/Getty Images

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Steve Jobs com o computador Lisa em uma prévia para imprensa, 1983 - Ted Thai/Getty Images

Steve Jobs e Bill Gates durante entrevista em Nova York, 1984 - Andy Freeberg/Getty Images

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Steve Jobs apresenta a Next, sua nova companhia de computadores, em São Francisco, 1988 - Shahn Kermani/Getty Images

À esquerda, Steve Jobs com o primeiro iMac, Califórnia, 1998 - Moshe Brakhra/Getty Images À direita, Steve Jobs lança o iBook, 1999 - Ted Thai/Getty Images

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Steve Jobs durante palestra para apresentação da nova geração do iMac na Califórnia, 1999 - Alan Dejecacion/Getty Images

Steve Jobs lança o mini iPod em São Francisco, 2004 - Justin Sullivan/Getty Images

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Steve Jobs lança a primeira versão do iPhone, 2007 - Paul Sakuma/AP

Steve Jobs mostra o novo Macbook Air em São Francisco, 2008 - Tony Avelar/AFP

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Steve Jobs com o novo Macbook Air, durante conferência em São Francisco, 2008 - David Paul Morris/Getty Images

Steve Jobs lança a nova Apple TV durante conferência em São Francisco, 2010 - Paul Sakuma/AP

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Steve Jobs fala sobre o iPad durante conferência em São Francisco, 2010 - Justin Sullivan/Getty Images

Steve Jobs no lançamento do iCloud em junho de 2011 - Justin Sullivan/Getty Images

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Tecnologia Frutos de Steve Jobs: a linha de produtos Apple Marcados por um design elaborado, os produtos da Apple se tornaram rapidamente objetos de culto, um divisor de estilo de vida que coloca, de um lado, quem os tem e, de outro, quem não os possui. Confira as inovações da empresa de Steve Jobs que assombraram o mundo tecnológico – do lançamento do Macintosh, primeiro computador pessoal de uso fácil e intuitivo, aos iPhones e iPads.

1976 – O Apple I não foi um grande sucesso de vendas. A placa era vendida "pelada" dentro de uma caixa de papelão, sem nenhum tipo de gabinete, tornando comum que os Apple I fossem instalados dentro de caixas de madeira feitas artesanalmente. Uma das vantages é que ele podia ser ligado diretamente a uma TV, dispensando a compra de um terminal de vídeo. Possuía também um conector para unidade de fita (o controlador era vendido separadamente por 75 dólares) e um conector reservado para expansões futuras - Kim Kulish/Corbis

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1977 – O Apple II vinha com apenas 4 KB de memória e era bem mais parecido com um computador atual. Vinha num gabinete plástico e tinha um teclado incorporado. A versão mais básica era ligada na TV e usava o famigerado controlador de fita K7, ligado a um aparelho de som, para carregar programas. A linha Apple II se tornou tão popular que sobreviveu até o início dos anos 90, quase uma década depois do lançamento do Macintosh – Divulgação

1983 - Apple Lisa foi o primeiro computador a utilizar uma interface gráfica de usuário (GUI). Incorporando o poderoso processador Motorola 68000 e um mouse e menus suspensos, Lisa foi criada por Steve Jobs para definir o padrão tecnológico e tornar-se líder no mercado de computadores pessoais - Getty Images

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1984 – O Apple Macintosh foi lançado em 24 de janeiro de 1984. Possuía 128 KB de memória e por isso é conhecido hoje como Macintosh 128k, para diferenciá-lo de modelos posteriores, também chamados Macintosh – Divulgação

1998 - O iMac começou a ser vendido em 15 de agosto de 1998 e logo ganhou aclamação popular por sua concepção criativa - Getty Images

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1999 - iBook – Newsmakers

1999 - iMac colorido - Getty Images

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1999 - Power Mac G3 - Getty Images

1999 - Power Mac G4 – Divulgação

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2000 - Power Mac G4 Cube – Divulgação

2001 - Anunciado em 23 de outubro de 2001 em Cupertino, Califórnia, o iPod armazenava até 1.000 músicas em formato digital - Getty Images

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2001 - Apple PowerBook G4 Titanium - Getty Images

2002 - eMac, classificado pela Apple como um computador acessível para educação por oferecer maior flexibilidade para professores e estudantes - Getty Images

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2004 - iPod Mini - Doug Rosa

2005 - Mac Mini, o menor computador desktop vendido pela Apple – Divulgação

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2006 - iPod Shuffle – Divulgação

2006 - Mac Pro – Divulgação

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2007 - iPhone – Divulgação

2008 – Macbook Pro – Divulgação

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2009 - MacBook branco – Divulgação

2009 - iMac – Divulgação

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2009 - Magic Mouse, o primeiro mouse multi-touch que funciona via Bluetooth – Divulgação

2010 - Em 27 de janeiro de 2010, a Apple apresentou em São Francisco, Estados Unidos, o iPad, “nossa mais avançada tecnologia em um dispositivo mágico e revolucionário, e a um preço inacreditável", disse Steve Jobs, CEO da Apple. "iPad cria e define uma nova categoria de dispositivos que conectam os usuários com seus aplicativos e conteúdos de uma forma divertida e muito mais íntima e intuitiva do que nunca." – Divulgação

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2010 - iPhone 4 – Divulgação

2010 - iPod Nano Multi-Touch – Divulgação

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2010 - MacBook Air, considerado o notebook mais fino do mundo. Sua primeira versão foi apresentada em 2008 – Divulgação

2011 - iPad 2 – Divulgação

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A vida privada de Steve Jobs Confira imagens do criador da Apple na infância e juventude e em família

Steve Jobs no clube de eletrônica da escola entre 1969-1972 all about Steve Jobs.com

Steve Jobs aos 14 anos all about Steve Jobs.com

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Steve Jobs aos 16 anos all about Steve Jobs.com

Steve Jobs aos 17 anos all about Steve Jobs.com

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Steve Jobs em 1981 all about Steve Jobs.com

Steve Jobs em 1981 all about Steve Jobs.com

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Steve Jobs com seu filho Reed em 1995 all about Steve Jobs.com

Steve Jobs com sua esposa Laurene na Macworld em Boston, 1997 all about Steve Jobs.com

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Steve Jobs em evento na Universidade de Stanford, 2005 Divulgação

Steve Jobs em evento na Universidade de Stanford, 2005 Divulgação

Reportagem: Sérgio Miranda Fonte: Revista Veja, Edição Especial, Outubro de 2011 http://veja.abril.com.br/tema/steve-jobs-e-apple

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