APOCALIPSE – αποκάλυψη (“desvendar, descobrir, revelar”, de APO-, “sobre”, mais
KALYPTEIN, “cobrir, esconder”
Introdução
Escrito por João, filho de Zebedeu e Salomé. Junto com seu irmão Tiago (o maior,
também discípulo), trabalhava na pesca com seu pai.
João e Tiago são chamados curiosamente de “filhos do trovão” pelo comportamento
explosivo, mas andar com Jesus o torna João, o discípulo do amor.
Acredita-se que João permaneceu em Jerusalém até o início da Guerra Judaica, antes de
69 dC (Tito (79-81 dC) invade Jerusalém em 70 dC, destrói o templo e sobra somente um
muro, o Muro das Lamentações. Nesse episódio, estima-se a morte de 1 milhão de
judeus). Nesse tempo ele se mudou para a região da Ásia Menor. Foi em Éfeso que ele
teria escrito o evangelho e as cartas.
Durante o reinado de Domiciano (81-96 dC), João foi banido para a Ilha de Patmos e lá
recebeu as revelações que registrara no livro do Apocalipse depois da ascensão
do imperador Marco Nerva (96-98 dC), quando retornou a Éfeso.
A tradição diz que João morreu depois de 98 dC, no governo de Trajano (98-117 dC), ou
seja, em idade avançada, mas ativo no ministério (afirma-se que por sua senilidade, ele
era carregado aos cultos) como bispo de Éfeso. Curiosamente, seu irmão Tiago foi o
primeiro apóstolo a sofrer martírio (Atos 12.2), enquanto que João foi o último.
Capítulo 1
Discorremos sobre a visão de Cristo glorificado enquanto João estava em Patmos:
- vestes talares (sacerdotal);
- cinto de ouro (símbolo de poder);
- cabelos brancos (santidade e pureza);
- olhos como fogo (ira divina);
- bronze refinado (iminência do juízo);
- voz de muitas águas (autoridade e soberania);
- mão direita (posição de honra);
- o numero 7 (indica TOTALIDADE);
- 7 estrelas (os anjos das igrejas, líderes);
- 7 castiçais (as 7 igrejas da Ásia Menor);
- 7 espíritos (plenitude total do Espírito Santo, Is 11.1-3);
- 7 igrejas (representam tipos de igreja em suas modalidades – a que abandona o
primeiro amor, a que sofre perseguição, a cheia de obras, etc.
Mas também representam tipos de igreja por período da história:
- ÉFESO (desejado) – a igreja cujo primeiro estava começando a se esfriar, o fim da idade
apostólica;
- ESMIRNA (amargura) – a perseguição mundial até 313 dC, com o Édito de Milão de
Constantino;
- PÉRGAMO (casado) – início do Romanismo, associação da religião e governo,
indicando domínio sacerdotal (nicolaítas), entre 320 e 500 dC;
- TIATIRA (sacrifício contínuo) – o Romanismo já estabelecido, é a igreja da idade média,
entre 500 e 1500 dC;
- SARDES (remanescentes) – a igreja reformada, melhor que Tiatira, mas ainda longe de
ser perfeita, entre 1500 e 1600 dC;
- FILADÉLFIA (amor fraterno) – o maior período da história da igreja, entre 1600 e 1900
dC. Grandes avivamentos, mas o inimigo semeia seu joio e acontecem mutações (quando
Filadélfia torna-se Laodicéia), são os paraprotestantes;
- LAODICÉIA (o povo manda) – a igreja dos últimos dias, a igreja que se envaidece, é o
período final da apostasia.
- todo olho o verá (segunda vinda, diferente do arrebatamento nas nuvens, 1 Ts 4.17).
Capítulos 2 e 3
ÉFESO era a principal cidade da província da Ásia, inclusive como principal porto e sede
local do governo romano. Ali estava o templo da deusa Diana para os romanos e Ártemis
para os gregos (At 19.35). Curiosamente, era o local conhecido no mundo da época como
o centro de práticas ocultistas e mágicas (At 19.19).
Deixaram de viver a intensidade do “primeiro amor”, deixando as primeiras obras e
vivendo as obras dos nicolaítas” que, supõe-se ser um dos 7 primeiros diáconos, o
Nicolau, que inclusive era um estrangeiro convertido à Cristo (At 6.5), e entende-se que
este diácono encorajava os crentes a participar das atividades pagãs da cidade, uma vez
que o mesmo havia sido escolhido como diácono pelos apóstolos, possuía certo prestígio
ao ponto de se autoproclamar apóstolo com mais alguns.
ESMIRNA é outra cidade próspera, também portuária (inclusive até o dia de hoje), atual
Ismir, Turquia. A história conta que os judeus dali se juntaram aos pagãos para pedir a
morte do bispo da igreja, Policarpo que morreu na fogueira. Quando menciona em Ap 2.8
“... estas coisas diz o primeiro e o último que esteve morto e tornou a viver ...”, faz-nos
compreender que a igreja sofria perseguição e estava sendo animada, porque o Senhor
venceu a morte. Os convertidos não gozavam de boa situação econômica como judeus e
pagãos que se infiltraram no seio da igreja pregando as práticas judaicas.
No verso 10 é mencionado que não temessem o que sofreriam, pois teriam 10 dias de
tribulação. O entendimento é que o que lhes ocorreriam teria começo, mas teria momento
para acabar e pode se tratar de 10 anos de intensa perseguição de Diocleciano para os
cristãos de Esmirna ou 10 períodos de perseguição de imperadores entre Nero e
Constantino.
PÉRGAMO era centro de adoração pagã, já que em 29 aC dedicaram um templo de culto
à Augusto e a Roma provando sempre ao longo dos anos sua devoção ao imperador. Isso
faz dali, um lugar difícil para uma igreja cristã. Sendo o único profeta gentio e apesar de
ter-se negado a amaldiçoar Israel, Balaão aconselhou o rei moabita em como corromper o
povo, infiltrando mulheres moabitas no meio do povo, fazendo-os adorar Baal-Peor (Nm
25.1-3 e 31.16). Assim, a doutrina de Balaão consistia em misturar o espiritual com
material, amplificada pela paganização da doutrina dos nicolaítas, ou seja, o pecado desta
igreja era a tolerância e liberalismo.
Ao que vencer, receberá uma pedrinha branca que significa absolvição no caso de um
júri, a condenação era dada por uma pedra escura. Diz-se também que pedra branca era
uma espécie de “bilhete” para entrada em festas públicas. A pedra branca é o símbolo de
admissão à festa no céu.
TIATIRA não era um centro político, nem religioso ou com muitos judeus, mas era um
importante centro comercial, principalmente no comércio de roupas de cor púrpura. Para
promover seus negócios, os comerciantes dedicavam seu comércio a algum deus pagão,
o que tornava difícil para algum cristão se empregar na cidade sem se associar
diretamente com o paganismo. Menciona-se que promoviam até mesmo grandes almoços
dedicados na cidade para que seus deuses lhes ajudassem. Conforme o verso 20, aqui
mora a queixa a esta igreja, pois toleravam essas práticas mesmo sendo crentes e
sabendo dessa dedicação profana do comércio local, indicando participarem das
refeições e ao culto pagão, como fez Jezabel que levou o povo de Israel a pecar.
Nessa igreja há 3 tipos de “crentes”:
- os que adulteram com Jezabel – os que aceitaram seus ensinos;
- os filhos dos adúlteros com – são os que se entregaram sem reservas aos ensinos dela;
- os que não tem essa doutrina – são os que não participaram deste ensino.
SARDES prestava culto à deusa Cibele, produzia lã e tinturaria para tecido. Diz-se que a
população vivia com certo “luxo”, por isso menciona no verso 1, “nome de que vives e
estás morto.” No verso seguinte, “... consolida o resto...”, ou seja, ainda havia um
remanescente, uma esperança. Ainda no mesmo verso, fala das obras que não eram
íntegras era uma igreja nominal sem profundidade com obras sem inspiração do Espírito
Santo, dissoluto.
Aos fiéis, de MODO NENHUM será apagado o nome do livro da vida.
FILADÉLFIA prestava culto à Dionísio (Baco) e a carta indica que assim como em
Esmirna, aqui os judeus também plantavam suas ideias. A igreja não possui críticas pois
permanece fiel e será guardada da “hora da provação”, que é a grande tribulação.
Para isso, precisa guardar a coroa e conservá-la, indicando que a igreja venceu em
Cristo, por isso é mais que vencedor e já TEMOS dentro de nós o penhor que é o Espírito
Santo (uma porção do sobrenatural do céu). Uma tradução correspondente para este
trecho é “cuidado para que ninguém obtenha a coroa que deveria ser dada a ti”.
LAODICÉIA nome dado por Antíoco II em homenagem a sua esposa, Laodice,
anteriormente era chamada de Theópolis, cidade de Zeus. Localizada no entroncamento
de três estradas importantes da rota comercial, possuía um centro bancário, uma
faculdade de medicina conhecida pela descoberta e produção de do pó frígio do qual se
produzia uma pomada para os ouvidos e colírio para os olhos. Além disso, produzia-se lã
negra, o que era raro para a época. Ficava longe de afluentes de água, por isso,
canalizou de Hierápolis, porém, quando chegava na cidade, a mesma apresentava-se
morna. É baseado nesses pontos que se baseiam as críticas e conselhos para esta igreja,
pois eram tão ricos, que diziam não precisar de nada, e o culto sincero e real a Cristo não
fazia sentido, pois Jesus estava à porta batendo para entrar. A cidade era tão rica que no
terremoto que devastou o lugar em 60 dC, reconstruíram com recursos próprios, negando
ajuda financeira do tesouro imperial.
Jesus diz que por serem mornos, vomitaria da boca, pois com intensa sede, não dá para
tomar água morna.
Tinham a lã natural mais cara, mas estavam pelados.
Tinham o colírio que ninguém possuía, mas estavam cegos.
Tinham suas riquezas nos bancos da cidade, mas não tinham riquezas nos céus.
São miseráveis, pois não tem noção de que não têm nada sem Cristo, por isso são
infelizes.
O ouro refinado de Jesus é o incorruptível.
As vestes são brancas, pois o cordeiro imaculado se entregou ao invés da ovelha negra.
O óleo do Senhor é que nos dá visão espiritual.
O Senhor só repreende quem ama e para aquele que vencer participará com Cristo do
juízo das nações pré-milênio.