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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS - EESC
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE MATERIAIS, AERONÁUTICA E
AUTOMOBILÍSTICA - SMM






MÉTODOS EXPERIMENTAIS DE ANÁLISE DE MATERIAIS I
DISCIPLINA SCM-5707



ENSAIOS MECÂNICOS: TRAÇÃO, IMPACTO E DUREZA DE METAIS
E FLEXÃO DE VIDROS




Tamires de Souza Nossa, n
o
USP 7679132
Walbert Chrisostomo, n
o
USP 7679150



Prof. Dr. José Ricardo Tarpani


SÃO CARLOS
2011



SUMÁRIO


CAPÍTULO 1 – Ensaio de Tração ................................................................................. 1
1.1 Introdução .................................................................................................................. 1
1.2 Objetivos..................................................................................................................... 2
1.3 Materiais e Equipamentos ........................................................................................... 3
1.4 Métodos ...................................................................................................................... 3
1.5 Resultados e Discussão ............................................................................................... 4
1.6 Conclusões ................................................................................................................ 12

CAPÍTULO 2 – Ensaio de Impacto ............................................................................. 13
2.1 Introdução ................................................................................................................ 13
2.2 Objetivos................................................................................................................... 14
2.3 Materiais e Equipamentos ......................................................................................... 15
2.4 Métodos .................................................................................................................... 15
2.5 Resultados e Discussão ............................................................................................. 16
2.6 Conclusões ................................................................................................................ 18

CAPÍTULO 3 – Ensaio de Dureza ............................................................................... 19
3.1 Introdução ................................................................................................................ 19
3.2 Objetivos................................................................................................................... 20
3.3 Materiais e Equipamentos ......................................................................................... 20
3.4 Métodos .................................................................................................................... 21
3.5 Resultados e Discussão ............................................................................................. 21
3.6 Conclusões ................................................................................................................ 22
CAPÍTULO 4 – Ensaio de Flexão ................................................................................ 24
4.1 Introdução ................................................................................................................ 24
4.2 Objetivos................................................................................................................... 25
4.3 Materiais e Equipamentos ......................................................................................... 25
4.4 Métodos .................................................................................................................... 26
4.5 Resultados e Discussão ............................................................................................. 26
4.6 Conclusões ................................................................................................................ 28
5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ..................................................................... 29



LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Vistas frontais de Corpos de prova utilizados em ensaio de tração com representação
da seção transversal. ...............................................................................................................1
Figura 2: Gráfico tensão x deformação convencional e real para material dúctil (aço). ............2
Figura 3: Máquina de tração da Monsanto Tensometer. (a) Máquina durante ensaio. (b)
Medição e construção do gráfico. ...........................................................................................3
Figura 4: Corpo de prova do aço 1020 sob ensaio de tração. Formação de estricção ou
empescoçamento na amostra próximo da garra. ......................................................................4
Figura 5: Gráfico Força x Alongamento do aço 1020 gerado no equipamento Monsanto.........5
Figura 6: Gráfico Força x Alongamento do Fofo gerado no equipamento Monsanto. ..............5
Figura 7: Gráfico tensão x deformação do aço 1020. ...............................................................8
Figura 8: Gráfico tensão x deformação do ferro fundido cinzento (ferro fundido cinzento). ....9
Figura 9: Imagens do corpo de prova do aço 1020 no Microscópio Dino-Lite AM-313T (a)
após ensaio de tração, ampliação 20x . (b) superfície da fratura após o ensaio de tração,
ampliação 60x . .................................................................................................................... 11
Figura 10: (a) corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração. (b) superfície
da fratura do corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração. ...................... 11
Figura 11: Superfície de fratura dos materiais pós ensaio de tração, ampliação 200x. ............ 12
Figura 12: Representação do ensaio de impacto. ................................................................... 13
Figura 13: Representação dos tipos de ensaio. (a) Charpy. (b) Izod. ...................................... 14
Figura 14: Máquina de ensaio de impacto, Heckert – WPM. ................................................. 15
Figura 15: Corpo de prova Charpy posicionado para o ensaio de impacto. ............................ 15
Figura 16: Imagens dos corpos de prova após ensaio Charpy no ponto de fratura (entalhe),
ampliação 60x (a) Aço 4140 temperatura de aproximadamente 100
o
C (b) Aço 4140
temperatura de aproximadamente -196
o
C.............................................................................. 16
Figura 17: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto. (a) temperatura
de 100
o
C. (b) temperatura -196
o
C. ...................................................................................... 17
Figura 18: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto, em outra
posição. (a) temperatura de 100
o
C. (b) temperatura -196
o
C. ................................................ 17
Figura 19: Representação de um penetrador cônico de diamante, ensaio Rockwell. .............. 19
Figura 20: Equipamento utilizado no ensaio de dureza Rockwell .......................................... 20
Figura 21: Corpo de prova durante o ensaio de dureza Rockwell B ....................................... 21



Figura 22: Diagrama de Fases de liga Al-Cu, identificação da solubilização e envelhecimento
(ou precipitação) para uma liga de 4%Cu. Representação das microestruturas à direita, onde θ
é a fase precipitada (CuAl
2
) e α é a matriz. ........................................................................... 23
Figura 23: Representação do ensaio de flexão em três pontos. .............................................. 24
Figura 24: Imagens da amostra em equipamento preparado para ensaio de flexão (a) CP de
lâmina de vidro sem tratamento (b) CP de lâmina de vidro com tratamento químico. ............ 26
Figura 25: Gráfico força x deformação das lâminas de vidro virgem e atacadas com HF. ...... 27
Figura 26: Evolução do ataque químico com ácido fluorídrico na superfície do vidro ........... 29

























LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Valores de tensão e deformação para Aço AISI 1020. .............................................7
Tabela 2: Valores de tensão e deformação para o Ferro fundido cinzento. ...............................8
Tabela 3: Resultados do alongamento e da estricção dos corpos de prova do Aço 1020 e do
Ferro fundido cinzento após o ensaio de tração. .................................................................... 10
Tabela 4: Resultados da energia absorvida pelos corpos de prova em diferentes temperaturas.
............................................................................................................................................. 16
Tabela 5: Resultados do ensaio de dureza Rockwell da liga de alumínio com diferentes
tratamentos. .......................................................................................................................... 22
Tabela 6: Resultados da força máxima e deslocamento na força máxima, obtidos no ensaio de
flexão para as lâminas de vidro. ............................................................................................ 26
Tabela 7: Resultados dos cálculos de resistência em flexão e módulo de flexão do vidro em
diferentes condições. ............................................................................................................ 28














Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


1
CAPITULO 1 – ENSAIO DE TRAÇÃO

1.1 INTRODUÇÃO
O ensaio mecânico de tração consiste na aplicação de carga de tração uniaxial crescente
em um corpo de prova específico até a ruptura do mesmo. Trata-se de um ensaio amplamente
utilizado na indústria de componentes mecânicos, devido às vantagens de fornecer dados
quantitativos das características mecânicas dos materiais. O ensaio de tração é considerado o
teste mecânico que melhor apresenta a relação entre informações obtidas e
custo/complexidade de ensaio.
Com esse tipo de ensaio, pode-se afirmar que praticamente as deformações promovidas no
material são uniformemente distribuídas em todo o seu corpo, pelo menos até ser atingida
uma carga máxima próxima do final do ensaio e, como é possível fazer com que a carga
cresça numa velocidade razoavelmente lenta durante todo o teste, o ensaio de tração permite
medir satisfatoriamente a resistência do material.
A uniformidade termina no momento em que é atingida a carga máxima suportada pelo
material, quando começa a aparecer o fenômeno da estricção ou da diminuição da secção do
corpo de prova, no caso de matérias que apresentem ductilidade. A ruptura sempre se dá na
região mais estreita do material, a menos que um defeito interno no material, fora dessa
região, promova a ruptura do mesmo, o que raramente acontece.
O ensaio de tração é realizado em corpos de prova com características determinadas de
acordo com normas técnicas. As dimensões dos corpos de prova são adequadas a capacidade
da máquina de ensaio. Os corpos de prova podem ser de seção circular ou de seção retangular,
dependendo do tamanho e do formato do material em que foram retirados, como mostra a
Figura 1.

Figura 1: Vistas frontais de Corpos de prova utilizados em ensaio de tração com representação
da seção transversal.
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


2
A precisão de um ensaio de tração depende, evidentemente, da precisão dos aparelhos de
medida que se dispõe. A máquina de ensaio de tração é projetada para alongar o corpo de
prova a uma taxa constante, além de medir contínua e simultaneamente a carga instantânea
aplicada. Um ensaio de tração-deformação leva vários minutos para se executado e é
destrutivo, isto é, a amostra testada é deformada de maneira permanente, sendo geralmente
fraturada. O resultado de um ensaio de tração deste tipo é registrado em um gráfico ou por
um computador, na forma de carga ou força em função do alongamento, como representado
na Figura 2.


Figura 2: Gráfico tensão x deformação convencional e real para material dúctil (aço).


1.2 OBJETIVOS

Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos de ensaios
de tração monotonica quase-estatica axial das seguintes ligas metálicas estruturais de baixo
custo: aço carbono 1020 e ferro fundido cinzento. A partir dos resultados obtidos determinar
os limites de escoamento e de resistência à tração das ligas metálicas, seus respectivos
alongamentos e a estricção na fratura.



Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


3
1.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS

O ensaio de tração foi realizado em duas ligas metálicas estruturais de baixo custo: aço
carbono 1020 e ferro fundido cinzento.
Os ensaios de tração do aço carbono 1020 e do ferro fundido cinzento foram realizados
em uma máquina de tração monotonica quase-estatica axial da Monsanto Tensometer,
representada na Figura 3.


(a) (b)
Figura 3: Máquina de tração Monsanto Tensometer. (a) Máquina durante ensaio. (b) Medição
e construção do gráfico.


1.4 MÉTODOS

Os ensaios de resistência à tração do ferro fundido cinzento e do aço 1020 foram
realizados de acordo com as normas da ASTM E 8M/00. Foram utilizados no ensaio de tração
corpos de prova cilíndricos padronizados. Os corpos de prova foram medidos com o auxílio
de um paquímetro para obtenção dos dados de entrada para o cálculo do alongamento e da
estricção na fratura. Os materiais foram ensaiados em temperatura ambiente, em um sistema
eletro-mecânico horizontal da Monsanto, com velocidade do travessão de 1,58 mm/min. Os
ensaios foram conduzidos até a fratura completa dos corpos de prova. Não foi utilizado
extensômetro no experimento, não obtendo assim, dados precisos da deformação instantânea,
sendo estes apenas estimados.

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4

Figura 4: Corpo de prova do aço 1020 sob ensaio de tração. Formação de estricção ou
empescoçamento na amostra próximo da garra.


1.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Através da análise visual dos corpos de prova, foi possível constatar que o corpo de
prova do ferro fundido cinzento apresentava um acabamento ruim comparado ao corpo de
prova do aço1020, isso devido ao processo de usinagem do material que não fora eficiente e
muitas vezes o acabamento é dificultado pelo tipo de estrutura (presença de grafita) do
material a ser usinado. A baixa qualidade do acabamento do corpo de prova pode gerar
concentradores de tensão, o que pode interferir no resultado do ensaio, por esse motivo é
necessário um maior cuidado na preparação e usinagem do mesmo.
A Figura 5 apresenta o gráfico força x alongamento obtido no equipamento Monsanto
do ensaio de tração do aço 1020, com identificação dos valores de força no eixo y, que foram
calculados através de dado fornecido em aula prática (200mm correspondiam à 2000kg de
força no eixo y). Cada divisão do eixo y corresponde à 1mm (20kg).

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5

Figura 5: Gráfico Força x Alongamento do aço 1020 gerado no equipamento Monsanto.


Figura 6: Gráfico Força x Alongamento do Fofo gerado no equipamento Monsanto.

Nos gráficos acima é evidente a diferença no comportamento mecânico dos materiais.
O Aço AISI 1020 apresenta comportamento dúctil, com limites de escoamento superior e
inferior nítidos, regime elástico e plástico bem definidos, enquanto que o ferro fundido
cinzento é um material frágil, apresentando baixo alongamento e somente regime elástico.
Para melhor análise do perfil mecânico das amostra é necessário a plotagem de um gráfico
Tensão x Deformação.
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6
Para plotar a curva Tensão x Deformação nominal (ou de engenharia) dos materiais,
foi realizado um cálculo utilizando os dados de velocidade do ensaio para estimar a
deformação dos corpos de prova. O sistema é flexível e o equipamento trabalha com uma
velocidade de distanciamento entre as garras de 1,58mm/min, e simultaneamente, o papel para
emissão de resultados (realizada manualmente) gira a uma velocidade de 30 mm/min. Além
disso, o equipamento não possibilita o uso de extensômetro, portanto os resultados não serão
exatos, já que o equipamento apresenta folgas entre as estruturas das garras, fusos, bem como
no posicionamento inicial do corpo de prova (que é feito manualmente), por conseqüência não
é possível realizar o cálculo do módulo de elasticidade com exatidão.
Estimativa da deformação (ΔL) dos corpos de prova:

Portanto, enquanto o corpo de prova deforma 1,58mm, o papel registra 30 mm. Sendo
assim 30 mm no eixo x =1,58mm de alongamento do CP. Assim cada divisão do papel (10
mm) no eixo x representa 0,526 mm de alongamento da amostra. Com essa informação foi
possível a dedução dos valores de alongamento correspondentes a força aplicada em kg.
Utilizando as medidas dos corpos de prova realizadas antes e após ensaio e as
Equações (1), (2) e (3) abaixo, foi possível o cálculo da tensão e da deformação,
representados na Tabela 1 para o aço AISI 1020 e na Tabela 2 para o Fofo cinzento.

L L L
o i
A + =
(1)

No qual, L
i
representa o comprimento instantâneo estimado, Lo o comprimento útil
inicial do CP e ΔL o alongamento do CP.
o
A
F
= o
(2)
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7
Em que, ζ é a tensão, F é a força aplicada e A
o
, a área inicial da seção transversal do
corpo de prova.
100 ×
÷
=
o
o f
l
l l
c
(3)
No qual, l
o
determina o comprimento inicial do CP, l
f
o comprimento final do corpo de
prova e ε a deformação do material.

Tabela 1: Valores de tensão e deformação para Aço AISI 1020.

Aço AISI 1020
Força (F) Alongamento
(ΔL)
Tensão (σ) L
i
Deformação (ε)
(kg) (N) (mm) (MPa) (mm) (mm/mm) (%)
0 0,00 0,000 0,00 25,00 0,0000 0,00
100 980,67 0,263 46,18 25,26 0,0105 1,05
200 1961,33 0,421 92,35 25,42 0,0168 1,68
280 2745,86 0,526 129,30 25,53 0,0210 2,10
600 5883,99 0,999 277,06 26,00 0,0400 4,00
620 6080,12 1,026 286,30 26,03 0,0410 4,10
520 5099,46 1,105 240,12 26,10 0,0442 4,42
532 5217,14 1,184 245,66 26,18 0,0473 4,73
530 5197,52 1,315 244,74 26,32 0,0526 5,26
520 5099,46 1,368 240,12 26,37 0,0547 5,47
528 5177,91 1,447 243,81 26,45 0,0579 5,79
660 6472,39 2,106 304,77 27,11 0,0842 8,42
720 7060,79 2,632 332,47 27,63 0,1053 10,53
800 7845,32 4,740 369,41 29,74 0,1896 18,96
800 7845,32 5,266 369,41 30,27 0,2106 21,06
800 7845,32 6,320 369,41 31,32 0,2528 25,28
570 5589,79 8,060 263,21 33,06 0,3224 32,24





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Tabela 2: Valores de tensão e deformação para o Ferro fundido cinzento.

Ferro Fundido Cinzento
Força (F) Alongamento
(ΔL)
Tensão (σ) Li Deformação (ε)
(kg) (N) (mm) Mpa mm mm/mm %
0 0,00 0,000 0,00 0,00 0,0000 0,00
310 3040,06 0,526 137,80 25,33 0,0212 2,12
540 5295,59 0,894 259,23 25,69 0,0361 3,61

De acordo com os cálculos apresentados, os dois materiais ensaiados apresentam
desempenho mecânico muito distinto. Apesar do ferro fundido cinzento ser um material que
teoricamente deveria apresentar uma resistência mecânica superior a do Aço1020, devido ao
maior teor (%) de carbono, entre 2,5 e 4%p, em sua composição, caracterizado por uma
estrutura de grafita na forma de flocos (em 3D) ou veios (em 2D) envolvidos por uma matriz
de ferrita ou de perlita, isso não ocorreu. Isso pode ter ocorrido devido ao acabamento
visivelmente ruim, comparado ao do corpo de prova do Aço 1020, com riscos de usinagem, o
que pode gerar concentradores de tensões. Além disso, as extremidades dos flocos de grafita
de sua estrutura são afiladas e pontiagudas e provavelmente serviram como pontos de
concentrações de tensões, fazendo com que o corpo de prova fraturasse antes do esperado.
AÇO 1020

Figura 7: Gráfico tensão x deformação do aço 1020.

LIMITE DE ESCOAMENTO SUPERIOR: 286,3 MPa
LIMITE DE ESCOAMENTO INFERIOR: 240,12 MPa
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9
LIMITE DE RESISTÊNCIA A TRAÇÃO: 369,41 MPa
TENSÃO DE FRATURA: 263,21 MPa



Ferro fundido cinzento



Figura 8: Gráfico tensão x deformação do ferro fundido cinzento (ferro fundido cinzento).



LIMITE DE ESCOAMENTO = LIMITE DE RESISTÊNCIA A TRAÇÃO =
TENSÃO DE FRATURA = 259,23 MPa



Para cálculo do alongamento e estricção dos corpos de prova, foram utilizadas
as equações (4) e (5):

100 % ×
÷
=
o
o f
l
l l
o Alongament
(4)

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10
100 % ×
÷
=
o
f o
A
A A
Estricção
(5)


Os dados calculados estão apresentados na Tabela 3 abaixo:

Tabela 3: Resultados do alongamento e da estricção dos corpos de prova do Aço 1020 e do
Ferro fundido cinzento após o ensaio de tração.
Material A
o
(m
2
) A
f
(m
2
) L
o
(mm) L
f
(mm) %Alongamento %Estricção
AÇO 1020 2,12372E-05 7,06858E-06 25,00 33,06 32,24 66,72
FOFO 2,20618E-05 2,04282E-05 24,80 25,69 3,60 7,40

Os valores de A
o
(área inicial da seção transversal do CP) foram calculados a partir
das medidas dos diâmetros dos CPs realizadas antes do ensaio com o auxílio de um
paquímetro, onde d
o
= 5,2mm e 5,3mm para o Aço e o Fofo, respectivamente. A
f
é a área final
da seção do corpo de prova calculada a partir da medida do diâmetro final da seção (d
f
) após
ensaio de tração e medida próxima à fratura do CP (menor seção do CP, d
f aço
= 3,0mm e
d
f fofo
= 5,1mm).
Como já era esperado o AÇO 1020 apresenta uma deformação muito superior à do
Fofo cinzento devido a sua maior ductilidade (alongamento 32,24 % e estricção 66,72 %). A
deformação do Fofo cinzento é muito pequena, devido a sua estrutura frágil, provocada pela
presença de carbono na forma de grafita (alongamento 3,23 % e estricção 7,40 %).
A Figura 9 apresenta o corpo de prova do AÇO 1020 após o ensaio de tração (a) e a
superfície da fratura (b). Podemos observar a redução do diâmetro do corpo de prova
(estricção) característica de fratura dúctil.

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(a) (b)
Figura 9: Imagens do corpo de prova do aço 1020 no Microscópio Dino-Lite AM-313T (a)
após ensaio de tração, ampliação 20x . (b) superfície da fratura após o ensaio de tração,
ampliação 60x .

A Figura 10 apresenta o corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de
tração (a) e a superfície da fratura (b). Podemos observar que o corpo de prova do ferro
fundido cinzento não apresentou grande deformação após o ensaio de tração.


(a) (b)
Figura 10: (a) corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração. (b) superfície
da fratura do corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração.


Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


12
Na Figura 11 podemos comparar as superfícies de fratura do AÇO 1020 (a) e do ferro
fundido cinzento (b).


(a) (b)
Figura 11: Superfície de fratura dos materiais pós ensaio de tração, ampliação 200x.
(a) Aço1020 (b) Ferro fundido cinzento.


1.6 CONCLUSÕES

Através dos resultados obtidos no ensaio de tração do Aço AISI 1020 e do ferro
fundido cinzento foi possível evidenciar a diferença nas propriedades mecânicas dos materiais
em estudo. O Aço AISI 1020 apresentou comportamento dúctil, com limites de escoamento
superior e inferior nítidos, regime elástico e plástico bem definidos, enquanto que o Ferro
fundido cinzento apresentou características de um material frágil, com baixo alongamento e
somente regime elástico. O Aço AISI 1020 também apresentou um limite de resistência à
tração (LTR) relativamente maior do que o Ferro fundido cinzento (LRT
aço
= 369,41 MPa e
LRT
fofo
= 259,23 MPa).





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CAPÍTULO 2 – ENSAIO DE IMPACTO

2.1 INTRODUÇÃO

O comportamento dúctil-frágil dos materiais pode ser determinado por um ensaio de
Impacto. Neste ensaio a carga é aplicada em um corpo de prova na forma de esforço por
choque (dinâmicos), sendo o impacto obtido por meio da queda de um martelete ou pêndulo,
de uma altura determinada. Três fatores principais contribuem para o surgimento de fratura
frágil em materiais que são normalmente dúcteis à temperatura ambiente: Existência de um
estado triaxial de tensões; Baixas temperaturas; Taxa ou velocidade de deformação elevada.
O ensaio de impacto é caracterizado por submeter ao corpo de prova ensaiado uma
força brusca e repentina, que deve rompê-lo com o choque. Outro fator é a velocidade de
aplicação da força. O resultado da força associada com a velocidade se traduz por uma
medida de energia absorvida pelo corpo de prova, ou algumas vezes chamada de tenacidade
ao entalhe. A Figura 12 representa um equipamento utilizado para ensaio de impacto.



Figura 12: Representação do ensaio de impacto.

O pêndulo é elevado à uma certa posição onde adquire uma energia inicial. Ao cair ele
encontra no seu percurso o corpo de prova, que se rompe. A sua trajetória continua até certa
altura, que corresponde à posição final, onde o pêndulo apresenta uma energia final. A
diferença entre a energia inicial e final corresponde à energia absorvida pelo material. A
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


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máquina é dotada de uma escala, que indica a posição do pêndulo, calibrada de modo a
indicar a energia potencial.
Existem dois tipos de ensaios padronizados que são mais amplamente utilizados:
Charpy e Izod (Figura 13). A diferença entre esses ensaios é que no Charpy o golpe é
desferido na face oposta ao entalhe e no Izod é desferido no mesmo lado.


(a) (b)
Figura 13: Representação dos tipos de ensaio. (a) Charpy. (b) Izod.



2.2 OBJETIVO

Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos de ensaios
de impacto Charpy de espécimes entalhados de uma liga de aço 4140 em diferentes
temperaturas: 100
o
C (água fervente) e -196
o
C (nitrogênio líquido). Analisar a superfície das
fraturas geradas durante o carregamento por impacto e correlacionar com os resultados
obtidos no ensaio.


2.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS

O ensaio de impacto foi realizado em um aço 4140 microligado em diferentes
temperaturas: 100
o
C (água fervente) e -196
o
C (nitrogênio líquido).
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


15
Os ensaios de impacto da liga de aço 4140 em diferentes temperaturas foram realizados
em uma máquina de impacto, da marca Heckert – WPM, representada na Figura 14.


Figura 14: Máquina de ensaio de impacto, Heckert – WPM.

2.4 MÉTODOS

Os ensaios de impacto Charpy do aço 4140 em diferentes temperaturas (100
o
C – água
fervente e -196
o
C – nitrogênio líquido) foram realizados de acordo com a norma técnica
ASTM E-23. Foram utilizados no ensaio corpos de prova padrão tipo-a (10 x 10 x 55 mm
3
)
com entalhe central em v, profundidade de 2 mm e raio de curvatura de 0,25 mm. Os corpos
de prova foram ensaiados em um sistema Charpy, sob uma velocidade de impacto de 3,5 m/s,
utilizando-se um martelo pendular com escala de 50 joules.


Figura 15: Corpo de prova Charpy posicionado para o ensaio de impacto.



Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


16
2.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados do ensaio de impacto Charpy das amostras do aço 4140, em diferentes
temperaturas são apresentados na Tabela.

Tabela 4: Resultados da energia absorvida pelos corpos de prova em diferentes temperaturas.
Amostra Temperatura Energia Charpy (J)
Aço 4140 100
o
C 18,4
Aço 4140 -196
o
C 1,95

Os resultados do ensaio de impacto Charpy do Aço 4140 mostraram que o corpo de
prova do material à 100
o
C absorveu maior energia que o corpo de prova do mesmo material à
-196
o
C. Isso ocorreu devido a transição dúctil-frágil que o material sofre na variação da
temperatura.


(a) (b)
Figura 16: Imagens dos corpos de prova após ensaio Charpy no ponto de fratura (entalhe),
ampliação 60x (a) Aço 4140 temperatura de aproximadamente 100
o
C (b) Aço 4140
temperatura de aproximadamente -196
o
C.

Na Figura 16 é possível observar perfis de fratura para um mesmo aço microligante,
porém ensaiado à temperaturas distintas. À 100
o
C (Figura 16(a)), o corpo de prova
apresentou grande deformação na fratura e em pontos próximos, indicando uma fratura dúctil,
porém ainda está em um estágio de transição. Este estágio de transição pode ser observado
através da Figura 17(a) e 18 (a), onde as bordas indicam ductilidade devido a condição de
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


17
tensão plana, enquanto o centro apresenta clivagem, essas características sugerem uma alta
velocidade de propagação de deformação.


(a) (b)
Figura 17: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto. (a) temperatura
de 100
o
C. (b) temperatura -196
o
C.


(a) (b)
Figura 18: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto, em outra
posição. (a) temperatura de 100
o
C. (b) temperatura -196
o
C.


Na Figura 18 (a) é possível observar alguns pontos de oxidação na superfície da
fratura, devido a exposição ao ambiente e manipulação da amostra.
À – 196
o
C (Figura 16(b)), o material não apresenta deformação plástica aparente,
indicando uma alta velocidade de propagação de trinca. Sua superfície de fratura (Figuras
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


18
17(b) e 18(b)) apresentaram clivagem por completo, este fato sugere que o material é muito
frágil e pouco tenaz a temperatura de -196
o
C (resfriado em nitrogênio).
Uma análise fractográfica dos corpos de prova do aço 4140 em maiores ampliações,
permitiria um estudo mais completo do perfil de fratura com a indicação de „dimples‟ e
clivagem, com rios de clivagem e trincas secundárias que certamente seriam apresentados
pelos mesmos após o ensaio à 100
o
C.


2.6 CONCLUSÕES

Através dos resultados obtidos no ensaio de impacto do Aço 4140 em diferentes
temperaturas (100
o
C água fervente e –196
o
C nitrogênio líquido), da análise visual do corpo
de prova e da superfície da fratura, foi possível identificar as diferenças de comportamento no
material que pode ser fragilizado à baixas temperaturas ou apresentar comportamento dúctil
ou frágil-dúctil em temperaturas mais altas. Seria interessante um estudo mais aprofundado
submetendo à liga a diversas temperaturas para ensaio Charpy, para então poder definir a
faixa de temperatura que o material possui comportamento frágil-dúctil e certamente
poderíamos concluir que o CP à 100
o
C estaria nessa faixa de transição. O corpo de prova do
Aço 4140 à 100
o
C apresentou grande deformação na fratura, como também absorveu maior
energia que o corpo de prova do mesmo material à -196
o
C, características de um material
dúctil. Por outro lado, o corpo de prova do Aço 4140 à -196
o
C apresentou baixa deformação
na fratura e baixa absorção de energia comparado ao corpo de prova do mesmo material à 100
o
C, características de um material frágil. O fator da absorção de energia de cada corpo de
prova, também pode ser evidenciado observando-se o som produzido no momento do
impacto. Para o corpo de prova ensaiado à -196
o
C, o som emitido durante a fratura foi rápido
e mais baixo que o som emitido pelo CP ensaiado à 100
o
C (som mais alto e de maior
duração).






Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


19
CAPÍTULO 3 – ENSAIO DE DUREZA

3.1 INTRODUÇÃO

Dureza é uma medida da resistência de um material à deformação permanente
(plástica). A dureza de um material metálico é medida forçando um penetrador na superfície
da amostra. Usualmente a dureza é expressa pela relação entre a força de penetração e a área
de contato final entre o penetrador e o material ensaiado, o que resulta em dimensões de
pressão. A dureza por penetração é em função da geometria do penetrador e das condições de
aplicação de força.
Os métodos de ensaios de dureza mais utilizados são: Brinell, Vickers e Rockwell.
Estes métodos compreendem uma gama de tipos de penetradores, que variam em geometria,
tais como, esféricos, piramidais e cônicos. Esses penetradores podem ser de diferentes
materiais, como por exemplo, penetradores de aço temperado, carboneto de tungstênio ou de
diamante.
Na maioria dos ensaios de dureza normalizados, aplica-se lentamente uma
determinada carga ao penetrador, que o faz penetrar perpendicularmente à superfície do
material que se pretende ensaiar. Depois de efetuada a penetração, o penetrador é retirado da
superfície, calculando-se o número de dureza ou lendo o valor no equipamento. Podemos
observar um exemplo de ensaio de dureza tipo Rockwell na Figura 19.


Figura 19: Representação de um penetrador cônico de diamante, ensaio Rockwell.

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20

3.2 OBJETIVO

Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos nos ensaios
de dureza de uma liga de alumínio de grau aeronáutico 2024-t3 (ou 7475- t7351) em duas
condições: solubilizada e envelhecida. Comparar os resultados obtidos para a liga em
condições de tratamentos diferentes e explicar a diferença entre as durezas.


3.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS

O ensaio de dureza foi realizado em uma liga de alumínio de grau aeronáutico 2024-t3
ou 7475- T7351 em diferentes condições: solubilizada e envelhecida. Essa liga é caracterizada
por apresentar Cu (4%) na forma precipitada, fornecendo dureza à liga.
Os ensaios de dureza Rockwell B da liga de alumínio solubilizada e envelhecida foram
realizados em uma máquina de ensaios de dureza, da marca Leco RT-240 (Figura 20). A
grande vantagem dos equipamentos para ensaio de dureza Rockwell é a independência do
operador, o próprio equipamento aplica automaticamente a carga necessária.


Figura 20: Equipamento utilizado no ensaio de dureza Rockwell



Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


21


3.4 MÉTODOS

Os ensaios de dureza da liga de alumínio com diferentes condições de tratamento
foram realizados a temperatura ambiente, de acordo com a norma técnica ASTM E 92/03. O
ensaio consiste na impressão da amostra com um penetrador de esfera de aço, e na medição
precisa da marca deixada na superfície da amostra.
Foram utilizadas no ensaio amostras polidas do material analisado em diferentes
condições: solubilizada a 495
o
C durante uma hora, para formar uma solução monofásica e
com resfriamento rápido em água para mante-la solubilizada e envelhecida a 190
o
C durante
doze horas com resfriamento lento, promovendo a precipitação da fase CuAl
2
que confere
dureza ao material.



Figura 21: Corpo de prova durante o ensaio de dureza Rockwell B


3.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram realizadas três medidas para cada amostra da liga de alumínio. A Tabela 4
apresenta os resultados do ensaio de dureza Rockwell B da liga de alumínio 2024-t3 ou 7475-
T7351, com diferentes condições de tratamento.


Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


22


Tabela 5: Resultados do ensaio de dureza Rockwell da liga de alumínio com diferentes
tratamentos.
Solubilizada
(HRB)
Envelhecida
(HRB)
52,1 81,3
50,3 83,3
48,6 79,4
Média 50,3 81,3


De acordo com os resultados do ensaio de dureza Rockwell B apresentados na Tabela
4, para a liga de alumínio com diferentes tratamentos, podemos observar que a liga de
alumínio que passou pelo processo de envelhecimento apresentou dureza média de 81,3 HRB,
valor superior ao obtido para liga de alumínio solubilizada (50,3 HRB).
O tratamento de envelhecimento da liga de alumínio favorece a formação de
precipitados de CuAl
2
dispersos na liga, o que dificulta os movimentos das discordâncias,
tornando o material mais duro e consequentemente, aumentando a resistência mecânica da
liga. Os precipitados dificultam os movimentos de discordâncias, pois não existe uma
continuidade entre os planos cristalinos do precipitado e os planos da matriz, assim as
discordâncias terão que se curvar entre os precipitados.
A liga solubilizada possui campos de tensão gerados por átomos de soluto que
interagem com campos de tensão das discordâncias, promovendo o endurecimento da liga.
Porém, os resultados mostram que o envelhecimento por precipitação da liga de alumínio foi
muito mais eficiente e contribui melhor para o aumento da dureza da liga do que um
tratamento por solubilização. Na Figura 22, podemos observar um diagrama de fases para a
liga de alumínio com representação da microestrutura para a liga com 4%Cu solubilizada com
resfriamento rápido (2) e a liga envelhecida (fina dispersão de precipitados CuAl
2
no interior
dos grãos) (3).
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


23

Figura 22: Diagrama de Fases de liga Al-Cu, identificação da solubilização e envelhecimento
(ou precipitação) para uma liga de 4%Cu. Representação das microestruturas à direita, onde θ
é a fase precipitada (CuAl
2
) e α é a matriz.


3.6 CONCLUSÕES

Através dos resultados obtidos no ensaio de dureza Rockwell B para a liga de alumínio
2024-t3 ou 7475- T7351 solubilizada ou envelhecida foi possível determinar e diferenciar os
seus comportamentos mecânicos. Os resultados mostraram que o tratamento de
envelhecimento à 190
o
C durante 12 horas com resfriamento lento tornou a liga de alumínio
mais resistente (dura) e foi mais efetivo que o tratamento térmico de solubilização à 495
o
C
durante 1 hora, com resfriamento rápido. A presença de precipitados na liga de alumínio
envelhecida contribuiu para uma maior dureza do material além do que ligas tratadas por
solubilização apresentam tamanho de grão maior que as ligas envelhecidas, esse fator também
contribui para uma menor dureza das ligas solubilizadas.








Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


24
CAPÍTULO 4 – ENSAIO DE FLEXÃO

4.1 INTRODUÇÃO

O ensaio de flexão consiste na aplicação de uma carga crescente em determinados
pontos de uma barra geometricamente padronizada. A carga aplicada aumenta lentamente até
a ruptura do corpo de prova. É um ensaio muito utilizado para analisar materiais frágeis
como cerâmicas e vidros.
O ensaio de flexão mais usado é o de três pontos, onde é utilizada uma barra bi-
apoiada com aplicação de uma carga no centro da barra na superfície frontal e contrária a
superfície de contato da barra com os apoios, ou seja, existem três pontos de carga. O ensaio
de flexão em quatro pontos consiste em uma barra bi-apoiada com aplicação de carga em dois
pontos eqüidistante dos apoios.
Os principais resultados do ensaio de flexão são: módulo de ruptura na flexão, módulo
de elasticidade, módulo de resiliência e módulo de tenacidade. Os resultados fornecidos
podem variar com a temperatura, a velocidade de aplicação da carga, os defeitos superficiais e
principalmente com a geometria da seção transversal da amostra.
Se aplicarmos um esforço em uma barra bi-apoiada, ocorrerá flexão e a sua
intensidade dependerá do local em que essa carga está sendo aplicada. A flexão será máxima
se a força for aplicada no centro da barra, como na Figura 23.



Figura 23: Representação do ensaio de flexão em três pontos.




Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


25

4.2 OBJETIVO

Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos em ensaios
de flexão de lâminas de vidro em duas condições diferentes: virgem e atacada com HF (ácido
fluorídrico). A partir dos resultados obtidos, calcular a resistência em flexão e o módulo de
elasticidade em flexão do material em diferentes condições.


4.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS

O ensaio de flexão foi realizado em lâminas de vidro em duas condições diferentes:
virgem e atacada com ácido fluorídrico (HF) durante 5 minutos. Utilizou-se uma máquina
universal de ensaios mecânicos (EMIC).


4.4 MÉTODOS

Os ensaios de flexão das lâminas de vidro foram realizados a temperatura ambiente, de
acordo com a norma técnica ASTM C 158/95, em uma máquina universal de ensaios da
EMIC, sob uma taxa de carregamento de 0,5 mm/min. A distância entre os pontos de apoio no
equipamento foi de 40 mm. As lâminas de vidro sem ataque químico apresentavam as
seguintes dimensões: comprimento 76,5 mm, largura 25,5 mm e espessura 1,15 mm. As
lâminas atacadas com ácido fluorídrico possuíam as seguintes dimensões 76,5mm x 25,5mm
x 1,05mm. As lâminas foram atacadas somente em uma superfície, e a superfície atacada fora
posicionada para baixo no suporte de ensaio, pois esta superfície é a parte do CP que
teoricamente seria tracionada. A Figura 24 apresenta imagens realizadas durante o ensaio.


Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


26

(a) (b)
Figura 24: Imagens da amostra em equipamento preparado para ensaio de flexão (a) CP de
lâmina de vidro sem tratamento (b) CP de lâmina de vidro com tratamento químico.


4.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tabela 6 apresenta os resultados do ensaio de flexão das lâminas de vidro virgem e
após ataque com ácido fluorídrico durante 5 minutos.

Tabela 6: Resultados da força máxima e deslocamento na força máxima, obtidos no ensaio de
flexão para as lâminas de vidro.
Lâminas de
Vidro
Força
máxima (kgf)
Deslocamento
na força
máxima (mm)
Virgem 7,63 0,60
Atacado (HF) 1 4,39 0,47
Atacado (HF) 2 3,64 0,44

Podemos observar nos resultados da Tabela 6 que as lâminas de vidro atacadas com
ácido fluorídrico apresentaram força máxima (kgf) e deslocamento na força máxima (mm)
inferiores ao das lâminas de vidro virgem.
O gráfico de força x deformação gerado no ensaio de flexão das lâminas de vidro é
apresentado na Figura 25.

Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


27

Figura 25: Gráfico força x deformação das lâminas de vidro virgem e atacadas com HF.

Cálculo da Resistência em Flexão e do Módulo de Flexão:
Os cálculos da resistência em flexão e módulo de flexão foram realizados de acordo
com as expressões abaixo.

3Fmáx.S/2.W.H
2
(6)

S
3
Felast/4W.H
3
. o (7)

Onde, Fmáx. é a força ou carga máxima atingida no ensaio, S é a distância entre os
dois pontos de apoio do corpo de prova no dispositivo de ensaio, W é a largura do corpo de
prova (no plano definido pelos pinos de apoio), H é a sua altura (na direção de carregamento),
Felast. é a carga limite de elasticidade (se existente), e o é a deflexão do corpo de prova,
mensurada na linha de aplicação da carga compressiva.
Os resultados dos cálculos de resistência em flexão e módulo de flexão das lâminas de
vidro são apresentados na Tabela 7.



Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


28
Tabela 7: Resultados dos cálculos de resistência em flexão e módulo de flexão do vidro em
diferentes condições.
Corpos de
prova
Fmax
(N)
S (m) W (m) H (m) δ (m) RF (MPa) MF
(GPa)
Virgem 74,82 0,04 0,0255 0,00115 0,0006 133,13 51,45
Atacado
(HF) 1
43,05 0,04 0,0255 0,00105 0,00044 91,88 53,03
Atacado
(HF) 2
35,70 0,04 0,0255 0,00105 0,00039 76,18 49,61


Os vidros são compostos principalmente por silicatos que são óxidos de silício (SiO e
SiO2). Os óxidos de silício, também chamados de sílicas, são propensos a reagir com o ácido
fluorídrico formando o tetrafluoreto de silício (SiF4) que é mais estável que a sílica. A reação
responsável pela corrosão do HF em vidros está representada abaixo:

4HF + SiO
2
SiF
4
+ 2H
2
O (8)

Os vidros comerciais possuem uma infinidade de microtrincas superficiais e internas
causadas por processamento e pelo próprio manuseio do material. As propriedades mecânicas
dos vidros são muito influenciadas pela qualidade da superfície. O tratamento superficial do
vidro com HF é muito utilizado para tornar visível as microtrincas antes indetectáveis. O
ataque com ácido altera o perfil das microtrincas, deixando-as mais evidentes, aumentando a
profundidade e comprimento das mesmas, esse fator diminui a resistência do vidro.
Observando o interior das trincas, algumas vezes a dissolução do ácido pode ser mais
avançada nos pontos que mais concentram tensões na trinca, por exemplo, nos ângulos retos,
dessa forma a corrosão causa a formação de raios que funcionam como alívio de tensões e
conseqüentemente, aumenta a resistência mecânica do material.
A maneira como o HF age na superfície da amostra depende muito do tempo de
ataque, podendo aumentar ou diminuir a resistência do material. A Figura 26 representa um
esquema de evolução seqüencial dos defeitos na superfície do vidro em função do período de
ataque do HF.


Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


29

Figura 26: Evolução do ataque químico com ácido fluorídrico na superfície do vidro

Conforme a figura acima, as trincas são inicialmente evidenciadas com um ataque
em pouco tempo (aproximadamente entre 1 e 5 minutos) e a profundidade das „crateras‟
diminuem com o aumento da duração do tratamento, enquanto seus diâmetros aparentes
aumentam ligeiramente. Portanto, o nivelamento da superfície do vidro tratada melhora,
enquanto a espessura da amostra e a rugosidade superficial diminuem.
A menor resistência em flexão, obtida nas lâminas de vidro atacadas com ácido
fluorídrico, evidencia que a corrosão na superfície do vidro promoveu uma maior propagação
das trincas, gerando concentradores de tensão. Assim, o ataque gerou um aumento na
profundidade das trincas e também poderia ter contribuído para a interligação de microtrincas
superficiais com microtrincas internas, fragilizando ainda mais o vidro.
O maior módulo de flexão obtido para uma das lâminas atacadas ( atacado HF 1) em
comparação com os outros CPs, foi maior devido à sua maior deflexão (δ) no ensaio.


4.6 CONCLUSÕES

Os resultados obtidos no ensaio de flexão das lâminas de vidro em condições
diferentes: virgens e atacadas por ácido fluorídrico durante 5 minutos, mostraram que o
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


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ataque químico fragilizou o material. Os vidros comerciais possuem microtrincas que agem
como concentradores de tensões, é um material muito frágil que não tem mecanismos de
dissipação de energia, provavelmente o ataque com ácido fluorídrico tenha aumentado ainda
mais a profundidade dessas trincas fazendo com que o material resistisse menos à flexão. As
lâminas de vidro atacadas com a solução ácida apresentaram força máxima e resistência à
flexão inferiores às lâminas de vidro virgens.




5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CALLISTER, W.D. Fundamentos da Ciência e Engenharia de Materiais: Uma abordagem
Integrada, 2° edição, Rio de Janeiro, 2006.
DABBS, T. P.; LAWN, B. R. Acid-Enhanced Crack Initiation in Glass. Journal of the
American Ceramic Society, 65: C-37–C-38, 1982.
DELFORGE D.Y.M., 1994, "Instrumentação de um pêndulo para ensaio de impacto Charpy".
Campinas. 96p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) - Faculdade de Engenharia
Mecânica, Universidade de Campinas.
GORNI, A.A. Estudo das Relações entre Microestrutura e Propriedades Mecânicas em Aços
Estruturais. Corte e Conformação de Metais, 3:35, Março 2008, 100-10.
KOLLI, M., HAMIDOUCHE, M., BOUAOUADJA, N., FANTOZZI, G., HF etching effect
on sandblasted soda-lime glass properties, Journal of the European Ceramic Society, 29,
2703, 2009.
LAWRENCE, H; VAN VLACK, L. H. Princípios de Ciência e Tecnologia dos Materiais. 4
a

edição. Editora Campus. Rio de Janeiro. 1994.
PINTAÚDE, G. Análise dos regimes moderado e severo de desgaste abrasivo utilizando
ensaios instrumentados de dureza. Tese (Doutorado em Engenharia) - Escola Politécnica,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
Ensaios Mecânicos: Tração, Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros


31
SOUZA, S. A. Ensaios Mecânicos de Materiais Metálicos – Fundamentos Técnicos e
Práticos, 5
o
Ed., São Paulo, 1998.
YOSHIDA, H.; NAGUMO, M. “Microstructure Controlling the Ductile Crack Growth
Resistance of Low Carbon Steels”, Metallurgical and Materials Transactions A, v. 29A, pp.
279-287, 1998.






SUMÁRIO CAPÍTULO 1 – Ensaio de Tração ................................................................................. 1 1.1 Introdução .................................................................................................................. 1 1.2 Objetivos..................................................................................................................... 2 1.3 Materiais e Equipamentos ........................................................................................... 3 1.4 Métodos ...................................................................................................................... 3 1.5 Resultados e Discussão ............................................................................................... 4 1.6 Conclusões................................................................................................................ 12 CAPÍTULO 2 – Ensaio de Impacto ............................................................................. 13 2.1 Introdução ................................................................................................................ 13 2.2 Objetivos................................................................................................................... 14 2.3 Materiais e Equipamentos ......................................................................................... 15 2.4 Métodos .................................................................................................................... 15 2.5 Resultados e Discussão ............................................................................................. 16 2.6 Conclusões................................................................................................................ 18 CAPÍTULO 3 – Ensaio de Dureza ............................................................................... 19 3.1 Introdução ................................................................................................................ 19 3.2 Objetivos................................................................................................................... 20 3.3 Materiais e Equipamentos ......................................................................................... 20 3.4 Métodos .................................................................................................................... 21 3.5 Resultados e Discussão ............................................................................................. 21 3.6 Conclusões................................................................................................................ 22 CAPÍTULO 4 – Ensaio de Flexão ................................................................................ 24 4.1 Introdução ................................................................................................................ 24 4.2 Objetivos................................................................................................................... 25 4.3 Materiais e Equipamentos ......................................................................................... 25 4.4 Métodos .................................................................................................................... 26 4.5 Resultados e Discussão ............................................................................................. 26 4.6 Conclusões................................................................................................................ 28 5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ..................................................................... 29

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Vistas frontais de Corpos de prova utilizados em ensaio de tração com representação da seção transversal. ...............................................................................................................1 Figura 2: Gráfico tensão x deformação convencional e real para material dúctil (aço). ............2 Figura 3: Máquina de tração da Monsanto Tensometer. (a) Máquina durante ensaio. (b) Medição e construção do gráfico. ...........................................................................................3 Figura 4: Corpo de prova do aço 1020 sob ensaio de tração. Formação de estricção ou empescoçamento na amostra próximo da garra. ......................................................................4 Figura 5: Gráfico Força x Alongamento do aço 1020 gerado no equipamento Monsanto.........5 Figura 6: Gráfico Força x Alongamento do Fofo gerado no equipamento Monsanto. ..............5 Figura 7: Gráfico tensão x deformação do aço 1020. ...............................................................8 Figura 8: Gráfico tensão x deformação do ferro fundido cinzento (ferro fundido cinzento). ....9 Figura 9: Imagens do corpo de prova do aço 1020 no Microscópio Dino-Lite AM-313T (a) após ensaio de tração, ampliação 20x . (b) superfície da fratura após o ensaio de tração, ampliação 60x . .................................................................................................................... 11 Figura 10: (a) corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração. (b) superfície da fratura do corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração. ...................... 11 Figura 11: Superfície de fratura dos materiais pós ensaio de tração, ampliação 200x. ............ 12 Figura 12: Representação do ensaio de impacto. ................................................................... 13 Figura 13: Representação dos tipos de ensaio. (a) Charpy. (b) Izod. ......................................14 Figura 14: Máquina de ensaio de impacto, Heckert – WPM. ................................................. 15 Figura 15: Corpo de prova Charpy posicionado para o ensaio de impacto. ............................ 15 Figura 16: Imagens dos corpos de prova após ensaio Charpy no ponto de fratura (entalhe), ampliação 60x (a) Aço 4140 temperatura de aproximadamente 100 oC (b) Aço 4140 temperatura de aproximadamente -196oC..............................................................................16 Figura 17: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto. (a) temperatura de 100 oC. (b) temperatura -196 oC. ...................................................................................... 17 Figura 18: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto, em outra posição. (a) temperatura de 100 oC. (b) temperatura -196 oC. ................................................ 17 Figura 19: Representação de um penetrador cônico de diamante, ensaio Rockwell. .............. 19 Figura 20: Equipamento utilizado no ensaio de dureza Rockwell ..........................................20 Figura 21: Corpo de prova durante o ensaio de dureza Rockwell B ....................................... 21

...........Figura 22: Diagrama de Fases de liga Al-Cu..................................... .. ... .. Representação das microestruturas à direita...23 Figura 23: Representação do ensaio de flexão em três pontos..................29 .. ........................ onde θ é a fase precipitada (CuAl2) e α é a matriz.... identificação da solubilização e envelhecimento (ou precipitação) para uma liga de 4%Cu. 26 Figura 25: Gráfico força x deformação das lâminas de vidro virgem e atacadas com HF.......... 24 Figura 24: Imagens da amostra em equipamento preparado para ensaio de flexão (a) CP de lâmina de vidro sem tratamento (b) CP de lâmina de vidro com tratamento químico.......27 Figura 26: Evolução do ataque químico com ácido fluorídrico na superfície do vidro ..................................

............7 Tabela 2: Valores de tensão e deformação para o Ferro fundido cinzento....... 10 Tabela 4: Resultados da energia absorvida pelos corpos de prova em diferentes temperaturas................................................................................................ 22 Tabela 6: Resultados da força máxima e deslocamento na força máxima.......8 Tabela 3: Resultados do alongamento e da estricção dos corpos de prova do Aço 1020 e do Ferro fundido cinzento após o ensaio de tração................... 26 Tabela 7: Resultados dos cálculos de resistência em flexão e módulo de flexão do vidro em diferentes condições............................................................................... .......... ............................................................................................................ ...................... ........................................................... ...................................................... ................................. obtidos no ensaio de flexão para as lâminas de vidro..............LISTA DE TABELAS Tabela 1: Valores de tensão e deformação para Aço AISI 1020.... ..... 28 .........................................................16 Tabela 5: Resultados do ensaio de dureza Rockwell da liga de alumínio com diferentes tratamentos..............................

1 INTRODUÇÃO O ensaio mecânico de tração consiste na aplicação de carga de tração uniaxial crescente em um corpo de prova específico até a ruptura do mesmo. As dimensões dos corpos de prova são adequadas a capacidade da máquina de ensaio. pode-se afirmar que praticamente as deformações promovidas no material são uniformemente distribuídas em todo o seu corpo. fora dessa região. Com esse tipo de ensaio. o que raramente acontece. O ensaio de tração é considerado o teste mecânico que melhor apresenta a relação entre informações obtidas e custo/complexidade de ensaio. Os corpos de prova podem ser de seção circular ou de seção retangular. promova a ruptura do mesmo. Trata-se de um ensaio amplamente utilizado na indústria de componentes mecânicos. como é possível fazer com que a carga cresça numa velocidade razoavelmente lenta durante todo o teste. A ruptura sempre se dá na região mais estreita do material. o ensaio de tração permite medir satisfatoriamente a resistência do material. a menos que um defeito interno no material. no caso de matérias que apresentem ductilidade. A uniformidade termina no momento em que é atingida a carga máxima suportada pelo material. devido às vantagens de fornecer dados quantitativos das características mecânicas dos materiais. Figura 1: Vistas frontais de Corpos de prova utilizados em ensaio de tração com representação da seção transversal. . Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 1 CAPITULO 1 – ENSAIO DE TRAÇÃO 1. pelo menos até ser atingida uma carga máxima próxima do final do ensaio e. O ensaio de tração é realizado em corpos de prova com características determinadas de acordo com normas técnicas. como mostra a Figura 1. dependendo do tamanho e do formato do material em que foram retirados. quando começa a aparecer o fenômeno da estricção ou da diminuição da secção do corpo de prova.Ensaios Mecânicos: Tração.

Figura 2: Gráfico tensão x deformação convencional e real para material dúctil (aço). O resultado de um ensaio de tração deste tipo é registrado em um gráfico ou por um computador. A máquina de ensaio de tração é projetada para alongar o corpo de prova a uma taxa constante. a amostra testada é deformada de maneira permanente. Um ensaio de tração-deformação leva vários minutos para se executado e é destrutivo. . além de medir contínua e simultaneamente a carga instantânea aplicada.Ensaios Mecânicos: Tração. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 2 A precisão de um ensaio de tração depende. isto é. A partir dos resultados obtidos determinar os limites de escoamento e de resistência à tração das ligas metálicas. 1. na forma de carga ou força em função do alongamento. da precisão dos aparelhos de medida que se dispõe. sendo geralmente fraturada. como representado na Figura 2. evidentemente.2 OBJETIVOS Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos de ensaios de tração monotonica quase-estatica axial das seguintes ligas metálicas estruturais de baixo custo: aço carbono 1020 e ferro fundido cinzento. seus respectivos alongamentos e a estricção na fratura.

. (b) Medição e construção do gráfico.4 MÉTODOS Os ensaios de resistência à tração do ferro fundido cinzento e do aço 1020 foram realizados de acordo com as normas da ASTM E 8M/00. representada na Figura 3. Os ensaios de tração do aço carbono 1020 e do ferro fundido cinzento foram realizados em uma máquina de tração monotonica quase-estatica axial da Monsanto Tensometer. sendo estes apenas estimados.58 mm/min. (a) (b) Figura 3: Máquina de tração Monsanto Tensometer. não obtendo assim. dados precisos da deformação instantânea. Foram utilizados no ensaio de tração corpos de prova cilíndricos padronizados. (a) Máquina durante ensaio. com velocidade do travessão de 1. 1. Os materiais foram ensaiados em temperatura ambiente. Os corpos de prova foram medidos com o auxílio de um paquímetro para obtenção dos dados de entrada para o cálculo do alongamento e da estricção na fratura. Não foi utilizado extensômetro no experimento.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS O ensaio de tração foi realizado em duas ligas metálicas estruturais de baixo custo: aço carbono 1020 e ferro fundido cinzento. Os ensaios foram conduzidos até a fratura completa dos corpos de prova.Ensaios Mecânicos: Tração. em um sistema eletro-mecânico horizontal da Monsanto. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 3 1.

A baixa qualidade do acabamento do corpo de prova pode gerar concentradores de tensão. com identificação dos valores de força no eixo y. 1.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Através da análise visual dos corpos de prova. A Figura 5 apresenta o gráfico força x alongamento obtido no equipamento Monsanto do ensaio de tração do aço 1020. foi possível constatar que o corpo de prova do ferro fundido cinzento apresentava um acabamento ruim comparado ao corpo de prova do aço1020. o que pode interferir no resultado do ensaio. por esse motivo é necessário um maior cuidado na preparação e usinagem do mesmo. isso devido ao processo de usinagem do material que não fora eficiente e muitas vezes o acabamento é dificultado pelo tipo de estrutura (presença de grafita) do material a ser usinado. que foram calculados através de dado fornecido em aula prática (200mm correspondiam à 2000kg de força no eixo y). Cada divisão do eixo y corresponde à 1mm (20kg). .Ensaios Mecânicos: Tração. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 4 Figura 4: Corpo de prova do aço 1020 sob ensaio de tração. Formação de estricção ou empescoçamento na amostra próximo da garra.

com limites de escoamento superior e inferior nítidos. Para melhor análise do perfil mecânico das amostra é necessário a plotagem de um gráfico Tensão x Deformação. regime elástico e plástico bem definidos.Ensaios Mecânicos: Tração. . O Aço AISI 1020 apresenta comportamento dúctil. Figura 6: Gráfico Força x Alongamento do Fofo gerado no equipamento Monsanto. apresentando baixo alongamento e somente regime elástico. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 5 Figura 5: Gráfico Força x Alongamento do aço 1020 gerado no equipamento Monsanto. Nos gráficos acima é evidente a diferença no comportamento mecânico dos materiais. enquanto que o ferro fundido cinzento é um material frágil.

por conseqüência não é possível realizar o cálculo do módulo de elasticidade com exatidão. e simultaneamente.  F Ao (2) . bem como no posicionamento inicial do corpo de prova (que é feito manualmente). o papel registra 30 mm. Além disso. Lo o comprimento útil inicial do CP e ΔL o alongamento do CP. foi possível o cálculo da tensão e da deformação. Assim cada divisão do papel (10 mm) no eixo x representa 0. portanto os resultados não serão exatos. fusos.58mm/min.Ensaios Mecânicos: Tração. Com essa informação foi possível a dedução dos valores de alongamento correspondentes a força aplicada em kg. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 6 Para plotar a curva Tensão x Deformação nominal (ou de engenharia) dos materiais. Sendo assim 30 mm no eixo x =1. Li representa o comprimento instantâneo estimado.58mm de alongamento do CP. foi realizado um cálculo utilizando os dados de velocidade do ensaio para estimar a deformação dos corpos de prova. (2) e (3) abaixo. o equipamento não possibilita o uso de extensômetro. o papel para emissão de resultados (realizada manualmente) gira a uma velocidade de 30 mm/min. O sistema é flexível e o equipamento trabalha com uma velocidade de distanciamento entre as garras de 1. Li  Lo  L (1) No qual. já que o equipamento apresenta folgas entre as estruturas das garras. Utilizando as medidas dos corpos de prova realizadas antes e após ensaio e as Equações (1). representados na Tabela 1 para o aço AISI 1020 e na Tabela 2 para o Fofo cinzento. enquanto o corpo de prova deforma 1. Estimativa da deformação (ΔL) dos corpos de prova: Portanto.526 mm de alongamento da amostra.58mm.

06 1.106 304.47 5.37 26.32 33.21 Li (mm) 25.05 1.53 26.42 25.00 1.74 30.67 1961.81 2.74 1.10 4. lf o comprimento final do corpo de prova e ε a deformação do material.12 5099.0547 0.33 2745.24 .0000 0.42 10.000 0.39 7060.263 46.53 18.30 0.315 244.00 4.0105 0. Força (F) (kg) 0 100 200 280 600 620 520 532 530 520 528 660 720 800 800 800 570 (N) 0.00 25.00 980.447 243.06 25.32 5589.79 Aço AISI 1020 Alongamento Tensão (σ) (ΔL) (mm) (MPa) 0.526 129.11 27.0442 0.91 6472.060 263.06 Deformação (ε) (mm/mm) 0.42 4.73 5.46 5177.0842 0.32 7845.99 6080.105 240.46 5217.30 1.00 0.320 369.68 2.1896 0.10 4.0526 0.0210 0.0168 0.26 5.77 2.26 25.41 6. ζ é a tensão.41 8.79 8.421 92.2106 0.740 369.35 0.79 7845.66 1.03 26.266 369. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 7 Em que.12 1.0400 0.999 277.0579 0.52 5099.00 26.63 29. Tabela 1: Valores de tensão e deformação para Aço AISI 1020.1053 0.86 5883.28 32.Ensaios Mecânicos: Tração. F é a força aplicada e Ao .41 5.026 286.368 240.10 26.184 245.2528 0.0410 0.632 332.0473 0.32 26.27 31.3224 (%) 0.32 7845.18 0. a área inicial da seção transversal do corpo de prova.96 21.18 26.12 1.  l f  lo lo 100 (3) No qual.14 5197. lo determina o comprimento inicial do CP.47 4.45 27.

devido ao maior teor (%) de carbono. LIMITE DE ESCOAMENTO SUPERIOR: 286.526 137.59 Ferro Fundido Cinzento Alongamento Tensão (σ) Li (ΔL) (mm) Mpa mm 0.69 Deformação (ε) mm/mm 0.61 De acordo com os cálculos apresentados.00 2.0000 0. isso não ocorreu. Isso pode ter ocorrido devido ao acabamento visivelmente ruim.23 25.00 0.06 5295. caracterizado por uma estrutura de grafita na forma de flocos (em 3D) ou veios (em 2D) envolvidos por uma matriz de ferrita ou de perlita.80 25. as extremidades dos flocos de grafita de sua estrutura são afiladas e pontiagudas e provavelmente serviram como pontos de concentrações de tensões. Força (F) (kg) 0 310 540 (N) 0. em sua composição.Ensaios Mecânicos: Tração.00 3040. o que pode gerar concentradores de tensões.12 3.894 259.0212 0. Além disso. comparado ao do corpo de prova do Aço 1020. AÇO 1020 Figura 7: Gráfico tensão x deformação do aço 1020.5 e 4%p. com riscos de usinagem.12 MPa . Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 8 Tabela 2: Valores de tensão e deformação para o Ferro fundido cinzento. entre 2.33 0.3 MPa LIMITE DE ESCOAMENTO INFERIOR: 240. fazendo com que o corpo de prova fraturasse antes do esperado.0361 % 0.00 0. os dois materiais ensaiados apresentam desempenho mecânico muito distinto.000 0. Apesar do ferro fundido cinzento ser um material que teoricamente deveria apresentar uma resistência mecânica superior a do Aço1020.

41 MPa TENSÃO DE FRATURA: 263.21 MPa Ferro fundido cinzento Figura 8: Gráfico tensão x deformação do ferro fundido cinzento (ferro fundido cinzento). Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 9 LIMITE DE RESISTÊNCIA A TRAÇÃO: 369. foram utilizadas as equações (4) e (5): % Alongamento  l f  lo lo 100 (4) .Ensaios Mecânicos: Tração. LIMITE DE ESCOAMENTO = LIMITE DE RESISTÊNCIA A TRAÇÃO = TENSÃO DE FRATURA = 259.23 MPa Para cálculo do alongamento e estricção dos corpos de prova.

devido a sua estrutura frágil.40 Os valores de Ao (área inicial da seção transversal do CP) foram calculados a partir das medidas dos diâmetros dos CPs realizadas antes do ensaio com o auxílio de um paquímetro.23 % e estricção 7. A deformação do Fofo cinzento é muito pequena.40 %).0mm e df fofo= 5. provocada pela presença de carbono na forma de grafita (alongamento 3.1mm).69 %Alongamento 32.2mm e 5.60 %Estricção 66.06858E-06 2.20618E-05 Af(m2) 7. Como já era esperado o AÇO 1020 apresenta uma deformação muito superior à do Fofo cinzento devido a sua maior ductilidade (alongamento 32.12372E-05 2. Material AÇO 1020 FOFO Ao(m2) 2.00 24. Podemos observar a redução do diâmetro do corpo de prova (estricção) característica de fratura dúctil.3mm para o Aço e o Fofo.72 %).80 Lf(mm) 33. respectivamente.06 25. onde do = 5. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 10 % Estricção  Ao  A f Ao 100 (5) Os dados calculados estão apresentados na Tabela 3 abaixo: Tabela 3: Resultados do alongamento e da estricção dos corpos de prova do Aço 1020 e do Ferro fundido cinzento após o ensaio de tração.Ensaios Mecânicos: Tração. df aço= 3. .24 % e estricção 66.72 7.04282E-05 Lo(mm) 25.24 3. A f é a área final da seção do corpo de prova calculada a partir da medida do diâmetro final da seção (d f) após ensaio de tração e medida próxima à fratura do CP (menor seção do CP. A Figura 9 apresenta o corpo de prova do AÇO 1020 após o ensaio de tração (a) e a superfície da fratura (b).

. A Figura 10 apresenta o corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração (a) e a superfície da fratura (b). (a) (b) Figura 10: (a) corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 11 (a) (b) Figura 9: Imagens do corpo de prova do aço 1020 no Microscópio Dino-Lite AM-313T (a) após ensaio de tração. (b) superfície da fratura do corpo de prova do ferro fundido cinzento após ensaio de tração. ampliação 20x . ampliação 60x . Podemos observar que o corpo de prova do ferro fundido cinzento não apresentou grande deformação após o ensaio de tração. (b) superfície da fratura após o ensaio de tração.Ensaios Mecânicos: Tração.

com baixo alongamento e somente regime elástico.Ensaios Mecânicos: Tração. O Aço AISI 1020 também apresentou um limite de resistência à tração (LTR) relativamente maior do que o Ferro fundido cinzento (LRTaço = 369. regime elástico e plástico bem definidos. . (a) (b) Figura 11: Superfície de fratura dos materiais pós ensaio de tração. O Aço AISI 1020 apresentou comportamento dúctil.23 MPa). 1. (a) Aço1020 (b) Ferro fundido cinzento. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 12 Na Figura 11 podemos comparar as superfícies de fratura do AÇO 1020 (a) e do ferro fundido cinzento (b). ampliação 200x.41 MPa e LRTfofo = 259. enquanto que o Ferro fundido cinzento apresentou características de um material frágil. com limites de escoamento superior e inferior nítidos.6 CONCLUSÕES Através dos resultados obtidos no ensaio de tração do Aço AISI 1020 e do ferro fundido cinzento foi possível evidenciar a diferença nas propriedades mecânicas dos materiais em estudo.

1 INTRODUÇÃO O comportamento dúctil-frágil dos materiais pode ser determinado por um ensaio de Impacto. que deve rompê-lo com o choque. Baixas temperaturas. de uma altura determinada. A . onde o pêndulo apresenta uma energia final. A diferença entre a energia inicial e final corresponde à energia absorvida pelo material. A Figura 12 representa um equipamento utilizado para ensaio de impacto. que corresponde à posição final. O resultado da força associada com a velocidade se traduz por uma medida de energia absorvida pelo corpo de prova. Três fatores principais contribuem para o surgimento de fratura frágil em materiais que são normalmente dúcteis à temperatura ambiente: Existência de um estado triaxial de tensões. Figura 12: Representação do ensaio de impacto. Taxa ou velocidade de deformação elevada. Ao cair ele encontra no seu percurso o corpo de prova. Neste ensaio a carga é aplicada em um corpo de prova na forma de esforço por choque (dinâmicos). sendo o impacto obtido por meio da queda de um martelete ou pêndulo. O ensaio de impacto é caracterizado por submeter ao corpo de prova ensaiado uma força brusca e repentina. Outro fator é a velocidade de aplicação da força. A sua trajetória continua até certa altura. que se rompe. ou algumas vezes chamada de tenacidade ao entalhe. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 13 CAPÍTULO 2 – ENSAIO DE IMPACTO 2.Ensaios Mecânicos: Tração. O pêndulo é elevado à uma certa posição onde adquire uma energia inicial.

(b) Izod. 2. Analisar a superfície das fraturas geradas durante o carregamento por impacto e correlacionar com os resultados obtidos no ensaio. 2. que indica a posição do pêndulo. calibrada de modo a indicar a energia potencial.2 OBJETIVO Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos de ensaios de impacto Charpy de espécimes entalhados de uma liga de aço 4140 em diferentes temperaturas: 100 oC (água fervente) e -196 oC (nitrogênio líquido). (a) (b) Figura 13: Representação dos tipos de ensaio. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 14 máquina é dotada de uma escala. A diferença entre esses ensaios é que no Charpy o golpe é desferido na face oposta ao entalhe e no Izod é desferido no mesmo lado. (a) Charpy.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS O ensaio de impacto foi realizado em um aço 4140 microligado em diferentes temperaturas: 100 oC (água fervente) e -196 oC (nitrogênio líquido). Existem dois tipos de ensaios padronizados que são mais amplamente utilizados: Charpy e Izod (Figura 13). .Ensaios Mecânicos: Tração.

2. Foram utilizados no ensaio corpos de prova padrão tipo-a (10 x 10 x 55 mm3) com entalhe central em v. Heckert – WPM. da marca Heckert – WPM. . profundidade de 2 mm e raio de curvatura de 0.5 m/s.4 MÉTODOS Os ensaios de impacto Charpy do aço 4140 em diferentes temperaturas (100 oC – água fervente e -196 oC – nitrogênio líquido) foram realizados de acordo com a norma técnica ASTM E-23. Figura 14: Máquina de ensaio de impacto.25 mm. sob uma velocidade de impacto de 3. utilizando-se um martelo pendular com escala de 50 joules. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 15 Os ensaios de impacto da liga de aço 4140 em diferentes temperaturas foram realizados em uma máquina de impacto.Ensaios Mecânicos: Tração. representada na Figura 14. Os corpos de prova foram ensaiados em um sistema Charpy. Figura 15: Corpo de prova Charpy posicionado para o ensaio de impacto.

Isso ocorreu devido a transição dúctil-frágil que o material sofre na variação da temperatura.4 1. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 16 2.95 Os resultados do ensaio de impacto Charpy do Aço 4140 mostraram que o corpo de prova do material à 100 oC absorveu maior energia que o corpo de prova do mesmo material à -196 oC. Este estágio de transição pode ser observado através da Figura 17(a) e 18 (a). Na Figura 16 é possível observar perfis de fratura para um mesmo aço microligante. o corpo de prova apresentou grande deformação na fratura e em pontos próximos. onde as bordas indicam ductilidade devido a condição de . indicando uma fratura dúctil. em diferentes temperaturas são apresentados na Tabela.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados do ensaio de impacto Charpy das amostras do aço 4140. ampliação 60x (a) Aço 4140 temperatura de aproximadamente 100oC (b) Aço 4140 temperatura de aproximadamente -196oC. porém ainda está em um estágio de transição. (a) (b) Figura 16: Imagens dos corpos de prova após ensaio Charpy no ponto de fratura (entalhe).Ensaios Mecânicos: Tração. porém ensaiado à temperaturas distintas. À 100oC (Figura 16(a)). Amostra Aço 4140 Aço 4140 Temperatura 100 oC -196 oC Energia Charpy (J) 18. Tabela 4: Resultados da energia absorvida pelos corpos de prova em diferentes temperaturas.

enquanto o centro apresenta clivagem. (b) temperatura -196 oC. devido a exposição ao ambiente e manipulação da amostra. indicando uma alta velocidade de propagação de trinca. em outra posição. o material não apresenta deformação plástica aparente. (b) temperatura -196 oC. Sua superfície de fratura (Figuras . essas características sugerem uma alta velocidade de propagação de deformação. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 17 tensão plana.Ensaios Mecânicos: Tração. (a) temperatura de 100 oC. Na Figura 18 (a) é possível observar alguns pontos de oxidação na superfície da fratura. (a) (b) Figura 17: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto. (a) temperatura de 100 oC. À – 196 oC (Figura 16(b)). (a) (b) Figura 18: Superfície da fratura dos corpos de prova após ensaio de impacto.

6 CONCLUSÕES Através dos resultados obtidos no ensaio de impacto do Aço 4140 em diferentes temperaturas (100 oC água fervente e –196 oC nitrogênio líquido). permitiria um estudo mais completo do perfil de fratura com a indicação de „dimples‟ e clivagem. como também absorveu maior energia que o corpo de prova do mesmo material à -196 oC. Por outro lado. Uma análise fractográfica dos corpos de prova do aço 4140 em maiores ampliações. O fator da absorção de energia de cada corpo de prova. também pode ser evidenciado observando-se o som produzido no momento do impacto.Ensaios Mecânicos: Tração. Seria interessante um estudo mais aprofundado submetendo à liga a diversas temperaturas para ensaio Charpy. este fato sugere que o material é muito frágil e pouco tenaz a temperatura de -196oC (resfriado em nitrogênio). Para o corpo de prova ensaiado à -196oC. . 2. O corpo de prova do Aço 4140 à 100 oC apresentou grande deformação na fratura. foi possível identificar as diferenças de comportamento no material que pode ser fragilizado à baixas temperaturas ou apresentar comportamento dúctil ou frágil-dúctil em temperaturas mais altas. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 18 17(b) e 18(b)) apresentaram clivagem por completo. características de um material dúctil. com rios de clivagem e trincas secundárias que certamente seriam apresentados pelos mesmos após o ensaio à 100oC. o corpo de prova do Aço 4140 à -196 oC apresentou baixa deformação na fratura e baixa absorção de energia comparado ao corpo de prova do mesmo material à 100 o C. da análise visual do corpo de prova e da superfície da fratura. características de um material frágil. o som emitido durante a fratura foi rápido e mais baixo que o som emitido pelo CP ensaiado à 100 oC (som mais alto e de maior duração). para então poder definir a faixa de temperatura que o material possui comportamento frágil-dúctil e certamente poderíamos concluir que o CP à 100 oC estaria nessa faixa de transição.

Depois de efetuada a penetração. A dureza de um material metálico é medida forçando um penetrador na superfície da amostra. Os métodos de ensaios de dureza mais utilizados são: Brinell. como por exemplo. que variam em geometria. Na maioria dos ensaios de dureza normalizados. Figura 19: Representação de um penetrador cônico de diamante. tais como. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 19 CAPÍTULO 3 – ENSAIO DE DUREZA 3. que o faz penetrar perpendicularmente à superfície do material que se pretende ensaiar. penetradores de aço temperado. Podemos observar um exemplo de ensaio de dureza tipo Rockwell na Figura 19. calculando-se o número de dureza ou lendo o valor no equipamento. Esses penetradores podem ser de diferentes materiais. Estes métodos compreendem uma gama de tipos de penetradores. ensaio Rockwell. carboneto de tungstênio ou de diamante. piramidais e cônicos. . Vickers e Rockwell.1 INTRODUÇÃO Dureza é uma medida da resistência de um material à deformação permanente (plástica).Ensaios Mecânicos: Tração. o que resulta em dimensões de pressão. Usualmente a dureza é expressa pela relação entre a força de penetração e a área de contato final entre o penetrador e o material ensaiado. aplica-se lentamente uma determinada carga ao penetrador. o penetrador é retirado da superfície. A dureza por penetração é em função da geometria do penetrador e das condições de aplicação de força. esféricos.

3. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 20 3. da marca Leco RT-240 (Figura 20). A grande vantagem dos equipamentos para ensaio de dureza Rockwell é a independência do operador.2 OBJETIVO Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos nos ensaios de dureza de uma liga de alumínio de grau aeronáutico 2024-t3 (ou 7475. Essa liga é caracterizada por apresentar Cu (4%) na forma precipitada. fornecendo dureza à liga.Ensaios Mecânicos: Tração. Os ensaios de dureza Rockwell B da liga de alumínio solubilizada e envelhecida foram realizados em uma máquina de ensaios de dureza. o próprio equipamento aplica automaticamente a carga necessária.t7351) em duas condições: solubilizada e envelhecida. Figura 20: Equipamento utilizado no ensaio de dureza Rockwell .T7351 em diferentes condições: solubilizada e envelhecida. Comparar os resultados obtidos para a liga em condições de tratamentos diferentes e explicar a diferença entre as durezas.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS O ensaio de dureza foi realizado em uma liga de alumínio de grau aeronáutico 2024-t3 ou 7475.

Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 21 3. para formar uma solução monofásica e com resfriamento rápido em água para mante-la solubilizada e envelhecida a 190 oC durante doze horas com resfriamento lento.Ensaios Mecânicos: Tração. com diferentes condições de tratamento. Foram utilizadas no ensaio amostras polidas do material analisado em diferentes condições: solubilizada a 495 oC durante uma hora. e na medição precisa da marca deixada na superfície da amostra. Figura 21: Corpo de prova durante o ensaio de dureza Rockwell B 3. A Tabela 4 apresenta os resultados do ensaio de dureza Rockwell B da liga de alumínio 2024-t3 ou 7475T7351. O ensaio consiste na impressão da amostra com um penetrador de esfera de aço.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram realizadas três medidas para cada amostra da liga de alumínio. . de acordo com a norma técnica ASTM E 92/03.4 MÉTODOS Os ensaios de dureza da liga de alumínio com diferentes condições de tratamento foram realizados a temperatura ambiente. promovendo a precipitação da fase CuAl2 que confere dureza ao material.

O tratamento de envelhecimento da liga de alumínio favorece a formação de precipitados de CuAl2 dispersos na liga. aumentando a resistência mecânica da liga.6 Média 50. A liga solubilizada possui campos de tensão gerados por átomos de soluto que interagem com campos de tensão das discordâncias. os resultados mostram que o envelhecimento por precipitação da liga de alumínio foi muito mais eficiente e contribui melhor para o aumento da dureza da liga do que um tratamento por solubilização.3 50.Ensaios Mecânicos: Tração. o que dificulta os movimentos das discordâncias.3 De acordo com os resultados do ensaio de dureza Rockwell B apresentados na Tabela 4. pois não existe uma continuidade entre os planos cristalinos do precipitado e os planos da matriz. Porém.3 48. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 22 Tabela 5: Resultados do ensaio de dureza Rockwell da liga de alumínio com diferentes tratamentos. Na Figura 22. tornando o material mais duro e consequentemente. Os precipitados dificultam os movimentos de discordâncias. .3 HRB.1 81. valor superior ao obtido para liga de alumínio solubilizada (50. podemos observar que a liga de alumínio que passou pelo processo de envelhecimento apresentou dureza média de 81. Solubilizada Envelhecida (HRB) (HRB) 52. podemos observar um diagrama de fases para a liga de alumínio com representação da microestrutura para a liga com 4%Cu solubilizada com resfriamento rápido (2) e a liga envelhecida (fina dispersão de precipitados CuAl2 no interior dos grãos) (3). para a liga de alumínio com diferentes tratamentos. promovendo o endurecimento da liga. assim as discordâncias terão que se curvar entre os precipitados.3 79.4 81.3 83.3 HRB).

com resfriamento rápido. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 23 Figura 22: Diagrama de Fases de liga Al-Cu. esse fator também contribui para uma menor dureza das ligas solubilizadas. A presença de precipitados na liga de alumínio envelhecida contribuiu para uma maior dureza do material além do que ligas tratadas por solubilização apresentam tamanho de grão maior que as ligas envelhecidas.Ensaios Mecânicos: Tração.T7351 solubilizada ou envelhecida foi possível determinar e diferenciar os seus comportamentos mecânicos.6 CONCLUSÕES Através dos resultados obtidos no ensaio de dureza Rockwell B para a liga de alumínio 2024-t3 ou 7475. . 3. identificação da solubilização e envelhecimento (ou precipitação) para uma liga de 4%Cu. Representação das microestruturas à direita. onde θ é a fase precipitada (CuAl2) e α é a matriz. Os resultados mostraram que o tratamento de envelhecimento à 190 oC durante 12 horas com resfriamento lento tornou a liga de alumínio mais resistente (dura) e foi mais efetivo que o tratamento térmico de solubilização à 495 oC durante 1 hora.

ou seja. módulo de elasticidade. onde é utilizada uma barra biapoiada com aplicação de uma carga no centro da barra na superfície frontal e contrária a superfície de contato da barra com os apoios. ocorrerá flexão e a sua intensidade dependerá do local em que essa carga está sendo aplicada.Ensaios Mecânicos: Tração. É um ensaio muito utilizado para analisar materiais frágeis como cerâmicas e vidros. Se aplicarmos um esforço em uma barra bi-apoiada. .1 INTRODUÇÃO O ensaio de flexão consiste na aplicação de uma carga crescente em determinados pontos de uma barra geometricamente padronizada. os defeitos superficiais e principalmente com a geometria da seção transversal da amostra. como na Figura 23. Os resultados fornecidos podem variar com a temperatura. A carga aplicada aumenta lentamente até a ruptura do corpo de prova. a velocidade de aplicação da carga. existem três pontos de carga. módulo de resiliência e módulo de tenacidade. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 24 CAPÍTULO 4 – ENSAIO DE FLEXÃO 4. O ensaio de flexão em quatro pontos consiste em uma barra bi-apoiada com aplicação de carga em dois pontos eqüidistante dos apoios. Figura 23: Representação do ensaio de flexão em três pontos. Os principais resultados do ensaio de flexão são: módulo de ruptura na flexão. A flexão será máxima se a força for aplicada no centro da barra. O ensaio de flexão mais usado é o de três pontos.

5 mm/min.5 mm e espessura 1. A Figura 24 apresenta imagens realizadas durante o ensaio.5 mm.5mm x 1. As lâminas atacadas com ácido fluorídrico possuíam as seguintes dimensões 76.15 mm. As lâminas foram atacadas somente em uma superfície.Ensaios Mecânicos: Tração. . largura 25.4 MÉTODOS Os ensaios de flexão das lâminas de vidro foram realizados a temperatura ambiente. em uma máquina universal de ensaios da EMIC. A partir dos resultados obtidos. calcular a resistência em flexão e o módulo de elasticidade em flexão do material em diferentes condições.5mm x 25. e a superfície atacada fora posicionada para baixo no suporte de ensaio. 4. pois esta superfície é a parte do CP que teoricamente seria tracionada.2 OBJETIVO Compreender a realização experimental e a análise dos resultados obtidos em ensaios de flexão de lâminas de vidro em duas condições diferentes: virgem e atacada com HF (ácido fluorídrico). Utilizou-se uma máquina universal de ensaios mecânicos (EMIC). 4.05mm. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 25 4. de acordo com a norma técnica ASTM C 158/95. As lâminas de vidro sem ataque químico apresentavam as seguintes dimensões: comprimento 76. A distância entre os pontos de apoio no equipamento foi de 40 mm.3 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS O ensaio de flexão foi realizado em lâminas de vidro em duas condições diferentes: virgem e atacada com ácido fluorídrico (HF) durante 5 minutos. sob uma taxa de carregamento de 0.

63 4. . Lâminas de Vidro Virgem Atacado (HF) 1 Atacado (HF) 2 Força máxima (kgf) 7.47 0. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 26 (a) (b) Figura 24: Imagens da amostra em equipamento preparado para ensaio de flexão (a) CP de lâmina de vidro sem tratamento (b) CP de lâmina de vidro com tratamento químico.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO A Tabela 6 apresenta os resultados do ensaio de flexão das lâminas de vidro virgem e após ataque com ácido fluorídrico durante 5 minutos. obtidos no ensaio de flexão para as lâminas de vidro. 4.64 Deslocamento na força máxima (mm) 0.Ensaios Mecânicos: Tração. Tabela 6: Resultados da força máxima e deslocamento na força máxima. O gráfico de força x deformação gerado no ensaio de flexão das lâminas de vidro é apresentado na Figura 25.44 Podemos observar nos resultados da Tabela 6 que as lâminas de vidro atacadas com ácido fluorídrico apresentaram força máxima (kgf) e deslocamento na força máxima (mm) inferiores ao das lâminas de vidro virgem.60 0.39 3.

. (6) (7) Onde. Felast. e  é a deflexão do corpo de prova.S/2. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 27 Figura 25: Gráfico força x deformação das lâminas de vidro virgem e atacadas com HF.W. é a carga limite de elasticidade (se existente). mensurada na linha de aplicação da carga compressiva.Ensaios Mecânicos: Tração. W é a largura do corpo de prova (no plano definido pelos pinos de apoio). Fmáx. é a força ou carga máxima atingida no ensaio. Cálculo da Resistência em Flexão e do Módulo de Flexão: Os cálculos da resistência em flexão e módulo de flexão foram realizados de acordo com as expressões abaixo.H2 S3Felast/4W. S é a distância entre os dois pontos de apoio do corpo de prova no dispositivo de ensaio. Os resultados dos cálculos de resistência em flexão e módulo de flexão das lâminas de vidro são apresentados na Tabela 7. 3Fmáx.H3. H é a sua altura (na direção de carregamento).

Ensaios Mecânicos: Tração.04 0.0006 0.00105 0.00039 133.0255 0.13 91. por exemplo. O ataque com ácido altera o perfil das microtrincas. A Figura 26 representa um esquema de evolução seqüencial dos defeitos na superfície do vidro em função do período de ataque do HF. podendo aumentar ou diminuir a resistência do material. Corpos de prova Virgem Atacado (HF) 1 Atacado (HF) 2 Fmax (N) 74.03 49.00044 0. também chamados de sílicas. aumenta a resistência mecânica do material. Observando o interior das trincas. O tratamento superficial do vidro com HF é muito utilizado para tornar visível as microtrincas antes indetectáveis.05 35.61 0.04 0. A reação responsável pela corrosão do HF em vidros está representada abaixo: 4HF + SiO2 SiF4 + 2H2O (8) Os vidros comerciais possuem uma infinidade de microtrincas superficiais e internas causadas por processamento e pelo próprio manuseio do material. esse fator diminui a resistência do vidro. são propensos a reagir com o ácido fluorídrico formando o tetrafluoreto de silício (SiF4) que é mais estável que a sílica.45 53. nos ângulos retos.0255 0.00115 0. . deixando-as mais evidentes. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 28 Tabela 7: Resultados dos cálculos de resistência em flexão e módulo de flexão do vidro em diferentes condições.70 S (m) W (m) H (m) δ (m) RF (MPa) MF (GPa) 51.82 43.88 76. A maneira como o HF age na superfície da amostra depende muito do tempo de ataque. dessa forma a corrosão causa a formação de raios que funcionam como alívio de tensões e conseqüentemente.0255 0. algumas vezes a dissolução do ácido pode ser mais avançada nos pontos que mais concentram tensões na trinca. Os óxidos de silício. aumentando a profundidade e comprimento das mesmas.04 0.18 Os vidros são compostos principalmente por silicatos que são óxidos de silício (SiO e SiO2).00105 0. As propriedades mecânicas dos vidros são muito influenciadas pela qualidade da superfície.

Portanto. o ataque gerou um aumento na profundidade das trincas e também poderia ter contribuído para a interligação de microtrincas superficiais com microtrincas internas. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 29 Figura 26: Evolução do ataque químico com ácido fluorídrico na superfície do vidro Conforme a figura acima. enquanto seus diâmetros aparentes aumentam ligeiramente. evidencia que a corrosão na superfície do vidro promoveu uma maior propagação das trincas.6 CONCLUSÕES Os resultados obtidos no ensaio de flexão das lâminas de vidro em condições diferentes: virgens e atacadas por ácido fluorídrico durante 5 minutos. gerando concentradores de tensão. obtida nas lâminas de vidro atacadas com ácido fluorídrico. as trincas são inicialmente evidenciadas com um ataque em pouco tempo (aproximadamente entre 1 e 5 minutos) e a profundidade das „crateras‟ diminuem com o aumento da duração do tratamento. fragilizando ainda mais o vidro. 4. A menor resistência em flexão.Ensaios Mecânicos: Tração. enquanto a espessura da amostra e a rugosidade superficial diminuem. o nivelamento da superfície do vidro tratada melhora. mostraram que o . O maior módulo de flexão obtido para uma das lâminas atacadas ( atacado HF 1) em comparação com os outros CPs. foi maior devido à sua maior deflexão (δ) no ensaio. Assim.

2006. BOUAOUADJA. DABBS.. Março 2008. HAMIDOUCHE. 4a edição. LAWRENCE... 2002. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CALLISTER. G. Acid-Enhanced Crack Initiation in Glass. G. P. DELFORGE D. . Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) . provavelmente o ataque com ácido fluorídrico tenha aumentado ainda mais a profundidade dessas trincas fazendo com que o material resistisse menos à flexão. Universidade de São Paulo.. As lâminas de vidro atacadas com a solução ácida apresentaram força máxima e resistência à flexão inferiores às lâminas de vidro virgens. 29. HF etching effect on sandblasted soda-lime glass properties. H. 1982. B. 2009.Y. Fundamentos da Ciência e Engenharia de Materiais: Uma abordagem Integrada. GORNI.. Princípios de Ciência e Tecnologia dos Materiais. R. N.Faculdade de Engenharia Mecânica. M. 5. W. Rio de Janeiro.Escola Politécnica. "Instrumentação de um pêndulo para ensaio de impacto Charpy". Campinas. H. 1994. M. 3:35..A. 96p. Journal of the European Ceramic Society. Análise dos regimes moderado e severo de desgaste abrasivo utilizando ensaios instrumentados de dureza. T. Journal of the American Ceramic Society. L. VAN VLACK. 65: C-37–C-38. Estudo das Relações entre Microestrutura e Propriedades Mecânicas em Aços Estruturais. 1994. FANTOZZI. 2° edição. São Paulo. Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Engenharia) . KOLLI.M. PINTAÚDE. Corte e Conformação de Metais.D. Editora Campus. 100-10. LAWN. Os vidros comerciais possuem microtrincas que agem como concentradores de tensões.Ensaios Mecânicos: Tração. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 30 ataque químico fragilizou o material. 2703. Universidade de Campinas. é um material muito frágil que não tem mecanismos de dissipação de energia. A.

279-287. Metallurgical and Materials Transactions A.. M. A. 5oEd. Ensaios Mecânicos de Materiais Metálicos – Fundamentos Técnicos e Práticos. YOSHIDA. São Paulo. pp. 29A. NAGUMO. 1998.. H.Ensaios Mecânicos: Tração. Impacto e Dureza de Metais e Flexão de Vidros 31 SOUZA. “Microstructure Controlling the Ductile Crack Growth Resistance of Low Carbon Steels”. . v. S. 1998.