Direito educacional

:

o quê? para quê? e para quem?
Texto extraído do Jus Navigandi http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6794

N e l s o n J o a q u i m
a d v o g a d o , m e s t r e e m D i r e i t o p e l a U G F , e s

p r o f e s s o r d a U n i . R o m a n o e C o m p a r a d o .p e c i a l i s t a e m D i r e i t o C i v i l .

cujo conteúdo é dado pelas relações . gestores educacionais e/ou estabelecimentos de ensino e o poder público.v e r s i d a d e E s t á c i o d e S á 1. destacar os instrumentos e mecanismos colocados à disposição do cidadão comum. é a possibilidade desse novo ramo da ciência jurídica desdobrar-se em duas questões correlacionadas. alunos e/ou responsáveis. em outubro de 1977 no 1º Seminário de Direito Educacional. com o objetivo de superar a fase legislativa do ensino. Uma. o que? Para que? E para quem o Direito Educacional? – Cabe aos educadores e juristas contextualizarem essas indagações. Afinal. Em seguida. propor uma especialização desse novo ramo do saber jurídico. segundo o jurista Lourival Vila nova. realizado em Campinas. o primeiro importante trabalho para sistematização do direito educacional foi publicado em 1981. bem como tratar de duas questões básicas: as fontes do direito educacional e a discussão sobre direito subjetivo à educação. No primeiro momento. a da existência de normas. analisando as contribuições de educadores. em matéria educacional e. dos operadores do direito. juristas e cientistas dos diferentes ramos das ciências humanas e sociais. em termos efetivos. temos o propósito inicial. mas destacando a importância o direito subjetivo público à educação. 1 A questão crucial do Direito Educacional. que já se fala na existência de um Direito Educacional. como norma-princípio de ordem pública e cogente. nas palavras de PAULO NADER. conceitos e objetivos do direito educacional. 2. finalmente. Além disso. Direito Educacional A discussão dos juristas e educadores em relação ao direito educacional iniciouse.Considerações iniciais Pretendemos apresentar as relações existentes entre educação e direito. vamos apresentar as diferentes concepções. tal a presença da educação no Direito Positivo. pelo educador e jurista Alberto Teodoro Di Dio "Contribuição à sistematização do direito educacional". como contribuições efetivas para a educação brasileira. E aqui. considerando o direito à educação como direito subjetivo privado. Para tanto. de contribuir para construção de uma teoria e prática do Direito Educacional e promover um debate com os educadores e profissionais do direito sobre a relação do Direito com a Educação.

que tenham por objeto tais normas. não pode ser visto e estudado tão somente dentro dos limites da legislação. legislação seria apenas um corpo sem alma. uma coleção de leis esparsas e não um sistema jurídico dotado de unidade doutrinária e precisos objetivos. que tutela tanto os interesses públicos como privados. continua Susseking. que informam todo o ordenamento jurídico. usaremos a expressão Direito Educacional. que logo se apresenta. princípios. leis e regulamentos que versam sobre as relações de alunos. Consciente das possíveis objeções. a da construção sistematizada de conhecimentos. sugerimos um conceito. "O Direito Educacional. 3 Aliás. à espera de que o uso e os especialistas consagrem a melhor denominação. Renato Alberto Teodoro Di Dio. estabelecimento de ensino e o poder público. podem ser feitas ao termo. que há relações sociais educacionais como há relações econômicas de produção. 4 "Direito Educacional é o conjunto de normas. 2. de trabalho. mediata ou imediatamente. administradores. Tanto no caso das relações de trabalho como nos relacionamentos da educação. Os puristas optariam por direito educativo. Este tem natureza híbrida e interdisciplinar. que disciplinam as relações entre alunos e/ou responsáveis. administradores. quer sob a forma de relações de administração dos grupos não-políticos.sociais na espécie de relação educacional. num segundo momento. não é tarefa fácil conceituar Direito Educacional. a definição ou conceito desse novo ramo da ciência jurídica. ainda. professores." 5 Para Edivaldo Machado Boaventura. Ele sustenta. institutos juspedagógicos. o que contraria uma inquestionável realidade. todo conhecimento jurídico necessita do conceito de direito. princípios. Muito ao contrário. direito educacional ou direito educativo. Defendemos a existência de um direito misto. que. educativo carrega a conotação de algo que educa. precursor do Direito Educacional brasileiro. gestores educacionais e todos aqueles que lidam com a legislação educacional consiste em qualificar as relações educacionais em conformidade com o Direito Educacional e a legislação de ensino. bem como investiga as interfaces com . 2 O trabalho dos profissionais do direito. De outro lado. especialistas e técnicos. de família e de poder. de consumo. no processo ensinoaprendizagem. como disciplina nova que é. ou relações de administração e governo nos grupos políticos. que pode ser contextualizado e aprimorado pelos educadores e juristas. afirma que o mais apropriado seria a expressão direito da educação. uma vez que o adjetivo educacional soaria a galicismo. a escolha da expressão "direito educacional". deve ser tratado à luz das diretrizes que lastreiam a educação e os princípios. doutrinas e procedimentos. embora não se tem conseguido um conceito único de direito e tampouco de direito educacional. com regras de direito público e privada. Aqui. Conceito e objetivos do Direito Educacional Uma questão. "Conjunto de normas. outra. segundo ele. E. é sem dúvida. professores. enquanto envolvidos diretamente ou indiretamente no processo de ensino-aprendizagem. no linguajar comum. ao passo que educacional seria o direito que trata da educação.1.6 Para nós. enquanto envolvidos.

o Direito Educacional. quer vamos tratar.2. resoluções e pareceres normativos dos conselhos de educação. Conselho Nacional de Educação (Lei nº 9. e sim elemento de integração do direito. deste trabalho. A segunda é representada pelos diferentes meios ou formas de expressão ou produção do Direito como. Trata-se do Título VIII.394. costume. 206 da Constituição Federal e art.1. 2. educacional e valores da sociedade. como qualquer norma de direito escrito. vamos apresentar breves considerações sobre o tema. A forma escrita é manifestação mais característica da lei. que estrutura a administração.5. O Direito Educacional tem como fonte várias legislações no sentido amplo: decretos. Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8078. a fonte primeira e fundamental do Direito Educacional brasileiro está na Constituição federal. de .4.2. Lei em sentido estrito. Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8. religiosas. está é a concepção adotada pelo Direito Educacional: Lei em sentido amplo. 2. com uma soma de dez artigos dedicados à educação (art. a nascente. a procedência. o ano escolar. A primeira surge da própria realidade social. da Ordem Social. As fontes do direito podem ser materiais ou formais. jurisprudência e doutrina. atua na solução judicial. econômicas. Neste caso. disponibiliza instrumentos ou mecanismo preventivo administrativos e mecanismo ou instrumentos judiciais. o lugar onde nasce alguma coisa. tratados e convenções internacionais. no âmbito judicial.069. da Cultura e do Desporto. como veremos no item 2. de 11 de setembro de 1990). representadas pelas correlações de forças sociais.outros ramos da ciência jurídica e do conhecimento". regimento escolar. os princípios da educação e de ensino. por exemplo: lei. regulamenta os currículos.2. por outro lado. cultural. Capítulo III. tratam-se das fontes formais tradicionais do Direito. Igualmente. A palavra lei pode significar tanto norma geral emanada do Poder Legislativo. de 13 de julho de 1990). dentre as muitas leis que fluem da Constituição de 1988 em direção ao ordenamento jurídico-educacional. 3º da LDB). declara princípios e procedimentos. assumiram funções normativas e específicas (Vide art. O Direito Educacional tem duplo objetivo: de um lado atua preventivamente. 7 Contudo.131. como veremos no item 2. de 20 de dezembro de 1996). no âmbito administrativo. vale lembrar que com advento da Constituição Federal de 1988 e a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei No caso brasileiro. podemos destacar: as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9. 205 a 214). Fontes e princípios A expressão fonte significa a origem. intitulado Da Educação. com os princípios do Direito Educacional Vale lembrar que. desde a Constituição até um decreto regulamentar ou mesmo decreto individualizado. Apesar de quase toda doutrina afirmar que os princípios do direito não constituem fontes do direito. a principal fonte do direito é a lei. formas de expressões ou de produção do direito ou da norma jurídica educacional. regulamento. No caso do Direito Educacional usamos a expressão para designar os meios. políticas. Devido as limitações e os propósitos do presente trabalho. E aqui. ao contrário do direito de tradição Anglo-americana (jurisprudencial). portarias. os conteúdos programáticos e a duração dos cursos.

que altera a Lei no 9.797.219. principal e formal. Estatuto da criança e do Adolescente e Lei das Anuidades Escolares. uma vez que os conflitos juspedagógicos vêm marcando as relações entre governo. cujos regulamentos estão disciplinados nos Dec. Em seguida.172. Para tanto. Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental de Valorização do Magistério (Lei 9. . Esta tem como paradigma a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Costumes Para PAULO NADER enquanto a lei é um processo intelectual que se baseia em fatos e expressa a opinião do Estado. O mesmo aplica-se ao Direito Educacional O Direito Educacional estão presentes vários costumes. secundárias e materiais. Direito Ambiental (Lei nº 9.558.10 É oportuno lembrar que alguns desses costumes já foram incorporados na Constituição de 1988. o costume é uma prática gerada espontaneamente pelas forças sociais. o pedido de revisão de prova e de 2ª chamada. de 9 de julho de 2001. Programa de Diversidade na Universidade (Lei 10. cartas de princípios.3. de 14 de abril de 2004). consagração do direito à educação tem sido constantemente lembrada nas declarações. Portanto. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. 256. de 13 de janeiro de 2005). tratados. de nove de janeiro de 2001). DE 9 DE JANEIRO DE 2003. 2.2. "Bolsa Escola" (Lei nº 10. de 23 de novembro de 1999). em 1948. Portaria Ministerial 301.2. de 13 de novembro de 2002). Decreto nº 3.424. de 10 de fevereiro de 1998.253. à jurisprudência. de 27 de abril de 1998. aprovada em Resolução da III Sessão Ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas. LEI N° 10. para consolidação do costume como norma obrigatória se fazem necessárias uma consciência social e jurídica da sua necessidade no contexto social.8 Aqui.24 de novembro de 1995).860. Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Lei 10.639. Jurisprudência O Direito Educacional no Brasil tem na jurisprudência uma das suas principais fontes. 80 da LDB. de 27 de abril de 1999). PROUNI (Lei 11. de 20 de dezembro de 1996. a lei e os costumes são formas de expressão do Direito Educacional. a EAD pode oferecer relevante contribuição como instrumento de inclusão digital e educacional daqueles que historicamente foram discriminados pelo poder público e pela sociedade. Por fim. de 7de abril de 1998 e Portaria 2. convenções. alunos e estabelecimento de ensino. conteúdos mínimos para o ensino.861. compromissos.2.870.845.494. indicadores para currículo. que buscam a internacionalização do direito à educação. Dec. por exemplo. de 11 de abril de 2001). Plano Nacional de Educação (Lei 10. protocolos e acordos internacionais. que dispõe sobre a organização do ensino superior e avaliação de cursos e instituições. de cinco de março de 2004). 2. enquanto o costume uma das formas complementares. à doutrina e aos princípios gerais do direito. se faz necessária à democratização do acesso às tecnologias da comunicação e da informação. A lei seria a forma fundamental. Anuidades Escolares (Lei nº 9.096. Decreto 3274/99. Para João Roberto Moreira Alves. para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira: Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência (Lei nº 10.9 Na nossa visão. bem como a implementação de uma cultura digital no contexto educacional.394. 2. Quando a educação a distanciar (EAD) temos o art. de 18 de outubro de 2001. pedido de documentos escolares etc. de 24 de dezembro de 1996).

como fonte jurídica. L. entendemos que a doutrina. a responsabilidade civil dos estabelecimentos de ensino vem se destacando nas decisões dos tribunais. em corpos mais ou menos homogêneos no contexto da ciência jurídica educacional. Pedro Sancho da Silva. mas nem por isso deixa de ser uma das molas propulsoras e a mais racional das forças diretoras do ordenamento jurídico. Doutrina Muitos autores há. 12 No caso do Direito Educacional. tanto que. Podemos citar alguns doutrinadores e estudiosos do Direito Educacional: Renato Alberto Teodoro Di Dio. como ramo da ciência jurídica. Selma Aragão. João Roberto Covac. na esfera jurídica com os acórdãos e as súmulas. Célio Muller. aqui. Horácio Wanderlei Rodrigues. comentando a legislação. Amaral. como fonte jurídica. Miguel Reale não reconhece doutrina como fonte do direito. da possibilidade efetiva de reunir doutrinas. Jorge Saboya. Maria Regina Muniz. Machado Neto sustenta que a doutrina tem o caráter de fonte do direito. também chamadas de enunciados. Messias Costa. trata-se. já se encontra superada a distinção que outrora se fazia entre norma e princípio. por se tratar de um ramo novo do direito com carência de pesquisa. os princípios estão inclusos tanto no conceito de lei. que têm força de jurisprudência (jurisprudência administrativa)". Carlos Alberto Bittar. Princípios do Direito Toda disciplina jurídica autônoma corresponde a um conjunto sistematizado de princípios e normas. ou seja. que excluem a doutrina como fonte do Direito. Podemos destacar três temas que estão sendo construído pela doutrina jurídica: 1º Responsabilidade Civil dos Estabelecimentos de Ensino. procurando realizar a necessária coerência dos sistemas jurídicos e construir os intuitos à base das disposições normativas vigentes.5. ou seja.24 Como tema atual. Aurélio Wander Bastos.2. as legislações quer sejam constitucionais ou infraconstitucionais mencionam princípios. entende-se a obra científica dos jurisprudentes ou juristas. Murilo José Digiácomo. também tem os seus princípios. os costumes ou a jurisprudência. A dogmática moderna avaliza o entendimento de que as normas jurídicas em geral e as normas constitucionais em particular podem ser enquadradas em duas categorias diversas: as normas-princípio e as normas-disposição. sistematização e autonomia do Direito Educacional. em análise última acrescenta: "A doutrina não é fonte do Direito. 2. Helder Martinez Dal Col. O Direito Educacional.11 Ao contrário. na esfera jurídica. Rita de Cássia Borges de M. Paulo Nathanael Pereira Souza. 2º Contratos nas Relações Jurídicas Educacionais e 3º Direito à educação como direito personalíssimo.presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação: "As fontes jurisprudenciais do Direito Educacional estão presentes nas decisões dos tribunais. Elias Motta de Oliveira. Dâmares Ferreira. Porém. Por doutrina. Igualmente. é fundamental para a construção da teoria.29 Igualmente. nas decisões dos colegiados (Conselho de Educação). A. Para nós.4. Edivaldo Boaventura. no campo administrativo com os pareceres das entidades educacionais.2. Para Luiz Roberto Barroso. 2. Carlos Alberto Lima de Almeida. quanto no de . João Roberto Moreira Alves.

E mais ainda.) sempre pelos direitos subjetivos pisoteados.princípios gerais do direito.) violado o direito subjetivo. avançou tanto ou mais do que os educadores na defesa dos direitos educacionais de natureza constitucional. a liberdade de profissão e de consciência. o titular defronta-se com uma indagação: deve defender seu direito. ele. o direito à educação. o não-oferecimento ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente (art. nos pertence. por outro lado. Aliás. ou deve abandonar o direito para escapar à luta? A decisão a este respeito só a ele pertence". apresenta características dos direitos da personalidade (art. pois é um direito natural. que Pontes de Miranda foi o primeiro jurista a discutir. tendo como paradigma os artigos 205. pois se trata de algo ínsito à personalidade humana desenvolver. absoluto. impenhorável. com três objetivos definidos na Constituição Federal. como a abolição da escravatura e da escravidão. reforçando-se os princípios doutrinários educacional (art. (ANISIO TEIXEIRA. como direito subjetivo privado. art. 3º da CF): a) pleno desenvolvimento da pessoa. nesse sentido. por um lado. entende os princípios como normas jurídicas vinculantes. inalienável. que se está constituindo com a modificação do tipo de trabalho e do tipo de relações humanas.. Além disso. devido à responsabilidade social do poder público. art.(Rudolf Von Ihering. Direito Subjetivo e o Direito à Educação "Todas as grandes conquistas da história do direito. imprescritível. a decisão. que estão diretamente relacionados com os fundamentos do Estado brasileiro (art. da família.. porque a educação já não é um processo de especialização de alguns para certas funções na sociedade. 8-1315)14 Para nós.. deve lutar. (. também. o acesso ao ensino fundamental. promovido pela lei: "O direito à educação faz-se um direito de todos. A propósito. é um dever jurídico do Estado oferecer o referido ensino. caso contrário. a livre aquisição da propriedade territorial.3. Contudo. dotados de efetiva juridicidade. 205 CF). 11 do Código Civil). mas a formação de cada um e de todos para a sua contribuição à sociedade integrada e nacional. 1891: p. obrigatório e gratuito é um direito subjetivo. 13 Essa nova tendência que se introduziu no Direito Educacional com o advento da Constituição de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Vale lembrar. O caminho percorrido pelo direito em busca de tais conquistas. resistir ao agressor. ou seja. o Estado e a sociedade. como direito subjetivo público. c) qualificação da pessoa para o trabalho. Educação é um direito: p. o educador Anísio Teixeira foi um dos primeiros a defender o direito à educação como direito de interesse público. segundo Eduardo Bittar. 1º c/c art. como outros preceitos encontráveis na ordem jurídica. 208 e 209 da Constituição Federal.. 2. em outras palavras. o direito á educação carrega em si as características dos direitos da personalidade. 54 § 1º e § 2º do ECA). que tem sido chamada de pós-positivista. no caso do direito subjetivo à educação. 208 § 2º da CF. com sua larga e profunda cultura filosófica e jurídica. 6º c/c art. da instituição de ensino e da sociedade na garantir o direito à educação. oponível erga omnes. só puderam ser alcançada através de séculos de lutas intensas e ininterruptas. 15 Da mesma forma. 5º § 4º da LDB. conforme a própria estrutura e . Essa tendência.60)16 O direito à educação. não se sujeitando aos caprichos do Estado ou à vontade do legislador. é um direito social fundamental (art. a defender e a definir o direito à educação como um direito público subjetivo. quando ele é violado poderá acarretar danos irreparáveis para pessoa. A propósito. 206 CF e arts 2ª e 3ª LDB). os princípios assumiram funções normativas específicas. Dizer-se que a educação é um direito é o reconhecimento formal e expresso de que a educação é um interesse público a ser promovido pela lei. imanente. E aqui. irrenunciável. b) preparo da pessoa para o exercício da cidadania. (.

"caput" e § § 3º e 4º da LDB). Em primeiro lugar.18 Para tanto.constituição humana. quando as sociedades ocidentais cobravam a presença de critérios mais justo na reestruturação dos Estados de Direito. a ordem jurídica coloca à disposição mecanismos judiciais. extrajudiciais e judiciais. por exemplo. no primeiro momento. Em segundo lugar. art. 5º. criar mecanismos administrativos conciliatórios como. nem todos os mecanismos de proteção ao direito à educação são judiciais.069/90). acadêmico e na comunidade em geral. que veremos a seguir. preventivamente. divulgar o projeto pedagógico do curso. art. III da CF. no pós-guerra. mandado de segurança (art. já na década de 1960. que cabe a qualquer pessoa. não podemos deixar de destacar a importâncias das chamas "Ações Afirmativas na Educação". É bom lembrar que o Direito Educacional serve muito mais para prevenir e orientar as relações educacionais. V do ECA). e aplicar. Nesse terceiro milênio. quer sejam legislativas ou da própria sociedade. ou seja. a presença do Estado-juiz. 70 a 73 do Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8. concebidas com vistas ao combate à discriminação racial de gênero e de . art. o plano de curso e os procedimentos acadêmicos. ação civil pública (art. até porque é dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente (arts. ou seja. uma ouvidoria. 201. LXXXI da CF). 129.5º.19 Para Joaquim Barbosa Gomes. esgotadas todas as possibilidades de compor os conflitos nas relações jurídicas educacionais. mandado de injunção (art. 53. O termo surgiu nos Estados Unidos. que atualmente são o centro das discussões no âmbito legislativo. que o Ministério Público. 208. inclusive remédios constitucionais mais específicos para as questões educacionais. precisão e de acordo com a lei vigente. Acrescenta-se. embora não podemos confundir com o direito de obter decisão judicial. disponibilizar aos alunos o regimento interno ou escolar da instituição de ensino (carta magna do estabelecimento de ensino). para apreciar e apresentar uma solução judicial. 2. se necessário. ações afirmativas podem ser definidas como um conjunto de políticas públicas e privadas de caráter compulsório. acionados junto ao Poder Judiciário. 17 Existem outros instrumentos extrajudiciais ou judiciais que podem ser acionados para garantir o direito à educação? Sim. Nesse contexto. penalidades pedagógicas. art. 141 do ECA) e o direito de petição. 5º.XXXIV da CF. 5º. o Conselho Tutelar e os Conselhos Municipais de Educação atuam. § 2º da CF. buscando o entendimento com a pessoa ou autoridade. XXXV da CF. que estão provocando o aumento de conflitos nas relações educacionais. o acesso à justiça. como instrumento preventivo é conveniente utilizar os procedimentos da própria estrutura administrativa do estabelecimento de ensino: elaborar o contrato de prestação de serviço educacional com clareza. No segundo momento. do que apresentar soluções judiciais diante dos conflitos de interesses entre os atores das relações jurídicas educacionais. que significa o acesso à ordem jurídica justa (art. surgem os instrumentos preventivos institucionais ou extrajudiciais e instrumentos judiciais. que disciplinam as relações jurídicas educacionais. temos ação de rito sumário. Instrumentos de tutela à educação As instituições de ensino privadas ou/e públicas deparam-se com grandes mudanças de concepções na área da educação. Aliás. V do ECA). (art. (art.4. facultativo ou voluntário. pois pode ser exercido perante qualquer órgão público. em seguida vamos apresentar alguns mecanismos institucionais. que depende da presença do advogado ou defensor público. LXIX da CF). 5°. também. surgem os mecanismo ou instrumentos judiciais. E aqui.

estão implementando ações afirmativas. em relação ao Direito Educacional. . como instrumento pedagógico e jurídico de tutela à educação. para quê? E para quem? Tudo com o propósito de contribuir para a sistematizar e prática Direito Educacional. juntamente com integrantes de minorias raciais. que estabelece cota de 20% de afrodescendentes nas empresas que prestam serviços autorizados a essa Corte. alunos ou responsáveis pelos alunos. a Constituição Federal de 1988 estabelecer proteção especial de trabalho à mulher.origem nacional. cidadania e inclusão social na educação. que reserva 20% de seus cargos de direção e assessoramento superior (DAS) a afrodescendentes (Portaria 1. Considerações finais Atendendo ao nosso propósito inicial. ações afirmativas podem ser pública e privadas. como aprimoramento ou especialização profissional. Por isso. as instituições de ensino superior da rede privada de ensino. o Decreto nº 4. pois esta é apenas uma modalidade ou forma de ação afirmativa. e 5º para pessoas com deficiência física. juristas e dos diferentes ramos do conhecimento. promove a cidadania ativa dos segmentos excluídos no mercado de trabalho e no sistema educacional. se faz necessário o conhecimento do Direito Educacional na gestão educacional. 20% para negros. como ações afirmativas na educação temos as experiências da Universidade Nacional de Brasília. respondendo as indagações: o quê. bem como para corrigir os efeitos presentes da discriminação praticada no passado. realizamos uma breve investigação sobre as relações entre educação e. Hoje. prevê no art. Universidade Estadual do Rio de Janeiro e Universidade do Estado do Norte Fluminense Darcy Vargas – nova Lei nº 4. Programa de Ação Afirmativa do Ministério da Justiça. 151/2003.20 A sociedade brasileira demorou a perceber que o princípio da igualdade de todos perante a lei não é suficiente para que o direito à educação seja um direito de todos. como o propósito de fortalecer o sistema educacional brasileiro. VIII percentual de cargos para portadores de deficiência física. sem utilização de cota. aumentaram os conflitos específicos entre os atores do cenário: instituições de ensino. oferecendo bolsas de estudos parciais. Atualmente. principalmente em relação ao negro no Brasil.228/2002 cria o Programa Nacional de Ações afirmativas no âmbito da administração Pública. 20% das vagas para estudantes oriundos da rede pública de ensino. a PUC-RIO resolveu dar bolsas de estudos para alunos provenientes do PVNC. que iniciou uma segunda etapa das ações afirmativas. Aqui. pois não eliminava as desigualdades que foram acumuladas. Este movimento ganhou tamanha dimensão que. No caso do Direito Educacional. além de disponibilizar os instrumento preventivos extrajudiciais e instrumento judiciais. o Programa de Ação Afirmativa do Supremo Tribunal Federal. em 1994. Por conseguinte. que em diversos bairros da baixada fluminense criou o chamado pré-vestibular para negros e carente (PVNC). com programas de inclusão social no ensino. mantendo as contribuições recíprocas de educadores. percebe-se que a ação afirmativa quer seja pública ou privada. para alunos carentes de recursos e outras iniciativas. é oportuno lembrar.156/2001). Contudo. Do ponto de vista real. 21 Enfim. da iniciativa do Frei David. reserva em cada curso de graduação: 20% das vagas para estudantes oriundos da rede pública de ensino. vem discutindo as relações entre educação. professores e governo. 37. É o caso. que passassem no vestibular. como é o caso do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação. tendo por objetivo a concretização do ideal de efetiva igualdade de acesso a bens fundamentais como a educação e o emprego. que se podem implementar ações afirmativas. Universidade Nacional do Estado da Bahia. também.

aos educadores. participarem e contribuírem efetivamente para a aplicação do Direito Educacional.REALE. 2005. O direito educacional como possível ramo da ciência jurídica. Introdução ao estudo do direito – Rio de Janeiro.57. 9.2003. Contribuição à sistematização do direito educacional. P. p. cit. P. Direito educacional e educação no século XXI. Introdução ao estudo do direito – Rio de Janeiro: Forense. por seu caráter inovador. gestores educacionais.Educação a distância: análise dos parâmetros legais e normativos / Roberto Fragale Filho (org. op. regras e instrumentos jurídicos sistematizados. "não há como confundir Legislação do Ensino com Direito Educacional.Idem. Belo Horizonte: Nova Alvorada. 5. Interpretação e aplicação da Constituição. 25. 1981. Enquanto aquela se limita ao estudo do conjunto de normas sobre educação. Tradução de Richard Paul Neto. Elias de Oliveira. 2. como conceituou Álvaro Melo Filho (Cf. p.Mensagem da Revista do Conselho de Educação do Ceará.BOAVENTURA. que objetivam disciplinar o comportamento humano relacionado à educação". MOTTA.DI DIO. o desenvolvimento desse novo ramo do saber jurídico é um terreno fértil para os jovens pesquisadores. Universidade de São Paulo. Notas: 1. 7.BOAVENTURA. Tese (Livre-docência) – Faculdade de Educação. Antônio Luís. então. Paulo. 51). Cabe.NADER. 14. 4.) Rio de Janeiro: PD&A. P. p. 3. 141. cit. Renato Alberto Teodoro.pp. 12.cit. Op.Para o educador e consultor jurídico na área educacional Elias de Oliveira Motta. este tem um campo muito mais abrangente e pode ser entendido como um conjunto de técnicas. Edivaldo Machado. Fortaleza. p.VILANOVA. A luta pelo Directo . p. 77. Edivaldo Machado. 1982. p. 214.57. 2. 30. ed. São Paulo: Saraiva. cit. op. poder público. p. P. 13. 156/157.BARROSO. Lourival. instituições de ensino e as demais instituições do terceiro setor. 10. 1997. p. op. Edivaldo Machado. 1998. 6. Luiz Roberto.. São Paulo. Forense. Miguel. comprometidas com a educação. 1977.47. profissionais envolvidos na formação de docentes e na capacitação para educação à distância. 24.BOAVENTURA. profissionais do direito. Paulo. 11. Brasília: UNESCO. como instrumento de transformação e inclusão social na área educacional. Rudolf Von.Enfim. A educação brasileira e o direito.IHERING. 176.MACHADO NETO. 2005. Interdisciplinar e contribuição para a prática juspedagógica.NADER... 8. 86.

8-13-15. 17. intitulada "Educação à Luz do Direito". Cit. 2003. Afro-brasileiros. p. Niterói: PENESB.Atualizado em 05. Anísio. 15.uol. Ação afirmativa & princípio constitucional da igualdade: (o Direito como instrumento de transformação social. Acesso em: 18 nov. ano 9. 158. São Paulo: Atlas.. p. Coordenador Geral Emir Sader. 19. Nelson. Sobre o texto: Texto extraído da dissertação de mestrado do autor.2002. em 2000. . Direito á educação uma questão de justiça. este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: JOAQUIM. 2ª edição. pp.SISS.TEIXEIRA.br/doutrina/texto.2006. A experiência dos EUA). Teresina. 60. n. 20. p. Rio de Janeiro: UERJ. 1978. 2004.GOMES.Apud REALE.Programa Política da Cor na Educação Brasileira. Rio de Janeiro: Renovar. Barbosa. p. pp. Direito e ensino jurídico: legislação educacional. Educação é um direito.com. 693. pela Universidade Gama Filho (RJ). Ahyas. 21. 8-16. 2004.5. B. Eduardo C.2005) Elaborado em 02. 273 16. Miguel. p. 2009.Rio de Janeiro – Editora Rio. Laboratório de Políticas Públicas. Jus Navigandi. Texto inserido no Jus Navigandi nº693 (29.asp?id=6794>. 157. Disponível em: <http://jus2. 29 maio 2005. Informações bibliográficas: Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Rio de Janeiro: Quartet. 1996. Op. 18. Wilson Donizetti. Joaquim B. Direito educacional: o quê? para quê? e para quem?. cotas e ação afirmativa: razões históricas. 40. P.BITTAR. 2001. São Paulo: Malheiros Editores.LIBERATI. 2001. 342. apresentação de Clarice Nunes. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.

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