Recomendações ROLRJ
Recomendações ROLRJ
PARA A ESTRATÉGIA
ESTADUAL DE
ENFRENTAMENTO
AO LIXO NO MAR
NO RIO DE JANEIRO
RECOMENDAÇÕES
PARA A ESTRATÉGIA
ESTADUAL DE
ENFRENTAMENTO
AO LIXO NO MAR
NO RIO DE JANEIRO
ORGANIZAÇÃO
APOIO
RIO DE JANEIRO
2024
Este trabalho foi elaborado com recursos do
RECOMENDAÇÕES Termo de Ajustamento de Conduta celebrado
entre o Ministério Público Federal e a Petrobras,
PARA A ESTRATÉGIA com a interveniência do FUNBIO, no âmbito do
Inquérito Civil nº 1.30.001.000486/2019-08.
ESTADUAL DE Consulte a versão online deste documento em:
ENFRENTAMENTO redeoceanolimpo.org/rio-de-janeiro
MOVIMENTO
REDE OCEANO LIMPO
Em 2019, o Brasil lançou o Plano Nacional de uma aproximação entre ciência e gestão e
Combate ao Lixo no Mar, coordenado pelo foi a partir desse plano que surgiu a Rede
então Ministério do Meio Ambiente (MMA), Oceano Limpo.
ressaltando a necessidade de medidas de
vigilância e avaliação da poluição marinha A Rede Oceano Limpo é um movimento li-
originada por resíduos sólidos. derado pela Cátedra Unesco para a Susten-
tabilidade do Oceano, sediada no IOUSP e
A execução desse plano é essencial para Instituto de Estudos Avançados da USP, que
atingir o Objetivo de Desenvolvimento congrega diferentes parceiros na busca de
Sustentável (ODS) 14.1, cujo objetivo é, até um oceano limpo. A Rede contribui com o
2025, prevenir e reduzir substancialmente enfrentamento da poluição por lixo no mar
a poluição marinha de todos os tipos, prin- de forma estruturante e sistêmica a partir
cipalmente aquela advinda de atividades do fortalecimento de arranjos institucionais
em terra, incluindo detritos marinhos e po- junto a diferentes setores da sociedade.
luição de nutrientes. Além disso, um dos al-
vos da Década da Ciência Oceânica para o Atualmente, esse esforço envolve diálogos
Desenvolvimento Sustentável (a Década do e ações nos estados do Amapá, Ceará, Rio
Oceano) é alcançar um oceano limpo. Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro, São
Paulo e Paraná, em diferentes estágios de
Essa situação inspirou a criação do Plano implementação. Além disso, a Rede já ofe-
Estratégico de Monitoramento e Avaliação rece capacitação para gestores públicos de
do Lixo no Mar do Estado de São Paulo (PE- diversos outros estados brasileiros, alcan-
MALM-SP), publicado em janeiro de 2021, çando todos os estados costeiros e alguns
uma iniciativa pioneira internacionalmente do interior. Este alcance nacional se deve
visando compreender e combater a ques- em parte à parceria exitosa com a Asso-
tão do lixo no mar no Brasil. Esta política ciação Brasileira de Entidades Estaduais de
pública resultou do convênio firmado entre Meio Ambiente (ABEMA) e com o Ministé-
o Instituto Oceanográfico da Universidade rio do Meio Ambiente e Mudança do Clima
de São Paulo (IOUSP) e a então Secretaria (MMA). Destacamos também a atuação da
de Infraestrutura e Meio Ambiente do Es- Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do
tado de São Paulo (SIMA), com o patrocínio Oceano, por meio da Rede Oceano Limpo,
da Embaixada da Noruega e gerenciamento no desenvolvimento da Estratégia Nacional
do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade Oceano sem Plástico (ENOP), junto ao MMA.
(FUNBIO). O PEMALM-SP buscou promover
06
Com essa abordagem colaborativa, a Rede
Oceano Limpo procura estabelecer uma
base de conhecimento sólida, baseada em
indicadores, arranjos institucionais, levan-
tamentos de dados e atores-chave, para
desenvolver estratégias eficazes para en-
frentar o lixo no mar, visando sua interna-
lização como política pública ao longo da
costa brasileira.
07
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
LISTA DE SIGLAS
APA Área de Proteção Ambiental
APAMA Área de Proteção Ambiental de Maricá
FUNBIO Fundo Brasileiro para a Biodiversidade
GT Lixo no Mar Grupo de Trabalho de Lixo no Mar
ICMBio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
INEA Instituto Estadual do Ambiente
IPELM Índice de Potencial de Enfrentamento do Lixo no Mar
MMA Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
MPF Ministério Público Federal
NOAA National Oceanic and Atmospheric Administration
OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
ONU Organização das Nações Unidas
OSPAR Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste
PE Parque Estadual
PEMALM-SP Plano Estratégico de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar do Estado
de São Paulo
PERHI/RJ Plano Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Rio de Janeiro
PERS/RJ Plano Estadual de Resíduos Sólidos do Estado do Rio de Janeiro
PESET Parque Estadual da Serra da Tiririca
Prosegh Programa Estadual de Segurança Hídrica
ProUCs Programa de Apoio às Unidades de Conservação Municipais do Estado do
Rio de Janeiro
PSA Pagamento por Serviços Ambientais
PSAM Programa de Saneamento Ambiental
RH Regiões Hidrográficas do estado do Rio de Janeiro
SEAS Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade
TAC ALSUB Termo de Ajustamento de Conduta Almoxarifados Submarinos
UC Unidade de Conservação
UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro
UNEA Assembleias Ambientais das Nações Unidas
USP Universidade de São Paulo
08
PREFÁCIO
A Organização das Nações Unidas esta- neste documento podem contribuir para
beleceu o período de 2021 a 2030 como que o Estado do Rio de Janeiro crie cami-
a Década das Nações Unidas de Ciência nhos para enfrentar as ameaças que a má
Oceânica para o Desenvolvimento Susten- destinação do lixo no mar pode causar so-
tável. Para que possamos deixar um legado cial e ambientalmente.
após esse período, o trabalho em parce-
ria é essencial e o único caminho possível. É com satisfação que o FUNBIO, gestor do
A crise climática e seus efeitos extremos projeto TAC ALSUB, apoia a iniciativa Rede
evidenciam que é preciso esforço coletivo Oceano Limpo-RJ e esta publicação. Essa
para enfrentá-la. A relação entre a socie- parceria reafirma nosso compromisso de
dade civil organizada, academia, governos aportar recursos estratégicos para a con-
e inciativa privada deve estreitar-se ainda servação do ecossistema costeiro e mari-
mais, se quisermos atingir mudanças que nho. E o surgimento e consolidação da Rede
promovam benefícios socioambientais. Oceano Limpo-RJ, após o Plano Estratégi-
co de Monitoramento e Avaliação do Lixo
Esta publicação, “RECOMENDAÇÕES PARA no Mar do Estado de São Paulo (PEMALM), é
A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTA- a prova de que estamos no caminho certo.
MENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JA-
NEIRO” evidencia a troca de experiências Há mais de 25 anos, apoiamos a criação e
e um esforço coletivo movimentam as es- consolidação de unidades de conserva-
truturas e criam oportunidades de novas ção costeiras e marinhas, de Norte a Sul
ações em prol da conservação dos am- do Brasil. Também destinamos recursos
bientes costeiros e marinhos. Este docu- para pesquisas de mestrado e doutorado
mento trata do presente para construirmos que fomentam a conservação da biodiver-
um futuro em que as ameaças a esse ecos- sidade marinha e o conhecimento sobre o
sistema possam dar lugar a um ambiente combate às mudanças climáticas.
saudável. E que assegure a vida das espé-
cies que habitam nele e o bem estar da hu- A conservação da biodiversidade, no Bra-
manidade que dele depende. sil e no mundo, só será bem-sucedida com
ideias inovadoras, ações eficazes e respos-
Incorporar iniciativas de sucesso da socie- tas imediatas aos desafios que se sucedem
dade civil organizada em políticas públicas a cada ano que passa.
é um passo importante para a adoção de
novas abordagens para a conservação do Rosa Lemos de Sá
meio ambiente. As informações reunidas Secretária-geral do FUNBIO
09
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
APRESENTAÇÃO
O lixo no mar é uma ameaça socioambien- Como integrante do movimento nacional
tal contemporânea de natureza transversal Rede Oceano Limpo, no estado do Rio de
e complexa. Seus efeitos deletérios incluem Janeiro, a Rede Oceano Limpo - RJ conta
desde a perda de biodiversidade até im- também com o apoio da Embaixada da No-
pactos socioeconômicos em diversos se- ruega no Brasil, por meio do FUNBIO. Assim,
tores da economia, além de danos à saúde a Rede Oceano Limpo - RJ, consolidou-se
humana. O combate e a mitigação desse como facilitadora de uma estrutura cola-
tipo de poluição representam desafios sig- borativa de geração de conhecimento e
nificativos para a gestão do ambiente cos- elaboração de estratégias para combater a
teiro e marinho. poluição por lixo no mar no estado em par-
ceria com o governo do estado do Rio de
Nesse contexto, foi firmado o Termo de Janeiro.
Ajustamento de Conduta Almoxarifados
Submarinos (TAC ALSUB) entre o Ministé- Em atividade no estado desde 2022, a Rede
rio Público Federal e a Petrobras em 2021, mobilizou atores, articulou propostas e reu-
gerenciado pelo Fundo Brasileiro para a niu informações acerca do cenário de po-
Biodiversidade (FUNBIO). O TAC ALSUB é luição por lixo no estado para a elaboração
uma medida compensatória pelo perío- deste documento. Esse esforço coletivo re-
do em que a Petrobras utilizou o fundo do sultou na construção participativa de uma
mar da região da Bacia de Campos, no lito- estratégia estadual de enfrentamento do
ral norte do Rio de Janeiro, para armazenar lixo no mar para o Rio de Janeiro. Ao longo
equipamentos utilizados na produção pe- de dois anos, a Rede atuou na manutenção
trolífera. Paralelamente à execução dos tra- da estrutura e do processo de governança
balhos para atingir os objetivos do TAC, a de combate ao lixo no mar no estado do
Petrobras tem buscado promover ações de Rio de Janeiro. Desde a articulação junto ao
restauração dos ecossistemas degrada- governo do estado até o estabelecimento
dos. Os objetivos do TAC ALSUB incluem a de diálogos com os diversos setores da so-
consolidação de Unidades de Conservação ciedade, a consolidação da Rede buscou
estaduais e federais localizadas no Rio de fortalecer iniciativas para o combate ao lixo
Janeiro, o fomento à produção sustentável no mar no estado, internalizar a temática
na região, a melhoria da qualidade de vida do lixo no mar na estrutura operacional e
de comunidades pesqueiras do estado, a de governança das Unidades de Conserva-
pesquisa marinha e a conservação da bio- ção (UCs) e capacitar o corpo técnico da
diversidade, com destaque à temática do gestão pública para monitorar e combater
lixo no mar. Este último objetivo subsidia a a poluição por lixo no território.
criação da Rede Oceano Limpo - RJ.
10
Dentre as ações facilitadas pela Rede Oce- foco no estado do Rio de Janeiro (Capítu-
ano Limpo - RJ, destaca-se a consolidação lo I). O Capítulo II destaca políticas públi-
do Grupo de Trabalho de Lixo no Mar (GT cas para o enfrentamento ao lixo no mar,
Lixo no Mar), instituído em outubro de 2023, em âmbito global, nacional e estadual. Um
por meio da Resolução SEAS/INEA n°113. O panorama diagnóstico do lixo no mar no
GT Lixo no Mar, de caráter consultivo e de Rio de Janeiro é tratado no Capítulo III. Na
assessoramento, é diretamente subordi- sequência, são apresentadas as recomen-
nado à Secretaria de Estado do Ambiente dações de ações estratégicas de enfren-
e Sustentabilidade (SEAS) e à Presidência tamento ao lixo no mar no estado do Rio
do INEA. Esse grupo tem como atribuições de Janeiro (Capítulo IV). Finalizando o do-
a discussão, a proposição e o fomento de cumento, é apresentado no Capítulo V um
políticas públicas, além da construção do estudo de caso que trata do monitoramen-
processo de governança colaborativa e to de lixo no mar em Unidades de Conser-
participativa para enfrentamento ao lixo no vação.
mar no estado do Rio de Janeiro.
11
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
12
FIGURA 2. I Workshop da Rede Oceano Limpo - RJ. Foto: Anna Verônica e Sam Manhães.
FIGURA 3. II Workshop da Rede Oceano Limpo - RJ. Foto: Dom Pedro Conteúdo.
13
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
CAPÍTULO I
CONTEXTUALIZAÇÃO
DA PROBLEMÁTICA E
DO ENFRENTAMENTO AO
LIXO NO MAR
Os ecossistemas marinhos e costeiros for- impactos varia de acordo com as caracte-
necem uma ampla variedade de serviços rísticas dos resíduos, sua quantidade e as
ecossistêmicos, que representam benefí- condições do local onde são depositados.
cios fundamentais provenientes da natu- Resíduos flutuantes, por exemplo, podem
reza, à cerca de 625 milhões de pessoas representar danos financeiros e riscos de
que vivem ao longo das zonas costeiras em segurança para embarcações, enquanto
todo o mundo. Apesar da contribuição des- os resíduos que afundam podem se acu-
ses serviços para a economia, subsistência mular no leito marinho ou ficar presos em
e saúde humana, os ambientes marinhos e recifes de corais e costões rochosos, cau-
costeiros enfrentam crescentes pressões sando danos aos habitats. Fragmentos de
de impactos de atividades humanas em di- equipamentos de pesca, como redes, ca-
ferentes escalas. Estas pressões resultam bos, linhas e armadilhas, podem causar
em ameaças à segurança alimentar, meios emaranhamento de animais marinhos. Re-
de subsistência, renda e saúde, e afetam o síduos menores podem ser ingeridos pela
bem-estar global. fauna, levando à obstrução no aparelho
digestivo ou à inanição. Os microplásticos,
Uma dessas ameaças é a poluição por re- de tamanhos inferiores a 5 milímetros,
síduos sólidos, especialmente plásticos, em representam uma crescente preocupação
ambientes marinhos e costeiros. A presen- dada a sua presença cada vez maior no
ça de lixo no mar causa impactos econô- meio ambiente e seu potencial impacto na
micos, de saúde e segurança para os seres saúde humana, tendo sido identificados em
humanos, além de danos ao meio ambien- alimentos, bebidas e órgãos vitais. Essas al-
te e à biodiversidade2. A extensão desses terações, em um efeito cascata, têm con-
2
Livro Lixo nos Mares: do entendimento à solução. Acesse em: bit.ly/livrolixonosmares
14
sequências amplas, com grandes prejuízos estrutura comum para garantir que a ci-
não apenas para a qualidade ambiental, ência oceânica possa apoiar os países na
mas também para o setor econômico em implementação da Agenda 2030, e enfatiza
suas diversas áreas. o enfrentamento à poluição por lixo dentre
os desafios que se propõe a resolver, cha-
É provável que os impactos ecológicos, so- mando a atenção para o alcance do resul-
ciais e econômicos da poluição por lixo no tado esperado de um “oceano limpo, onde
mar continuem a aumentar no futuro. O es- as fontes de poluição estejam identificadas
tado do Rio de Janeiro, por sua vez, apre- e sejam reduzidas ou removidas”. Ambos
senta um cenário desafiador no que diz os movimentos representam oportunida-
respeito ao lixo no mar, uma vez que con- des de articulação, motivação e criação
centra 80% da população fluminense em de alicerces na resolução de demandas
sua zona costeira, que é caracterizada por socioambientais nas regiões costeiras, es-
uma diversidade de ecossistemas, como tuarinas e marinhas, por meio da interface
restingas, manguezais e praias, e está sujei- ciência-política.
ta a diversos tipos de impactos, incluindo a
poluição de cursos d’água e o uso intensi- Também com o intuito de apoiar a imple-
vo de recursos naturais. Portanto, ao tomar mentação da Agenda 2030, as Assembleias
medidas para reduzir a poluição marinha Ambientais das Nações Unidas (UNEA) tor-
por lixo, o estado investe na preservação naram-se espaços importantes para o di-
dos serviços ecossistêmicos marinhos e álogo em busca de soluções para o lixo no
costeiros, garantindo benefícios presentes mar. A ONU Meio Ambiente iniciou a nego-
e futuros para a sociedade. ciação de um instrumento juridicamente
vinculante sobre poluição por plástico, in-
Nesse contexto, as agendas globais estão cluindo no ambiente marinho, a partir da Re-
focadas em responder à complexa proble- solução 5/14 da UNEA3, adotada em março
mática de maneira articulada com diversos de 2022. Esse instrumento, informalmente
atores de interesse e direcionar orienta- chamado de Tratado Global Contra a Polui-
ções para a atuação em escala local. Em ção por Plásticos, deve apresentar medidas
2015, com o estabelecimento dos Objeti- obrigatórias e voluntárias aos países que a
vos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ele aderirem, com base em uma aborda-
da Agenda 2030 das Nações Unidas para gem abrangente que englobe todo o ciclo
o Desenvolvimento Sustentável, a temática de vida do plástico. Essa construção prevê
da poluição por lixo no mar ganhou reno- cinco sessões de negociações intergover-
vado destaque com a proposição de uma namentais, que serão concluídas em 2024, e
meta no âmbito do ODS 14 – Vida na Água, ressalta a responsabilidade compartilhada
dedicada à eliminação da poluição marinha. do enfrentamento à poluição por plásticos.
Destaca-se também a Década das Nações
Unidas da Ciência Oceânica para o Desen- No cenário nacional, os desafios para a ges-
volvimento Sustentável (Década do Oce- tão dos resíduos sólidos concentram-se no
ano, 2021-2030), que visa construir uma aumento na geração de resíduos sólidos,
3
Resolução 5/14 da Quinta Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA). Acesse em: bit.ly/UNEA514
15
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
4
Alencar, M.V. et al. Advancing plastic pollution hotspotting at the subnational level: Brazil as a case study in the Global
South. Marine Pollution Bulletin, 194: 115382, 2023. DOI: 10.1016/j.marpolbul.2023.115382.
16
17
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
CAPÍTULO II
POLÍTICAS
PÚBLICAS PARA O
ENFRENTAMENTO AO
LIXO NO MAR
O enfrentamento ao lixo no mar deman- 2000, de acordo com a Lei nº 9.985, o Sis-
da envolvimento amplo e multissetorial tema Nacional de Unidades de Conser-
nas etapas de monitoramento, avaliação e vação da Natureza (SNUC)5 foi estabeleci-
combate. As estratégias de enfrentamento do para fortalecer o papel das Unidades de
podem incluir diversas abordagens, como Conservação (UCs), afirmando a importân-
educação, cultura, transporte, turismo, ur- cia de sua gestão integrada e de adequada
banismo, resíduos sólidos, recursos hídri- representação das diferentes populações,
cos, mudanças climáticas, proteção legal e habitats e ecossistemas. Para alcançar esse
conservação do ambiente marinho. Essas propósito, a gestão das UCs envolve a par-
abordagens podem variar em escala espa- ticipação das três esferas do poder público
cial e temporal, custos e arranjos de gover- (federal, estadual e municipal) por meio de
nança. diferentes órgãos, os quais possuem com-
petências específicas. O SNUC configura-
No estado do Rio de Janeiro, a questão da -se então como uma ferramenta robusta
poluição por lixo no mar tem intersecção para o enfrentamento ao lixo no mar, por
com diferentes políticas públicas voltadas meio da gestão de áreas prioritárias para
para o planejamento e a conservação am- a conservação que, por excelência, devem
biental. Desde a promulgação da Constitui- ser protegidas dessa poluição.
ção do Estado do Rio de Janeiro em 1989,
políticas, planos e programas têm sido im- Em 2003, por meio da Lei nº 4.191, foi insti-
plementados com o objetivo de orientar a tuída a Política Estadual de Resíduos Sóli-
atuação do setor de resíduos sólidos. Em dos6. Esta política define normas, procedi-
5
Saiba mais sobre o SNUC. Acesse aqui: bit.ly/sobreSNUC
6
Lei Nº 4191 2003. Acesse em: bit.ly/lei4191_2003
18
mentos e critérios para monitorar todas as elaboração de programas e ações efetivas
etapas do processo de gestão de resíduos de gestão e manejo responsável de resídu-
sólidos, desde a sua geração até a dispo- os. Com vigência até 2033, o PERS/RJ pos-
sição final, incluindo coleta e transporte. sui previsão de revisão a cada quatro anos.
Esta lei proíbe o lançamento ou disposição No entanto, de 2013 a 2023, nenhuma revi-
de resíduos em praias, mananciais e cur- são ocorreu e o plano atual não contempla
sos d’água (art. 3, III); exige a destinação o tema lixo no mar em suas ações, o que
final adequada dos resíduos provenientes reitera a necessidade de seu processo pe-
de marinas, portos, aeroportos, terminais riódico de aprimoramento.
rodoviários e ferroviários e estaleiros loca-
lizados na orla das lagoas, baías e oceano Já o Plano Estadual de Recursos Hídricos
do Estado do Rio de Janeiro (art. 4); esta- do Estado do Rio de Janeiro (PERHI/RJ)8,
belece políticas governamentais integradas concluído em 2014, com o horizonte de pla-
para a gestão dos resíduos sólidos (art. 13, nejamento até 2030, estabelece uma série
III); e incentiva pesquisas científicas funda- de programas vinculados a eixos temáticos,
mentais e aplicadas para identificar pro- sendo um deles referente ao saneamen-
blemas ambientais, bem como desenvolver to básico. Este eixo aborda diretamente a
produtos, processos, modelos e sistemas poluição por resíduos sólidos, visando au-
de significativo interesse ambiental, eco- mentar os índices de tratamento de esgoto
nômico e social (art. 22). das nove Regiões Hidrográficas (RH) do es-
tado. O plano contempla também o Progra-
Em 2013, o Plano Estadual de Resíduos Só- ma Estadual de Segurança Hídrica (Prose-
lidos do Estado do Rio de Janeiro (PERS/ gh), o Programa de Saneamento Ambiental
RJ)7 foi concebido como parte das iniciati- (PSAM) e os Planos de Bacias Hidrográficas
vas estratégicas do estado voltadas para a das 6 RHs costeiras (I, II, V, VI, VIII e IX).
efetivação da Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS, Lei federal nº 12.305/2010). Nos últimos anos, o Rio de Janeiro teste-
O PERS/RJ assume a responsabilidade de munhou um notável aumento nos investi-
pormenorizar as ações e estratégias para mentos em políticas ambientais, destacan-
a concretização da Política Estadual de do-se a busca por uma conciliação entre
Resíduos Sólidos, estabelecendo metas e conservação ambiental, desenvolvimento
prazos para sua implementação. O PERS/ econômico e adaptação às mudanças cli-
RJ apresenta metas, ações e instrumen- máticas. Um exemplo emblemático desses
tos relacionados a aspectos institucionais, esforços é o Blue Rio, pioneiro programa
ambientais, sanitários, econômicos, finan- colaborativo de gestão da economia azul
ceiros, sociais e normativos. Tais elemen- na América Latina, lançado em 2023. Esta
tos servem como referências para orientar é uma iniciativa estabelecida pela Secreta-
gestores públicos nas esferas estadual e ria de Estado de Ambiente e Sustentabili-
municipal, bem como profissionais da ini- dade (SEAS) em parceria com a Universi-
ciativa privada, na tomada de decisões e na dade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
7
PERS/RJ. Acesse em: bit.ly/PERS-RJ
8
PERHI/RJ. Acesse em: bit.ly/PERHI-RJ
19
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
9
Programa de Inovação Aberta Blue Rio.
Acesse em: applybluerio.com.br
20
CAPÍTULO III
DIAGNÓSTICO DA
SITUAÇÃO DO
LIXO NO MAR NO
RIO DE JANEIRO
O lixo no mar é um desafio abrangen- preconizado pela Estratégia de Honolulu
te, complexo e tende a se agravar com o em 2011, é fundamental para a implementa-
tempo. Praticamente todas as atividades ção de ações precisas para determinadas
humanas resultam na geração de resíduos, escalas geográficas e respaldadas cientifi-
e o atual perfil de consumo da sociedade camente.
intensifica essa problemática. As ativida-
des no continente são apontadas como as No estado do Rio de Janeiro, a poluição por
principais fontes de introdução de resíduos lixo no mar é um problema urgente. Com
sólidos no oceano. Gerenciar adequada- mais de 16 milhões de habitantes distribuí-
mente esses resíduos, evitando sua entrada dos em 92 municípios e uma extensão cos-
nos corpos d’água, representa um grande teira de 1.160 km, o estado produz cerca de
desafio. No entanto, devido à complexida- 17 mil toneladas de lixo por dia, com apenas
de em identificar a origem de grande parte 3% destinadas à reciclagem, de acordo com
dos itens encontrados no ambiente costei- dados do Plano Estadual de Resíduos Só-
ro e marinho, o rastreio de fontes ainda é lidos (PERS/RJ). No entanto, há limitações
especulativo. em todas as etapas da gestão de resíduos,
desde o descarte inadequado até a coleta,
No Brasil, a falta de valores de referência manejo e disposição final.
ou de uma base nacional de dados sobre a
poluição marinha é uma lacuna preocupan- De acordo com o Sistema Nacional de In-
te, embora várias iniciativas estejam sendo formações sobre Saneamento de 2021, 56%
implementadas por diferentes setores para dos 87 municípios do estado do Rio de Ja-
prevenir, medir e remover resíduos sólidos neiro que aderiram a este sistema não pos-
dos ambientes costeiros e marinhos. O in- suem coleta seletiva, e 16% da população
centivo à cooperação regional, conforme não possui atendimento de coleta de resí-
21
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
duos sólidos porta a porta. Além disso, por diversos fatores, incluindo padrões cli-
o índice de coleta de esgoto é de 58%, e máticos e de marés, proximidade de áreas
apenas 71% do esgoto é tratado no estado. urbanas, industriais e recreativas, vias ma-
É importante destacar que os municípios rítimas, zonas de pesca, entre outros. A de-
distantes da região costeira também de- posição de lixo nas áreas costeiras do Rio
sempenham um papel crucial no combate de Janeiro está correlacionada com perío-
ao lixo no mar, devido ao extenso trajeto dos de chuvas intensas, que podem provo-
dos resíduos sólidos pelos corpos hídricos. car grande escape de resíduos via descar-
Originados em áreas urbanas distantes do ga fluvial; à dinâmica das praias, que pode
oceano, esses resíduos podem chegar aos resultar no deslocamento e acúmulo de
corpos d’água por meio de sistemas de resíduos em determinadas áreas; e à falta
drenagem, rios e córregos que deságuam de planejamento na gestão de resíduos só-
no oceano (Figura 5). lidos, incluindo deficiências no sistema de
limpeza pública e descarte inadequado por
Nos ambientes costeiro e marinho, a dis- parte de usuários de praia durante perío-
persão dos resíduos sólidos é influenciada dos turísticos.
FIGURA 5. Os diversos caminhos pelos quais os resíduos sólidos chegam ao oceano, ilustrando as fontes
marinhas e terrestres. Fonte: Livro Lixo nos Mares: do entendimento à solução. Acesse em: bit.ly/livroli-
xonosmares.
22
No contexto do lixo no mar, o monitoramen-
to e a avaliação desempenham papéis fun-
damentais na formulação, implementação e
revisão de ações de combate, exigindo mé-
todos claros e definidos para os objetivos
traçados, incluindo parâmetros monitorados,
abrangência geográfica, frequência de amos-
tragem e unidade de medida. O monitora-
mento, caracterizado pela coleta sistemática
e contínua de dados ao longo do tempo, é
uma ferramenta essencial para estabelecer
um diagnóstico preciso. Programas abran-
gentes de monitoramento e avaliação permi-
tem um diagnóstico que fornece informações
críticas sobre o problema, suas dimensões
e magnitudes de ocorrência, identificando
tendências temporais. A avaliação, parte in-
tegrante do processo, analisa os resultados
obtidos em relação a uma linha de base ou
meta estabelecida.
23
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
BOX
EXEMPLOS DE PERFIS DE LIXO ENCONTRADO EM
AMBIENTES MARINHOS E COSTEIROS NO RIO DE JANEIRO
Estima-se que aproximadamente 80 toneladas Orla Sem Lixo[10,11], na praia da Enseada do Bom
de resíduos são depositadas diariamente na Jesus, resultaram em 84% da massa dos resí-
Baía de Guanabara, incluindo resíduos domés- duos sólidos compostos por plástico.
ticos, hospitalares e industriais[1]. Além disso, de
acordo com o diagnóstico Blue Keepers[2,3], três
bacias hidrográficas pertencentes ao estado do REFERÊNCIAS:
[1] Amador, E.S. Baía de Guanabara: ocupação históri-
Rio de Janeiro estão entre os 10 hotspots cos- ca e avaliação ambiental. Rio de Janeiro: Interciência,
teiros com maior risco de vazamento de resí- 2013. 490p.
duos plásticos geridos de forma inadequada [2] Alencar, M.V. et al. Advancing plastic pollution
e com alto potencial de alcançar o oceano no hotspotting at the subnational level: Brazil as a case
Brasil: study in the Global South. Marine Pollution Bulletin,
194: 115382, 2023. DOI: 10.1016/j.marpolbul.2023.115382
[3] Blue Keepers. Sumário Executivo 2021-2022: Diag-
• Baía de Sepetiba, com 44.106 toneladas por
nóstico das fontes de escape de resíduos plásticos
ano; para o oceano. Pacto Global Rede Brasil. <https://go.
• Foz do rio Paraíba do Sul, com 103.990 to- pactoglobal.org.br/SumarioBlueKeepers20212022>.
neladas por ano; e [4] Da Silva, E.F. et al. Evaluation of microplastic and
• Baía de Guanabara e região, com 216.431 to- marine debris on the beaches of Niterói Oceanic Re-
neladas por ano. gion, Rio De Janeiro, Brazil. Marine Pollution Bulletin, v.
175, p. 113161, 2022.
Observa-se uma predominância de itens plás- [5] Abude R.R.S et al. Spatiotemporal variability of so-
lid waste on sandy beaches with different access res-
ticos na caracterização dos resíduos coletados
trictions. Marine Pollution Bulletin, v. 171, p. 112743, 2021.
nos ambientes costeiros do estado[4,5]. Um es- [6] Corrêa, L. F., da Silva, A. L. C., Pinheiro, A. B., Pinto, V.
tudo realizado no arco praial de Jaconé-Saqua- C. S., Macedo, A. V., & Madureira, E. A. L. (2019). Distri-
rema, litoral com grande importância turística e buição e fonte de resíduos sólidos ao longo do arco
que abrange diferentes colônias de pescadores praial de Jaconé-Saquarema (RJ). Revista Tamoios,
artesanais, detectou material plástico em 75% 15(1).
dos itens encontrados[6]. Já na Praia de Itai- [7] Póvoa, A. A., de Andrade Imsaurriaga, C. S., Dervi-
che, P., & de Araújo, F. V. (2022). Environmental per-
pu, em Niterói, que possui influência da Baía
ception of regular beach of Itaipu, Niterói, RJ, about
de Guanabara, os itens coletados foram 52,3% the anthropogenic litter after awareness activities.
plástico e 21,5% bitucas de cigarro, provenien- Journal of Human and Environment of Tropical Bays,
tes de atividades locais[7]. O mesmo padrão foi (3), 1-18.
observado em praias de Arraial do Cabo (Prai- [8] Da Silva, M. L., Castro, R. O., Sales, A. S., & de Araújo,
nha, Praia do Pontal e Praia Grande), segundo F. V. (2018). Marine debris on beaches of Arraial do
outra pesquisa realizada por universidades flu- Cabo, RJ, Brazil: An important coastal tourist destina-
tion. Marine pollution bulletin, 130, 153-158.
minenses[8].
[9] Saiba mais em https://lixometro.com.br/
[10] Saiba mais em https://orlasemlixo.wordpress.
Dados do Projeto Lixômetro[9] indicam que as com/
categorias de resíduos sólidos urbanos preva- [11] Hoerner, R. et al. Barreiras de interceptação para
lentes são plásticos flexíveis (28 a 35%), plásti- a proteção de ambientes costeiros contra o lixo flu-
cos duros (22 a 16%) e bitucas de cigarro (21 a tuante – diagnóstico da hidrodinâmica e primeiros
23%), sendo os plásticos flexíveis predominante protótipos para o caso da Enseada do Fundão, Rio
mente de embalagens e sacolas, enquanto os- de Janeiro, RJ. In: In: XV Simpósio sobre Ondas, Ma-
rés, Engenharia Oceânica e Oceanografia por Satélite,
plásticos duros incluem garrafas PET, tampi-
2023, Cabo Frio. XV Simpósio sobre Ondas, Marés,
nhas, copos descartáveis, canudos, hastes flexí- Engenharia Oceânica e Oceanografia por Satélite,
veis e eppendorfs. Observando uma tendência 2023.
semelhante, coletas realizadas pelo projeto
24
INICIATIVAS NO ESTADO
DO RIO DE JANEIRO NA
REDE OCEANO LIMPO - RJ
A Rede Oceano Limpo tem como objetivo com 185 integrantes, que manifestaram in-
fortalecer os arranjos institucionais para li- teresse respondendo ao formulário de in-
dar com o problema do lixo no mar ao longo tegração à Rede. Dentre estes, 40 (22%)
da costa brasileira. Esse movimento implica se identificam como representantes da
a articulação de diferentes setores da so- Academia, 74 (40%) da Sociedade Civil Or-
ciedade, visando estabelecer um processo ganizada, 46 (25%) do Setor Público e 25
integrado e participativo visando a produ- (13%) da Iniciativa Privada. A Rede continua
ção e o compartilhamento de informações a crescer com a adição de novos integran-
e ações relacionadas ao lixo no mar. Assim, tes e é atualizada conforme a descrição da
a Rede Oceano Limpo busca contribuir atuação de cada um, buscando elucidar
para a integração de esforços de enfrenta- quais são os diferentes papéis e recursos
mento do problema do lixo no mar, desde o existentes que podem contribuir para o
diagnóstico até a proposição de medidas todo. Assim, busca-se estabelecer uma es-
de mitigação, de maneira estruturante e trutura colaborativa e duradoura para gerar
sistêmica. a base de conhecimento e elaborar estra-
tégias para combater o problema do lixo
Elaborar uma estratégia eficaz de enfren- no mar, promovendo a internalização dessa
tar o lixo no mar é um processo complexo agenda como política pública.
que requer a participação ativa de diver-
sos setores da sociedade. A partir de uma As iniciativas dos atores da Rede foram
abordagem holística, que considera todo agrupadas em quatro categorias, relacio-
o ciclo de vida do problema, torna-se evi- nadas às diferentes etapas do ciclo de vida
dente que diferentes atores desempenham do lixo no mar em que focam sua atuação:
papéis fundamentais e complementares geração de lixo no mar, exposição do lixo ao
nesse processo. Com base nessa perspec- ambiente, efeitos do lixo no mar, e iniciati-
tiva, a Rede Oceano Limpo - RJ conduziu vas transversais (Figura 6).
um levantamento de atores sociais multis-
setoriais e iniciativas existentes no estado,
utilizando metodologias embasadas cienti-
ficamente e consulta a especialistas.
25
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
GERAÇÃO EFEITOS
19,3% 12,8%
EXPOSIÇÃO TRANSVERSAL
23,1% 44,8%
FIGURA 6. Categorização dos 185 integrantes da Rede Oceano Limpo - RJ em iniciativas de enfrentamen-
to ao lixo no mar nas etapas de: geração de lixo no mar (19,3%), exposição do lixo ao ambiente (23,1%), e
efeitos do lixo no mar (12,8%), bem como iniciativas transversais (44,8%).
10
Alencar, M.V. 2022. Improving the Source-to-Sea approach for marine litter in Brazil. Dissertação de Mestrado, Ins-
tituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.
11
Acesse em: bit.ly/1workshopROLRJ
26
FIGURA 7. Modelo adaptado da hierarquia dos resíduos sólidos e lixo no mar proposta por Alencar (2022).
27
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
FIGURA 8. Quantificação dos integrantes da Rede Oceano Limpo - RJ e categorização das iniciativas, de
acordo com a abordagem de hierarquia do lixo no mar e demais categorias de ações transversais para o
enfrentamento ao lixo no mar.
28
UNIDADES DE
CONSERVAÇÃO
O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) AL- e combater a poluição por lixo no território
SUB tem como um dos seus objetivos a protegido, trazendo uma metodologia pa-
consolidação de Unidades de Conservação dronizada para a rotina das UCs, criando um
(UCs) estaduais e federais localizadas no referencial para monitoramento no Estado,
Rio de Janeiro, em sinergia com o Sistema potencializando assim um diagnóstico do
Nacional de Unidades de Conservação da lixo no mar no Estado do Rio de Janeiro.
Natureza (SNUC). O SNUC foi concebido
com o propósito de fortalecer o papel das O monitoramento de lixo no mar em UCs
UCs que são espaços territoriais com ca- é fundamental por várias razões. As áreas
racterísticas naturais relevantes, legalmen- protegidas são refúgios naturais que deve-
te instituídas pelo Poder Público, e que têm riam estar livres de atividades que causem
como objetivo a conservação da biodiver- danos socioambientais, tornando o diag-
sidade, com limites definidos e regime es- nóstico de lixo nessas regiões crucial para
pecial de administração (Lei nº 9.985). identificar a necessidade de medidas mais
eficazes de gestão e fiscalização. Além dis-
As UCs desempenham um papel funda- so, as UCs frequentemente abrigam ecos-
mental na preservação da diversidade bio- sistemas sensíveis e espécies ameaçadas,
lógica do território nacional e das águas tornando-as particularmente vulneráveis
jurisdicionais, assegurando a proteção de aos impactos da poluição marinha. O lixo no
porções significativas e ecologicamente vi- mar pode representar uma ameaça direta à
áveis das diversas populações, habitats e fauna marinha, causando danos físicos, in-
ecossistemas. Além disso, promovem o uso gestão acidental e até mesmo a morte de
sustentável dos recursos naturais de forma animais. Comunidades que dependem dos
racional para as populações tradicionais e recursos naturais dessas áreas para sub-
contribuem com o desenvolvimento de ati- sistência, como a pesca e o extrativismo,
vidades econômicas sustentáveis para as também podem ser diretamente afetadas
comunidades do entorno. pela presença de lixo no mar. Portanto, o
monitoramento constante dessas áreas
Nesse contexto, a Rede Oceano Limpo - RJ é essencial para identificar rapidamente
desenvolveu ações específicas para pro- qualquer aumento nos níveis de poluição e
mover a internalização da temática do lixo tomar medidas corretivas.
no mar na estrutura operacional e de go-
vernança das UCs do estado do Rio de Ja- Muitas UCs costeiras e marinhas desempe-
neiro. Esse esforço incluiu a capacitação do nham um papel fundamental no enfrenta-
corpo técnico dessas UCs para monitorar mento ao lixo no mar com ações de edu-
29
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
cação ambiental, pesquisa, gestão dos re- as UCs e o lixo no mar, foi realizado um le-
síduos sólidos, limpeza de praias e outros vantamento direcionado a este grupo es-
ecossistemas marinhos, além de realizarem pecífico de atores, considerando a identi-
programas de monitoramento e recupera- ficação e categorização das UCs Federais,
ção de ecossistemas e animais afetados, Estaduais e Municipais que compreendem
entre outros. Assim, o monitoramento nas territórios em ambiente costeiro e/ou ma-
UCs torna-se uma peça fundamental na rinho no estado do Rio de Janeiro (Figura
estratégia de internalização da temática do 9). Os resultados desse mapeamento, bem
lixo no mar na estrutura operacional do Es- como a sinalização das UCs inscritas na
tado do Rio de Janeiro, via SEAS e INEA. Rede Oceano Limpo - RJ estão disponí-
veis no painel de dados interativo12 da Rede
Para compreender melhor a relação entre Oceano Limpo - RJ.
FIGURA 9. Unidades de Conservação (UCs) federais e estaduais no território do Rio de Janeiro, integran-
tes da Rede Oceano Limpo - RJ. Fonte: GEGET/DIBAPE.
12
Acesse em: bit.ly/painelROLRJ
30
Com a aproximação e fortalecimento das
UCs, torna-se viável a proposição de me-
todologias padronizadas e indicadores ob-
jetivos para o monitoramento do lixo nas
praias do estado do Rio de Janeiro, a lon-
go prazo e bem distribuída espacialmente.
Com a gestão e participação ativa das UCs,
é possível capacitar recursos humanos e
realizar o levantamento e a sistematização
de informações relacionadas ao problema
do lixo no mar como a identificação das
principais fontes e dos principais tipos de
lixo encontrados, áreas e/ou espécies com
maior vulnerabilidade, e comparação entre
as UCs e regiões.
14
UNEP/IOC. 2009. Guidelines on Survey and Monito-
ring of Marine Litter. UNEP Regional Seas Reports and
Studies, No. 186; IOC Technical Series No. 83.
15
NOAA, 2012. Marine Debris Shoreline Survey Field
Guide. Silver Spring, EUA.
16
OSPAR Litter Monitoring. Acesse em: ospar.org/
work-areas/eiha/marine-litter/assessment-of-mari-
ne-litter Dom Pedro Conteúdo
31
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
equipes das UCs por meio de questionários ção de estratégias eficazes de combate ao
e entrevistas (Figura 10). Desta forma, tor- problema nas diferentes regiões do estado.
nam-se possíveis métodos de amostragem Também é possível avaliar e aprimorar ou-
e caracterização consistentes e confiáveis tras ações de prevenção e remediação em
para garantir melhores resultados, assegu- desenvolvimento, contribuindo com os ob-
rando a representatividade das medições. jetivos de gestão das UCs, bem como com
Como resultado da consolidação de um o fortalecimento de iniciativas das demais
programa de monitoramento de lixo estru- frentes existentes que atuam no enfrenta-
turado nas UCs, possibilita-se a elabora- mento ao lixo no mar no estado.
FIGURA 10. Etapas da internalização da temática do lixo no mar na estrutura operacional e de governança
das Unidades de Conservação (UCs) do estado do Rio de Janeiro.
32
ÍNDICE DE POTENCIAL
DE ENFRENTAMENTO DE
LIXO NO MAR (IPELM)
O Índice de Potencial de Enfrentamento de iniciativas de educação ambiental, pe-
Lixo no Mar (IPELM) das UCs no estado do quisa e monitoramento;
Rio de Janeiro foi elaborado com base na • Gestão de resíduos sólidos nas UCs;
análise de oportunidades e desafios en- • Parcerias e a estrutura disponível com
frentados pelas UCs para lidar com a po- potencial de contribuir para o enfrenta-
luição por lixo no mar em seus territórios. mento ao lixo no mar; e
O objetivo do índice é compreender as • Engajamento na Rede Oceano Limpo -
atividades já realizadas nessas áreas pro- RJ.
tegidas e identificar oportunidades para
desenvolver ações direcionadas para o Os dados utilizados para a estimativa do
monitoramento e a redução do acúmulo e IPELM foram obtidos por meio de formulá-
dos impactos do lixo nas UCs costeiras e rios de consulta e reuniões com represen-
marinhas. Dessa forma, contribui-se para a tantes das UCs, contando com duas eta-
conservação do ecossistema marinho por pas de validação. Com base nas respostas
meio de um monitoramento embasado em recebidas, uma pontuação foi calculada
dados científicos robustos e alinhado com para gerar o índice para cada UC. Foram
as políticas de gestão estaduais e das UCs. produzidos mapas para representar espa-
cialmente os valores do IPELM, atualmente
O IPELM (Figura 11) foi elaborado por meio variando de 0 a 35 (Figuras 12, 13 e 14). O
da aplicação da Matriz FOFA, uma ferra- IPELM de cada UC pode ser verificado por
menta de análise que sistematiza os pon- meio do mapa interativo produzido para a
tos fortes (Fortalezas e Oportunidades) e visualização das UCs federais, estaduais e
as fragilidades (Fraquezas e Ameaças) das municipais14.
UCs em relação ao enfrentamento do lixo
no mar. Aspectos considerados incluem: 0 35
14
Acesse em: bit.ly/mapaIPELM
33
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
FIGURA 12. Índice de Potencial de Enfrentamento do Lixo no Mar (IPELM) nas Regiões Hidrográficas I e II.
FIGURA 13. Índice de Potencial de Enfrentamento do Lixo no Mar (IPELM) na Região Hidrográfica V.
34
FIGURA 14. Índice de Potencial de Enfrentamento do Lixo no Mar (IPELM) nas Regiões Hidrográficas VI, VIII e IX.
35
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
CAPÍTULO VI
RECOMENDAÇÕES
PARA A ESTRATÉGIA
ESTADUAL DE
ENFRENTAMENTO
AO LIXO NO MAR
NO RIO DE JANEIRO
Entende-se que o problema do lixo no mar origem do resíduo sólido até descarte no
é multifacetado e transdisciplinar, deman- ambiente, permite identificar escapes im-
dando esforços robustos, estruturados e portantes e evitá-los de forma dinâmica,
sustentáveis. Ao abordar o enfrentamento minimizando suas consequências.
ao lixo no mar, é crucial considerar as eta-
pas de monitoramento, avaliação e comba- A construção e implementação das estra-
te ao problema de forma abrangente. As- tégias aqui propostas se baseiam na in-
sim, várias abordagens de enfrentamento corporação e adaptação das mesmas por
podem ser elencadas, considerando diver- instituições de todos os setores, além da
sas escalas espaciais e temporais, deman- articulação entre elas. Além dos órgãos pú-
das por recursos e arranjos de governança. blicos, destaca-se a importância da parti-
cipação dos setores empresariais, organi-
Contudo, algumas características podem zações não governamentais, universidades,
tornar essas ações mais eficientes e de- institutos de pesquisa e outros atores não
sejáveis dentro de uma estratégia ampla especializados. Essa cooperação multisse-
de enfrentamento. Isso inclui considerar torial pode permitir o compartilhamento de
as políticas públicas que podem inter- recursos, tomada de decisões, proposições
nalizar a temática, bem como arranjos de de políticas públicas e aplicação de boas
governança que envolvam diversos atores práticas entre todos os setores envolvidos,
sociais. Além disso, mapear e propor uma promovendo uma perspectiva de longo
visão integrada das fontes geradoras até o prazo e de cooperação institucional.
mar, identificando pontos críticos desde a
36
O processo de desenvolvimento das RE- A articulação com o governo do estado foi
COMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ES- fundamental para identificar e mobilizar
TADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO atores relevantes para o processo e para
MAR NO RIO DE JANEIRO foi conduzido compor a Rede Oceano Limpo - RJ. Estes
com base em uma análise cuidadosa da atores foram envolvidos na realização do
estrutura atual da gestão pública estadual, I Workshop da Rede Oceano Limpo - RJ,
seguida pelo estabelecimento de um diá- onde trabalharam na adaptação do mode-
logo de governança com os gestores esta- lo PEMALM-SP para necessidades especí-
duais e a equipe executora do projeto por ficas do estado do Rio de Janeiro. Em se-
meio da criação de um “Grupo Focal”. Essa guida, foram realizadas reuniões bilaterais
iniciativa foi essencial para o aprimoramen- virtuais para complementar as percepções
to contínuo das recomendações ao estado identificadas no I Workshop, delineando e
e contribuiu para a capacitação e o nivela- validando o escopo do presente documen-
mento de conhecimento sobre o tema do to junto à Rede. Essas etapas foram essen-
lixo no mar entre os gestores públicos por ciais para o desenvolvimento de recomen-
meio do oferecimento do curso “Lixo nos dações sólidas e adaptadas às realidades
Mares: do Entendimento à Solução”. e desafios enfrentados pelo Rio de Janeiro
no enfrentamento do lixo no mar (Figura 15).
FIGURA 15. Linha do tempo da construção das Recomendações de Estratégias para o Enfrentamento do Lixo no
Mar no estado do Rio de Janeiro.
37
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
PROPOSTAS
DE AÇÕES
A seguir, são apresentadas ações estraté- Além disso, as ações foram classificadas
gicas para o enfrentamento ao lixo no mar considerando-se:
no estado, divididas em eixos temáticos.
Essas ações estratégicas foram delineadas • Sinergia entre as ações: Ações com
com base em análises de literatura espe- complementaridade;
cializada e ações globais, visando propor- • Categorias de ação:
cionar uma abordagem abrangente e eficaz • Planejamento: ações orientadoras
para o estado do Rio de Janeiro. para diagnóstico, execução e con-
trole;
Principais documentos consultados: • Diagnóstico: ações que envolvem
levantamento de informações;
• Plano Nacional de Combate ao Lixo no • Execução: ações práticas que
Mar (Temas e Eixos de Implementação); operacionalizam as ações de pla-
• Plano Estratégico de Monitoramento e nejamento;
Avaliação do Lixo no Mar - São Paulo • Controle: ações de monitoramento
(Indicadores); a longo prazo.
• Plano de Ação de Combate ao Lixo no • Exemplos de políticas públicas po-
Mar - Pernambuco (Eixos de implemen- tencialmente correlatas: Listagem de
tação); leis, portarias, decretos, entre outros
• Projeto Blue Keepers - Pacto Global da instrumentos, em vigência no Estado do
ONU (Estratégias); Rio de Janeiro que têm potencial siner-
• Relatório do Grupo de Especialistas em gia com a ação recomendada;
Aspectos Científicos para Proteção do • Setores potencialmente envolvidos:
Ambiente Marinho - GESAMP (2019 - Atores agrupados por setor ou grandes
em inglês); grupos que têm o potencial de auxiliar
• Guia para o design de Planos de Ação na implementação e manutenção da
sobre Lixo no Mar do Programa das ação recomendada. Destacamos que a
Nações Unidas para o Meio Ambiente indicação nesta coluna não implica em
(2019 - em inglês); responsabilização e que esta listagem
• Rascunho zero do instrumento juridi- não é exaustiva.
camente vinculante sobre poluição por
plástico, incluindo no ambiente marinho
- ONU Meio Ambiente.
38
Dom Pedro Conteúdo
EIXO 1
AÇÕES
DE CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E
INOVAÇÃO
EIXO 2
AÇÕES DE
FOMENTO/
FINANCIAMENTO
EIXO 3
AÇÕES DE CAPACITAÇÃO
EIXO 4
AÇÕES DE COMBATE AO
LIXO NO MAR
EIXO 5
AÇÕES DE
MONITORAMENTO E
AVALIAÇÃO
EIXO 6
AÇÕES DE EDUCAÇÃO
AMBIENTAL E
COMUNICAÇÃO
39
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
EIXO 1
AÇÕES
DE CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E
INOVAÇÃO
Ações de Ciência, Tecnologia e Inovação 1.1 Estabelecer e promover um
ajudam a compreender melhor o problema programa de incentivo e apoio
à pesquisa
e a encontrar soluções para enfrentar o lixo
no mar. Elas podem ser focadas em progra- 1.2 Realizar consultas aos
mas e iniciativas que não apenas promovam diferentes setores da
a realização de um diagnóstico mais amplo sociedade para levantamento
do problema (ex. caracterização, as fontes, de informações e lacunas de
conhecimento
as formas de transporte e a distribuição dos
resíduos), como também o fomento ao de- 1.3 Apoiar o desenvolvimento de
senvolvimento de novas tecnologias e me- pesquisas e o desenvolvimento
todologias para o combate ao lixo no mar. tecnológico sobre diferentes
temas relacionados ao lixo
Independentemente do foco, as ações des-
no mar, seus impactos e seu
se eixo devem ser pensadas no sentido de enfrentamento
dar subsídios para que a tomada de deci-
são possa ser feita de maneira mais asser- 1.4 Incentivar e promover
tiva e efetiva. atividades de extensão
universitária
40
EIXO 1 | AÇÕES DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Categoria
PLANEJAMENTO
41
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
42
EIXO 1 | AÇÕES DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Saneamento básico
• Acesso a saneamento e higiene
adequados e equitativos para todos,
em especial mulheres e meninas em
situação de vulnerabilidade;
• Melhoria da qualidade da água;
43
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
44
EIXO 1 | AÇÕES DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
45
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
46
EIXO 2
AÇÕES DE
FOMENTO/
FINANCIAMENTO
Ações de fomento ou financiamento são es- 2.1 Estabelecer estratégias
tratégias de incentivo para enfrentamento de captação de recurso e
financiamento
ao lixo no mar. Elas são instrumentos eco-
nômicos voltados para incentivar iniciativas 2.2 Implementar mecanismos
de combate feitas pelos diferentes seto- financeiros para empresas
res da sociedade. Devem ser feitas a partir
da articulação com as partes interessadas, 2.3 Implementar políticas de
incentivo a municípios
em particular, mas não limitadas à iniciativa
privada através do incentivo às práticas e 2.4 Desenvolver mecanismos
o desenvolvimento de produtos que ofere- de financiamento com base no
çam menor impacto ao oceano ou à ado- princípio do poluidor-pagador
e protetor-recebedor
ção de compromissos voluntários visando a
distribuição das responsabilidades consti- 2.5 Apoiar o desenvolvimento
tuídas pelas legislações vigentes. de incentivos aos
consumidores
47
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
48
EIXO 2 | AÇÕES DE FOMENTO/FINANCIAMENTO
49
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
50
EIXO 2 | AÇÕES DE FOMENTO/FINANCIAMENTO
51
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
52
EIXO 3
AÇÕES DE
CAPACITAÇÃO
Capacitação refere-se ao processo de de- 3.1 Desenvolver programas de
senvolvimento e fortalecimento de habili- capacitação regional
dades técnicas, capacidade institucional e
3.2 Promover orientações
de equipe para aprimoramento de um de- setoriais de fomento a
terminado tema. Ações complexas e que tecnologia e novas formas de
exigem parcerias multissetoriais, como é o produção
caso do enfrentamento ao lixo no mar, fre-
3.3 Promover arranjos
quentemente demandam capacitação de intermunicipais para a
grupos específicos para auxiliar na imple- capacitação
mentação de programas ou políticas. Estas
incluem, mas não estão limitadas a: finan- 3.4 Apoiar a adesão a
programas e sistemas
ciamento de programas de capacitação
nacionais sobre a gestão de
(ex. de gestores municipais, pescadores), resíduos sólidos
programas de intercâmbio e parcerias (ex.
entre Estados, entre setores, entre países) e 3.5 Desenvolver programas de
transferência de tecnologia e conhecimen- capacitação de autoridades
to (ex. adaptação para contextos sociocul-
3.6 Desenvolver programas de
turais específicos). capacitação de profissionais do
setor pesqueiro
53
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
54
EIXO 3 | AÇÕES DE CAPACITAÇÃO
55
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
56
EIXO 3 | AÇÕES DE CAPACITAÇÃO
57
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
58
EIXO 3 | AÇÕES DE CAPACITAÇÃO
59
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
60
EIXO 4 | AÇÕES DE COMBATE AO LIXO NO MAR
61
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
Tópicos relevantes sobre lixo no mar a serem abordados no Plano Estadual de Resíduos
Sólidos:
62
EIXO 4 | AÇÕES DE COMBATE AO LIXO NO MAR
63
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
64
EIXO 4 | AÇÕES DE COMBATE AO LIXO NO MAR
65
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
66
EIXO 4 | AÇÕES DE COMBATE AO LIXO NO MAR
68
EIXO 4 | AÇÕES DE COMBATE AO LIXO NO MAR
69
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
EIXO 5
AÇÕES DE
MONITORAMENTO
E AVALIAÇÃO
O monitoramento é entendido como a re- 5.1 Desenvolver e implantar
alização de medidas repetidas por um lon- um Sistema Integrado de
Monitoramento Socioambiental
go período de tempo, ou seja, apresentam
continuidade. Programas e ações de moni- 5.2 Desenvolver e implantar
toramento recolhem dados que, ao serem um Programa de Diagnóstico e
avaliados criticamente, fornecem informa- Monitoramento do Lixo no Mar
ções importantes sobre o objeto de estudo,
5.3 Desenvolver e implantar um
suas dimensões e magnitudes de ocorrên- Programa de Monitoramento de
cia, além de mostrar tendências temporais. Impactos Causados pelo Lixo
Isso pode incluir: monitoramento ambiental no Mar
e monitoramento de programas, processos,
5.4 Alimentar uma Plataforma
parcerias ou iniciativas. A avaliação repre-
Unificada Informativa
senta a etapa de apreciação dos resultados
obtidos, a partir de um processo sistema-
tizado de monitoramento, utilizando como
referência uma linha de base original ou
uma meta estabelecida previamente.
70
EIXO 5 | AÇÕES DE MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO
71
RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
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EIXO 6
AÇÕES DE
EDUCAÇÃO
AMBIENTAL E
COMUNICAÇÃO
A Educação e Comunicação Ambiental vi- 6.1 Desenvolver um Programa
sam o conhecimento, a sensibilização e a de Educação Ambiental
Abrangente
conscientização sobre questões socioam-
bientais. Em última instância, elas levam ao 6.2 Incorporar a Cultura
engajamento dos diferentes setores para Oceânica nos Currículos e
promover mudanças de valores e atitudes Programas Educacionais
Formais e iIformais
em relação ao meio ambiente e à sustenta-
bilidade planetária, resultando em mudan- 6.3 Desenvolver um Plano de
ças de produção e consumo da sociedade. Comunicação
É necessário propor ações diferenciadas
para situações e públicos-alvo específicos 6.4 Desenvolver uma Plataforma
Educativa Digital
(ex. pescadores, indústria do plástico etc).
Também é preciso garantir a continuidade
das ações por meio do acesso universal à
informação considerando diferentes meios
e linguagens, respeitando a diversidade de
culturas.
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
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EIXO 6 | AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E COMUNICAÇÃO
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
Categoria
PLANEJAMENTO
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
GOVERNANÇA E
PRÓXIMOS PASSOS
As Ações de Enfrentamento ao Lixo no Mar Portanto, é essencial o compartilhamento
aqui recomendadas são direcionadas ao de conhecimento e experiências entre as
Grupo de Trabalho (GT) Lixo no Mar, que iniciativas que já se dedicam a enfrentar a
sediará e coordenará discussões e deci- poluição por lixo no mar no estado do Rio
sões referentes ao tema. Esse grupo será de Janeiro.
responsável pelo planejamento, implemen-
tação, governança e conexão com outras Para colaborar com este propósito, a Rede
políticas públicas ambientais estaduais, Oceano Limpo disponibiliza um painel inte-
bem como com os diversos setores da so- rativo que apresenta informações sobre a
ciedade, por meio de espaços e oportuni- atuação dos integrantes até a publicação
dades de participação social qualificada, deste documento. É importante salientar
como consultas públicas. que a contribuição dos atores sociais na
implementação das estratégias aqui pro-
Recomenda-se que a estruturação da es- postas é um dos passos da implementa-
tratégia inclua indicadores, metas, pra- ção e da estruturação da governança das
zos e previsão orçamentária para garantir mesmas. As atribuições deverão ser acor-
a eficácia e transparência no alcance dos dadas, formalizadas e documentadas, a
objetivos propostos. A estratégia deve ser fim de fomentar um processo participati-
alicerçada em bases científicas, visando vo e justo. Prevê-se incentivo à participa-
atingir os benefícios sociais, ambientais e ção da sociedade civil em abordagens de
econômicos esperados. Além disso, a im- ciência cidadã, a fim de complementar a
plementação da estratégia deve ser pauta- implementação e o desenvolvimento das
da pelos princípios da ética, transparência, ações. Espera-se que essa ação estimule a
equidade, diversidade e responsabilidade realização de iniciativas e campanhas co-
perante a sociedade, os quais devem ser laborativas, fundamentadas em uma pers-
aprofundados durante todo o processo. pectiva de longo prazo e de cooperação
institucional.
A estratégia aqui proposta baseia-se na
incorporação da mesma também por ins-
tituições de todos os setores. Além dos
órgãos públicos, é fundamental o envolvi-
mento da iniciativa privada, organizações
não governamentais, como universidades e
institutos de pesquisa, entre outros atores.
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
CAPÍTULO V
ESTUDO DE CASO:
MONITORAMENTO
DE LIXO NO MAR
EM UNIDADES DE
CONSERVAÇÃO
OBJETIVO DO tamento de Lixo no Mar (IPELM) e promover
a integração entre as equipes das UCs.
ESTUDO DE CASO
O evento contou com palestras de nive-
Esse estudo de caso tem como objetivo lamento e capacitação, seguidas por uma
apresentar a aplicação do Protocolo de dinâmica de elaboração de um esboço de
Monitoramento de Lixo no Mar em Unida- planejamento de lixo no mar com UCs ge-
des de Conservação (UCs) por parte de ograficamente próximas. Foi realizada uma
duas UCs do Estado do Rio de Janeiro, após atividade prática na Praia Vermelha (muni-
a capacitação do corpo técnico para mo- cípio do Rio de Janeiro), envolvendo coleta
nitorar e combater o lixo no mar, oferecida e triagem dos resíduos sólidos encontrados
no II Workshop da Rede Oceano Limpo - RJ. em dois transectos da Praia. Todo o mate-
rial coletado foi registrado em uma planilha
CONTEXTUALIZAÇÃO modelo, de acordo com sua composição e
quantidade. Por fim, os resultados da co-
No dia 28 de novembro de 2023 foi reali- leta foram apresentados e discutidos com
zado o II Workshop da Rede Oceano Lim- os participantes. Ao longo do evento tam-
po - RJ, direcionado para gestores e equipe bém foram pontuados outros métodos que
técnica das UCs, com o objetivo principal poderiam ser aplicados em diferentes am-
de promover o nivelamento conceitual e bientes costeiros e marinhos, em especial,
metodológico quanto a técnicas de moni- manguezais e ambientes subaquáticos.
toramento de lixo no mar, com ênfase no
macrolixo em praias. Além disso, buscou- Um total de 60 participantes estiveram
-se validar o Índice de Potencial de Enfren- presentes no evento, representando 17 UCs
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de nível federal, estadual e municipal, além Essas UCs desempenham um papel crucial
de outros representantes do poder público na conservação dos ecossistemas mari-
e terceiro setor. Essa diversidade de par- nhos e costeiros, e a iniciativa de monitora-
ticipantes contribuiu para enriquecer as mento do lixo no mar demonstra seu com-
discussões e promover uma abordagem promisso em proteger e preservar esses
integrada no enfrentamento ao problema ambientes naturais tão importantes para a
do lixo no mar no estado do Rio de Janeiro. biodiversidade e o bem-estar das comuni-
dades locais.
DIAGNÓSTICO DO LIXO
EM PRAIAS NAS UCs CARACTERIZAÇÃO DO LIXO
COLETADO NAS PRAIAS
Após a capacitação oferecida no II
Workshop da Rede Oceano Limpo - RJ,
duas UCs se mobilizaram para realizar o
Parque Estadual da Serra da
monitoramento do lixo no mar em praias
Tiririca (PESET)
de seus territórios. Até fevereiro de 2024,
De acordo com o Protocolo de Monitora-
as UCs envolvidas nesse esforço foram o
mento de Lixo no Mar apresentado, a coleta
Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET)
dos 4 transectos foi realizada na Praia de
e a Área de Proteção Ambiental de Maricá
Itacoatiara, no dia 27 de janeiro de 2024, e
(APAMAR).
contou com a participação de 34 pesso-
as. A triagem e categorização do material
O PESET, criado em 1991, está localizado nos
coletado foram realizadas posteriormente,
municípios de Niterói e Maricá. Este Parque,
no dia 29 de janeiro, com a presença de 5
que abriga trilhas e diversos atrativos na-
participantes.
turais, recebe visitantes ao longo de todo
o ano, sendo uma área de conservação im-
Utilizando como base metodológica o Pro-
portante em perímetro urbano. Sua área
tocolo de Monitoramento de Lixo no Mar
marinha é composta por praias e costões
em UCs, uma primeira avaliação visual de-
rochosos, enquanto sua área terrestre é
finiu a praia como “Grau B – Vestígio”, indi-
caracterizada por uma cadeia de monta-
cando que estava predominantemente livre
nhas que se estende do sudoeste ao nor-
de lixo, exceto por alguns pequenos itens.
deste em direção ao continente.
Durante a coleta, foram encontrados 0,4
itens por m² e 0,3 g de lixo por m².
A APAMAR foi criada em 1984 e engloba
parte da Restinga de Maricá, a Ponta do
No que diz respeito à composição do lixo
Fundão e toda a Ilha Cardosa, localizadas
coletado, temos a análise de tipo de ma-
no município de Maricá. Essa área protegida
terial (plástico, têxtil, vidro e cerâmica, me-
é associada a uma comunidade pesqueira
tal etc) e tipos de itens (cigarros, sacolas
artesanal local e é predominantemente co-
plásticas, latas, fragmentos de isopor não
berta por ecossistemas de restinga, com
identificados etc). Em relação ao tipo de
a presença de orlas lagunares e áreas de
material constatou-se que 75% dos itens
Mata Atlântica.
eram feitos de materiais plásticos, sendo
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
Item Número de %
itens
Fragmento de plástico flexível não identificado 118 18,9%
Fragmento de isopor não identificado (liso) 60 9,6%
Fragmentos de papel não identificados 55 8,80
Cigarros, filtros e bitucas 43 6,9%
Fragmento de isopor não identificado (granulado) 42 6,7%
Canudo 29 4,6%
Rótulos plásticos 28 4,5%
Fragmento de plástico rígido não identificado 25 4,0%
Embalagens de comida (fast food, copos etc) 23 3,7%
Tampas de garrafa de bebidas 20 3,2%
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Em relação à massa, é evidente a influên- Material coletado por tipo e quantidade em
cia dos demais itens coletados. Apesar da massa:
baixa densidade, o plástico contribui com
41,2% da massa total coletada, dos quais
Tipo de kg
21,1% são de isopor. Em seguida, encontram- material %
-se as categorias de látex/borracha (18%) e
metal (17,3%), que são materiais de maior Plástico 0.116 20,1%
densidade e, portanto, podem predominar Isopor 0.122 21,1%
na amostra em termos de peso em relação Têxtil 0.002 0,3%
aos demais itens. O papel representa 11,6% Vidro e cerâmica 0.049 8,5%
da massa total da amostra e tende a au- Metal 0.100 17,3%
mentar seu peso quando está molhado, o Papel e papelão 0.067 11,6%
que pode explicar sua contribuição signifi- Látex/borracha 0.104 18,0%
cativa para a massa total coletada. Madeira 0.002 0,3%
Multicamadas 0.001 0,2%
Outros 0.014 2,4%
TOTAL 0.577 100%
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
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Em relação à massa, a distribuição torna-se Material coletado por tipo e quantidade em
mais homogênea devido à influência dos massa:
demais itens coletados. Apesar do plástico
apresentar baixa densidade em compara- Tipo de kg
material %
ção com as demais categorias, ele continua
sendo uma das categorias predominantes, Plástico 1.183 17.0%
representando 22,7% da massa total cole- Isopor 0.397 5.7%
tada. Essa categoria fica logo abaixo da ca- Têxtil 0.061 0.9%
tegoria “outros”, a qual compõe 22,8% da Vidro e cerâmica 1.296 18.6%
amostra. Nesta categoria estão incluídos Metal 0.093 1.3%
36 resíduos de construção e demolição, Papel e papelão 0.026 0.4%
materiais que tendem a ser densos, como Látex/borracha 0.877 12.6%
cimento e tijolos. A madeira, um material Madeira 1.411 20.3%
com alta densidade e que tende a ficar Multicamadas 0.033 0.5%
mais pesado quando molhado, contribuiu Outros 1.585 22.8%
com 20,3% da massa total coletada. TOTAL 6.962 100%
Item Número de %
itens
Fragmento de plástico rígido não identificado 408 20,8%
Fragmento de plástico flexível não identificado 357 18,2%
Fragmento de isopor não identificado (liso) 128 6,5%
Cigarros, filtros e bitucas 115 5,7%
Fragmentos de embalagens de comida (fast food, copos etc) 103 5,2%
Haste flexível (cotonete) 94 4,8%
Tampas de garrafa de bebidas 88 4,5%
Tampas em geral 75 3,9%
Palito de pirulito 59 3,0%
Canudo 42 2,1%
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RECOMENDAÇÕES PARA A ESTRATÉGIA ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO AO LIXO NO MAR NO RIO DE JANEIRO
Um outro dado coletado é a quantidade de duos gerados por usuários da praia, consi-
marcas que podem ser identificadas nos derando variações sazonais.
itens. De um total de 23 marcas identifica-
das, as marcas Império e Coca-Cola foram A presença de fragmentos de materiais de
as mais recorrentes, registradas em 3 itens construção pode indicar processos ero-
cada. si- vos e redução de volume sedimentar,
impactando estruturas próximas à faixa de
areia da praia. O despejo irregular também
CONSIDERAÇÕES SOBRE deve ser investigado, pois pode ocorrer,
O DIAGNÓSTICO principalmente, em cursos d’água na região.
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mente são descartados de forma inade- Essas análises detalhadas da composição
quada. Essa ação é crucial para desenvolver do lixo na praia revelam informações cru-
estratégias e políticas eficazes no comba- ciais para o entendimento dos desafios
te à poluição marinha, baseadas no princí- ambientais locais. Destaca-se a importân-
pio da responsabilidade compartilhada na cia de abordagens integradas e adaptáveis
gestão de resíduos, conforme estabelecido para a gestão sustentável das praias, visan-
na Política Nacional de Resíduos Sólidos do à conservação do ecossistema costeiro
(PNRS). A participação ativa das empre- e à promoção de práticas mais responsá-
sas do setor privado na implementação da veis por parte da comunidade, usuários de
logística reversa é fundamental, sendo um praias e das autoridades locais.
dos pilares da PNRS.
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ANEXO I:
INSTITUIÇÕES
PARTICIPANTES DA REDE
OCEANO LIMPO-RJ
As instituições aqui listadas se referem a entidades que se cadastraram voluntariamente até fevereiro
de 2024 para fazer parte da Rede Oceano Limpo - RJ, e participaram de diferentes atividades desenvol-
vidas entre 2022 e 2023 para a construção deste documento. Estas instituições não necessariamente
endossam parcial ou totalmente o conteúdo deste documento.
ACADEMIA
90
Centro de Memória e Meio Ambiente Colônia de Pescadores de Copacabana/OCEANOSMUNDO
Coletivo LZ Miguel Pereira
Colonia Z10 de pescadores Ilha do Governador
Confederação Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Marinhas (CONFREM)
Cooperativa de catadores de Mangaratiba
CoopTubiacanga
Defensores do Planeta
FLEXCOOP cooperativa de catadores
Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO)
Guardiões do Mar
Instituto Ambientes em Rede
Instituto Atitude Ambiental
Instituto Boa Onda
Instituto Boto Cinza
Instituto Brasileiro de Biodiversidade (BrBio)
Instituto BVRio
Instituto Coral Vivo
Instituto Ecológico Aqualung
Instituto Escola do Mar
Instituto Fechando o Ciclo
Instituto Floresta Darcy Ribeiro (AmaDarcy)
Instituto Mar Urbano
Instituto Marinho para o Equilíbrio Socioambiental (Instituto Marés)
Instituto Neuen (Projeto OPAOMA em Ilha Grande)
Instituto Niemayer
Instituto PERMAMAR
Instituto Onda Azul
Instituto Rexponsa
Limpando Trilhas
Mais Reciclagem
Mar Sem Lixo
Nas Marés e Instituto Ecomar
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ambientes Costeiros (NEPAC) - Colégio Miguel Couto
One Earth One Ocean RIo
Observatório Socioambiental da Baía de Sepetiba
Planetapontocom
Praia Viva
Projeto Albatroz
Projeto Aruanã
Projeto Casa Plástica
Projeto Costão Rochoso
Projeto de Educação Ambiental da Baía de Guanabara (PEA-BG)
Projeto Do Mangue ao Mar - Guardiões do Mar
Projeto Grael
Projeto Ilhas do Rio - Instituto Mar Adentro
Projeto Mar de Conhecimento
Projeto Orla Sem Lixo
Projeto Pedra do Arpoador - Bota pra Girar
Projeto Verde Mar
Reciclando o Futuro
Salvemos São Conrado
Terreiro Sustentável
Ybá Mangue
91
SETOR PRIVADO
Águas do Rio
Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC)
Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST)
Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (ABRAFAS)
Bioelements
Black Forest
Blue Keepers - Pacto Global da ONU Brasil
Centro de Biologia Experimental Oceanus
Copo Vivo
Grupo BioTrabalho (GBioTra)
Impacta Consultoria de Sustentabilidade
Instituto Clima de Desenvolvimento Sustentável
Instituto Moleque Mateiro
JM Barros Consultoria Socioambiental e Empresarial
Mangue&Tal
Marulho Eco
PETROBRAS
Plastivida
Pólen Solução e Valoração de Resíduos
PROOCEANO Serviço Oceanográfico e Ambiental
Recicla Orla
Relgo Seguros - Programa Reservalores
RIOgaleão
Saude Contato
TideWise Engenharia e Serviços Navais
SETOR PÚBLICO
92
Parque Natural Municipal da Restinga de Massambaba
Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul
Reserva Biológica de Guaratiba
Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro
Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo
Reserva Extrativista Marinha de Itaipu
93