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Poluição Luminosa 4

Este artigo discute os efeitos negativos da poluição luminosa no meio ambiente, incluindo impactos na astronomia, vida selvagem e uso de energia. A poluição luminosa prejudica a visibilidade das estrelas, confunde animais e interfere nos ciclos naturais de plantas. Reduzir a iluminação excessiva pode ajudar a resolver esses problemas ambientais.
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Poluição Luminosa 4

Este artigo discute os efeitos negativos da poluição luminosa no meio ambiente, incluindo impactos na astronomia, vida selvagem e uso de energia. A poluição luminosa prejudica a visibilidade das estrelas, confunde animais e interfere nos ciclos naturais de plantas. Reduzir a iluminação excessiva pode ajudar a resolver esses problemas ambientais.
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Em demasia faz mal – o problema

da poluição luminosa UNDERSTAND ARTICLE


Fevereiro 1, 2022
ISSUE 56

Ages: 11-14, 14-16, 16-19

Topics: Astronomy / space, Biology, Science and society, Sustainability

Available languages

 Hrvatski
 English
 Português
 Español

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Author(s): Colin Henshaw


Translator(s): Pedro Augusto

Cego pela luz: precisamos de luzes para ver no escuro mas sabia
que a poluição luminosa tem sérias consequências ambientais?

O que é a poluição luminosa?


A Europa à noite, vista do espaço. Clique na imagem para expandir o mapa.
Imagens do NASA Earth Observatory por Joshua Stevens, usando dados
Suomi NPP VIIRS de Miguel Román, NASA’s Goddard Space Flight
Center, Domínio público

A poluição luminosa tem origem, principalmente, na iluminação de vias públicas, em


luzes de segurança, na iluminação de estádios e decorativa (iluminação de edifícios e
monumentos, feixes luminosos e lasers a apontar para o céu). Por que se consideram
poluentes? Afinal, precisamos de luz à noite para nos deslocarmos em segurança. Isso é
verdade, mas estas luzes são, usualmente, excessivamente brilhantes, desnecessárias ou
não adequadas ao propósito a que se destinam. Devemos atingir um equilíbrio onde
possamos obter a luz noturna que precisamos com um impacto mínimo no ambiente.

Efeitos na Astronomia
O mesmo ângulo da constelação de Orion visto de uma zona com o céu escuro
(esquerda) e de uma área com poluição luminosa (direita). A poluição
luminosa reduz drasticamente o número de estrelas que podem ser vistas.
Jeremy Stanley/Wikimedia, CC BY 2.0

A iluminação perturba a visibilidade estelar através da reflexão em superfícies,


dispersão por aerossóis e intrusão em propriedades, até ao ponto da maioria das pessoas
nunca ter visto a Via Láctea.

Iluminação mal desenhada permite que o brilho se espalhe no ambiente e a poluição


luminosa está a crescer a uma razão entre 2% a 6% ao ano, o que significa que céus
verdadeiramente escuros já não existem em muitas áreas. Se todos os astrónomos
amadores e profissionais do mundo falharem o próximo asteroide em rota de colisão
com a Terra devido à poluição luminosa global, só teremos de nos culpar a nós próprios.
Poluição luminosa de Los Angeles. A dispersão luminosa implica que o brilho
de uma grande cidade pode obscurecer a visão de estrelas a mais de 200 km.[15]
Mike Knell/Flickr, CC BY-SA 2.0

Efeitos na vida selvagem


Animais
É bem sabido que os insetos são atraídos por luzes e que andam em espirais em torno
delas até caírem no chão, exaustos.[1,2] Uma luz não fará grande diferença, mas
expandamos isso para todas as luzes em todas as cidades do mundo e a situação torna-se
muito séria.
Insetos fatalmente atraídos por um holofote
A imagem é cortesia do autor

Organizações ambientalistas britânicas, tais como a Buglife, e o German Centre of


Integrative Biodiversity Research têm reportado um declínio substancial na população
de insetos, tal como é medida por ‘esmagómetros’ colocados nas matrículas de carros.
Este declínio é parcialmente devido a pesticidas e à destruição de habitat, mas a
poluição luminosa é, também, um fator contribuidor principal.[3]
Um esmagómetro, usado para medir as colisões de insetos enquanto se conduz
um veículo
©Buglife, usado com amável autorização

O declínio dos insetos é muito preocupante por duas razões. Em primeiro lugar, os
insetos estão na base da cadeia alimentar. Se os insetos diminuem, o efeito vai-se
alastrar aos animais que deles dependem para se alimentarem, tais como aranhas,
anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos. Em segundo lugar, os insetos são
relevantes polinadores e, assim, se o seu número diminui, vai haver uma redução no
número e diversidade de plantas. Isto, por sua vez, pode deixar os próprios insetos com
menos que comer, iniciando uma espiral negativa. Esta questão é importante para os
seres humanos, já que os insetos, normalmente, são os polinadores das colheitas de que
dependemos para a produção de alimentos.

Sabe-se que os morcegos consomem cerca de 3000 insetos por noite e, assim, se as
populações de insetos diminuírem, isto colocará as populações de morcegos debaixo de
enorme pressão. Os morcegos precisam de acumular reservas de gordura para
sobreviverem ao período de hibernação no inverno e uma insuficiente alimentação
também diminui a sua resistência a doenças. Episódios do síndroma do nariz-branco,
[4]
causado pelo fungo Pseudogymnoascus destructans, têm acontecido nos EUA, onde
morcegos esfomeados têm sido vistos a alimentar-se durante todo o inverno. Os
morcegos consomem enormes quantidades de mosquitos e, se as populações de
morcegos declinarem, as populações de mosquitos podem aumentar. Isto pode levar a
que doenças trazidas pelos mosquitos se espalhem por novas áreas.[5]

As aves e os besouros-do-exterco usam as estrelas e a Via Láctea para a sua navegação.


[6]
Se estas fontes de luz forem inundadas pela abundante poluição luminosa, as aves e
os besouros ficam confusos e perdem-se. Em países tropicais, as tartarugas recém-
nascidas são atraídas pelo luar refletido pelo mar, mas podem ser confundidas pela
iluminação da frente-mar e não conseguirem chegar à água.[7]

Plantas
Para além dos efeitos nos insetos polinadores, a poluição luminosa pode evitar que as
plantas se ajustem às estações ao interferir com a função dos fitocromos. Estas
hormonas vegetais controlam o fotoperiodismo[8] através do qual as plantas medem as
horas de escuridão e as alturas para florescerem[9] produzirem sementes ou deixarem
cair as folhas. A disrupção do fotoperiodismo pode ter consequências na produção
agrícola e levar a uma diminuição da capacidade de sobrevivência e da diversidade de
plantas selvagens. Por exemplo, árvores de folha caduca expostas a luz artificial tendem
a manter as suas folhas durante o inverno.

Efeitos no uso energético


Finalmente, a iluminação requer energia para sua manufatura e operação, o que traz
consequências financeiras e ambientais. Um estudo recente demonstrou que um
pequeno município italiano usa 60% do seu consumo energético em iluminação da via
pública.[10] Reduzir a poluição luminosa levará, por isso, a uma redução, também, da
nossa pegada de carbono e a uma contribuição positiva no combate às alterações
climáticas.

O que pode ser feito?


Então, se a poluição luminosa é um problema ambiental tão sério, quais são as
soluções? A iluminação das vias públicas e de outros tipos deve ser usada apenas onde e
quando necessário, na quantidade correta e utilizando tecnologia de iluminação
certificada-para-céu-escuro. Por exemplo, a iluminação LED das vias públicas em zonas
residenciais e suburbanas sossegadas pode ser acionada pelo movimento e desligada
entre as 11 da noite e o raiar do Sol matinal. Além disso, a iluminação da via pública
não reduz, necessariamente, o crime.[11,12]

Em zonas rurais, a iluminação das vias públicas não deveria ser utilizada, uma vez que
existem métodos alternativos para garantir segurança na estrada (tais como linhas de
guia com relevo e refletores olhos-de-gato[13,14]). A iluminação decorativa que não serve
nenhum motivo útil deve ser banida ou, pelo menos, desencorajada.
A autoestrada M9, em Carlow, Irlanda, com olhos-de-gato na superfície da via
e retrorefletores nas barreiras.
Zoney/Wikimedia, CC BY-SA 3.0

A State Library Victoria em Melbourne: um exemplo de luz decorativa


desnecessária
Decryption512/Wikimedia, CC BY-SA 2.5

O tipo de luz pode também ser adaptado para minimizar efeitos perniciosos. As
lâmpadas devem ser totalmente colocadas dentro dos escudos, de forma a reduzir a
intrusão em propriedade alheia. Não devem exceder 400 lumens e a sua temperatura de
cor não deve ultrapassar os 1750 K, de forma a reduzir a prejudicial componente azul.
Isto vai produzir um brilho suave alaranjado, como a antiga iluminação SOX de vapor
de sódio.
Os quatro princípios para uma boa iluminação exterior. Clique na imagem
para ver uma versão ampliada.
©Rémi Boucher/Mont-Mégantic International Dark Sky Reserve

A adoção destas medidas contra a poluição luminosa não vai levar a uma perda de
segurança mas vai, de forma substancial, aliviar os problemas sérios que são causados
pela poluição luminosa.

References
 [1] Electricity and English songbirds. Los Angeles Times 14 September 1897.
 [2] Henshaw C (1994) The ecological implications of light at night. Journal of
the British Astronomical Association 104: 312.
 [3] Owens ACS et al. (2020) Light pollution is a driver of insect
decline. Biological Conservation 241: 108259. doi:
10.1016/[Link].2019.108259
 [4] Um artigo sobre o síndrome do nariz-branco no website do National Park
Service: [Link]
 [5] Reiskind MH, Wund MA (2010) Bats & Mosquitoes. Bat Conservation
International 28: 6.
 [6] Dacke M et al. (2013) Dung beetles use the Milky Way for
orientation. Current Biology 23: 298–300. doi: 10.1016/[Link].2012.12.034
 [7] Informação do Sea Turtle Conservancy sobre as ameaças para as tartarugas
causadas pela iluminação artificial: [Link]
turtles-threats-artificial-lighting/
 [8] Chaney WR (2002) Light pollution harms plants in the environment: does
night lighting harm trees? FAU Astronomical Observatory
 [9] ffrench-Constant RH et al. (2016) Light pollution is associated with earlier
tree budburst across the United Kingdom. Proceedings of the Royal Society
B 283: 20160813. doi: 10.1098/rspb.2016.0813
 [10] Fiaschi D, Bandinelli R, Conti S (2012) A case study for energy issues of
public buildings and utilities in a small municipality: investigation of possible
improvements and integration with renewables. Applied Energy 97: 101–114.
doi: 10.1016/[Link].2012.03.008
 [11] Morrow EN, Hutton SA (2000) The Chicago alley lighting project: final
evaluation report. Illinois Criminal Justice Information Authority.
 [12] Steinbach R et al. (2015) The effect of reduced street lighting on road
casualties and crime in England and Wales: controlled interrupted time series
analysis. J Epidemiol Community Health 69: 1118–1124. doi:10.1136/jech-
2015-206012
 [13] Information on the history of cat’s
eyes: [Link]
percy-shaw/
 [14] Henshaw C (2017) The social implications of light at night (LAN).
 [15] Claudio L (2009) Switch on the night: policies for smarter
lighting. Environmental Health Perspectives 117: A29–A31.

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