Universidade de Belas
Faculdade de Saúde
Licenciatura em Enfermagem
Aula nº:
Sumário: Estudo das personagens.
Personagem: Designa uma figura humana fictícia de uma obra literária. É uma categoria
fundamental da narrativa, uma vez que evidencia a sua relevância em relatos de diversa inserção
sociocultural e de variados suportes expressivos.
As personagens devem ser analisadas em 3 aspectos:
1. COMPOSIÇÃO:
(As personagens distinguem-se pelos aspectos que a compõem, pelos aspectos que, em si,
merecem maior destaque.)
Personagens planas (estáticas, sem vida interior).
Personagens modeladas (ou redondas. São personagens dinâmicas, dotadas de densidade
psicológica, com vida interior, capazes de surpreender).
Personagens-tipo (representam um determinado espaço social: um grupo social, uma
profissão. Ex.: o fidalgo ou o padre, em Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente).
Personagens colectivas (representam um grupo, aqui os indivíduos não são importantes. Ex.:
as mulheres, enquanto grupo social – e mesmo cultural – marginalizado, em Niketxhe – Uma
História de Poligamia, de Paulina Chiziane).
Personagens individuais (as que configuram um herói).
2. RELEVO:
(As personagens distinguem-se pela importância que têm na narrativa.)
Personagem protagonista (tem o papel central, é o herói da obra).
Personagem secundária (o seu papel é de menor relevo, mas intervém na acção).
Personagem figurante (tem um papel irrelevante no que diz respeito à acção central, mas tem
como papel ilustrar um ambiente, ilustrar uma atmosfera, uma profissão, uma ideologia, etc.
Através da personagem figurante, do que diz, do que veste, dos objectos que a acompanham,
dos seus comportamentos, etc., podemos obter uma série de informações sobre o ambiente
cultural, o ambiente social, aquilo que aconteceu – por exemplo, se as personagens figurantes
estiverem a fugir, aos gritos, sabemos que algo de grave se passou, se, pelo contrário, elas estão
quietas, a observar e a fazer comentários, com um ar levemente curioso apenas, então não
estaremos perante uma situação tão grave como a primeira).
3. CARACTERIZAÇÃO:
Caracterização directa: é feita uma descrição das características (físicas e/ou psicológicas) da
personagem. Esta caracterização pode ser feita:
Pelo narrador ou por outra personagem – HETEROCARACTERIZAÇÃO.
Pela própria personagem – AUTOCARACTERIZAÇÃO.
*Esta modalidade de caracterização é estática.
Caracterização indirecta: as características da personagem têm de ser deduzidas a partir do seu
comportamento, das suas atitudes, do que diz, da forma como o diz, dos sentimentos que nutre,
dos seus pensamentos, da roupa que veste, etc., etc.
* Esta caracterização é dinâmica. O leitor tem um papel importante na caracterização da
personagem, visto que vai avaliar o comportamento da personagem à luz dos seus próprios
valores. Ex.: Para alguns leitores, o comportamento de Gabriela (Gabriela, cravo e canela, de
Jorge Amado) – que dorme com Clemente durante a viagem, à noite, mas que o trata como a
qualquer outro durante o dia e que não quer continuar com ele depois da viagem terminada –
será um comportamento leviano, errado, para outros leitores será o comportamento de uma
mulher forte, determinada, sem preconceitos.
Caracterização mista: coexistem as caracterizações directa e indirecta.
Exercícios de aplicação
1. Atente na expressão:
…“À medida que o tempo e as aulas iam decorrendo, nas mais diversas actividades, o padre
foi desenvolvendo inovações. Nas aulas de canto, por exemplo, quando carecia de um agudo,
beliscava energicamente o rabo das moças. Se fosse o caso de uma nota grave, em vez de
beliscar, limitava-se a apalpar de mansinho”…
a) Classifique o Padre quanto à composição. Argumente. (2)