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Sobre a Odediência a Pastores

John Wesley

"Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por


vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o
façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil".
(Hebreus 13:17)

1. Excessivamente poucos, não apenas em meio aos cristãos


nominais, mas em meio aos verdadeiros homens religiosos, têm alguma
clara concepção desta importante doutrina, que é agora entregue pelos
Apóstolos. Muito raramente pensam sobre ela, e dificilmente sabem que
existe alguma tal direção na Bíblia. E a maior parte daqueles que sabem
que ela está lá, e imaginam que a seguem, não a entendem, mas se
inclinam, quer para a direita, quer para a esquerda; de um extremo ao
outro. É bem sabido que um exagerado número de Romanistas, em
geral, apóia esta direção. Muitos deles acreditam que uma fé irrestrita é
devida às doutrinas entregues por aqueles que governam sobre elas, e
que a obediência irrestrita deve ser prestada a qualquer que seja o
comando que eles dêem. E não muito menos têm insistido, através de
diversos homens eminentes da Igreja da Inglaterra: Embora seja
verdade que a generalidade dos Protestantes está apta a correr para o
outro extremo, permitindo nenhuma autoridade aos seus Pastores,
afinal, mas fazendo deles, tanto as criaturas e os servos de suas
congregações. E muitos existem de nossa própria Igreja que concordam
com eles nisto, supondo que os Pastores sejam completamente
dependentes junto às pessoas, que em seu julgamento, têm o direito de
dirigir, assim como escolher seus Ministros.

2. Mas não é possível encontrar um meio termo entre esses dois


extremos? Existe alguma necessidade de corrermos tanto de um lado,
quanto para o outro? Se nós colocamos leis humanas fora da questão, e
simplesmente atendemos os oráculos de Deus, nós podemos
certamente descobrir um caminho do meio nesta importante questão.
Com este objetivo, vamos cuidadosamente examinar as palavras do
Apóstolo acima citadas. Vamos considerar:

I. Quem são as pessoas mencionadas no texto; aqueles que


"governam sobre" nós?
II. Qual é o significado desta direção? Em que sentido eles
devem "obedecer e submeter-se". Eu devo, então, me
esforçar para fazer uma aplicação adequada do todo.

I
1. Em Primeiro Lugar, vamos considerar quem são as pessoas
mencionadas no texto: "Eles que têm o governo sobre vocês?". – Eu não
imagino que as palavras do Apóstolo sejam propriamente traduzidas,
porque esta tradução torna a sentença pouco melhor do que uma
tautologia [vício de linguagem que consiste na repetição de idéias]. Se
eles "governam sobre vocês", vocês são certamente governados por
eles; de modo que de acordo com esta tradução, vocês são apenas
ordenados a fazerem o que já fazem. – A obedecerem aqueles aos quais
já obedecem. Mas existe um outro significado da palavra grega que
parece abundantemente mais adequado: Ele quer dizer conduzir, assim
como governar. E, assim, ele parece, deve ser tomado desta forma. A
direção, então, quando aplicada a nossos guias espirituais, é clara e
pertinente.

2. Esta interpretação parece ser confirmada pelo verso sétimo,


que fixa o significado disto: "Lembrem-se daqueles que têm o governo
sobre vocês, que têm falado junto a vocês a Palavra de Deus". O
Apóstolo aqui mostra, através da última cláusula da sentença, a quem
ele se refere na primeira: Aqueles que "estavam sobre eles" eram as
mesmas pessoas "que falaram junto a eles a Palavra de Deus"; ou seja,
eles eram seus pastores, aqueles que guiaram e alimentaram esta parte
do rebanho de Cristo.

3. Mas, através de quem esses guias devem ser apontados? E o


que supostamente eles devem fazer, com o objetivo de terem o direito à
obediência que aqui está prescrita?

Volumes e mais volumes têm sido escritos sobre esta questão


complicada: Através de quem esses guias de almas devem ser
indicados? Eu não pretendo aqui entrar, afinal, numa disputa,
concernente ao governo da igreja; nem debater, se é vantajoso ou
prejudicial ao interesse da religião verdadeira que a igreja e o estado
possam se misturar, como eles têm sido, desde o tempo de Constantino,
em todas as partes do Império Romano, onde o Cristianismo tem sido
recebido. Colocando à parte todos esses pontos (que podem encontrar
ocupação suficiente para homens que abundam no ócio), através
"daqueles que os guiam", eu quero dizer aqueles que o fazem, se não,
através de sua escolha, pelo menos, através de seu consentimento;
aqueles que vocês prontamente aceitam como seus guias no caminho
para o céu.

4. Mas o que eles são supostos fazer, com o objetivo de induzi-los


à obediência aqui prescrita?

Eles devem seguir atrás do rebanho (como é a maneira dos


pastores ocidentais hoje), e guiá-los em todos os caminhos da verdade e
santidade; eles devem "nutri-los com as Palavras da vida eterna";
alimentá-los com "o puro leite da palavra". Aplicando-a continuamente,
"para doutrinar"; ensinando a eles todos as doutrinas essenciais
contidas nela; "para reprovar", advertindo-os, se eles mudarem o lado
do caminho, da mão direita para a esquerda; "para corrigir", mostrando
a eles como emendarem o que está impróprio, e os guiando de volta
para o caminho da paz; -- e, 'para instruir na retidão", treinando-os na
santidade interior e exterior, "até que eles venham a ser homem
perfeito, para a medida da estatura da plenitude de Cristo".

5. Eles supostamente devem "cuidar de suas almas, como aqueles


dos quais deverão prestar contas". "Como aqueles dos quais deverão
prestar contas!". Quão inexprimivelmente solenes e terríveis são estas
palavras! Possa Deus escrevê-las no coração daqueles guias de almas!

"Eles vigiam", acordados, enquanto outros dormem, o rebanho de


Cristo; as almas daqueles que Ele comprou com um preço; que Ele
adquiriu com seu próprio sangue. Eles os têm, em seus corações,
ambos, dia e noite; cuidando de nem dormirem, nem se alimentaram,
em comparação a eles. Mesmo enquanto eles dormem, seus corações
estão acordados, cheios de preocupação por seus amados filhos. "Eles
vigiam", com profunda sinceridade; com seriedade ininterrupta, com
cuidado incansável; paciência, e diligência, como se estivessem prestes
a dar um relato de toda alma pessoal a Ele que está à porta – ao Juiz do
vivo e do morto.

II

1. Em Segundo Lugar, nós vamos considerar quem são aqueles


aos quais o Apóstolo direciona obedecer àqueles que os governam. E,
com o objetivo de determinar isto com certeza e clareza, nós não
deveremos apelar para instruções humanas, mas, simplesmente (como
ao responder a questão precedente), apelar para aquela decisão a qual
encontramos nos oráculos de Deus. Na verdade, nós dificilmente temos
oportunidade de seguir um passo além do próprio texto. Apenas pode
ser apropriado, primeiro, remover do caminho algumas opiniões
populares que têm quase em todos os lugares, sido tomadas por certas,
mas podem, de modo algum, serem provadas.

2. Usualmente se supõe, Primeiro, que o Apóstolo está aqui


dirigindo os paroquianos a obedecerem e se submeterem ao Ministro de
sua paróquia. Mas pode alguém trazer a menor sombra de prova disto
das Escrituras Santas? Onde está escrito que nós temos o dever sagrado
de obedecer a algum Ministro, porque nós vivemos naquela que é
chamada sua paróquia. "Sim", vocês dizem, "nós temos o dever sagrado
de obedecer a todas as ordenanças do homem, por causa do Senhor".
Verdade, em todas as coisas indiferente; mas isto não é assim; está
excessivamente longe disto. Está longe de ser uma coisa indiferente
para mim, que sou o guia de minha alma. Eu não me atrevo a tomar um
lobo por meu pastor; alguém que não tem mais do que as vestes de
uma ovelha; que é um praguejador comum; um bêbado declarado, um
notório homem que não respeita o dia do Senhor. E tal (quanto mais é a
vergonha, mais a pena!) são meus Ministros paroquianos, hoje.

3. "Mas vocês não são propriamente membros daquela


congregação ao qual seus pais pertenceram?". Eu não entendo que eu
seja; eu não conheço Escrituras que me obriguem a isto. Eu devo toda a
deferência à autoridade de meus pais; e de boa vontade os obedeço em
todas as coisas lícitas. Mas não é lícito chamá-los de Rabinos; ou seja,
acreditar ou obedecê-los irrestritamente. Todos devem dar um relato de
si mesmo a Deus. Portanto, todo homem deve julgar, por si mesmo,
especialmente em um ponto de tão profunda importância como este – a
escolha de um guia para sua alma.

4. Mas nós podemos trazer este assunto para um debate


resumido, recorrendo às mesmas palavras do texto. Eles que têm
voluntariamente se ligado a tais pastores, como resposta à descrição
dada nele, como eu faço, de fato, "vigiem suas almas, como se delas
tivessem que prestar contas"; tal como "nutri-los com as palavras da
vida eterna"; tal como alimentá-los com 'o puro leite da palavra", e
constantemente aplicá-la, "para doutrinar, repreender, para corrigir, e
para instruir na retidão"; -- a todos que encontraram e escolheram guias
deste caráter, deste espírito e comportamento, é indubitavelmente
requerido pelo Apóstolo 'obedecerem e submeterem-se" a eles.

III

1. Mas qual é o significado desta direção? Permanece para ser


considerado. Em que sentido, e quão longe o Apóstolo os direciona a
"obedecerem e se submeterem" aos seus guias espirituais?

Se nós atentarmos para o significado apropriado das duas palavras


aqui usadas pelo Apóstolo, nós podemos observar que o primeiro deles
peithesthe, (de peithO persuadir) refere-se ao entendimento; o último,
hypeikete à vontade, e comportamento exterior. Para começar com o
primeiro. Que influência deve nossos guias espirituais ter sobre nosso
entendimento! Nós não nos atrevemos a chamar nossos pais espirituais
de Rabino, mais do que de "pais de nossa carne". Nós não nos
atrevemos a permitir a fé irrestrita aos primeiros, mais do que ao
segundo. Neste sentido, "um é nosso Mestre", (ou, antes, Professor)
"que está no céu". Mas, qualquer que seja a submissão, até mesmo de
nosso entendimento, em resumo é isto, nós podemos, mais do que isto,
nós devemos concordar com eles.

2. Para explicar isto um pouco mais além, Tiago usa a palavra que
está proximamente associada a estas: "A sabedoria que é do alto é,
eupeithEs, fácil de ser convencida, ou ser persuadida". Agora, se nós
devemos ter e mostrar esta sabedoria em direção a todos os homens,
nós devemos ter isto, em um grau mais eminente, e mostrar isto em
toda a ocasião, em direção àqueles que "vigiam nossas almas". Com
respeito a esses, acima de todos os outros homens, nós devemos ser
"fáceis de sermos solicitados"; facilmente convencidos de alguma
verdade, e facilmente persuadidos a alguma coisa que não é pecadora.

3. Uma palavra de proximamente a mesma importância que esta,


é freqüentemente usada por Paulo; ou seja, epieikEs. Em nossa tradução
é mais de uma vez conferido gentileza. Mas, talvez, isto seja mais
propriamente afirmado (se a palavra pode ser permitida), aquiescência;
pronto para aquiescer; a desistir de nossa própria vontade, em tudo que
não é um ponto de obrigação. Este temperamento afável, todo cristão
desfruta, e mostra em seu intercurso com todos os homens. Mas ele
mostra isto de uma maneira peculiar, em direção àqueles que vigiam
suas almas. Ele não está desejoso apenas de receber alguma instrução
deles, de serem convencidos de alguma coisa que ele não sabia antes;
exporem-se aos conselhos deles, e estando felizes de receberem
admoestação, ou reprovação; mas estão prontos a desistirem de sua
própria vontade, quando quer que eles possam fazer isto com a
consciência limpa. O que quer que eles desejem que ele faça, ele fará;
se não for proibido na Palavra de Deus. O que quer que eles desejem
que eles se refreiem, ele o fará assim; se isto não estiver prescrito na
Palavra de Deus. Isto está inserido naquelas palavras do Apóstolo:
"Submetam-se a eles"; sujeitem-se a eles, desistam de sua vontade
própria. Isto é adequado, correto, e seu dever sagrado, se eles, de fato,
vigiam suas almas, como se delas tivessem que dar algum relato. Se
vocês fizerem assim, "obedecerem e submeterem-se" a eles, eles darão
um relato de vocês "com alegria, e não com gemidos", como eles
devem, do contrário fazer; porque, embora eles sejam limpos de seu
sangue, ainda assim, "Isto seria sem proveito para vocês"; sim, um
prelúdio da condenação eterna.

4. Quão aceitável para Deus foi um exemplo de obediência de


certa forma similar a este! Você tem um relato amplo e pessoal dele, nos
trinta e cinco capítulos de Jeremias. "A palavra do Senhor veio a
Jeremias, dizendo: Vá à casa dos Recabitas, e dê a eles vinho para
beber. Então, eu peguei toda a casa dos Recabitas; todos os chefes de
suas famílias; 'e coloquei diante deles, potes cheio de vinho, e disse-
lhes: bebam vinho. Mas eles disseram: Nós não beberemos vinho:
porque Jonadabe', um grande homem no reino de Jehu, 'o filho de
Recabe', dos quais somos denominados, sendo o patriarca de nossa
família, 'ordenou-nos: vocês não devem beber, nem você, nem seus
filhos para sempre. E nós temos obedecido a ordem de Jonadabe, nosso
pai, e em tudo que ele nos incumbiu.". Nós não sabemos algum motivo
específico, porque Jonadabe deu esta incumbência à sua posteridade.
Mas como não foi pecaminoso, eles deram este exemplo forte de
gratidão ao seu grande benfeitor. E quão prazeroso foi ao Pai de seus
espíritos que nós aprendêssemos das palavras que se seguem: 'E
Jeremias disse aos Recabitas: Porque vocês obedeceram à voz de
Jonadabe, seu pai, portanto, assim diz o Senhor dos exércitos, Jonadabe
não necessitará de um homem para estar diante de da face do Senhor
para sempre'. [Jeremias 35].

5. Agora é certo que cristãos devem gratidão e obediência tão


completa àqueles que vigiam suas almas, quanto sempre a casa dos
Recabitas deveu a Jonadabe, o filho de Recabe. E nós não podemos
duvidar, que Ele tanto se agradou com a nossa obediência a estes,
quanto se agradou com a obediência de Janadabe. Se ele estava, então,
tão satisfeito com a gratidão e obediência deste povo a seus benfeitores
temporais, nós não temos todas as razões para acreditar que é
satisfatório, assim como prazeroso com a gratidão e obediência dos
cristãos àqueles que derivam bênçãos muito maiores para aqueles que,
alguma vez, Jonadabe transmitiu à sua posteridade?

6. Pode ser de uso novamente considerar, em quais instâncias


está o dever dos cristãos de obedecer e submeterem-se àqueles que
vigiam sobre suas almas? Agora as coisas que eles prescrevem devem
ser tanto prescritas por Deus, ou proibidas por eles, ou indiferentes. Nas
coisas prescritas por Deus, nós não propriamente obedecemos a eles,
mas a nosso Pai comum. No entanto, se nós devemos obedecer a eles,
afinal, deve ser nas coisas indiferentes. A soma disto é, que é dever de
todo cristão obedecer a seu Pastor espiritual, tanto fazendo ou deixando
sem fazer, alguma coisa de uma natureza indiferente; alguma coisa que
não é um caminho determinado na palavra de Deus.

7. Mas quão pouco isto é entendido no mundo Protestante! Pelo


menos, na Inglaterra e Irlanda! Quem existe, em meio àqueles que são
supostos bons cristãos; que fantasiam que há tal obrigação como esta?
E, ainda assim, não existe um mandamento mais expresso que no Velho
ou no Novo Testamento. Nenhuma palavra pode ser mais clara e
simples; não existe mandamento mais direto e positivo. Portanto,
certamente ninguém que recebeu às Escrituras, como a palavra de
Deus, pode viver na quebra habitual disto e pleitear inocência. Tal
instância da obstinada, ou, pelo menos, negligente desobediência, deve
afligir o Espírito Santo de Deus. Isto não pode, a não ser impedir a graça
de Deus de ter seu efeito completo sobre o coração. Não é improvável
que esta mesma desobediência possa ser uma causa da morte de
muitas almas; uma razão delas não receberem aquelas bênçãos que
buscam com algum grau de sinceridade.

8. Resta apenas fazer uma breve aplicação ao que tem agora sido
entregue.

Vocês que leu isto, vocês o aplicam a si mesmos? Vocês examinam-se,


por meio disto? Vocês interrompem seu próprio crescimento na graça, se
não pela desobediência obstinada a este comando; ainda assim, através
de uma desatenção a ele, não o considerando, como a importância dele
merece? Se for assim, você defrauda a si mesmo das muitas bênçãos
que você deveria desfrutar. Ou, você é de uma mente melhor; de um
espírito mais excelente? É sua resolução fixa, e seu esforço constante
"obedecer àqueles que têm o governo sobre vocês no Senhor";
submeterem-se tão alegremente aos seus pais espirituais, quanto aos
seus pais naturais? Vocês perguntam: "em que eu deveria submeter-me
a eles?". A resposta já foi dada: Não nas coisas prescritas por Deus; não
nas coisas proibidas por Ele; mas nas coisas indiferentes: Em tudo que
não está determinado, de uma maneira ou de outra, através dos
oráculos de Deus. É verdade, que isto não pode feito, em algumas
instâncias, sem um grau considerável de abnegação, quando eles
aconselham vocês a refrearem alguma coisa que é agradável à carne e
sangue. E não pode ser obedecido em outras instâncias, sem pegar a
sua cruz; sem sofrer alguma dor ou inconveniências que não estejam de
acordo com a carne e sangue. Porque aquela declaração solene de nosso
Senhor tem lugar aqui, assim como em milhares de outras ocasiões:
"Exceto se um homem negar a si mesmo, e tomar sua cruz diariamente,
ele não poderá ser meu discípulo". Mas isto não irá amedrontar vocês,
se vocês resolverem não ser apenas quase, mas completamente,
cristãos; se vocês determinarem lutar a boa luta da fé, e agarrar-se à
vida eterna.

9. Eu agora me refiro de uma maneira mais específica a vocês que


desejam que eu vigie sobre suas almas. Vocês têm, como uma questão
de consciência, obedecer-me, por causa de meu Mestre? Submeterem-se
a mim, nas coisas indiferentes. Coisas não determinadas na Palavra de
Deus; em todas as coisas que não estão prescritas, nem ainda proibidas
nas Escrituras? – fáceis de serem convencidos de alguma verdade,
mesmo que contrária aos seus preconceitos anteriores? – E fáceis de
serem persuadidos a fazerem ou absterem-se, de alguma coisa
indiferente ao meu desejo? Vocês não podem deixar de ver que tudo isto
está claramente contido nas próprias palavras do texto. E vocês não
podem deixar de reconhecer que assim fazerem, é altamente razoável,
se emprego todo meu tempo, todo meu corpo, e todas as minhas forças,
de corpo e alma, não em buscar minha própria honra, ou prazer; mas
em promover a salvação atual e eterna de vocês; se eu, de fato, 'vigio
sobre suas almas como alguém que deve dar um relato delas'.

10. Vocês, então, aceitam o meu conselho (eu pergunto na


presença de Deus e de todo o mundo) com respeito ao vestuário? Eu
divulguei este conselho há mais de trinta anos atrás; eu o tenho repetido
milhares de vezes, desde então. Eu tenho aconselhado a vocês para não
estarem tão em conformidade com o mundo nisto; a colocarem de lado
todos os ornamentos desnecessários, para evitarem todas as despesas
inúteis; para serem padrões de modéstia a todos que estão em volta de
vocês. Vocês acataram este conselho? Vocês todos, homens e mulheres;
jovens e idosos; ricos e pobres, colocaram de lado todos os ornamentos
desnecessários que eu pessoalmente contesto? Vocês são
exemplarmente simples em seus vestuários; tão simples quando os
Quacres (assim chamados) ou os Morávios?

Se não, se vocês estão ainda se vestindo como a generalidade das


pessoas de seu próprio nível e fortuna, vocês declaram, por meio disto, a
todo o mundo, que vocês não irão obedecer aqueles que estão sobre
vocês no Senhor. Vocês declaram, em provocação declarada a Deus e
homem, que vocês não se submeterão a eles. Muitos de vocês
carregarão seus pecados sobre suas testas, abertamente e na face do
sol. Vocês endureceram seus corações, contra a instrução, e contra a
convicção. Vocês endureçam uns aos outros; especialmente aqueles de
vocês que foram, uma vez, convencidos, e têm agora reprimido suas
convicções. Vocês encorajam uns aos outros a fecharem seus ouvidos
contra a verdade, e fecharem seus olhos contra a luz, a fim de que, por
acaso, vocês não possam ver que estão lutando contra Deus e contra
suas próprias almas. Se eu fosse agora chamado para dar um relato de
vocês, seria "com gemidos, e não com alegria". E é certo que isto não
seria "proveitoso a vocês": A perda cairia sobre as suas próprias
cabeças.

11. Eu falo tudo isto na suposição (embora seja uma suposição


que não deva ser feita), de que a Bíblia foi silenciosa sobre este assunto;
de que as Escrituras dissessem coisa alguma, concernente ao vestuário,
e o deixou à própria descrição de cada um. Mas, se todos os outros
textos foram silenciosos, isto é suficiente: "Submetam-se a eles que
estão sobre vocês no Senhor". Eu deixo isto à suas consciências, às
vistas de Deus. Fosse isto apenas em obediência a esta direção, você
não pode estar limpo diante de Deus, a menos que você coloque de lado
todos os ornamentos desnecessários, em expressar a rebeldia daquele
déspota de tolos, moda; a menos que você busque apenas adorná-lo
com as boas obras, como homens e mulheres professando santidade.
12. Talvez, você dirá: "Isto é apenas uma pequena coisa: é uma
mera ninharia". Eu respondo: Se for, você é o mais indesculpável diante
de Deus e homem. O que! Você irá desobedecer a um mandamento
claro de Deus, porque é uma mera ninharia? Deus proíbe! É uma
ninharia pecar contra Deus – desprezar sua autoridade. Isto é uma
pequena coisa? Mais ainda, lembre-se, não pode existir pecado pequeno,
até que você encontre um Deus pequeno! Neste meio tempo, esteja
seguro de uma coisa: Quanto mais conscientemente você obedecer a
seus guias espirituais, mais poderosamente Deus aplicará a palavra que
eles falam em seu nome a seu coração! Quanto mais plenamente, Ele
abastecerá o que é falado, com o orvalho de suas bênçãos; e quanto
mais provas vocês tiveram, não será apenas eles que falarão, mas o
Espírito de seu Pai que fala por eles.

[Editado por Carey McGoldrick, estudante da Northwest Nazarene


College (Nampa, ID), com correções de George Lyons para a Wesley
Center for Applied Theology.]