I) patrimônios materiais e imateriais indígenas no oeste paulista: Os patrimônios materiais e
imateriais indígenas no oeste paulista são fundamentais para a preservação da cultura e identidade
dos povos originários da região. Esta área, que abrange parte do interior do estado de São Paulo,
é marcada pela presença histórica de diversos grupos indígenas, como os Kaingang, Krenak,
Guarani, Terena e outros.
Patrimônios Materiais
Artefatos Cerâmicos e Líticos: Os indígenas do oeste paulista produziram uma rica variedade de
objetos cerâmicos e ferramentas de pedra. Estes itens são preservados em museus e coleções
arqueológicas, sendo essenciais para o entendimento das práticas cotidianas e rituais desses
povos.
Sítios Arqueológicos: A região é rica em sítios arqueológicos, onde são encontrados vestígios de
antigas aldeias, cemitérios e locais de cerimônias. Esses sítios oferecem informações valiosas
sobre a organização social, modos de vida e interação com o meio ambiente dos povos indígenas.
Aldeias Indígenas: Algumas comunidades indígenas ainda mantêm aldeias tradicionais no oeste
paulista, como forma de resistência e preservação de seu modo de vida. As construções típicas,
como as ocas, representam o patrimônio arquitetônico indígena.
Patrimônios Imateriais
Línguas Indígenas: As línguas dos povos indígenas, como as faladas pelos Guarani e Terena,
são um dos patrimônios imateriais mais significativos. Elas carregam conhecimentos tradicionais,
histórias, e uma visão de mundo única que é passada de geração em geração.
Ritualística e Espiritualidade: As práticas espirituais e rituais, incluindo cerimônias como o
"Nhemongaraí" dos Guarani, são parte fundamental da identidade indígena. Esses rituais
envolvem cantos, danças e outras expressões culturais que conectam as comunidades com suas
tradições e com o ambiente natural.
Saberes Tradicionais: O conhecimento sobre o uso de plantas medicinais, técnicas de caça,
pesca e agricultura são passados oralmente e representam uma profunda conexão com a terra.
Estes saberes, além de constituírem patrimônio imaterial, são cruciais para a sustentabilidade e a
preservação do meio ambiente local.
Música e Dança: As músicas e danças tradicionais dos povos indígenas são expressões culturais
que representam tanto o cotidiano quanto o sagrado. As flautas, maracás e tambores usados
nessas manifestações são ícones de resistência cultural.
Contexto Histórico e Social: A preservação desses patrimônios enfrenta desafios significativos,
como a pressão do agronegócio, a expansão urbana e a marginalização social. Entretanto, as
comunidades indígenas, muitas vezes em colaboração com instituições acadêmicas e
organizações de direitos humanos, têm lutado pela preservação e reconhecimento de seus
patrimônios.
2) Exemplos: Os Krenak, também conhecidos como Botocudos, têm uma presença histórica
significativa no sudeste do Brasil, embora sua presença mais marcante tenha sido em Minas
Gerais e Espírito Santo. Em São Paulo, particularmente no oeste do estado, os Krenak podem não
ser tão amplamente reconhecidos quanto outros grupos indígenas, mas ainda assim, a cultura e os
elementos de seu patrimônio merecem destaque. Vamos explorar alguns exemplos específicos
dos Krenak em termos de artefatos, sítios arqueológicos, aldeias, línguas, ritualística, saberes
tradicionais, música e dança:
Artefatos
Adornos Corporais: Os Krenak são conhecidos pelo uso de adornos corporais, como colares e
pulseiras feitos de sementes, penas e fibras naturais. Estes adornos têm um significado cultural e
espiritual profundo, sendo usados em cerimônias e na vida cotidiana.
Arcos e Flechas: As armas tradicionais dos Krenak, como arcos e flechas, são exemplos de
artefatos que combinam funcionalidade e significado simbólico. Estas armas são usadas tanto
para a caça quanto em rituais.
Máscaras Cerimoniais: Embora mais comuns em outros grupos indígenas, os Krenak também
utilizam máscaras em certas ocasiões rituais, representando espíritos ou ancestrais.
Sítios Arqueológicos: Embora os Krenak não estejam associados a grandes sítios arqueológicos
em São Paulo, vestígios de sua presença podem ser encontrados em locais onde viviam
temporariamente ou onde realizavam rituais. Escavações em áreas históricas de ocupação podem
revelar ferramentas de pedra, restos de cerâmica e outros artefatos que atestam sua presença.
Aldeias: As aldeias Krenak são, historicamente, compostas por construções simples, geralmente
feitas de materiais naturais como madeira, palha e barro. Estas aldeias servem como centros de
vida comunitária, onde os Krenak mantêm suas tradições e modos de vida.
Aldeia Krenak no Vale do Rio Doce (MG): Embora localizada em Minas Gerais, essa aldeia é
emblemática para os Krenak e pode influenciar comunidades em São Paulo, mantendo vivas
tradições e rituais.
Linguagem: A língua Krenak pertence à família linguística Macro-Jê, e é um importante
patrimônio imaterial. Embora esteja em risco de extinção, há esforços de revitalização linguística
dentro das comunidades, com a transmissão oral sendo a principal forma de manutenção da
língua.
Ritualística
Cerimônias de Cura: Os Krenak realizam cerimônias para a cura espiritual e física, que
envolvem cânticos, danças e o uso de plantas medicinais. Essas práticas são conduzidas por
líderes espirituais ou curandeiros da comunidade.
Ritual do Espírito Ancestral: Esse ritual envolve a invocação de espíritos ancestrais para
proteção e orientação, sendo fundamental na manutenção da identidade e conexão com o passado.
Saberes Tradicionais
Uso de Plantas Medicinais: Os Krenak têm um vasto conhecimento sobre as plantas da Mata
Atlântica e Cerrado, utilizando-as para fins medicinais. Este saber é passado de geração em
geração, mantendo um elo direto com a natureza.
Técnicas de Caça e Pesca: As práticas tradicionais de caça e pesca dos Krenak são adaptadas ao
ambiente local e respeitam os ciclos naturais, demonstrando um profundo respeito pela
biodiversidade.
Música e Dança
Cantos Tradicionais: Os cantos dos Krenak são usados em rituais para celebrar a natureza,
contar histórias e transmitir conhecimentos. Os cânticos são muitas vezes acompanhados de
instrumentos como maracás e tambores.
Dança do Guerreiro: A dança é uma parte essencial das cerimônias Krenak, especialmente a
Dança do Guerreiro, que celebra a força e a bravura dos homens da tribo. Essa dança envolve
movimentos vigorosos e a utilização de pinturas corporais e adornos específicos.
Contexto de Preservação: Os Krenak têm enfrentado inúmeros desafios ao longo da história,
especialmente devido à invasão de suas terras e à pressão da sociedade envolvente. A preservação
de sua cultura, tanto material quanto imaterial, é fundamental para a manutenção de sua
identidade. Esforços de preservação estão em andamento, tanto por meio da resistência
comunitária quanto pelo apoio de organizações de direitos indígenas e projetos acadêmicos que
visam documentar e promover a cultura Krenak.
III) casos de assassinato, destruição de patrimônios indígenas e desmatamento ocorridos no
oeste paulista: Nos últimos 20 anos, o oeste paulista tem sido palco de conflitos envolvendo
assassinatos de lideranças indígenas, destruição de patrimônios indígenas e desmatamento. Esses
problemas estão intimamente ligados à expansão do agronegócio, à grilagem de terras, à pressão
pela exploração de recursos naturais e à falta de proteção adequada aos direitos indígenas. A
seguir, apresento alguns casos relevantes:
Assassinatos de Lideranças Indígenas
Assassinato de Lideranças Guarani: Em 2003, lideranças da comunidade Guarani foram
assassinadas em conflitos relacionados à luta pela terra no oeste paulista. Esses assassinatos
foram resultado de disputas com fazendeiros locais e a resistência dos indígenas à invasão de suas
terras tradicionais.
Morte de Jovens Indígenas: Ao longo dos anos, houve diversos relatos de jovens indígenas
sendo mortos em circunstâncias violentas. Esses casos muitas vezes estão relacionados a conflitos
fundiários, discriminação e violência decorrente da marginalização social dos povos indígenas na
região.
Destruição de Patrimônios Indígenas
Invasão de Terras e Destruição de Aldeias: Em várias ocasiões, terras indígenas no oeste
paulista foram invadidas por fazendeiros e grileiros, resultando na destruição de aldeias e espaços
sagrados. Em 2016, uma aldeia Kaingang foi invadida, e as construções tradicionais foram
incendiadas, levando à perda irreparável de patrimônios materiais e imateriais.
Destruição de Sítios Arqueológicos: O desenvolvimento agrícola e a expansão urbana levaram à
destruição de importantes sítios arqueológicos na região. Esses sítios, que continham vestígios da
presença indígena, foram escavados sem autorização ou danificados, apagando parte da história
dos povos originários.
Desmatamento
Desmatamento para Expansão do Agronegócio: O oeste paulista, especialmente nas regiões
próximas ao Pontal do Paranapanema, tem sofrido com o desmatamento intensivo para a
expansão da monocultura, principalmente de cana-de-açúcar e soja. Este desmatamento não só
destrói a floresta nativa, mas também afeta diretamente as áreas habitadas por comunidades
indígenas, que dependem desses ecossistemas para sua sobrevivência.
Impacto sobre Terras Indígenas: O desmatamento na região frequentemente ocorre em terras
que, embora não demarcadas oficialmente, são tradicionalmente ocupadas por comunidades
indígenas. Isso resulta na degradação do ambiente, na perda de biodiversidade e na diminuição
das áreas disponíveis para a caça, pesca e coleta de alimentos e plantas medicinais.
Respostas e Resistências: As comunidades indígenas têm resistido a esses ataques através de
mobilizações, denúncias, e a busca por apoio de ONGs, movimentos sociais, e órgãos de direitos
humanos. Em muitos casos, o Ministério Público Federal (MPF) tem atuado para investigar e
processar os responsáveis por crimes contra as comunidades indígenas e por danos ao meio
ambiente. Além disso, a crescente conscientização pública sobre os direitos indígenas e as
questões ambientais tem levado a uma maior pressão por políticas que protejam essas populações
e seus territórios.
IV) políticas de preservação ambiental, desenvolvimento sustentável (legislação); As
políticas de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável no Brasil são regulamentadas
por um conjunto de leis, decretos e políticas públicas que buscam proteger o meio ambiente,
promover o uso sustentável dos recursos naturais e garantir a preservação dos direitos das
comunidades tradicionais, incluindo os povos indígenas. A seguir, apresento um resumo das
principais legislações e políticas relacionadas ao tema:
Constituição Federal de 1988: A Constituição Brasileira estabelece, no artigo 225, o direito de
todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida. A
responsabilidade por sua preservação e defesa é compartilhada entre o poder público e a
coletividade.
Código Florestal (Lei nº 12.651/2012): O Código Florestal regula a proteção da vegetação
nativa no Brasil e estabelece normas sobre:
Áreas de Preservação Permanente (APPs): Áreas como margens de rios e encostas que devem
ser mantidas com vegetação nativa para evitar erosão e proteger a biodiversidade.
Reserva Legal (RL): Percentual mínimo de cada propriedade rural que deve ser mantido com
cobertura de vegetação nativa, variando de 20% a 80% conforme a região do país.
3. Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981): Estabelece os princípios, objetivos
e instrumentos para a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental, visando
garantir condições para o desenvolvimento socioeconômico e a proteção da dignidade humana. A
lei criou o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), que coordena as ações ambientais
em âmbito federal, estadual e municipal.
Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006): Essa lei dispõe sobre a utilização e a proteção da
Mata Atlântica, que é um dos biomas mais ameaçados do Brasil, incluindo o oeste paulista. A
legislação proíbe o desmatamento de áreas remanescentes do bioma e incentiva a recuperação de
áreas degradadas.
Estatuto do Índio (Lei nº 6.001/1973): Embora anterior à Constituição de 1988, o Estatuto do
Índio é uma legislação importante que regulamenta a proteção dos direitos dos povos indígenas,
incluindo o uso sustentável dos recursos naturais em suas terras. Essa lei tem sido
complementada por outras normativas e pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF),
que garante a proteção dos territórios indígenas.
Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais
(Decreto nº 6.040/2007): Essa política visa a promoção do desenvolvimento sustentável para
povos e comunidades tradicionais, como os indígenas, quilombolas e ribeirinhos, garantindo seus
direitos territoriais, culturais e o uso sustentável dos recursos naturais. O decreto reconhece a
importância da preservação ambiental e cultural desses grupos.
Política Nacional de Mudança do Clima (Lei nº 12.187/2009): Esta política estabelece
compromissos do Brasil em relação à redução de emissões de gases de efeito estufa, promovendo
ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Inclui também diretrizes para a proteção
das florestas e o uso sustentável dos recursos naturais.
Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020): Embora voltada
principalmente para a universalização do acesso ao saneamento, essa lei tem impacto direto na
preservação ambiental, ao exigir que os municípios adotem práticas sustentáveis para o
tratamento e a destinação final de resíduos sólidos e efluentes.
Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997): Esta legislação institui a
Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos, regulamentando o uso das águas no Brasil de forma a assegurar a disponibilidade e a
qualidade da água para as gerações atuais e futuras.
Plano Nacional de Proteção de Defensores de Direitos Humanos (Decreto nº 6.044/2007):
Embora focado em defensores de direitos humanos, este plano é crucial para a proteção das
lideranças indígenas e ambientalistas que, muitas vezes, enfrentam ameaças e violência por suas
atividades de defesa do meio ambiente e das comunidades tradicionais.
Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) (Lei nº 9.985/2000): O SNUC
estabelece critérios para a criação, gestão e fiscalização das Unidades de Conservação no Brasil,
que incluem áreas de proteção integral (como parques nacionais) e de uso sustentável (como
reservas extrativistas). Essas áreas são fundamentais para a preservação da biodiversidade e para
o desenvolvimento sustentável.
Políticas Recentes e Desafios: Nos últimos anos, houve avanços e retrocessos nas políticas
ambientais e de desenvolvimento sustentável no Brasil. Enquanto algumas legislações e ações
buscam fortalecer a proteção ambiental, outras têm sido criticadas por enfraquecerem normas e
facilitar o desmatamento e a exploração de recursos naturais. Os desafios incluem a efetiva
implementação das leis existentes, a fiscalização ambiental, e a proteção dos territórios indígenas
contra invasões e degradação. A participação da sociedade civil, a pressão internacional e a
atuação de ONGs são fundamentais para garantir que as políticas ambientais e de
desenvolvimento sustentável sejam cumpridas e aprimoradas.
5) políticas educacionais da cultura indígena (legislação);
As políticas educacionais no Brasil que visam a valorização e a inclusão da cultura
indígena são fundamentadas por um conjunto de legislações e diretrizes que buscam garantir o
direito à educação diferenciada, respeitando a diversidade cultural e linguística dos povos
indígenas. A seguir, apresento as principais legislações e políticas educacionais relacionadas à
cultura indígena:
1. Constituição Federal de 1988
A Constituição Federal é a base legal mais importante para a proteção e valorização da
educação indígena no Brasil. Em seu artigo 210, a Constituição assegura o direito de cada povo
indígena de ter suas culturas preservadas e respeitadas no ensino, com destaque para o uso de
suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
Artigo 231: Garante os direitos dos povos indígenas às suas terras e ao reconhecimento de
suas tradições e costumes, o que inclui a educação em consonância com suas culturas.
2. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei nº 9.394/1996)
A LDB estabelece diretrizes para a educação no Brasil e, em seu artigo 78, trata
especificamente da educação indígena. Ela prevê a oferta de educação escolar bilíngue e
intercultural para os povos indígenas, respeitando suas tradições, culturas e línguas.
Artigo 78: Determina que o ensino nas comunidades indígenas deve ser ministrado na
língua materna da comunidade e em português, assegurando a valorização e a transmissão dos
conhecimentos tradicionais.
3. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena (Resolução
CNE/CEB nº 5/2012)
Essa resolução estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar
Indígena, orientando as escolas a desenvolverem currículos que respeitem e valorizem as culturas
e conhecimentos tradicionais indígenas.
Currículo Específico: As escolas indígenas têm a autonomia para elaborar seus currículos
de acordo com as tradições, conhecimentos e necessidades das comunidades, sempre em diálogo
com a cultura ocidental.
4. Plano Nacional de Educação (PNE - Lei nº 13.005/2014)
O PNE estabelece metas para a educação em todo o território brasileiro, incluindo a
educação indígena. Uma das metas é garantir a universalização do atendimento escolar para as
crianças, adolescentes e jovens indígenas, respeitando suas especificidades culturais.
Meta 8: Preconiza a ampliação da oferta de educação escolar indígena em todos os níveis
e modalidades, com atenção especial para a formação de professores indígenas.
5. Estatuto do Índio (Lei nº 6.001/1973)
Embora seja uma lei anterior à Constituição de 1988, o Estatuto do Índio já previa a
necessidade de oferecer educação diferenciada para os povos indígenas, respeitando suas
tradições e processos culturais.
6. Decreto nº 6.861/2009
Este decreto regulamenta a educação escolar indígena, estabelecendo critérios para a
organização da educação nas escolas indígenas. Ele assegura a autonomia das comunidades
indígenas para gerir suas escolas e define a importância da participação comunitária na
elaboração e gestão dos projetos pedagógicos.
Formação de Professores Indígenas: O decreto reforça a necessidade de programas de
formação específica para professores indígenas, que devem estar preparados para ensinar em
contextos interculturais e bilíngues.
7. Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação (FUNDEB - Lei nº 14.113/2020)
O FUNDEB é uma importante fonte de financiamento para a educação básica no Brasil,
incluindo a educação indígena. O fundo assegura recursos para a manutenção e desenvolvimento
das escolas indígenas, contribuindo para a valorização dos profissionais de educação que atuam
nessas comunidades.
8. Lei nº 11.645/2008
Esta lei altera a LDB para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade
da temática "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena". A legislação visa promover o
reconhecimento e a valorização das contribuições dos povos indígenas na formação da sociedade
brasileira, tanto em escolas indígenas quanto não-indígenas.
9. Programa Nacional de Educação Escolar Indígena (PNEEI)
O PNEEI, criado pelo Ministério da Educação (MEC), é uma política pública que visa
garantir o acesso à educação de qualidade para as comunidades indígenas, respeitando suas
especificidades culturais. O programa oferece apoio técnico e financeiro para a construção de
escolas, formação de professores e desenvolvimento de materiais didáticos específicos.
10. Programa Brasil Alfabetizado
O Programa Brasil Alfabetizado inclui ações específicas para a alfabetização de jovens,
adultos e idosos indígenas, utilizando metodologias que respeitam suas línguas e culturas.
Desafios e Implementação
Embora a legislação brasileira seja robusta em termos de garantir o direito à educação
diferenciada para os povos indígenas, a implementação dessas políticas enfrenta desafios
significativos. Isso inclui a falta de infraestrutura adequada, a escassez de materiais didáticos
específicos e a necessidade de maior formação e valorização dos professores indígenas. Além
disso, há a necessidade de maior participação das comunidades indígenas na elaboração e gestão
de políticas educacionais que as afetam diretamente.
Conclusão
As políticas educacionais brasileiras para a cultura indígena são desenhadas para respeitar
e promover a diversidade cultural, linguística e os saberes tradicionais dos povos indígenas. No
entanto, a eficácia dessas políticas depende de uma implementação comprometida e da contínua
luta das comunidades indígenas por seus direitos.
6) relações dos povos indígenas do interior de SP com a terra, o meio ambiente e sua
cosmogonia;
Os Krenak, embora tradicionalmente associados à região do Vale do Rio Doce, em Minas
Gerais, têm influências culturais e práticas que também se relacionam com áreas do sudeste,
incluindo o interior de São Paulo. Sua relação com a terra, o meio ambiente e sua cosmogonia
reflete uma profunda conexão espiritual, cultural e material com o mundo natural, que orienta sua
visão de mundo e suas práticas cotidianas.
1. Relação com a Terra
Para os Krenak, a terra não é apenas um espaço físico onde se vive e se cultiva, mas sim
um ente sagrado e ancestral, que possui vida própria e é habitada por espíritos. A terra é
considerada a mãe que alimenta e sustenta a vida, sendo fundamental para a identidade e a
continuidade do povo Krenak.
Territorialidade: A relação dos Krenak com a terra está profundamente enraizada em um
conceito de territorialidade que vai além do simples domínio físico. A terra é vista como parte de
uma herança espiritual, que deve ser preservada e protegida para as gerações futuras. As terras
Krenak são, assim, não apenas um espaço de habitação, mas um lugar sagrado que contém a
história e a memória coletiva do povo.
Defesa do Território: A proteção do território é uma questão central para os Krenak. Eles
veem a luta pela terra como uma luta pela sobrevivência de sua cultura e modos de vida. Isso
inclui a defesa contra invasões, a preservação das matas, rios e recursos naturais, e o
reconhecimento legal de suas terras tradicionais.
2. Relação com o Meio Ambiente
Os Krenak possuem uma visão holística do meio ambiente, onde todos os elementos –
seres humanos, animais, plantas, rios, montanhas – estão interligados em um ciclo de vida
interdependente. Essa visão se reflete em suas práticas sustentáveis de manejo e uso dos recursos
naturais.
Sustentabilidade: A sustentabilidade é uma prática intrínseca à cultura Krenak. Eles
utilizam os recursos naturais de forma a garantir a sua renovação e continuidade, evitando a
exploração excessiva. A caça, pesca e coleta de plantas são realizadas de maneira que respeitem
os ciclos naturais, e sempre com um profundo respeito pelos seres vivos que compartilham o
território com eles.
Proteção das Águas: Os rios, especialmente, têm um papel central na cosmogonia e na
vida cotidiana dos Krenak. São vistos como seres vivos que precisam ser cuidados e respeitados.
A contaminação e destruição dos cursos d'água é considerada uma ofensa grave à natureza e à
própria vida. Em São Paulo, embora os Krenak não sejam majoritariamente localizados, a defesa
das águas e do ambiente é uma causa comum entre os povos indígenas da região.
3. Cosmogonia Krenak
A cosmogonia Krenak é caracterizada por uma visão de mundo que integra o espiritual
com o material, onde a natureza e o cosmos são animados por espíritos ancestrais que
influenciam diretamente a vida dos seres humanos.
Espiritualidade e Ancestralidade: A espiritualidade Krenak é centrada no culto aos
ancestrais e no respeito aos espíritos da natureza. Os rituais e celebrações têm o objetivo de
manter o equilíbrio entre o mundo dos vivos e dos espíritos. A terra, por exemplo, é vista como o
corpo de seus ancestrais, e as montanhas e rios como partes vitais desse corpo.
Narrativas Cosmogônicas: As histórias e mitos Krenak explicam a origem do mundo e a
relação entre os diferentes elementos da natureza. Essas narrativas são transmitidas oralmente,
ensinando às gerações mais jovens a importância de viver em harmonia com a terra e os seres que
nela habitam.
Rituais e Festividades: Os rituais Krenak envolvem cânticos, danças e oferendas aos
espíritos da natureza e aos ancestrais. Esses rituais são momentos de comunhão entre os membros
da comunidade e entre eles e o mundo espiritual. Eles reforçam a importância da preservação da
terra e do meio ambiente como um ato sagrado.
4. Conflitos e Resistências
Como muitos povos indígenas, os Krenak enfrentam desafios significativos na defesa de
suas terras e modos de vida, especialmente em face da expansão agrícola, mineração e outras
atividades econômicas que ameaçam o meio ambiente.
Resistência Cultural: Os Krenak resistem à assimilação cultural e à destruição de suas
terras por meio da reafirmação de sua identidade e práticas culturais. A resistência também se
manifesta na participação em movimentos sociais e na busca pelo reconhecimento e demarcação
de suas terras tradicionais.
Conclusão
A relação dos Krenak com a terra, o meio ambiente e sua cosmogonia é um exemplo de
como as culturas indígenas oferecem uma visão de mundo que valoriza a sustentabilidade, o
respeito à natureza e a interconexão entre todos os seres. No interior de São Paulo, essa
cosmogonia continua a influenciar as práticas e a resistência dos povos indígenas, contribuindo
para a preservação de sua identidade cultural e dos recursos naturais que sustentam suas vidas.