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Astronomia: Mitos e Ciência do Cosmos

Este documento apresenta um curso introdutório sobre astronomia. Ele está dividido em três unidades principais: astronomia como mito, cultura e ciência; a visão do céu; e o sistema solar. O documento fornece uma visão geral da história da astronomia e dos principais conceitos para entender os corpos celestes.

Enviado por

Thayara Luisa
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Astronomia: Mitos e Ciência do Cosmos

Este documento apresenta um curso introdutório sobre astronomia. Ele está dividido em três unidades principais: astronomia como mito, cultura e ciência; a visão do céu; e o sistema solar. O documento fornece uma visão geral da história da astronomia e dos principais conceitos para entender os corpos celestes.

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Autor: Juan Bernardino Marques Barrio
Colaboradores: Cláudio Souza Martins e Manoel Alves Rodrigues Junior

Apresentação
Objetivos Gerais
Introdução
Unidade 1 - Astronomia: mito, cultura e ciência
1.1. Mitos da Criação
1.1.1 O Mito Babilônico
1.1.2 O Mito Hindú
1.1.3 O Mito Maia
1.1.4 O Mito Inca
1.1.5 O Mito Karajá
1.1.6 Mitologia Nórdica
1.2. A Astronomia e a Cultura
1.3. Uma História da Astronomia
1.3.1 A Astronomia Pimitiva
1.3.1.1 Arqueoastronomia
1.3.1.2 Astronomia Mesopotâmica
1.3.1.3 Astronomia Babilônica
1.3.1.4 Astronomia Maia - Inca
1.3.2 Astronomia Mediterrânea Antiga
1.3.3 Um Milênio de Transição
1.3.4 Astronomia Clássica
1.3.5 Astronomia Moderna
1.4 E o Futuro?

Unidade 2 - A visão do céu


2.1 A Visão de um Observador
2.2 Sistema de Coordenadas Horizontais
2.3 Sistema de Coordenadas Equatoriais
2.4 Sistema de Coordenadas Eclípticas
2.5 O Zodíaco
2.6 Posições Características do Sol
2.7 A Medida do Tempo
Atividades

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Unidade 3 - O sistema solar
3.1 O Movimento dos Astros
3.1.1 Lei da Gravitação de Newton e Leis de Kepler
3.2 Formação de Sistemas Planetários
3.3 Origem do Sistema Solar
3.4 O Sol
3.5 Os Planetas
3.5.1 Mercúrio - Sob o Calor do Sol
3.5.2 Vênus - O Planeta Irmão
3.5.3 O Sistema Terra - Lua
3.5.4 A Lua
3.5.5 Marte - O Planeta Vermelho
3.5.6 Júpiter - O Grande
3.5.7 Saturno - A Beleza do Frio
3.5.8 Urano - A Longa Noite
3.5.9 Netuno - a Precisão Cósmica
3.5.10 Cometas
Atividades

Bibliografia Básica
Bibliografia Complementar
Páginas em Português na Internet
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Temos certeza de que a beleza e o mistério do espaço sempre os entusias-


maram, da mesma forma que a todos os demais habitantes deste nosso planeta
Terra. É evidente o fascínio que todos sentimos pelo céu. Afinal, quem nunca
admirou um nascer ou um por do Sol?! quem não namorou numa noite de Lua
cheia?! ou até mesmo não se impressionou com uma forte tempestade?!

Desde os inícios da civilização os mistérios do Universo fazem parte


da natureza humana e, ao mesmo tempo em que admiramos a sua extensão
e beleza, sentimos o desafio de conhecê-lo e o desejo de descobrir sua cone-
xão conosco. É bem possível que o homem tenha buscado entender o céu
muito antes de tudo aquilo que estava bem mais próximo. Ao investigarmos
o Cosmos estamos também indagando sobre a nossa própria origem.

Entender o ciclo das estações, a luz e o calor que vêm do Sol durante
o dia, o luar e as estrelas à noite, a necessidade de se orientar em seus percur-
sos de um lugar a outro e de estabelecer uma cronologia para os aconteci-
mentos foram, e continuam sendo, motivos suficientes para o homem tentar
equacionar o Universo.

Se olharmos, numa noite cla-


ra, num local onde o céu se apresente
completamente limpo, podemos ver
mais de 2000 estrelas a olho nu. É en-
tão possível penetrar milhões de qui-
lômetros no espaço e recuar milha-
res de anos de um passado distante.
Nessa imensidão está o sistema solar,
localizado num dos grandes braços
em espiral da galáxia, da Via-Láctea,
!"#$!%&!'(&!)*+,-& ocupando uma região que mede cer-
ca de 12 bilhões de quilômetros de
diâmetro. Nele encontramos o planeta Terra, uma pequena “bola” rochosa
com cerca de 13000 km de diâmetro. A nossa galáxia, a Via-Láctea, contém
cerca de 200 bilhões de estrelas e ainda gás e poeiras interestelares, tudo em
movimento em torno do centro.

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Enfim, a historia da construção do conhecimento da Astronomia é a
nossa própria historia e por isso é que num mundo no qual as explicações
pseudocientíficos e místicas ocupam grandes espaços nos meios de comu-
nicação, o conhecimento da Astronomia é uma das coisas mais preciosa que
temos e um dos caminhos mais seguro para a felicidade.

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Nesta unidade, dentro das limitações próprias deste tipo de mate-
rial didático, queremos traçar as linhas básicas daquilo que a Astronomia já
conseguiu decifrar, delineando também um quadro da evolução das idéias e
das técnicas utilizadas na pesquisa cientifica. Há ainda o propósito de apre-
sentar uma visão desmistificada da ciência, introduzindo novas formas de
comunicá-la despertando, dentro do possível, a vocação cientifica, tendo
como foco a importância da ciência básica como principal geradora de no-
vas idéias e tecnologias.

Mais especificamente, neste módulo pretendemos proporcionar uma


primeira aproximação, clara e precisa, ao estudo do Universo, a partir de
uma análise histórica do processo de sua concepção e das noções físicas bá-
sicas indispensáveis para uma correta compreensão dos corpos celestes, de
sua estrutura, composição, organização, posição com relação à Terra, etc.

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Pois bem. Para isso ao longo do curso vocês terão duas disciplinas: Astro-
nomia no 1º semestre e Astrofísica e Cosmologia no 7º. Para cumprir com estes
objetivos gerais, dividimos os conteúdos desta primeira parte em três tópicos ,
que tratam sucintamente de

1. Astronomia: mito, cultura, ciência.

2. A Visão do Céu: a esfera celeste; sistemas de coordenadas; posi-


ções aparentes dos astros; eclíptica etc.;

3. O Sistema Solar: características gerais de seus componentes. O


Sol: sua estrutura, composição. Os planetas e satélites. Asteróides,
Meteoros, Meteoritos. Os movimentos da Terra. Eclipses;

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1.Viajar pela história da humanidade através das compreensões míti-


cas, culturais e científicas do Universo.

2.Procurar que se torne compreensível uma série de questionamen-


tos básicos acerca da imensidão do mundo físico que nos envolve,
relacionados com a astronomia.

3.Identificar aquilo que pode ser observado no “céu”, e tudo que faz
parte do Universo, visualizado pelos aparelhos.

4.Estudar o Sistema Solar com seus componentes, ou seja, as influ-


ências entre si, e em especial sobre a Terra, bem como a forma de
observá-los.

5.Estudar a estrutura física dos corpos celestes.

6.Apresentar o processo de origem e evolução das estrelas.

7.Estudar a estrutura do Universo observável.

8.Estudar os modelos Cosmológicos do Universo.

Esperamos que com esta disciplina aprendam os conceitos básicos da


Astronomia que serão complementados com a seguinte disciplina de Astro-
física e Cosmologia. Acreditamos que será muito mais interessante observar
as estrelas à medida que o conhecimento aumente, e ficaremos mais aptos a
ler, em obras de maior profundidade, assuntos ainda mais intrigantes, desde
a astronomia antiga às últimas teorias astrofísicas e aos vôos espaciais.

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Como o curso de vocês é de
Licenciatura em Física, vamos, ao
longo da unidade, sempre que se fizer
necessário, apresentar alguns concei-
tos e questões da Física importantes
para a compreensão da Astronomia.

A Astronomia de hoje –talvez


fosse melhor chamá-la de Astrofísi-
ca– é uma ciência eminentemente
observacional, que se fundamenta
nas teorias físicas atuais. Seus conhe-
cimentos têm sido obtidos pela Hu- ./01#!2-!.&$*3(&45!6&2&!
07&!2-$&4!,-7!8($9:-4!2-!
manidade a partir de um imenso nú- -4,/-$&4
mero de dados observacionais e do
exercício da lógica para interpretar corretamente essas observações. Muitos
desses fenômenos astronômicos, em especial os mais simples relativos aos
movimentos aparentes do Sol e da Lua, às estações ou à medida do tempo,
são questões que influenciam na nossa vida quotidiana, mesmo que passem
despercebidas por sua monótona invariabilidade e o progressivo distancia-
mento da vida urbana da Natureza.

Durante milênios, as antigas idéias sobre o Universo acerca da Terra,


das estrelas e dos planetas, fizeram-nos acreditar que tudo isso influía sobre
todos os seres vivos da Terra, entre eles, é claro, o ser humano. Pensava-se
que a Terra era plana e fixa no centro do Universo, ao mesmo tempo em
que se imaginavam estranhas leis para explicar os movimentos observados
no céu. Inventavam-se histórias e mitos em torno dos quais se viam no céu
animais, seres mitológicos... No mundo atual ainda permanecem algumas
dessas idéias, que, apesar de não possuírem fundamento científico, são de
valor histórico.

No princípio, o Universo conhecido se restringia ao Sol, à Lua, a al-


guns planetas e “muitos ‘pontos’ luminosos”, mas, com o aperfeiçoamento
dos instrumentos astronômicos e a própria evolução das idéias, o conheci-
mento humano foi se expandindo e o Cosmos se revelando de forma sur-
preendente e impressionante. Assim, o sistema solar hoje explorado pelas
sondas espaciais, bem como por modernos telescópios, nos mostram uma

4'0&(.(1,/# 6!
realidade bem diferente. Do Sol partimos para as demais estrelas que, aos
bilhões, permeiam a nossa galáxia, a Via Láctea. Mesmo sem conseguir pe-
netrá-las, a Astronomia vem decifrando o seu interior, a sua formação e evo-
lução, tão ligadas à nossa própria existência, pois somos fruto das estrelas.

Observam-se gigantescas nuvens interestelares que nos revelam,


com suas formas curiosas e gases fluorescentes, gigantes berçários de estre-
las. Indo mais adiante, notamos que o Universo se organiza em grupos de
estrelas, galáxias, e em superaglomerados, intercalados por imensos vazios.

Enfim, com a passagem dos séculos fomos construindo leis que re-
gem o movimento dos objetos celestes; conseguimos explicar o movimento
da Terra e dos planetas; a origem das estrelas e dos seus brilhos; o que são
os cometas; fomos conhecendo novos planetas, satélites, constelações, qua-
sares, buracos negros... Mas sempre nos perguntando como tudo começou.
Muitas perguntas serão respondidas ao longo desta unidade, mas, ao mesmo
tempo em que compreendemos melhor o Universo, também percebemos
que somos uma ínfima parte deste mesmo Universo.

Mas, até onde os instrumentos vão poder satisfazer a nossa curiosida-


de, avançando no espaço e retrocedendo no tempo, em direção aos limites
do Universo? Ainda hoje muitos dos fenômenos celestes e atmosféricos que
fazem parte de nosso cotidiano não são compreendidos por grande parte
da Humanidade, recorrendo ainda à mitificação desses fenômenos naturais.
Uma dessas interpretações pode ser observada nas figuras abaixo: à esquer-
da, um desenho ligando as estrelas da constelação do Leão, a sua figura mi-
tológica no centro, e à direita uma foto real da região do céu onde se encon-
tram as estrelas dessa constelação.

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Podemos dizer que existem três motivos para se estudar o Universo:


o primeiro é descobrir, conhecer o que há lá fora, seja no nosso Sistema So-
lar, ao explorar a superfície de Marte, seja nas profundezas extragalácticas,
ao estudar as galáxias e o meio intergaláctico.

Para o Astrofísico, essa pergunta é preliminar a um segundo objetivo:


compreender e interpretar as observações em função das leis físicas estabe-
lecidas na Terra e situar todo o Sistema Solar num contexto evolutivo que
permita determinar o nascimento da galáxia Via Láctea, ou inclusive acon-
tecimentos muito anteriores, como são os instantes iniciais do Big Bang, do
qual surgiu nosso Universo.

E para os Físicos existe um terceiro motivo: o Cosmos é um laborató-


rio que oferece condições muito mais extremas que aquelas que podem ser
simuladas na Terra, o que nos permite levar até o limite as leis conhecidas.
Uma compreensão mais profunda sobre a temperatura e as energias do Big
Bang, por exemplo, poderia revelar novas leis. Quase tudo que conhecemos
sobre a gravidade, que é uma das quatro forças fundamentais da natureza e
que controla o movimento das estrelas, das galáxias e de todo o Universo em
expansão, vem da Astronomia. Esta é sem nenhuma dúvida a primeira ciên-
cia que se fez profissional e que nas últimas décadas tem ampliado muito
seu campo de atuação. Existem poucas áreas da Física terrestre que não têm
algum tipo de aplicação na Astronomia. Todas as questões levantadas pela
Astronomia relacionam-se com uma conclusão geral e única que constitui o
verdadeiro paradigma da Astronomia moderna.

O que controla a dinâmica de todo o Universo e em particular das


galáxias é a matéria oculta, escura e invisível. Se o Universo não possuísse
essa matéria seria um lugar bem diferente já que é ela que estabelece sua
estrutura e o possível destino. O descobrimento da natureza desta matéria
escura é hoje, sem nenhuma duvida, o principal problema que têm em suas
mãos os cosmólogos.

Não é nenhum exagero afirmar que se não estivéssemos rodeados


desta matéria escura simplesmente não existiríamos para admirar o Univer-
so. É impossível imaginar as formas de como o Universo poderia ter surgi-
do do Big Bang se não existisse esta matéria. As galáxias, as estrelas e nós

4'0&(.(1,/# 69
mesmos não teríamos surgido jamais. A explicação deste problema é uma
conseqüência natural dos recentes descobrimentos cosmológicos.

Na medida em que os conhecimentos cosmológicos avançam, os te-


mas que antes eram tratados como simples conjecturas tornam-se motivo
de profundas pesquisas, podendo-se hoje abordar de forma cientifica ques-
tões relativas à origem e o possível destino do Universo.

A Ciência trata fundamentalmente das complexas manifestações


de leis cuja essência se conhece bem, e o verdadeiro desafio cientifico está
em compreender a vasta complexidade que sustenta estas leis. Não se tra-
ta, portanto, de simples especulação e acumulação de fatos sobre o mundo
material. Se assim o fosse, há muito tempo teria sido eliminada, colapsada
por essa imensidão de dados. Pelo contrário, a Ciência avança por causa de
nossa habilidade em discernir modelos e regularidades no mundo físico.
Seu êxito está na grande capacidade de descrever a complexidade do mun-
do natural em função de alguns poucos postulados fundamentais, fazendo
com que a compreensão de nosso Universo esteja “sustentada” sobre uma
base muito simples. As leis físicas são compreensíveis pela mente humana
e aquelas que se deduzem por experimentos em laboratórios parecem ser
aplicáveis à totalidade do Universo, seja qual for o lugar e o instante.

Os físicos conseguiram reduzir ainda mais a Natureza e a estrutura fundamen-


tal de todo o mundo físico. Não apenas os átomos, também as estrelas e as pessoas,
estão determinadas, em principio, por umas poucas constantes básicas. São estas as
massas de algumas partículas fundamen-
tais, e as intensidades das forças elétrica,
nuclear e gravitacional que unem as partí-
culas e regulam seus movimentos.

Existem muitos tipos de partí-


culas e, na medida em que a Física foi-se
desenvolvendo, permitiu compreender
que algumas dessas partículas intera-
gem com as outras através das forças
exercidas por elas. Assim, a força de
interação que existe entre dois corpos
carregados eletricamente é devida aos
fótons, que são os transportadores das
forças eletromagnéticas. Tudo pode ex-

6:# $%&'(#)*#+,-*.-,/0%&/#*1#23',-/
plicar-se em função destas “partículas”. No entanto, temos que diferenciar entre
aquelas que transportam forças, chamadas de bósons, e aquelas que podem ser
consideradas como partículas materiais, chamadas de férmions.

Diferentes tipos de férmions podem ser encontrados, sendo que aqueles


que têm maior interesse estão nos átomos: as relativamente pesadas (prótons e
elétrons) e, os nêutrons. Todas as relações entre estas partículas estão regidas por
quatro tipos de forças. Uma se chama forte, que mantém os núcleos e é conseqü-
ência das interações produzidas em nível mais profundo entre os quarks -um dos
dois elementos básicos que constituem a matéria, o outro é o lepton-. A outra,
que se manifesta também em escala atômica, se denomina fraca e é responsável
pela desintegração radioativa. As outras duas forças são de longo alcance e são
percebidas na escala humana e superior: a eletromagnética, que atua unicamente
sobre partículas carregadas eletricamente, e a gravitacional, que atua sobre partí-
culas com massa. Uma possível “quinta força”, que recentemente vem sendo ob-
jeto de discussão, é na realidade uma modificação da gravidade.

A partir do cálculo da temperatura do Universo na sua origem -Big Bang-,


através da radiação de fundo cósmico, bem como pelas reações nucleares que
poderiam ter ocorrido aos poucos minutos de vida do Universo, os físicos cal-
cularam que os bárions (designação genérica de partículas subatômicas sensíveis
a interações fortes e compostas de três quarks) só representam entre 10 e 20%
da matéria necessária para conseguir que o Universo tenha evoluído como o fez.
Uma densidade de bárions superior a estes valores teria dado origem a pouco
Hidrogênio pesado e o Big Bang teria produzido uma quantidade muito maior
de Helio. Por outro lado, os neutrinos (partícula sub-atómica dificilmente detec-
tada porque sua interação com a matéria é muito fraca, com carga neutra e massa
extremamente pequena), produzidos no Big Bang, estão por todas as partes do
Universo em grande quantidade. Estes podem atravessar uma placa de chumbo
com a mesma facilidade que a luz do sol atravessa uma janela de vidro, sendo
por isso ainda impossível reter alguns deles em dispositivos experimentais para
estudar seu comportamento. Essa avalanche de neutrinos constitui a matéria pre-
dominante para explicar a radiação de fundo cósmico do Universo.

As forças básicas, eletromagnética e gravitacional, determinam a for-


ma dos seres humanos. Nossos corpos e todas as estruturas químicas man-
têm sua unidade pelas forças elétricas, que por sua vez ficam determinadas
pelas leis naturais básicas. A força gravitacional que atua em nosso corpo,
chamada de peso, depende do número de átomos que contém, bem como o
tamanho do corpo é uma imposição do meio. Se as forças nucleares fossem

4'0&(.(1,/# 6;
ligeiramente mais fracas, não poderiam formar-se os núcleos complexos
e todo o Universo estaria composto apenas de Hidrogênio. Todos os ele-
mentos químicos, com exceção do Hidrogênio e do Helio, formaram-se por
transmutações nucleares ocorridas no interior das estrelas que explodiram
muito antes da formação do Sistema Solar.

Nosso Universo contém bilhões de galáxias, semelhantes à Via Lác-


tea que habitamos, sendo que cada uma delas possui milhares de milhões de
estrelas mais ou menos semelhantes ao Sol. As observações realizadas pelos
astrônomos mostram que o Universo está expandindo, as galáxias se sepa-
ram umas das outras com o tempo, levando os cosmólogos a estimar que
faz da ordem de 15 bilhões de anos toda a matéria e energia do Universo,
assim como o espaço e o tempo, estavam concentrados numa região extre-
mamente quente. Essa “bola de fogo” do Big Bang era uma singularidade
física, onde a matéria estava desintegrada em suas partes componente de
forma extremamente simples.

Nossas observações nos dizem que o Universo se expandiu a uma


velocidade “adequada” que permitiu que os elementos pudessem ser fabri-
cados no interior das estrelas. As condições iniciais do Universo eram exage-
radamente extremas para a existência da vida humana, no entanto, hoje são
as apropriadas, pelo menos em um dos planetas - a Terra-, que gira em torno
de uma estrela -o Sol- que existe numa das galáxias -Via Láctea- do Universo.
Pode ser que no futuro essas condições venham a ser inadequadas e a vida
não possa existir como a conhecemos.

As condições do Big Bang eram, neste sentido, mais simples do que


aquelas que existem hoje no interior do Sol. Talvez consigamos entender
como surgiram as galáxias, as estrelas no Universo em expansão e a natureza
de nossa própria origem. Para isso a seguir temos uma série de materiais que
vão permitir que você possa expandir seus conhecimentos.

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Com toda certeza a cara dos


nossos antepassados ao olhar para o
céu não era nada diferente da imagem
que vocês podem ver ao lado. Mas,
será que essa expressão não representa
ainda hoje como fica a maioria da po-
pulação ao olhar para o céu?

Muito antes do que possa re-


gistrar qualquer sitio arqueológico,
o ser humano procura compreen-
der e interpretar aquilo que vê no
céu. No entanto as informações sobre o interesse astronômico primitivo só
começam a ser conhecidas a partir das evidências escritas encontradas do
terceiro milênio a.C., mesmo com evidências anteriores que procedem as
construções de alguns monumentos e edifícios, ou mesmo em pinturas ru-
pestres que correspondem a civilizações ainda pouco conhecidas.

Atualmente vivemos num mundo inundado pela luz, inclusive à noi-


te, apesar de que esta é uma circunstancia bem recente. Antes, as noites eram
realmente escuras, e um incontável número de pontos luminosos desenhava
o céu, motivo pelo qual a observação da esfera celeste significou muito para
os primeiros povoadores deste planeta. O que seriam este pontos lumino-
sos?. Com toda certeza são deuses que nos observam e que através dos fenô-
menos naturais se expressam. Era difícil entender outra coisa naquele mo-
mento, já que tudo que podiam ver eram fenômenos inexplicáveis. Por isso,
já naquele momento a conexão entre Astronomia, Astrologia e Religião era
muito forte e se observava em todas as culturas da antiguidade.

Na realidade, a astronomia não foi nunca, nem sequer durante os pri-


meiros passos da Humanidade, uma atividade puramente contemplativa e
inútil para a vida prática. Trata-se da ciência mais antiga e ao mesmo tempo
uma das mais modernas. Neste primeiro capítulo procuramos mostrar de for-
ma sucinta, e que pode ser mais aprofundada no Anexo que estará disponibili-

4'0&(.(1,/# 65
zado no cd, a profunda inter-relação deste conhecimento em diferentes civili-
zações, com suas culturas, com as artes, e com a literatura, com o pensamento
dos filósofos e até inclusive com o desejo arbitrário das autoridades.

Objetivos específicos:

• Apresentar alguns dos mitos de diferentes povos sobre a Origem


do Universo.

• Mostrar como a Astronomia e a cultura sempre caminharam juntas.

• Identificar em algumas obras literárias os conhecimentos astronô-


micos da época.

• Acompanhar a construção do conhecimento astronômico ao longo


dos tempos.

• Poder analisar criticamente os modelos científicos construídos pe-


los homens.

• Pensar nas perspectivas futuras da Astronomia.

O Universo sempre existiu ou teve um começo? Se teve um começo,


o que existia antes? Por que o Universo é assim? Terá um fim?

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O Mito, a Filosofia, a Religião e o Conhecimento, através das Ciên-


cias, sempre buscaram dar uma resposta às questões anteriormente levan-
tadas. A busca de resposta para esse tipo de indagação sempre foi uma das
preocupações do pensamento humano.

Ao longo da historia da Humanidade tem-se feito um grande esforço


para descobrir de onde veio tudo que existe e compreender a organização do
Universo. Para podermos avaliar o momento atual de nosso conhecimento
temos que entender todas as fases pelas quais já passou o pensamento hu-
mano, e não podemos nos limitar às pesquisas mais recentes, nem apenas à
ciência. Temos que recorrer ao passado mais distante possível e acompanhar
a grandiosa aventura intelectual da Humanidade. Em algum momento de

97# $%&'(#)*#+,-*.-,/0%&/#*1#23',-/
sua historia, todas as civilizações se fizeram as mesmas perguntas e cada uma
teve sua própria cosmologia, sua interpretação de como se fez o Universo e
como ele evolui.

Todos os povos contaram com a mesma base: o movimento visível


do Sol, da Lua, das estrelas e dos planetas. Todos observaram o mesmo céu,
mas as relações que estabeleceram entre suas observações e as características
do lugar onde viviam deram origem a diferentes concepções do Universo,
muitas delas convertendo-se em Mitos. Os mitos são a primeira forma que
o Homem teve para explicar os fenômenos astronômicos e refletem uma
vontade de encontrar explicações para os fenômenos naturais. Esse desejo
inerente ao homem é o mesmo que o tem levado a descobrir os princípios
científicos que relacionam os objetos celestes, explicando sua origem, inclu-
sive da Terra.

Mais do que nenhuma outra área, as teorias


sobre a origem são tradicionalmente polêmicas e
apresentam intensas implicações sociais. O que se
sabe da origem do mundo, da vida, da Humanida-
de influencia nas atitudes e nos comportamentos.
A crença de cada um altera, às vezes, a avaliação
dos fenômenos, chegando até o ponto de provo-
car resistências persistentes. Como diz o provér-
bio: “Tudo é conforme a cor do cristal com que
se olha”. Por isso, pretender possuir uma teoria
da criação significaria poder relacionar algo (o
Universo) com nada e isso não está ao alcance do
modo de proceder cientifico. Nossas pretensões
são muito mais modestas.

As interrogações que provoca a palavra “criação” situam-se num ní-


vel metafísico e atingem uma realidade misteriosa e fascinante. Nas cultu-
ras mais tradicionais, as “histórias sagradas” descrevem o passado para dar
sentido ao presente, servem para fundamentar os seus objetivos. O relato
sagrado/mitológico funciona como um guardião da ordem. A idéia de um
Deus do Céu, de um pai distante no céu, e de uma Mãe-Terra, que alimenta,
é recorrente em todas as religiões, desde as mais primitivas.

O antropólogo mexicano Alfredo López Austin distingue três


tempos sobre os mitos: primeiro, o da existência intrascendente dos

4'0&(.(1,/# 98
deuses; segundo, o tempo propriamente mítico, o da criação, e terceiro,
o tempo dos homens. A seguir, buscando a diversidade, e evitando a re-
petição, apresentamos alguns mitos da criação que oferecem exemplos
de diferentes tradições religiosas.

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O mito babilônico Enuna Elish é o mais antigo que se conhece. O po-


ema escrito no século XV a.C. narra a origem cósmica como resultado de um
combate divino. Parte da existência dos deuses Apsu, água doce masculino, e
Tiamat, água salgada feminina. Ou seja, no inicio era a água. De Apsu e Tia-
mat nasceram Lahmu, ser masculino, e Lahamu, ser feminino, que por sua vez
deram origem a Asnar e Kishar. A partir desse momento acaba-se a tranqüila
sucessão, tendo em vista que Apsu e Tiamat consideram que os deuses mais
jovens se comportam de forma escandalosa e decidem destruí-los.

A idéia de uma origem aquática explica-se pelas características do lu-


gar onde surgiram as culturas mesopotâmicas, entre os rios Tigre e Eufrates,
onde o domínio da água determinava o poder. Este mito influenciou poste-
riormente as cosmologias egípcias e o gênesis hebraico.

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Dos hindus nos chegam alguns mitos sobre a criação e a destruição


do mundo de grande complexidade. De 1700 a.C. conhecemos o hino cos-
mológico de Rig Veda e as dúvidas sobre o conhecimento do principio ab-
soluto. Da mesma forma que o mito babilônico, este também considera a
água como a essência:

Naquela época não havia ser, nem não ser


nem espaço, nem além o céu.
O que havia nessa envoltura?
Onde estava?
Quem o cuidava?
Era algo a água profunda que não tinha fundo?
Nem a morte nem a não morte existiam.
Nada diferenciava o dia da noite.
Sem ar o UNO respirava originando seu próprio movimento.

9 # $%&'(#)*#+,-*.-,/0%&/#*1#23',-/
Nada mais existia.
As trevas ocultavam então as trevas,
tudo ali era caos absoluto.
No meio do vazio, inativo, o UNO
se manifestava pelo poder da energia.

$ $ O UNO ou a totalidade, chamado Prajapati, ao tomar consciên-


cia de sua completa solidão se divide. Do seu corpo cria o Cosmos, com o
tempo, o espaço e os seres que o habitam. O Sol surge de seu olho, a Lua
de seu pensamento, a Terra de seus pés e com o crânio forma o céu. Este
ato de criação deve ser repetido ciclicamente, de tal forma que Prajapati se
reintegra e desintegra através de um rito anual que garante a continuidade
do Universo.

Em outro mito hindu, do umbigo do deus Visnu, com figura de crian-


ça boiando sobre as águas, surge uma flor e do cálice desta nasce Brahma, o
deus criador. Brahma medita durante milênios antes de dar origem ao Uni-
verso. Sobre a Terra com um único plano se encontravam os sete níveis do
céu, o último habitado por Brahma, e por debaixo do circulo da Terra se
encontravam outros sete níveis para o inferno.

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A civilização maia foi uma cultura mesoamericana que além de ex-


cepcionais astrônomos, que mapearam as fases e os movimentos de diver-
sos corpos celestes, especialmente a Lua e Vênus, desenvolveram o único
sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar
completamente o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma
escrito no velho mundo. Chichén-Itzá, na Península de Yucatán, além de ca-
pital do império, e a mais famosa cidade Templo, funcionou também como
centro político e econômico da civilização maia.

Na mitologia maia, Tepeu (Deus do céu), Gucumatz (Deus das


tempestades) e Huracán (Deus do vento, tempestade e fogo) são os tres
primeiros deuses criadores. Enquanto Huaracán realiza o processo de
criação de uma raça de seres que possam adorá-los, Tepeu e Gucumatz
dirigem o processo. A Terra é criada, junto com os animais. Inicialmen-
te, o homem é criado primeiro de lama mas este se desfaz, depois a
partir da madeira, mas este não possui nenhuma alma. Finalmente o

4'0&(.(1,/# 9!
homem é criado a partir do milho por uma quantidade maior de deuses
e seu trabalho é completo.

No livro Popol Vuh, que é uma compilação de diversas lendas pro-


venientes de diversos grupos etnicos da atual Guatemala, e que é um dos
poucos livros que restaram da civilização Maia, encontra-se um dos mitos
maias, aquele que talvez tenha maior repercussão e que se refere ao tempo
intrascendente dos deuses:

Esta é a relação de como tudo estava suspenso, em


calma, em silêncio. Tudo imóvel, calada e vazia a ex-
tensão do céu. Esta é a primeira relação, o primei-
ro discurso. Ainda não havia um homem, nem um
animal, nem pássaros, nem peixes, nem caranguejos,
nem árvores, nem pedras, nem cavernas, nem capim
nem bosques: só o céu existia... Só estava o mar em
calma e o céu em toda sua extensão. Não havia nada
dotado de existência. Só o Criador, o Formador, Te-
peu, Gucumatz. Os Progenitores estavam na água
rodeada de claridade. Estavam ocultos debaixo de
penas verdes e azuis....

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No mito da criação inca, Viracocha Pachayachachi, depois de criar


o mundo (sem luz, sem sol e sem estrelas), caminhava pelos imensos e de-
sertos pampas da planície, quando criou os homens, seguindo suas próprias
medidas, tal como são hoje em dia.

Viracocha ordenou aos homens que vivessem em paz, ordem e res-


peito. Entretanto, os homens não lhe obedeceram, e foi assim que Deus
criador os transformou em pedras ou animais. Alguns caíram enterrados na
Terra, outros foram absorvidos pelas águas.

Finalmente, despejou sobre os homens um dilúvio, do qual somente


três homens restaram com vida, com o objetivo de ajudar Viracocha em sua
nova criação. Assim que o dilúvio passou, Viracocha decidiu dotar a Terra
com luz e foi assim que ordenou que o Sol e a Lua brilhassem e que as estre-
las ocupassem seu lugar no vasto firmamento.

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A cultura Karajá não possui escrita, por isso tudo que dela conhece-
mos nos chegou através de relatos feitos em entrevistas aos seus xamãs. O
que segue são fragmentos de relatos de um deles:

Kÿnyxiwe, o criador não nasceu, ele sempre existiu!. Ele é a origem das coi-
sas e nunca teve pai, mãe ou qualquer companheiro. Era só e único. Ele não tinha
idade, porque naquela época não se contava o tempo. Também não havia terra
nem céu... Do nada esse poderoso feiticeiro fez a Terra que num inicio era plana,
completamente lisa e seca. Não havia uma só gota de água...

… Kÿnyxiwe transformou lenta e progressivamente dois peixes em ou-


tro espécime animal que antes não existia. E assim nascem os Karajás... Para
esquentá-los do frio, branquear as praias, dar cores às folhas das árvores e asas
aos pássaros, chocar os ovos das tartarugas etc., Kÿnyxiwe criou o Sol e depois
lhes deu a Lua para embelezar as noites e ajudar nas viagens noturnas nas cano-
as. ...Além disso, esticando o dedo cheio de luz criou Tainahãkÿ (estrela d’alva), a
maior “estrela” dos céus, que pertence a cada um dos Karajás.

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As narrativas mitológicas dos povos nórdicos, que hoje compreen-


dem a Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia, estão contidas em duas cole-
ções chamadas “Edas”. A mais antiga é uma poesia que data de 1056 e a mais
moderna é uma prosa de 1640. Nas Edas, como em todos os mitos em geral,
no inicio do mundo não havia nem céu nem terra, mas um abismo sem fun-
do onde flutuava uma fonte dentro de um mundo de vapor (Os Fiordes).
Dessa fonte saíam doze rios em direção ao norte, que, preenchendo esse
abismo, congelaram-se.

Ao sul desse mundo de vapor ficava um mundo de luz. O calor do sul der-
rete o gelo do norte e dos vapores formados pelo gelo surgem o gigante Ymir e a
vaca Audumla, cujo leite amamentava o gigante. Audumla se alimentava lamben-
do o gelo, de onde retirava água e sal. De tanto lamber o gelo acabou descongelan-
do um deus que, unido com sua esposa da raça dos gigantes deu origem a Odin,
Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir, formando com as partes de seu corpo o
mundo como o conhecemos, e com sua testa a morada do homem.

4'0&(.(1,/# 99
Depois de esquartejar Ymir, os deuses, percebendo que a criação não
estava completa, formaram o homem e a mulher das raízes de algumas plan-
tas. Cada deus presenteou o ser formado com uma virtude: Odin deu-lhes
uma alma, Vili a razão e Ve os sentidos.

Na mitologia nórdica Odin representa o deus máximo. Ele mora junto


com seus irmãos em Asgard, num palácio chamado de Valhala. Sentado em seu
trono, Odin tem aos seus ombros os corvos Hugin e Munin, que durante o dia
voam pelo mundo para à noite contar-lhe tudo o que viram. A seus pés encon-
tram-se os lobos Geri e Freki, a quem Odin fornece toda a carne que é colocada
diante dele, já que ele próprio não precisa alimentar-se. A presença dos animais
na história: os lobos e a vaca são aqueles comuns na vida desse povo: a vaca para
prover de leite, e os lobos para amedrontar os deuses e os mortais.

A mitologia nórdica possui várias outras histórias, a maioria delas


contando as aventuras de Thor, filho de Odin. Em todas elas, a visão dos
nórdicos sobre o mundo é de um lugar gelado, tendo ao norte o pólo norte
e ao sul o mediterrâneo, e a brutalidade presente em muitos dos seus contos
é uma característica da presença dos bárbaros Vikings.

Portanto, mitos sobre a origem e estrutura do Universo são encon-


trados em todas as culturas. Na “criação” de deuses/heróis, sejam eles íco-
nes religiosos ou não, pelos mitos o homem busca o atendimento da sua
necessidade de crer que sua essência é boa, já que sempre é feito à imagem
e semelhança de seus deuses/heróis. Em todos os mitos permanece a idéia
principal da criação como um processo de trânsito de um Universo caótico
para a ordem, pela ação de um elemento organizador.

No inicio do século XX, Albert Einstein possibilita à ciência os meios


de construir uma “teoria do Universo” que pode dialogar com a natureza do
Cosmos. Trata-se de entender a natureza, alheios ao bem e ao mal. Estamos
frente a frente, com uma moral religiosa e filosófica, que tem como cam-
po de domínio “como viver no mundo” e a ciência que trata da questão de
“como funciona o mundo”.

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Nesta parte vamos identificar sucintamente como a Astronomia faz


parte da construção literária e de que forma esta é influenciada pelos mitos e

9:# $%&'(#)*#+,-*.-,/0%&/#*1#23',-/
pelas religiões, para depois ver a construção na perspectiva científica. Cabe
ressaltar que, se obras literárias falam de Astronomia, muitos trabalhos cien-
tíficos também são verdadeiras obras literárias.

É por isso que nas diferentes formas de cultura criam-se objetos,


que vão desde uma pintura, uma escultura, um edifício, até um poema ou
mesmo uma obra musical, através dos quais se expressam sentimentos,
preocupações, idéias, visões, estados de animo etc., e que de forma espon-
tânea nos ajudam a melhor compreender o mundo. A partir das diversas
manifestações artístico-culturais foi possível conhecer idéias ou fatos as-
tronômicos do passado, como é o caso dos eclipses ou a passagem de co-
metas, cujos únicos registros que se possuem deles são através de pinturas
ou gravações.

De forma cronológica daquilo que conhecemos, destacamos a seguir


alguns dos trabalhos que expressam a cultura e sua relação com o conheci-
mento astronômico:

• HOMERO (séc. VIII ou IX a.C.) escreve a Ilíada, com 15.537 ver-


sos, onde narra a guerra entre gregos e troianos, e na Odisséia, através
dos seus 12.000 versos, narra as aventuras de Ulisses para chegar a
sua pátria, referindo-se a algumas constelações e como elas podem
servir de guia na navegação.

• HESÍODO (séc. VIII a.C.) em Teogonía explica a origem do mun- ;#7-/#


do e dos deuses e em Trabalhos e Dias inclui vários mitos e informa o
campesino sobre as constelações para as diferentes épocas indicando o
momento adequado para arar, semear e colher.

• PLATÃO: escreve o tratado Timeu, na forma de diálogo.

• PTOLOMEU: escreve Geographia que, em oito volumes, contém todo


o conhecimento geográfico greco-romano; o Tetrabiblos, um livro de as-
trologia e num conjunto de cinco volumes o tratado “Óptica”.
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• DANTE ALIGGHIERI (1261-1321): na Divina Comédia apresen-
ta uma visão Aristotélica/Ptolomaica - Inferno, Purgatório e Paraíso.
Em todos os momentos da obra pode-se verificar a importância do
número 3 na religião católica: divina Trindade, as três graças...

4'0&(.(1,/# 9;
Inferno: 9 círculos. Os 5 primeiros são o Alto Inferno e os outros 4
o Inferno Inferior 3 cidade com mesquitas vermelhas, rodeada por
muralhas de ferro.

Purgatório: 9 níveis. Dá sentido à natureza e na cúspide o Jardim do Éden.

Paraíso: 9 círculos. Lugar caracterizado por esferas celestes onde se


encontram os 4 elementos básicos: Terra, Água, Fogo e Ar. Os 7 pri-
meiros círculos, Lua, Mercúrio, Vênus, o Sol, Marte, Júpiter e Satur-
no. O oitavo era o céu das constelações e estrelas fixas. O nono era o
céu cristalino imóvel onde se encontra o Paraíso e

Por último a cidade de Deus: O Empíreo.

• Copérnico: escreve De revolutionibus orbium coelestium do latim


“Das revolucões das esferas celestes”.

• Galileu: Discursos e Demonstrações Matemáticas sobre Duas No-


vas Ciências.

• Kepler: Uma nova astronomia, O Sonho ou A astronomia da Lua.

• Newton: Principia, ou Princípios matemáticos de filosofia natural.

• Luís de Camões: nos Lusíadas escreve:

Vês aqui a grande máquina do mundo


etérea e elementar, que fabricada
assim foi do Saber, alto e profundo,
que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca de derredor este rotundo
globo e sua superfície tão limitada
é Deus: mas o que é Deus, ninguém o entende,
que a tanto engenho humano não se entende.

O escritor inglês, John Milton, em 1667, na obra o Paraíso Perdido


com 12 volumes, no livro 7 ao falar com o anjo Rafael, lhe pergunta:

Grandes coisas, repletas de maravilhas bem diferentes das


encontradas neste mundo, revelastes a nossos ouvidos
interprete divino! (...) dígnate agora, a descer mais baixo
e revelar-nos o que talvez não seja menos útil: Como co-

9"# $%&'(#)*#+,-*.-,/0%&/#*1#23',-/
meçou este céu que contemplamos tão distante e tão alto,
enfeitado de inúmeros fogos que se mexem?...

• Edgard Allan Poe em Eureka afirma que se a sucessão das estrelas


fosse ilimitada, o fundo do céu apresentaria uma luminosidade unifor-
me, como a da Via Láctea, pois não existiria absolutamente nenhum
ponto neste fundo no qual não haveria estrelas. Em tais condições, a
única forma de explicar os vazios que observam nossos telescópios
em todas as direções é supondo que este fundo está localizado a uma
distância tão incrível que nenhum raio jamais chegou até nós.

• Julio Verne: Da Terra à Lua

• Berthold Bretch: escreve sobre a vida de Galileu

• Durremat: Os Físicos

• Kipphardt: O caso Oppenheimer

• Arthur Koestler: Os sonâmbulos

• Dostoievski: Os irmãos Karamazov

• ISAAC ASIMOV–CARL SAGAN–STEPHEN HAWKINS–


PAUL DAVIES…

Enfim, sempre existiu uma relação de profunda conexão entre a As-


tronomia e a Literatura, que vai muito além dos trabalhos destacados an-
teriormente. Podemos inclusive considerar as constelações como sendo o
primeiro texto que a Humanidade foi capaz de ler e evidentemente, ao não
ser capaz de compreender muitas das coisas observadas, o homem interpre-
tou a esfera celeste usando valores poéticos, com relações afetivas e conteú-
dos míticos e simbólicos. Por isso, da mesma forma que muitas das grandes
obras da literatura universal, as obras dos grandes cientistas, em particular
dos astrônomos, têm influenciado e formam parte de nossas vidas e cultu-
ras. Isso pode ser observado ao longo da historia, pelo uso freqüente que
fazem os poetas e artistas dos assuntos astronômicos.

4'0&(.(1,/# 95
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Provavelmente tenha se escrito muito mais sobre a Astronomia e sua


história do que sobre qualquer outra área do conhecimento, e o motivo é
evidente, hajam vista que as observações astronômicas proporcionaram ao
homem seu primeiro interesse por explorar a Natureza muito além de suas
necessidades cotidianas.

Podemos encontrar muitas formas de dividir a história da Astrono-


mia, conforme a interpretação que queiramos dar aos fatos e aos aconteci-
mentos. Vamos viajar pelo tempo, de forma cronológica, e ver como o co-
nhecimento da Astronomia foi evoluindo?

A Ciência em geral e a Astronomia em particular, criam modelos repre-


sentacionais para explicar o Universo que nos envolve e o faz com dois objetivos
importantes: satisfazer a curiosidade do Homem para compreender as coisa que
observa, e poder controlar a natureza, até onde seja possível, para dispor dela con-
forme suas necessidades.

Nós, sem nenhum outro motivo que a opção/visão pessoal, dividi-


mos esta história em cinco partes:

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&*%"$14(1<'0':'S(+,$1K#*K(1TU1VWW1(>9>X

• Corpos celestes: crenças religiosas: divindades astrais.

• Agricultura e navegação: contagem do tempo: movimentos do Sol


e da Lua e orientação pelos planetas/estrelas/constelações.

• Previsão do nascer, do pôr dos astros, fases da Lua e eclipses.

• MONUMENTOS MEGALÍTICOS - todo mundo, por diferentes


culturas, em diferentes períodos, desde o neolítico até o século XIX.

• PINTURAS RUPESTRES - cometas/meteoros/eclipses/super-


novas.. e monumentos de rochas mais comum nos povos indígenas

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- 1740, Willian Stukley: Sto-


nehenge (ilustração abaixo) - Apesar
de tratar-se de um templo religioso, os
conhecimentos astronômicos foram
utilizados na sua construção.

- Em 1891 Norman Lockeyer,


analisando templos gregos, pirâmides,
templos egípcios, Stonehenge etc., observa que em todos eles há uma coincidên-
cia, qual seja, o uso de conhecimentos astronômicos na sua construção.

- A partir de 1970, Elizabeth Baity propõe uma sistematização e metodo-


logia desta nova área de saber e propõe a arqueoastronomia como disciplina.

- ARQUEOASTRONOMIA NO MUNDO: Stonehenge (Inglater-


ra) – Carnac (França) – Ilhas do Mediterrâneo (Cerdenha, Malta, Menorca
etc.) – Complexo de Nabta (Nilo-Egito)

- ARQUEOASTRONOMIA NO BRASIL: Maria Beltrão e Germano


Afonso entre outros descrevem os aspectos astronômicos em vários sítios arque-
ológicos no Maranhão, Mato Grosso, Bahia, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Mi-
nas Gerais e outros, através de alinhamentos de pedras lineares e circulares.

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- Sumérios (± 3000 a.C.)- adoração da Lua, a roda, o carro, escrita, calen-


dário, estações, nomes de estrelas e de constelações(,) etc. (Mul-Mul - Pléiades)

- Acádios: observações de estrelas e 6 constelações zodiacais.

- Assírios: Mul-Apin (estrela arado) / Kyklos (zodíaco 3 círculo de


animais) com 18 constelações - Nabucodonosor II (12 constelações)

- Cananeus, arameus, caldeus, hititas, fenícios.

4'0&(.(1,/# :8
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@(.':A%'<([EWWW(>9>1(1GWW(>9>

Calendário lunar de 12 meses/


movimentos do Sol e da Lua/ inicio
de cada mês depois da Lua Nova/ po-
sições planetárias/ mapas estelares/
eclipse total do Sol em 763a.C. e pe-
riodicidade/ - ASTROLOGIA.

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- Calendário com 365 dias (Haab) - 18 meses de 20 dias e um


com cinco dias - inicio no ano 8498 a.C. e calendário com 260 dias
(Tzolkin) - usado para reger a agricultura - Haab+ Tzolkin - ciclo de
18980 dias - Roda Calendaria.

- Chichen Itzá e a pirâmide da serpente, ao fundo na ilustração acima.

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A&*A/#BC;77#/D$DE#/0F#/#)*'0&%,?@(#)/#G,G=,(0*-/#)*#4=*H/.)&,/#BC#677)D$DE

• 600 a.C. na região grega da Jonia. O contato entre os povos do me-


diterrâneo e da Ásia através do comercio cria nova classe social dos
mercadores amantes do saber, os FILÓSOFOS, amantes da RAZÃO
e que preconizam o distanciamento das fábulas e dos mitos, assim
como das crenças dos sacerdotes. Nasce a escola de MILETO (Tha-
les, Anaximandro, Anaxágoras, Anaxímenes)

• THALES (~624-546a.C.), fenício de origem, forma-se no Egito e


introduz na Grécia os fundamentos da Geometria e da Astronomia.
Elabora a 1ª cosmologia racional, que apresenta a Terra como disco
plano boiando na água que para ele era o elemento único. Pode-se
dizer que é o 1º “cientista” da história?

• ANAXIMANDRO (~ 610-550a.C.) introduz o gnômon, instru-


mento constituído por uma haste vertical cuja sombra marca a hora
solar verdadeira, faz um mapa da Terra, estabelece relações numé-

: # $%&'(#)*#+,-*.-,/0%&/#*1#23',-/
ricas para os objetos celestes, Terra suspensa por si mesma fixa no
centro da esfera do céu.

• ANAXÍMENES (~ 580-525a.C.) propõe o movimento de todos


os astros em torno da Terra - teoria cosmológica geocêntrica.

• ANAXÁGORAS (~ 499-428a.C.) ao observar a queda de um


meteorito propõe o Sol como massa de metal incandescente. Lua
com vales, planícies e montanhas, fria, sua luz é reflexo do Sol, fases
e eclipses. Teoria astronômica para a origem do mundo, da conden-
sação de massa caótica em redemoinho como uma teoria de origem
do sistema solar. O Universo com imensos outros mundos habitados
influencia mais tarde Galileu”.

• PITÁGORAS (~ 572-497a.C.) nasce em Samos, ilha próxima a Mi-


leto, peregrina pela Babilônia e Egito e em Crotona, sul da Itália, cria a
Ordem dos Pitagóricos 3!Fraternidade Pitagórica tendo como base uma
Filosofia com regras rígidas baseada na matemática, na qual há uma
correspondência entre os números inteiros e a estrutura da natureza.
Os fenômenos físicos são representados por equações matemáticas,
que ordenam os fenômenos cósmicos. Prega a igualdade dos seus
membros independente de classe, raça ou gênero.

- Esfericidade da Terra e de todos os corpos celestes. Sol, Lua e pla-


netas transportados por esferas separadas da esfera das estrelas. Ge-
ocêntrico, os astros ao girar em torno da Terra o fariam em órbitas
circulares sobre esferas concêntricas. A democracia adotada que in-
comodava a sociedade e a descoberta dos números irracionais levam
ao desaparecimento da ORDEM, sendo que seus discípulos, perse-
guidos, tiveram que emigrar -

• FILOLAO propõe o heliocentrismo e o “movimento” do Cosmos


em órbitas esféricas.

• EMPÉDOCLES (~ 490-430a.C.) introduz a teoria dos 4


elementos(terra, ar, fogo e água) como origem de tudo no Universo.
AMOR (atração) e ÓDIO (repulsão). Velocidade finita da luz. Com seu
discípulo LEUCIPO (~ 450-370a.C.) escreve O grande mistério do mun-
do, e outro seu discípulo, DEMÓCRITO (~ 420-350 a.C.) - Leucipo e
Demócrito imaginaram que a matéria não poderia ser dividida infinita-

4'0&(.(1,/# :!
mente, mas partindo-a várias vezes, chegaríamos a uma partícula muito
pequena: uma esfera indivisível, o ÁTOMO.

• Nesse período da democracia grega Atenas era a cidade referência.

• SÓCRATES(~ 469-399a.C.). A Lógica e a observação como base


de tudo -“método científico”-

• PLATÃO (~ 427-347a.C.). Os mundos ideais das mentes. Se Deus


criou o Universo, e Deus é perfeito, todos os corpos do céu, que é sua mo-
rada, têm formas ou trajetórias perfeitas. Cria a cosmologia axiomáti-
ca em TIMEU, apresenta sua teoria sobre a origem e a formação do
mundo natural. Nele, um divino artesão, impôs uma ordem matemá-
tica a um caos preexistente e, assim, produziu um Universo divina-
mente organizado, a partir de um modelo eterno e imutável.

• EUDOXO de CNIDO (~ 408-355a.C.). Discípulo de Platão,


abandona a especulação mental e descreve os movimentos usando a
matemática. Terra esférica e movimentos planetários, 27 esferas con-
cêntricas, com inclinação e velocidades própria. Obra ESPELHO.

• ARISTÓTELES (~ 384-322a.C.). Descreve o movimento do sis-


tema solar com56 esferas concêntricas girando no espaço do ÉTER
(elemento incorruptível e eterno que ocupa o céu conferindo-lhe
uma homogeneidade e perfeição que os corpos terrestres jamais
poderão ter). Troca o mundo das idéias de Platão pelo das formas.
Explica as fases da Lua, eclipses. Esfericidade da Terra. Universo es-
férico e finito, sem centro. Cria o Centro de estudos LICEU.

• A vitória de Alexandre Magno na batalha de Queronea, 338 a.C. -


expande seu império ao mediterrâneo africano e europeu - constrói
ALEXANDRIA.

• Morre Alexandre e o império se divide entre seus generais. Egito fica com
Ptolomeu de Sotter, aluno de Aristóteles - Alexandria se torna o centro cul-
tural do mundo com sua biblioteca e Museu de Alexandria que chega a ter
700.000 livros busca do Universo real através de novos métodos.

• ARISTARCO de SAMOS (~ 310-230a.C.) estudou no Liceu, ob-


servador, usando as teorias de Anaxágoras, e realiza um estudo geo-

:6# $%&'(#)*#+,-*.-,/0%&/#*1#23',-/
métrico para determinar distâncias relativas do Sol e da Lua à Terra.
Calcula a distância Terra-Sol e propõe que a Terra é esférica e o sis-
tema Heliocêntrico.

• ERATÓSTENES (~ 276-195a.C.): bibliotecário e diretor da bi-


blioteca de Alexandria - em Geografia descreve como determinou
o raio da Terra, a inclinação da eclíptica (trajetória aparente do Sol
sobre a esfera celeste, entre as estrelas, ao longo de um ano), com
relação ao equador terrestre (23º51’ em vez dos atuais 23º27’).

Eratóstenes mediu, no solsticio de verão, o angulo (7º12’) da sombra


de uma estaca em Alexandria, no mesmo instante em que o Sol iluminava o
fundo de um poço em Siena, a moderna Assua. Como o ângulo da sombra
era aproximadamente 1/50 dos 360º de uma circunferência, e a distância
entre Alexandria e Siena da ordem de 5000 estádios (800Km), a circunfe-
rência da Terra deveria ser 50 vezes essa distância, ou seja, 40000Km, quan-
do o valor calculado hoje é da ordem de 40072.Como o diâmetro D=2πR,
pode-se calcular o raio.

• HIPARCO de NICEA (~190-125a.C.) construiu um observatório em


Rodes onde determina a precessão dos equinócios; a inclinação da eclíp-
tica; a duração do ano trópico; a distância Terra-Lua e a relação entre esta
e o raio da Terra; o nascer e ocaso de estrelas; realiza uma classificação
das estrelas; os sistemas de coordenadas geográficas; as zonas climáticas;
a divisão da circunferência em 360º. Não aceitou a teoria heliocêntrica e
preferiu os epiciclos para explicar os movimentos dos planetas.

• No século I a.C. com as guerras e a expansão do império romano


Egito decai e Alexandria perde seu glamour. Os “cientistas” deixam
de ser conselheiros dos imperadores, em função da preferência ro-
mana pela ação, a política e o direito.

• O calendário romano com 355 dias, e origem em 753a.C., não pos-


sibilita que as estações coincidam nas mesmas datas a cada ano. Sosí-
genes por ordem de Júlio César reforma o calendário em 46a.C. “ano
da confusão” com 445 dias. Calendário juliano.

• PTOLOMEU (~ 87-170d.C.) escreve GEOGRAFIA e MATHE-


MATIKS SINTAXIS onde defende o geocentrismo; a Terra plana, e
elabora um catálogo com 1022 estrelas.

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• Nesta época, com a progressiva concentração de poder e da riqueza
nas mãos de poucos, o empobrecimento dos comerciantes, artesãos e
demais pessoas da sociedade, o aumento dos escravos etc., o conheci-
mento perde importância e os deuses voltam a preencher os vazios. As
religiões voltam a fortalecer-se, e uma nova, o cristianismo, aparece.

• A democracia instalada por César Augusto com o intuito de restau-


rar a República, em 27 a.C. acaba com a chegada ao poder de Dio-
cleciano, no ano 284 d.C. Este impõe uma monarquia absolutista e
começam as perseguições religiosas, em especial aos cristãos. Coinci-
dindo com o fracasso dessa perseguição, Constantino chega ao poder
em 306d.C. e impõe, com o edito de Milão em 313d.C., o “favoreci-
mento” da religião cristã no império.

• Em 325d.C. o equinócio de primavera no HN não coincide no dia


21 de março e Dyonisius adapta o calendário juliano como calendá-
rio cristão, tendo como início de contagem o ano do nascimento de
Cristo. É o início da “Era Cristã”.

• Em 380d.C. com o edito de Tesalônica o cristianismo passa a ser


a religião oficial do império romano. As enciclopédias são censura-
das, o conhecimento passa a ser interpretado como paganismo, e as
bibliotecas passam a ser de acesso exclusivo dos funcionários do im-
pério e o ensino exclusivamente religioso.

• Em 391d.C. fanáticos religiosos cristãos assassinam a astrô-


noma Hipatia, diretora da biblioteca de Alexandria, e colocam
fogo na biblioteca. Acaba-se uma das etapas mais ricas da histó-
ria da humanidade de liberdade do pensamento e de produção
de conhecimento.

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Começa esta etapa com o poder feudal e da igreja católica. Os pri-


meiros controlando a base econômica e militar e os segundos a intelectual.
É um período onde, apesar das grandes restrições impostas, há um cresci-
mento significativo do conhecimento e principalmente de preservação.

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• Os sábios da igreja aceitam o conhecimento científico desde que
este não se oponha às Escrituras. Agostinho de Hipona (354-430),
para a igreja Santo Agostinho, escreve: “Há outra forma de tentação mais
perigosa do que as tentações da carne, essa é a doença da curiosidade”.

• Nesse período não se aceitavam os métodos de Eratóstenes, nem as


criações matemáticas de Eudoxo e muito menos as propostas de Aristar-
co, sendo que a fonte do saber estava em Aristóteles e em Ptolomeu.

• O monge Cosmas no século XV escreve: “No meio do Universo, que


é retangular e com um teto meio cilíndrico, encontra-se a Terra plana,
cercada de água por todas as partes. Além disso, todos os astros são mo-
vimentados pelos anjos. Existe uma Segunda Terra um pouco mais dis-
tante, onde está o Paraíso, lugar onde estava o homem antes de que Noé o
levasse com os animais à Terra atual”.

• Santo Isidoro (560-636) vulgariza as idéias gregas incentivando o


retorno aos mitos e fábulas distantes da realidade. A atividade cien-
tífica cristã é subordinada à autoridade eclesiástica, com os benedi-
tinos até o séc. X, depois com os franciscanos entre séc. X e XV e
depois os jesuítas que abandonam o pensamento aristotélico.

• A partir dos concílios de Nicea (325), de Efeso (431) e de Calce-


donia (451) e pela intolerância e perseguição do cristianismo com re-
lação às demais religiões, os “hereges” se refugiam principalmente na
Pérsia. Escreve-se o Corão e se dá origem ao Islamismo como forma de
liberação. A língua árabe passa a ser a língua de Mahomé e do Corão.

• No século VII, todo o norte da África, Egito, Pérsia, Mesopotâmia,


Palestina e Síria são muçulmanos.

• Com a retomada da influência dos filósofos independentes da re-


ligião, criam-se centros culturais, bibliotecas e escolas, que têm nos
escritos dos povos antigos a base para a ciência árabe.

• O califa Al Mamúm (786-833) cria em Bagdá a Casa da Sabedoria


em Bagdá, provavelmente em 832, lugar onde é feita a tradução de
obras dos gregos, persas, indianos, sírios etc. ao árabe. A tradução da
obra Mathematike Sintaxis de Ptolomeu recebe o nome de Al-Majis-
ti (Grande trabalho), Almagesto.

4'0&(.(1,/# :;
• Al Hakam II (915-976), no séc. X, em Córdoba, possui uma biblioteca
com cerca de 400.000 volumes e uma produção anual de 80.000.

• A necessidade de conhecer a localização com relação à Meca (centro


geográfico da fé islâmica) faz com que os astrônomos árabes desen-
volvam uma grande produção observacional. Elaboram cartas celestes,
catálogos, movimentos planetários.

• Al Battani (Albatagenius, 858-929), Al Sufi (903-986) ela-


boram um catálogo estelar que junto com as Tábuas Toledanas
(posição dos planetas, obliqüidade da eclíptica e precessão) ela-
boradas por Al Zarqali divulgam o conhecimento astronômico
por toda a Europa.

• Avicena e Al-Biruni, no período entre o ano 1000 e 1025, publi-


cam tratados sobre Astronomia.

• Entre 1025 e 1050, Al Hazem (969-1038) escreve o primeiro tratado


sobre a óptica do olho humano.

• Afonso X, (1221-1284), rei de Castela e Leão (hoje Espanha), o


Sábio(1226-1284), edita as Tábuas Afonsinas, em latim e castelha-
no, onde se colocam as posições dos planetas no dia 1 de janeiro de
1252/ o movimento médio anual de cada planeta sobre a eclíptica/
tempos de orto e ocaso dos astros/ duração do ano trópico (365d
05h 40m 16s).

• Nos Livros do saber de Astronomia de Afonso X, com 16 volumes, en-


contra-se a representação e explicação das constelações/ descrição de
instrumentos astronômicos/ astrolábios/ esferas celestes/ construção de
relógios/ Astrologia. Estes foram traduzidos para o Latim em 1320.

• A observação pelos astrônomos chineses, em 1054, da explosão de


uma supernova na constelação do Touro comprova-se mais tarde sua
localização na nebulosa do Caranguejo.

• Com a criação das universidades nos séculos XIII e XIV, a cultural reli-
giosa, as dúvidas, as críticas ao sistema geocêntrico e a luta interna da igre-
ja e das velhas estruturas feudais começam a se derrumbar e junto com
elas a filosofia que as acompanhava.

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• Apesar de que a religião continua sendo o tema principal dos estu-
dos, buscava-se explorar a estrutura do Universo, e estudar a Deus,
com independência das autoridades religiosas.

• Ulugh Begh em 1420 constrói um grande observatório em Samar-


canda (Uzbequistão), onde também constrói tabelas planetárias e um
catálogo de estrelas com coordenadas celestes em graus e minutos.

• Em 1453 Constantinopla é tomada pelos turcos, fazendo com que os


sábios fujam para a Itália levando junto o antigo pensamento grego, em es-
pecial as obras de Platão, Aristóteles e Ptolomeu. É o fim da idade média.

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• Para Nicolas de Cusa (1464) a Terra não pode estar em repouso, o


Universo não pode ser finito e podia representar-se matematicamen-
te para expressar a omnipotência e “infinitude” de Deus.

• Johannes Muller (1436-1476), chamado Regiomontanus, publica


em Nuremberg suas tábuas planetárias e a pedido do papa Sisto V
começa a fazer uma correção no calendário.

• Nicolas Copérnico (1473-1543) desenvolve uma reflexão crítica


da estrutura do Universo apoiado no pensamento heliocêntrico de
Aristarco de Samos, e nos cálculos e na descrição geométrica dos
movimentos dos astros. Em 1540, suas obras Comentariolus e As
revoluções das órbitas celestes são publicadas por Rhaeticus. Lutero e
Calvino criticam a obra enquanto a Igreja Católica nem a leva em
consideração, mais preocupada com a luta contra a Reforma. Copér-
nico morre em 1543

• Entre 1545 e 1546 ocorre o Concilio de Trento, como resposta à


Reforma, para brecar o crescimento das igrejas protestantes. Nasce a
contra-reforma e a Igreja não aceita a nova Astronomia de Copérnico.

• Para Charles de Bovelles/Paracelso/Fabricius/Bayer o Homem é


uma miniatura do Universo, calculam o período da estrela variável

4'0&(.(1,/# :5
Mira Cetti, catálogo estelar e introduzem as letras gregas às estrelas.

• O papa Gregório XIII, em 1572 promove a reforma do calendário, con-


cluída em 1582, com o calendário Gregoriano e nesse ano o dia 5 de ou-
tubro passou a ser 15. Este foi um dos motivos para que mais tarde Santa
Teresa de Jesus, que morre no dia 4 é “enterrada no dia 15”, seja santifica-
da. Sobre o calendário vocês podem ver mais no capítulo seguinte.

• Giordano Bruno (1548-1600) é a grande vítima da contra-reforma


(Santa Inquisição). Ele dizia: Por que o Sol teria de ser o centro do Uni-
verso? Por que o Universo há de ter um centro? Se cada estrela era outro
Sol com sistema planetário, o Universo é infinito, eterno no tempo,
sem inicio nem fim. Depois de mais de 7 anos preso é queimado em
fevereiro de 1600.

• Contemporâneo de Giordano Bruno, Tycho Brahe (1546-1601)


preferiu não enfrentar a igreja e não aceitava o heliocentrismo. Em
Uranienburg (Dinamarca) se dedica à observação astronômica e
calcula a órbita de Marte, observa a supernova, cujos restos são Ca-
siopeia A, e o movimento relativo comprova o movimento da esfera
celeste, ou seja, o céu em movimento.

• Johannes Kepler (1571-1630) em 1596 publica Mysterium cosmo-


graphicum e em 1600 é nomeado ajudante de Tycho. Observa a super-
nova em Ofiuco em 1604, escreve Astronomia Novae em 1609 (leis de
Kepler) e em 1611 Dioptria onde descreve as bases numéricas e ópti-
cas do telescópio usado por Galileu. Afirma que pensar é livre, mas as
teorias devem ser comprovadas pela observação.

• Hans Lippershey (1570-1619) inventa o telescópio em 1609 que


é usado por Galileu (1564-1642) poucos meses depois para obser-
vação astronômica. Galileu descobre os anéis de Saturno, as 4 luas
de Júpiter, as manchas do Sol, crateras da Lua, define a Via Láctea,
observa as estrelas de Órion - Siderius nuncius. Em fevereiro de 1616
comparece à “Santa Inquisição” que o proíbe defender o sistema he-
liocêntrico e todas suas obras. Galileu publica em 1632 os seus Diálo-
gos sobre os dois sistemas de mundo, e em 1642 morre surdo e cego.

Galileu além de dar uso astronômico ao telescópio introduz o método


científico moderno.

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• René Descartes (1596-1650) se transfere para os países baixos em 1628.
Introduz o método dedutivo, onde nenhum descobrimento pode-se con-
siderar válido enquanto não for comprovado por alguém diferente do au-
tor. Escreve o Tratado do mundo onde defende a visão heliocêntrica.

• John Flamsteed em 1675 edita um catálogo estelar e numeração


das estrelas na constelação.

• Olaus Römer em 1676 determina a velocidade da luz a partir dos


eclipses de satélites de Júpiter.

• Halley em 1682 calcula a órbita elíptica do cometa e prevê o seu retorno


para 1758.

• É um período de construção de telescópios. Christian Huyghens


(1629-1695) com um de lente de 22cm descobre a natureza dos
anéis de Saturno e Titã e os canais em Marte.

• Isaac Newton (1642-1727) cria o telescópio refletor. Em 1687 pu-


blica Princípios Matemáticos da Filosofia Natura e mais tarde a teoria
da Gravitação Universal, base para a Mecânica Celeste e os métodos
matemáticos que são as bases de uma NOVA ASTRONOMIA.

• Laplace e calculou a órbita de Urano em 1781 provando ser um


planeta e não uma estrela, como acreditavam Flamsteed e Galileu
nem um cometa, como inicialmente acreditava Herschell.

• Herschell em 1789 com um telescópio de 1,2 metros de diâmetro e


tubo de 12 observa estrelas duplas; os movimentos das estrelas e sua
distribuição no céu.

4'0&(.(1,/# ;8
• Messier em 1781 descobre uma série de nebulosas e cúmulos este-
lares elaborando o catálogo de Messier usado até hoje.

• Bufon explica a origem do sistema solar pela colisão de um cometa


com o sol.

• Kant apresenta uma visão do Universo defendendo a existência de


grandes grupos de estrelas e uma teoria de formação do sistema solar
com base na física de Newton.

• Kant e Laplace em Exposição do sistema do mundo enunciam a


teoria de formação do sistema solar pela contração de uma nuvem
gasosa em rotação - “Nebulosa primitiva”.

• Período de evolução dos Telescópios refratores X telescópios refletores

• Discussão sobre a natureza da radiação, seus efeitos luminosos: on-


das/partículas?

• Surgem os métodos fotométricos e espectroscópicos que dão origem à


ASTROFÍSICA.

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• No início do séc. XIX, apesar da criação dos telescópios, a Astrono-


mia precisava de novas idéias, novos horizontes e novos conhecimen-
tos sobre aquilo que é fundamental para enxergar: A LUZ que, para
Newton, tinha uma natureza corpuscular e para Huygens era onda.

• Joseph Fraunhofer (1787-1826) com um telescópio de objetiva


de 25cm que corrige as aberrações num refrator de 4,3 m, mede dis-
tâncias angulares, realiza experimentos de difração com luz solar em
1814 e explica o surgimento de linhas escuras a partir da observação
de eclipses.

• Draper entre 1839 e 1840 toma a 1ª foto da Lua

• Willian Bond em 1850 obtém as 1ª placas fotográficas de estrelas.

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• Kirchoff em 1859 interpreta as linhas escuras dos espectros e com
Bunsen realizam a análise espectral.

• Pickering aplica às estrelas os métodos de estudo de fontes lumino-


sas realizados em laboratório. Entre 1860 e 1863 a partir das obser-
vações espectrais realiza a identificação de elementos em Betelgeuse
e Aldebarán. Surge a ESPECTROSCOPIA.

• Boltzmann, Kirchoff e Planck que a energia emitida por um corpo ne-


gro, ao qual as estrelas podem ser comparados, depende apenas da tempe-
ratura e da freqüência dessa energia emitida.

• Do ponto de vista teórico: Olbers supõe o Universo infinito para explicar


a escuridão do céu. Lobatchewsky, Riemann e Boyai desenvolvem as geo-
metrias não euclidianas. Lobatchewsky propõe experimentos astronômi-
cos para descobrir se o Universo tem espaço curvo, enquanto Helmholtz,
Mayer e Thomson (lord Kelvin) explicam a geração da energia solar e Kel-
vin e Claussius prevêem que o Universo deve acabar morrendo pelo esfria-
mento. Segundo esta teoria o UNIVERSO É ABERTO E INFINITO.

• Nietzsche e Rankine elaboram a teoria do UNIVERSO CÍCLICO.

• 1888 e 1889 - refratores de Lick(California) e Yerkes (Wisconsin).

• Início do séc. XX - refletores de Monte Wilson (2,54m)/ Byurakan-


Armenia(2,6m)/ Linck (3m)

• 1948 - Monte Palomar com 5m de diâmetro e em 1976 - Zielen-


czukskaja com 6m.

Principais áreas da ASTRONOMIA MODERNA:

1. Astrofísica - estuda a composição química e condições físicas dos obje-


tos celestes.

2. Astrometria - avalia as posições e movimentos dos corpos celestes

3. Cosmologia - estuda o Universo como um todo

4. Mecânica celeste - realiza o estudo matemático dos movimentos dos astros

4'0&(.(1,/# ;!
• Einstein propõe a Teoria da Relatividade Geral e o Universo como
um todo unitário e junto com de Sitter e Friedmann elaboram teorias
matemáticas do Universo.

• James Jeans estabelece as condições físicas para que uma nuvem


possa contrair-se e formar uma estrela, comprovadas pelas observa-
ções com os novos telescópios.

• 1908 - Hertzsprung descobre as estrelas gigantes e anãs e pouco depois,


com Russell, a relação tipo espectral das estrelas com a magnitude e juntos
montam o diagrama H-R.

• 1923 - Edwin Hubble observa a existência de muitas outras galáxias,


que se acreditava serem nebulosas e em 1929 mede suas velocidades ra-
diais, comprovando o deslocamento para o vermelho.

• Eddington e Lemaitre elaboram a teoria relativista do Universo


em expansão.

• Gamow elabora uma teoria de evolução estelar.

• Bond, Gold e Hoyle elaboram a teoria do estado estacionário que


“se expande, mas está sempre igual”

• Hans Bethe e outros explicam a fusão nuclear e o processo de pro-


dução de energia das estrelas.

• Depois da II guerra mundial surge a Radioastronomia e início da


“era espacial” na década de 50.

• Em 12/4/61 Gagarin viaja ao espaço.

• Em 1963 descobre-se o primeiro quasar e Van de Kamp observax


um planeta na estrela de Barnard.

• Em 1965 Penzias e Wilson observam a radiação de fundo cósmico,


enquanto Alan Guth propõe a teoria do Universo Inflacionário.

• 20/7/1966. Armstrong e Aldrin pousam na Lua.

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• Na década de 1970. O lançamento de satélites, sondas e naves para
fora da atmosfera terrestre permite(m) observar os anéis de Urano e
também Caronte.

• 23/02/1987. Observa-se a supernova na nuvem de Magalhães, re-


sultado da explosão da estrela supergigante Sanduleak.

• 18/11/1898. Efetua-se o lançamento do telescópio COBE. Obser-


vação de quasares.

• 24/04/1990. O telescópio espacial Hubble é colocado em órbita.

• 1992. O telescópio espacial Hubble fotografa estrelas com 360000K


nas nuvens de Magalhães e o COBE observa a existência de flutua-
ções da T na radiação de fundo cósmico. São as maiores comprova-
ções da teoria do BIG BANG.

• Em 20 de julho de 1994 o cometa Shoemaker-Levy colide contra


Júpiter, naquilo que muitos consideram o mais espetacular evento
astronômico já observado na historia da Astronomia.

• Outubro de 2002: um novo objeto é observado no Sistema Solar


pelo VLT e confirmado pelo Hubble, o Quaoar -força da criação-, na
língua indígena do deserto do Atacama no Chile.

• Entre os dias 14 e 25 de agosto de 2006 em Praga, astrônomos do mun-


do inteiro reunidos na XXVIª Assembléia Geral da IAU-International
Astronomical Union-, tendo em vista os atuais dados do sistema solar,
reconceituam o que vem a ser um planeta. Com esta nova configura-
ção, os planetas do Sistema Solar são a partir de agora oito, e Plutão
passa a ser denominado “planeta anão”.

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O futuro do conhecimento astronômico tem duas vertentes: a pri-


meira são os desenvolvimentos das teorias científicas que podem nos levar a
grandes descobertas, afinal, não são poucos os cientistas que estão tentando
elaborar uma teoria unificada.

4'0&(.(1,/# ;9
A segunda, que são as observações, passa pelo telescópio espacial
Hubble; pelo MMT (Multi Mirror Telescope) em Monte Hopkins com seis
espelhos de 1,8m; pelo Telescopio Teck I no Havai com 36 peças hexagonais
de 1,8m cada uma, totalizando 10 metros; pelo VLT (Very Large Telescope)
que consiste de 4 telescópios alinhados cada um com 8,2 metros, situado no
deserto de Atacama, no Chile; pelo GTC (Grande Telescópio de Canarias)
que com seu espelho principal com 10,4 metros de diâmetro é hoje o maior
telescópio do mundo; pelo ALMA (Atacama Large Millimeter Array).

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Enfim, nossa visão do Universo varia praticamente todos os dias e
qualquer descobrimento mais recente pode constituir-se, por si só, num
novo capítulo da Astronomia, reduzindo aquilo que hoje chamamos de
Astronomia Moderna em outro “período clássico”. De fato, tal coisa pode
acontecer qualquer dia.

4'0&(.(1,/# ;;
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Antigamente acreditava-se
que a Terra permanecia fixa no cen-
tro de uma esfera oca e que as estrelas
estavam situadas na superfície inter-
na desta esfera que girava entorno da
Terra. Hoje sabemos que não é bem
assim, no entanto este conceito tão
simples de uma esfera oca que gira
entorno da Terra ainda é um modelo
útil para compreender o movimento
aparente dos astros, haja vista que
esta é a sensação que temos.

O observador situado em qualquer lugar da superfície terrestre ocu-


pa sempre o centro dessa esfera. E chamamos esfera celeste a essa superfície
esférica imaginária, de raio unitário arbitrário, concêntrica com a Terra onde
o observador ocupa o centro. O chamado céu é, portanto uma construção
matemática que serve para determinar as posições dos corpos celestes atra-
vés de suas projeções sobre a esfera.

Objetivos específicos desta unidade:

• Localizar objetos na esfera celeste por suas coordenadas.

• Identificar algumas estrelas brilhantes e constelações visíveis em cada


época do ano.

• Entender porque as estrelas parecem mover-se no céu durante a noite.

• Explicar os movimentos aparentes, diurno e anual do Sol.

• Diferenciar Astronomia de Astrologia.

• Descrever os diversos aspectos do céu quando observado de dife-


rentes latitudes terrestres.

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• Definir o dia sideral e o dia solar e explicar por que é que são diferentes.

• Explicar por que razão a estrela Polar e o ponto vernal mudam de


posição ao longo de intervalos de tempo de milhares de anos.

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Quando olhamos para o céu seja durante o dia, seja à noite, o aspecto
da esfera celeste muda dependendo do momento de sua observação. A cor
azul do céu diurno deve-se à atmosfera terrestre, que difrata a radiação com
comprimentos de ondas curtas (azul) com mais intensidade que a radiação
de grande comprimento de onda (vermelho). Pela noite como não há ne-
nhuma fonte de luz intensa, o Sol, o céu aparece negro e sobre esse fundo
escuro se movimentam as estrelas, os planetas, e a Lua.

Para situar a posição aparente de um corpo na esfera celeste, inde-


pendentemente da distancia que se encontra, temos que definir alguns pon-
tos, linhas e planos:

1. O eixo de rotação da Terra que é uma linha imaginaria que passa


pelos pólos norte e sul da Terra e que prolongado em seus extremos corta a
esfera celeste nos pólos norte (PCN) e sul celeste (PCS).

2. O equador terrestre é um circulo que divide a superfície terrestre em


duas parte aproximadamente iguais, perpendicular ao eixo de rotação, resultado
da intersecção do plano equatorial com a superfície terrestre. O equador terrestre
divide a Terra em dois hemisférios, o Norte ou Boreal e o Sul ou Austral.

3. Os paralelos terrestres são os círculos menores paralelos ao equa-


dor terrestre. O ângulo medido desde o equador até o ponto da superfície
terrestre considerado recebe o nome de latitude geográfica(Φ). A latitude se
mede em graus variando de 0° até +90°, ou 90°N, no hemisfério norte e de
0° a -90°, ou 90°S, no hemisfério sul. As projeções dos planos paralelos ao
equador na esfera celeste, determinam os paralelos celestes.

4.Os meridianos terrestres são os círculos máximos traçados sobre a


Terra, perpendiculares ao equador e que passam pelos dois pólos. Para me-
dir o respectivo ângulo do meridiano local de um ponto qualquer da super-
fície terrestre, por motivos históricos utilizamos o meridiano de Greenwich

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(Inglaterra). O ângulo medido desde o meridiano de Greenwich até o me-
ridiano do lugar considerado recebe o nome de longitude geográfica( λ ) e se
mede adotando valores que variam de 0° a 180° para leste de Greenwich ou
de 0° a 180° para oeste de Greenwich. A projeção dos meridianos terrestres
sobre a esfera celeste determina os meridianos celestes.

5.Chama-se zênite de um lugar ao ponto da esfera celeste situado na


vertical que passa pela cabeça de um observador situado nesse lugar. O me-
ridiano que passa pelo zênite recebe o nome de meridiano do lugar.

6.Chama-se Nadir ao ponto da esfera celeste situado na posição dia-


metralmente oposta ao Zênite, portanto invisível para o observador.

Como conseqüência do movimento de rotação da Terra de oeste para les-


te, percorrendo 360° em 24 horas, a esfera celeste realiza um movimento de rota-
ção aparente de leste para oeste com o mesmo período de um dia. O movimento
diurno se dá entorno de um eixo paralelo ao terrestre que recebe o nome de eixo
do mundo, e que passa pela posição do observador cortando a esfera celeste em
dois pontos, os pólos norte e sul celestes. Fazendo as equivalências entre o tempo
de giro da esfera terrestre ou a celeste e o ângulo girado nesse tempo temos que:

24 horas → 360°

1 hora → 15°

1 minuto → 15’

1 segundo → 15”

Para determinar univocamente a posição de um astro na esfera celes-


te, precisamos conhecer dois ângulos de posição, medidos sobre um plano
fundamental e outro que seja perpendicular a ele, sem nos preocuparmos
da distancia deles.

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Seja de dia ou de noite, sempre temos meia esfera por cima de nós
e por simetria podemos supor que a outra meia esfera está sob nossos pés.
Existe então um plano, no centro do qual está situado o observador que

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coincide com o plano da nossa vi-
são, que corta a esfera celeste em
duas partes iguais e que recebe o
nome de plano do horizonte.

Ao acompanhar o movimento
aparente de um astro ao longo de uma
noite, observamos que este aparece
pelo lado leste do horizonte (orto),
alcança a altura máxima quando cruza
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o meridiano do lugar e se esconde no
lado oeste do horizonte (ocaso).

No sistema de coordenadas Horizontais adota-se como plano de referen-


cia, ou plano fundamental o plano perpendicular à vertical que passa pelo lugar,
plano do horizonte, que corta a esfera num circulo máximo chamado Horizonte
celeste ou astronômico. Num momento qualquer, a posição de um astro sobre a
esfera celeste, considerando o plano do horizonte como plano de referencia, fica
determinada por duas coordenadas:

• Altura h, que representa o ângulo entre o horizonte e a posição do


astro, medido sobre o circulo vertical que passa pelo astro. Essa altura
pode variar entre -90° e 90°, sendo negativa quando o astro estiver
abaixo do horizonte e positiva quando estiver acima do horizonte.
Os pontos da esfera celeste situados na linha do horizonte têm h=0°;
no zênite h= 90° e no nadir h= -90°;

• Azimute A, que corresponde ao ângulo, medido sobre o horizonte,


no sentido horário, com origem no norte geográfico até chegar ao
ponto de corte do circulo vertical do astro com o plano do horizon-
te. Assim, o azimute pode variar entre 0° e 360°. Assim, nos pontos
cardeais e colaterais os valores do azimute são: N(0°); NE (45°); E
(90°); SE (135°); S (180°); SO (225°); O (270°) e NO (315°).

O ângulo medido sobre o circulo vertical do astro com origem no zêni-


te e extremidade no astro recebe o nome de distância zenital (z) e varia entre
0° e 180°. Os astros acima do horizonte possuem z < 90° e abaixo z > 90°. Em
qualquer situação vale a relação: z + h = 90º

Neste sistema de coordenadas, que é local, a altura do pólo norte ce-

!"#$%$&'() *-7
leste coincide com a latitude do lugar, motivo pelo qual as coordenadas de
um astro qualquer variam continuamente ao longo do tempo e, esse astro
em qualquer lugar com diferente latitude ou longitude, no mesmo instante,
apresentará valores diferentes para as suas coordenadas, Altura e Azimute.
Por isso, é necessário buscar um sistema de coordenadas mais geral que pos-
sa definir a posição do astro na esfera celeste independentemente do lugar e
do instante da observação.

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A projeção do equador ter-


restre sobre a esfera celeste denomi-
na-se equador celeste. No sistema
de coordenadas equatoriais adota-se
como plano de referencia do siste-
ma o plano equatorial que contém o
equador celeste e é perpendicular ao
eixo do mundo. Têm-se assim dois
hemisférios: o hemisfério celeste
boreal ou norte e o hemisfério celes-
!!"#$%&#&'($-.&,!"*&*'
te austral ou sul.

Se não levarmos em conside-


ração a variação de posição dos astros no plano do céu, como conseqüência
do movimento próprio dos astros, a distancia angular que separa o astro do
equador celeste é constante. Como este ângulo não muda com a rotação da
Terra pode ser utilizado para descrever a posição do astro no céu e defini-
mos a Declinação δ, como sendo o ângulo medido entre o equador celeste
e a posição do astro, medido ao longo do meridiano celeste que passa pelo
astro. - 90°≤ δ ≤ +90°

Para determinar a posição de um astro na esfera celeste são neces-


sárias duas coordenadas, dois ângulos, e a segunda coordenada pode ser
definida a partir de um meridiano celeste que seja referencia como origem.
Adota-se como referencia o ponto vernal γ, ou ponto Áries, que está sobre
o equador celeste e é a posição ocupada pelo Sol no equinócio de outono
no hemisfério sul, isto é quando o Sol cruza o equador vindo do hemis-
fério sul. Definimos a Ascensão reta α como sendo o ângulo medido na
direção leste ao longo do equador celeste, a partir do ponto vernal até o

*-*) /0#!$)12)3'42%4'("0#()2&)56!'4(
meridiano celeste que passa pelo astro. A ascensão reta se mede em horas
e varia de 0 a 24 horas.

Como o equador celeste é fixo na esfera celeste as coordenadas equato-


riais não dependem do lugar, do instante de observação, nem dos movimentos
de rotação e translação da Terra, e a ascensão reta e a declinação de um astro
permanecem praticamente constantes por longos períodos de tempo.

Considerando que o meridiano do lugar fica muito bem definido pela


vertical e pela direção norte-sul, pode ser usado para estabelecer uma nova
coordenada local que facilite na medida da ascensão reta. Trata-se do ângulo
horário H que se mede sobre o equador celeste, a partir do meridiano do
lugar na direção oeste até o meridiano que passa pelo astro. Este ângulo H
não é constante variando com o movimento diurno.

O ângulo horário do ponto vernal recebe o nome de tempo sideral Θ, tal


que Θ = H + α, e como os valores de α e δ para o ponto vernal é igual a (0,0), o
tempo sideral coincide com o ângulo horário nesse ponto.

Ao longo do dia, todos os astros descrevem no céu arcos paralelos ao


Equador. Como a orientação desses arcos em relação ao horizonte depende
da latitude do lugar, em cada região da Terra podemos observar de forma
diferente as estrelas. Nas regiões polares, durante a sua noite de aproxima-
damente seis meses, todas as estrelas do respectivo hemisfério são visíveis
todo o tempo descrevendo círculos paralelos ao horizonte.

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$'3$"&(4$2$',$

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Na região equatorial as estrelas, apresentam orto e ocaso, permane-
cendo acima do horizonte umas 12 horas descrevendo círculos perpendicu-
lares ao horizonte. Nas demais regiões as estrelas visíveis descrevem no céu
círculos com uma inclinação com relação ao horizonte que depende da lati-
tude do lugar. Na figura ao lado, num lugar de latitude 40ºN as estrelas sobre
um círculo de centro no Pólo Norte Celeste com declinação entre 50ºN e
90ºN nunca tem ocaso, assim como são invisíveis todas as estrelas sobre um
círculo de centro no Pólo Sul Celeste e com declinação entre 50ºS e 90ºS.

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A Terra além de girar entorno de seu eixo de rotação, também se


translada entorno do Sol com um período de um ano, percorrendo um pla-
no que se chama plano da eclíptica. A intersecção deste plano com a esfera
celeste é a eclíptica que corresponde ao caminho aparente recorrido pelo
Sol na esfera celeste ao longo do movimento anual.

O ângulo entre o plano do equador e o da eclíptica é chamado obliqüi-


dade da eclíptica e tem o valor ε= 23°29’29’’. Esta inclinação provavelmente
teve origem em uma ou varias colisões de nosso planeta com outros corpos
nos estágios iniciais de sua formação.

No sistema de Coordenadas Eclípticas é possível posicionar um astro


na esfera celeste em relação à Eclíptica e ao círculo de longitude celeste do
ponto vernal (ponto Gama). As coordenadas eclípticas, latitude e longitude
celestes, terão valores independentes do local onde o observador estiver e
praticamente constantes no tempo.

• Latitude celeste (β): é a distancia angular medida a partir da eclíptica


ao longo de um circulo maximo que passa pelo polo da eclíptica e o
astro, arco PE na figura. As latitudes estão compreendidas emtre - 90º
e + 90º, tendo valores positivos na direção do polo norte da eclíptica
e negativos na direção do polo sul. Os pontos da Esfera Celeste situ-
ados na linha da Eclíptica têm β = 0º; o pólo norte da Eclíptica, β = +
90º e, o pólo sul da Eclíptica, β = - 90º.

• Longitude celeste (λ): é a medida do arco da Eclíptica, contada do


ponto vernal para leste, até o semi-círculo de longitude do astro con-
siderado (arco γP, na figura acima). As longitudes celestes dos diver-

*-9) /0#!$)12)3'42%4'("0#()2&)56!'4(
sos pontos da Esfera Celeste estão compreendidas entre 0º e 360º,
sendo que os pólos da Eclíptica não têm longitude celeste definida.

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Introduzido na babilônia com objetivos astrológicos o Zodíaco, é uma


banda de 17° da esfera celeste centrada na eclíptica, tem seu único interesse
na Astronomia vinculado ao fato de que o Sol e os planetas se movimentam
sempre dentro desta zona da esfera celeste.

A astrologia dividiu o zodíaco em 12 partes iguais de 30° de longitude


na eclíptica. São os chamados signos do zodíaco, sendo que o primeiro signo
é Áries. Cada signo recebeu no principio o nome da constelação sobre a qual
se encontrava na época. No entanto, devido ao movimento de precessão que
vamos estudar no próximo capítulo, o primeiro ponto Áries não está absolu-

!"#$%$&'() *-:
tamente fixo sobre a esfera celeste, deslocando-se com relação às estrelas fixas
e em conseqüência disso todos os signos do zodíaco se movimentam sobre a
esfera celeste na direção oeste. Inicialmente os signos do zodíaco coincidiam
com as constelações que lhes deram o nome, mas com o tempo ao se deslo-
carem o signo de Áries que era o primeiro ponto, este agora está em Peixes e
dentro de uns 600 anos estará em Aquário.

Na realidade existem 24 constelações que se localizam na região zo-


diacal, algumas totalmente dentro da faixa de 17º, outras apenas em parte.
Em 1922, a União Astronômica Mundial, dividiu o céu, nos seus dois he-
misférios, em 88 constelações com suas regiões perfeitamente determina-
das. Destas destacam-se 13 que são atravessadas pelo Sol ao longo do seu
movimento aparente anual. São elas:

Observe que o período em que o Sol permanece nas constelações


muda de tal modo que o Sol alcança valores extremos de 44 dias na constela-
ção de Virgem e apenas 07 dias em Escorpião. Nada comparado aos 30 dias
em media usado na astrologia para cada signo. A constelação não incluída
no zodíaco pelos antigos, e não considerada pela astrologia é a do Ofiuco,
que representa o deus grego da medicina.

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No seu movimento aparente entorno da Terra, o Sol se situa em qua-


tro pontos que correspondem a posição deste em:

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1. Sol em Capricórnio: entorno do dia 22 de dezembro. Correspon-
de ao lugar da eclíptica mais distante do equador no hemisfério austral, e
o circulo paralelo ao equador que passa por esse ponto recebe o nome de
Trópico de Capricórnio, sendo que a ascensão reta do Sol nesta posição vale
18h e a declinação é igual a ε= - 23°29’29’’ que é a obliqüidade da eclípti-
ca. É o dia mais curto para o hemisfério norte, consequentemente o mais
longo para o hemisfério sul, e os pontos exatos do orto e do ocaso do Sol
dependerão da latitude do lugar, e situados entre o leste e o sul para a saída
e entre o oeste e o sul para o ocaso. É o dia do solstício de verão no hemis-
fério sul, inverno no norte.

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2. Sol em Áries: entorno do dia 21 de março. Neste dia o Sol está sobre
o equador celeste e corresponde ao ponto de intersecção entre o equador
celeste e a eclíptica, quando o Sol passa do hemisfério celeste austral ao bo-
real. É o ponto adotado como origem da ascensão reta e nesse dia o Sol nas-
ce no leste e se põe no oeste, portanto dia e noite duram aproximadamente
12 horas cada uma. Neste ponto a ascensão reta e a declinação do Sol valem
zero. É o dia do equinócio de outono no hemisfério sul e primavera no norte.

3. Sol em Cancer: entorno do dia 22 de junho. Corresponde ao


lugar mais distante do equador no hemisfério celeste boreal, e o circulo
paralelo que passa por esse ponto recebe o nome de Trópico de Câncer,
e nesta posição a ascensão reta do Sol vale 6h e a declinação é igual à
obliqüidade da eclíptica. É o dia mais curto do ano no hemisfério sul,
mais longo no norte, e sua duração dependerá da latitude do lugar. Os
pontos do orto e do ocaso do Sol estão situados entre o leste e o norte e
entre o oeste e o norte respectivamente. É o dia do equinócio de inverno
no hemisfério sul, verão no norte.

4. Sol em Libra: entorno do


dia 23 de setembro. O Sol está sobre
o equador celeste e corresponde ao
ponto de intersecção entre o equa-
dor celeste e a eclíptica, quando o
Sol passa do hemisfério norte para o
sul. Neste ponto a ascensão reta do
Sol vale zero e a declinação 12h, com
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dia e noite tendo aproximadamente

!"#$%$&'() *-+
a mesma duração. É o dia do equinócio de primavera no hemisfério sul e de
outono no norte.

No hemisfério norte, desde um paralelo de latitude 90°- ε, ou no pa-


ralelo equivalente no hemisfério sul, respectivamente pólo norte e sul da
eclíptica, existe um único dia no ano em que o Sol é visível as 24 horas do
dia. Isto ocorre no solstício de verão e de inverno respectivamente, fenôme-
no que recebe o nome de Sol de meia-noite. Estes paralelos correspondem
aos círculos polares ártico e antártico, de tal forma que para latitudes maio-
res há cada vez mais dias em que o Sol permanece acima do horizonte, até
chegar aos pólos em que o Sol permanece visível ao longo de aproximada-
mente seis meses. Assim, temos que:

• Entre os pontos Áries e Câncer (21 de março a 22 de junho)- pri-


mavera no hemisfério norte e outono no sul. Noite polar antártica e
dia polar ártico;

• Entre os pontos Câncer e Libra (22 de junho a 23 de setembro)-


verão no hemisfério norte e inverno no sul. Noite polar antártica e
dia polar ártico;

• Entre os pontos Libra e Capricórnio (23 de setembro a 22 de de-


zembro)- outono no hemisfério norte e primavera no sul. Noite polar
ártica e dia polar antártico.

• Entre os pontos Capricórnio e Áries (22 de dezembro a 21 de mar-


ço)- inverno no hemisfério norte e verão no sul. Noite polar ártica e
dia polar antártico.

Apesar da existência dos GPS, a posição do Sol continua servindo para


orientar-nos e localizar-nos na superfície terrestre. Da mesma forma, deveria
ser observada a posição do Sol na hora de construir, de modo que as janelas
estejam direcionadas para o nordeste ou noroeste e assim a luz solar no inver-
no incida sobre elas nos períodos matutino e vespertino.

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A passagem do tempo deve ser medida utilizando algum fenômeno


da natureza que seja uniforme e regular, como podem ser a rotação e a trans-

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lação terrestres, que proporcionam o dia e o ano. No entanto, é mais cômo-
do medir os tempos a partir dos movimentos aparentes do Sol:

• Dia sideral - intervalo de tempo entre duas altitudes máximas con-


secutivas do ponto vernal. Este dia sideral é 4 min menor do que o
período de rotação da Terra, motivo pelo qual a cada dia que passa as
estrelas cruzam o menos ponto da esfera celeste quatro minutos mais
tarde. Um dia sideral corresponde então a 23 h 56 min 4,10 s.

• Dia solar verdadeiro - intervalo de tempo entre duas passagens con-


secutivas do centro do disco solar pelo meridiano do lugar.

• Ano tropico - tempo que decorre entre duas passagens sucessivas do


Sol pelo ponto Áries. A duração do ano tropico é = 365,2422 dias =
365 d 5 h 48 min 46 s.

• Tempo de Greenwich ou tempo Universal - intervalo de tempo me-


dido pelos observadores situados no meridiano de Greenwich que
serve de origem para a medição da longitude do lugar

Assim, a medida da hora depende do meridiano do lugar e para evitar pro-


blemas no ajuste dos relógios em 1884 realizou-se a Conferência Internacional
do Primeiro Meridiano, em Washington D. C., EUA, com o intuito de criar um
padrão mundial da hora legal. Dividiu-se a superfície terrestre em 24 zonas de 15°
de longitude geográfica cada uma, e em cada uma destas zonas, chamadas de fu-
sos horários, limitadas por meridianos, adotam-se a hora do meridiano central.

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A adoção deste sistema introduz o fato de que se nos deslocamos a partir do
meridiano de Greenwich, na direção leste cada fuso aumenta uma hora, enquanto
na direção oeste cada fuso diminui uma hora, de tal modo que a diferença entre dois
fusos horários quaisquer é sempre um numero inteiro de horas. Assim, o meridiano
de 180° de longitude a leste e a oeste de Greenwich se transforma na linha internacio-
nal de mudança de data. Ou seja, quando se cruza este meridiano indo para o oeste
incrementa-se um dia, enquanto viajando no sentido contrario diminui-se um dia.

Na tabela abaixo Tempo Universal (escala de tempo de referência calcula-


do pelo Tempo Atômico Internacional) e o tempo Legal (tempo civil), podemos
verificar, para as cidades que são capitais dos estados brasileiros, as coordenadas
geográficas, a altitude em relação ao nível do mar e a diferença em horas do lugar
com relação ao meridiano de Greenwich.

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A palavra calendário deriva do latim calendarium, ou livros de regis-


tros, que por sua vez derivou de calendae, que significa primeiro dia de um
mês para os antigos romanos. Desde a antiguidade numerosas propostas
de calendários civis foram elaboradas tomando como base os fenômenos
regulares da natureza, sejam eles lunares, solares ou lunisolares. Destes fe-
nômenos podemos construir dois tipos de calendários: o lunar que utiliza
o período de tempo entre duas luas novas consecutivas e o solar que tem
como base o ano civil de 365 dias e não o ano tropico que dura 365,2422
dias, e corresponde ao intervalo de tempo entre duas passagens consecuti-
vas do Sol pelo ponto vernal.

Na atualidade existem da ordem de 40 diferentes calendários sendo


utilizados no planeta Terra, no entanto poucos deles conhecidos. Em todos
eles se introduzem os aspectos religiosos. Dentre outros, temos:

1. Calendário Gregoriano - calendário lunisolar adotado pelos pai-


ses católicos, tem sua origem, inicialmente no calendário romano, posterior-
mente chamado juliano.

O primeiro calendário lunar romano, com dez meses e 306 dias, tinha seu
inicio no mês de março e contava o tempo a partir do ano da criação de Roma, em
753 a.C.. Os meses eram: Martius (31 dias)/Aprilis (30 dias)/Maius (31 dias)/
Junius (30 dias)/ Quintilis (30 dias)/Sextilis (30 dias)/September (30 dias)/
October (31 dias)/November (30 dias)/December (30 dias).

Após a reforma, atribuída a Numa Pompílius, realizada em 713 a.C.


são introduzidos mais dois meses após December (Ianuarius com 29 dias e
Februarius com 28), passando o ano a ter 355 dias.

Em 46 a.C. Júlio César divide o ano civil em doze meses, os ímpares


com 31 dias e os pares com 30 salvo fevereiro que teria 29 ou 30 dependen-
do de que o ano seja bissexto ou não. Com esta reforma o calendário passa
a ser chamado de juliano. No ano 44 a.C. o senado de Roma dedica o mês
quintilis a Julio César ( Julius), e no ano 8 d.C. o mês seguinte sextilis ao im-
perador Augusto, recebendo seu nome (Augustus). No entanto, como este

!"#$%$&'() *,7
mês só tinha 30 dias e para que os dois imperadores tivessem a mesma im-
portância, tirou-se um dia de Februarius e somou-se a Augustus, passando
fevereiro a ter 28 ou 29 dias, como é na atualidade.

Durante o Concílio de Nicéia ficou determinado que a festa da ressur-


reição fosse celebrada num domingo, e nunca no dia da Páscoa Judaica. Assim, a
Páscoa Cristã seria celebrada no primeiro domingo depois da primeira lua cheia
após o equinócio da Primavera. Isso significou que a data da Páscoa Cristã iria
sempre cair entre 22 de Março e 25 de Abril.

Tendo em vista que a duração do ano trópico não coincide exatamente


com o ano civil, a primavera não começava mais no dia 21 de março, mas no dia
11 desse mês, motivo pelo qual se fazia necessária uma nova reforma no calen-
dário. O papa Gregório XIII, em 1582, ordena a reforma para que se ajuste o ca-
lendário à duração do ano trópico. Nasce o calendário Gregoriano, adotado de
forma lenta e gradual no mundo inteiro para as relações entre nações. No entanto,
muitas outras culturas mantêm seu próprio calendário.

2. Calendário islâmico - calendário lunar composto por doze meses de


29 ou 30 dias, com um total de 354 dias, tem como inicio da contagem do tempo
em 16 de julho do ano 622 d.C., data da Hégira –fuga de Maomé da Meca para
Medina-. Neste calendário o mês começa quando a Lua na fase crescente aparece
pela primeira vez após o pôr-do sol.

3. Calendário hebraico ou judaico - calendário lunar composto


alternadamente por 12 ou 13 meses de duração igual a uma lunação, de tal
modo que o inicio de cada mês é sempre o primeiro dia da Lua Nova. De-
vido a necessidade de um calendário permanente, pelo grande numero de
judeus vivendo fora de Israel, atualmente entre os judeus rabínicos existe
um calendário fixo, com base lunar mas que se ajusta pelo calendário solar
para inclusão de um novo mês.

$3&%&*1*+'
1. Por que é que as estrelas na esfera celeste parecem mover-se duran-
te a noite quando as observamos a partir da Terra?

2. Escreva os nomes de três constelações mais visíveis no verão no


hemisfério sul e esboce o seu aspecto.

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3. Explique por que, durante um período relativamente longo, as es-
trelas apresentam praticamente as mesmas coordenadas na esfera celeste,
enquanto o Sol, a Lua e os planetas alteram as suas posições regularmente.

4. O que entendem os astrônomos por “magnitude aparente”?

5. Tal como qualquer cidade na Terra pode ser localizada pelas suas
coordenadas - latitude e longitude -, também qualquer objeto no céu pode
ser localizado na esfera celeste pelas suas coordenadas - ascensão reta e de-
clinação. Indique a localização da estrela representada na figura 1.

:*8."&(@

6. Saia de casa para a rua e identifique o zênite do lugar, o horizonte


celeste e o meridiano celeste. Se for possível, faça isso numa noite sem
nuvens e num local escuro. Voltado (a) para o norte, observe as estrelas
próximas do meridiano celeste várias vezes durante a noite. Descreva o
que você observa.

7. Descreva como veria os arcos diurnos das estrelas se as estivesse


observando dos seguintes locais: (a) no pólo norte; (b) no equador. Expli-
que a sua resposta.

8. O que é o zodíaco?

!"#$%$&'() *,8
9. Considere a figura 2. O hemisfério norte da Terra está voltado para
o Sol ou para o lado oposto.

(a) em Dezembro?
(b) em Junho?

:*8."&(B

10. Considere a figura 3. Identifique:

(a) o equinócio da Primavera


(b) o equinócio do Outono
(c) o solstício de Verão
(d) o solstício de Inverno

:*8."&(A

*,9) /0#!$)12)3'42%4'("0#()2&)56!'4(
11. Em que ponto da superfície da Terra deveria encontrar-nos para
ver o Sol passar o nosso zênite no dia do:

(a) equinócio da Primavera?


(b) solstício de Verão?
(c) equinócio do Outono?
(d) solstício de Inverno?

12. Como é que os movimentos da Terra no espaço provocam altera-


ções no aspecto do céu visível por um observador terrestre?

13. Para cada uma das seguintes referências usadas num globo terres-
tre, indique o nome correspondente na esfera celeste:

(a) Equador. (b) Pólo norte.


(c) Pólo sul. (d) Latitude.
(e) Longitude. (f) Greenwich.

14. Por que é que, durante a noite, as estrelas parecem deslocar-se ao


longo de arcos na esfera celeste?

15. Por que é que em cada estação do ano se vêem constelações


diferentes?

16. Se uma estrela nasce às 20 horas, a que horas nascerá, aproximada-


mente, daqui a um mês?

17. Por que é que um dia solar é cerca de 4 minutos mais longo do
que um dia sideral?

!"#$%$&'() *,:
.#2&'3+-1#2)=10
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O sistema Solar vem se modificando desde sua formação, e a nossa


visão sobre ele também vem mudando ao longo da história, na medida em
que novas descobertas, cada vez mais freqüentes, vêm sendo feitas. Nesse
sentido, muita coisa mudou e continua mudando já que as naves espaciais
nos mostram mais detalhes a cada dia.

Olhando para o céu, desde os primórdios, o homem percebeu a


existência do Sol, da Lua, de inúmeros pontos brilhantes fixos, de vez em
quando o surgimento de objetos nebulosos em movimento que receberam
o nome de cometas (no grego significa estrelas com cabeleira), e cinco pontos
de luz que se moviam em relação aos demais e em relação a eles mesmos.
Estes últimos receberam o nome de planetas, que no grego significa corpos
errantes (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno).

Com o uso do telescópio por Galileu, quatro novos corpos foram ob-
servados em órbita de Júpiter, mais tarde cinco em órbita de Saturno, além dos
seus anéis. O primeiro corpo orbitando o Sol a ser observado foi Urano em 1781,
depois Ceres em 1801, Netuno em 1846 e Plutão em 1930. Com o advento da
era espacial, que começa em 1957, novas observações começam a ser feitas e em
1977 descobrem-se os anéis de Urano, em 1979 os de Júpiter e em 1989 os de
Netuno. Muitos novos satélites em órbita dos planetas e assim por diante.

Nos últimos tempos, as descobertas são tantas e tão rápidas que o material
de ensino não consegue acompanhar esta evolução e, muitas vezes, apresentam
informação já ultrapassada. Alguns conceitos persistem apesar de equivocados.
Por exemplo: a órbita dos planetas em torno do Sol não é circular, nem distribuí-
das de forma igual sobre um plano imaginário com o Sol no seu centro. Todos os
planetas descrevem órbitas elípticas com maior ou menor grau de excentricidade,
e com inclinações que variam umas com relação às outras.

Isto pode muito bem acontecer conosco, também, e dentro de pouco


tempo, algumas das informações aqui descritas não estão mais em dia com
as novas descobertas.

*,;) /0#!$)12)3'42%4'("0#()2&)56!'4(
!"#$%&'()#(*#+,-+'().#($/)01%./.#2

• Conhecer a nova configuração do sistema solar.

• Identificar as características principais dos componentes do siste-


ma solar.

• Conhecer a estrutura do sistema solar.

• Diferenciar planetas de satélites.

• Conhecer a estrutura da Terra e seus movimentos.

• Entender as leis físicas que regem os movimentos dos planetas.

• Descrever as razões por que os astrônomos modernos estudam o Sol.

• Descrever a formação, propriedades e movimentos do Sol como estrela.

• Descrever a estrutura do Sol e identificar as suas camadas.

A partir de 24 de agosto de 2007, com as novas observações astronô-


micas realizadas e com a resolução da XXVIª Assembléia Geral da IAU-In-
ternational Astronomical Union-, o sistema solar mudou sua configuração. A
mudança do conceito de planeta aprovado por unanimidade em Praga, prece-
dido de pelo menos dois anos de debates e discussões e de 10 dias de contro-
vérsias nas sessões realizadas durante a reunião da capital tcheca, agrupou os
planetas e seus satélites em nosso sistema solar em três categorias:

• Primeira categoria: “Um planeta é um corpo celeste que está em ór-


bita em torno do Sol, que possui suficiente massa para ter gravidade
própria para superar as forças rígidas de um corpo de tal forma que
adquira uma forma equilibrada hidrostática, ou seja, redonda, e que
tenha despejadas as imediações de sua órbita”.

!"#$%$&'() *,+
• Segunda categoria: “Um planeta anão é um corpo celeste que está
em órbita em torno do Sol, que possui suficiente massa para ter gravi-
dade própria para superar as forças rígidas de um corpo de tal forma
que adquira uma forma equilibrada hidrostática, ou seja, redonda;
mas que não possui uma órbita “desimpedida”, livre de corpos e que,
também, não é um satélite natural”.

• Terceira categoria: “Todos os demais objetos que giram em torno


do Sol são considerados coletivamente como pequenos corpos do
Sistema Solar”.

Conforme esta nova configuração, os planetas do Sistema Solar são, a


partir de agora, oito, em vez de nove, onde Plutão perde assim sua condição
de planeta e continua integrando o Sistema Solar como “planeta anão”.

Assim, com esta nova categorização, o sistema solar está constituído, prin-
cipalmente por:

• uma estrela central, o SOL com uma massa da ordem de 99,8% da


massa total, e da ordem de 700 vezes maior do que a dos demais com-
ponentes do sistema solar. Conseqüência disso seu campo gravitacional
controla o movimento dos demais corpos, com seu campo magnético
influenciando através dos ventos solares todo o sistema.

• pelos quatro planetas terrestres ou rochosos MERCÚRIO, VÊ-


NUS, TERRA e MARTE. Todos eles com uma crosta rochosa, uma
densidade média da ordem de 5g/cm3 e pequenos, o que demonstra
que neles existe uma abundância de ferro e silicatos. A maioria deles,
mesmo que pequena, conta com uma atmosfera secundária, consti-
tuídas após a formação dos planetas com CO2, H2O, N2 e no caso da
Terra, devido aos processos biológicos com O2;

• por um Cinturão de Asteróides que gravitam em torno do Sol


principalmente entre Marte e Júpiter;

• pelos quatro planetas gasosos ou jovianos JÚPITER, SATURNO,


URANO e NETUNO, que são muito grandes, com densidade média em
torno de 1g/cm3, compostos principalmente por H2, He, NH3, e todos
eles possuem anéis. Sem superfície sólida, possuem atmosferas de origem
primária, ou seja, formadas ao mesmo tempo que os planetas;

*,-) /0#!$)12)3'42%4'("0#()2&)56!'4(
• pelos planetas anões hoje conhecidos: CERES, CHARON, ÉRIS,
IXION, PLUTÃO, QUAOAR, SEDNA, VARUNA, 2002AW197,
2003UB313 (apelidado de Xena) e 2004DW;

• pelo Cinturão de Kuiper que se estima seja constituído por milhares


de objetos com mais de cem km de diâmetro e milhões deles pequenos;

• pela Nuvem de Oort, que é uma “casca esférica” onde fazendo o “pro-
longamento das órbitas dos cometas se encontram os afélios destes.

• Também existem incontáveis cometas, “bolas de gelo sujo” que se


tornam visíveis ao se aproximarem do Sol, quando aquecidos por
este podem vir a desenvolver longas caudas. Tudo indica que surgem
na nuvem de Oort.

Além destes existem os satélites que giram em torno dos planetas.


Todos os planetas, exceto Mercúrio e Vênus possuem satélites naturais e o
número destes, hoje conhecidos, varia desde um na Terra até 61 em Júpiter.

O movimento de translação dos planetas entorno do Sol, com exce-


ção de Vênus, assim como o dos satélites entorno dos planetas é no sentido
direto, contrario ao movimento das agulhas do relógio. Da mesma forma, o
movimento de rotação dos planetas também é no sentido direto, exceto Vê-
nus e Urano que o fazem em sentido retrógrado. Estão ainda os meteoróides
que vagueiam pelo sistema solar, podendo ser atraídos pela Terra e penetrar
em nossa atmosfera. Ao penetrarem, pelo atrito, deixam um rastro lumi-
noso, chamado Meteoro, ou popularmente Estrela Cadente. Caso algum
fragmento chegue à superfície terrestre, este recebe o nome de Meteorito.

!"#$%$&'() *,,
Estes são os componentes
do nosso Sistema Solar, que se es-
tende por mais de 12 bilhões de Km
pelo espaço, girando em uma órbita
Elíptica de Curto Período em torno
do núcleo da Galáxia -Via Láctea- e
completando uma volta, no sentido
horário no Braço de Órion, um dos
7*',$1&(C$!4D%,"*4!( quatro braços da Via Láctea, a cada
>(E"9*,&'(#!'(62&%$,&'(
4*"4.2&"$' 220 milhões de anos.

Entender estes movimentos “errantes” foi objeto de estudo desde


a antiguidade, e a explicação definitiva, deve-se às leis de Kepler, as lei da
gravitação e 2ª lei de Newton. Hoje, sabemos que os planetas e os saté-
lites apresentam órbitas elípticas de curta duração, quase circulares. Antes
de falar do sistema solar propriamente dito, é importante conhecermos um
pouco sobre o movimento dos astros.

8!"!#.#G)%&-+53)#*)'#$'30)'

Para explicar o movimento dos astros vários modelos foram cons-


truídos ao longo da historia, mas dois deles estiveram sempre em maior
evidencia: o modelo Geocêntrico e o Heliocêntrico. No modelo geocên-
trico, em que os corpos celestes giravam entorno da Terra, compreende
o modelo de Aristóteles (séc. IV a.C.), e o sistema de Ptolomeu (séc. II
d.C.), que considerava o movimento dos planetas em epiciclos. Estes fo-
ram seus maiores referentes.

No séc. XVI, Copérnico defende o modelo Heliocêntrico, no qual o


Sol estaria no centro e os astros girariam em seu entorno em órbitas circula-
res. Após Copérnico, Kepler, no séc. XVII, analisando os dados observacio-
nais deixados por Tycho Brahe, mostra com suas três leis que as órbitas são,
na realidade, elípticas.

Ao elaborar as três leis do movimento dos planetas Kepler introduz a


existência de uma força, que exercida pelo Sol, faz com que os planetas acele-
rem seu movimento ao aproximar-se e diminuem a velocidade ao afastar-se
do corpo central. Outra questão se introduz com as leis de Kepler: a Inércia. A
explicação a estas questões só vai ser dada por Newton ao elaborar suas leis e

8..) /0#!$)12)3'42%4'("0#()2&)56!'4(
introduzir o conceito de “massa”
como medida do estado inercial
de um corpo. Tem origem a Me-
cânica Celeste.

Como os fenômenos físicos e


astronômicos produzem-se no espaço
e no tempo, e estas duas grandezas de-
finem a velocidade dos movimentos,
entender o conceito destas grandezas
passa a ser fundamental. Só com Eins-
tein e a Teoria da Relatividade, no séc.
XX, é que começam a ser entendidos os eventos físicos que ocorrem no Universo
e que sim afetam o comportamento da matéria, da radiação ou quaisquer outros
aspectos que existem no Universo, ao contrário do que propunha Newton ao
considerar espaço e tempo absolutos.

8!"!"#H+&#*1#I01%&31D()#*+#J+K3)5#+#H+&'#*+#L+?=+0#

A interação gravitacional entre os componentes do sistema solar de-


termina as características do movimento dos planetas e pode ser considera-
da como uma interação entre todos os corpos simultaneamente, haja vista
que cada planeta sofre a influência do Sol e dos demais planetas. No entanto,
como a massa do Sol é muito maior do que a de todos os planetas, podemos
considerar que a influência predominante no movimento de um planeta é
a do Sol. Com esta aproximação o movimento dos planetas se transforma
num problema de dois corpos, planeta e o Sol, que requer correções secun-
dárias provocadas pelas perturbações dos demais planetas.

A força que atua entre os dois corpos é a Lei da gravitação de Newton


e pode enunciar-se como: Se r1 e r2 são os vetores de posição (vamos usar os
vetores em negrito ou com a seta encima indistintamente) de dois corpos
com massas m1 e m2, respectivamente, medidos num sistema de referencia
inercial (aquele que se encontra em movimento retilíneo uniforme, portanto
com aceleração nula), a força que atua sobre cada uma das partículas é:

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F(4!"6!(B("$6"$'$%,&(!(7!2($(!(4!"6!(@(.1(62&%$,&<(

onde r = r1 - r2 ; G = 6,7.10-11N.m2/kg2 é a constante da gravitação uni-


versal; e F12(F21 ) representa a força que atua sobre o corpo 1(2) pela atração do
corpo 2(1). Considerando a segunda lei de Newton, supondo a massa dos corpos
constante, a força F = ma e podemos escrever:
$%&%' $%&%'
%&( "#$####!!!!!!!!!!!!!!" %'(!"######!!!!!!!!!!!!!!!"
! !!!"# ! !!!"#

Supondo a massa de um dos corpos, pode ser m2 muito maior do


que a do outro, portanto o movimento do corpo mais massivo (Sol) não
sofre perturbação do corpo de menor massa, podemos desprezar a força que
atua sobre o corpo mais massivo e em ausência de outras forças realizará
um movimento retilíneo e uniforme. Adotando um sistema de referência
inercial fixo no Sol, portanto r2 = 0, o movimento do corpo de menor massa
(planeta) virá determinado por:

$%&%'
%&( "#$####!!!!!!!!!!!!!!"
! !!!"#

onde m é a massa do planeta, MS a


massa do Sol, e r o vetor de posição do pla-
neta, tomando o Sol como origem. Resol-
ver esta última equação consiste em obter a
função r(t) , posição e velocidade do corpo,
a partir das condições iniciais de sua posi-
ção e velocidade no instante inicial.

Mas, antes mesmo de Newton


deduzir as características do movimento

8.*) /0#!$)12)3'42%4'("0#()2&)56!'4(
dos planetas em torno do Sol, tendo como base a lei da gravitação, estas carac-
terísticas formam descobertas empiricamente por Kepler, e este conhecimento
foi o que permitiu a Newton elaborar sua teoria para os movimentos planetários.
Foi Kepler, abandonando o geocentrismo de Ptolomeu e abraçando a teoria he-
liocêntrica de Copérnico, usando as medidas observacionais de Tycho Brahe, so-
bre o movimento de Marte, quem primeiro interpretou o movimento planetário
através de suas 3 leis.

• Primeira lei (1609)- Todos os planetas se movimentam em órbitas


elípticas, estando o Sol localizado num de seus focos.

Observe a figura ao lado. De-


finimos a elipse como sendo o lugar
geométrico dos pontos (P) de um
plano tal que a soma da suas distân-
cias a dois pontos fixos do mesmo
plano, chamados focos (F e F’), é
constante e maior do que a distân-
cia entre os focos. Definem-se para
a elipse: OA=AO’ (semieixo maior da elipse =a); OB (semieixo menor da
elipse =b); OF1=OF2 (distância focal da elipse =f) é a distância do centro
da elipse (O) até um de seus focos; e a excentricidade e=f/a como sendo a
medida do grau de achatamento da elipse, de tal modo que:

e=0 circunferência

0‹e‹1 elipse

e=1 parábola

e›1 hipérbole

Na elipse sempre se verifica que o deslocamento ao longo da mesma


do ponto P é tal que: PF1+ PF2 = 2a.

• Segunda lei (1609) - O vetor de posição de um planeta com origem


no Sol varre áreas iguais em intervalos de tempos iguais, ou seja, a velo-
cidade orbital do planeta aumenta quando este se aproxima do Sol, al-
cançando seu máximo valor no periélio (ponto mais próximo do Sol) e o
valor mínimo no afélio (ponto mais afastado do Sol).

!"#$%$&'() 8.8
Esta lei fica provada, pela lei
da gravitação de Newton. O plane-
ta ao estar mais próximo do Sol ele
sofre uma força de atração maior, o
que torna esta lei válida para qual-
quer movimento em que as forças
estiverem dirigidas para um ponto no centro, como pode ser o movimento
circular. Se chamamos de velocidade areolar à razão entre a área varrida pelo
vetor de posição e o tempo, pelo exposto podemos afirmar que esta veloci-
dade é constante para cada planeta ou satélite.

Estas duas leis tratam do movimento dos planetas, mas não relacio-
nam os movimentos dos diferentes planetas. Na busca desta relação, Kepler
demora dez anos para enunciar a terceira lei.

• Terceira lei (1619) - O quociente entre os cubos dos semieixos maiores


das órbitas de dois planetas é igual aos quadrados de seus períodos orbi-
tais. Em outras palavras, o quociente entre o quadrado do período de
qualquer planeta e o cubo de sua distância média ao Sol é uma cons-
tante. Se T é o período e r a distância média então T2 = constante
!

Vejam na tabela a seguir os valores do período (em segundos e em


anos terrestres), da distância média de cada um dos planetas do sistema so-
lar, ao Sol (em metros e em u.a) e a excentricidade da órbita dos planetas. A
unidade de medida das distâncias, chamada unidade astronômica, é a dis-
tância média da Terra ao Sol (1,49.108 km).

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No Universo encontramos regiões com um acúmulo imenso de gases


e poeira cósmica, chamadas Nebulosas. É muito difícil medir exatamente a dis-
tância até todas as nebulosas, mas geralmente estão muito distantes da Terra. As
nebulosas podem ser classificadas como: difusas ou planetárias. As difusas são
irregulares, de contorno indefinido e muito brilhantes, que gradativamente se es-
palham. Já nebulosas as planetárias, apesar do nome, não são constituídas apenas
por planetas e apresentam uma forma mais definida e concentrada.

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As nebulosas planetárias são formadas durante os últimos estágios da


vida de uma estrela (vejam sobre evolução estelar no capítulo 4). Ao morre-
rem, as estrelas espalham pelo espaço, gases, que irão formar nebulosas e a par-
tir destas, novas estrelas. Algumas vezes, a nebulosa não é muito densa e forma
apenas uma ou duas estrelas, e o resto dos gases formam aglomerados gasosos,
que se contraem, tomam uma forma esférica, mas não têm matéria suficiente
para iniciar as reações nucleares. Por causa da pressão, e com menos maté-
ria ainda, os gases se contraem, esquentam, mas não se fundem. Se houver
bastante silício, ferro e níquel, essa bola de gás se transforma em um planeta
rochoso, e tendo muito hidrogênio e hélio, principalmente, se transforma em
um planeta gasoso. Como a estrela central é mais massiva, do que os planetas,
e tem mais gravidade, logo, os planetas começam a girar em torno da estrela.
Outras pequenas porções de gases e poeira se transformam em asteróides e
cometas, os restos da nuvem. Nasce assim um sistema planetário.

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! !#5&.6,'#+%#-./0,'(#-%2(&

O estudo da origem do sistema solar tem sido sempre uma das ques-
tões mais discutidas tanto na mitologia quanto na religião. Qualquer que
seja a teoria tem que ser capaz de explicar porque todos os corpos do siste-
ma solar estão num disco, ou porque a grande maioria deles gira no mesmo
sentido. Ao longo da historia, duas são as propostas teóricas principais: A
teoria catastrófica e a teoria da Nebulosa Primitiva.

De acordo com esta teoria, o Sistema Solar, ter-se-á formado a partir


de uma nébula (nuvem enorme) formada por gases e poeiras, como segue:

1.A matéria começa a condensar, o núcleo da nébula terá aumentado


de temperatura e esta começa a rodar.

2.Desta forma, a nébula ad-


quire a forma de disco achatado.
Devido à diminuição do raio da né-
bula a velocidade de rotação come-
ça a aumentar de tamanho.

3. O Sol, formado essencial-


mente por H e He forma-se no centro
do disco e representa cerca de 98% da
massa do Sistema Solar – começam as
reações de fusão nuclear.

4. Os planetas terão crescido


no interior do disco através da colisão e
posterior acreção de partículas sólidas.

*+/) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
A condensação (solidificação) dos elementos e compostos da nébu-
la, depende da temperatura, conseqüentemente da distância ao Sol. E, os
elementos/compostos com maiores temperaturas de condensação irão con-
densar na parte mais interna do disco (ex: Metais – Fe; Ni; Al; e silicatos
– material que constitui as rochas), enquanto os composto de hidrogênio
(H2O; CH4; NH3) só poderão condensar na periferia, enquanto os gases
leves, tipo H e He, nunca chegarão a condensar. Após a acreção gradual de
partículas, os corpos vão ficando cada vez maiores e recebem o nome, ini-
cialmente de Planetesimais.

5. Por último, a múltipla colisão de planetesimais produzirá os Pro-


toplanetas, que através da acreção de mais material terão dado origem a cor-
pos ainda maiores - Planetas.

A primeira versão da teoria catastrófica foi proposta pelo conde de Buffon,


em 1749. De acordo com ela, o impacto de um cometa sobre o Sol teria arrancado
filamentos de matéria que deram origem aos planetas. A teoria catastrófica mais
moderna, proposta por James Jeans e Jeffreys no início do século XX, propõe que o
sistema solar surgiu como conseqüência da passagem de uma estrela próxima ao Sol
e que os efeitos de maré produzidos arrancaram matéria do Sol, que ao condensar-
se formou os planetas. No entanto, hoje estas idéias não têm consistência, pois além
de que os encontros próximos entre estrelas é improvável, os cálculos têm mostrado
que a matéria arrancada do Sol não poderia ter se afastado tanto deste astro e além
de que estaria muito quente para condensar-se em planetas.

A idéia da Nebulosa Primitiva como sendo a formadora do sistema


solar foi inicialmente introduzida por René Descartes em 1644, e mais tar-
de, em 1755 e 1796 retomada por Kant e Laplace, respectivamente. Esta
teoria, com algumas mudanças é a mais aceita hoje. De acordo com ela, a
nebulosa que deu origem ao sistema solar veio de uma estrela que explodiu
há cerca de 5 bilhões de anos. Deveria ser uma estrela massiva, de tal forma
que pudesse produzir hélio, oxigênio, carbono, silício, ferro, urânio, e todos
os elementos pesados, encontrados na Terra e nos outros planetas.

Esta forma de surgimento de sistemas planetários é observada hoje


pelos confins do Universo, por isso o nosso Sistema Solar deve ter sido cria-
do igual a outros sistemas observados no Universo: tal como o Sistema de
Barnard, que tem dois planetas girando em torno da estrela Barnard, ou os
Sistemas Gliese, que são vários sistemas planetários espalhados pelo espaço
com, pelo menos, um planeta em cada um deles.

!"#$%$&'() *+7
A nebulosa, devido ao movimento de rotação, vai se colapsando fazendo
com que a maior parte de sua massa, ao se contrair aumente a densidade central.
A conservação do momento angular faz com que a velocidade de rotação aumen-
te de tal forma que as forças de viscosidade e centrifuga a nuvem se converta num
disco. A parte central aquece-se e forma a protoestrela que daria origem ao Sol,
com temperaturas capazes de produzir reações de fusão de Hidrogênio para He-
lio. Na parte externa regiões heterogêneas formam os planetesimais, que através
de sucessivas colisões entre eles deram origem aos protoplanetas. Os protoplane-
tas, através da agregação do material próximo, foram adquirindo um campo gra-
vitacional maior e umas órbitas praticamente circulares e coplanares com o plano
equatorial da nebulosa primordial. Os planetas gigantes gasosos, mais distantes
da massa central retiveram maior quantidade de material da nebulosa primitiva
do que os terrestres, e tem uma composição mais próxima da original, enquanto
os outros apresentam uma estrutura constituída de camadas de elementos mais
pesados. Esta estrutura de camadas com diferentes composições, presente na
grande maioria dos planetas, deu origem, dentro da idéia da nebulosa primitiva,
a duas teorias para a formação dos planetas. A Teoria da acresção Heterogênea, que
propõe que a agregação de material foi de acordo com a temperatura de conden-
sação dos elementos, e a Teoria da acresção Homogênea, segundo a qual os ele-
mentos que se agregaram para formar os planetesimais e, depois, os planetas já
estavam condensados.

Em virtude da presença de uma quantidade muito grande de meteo-


ritos e de cometas, parece ser que a acresção homogênea é mais viável, mas
ainda não se tem uma conclusão. Vejamos, agora, algumas das características
principais dos componentes do Sistema Solar.

!7!#5#-%2

Nosso Sol é uma estrela amarela de tipo espectral G2 situada na seqü-


ência principal do diagrama H-R (ver capítulo 4). Encontra-se na metade de
sua vida, e não é diferente de outros milhões de estrelas existentes pelo Uni-
verso, a não ser por sua proximidade da Terra, o que faz dele a fonte da vida
na Terra. Está distante da ordem de 150 milhões de Km da Terra, e sua luz
demora para chegar algo em torno de 8 minutos, enquanto a luz da seguinte
estrela mais próxima, Alfa do Centauro,demora mais de 4 anos.

Como qualquer corpo celeste, o Sol efetua um movimento de rota-


ção (inclinado 7º15’ com relação à eclíptica) em torno de seu eixo que varia

*+8) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
de 25 a 30 dias, conforme seja no equador ou nos pólos, e outro de transla-
ção em torno do centro da Via Láctea, no qual leva cerca de 226 milhões de
anos a uma velocidade média de 250km/s.

O Sol é uma imensa massa


gasosa composta principalmen-
te de Hidrogênio e Hélio e uma
pequena proporção de outros ele-
mentos vaporizados. Em seu inte-
rior, no núcleo, a alta temperatura,
pressão e densidade fazem com
que os gases estejam ionizados
no estado de plasma e se produ-
za reações de fusão nuclear, onde
átomos de hidrogênio se juntam
para formar Hélio liberando ener-
gia. Instrumentos a bordo de uma série de satélites (SOHO, TRACE,
YOHKOH, ...) permitiu conhecer mais precisamente o Sol, tanto o in-
terior quanto a sua atmosfera, bem como os processos que acontecem
nele ou mesmo precisar dados.

Reações de fusão termonuclear, que ocorrem no interior do Sol. O Hi-


drogênio é transformado em Helio, através da cadeia pp (próton-próton), da
seguinte forma:

!"! !#$!%!"!&"!"!'&

!"!%!#$!()&!"!*

(
)&!"!()&!#$!+)&!"! !"!

Onde d é o deutério, e+ o pósitron, νe neutrinos e γ são fótons de


raios gama.

Estas reações produzem toda a energia gerada no núcleo, transmitida


através de uma zona de radiação e outra de convecção até chegar à superfície
solar, a atmosfera solar. Esta atmosfera solar está composta por três partes: a
fotosfera, a cromosfera e a coroa solar.

!"#$%$&'() *+9
A fotosfera (com mais ou menos 500 Km de espessura), é a zona do Sol
visível pelos meios óticos normais, e ao ser observada com um telescópio, apre-
senta um aspecto granular, produto das bolhas convectivas de gás, com diâmetro
que varia entre 1000 e 30000 km, e uma vida média de 10 minutos. Nesta fotos-
fera, com uma temperatura que varia entre 4000 K na parte superior e 8000 K
na base, aparecem as fáculas e as manchas solares. As manchas solares são regiões
de cor mais escura, conseqüência de uma menor temperatura sendo que seu
número e posição muda conforme um ciclo solar (período aproximado de 11
anos). Já as fáculas são regiões mais brilhantes que aparecem nas proximidades
das manchas e suas temperaturas são maiores.

I&K#!L'()'(!&0+#0#+'(
)%(2%$

A uma altura de uns 500 Km da base da atmosfera solar, a tempera-


tura que ia diminuindo, volta a aumentar até alcançar uns 60000 K. Como a
cromosfera brilha muito menos do que a fotosfera, não pode ser observada
de forma direta da Terra. Apenas pode ser vista durante breves instantes dos
eclipses solares totais quando aparece como um fino anel, ou utilizando fil-
tros especiais centrados em determinadas linhas espectrais. Nesta cromos-
fera, se produzem labaredas de gás quente, que expulsado desde a superfície
do Sol, alcançam milhares de quilômetros, chamadas protuberâncias. Como
podem ser observadas no esquema da estrutura do Sol anterior são fenôme-
nos espetaculares no limbo do Sol.

*:+) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
Na coroa solar a temperatura alcança valores entre 1 e 2 milhões de
Kelvins, e da mesma forma que a cromosfera, só é possível observá-la nos
eclipses totais do Sol, quando aparece um halo de luz que se estende por
vários raios solares. Devido a esta alta temperatura, os gases nesta região
se tornam difusos e se transforma num vento solar (composto principal-
mente por prótons e elétrons) que atinge todo o sistema solar, chegando a
distâncias da ordem de 150 u.a. Algumas destas partículas provenientes do
Sol através do vento solar podem ser atraídas pelo campo magnético ter-
restre causando interferência nas comunicações ou produzindo fenômenos
tipo auroras polares (foto ao lado).
As partículas atraídas pelo campo
magnético terrestre giram em espi-
rais ao longo das linhas de força dos
pólos magnéticos terrestres e sua
interação com as moléculas do ar
é que produzem as auroras boreais
ou austrais (foto ao lado).

!8!#5/#92(3,0(/

Como os planetas deslocam-se na esfera celeste perto da eclípti-


ca, entre as estrelas aparentemente fixas, variando constantemente sua
posição, os antigos gregos deram-lhes esse nome, que significa “estrela
errante”. Não possuem luz própria, como as estrelas, só refletem a luz
que recebem do Sol, e o seu brilho depende da distância que estão do
Sol e do seu “poder de reflexão”, chamado albedo (quociente entre a luz
refletida pelo corpo e a luz que recebe). No seu movimento em torno
do Sol, como já vimos, descrevem órbitas elípticas de pouca excentrici-
dade, quase circulares, na qual o Sol ocupa um dos seus focos, e de tal
modo que na posição mais afastada o planeta está no afélio e na posição
mais próxima está no periélio. Diz-se que um planeta está em conjunção,
se observado da Terra está em linha reta com o Sol. Assim, os planetas
internos (Mercúrio e Vênus) entram em conjunção em dois pontos de
sua trajetória apresentando fases, e os externos apenas uma vez. Estes
últimos se dizem que estão em oposição quando o Sol a Terra e o planeta
estão alinhados, mas com a Terra situada no meio, isto é, usa-se o termo
conjunção para indicar alinhamento com o Sol e oposição para a po-
sição oposta, quando o Sol e o planeta estão de lados opostos da Terra.

!"#$%$&'() *::
Pela definição de magnitude aparente, quanto menor for o valor nu-
mérico desta, mais brilhante nos parece ser o objeto celeste.

!8!:#;,&<=&.%#>#/%?#%#<(2%&#+%#-%2

É o menor planeta do sistema


solar e o mais próximo do Sol. Só é
visível durante curtos períodos de
tempo sempre perto do horizonte,
motivo pelo qual a luz do anoitecer
ou do amanhecer torna difícil sua
observação. As primeiras imagens
obtidas nas proximidades de Mer-
cúrio foram transmitidas pela sonda
Mariner 10, que fotografou metade
M!+4N+,% do planeta durante as três vezes que
o sobrevoou, em 1974-1975.

Seu período de rotação é de 58,6 dias e o de translação é de 88 dias, giran-


do três vezes sobre si mesmo enquanto completa duas voltas em torno do Sol. De
noite, a temperatura chega a -173 ºC enquanto pelo dia pode chegar a 430 ºC, o
que acontece quando está no periélio.

Com um aumento da ordem de cem vezes podemos observar suas


fases, bem como sua superfície cinzenta. Os satélites que se aproximaram
mostram uma superfície repleta de crateras e grandes áreas circulares como
conseqüência dos impactos de corpos menores, muito semelhante à da Lua.
A maior cratera, a Caloris Basin, tem 1300 km de extensão

*:;) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
Buscando maiores informações de Mercúrio, em 2004 foi lançada a
sonda Messenger que fará três aproximações deste planeta, em 2008 e 2009,
a uma altura de 200km, buscando estudar a composição química de sua su-
perfície, sua historia geológica, o tamanho de seu núcleo e a natureza de seu
campo magnético.

Mercúrio e Vênus parecem mover-se de um lado para o outro em relação


à posição do Sol, pelo que são avistados de um e de outro lado da nossa estrela,
sendo que a máxima elongação, ou distância para este ou para oeste do Sol, é de
48° para Mercúrio e de 60° para Vênus.

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.&'*%

O brilhante Vênus recebeu o


nome da deusa romana do amor e da
beleza. Com um período de rotação,
em sentido retrógrado, muito longo
(243 dias), e um período de transla-
ção de 225 dias, Vênus tem um “dia”
maior do que seu “ano”, Vênus é o
planeta mais parecido com a Terra,
e o mais próximo motivo pelo qual é
o astro mais brilhante do céu depois O!&0+!$'()'$P'Q(
do Sol e da Lua. À noite, o brilho de
Vênus ultrapassa o de qualquer estre-
la, sendo chamado de “estrela dalva”.
Pode ser visto com uma cor branco-
azulada, alcançando seu máximo bri-
lho cerca de um mês antes ou depois
da sua conjunção, e suas fases podem
ser facilmente observadas com um
telescópio não muito grande.

As primeiras viagens a Vênus


foram concretizadas pela passagem
da Mariner 2 em 1962, pelo impac-
to da sonda Venera em 1965, pela RS-#&(
descida da Venera 7 em 1970 e pela

!"#$%$&'() *:*
Venera 9, que orbitou o planeta em 1975 e tomou as primeiras imagens da
superfície em nesse ano. As observações realizadas desde satélites situados
em órbita de Vênus e mesmo desde a Terra, permitiram conhecer este plane-
ta com detalhes. Vênus possui uma atmosfera densa, composta basicamente
de dióxido de carbono (CO2) com grossas capas de nuvens formadas de
ácido sulfúrico (H2SO4) em diluição aquosa, que produzem um forte efeito
estufa e ocultam permanentemente a superfície do planeta. A parte baixa da
atmosfera contém principalmente CO2 e N2, mas também traços de água,
H2S, COS, SO2 e outros gases.

Com relação à superfície, uns 70% desta não ultrapassam os 500 me-
tros de altura sobre o nível médio, mas mesmo assim existem zonas de mon-
tanhas, as mais altas são os Montes Maxwel com quase 12 km de altura so-
bre o nível médio. Vênus possui vulcões, crateras e outras formas vulcânicas
ativas. Na superfície de Vênus, a pressão é da ordem de 90 atmosferas (9.106
Pa) e a temperatura da ordem de 730 K, motivo pelo qual o chumbo pode
ser fundido e as sondas que entraram em sua atmosfera não suportaram a
pressão mais do que duas horas.

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O sistema Terra-Lua pode ser


considerado como sendo um plane-
ta duplo, dadas as dimensões da Lua e
suas características. A Terra é o terceiro
planeta a partir do Sol e devido à des-
proporção existente entre o tamanho
do Homem e ela se produz um efeito
de que esta é plana, no entanto, já no
século V a.C., Pitágoras tendo como
base a sombra projetada pela Terra na
Lua durante os eclipses verificou a sua
esfericidade, e Eratóstenes em 230 a.C.,
com um erro menor do que 2% calculou o raio da Terra, considerada uma
esfera perfeita. No entanto, hoje sabemos que a Terra não possui uma forma
perfeitamente esférica tendo uma diferença entre os diâmetros polar e equa-
torial de 42,96 km, sendo que esse achatamento nos pólos dá à Terra a forma
de um elipsóide de revolução.

*:<) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
O elipsóide de revolução é uma figura que se pode obter pela rotação
de uma elipse em torno de seu semi-eixo menor.

• A atmosfera da Terra

A atmosfera, ligada ao corpo sólido da Terra através da gravidade,


forma parte de nosso planeta tanto quanto o corpo sólido, e o seu estudo é
fundamental para a Astronomia, pois trata-se do principal fator que limita as
observações. Com uma altitude da ordem de 1000 km, com relação ao nível
do mar, a atmosfera da Terra possui quatro regiões: a troposfera, a estratosfe-
ra, a mesosfera e a ionosfera ou termosfera.

A troposfera é a região em contato com a superfície, é o lugar onde


ocorrem os fenômenos meteorológicos mais importantes, onde os seres e
as plantas vivem e retiram o oxigênio e o gás carbônico para a sua sobrevi-
vência. Na estratosfera que é a região onde se encontra a camada de ozônio,
O3, quase não existe oxigênio molecular e o ar é muito rarefeito. Na mesos-
fera se realizam as pesquisas meteorológicas e na termosfera, as radiações
ultravioletas da luz solar são muito intensas, decompondo as moléculas em
átomos e íons. Por isso, a termosfera é também conhecida como ionosfera.

!"#$%$&'() *:,
Nesta camada mais externa, são refletidas as ondas de rádio, permitindo a
comunicação fácil entre regiões afastadas e, é nela também, onde se produ-
zem as auroras.

• A Estrutura interna da Terra

O planeta Terra é o mais den-


so do sistema solar, com uma densi-
dade media de 5,5 g.cm-3. No entanto,
se estudamos as rochas da superfície
podemos ver que estas possuem den-
sidades medias de apenas 3 g.cm-3, o
que implica que no interior devem
estar presentes materiais muito den-
sos. Fenômenos violentos como os
terremotos, vulcões, queda de me-
teoritos, ou mesmo explosões arti-
ficiais subterrâneas, permitem cons-
truir a estrutura interna da Terra: um
núcleo, de aproximadamente 3500
km de espessura, com uma temperatura central da ordem de 5000K e uma
pressão de 3.1011Pa; um manto, com uns 2900 km, constituído de silicatos
de ferro e magnésio e com umas temperaturas que variam desde os 100 K
na interface com a crosta até os 3500 na interface com o núcleo; e a crosta
que forma a capa superficial do planeta e consta, em termos geológicos, de
continentes (28,7%) e oceanos (71,3%).

A crosta é menos densa do que o manto e neste os continentes


“bóiam”. Conseqüência dos movimentos convectivos do manto, se produz
uma deriva dos continentes que configurou a atual distribuição destes, ex-
plicada pela teoria tectônica de placas.

• Movimentos da Terra

Ao longo da historia da Humanidade, a discussão acerca dos movi-


mentos da Terra tem sido uma constante no desenvolvimento do pensa-
mento cientifico. Mas, se para os antigos e ainda hoje para muitos, os movi-
mentos da Terra se resumem aos dois principais, rotação e translação, hoje
conhecemos 14 movimentos.

*:/) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
1. Rotação - a Terra dá uma volta completa em torno do eixo ima-
ginário que passa pelos pólos, e o faz em 23h 56min 04s. Para efeitos dos
calendários consideramos que esse movimento ocorre em 24 horas ficando
os 3min 56s para compensar no movimento de translação, ao acrescentar 1
dia na contagem do ano – o ano bissexto. Como já vimos anteriormente, a
direção deste movimento é de oeste para leste, motivo pelo qual os astros
celestes parecem girar no sentido leste-oeste. Evidentemente, a velocidade
de rotação vai aumentando desde zero nos pólos até 1666 km por hora no
equador. Por outro lado, o plano do equador faz com o plano da órbita da
Terra em torno do Sol um ângulo de 23º27’, o que provoca uma variação
na incidência dos raios solares em todos os pontos da superfície da Terra. É
o movimento de rotação o responsável pela sucessão dos dias e das noites,
mas é importante entender o que chamamos de dia. Pode ser o período de
24 horas, ou o intervalo de tempo que fica claro, quando o Sol está acima do
horizonte. Neste caso, esta duração depende da latitude do lugar, podendo
chegar aos extremos nas regiões polares, onde os intervalos de iluminação
ou não pelo Sol chegam a aproximadamente seis meses.

O movimento de rotação pode ser comprovado, experimentalmente,


através do pêndulo idealizado por Foucault em 1851, tendo como base a
propriedade do pêndulo que oscila sempre sobre o mesmo plano e que este
plano conserva uma posição invariável no espaço.

Atualmente não se faz necessários pêndulos para provar a rotação da


terra, mas ainda assim várias universidades, e muitos espaços dedicados à
divulgação científica no mundo mantêm enormes pêndulos de Foucault em
seus laboratórios.

2. Translação - No seu movimento em torno do Sol a Terra o faz ao longo


do plano da eclíptica que está inclinado com relação ao plano do equador, num
tempo de 365,2422 dias e a uma velocidade média de 29,5 km/s ≈ 106.200
km/h. Nesse intervalo, o Sol aparentemente passa por quatro pontos especiais
chamados equinócios e solstícios. Assim, o movimento de translação, conjugado
com a inclinação do eixo de rotação sobre o plano da órbita, dá lugar às diferentes
estações do ano, que acontecem nesses pontos especiais, como já vimos no capi-
tulo 2. O tempo restante para completar os 365 do nosso calendário é somado ao
mês de fevereiro dando origem aos anos bissextos.

Como a órbita da Terra em torno do Sol é uma elipse, portanto com


uma distância entre os dois, variável, a duração das estações do ano é dife-

!"#$%$&'() *:7
rente, dependendo do lugar que estejamos na Terra e da posição da Terra
na órbita. A Terra, ao passar pelo periélio no dia 2 ou 3 de janeiro, está com
uma velocidade maior e com isso, o verão no hemisfério sul e o inverno no
hemisfério norte terão uma duração menor (aproximadamente 89 dias), do
que o verão no hemisfério norte e o inverno no hemisfério sul, época em que
a Terra estará passando pelo afélio (aproximadamente 94 dias).

3. Precessão - é o lento movimento de balanço que muda a direção do eixo


de rotação, devido à atração do Sol e da Lua sobre o equador da Terra, descreven-
do um cone de 47º de abertura e cujo centro está no centro da Terra, conforme
vemos na figura ao lado. Neste movimento, o eixo de rotação da Terra retorna a
sua posição inicial após um período de 25.765 anos. O movimento de precessão
pode ser comparado ao de um pião que ao ser lançado ao mesmo tempo que gira
sobre seu eixo, oscila lentamente num movimento de balanço.

Como conseqüência deste movimento, a estrela Polar que hoje coin-


cide com o pólo norte, não o foi há tempos atrás e deixará de fazê-lo daqui
a algum tempo. Na época em que foi construída a grande pirâmide do Egi-
to, há 4500 anos, a estrela polar era Thuban, na constelação do Dragão, e
os construtores orientaram a passagem principal do monumento para essa
estrela. Daqui uns 10000 anos a estrela polar será Deneb, na constelação do
Cisne e no ano 14000 será Vega, na Lira.

4. Nutação - a atração da Lua provoca um pequeno movimento de


vaivém no eixo de rotação da Terra, que faz com que este não descreva um
cone perfeito no movimento de precessão, mas um pouco ondulado. Esta
ondulação se repete a cada 18,6 anos, ou seja, 1385 vezes em cada ciclo com-
pleto de precessão.

5. Movimento das marés - as dimensões da Terra não são desprezíveis


com relação às distâncias Terra-Lua e Terra-Sol, motivo pelo qual as ações
gravitacionais entre destes astros sob o nosso planeta afetam de forma di-
ferente a superfície terrestre. Quando estas forças de atração atuam sobre
a parte liquida que cobre a superfície terrestre, produzem o fenômeno das
marés. Apesar da massa do Sol ser muito maior do que a da Lua esta está
muito mais próxima e sua ação gravitacional é 2,2 vezes mais intensa.

Como conseqüência desta atração se produz um movimento no ní-


vel das águas dos oceanos, crescendo periodicamente na direção da Lua. São
duas subidas e duas descidas durante um dia lunar (24h 50min).

*:8) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
Na Lua nova ou cheia, quando a Terra a Lua e o Sol estão alinhadas,
as forças de maré sobre a superfície da Terra aumentam e dizemos que te-
mos uma maré viva. Na fase de quartos lunares, o ângulo Terra-Lua-Sol é
de 90° e as forças de maré do Sol e da Lua se contrapõem em parte e assim
temos as marés mortas.

A força de maré induz elevações no nível do mar que pode chegar até
15 metros nos oceanos abertos, enquanto que nos mares fechados pratica-
mente não existem.

As marés geram uma fricção que reduz a energia de rotação da


Terra, provocando uma redução de 0,002s por século na duração do
dia. Como o momento angular do sistema Terra-Lua deve manter-se
constante, se a Terra perde momento angular a Lua deve ganhá-lo, e
assim se afasta a uma velocidade de 3,8cm/ano. Pela terceira lei de Ke-
pler, este afastamento provoca que num dado momento o dia e o mês
tenham a mesma duração, como já aconteceu com a Lua que tem um
período de rotação iguala ao de translação.

6. Movimento dos pólos - conseqüência de que o eixo de rotação não


coincide com o eixo de simetria e a não rigidez da Terra, ocorrem deforma-
ções elásticas, fazendo com que os pólos mudem constantemente de posi-
ção. Estes oscilam em torno de um ponto central, do qual não se afastam
mais de 15 metros, e as latitudes de um lugar da superfície terrestre pode
variar até 0,3” sobre seu valor médio.

!"#$%$&'() *:9
7. Movimento do centro de massas Terra-Lua - como a massa da Terra é
da ordem de 80 vezes maior do que a da Lua, o centro de massas do sistema
descreve um circulo.

8. Rotação da linhas dos apsides - (pontos mais próximo e mais distante


sobre uma órbita elíptica) - resultado da ação conjunta dos planetas.

9. Variação da obliqüidade - periódica em cerca de 0,48” por ano.

10. Variação na eclíptica - conseqüência da variação na força de atra-


ção entre os planetas devido à mudança na distância dos mesmos durante
suas translações.

11. Variação da excentricidade - a órbita terrestre muda em sua excen-


tricidade, num período de 80.000 anos, como conseqüência da ação gravi-
tacional dos planetas sobre a massa da Terra.

12. Movimento da Terra em direção ao ápex- como o Sol se movimenta


em direção à constelação de Hercules, todos os planetas incluído evidente-
mente o Sol também o fazem.

13. Movimento do centro de massas do sistema solar- ao se movimenta-


rem em torno do Sol, as distâncias entre este e os planetas muda, constante-
mente, fazendo com que o centro de massas do sistema solar varie.

14. Movimento de rotação em torno do centro da Via Láctea- o sistema


solar, como um todo, gira em torno do centro galáctico num período de 200
milhões de anos.

!8!7#E#DB(

Têm sido propostas diferen-


tes idéias para explicar a origem da
Lua. Alguns acreditam que a Lua e a
Terra se formaram na mesma época
e na mesma zona do sistema solar
primitivo; ou que a Lua se separou
da Terra, quando esta ainda, era jo-
vem e seus materiais não estavam

*;+) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
solidificados; ou que há uns 4,5 bilhões de anos um corpo grande teria im-
pactado com a Terra primitiva e o choque expulsou ao espaço uma mistura
que ao se atrair mutuamente, teria formado a Lua. Talvez esta última expli-
cação seja a melhor, pois consegue explicar a orientação da órbita lunar.

A Lua descreve uma órbita elíptica em torno da Terra com uma ex-
centricidade e= 0,0549 e um semieixo maior de 384.400 km. A distância en-
tre a Terra e a Lua foi calculada, medindo o tempo de ida e volta de um laser
ao ser refletido nos espelhos colocados pelos astronautas na Lua. A órbita
lunar não é coplanar com a órbita terrestre, e forma um ângulo com o plano
da eclíptica de 5º9’. O período de revolução medido com relação a estrelas
fixas, chamado mês sideral, vale 27d 7h 43min 12s.

As forças de maré foram freando


a rotação lunar até igualar o período de
revolução com o de rotação, fenômeno
que recebe o nome de órbita sincrônica.
Este fato faz com que, da Terra, se obser-
ve sempre o mesmo lado da Lua. Como
o plano do equador lunar forma um ân-
gulo de 6° 40’ com o plano orbital da Lua,
se produz a chamada libração em latitude
que acontece devido ao deslocamento,
real ou aparente, dos eixos lunares em
relação às suas posições médias.. Em vir-
tude desse deslocamento dos eixos luna-
res, podemos ver um pouco mais do que
a metade da superfície lunar nas áreas do
limbo (borda), algo em torno de 59%,
bem como nas regiões Norte, Sul, Leste
e Oeste da Lua.

A observação continuada da Lua durante várias semanas, permite


observar que seu aspecto é variável. Trata-se das fases lunares, que se pro-
duzem porque muda a parte do disco lunar iluminada pelo Sol, devido à
variação da posição relativa da Terra, da Lua e do Sol. Como a Lua percorre
sua órbita de 360° em torno da Terra em sentido direto num mês sideral, a
cada dia ela percorre 13,2° na direção leste da esfera celeste. Esta variação
contínua determina as fases lunares, o momento do orto e do ocaso e o tem-
po de observação noturna de nosso satélite.

!"#$%$&'() *;:
Se b é o diâmetro da parte iluminada e d o diâmetro do disco lunar,
matematicamente, podemos definir a fase como Φ = b/d. Portanto Φ pode
valer desde zero (lua nova) quando toda a parte visível estiver escura até 1
(lua cheia) quando toda ela estiver iluminada.

• Lua Nova - quando o Sol e a Lua observados da Terra estão na mesma


direção. Φ = 0 e não podemos ver a parte iluminada da Lua. Poucos dias
depois, a translação da Lua em torno da Terra faz aumentar o ângulo Sol-
Lua e esta mostra um perfil iluminado.

• Quarto crescente - a Lua está separada 90° do Sol mostrando a metade. Φ


= 0,5. A cada dia que passa, a Lua aparece no horizonte leste 57,7 minutos
mais tarde e sua parte iluminada vai crescendo até chegar na fase de

• Lua Cheia - o ângulo Sol-Lua é de 180° e o disco lunar aparece com-


pletamente iluminado. Φ = 1. A partir deste momento a Lua apresen-
ta a cada dia uma área brilhante menor.

• Quarto minguante - a Lua a 90° do Sol, aparece 6 horas antes do ama-


nhecer. Φ = 0,5.

No movimento da Lua em
torno da Terra na esfera celeste ge-
ral, a linha de intersecção entre o
plano orbital da Lua e o plano da
eclíptica recebe o nome de linha dos
nodos. Apesar da grande diferença
dos seus tamanhos reais, pela dife-
rença de distâncias do Sol e da Lua,
o tamanho angular da Lua é aproxi-
madamente igual ao do Sol, e ambos
valem 30’. Esta coincidência junto com o movimento da linha de nodos
da órbita lunar provoca o alinhamento do Sol, da Terra e da Lua, e nesse
momento podemos observar os eclipses. Quando a Lua se encontra na li-
nha de nodos entre o Sol e a Terra, de algum lugar da Terra observa-se que
seu disco tampa o do Sol. É um eclipse solar, que pode ser total ou parcial,
dependendo de que a Lua tampe completamente ou não o disco solar, e só
pode ocorrer na Lua Nova.

*;;) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
Na figura abaixo podemos observar como se produz este fenô-
meno. A rotação da Terra e o movimento da Lua fazem com que a zona
do eclipse total se desloque sobre a superfície terrestre ao longo da fai-
xa de totalidade, que é faixa descrita pela seção do cone de sombra na
superfície da Terra, e que pode ter uma largura variando entre 40 e 100
km e alguns milhares de Km de longitude. Em algum lugar desta faixa,
a luz do Sol chega a desaparecer por completo durante um período má-
ximo de 7 min e 31 s, apesar de que em geral este tempo não ultrapasse
os 3 minutos, tempo durante o qual as estrelas mais brilhantes e os pla-
netas são visíveis.

Devido à inclinação da órbita da Lua com relação à eclíptica de 5º9’,


nem todas as luas novas produzem eclipses, só mesmo quando ela ocorre
próximo da linha de nodos.

Por outro lado, quando a Terra está situada entre a Lua e o Sol, e a
Lua está nas proximidades da linha de nodos e entra no cone de sombra
produzida pela Terra, se produz um eclipse lunar. Nesta situação a Lua
está na fase de cheia. Cada ano podem ocorrer de um a três eclipses luna-
res e ao contrario dos eclipses solares, os lunares podem ser observados de
qualquer lugar noturno da Terra.

Eclipse solar só na Lua Nova


Eclipse Lunar na Lua Cheia

!"#$%$&'() *;*
!8!8#;(&0,#>#%#92(3,0(#F,&',2G%

O planeta vermelho, Marte, pela


sua cor foi escolhido pelos romanos
como o deus da guerra. Marte tem dois
pequenos satélites, chamadas Fobos
(medo) e Deimos (terror), que só po-
dem ser vistos através de potentes teles-
cópios, e que pelo seu tamanho, prova-
velmente, sejam asteróides capturados
pelo planeta. A má qualidade das ima-
gens que se tinham deste planeta per-
mitiu muitas especulações acerca dele.
Hoje, com a exploração espacial, entre
outras, a série de sondas Viking e as missões Mars Pathfinder ou Mars Global
Surveyor, sabemos que se trata de um mundo avermelhado, desértico, com
uma tênue atmosfera com um 95% de dióxido de carbono CO2, apresenta
uma cor avermelhada em virtude do pó em suspensão que também, reco-
bre a superfície. Freqüentemente, se formam tempestades de pó, que duram
meses. Pelas ultimas fotos de Marte a sua superfície apresenta uma paisagem
semelhante a um deserto cheio de pedras.

O período de rotação marciano é muito semelhante ao da Terra (24h


37min 22,6s) e seu eixo possui uma inclinação também semelhante à da Ter-
ra (25° 12’). Marte possui estações, mas como o ano marciano corresponde
a 687 dias, as estações duram quase o dobro que na Terra. Estas estações são
as responsáveis pelos câmbios nas zonas claras e sombreadas da sua superfí-
cie, fazendo que variem as dimensões dos gelos polares.

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O gigante Júpiter recebeu o


nome do mitológico rei dos deuses
romanos e senhor do universo. Com
uma massa igual à milionésima parte
do Sol e 318 vezes a da Terra, Júpiter
é o maior planeta do sistema solar,
sendo que seu diâmetro equivale a
11,2 vezes o da Terra. Brilha à noite

*;<) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
no céu com uma luminosidade que ultrapassa a de todas as estrelas e plane-
tas, com exceção de Vênus. A coloração de Júpiter, as faixas de nuvens claras
e escuras paralelas, a Grande Mancha Vermelha e as quatro maiores luas po-
dem ser vistas através de um pequeno telescópio.

Trata-se de uma imensa bola de gás, sem superfície sólida, com 89%
de Hidrogênio, 10% de hélio e outros gases tipo metano (CH4), amoníaco
(NH3) e água. Da sua atmosfera apenas podemos observar suas camadas
mais externas que formam uma serie de franjas coloridas paralelas ao equa-
dor, que se deslocam a velocidades de até 100m/s.

As melhores imagens do planeta e seus satélites foram transmiti-


das durante os encontros das naves americanas Voyager 1 e 2 em 1979. A
Voyager 1 passou a menos de 286.000 km do topo das nuvens de Júpiter e
a Voyager 2 a menos de 570 000 km. As duas naves enviaram para a Terra
mais de 33 000 imagens. A nave americana Galileo chegou às proximidades
de Júpiter no dia 7 de Dezembro de 1995 para estudar o planeta. No mesmo
dia, a nave Galileo separou-se em duas partes, ficando o módulo orbital gi-
rando em volta do planeta, enquanto uma sonda mergulhava na atmosfera
e transmitia dados sobre a sua estrutura e composição. Depois de dois anos
girando em volta de Júpiter, a nave foi dirigida para observar de perto os
maiores satélites de Júpiter.

As observações atuais nos mostram que Júpiter, além de ter anéis em


sua volta possui 61 satélites, dos quais os denominados galileanos, descober-
tos por Galileo Galilei em 1610 recebem os nomes de: Io, Europa, Calixto e
Ganimedes. Destes Europa, pouco menor do que a Lua possui uma camada
externa com uns 50 km, de gelo de água e que possivelmente esconda, de-
baixo um oceano de água liquida, e Ganimedes é o maior satélite do sistema
solar, inclusive maior do que o planeta Mercúrio.

Com um telescópio que aumente de 200 a 300 vezes podemos ob-


servar os eclipse (satélite na sombra do planeta), as ocultações (um satélite
atrás do planeta), os trânsitos (satélite entre a Terra e Júpiter) e as sombras
em trânsito (projeção da sombra do satélite no planeta). O tempo de dura-
ção de eclipses dos satélites de Júpiter possibilitou a Roemer realizar a me-
dição da velocidade da luz em 1675, obtendo, pela primeira vez, um valor da
ordem de 300.000km/s.

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!8!J#-(0B&3%#>#(#?,2,K(#+%#L&.%

Saturno, o mais distante


dos planetas brilhantes, recebeu o
nome do deus romano da agricul-
tura. Com um diâmetro de 120.536
km, é o segundo planeta do sistema
solar em tamanho. Tanto sua estru-
tura interna, quanto sua atmosfera é
semelhante à de Júpiter.

Saturno exibe o sistema de


anéis mais completo de todo o sis-
tema solar. Foram descobertos por
Galileo em 1610, mas só foram in-
terpretados em 1654 por Christian
Huygens. Localizados no plano equatorial do planeta, os anéis de Saturno
são constituídos por partículas sólidas geladas, com tamanhos de simples
poeira a pedras, o que lhes dá o aspecto de bolas de neve gelada ou pequenos
blocos de gelo que orbitam em volta de Saturno. O brilho é provocado pela
luz solar que refletem.

Saturno conta com pelo menos 30 satélites sendo Titã, com 2572 km
de raio, maior do que Mercúrio. É o único satélite do sistema solar com at-
mosfera por nitrogênio (N2, 99%) e metano (CH4). Sua superfície com uma
temperatura da ordem de 94K está coberta por uma densa neblina e pode ser
que existam ali processos pré-bióticos. Tudo indica que a lua é formada por
rocha e gelo com um possível mar de metano e etano no estado líquido.

Em 1981, a nave Voyager 1 passou a menos de 64 200 km, e em 1982,


a Voyager 2, a menos de 41 000 km do topo das nuvens de Saturno. As duas
naves enviaram para a Terra mais de 33 000 imagens de Saturno, de seus
anéis e de alguns dos seus satélites. O telescópio espacial Hubble descobriu
na superfície deste satélite, estruturas do tamanho da Austrália. A missão
Cassini-Huygens chegou em 2004 até Saturno para estudar o planeta e seus
satélites, tendo lançado uma sonda sobre Titã.

*;/) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
!8!M#N&(3%#>#(#2%36(#3%.0,

Observado por Wilhelm


Herschel em 1781, com um teles-
cópio de 150mm construído por ele
mesmo, trata-se do primeiro plane-
ta a ser descoberto na modernidade.
Faz parte dos planetas jovianos, as-
sim como Júpiter, Saturno e Urano
possui uma composição composta
principalmente por materiais gaso-
sos, sendo é muito grande com uma
atmosfera composta por 99% de Hi-
drogênio e Hélio. O planeta possui
um sistema de anéis que só foram observados, em 1977, durante a ocultação
de uma estrela pelo planeta.

O eixo de rotação de Urano está inclinado em 98% com relação ao


plano de sua órbita, portanto, durante seu movimento de translação entor-
no do Sol, que dura 84 anos, mostrando ao Sol durante a metade do tempo
um pólo e durante a outra metade o outro pólo. Assim, os dois hemisférios
apresentam longas etapas sem receber a luz solar, alternando com períodos
em que o Sol nunca se põe. Urano possui uns 20 satélites dos quais dez fo-
ram descobertos pela sonda Voyager 2 em 1986.

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Netuno, descoberto teorica-


mente a partir dos cálculos realizados
para determinar os efeitos gravitacio-
nais observados na órbita de Urano,
representou um triunfo da mecânica
celeste. Em 1846, este planeta é ob-
servado a apenas 1° da posição pre-
vista de forma teórica, por J.G. Galle.

Netuno também é um planeta


joviano, grande que apesar de um pou-
co menor se parece muito com Urano.

!"#$%$&'() *;7
Apresenta uma cor atmosférica predominantemente azul claro, devido à presen-
ça do metano, no entanto, os seus componentes mais importantes são o hidrogê-
nio molecular e o hélio.

A sonda Voyager, em 1989, descobriu, só de uma vez, 6 satélites e 4


anéis, que apesar de estreitos são muito brilhantes.

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Vocês nunca fantasiaram “viajar na cauda do cometa”?. Ao longo da his-


toria da humanidade, os cometas têm sido os objetos celestes que mais deram
origem a temores e superstições e, ainda hoje, despertam enorme curiosidade.

Os cometas são pequenos


corpos de gelo de diversa composi-
ção, como água, monóxido de car-
bono, dióxido de carbono, metanol.
Misturados com pó de metais e sili-
catos, estes pedaços de gelo podem
alcançar algumas dezenas de km.

Enquanto a maioria dos co-


metas se movimentam em órbitas
muito elípticas excêntricas em torno
do Sol (cometas regulares), com períodos que podem ir de alguns anos a
milhares de anos, alguns apresentam órbitas hiperbólicas ou parabólicas
(cometas irregulares) e passam apenas uma vez pelo periélio.

Os gelos do núcleo do cometa mantêm-se inertes quando o cometa está


distante do Sol, onde as temperaturas são muito baixas. Quando se aproxima do
Sol, começam a sublimar-se e arrastam consigo partículas de pó. Formam-se en-
tão uma débil atmosfera em torno do núcleo do cometa, que recebe o nome de
cabeleira ou coma e a cauda.

A cabeleira aparece na forma de uma nebulosidade sobre o núcleo.


A cauda por sua vez, é provocada pela ação dos ventos solares, por isso nas

*;8) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
proximidades do Sol a cauda aumenta, haja vista que a densidade dos ventos
solares é maior. Aparecem duas caudas: a cauda de poeira e a cauda de íons.

Por serem corpos pequenos com baixa atração gravitacional, e movi-


mentarem-se muito rápido nas proximidades do Sol, a cada passagem pelo
mesmo, ocorre um aumento muito grande da cauda, que implica perdas de
matéria, o que pode levar a que o cometa não retorne mais.

A cauda de íons brilha pela radiação solar, e a de poeira brilha pelo


atrito da radiação solar com o núcleo, jogando aos poucos, poeira e pedaços
do cometa incandescentes para longe. Em função de suas órbitas os cometas
são classificados como sendo de Período Curto, aqueles que possuem órbi-
tas que chegam até Urano ou Netuno e que fariam parte do cinturão de Kui-
per; os cometas de Período Longo, que fazem órbitas que chegariam além
de Plutão, fazendo parte da Nuvem de Oort; e os cometas de Período Muito
Longo, que seriam uma variação dos cometas de Período Longo, tendo uma
órbita bem maior, mas que também fariam parte da Nuvem de Oort.

Acima à esquerda o cometa Hale Bopp: em torno do núcleo do co-


meta é visível a cabeleira, de onde saem as caudas de gás (azul, reta e fina)
e de poeira (amarelada, mais curvada e grossa) No canto inferior esquerdo
é visível a galáxia M31, a galáxia de Andrômeda. À direita o cometa Halley
em foto tirada, em 1986, na noite de 18 para 19 de março, no Observatório
da Piedade da UFMG.

!"#$%$&'() *;9
E0.F.+(+,/

1. Qual é a diferença essencial entre uma estrela e um planeta?

2. Indique dois fatos que suportam a teoria nebular da formação do sistema solar.

3. Faça coincidir o nome de cada pessoa com uma contribuição deste para o
desenvolvimento do nosso conhecimento do sistema solar.

(a) Descreveu a visão geocêntrica do universo no Almagesto por volta do


ano 150 da nossa era.
(b) Determinou empiricamente as suas três leis do movimento planetário a
partir de dados observacionais.
(c) Foi o primeiro a usar o telescópio para observações astronômicas e des-
cobriu as fases de Vênus.
(d) Escreveu um livro em que descreveu um modelo heliocêntrico dos mo-
vimentos planetários, que foi publicado em 1543, ano em que morreu.
(e) Formulou as três leis fundamentais do movimento e a lei fundamental da
gravitação.
(f) Observou e registrou os movimentos planetários durante mais de 20 anos.

(1) Copérnico.
(2) Galileu.
(3) Kepler.
(4) Newton.
(5) Ptolomeu.
(6) Tycho Brahe.

4. O que mantém os planetas nas suas órbitas em volta do Sol?

5. Observe a figura 1 Identifique os seguintes pontos:

(a) Sol
(b) elipse
(c) afélio
(d) periélio
(e) onde a força de gravidade é mais
intensa
(f) onde o planeta se move mais T,:#+'(@
lentamente

**+) 01#!$)2.)3'4.%4'("1#().&)56!'4(
6. Qual é a diferença entre o mês sideral e o mês sinódico? Justifique.

7. Qual é a força que mantém as naves espaciais nas suas trajetórias quando
viajam pelo sistema solar?

8. Classifique cada uma das seguintes descrições como propriedades de:

(1) planetas terrestres ou (2) planetas gigantes.


(a) Longe do Sol.
(b) Pequeno diâmetro.
(c) Grande massa.
(d) Baixa densidade.
(e) Curto período de translação.
(f) Curto período de rotação.
(g) Muitas luas.

9. Faça coincidir um planeta com a descrição apropriada.

(a) Mais próximo do Sol. (1) Mercúrio


(b) Tem o dia sideral mais longo. (2) Vênus
(c) Tem um ano aproximadamente igual a (3) Terra
2 anos terrestres. (4) Marte
(d) Mais massivo. (5) Júpiter
(e) Mais denso. (6) Saturno
(7) Urano
(8) Netuno

10. Faça coincidir cada planeta com um aspecto famoso observável através
de um pequeno telescópio.

(a) Fases. (1) Marte


(b) Calotas polares, de gelo. (2) Júpiter
(c) Grande Mancha Vermelha. (3) Saturno
(d) Anéis. (4) Vênus

11. O que são asteróides?

!"#$%$&'() **:
12. Faça coincidir os aspectos indicados com os correspondentes pares
de planetas.

(a) Faixas de nuvens paralelas (1) Mercúrio e Vênus


alternadamente escuras e brilhantes.
(b) Muitas crateras e montanhas. (2) Júpiter e Saturno
(c) Cobertura de espessas nuvens de hidrogênio,
hélio e metano. (3) Urano e Netuno

13. Indique três razões por que Vênus


não deve ser um planeta agradável de
visitar. A figura 2 mostra Vênus, Ter-
ra e Marte nas suas órbitas à volta do
Sol. Que letra, no diagrama, indica os
seguintes pontos?

(1) Vênus é a estrela da tarde.


(2) Vênus está em fase nova. T,:#+'(D
(3) Marte está em oposição.
(4) Marte não é observável.

14. Indique duas observações que sugerem que, há muito tempo, a água
deve ter corrido na superfície de Marte.

15. Indique os gases mais abundantes nas atmosferas da

(a) Terra
(b) Marte
(c) Júpiter
(d) Saturno
(e) Urano
(f) Titã

16. Faça coincidir uma lua de um planeta com:

(a) Maior lua no sistema solar. (1) Ganimedes/Júpiter.


(b) Única lua conhecida com uma
atmosfera considerável. (2) Io/Júpiter.
(c) Lua geologicamente mais ativa, com
vulcões ativos. (3) Miranda/Urano.

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(d) A mais estranha mistura de
superfícies novas e velhas. (4) Titã/Saturno.
(e) A superfície mais fria, com
erupções ativas, semelhantes a (5) Tritão/Netuno.
gêiseres.

17. Por que é que os observadores situados na Terra vêem sempre o mesmo
lado da Lua?

18. Qual é a relação de valores entre a Lua e a Terra nas seguintes propriedades:

(a) diâmetro;
(b) massa;
(c) densidade média;
(d) gravidade à superfície;

19. Suponha que está dirigindo uma expedição para explorar a superfície da
Lua. Quais dos seguintes recursos seriam mais úteis?

(a) tanques de oxigênio de reserva;


(b) pistolas lança-sinais;
(c) lanternas elétricas;
(d) bússolas;
(e) fósforos;
(f) carta de estrelas;
(g) guarda-chuva;
(h) relógio.
Justifique.

20. Qual é a origem provável da maioria das crateras na Lua?

21. Qual deve ser a fase da Lua para que possa ocorrer:
(a) um eclipse do Sol? (b) um eclipse da Lua?

22. De que é constituído o núcleo de um cometa?

23. Descreva duas importantes descobertas que foram feitas acerca do nú-
cleo do cometa Halley durante a sua passagem pelo periélio em 1986.

24. Esboce as partes principais de um cometa brilhante típico e identifique-as.

!"#$%$&'() ***
25. Descreva a origem e extinção dos cometas periódicos.

26. Faça coincidir cada descrição com o item correto.

(a) “Estrela cadente”. (1) Meteoro.


(b) Pequena partícula em órbita à volta do Sol. (2) Meteorito.
(c) Corpo sólido que cai na Terra. (3) Meteoróide.

27. Explique a relação entre cometas e chuvas de meteoros.

28. Descreva a composição e origem provável dos meteoritos.

29. Coloque os seguintes objetos celestes por ordem crescente das suas dis-
tâncias: Sol, cintura de asteróides, Terra, nuvem de Oort, Plutão.

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Com os pés no chão,


os olhos no horizonte e,
a mente no Infinito
Quero
Viajar pelo Éden do Universo e,
andando descalço entre as estrelas,
colher flores em qualquer constelação.

Juan Bernardino Marques Barrio

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