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BASE DE DADOS DE ALIMENTOS FUNCIONAIS E SEUS

COMPOSTOS BIOATIVOS

ANA CARLA MOREIRA DA SILVA

ORIENTADORA: Eliane Fialho de Oliveira

CO-ORIENTADOR: Mauro Barbosa de Amorim

Dissertação submetida à Universidade Federal do Rio de

Janeiro visando à obtenção de grau de Mestre em Nutrição

Programa de Pós-Graduação em Nutrição

Instituto de Nutrição Josué de Castro

Universidade Federal do Rio de Janeiro

2008

BASE DE DADOS DE ALIMENTOS FUNCIONAIS E SEUS CONSTITUINTES

QUÍMICOS

Dissertação submetida ao Instituto de Nutrição Josué de Castro da

Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários

para a obtenção do grau de Mestre em Nutrição.

Banca Examinadora:

Profa. Eliane Fialho de Oliveira Profa. Adjunto do Departamento de Nutrição Básica e Experimental/ INJC / UFRJ Orientadora

Prof. Mauro Barbosa de Amorim Prof. Adjunto do Núcleo de Pesquisa de Produtos Naturais / UFRJ Co-orientador

Profa. Cristiana Pedrosa Melo Porto Profa. Adjunto do Departamento de Nutrição Básica e Experimental/ INJC / UFRJ Revisor/Titular

Prof. Antonio Jorge Ribeiro da Silva Prof. Adjunto do Núcleo de Pesquisa de Produtos Naturais / UFRJ Titular

Profa. Maria Luiza Machado Campos Profa. Adjunto do Departamento de Ciência da Computação / UFRJ Titular

Prof. Alexandre Guedes Torres Prof. Adjunto do Departamento de Ciência da Computação/ UFRJ Suplente Externo

Profa. Eliane Lopes Rosado Profa. Adjunto do Departamento de Nutrição e Dietética/ INJC / UFRJ Suplente Interno

Ficha Catalográfica

Silva, Ana Carla Moreira

Base de Dados de Alimentos Funcionais e seus Constituintes Químicos/Ana

Carla Moreira da Silva. Rio de Janeiro: UFRJ/INJC, 2008

No de folhas xvi, 141 p.

Dissertação: Mestre em Nutrição – Universidade Federal do Rio de Janeiro,

INJC

1. Alimentos funcionais 2. Banco de dados 3. Compostos bioativos 4.

Metabólitos secundários 5. Dissertação

I. Base de Dados de Alimentos Funcionais e seus Compostos Bioativos.

II. Mestre

Este trabalho foi realizado no Núcleo de Pesquisa de Produtos Naturais e

Departamento de Nutrição Básica e Experimental, sob orientação da

Professora Eliane Fialho de Oliveira e co-orientação do Professor Mauro

Barbosa de Amorim, na vigência de auxílio concedido pela Coordenação

de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Dedico esta dissertação ao Professor Mauro Barbosa de Amorim pelo seu grande incentivo e auxílio.

Agradecimentos

Agradeço a todos que vivenciaram comigo este momento, principalmente à

minha mãe querida.

Lili, à sua grande perseverança e paciência.

A todos os membros do Laboratório da Lili e do Mauro.

Da SILVA, Ana Carla Moreira]. Base de dados de alimentos funcionais e seus compostos bioativos. Rio de Janeiro, 2008. Dissertação (Mestrado em Nutrição)—Instituto de Nutrição, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008

Resumo

É relativamente antiga a atenção atribuída a alimentos de fontes

vegetais que, além de seu valor nutritivo, podem também desempenhar

um papel na promoção da saúde humana e na prevenção de doenças

crônicas

degenerativas.

 

Contudo,

recentemente

vem

crescendo

o

interesse

em

estudar

e

caracterizar

estes

alimentos,

denominados

alimentos funcionais, bem como os seus compostos bioativos (metabólitos

secundários), responsáveis por essas propriedades preventivas. Do ponto

de vista sócio-econômico, é importante mencionar que estes compostos

bioativos podem ser encontrados em alimentos na forma natural e não

processada com valor econômico reduzido, como as frutas e as hortaliças.

Esse trabalho apresenta a elaboração de uma base de dados relacional

com livre acesso na Web de alimentos funcionais, o qual contém dados

associados com seus compostos bioativos, suas fórmulas moleculares e

suas atividades biológicas. Tal banco de dados está sendo realizado

através da pesquisa de dados na literatura científica e através do uso de

software

e

programas

livres

(MySQL,

sistema

de

gerenciamento

de

bancos

de

dados

relacionais;

PHPMyAdmin,

interface

gráfica

de

manipulação de bancos de dados administrados pela linguagem MySQL;

PHP,

linguagem

denominada

pré-processador

de

hipertexto

que

é

interpretada pelo servidor; JavaScript, linguagem interpretada pelo cliente

para processamento de páginas de hipertexto dinâmicas; e as ferramentas

usuais para o design e construção de páginas Web, como o HTML,

XHTML, CSS, XML, etc). O banco de dados pode ser acessado no

endereço

http://acd.ufrj.br/~tbocl/tbocl-bdalimento.php.

Existem

180

referências bibliográficas correspondentes ao ano de 1990 até 2007,

referenciando os grupos biossintéticos dos flavonóides, terpenos, taninos,

cumarinas e quinonas.Um banco de dados de acesso livre na internet

sobre alimentos funcionais tem como finalidade esclarecer o público em

geral, incluindo os profissionais de saúde, sobre as propriedades reais de

algumas substâncias químicas presentes nos alimentos e pode, inclusive,

incentivar novas pesquisas neste tema.

Da SILVA, Ana Carla Moreira]. Base de dados de alimentos funcionais e seus compostos bioativos. Rio de Janeiro, 2008. Dissertação (Mestrado em Nutrição)—Instituto de Nutrição, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008

Abstract

Is relatively old the knowledge that plant food, apart from their

nutritional value, can also play a role in the promotion of human health and

in prevention of chronic and degenerative diseases. There has recently

been a growing interest in study and characterize these foods, called

functional

foods,

as

well

as

the

bioactive

compounds

(secondary

metabolites) that are responsible for their therapeutic and preventive

properties. From the socioeconomic point of view, it is important to mention

that these chemical constituents may be found in natural, non-processed

low-priced foods, such as fruits and vegetables. This work report the

creation of a free access of Web relational database of functional foods,

which contains

data related to their

bioactive compounds, molecular

formula and biological activities. So, it is being accomplished through data

search in scientific literature and by use of free software and programming

languages

(MySQL-

a

relational

database

management

system,

PHPMyAdmin- a graphical user interface for manipulation of MySQL

managed databases, PHP- a server-side interpreted language of hypertext

preprocessing, JavaScript- a client-side interpreted language for dynamic

processing of

hypertext pages, and the usual tools for design and

construction of Web pages, such as HTML, XHTML, CSS, XML, etc). The

database can be accessed at http://acd.ufrj.br/~tbocl/tbocl-bdalimento.php.

There are 180 bibliographical references corresponding to the year of 1990

up to 2007, refering the flavonoids, terpenes, tannins, coumarins and

quinones biosynthetic groups. A free accessible internet database on

functional foods can clarify

the public in general, including health’s

professionals about the real properties of some chemicals present on foods

and can, even, encourage new researches on this area.

Lista de Abreviaturas:

APIs

Application Programming Interface

BD

Banco de Dados

BDR

Banco de Dados Relacional

DCL

Data Control Language (Linguagem de Controle de dados)

DDL

Data Definition Language (Linguagem de Definição de dados)

DML

Data Manipulation Language (Linguagem de Manipulação de dados)

ERO

Espécies Reativas de Oxigênio

HDL

Lipoproteína de Alta Densidade

HTML

Hypertext Markup Language (Linguagem de Marcação de Hipertexto)

LDL

Lipoproteína de Baixa Densidade

PHP

PHP Hypertext Preprocessing (Pré-processador de Hipertexto)

SOD

Superóxido Desmutase

SQL

Structured Query Language (Linguagem de Pesquisa Estruturada)

SGDB

Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados

Lista de figuras:

Figura 1: Exemplos de metabólitos provenientes da via do acetato. Figura 2: Exemplos de metabólitos provenientes da via do chiquimato. Figura 3: Classificação de terpenos segundo o número de carbonos. Figura 4: Exemplos de metabólitos provenientes da via do mevalonato. Figura 5: Colesterol. Figura 6: Biossíntese mista. Figura 7: Exemplos de carotenóides. Figura 8: Esqueletos básicos de compostos fenólicos. Figura 9: Estrutura básica das cumarinas. Figura 10: Estrutura da bergenina e seus análogos. Figura 11: Estrutura da embelina. Figura 12: Flavonóides. Figura 13: Quercetina. Figura 14: Exemplos de flavonóis e flavanóis. Figura 15: Apigenina. Figura 16: Ácido Tânico. Figura 17: Estrutura do banco de dados. Figura 18: Banco de dados. Figura 19: Pesquisa de opinião.

Lista de tabelas:

Tabela 1: Número de referências coletadas de cada grupo biossintético e suas respectivas substâncias.

Tabela 2: Exemplo de fontes alimentares e atividades biológicas por substância ou grupo biossintético.

Índice

1- INTRODUÇÃO

1

1.1. Alimentos Funcionais

1

1.2- Metabólitos primários e secundários

5

1.2.1- A via do acetato

6

1.2.2- A via do chiquimato

7

1.2.3- A via do mevalonato

8

1.2.4- Metabólitos secundários de biossíntese mista

11

1.3- Metabólitos secundários de importância fisiológica

12

1.3.1- Terpenos

13

1.3.2-Polifenóis

18

1.3.2.1- Cumarinas

20

1.3.2.1.1- Isocumarinas

22

1.3.2.2- Quinonas

23

1.3.2.3- Flavonóides

24

1.3.2.4- Taninos

30

1.4- Atividades biológicas

33

1.4.1- Mecanismos de ação

33

1.4.1.1- Atividade antioxidante

33

1.4.1.2- Mutação no DNA

1.4.2- Prevenção de doenças

1.4.2.1- Doenças cardiovasculares

1.4.2.2- Prevenção de doenças neurodegenerativas

1.4.2.3- Neoplasias

1.4.2.4- Doenças oculares

1.4.2.5- Diabetes Mellitus

1.5- Banco de dados

1.5.1- SQL (Structured Query Language)

1.5.1.1- MySQL (My- Structured Query Language)

1.5.2- PHP (Hypertext Preprocessing)

1.5.3- Histórico de banco de dados em alimentos

2- JUSTIFICATIVA

3- OBJETIVOS

3.1- Objetivo Geral

3.2- Objetivos Específicos

4- METODOLOGIA

35

36

36

39

40

42

43

45

46

47

47

48

50

51

51

51

52

4.1-Coleta de dados

52

4.2- Estrutura das Páginas Web

4.3- Estrutura do banco de dados

4.4- Pesquisa de Opinião e contador de acesso

5- RESULTADOS

5.1- Coleta de dados

5.2- Estrutura das Páginas Web

5.3- Estrutura do Banco de Dados

5.4- Pesquisa de opinião

6- DISCUSSÃO

6.1- Análise dos dados

6.2- Bancos de dados da literatura

7- CONCLUSÃO

8- PROPOSTAS FUTURAS

9- RERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

I.

Anexo

53

53

55

57

57

60

60

62

63

63

66

69

69

71

102

Manuscrito intitulado Functional foods database on bioactive

compounds in plant foods, em fase final de preparação, a ser

submetido para revista Journal of Food Composition and Analysis.

II. Anexo

123

Manuscrito intitulado Base de dados de Alimentos Funcionais e

Compostos Bioativos, em fase final de preparação, a ser submetido

para revista Química Nova.

Introdução

Introdução 1- INTRODUÇÃO 1.1- Alimentos funcionais É relativamente antigo o reconhecimento popular de que alguns

1- INTRODUÇÃO

1.1- Alimentos funcionais

É relativamente antigo o reconhecimento popular de que alguns alimentos,

particularmente as frutas e hortaliças promovam a saúde e evitam ou retardam o

aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis. Os alimentos funcionais são

definidos como alimentos que apresentam propriedades ou funções além daquelas

referentes aos nutrientes. É preciso considerar, contudo, definições mais técnicas,

que incluem desde aquelas de cunho mais normativo, regional (como, no Brasil, a da

Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA) ou internacional, até aquelas de

natureza mais científica ou mesmo comercial.

A resolução Nº 18 da ANVISA define alimentos funcionais como “O alimento ou

ingrediente que alegar propriedades funcionais ou de saúde e que pode, além de

exercer funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente, produzir efeitos

metabólicos e ou fisiológicos e ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro

para consumo sem supervisão médica”.

A American Dietetic Association (ADA) (2004), aborda do ponto de vista

científico os alimentos funcionais, incluindo todos os alimentos e aqueles fortificados,

enriquecidos ou acrescentados, que possuem potenciais efeitos benéficos para a

saúde quando consumidos como parte de uma dieta variada.

Outras

funcionais.

organizações

internacionais

apresentam

a

The

Internacional

Food

Information

Council

definição

de

alimentos

(IFIC)

apresenta

uma

definição simples para o termo: “Alimentos que promovem benefícios à saúde, além

da nutrição básica”. Essa definição é similar ao do International Life Science Institute

Introdução

Introdução of North America (ILSI): “Alimentos, que em virtude da presença de compostos ativos fisiologicamente,

of North America (ILSI): “Alimentos, que em virtude da presença de compostos

ativos fisiologicamente, promovem benefícios à saúde, além da nutrição básica”.

Contudo, outra organização, a Health Canada amplia essa definição: “Similar

em aparência com um alimento convencional e consumido como parte de uma dieta

usual, que demonstra benefícios fisiológicos, e/ou reduz o risco de doenças crônicas

além das funções nutricionais básicas, em virtude da presença de compostos

bioativos”.

É importante esclarecer a diferença, ressaltada pela Health Canada, entre

alimento funcional e composto bioativo, antes considerado nutracêutico, uma vez,

que o primeiro refere-se a alimentos convencionais, sendo parte de uma dieta usual,

já o segundo não corresponde a alimentos e sim

a “um produto isolado ou

purificado, derivado de alimentos e comercializado em diversas formas medicinais,

não usualmente associado com alimento”. O composto bioativo apresenta efeitos

benéficos ou promove proteção contra as doenças crônicas (Health Canada, 1998).

De acordo com essas definições, um conjunto de alimentos não modificados

por processos tecnológicos, como as frutas e as hortaliças, representa a mais

simples forma de se consumir alimentos funcionais. Por exemplo, a laranja, a

cenoura ou o tomate podem ser considerados alimentos funcionais devido à

presença de compostos bioativos como a quercetina, o beta-caroteno e o licopeno

(JONES & JEW, 2007).

Alimentos modificados, incluindo aqueles que foram fortificados com nutrientes

ou

acrescidos

com

compostos

fitoquímicos

(bioativos)

também

podem

ser

considerados alimentos funcionais. Entretanto, agrega-se um custo elevado a esses

alimentos, sendo, muitas vezes, inviável seu consumo para a população de baixa

renda e países subdesenvolvidos, como o Brasil.

Introdução

Introdução As substâncias químicas responsáveis pelas propriedades funcionais desses alimentos são chamadas

As substâncias químicas responsáveis pelas propriedades funcionais desses

alimentos são chamadas “compostos bioativos”, as quais apresentam atividades

biológicas diversas importantes à saúde humana. Essas substâncias recebem

também a denominação de metabólitos secundários, uma vez que são produzidas

pelos vegetais ou alguns animais de acordo com determinadas situações de

estresse biótico ou abiótico. Contudo, esses metabólitos não são essenciais à vida

dos organismos que o produzem, podendo conferir maior longevidade e melhor

propagação da espécie.

Desse

modo,

pode-se

citar

como

exemplo

de

alimentos

funcionais

as

leguminosas, como a soja, que contêm quantidades importantes de substâncias

fenólicas fisiologicamente ativas (McCUE

& SHETTY, 2004). Destacam-se as

isoflavonas

com

ação

fitoestrogênica

(genisteína,

daidzeína,

coumestrol

e

a

gliciteína). Estas substâncias têm despertado muito interesse pelas suas ações

estrogênica, antiestrogênica, anticarcinogênica, antiviral, antifúngica e antioxidante

(McCUE & SHETTY, 2004; HOLZER et al., 2007; HWANG et al.2006; CABRAL &

FERNANDES, 2007).

Frutas e hortaliças naturais têm sido altamente recomendadas (LAKO et al.,

2007; RAMASSAMY, 2006) pela riqueza em substâncias fenólicas, substâncias

sulfuradas,

glicosídios

indólicos,

fruto-oligossacarídios,

dentre

muitos

outros

compostos, principalmente pela ação antioxidante e seqüestrante de radicais livres,

carcinógenos e de seus metabólitos, os quais exercem ação protetora contra a

evolução

de

processos

degenerativos

que

conduzem

às

doenças

e

ao

envelhecimento precoce. Atualmente recomenda-se a participação de frutas e

hortaliças na dieta, em quantidades significativas, como cinco porções ao dia

(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). Da mesma forma, sucos e néctares de frutas

Introdução

Introdução naturais são altamente recomendados, como parte da dieta diária, pela presença das substâncias

naturais são altamente recomendados, como parte da dieta diária, pela presença

das substâncias fisiologicamente ativas, já mencionadas (KRIS-ETHERTON et al.,

2002).

O chá (chá verde e preto) e o vinho tinto têm sido reconhecidos como benéficos

à saúde, em quantidades moderadas, por conterem substâncias fenólicas, como a

catequina, a quercetina, a rutina e o resveratrol, com propriedades antioxidantes,

antiaterogênicas e anticancerígenas (YAO et al., 2006; YAMADA & WATANABE,

2007; KATIYAR et al., 2007; NIKFARJAM et al., 2006).

Algumas substâncias químicas, como resveratrol, antocianinas e quercetina,

encontradas na casca de uva e no vinho tinto, vem sendo relacionadas à baixa

mortalidade por doenças cardiovasculares, em certas regiões da França. Apesar

dessas

populações

ingerirem

elevadas

quantidades

de

gordura

saturada

e

apresentarem altos níveis de colesterol sangüíneo, semelhante à dos Estados

Unidos da América, a incidência e a morte por doenças cardíacas são muito

menores. Estudos de análise multivariada conduziram à conclusão de que a variável

dietética capaz de explicar essa diferença é a maior ingestão de vinho tinto pelos

franceses, o que define o paradoxo francês (de LANGE, 2007).

Peixes

e

outros

produtos

do

mar

são

altamente

recomendados

pela

predominância dos ácidos graxos poliinsaturados da família ω-3 e pela qualidade

nutritiva e funcional de suas proteínas (SHAHIDI, 2003).

A seguir está explicitado como essas substâncias de notável potencial benéfico

são formadas através do metabolismo secundário peculiar de alguns seres vivos.

 

Introdução

1.2- Metabólitos primários e secundários

 

Todos

os

organismos

realizam

reações

básicas

para

a

sobrevivência,

crescimento

e

reprodução,

utilizando

uma

imensa

variedade

de

compostos

orgânicos.

Forma-se,

então,

uma

rede

enzimática

integrada,

denominada

metabolismo

intermediário,

e

as

vias

envolvidas

são

conhecidas

como

vias

metabólicas.

Algumas das moléculas mais importantes à vida de todos os organismos são os

carboidratos, proteínas, gorduras e ácidos nucléicos e as vias responsáveis pelo

metabolismo destes participam do metabolismo primário, sendo que os compostos

envolvidos nela são metabólitos primários (DEWICK, 2002).

As moléculas cuja presença na natureza está mais limitada e apenas alguns

organismos as sintetizam são os metabólitos secundários, que necessitam de

determinadas condições para serem formados e seus benefícios para a natureza

não estão, muitas vezes, bem esclarecidos. Alguns são produzidos, por exemplo,

como substâncias tóxicas com função de defesa contra os predadores ou como um

agente colorido como a antocianina para a atração entre espécies (TORSSEL,

1983).

Os metabólitos secundários são biossintetizados por três vias básicas, sendo

estas: as vias do acetato, do chiquimato e do mevalonato;

A via do acetato corresponde à biossíntese de ácidos graxos e policetídeos, a

via

do

chiquimato

está

relacionada

aos

aminoácidos

aromáticos

e

aos

fenilpropanóides (cumarinas, flavonóides, quinonas) e a via do mevalonato refere-se

aos terpenóides e aos esteróides (DEWICK, 2002).

Alguns autores (DEWICK, 2002; TORSSEL, 1983) acrescentam mais uma via

biossintética, a via dos alcalóides, constituída por bases nitrogenadas derivadas

Introdução

Introdução principalmente de plantas. Contudo, sabe-se que os alcalóides possuem diversas rotas biossintéticas que

principalmente de plantas. Contudo, sabe-se que os alcalóides possuem diversas

rotas biossintéticas que estão relacionadas com as vias descritas anteriormente, e,

portanto, não possuem uma única via definida.

1.2.1- A via do acetato

O ácido acético ou seu equivalente biossintético, a acetil coenzima A (acetil

CoA), ocupa uma posição central na síntese de compostos naturais. As reações de

condensação linear de Claisen originam β-ceto ésteres, que por redução e uma nova

condensação produzem ácidos graxos ou por uma outra condensação direta

produzem policetídeos (TORSSELL, 1983).

Estes

compostos

podem

se

ciclizar

em

uma

variedade

de

compostos

aromáticos. A acetil CoA corresponde também ao ponto de partida para a síntese de

terpenóides.

CoA,

reagem

Em uma condensação ramificada, do grupamento ceto da acetoacetil

com

outra

molécula

de

acetil

CoA,

formando

o

β–hidroxi–β

metilglutarilCoA que é transformado em unidades “ativas” de isopreno e finalmente

nos terpenóides (TORSSELL, 1983).

Os

compostos

inclusos

na

via

do

acetato

são

os

ácidos

graxos

e

as

prostaglandinas e muitos compostos aromáticos como as antraquinonas e as

tetraciclinas (DEWICK, 2002). Tais compostos podem ser visualizados na figura 1.

Introdução

Introdução Protaglandina. Á c i d o o l é i c o A n t
Introdução Protaglandina. Á c i d o o l é i c o A n t

Protaglandina.

Introdução Protaglandina. Á c i d o o l é i c o A n t

Ácido oléico

Protaglandina. Á c i d o o l é i c o A n t r

Antraquinona.

o o l é i c o A n t r a q u i n

Tetraciclina

Figura 1: Exemplos de metabólitos provenientes da via do acetato.

1.2.2- A via do chiquimato

Uma variedade de compostos exibe a característica estrutural da cadeia C 6 -

aromático-C 3 , como alguns aminoácidos, os ácidos cinâmicos, as cumarinas, os

flavonóides, as ligninas, dentre outros (figura 2). Logo, se tornou evidente que estas

substâncias possuem a mesma origem (TORSSEL, 1983).

Introdução

Introdução C u m a r i n a Tirosina Fenilanina Figura 2: Exemplos de metabólitos
Introdução C u m a r i n a Tirosina Fenilanina Figura 2: Exemplos de metabólitos

Cumarina

Introdução C u m a r i n a Tirosina Fenilanina Figura 2: Exemplos de metabólitos

Tirosina

Introdução C u m a r i n a Tirosina Fenilanina Figura 2: Exemplos de metabólitos

Fenilanina

Figura 2: Exemplos de metabólitos povenientes da via do chiquimato.

Muitos dos intermediários metabólicos dessa via foram identificados através de

estudos com uma série de mutantes da Escherichia coli preparados por irradiação

UV. Assim, seus requerimentos nutricionais para o crescimento e todos os seus

produtos formados foram caracterizados (DEWICK, 2002).

Esta via corresponde ao metabolismo de plantas e microrganismos e não de

animais; portanto as substâncias formadas só poderão ser adquiridas pelos seres

humanos através da dieta.

1.2.3- A via do mevalonato

Os

compostos

formados

na

via

do

terpenóides e os esteróides.

mevalonato

são

principalmente

os

Introdução

Introdução Os terpenos são originados a partir de unidades C 5 denominadas unidades de isopentenil ou

Os terpenos são originados a partir de unidades C 5 denominadas unidades de

isopentenil ou isopreno (C 5 H 8 ).

Os terpenos podem ser classificados de acordo com o número de unidade C 5 :

monoterpenos,

C 10 ;

sesquiterpenos,

C 15 ;

diterpenos,

C 20 ;

sesterpenos,

C 25 ;

triterpenos, C 30 ; e tetraterpenos, C 40 . Essa classificação está disposta na figura 3.

4 0 . Essa classificação está disposta na figura 3. Figura 3: Classificação de terpenos segundo

Figura 3: Classificação de terpenos segundo o número de carbonos.

Introdução

Introdução O sub-grupo tetraterpeno representa o grupo metabólitos secundários estudados em alimentos, com maior

O

sub-grupo tetraterpeno

representa

o grupo

metabólitos

secundários

estudados em alimentos,

com maior prevalência

de

citando,

como exemplo, os

carotenóides (o licopeno – figura 4, a luteína, o β-caroteno e etc). Cabe ressaltar que

os carotenóides são tetraterpenos, pois possuem 40 carbonos, porém nem todos os

tetraterpenos são carotenóides: por exemplo, o diplopterol, relatado na literatura

como auxiliador dos processos oxidativos em plantas (figura 4) (HANISCH et al.,

2003). Contudo pouco está descrito na literatura a respeito de tetraterpenos outros

que não os carotenóides apresentando atividade biológica em alimentos.

apresentando atividade biológica em alimentos. Licopeno Diplopterol Figura 4: Exemplos de metabólitos

Licopeno

apresentando atividade biológica em alimentos. Licopeno Diplopterol Figura 4: Exemplos de metabólitos provenientes

Diplopterol

Figura 4: Exemplos de metabólitos provenientes da via do mevalonato.

Dentre a variedade de utilidades desses compostos, pode-se destacar o uso de

óleos essenciais para a indústria de perfumes e cosméticos.

Os esteróides são derivados de triterpenóides contendo um sistema de anel

tetracíclico de lanosterol, mas com a ausência de três grupamentos metila no C-4 e

C-14.

O colesterol é a estrutura fundamental, onde algumas modificações permitem a

formação de uma grande variedade de produtos naturais de importância biológica:

por

exemplo,

esteróis,

saponinas

esteroidais,

glicosídeos,

ácidos

biliares,

corticosteróides e hormônios sexuais (DEWICK, 2002).

Introdução

Introdução Figura 5: Colesterol. 1.2.4- Metabólitos secundários de biossíntese mista As vias metabólicas descritas
Introdução Figura 5: Colesterol. 1.2.4- Metabólitos secundários de biossíntese mista As vias metabólicas descritas

Figura 5: Colesterol.

1.2.4- Metabólitos secundários de biossíntese mista

As vias metabólicas descritas anteriormente originam um grande número de

metabólicos secundários.

Contudo,

cabe ressaltar que muitos deles possuem

biossíntese mista, ou seja, a sua síntese depende de mais de uma via metabólica.

Pode-se citar como exemplo a família dos flavonóides que apresenta a sua rota

biossintética derivada da via do acetato e da via do chiquimato (figura 6).

Introdução

Introdução Figura 6: Biossíntese mista. 12 | P á g i n a
Introdução Figura 6: Biossíntese mista. 12 | P á g i n a

Figura 6: Biossíntese mista.

 

Introdução

1.3- Metabólitos secundários de importância fisiológica.

 

A

seguir

serão

descritos

alguns

metabólitos

secundários

de

importância

significativa à saúde humana de acordo com estudos relatados na literatura.

1.3.1- Terpenos

Os mecanismos biossintéticos dos terpenos foram explicitados anteriormente

no item 1.2.4, que corresponde à via do mevalonato.

Os terpenos apresentam uma importante função ecológica atuando como um

mensageiro interno e externo, funcionando como agentes alelopáticos, repelente

contra insetos ou atrativos para os insetos polinizarem as plantas (HARREWIJAN et

al, 2001). Uma outra função é vista na defesa e na região da ferida na espécie da

árvore do pinho onde uma indução coordenada da biossíntese dos terpenóides e

dos ácidos de resina é observada (KREUZWIESER et al, 1999).

As plantas em locais extremos freqüentemente têm que tolerar temperaturas

elevadas. A correlação direta entre a concentração do isopreno e a tolerância

térmica conduziu a uma especulação que estes compostos aumentam a tolerância

térmica, interagindo com as membranas das plantas (SHARKEY & SINGSAAS,

1995; SINGSAAS et al, 1997). Tal interação da membrana é suposta também para

funções fisiológicas e farmacológicas no homem.

Poucas evidências científicas apontam para a ação antioxidante em plantas,

mas alguns deles ou seus precursores agem como um sistema de eliminação para

moléculas agressivas externas na fase gasosa, tal como a emissão de isopreno que

evita os danos do ozônio (LORETO et al, 2001).

Os terpenóides representam a

base das numerosas drogas sintetizadas a partir de plantas usadas no tratamento

Introdução

Introdução da dor, do frio, da bronquite e das doenças gastrointestinais (KOHLER et al , 2000),

da dor, do frio, da bronquite e das doenças gastrointestinais (KOHLER et al, 2000),

nas quais as espécies reativas de oxigênio (ROS) possivelmente estão envolvidas.

Os terpenos apresentam características lipofílicas e possuem uma importante

atividade antioxidante em sistemas lipofílicos, podendo atuar, inclusive, na inibição

da oxidação da LDL, evitando o desenvolvimento da aterosclerose (GRABMANN et

al., 2001, 2005).

Dentre

os

terpenóides

estudados

merece

destaque

o

sub-grupo

dos

tetraterpenos, que inclui substâncias como a luteína, o licopeno, a zeaxantina, a β-

criptoxantina

e

o

α-caroteno

(figura

7). Estas

substâncias

correspondem

aos

carotenóides de maior concentração no plasma humano e são as mais relatadas na

literatura devido aos seus significativos efeitos biológicos à saúde humana. Três

desses carotenóides, o β-caroteno, o α-caroteno e a β-criptoxantina possuem função

de pró-vitamina A e podem ser convertidas em retinol (KILDAHL-ANDERSEN et al.,

2007).

Introdução

Introdução Luteína Zeaxantina α -caroteno Criptoxantina 15 | P á g i n a
Introdução Luteína Zeaxantina α -caroteno Criptoxantina 15 | P á g i n a

Luteína

Introdução Luteína Zeaxantina α -caroteno Criptoxantina 15 | P á g i n a

Zeaxantina

Introdução Luteína Zeaxantina α -caroteno Criptoxantina 15 | P á g i n a

α-caroteno

Introdução Luteína Zeaxantina α -caroteno Criptoxantina 15 | P á g i n a

Criptoxantina

Introdução

Introdução β -caroteno Figura 7: Exemplos de carotenóides. Antigamente, a importância funcional desses terpenos
Introdução β -caroteno Figura 7: Exemplos de carotenóides. Antigamente, a importância funcional desses terpenos

β-caroteno

Figura 7: Exemplos de carotenóides.

Antigamente, a importância funcional desses terpenos estava atrelada apenas

à função de pró-vitamina A, contudo as pesquisas recentes vêm relacionando-os

com outras funções biológicas de grande importância à saúde humana.

Alguns estudos têm demonstrado que o elevado consumo de tomate está

relacionado com a redução do risco de alguns tipos de câncer (FRANCESCHI et al.,

1994) e, também, pode contribuir com uma menor incidência de doença isquêmica

coronariana (GERSTER, 1997). Essas propriedades benéficas do tomate são

atribuídas ao conteúdo de tetraterpenos presente, particularmente licopeno e β-

caroteno, os quais acumulam no plasma e tecidos de acordo com a ingestão

(OSHIMA et al., 1996).

A luteína pertence ao grupo de pigmentos de plantas denominados xantofilas

(carotenóides contendo oxigênio). Ela está presente em muitas frutas, vegetais,

particularmente nos vegetais verde-escuros como o espinafre e a couve (WANG et

al., 2006) e corresponde a um dos tetraterpenos mais prevalentes no soro humano

(KHACHIK et al., 1997c). Uma dieta rica em luteína está associada com redução do

risco de doenças oculares como a degeneração macular, a principal causa de

cegueira entre a população idosa (SNODDERLY, 1995; CHEW et al., 1996).

Apresenta também um potencial antioxidante (ZHANG et al., 1991; WANG et al.,

Introdução

Introdução 2006) e foi demonstrado que aumenta a função imune, suprime o crescimento de tumor mamário

2006) e foi demonstrado que aumenta a função imune, suprime o crescimento de

tumor mamário e eleva a proliferação de linfócitos (CHEW et al., 1996; HADDEN et

al., 1999), protege a pele dos danos causados pela luz ultravioleta e previne

doenças cardiovasculares e câncer (MICHAUD et al., 2000; SLATTERY et al., 2000).

O licopeno, assim como a luteína, é um dos carotenóides mais prevalentes no

soro humano. Na dieta está presente principalmente em frutas e vegetais vermelhos

escuros, como o tomate (HOLDEN et al., 1999) e o seu consumo e níveis séricos

estão

relacionados

à

redução

do

risco

de

desenvolvimentos

de

doenças

cardiovasculares (ARAB & STECK, 2000; WILLCOX et al., 2003) e câncer de

próstata (CHAN et al., 2005; GIOVANNUCCI, 2005). Dados referentes a um estudo

de intervenção placebo controlado sugerem que o consumo de licopeno (tanto na

forma de suplemento como na forma de tomates processados) pode reduzir o dano

ao DNA (ASTLEY et al., 2004; ZHAO et al., 2006) e pode promover efeitos benéficos

no câncer de próstata (KUCUK et al., 2004; KUCUK et al., 2002; ANSARI & GUPTA,

2003; van BREEMEN, 2005) e de pulmão (LIU et al., 2003; WANG, 2005).

O β-caroteno também se apresenta em elevada concentração no sangue e

tecidos

humanos,

além

de

estar

presente

de

forma

significante

na

dieta,

principalmente em vegetais folhosos verde-escuros e frutas e hortaliças alaranjadas

(SCHMITZ et al., 1991). Este composto está sendo mais estudado com relação aos

seus efeitos protetores contra o desenvolvimento de câncer, como o de mama (CHO

et al., 2003) e pulmão (van POPPEL, 1993).

Em um estudo clínico (Physicians Health Study) prospectivo e caso-controle

entre esportistas do sexo masculino sem diagnóstico de doença cardiovascular

durante 13 anos, observou-se que concentrações plasmáticas basais de β-caroteno,

α-caroteno e licopeno foram inversamente relacionadas com o infarto isquêmico

 

Introdução

(HAK

et

al.,

2004).

Entretanto,

esses

investigadores

também

demonstraram

nenhuma

evidência

de

efeitos

protetores

de

concentrações

elevadas

de

carotenóides no plasma contra o infarto do miocárdio (HAK et al., 2003).

A zeaxantina está presente em maior concentração no espinafre e couve,

possuindo conteúdo significativo nos brócolis, ervilha e gema de ovo (HANDELMAN

et al., 1999; SURAI et al., 2000). Este carotenóide, associado com a luteína, está em

altas concentrações na retina e nas lentes, o que confere a ambos uma proteção à

saúde ocular (BERNSTEIN et al., 2001).

A β-criptoxantina possui como fontes dietéticas importantes a manga, o

pêssego, o mamão papaia, a laranja e a tangerina (WINGERATH et al., 1995). Este

carotenóide apresenta funções na formação óssea (YAMAGUCHI & UCHIYAMA,

2003) e inibição de câncer de pulmão (KOHNO et al., 2001).

1.3.2-Polifenóis

Os compostos fenólicos constituem um grupo diverso de compostos químicos,

apresentando mais de 8000 compostos identificados até o momento, que possuem

uma característica em comum: a presença de ao menos em um grupamento arila

com pelo menos um grupamento hidroxila ligado (O’CONNELL & FOX, 2001), como

mostrado na figura 8.

Os

compostos

fenólicos

são

amplamente

distribuídos

na

natureza

e

demonstram

um

comportamento

não-uniforme

durante

o

desenvolvimento

da

hortaliça ou da fruta em resposta aos fatores externos. A síntese desses compostos,

além do componente genético e do estágio de desenvolvimento, é influenciada por

diversos fatores ambientais como a disponibilidade de nutrientes, a temperatura e,

em particular, a luz (O’CONNELL & FOX, 2001).

Introdução

Introdução Muitas das enzimas envolvidas na síntese de polifenóis são induzidas pela luz (TREUTTER, 2001) e

Muitas das enzimas envolvidas na síntese de polifenóis são induzidas pela luz

(TREUTTER, 2001) e a concentração total desses fenóis é maior na casca das

frutas, pois é esta parte que ficam em maior contato com radiação solar (AWAD et

al, 2001).

em maior contato com radiação solar (AWAD et al , 2001). Figura 8: Esqueletos básicos de

Figura 8: Esqueletos básicos de compostos fenólicos.

Os polifenóis presentes na casca são eficientes protetores do dano induzido

pelos raios UV-B (SOLOVCHENKO & SCHMITZ-EIBERGER, 2003) e estão também

Introdução

Introdução envolvidos na defesa em situações de estresse, como o ataque de patógenos (TREUTER, 2001). Pode-se

envolvidos na defesa em situações de estresse, como o ataque de patógenos

(TREUTER, 2001). Pode-se citar como exemplo de polifenóis os estilbenos, as

cumarinas, as antraquinonas, os flavonóides e os taninos. Essas substâncias

apresentam uma série de funções biológicas importantes à saúde, como descrito

nos sub-itens a seguir.

1.3.2.1- Cumarinas

As cumarinas (1,2-benzopironas; 2H-1-benzopina-2-onas; lactonas do ácido

cis-o-cumarínico; anidridos cumarínicos; ou cânforas de cumaru) são compostos que

contêm um anel aromático unido com um anel lactona (figura 9). São solúveis em

etanol, clorofórmio, éter dietil e óleos e é pouco solúvel em água. (COHEN, 1979).

dietil e óleos e é pouco solúvel em água. (COHEN, 1979). Figura 9: Estrutura básica das

Figura 9: Estrutura básica das cumarinas.

A hidroxilação na posição orto à cadeia lateral do ácido cinâmico é um passo

crucial na formação das cumarinas (TORSSEL, 1983) e, portanto, os organismos

que possuem um sistema enzimático capaz de o-hidroxilar o cinamato podem

biossintetizá-las. Desse modo, as cumarinas estão amplamente distribuídas entre as

plantas, particularmente nas famílias Umbelliferae (temperos verdes) e Rutaceae

(limoeiro).

Introdução

Introdução Devido às suas propriedades biológicas, as cumarinas podem apresentar usos medicinais. Por exemplo, a

Devido às suas propriedades biológicas, as cumarinas podem apresentar usos

medicinais. Por exemplo, a habilidade das cumarinas em ativar macrófagos propicia

o seu uso para o tratamento de edema e as suas propriedades imunomoduladoras

podem ser benéficas ao tratamento de brucelose (EGAN et al., 1990).

As cumarinas estão sendo utilizadas, freqüentemente, em ensaios clínicos para

o tratamento de linfoedema, câncer de mama e pulmão e carcinoma renal. Seu uso,

tanto

na forma

isolada

(THORNES

et

al.,

1989) quanto

na combinada

com

cimetidina, mostra-se um tratamento antineoplásico eficiente (COX et al., 1989;

DEXEUS et al., 1990; et al., MARSHALL et al., 1987a; MASHALL et al., 1989).

As cumarinas vêm sendo atualmente estudadas devido às suas propriedades

de fluorescência e atividades fisiológicas, como anti-coagulante (dicoumarol), foto-

sensibilizante na derme (furocumarinas - constituente de plantas que pode ser

utilizada para o tratamento de vitiligo e lesões na pele), diurética, hepatotóxica,

estimulante respiratório, vasodilatadora e antibacteriana (SMYTH et al., 2006).

As

fontes

alimentares

das

cumarinas

incluem

as

frutas,

como

o

mirtilo

(Vaccinium myrtillus) e amora-branca-silvestre (Rubus chamaemorus), chá verde

(Camellia sinensis L.) e chicória (Chicorium indivia, L.) (SMYTH et al., 2006).

Baseado

nos

dados

de

ingestão

sobre

alimentos,

bebidas,

caramelos

confeccionados, goma de mascar, bebidas alcoólicas, o máximo de ingestão diária

pode

ser

calculado

por

4,085

mg/dia

ou

consumidores de 60 kg (LAKE, 1999).

0,07

mg/kg/dia

de

cumarinas

para

Introdução

Introdução 1.3.2.1.1- Isocumarinas A bergenina, uma isocumarina, pode se destacar como um representante biologicamente

1.3.2.1.1- Isocumarinas

A bergenina, uma isocumarina, pode se destacar como um representante

biologicamente ativo das isocumarinas, cujas propriedades englobam as funções

hepatoprotetoras (LIM et al, 2000), antifúngicas (PRITHIVIRAI et al., 1997) e anti-

HIV (PIACENTE et al., 1996). Um estudo conduzido para avaliar as propriedades

anti-HIV

das

frutas

vermelhas

(Ardisia

japonica),

determinou

uma

série

de

compostos

isolados

no

extrato

da

planta;

contudo

apenas

a

bergenina

e

a

norbergenina (figura 10) foram realmente efetivas atuando na inibição da replicação

viral (PIACENTE et al., 1996). Outro estudo demonstrou que a desmetoxibergenina,

um derivado da bergenina, pode ser efetivo contra o desenvolvimento de células

envolvidas no câncer de mama. (SUMINO et al., 2002).

envolvidas no câncer de mama. (SUMINO et al ., 2002).   R 1 R 2 R
 

R

1

R

2

R

3

Norbergenina

H

H

H

Bergenina

H

CH 3

H

Tri-O-metil-

     

norbegenina

CH 3

CH 3

CH 3

Figura 10: Estrutura da bergenina e seus análogos.

Introdução

Introdução 1.3.2.2- Quinonas Quinonas correspondem a qualquer membro da classe de compostos orgânicos contendo dois

1.3.2.2- Quinonas

Quinonas correspondem a qualquer membro da classe de compostos orgânicos

contendo dois grupos carbonilas adjacentes ou separados por um grupamento

vinileno (CH=CH) em um anel insaturado de 6 membros.

Um estudo verificou que a preincubação de galato de (-)-epigalocatequina

(EGCG) e ardisina em hepatócitos resulta em um aumento significativo nos níveis de

glutationa peroxidase, com conseqüente elevação da atividade da mesma, e na

formação de malondialdeído (RAMÍREZ-MARES & GONZALES DE MEJÍA, 2003).

Entre as quinonas pode-se destacar a embelina (figura 11), uma benzoquinona,

originalmente isolada de frutas vermelhas de Embelia ribes Burm. F. (Myrsinaceae),

que exibe uma variedade de atividades, como analgésica (ATAL et al., 1984),

antibacteriana

(CHITRA

et

al.,

2003),

anti-helmíntica

(BOGH

anticarcinogênica (CHITRA et al, 1994).

HO

O O
O
O

(CH 2 ) 10

OH

Me

et

al,

1996)

e

Figura 11: Estrutura da embelina.

Introdução

Introdução 1.3.2.3- Flavonóides Os flav onóides são produtos da unidade iniciadora de cinamoil CoA que é

1.3.2.3- Flavonóides

Os flav

onóides são produtos da unidade iniciadora de cinamoil CoA que é

acrescida de três moléculas de malonil CoA. Os produtos iniciais desse processo, as

chalconas, agem como precursores de um grande e variado número de flavonóides,

a maioria contendo seis membros em um anel heterocíclico (TORSSEL, 1983).

São caracterizados estruturalmente pela presença de dois anéis aromáticos

hidroxilados, A e B, unidos por um fragmento de três carbonos. Um grupamento

hidroxila, normalmente, está ligado a uma molécula de açúcar. Até o momento foram

identificados cerca de 6000 tipos, contudo um grupo pequeno é considerado

importante do ponto de vista dietético (HARBONE & WILLIANS, 2000).

De acordo com as características químicas e biossintéticas, os flavonóides são

separados em diversas classes: chalconas, flavonóis, flavonas, dihidroflavonóides

(flavanonas e flavanonóis), antocianidinas, isoflavonóides, auronas, neoflavonóides,

biflavonóides, entre outros (figura 12) (SIMÕES, 2002).

Introdução

Introdução Figura 12: Flavonóides. 25 | P á g i n a
Introdução Figura 12: Flavonóides. 25 | P á g i n a

Figura 12: Flavonóides.

Introdução

Introdução Vários fatores ambientais influenciam a produção de flavonóides nas plantas, como, por exemplo,

Vários fatores ambientais influenciam a produção de flavonóides nas plantas,

como, por exemplo, infecção, temperatura, nutrição, injúria, metabolismo do açúcar

e do nitrogênio e qualidade de radiação. A radiação solar é um dos fatores que, via

de regra, está relacionada à variação quantitativa. Muitos trabalhos demonstraram

que há um aumento quantitativo de flavonóides em órgãos expostos à luz, em

comparação com aqueles que estão à sombra (HILLIS & SWAIN, 1959; BOHM,

1987; HOLST, 1977).

Adicionalmente, contribuem para a coloração das plantas, sendo: amarelo para

as chalconas; vermelho, azul e violeta para as antocianidinas. Esta propriedade

permite a absorção das cores pela radiação UV e subseqüente atração de insetos

que auxiliam na polinização (DEWICK, 2002).

Essas

substâncias

apresentam

inúmeras

atividades

biológicas

como

a

atividade antioxidante, proteção contra doenças cardiovasculares e certas formas de

câncer, dentre outras (SIMÕES, 2002). A sua natureza polifenólica auxilia na

eliminação dos danos causados por radicais livres como os radicais superóxido e

hidroxila. Cabe destaque à quercetina (figura 13) que está quase sempre presente

em quantidades significativas nos tecidos das plantas (DEWICK, 2002; HAYEK et al,

1997; CHOPRA et al, 2000). As atividades características dessa substância são a

sua atividade antioxidante (HAYEK et al, 1997; CHOPRA et al, 2000), anti-

agregatória (PIGNATELLI et al, 2000) e vasodilatadora (PEREZ-VIZCAINO et al,

2002). Os mecanismos ainda são desconhecidos, mas é possível que diversos tipos

de eventos bioquímicos os precedam. A atividade antioxidante, por exemplo, pode

ser o resultado de uma quelação com um metal (FERRALI et al, 1997; SESTILI et al,

1998), eliminação de radicais (HUK et al, 1998; AHERNE et al, 2000), inibição

enzimática (DA SILVA et al, 1998; NAGAO et al, 1999), e/ou indução da expressão e

Introdução

Introdução modulação de enzimas antioxidantes, como a glutationa peroxidade e superóxido desmutase (MYHRSTAD at al ,

modulação de enzimas antioxidantes, como a glutationa peroxidade e superóxido

desmutase (MYHRSTAD at al, 2002). A anticarcinogênese, por sua vez, pode ser o

resultado da inibição enzimática (AGULLO et al, 1997; HUANG et al, 1997), ou

efeitos antioxidantes e na expressão de genes, como o CDKN1A, o TP53I11 e o

CDC14 (ISE et al., 2005; HANSEN et al, 1997; PIANTELLI et al, 2000; XING et al,

2001).

et al , 1997; PIANTELLI et al , 2000; XING et al , 2001). Figura 13:

Figura 13: Quercetina.

Os flavonóis (figura 14) no vinho tinto (campferol, quercetina e antocianidina) e

os flavanóis no chá (catequina e epigalocatequina) também têm demonstrado seu

potencial efeito antioxidante (PEREZ-VIZCAINO et al, 2002).

Introdução

Introdução Figura 14: Exemplos de flavonóis e flavanóis. Correlações positivas existem entre o consumo
Introdução Figura 14: Exemplos de flavonóis e flavanóis. Correlações positivas existem entre o consumo

Figura 14: Exemplos de flavonóis e flavanóis.

Correlações

positivas

existem

entre

o

consumo

de

alimentos

ricos

em

flavonóides

e

doenças

cardíacas (HERTOG

et

al,

1993;

LESLIE

et

al,1989;

MELNICK et al, 1993; SAMMAN et al,1998; SLLUITER at al, 1993; VECKNESTEDT

& PUSZTAI, 1981). Há investigações empregando extratos de plantas contendo

flavonóides e utilizando modelos em animais em que foram induzidas doenças

vasculares (RAJENDRAN et al,1997).

A apigenina (figura 15) e outros flavonóides têm atividade antiviral e esta ação

é importante nas miocardites. Este é um processo de infiltração inflamatória do

miocárdio na qual ocorre degeneração e necrose dos miócitos. Este processo está

associado a viroses, e os vírus influenza e picornavírus são possíveis causadores

dessas inflamações. Após a invasão dos miócitos, os vírus replicam e causam a sua

Introdução

Introdução morte e a lise das células, liberando miosina que ativa e atrai os leucócitos. Em

morte e a lise das células, liberando miosina que ativa e atrai os leucócitos. Em

seguida,

ocorre

adesão

de

leucócitos,

diapedese

e

liberação

de

fatores

inflamatórios. Os flavonóides impedem tais processos, atuando como substâncias

antivirais, inibindo também a atividade da tirosina quinase, uma enzima chave em

mecanismo de sinalização celular de miocardite mediada por vírus (LESLIE et

al,1989; MELNICK et al, 1993; SAMMAN et al,1998; SLLUITER at al, 1993;

VECKNESTEDT & PUSZTAI, 1981).

SLLUITER at al , 1993; VECKNESTEDT & PUSZTAI , 1981). Figura 15: Apigenina. Estudos realizados por

Figura 15: Apigenina.

Estudos realizados por Kellis e Vickery (KELLIS E VICKERY, 1984) mostraram

o efeito de flavonóides também sobre a enzima estrogênio sintetase citocromo P-

450, que catalisa a conversão de androgênios em estrogênios (formados a partir do

colesterol).

Os

flavonóides

têm

ação

inibidora

sobre

a

transformação

da

androstenodiona para estrona e de testosterona para estradiol. Segundo estes

pesquisadores, os flavonóides podem competir com os esteróides, e a interação dos

flavonóides com certas monoxigenases alteram a sua atividade e conseqüentemente

o metabolismo dos hormônios esteroidais. Esta ação é relevante, tendo em vista que

os glicocorticóides aumentam a taxa de mobilização de gordura pelo aumento da

Introdução

Introdução permeabilidade da membrana celular e diminuem a entrada de lipídeos para o interior das células.

permeabilidade da membrana celular e diminuem a entrada de lipídeos para o

interior das células.

A pesquisa dos efeitos de flavonóides como estrogênicos é um mecanismo de

ação

importante para

explicar os

seus efeitos no metabolismo

lipídico e

na

prevenção

da

aterosclerose.

Em

coelhos,

ratos

e

aves,

verificou-se

que

a

administração de estrógenos previne a aterosclerose (NATAN &CHAHURI, 1997).

Para

uma

completa

compreensão

dos

efeitos

vasoprotetores

dos

hormônios

estrogênicos é importante verificar os seus diversos mecanismos de ação. Eles

podem agir diminuindo a síntese da apolipoproteína A, prevenindo a oxidação

lipídica, aumentando a concentração da lipoproteína HDL, inibindo a proliferação de

células do músculo liso, inibindo a síntese do colágeno e prevenindo, assim, a

agregação plaquetária e promovendo ainda a dilatação dos vasos sangüíneos. Os

flavonóides como quercetina, genisteína, isoliquirritigenina e apigenina podem, por

estas ações, se ligar a receptores de estrogênios do tipo II (MIKSICEK, 1993;

SCAMBIA, 1990).

1.3.2.4- Taninos

Os taninos podem ser classificados como hidrolisáveis e não hidrolisáveis

(proantocianidinas) (SINGLETON & KRATZER, 1973). Os taninos hidrolisáveis por

meio da hidrólise ácida liberam ácidos fenólicos: gálico, caféico, elágico e glicose

(SGARBIERI, 1996). O ácido tânico (figura 16) é um típico tanino hidrolisável, o qual

pode

ser

degradado

KRATZER, 1973).

por

enzimas

ou

de

forma

espontânea

(SINGLETON

&

Introdução

Introdução Figura 16: Ácido Tânico. Os taninos não hidrolisáveis ou condensados (flavolanos) são polímeros dos
Introdução Figura 16: Ácido Tânico. Os taninos não hidrolisáveis ou condensados (flavolanos) são polímeros dos

Figura 16: Ácido Tânico.

Os taninos não hidrolisáveis ou condensados (flavolanos) são polímeros dos

flavonóides (SGARBIERI, 1996), formados predominantemente por unidades de

flavan-3-ols (catequinas) e flavan-3,4-diols (leucoanto-cianidinas), presentes em

maior

quantidade

nos

alimentos

normalmente

consumidos,

como

a

cereja,

o

chocolate e o feijão (SINGLETON & KRATZER, 1973; SALUNKE et al., 1982;

DESPHANDE et al., 1986; SALUNKE et al., 1990).

Na forma não oxidada, os taninos reagem com as proteínas através de pontes

de

hidrogênio

e/ou

ligações

hidrofóbicas.

Quando

oxidados

os

taninos

se

transformam em quinonas, as quais formam ligações covalentes com alguns grupos

funcionais das proteínas, principalmente os grupos sulfidrilas da cisteína e ε-amino

da lisina (SGARBIERI, 1996).

Introdução

Introdução Os taninos são considerados como produto de excreção de muitas plantas, porém estão, provavelmente,

Os taninos são considerados como produto de excreção de muitas plantas,

porém estão, provavelmente, envolvidos em mecanismos de defesa contra parasitas

e predadores (TORSSEL, 1983).

Esses compostos são caracterizados pela sua capacidade de se combinar com

proteínas da pele animal (curtimento do couro) inibindo o processo de putrefação

(DESPHANDE et al., 1986). Também são considerados potentes inibidores de

enzimas, como a tripsina, a lipase e a α-amilase, devido a sua complexação com

proteínas enzimáticas (NACZK et al., 1994). Apresentam habilidade para interagir e

precipitar proteínas como a gelatina, e parecem ser responsáveis pela adstringência

de muitas plantas (STRUMEYER & MALIN, 1975).

A dieta do ser humano, de uma maneira geral, possui vários alimentos

contendo considerável quantidade de taninos, tais como feijões secos, ervilhas,

cereais, folhas, vegetais verdes, café, chá, cidra e alguns tipos de vinhos (REDDY et

al., 1985). Os efeitos de taninos em seres humanos são desconhecidos (PRICE et

al., 1980; CHANG et al., 1994). Em poucos exemplos, os efeitos nocivos em seres

humanos parecem ser o resultado do consumo anormal de fenóis de plantas

(SINGLETON, 1981), embora, substâncias que formam complexos com compostos

nitrogenados provavelmente devem influenciar a digestão e a absorção de nutrientes

(CHANG et al., 1994).

Os taninos condensados estão presentes na fração fibra alimentar de diferentes

alimentos e podem ser considerados indigeríveis ou pouco digeríveis (BARTOLOMÉ

et al., 1995). Em leguminosas e cereais, os taninos têm recebido considerável

atenção, devido aos seus efeitos adversos na cor, sabor e qualidade nutricional

(SALUNKE et al., 1982).

Introdução

Introdução Apesar da ação negativa do tanino no valor nutritivo de certos vegetais, em particular a

Apesar da ação negativa do tanino no valor nutritivo de certos vegetais, em

particular a redução de digestibilidade protéica, a inibição da ação de enzimas

digestivas e de interferência na absorção de ferro, os efeitos do tanino na saúde

humana ainda são questionáveis devido à limitação de estudos nesta área. É

interessante considerar que o tanino também apresenta uma forte ação antioxidante

que provavelmente poderá ser mais explorada em relação aos estudos na área de

conservação de alimentos e ação no organismo humano.

1.4- Atividades biológicas

1.4.1- Mecanismos de ação

Os metabólitos secundários podem atuar de diversas formas na prevenção de

doenças

crônicas

não

transmissíveis.

Dois

são

os

principais

mecanismos

responsáveis pela atuação dessas substâncias: a atividade antioxidante e a inibição

da mutação no DNA.

1.4.1.1- Atividade antioxidante

As moléculas orgânicas e inorgânicas e os átomos que contêm um ou mais

elétrons não pareados, com existência independente, podem ser classificados como

radicais livres (FRANÇA et al., 2007). Essa configuração faz dos radicais livres

moléculas altamente instáveis, com meia-vida curtíssima e quimicamente muito

reativas. A presença dos radicais é crítica para a manutenção de muitas funções

fisiológicas normais (VALKO et al., 2006).

Introdução

Introdução A geração de radicais livres se faz em vários compartimentos celulares. Na mitocôndria eles são

A geração de radicais livres se faz em vários compartimentos celulares. Na

mitocôndria eles são gerados pela liberação de elétrons da cadeia respiratória com

redução das moléculas de oxigênio para radical superóxido. O superóxido é

transformado em peróxido de hidrogênio pela superóxido desmutase (SOD Mn e a

SOD CuZn). O peróxido de hidrogênio é menos reativo que o radical superóxido,

porém quando ele reage com metais de transição como o ferro e o cobre, forma-se o

radical hidroxila, o mais reativo de todos os radicais livres (reação de Fenton). Outro

local de geração de radicais livres é o retículo endoplasmático, via citocromo P-450,

onde são produzidos radicais superóxidos para metabolizar substâncias hidrofóbicas

para se proceder a desintoxicação de tais elementos. Outro importante local de

produção das espécies reativas de oxigênio (ERO) são os macrófagos e outros

fagócitos, os quais geram radical superóxido, peróxido de hidrogênio e radical

hidroxila para matar microrganismos e células cancerosas (LYKKESFELDT

SVENDSEN, 2007).

&

A produção contínua de radicais livres durante os processos metabólicos levou

ao desenvolvimento de muitos mecanismos de defesa antioxidante para limitar os

níveis intracelulares e impedir a indução de danos (VALKO et al., 2006). Os

antioxidantes

são

agentes

responsáveis

pela

inibição

e

causadas pelos radicais livres nas células.

redução

das

lesões

Uma ampla definição de antioxidante é "qualquer substância que, presente em

baixas concentrações quando comparada a do substrato oxidável, atrasa ou inibe a

oxidação deste substrato de maneira eficaz" (BUONOCORE & GROENENDAAL,

2007).

Os antioxidantes são classificados como endógenos ou exógenos dependendo

da origem das substâncias precursoras. Como exemplo de defesa endógena, têm-se

Introdução

Introdução as enzimas glutationa peroxidase e superóxido desmutase sintetizadas no organismo de acordo com a presença

as

enzimas

glutationa

peroxidase

e

superóxido

desmutase

sintetizadas

no

organismo de acordo com a presença de um estresse oxidativo. A defesa exógena

depende da ingestão dietética de substâncias como as próprias vitaminas (ácido

ascórbico, vitamina E) e minerais (selênio, zinco, cobre), além dos metabólitos

secundários como os flavonóides e os terpenóides presentes em diversos alimentos,

como frutas e hortaliças (SIDDHURAJU, 2007).

1.4.1.2- Mutação no DNA

O termo agente “antimutagênico” foi usado originalmente por Novick e Szilard

em 1952 para descrever os agentes que reduzem a freqüência de mutação

espontânea ou induzida, independentemente do mecanismo envolvido (THÉRIAULT

et al., 2006; GEETHA et al., 2004).

Os

estudos

com

os

agentes

antimutagênicos

foram

iniciados

nos

anos

cinqüenta, porém recentemente diversos grupos de pesquisa, distribuídos por todo o

mundo,

tem

se

interessado

na

identificação

de

agentes

antimutagênicos,

principalmente os de origem natural. A identificação de agentes antimutagênicos

e/ou anticarcinogênicos em alimentos é indispensável e extremamente importante

na busca de estratégias para a prevenção do câncer, por meio de modificações do

hábito alimentar (WARGOVICH, 1997).

Os mecanismos de ação dos agentes antimutagênicos foram classificados em

dois processos maiores, denominados desmutagênese e bioantimutagênese. Na

desmutagênese, os agentes protetores, ou antimutagênicos, atuam diretamente

sobre os compostos que induzem mutações no DNA, inativando-os química ou

enzimaticamente,

inibindo

a

ativação

metabólica

de

pró-mutagênicos

ou

seqüestrando moléculas reativas. Na bio-antimutagênese, os antimutagênicos atuam

Introdução

Introdução sobre o processo que leva a indução de mutações, ou no reparo das lesões causadas

sobre o processo que leva a indução de mutações, ou no reparo das lesões

causadas no DNA (KADA et al., 1978).

Muitos compostos antimutagênicos encontrados nos alimentos são agentes

antioxidantes e atuam seqüestrando os radicais livres de oxigênio, como por

exemplo os flavonóis e os isoflavonóides (KURODA et al., 2002; MANACH et al.,

2004; McCULLOUGH & GIOVANNUCCI, 2004; FERGUSON et al., 2004; CABRAL &

FERNANDES, 2007).

1.4.2- Prevenção de doenças

1.4.2.1- Doenças cardiovasculares

As enfermidades cardiovasculares incluem o infarto e a aterosclerose, que

podem causar problemas vasculares, como o derrame cerebral. A causa principal

destas enfermidades é a obstrução do fluxo de sangue nos vasos sangüíneos em

virtude da formação de placas gordurosas que, à medida que aumentam de

tamanho, reduzem o fluxo até que, em caso extremo, chegam a obstruí-lo por

completo (GRUNDY, 2003).

Um dos principais fatores que levam à ocorrência destas enfermidades é o

nível elevado de colesterol no sangue. A ocorrência de um perfil lipídico onde a LDL

(Lipoproteína de Baixa Densidade) encontra-se elevada e a HDL (Lipoproteína de

Alta

Densidade)

reduzida

corresponde

a

um

dos

fatores

precursores

do

desenvolvimento de aterosclerose, uma vez que a LDL é altamente suscetível ao

estresse oxidativo que leva ao acúmulo de células fagocitárias e fatores de

coagulação no endotélio, originando, assim, a placa de ateroma (GRUNDY, 2003).

Introdução

Introdução O consumo de soja tem sido associado à redução de doenças cardiovasculares, especialmente da

O

consumo

de

soja

tem

sido

associado

à

redução

de

doenças

cardiovasculares, especialmente da aterosclerose em modelos animais. Em adição,

evidências epidemiológicas sugerem que populações que consomem dietas ricas

em soja e seus produtos apresentam uma menor taxa de mortalidade por doenças

coronarianas (MARK & BRANIN, 2007; KONDO et al., 2002). Apesar de estudos em

animais sugerirem que a proteína de soja reduz o colesterol sanguíneo, estudos

similares em humanos têm apresentado resultados menos consistentes. Dentre as

isoflavonas, principalmente a genisteína e a daidzeína apresentaram um potencial

efeito hipocolesterolemiante em animais e humanos (PATEL et al., 2001).

Estudos com animais demonstram que as isoflavonas parecem ser essenciais

no efeito de redução do colesterol sanguíneo. Isolados protéicos de soja os quais

tiveram as isoflavonas removidas quando administrados, resultaram em animais de

laboratório normo ou hipercolesterolêmicos. As concentrações plasmáticas de LDL

foram significativamente menores em macacos Rhesus tratados com isoflavonas de

soja quando comparados com macacos tratados com formulados de soja sem

isoflavonas.

Estudos

adicionais

têm

demonstrado

que

as

isoflavonas

não

desempenham um papel importante na regulação de lipoproteínas, reduzindo LDL e

aumentando HDL, mas também protegem contra o desenvolvimento de placas de

ateroma (ANTHONY et al., 1996).

YUGARANI (2002) realizou uma pesquisa com animais experimentais durante

4, 7, 10 semanas, com hiperlipidemia induzida por colesterol a 2,5% e toucinho a

16,0%, misturadas à dieta contendo outros flavonóides como a quercetina, morina

ou o ácido tânico e mostraram reduções nos lipídeos plasmáticos. Na sétima

semana do experimento observou-se que a morina reduziu as concentrações dos

triacilgliceróis plasmáticos em 65,0%, reduzindo também a gordura do fígado, mas

Introdução

Introdução aumentando as concentrações de HDL em 47,0% na quarta semana. A morina também foi ativa

aumentando as concentrações de HDL em 47,0% na quarta semana. A morina

também foi ativa na décima semana do experimento, reduzindo o colesterol total em

30,9% e o LDL em 29,3%. Já a quercetina provocou a elevação plasmática de HDL

em 28,6% na sétima semana do experimento .

A quercetina está presente nas frutas e hortaliças principalmente na sua forma

glicosídica, por exemplo, como quercitrina. Wagner et al (2006) avaliaram que

ocorreu atuação positiva da quercitrina na inibição da peroxidação lipídica in vitro e

na inibição da reação de Fenton.

Estudos em humanos avaliaram que o consumo moderado (20 – 30g de álcool

por dia) de bebidas alcoólicas como o vinho leva a proteção contra a morte por

doenças cardiovasculares e também, em uma pequena escala, contra o câncer.

Esse fato se deve à presença de compostos fenólicos como o resveratrol nessa

bebida (RENAUD et al., 1998; BIANCHINI & VAINIO, 2003; PEDERSEN et al., 2004;

PETRI et al., 2004).

Outro exemplo é o suco de romã, pois contém uma grande variedade de

polifenóis com atividades antioxidantes que apresentam funções benéficas ao

organismo, destacando-se a prevenção de doenças cardiovasculares. Um estudo

envolvendo as substâncias presentes no suco de romã (taninos e antocianinas) e no

vinho tinto (quercetina e resveratrol) verificou uma significante redução da oxidação

da LDL pelo íon cobre e a preservação da atividade da enzima paraoxonase 1

(PON1), relacionada com níveis elevados da lipoproteína de alta densidade (HDL).

Isto sugere que o aumento da ingestão dietética destes antioxidantes por indivíduos

deficientes de apolipoproteína E, reduz o estresse oxidativo e aumenta a atividade

da PON1 (KAPLAN et al., 2001). Outro estudo demonstrou que o consumo de suco

de romã durante 2 semanas por indivíduos saudáveis aumentou os níveis séricos de

Introdução

Introdução PON 1 e a resistência ao estresse oxidativo provocado pelo íon cobre na LDL e

PON 1 e a resistência ao estresse oxidativo provocado pelo íon cobre na LDL e HDL

(AVIRAM et al., 2004).

Outro estudo avaliou o efeito de carotenóides como o β-caroteno, a luteína e o

licopeno extraídos de fontes naturais (a alga Dunaliella salina para o β-caroteno, a

flor Tagetes erecta para a luteína e o tomate para o licopeno) na progressão das

doenças

cardiovasculares.

Como

resultado,

obteve

a

supressão

do

fator

de

atividade tissular nas células endoteliais (p< 0.01) (LEE et al, 2006). Associado a

esse efeito positivo, outras pesquisas avaliaram que o licopeno apresenta eficiência

em suprimir a adesão celular pelos monócitos nas células endoteliais humanas

(MARTIN et al, 2000) e promove a inibição da oxidação de LDL (FUHRMAN et al,

2005), correspondendo a passos iniciais no desenvolvimento da aterosclerose e da

trombose.

1.4.2.2- Prevenção de doenças neurodegenerativas

O envelhecimento é caracterizado pela redução da função dos tecidos e pelo

acúmulo de mutações no DNA, particularmente no cérebro. Alguns pesquisadores

sugerem que o estresse oxidativo ocasionado por espécies reativas de oxigênio

(ERO) e pela inflamação esteja relacionado com o declínio da cognição e perda

neuronal em doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson e Huntington

(MARKESBERY, 1997; JENNER, 1998).

O dano a proteínas causado pelo estresse oxidativo é considerado como um

dos maiores contribuintes do processo de envelhecimento e suas enfermidades.

Análises da patologia das doenças neurodegenerativas demonstram que há um

acúmulo de ferro nos sítios onde os neurônios morrem, assim, a construção de um

gradiente de ferro em conjunção com as EROs (superóxido, radical hidroxila e óxido

Introdução

Introdução nítrico) constitui o maior impulso para a toxicidade neural, comum em todas essas doenças (MANDEL

nítrico) constitui o maior impulso para a toxicidade neural, comum em todas essas

doenças (MANDEL et al., 2005).

Os flavonóides estão sendo intensamente estudados devido ao seu papel na

proteção

da

neurodegeneração,

pois

possuem

atividade

antioxidante

e

anti-

inflamatória, além de funcionarem como quelantes de metais de transição (MANDEL

& YOUNDIM, 2004; JOSEPH et al., 2005; WEINREB et al.,2004).

Acredita-se que os flavanóides e terpenóides, além do ginkgolide B, um inibidor

da agregação plaquetária, presentes nos extratos de ginkgo biloba evidenciando as

propriedades antioxidantes e por conseqüência podem inibir a neurodegeneração

(BLUMENTHAL et al., 1998).

1.4.2.3- Neoplasias

O câncer é o crescimento incontrolado de células para formar um tumor que,

em alguns casos, pode invadir os tecidos adjacentes e se propagar, por processos

de metástases, formando tumores secundários em outras partes do organismo

(RAIMONDI et al, 2007).

O principal grupo de agentes inibidores da carcinogênese é representado por

antioxidantes, bloqueadores de radicais livres. Além destes, existem os indutores da

morte celular programada (apoptose), os inibidores das enzimas do citocromo P450

(responsável pelo metabolismo de drogas, cuja ativação leva à formação de radicais

livres carcinogênicos), outros inibidores enzimáticos, inibidores da angiogênese

(neoformação de vasos sanguíneos, necessária para a disseminação dos tumores

através das metástases), antagonistas de fatores de crescimento, hormônios e

agentes reparadores de lesões ao DNA (FERRARI & TORRES, 2002).

Introdução

Introdução As isoflavonas da soja, especificamente a genisteína e a daidzeína, e o licopeno, dentre outros

As isoflavonas da soja, especificamente a genisteína e a daidzeína, e o

licopeno,

dentre

outros

compostos

bioativos,

que

apresentam

efeito

anti-

cancerígeno,

atuando

na

indução

da

apoptose

de

células

tumorais.

Estudos

epidemiológicos demonstram que nas populações que consomem dietas ricas em

soja e seus produtos, a incidência de determinados tipos de câncer (cólon, mama e

próstata,

principalmente)

é

menor

quando

comparada

com

a

incidência

em

populações que não consomem esse tipo de dieta. Em adição, acredita-se que a

suplementação da dieta com certos produtos da soja, os quais têm mostrado

suprimir a carcinogênese em animais, poderia reduzir as taxas de mortalidade por

câncer. Os mecanismos relacionando câncer e isoflavonas ainda são alusivos. Tem

sido

demonstrado

que

a

atividade

de

várias

enzimas,

principalmente

a

topoisomerase II e as tirosinas quinases, são inibidas pela genisteína e, em alguns

casos, por outras isoflavonas. Adicionalmente, outros estudos têm demonstrado

propriedades anti-carcinogênicas, anti-oxidativas, efeitos anti-estrogênicos e anti-

proliferativos das isoflavonas. Então, pode-se inferir que estas moléculas podem agir

de maneiras diferentes, promovendo a inibição das diversas fases da carcinogênese

(ESTEVES & MONTEIRO, 2001).

Muitos estudos têm mostrado a relação entre o consumo de vinho tinto e a

redução de doenças crônicas como o câncer e doenças cardiovasculares. Esse

efeito benéfico se deve a presença de compostos fenólicos como o resveratrol, o

qual apresenta como função proteger o DNA da oxidação, e possíveis mutações

geradas a partir desse dano, levando ao desenvolvimento de neoplasias (KAUR et

al., 2007; FENECH et al., 2005). Além disso, é descrita a atuação do resveratrol na

indução da apoptose e na redução da proliferação de células cancerosas (FERRARI

& TORRES, 2002).

Introdução

Introdução 1.4.2.4- Doenças oculares A luteína e a zeaxantina, carotenóides pertencentes ao sub-grupo xantofila,

1.4.2.4- Doenças oculares

A luteína e a zeaxantina, carotenóides pertencentes ao sub-grupo xantofila,

apresentam

como

peculiaridade

a

sua

presença

em

tecidos

oculares.

Estas

substâncias estão concentradas em grande escala na mácula, uma pequena área da

retina responsável pela visão central e acuidade visual (LANDRUM & BONE, 2001;

YEUM et al., 1999,1995).

A

mácula,

um

tecido

intensamente

vascularizado,

possui

uma

grande

quantidade de ácidos graxos poliinsaturados suscetíveis à oxidação (BEATTY et al.,

2001). A presença de metabólitos oxidados sugere que a luteína pode também

oferecer proteção às suas células, agindo como antioxidante (KHACHIK et al.,

1997a, 2002). Desse modo, alguns estudos com cultura de células da retina in vitro

mostraram que o tratamento com antioxidantes, como a luteína e a zeaxantina,

diminui expressivamente o estresse oxidativo induzido pela peroxidação lipídica e

apoptose (CAI et al., 2000; SUNDELIN & NILSSON, 2001; WRONA et al., 2004).

A degeneração macular relacionada à idade (AMD) é uma degradação da

porção central da retina, incluindo a mácula, e corresponde à principal causa de

cegueira entre as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos (NEWCOMB et al.,

1992). A AMD pode ser classificada em duas categorias: precoce (ou AMD seca) e

tardia (ou AMD úmida). A primeira é caracterizada pela acumulação leve de material

extracelular causado pela oxidação foto-induzida e despigmentação do epitélio da

retina,

a

outra

é

causada

pela

neovascularização

da

mácula

e

da

retina

e

acumulação de tecido cicatrizante (BEATTY et al., 2000). Os riscos que mais

influenciam na gênese da AMD, incluindo a idade são a exposição aos raios solares

seguida do fumo e de uma alimentação inadequada (CAI et al., 2000; CHRISTEN,

2004).

Introdução

Introdução Supõe-se que a luteína e a zeaxantina realizam as mesmas funções em homens e em

Supõe-se que a luteína e a zeaxantina realizam as mesmas funções em

homens e em plantas, atuando como potentes antioxidantes e efetivos filtradores da

luz azul, a luz de maior energia entre as luzes visíveis que induz o dano foto-

oxidativo pela geração de espécies reativas de oxigênio (KRINSKY, 2002).

Sendo o segundo carotenóide de maior prevalência no soro humano, a luteína

(KHACHIK et al., 1997b) está presente em abundância em vegetais folhosos verde-

escuro, como o espinafre e a couve (KEUNEN et al., 2003). Sabendo da importância

deste composto para a saúde ocular, o seu consumo está inversamente relacionado

com problemas oculares como a degeneração macular (Eye Disease Case–Control

Study Group, 1993; MARES-PERLMAN et al., 2001; SEDDON et al., 1994) e

catarata (BROWN et al., 1999; CHASAN-TABER et al., 1999; GALE et al., 2001;

SERRACARBASSA, 2006).

1.4.2.5- Diabetes Mellitus

O diabetes mellitus é uma síndrome caracterizada por níveis elevados de

glicose

sangüínea

em

situações

de

jejum,

de

forma

crônica;

além

disso

é

acompanhado por alterações no metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas,

sendo essas alterações uma conseqüência do déficit da secreção ou da ação da

insulina (LEE, 2006). A sobrevida dos pacientes diabéticos é acompanhada de

numerosas

complicações

tanto

metabólicas

(hiperglicemia,

hipoglicemia,

dislipidemia) quanto vasculares (nefropatias, retinopatias e neuropatias) (NESTEL,

2002). As formas clínicas consideradas clássicas do diabetes são: o diabetes

mellitus insulino dependente (DMID) e o diabetes mellitus não insulino dependente

(DMNID) que é a mais freqüente (LEE, 2006).

Introdução

Introdução A insulina é o principal hormônio que regula o metabolismo da glicose. Nas células, a

A insulina é o principal hormônio que regula o metabolismo da glicose. Nas

células, a insulina ativa o transporte de glicose e aminoácidos, o metabolismo de

glicogênio e de lipídios, a síntese protéica e a transcrição de genes específicos

(NESTEL, 2002). As ações biológicas da insulina são iniciadas pela ligação deste

hormônio a receptores específicos localizados nas membranas plasmáticas das

células responsivas. O sinal inicial, promovido pela ligação da insulina ao receptor é

convertido aos efeitos finais deste hormônio no crescimento e metabolismo, como

esta sinalização é alterada em estados de resistência à insulina, tais como no

DMNID, acarreta alterações negativas em processos metabólicos importantes ao

organismo (LEE, 2006).

Devido

a

genisteína

apresentar efeito

inibitório

como

a

proteína

tirosina

quinase, e vem sendo estudada um composto regulador da secreção de insulina,

cuja liberação é controlada por mecanismos complexos de sinalização celular que

envolve a ação destes receptores (ANDERSON & GARNER, 1997). Os efeitos

benéficos que vêm sendo observados em estudos com animais e culturas de células

sugerem que a genisteína pode ser uma alternativa no tratamento do diabetes,

principalmente do tipo 2.

Os

mecanismos pelos

quais

as isoflavonas,

especialmente a genisteína,

exercem este efeito ainda não estão bem elucidados. Sabe-se que a genisteína é

um potente inibidor das proteínas tirosina quinases (receptores para insulina) e sua

ligação a estes receptores promove aumento da secreção de insulina. As pesquisas

vêm demonstrando que, na presença da genisteína ligada ao receptor, ocorre

acúmulo

de

AMPc

e

cálcio

intracelulares,

podendo

inferir

que

um

possível

mecanismo de ação destes compostos seria via ativação das proteínas quinases (A

e C). As proteínas quinases A e C ativam cascatas de fosforilações de proteínas que

Introdução

Introdução culminam com a transcrição de genes para a insulina, o que aumenta a secreção deste

culminam com a transcrição de genes para a insulina, o que aumenta a secreção

deste hormônio. Em contraste, estas proteínas quinases, via de regra, são ativadas

por receptores de membrana ligados à proteína G (outra classe de receptores de

membrana) e não por receptores tirosina quinases. De alguma maneira, a inativação

dos

receptores

tirosina

quinases

pela

genisteína,

promoveria

a

ativação

das

proteínas quinases A e C, via mecanismos dependentes de cálcio e AMPc. Em

adição, tem sido observado que a daidzeína promove um aumento na secreção de

insulina proporcional ao da genisteína e que a daidzeína não é um inibidor de

tirosina quinase, sugerindo mais uma vez, que o mecanismo que leva ao aumento

da secreção da insulina envolve muito mais do que a inativação dos receptores de

tirosina quinases (ASHCROFT, 1994; JEONG et al., 2005).

1.5- Banco de dados

Um banco de dados é a união dos dados propriamente ditos e dos programas

que atuam sobre eles. Os Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados (SGDB) são

os programas de computador (softwares) que administram estes dados e, em

algumas versões, possuem a capacidade de ter procedimentos internos atuando

sobre estes dados, mantendo-os e assegurando-os sua integridade (HEUSER,

2004).

O

principal

objetivo

dos

SGDB

é

retirar

da

aplicação

do

cliente

a

responsabilidade de gerenciar o acesso, manipulação e organização dos dados,