Estudo de Impacto Ambiental - Eia: Fazenda CR I, Ii, Iii E Iv
Estudo de Impacto Ambiental - Eia: Fazenda CR I, Ii, Iii E Iv
AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV
Riacho Frio – PI / 2023
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 13
2 INFORMAÇÕES GERAIS.............................................................................................................................. 15
2.1 Identificação do Empreendedor ............................................................................................................ 15
2.2 Identificação do Empreendimento ........................................................................................................ 15
2.3 Identificação do Responsável Técnico pelo Estudo Ambiental ............................................................. 15
3 CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO ............................................................................................ 16
3.1 Objetivo................................................................................................................................................. 16
3.2 Justificativa ........................................................................................................................................... 17
3.3 Localização do empreendimento .......................................................................................................... 18
3.4 Uso e cobertura do solo da área total ................................................................................................... 21
3.5 Descrição técnica do projeto................................................................................................................. 23
3.5.1 Caracterização das áreas de apoio e recursos utilizados ................................................................ 23
3.5.2 Mão-de-obra empregada .................................................................................................................. 24
3.5.3 Serviços a serem realizados ............................................................................................................ 24
3.5.3.1 Desmatamento e limpeza da área ........................................................................................... 24
3.5.3.2 Preparo do solo ....................................................................................................................... 25
3.5.3.3 Correção do solo ..................................................................................................................... 25
3.5.3.4 Terraceamento ........................................................................................................................ 26
3.5.3.5 Pastagem................................................................................................................................. 26
3.5.3.6 Pecuária .................................................................................................................................. 29
3.6 Planilha de investimentos ..................................................................................................................... 37
4 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL E COMPATIBILIDADES .................................................................................. 38
4.1 Política Nacional de Meio Ambiente ..................................................................................................... 38
4.2 Política Estadual de Meio Ambiente ..................................................................................................... 40
4.3 Legislação Municipal............................................................................................................................. 42
5 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL ........................................................................................................................ 45
5.1 Áreas de Influência do empreendimento .............................................................................................. 45
5.1.1 Área Diretamente Afetada (ADA) ..................................................................................................... 45
5.1.2 Área de Influência Direta (AID) ......................................................................................................... 46
5.1.3 Área de Influência Indireta (AII) ........................................................................................................ 46
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
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LISTA DE FIGURAS
Figura 5.1. Dados pluviométricos para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975) ............................. 53
Figura 5.2. Umidade relativa do ar para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)............................ 54
Figura 5.3. Evapotranspiração para a região do empreendimento (Estação – 82975) .......................................... 55
Figura 5.4. Evaporação para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975) ............................................ 56
Figura 5.5. Temperaturas para a região do empreendimento (Estação – 82975) .................................................. 58
Figura 5.6. Insolação na região de implantação da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975) .......................... 60
Figura 5.7. Nebulosidade registrada para a região da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975) ...................... 61
Figura 5.8. Gráfico da insolação e nebulosidade para a região do empreendimento (Estação – 82975) .............. 61
Figura 5.9. Gráfico do balanço hídrico para a região da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975) ................... 63
Figura 5.10. Distribuição dos indivíduos por espécies ........................................................................................... 91
Figura 5.11. Famílias mais representativas na área inventariada .......................................................................... 95
Figura 5.12. Distribuição das espécies por unidades amostrais ............................................................................ 98
Figura 5.13. Curva de suficiência de amostragem da vegetação ......................................................................... 101
Figura 5.14. Posição sociológica dos indivíduos inventariadas............................................................................ 105
Figura 5.15. Alturas das principais espécies levantadas ...................................................................................... 106
Figura 5.16. Volume obtido por unidade amostral................................................................................................ 107
Figura 5.17. Volume obtido por espécie ............................................................................................................... 108
Figura 5.18. Distribuição dos indivíduos por classes diamétrica .......................................................................... 109
Figura 5.19. Esforço amostral para a fauna nas áreas de influências da Fazenda CR I, II, III e IV...................... 114
Figura 5.20. Riqueza de espécies pertencentes à ordem Passeriformes e Não-Passeriformes registradas ....... 122
Figura 5.21. Famílias mais representativas nas áreas de influência do empreendimento ................................... 122
Figura 5.22. Métodos de registro das espécies na campanha de amostragem ................................................... 123
Figura 5.23. Guilda trófica das espécies de aves na área do empreendimento ................................................... 124
Figura 5.24. Estratos preferenciais de forrageio das aves presentes do Projeto ................................................. 125
Figura 5.25. Grau de Sensibilidade das espécies às alterações no ambiente ..................................................... 126
Figura 5.26. Riqueza de famílias e espécies de mamíferos na área do empreendimento ................................... 136
Figura 5.27. Famílias que apresentaram maior número de espécies durante a campanha de amostragem ....... 137
Figura 5.28. Métodos de registro das espécies na campanha de amostragem ................................................... 138
Figura 5.29. Composição trófica das espécies da mastofauna na área do empreendimento .............................. 139
Figura 5.30. Riqueza taxonômica amostrada dentro dos grupos da herpetofauna na área do empreendimento 144
Figura 5.31. Riqueza de famílias e espécies da herpetofauna na área do empreendimento ............................... 145
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Figura 5.32. Métodos de registros de espécies da herpetofauna da área do empreendimento ........................... 146
Figura 5.33. Riqueza de espécies e famílias registradas na área de instalação do empreendimento ................. 150
Figura 5.34. Proporção de espécie por famílias amostradas na área de instalação do empreendimento ........... 150
Figura 5.35. Internações nos municípios da AII – 2013 a junho de 2022 ............................................................. 182
Figura 5.36. Óbitos registrados nos municípios da AII – 2013 a 2020 ................................................................. 183
Figura 5.37. Distribuição da população moradora por sexo e faixa etária............................................................ 190
Figura 5.38. Escolaridade da população moradora na área de influência direta .................................................. 190
Figura 5.39. Percentual das famílias que recebem visita do ACS e a frequência dessas visitas ......................... 191
Figura 5.40. Características das unidades habitacionais da AID ......................................................................... 192
Figura 5.41. Produtos das lavouras temporárias e permanentes ......................................................................... 194
Figura 5.42. Produtos das lavouras temporárias e permanentes ......................................................................... 194
Figura 5.43. Ocupação dos moradores entrevistados .......................................................................................... 195
Figura 5.44. Posicionamento e expectativas com relação a implantação do empreendimento............................ 197
Figura 6.1. Resultados gerais dos impactos ........................................................................................................ 201
Figura 6.2. Impactos classificados de acordo com o meio impactado.................................................................. 201
Figura 6.3. Impactos classificados de acordo com a importância em relação a fase de planejamento................ 202
LISTA DE FOTOS
Foto 3.1. Estrada que dá acesso à Fazenda CR I, II, III e IV ................................................................................. 18
Foto 3.2. Conformação do uso e ocupação do solo ............................................................................................... 21
Foto 3.3. Fazenda vizinha que dá apoio ................................................................................................................ 24
Foto 5.1. Caracterização dos solos predominantes na região: Latossolo amarelo ................................................ 70
Foto 5.2. Linha de drenagem e curso d’água na região ......................................................................................... 75
Foto 5.3. Característica da vegetação na área da Fazenda CR I, II, III e IV .......................................................... 79
Foto 5.4. Demarcação e identificação das parcelas ............................................................................................... 87
Foto 5.5. Coleta dos dados biométricos dos indivíduos ......................................................................................... 88
Foto 5.6. Caracterização morfológica da cagaita ................................................................................................... 92
Foto 5.7. Caracterização morfológica das espécies em destaque ......................................................................... 92
Foto 5.8. Caracterização morfológica das principais espécies............................................................................... 94
Foto 5.10. Esforço amostral para levantamento faunístico da área do Projeto .................................................... 116
Foto 5.11. Penelope jacucaca registrada em diferentes áreas da Fazenda CR I, II, III e IV ................................ 134
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Foto 5.12. Alouatta caraya registrados na área da Fazenda CR I, II, III e IV ....................................................... 142
Foto 5.13. Exemplares da herpetofauna registrados no levantamento de campo................................................ 146
Foto 5.14. Sede da Prefeitura Municipal dos municípios da AII ........................................................................... 156
Foto 5.15. Grupos e instituições sociais existentes nos municípios da AII........................................................... 160
Foto 5.16. Instituições de ensino básico nos municípios da AII ........................................................................... 175
Foto 5.17. Companhia de abastecimento de água nos municípios da AII........................................................... 179
Foto 5.18. Instituições financeiras existentes nos municípios da AII .................................................................... 180
Foto 5.19. Prédios administrativos e de justiça .................................................................................................... 181
Foto 5.20. Locais relacionadas ao turismo, cultura e lazer nos municípios da AII ............................................... 187
Foto 5.21. Entrevistas realizadas com moradores das comunidades da AID ...................................................... 189
Foto 5.22. Posto de Saúde da comunidade Taperinha, Redenção do Gurguéia ................................................. 191
Foto 5.23. Infraestrutura habitacional das comunidades da AID .......................................................................... 193
Foto 5.24. Vista da caixa de abastecimento de água, comunidade Feirinha, município Redenção do Gurguéia 193
Foto 5.25. Instituições religiosas presentes na comunidade Taperinha, município Redenção do Gurguéia ........ 196
LISTA DE MAPAS
Mapa 3.1. Localização da Fazenda CR I, II, III e IV ............................................................................................... 19
Mapa 3.2. Croqui de acesso ao empreendimento .................................................................................................. 20
Mapa 3.3. Uso e ocupação do solo da Fazenda CR I, II, III e IV ............................................................................ 22
Mapa 5.1. Delimitação das áreas de influência do empreendimento ..................................................................... 47
Mapa 5.2. Classificação climática de Köppen para o estado do Piauí e para a área do empreendimento ............ 51
Mapa 5.3. Unidades geológicas regionais da área do empreendimento ................................................................ 65
Mapa 5.4. Caracterização geomorfológica da região ............................................................................................. 67
Mapa 5.5. Classificação pedológica na área de influência do empreendimento .................................................... 69
Mapa 5.6. Bacia hidrográfica onde o empreendimento está inserido ..................................................................... 74
Mapa 5.7. Mapa hipsômetro com distribuição dos recursos hídricos ..................................................................... 76
Mapa 5.8. Distribuição dos biomas cerrado-caatinga no estado do Piauí .............................................................. 78
Mapa 5.9. Localização das Unidades de Conservação em relação ao empreendimento ...................................... 82
Mapa 5.10. Distribuição das unidades amostrais ................................................................................................... 86
Mapa 5.11. Área de Influência do meio socioeconômico ..................................................................................... 154
LISTA DE TABELAS
Tabela 3.1. Uso e cobertura do solo para a Fazenda Fazenda CR I, II, III e IV ..................................................... 21
Tabela 3.2. Investimento para implantar e operar em 1,0 ha ................................................................................. 37
Tabela 5.1. Dados pluviométricos para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)............................. 52
Tabela 5.2. Dados de temperatura para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975) ........................... 57
Tabela 5.3. Demonstrativo da direção e velocidade do vento para a região do empreendimento (Estação – 82975) .. 59
Tabela 5.4. Resumo dos elementos meteorológicos para a região do empreendimento (Estação – 82975)......... 62
Tabela 5.5. Vazões naturais das regiões hidrográficas .......................................................................................... 71
Tabela 5.6. Coordenadas UTM das unidades amostrais ....................................................................................... 84
Tabela 5.7. Equações utilizadas no estudo fitossociológico................................................................................... 89
Tabela 5.8. Medidas de diversidade e suas respectivas fórmulas ......................................................................... 90
Tabela 5.9. Lista geral das espécies vegetais presentes na área estudada .......................................................... 96
Tabela 5.10. Índices de diversidade para as parcelas inventariadas ..................................................................... 99
Tabela 5.11. Estrutura horizontal das espécies inventariadas ............................................................................. 103
Tabela 5.12. Classes diamétricas e classificação de uso .................................................................................... 109
Tabela 5.13. Espécies de aves inventariadas para as áreas de influência do empreendimento.......................... 118
Tabela 5.14. Aves registradas nas áreas de influência da Fazenda CR I, II, III e IV ............................................ 126
Tabela 5.15. Lista taxonômica de mamíferos registrados na área de instalação do empreendimento ................ 135
Tabela 5.16. Espécie registrada na ADA do empreendimento............................................................................. 139
Tabela 5.17. Lista geral de espécies da herpetofauna registradas na área do empreendimento ........................ 143
Tabela 5.18. Riqueza de espécies de peixes registradas na área de instalação do empreendimento ................ 148
Tabela 5.19. Classificação das Áreas de Influência do empreendimento ............................................................ 153
Tabela 5.20. População residente na AII, segundo a situação domiciliar, 2000-2010 ........................................ 157
Tabela 5.21. População residente, segundo sexo e as faixas de idade - 2010 .................................................... 158
Tabela 5.22. Crescimento total, saldo vegetativo e saldo migratório da AII, 2000/2010 (em %) .......................... 158
Tabela 5.23. População residente por lugar de nascimento - 2010 ..................................................................... 159
Tabela 5.24. Deslocamento diário das pessoas de 10 anos ou mais da AII, 2010 .............................................. 159
Tabela 5.25. Tipo de uso e ocupação do solo nos municípios da AII – 2022....................................................... 161
Tabela 5.26. Estabelecimentos agropecuários – condição legal do produtor ...................................................... 162
Tabela 5.27. Áreas dos estabelecimentos certificados no INCRA na AII ............................................................. 162
Tabela 5.28. Estabelecimentos e áreas cadastradas no sistema SICAR para os municípios da AII ................... 163
Tabela 5.29. Projetos de assentamento existentes nos municípios da AII – 2022 ............................................... 163
Tabela 5.30. Distribuição das áreas e estabelecimentos para utilização agropecuária ....................................... 164
Tabela 5.31. Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios da AII – 2019 .............................................................. 165
Tabela 5.32. Produto Interno Bruto, valor adicionado bruto a preços correntes – 2019....................................... 166
Tabela 5.33. Número de cabeças por tipo de rebanho por município na AII, 2020 .............................................. 167
Tabela 5.34. Produção de origem animal na AII - 2020 ....................................................................................... 167
Tabela 5.35. Criação de psicultura nos municípios da AII - 2020 ........................................................................ 167
Tabela 5.36. Atividade de extrativismo nos municípios da AII - 2020 .................................................................. 168
Tabela 5.37. Produção da lavoura temporária nos municípios da AII - 2020 ....................................................... 168
Tabela 5.38. Produção da lavoura permanente nos municípios da AII - 2020 ..................................................... 169
Tabela 5.39. Empresas do setor secundário nos municípios da AII - 2020.......................................................... 169
Tabela 5.40. Empresas do setor terciário nos municípios da AII – 2020.............................................................. 170
Tabela 5.41. Estabelecimentos de serviços e comerciais nos municípios da AII ................................................. 171
Tabela 5.42. População de 10 anos ou mais e condição de atividade dos municípios da AII – 2010 .................. 172
Tabela 5.43. Informações sobre empregabilidades e remuneração média por setor dos municípios da AII - 2020
............................................................................................................................................................................. 172
Tabela 5.44. Nível de escolaridade e sexo da população empregada na AII – 2020 ........................................... 173
Tabela 5.45. Número de docentes nos municípios da AII – 2021 ........................................................................ 174
Tabela 5.46. Número de escolas existentes nos municípios da AII – 2021 ......................................................... 174
Tabela 5.47. Número de matriculas realizadas nos municípios da AII – 2021 ..................................................... 175
Tabela 5.48. Estabelecimentos de saúde presentes nos municípios da AII – 2022. ............................................ 176
Tabela 5.49. Unidades de saúde nos municípios da AII ...................................................................................... 176
Tabela 5.50. Frota de veículos dos municípios da área de estudo – 2021 .......................................................... 178
Tabela 5.51. Características dos domicílios dos municípios da AII – 2010 .......................................................... 178
Tabela 5.52. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) dos municípios da AII ............................... 184
Tabela 5.53. Casos confirmados de doenças de notificação compulsória nos municípios da AII – 2019 a 2021 185
Tabela 5.54. Sítios arqueológicos cadastrados no CNSA identificados nos municípios na AII ............................ 188
Tabela 6.1. Avaliação da importância dos potenciais impactos identificados ...................................................... 200
Tabela 6.2. Matriz de impactos da Fazenda CR I, II, III e IV ................................................................................ 203
APRESENTAÇÃO
Este documento apresenta o Estudo de Impacto Ambiental - EIA com finalidade de subsidiar a análise de
viabilidade técnica-ambiental pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Piauí (SEMAR)
no processo de licenciamento ambiental da Fazenda CR I, II, III e IV, onde pretende-se exercer a atividade de
criação de bovino em regime extensivo associado com o plantio de pastagem (forragicultura), em uma área
de 1.728,715 ha, localizada na zona rural do município de Riacho Frio – PI.
O EIA foi elaborado tendo como orientação a Lei Federal Nº 6.938 de 31 de agosto de 1981, as Resoluções
do CONAMA Nº 001 de 23 de junho de 1986 e Nº 237 de 19 de dezembro de 1997, a Lei Estadual Nº 4.854 de 10
de julho de 1996, em consonância com a Resolução do CONSEMA Nº 33 de 16 de junho de 2020, que estabelece
através do anexo III as diretrizes e normas a serem adotadas na elaboração do Estudo de Impacto Ambiental - EIA
e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental – RIMA, elaborada pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos – SEMAR - PI, Órgão este que determina a Política Estadual do Meio Ambiente e pelo Instituto do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA.
Deste modo, a organização e apresentação deste documento considera a sequência de informações
solicitadas no termo de referência, referente ao estudo de impacto ambiental deverá ter as seguintes atividades
técnicas:
a) o meio físico - o subsolo, as águas e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos
e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime hidrológico;
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais - a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras
da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas
de preservação permanente;
c) o meio antrópico - o uso e ocupação do solo, os usos da água e a sócio economia, destacando os
sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência
entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos.
III. Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão da
magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os impactos
positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos,
temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; magnitude; e suas propriedades cumulativas e
sinérgicas.
IV. Definição das medidas mitigadoras que venham a minimizar ou eliminar impactos adversos analisados,
abrangendo as áreas de implantação e influência do empreendimento.
V. Indicação dos planos e programas ambientais, para acompanhamento e monitoramento dos impactos
positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem considerados.
VI. O prognostico ambiental, levando em consideração a continuidade das operações e parando a operação
do empreendimento desenvolvido na região estudada.
Por fim, enfatiza-se que este documento tem como objetivo contribuir com o órgão licenciador, e com a
Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR – PI), que vem dedicando muita atenção para a
utilização racional dos recursos naturais e incentivando uma política de desenvolvimento sustentável.
1 INTRODUÇÃO
O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina do mundo. A produção de gado
bovino no país é uma atividade importante na economia e na cultura do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020 o Brasil tinha um rebanho de aproximadamente 215 milhões de
cabeças de gado, sendo o estado de Mato Grosso o maior produtor.
O Brasil exporta cerca de 20% da produção de carne bovina, sendo que os principais destinos são China,
Hong Kong e União Europeia. A exportação de carne bovina é uma importante fonte de divisas para o país e
contribui para a balança comercial.
O Brasil tem investido em medidas para melhorar a qualidade e a segurança da carne bovina produzida,
com a adoção de boas práticas de produção e controle sanitário, além de programas de rastreabilidade e
certificação. Essas medidas têm sido cada vez mais valorizadas pelos mercados consumidores e podem ajudar o
país a consolidar sua posição como um importante produtor e exportador de carne bovina no cenário internacional.
A produção de carne bovina no Brasil tem se desenvolvido a partir de um sistema de pecuária extensiva,
que utiliza grandes áreas de pastagem para criação de gado. A criação de gado em regime extensivo é um método
de produção pecuária em que os animais são mantidos em grandes áreas de pastagem natural, sem a adição de
rações ou outros suplementos alimentares. Esse sistema é amplamente utilizado no Brasil, onde a pecuária
extensiva representa uma parcela significativa da produção de carne bovina.
Nesse tipo de sistema, os animais são criados em áreas de pastagens naturais, geralmente em grandes
propriedades rurais. Os pastos são mantidos em condições adequadas por meio de práticas de manejo, como a
rotação de pastagens e a adubação, e os animais se alimentam exclusivamente da pastagem disponível na área.
A criação extensiva é considerada uma opção mais sustentável e econômica em comparação com a criação
intensiva, que utiliza sistemas confinados e exige o uso de ração e outros suplementos alimentares.
O estado do Piauí tem um grande potencial para a pecuária, principalmente para a criação de bovinos e
ovinos. A região possui uma grande extensão territorial, com cerca de 251.529 km², sendo que cerca de 90% desse
território é ocupado pela Bacia Sedimentar do Parnaíba. A presença de grandes áreas de pastagem nativa e
cultivada, aliada às condições climáticas favoráveis, com temperaturas elevadas e chuvas concentradas em
determinadas épocas do ano, propiciam um ambiente ideal para a criação de animais.
A pecuária bovina é a atividade mais desenvolvida na região, com a presença de diversas raças adaptadas
ao clima local, como a Nelore e a Girolando. Além disso, a criação de ovinos também é uma atividade importante,
com a presença de raças adaptadas, como a Santa Inês e a Dorper.
2 INFORMAÇÕES GERAIS
CR PARTICIPAÇÕES
CNPJ: 43.400.081/1001-20
Endereço: Rua Orlando Magnani, nº 155, bairro Jardim Casablanca
Cidade: São Paulo – SP
Telefone:
Representante Legal: Charles Rekson Barbosa de Lima
CPF: 184.700.708-27
3 CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
A produção de carne bovina é de extrema importância para a pecuária brasileira, sendo seu pilar
fundamental. Diversos sistemas de produção são utilizados, tornando a bovinocultura de corte brasileira muito
dinâmica (OLIVEIRA et al., 2008). Existem três principais tipos de sistemas de produção de bovinos de corte:
extensivo, semi-intensivo e intensivo, cada um com características próprias em termos de manejo, investimentos,
produtividade e rentabilidade. O sistema extensivo é o mais tradicional e é utilizado principalmente em áreas rurais
distantes dos centros consumidores. Nesse sistema, o gado é criado solto em pastagens naturais e melhoradas,
sem a utilização de suplementação alimentar.
O projeto agropecuário que é desenvolvido pela Fazenda CR I, II, III e IV, objeto desse Estudo de Impacto
Ambiental contempla um sistema de manejo extensivo de criação de gado associado ao cultivo de diferentes
espécies vegetais forrageiras em uma área de 1728,715 ha e a ampliação, visando à consolidação da pecuária na
região. O empreendimento inclui também as áreas com vegetação natural (Área de Reserva Legal e Área de
Preservação Permanente), e de outros usos necessárias ao atendimento dos aspectos legais e ao
desenvolvimento das atividades pertinentes à implantação do projeto proposto.
Nesse contexto, alguns itens de grande relevância foram considerados para o desenvolvimento do projeto:
Uso de boas práticas agronômicas, respeito ao meio-ambiente, requalificação do entorno, presença de
infraestruturas, e estabelecimento dos princípios de sustentabilidade em todas as fases.
3.1 Objetivo
O objetivo geral da Fazenda CR I, II, III e IV está vinculado ao desenvolvimento da atividade pecuária sob
sistema extensivo, com a produção de pastagens para a cria, recria e engorda de bovinos, em uma área efetiva
de 1.728,715 ha e a ampliação. Este será alcançado, desde que sejam adotados procedimentos necessários para
garantir o equilíbrio ambiental do sistema como um todo, seja no aspecto da produtividade e qualidade dos
produtos e serviços, ou na utilização de técnicas produtivas compatíveis com o equilíbrio e conservação do meio
ambiente, assumindo a premissa de que área em equilíbrio ambiental é aquela que harmoniza a produção
sustentável, conservação e preservação dos componentes ambientais.
Desse modo, na Fazenda CR I, II, III e IV serão adotadas medidas que visam:
• Ampliar o crescimento econômico aliado ao manejo adequado dos recursos naturais inerentes à região;
• Criar ofertas de empregos, melhorando o nível de renda e qualidade de vida da população inserida na
área de abrangência do empreendimento;
• Manter e estabelecer o homem no campo;
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
Licenciamento do Meio Físico Meio Socioeconômico da Fauna da flora
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 17 de 265
RIACHO FRIO – PI
3.2 Justificativa
Com o aumento da população e do consumo per capita, a necessidade de garantir alimentos seguros e
nutritivos é cada vez maior. No entanto, o mau uso das terras pode contribuir para a degradação dos recursos
naturais e o aumento do fluxo das emissões de gases de efeito estufa, tornando ainda mais importante o
desenvolvimento de sistemas de produção agropecuária sustentáveis (WILLETT et al., 2019; KU-VERA et al.,
2020).
O Brasil se destaca como líder mundial na produção e comercialização de produtos de origem bovina
graças à adoção de sistemas de produção estruturados e bem desenvolvidos, que aumentam a produtividade e
melhoram a qualidade do produto ofertado (NAVOLAR; DE PAULA; PEREIRA, 2018). No país, existem
basicamente três tipos de sistemas de produção de bovinos: extensivo, semi-intensivo e intensivo.
O sistema extensivo a pasto é o mais comum no Brasil e caracteriza-se pela criação exclusivamente em
pastagens, com suplementação alimentar restrita a sais minerais. No entanto, esse sistema apresenta produção e
produtividade consideradas baixas em comparação aos outros sistemas, além de falhas no planejamento
alimentar, profilático/sanitário, controle de produção e reprodução, instalações inadequadas, entre outros
(OLIVEIRA, 2008).
No Piauí, a pecuária tem grande potencial de produção e é a segunda atividade econômica agropecuária
mais importante. Na região sul do estado, a atividade está avançando rapidamente devido ao potencial natural da
região, que possui uma diversidade de solos que permitem o cultivo de vegetais em diversas áreas integrados à
criação de gado. A adoção de práticas de manejo que promovam a máxima produção, preservação e proteção do
ambiente também contribuem para o sucesso da atividade na região.
Posto isso, a continuidade e ampliação da Fazenda CR I, II, III e IV é justificada com base no potencial
natural da região, além disso, é necessário desenvolver as potencialidades econômicas da região, buscando
alcançar o desenvolvimento sustentável, baseando-se nos princípios econômicos, ambientais e sociais. São
medidas que remetem a condições de segurança do equilíbrio natural dos ecossistemas e desenvolvimento
sustentável da região. Assim, as atividades que serão desenvolvidas são viáveis e estão de acordo com as normas
que regulamentam a Política Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais – SEMAR-PI.
O município de Riacho Frio está localizado no sul do estado do Piauí, situado na mesorregião do Sudoeste
Piauiense, microrregião das Chapadas do Extremo Sul Piauiense, distante 794 km da capital do estado, Teresina.
Localiza-se a uma latitude 10º07'31" sul e a uma longitude 44º57'09" oeste, compreendendo a uma área irregular
de 2.220,598 km², tendo como limites os municípios de Monte Alegre do Piauí e Redenção do Gurguéia ao norte;
Corrente e Parnaguá ao sul; Parnaguá, Curimatá e Redenção do Gurguéia ao leste; e Monte Alegre do Piauí,
Gilbués e São Gonçalo do Gurguéia ao oeste (Mapa 3.1).
Partindo da capital Teresina, o acesso ao município é realizado pela BR – 343 (sentido sul) por 240 km,
até a estaca zero. A partir deste ponto, pegar a 2º saída para a BR – 226, deslocando-se 11 km até o município
de Floriano. Saindo da também chamada “Princesa do Sul”, permanecer na BR – 343 (sentido sudeste), e na
primeira rotatória pegar a 1º saída para a PI – 140, percorrendo mais 163 km até a cidade de Canto do Buriti. A
partir desta, na primeira rotatória pegar a 1º saída para a BR – 324 e a esquerda para a BR – 135, mantendo-se
nesta por mais de 228 km, passando pelas cidades de Eliseu Martins, Colônia do Gurguéia, Alvorada do Gurguéia,
Cristino Castro, até chegar na entrada do município de Bom Jesus.
Assim, deve-se continuar na BR – 135 percorrendo cerca de 56,1 km até o entroncamento com a PI – 257
(entrada de Redenção do Gurguéia). Saindo da zona urbana de Redenção do Gurguéia, via PI-257 sentido
Curimatá por 20,5 km, virando a direita na estrada vicinal e seguindo por mais 5,5 km até um ponto de referência
da Fazenda, nas coordenadas UTM 23 L X – 537.088 m E e Y – 8.934.836 S.
A delimitação da área da Fazenda CR I, II, III e IV, assim como a proporção de uso e cobertura do solo
está disposta no Mapa 3.3. Para a definição dessas áreas foi utilizado imagem do satélite Sentinel 2, T23LNL,
datada de 06 de outubro de 2021, e com auxílio do Software Arcgis 10.6 foi processada com a composição de
bandas 4, 3 e 2, formando uma cor verdadeira. Visando uma melhor definição das áreas úteis da fazenda, ainda,
foi levado em consideração o modelo digital de elevação Topodata (09S45_ZN).
A área total da fazenda compreende a 3.704,64 hectares, sendo 46,66% referente a área com intervenção.
Será preservado com vegetação nativa os trechos de APP e reserva legal, que corresponde a 34,17% da área
total (Tabela 3.1).
O projeto agropecuário que será desenvolvido pela Fazenda CR I, II, III e IV possui área total de 3.704,64
hectares, devidamente georreferenciada e certificada pelo INCRA, estando localizado no município de Riacho Frio,
estado do Piauí, dos quais 1.728,715 ha está implantada, pronta para iniciar a operação. O empreendimento possui
Licença de Instalação e Autorização de Supressão Vegetal datada de 2017 e 2016, respectivamente, onde vem
desenvolvendo a atividade de forragicultura, associada à criação de bovinos em regime extensivo.
A licença anterior (Licença de Instalação D000716/15, processo Nº 13050/14), compreendendo uma área
maior (4.933,260 ha) referente as Fazendas Marmelada e outros, onde foi desmembrada após a venda para o
atual proprietário.
Na propriedade será construída uma sede, onde os funcionários ficarão instalados. A água será fornecida
por um poço tubular que será perfurado após a autorização da SEMAR, e posteriormente armazenado em uma
caixa d’água, que abastecerá os funcionários e os animais. A energia elétrica será fornecida pela concessionária,
uma vez que o empreendimento se encontra próximo a zona urbana do município de Riacho Frio.
Para o manejo dos animais, será construído um curral e um galpão para armazenamento dos insumos e
maquinários. A movimentação de máquinas e equipamentos será mínima, fato que justifica a não instalação de
tanques de combustíveis no empreendimento. Será construído um local para a estocagem de insumos e
medicamentos, sendo empregado, especialmente para o controle de plantas invasoras o método mecânico com
roço, com a roçadeira acoplada ao trator, de modo que não será utilizado defensivos para o controle dos mesmos.
O empreendimento planeja a criação de 2.400 cabeças de gado bovino.
O depósito para defensivos não será necessário construí-lo, tendo em vista que é desenvolvida no
empreendimento somente a atividade pecuária com o plantio de pastagens, as plantas invasoras são controladas
com roço mecânico com a roçadeira acoplada ao trator.
O empreendimento utiliza a sede da Fazenda vizinha como apoio, até a construção de toda a estrutura
necessária para o pleno funcionamento do empreendimento.
A continuidade da atividade agropecuária que será desenvolvida pela Fazenda CR I, II, III e IV trará
benefícios para a região em todas as fases, principalmente, sociais e econômicos. Irá gerar empregos diretos e
indiretos, capacitando e aperfeiçoando a população que for atraída pelo empreendimento, e funcionamento das
atividades comerciais e institucionais do município, assim, aumentará o fluxo de pessoas, o que poderá aquecer e
movimentar a economia da região.
Para a fase de ampliação e estabelecimento do empreendimento serão contratados cerca de seis
funcionários, por aproximadamente 30 dias, que desempenharão funções relativas às atividades de desmate e
limpeza da área. Serão contratados cerca de cinco funcionários para instalação da servidão administrativa, por um
período aproximado de 60 dias. Para a operação o empreendimento contar com 04 funcionários fixos, sendo
destinados, para o manejo dos animais e das pastagens no período do roço e conservação de cercas, caso seja
sendo necessário a contratação de novos funcionários, os mesmos são obtidos nas comunidades vizinhas ao
empreendimento de acordo com a demanda de serviços.
A supressão vegetal da área da Fazenda CR I, II, III e IV dar-se-á através da utilização de dois tratores de
esteira ou similares, unidos por uma corrente ou cabo de aço, obedecendo às normas contidas no Novo Código
Florestal Brasileiro Lei Nº 12.651/2012. Esta operação deverá ser efetuada durante o período chuvoso, quando o
solo ainda estiver com alto teor de umidade, facilitando a retirada das raízes.
Além disso, serão feitos o corte seletivo e a supressão parcial da vegetação, nas áreas diretamente
afetadas pelo empreendimento, que têm como finalidade principal a abertura de acessos, limpeza, abertura e
delimitação da faixa de servidão, de serviço, de segurança, além de preservas as árvores imunes ao corte
(conforme previsão legal) e as de maior porte (diâmetro pré-definido), proporcionando maior conforto térmico ao
rebanho.
Após a retirada da vegetação será feita a limpeza da área com a separação da madeira e a retirada das
raízes. Esta operação é feita manualmente, no qual o material lenhoso será aproveitado para a construção de
cercas na fazenda, evitando que as sobras fiquem estocadas. Em seguida será realizado o enleiramento com trator
de pneus com garfo ou manual no período seco (junho a setembro).
O preparo do solo será realizado com intuito de melhorar as condições físico-químicas do mesmo, eliminar
plantas indesejáveis, promover o melhor armazenamento de água no solo, eliminar camadas compactadas,
incorporação de adubos (químicos e orgânicos) e fazer o nivelamento do terreno facilitando dessa forma, o trabalho
das máquinas durante o plantio, manutenção do pasto e pastoreio. A área destinada ao cultivo de pastagem, será
cuidadosamente preparada, visto que dessa atividade dependerá, o resultado econômico do projeto.
Inicialmente, será realizado uma grade aradora de 36” polegadas para cortar as raízes em profundidade,
realizando dois cortes, seguidos da catação de raízes e incorporação de calcário. Posteriormente, será realizada
a gradagem e nova catação de raízes para facilitar o plantio e atividades subsequentes, sem riscos de que raízes
e tocos danifiquem as máquinas e implementos, ou ainda interfiram na distribuição e germinação das sementes.
Deve ser levado em conta que o preparo do solo deverá sempre ser realizado no sentido perpendicular à
declividade do terreno para evitar problemas erosivos. Por ocasião da renovação das pastagens, sempre deverá
renovar os terraços a fim de proporcionar maior proteção aos solos e, principalmente evitar assoreamento dos
cursos d’água.
Inicialmente é realizada a análise do solo, e caso haja necessidade de calagem, é necessário que o
calcário esteja incorporado pelo menos três meses antes da semeadura das espécies forrageiras. Na retirada de
amostra do solo com vistas à caracterização da fertilidade, o interesse é pela camada arável do solo que,
normalmente, é a mais alterada, seja por arações e gradagens, seja pela adição de corretivos, fertilizantes e restos
culturais. O objetivo principal dessa prática é corrigir a acidez do solo, visando neutralizar o alumínio tóxico às
plantas e fornecer cálcio em profundidade. Este deverá ser incorporado com grade de 32” a fim de alcançar
profundidade igual ou superior aos 20 cm, ampliando a zona de exploração das raízes.
3.5.3.4 Terraceamento
Os terraços serão de base larga, devido à baixa declividade do terreno, o que permite o plantio em toda
área, inclusive sobre os mesmos que serão construídos com o uso de terraceadores. O objetivo é interceptar o
escoamento superficial da água, forçando sua absorção pelo solo, evitando assim, a erosão laminar ou em sulcos
dentro da área e possível assoreamento de cursos d’água mais próximos.
Esta é uma prática conservacionista que deve ser adotada em conjunto com outras medidas a fim de
preservar e melhorar a qualidade do solo como o incremento de matéria orgânica em virtude da produção de
palhada via capim Brachiaria e Andropogon.
3.5.3.5 Pastagem
Em relação ao plantio, alguns cuidados devem ser tomados, principalmente, com o solo que deve se
encontrar isento de pragas e livre de qualquer obstáculo que impeça a mecanização e facilite a semeadura. A
umidade e o calor são importantes no momento do plantio, assim o preparo do solo deve ser realizado no fim do
período da seca, para que o plantio ocorra no início da estação das chuvas.
Outro cuidado é com as sementes que possuem tamanho reduzido (média de 2 mm), no qual existe uma
dificuldade de distribuição uniforme das mesmas. A profundidade de semeadura deve ser entre dois a cinco
centímetros. Considerando que o empreendimento não existe tantos maquinários, e que o produtor não possui
semeadora para distribuição isolada de semente e adubo, será realizada a mistura das sementes com fertilizantes,
especialmente, fosfatados. Deste modo, além de economizar com maquinário, servirá ainda como adubação.
A escolha da forrageira para implantação de pastagens é uma decisão difícil, mas extremamente
importante para o sucesso da atividade pecuária. A composição química e a digestibilidade da espécie forrageira
devem ser levadas em consideração na escolha da espécie a ser implementada na área. Geralmente, gramíneas
cultivadas em solos de baixa fertilidade, como as do gênero Brachiaria e Andropogon, apresentam composição
mais pobre em minerais.
De fato, a fertilidade do solo é decisiva na produção de pastagens, pois interfere diretamente no rendimento
de carcaça dos animais, que ao alcançar maior ganho de peso em um menor espaço de tempo, torna-se mais
precoces e reduz os custos de produção. No geral, a produtividade da pastagem está intimamente relacionada
com os seguintes aspectos:
a. Escolha do local para a implantação da pastagem;
b. Escolha das espécies forrageiras;
c. Época de plantio e preparo do solo;
d. Calagem, adubação, controle de invasoras e manejo adequado.
Na Fazenda CR I, II, III e IV, o produtor tem o objetivo de manter entre 1,5 a 2,0 UA por hectare, no qual
durante o período chuvoso os animais serão recolhidos durante a noite para evitar o pisoteio em excesso do pasto,
e receberão suplementação com sal mineral e outros alimentos, depois serão soltos em áreas de pastejo ou
piquetes com boa pastagem e aguada. No período da estiagem, além do pasto, os bovinos passarão a receber a
suplementação por meio de fenos, silagens se necessário e o sal mineral fornecido nos cochos distribuídos em
todos os piquetes.
Todo o plano de manejo das pastagens e dos animais será traçado entre o produtor e a equipe técnica,
onde todas as metas para os sistemas de produção e as estratégias nutricionais serão definidas de forma
consciente para que os objetivos sejam alcançados de forma sustentável e economicamente viável.
A espécie Panicum maximum apresenta um dos maiores potenciais de produção de matéria seca (PMS)
em todos os campos de cultivo, podendo atingir produção anual de matéria seca em torno de 33 t ha-1 (GALINDO
et al., 2017). Além disso, é reconhecida por sua alta qualidade de forragem e por se adaptar as diferentes condições
edafoclimáticas. Sua propagação ocorre por sementes, sendo uma das mais produtivas do mercado, na qual tem
sido responsável por grande parte da engorda de bovinos no Brasil. Normalmente, são indicadas para cultivo em
áreas de maior fertilidade, visando a diversificação das pastagens em sistemas de produção extensivo.
A produção destas pastagens pode atingir até 15 @/ha/ano-1, com duração média de 6 anos para que seja
feita a sua renovação. De acordo com a Embrapa Pastagens, esta gramínea proporciona aos bovinos de corte
ganhos médios de 700 kg de peso vivo/ha/ano-1. O capim-mombaça possui em média 13,4% de proteína,
produzindo 33 toneladas de matéria seca/ha/ano sendo 40% no período seco e 60% no período das chuvas. A
principal vantagem dessa forrageira é ter alta produtividade, qualidade nutricional e sanidade (MULLER et al,
2002).
Para o empreendimento, foi calculado o rendimento econômico esperado com base na diferença de ganho
de peso animal proporcionado pelo uso do capim-mombaça (média de 450 kg de peso vivo/ha/ano-1) e àquele
gerado pela Brachiaria decumbens em processo de degradação (média de 100 kg de peso vivo/ha/ano-1). A
situação é de baixo retorno econômico, entretanto, de baixo risco associado ao sistema produtivo, no qual permitiu
ao produtor a escolha de intensificar a produção e aumentar o giro de capital quando da escolha do capim-
mombaça, assumindo seus custos e riscos adicionais. O ganho real será de 350 kg, que equivale a 178,5 kg de
carne em carcaça para um rendimento de 51%. Portanto, o mombaça é considerado de grande importância para
ser cultivado na fazendo, visto que se consegue obter um bom rendimento de carcaça e um melhor acabamento
de gordura dos animais (BARUSELLI, 2017).
Entre as gramíneas da espécie Panicum maximum está a cultivar Massai, que apresenta boa adaptação
aos diversos climas, elevado potencial produtivo, alta densidade e boa relação folha/colmo. É uma planta cespitosa
de porte baixo (em torno de 60 cm), folhas estreitas e eretas (VALETIM et al., 2001). O capim-massai é considerado
precoce e perene, ou seja, floresce e produz várias vezes ao ano gerando uma boa cobertura do solo com grande
quantidade de perfilhos, tornando-o viável para pastejo e fenação. Geralmente, é recomendado para solos de
média a alta fertilidade, porém, comparando-o a outras cultivares de P. maximum, persiste por maior tempo em
baixa fertilidade, exigindo menos adubações de manutenção e maior tolerância ao alumínio do solo.
Essa cultivar apresenta maior resistência a cigarrinha das pastagens (principal praga) comparada a outras
cultivares do mesmo gênero. De modo geral, todas essas características conferem maior ganho de peso por animal
e por área quando comparado a outras cultivares. Com o manejo rotacionado, variando em altura de 20 cm (saída
dos animais) a 60 cm (entrada dos animais), consegue-se obter uma capacidade de suporte de 3 a 6 UA/ha no
período das águas e de 1,5 a 2,0 UA/ha na seca, com ganho em peso animal de 500 a 700 kg de peso vivo/ha/ano.
O capim-andropogon (Andropogon gayanus) reúne atributos forrageiros necessários para o cultivo e uso
em ambientes mais desafiadores em relação ao clima, à fertilidade do solo e às principais pragas das pastagens.
Devido a sua boa adaptação e resistência à cigarrinha-das-pastagens e aos nematoides de solo, seu cultivo
também ocorre de forma alternativa ou complementar às cultivares Brachiaria e Panicum em uso nos sistemas
extensivos de produção animal a pasto, especialmente, em localidades com pouca oferta. Além disso, se adapta
a maioria dos solos da região de cerrado e caatinga, especialmente, por serem pobres ou apresentar alguma
limitação do ponto de vista químico. Desta forma, a espécie forrageira segue sendo uma importante opção de
forragem para pequenos produtores rurais.
Na área a semeadura de andropogon será realizada a lanço, distribuindo na superfície total do solo ou em
covas com espaçamentos de 0,80 x 0,5 m, profundidade de 2,0 cm, e adubação recomendada para a espécie em
condição de solos de cerrado, que é de 125 kg de superfosfato simples e 50 kg de cloreto de potássio por hectare.
É necessário que a recomendação seja feita por um engenheiro agrônomo ou técnico habilitado com base nos
resultados das análises de solo.
Considerando que a forrageira é resistente a períodos de estiagem prolongada, podendo permanecer
verde por até 3 meses após as chuvas, seu manejo deverá ser feito cortando os talos ou colocando os animais
para se alimentar sem deixar super-perfilhar, o que pode resultar em grandes touceiras e dificultar a rebrota. Uma
prática comum adotada pelos produtores para reduzir a quantidade de matéria seca é a queima, que tem
demonstrado ser eficiente. Por outro lado, não é recomendo a adoção rotineira desta prática, tendo em vista que
pode ao longo do tempo reduzir a matéria orgânica do solo e ainda propiciar processos erosivos devido à ausência
de cobertura do solo.
3.5.3.6 Pecuária
Trata-se de uma atividade de bovinocultura de corte do tipo semi-extensivo, em que os animais passam o
dia no pasto rotacional, vindo à noite para o centro de manejo, onde receberão uma ração de concentrado, a base
de farelo de soja, milho e núcleo proteico. Com efeito, os investimentos de benfeitorias serão todos concentrados
na sede da Fazenda CR I, II, III e IV, onde serão feitas as seguintes construções:
A. Centro de Manejo
Um Centro de Manejo, também chamado de mangueira ou curral de manejo, que compreende a um grupo
de estruturas necessárias ao manejo de bovinos será construído. As estruturas que o compõem são as seguintes:
• Curraletes ou mangueiras: são espaços onde os animais ficam contidos ou armazenados, antes ou
depois das práticas de manejo;
• Seringa: estreitamento que conduz os animais de um curralete ou mangueira para o brete;
• Brete: local de contenção ou imobilização de animais com objetivo de algum manejo, no qual pode
enfileirar-se de 4 a 12 animais. Esta estrutura também é chamada de tronco coletivo, na qual é possível
realizar alguma prática de manejo como, seleção, aplicação de vacinas e medicamentos, ou seja,
tratamentos profiláticos e higiênicos.
• Tronco: também chamado de tronco veterinário ou tronco individual, é uma estrutura onde se imobiliza
parcialmente o animal para realizar-se manejos sobre ele, desde inseminações, medicações até
tratamentos de casco ou cesarianas, com segurança para o animal e para o homem;
• Embarcadouro ou Carregador: compreende a um corredor, geralmente, localizado na sequência da
balança, com rampa que nivela com a carroceria do caminhão boiadeiro, para transporte posterior do gado.
Serve para o embarque e desembarque dos animais no caminhão.
B. Curral
O curral deverá ser bem localizado em relação à sede e as pastagens, com a finalidade de facilitar o
acesso e o manejo. Deve ser construído em terreno firme, seco, plano, e sem risco de erosão. Além disso, deve-
se observar a direção predominante dos ventos para evitar o transporte de poeira e mal cheiro para as residências
na sede e nas adjacências.
A capacidade do curral terá uma área útil de 2 m² U/A-1, composto por cercas, porteiras, cobertura central
(abrigando o apartadouro, balança, brete, tronco de contenção e seringa) e embarcadouro. Anexo ao curral será
construído uma estrutura (curralão, manga de recolher animais, piquetes) para facilitar o manejo e acesso ao
interior do curral.
Todas as construções serão erguidas numa área uniforme cuja supressão vegetativa já ocorreu, em
consequência de plantios feitos anteriormente e deverão localizar-se o mais próximo possível das áreas de pastejo
rotacional, evitando o deslocamento dos animais da ordenha até os pastos rotacionais.
C. Manejo nutricional
O manejo nutricional é o principal responsável pela produção animal, pois é um dos parâmetros de manejo
que mais interfere no desempenho produtivo e reprodutivo dos animais. Assim, a precocidade, a taxa de ganho de
peso, a idade ao abate, e a idade da primeira cria são influenciados pelas alterações nutricionais ou no programa
nutricional da propriedade.
De modo geral, a eficiência econômica na produção depende do estabelecimento criterioso do plano
nutricional e dos recursos disponíveis na propriedade e/ou na região onde se possa ter acesso com maior facilidade
aos resíduos da agricultura como quirera de milho, farelo de soja e algodão, milheto, para fazer a suplementação
necessária.
D. Suplementação mineral
Devido ao déficit nutricional das pastagens, principalmente no período da estiagem, além do pasto, os
bovinos passarão a receber a suplementação completa. Segundo a proporção, para cada 1000 kg, constarão os
concentrados de resíduos de milho na proporção de 490 kg, resíduo de soja e/ou farelo de soja de 160 kg, cerca
de 300 kg de sal comum e 50 kg premix (minerais) ou outra formulação, dependendo da recomendação do técnico
responsável ou da escolha do proprietário.
Em cada piquete deverão ser construídos cochos cobertos, com a função de armazenar e fornecer sal aos
animais, posicionados distante da água para evitar o tumulto de animais nestes locais. A cobertura protegerá das
águas da chuva, evitando que o sal fique molhado.
E. Fornecimento de água
No empreendimento será construído locais de dessedentação que serão distribuídos proporcionalmente.
F. Manejo sanitário
As práticas voltadas para manter a sanidade do rebanho consistem basicamente de cuidados dispensados
as vacas gestantes, ao parto e aos recém nascidos, na prevenção contra doenças infectocontagiosas e no controle
de endo e ectoparasitos. O empreendedor pretende adotar medidas preventivas a fim de impedir a infecção dos
bovinos, desenvolvendo um manejo sanitário adequado. O manejo sanitário correto deve considerar as anotações
das ocorrências dentro do rebanho, tomando conhecimento das necessidades de cada animal.
Na Fazenda CR I, II, III e IV, os animais serão vacinados preventivamente para evitar as principais e mais
frequentes doenças que atacam os bovinos, a saber: febre aftosa; brucelose; tuberculose; raiva e mamite ou
mastite. As medidas básicas a serem tomadas pelos produtores, a fim de prevenir ação dos parasites e doenças
no rebanho:
• Contratar serviço de profissional especializado no manejo animal;
• Estabelecer, com orientação de um médico-veterinário, um calendário anual de controle sanitário do
rebanho;
• Manter atualizado o registro do controle sanitário;
• Manter as vacinas de acordo com as exigências do laboratório fabricante;
• Esterilizar, adequadamente, seringas e agulhas;
• Nunca combinar diferentes produtos, a não ser sob orientação de profissional habilitado;
• Não vacinar animais debilitados ou submetidos a atividades desgastantes;
• Não utilizar sobra de vacinas;
• Vacinar cada grupo de dez animais com uma agulha, substituindo-a por outra limpa e esterilizada;
• Não vacinar nas horas muito quentes do dia e, evitar movimentar os animais pelo menos durante uma ou
duas horas;
• Vacinar contra a febre aftosa seguindo, rigorosamente, a orientação do órgão de defesa sanitária;
• Vacinar contra a brucelose todas as fêmeas de três a oito meses de idade;
• Vacinar contra carbúnculo sintomático (manqueira, mancha), com vacina polivalente, todos os bezerros
de quatro a seis meses de idade, repetindo a dose no mês seguinte e anualmente;
• Vacinar contra botulismo com toxóide bivalente tipo C e D, inicialmente com duas doses aplicadas com
um intervalo de um mês, a partir dos quatro meses de vida e com revacinação anual;
• Vacinar contra a raiva;
• Controlar os vermes gastrintestinais, com produtos específicos, do desmame até os dois anos e meio de
vida, aplicando-se. As vacas prenhes devem ser dosificadas anualmente e, os animais em terminação,
antes de entrar na pastagem vedada para engorda ou no confinamento;
• Aplicar de inseticidas por meio de pulverização, imersão ou tópica pour-on, durante a estação chuvosa;
• Controlar o carrapato no início das chuvas, seguindo o tratamento com mais três vezes com intervalos de
21 dias. Devem se realizar tratamentos eventuais quando o número de carrapatos for maior que 50 por
animal;
• Observar o comportamento dos animais, a fim de identificar as causas das diarreias e sua incidência e
realizar o tratamento específico; e,
• Eliminar dos pastos todo o tipo de carcaça.
currais e roçadas de pastagens. No geral, todos os animais devem usar produtos à base de organofosforados,
piretróides, ivermectinas ou outros disponíveis no mercado, utilizando sempre as concentrações e doses
recomendadas.
• Miíases
A prevenção das miíases se dá no controle das moscas, evitando ambientes sombreados e úmidos,
estábulos sujos e sem esterqueiras. Neste caso, pode-se evitar moscas com o emprego de armadilhas, como o
uso de barbantes e melaço ou ainda um produto letal para elas associado ao melaço. O óleo queimado ajuda
também, pois há necessidade de oxigênio para que as larvas respirem e o óleo queimado, além de repelir outras
moscas, dificulta esse processo.
• Mosca do chifre
A mosca-dos-chifres é uma praga que acomete os bovinos e que pode ser controlada com aplicação de
inseticidas por meio de pulverização, imersão ou tópica, durante o período das águas. Ela pica o animal deixando-
o muito irritado e diminuindo a produção de leite e carne. Existem casos de 5.000 a 10.000 moscas encontradas
em um só animal. O inseto pousa sempre de cabeça para baixo e prefere animais escuros ou com manchas
escuras. Um animal infestado por moscas do chifre pode chegar a perder 40 Kg ano-1 (500 moscas retiram 60 ml
de sangue do animal por dia). Elas se acasalam no boi e depois depositam seus ovos no esterco. Para o controle
é recomendado usar produtos à base de organofosforados, que também ajuda a combater o berne e o carrapato.
• Brucelose (zoonose)
É causada pela bactéria Brucella abortus, provocando o aborto no final da gestação (aproximadamente no
8º mês), mas a partir da segunda gestação apresenta imunidade, ou seja, não aborta na terceira vez, mas continua
transmitindo a doença. Nos touros, causa orquite (inchaço dos testículos), podendo levar a fibrose dos mesmos.
É uma doença infectocontagiosa e transmissível ao homem. Os animais positivos na prova de sorologia devem
ser sacrificados e a vacinação deve ser feita nas bezerras entre 4 e 8 meses de idade. O animal só deve ser
vacinado até o 8° mês, pois a vacina dada posterior a esse período poderá mascarar a doença. Os restos
placentários são altamente infecciosos tanto para outros animais quanto para o homem, portanto, tomar os devidos
cuidados na manipulação deles.
• Tricomonose
É causada pelo protozoário Trichomonas foetus. Nos touros, forma reservatório no prepúcio, sem sinais
aparentes, enquanto que nas vacas causa esterilidade temporária com inflamação catarral no útero, causando
aborto até o 4º mês de gestação (sem retenção de placenta), esterilidade temporária, irregularidades no cio,
podendo apresentar imunidade por 2 a 3 anos e sofrer nova infecção. É uma doença sexualmente transmissível
(DST) e contagiosa.
Pode ser prevenida através da utilização de inseminação artificial, eliminação dos animais positivos e
controle do estado sanitário dos machos reprodutores. As fêmeas infestadas que não foram descartadas, devem
ficar em repouso sexual por no mínimo 3 meses.
• Febre aftosa
É causada por um vírus, e tem como principais sintomas febres, aftas na boca e mastites que aparecem
em qualquer idade. Os animais perdem apetite, apresentam mastigação lenta e dolorosa, além de salivação
profunda. Não há cura, e a vacinação semestral do rebanho a partir dos 4 meses de idade é uma forma preventiva
e obrigatória.
• Babesiose / Anaplasmose
É causada pelos B. bigeemina, B. bovis, B. argemtina, A. Marginale e A. Centrale, apresentando como
principais sintomas: febre falta de apetite, anemia, icterícia e apatia. Aparece em qualquer idade e a forma
preventiva da doença é boa nutrição dos animais, controle de carrapatos através de pulverização periódica, pré-
imunização de animais, podendo ser tratados utilizando antibióticos e quimioterápicos específicos.
• Raiva
Causada pelo Vírus Neurotrópico, apresenta como sintomas a paralisia de membros, apatia, isolamento
do grupo, salivação intensa e falta de coordenação. A raiva pode ser prevenida através da vacinação de todo
rebanho nas regiões de incidência de morcego hematófago, uma vez por ano a partir de 4 meses de idade.
• Carrapato
O bovino é o principal hospedeiro do carrapato B. microplus. Os prejuízos causados pelos carrapatos vão
desde a perda de peso, baixa conversão alimentar, perdas na qualidade do couro, toxicoses, lesões da pele,
anemia, transmissão de agentes patógenos, que provocam grandes enfermidades. Os carrapatos causam
irritação, anemia, perda de peso, desenvolvimento precário, ulceração, obstrução da orelha (surdez), distúrbios
digestivos e nervosos.
Carrapatos adultos são facilmente reconhecidos na pele do animal, porém os filhotes e os parasitas
pequenos ficam escondidos no sub-pêlo. A única forma de matá-los e prevenir-se contra eles é o banho
carrapaticida e uso de outras substâncias químicas. As pulverizações devem ser feitas com cuidado e de forma
adequada, sempre acompanhada pelo veterinário.
H. Cuidados especiais
De acordo com a fase em que estão vivendo os animais merecem tratamentos especiais:
• Vacas gestantes/parto
Nos últimos dois meses de gestação deve-se proceder a secagem do leite, para que a glândula mamária
possa "descansar" e preparar-se para a próxima lactação. Três semanas antes do parto devem ser levadas para
um pasto maternidade localizadas próximo ao curral de modo a facilitar a inspeção diária e a necessária
intervenção, quando necessária, na hora do parto. É importante que, neste período, já recebam a mesma dieta
que irão ter após o parto.
J. Venda e consumo
Os animais criados na Fazenda CR I, II, III e IV serão destinados ao mercado piauiense e aos outros
estados do Nordeste.
• Medicamentos
A prescrição de medicamentos deverá ser feita por um médico veterinário e a aplicação realizada por um
técnico habilitado quando o tratamento demandar acompanhamento sistemático. As bulas dos medicamentos
devem ser lidas antes da aplicação e aplicada suas orientações. De acordo com o medicamento, será especificado
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na bula a sua forma de aplicação, que pode ser: via intramuscular, via subcutânea, via intramamária, via oral,
via intradérmica e via intravenosa.
Aplicações tópicas: são aplicações com produtos na parte externa do animal para curar úlceras externas.
Inicialmente, deve-se LAVAR BEM o ferimento, de preferência com soro fisiológico, e posteriormente enxugar o
local com algodão ou gaze estéril, aplicando o medicamento indicado e cobrindo todo o ferimento, inclusive as
bordas.
• Diuréticos: São auxiliares na desintoxicação, para diminuir edemas (inchaços com líquido) e para diminuir
a pressão arterial.
É importante salientar que tanto o medicamento como a forma de aplicação deverá ser receitada por um
médico veterinário, e deve seguir as orientações do fabricante prescritas na bula.
As atividades a serem desenvolvidas na fase de operação do empreendimento, bem como os gastos que
o empreendedor terá para operar em 1,0 hectare, estão dispostos na Tabela 3.2.
TOTAL / HA - - 922,00
O Brasil é regido por leis ambientais rígidas que visam garantir a preservação do meio ambiente. A
Constituição Federal de 1988 representa um marco em termos de norma de proteção ambiental no país, pois
estabeleceu o direito ao meio ambiente equilibrado como um direito fundamental do indivíduo.
O art. 225 da referida lei esclarece que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade
o dever de defendê-lo e preservá-lo para todas as gerações.” A efetividade desse direito é assegurada no inciso
IV, no qual determina expressamente que o Poder Público deve atuar, na forma da lei, na defesa do meio ambiente,
exigindo para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio
ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, e transparência das informações referentes ao estudo.
Na pecuária, o desenvolvimento sustentável deve ser construído sobre aspectos de conservação,
adquirindo características semelhantes às dos ecossistemas naturais, mantendo sua produtividade baseada num
modelo econômico. O inciso III da CF/88 assegura a sustentabilidade do território e a qualidade de vida da
população, de forma que fica determinado “definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente mediante
lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção”.
Procurando ratificar a importância do meio ambiente para a qualidade da vida humana, foi criada a Lei
Federal N° 6.938/81 que institui a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA). Esta é responsável por criar e
definir a sistemática das políticas públicas brasileiras para o meio ambiente. É considerada a lei ambiental mais
importante depois da CF/88, pois objetiva assegurar a manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio
ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso
coletivo.
Todas as atividades que o homem realiza geram impactos sobre o ambiente, sendo a pecuária
considerada responsável pela degradação dos recursos naturais. Assim, através da Resolução CONAMA Nº
001/86 estabeleceu-se que Impacto Ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas
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do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades que, direta ou
indiretamente, afetam; a saúde, a segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a
biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.
Para o exercício de qualquer atividade que possa causar impactos ao meio ambiente ou que utilizem
recursos naturais é necessário a permissão do Poder Público. Considerando os impactos sistemáticos gerados na
instalação de fazendas para o desenvolvimento da pecuária, fica instituída a Resolução CONAMA Nº 237/97, que
estabelece o licenciamento ambiental como um procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental analisa
e licencia a localização, implantação e operação de empreendimentos e atividades consideradas efetiva ou
potencialmente poluidoras que possam vir a causar degradação ambiental.
Visando facilitar a preservação e a exploração ambiental, se estabeleceu a Lei Nº 12.651/2012 (Novo
Código Florestal Brasileiro) que prevê as regras gerais sobre onde e de que forma a vegetação nativa do território
brasileiro pode ser explorada, determinando as áreas que devem ser protegidas e quais regiões estão autorizadas
a receber os diferentes tipos de produção rural, permitindo assim, a continuidade das atividades agropecuárias e
o desenvolvimento sustentável.
As definições sobre áreas de proteção são descritas no art. 3 da referida lei, em que Área de Preservação
Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os
recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora,
proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas; e de Reserva Legal: área localizada no interior
de uma propriedade ou posse rural, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos
naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a
conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa. A Fazenda
CR I, II, III e IV se localiza no Bioma Cerrado e possui uma área total de 2.319,20 ha, sendo assim, é necessário
manter 30% da área total do imóvel com vegetação nativa, ou seja, cerca de 695,91 ha restringindo a ocupação
dessa área.
As punições previstas para o controle dos impactos ambientais estão expressas na Lei Nº 9.605/98 (crimes
ambientais). Esta determina que concorre a prática de crime qualquer pessoa que, tendo conhecimento da conduta
criminosa de outrem, deixam de impedir a sua prática, quando deveriam agir para evitá-la. É assegurado que todas
as atividades que forem consideradas prejudiciais ao meio ambiente vincularão seus autores às sanções previstas
nesta lei, sem prejuízo da responsabilidade de reparação do dano ambiental.
O uso e ocupação das terras rurais brasileiras tem, na maioria dos casos, ultrapassado as fronteiras
permitidas por lei, invadindo áreas de APP’s, desencadeando em problemas de ordem ambiental, e
consequentemente, social. Um problema comum nas áreas de chapada, que por lei (Nº 12.651/2012) devem-se
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preservar as bordas dos tabuleiros ou chapadas, até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100
metros em projeções horizontais. A Resolução CONAMA Nº 303/2002 reitera que estas delimitações de APP se
fazem necessárias nas escarpas e nas bordas dos tabuleiros e chapadas, a partir da linha de ruptura em faixa
nunca inferior a cem metros em projeção horizontal no sentido do reverso da escarpa. Para a Fazenda CR I, II, III
e IV foi delimitada uma área de 154,56 ha, sendo a referente às APP de curso d’água.
A título de Reserva Legal, o art. 12 estabelece que todo imóvel rural deve manter área com cobertura de
vegetação nativa, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas APP, observando os seguintes
percentuais mínimos em relação à área do imóvel: I - localizado na Amazônia Legal: a) 80% no imóvel situado em
área de florestas; b) 35% no imóvel situado em área de cerrado; c) 20% no imóvel situado em área de campos
gerais; II - localizado nas demais regiões do país: 20%.
Para que ocorra um desenvolvimento sustentável é necessário que haja avanço na qualidade de vida da
população respeitando os limites de capacidade dos ecossistemas. A conservação da biodiversidade das Unidades
de Conservação (UC) é considerada uma das estratégias mais efetiva para a proteção de ecossistemas. A
Resolução CONAMA Nº 428/2010 determina que o licenciamento de empreendimentos de significativo impacto
ambiental que possam afetar uma Unidade de Conservação (UC) específica ou sua Zona de Amortecimento (ZA),
só poderá ser autorizado após permissão do órgão responsável pela administração da UC ou, no caso das
Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), pelo órgão responsável pela sua criação.
Portanto, para o desenvolvimento sustentável dos ecossistemas é preciso buscar sistemas produtivos e
eficientes, abrangendo a sustentabilidade, proteção ambiental, e a dimensão social e econômica.
Na esfera estadual, a proteção ao meio ambiente é assegurada pela Constituição do Estado do Piauí de
1989 (alterada pela Emenda Constitucional nº 54/2019 e atualizada em 2020). No seu capítulo VII que trata sobre
o meio ambiente, o art. 237 determina que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade a
responsabilidade pela proteção ambiental.
Com o intuito de estruturar as leis ambientais no estado foi criado pela Lei Estadual nº 4.797/1995 a
Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (SEMAR/PI), sendo o órgão responsável pela
gestão dos recursos hídricos e o uso sustentável do meio ambiente.
Para fortalecer a dinâmica da preservação do meio ambiente no estado, foi criada a Lei nº 4.854/1996 que
dispõe sobre a política de meio ambiente do Estado do Piauí. Esta estabelece que o Meio Ambiente é patrimônio
comum da coletividade, bem de uso comum do povo, e sua proteção é dever do Estado e de todas as pessoas e
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entidades que, para tanto, no uso da propriedade, no manejo dos meios de produção e no exercício de atividade,
deverão respeitar as limitações administrativas e demais determinações estabelecidas pelo poder público, com
vistas a assegurar um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações.
No processo de licenciamento ambiental estadual, a Instrução Normativa SEMAR Nº 07/2021 estabelece
os procedimentos, informações e documentos necessários à instrução de processos de licenciamento ambiental,
além de outros atos e instrumentos emitidos pela SEMAR. Visando estreitar a comunicação da SEMAR com seu
público interno e externo, ficou instituído o Sistema Integrado de Gestão Ambiental e Recursos Hídricos - SIGA no
âmbito da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos como sistema oficial para requerimento,
processamento e emissão de licenças ambientais, outorgas e demais atos autorizativos junto à SEMAR, com a
finalidade de promover a gestão das demandas e informatizar os serviços oferecidos e prestados.
A regulamentação das licenças ambientais se dá pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente – CONSEMA.
A obrigação do licenciamento está expressa na Resolução n° 10/2009 em que todas as atividades passíveis de
licenciamento ambiental no Piauí são fundamentadas. De acordo com esta, os empreendimentos e atividades
modificadores do meio ambiente são incluídos em sete classes que se unem ao porte e ao potencial de impacto
ambiental: Classe 1: pequeno porte e pequeno potencial de impacto ambiental; Classe 2: pequeno porte e médio
potencial de impacto ambiental ou médio porte e pequeno potencial de impacto ambiental; Classe 3: médio porte
e médio potencial de impacto ambiental; Classe 4: pequeno porte e grande potencial de impacto ambiental; Classe
5: grande porte e pequeno potencial de impacto ambiental; Classe 6: grande porte e médio potencial de impacto
ambiental ou médio porte e grande potencial de impacto ambiental; Classe 7: grande porte e grande potencial de
impacto ambiental.
Quanto ao enquadramento dos empreendimentos e atividades passíveis de licenciamento ambiental no
Estado do Piauí, a Resolução CONSEMA nº 33/2020 destaca que será realizado com base na definição de porte
e classe. Entretanto, a Resolução Nº 40/2021 altera a Resolução nº 33/2020, e estabelece que o enquadramento
das tipologias licenciáveis e o procedimento de licenciamento ambiental a serem adotados serão definidos pelo
seu porte, potencial poluidor e sua respectiva classe.
A Resolução cita ainda que os empreendimentos e atividades sujeitos ao licenciamento ambiental estadual
têm seu porte estabelecido em micro, pequeno, médio, grande ou excepcional. A modalidade de licenciamento é
realizada considerando a classe final do empreendimento/atividade, em que: I. Empreendimentos e/ou atividades
enquadrados na Classe 1 serão objeto de Licenciamento Ambiental Simplificado, com emissão de Declaração de
Baixo Impacto Ambiental - DBIA; II. Empreendimentos e/ou atividades enquadrados nas Classes 2 a 7 serão objeto
de Licenciamento Ambiental Ordinário.
No que diz respeito ao licenciamento ambiental em áreas de cerrado no estado do Piauí, o art. 82 da IN
07/2021 determina que para a concessão de Licença Ambiental às atividades/ empreendimentos agropecuários e
agroindustriais na região dos cerrados e nas fronteiras estaduais a SEMAR exigirá do interessado Manifestação
Conclusiva do INTERPI quanto à regularidade do domínio dos imóveis onde se pretende implantar ou estão
implantadas as referidas atividades/empreendimentos.
Em razão desses critérios, o empreendimento estudado e abordado neste documento, está categorizado
na classe C4, sendo considerado de pequeno porte e grande potencial de impacto ambiental. Para
empreendimentos estabelecidos nessa classe os estudos ambientais exigidos serão EIA/ RIMA – Estudo de
Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental, além da Certidão de Regularidade Dominial
ou Termo de Reconhecimento de Domínio pelo INTERPI.
A Autorização de Supressão da Vegetação (ASV) é o instrumento que disciplina os procedimentos de
supressão de vegetação nativa em empreendimentos de interesse público ou social submetidos ao licenciamento
ambiental. No estado do Piauí, a IN 05/2020 estabelece as diretrizes técnicas e os procedimentos administrativos
da autorização de supressão de vegetação para uso alternativo do solo, das modalidades de cumprimento da
reposição florestal obrigatória, da concessão de créditos florestais e das atividades de silvicultura, bem como para
a Regularização de Desmatamento.
Acerca da supressão total ou parcial da vegetação, o art. 5 determina que a supressão para uso alternativo
do solo não é permitida em Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal, assim como em outras áreas
definidas pelo estado como de proteção especial, salvo as exceções legais. Nas áreas passíveis de uso alternativo
do solo, a supressão de vegetação que abrigue espécie da flora ou da fauna ameaçada de extinção, de acordo
com listas oficiais de abrangência nacional ou específica para o estado do Piauí, ou espécies migratórias, fica
condicionada à adoção de medidas compensatórias e mitigadoras que assegurem a conservação da espécie.
Por último vale destacar que o consumo de matéria-prima florestal e o cumprimento da reposição florestal
obrigatória no estado do Piauí estão previstos na Lei 7.193/2019. A lei trata sobre a obrigatoriedade à reposição
florestal a pessoa física ou jurídica que utiliza matéria-prima florestal oriunda de supressão de vegetação natural
ou que detenha a autorização de supressão de vegetação natural.
O município de Riacho Frio – PI dispõe de Lei Orgânica Municipal, criada em 09/2011, onde expõe no seu
Capitulo VIII sobre o Meio Ambiente. No art. 162 tem-se que o Município providenciará, com a participação efetiva
da população, a preservação, conservação, defesa, recuperação e melhoria do meio ambiente natural, artificial e
Para aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado de
acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. As condutas e atividades
consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
5 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
O presente diagnóstico ambiental é fundamental no estudo realizado, sendo conduzido nas Áreas de
Influência do empreendimento, tendo como base o conhecimento pré-existente sobre a região e informações
disponíveis na literatura técnica e científica. Para fins de melhor entendimento sobre as condições ambientais, este
estudo é subdividido em três áreas de conhecimento, a saber: meio físico, meio biótico, meio antrópico. A definição
desses componentes foi estabelecida antes do início de implantação do empreendimento e, a partir desse
diagnóstico, foi possível localizar territorialmente as áreas de que mais sofrerão as consequências da implantação
do empreendimento.
A delimitação das áreas de influência do empreendimento é uma das exigências legais para o zoneamento
ambiental e para a avaliação da abrangência dos impactos ambientais, sendo uma condição para o direcionamento
das ações e programas destinados a avaliar e minimizar os impactos ocorrentes nos diferentes meios.
As áreas de influência da Fazenda CR I, II, III e IV foram estabelecidas com base na Resolução CONAMA
nº 001, de 23 de janeiro de 2006, que determina para os Estudos de Impacto Ambiental a definição dos limites da
área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do projeto,
considerando a bacia hidrográfica na qual se localiza.
Desse modo, a delimitação das áreas de influência foi baseada em uma prévia identificação dos impactos
socioambientais esperados pelo empreendimento e comparados com áreas de influência de outros
empreendimentos similares na região. Assim, as áreas definidas buscam englobar os efeitos da atividade da
pecuária e a formação de pastos com espécies forrageiras, sendo divididas em: Área Diretamente Afetada (ADA),
Área de Influência Direta (AID) e Área de Influência Indireta (AII) (MENIN et al., 2017; CARVALHO et al., 2018),
nas quais são apresentadas a seguir.
A ADA é definida como a área que sofre a ação direta do empreendimento (instalação e operação), ou
seja, apresentam consequências mais significativas dos impactos diretos. Equivale ao espaço necessário para a
implantação do empreendimento, incluindo suas estruturas de apoio, vias de acesso, pátios, áreas de carga e
descarga, depósitos, galpões, pátios de estocagem dos materiais e demais instalações que precisarão ser
construídas, além das demais estruturas associadas à obra e de uso privativo do empreendimento, estando
representada pelos limites da Fazenda CR I, II, III e IV, que possui área total de 3704,64 ha (Mapa 5.1).
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A AID corresponde a área geográfica diretamente afetada pelos impactos decorrentes do empreendimento,
onde as relações sociais, econômicas, culturais e as características físico-biológicas absorvem esses impactos
imediatamente. Entretanto, na prática é representada pelo espaço territorial contíguo e ampliado da ADA, e assim
como essa, absorve os impactos de forma mais intensa. Esses impactos e os seus efeitos diretos e indiretos
resultantes são induzidos pela existência do empreendimento e não como consequência de uma atividade isolada.
A delimitação desta área é em função das características físicas, biológicas e socioeconômicas dos
ecossistemas do campo e das características da atividade. Para a definição da AID, estabeleceu-se uma largura
de 5.000 metros a partir do limite da ADA, conforme especificação apresentada a seguir. Este espaço geográfico
funciona como zona de amortecimentos dos impactos reduzindo aspectos indesejáveis como ruídos, poeiras,
odores e materiais particulados, dentre outros efeitos adversos (Mapa 5.1).
Já a AII é a região que está potencialmente sujeita aos impactos indiretos do empreendimento, ou seja,
que será menos afetada. De modo geral, os limites das áreas de influência foram determinados considerando o
alcance dos efeitos decorrentes das ações do empreendimento nas suas fases de implantação e operação sobre
os sistemas ambientais. Assim, a Área de Influência Indireta corresponde aos limites dos municípios de Riacho
Frio e Redenção do Gurguéia, em função das relações econômicas ligadas ao fornecimento de materiais de
construção, insumos, contratação de mão-de-obra, prestação e terceirização de serviços, geração de renda e
demais relações diretas e indiretas provenientes da implantação e funcionamento do empreendimento.
O diagnóstico ambiental tem como objetivo caracterizar os componentes ambientais das áreas de
influência do empreendimento, bem como analisar suas inter-relações, demonstrando os fatores suscetíveis de
sofrer direta e indiretamente os efeitos derivados da implantação e operação do empreendimento, com a finalidade
de subsidiar a avaliação dos impactos ambientais.
O diagnóstico ambiental da área de influência do projeto contempla a descrição e análise dos recursos
ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da
implantação do projeto, considerando:
i. Meio físico – climatologia, geologia, relevo, os tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime
hidrológico;
ii. Meio biótico – a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor
científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente; e,
iii. Meio antrópico – a dinâmica da população dos municípios de Riacho Frio e Redenção do Gurguéia,
destacando a demografia, dinâmica populacional, qualidade de vida da população, infraestrutura básica
(transporte, saneamento, educação, saúde, comunicação e segurança), atividades econômicas e aspectos
culturais, bem como a caracterização das comunidades inseridas na Área de Influência Direta do
empreendimento.
5.2.1.1 Climatologia
O estudo das variáveis climáticas e suas influências é de grande importância para o estabelecimento de
empreendimentos agropecuários, dado que, a atmosfera terrestre apresenta padrão de flutuações ao longo do
tempo, o que caracteriza a tipologia climática local (CONCEIÇÃO et al., 2015). Essa caracterização permite uma
avaliação conjunta dos fatores inerentes ao clima, estabelecendo indicadores do potencial do meio físico para o
local em estudo, assim como as delimitações das áreas homogêneas, que do ponto de vista socioeconômico,
contribui para o planejamento e desenvolvimento sustentável da região (MEDEIROS et al., 2022).
Além disso, a análise e compreensão das condições atmosféricas e meteorológicas incidentes sobre o
local possibilita ainda, estimar os impactos das variações climáticas ao ambiente e à sociedade, principalmente,
da distribuição temporal e espacial da pluviosidade, da umidade relativa do ar e das temperaturas máximas,
mínimas e médias do ar, fornecendo dados que auxiliarão na gestão dos recursos hídricos e nos manejos
agropecuários (COSTA NETO et al., 2015).
De modo geral, o clima é fator limitador para o estabelecimento de empreendimentos agropecuários, dado
a compreensão da influência climática sobre a produtividade, podendo seu estudo auxiliar no desempenho das
práticas de manejo e em políticas de redução da vulnerabilidade na produção. Desse modo, a compreensão sobre
os elementos climáticos de uma região se faz importante para o estabelecimento da produtividade nos sistemas
agropecuários e para uma melhor qualidade de vida da população (PIEPER; PINHEIRO, 2020).
Inserido nesse contexto, o empreendimento será alocado no estado do Piauí, no qual apresenta
características climáticas similares ao semiárido do Nordeste brasileiro (NEB), dado que o estado está localizado
entre duas zonas de transição (Nordeste Semiárido e o Meio Norte Úmido), nas quais são caracterizadas pelas
irregularidades espaço-temporal das precipitações, baixa umidade e por temperaturas sempre elevadas, em que
o aspecto de maior importância é a divisão das estações em períodos úmido (de chuvas) e seco (de estiagens)
(MEDEIROS et al., 2020).
A área de implantação da Fazenda CR I, II, III e IV localiza-se na cidade de Riacho Frio. Do ponto de vista
climático, a região encontra-se inserida em um domínio de transição de biomas (cerrado-caatinga), o que
estabelece particulares e condições geoambientais singulares, entretanto, segundo o IBGE (2019), as delimitações
do empreendimento estão totalmente no bioma Cerrado.
Analisando os dados históricos registrados na estação meteorológica convencional de Bom Jesus – PI
(estação mais próxima ao empreendimento) para normais climatológicas do INMET, tem-se o clima do município
como tropical subúmido (Aw), com estação chuvosa no verão e expressiva seca no inverno. As chuvas são
determinadas pela massa Equatorial Continental (EC) de ar quente e nevoento, que é responsável pela ocorrência
de precipitações em forma de aguaceiros (chuvas mal distribuídas) (MEDEIROS et al., 2020).
A classificação climatológica para o estado do Piauí está disposta na Mapa 5.2, em que é possível observar
os tipos de clima predominantes no estado, além da classificação correspondente à área de instalação do
empreendimento, no qual caracteriza-se por ocorrer em toda a região oeste, sul e parte central do estado, sendo
marcado pela ocorrência de chuvas mal distribuídas e índices pluviométricos inconstantes (MACAMBIRA;
MONTEIRO, 2019). A estação chuvosa é definida no Regime Equatorial Continental, com isoietas anuais acima
de 800 mm e período chuvoso estendendo-se de novembro – dezembro a abril – maio (INMET, 2017).
B. Caracterização Pluviométrica
O estudo dos índices pluviométricos de uma região é de grande importância, visto que este fator representa
um dos atributos mais relevantes na análise do clima, refletindo na atuação das principais correntes de circulação
atmosférica (ARAÚJO et al., 2020). Na região sul do estado do Piauí, as chuvas se concentram de novembro a
março, com grande variabilidade espaço-temporal, sendo de fundamental importância para o estabelecimento de
qualquer atividade, sobretudo, as agropecuárias (SILVA et al., 2013; MEDEIROS et al., 2022).
De modo geral, os empreendimentos agropecuários se mostram muito vulneráveis às variações
pluviométricas, ou seja, as chuvas destacam-se como condicionantes no processo produtivo, mesmo mediante
utilização de tecnologia. Assim, o conhecimento deste elemento auxiliará no planejamento das atividades, podendo
ainda ser utilizado no zoneamento agrícola para diversas culturas, norteando ações de planejamento da produção,
possibilitando maior rentabilidade dos cultivos (MATOS et al., 2015).
Mapa 5.2. Classificação climática de Köppen para o estado do Piauí e para a área do empreendimento
O município de Riacho Frio – PI pertence a mesorregião Sudoeste Piauiense, em que o principal sistema
causador de chuvas são as penetrações de frentes frias e/ou seus vestígios, formação das linhas de instabilidade
auxiliada pelos Vórtices Ciclônicos do Atlântico Sul (VCAS), Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), Linha
de Instabilidade (LI), e a contribuição dos ventos alísios de sudeste que, juntos, elevam os índices de nebulosidade
e provocam chuvas de intensidade moderada à forte (MEDEIROS, 2016).
Os dados da Precipitação Acumulada Mensal e Anual (mm) – Normas Climatológicas do Brasil (1990 –
2021) para a área de implantação da Fazenda CR I, II, III e IV estão dispostos na Tabela 5.1, e foram obtidos junto
ao INMET: Estação Convencional – Bom Jesus (82975).
Na área do estudo, o regime de precipitação manifesta-se na forma de forte irregularidade pluviométrica
(mensal e sazonal), atingindo média anual de 1.003,3 mm e mensal de 83,6 mm, oscilando durante o ano entre
0,2 mm a 173,1 mm. Esse padrão de distribuição de chuvas é fator limitante para a obtenção de altos rendimentos
nos sistemas de produção agropecuária, principalmente, nas fases de maior demanda de água e mais críticas à
ocorrência de déficits hídricos (MONTEIRO et al., 2009).
As chuvas concentram-se de novembro a março, no qual os maiores volumes de chuvas ocorrem no
trimestre de janeiro a março, correspondendo a 51,6% das chuvas que há em todo o ano. O período de estiagem
dá-se entre os meses de junho a setembro, referindo-se ao quadrimestre mais seco, com precipitação média de
4,6 mm/mês (Tabela 5.1). Vale ressaltar que na região pode ocorrer períodos de veranicos durante a estação
chuvosa.
A probabilidade de dias com precipitação na área do empreendimento varia acentuadamente ao longo do
ano, entretanto, o período médio de dias durante o ano com chuvas é em torno de 68 dias, em que o trimestre de
janeiro a março representa mais da metade (51,47%) do total de dias com chuvas em todo o ano.
Tabela 5.1. Dados pluviométricos para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
Anual
Média
Ago
Nov
Meses
Jun
Dez
Out
Fev
Mar
Abr
Jan
Set
Mai
Jul
Precipitação (mm) 173,1 173,0 171,6 98,8 35,6 0,6 0,2 0,3 17,2 65,2 119,2 148,4 83,6 1003,3
Nº de Dias Precipitação 12 11 12 7 3 0 0 0 1 4 8 10 6 68
O padrão de distribuição de chuvas para a região varia muito ao longo do ano, evidenciando maiores totais
nos meses de novembro a abril e menores valores de maio a outubro. Na Figura 5.1 pode-se observar a amplitude
de distribuição das precipitações pluviométricas máxima, média e mínimas para a região. A tendência no
comportamento dos índices pluviais é de uma acentuada irregularidade espacial e temporal no regime e ritmo de
chuvas durante o ano. De modo geral, no local do empreendimento, as chuvas normalmente apresentam
intensidade moderada (de tempo regular e por volta de sete a oito horas de chuvas descontínuas diárias), seguidas
de irregularidade devido às falhas dos sistemas meteorológicos atuantes.
Figura 5.1. Dados pluviométricos para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
148,4
119,2
Pluviometria (mm)
98,8
83,6
65,2
35,6
17,2
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
C. Umidade Relativa do Ar
A umidade relativa do ar (UR) é um elemento climático determinante dos efeitos atenuantes atmosféricos.
Quando associado à temperatura e à pressão de vapor d’água são capazes de determinar a transmitância
atmosférica da radiação solar que chega à superfície (BORGES et al., 2010). Além disso, apresenta tendência
diária inversa à da temperatura do ar, fator que a permite ser inversamente proporcional à pressão de saturação
de vapor, que é diretamente proporcional à temperatura do ar (MEDEIROS, 2016).
Em sistemas de produção agropecuário, a umidade relativa do ar e a temperatura são considerados
elementos fundamentais para a distribuição geográfica das culturas, visto que tem maior efeito sobre o rendimento
(MONTEIRO et al., 2009). Na Figura 5.2, consta a análise da Umidade Relativa do Ar (UR) durante todo o ano
para a região de implantação da Fazenda CR I, II, III e IV, com base nos dados coletados no Banco de Dados
Meteorológicos do INMET.
A instabilidade temporal e espacial da umidade relativa do ar é notória, variando entre a mínima de 42,4%
e a máxima de 61,1%, com média anual de 52,4%. As mínimas ocorrem nos meses de junho a outubro, e as
máximas de novembro a maio. Compreende-se que os índices pluviométricos na área estão interligados aos
sistemas atmosféricos e a essa variação da umidade. De modo geral, seu valor pode variar se houver uma
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ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 54 de 265
RIACHO FRIO – PI
mudança na temperatura do ar, mesmo que não tenha havido nenhum aumento ou diminuição em seu conteúdo
de umidade absoluto.
Figura 5.2. Umidade relativa do ar para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
42,4
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
D. Evapotranspiração
Os índices de ETP mínimos oscilam entre 7,6 mm a 77,8 mm, enquanto os máximos ficam entre 118,4
mm a 170,7 mm. Estas variações na evapotranspiração estão correlacionadas com a variabilidade da incidência
da insolação e os fatores provocadores de chuvas na região. Pode-se afirmar que com o aumento da temperatura
e a intensa radiação que ocorre nos meses de junho a setembro, o ciclo das chuvas é alterado, consequentemente,
a evapotranspiração fica mais acentuada, favorecendo assim, a deficiência hídrica nesse período.
167,1 170,7
133,7
118,4 121,2
Evapotranspiração (mm)
77,8
78,6
65,4
46,8
15,7
10,7 8,0 7,6
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: BDMEP-INPE.
E. Evaporação
Os índices de evaporação são bem maiores que os índices de precipitação na maior parte do ano, evidenciando
um déficit hídrico na região.
Observando a Figura 5.4, os índices de evaporação anual acumulada para a região foram de 2.451,3 mm,
sendo considerado expressivo quando comparado ao índice anual de precipitação. A média de evaporação anual
é de 204,3 mm/mês, com os menores índices entre os meses de novembro a abril, pois são os meses em que há
maior taxa de precipitação, entretanto, os meses de julho a outubro a taxa de evaporação é mais expressiva,
chegando a 282,3 mm no mês de setembro, pois é um dos meses mais quentes e de menor precipitação.
Figura 5.4. Evaporação para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
282,3
259,6
246,1
211,6 204,3
Evaporação (mm)
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: BDMEP-INPE.
F. Temperatura
A temperatura é um dos elementos climáticos mais importante para os sistemas de produção agropecuária,
pois exercem influência sobre a maioria dos processos fisiológicos das plantas e animais, impactando na
produtividade e no bem estar animal, visto que cada ser vivo necessita de limites ótimos de temperatura durante
seu ciclo de vida (MARENGO et al., 2012). Além disso, pode orientar na condução de estudos agropecuários, uso
do solo, zoneamento ecológico e aptidão climática, época de semeadura, estimativa do ciclo das culturas, dentre
outras (OLIVEIRA NETO et al., 2002).
Alguns elementos meteorológicos e físicos podem interferir nas temperaturas de uma região, como por
exemplo a quantidade de insolação recebida, cobertura de nuvens, a distância relativa a corpos hídricos, relevo, a
natureza dos ventos predominantes, as correntes oceânicas e o próprio posicionamento de cada localidade na
superfície do globo (MEDEIROS; FRANCISCO, 2016). Assim, para a caracterização climática de uma área, deve-
se recorrer aos dados de temperatura, tendo em vista as interações desse elemento com outras variáveis
climáticas (MEDEIROS et al., 2022).
Na Tabela 5.2 são apresentados os dados de temperaturas máximas, médias e mínimas anuais para a
área da Fazenda CR I, II, III e IV que foram obtidos junto à Estação Meteorológica Convencional – 82975. Observa-
se que a temperatura média anual é predominantemente elevada (28,5 °C), tendo um certo padrão e variância
durante os meses do ano, no qual oscila entre 27,6 °C (mínima) e 30,1 °C (máxima). Os meses de agosto a
outubro são considerados os mais quentes, com temperatura máxima média diária superior a 36,2 °C e a mínima
de 35 °C. A estação mais amena compreende aos meses de janeiro a abril, com temperatura máxima na casa dos
33 °C e mínima próxima de 20°C.
Tabela 5.2.1 Dados de temperatura para a área da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
Ago
Nov
Discriminção Média/Ano
Jun
Dez
Out
Fev
Mar
Abr
Jan
Set
Mai
Jul
Temp. Máxima °C 33,2 33,1 33,0 33,3 33,9 34,1 34,1 35,0 36,2 36,0 34,6 33,8 34,2
Temp. Média °C 27,6 27,9 27,8 28,0 28,1 28,1 28,3 29,0 30,0 30,1 28,8 28,4 28,5
Temp. Mínima °C 20,1 20,2 20,1 20,2 20,2 19,7 19,5 20,0 20,8 21,1 20,4 20,3 20,2
Fonte: BDMEP-INPE.
Em regiões de clima seco, como é o caso de Riacho Frio – PI, ocorrem maiores intervalos de variações
nas temperaturas (máxima, média, mínima) em consequência da maior irradiância solar e das grandes perdas de
ondas longas. Outro fator importante a ser considerado é que à medida que se aproxima do interior do continente,
as variações das amplitudes térmicas diárias, mensais e anuais aumentam, sendo este fenômeno conhecido como
continentalidade (MEDEIROS; FRANCISCO, 2016).
Na Figura 5.5 são apresentados o comportamento das temperaturas máximas, médias, e mínimas anuais
para a região. Observando o gráfico é possível identificar as flutuações espaciais das temperaturas, com maiores
valores entre os meses de agosto e novembro, e menores entre os meses de agosto a outubro. Já as temperaturas
mínimas apresentam suas máximas a partir de novembro até março. De acordo com os dados da estação, a
temperatura máxima média mensal foi de 34,2 ºC e a temperatura mínima média mensal de 20,2 ºC.
40,0
35,0
30,0
Temperatura ° C
25,0
20,0
15,0
10,0
Fonte: BDMEP-INPE.
A direção origina-se da posição do local em relação aos centros de pressão atmosférica, sofrendo
influência de obstáculos naturais junto ao solo. Com base no Atlas Brasileiro de Energia Eólica (2001), o período
em que se registra as maiores velocidades de vento para a região do empreendimento é entre os meses de junho
a setembro. A direção dos ventos na região durante todo o ano é no sentido Nordeste, onde predomina os ventos
de maior intensidade nos meses de menor precipitação e maiores temperaturas.
Desse modo, os fatores provocadores de chuvas são característicos da predominância de ventos com
maior frequência de entrada na direção NE, assim, a alteração na direção do vento na superfície está relacionada
à ocorrência de precipitação.
Tabela 5.3. Demonstrativo da direção e velocidade do vento para a região do empreendimento (Estação – 82975)
Discriminção Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média/Ano
Direção dos Ventos Calma Calma Calma Calma Calma S S S S Calma Calma Calma NE
Direção dos Ventos (Graus) 16,7 13,2 13,5 12,3 14,7 17,2 17,8 17,2 16,6 15,9 16,7 17,1 93,2
Velocidade (m/s) 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,7 0,7 0,7 0,7 0,6 0,6 0,6 0,6
Fonte: BDMEP-INPE.
H. Insolação
A insolação corresponde ao número de horas em que a luz do sol chega até a superfície da Terra sem
interferência de nuvens. Tem relação inversa à precipitação e à nebulosidade, podendo variar conforme o tipo de
clima, período do ano e horário do dia, sendo sempre menor ou igual ao fotoperíodo. É considerado um parâmetro
de grande importância para os sistemas de produção agropecuários, visto que a adequada utilização desse fator,
permite que sejam realizadas seleção de variedades adaptadas a região, escolha da data de plantio, controle da
época de florescimento, dentre outras práticas de manejo (WAGNER et al., 2017).
Nesse sentido, a variabilidade total para a região de implantação da Fazenda CR I, II, III e IV consta na
Figura 5.6. Os dados compõem as Normais Climatológicas do Brasil, disponibilizadas pelo Instituto Nacional de
Meteorologia (INMET – Estação 82975). De acordo com o gráfico, a insolação anual acumulada para a região é
de 2.758 horas de sol, em que o total médio de horas de insolação por mês é de 229,83 horas. Nos meses de
maior precipitação a intensidade de insolação é inferior, isso ocorre por que a insolação possui tendência inversa
ao grau de precipitação. As maiores taxas de insolação ocorrem durante a estação seca, quando há menor
nebulosidade, chegando uma maior quantidade de radiação e raios solares a superfície terrestre.
Figura 5.6. Insolação na região de implantação da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
305,8
296,8
275,0 272,9
255,7 253,5
213,4
195,8
187,9
179,4
167,8
Horas
154,0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: BDMEP-INPE.
I. Nebulosidade
A nebulosidade é um elemento climatológico que se refere ao total de nuvens que existe no céu num
determinado momento. Este elemento age diminuindo a incidência da radiação solar necessária para o
aquecimento da superfície terrestre, o que diminui a perda de radiação terrestre responsável pelo resfriamento da
superfície. Desse modo, a presença de nebulosidade faz com que o valor de temperatura máxima não seja tão
elevado e que não ocorra um decréscimo acentuado do valor da temperatura mínima (PINHO; GALDINO, 2014).
Em sistemas de produção agropecuário, os índices de nebulosidade são determinantes para a
produtividade final, em que altos índices podem induzir as plantas a produzir menor quantidade de matéria seca,
enquanto, as plantas submetidas a uma maior exposição de radiação têm um incremento superior de produção de
biomassa, por exemplo (TEJO et al., 2019).
Na Figura 5.7 são apresentados os índices de nebulosidade referentes à região da Fazenda CR I, II, III e
IV, registrados na Estação Meteorológica – 82975. Constata-se que os períodos de maior nebulosidade
correspondem aos meses de maior precipitação, pois o grau de nebulosidade tende a acompanhar o das chuvas.
Nos meses de junho a setembro a variabilidade da nebulosidade é de pouca cobertura de nuvens, o que resulta
em um bom aproveitamento da radiação solar global, devido, principalmente, ao baixo índice de nebulosidade.
Figura 5.7. Nebulosidade registrada para a região da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
5,3 5,2
5,0
4,5
4,1
3,9
3,3
2,8 2,9
Octas
1,8 1,8
1,3
1,1
Fonte: BDMEP-INPE.
Na Figura 5.8 consta o grau de nebulosidade que ocorre na região, no qual é possível verificar que esta
ocorre proporcionalmente inversa à insolação, com seus valores sempre maiores nos meses chuvosos, indicando
que o céu está coberto por nuvens que espalham a radiação solar e impendem que índices maiores de insolação
cheguem à superfície terrestre. Esse padrão de distribuição pode interferir nos sistemas de produção da região,
visto que algumas plantas necessitam receber uma maior quantidade de insolação para ter uma boa taxa de
fecundidade.
Figura 5.8. Gráfico da insolação e nebulosidade para a região do empreendimento (Estação – 82975)
350 6,0
300 5,0
250
4,0
Octas
200
Horas
3,0
150
2,0
100
50 1,0
0 0,0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Insolação Nebulosidade
Fonte: BDMEP-INPE.
O clima da região onde está localizada a Fazenda CR I, II, III e IV é classificado do tipo Aw, com base na
metodologia de Köppen (1928, 1931), sendo caracterizado como clima tropical com estação seca de inverno,
apresentando estação chuvosa no verão e expressiva estação seca no inverno.
O período com os maiores índices pluviométricos apresenta céu encoberto, com ventos calmos e taxas
de evapotranspiração acima da média. A estação de baixas precipitações apresentam ventos suaves, altas taxas
de insolação e céu com poucas nuvens. Ao longo de todo o ano o clima é considerado quente, com taxas de
temperatura média mensal variando de 27,6°C a 30,1 ºC.
A precipitação total anual é de 1.003,3 mm/ano, associado a uma evapotranspiração potencial de 943,1
mm/ano, apresentando saldo negativo de 60,2 mm. Observa-se também quatro meses (junho a setembro) de
déficit de água e cinco meses (novembro a março) de excesso. A Tabela 5.4 apresenta uma síntese dos elementos
climatológicos para a região de implantação do empreendimento.
Tabela 5.4. Resumo dos elementos meteorológicos para a região do empreendimento (Estação – 82975)
PARÂMETROS RESULTADO
Pluviosidade média anual 1.003,3 mm
Período mais chuvoso Nov-Mar
Evaporação média anual 204,3 mm
Temperatura média anual 28,5 °C
Umidade relativa média anual 52,4%
Velocidade média dos ventos 0,6 m/s
O balanço hídrico (BH) é utilizado para determinar a disponibilidade hídrica no solo, utilizando variáveis
como a precipitação e evapotranspiração. É de fundamental importância na definição da aptidão agropecuária de
uma região (CAMARGO et al., 1974). De acordo com Medeiros et. al., (2013), o computo do balanço hídrico mune
o saldo d’água disponível no solo para o vegetal, contabiliza a entrada e a saída, para uma certa capacidade de
armazenamento d’água no solo.
A Figura 5.9 apresenta o balanço hídrico para a região de instalação da Fazenda CR I, II, III e IV. Observa-
se que há excedente hídrico entre os meses de dezembro a abril, com excessos nos respectivos meses, podendo
afirmar que o armazenamento é máximo entre esses meses, ou seja, o solo permanece com 100 mm de água
armazenada. A demanda hídrica ambiental (evapotranspiração) é superior à oferta (pluviosidade) nos meses de
maio a outubro, indicando deficiência hídrica para esse período. Já a reposição de água no solo ocorre apenas
nos meses de novembro e dezembro.
Figura 5.9. Gráfico do balanço hídrico para a região da Fazenda CR I, II, III e IV (Estação – 82975)
Fonte: BDMEP-INPE.
5.2.1.2 Geologia
O estudo das unidades geológicas inerentes às áreas de influência do empreendimento é essencial para
se garantir o sucesso do empreendimento, visto que, possibilita o levantamento dos impactos da implantação e
operação, auxiliando no dimensionamento dos efeitos sobre a população e o meio ambiente. Além disso, permite
especificar simetricamente os aspectos das tipologias de solo e dos recursos hídricos associados ao relevo,
possibilitando o uso e exploração de atividades, como por exemplo, agropecuárias (SIGEP, 2022).
Dado que a implantação de empreendimentos de natureza agropecuária é potencialmente causadora de
impactos ao meio, ao que concerne à geologia, tem-se a susceptibilidade à erosão da unidade geológica, bem
como à ocorrência de outros fenômenos de dinâmica de superfície, a saber: processos de erosão hídrica e eólica
ocasionado pela retirada da vegetação (CPRM, 2010). Inserido nesse contexto, faz-se necessário estudos acerca
da geologia das áreas de influência do empreendimento, visando conhecer o substrato rochoso, além de
estabelecer a existência dos tipos de unidades geológicas, as quais possuem diferentes características e
fragilidades do ponto de vista da suscetibilidade geoambiental a diferentes interferências.
No município de Riacho Frio – PI, geologicamente, cerca de 97% de seu território está inserido em um
contexto geológico com predominância das coberturas sedimentares, a saber: os Depósitos Aluvionares que
contém areias e cascalhos inconsolidados; os Depósitos Detrito-Lateríticos com sedimento arenoso, areno-argiloso
e laterítico; a Formação Urucuia que agrupa arenito e conglomerado; a Formação Areado que é constituída de
arenito, conglomerado e folhelho; a Formação Piauí que apresenta arenito, folhelho, siltito e calcário; a Formação
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RIACHO FRIO – PI
Poti que engloba arenito, folhelho e siltito; a Formação Longá que é constituída de arenito, siltito, folhelho e calcário;
a Formação Cabeças é reconhecida pela presença de arenito, conglomerado e siltito; e o Grupo Serra Grande que
é formado por conglomerado, arenito e intercalações de siltito e folhelho. O restante da área, em torno de 3%, está
ocupa uma reduzida área na porção leste do município, estando localmente representado por granito (CPRM,
2004).
O quadro estratigráfico da área de abrangência da Fazenda CR I, II, III e IV compreende a coberturas
sedimentares da Bacia do Parnaíba, em que as unidades aflorantes são: Formação Longá, Piauí, cobertura Detrito-
Laterítica Pleistocênica (QPdl), e Depósitos Aluvionares Holocênicos. Em toda a ADA predomina a Formação
Longá e cobertura Detrito-Laterítica Pleistocênica, conforme mostra o Mapa 5.3.
A Formação Longá, é composta por rochas sedimentares que foram depositadas em ambientes fluviais,
lacustres e palustres durante o período Cretáceo, há cerca de 130 milhões de anos. A formação recebeu o nome
do Rio Longá, um importante curso d'água que corta a região onde as rochas foram identificadas pela primeira
vez. Ela se estende por uma área de aproximadamente 12.000 km² no centro-sul do estado do Piauí, abrangendo
parte dos municípios de Canto do Buriti, Bom Jesus, Uruçuí e Bertolínia.
As rochas da Formação Longá apresentam uma grande variedade de cores, texturas e estruturas, sendo
compostas principalmente por arenitos, siltitos, argilitos, conglomerados e calcários. Essas rochas são importantes
para a compreensão da evolução geológica do Nordeste brasileiro, pois registram a deposição de sedimentos em
uma bacia sedimentar que existiu durante o Cretáceo.
As rochas que compõem a cobertura Detrito-Laterítica Paleogênica ocorrem nas regiões dominadas por
chapadões, as quais respondem pela preservação do relevo que caracterizam essa unidade geomorfológica. Essa
unidade caracteriza-se por exibir um perfil laterítico completo, conforme descrito por Costa et al., (1991), ocorrendo
da base para o topo os horizontes argilosos e mosqueados, culminando com uma espessa crosta laterítica, que
representam as principais jazidas de caulim e bauxita do território brasileiro.
Além disso, esse tipo de cobertura compreende a crostas lateríticas ferruginosas colunar/pisolítica-nodular
e depósitos resultantes de seus sedimentos que, frequentemente sustentam os platôs. Por vezes as crostas
lateríticas estão sobrepostas por Latossolo, entretanto, podem estar sobrepostas aos mais diversos tipos
litológicos, desde rochas metamórficas proterozóicas até sedimentos tércio-quaternários (COSTA, 1988).
5.2.1.3 Geomorfologia
A análise dos aspectos geomorfológicos permite compreender a distribuição espacial dos conjuntos que
formam cada compartimento estrutural-topográfico, além de suas características litoestruturais, processos
morfodinâmicos e intempéricos. Isso possibilita identificar, classificar e avaliar as formas de relevo e sua dinâmica
em relação aos solos e cobertura vegetal, bem como relacioná-las aos demais componentes naturais, oferecendo
subsídios para a avaliação das potencialidades e limitações do ambiente (SOUZA et al., 2007). Esses aspectos
são fundamentais na implantação de empreendimentos agropecuários, orientando na categorização do uso do
solo, da vegetação, clima, dentre outros (GIRÃO; CORREA, 2004).
No estado do Piauí, a diversidade da composição litológica e os alinhamentos estruturais associados às
características climáticas resultaram em uma variedade de feições geomorfológicas. De forma geral, as formas de
relevo são esculpidas em terrenos da Bacia Sedimentar do Parnaíba, que abrange cerca de 90% do território
estadual, enquanto os 10% restantes correspondem a terrenos do embasamento cristalino. As formas de relevo
incluem linhas suaves, como a forma subtabular das cuestas, planos horizontais das chapadas, tabuleiros e
colinas, e a planície litorânea que se estende até a linha costeira (FERREIRA; DANTAS, 2010).
De acordo com a base cartográfica digital obtida pela CPRM (2004), o município de Riacho Frio – PI está
situado em uma ampla superfície tabular reelaborada, plana ou levemente ondulada, limitada por escarpas
abruptas que podem atingir 600 m, exibindo relevo com zonas rebaixadas e dissecadas (CPRM, 2004). Nesse
sentido, a área de instalação da Fazenda CR I, II, III e IV situa-se sobre as unidades geomorfológicas do Vale do
Gurguéia, já na AID há um pequeno trecho sobre as Planícies e Terraços Fluviais (Mapa 5.4).
O Vale do Gurguéia corresponde a região morfológica das Chapadas e Vales da Bacia do Alto Rio
Parnaíba, correspondendo à depressão que tem como eixo o vale do Rio Gurguéia. Essa unidade se destaca pela
sua extensão, abrangendo uma área estimada de 300 km², sendo considerado o vale pedimentar de maior
expressão desta unidade, pois sua evolução se faz a partir do recuo das encostas, possibilitando, assim, tanto o
alargamento do leito maior, quanto maior liberdade para divagar, formando zigue-zagues, uma vez que a amplitude
do seu perfil longitudinal sendo pequena favorece este comportamento (LINS, 1978).
5.2.1.4 Pedologia
Geralmente, apresentam como limitação, a baixa fertilidade natural, exigindo correções de acidez e de
adubação para obter boas safras. Além disso, o relevo, principalmente, na influência da mobilização dos
sedimentos transportados pelo escoamento superficial e no fluxo de terra para áreas rebaixadas é outro problema.
Quando em acentuadas declividades, não é recomendado para uso na agricultura devido ao risco de degradação,
pois contribuem para o processo erosivo, controlando a velocidade e o volume de chuvas (EMBRAPA, 2018).
Já os Plintossolos Pétricos (FF), são solos minerais, formados sob condição de restrição à percolação da
água, sujeitos ao efeito temporário de excesso de umidade, geralmente mal ou imperfeitamente drenados, com
expressiva plintitização, com ou sem petroplintitas. Apresentam um horizonte ou camada concrecionário com
sérias restrições ao uso agrícola devido ao enraizamento das plantas, sendo um entrave ao uso de equipamentos
agrícolas, além de possuir pouco volume de solo disponível para as plantas. Nestes solos, as pastagens constituem
o uso mais comum (EMBRAPA, 2018).
No geral, os solos presentes na área de instalação do empreendimento representam o padrão topográfico
da região. A classe dos Latossolos Amarelos foi a de maior amplitude nas delimitações da área da Fazenda CR I,
II, III e IV, o que de acordo com suas características, se faz necessário a adoção de práticas conservacionistas, e
que para sua utilização em sistemas de produção agropecuário, é indispensável aplicações de corretivos para
melhor uso, em conjunto com outras práticas de conservação (EMBRAPA, 2018).
5.2.1.5 Hidrografia
O estado do Piauí está dividido em duas províncias quanto ao aspecto hidrogeológico. A maior delas é
representada pelos sedimentos que constituem a Bacia Sedimentar do Parnaíba, e a segunda constitui o
Embasamento Cristalino. A Bacia Sedimentar do Parnaíba apresenta-se com uma estrutura fechada, cujo centro
atinge cerca de 3.000 m de espessura, tendo o rio Parnaíba como eixo geral de drenagem superficial e subterrânea.
Sua superfície é de aproximadamente 600.000 km², abrangendo as áreas limítrofes do Maranhão (a oeste) e a
uma pequena extensão do Ceará (ao leste). Esta, limita-se ao norte com o oceano Atlântico e ao sul, leste e oeste
com o complexo cristalino do embasamento. Sob o domínio geológico desta bacia encontram-se,
aproximadamente 80% da área do estado, onde se destacam as unidades Serra Grande, Cabeças, Poti/Piauí,
disponíveis às explorações em situações de aquíferos livres e confinados.
Em função da hidrografia principal, o estado do Piauí foi dividido em 12 bacias hidrográficas/conjunto de
bacias: Bacias Difusas do Litoral; Bacia do Rio Piranji; Bacias Difusas do Baixo Parnaíba; Bacia do Rio Longá;
Bacia do Rio Poti; Bacia dos Rios Canindé; Bacias Difusas do Médio Parnaíba; Bacia do Rio Itaueira; Bacia do Rio
Gurguéia; Bacias Difusas da Barragem de Boa Esperança; Bacia do Rio Uruçuí Preto; e Bacias Difusas do Alto
Parnaíba. De acordo com as vazões medidas nos postos fluviométricos e na simulação hidrológica, utilizando o
modelo chuva-deflúvio SMAP, foram determinadas as vazões específicas naturais e a potencialidade hídrica de
cada uma das bacias hidrográficas (Tabela 5.5). A potencialidade hídrica representa a capacidade de produção
hídrica das bacias hidrográficas, considerando somente a porção piauiense das bacias de dominialidade federal
(SEMAR, 2010).
Tabela 5.5. Vazões naturais das regiões hidrográficas
VAZÃO DEFLÚVIO VOLUME
ÁREA DA VAZÃO
BACIA ESPECIFICA MÉDIO ANUAL ANUAL
BACIA (km²) NATURAL
(l/s/km²) (mm) PRODUZIDO
Canindé 75.683 0,73 23,02 1.742,32 55,25
Difusas Barragem Boa Esperança 8.030 2,44 76,95 617,86 19,59
Difusas do Alto Parnaíba 17.091 6,97 219,81 3.756,81 119,13
Difusas do Baixo Parnaíba 7.643 2,20 69,38 530,29 16,82
Difusas do Litoral 2.071 5,08 160,20 331,77 10,52
Difusas do Médio Parnaíba 6.320 2,35 74,11 468,40 14,85
Gurgueia 48.826 0,75 23,65 1.154,83 36,62
Itaueira 10.247 1,64 51,72 529,97 16,81
Longá 22.623 7,27 229,27 5.186,59 164,47
Piranji 1.082 4,42 139,39 150,89 4,78
Poti 39.050 1,85 58,34 2.278,25 72,24
Uruçuí Preto 15.784 2,42 76,32 1.204,62 38,20
TOTAL 254.451 - 1.202,15 17.952,60 569,27
No município de Riacho Frio pode-se distinguir quatro domínios hidrogeológicos distintos: rochas
cristalinas, rochas sedimentares, coberturas detrito-lateríticas e as aluviões. As rochas cristalinas representam o
“aquífero fissural” e ocupam uma reduzida área na porção lesta do município. Compreendem uma variedade de
rochas pré-cambrianas, englobadas como gnaisses. A ocorrência de água subterrânea é condicionada por uma
porosidade secundária, representada por fraturas e fendas, o que se traduz por reservatórios aleatórios,
descontínuos e de pequena extensão. No geral, as vazões produzidas por poços são pequenas e a água, em
função da falta de circulação, dos efeitos do clima semiárido e do tipo de rocha, é, na maior parte das vezes,
salinizada. Essas condições definem um potencial hidrogeológico baixo para as rochas cristalinas, sem, no entanto,
diminuir sua importância como alternativa do abastecimento nos casos de pequenas comunidades ou como
reserva estratégica em períodos prolongados de estiagem (CPRM, 2004).
Quanto as rochas sedimentares, estas pertencem a Bacia do Parnaíba, e estão relacionadas ao Grupo
Serra Grande e às formações Cabeças, Longá, Poti, Piauí, Areado e Urucuia. O Grupo Serra Grande é constituído
litologicamente de arenitos e conglomerados e normalmente apresentam um potencial médio, sob o ponto de vista
da ocorrência de água subterrânea, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. As características
litológicas da Formação Cabeças indicam boas condições de permeabilidade e porosidade, favorecendo assim o
processo de recarga por infiltração direta das águas de chuvas, no qual se configura como um importante elemento
de armazenamento de água subterrânea do município, ressalvando-se, entretanto, as poucas exposições dessa
formação no município (CPRM, 2004).
Já a Formação Longá, pela sua constituição litológica quase que exclusivamente de folhelhos, que são
rochas que apresentam baixíssima permeabilidade, não apresenta importância hidrogeológica. As formações Poti
e Piauí pelas características litológicas comportam-se como uma única unidade hidrogeológica, onde a alternância
de leitos mais ou menos permeáveis no âmbito dessas formações, sugere comportamentos de aquíferos e
aquitardes. Estas ocorrem em pelo menos 50% da área do município, constituindo-se numa opção do ponto de
vista hidrogeológico, tendo um valor médio como manancial de água subterrânea (CPRM, 2004).
As Formações Areado e Urucuia são constituídas litologicamente de arenitos finos a muito finos, com
intercalações de conglomerados e folhelhos, o que permite caracterizá-las como áreas de potencial fraco a muito
fraco em termos de água subterrânea. Os depósitos detrito-lateríticos correspondem a coberturas de sedimentos
detríticos, com idade tércio-quaternária, que devido à reduzida espessura e descontinuidades e seus constituintes
litológicos serem pouco favoráveis ao armazenamento d’água, têm pouca expressão como mananciais para
captação de água subterrânea (CPRM, 2004).
E os depósitos aluvionares, que são representados por sedimentos areno-argilosos recentes, com
ocorrência margeando as calhas dos principais rios e riachos que drenam a região, apresentando uma boa
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alternativa como manancial, tendo uma importância relativa alta do ponto de vista hidrogeológico. Normalmente, a
alta permeabilidade dos termos arenosos compensa as pequenas espessuras, produzindo vazões significativas.
Porém tem pouca expressão como manancial para abastecimento, pois ocorre apenas numa pequena área no
extremo sudeste do município (CPRM, 2004).
De modo geral, a área de implantação do empreendimento é drenada pela Bacia Hidrográfica do Rio
Gurguéia (BHRG). O rio Gurguéia é o maior afluente do rio Parnaíba pela sua margem direita. A BHRG localiza-
se na porção do Sul do Estado do Piauí e abrange 33 municípios, na qual sofre forte influência da ação antrópica,
principalmente, em função da fronteira agrícola que se estrutura na região do MATOPIBA, sendo uma área ainda
pouco estudada em seus aspectos ambientais (Mapa 5.6).
A nascente do rio Gurguéia está localizada no sopé da chapada das Mangabeiras, a uma altitude média
de 500 metros. A bacia hidrográfica possui extensão aproximada de 532 km, no qual abrange área igual a 48.826
km², o que corresponde a 19% da área total do Piauí, sendo a segunda maior bacia do estado. Apresenta drenagem
intermitente no trecho entre os municípios de São Gonçalo do Gurguéia e Redenção, na estação seca apresenta
baixa vazão e na estação chuvosa as cheias médias máximas ocorrem com descarga de 200 m³/s e a descarga
média anual está em torno de 39 m³/s (BRASIL, 2006).
A BHRG apresenta predominância de relevo do tipo suave ondulado, com declividade de 3-8% em
aproximadamente 39% da bacia, assim como apresenta declividade acima de 8% em 24% da área, possuindo
também áreas de relevo ondulado acima de 20% de declividade (AQUINO et al., 2014).
O rio Gurguéia é alimentado por poucos afluentes, em geral temporários, o que não impede a regularidade
do regime na maior parte da calha principal. Entre os principais afluentes estão os rios Paraim, Curimatá, Fundo,
Corrente, Canhoto e Esfolado, além dos riachos Frio, Angical, Baixão do Jucá, Baixão do Barreiro e Vereda do
Jenipapo (Foto 5.3).
Os recursos hídricos nessa região se apresentam como intermitentes ou efêmeros, onde na área do
empreendimento passa o Riacho do Limoeiro, e outros dois cursos d’água sem denominação.
Devido à sua heterogeneidade espaço-ambiental, a cobertura vegetal, no Piauí, apresenta uma mistura
florística, onde coexistem espécies dos dois biomas. De maneira que, a delimitação e caracterização da
vegetação, nesse estado, não é uma tarefa fácil de se realizar. Por possuir uma ampla faixa de distribuição dos
biomas Cerrado-Caatinga, o enquadramento de sua vegetação em um padrão de Cerrado ou Caatinga é de difícil
estabelecimento. De acordo com Castro (2020), no Piauí, as vegetações (domínios florísticos) que predominam
são a Caatinga em torno de 49,6% e o Cerrado em torno de 47% (33% em área de domínio e 14% em áreas de
contato com outros tipos vegetacionais). A Caatinga ocorrendo no leste e sudoeste, caracterizada por apresentar
porte arbóreo, arbustivo-arbóreo ou arbustivo, com densidades variadas, e o Cerrado com ampla
representatividade da vegetação. Além disso, também pode ser encontrada no Piauí áreas de tensão ecológica
denominadas de ecótonos, sendo estas geralmente colocadas em segundo plano nas estimativas de cobertura
vegetal.
A região onde está localizado o município de Riacho Frio é definida segundo a base cartográfica do IBGE
(2019), como integrante do Bioma Cerrado (Mapa 6.8). No entanto, devido à localização geográfica do estado do
Piauí, estrategicamente, posicionado entre três grandes domínios vegetacionais brasileiros (Caatinga, Cerrado e
Amazônia), necessário é uma avaliação mais detalhada com vista a classificar a tipologia florestal de maneira mais
adequada. O Cerrado está entre os maiores biomas da América do Sul. É considerado um dos hotspots mundiais,
a savana com a flora mais biodiversa do mundo (STRASSBURG et al., 2017), chegando a comportar 5% da flora
e fauna do mundo, sendo o segundo maior domínio fitogeográfico brasileiro, depois da Amazônia e concentrando
um terço da biodiversidade brasileira. A savana pode ser definida como uma vegetação composta de um estrato
herbáceo, associado a arbustos e árvores com dossel descontínuo, sendo encontrada em quase todos os
continentes.
A vegetação do Cerrado possui 11 fisionomias (formas) principais e são compostas por: Formações
savânicas (Cerrado sentido restrito, Parque de Cerrado, Palmeiral e Vereda); florestais (Mata de galeria, Mata
Ciliar, Mata Seca e Cerradão); e campestres (Campo sujo, Campo Limpo e Campo Rupestre). Seu domínio se
estende por 15 estados e o Distrito Federal, ocupando uma área de aproximadamente dois milhões de km², a qual
corresponde a um quarto da superfície do país. A forma mais extensa, o cerrado sensu stricto, ocupava
aproximadamente 65% da área geográfica do Bioma, enquanto que o cerradão ocupava apenas cerca de 1%. No
restante da área original (34%), diversos outros tipos fitofisionômicos dividiam a paisagem (MARIMON JUNIOR;
HARIDASAN, 2005).
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A região em que o Parque Estadual do Rangel representa uma área de conservação de extrema
importância, uma vez que abriga não somente populações elevadas de diversas espécies de mamíferos e aves de
médio e grande porte, como também pela diversidade singular de sua composição florística e faunística, agrupando
em uma mesma região elementos da Caatinga e do Cerrado, expressando muitas vezes grande biodiversidade e
endemismo de espécies.
A Fazenda CR I, II, III e IV fica localizado aproximadamente 10 km de distância da APA do Rangel.
O Parque Nacional da Serra das Confusões é uma área de preservação ambiental localizada na região
sudeste do estado do Piauí, no Brasil. Criado em 1998, ele tem uma área de aproximadamente 823 mil hectares
e é considerado uma das áreas de conservação mais importantes do Cerrado brasileiro. O parque é uma das
poucas áreas de vegetação natural do Cerrado que ainda não sofreu grandes impactos humanos, o que o torna
um importante refúgio para a biodiversidade da região.
Além da importância ambiental, o Parque Nacional da Serra das Confusões também é uma importante
área de estudo para a paleontologia e a arqueologia, já que a região abriga sítios arqueológicos e fósseis de
animais pré-históricos.
O acesso ao parque é restrito e só é permitido com autorização prévia. O turismo na área é controlado e
inclui atividades como caminhadas, passeios de bicicleta e observação de animais. O parque também oferece
estrutura para hospedagem e camping, além de guias locais para auxiliar os visitantes.
A Fazenda CR I, II, III e IV fica localizado aproximadamente 30,0 km de distância do Parque nacional da
Serra das Confusões.
A. Metodologia
A metodologia utilizada para caracterizar as áreas que serão diretamente afetadas pela implantação da
Fazenda CR I, II, III e IV compreendeu, principalmente, a realização de análises referentes aos principais
componentes físicos e ambientais definidores na formação do ecossistema, além das interferências de natureza
antrópica.
Também foram avaliados aspectos gerais da área de estudo como a caracterização geográfica da área,
tipologias vegetais mais representativas, composição florística e estrutural, estado geral de conservação da
vegetação, aspectos relacionados a geomorfologia e pedologia, recursos hídricos, presença de espécies de
importância econômica e ameaçadas de extinção e o uso e ocupação do solo.
A caracterização das comunidades da flora e demais análises referentes ao quadro natural encontrado na
área de influência de implantação do empreendimento deu-se através de cinco etapas principais, as quais foram
realizadas de acordo com a sequência apresentada a seguir:
• Análise preliminar das imagens de satélite atualizadas para definição do uso e ocupação do solo na área
definida como diretamente afetada;
• Reconhecimento de campo para elaboração do diagnóstico ambiental preliminar e determinação das áreas
prioritárias para a instalação unidades amostrais;
• Implantação das unidades amostrais em campo, bem como coleta de informações pertinentes;
• Tabulação e processamento dos dados e;
• Elaboração do relatório.
B. Sistema de amostragem
Durante o esforço amostral, as áreas foram representadas com o auxílio do Método de Parcelas
(MUELLER-DOMBOIS; ELLENBERG, 1974). Essa técnica é bastante empregada em estudos florísticos e
fitossociológicos por apresentar conceitos metodológicos bem difundidos na literatura especializada, além de uma
grande quantidade de trabalhos publicados.
As estratégias empregadas durante a realização do estudo fundamentaram-se nas recomendações
inclusas no Manual para o Monitoramento de Parcelas Permanentes nos Biomas Cerrado e Pantanal (FELFILI;
CARVALHO; HAIDAR, 2005), além dos Protocolos de Avaliação Fitossociológica Mínima – PAFM (CASTRO, 2010)
e o Protocolo de Medições de Parcelas Permanentes (RMFC, 2005).
As parcelas foram distribuídas em locais distintos dentro dos limites da área diretamente afetada pela
implantação do empreendimento, contemplando um total de 15 unidades de amostragem da vegetação (U.A) com
dimensões de 20 x 20 m (400 m²), totalizando em 0,60 ha de área amostrada.
Para delimitar as parcelas foi utilizado trena de 50 metros, além da fixação de quatro estacas madeira com
1,0 metro de comprimento posicionadas nos vértices de cada unidade. A delimitação física do espaço
correspondente à parcela foi realizada com a utilização de cordoalha poliéster. Na Tabela 5.6 estão dispostas as
coordenadas UTM dos pontos extremos de cada unidade amostral alocada em campo.
A implantação das parcelas foi baseada em protocolos e procedimentos metodológicos usuais presentes
em manuais especificados anteriormente, com padronização de todas as etapas e procedimentos executados em
campo, de maneira que todas as amostras pudessem ser avaliadas em conjunto ou individualmente. No Mapa 5.9
pode-se observar a distribuição das amostras em campo, onde todas parcelas foram alocadas dentro do limite da
área de servidão.
D. Critério de inclusão
Para cada UA (unidade amostral) foram considerados todos os indivíduos lenhosos, vivos ou mortos,
desde que em posição vertical, com diâmetro da altura do peito (DAP de 3,18 cm), que equivale a 10 cm de
circunferência, os quais receberam uma placa de identificação com o número correspondente de cada indivíduo.
Os indivíduos cujos caules tocavam por fora as linhas de limite laterais das parcelas ou aqueles que o
sistema radicular se originava no interior da parcela foram selecionados para permitir um maior incremento de
espécimes. Para os indivíduos bifurcados ao nível do solo, não sendo possível visualizar uma base comum, cada
perfilho foi considerado um indivíduo independente, nos casos em que a bifurcação ocorreu acima do nível do solo
apresentando uma base comum, todos os perfilhos foram medidos, entretanto, para os parâmetros relacionados
às classes de diâmetro, estes foram considerados como um único indivíduo.
As árvores cujo sistema aéreo encontrava-se drasticamente comprometido em função de agentes
antrópicos, estas não foram selecionadas na amostra. Aquelas que apresentavam dúvidas quanto ao ingresso no
critério de inclusão foram selecionados preliminarmente com a utilização de um gabarito de exclusão.
Os trabalhos de campo foram realizados entre os dias 01 a 04 de março de 2023. Inicialmente, realizou-
se o reconhecimento de toda a área de implantação do empreendimento, sendo demarcadas com o auxílio do
receptor GPS (modelo Garmin GPS Map 64s) as áreas de maior interesse e pontos importantes para implantação
das unidades amostrais.
Todos os indivíduos selecionados nos critérios de inclusão estabelecidos no estudo foram numerados em
ordem crescente, e coletados dados biométricos, como circunferência altura do peito (CAP), altura comercial (HC)
e altura total (HT). A medição do CAP foi realizada com o auxílio de uma fita métrica de 1,50 metros (Foto 5.5 –
A). Para determinação da altura total e comercial (altura do fuste) foi usado uma haste de madeira graduada, com
subdivisões a cada 0,25 cm e comprimento, totalizando 5 metros (Foto 5.5 – B). As medidas dos indivíduos que
apresentavam alturas superiores ao comprimento total da haste de medição foram determinadas através de
estimativa visual utilizando a própria haste como referência, somado à altura da pessoa responsável pelo registro.
Legenda: A – Medição de CAP com fita métrica; B – Medição de altura com haste de altura.
Fonte: WMetria, 2023.
As espécies florestais foram identificadas in loco por meio da observação de seus aspectos dendrológicos
(formato da copa, folhagem, casca e caule), quando possível, por coleta de material botânico para herborização
para posterior identificação e/ou confirmação dos nomes científicos por consultas à literatura especializada
(LORENZI, 2009a, 2009b) e especialistas. Para classificação das espécies encontradas foi adotado o sistema APG
IV (2016). Nas planilhas de campo foram anotados os seguintes dados:
• Número e dimensão das parcelas;
• Coordenadas de localização da parcela;
• Altitude média;
• Nome popular e/ou científico;
• Circunferência ao nível do peito (CAP);
• Altura do fuste (altura comercial) e;
• Altura total.
Para a determinação dos parâmetros fitossociológicos foi estabelecido o número de indivíduos (N), a área
basal (AB), a densidade absoluta (DA), a densidade relativa (DR), a dominância absoluta (DoA), a dominância
relativa (DoR), a frequência absoluta (FA), a frequência relativa (FR) índice de valor de importância (IVI) e o índice
de valor de cobertura (IVC).
ni
A DRi = Densidade Relativa da i-ésima
Densidade Número de indivíduos de cada espécie espécie
DRi = ∗ 100
relativa (DR) N em relação à área. N = Número total de indivíduos
A amostrados de todas as espécies
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Índice de Valor
caracteriza a importância de cada
de Importância 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 = 𝐷𝐷𝐷𝐷 + 𝐹𝐹𝐹𝐹 + 𝐷𝐷𝐷𝐷R Índice de Valor de Importância (IVI)
espécie
(IVI)
Índice de Valor
Expressa a importância das espécies na IVCi = Índice de Valor de Cobertura
de Cobertura IVCi = DRi + DoRi
biocenose florestal (Longhi, 1987). da i-ésima espécie
(IVC)
S
N - Número total de indivíduos amostrados;
N i ln( N i ) - ∑ ni ln(n i )
Índice de Shannon-Wiener H'=
i =1 S – n° de espécies amostradas;
N ni - nº de indivíduos da i-ésima espécie amostrada.
Hmax - ln(S)
H'
Equitatividade de Pielou E= S - de espécies amostradas
H max
H’- n° índice de diversidade de Shannon-Weaver
I = é a medida de dominância
C = índice de dominância de Simpson;
Simpson n i = número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie;
N = número total de indivíduos amostrados;
S = número de espécies amostradas.
G. Resultados
• Florística
Nas 15 parcelas inventariadas foram catalogados 395 indivíduos, inseridos em 28 espécies, 26 gêneros e
11 famílias. De acordo com a distribuição de indivíduos por espécie, o maior número ocorreu dentro da espécie
cagaita (Eugenia dysenterica - Myrtaceae), a qual foi representada por 147 indivíduos, correspondendo a 37,22%
de toda a população, o que a caracteriza como uma espécie com forte dominância do remanescente (Figura 5.10).
147
47 46
22
19 17
12 12 11 11
8 7 6 4 3 3 3 3 3 2 2 1 1 1 1 1 1 1
Pau-terra-folha-larga
Vaqueta
Podoi
Caraíba
Catanduva
Ipê-felpudo
Jacarandá-de-cerrado
Mata-cachorro
Caju
Catinga-de-porco
Mororó
Faveira
Murici
Sucupira-preta
Mangabeira
Bananinha
Cagaita
Timbó
Araçá
Jatobá-de-vaqueiro
Jatobazinho
Pau-terra-folha-pequena
Fava-d'anta
Pau-mocó
Amargoso
São João
Coração-de-negro
Goçalo-alves
O gênero Eugenia destaca-se pelo o vasto potencial econômico e farmacológico das espécies que a
integram, evidenciado não somente pelo número de trabalhos e publicações científicas, mas também pela
exploração comercial dos seus frutos comestíveis, madeira, óleos essenciais e utilização como plantas
ornamentais. No Brasil existem cerca de 400 espécies do gênero Eugenia distribuídos em todo território nacional,
com espécies endêmicas como a Eugenia copacabanensis Kiaersk e Eugenia marambaiensis M.C. Souza & M.P.
Lima.
A cagaiteira (Eugenia dysenterica DC.) é uma importante espécie frutífera nativa dos cerrados. Pertence
à família Myrtaceae e seus frutos são largamente utilizados pela população regional, que os consome in natura ou
na forma de sucos, sorvetes, licores e geléias (Almeida et al. 1987). O aproveitamento dessa espécie frutífera pode
constituir-se numa atividade econômica bastante promissora, dadas a excelente qualidade de seus frutos e as
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suas mais diversas utilidades. A cagaita uma árvore frutífera, com potencial ornamental e econômico, de porte
médio, ocorrente na região dos cerrados. Essa espécie apresenta crescimento lento, atingindo altura média de
5,00 metros aos 12 anos de idade (Foto 5.6).
Outras espécies que se destacaram na área foram: catinga-de-porco (Terminalia fagifolia – Combretaceae)
(Foto 5.7 – A); pau-terra-folha-larga (Qualea grandiflora – Vochysiaceae) (Foto 5.7 – B); gonçalo-alves (Astronium
fraxinifolium – Anacardiaceae) ( Foto 5.7 – C); vaqueta (Combretum glaucocarpum – Combretaceae) (Foto 5.7 –
D); mororó (Bauhinia pulchella – Fabaceae); catanduva (Pitirocarpa moniliformis – Fabaceae); pau-terra-folha-
pequena (Qualea parviflora – Vochysiaceae) (Foto 5.7 – E); timbó (Magonia pubescens – Sapindaceae) (Foto 5.7
– F ); araçá (Psidium sp. – Myrtaceae) (Foto 5.7 – G); ipê-felpudo (Handroanthus sp. – Bignoniaceae) e faveira
(Parkia platycephala – Fabaceae) (Foto 5.7 – H).
Por outro lado, as espécies se destacaram quanto aos menores números de indivíduos foram: fava-d’anta
(Dimorphandra gardneriana – Fabaceae) (Foto 5.8 – A); sucupira-preta (Bowdichia virgilioides – Fabaceae) (Foto
5.8 – B); jatobá-de-vaqueiro (Hymenaea courbaril – Fabaceae) (Foto 5.8 – C); jacarandá-de-cerrado (Machaerium
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acutifolium – Fabaceae) (Foto 5.8 – D); pau-mocó (Luetzelburgia auriculata – Fabaceae) mata-cachorro
(Simarouba versicolor – Simaroubaceae) (Foto 5.8 – E); amargoso (Vatairea macrocarpa – Fabaceae); podoi
(Copaifera langsdorffii – Fabaceae); jatobazinho (Hymenaea eriogyne – Fabaceae) (Foto 5.8 – F); caraíba (Tabebuia
aurea – Fabaceae); banabinha (Rollinia Leptopetala – Annonaceae) (Foto 5.8 – G); mangabeira (Lafoensia
replicata – Lythraceae) (Foto 5.8 – H); coração-de-negro (Poecilanthe parviflora – Fabaceae) e cajuí (Anacardium
occidentale – Anacardiaceae).
Dentre as 11 famílias amostradas na área de estudo, a Fabaceae foi a que representou maior riqueza com
13 espécies, apresentando 15,19% dos indivíduos amostrados. No entanto a família com mais representatividade
no que diz respeito ao número de indivíduos foi a Myrtaceae, que apresentou 40% do total de indivíduos
amostrados, sendo que apenas duas espécies foram responsáveis por esse percentual. Já a Combretaceae com
duas espécies apresentou 16,71% do total de indivíduos inventariados. Juntas, essas famílias detiveram 71% dos
indivíduos amostrados (Figura 5.11).
5,82%
7,59%
14,68% 40,00%
15,19%
16,71%
A família Fabaceae se destaca tanto no Cerrado, como também em ambiente de transição. As Fabaceas
são de grande importância para esses biomas, sendo a família mais abundante em indivíduos e diversidade, além
disso, os indivíduos dessa família são importantes para os produtores rurais. Costa, (2005) cita que a família
Fabaceae engloba aproximadamente 30% do total de espécies vegetais descritas para o bioma caatinga. Já Lopes
(2016) associa o sucesso adaptativo das Fabaceae no cerrado, a microbiota fixadora de nitrogênio, a qual formam
associações nodulares em suas raízes, capacitando-as a colonizar ambientes pobres nesse elemento. Já a maior
representatividade da família Myrtaceae se deu devido ao alto número de indivíduos da cagaita.
A relação da listagem florística das espécies da área de amostragem da vegetação está disposta na
Tabela 5.9, destacando-se o nome popular, nome científico e família botânica. Das 28 espécies, sete detiveram
mais de 78% do total de número de indivíduos.
Tabela 5.9. Lista geral das espécies vegetais presentes na área estudada
No que diz respeito à riqueza, o que corresponde ao número absoluto de espécies ocorrentes em um
remanescente, a área amostrada apresentou, nas parcelas inventariadas, 28 espécies arbóreas, número esse
considerado baixo, quando comparado com levantamentos realizados em áreas com características semelhantes
à área objeto de estudo (SOUSA et al., 2009; SILVA et al., 2018). Como exemplo, pode-se citar Sousa et al. (2009)
que, objetivando contribuir para um melhor conhecimento da vegetação do estado do Piauí e, sobretudo para as
áreas ecotonais (com predominância de cerrado sensu estricto), realizaram um trabalho de fitoecologia, concluindo
que as áreas são ricas em espécies arbóreas. Na amostragem realizada, a riqueza de espécies variou de 48
espécies, em Boa Hora; 65sp Cabeceiras; 68sp Cocal de Telha; 66sp Campo Maior e 70sp no município de Jatobá
do Piauí. Valores esses superiores ao encontrado no presente trabalho. Já Silva et al. (2018), analisando a
composição da estrutura fitossociológica e usos econômicos dos recursos vegetais de uma área de cerrado
ecotonal da parte setentrional do Piauí, encontraram em 32 espécies, 29 gêneros e 15 famílias.
Vários fatores podem explicar a riqueza encontrada no presente levantamento, dentre os quais se
destacam as características edafoclimáticas presentes na área estudada. Nesse sentido, acredita-se que a gênese
dos solos se relaciona às características climáticas, vegetação, litologias e o tempo, modelando a composição,
estrutura e distribuição das comunidades vegetais.
Em relação à distribuição de espécies por unidades amostrais (frequência) as espécies cagaita, catinga-
de-porco e gonçalo-alves se destacaram das demais, com presença em mais de 80% das amostras. Em sentido
contrário, os indivíduos de sete espécies estiveram presentes em 7% das unidades amostrais, ou seja, em apenas
uma parcela. Essa distribuição pode ser observada na figura abaixo (Figura 5.12).
A não dominância de todo o remanescente por parte de uma única espécie ou por um pequeno grupo de
espécies, está diretamente associada à heterogeneidade espaço-ambiental. Diferentes microambientes ajudam
na diversificação da listagem florística de um remanescente florestal. Na área amostrada é possível observar uma
homogeneidade ambiental, o que possibilita o domínio do ambiente por um pequeno grupo de espécies, sejam
quais forem os motivos.
• Diversidade
O Índice de Shannon expressa a riqueza e a uniformidade de uma população, sendo que quanto maior o
valor de H’, maior será a diversidade da população. Dito isto, importa ressaltar que, não necessariamente, as áreas
que apresentam maior H’, têm maior riqueza, isso ocorre porque esse índice, além de levar em conta a riqueza,
também considera a distribuição de indivíduos por espécies, dessa forma, mesmo tendo muitas espécies, o seu
valor pode ser subestimado, quando apresentar uma grande concentração de indivíduos em um pequeno grupo
de espécies. Dito posto, o valor do Índice de Diversidade de Shannon (H') encontrado foi de 2,33 nats.ind-1.
Este valor foi semelhante aos encontrados por Sousa et al. (2009), que analisando vegetações presentes
em cinco municípios, que estão inseridos no Complexo vegetacional de Campo Maior, encontraram valores do
índice de Shannon (H’) que variaram de 2,24 (Cabeceiras) até 3,12 (Jatobá do Piauí). Não obstante, foi superior
ao valor de 2,05 nats.ind-1, encontrado por Silva et al. (2018), que realizou um diagnóstico fitossociológico e uso
da vegetação de um cerrado ecotonal da região setentrional do Piauí.
Outro índice utilizado para interpretar a diversidade de um remanescente florestal é o índice de
equabilidade de Pielou (J’), sendo esse derivado do índice de diversidade de Shannon, o qual permite representar
a uniformidade da distribuição dos indivíduos entre as espécies existentes. Seus valores variam de 0 a 1, quanto
mais próximo de 1 mais abundante é a área, o valor observado neste trabalho foi de 0,70, indicando que, de
maneira geral, dentre as 28 espécies, sete detiveram mais de 78% do total de número de indivíduos (Figura 5.10).
Tal valor auxilia também na compreensão da distribuição das diferentes espécies na amostra, indicando, de forma
geral, se o fragmento estudado é formado por microambientes homogêneos ou não.
Além desses dois indicadores, outro índice que auxilia numa melhor compreensão da heterogeneidade
ambiental é o índice de dominância de Simpson (C), o qual varia de 0 (zero) a 1 (um), sendo que, valores mais
próximos de 1 representam maior diversidade. Na área do estudo, o índice geral foi de 0,82.
Por último, mas não menos importante, o Coeficiente de Mistura de Jentsch (QM) expressa a composição
florística da vegetação, revelando o número de árvores de cada espécie na área. É um fator que indica a
intensidade composição de espécies e os possíveis problemas de manejo, ainda que em condições de
variabilidade. Para este levantamento, o índice QM geral obtido foi de 14,11, indicando uma média de 15 indivíduos
para cada espécie amostrada, ou seja, a cada 15 indivíduos, foi acrescentado uma espécie nova na amostragem.
Observando todas as parcelas temos uma variação entre 2,57 e 4,67, indicando que o remanescente florestal é
homogêneo.
• Curva do coletor
A curva de acumulação de espécies ou do coletor de amostragem é uma técnica utilizada para relacionar
o número de espécies e o número de parcelas amostrais, sendo considerada de grande importância na
34
31
28
Número de Espécies
25
22
19
16
13
10
4
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
• Fitossociologia
i. Estrutura horizontal
A estrutura horizontal expressa a distribuição e ocupação dos indivíduos em uma área, desconsiderando
a altura das plantas, considerando as análises a partir da densidade, frequência e dominância, além do valor de
importância (VI) de espécie e de família, conforme Magurran (1988).
Os resultados referentes à fitossociologia estão dispostos na (Tabela 5.11). A densidade absoluta foi de
658 ind.ha-1, já a área basal foi de 4,39 m2 . Esses valores mostraram-se inferiores aos encontrados, comumente,
em áreas de cerrados (SILVA et al., 2018; LIMA et al., 2020). Silva et al. (2018), analisando a composição da
estrutura fitossociológica de uma área de cerrado ecotonal da parte setentrional do Piauí, encontraram valores de
1.100,00 m2 /ha-1 para densidade total e 20,683 m2 para a área basal. Já Lima et al. (2020) encontraram valor de
724m²/ha-1 para densidade e a área basal de 15.87 m2. Diante dos valores aqui demonstrados, percebe-se que a
densidade total e área basal são consideradas baixas, quando comparada com outros trabalhos com vegetação
semelhante.
Observando as cinco principais espécies em ordem de valor de importância (VI), estas correspondem por
64%% dos indivíduos amostrados, o que demonstraria uma maior distribuição das mesmas na área de estudo,
além de demonstrar a existência de uma comunidade estrutural com poucas espécies dominantes. Dentre essas,
cagaita se destacou como a mais importante, com VI de 27,9%, apresentando uma frequência de 100%, e uma
densidade absoluta de 245 indivíduos por hectare, contribuindo assim com 37,22% no número total de indivíduos.
O índice de valor de importância baliza as tomadas de decisões acerca da exploração sustentável. Ao analisá-lo,
pode-se adequar a intensidade da exploração, bem como determinar quais as espécies são mais vulneráveis,
diminuindo a intensidade exploratória sobre as mesmas.
Uma análise criteriosa dos parâmetros fitossociológicos auxilia no manejo dos recursos florestais,
possibilitando a utilização sustentável da vegetação. Analisando cada variável, é possível planejar o tipo de
exploração, além de determinar quais as espécies de maiores potenciais econômicos. Por tanto, uma análise da
fitossociologia possibilita o conhecimento estrutural e dinâmico de um remanescente florestal, fornecendo
informações, através das quais, torna-se possível idealizar teorias que sustentem a conservação dos recursos
genéticos, bem como a recuperação de áreas ou fragmentos florestais degradados (SOUZA et al., 2017).
Através dos levantamentos fitossociológicos é possível estabelecer graus de hierarquização entre as
espécies estudadas e avaliar a necessidade de medidas voltadas para a preservação e conservações das
unidades florestais (CHAVES et al., 2013; BULHÕES et al., 2015). Além disso, o conhecimento da composição
florística de uma floresta é uma das principais ferramentas para caracterização de suas formações vegetais e
permite analisar a mesma de acordo com sua distribuição de espécies e famílias (DIAS et al., 2014).
Cagaita 147 15 1,486 245 37,22 100 12,61 2,48 33,9 71,1 35,5 83,7 27,9
Catinga-de-porco 47 12 0,746 78 11,90 80 10,08 1,24 17,0 28,9 14,5 39,0 13,0
Pau-terra-folha-larga 46 11 0,417 77 11,65 73 9,24 0,69 9,5 21,2 10,6 30,4 10,1
Gonçalo-alves 22 12 0,315 37 5,57 80 10,08 0,53 7,2 12,8 6,4 22,8 7,6
Timbó 11 5 0,424 18 2,78 33 4,20 0,71 9,7 12,5 6,2 16,7 5,6
Vaqueta 19 9 0,063 32 4,81 60 7,56 0,11 1,4 6,3 3,1 13,8 4,6
Araçá 11 7 0,066 18 2,78 47 5,88 0,11 1,5 4,3 2,1 10,2 3,4
Faveira 7 5 0,173 12 1,77 33 4,20 0,29 3,9 5,7 2,9 9,9 3,3
Mororó 17 4 0,080 28 4,30 27 3,36 0,13 1,8 6,1 3,1 9,5 3,2
Pau-terra-folha-pequena 12 6 0,055 20 3,04 40 5,04 0,09 1,3 4,3 2,1 9,3 3,1
Catanduva 12 2 0,058 20 3,04 13 1,68 0,10 1,3 4,4 2,2 6,0 2,0
Murici 6 3 0,071 10 1,52 20 2,52 0,12 1,6 3,1 1,6 5,7 1,9
Ipê-felpudo 8 3 0,028 13 2,03 20 2,52 0,05 0,6 2,7 1,3 5,2 1,7
Jacarandá-de-cerrado 3 3 0,072 5 0,76 20 2,52 0,12 1,6 2,4 1,2 4,9 1,6
Sucupira-preta 3 3 0,059 5 0,76 20 2,52 0,10 1,4 2,1 1,1 4,6 1,5
Fava-d'anta 3 2 0,093 5 0,76 13 1,68 0,16 2,1 2,9 1,4 4,6 1,5
Jatobá-de-vaqueiro 3 2 0,038 5 0,76 13 1,68 0,06 0,9 1,6 0,8 3,3 1,1
Pau-mocó 3 2 0,031 5 0,76 13 1,68 0,05 0,7 1,5 0,7 3,1 1,0
São João 4 2 0,018 7 1,01 13 1,68 0,03 0,4 1,4 0,7 3,1 1,0
Amargoso 2 2 0,015 3 0,51 13 1,68 0,03 0,4 0,9 0,4 2,5 0,8
Mata-cachorro 2 2 0,010 3 0,51 13 1,68 0,02 0,2 0,7 0,4 2,4 0,8
Caju 1 1 0,028 2 0,25 7 0,84 0,05 0,6 0,9 0,4 1,7 0,6
Caraíba 1 1 0,017 2 0,25 7 0,84 0,03 0,4 0,6 0,3 1,5 0,5
Bananinha 1 1 0,006 2 0,25 7 0,84 0,01 0,1 0,4 0,2 1,2 0,4
Mangabeira 1 1 0,006 2 0,25 7 0,84 0,01 0,1 0,4 0,2 1,2 0,4
Podoi 1 1 0,005 2 0,25 7 0,84 0,01 0,1 0,4 0,2 1,2 0,4
Jatobazinho 1 1 0,003 2 0,25 7 0,84 0,01 0,1 0,3 0,2 1,2 0,4
Coração-de-negro 1 1 0,003 2 0,25 7 0,84 0,00 0,1 0,3 0,2 1,2 0,4
TOTAL GERAL 395 15 4,39 658 100 100 100 7,31 100 200 100 300 100
Legenda: N: número de indivíduos amostrados; U: número de parcelas em que a espécie ocorreu; FA: frequência absoluta em % de ocorrência; FR: frequência relativa em % do FA total; DA: densidade
absoluta em indivíduos por hectare; DR: densidade relativa em %; DoA: dominância absoluta em m²/ha; DoR: dominância relativa em %; VI: valor de importância; VC: valor de cobertura.
Fonte: WMetria, 2023.
226
93
76
Os valores referentes às alturas mínimas, médias e máximas para cada espécie levantada podem ser
observados na Figura 5.15. As espécies que apresentaram indivíduos com maiores alturas foram: catinga-de-
porco. Jacarandá-a-de-cerrado, timbó, cagaita e catanduva, apresentando altura ≥ a 7m. No Cerrado, encontra-
se, normalmente, espécies arbóreas com uma média de altura por volta de 4,5 a 5,5 metros de altura (FARIAS;
CASTRO, 2003; FINGER; FINGER, 2015). Por esse motivo, a média geral da altura deste povoamento de 3,2 m,
foi inferior a quase todos os levantamentos usados a efeito comparativo (FARIAS; CASTRO, 2004; SOUSA et al.,
2009; SILVA et al., 2018; LIMA et al., 2020).
A altura da vegetação dos cerrados no Piauí ultrapassa os padrões de altura descritos para o cerrado
sensu stricto. No entanto, o valor médio (3,2) encontrado para esse fragmento é considerado baixo. Silva et al.
(2018) encontraram valores para a altura das árvores variando de 5 m a 8 m, indicando um padrão estrutural dos
cerrados do Nordeste (FARIAS; CASTRO, 2004; OLIVEIRA et al., 2010), que possuem árvores mais altas do que
os cerrados do Planalto Central. (MARIMON JUNIOR; HARIDASAN, 2005).
Essa estratificação ajuda a entender se a vegetação estudada sofreu alguma perturbação anterior, pois,
segundo Alves et al. (2013), o grau de perturbação sofrido por vegetação de algumas áreas pode ser um fator que
influencia diretamente a baixa altura média das árvores. Além disso, variáveis edafoclimáticas, também podem
influenciar na altura da vegetação.
8,0
6,0
4,0
2,0
0,0
Jacarandá-de-cerrado
Timbó
Jatobazinho
São João
Amargoso
Jatobá-de-vaqueiro
Pau-mocó
Fava-d'anta
Murici
Mororó
Podoi
Catinga-de-porco
Cagaita
Catanduva
Faveira
Caraíba
Pau-terra-folha-larga
Caju
Mata-cachorro
Bananinha
Ipê-felpudo
Pau-terra-folha-pequena
Sucupira-preta
Vaqueta
Mangabeira
Coração-de-negro
Araçá
Goçalo-alves
• Volumetria
O volume é uma variável usada para estimar o potencial produtivo de uma população florestal, visto que,
possibilita avaliar o estoque de madeira e analisar o potencial produtivo das florestas (THOMAS et al., 2006). Dado
o estágio sucessional da vegetação presente na área, considerou-se para o cálculo de volume total com casca o
modelo não linear de Schumacher e Hall ajustado para equação adequada para o ambiente de Cerradão (CIETEC,
1995):
1,830398
𝑉𝑉𝑉𝑉 = 0,000094 ∗ 𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷 ∗ 𝐻𝐻𝐻𝐻0,960913
Em que: Vt = volume total com casca, em m³; DAP = diâmetro com casca, medido a 1,30 m do solo, em cm; Ht = altura total,
em m; R2 = Coeficiente de correlação.
O volume médio entre as unidades amostrais foi de 0,95 m³, como os maiores volumes lenhosos obtidos
nas UA 09 e 11 (1,32 e 1,45 m³) e os menores nas parcelas 01 e 15 (0,68 e 0,63 m³). A dispersão foi considerada
intermediária, já que o coeficiente de variação foi de 22% (Figura 5.16).
1,45
1,32
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Quatro espécies se destacaram por apresentarem os maiores valores de volumes madeireiros, sendo elas:
cagaita (4,70 m³), catinga-de-porco (2,74 m³) e Gonçalo-alves (1,89 m³) (Figura 5.17).
4,70
2,74
1,66
1,10 1,06
0,45
0,29 0,28 0,26 0,22 0,20 0,19 0,19 0,18
0,16 0,15 0,11 0,09 0,09 0,07 0,06 0,04 0,04
0,02 0,01 0,01 0,01 0,01
Pau-terra-folha-…
Caraíba
Mororó
Ipê-felpudo
Jatobazinho
Cagaita
Timbó
Fava-d'anta
Mangabeira
São João
Podoi
Faveira
Jatobá-de-vaqueiro
Catinga-de-porco
Jacarandá-de-cerrado
Vaqueta
Bananinha
Coração-de-negro
Pau-mocó
Amargoso
Pau-terra-folha-larga
Catanduva
Sucupira-preta
Murici
Caju
Araçá
Mata-cachorro
Goçalo-alves
Para a distribuição dos indivíduos por classes de diâmetro, cada fuste é independente, ou seja, um
indivíduo, pois isso facilita sua classificação nos diferentes subprodutos madeireiros. Aqui não se adotou a média
quadrática, ela não foi adotada, porque acaba disfarçado o subproduto, uma vez que condensa todos os fustes em
apenas um, gerando assim um indivíduo com dimensões inexistentes, ou seja, gerando um subproduto inexistente.
Com base nisso, a distribuição dos indivíduos por classes de diâmetro apresentou maior distribuição de
espécies nas duas classes iniciais (Figura 5.18). Observa-se que 187 indivíduos se concentram na primeira classe
diamétrica (3-8cm). Quando se considera a concentração de indivíduos nas duas classes iniciais, ou seja, menores
que 13cm, percebe-se que elas apresentam 74% do total de indivíduos amostrados. A predominância de indivíduos
nas primeiras classes de diâmetro, apresentando padrão de J invertido, enfatiza o padrão normal para floresta
inequiâneas (ALVES et al., 2013; LIMA; COELHO, 2015).
Dificilmente, a distribuição de “J” investido, ocorre em tipologias de cerrado, que sofrem com a prática de
queimadas, que acabam eliminando os indivíduos de menores diâmetros. Geralmente, o que se observa, é uma
distribuição com poucos indivíduos nas primeiras classes diamétricas, sendo mais comum uma maior presença de
indivíduos nas classes intermediárias (distribuição normal). Não obstante, o padrão presente neste estudo,
provavelmente, deu-se devido a mistura de indivíduos de diferentes tipos vegetacionais, sendo que a área
apresentou uma maior presença de indivíduos de espécies típicas de cerrados, mas também apresentou, em
menor quantidade, indivíduos de espécies de caatinga. Dessa forma, a mensuração dos indivíduos dessas
diferentes tipologias florestais, possibilitou esse padrão na distribuição dos indivíduos por classes diamétricas.
Além disso, outros fatores podem explicar tal comportamento, como exemplo, pode-se citar o histórico de uso e
ocupação do solo
Figura 5.18. Distribuição dos indivíduos por classes diamétrica
187
128
60
31
16
3|8 cm (Classe I) 8|13 cm (Classe II) 13|18 cm (Classe III) 18|23 cm (Classe IV) >|23 cm (Classe V)
Fonte: WMetria, 2023.
Os subprodutos obtidos a partir do volume lenhoso estimado foram considerados a partir das classes de
diâmetro com os respectivos usos predominantes, no qual se estabeleceu as seguintes categorias: classe I (3 a 8
cm) - Lenha e Vara; classe II (8 a 13 cm) - Lenha e Estaca; classe III (13 a 18 cm) – Estaca e Mourão; classe IV
(18 a 23 cm) – Mourão e Serraria e Classe V (>23 cm) – Serraria.
De acordo com o Tabela 5.12, pode-se considerar que a distribuição de volume está distribuída de forma
regular, com alocação de volume em todos as classes, indicando que o volume lenhoso obtido na área tem
indicação diversificada, podendo ser destinado para usos como lenha, estaca, mourão e serraria.
Com base na lista de espécies identificadas no inventário florestal e cruzando com a Lista Nacional Oficial
de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção – PORTARIA GM/MMA Nº 300, de 13 de dezembro de 2022:
Reconhece a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção e revogam os seguintes atos do Ministério do
Meio Ambiente: I - Portaria nº 443, de 17 de dezembro de 2014; II - Portaria nº 444, de 17 de dezembro de 2014;
III - Portaria nº 445, de 17 de dezembro de 2014; IV - Instrução Normativa nº 1, de 12 de fevereiro de 2015; V -
Portaria nº 98, de 28 de abril de 2015; VI - Portaria nº 162, de 08 de junho de 2015; VII - Portaria nº 163, de 08 de
junho de 2015; VIII - Portaria nº 395, de 1º de setembro de 2016; IX - Portaria nº 161, de 20 de abril de 2017; X -
Portaria nº 201, de 31 de maio de 2017; XI - Portaria nº 217, de 19 de junho de 2017; XII - Portaria nº 73, de 26 de
março de 2018; XIII - Portaria nº 148, de 7 de junho de 2022; e XIV - Portaria nº 229, de 5 de setembro de 2022,
constatamos que nenhuma das espécies inventariadas está oficialmente ameaçada de extinção.
A disponibilidade de terras aptas para o desenvolvimento da agricultura em larga escala vem se tornando
cada vez mais escassa, a região onde o empreendimento está proposto já é definida como a última fronteira
agrícola do país, possuindo todos os requisitos necessários de clima, logística e topografia para o desenvolvimento
dessas atividades. Dito posto, cabe ressaltar que o empreendedor está disposto a atender as possíveis medidas
compensatórias proposta pelo órgão licenciador em relação à espécie citada na portaria.
O Brasil é um dos países mais biodiversos do mundo, com uma estimativa de cerca de 15% de todas as
espécies conhecidas do planeta. Isso representa, em números absolutos, cerca de 119.389 espécies de animais
e aproximadamente 49.217 espécies de plantas (SiBBr, 2023). Além disso, o país abriga ecossistemas únicos,
como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica e o Cerrado, que são considerados hotspots de biodiversidade (MMA,
2023).
No entanto, a biodiversidade está ameaçada devido a intensa influência antrópica sobre os recursos
naturais, que tem resultado na redução, fragmentação e isolamento de populações. Conforme a Lista Vermelha
da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, 2023), há mais de 42 mil espécies ameaçadas de
extinção no mundo. No Brasil, de acordo com a última atualização do MMA (Portaria Nº 148/2022), cerca de 1.249
espécies de animais e 3.209 espécies de plantas foram registradas com status de extinção.
Atualmente, a defaunação é uma das maiores ameaças à biodiversidade e à saúde dos ecossistemas.
Dentre as principais causas, têm-se o aumento da influência antrópica sobre as áreas naturais, afetando
diretamente a conservação da fauna nesses locais e, com a expansão dos centros urbanos, tais regiões ficam
cada vez mais restritas à fragmentos isolados, sofrendo assim interferências em seus processos ecológicos e
consequentemente, impactando de forma acelerada na redução de suas populações, e em muitos casos, na
extinção (SILVEIRA et al., 2019).
A implantação de empreendimentos pecuários gera impactos de ordem direta e indireta sobre a população
faunística de uma região, a saber: a destruição de habitats naturais, o que pode levar à redução das populações
de animais e da biodiversidade; a perda de áreas de alimentação, devido a conversão de habitats naturais em
pastagens, impactando, especialmente, os herbívoros que dependem da vegetação nativa para sua sobrevivência;
a introdução de espécies invasoras, levando à competição com as nativas; a diminuição da qualidade dos solos,
a erosão e a mudança nos ciclos hidrológicos, o que pode afetar negativamente as espécies, dentre outros
(KOLBERT, 2020).
Nesse sentido, o levantamento das espécies da fauna que habitam uma determinada área é de extrema
importância para a conservação da biodiversidade e para o planejamento de intervenções antrópicas na região. A
partir deste é possível avaliar os impactos sobre a fauna decorrentes da implantação do empreendimento, além
de fornecer informações importantes sobre a distribuição, a abundância e a diversidade das espécies, bem como
sobre as interações entre elas e com o ambiente.
A Fazenda CR I, II, III e IV está inserida nas delimitações do município de Riacho Frio – PI, mesorregião
sudoeste piauiense, no qual sob ponto de vista biogeográfico, compreende a uma zona de transição de biomas
(cerrado-caatinga). Todavia, considerando a base de dados do IBGE (2023), toda a área da fazenda pertence ao
Cerrado. De modo geral, a região retrata um mosaico de fitofisionomias, que se relaciona à uma rica biodiversidade
e ampla distribuição.
Assim, para atender as exigências impostas à fase de Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) decorrentes
da instalação da Fazenda CR I, II, III e IV, realizou-se levantamento dos principais grupos de animais (Avifauna,
Mastofauna, Hepertofauna, e Ictiofauna) que ocorrem nas áreas de influências do empreendimento, com a
finalidade de avaliar a biodiversidade da região e identificar as espécies presentes, além identificar espécies
ameaçadas de extinção ou com importância ecológica, que podem ser afetadas pela interferência antrópica.
• Objetivos
A pecuária pode ser uma atividade importante para a manutenção da biodiversidade em determinadas
áreas, desde que seja realizada de forma sustentável, levando em conta os impactos ambientais e sociais,
buscando minimizar seus efeitos negativos. Posto isso, o objetivo principal deste estudo é a identificação e
caracterização das espécies presentes nas áreas sob influência da Fazenda CR I, II, III e IV, que está localizada
no município de Riacho Frio – PI, viabilizando a Avaliação de Impacto Ambiental, além da análise do grau de
conservação e diversidade das espécies presente na região.
Os objetivos específicos estão descritos logo abaixo:
• Compor um checklist das espécies que ocorrem nas áreas de influência do empreendimento;
• Identificar as espécies raras, ameaçadas de extinção, endêmicas e de relevante interesse científico e
econômico;
• Investigar padrões nas comunidades que estejam relacionados aos aspectos espaço-temporais;
• Avaliar os impactos atuais sobre a fauna e fornecer informações para a identificação dos impactos
potenciais a serem gerados pelo projeto agropecuário durante sua implantação e operação;
• Propor medidas para proteção, conservação e, se necessário, recuperação da comunidade faunística.
• Metodologia
O Cerrado apresenta uma rica biodiversidade, sendo representado por uma grande variedade de espécies
de plantas e animais. Devido à complexidade e heterogeneidade do ambiente, amostrar as espécies de animais
ocorrentes no bioma é um grande desafio. Portanto, é necessário utilizar um conjunto de métodos para obter uma
amostragem mais completa e representativa dos indivíduos presentes na área, contribuindo para o conhecimento
e conservação da biodiversidade local (ICMBio, 2023).
Neste estudo, a metodologia aplicada buscou abranger as diferentes fitofisionomias disponíveis à fauna
na área, privilegiando locais nos quais se obteve algum tipo de indício prévio de ocorrência, como rastros, pegadas,
fezes, penas, carcaças, ninhos, registro visual e/ou auditivo, dentre outros. Foram utilizados levantamentos rápidos
qualitativos (observação direta/vocalizações) associados a quantitativos (pontos fixos/transectos lineares), além
do levantamento exploratório de materiais publicados em literatura especializada.
Todos os métodos aplicados foram executados entre os dias 27/023/2023 à 04/03/2023, na qual teve
duração total de cinco dias. A confirmação dos registros e a identificação das espécies foi realizada através do uso
de guias de campo e chaves de identificação de espécies. Na Figura 5.19 está incluso o resumo do esforço
amostral para as espécies presentes na área. Todos os dados coletados em campo foram digitalizados,
organizados em planilhas e processados com auxílio do software Microsoft Excel (MICROSOFT, 2019).
Os grupos faunísticos foram amostrados, inicialmente, pelo método de observação direta ou técnica de
pontos fixos, no qual o observador permaneceu parado por aproximadamente 10 minutos em cada ponto,
relacionando os indivíduos visualizados por contato visual, registros fotográficos e auditivos, em um raio de
detecção de no máximo 50 metros, distância considerada adequada para evitar justaposição de territórios entre a
maioria das espécies e também por permitir amostrar satisfatoriamente toda a área (ROBBINS, 1978; VIELLIARD;
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SILVA, 2010). Assim, ficou estabelecido um total de 05 pontos de espera (PE) separados entre si, sendo realizado
monitoramento uma vez ao dia em cada um dos pontos amostrais, normalmente, após o amanhecer.
Figura 5.19. Esforço amostral para a fauna nas áreas de influências da Fazenda CR I, II, III e IV
Dentre os métodos sistematizados empregados para o registro de espécies foram realizadas amostragem
por Transecto Linear, no qual o observador percorreu em velocidade constante uma transecção de 1,5 km
(previamente estabelecidas), abrangendo áreas secas e alagadas, no qual registrou todas as espécies detectadas
visivelmente e sonoramente nos dois lados da trilha (raio de até 100 m), desfrutando-se ao máximo da procura de
espécies ocorrentes na área, registrando-as em fichas descritivas para auxílio posterior (GREGORY et al., 2004;
BIBBY et al., 1998).
Utilizou-se ainda armadilhas fotográficas ou câmeras traps (CT) para observar, especialmente, espécies
de hábitos terrestres. Foram empregadas 04 câmeras de modelo Bushnell, com sensores de movimento e
infravermelho, fixadas ao caule das árvores (aproximadamente 30-50 cm do solo), distribuídas, preferencialmente,
nos locais de possível passagem de acordo com o registro prévio e identificação de pontos de deslocamento e uso
da fauna, como rastros, pegadas, vestígios e tocas. Foram utilizadas iscas atrativas (frutos e iscas preparadas)
tanto para espécies carnívoras como para as frugívoras.
Além disso, empregou-se o método de Procura Visual e Busca Ativa que consistiu em procurar os
indivíduos em todos os microambientes possíveis de ocorrência. Foi conduzido dentro da área, em transectos
aleatórios, deslocando-se lentamente a pé à procura de espécies em todos os ambientes (habitats) disponíveis à
fauna silvestre e visualmente acessíveis, como ambientes brejosos, com acúmulo de água, margens de poças,
corpos d’água, valetas de drenagem, camada da serapilheira (folhiços), árvores, pedras e cavidades no solo,
tentando não perturbar o meio, para tanto se fazendo uso de utensílios como lanterna (BERNARDE, 2012).
Para entender como as diferentes espécies de aves interagem com o meio ambiente e entre si, e obter
informações sobre a disponibilidade de recursos alimentares na área, empregou-se a compilação dos dados de
Wilman et al., (2014), na qual classifica em guildas específicas as espécies que apresentam porcentagem
predominante (≥ 60%), inserindo-as nas seguintes categorias alimentares: carnívoros – que se alimentam de
vertebrados em geral; frugívoros – predominância de frutos na dieta; nectarívoros – dieta composta,
predominantemente, por néctar; granívoros – predomínio de sementes na dieta; insetívoros –composta,
majoritariamente, por insetos; saprófagos – alimentação baseada em restos de animais e matéria orgânica em
decomposição; onívoras – não apresentaram domínio em nenhuma das categorias alimentares citadas. Quanto
aos mamíferos, para as informações referentes à classificação nas guildas tróficas de cada espécie, adotou-se o
hábito alimentar predominante (DALPONTE, 2009).
Exclusivamente para as aves, foi realizado a classificação quanto ao Estrato Preferencial de
Forrageamento, seguindo o proposto por Wilman et al., (2014), na qual considerou-se os seguintes estratos:
terrestre (T), sub-bosque (U), médio-bosque (M), copa (C), aéreo (A) e aquático (W). Os indivíduos foram
enquadrados com base no predomínio de uso (≥ 60%) nas categorias citadas, e, quando não houve o predomínio,
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considerou-se todos os estratos de forrageio utilizados pela espécie. Além disso, classificou-as quanto à
Sensibilidade a Alterações Ambientais em: baixa sensibilidade (L), média sensibilidade (M) e alta sensibilidade (H)
(STOTZ et al., 1996).
Para o monitoramento da ictiofauna ocorrente na área de instalação do empreendimento e seu entorno
imediato, foram empregados os métodos de amostragem em pontos, distribuídos ao longo de corpos d’água,
fazendo o uso de tarrafas (com 2,5 m de diâmetro e malha de 1 cm entre nós opostos) e rede de espera (2 m de
comprimento e malhas de 2, 4 e 6 centímetros entre nós opostos). As redes de espera foram armadas ao
entardecer e recolhidas na manhã do dia seguinte por três dias consecutivos, enquanto que as amostragens com
tarrafa ocorreram pela manhã e no final da tarde sendo que em cada ponto de amostragem foram executados 10
lances por período.
O esforço amostral dos métodos sistematizados e não-sistematizados são apresentados na Foto 5.10.
Foi realizado levantamento exploratório de materiais publicados em sítios eletrônicos especializados (Web
of Science, ScIELO, Periódicos Capes e Google Acadêmico), revistas científicas e bases de dados da Wikiaves
(2023), no qual se considerou artigos científicos, teses, dissertações e livros publicados, preferencialmente, nos
últimos 10 anos. Além de informações complementares, como encontros oportunísticos, coleta por terceiros e
entrevistas a moradores.
• Resultados avifauna
O Brasil é um dos países que apresenta a maior diversidade biológica mundial de aves, com registros de
1971 espécies, em lista atualizada pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – CBRO (2023). O estado do
Piauí tem registradas 677 espécies de aves silvestres (CBRO, 2021), representando cerca de 34,3% da avifauna
brasileira. Em grande parte, a riqueza de espécies de aves do estado deve à variedade de formações vegetais,
com espécies típicas do bioma caatinga e do cerrado (SANTOS et al., 2020).
Apesar da riqueza inerente ao estado, grande parte das espécies vem sofrendo com a expansão dos
cerrados, especialmente, na região sul. Os desmatamentos desordenados e as alterações no uso do solo estão
entre as principais causas (ARRAES et al., 2012) que transformaram o bioma em um dos ecossistemas mais
ameaçados do mundo. Atualmente, estima-se que 8% do cerrado piauiense ainda está coberto por vegetação
nativa (MMA, 2023), em que a maioria das áreas já foram modificadas ou degradadas, principalmente, devido ao
crescimento da agricultura e pecuária, além da exploração de recursos naturais como a lenha e a madeira (COSTA,
2018).
A ocupação de áreas de cerrado pelas atividades pecuárias tem impactos significativos sobre a população
de aves silvestres, afetando tanto a diversidade quanto a abundância de espécies, dentre os quais incluem-se: a
perda de habitat, devido a conversão de áreas naturais em pastagens e criação de gado; a fragmentação de
habitat, em razão da expansão da pecuária, o que dificulta o movimento das aves entre áreas naturais; a
degradação do solo, visto a pecuária levar à compactação do solo e à degradação de áreas naturais, dentre outros
(GANEM; DRUMMOND, 2011).
A avifauna é bastante vulnerável a alterações no ambiente, tendo como consequências diretas a redução
de populações, mudanças comportamentais, aumento do risco de extinção, resultando no desaparecimento de
espécies. De modo geral, a fragmentação e perda de áreas naturais do cerrado diminui a riqueza e abundância da
avifauna, além da qualidade e quantidade dos recursos alimentares disponíveis para elas (ROCHA et al., 2015).
Nesse sentido, realizar estudos sobre a comunidade de aves silvestres em áreas que sofrerão
antropização (instalação de empreendimentos) é fundamental para avaliar os impactos da atividade sobre a
biodiversidade, sendo possível identificar quais espécies ocorrem na área, avaliar sua abundância, diversidade e
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composição, bem como a presença de indivíduos indicadores da qualidade do meio, contribuindo assim para a
conservação e manejo adequado dessas áreas (PACHECO et al., 2021).
O número total de registros utilizados para as análises dos grupos das aves foi gerado a partir de um
conjunto de métodos combinados, no qual a riqueza de aves registrada para a área da Fazenda CR I, II, III e IV foi
de 50 Espécies, pertencentes a 24 Famílias e 16 Ordens. A riqueza de aves encontradas na área parece estar de
acordo com outros levantamentos realizados na região, visto a amostragem ter sido realizada na estação chuvosa,
que por consequência, têm-se maior disponibilidade de recursos nesse período, ou ainda ao fato de a reprodução
de muitas espécies ocorrer nesse período, sendo fatores de grande influência no elevado número de indivíduos
na área.
Os dados sobre a distribuição das espécies, nome comum e científico, registro, categoria trófica,
sensibilidade aos distúrbios ambientais, estrato de forrageamento, e categorias de conservação encontram-se
listadas na Tabela 5.13.
GSAA
IUCN
MMA
2023
2022
EPF
NOME COMUM
CIENTÍFICO IDENTIFICAÇÃO TRÓFICA
Accipitriformes
Accipitridae
Anseriformes
Anhimidae
Cariamiformes
Cariamidae
Charadriiformes
Charadriidae
IUCN
MMA
2023
2022
NOME COMUM GSAA EPF
CIENTÍFICO IDENTIFICAÇÃO TRÓFICA
Columbiformes
Columbidae
Columbina squammata Fogo-apagou AV FR L T LC NC
Columbina talpacoti Sangue-de-boi ENT GR L T LC NC
Leptotila verreauxi Juriti AV FR L T/C LC NC
Zenaida auriculata Avoante ENT GR L T/C LC NC
Cuculiformes
Cuculidae
Crotophaga ani Anu-preto AV/ENT ON L T/C LC NC
Guira guira Anu-branco AV ON L T/C LC NC
Piaya cayana Alma-de-gato AV/ENT ON L C/M LC NC
Falconiformes
Falconidae
Caracara plancus Carcará AV/ENT CR L T LC NC
Falco femoralis Falcão-de-coleira ENT CR L T/A LC NC
Falco sparverius Quiriquiri AV CR L T/A LC NC
Milvago chimachima Gavião-carrapateiro AV CR L T/A LC NC
Galbuliformes
Bucconidae
Nystalus chacuru João-bobo AV ON M T/C LC NC
Rapazinho-dos-
Nystalus maculatus AV IN M T/C LC NC
velhos
Galliformes
Cracidae
Penelope jacucaca Jacu AV ON H T VU VU
Passeriformes
Corvidae
Cyanocorax cyanopogon Gralha-cancã AV ON M U/C LC NC
Cyanocorax cristatellus Gralha-do-campo* AV ON M U/C LC NC
Icteridae
Gnorimopsar chopi Pássaro-preto AV/ENT ON L T/C LC NC
Icterus jamacaii Corrupião" AV/ENT ON L U/C LC NC
IUCN
MMA
2023
2022
NOME COMUM GSAA EPF
CIENTÍFICO IDENTIFICAÇÃO TRÓFICA
Mimidae
Mimus saturninus Sabiá-do-campo AV ON L C LC NC
Polioptilidae
Balança-rabo-do-
Polioptila plumbea ENT IN M U/M LC NC
nordeste
Thamnophilidae
Sakesphorus cristatus Choca-do-nordeste ENT IN M U/C LC NC
Thraupidae
Coryphospingus pileatus Tico-tico-rei-cinza AV GR L T/U LC NC
Paroaria dominicana Galo-de-campina ENT GR L U/M LC NC
Saltatricula atricollis Batuqueiro* AV ON M C/M NC NC
Thraupis palmarum Sanhaço AV FR L C LC NC
Thraupis sayaca Sanhaço-cinzento ENT ON L C/M LC NC
Turdidae
Turdus leucomelas Sabiá AV/ENT ON L C/M LC NC
Turdus rufiventris Sabiá-laranjeira AV ON L T/C LC NC
Tyrannidae
Fluvicola nengeta nengeta Lavadeira-mascarada ENT IN M T/C LC NC
Myiarchus ferox Maria-cavaleira AV ON L C/M LC NC
Myiodynastes maculatus Bem-te-vi-rajado ENT ON L C/A LC NC
Pitangus sulphuratus Bem-te-vi AV/ENT ON L T/C LC NC
Tyrannus melancholicus Suiriri AV/ENT ON L C LC NC
Tyrannus savana Rabo-de-tesoura ENT ON L C LC NC
Pelecaniformes
Ardeidae
Ardea alba Garça-branca AV IN L T/A/W LC NC
Bubulcus ibis Garça-vaqueira AV ON L T LC NC
Threskiornithidae
Theristicus caudatus Curicaca AV ON L T/C/W LC NC
Piciformes
Picidae
Pica-pau-de-topete-
Campephilus melanoleucos AV IN M C LC NC
vermelho
Colaptes campestris Pica-pau-do-campo AV IN L T/C LC NC
IUCN
MMA
2023
2022
NOME COMUM GSAA EPF
CIENTÍFICO IDENTIFICAÇÃO TRÓFICA
Psittaciformes
Psittacidae
Strigiformes
Strigidae
Tinamiformes
Tinamidae
Codorna-do-
Nothura boraquira ENT ON M T LC NC
nordeste*
Crypturellus parvirostris Lambu AV/ENT ON L T LC NC
Trogoniformes
Trogonidae
Surucuá-de-barriga-
Trogon curucui AV ON L C/M LC NC
vermelha
Legenda: Registro: AV – avistamento, ENT – entrevista. Status de Conservação: NC – Não consta, LC – pouco preocupante, NT – quase
ameaçada, VU – Vulnerável, EM – Em perigo, CR – Criticamente em perigo, EW – Extinto da natureza. Grau de Sensibilidade a Alterações
Ambientais (GSAA): L – Baixa; M – Média; H – Alta. Estrato Preferencial de Forrageamento (EPF): T – Terrestre; U – sub-bosque; M –
médio bosque; C – Copa; A – Aéreo; W – Aquático. Guildas tróficas: GR – Granívoro; CR – Carnívoro; FR – Frugívoro; IN – Insetívoro;
ON – Onívoro; PI – Piscívoro. Distribuição: Endêmica do Cerrado (*).
Fonte: WMetria, 2023.
A ordem dos Não-Passeriformes (n=16) incluiu a maioria das famílias registradas (66,67%) na área
estudada. Foram identificadas ainda 08 famílias da ordem Passeriformes (33,33%), sendo esta ordem
caracterizada por apresentar estruturas que as distinguem de outras aves. Quanto a distribuição de espécies,
constatou-se o mesmo padrão de representação, em que a maior parte pertence à ordem dos Não-Passeriformes
(60%), e a menor à ordem dos Passeriformes (40%), conforme mostra a Figura 5.20.
O equilíbrio entre as ordens Passeriformes e Não-Passeriformes em uma área pode ser importante para
a saúde ecológica geral do ecossistema, dado que desempenham papéis importantes, a saber: as aves
Passeriformes são responsáveis pela polinização, dispersão de sementes e controle de pragas; já as Não-
Passeriformes atuam no controle de populações de pequenos animais e na polinização (GASPARINI, 2021).
30
20
16
Espécies Famílias
Passeriformes Não-Passeriformes
São aves pequenas, de bico forte e curvo, com olhos grandes e geralmente posicionados em uma posição
alta na cabeça, permitindo que as aves tenham uma visão panorâmica. A maioria das espécies apresenta uma
cauda curta ou média, podendo apresentar também cauda longa, como o rabo-de-tesoura (Tyrannus savana).
Apresentam sistema vocal altamente desenvolvido, com muitas espécies sendo capazes de imitar os sons de
outras aves ou de outros sons do ambiente. Geralmente, são revestidos de plumagem discreta, com hábitos
insetívoros e territorialistas (WikiAves, 2023).
Em áreas de cerrado, muitas espécies dessa família são adaptadas às condições de clima e vegetação,
sendo consideradas um grupo-chave para a conservação desse bioma (SICK, 1997). Além disso, a maioria das
espécies são capazes de utilizar habitats secundários e áreas degradadas, tornando-se abundantes,
principalmente, as mais generalistas, o que pode aumentar sua representatividade em áreas de cerrado que sofrem
com modificações antrópicas (RICKLEFS, 2011).
A riqueza de espécies de aves registradas neste estudo pode ser observada com base no esforço amostral
(Figura 5.22). Para o levantamento da avifauna na área de instalação da Fazenda CR I, II, III e IV, foram
relacionadas 50 espécies, em que 50% foram identificadas pelo conjunto de métodos de avistamento (AV). Cerca
de 26% foram registradas pelo método de entrevista a moradores locais (ENT), 22% pela integração dos métodos
(AV/ENT), e apenas 2% com base em avistamento e vestígios (AV/VE) de ocorrência na área.
ENT
26%
AV/VE AV
2% 50%
AV/ENT
22%
O maior número de espécies registradas por avistamento corrobora com os resultados esperados, visto a
influência da sazonalidade se tornar um componente importante para determinar a riqueza e a abundância das
espécies em uma determinada área, permitindo registrar grupos que estavam em maior atividade, facilitando os
registros (CURCINO et al., 2007).
Com relação a classificação trófica da comunidade de aves ocorrentes na área da Fazenda CR I, II, III e
IV, observou-se que a maioria dos indivíduos não apresentam dependência com o ambiente que estão inseridos,
em que 52% possuem hábito alimentar onívoro (ON), conforme mostra a Figura 5.23. As espécies onívoras
ampliam sua distribuição geográfica a medida que ocorre alteração no meio, sendo capazes de adaptar-se aos
locais antropizados (DARIO, 2008).
GUILDA TRÓFICA
Onívoro 52,0%
Carnívoro 18,0%
Insetívoro 14,0%
Frugívoro 8,0%
Granívoro 8,0%
A espécies de hábitos onívoros que ocorrem no cerrado, geralmente, possuem uma dieta variada, incluindo
frutos, sementes, insetos e pequenos vertebrados. Essas aves, geralmente, se adaptam bem às condições
sazonais do bioma, que apresenta períodos de seca e chuva. Durante o período de chuvas, se alimentam,
principalmente, de frutos e sementes, que são abundantes nessa época do ano. Já durante o período de seca,
tendem a se alimentar mais de insetos e outros artrópodes (SOUSA, 2021).
Analisando as espécies que ocupam as áreas de influência do empreendimento e seus comportamentos
de forrageio, observa-se que a maioria utiliza tanto o estrato terrestre quanto a copa das árvores para buscar
alimentos (24%) (Figura 5.24). Esses indivíduos apresentam diferentes estratégias de forrageamento que são
adaptadas ao ambiente em que vivem e aos tipos de alimentos que buscam.
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As espécies que forrageiam o chão, geralmente, buscam por sementes, frutas e insetos, ou ainda usam
da camuflagem para se misturar ao ambiente e se proteger de predadores enquanto buscam alimentos; já as que
forrageiam na copa das árvores geralmente procuram por alimentos como frutas, néctar, insetos e pequenos
vertebrados (ROCHA et al., 2015).
De modo geral, na área da Fazenda CR I, II, III e IV, observou-se a presença de muitas aves generalistas,
que forrageiam em diversos estratos, como a anhuma (Anhima cornuta), curicaca (Theristicus caudatus) e a garça-
branca (Ardea alba) que utilizam de diferentes estratégias de forrageamento para sua sobrevivência.
24,0%
20,0%
16,0%
10,0%
8,0%
6,0%
4,0% 4,0% 4,0%
2,0% 2,0%
28,0%
2,0%
L M H
As espécies registradas na área da Fazenda CR I, II, III e IV caracterizam-se por apresentar em sua
maioria, indivíduos generalistas, de elevada plasticidade ambiental e tolerância as modificações no ambiente,
indicando baixa preocupação em relação aos impactos decorrentes da criação de gado. Entretanto, apesar dos
baixos impactos à comunidade de aves, é importante manter áreas conservadas em regiões de cerrado, visto
disponibilizarem os recursos necessários para a conservação e manutenção das comunidades. Na Tabela 5.14
estão relacionadas as principais espécies que foram registradas na área durante o esforço amostral.
Tabela 5.14. Aves registradas nas áreas de influência da Fazenda CR I, II, III e IV
A avifauna do bioma cerrado é muito rica, tendo registros de mais de 837 espécies. Contudo, o número de
espécies endêmicas é considerado baixo, aproximadamente 3,42%. O baixo índice de endemismo das aves do
cerrado deve-se ao fato da sinergia com outros biomas, o que influencia diretamente na possibilidade das espécies
migrar e se dispersar para outras áreas, o que reduz a pressão seletiva para a evolução de espécies endêmicas
(ICMBio, 2023). Nesse sentido, dentre as espécies registradas na área, destacaram-se a codorna-do-nordeste
(Nothura boraquira), o batuqueiro (Saltatricula atricollis), e a gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus). São
indivíduos de ocorrência restrita ao bioma, sendo consideradas bioindicadoras da qualidade do meio devido as
exigências quanto à vegetação (ROCHA et al, 2015; SICK, 1997).
Quanto as espécies de importância econômica, as aves estão entre os animais que mais sofrem pressões
antrópicas na perspectiva nutricional, visto que há uma grande procura por ser uma importante fonte alimentícia
para comunidades, devido sua grande diversidade, riqueza de espécimes e valor proteico (MENDONÇA et al.,
2016), especialmente, alguns indivíduos da família Columbidae, a saber: avoante – Zenaida auriculata; sangue-
de-boi – Columbina talpacoti; juriti – Leptotila verreauxi; e fogo-apagou – Columbina squammata.
Uma outra ameaça que as comunidades de aves são acometidas tem sido a captura exagerada para
fornecer ao tráfico de animais silvestres, aliada à caça predatória que muitas vezes supera o caráter de
subsistência (ALVES et al., 2013; MENDONÇA et al., 2016). Como também, a criação doméstica desses animais
(GAMA; SASSI, 2008). Essas intervenções humanas são práticas mantidas por populações, ocasionando o
declínio desses animais. Neste estudo, uma espécie registrada é frequentemente utilizada para essa prática, a
saber: o periquito-rei (Eupsittula aurea).
Com relação as espécies ameaçadas de extinção no âmbito global e nacional, apenas uma ocorrente na
área da Fazenda CR I, II, III e IV encontra-se categorizada na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas –
International Union for Conservation of Nature (IUCN – 2022.1) e na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas
de Extinção – Portaria MMA Nº 148 de 2022, a saber: Jacu (Penelope jacucaca) (Foto 5.12).
A Penelope jacucaca, também conhecido como Jacu, é uma espécie endêmica da caatinga (LIMA, 2021),
com hábitos terrestres e dieta frugívora (SICK, 1997). Atualmente, encontra-se classificada como vulnerável (IUCN,
2023; MMA, 2022), em razão dos decréscimos populacionais devido à perda de habitat e à caça ilegal. É
considerada uma das espécies mais afetadas, apresentando reduções populacionais significativas nos últimos
anos (BEZERRA et al., 2019), e por isso é considerada como espécie de alta prioridade para conservação. Em
suas áreas de ocorrência, P. jacucaca apresenta alta preferência cinegética, no qual vem sofrendo uma
consequente pressão da caça (FERNANDES-FERREIRA et al., 2012).
Foto 5.10. Penelope jacucaca registrada em diferentes áreas da Fazenda CR I, II, III e IV
Penelope jacucaca
Fonte: WMetria, 2023.
• Resultados mastofauna
O Brasil abriga aproximadamente 10% dos mamíferos do mundo, cuja riqueza é de 775 espécies (SBM,
2023), o que representa uma grande diversidade em termos globais. O Cerrado apresenta aproximadamente 227
espécies (WWF, 2021), o que o torna o segundo bioma mais rico e abundante do país, sendo um dos principais
hotspots para a conservação dessas comunidades (ICMBio, 2023). O cerrado piauiense apresenta um número de
destaque, no qual estima-se que ocorram aproximadamente 80 espécies de mamíferos no bioma (SEMAR-PI,
2020).
Apesar da grande importância, a mastofauna do cerrado vem sendo afetada negativamente pelo processo
de fragmentação associadas às alterações na paisagem oriundas, sobretudo, da agricultura e pecuária, que tem
se intensificado no sul do estado. As consequências decorrentes desse processo têm acelerado o risco de extinção
de espécies endêmicas e limitado a presença de indivíduos de grande porte, que por necessitarem de grandes
áreas de vida, são mais suscetíveis à redução de populações e extinções locais (OLIVEIRA et al., 2019; COLLI et
al., 2020).
O levantamento de mamíferos em uma região é o primeiro passo para realização de planos de manejo e
conservação. Nesse contexto, listar os representantes da mastofauna em áreas que sofrerão antropização é de
grande importância, pois permite avaliar o padrão de distribuição das espécies inerentes ao contexto geral da área
do empreendimento, além de avaliar os aspectos ecológicos relacionados à criação de gado e os possíveis
impactos sobre as populações de mamíferos silvestres.
Assim, com base no esforço amostral para a caracterização da mastofauna presente na região do
empreendimento e nos limites das suas áreas de influências, foi possível registrar um total de 11 espécies,
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distribuídas em 06 ordens e 10 famílias, sendo todas de pequeno-médio porte. Na Tabela 5.15 consta as
informações referentes a classificação taxonômica das espécies, nomes comum e científico, tipo de registro,
categoria trófica, bem como suas respectivas categorias de conservação.
A ordem Rodentia abrangeu a maior diversidade e abundância de espécies e famílias, no qual representou
27,27% e 30% de toda a população, respectivamente (Figura 5.26). Em levantamentos da mastofauna em regiões
de cerrado esta ordem é quase sempre a mais numerosa, pois são animais muito adaptados à ambientes variados,
sendo capazes de explorar diferentes nichos ecológicos, condição presente no bioma (ICMBio, 2023).
2 2 2 2 2
1 1 1 1 1
Além disso, conseguem aproveitar uma grande variedade de recursos alimentares, incluindo sementes,
frutas, folhas, raízes e insetos, sendo considerados dispersores de sementes, desempenhando papéis importantes
no funcionamento dos ecossistemas (ZENG et al., 2019). Muitas espécies possuem habilidades de escavação, o
que lhes permite construir tocas, protegendo-as contra predadores e condições climáticas adversas. Outro fator
importante é a reprodução rápida e em grande escala. Por essas razões, é considerada uma ordem-chave de
mamíferos do cerrado, sendo capazes de colonizar uma ampla variedade de habitats (EMBRAPA, 2008).
Quanto à representatividade por famílias, Didelphidae abrangeu a maior riqueza de espécies, com
aproximadamente 18,18% do número total de indivíduos (Figura 5.27). Os representantes dessa família,
frequentemente, estão entre os mais numerosos em levantamento da mastofauna em regiões de cerrado, devido
ser animais de hábitos generalistas e adaptáveis, capazes de explorar diferentes nichos ecológicos (WWF, 2021).
Essa família compreende à pequenos roedores e marsupiais, no qual são considerados bons indicadores
de alterações do habitat. Além disso, influenciam na dinâmica florestal através da predação de sementes e
plântulas, e da dispersão de sementes e fungos micorrízicos, ao passo que o uso de espécies como bioindicadoras
está relacionado à especificidade das mesmas no uso de micro-habitats (FARIA; KAIZER, 2020). Neste estudo
foram registradas duas espécies dessa família, a saber: o Didelphis albiventris (gambá) e a Didelphis marsupialis
(mucura).
Figura 5.27. Famílias que apresentaram maior número de espécies durante a campanha de amostragem
ESPÉCIES
O esforço amostral foi calculado considerando o número total de métodos de registros utilizados no
levantamento. Desse modo, o levantamento da mastofauna para a área da Fazenda CR I, II, III e IV totalizou uma
riqueza de 11 espécies, em que a maioria (55%) foi registrada pelo conjunto de métodos de avistamento. Além
disso, cerca de 27% foram catalogadas por entrevista a moradores, e em apenas 18% utilizou-se os métodos de
avistamento e de vestígios para auxiliar nas identificações (Figura 5.28). De modo geral, a utilização de métodos
combinados no levantamento da mastofauna pode fornecer uma visão mais completa e precisa da composição de
espécies presente na área de estudo, bem como informações adicionais sobre os hábitos e ecologia dos indivíduos
(SBM, 2023).
ENT
27%
AV
55%
AV/VE
18%
AV AV/VE ENT
O cerrado é caracterizado por um clima sazonal com períodos de seca e chuva, o que pode levar a
mudanças na disponibilidade de recursos alimentares ao longo do ano. Analisando o esforço amostral para a área
da Fazenda CR I, II, III e IV, cerca de 64% das espécies apresentam hábito alimentar onívoro, esse resultado
reflete o padrão do bioma, em que predomina espécies de hábitos generalistas.
Esta classe é considerada uma das classes mais importantes por explorar mais de uma categoria trófica,
consumindo alimentos com alta e baixa taxa calórica, variando apenas na contribuição quantitativa desses recursos
(BOCCHIGLIERI et al., 2010). Neste estudo foi possível registrar a ocorrência de alguns representantes deste
grupo, dentre eles: o gambá (Didelphis albiventris), a mucura (Didelphis marsupialis), a raposa (Cerdocyon thous),
soim (Callithrix jacchus), e o macaco bugio-preto (Alouatta caraya) que foram as espécies mais recorrentes durante
o levantamento (Figura 5.29).
Guilda Trófica
HERBÍVORO 36%
ONÍVORO 64%
De modo geral, na área da Fazenda CR I, II, III e IV, a maioria das espécies de mamíferos apresentam
pequeno porte, de hábitos generalista, solitários e noturnos, sendo de difícil visualização em condições naturais,
transformando o estudo de suas populações em um desafio (BECKER; DALPONTE, 1991). Apesar disso, alguns
indivíduos apresentam valor conservacionista, o que ratifica a importância da manutenção dos fragmentos
florestais como áreas de refúgio, alimentação ou deslocamento da mastofauna silvestre. No quadro consta o rol
das principais espécies e vestígios registrados na área do empreendimento durante o levantamento (Tabela 5.16).
A mastofauna do cerrado é caracterizada pela elevada riqueza de espécies, porém, pelo baixo índice de
endemismo, especialmente, de indivíduos exclusivos de ambientes abertos (MARINHO-FILHO et al., 2012). Devido
a heterogeneidade de ambientes, o cerrado abriga um grande número de mamíferos inerentes a outros biomas.
Neste estudo, nenhuma espécie possui distribuição restrita ao bioma.
Além disso, a caça e a captura são hábitos corriqueiros na maioria das regiões, o que torna o grupo dos
mamíferos um alvo constante, influenciando diretamente na estruturação dos ecossistemas (MACHADO-SILVA,
2012). Neste levantamento, duas espécies registradas tem sido alvo de caçadores e moradores que os buscam
para fins de comércio e/ou subsistência, a saber: o Tatuí (Dasypus septemcinctus) e o Tatu-peba (Euphractus
sexcinctus).
Quanto as categorias de conservação, apenas o macaco bugio-preto (Alouatta caraya) está relacionado à
Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas – International Union for Conservation of Nature (IUCN – 2022.1)
como status de quase ameaçado de extinção (NT), porém, não consta na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas
de Extinção – Portaria MMA Nº 148/2022 (Foto 5.12).
O bugio-preto é uma espécie de macaco que habita as áreas de florestas e cerrados. Atualmente,
considera-se que essa espécie esteja em perigo iminente de extinção. De acordo com a IUCN (2023), o Alouatta
caraya foi listado com status de quase ameaçado de extinção (NT), devido as ameaças significativas em algumas
partes de sua distribuição geográfica, incluindo a perda e a fragmentação do habitat, além da caça (SILVEIRA,
2023). Morfologicamente, as fêmeas apresentam coloração amarelada, diferente dos machos, que são pretos.
Quando adultos, emitem vocalizações que podem alcançar longas distâncias como forma de marcação de território
e organização do grupo. Sua alimentação é baseada em folhas, sementes, frutos e flores. No geral, são animais
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
Licenciamento do Meio Físico Meio Socioeconômico da Fauna da flora
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 142 de 265
RIACHO FRIO – PI
bem adaptados à ambientes antropizados, sendo ainda utilizados como indicadores da presença do vírus da febre
amarela, pois são sensíveis ao vírus, levando a morte de muitos indivíduos (BICCA-MARQUES, 2013).
Alouatta caraya
Fonte: WMetria, 2023.
• Resultados herpetofauna
O Brasil abriga a maior diversidade de espécies de anfíbios do planeta, com mais de 1.188 espécies
(SEGALLA et al., 2021) e possui a terceira maior riqueza de répteis, com aproximadamente 795 espécies
registradas (COSTA; BÉRNILS, 2018). Apesar disso, suas populações estão sofrendo declínio, em razão da
degradação do solo e dos ecossistemas nativos, especialmente, nas regiões de cerrado (KLINK; MACHADO,
2005).
A diversidade da herpetofauna depende da integridade dos ambientes florestais para sua sobrevivência,
o que os torna vulneráveis à ambientes de cerrado, principalmente, em decorrência da intensa antropização.
Anfíbios e répteis ocupam habitats similares e são igualmente vulneráveis às perturbações antrópicas (GIBBONS,
2000). Os anfíbios apresentam sensibilidade as mudanças ambientais por apresentarem ovos e larvas
dependentes da água, respiração cutânea e intensa troca de água com o ambiente (MARCO, 2003), enquanto que
os répteis apresentam alta especificidade de habitat e pouca capacidade de deslocamento (PEREIRA et al., 2018),
razão em que ambos são considerados bons indicadores do estado de conservação dos ambientes (FARIA et al.,
2007).
Na região dos cerrados, devido ao crescente aumento do desmatamento e das ações antrópicas,
especialmente da agricultura e pecuária, as populações herpetofaunísticas tem sofrido declínios e
consequentemente, extinções. Neste sentido, é de extrema importância que se entenda a distribuição das
espécies, suas necessidades ecológicas e as ameaças em que estão sujeitas frente as modificações nos meios
provocados pelas atividades que serão desenvolvidos na área do empreendimento em questão.
Para o levantamento de répteis e anfíbios que ocupam as áreas de influência da Fazenda CR I, II, III e IV
empregou-se a totalidade dos métodos de amostragem. Foram registradas um total de 01 espécies de anfíbios
(6,7%), 12 espécies de répteis terrestres (80%), 02 espécies de artrópodes (13,14%), totalizando 15 espécies, na
qual estão inseridas em 04 ordens e 11 famílias, conforme mostra a Tabela 5.17.
ORDEM/FAMÍLIA/NOME CIENTÍFICO NOME COMUM MÉTODO DE IDENTIFICAÇÃO IUCN 2023 MMA 2022
Anura
Leptodactylidae
Physalaemus cicada Sapinho ENT LC NC
Araneida
Theraphosidae
Iridopelma hirsutum Caranguejeira ENT NC NC
Scorpiones
Buthidae
Tityus stigmurus Escorpião ENT NC NC
Squamata
Amphisbaenidae
Amphisbaena alba Cobra-de-duas-cabeças ENT LC NC
Chamaeleonidae
Chamaeleo chamaeleon Camaleão ENT LC NC
Colubridae
Chironius bicarinatus Cobra-cipó ENT LC NC
Dipsadidae
Erythrolamprus aesculapii Coral-falsa ENT LC NC
Philodryas livida Corre-campo AV VU VU
Iguanidae
Iguana iguana Iguana ENT LC NC
Teiidae
Ameiva ameiva Bico-doce ENT LC NC
Cnemidophorus ocellifer Calango ENT LC NC
Salvator merianae Teju AV LC NC
ORDEM/FAMÍLIA/NOME CIENTÍFICO NOME COMUM MÉTODO DE IDENTIFICAÇÃO IUCN 2023 MMA 2022
Tropiduridae
Viperidae
Legenda: Registro: AV – avistamento; ENT – entrevista; VE – vestígios. Status de Conservação: NC – Não-consta; DD – Dados-
insuficientes; LC – pouco preocupante; NT – quase ameaçada; VU – Vulnerável; EM – Em perigo; CR – Criticamente em perigo; EW –
Extinto da natureza.
Fonte: WMetria, 2023.
Com base na biodiversidade, a ordem Squamata abrangeu a maior riqueza e abundância de espécies e
famílias, sendo representada por 72,7% do número total de famílias e 80% do total de espécies, conforme mostra
a Figura 5.30. É considerada a ordem mais numerosa em levantamentos da herpetofauna em áreas de cerrados,
principalmente, em razão da adaptabilidade das espécies, no qual podem ser encontradas em uma grande
variedade de habitats (GUERRA et al., 2022). Além disso, seus representantes variam muito em tamanho, podendo
ser encontrados em diversos níveis tróficos dentro do ecossistema. De modo geral, a maioria dos indivíduos
pertencente à esta ordem desempenham funções ecológicas no ambiente, atuando como predadores de pequenos
animais, ajudando a manter o equilíbrio do ecossistema (GUERRA et al., 2022).
Figura 5.30. Riqueza taxonômica amostrada dentro dos grupos da herpetofauna na área do empreendimento
A identificação das espécies foi feita através do resultado do esforço amostral realizado na área. Desse
modo, observou-se que a maioria das espécies foram identificadas pelo método de entrevista (80,00%), e apenas
20% das espécies foram catalogada pelo conjunto de métodos de avistamento (Figura 5.32). De modo geral,
algumas espécies de répteis e anfíbios têm hábitos e comportamentos que dificultam sua detecção e registro em
campo, entretanto, apresentam ampla distribuição no bioma.
Métodos de Registros
AV
20%
ENT
80%
AV ENT
Philodryas livida
Fonte: WMetria, 2023.
O Cerrado é uma região de grande diversidade de espécies de répteis e anfíbios, muitas das quais são
endêmicas, ou seja, só ocorrem nessa região. Atualmente, estima-se que aproximadamente 30% das espécies de
répteis e 15% das espécies de anfíbios do cerrado são endêmicas (SBH, 2023). Neste estudo, nenhuma espécie
foi considerada de ocorrência restrita ao cerrado, pois, a maioria ocorre no bioma caatinga.
A perda de habitat e a fragmentação do bioma representam as ameaças mais significativas para a
biodiversidade da região, incluindo as espécies endêmicas de répteis e anfíbios. Neste estudo, dentre as espécies
registradas, apenas uma está relacionada à Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção – Portaria MMA
Nº 148/2022 e a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas – International Union for Conservation of Nature
(IUCN – 2022.1), categorizada como vulnerável (VU) nas duas listas, a saber: a cobra corre-campo (Philodryas
livida).
A corre-campo (Philodryas livida) é uma espécie que vive apenas em regiões de topos de planalto onde a
vegetação se limita a capins, arbustos e árvores muito esparsas, nos chamados campos limpos ou campos sujos
do cerrado brasileiro. É o tipo de território que vem sendo amplamente utilizado pela agricultura mecanizada para
a produção de milho e soja, e para a exploração da pecuária (NOGUEIRA et al., 2019). Por esses motivos,
Philodryas livida foi categorizada como vulnerável (VU) nas listas global e brasileira.
• Resultados Ictiofauna
O cerrado abriga as nascentes das principais regiões hidrográficas do Brasil, sendo considerada a “caixa
d'água” do país, pois é responsável pela origem de importantes bacias hidrográficas, que abastecem grande parte
do território brasileiro (OLIVEIRA et al., 2014). Contudo, o aumento da degradação ambiental no bioma vem
provocando impactos ambientais em larga escala na biodiversidade (SANTOS et al., 2017), sobretudo, aos
ecossistemas aquáticos.
Portanto, devido à estrutura paisagística em que os corpos d’água estão inseridos, a implantação de
empreendimentos agrícolas e pecuários têm promovido alterações nas características internas dos hábitats
(CASTRO et al., 2018). O desmatamento também tem promovido uma maior entrada de sedimentos finos, além
de favorecer maior entrada de luz, alterando a base energética dos rios e riachos (BOJSEN; BARRIGA, 2002).
Nesse contexto, foram registradas nas áreas de influências da Fazenda CR I, II, III e IV e em seu entorno
um total de 18 espécies de peixes de água doce, distribuídas em 12 famílias e 05 ordens (Tabela 5.18). A
diversidade encontrada se dá em razão da ampla variedade de formas e padrões comportamentais inerentes às
áreas do cerrado. Apesar disso, sabe-se que a riqueza da ictiofauna do bioma ainda é pouco estudada.
ORDEM/FAMÍLIA/NOME CIENTÍFICO NOME COMUM MÉTODO DE IDENTIFICAÇÃO IUCN 2023 MMA 2022
Characiformes
Anostomidae
Schizodon dissimilis Piau ENT LC NC
Characidae
Astyanax bimaculatus Piaba-rabo-de-ouro ENT LC NC
Piaractus mesopotamicus Pacú ENT NC NC
Pygocentrus nattereri Piranha ENT NC NC
Curimatidae
Curimata macrops Branquinha ENT LC NC
Erythrinidae
Hoplias malabaricus Traíra ENT LC NC
Prochilodontidae
Prochilodus lineatus Curimatá ENT NC NC
Clupeiformes
Clupeidae
Sardinella brasiliensis Sardinha ENT DD NC
Gymnotiformes
Gymnotidae
Gymnotus carapo Sarapó ENT LC NC
ORDEM/FAMÍLIA/NOME CIENTÍFICO NOME COMUM MÉTODO DE IDENTIFICAÇÃO IUCN 2023 MMA 2022
Myliobatiformes
Potamotrygonidae
Perciformes
Cichlidae
Sciaenidae
Siluriformes
Auchenipteridae
Aucheniptridae
Pimelodidae
Legenda: Legenda: Registro: AV – avistamento; ENT – entrevista; VE – vestígios. Status de Conservação: NC – Não-consta; DD –
Dados-insuficientes; LC – pouco preocupante; NT – quase ameaçada; VU – Vulnerável; EM – Em perigo; CR – Criticamente em perigo;
EW – Extinto da natureza.
Fonte: WMetria, 2023.
Quanto a abundância e diversidades dos indivíduos, observa-se que ordem dos Characiformes foi
considerada a de maior riqueza, abrangendo 41,67% do número total de famílias e 44,44% das espécies (Figura
5.33). Esta ordem é considerada uma das mais importante em levantamento de água doce, pois alguma espécies
têm grande importância econômica, especialmente, na pesca comercial.
Os Characiformes são amplamente distribuídos em diferentes tipos de ambientes aquáticos, incluindo rios,
lagos, riachos e lagoas. O cerrado tem uma grande variedade de ambientes aquáticos, o que aumenta a
probabilidade de haver muitas espécies no bioma (ICMBio, 2023). Dentre as espécies relatadas no levantamento,
destaca-se a piranha (Pygocentrus nattereri) e o piau (Schizodon sp.)
Famílias Espécies
No levantamento ictiofaunístico inerente à área de instalação da Fazenda CR I, II, III e IV, observou-se
uma maior representatividade de espécies dentro das famílias Characidae e Pimelodidae, no qual cada uma
abrangeu 16,7% do número total de espécies (Figura 5.34).
Figura 5.34. Proporção de espécie por famílias amostradas na área de instalação do empreendimento
Riqueza de Famílias
Sciaenidae 1
Prochilodontidae 1
Potamotrygonidae 1
Anostomidae 1
Gymnotidae 1
Erythrinidae 1
Curimatidae 1
Clupeidae 1
Cichlidae 2
Aucheniptridae 2
Pimelodidae 3
Characidae 3
Essas famílias são consideradas as de maior ocorrência em levantamento realizados no bioma cerrado.
Além disso, são consideradas importantes para os ecossistemas aquáticos por serem dispersores de sementes
da vegetação ciliar e serem base da cadeia alimentar de outros peixes, de aves e mamíferos aquáticos (GOMIERO;
BRAGA, 2003).
Quanto aos métodos de registros das espécies de peixes ocorrentes na área de instalação da Fazenda
CR I, II, III e IV, todas as espécies foram registradas por entrevistas a moradores locais, devido à sazonalidade do
esforço amostral. Desse modo, para estimar e caracterizar a diversidade da ictiofauna da área, fez-se necessário,
além das entrevistas, a adoção de pesquisas básicas com o objetivo de inventariar as espécies presentes.
A extinção de espécies de peixes endêmicas está aumentando em uma proporção maior do que a
destruição dos ecossistemas aquáticos. Vários estudos têm demonstrado que as populações de peixes em todo o
mundo estão diminuindo rapidamente, com muitas espécies ameaçadas de extinção. No Brasil, essa situação é
alarmante, especialmente, no cerrado, devido suas populações serem ainda pouco conhecidas e os ecossistemas
cada vez mais degradados (IUCN, 2023).
Inserido nesse contexto, nenhuma espécie foi considerada endêmica do bioma nesse estudo, pois devido
a dinâmica desses indivíduos (espécies migradoras), estes podem ter se adaptado a diversos ambiente,
evidenciando sua plasticidade alimentar (em função da disponibilidade de alimento), além da adaptação
comportamental, o que é recorrente entre as espécies que ocorrem no cerrado.
Para determinação do estado de conservação, a lista de espécies coletadas foi cruzada com as listas Lista
Vermelha das Espécies Ameaçadas – International Union for Conservation of Nature (IUCN – 2023) e com a
Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção – Portaria MMA Nº 148/2022. Desse modo, nenhuma espécie
foi categorizada em ambas as listas
As unidades de análise para o meio socioeconômico dizem respeito a população dos municípios
piauienses Redenção do Gurgueia e Riacho Frio, os quais compõem ainda a Área de Influência Indireta (AII) e
suscetíveis de sofrer impactos indiretos do empreendimento, em todas as suas fases.
O diagnóstico foi elaborado a partir de uma base de dados secundários tendo os municípios de Riacho
Frio e Redenção do Gurguéia como unidades de análise. A base de dados secundários utilizada foi construída a
partir de levantamentos bibliográficos e em bases de dados oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE); Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP); Ministério da Saúde
(DataSus); Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Fundação Nacional do Índio (FUNAI); e Fundação Cultural
Palmares (FCP), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), dentre outros. Foram usados,
também, dados do Governo do Estado, assim como das Prefeituras Municipais e fontes de portais públicos na
internet e referências bibliográficas.
Os dados secundários foram complementados por dados primários, coletados em visita de campo
realizada em agosto de 2022, por meio de observações visuais e entrevistas semiestruturadas dirigidas a
população residente e proprietários de estabelecimentos rurais existentes na Área de Influência Direta (AID). Além
disso, foram feitos registros fotográficos em diversos pontos dos municípios, priorizando a obtenção de
informações sobre a infraestrutura, condições de saúde, educação, lazer, comércio local, entre outras.
A área de estudo do meio socioeconômico para a Fazenda CR I, II, III e IV abrange os municípios
piauienses Riacho Frio e Redenção do Gurgueia, localizados no sudoeste do Estado. Para definição das áreas de
influência em relação ao meio socioeconômico, foram consideradas as possíveis interações entre o
empreendimento e aquele meio e vice/versa.
Apresentamos, a seguir, definição para as áreas de influência para este diagnóstico:
• Área Diretamente Afetada (ADA): corresponde à área ocupada pelo imóvel rural. É nessa área que ocorre
os efeitos diretos da atividade produtiva, portanto, a geração de recursos diretos da atividade florestal e
pecuária.
• Área de Influência Direta (AID): definiu-se, além da própria área diretamente afetada, as comunidades
urbanas localizadas próximas e na extensão da via de acesso ao empreendimento.
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RIACHO FRIO – PI
• Área de Influência Indireta (AII): situam-se os componentes socioambientais inseridos nos territórios dos
municípios de Riacho Frio e Redenção do Gurguéia, os quais receberão mudanças advindas da
implantação e operação do empreendimento, em relação ao uso e ocupação do solo.
A divisão da área de influência em AII e AID pretende-se dar conta da caracterização das áreas que
sofrerão impactos distintos do projeto agrícola, considerando o tipo de impacto potencial que pode ocorrer, ou seja,
indireto e direto.
No Mapa 5.10, observa-se os aglomerados urbanos localizados nas áreas de influência do
empreendimento. Para definir as comunidades a serem pesquisadas com maior detalhe, realizou-se um trabalho
de interpretação de imagens de satélite, mapeando-se os aglomerados existentes no entorno da área de
implantação do empreendimento e vias de acesso. A Tabela 5.19 mostra a classificação de cada estrutura
populacional identificada nas áreas de influência do empreendimento.
Os municípios integrantes da AII, a saber: Riacho Frio e Redenção do Gurguéia, estão localizados na
porção Sudoeste do estado do Piauí e pertencem a Região Intermediária Corrente – Bom Jesus (IBGE, 2017). O
município de Redenção do Gurgueia está localizado a cerca de 662 km de Teresina, capital do estado do Piauí.
Possui uma área territorial de 2.470,531 km2, tendo como municípios limítrofes, Bom Jesus ao Norte, Curimatá ao
Sul, Bom Jesus e Morro Cabeça no Tempo a Leste e Bom Jesus, Monte Alegre do Piauí e Riacho Frio a Oeste.
Pertence a microrregião do Alto Médio Gurgueia e a Região Imediata Bom Jesus.
O município de Riacho Frio compreende uma área de 2.220,598 km2 e está distante cerca de 795 km de
Teresina. Faz parte da microrregião Chapadas do Extremo Sul Piauiense e da Região Imediata de Corrente. Limita-
se ao Norte com Monte Alegre do Piauí e Redenção do Gurguéia, ao Sul om Corrente e Parnaguá, a Leste com
Parnaguá, Curimatá e Redenção do Gurguéia, e a Oeste com Monte Alegre do Piauí, Gilbués e São Gonçalo do
Gurguéia. O acesso aos municípios, a partir de Teresina, pode ser feito através das rodovias BR-343, BR-135, PI-
257 e PI-411. As rodovias estaduais (PI-257 e PI-411) são vias que interligam os municípios de Riacho Frio a
Redenção do Gurguéia, com uma extensão de 134,0 km.
O povoado que deu origem ao município chamava-se Raposa e ali chegaram para morar os senhores
Raimundo Nogueira, Vicente Tibório, Cosme Pereira e Paulino Pereira dos Santos que começaram na atividade
agrícola. Não sabe a data em que tudo começou.
Um pouco mais tarde teve início na região a exploração da pecuária. O registro oficial que se tem ata de
1930 quando foi erguida a primeira capela e em torno dela foi que realmente começou o povoamento de Redenção.
A emancipação política só ocorreu em 1962, graças ao esforço dos senhores José Dário dos Santos e Joaquim
Santos Paulino. Antes da emancipação, o povoado pertencia aos municípios de Bom Jesus e Monte Alegre do
Piauí. Foi elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Redenção do Gurgueia, pela Lei
Estadual nº 2354, de 05 de dezembro de 1962, desmembrado do município de Bom Jesus, com dede no atual
distrito de Redenção do Gurgueia, constituído do distrito sede e instalado em 26 de dezembro de 1962.
As terras que hoje formam o município de Riacho Frio foram estruturadas por escravos fugitivos de
fazendas dos estados da Bahia e Pernambuco. O município de Riacho Frio, foi desmembrado do município de
Parnaguá, com sede no povoado do mesmo nome pela Lei estadual nº 4.680, datada de 26 de janeiro de 1994.
Segundo dados do IBGE 2019, Riacho Frio é o município brasileiro com maior concentração de negros no
país, sendo 61% da população se autodeclarando como pretos. A maioria da população é descendente de
angolanos e congoleses.
No último Censo Demográfico realizado (2010), o município de Redenção do Gurguéia contabilizou 8.400
habitantes, apresentando uma densidade demográfica de 3,4 hab/km2, enquanto que Riacho Frio apresentou 1,91
hab./km2. As estimativas populacionais divulgadas pelo IBGE de 2021 apontam uma população de 8.814
habitantes em Redenção do Gurgueia e 4.306 em Riacho Frio.
A distribuição da população residente da AII é apresentada na Tabela 5.20, a partir dos dados dos dois
últimos censos. É possível aferir que, segundo os dados do IBGE, a população de modo geral cresceu ao longo
dos anos nos dois municípios de forma distinta.
Em Redenção do Gurgueia, os dados dos censos mostram que a maior parte da população residente se
encontrava na área urbana. Observa-se um crescimento da população urbana de 1,40 por ano, enquanto que a
população rural diminuiu 0,12. Entre 2000 e 2010 o crescimento populacional do município foi de 0,80.
O município de Riacho Frio apresentou crescimento populacional negativo (-0,19) no período de 2000-
2010. No censo de 2000, Riacho Frio possuía uma configuração populacional muito mais expressiva no meio
rural do que no urbano. Em 2010, o cenário populacional se inverteu, quando o número de residentes em área
urbana aumentou de modo a ultrapassar o número do meio rural, visto que este também sofreu queda de -2,51
no período em estudo.
SITUAÇÃO % DO % DO CRESCIMENTO DA
MUNICÍPIO 2000 2010
DOMICILIAR TOTAL TOTAL POPULAÇÃO
Total 7.781 100,0 8.400 100,0 0,80
Percebe-se ainda na Tabela 5.20 o percentual da população residente em área urbana em relação à
população residente total do município, ou seja, o grau de urbanização. Dessa forma, este indicador contribui para
melhor entendimento sobre a quantidade de habitantes associada ao seu local de moradia. De acordo com os
dados do censo demográfico, o grau da urbanização dos municípios da AII é relevante, pois representa que maior
parcela da população dos municípios é urbana. Entretanto, Redenção do Gurgueia se destaca como o município
com maior grau de urbanização (63,5%), já Riacho Frio possui um pouco mais da metade da população (52,4%)
no meio urbano.
A Tabela 5.21 expõe a quantidade de residentes de acordo com o sexo e a idade. Conforme os dados,
não há diferença muito significativa entre a quantidade de homens e mulheres nos municípios estudados, embora
os números da população masculina sejam um pouco maiores (50,3% em Redenção do Gurguéia e 52,3% em
Riacho Frio). As faixas etárias mais expressivas são de 15 a 59 anos, representando 57,9% da população de
Redenção do Gurgueia e 59,4% da população de Riacho Frio. As crianças/adolescentes que compreendem as
faixas de 0 a 14 anos de idade representam o segundo maior número, 33,1% em Redenção do Gurguéia e 32,5%
em Riacho Frio. A partir dos 60 anos de idade, a tendência é a redução do número de homens e mulheres de
maneira decrescente – indicando menor expectativa de vida na idade mais avançada – e com maior presença das
mulheres no município de Redenção do Gurguéia.
O saldo migratório para os municípios da AII foi obtido conforme demonstrado nas considerações
metodológicas. A Tabela 5.22 traz o cálculo de saldo vegetativo e migratório entre os dois últimos censos para os
municípios.
Tabela 5.22. Crescimento total, saldo vegetativo e saldo migratório da AII, 2000/2010 (em %)
CRESCIMENTO
SALDO VEGETATIVO SALDO MIGRATÓRIO
TOTAL
MUNICÍPIO
NÚMEROS NÚMEROS NÚMEROS
% % %
ABSOLUTOS ABSOLUTOS ABSOLUTOS
Redenção do Gurgueia 619 100 642 16,2 23 3,7
O saldo migratório entre 2000 e 2010 encontrado para o município Redenção do Gurguéia foi positivo,
demonstrando que o número de migrantes foi maior do que o de imigrantes, com 23 pessoas. Já em Riacho Frio,
o saldo migratório foi negativo, o que caracteriza um município com grande expulsão de mão de obra.
Nos municípios da AII, 100% da população residente é constituída por brasileiros natos (Tabela 5.23). Da
população residente, a maioria nasceu na Região Nordeste, seguido pelas pessoas nascidas da Região Centro-
Oeste.
Tabela 5.23. População residente por lugar de nascimento - 2010
REDENÇÃO DO GURGUEIA RIACHO FRIO
LUGAR DE NASCIMENTO TOTAL
% TOTAL (HAB.) %
(HAB.)
População Residente 8.400 100,0 4.241 100,0
Em relação aos movimentos pendulares da população, identifica-se duas principais vertentes: aqueles
motivados por trabalho e aqueles motivados por estudo em outro município que não o de residência. O Município
apresenta um percentual pequeno da população se deslocando seja para trabalhar ou estudar em outro município.
Do total de 1.585 pessoas de 10 anos ou mais de idade ocupadas em 2010, 3,03% trabalhavam em outro
município. Já aquelas que precisavam se deslocar, diariamente, para outro município para estudar contabilizou-se
73 pessoas (Tabela 5.24).
Tabela 5.24. Deslocamento diário das pessoas de 10 anos ou mais da AII, 2010
políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável fundado nas atividades agrícolas e
pecuárias que resultem na melhoria da qualidade de vida da população. Assim, a incorporação de novas áreas
agrícolas serve como possibilidade de vetor de crescimento.
A organização social do município dispõe de um grau de unificação relevante com a formação de grupos
de interesse coletivo ligados às relações de classes, distribuição ocupacional, dentre outros. A maior parte desses
grupos formaram associações comunitárias, bem como a criação de sindicatos de classes.
Nos municípios da AII, existem organizações sociais voltadas principalmente a defesa de direitos sociais.
Segundo informação do IPEA existiam oficialmente 47 organizações sociais na AII, como associações
comunitárias, associações de produtores rurais, conselho escolar, atividades de rádio, organizações religiosas, de
assistência a idosos, pessoas com deficiência, imunodeprimidos e convalescentes (Foto 5.15).
De um modo geral, a área da AII apresenta 46.912,000 hectares ocupados por diferentes tipos de uso da
terra (Tabela 5.25). Cerca de 68,18% está coberta por formação savânica, 15,24% por formação campestre e
8,74% por formação florestal. As áreas agropecuárias (soja, pastagens, agriculturas e lavouras temporárias)
ocupam 6,48% das terras. As áreas urbanizadas ocupam apenas 0,48% (20,8 ha) da área de influência.
Tabela 5.25. Tipo de uso e ocupação do solo nos municípios da AII – 2022
No tocante aos usos urbanos do solo, o tema é trabalhado no tópico “Caracterização das atividades
econômicas da região”, com destaque para os serviços institucionais e públicos, como os principais usos
comerciais praticados nas sedes dos municípios, dentre os quais está o comércio varejista em geral, dentre outras
atividades.
As áreas rurais se restringem ao uso do solo para a prática de atividades agropecuárias, como a pastagem
e plantação de lavouras, especialmente as temporárias, são adotados sistemas agroflorestais para diversificação
da produção agropecuária (IBGE, 2017).
Na exploração mineral de Redenção do Gurguéia destacam-se as substâncias minerais como ouro,
diamante, fosfato, calcário, minério de ferro e argila. Em Riacho Frio são autorizados a extração de minério de
cobre, fosfato, galena, ouro e diamante. Substâncias utilizadas na indústria, extração de gema, fertilizantes,
corretivo do solo, cerâmica vermelha, dentre outros (ANM, 2022).
Não foi possível, contudo, prever os parâmetros de adensamento ou as características dos futuros
possíveis assentamentos em tais áreas, pois os municípios de Redenção do Gurgueia e Riacho Frio não dispõe
de legislação especifica para o planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano,
portanto, deverá seguir às disposições da legislação federal e estadual para atender o licenciamento ambiental
para implantação do empreendimento com significativo impacto ambiental de âmbito local.
5) Estrutura fundiária
Quanto aos imóveis rurais cadastrados no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA,
2022), em Redenção do Gurguéia foram registrados 93 imóveis rurais, no qual estão inseridos em uma área total
de 63.792,93 hectares, já em Riacho Frio há 100 estabelecimentos distribuídos em 98.478,60 hectares de terras
(Tabela 5.27).
Tabela 5.27. Áreas dos estabelecimentos certificados no INCRA na AII
Quando pesquisados na base do CAR integrados no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural
(SICAR), registrou-se que nos municípios da AII predominam as grandes propriedades (superior a 16 módulos).
Em Redenção do Gurguéia há 706 propriedades, das quais 36% foram classificados como grande, 26% como
média, 24% como pequena e 14% como minifúndio. Em Riacho Frio foram registradas 912 propriedades, destas
62% são grandes propriedades, 15% são pequenas, 11% são medias e 11% são minifúndios (Tabela 5.28).
Tabela 5.28. Estabelecimentos e áreas cadastradas no sistema SICAR para os municípios da AII
Como medida de enfrentamento de concentração de terras e renda na região, o INCRA tem feito a
regularização de assentamentos de famílias. No estado do Piauí foram implementados 500 projetos de
assentamentos rurais, numa área de 1.390.860,2411 ha, com capacidade para atender 34.393 famílias (INCRA,
2022). De acordo com o INCRA existem 6 (seis) projetos de assentamentos nos municípios da área de estudo
(Tabela 5.29).
PE Estiva 1.562,33 98 98 -
PE Chapada 996,82 29 23 -
Entre os assentamentos identificados nos municípios de Redenção do Gurguéia e Riacho Frio, nenhum
está localizado em área definida como Área de Influência Direta (AID) do empreendimento.
7) Atividades agrossilvipastoris
Segundo o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, nos municípios da AII havia registro de 111.616 hectares
de áreas agropecuárias, distribuídos em 2.794 estabelecimentos. Quando observada o uso da terra (em hectares)
pelos estabelecimentos agropecuários, nota-se que em Redenção do Gurguéia mais de 50% das áreas rurais eram
utilizadas para o cultivo com espécies florestais e também usada para lavouras e pastoreio por animais (sistemas
agroflorestais), seguido pelas áreas de pastagens (34,56%), matas ou florestas (7,75%) e para o cultivo de lavouras
(7,66%) (Tabela 5.30).
Já em Riacho Frio a maior parcela das terras está destinada as pastagens (40,79%), as áreas com matas
ou florestas correspondem a 36,50%, para o sistema agroflorestal estão destinadas 20,12% e apenas 2,59% das
terras são utilizadas para lavouras.
Percebe-se que nos municípios da AII a adoção do sistema silvipastoril se dá pela associação de culturas
perenes utilizando a irrigação (banana, caju, feijão, milho, mandioca, melancia) e pela presença de animais, como
galinhas, bovinos, ovinos e caprinos, conforme detalhado no item a seguir.
A contextualização dos aspectos econômicos para a Área de Influência Indireta (AII) contempla a análise
de série história das atividades econômicas de destaque, formação das economias setoriais, o comportamento do
Produto Interno Bruto Municipal, descrição das atividades econômicas de destaque. Na análise do desempenho
econômico, o Produto Interno Bruto (PIB) é utilizado como parâmetro de produção de riqueza e o PIB per capita
avalia a divisão da riqueza produzida pela população residente.
Em 2019, o PIB cearense alcançou o montante de R$ 52,7 bilhões, com PIB per capita de R$ 16.125,00
(CEPRO, 2021). Os municípios da área de estudo obtiveram um total do PIB de mais de R$ 119,8 milhões a preços
correntes, representando 0,21% do valor total do PIB do estado do Piauí (IBGE, 2019). Considerando o PIB a
preços correntes, a composição estrutural da economia da AII ficou a seguinte: 96,64% nos setores de atividades
econômicas e 3,36% são referentes aos impostos sobre produtos líquidos (Tabela 5.31).
Tabela 5.31. Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios da AII – 2019
REDENÇÃO DO
INDICADOR RIACHO FRIO
GURGUÉIA
PIB a preços correntes - (x1.000) R$ 79.292,17 40.543,55
O município de Redenção do Gurgueia apresentou o maior valor adicionado a preços correntes de mais
de R$ 79,0 milhões, enquanto que Riacho Frio apresentou um pouco mais de R$ 40,5 milhões em 2019. A carga
tributária (peso dos impostos e demais tributos sobre a economia) de Redenção do Gurgueia foi de 6,07% do PIB
municipal e de Riacho Frio foi de 3,48%.
Dos três setores que compõem o PIB – Agropecuária, Indústria e Serviços – os municípios da área de
estudo possui uma economia fortemente pautada no setor terciário, variando de 79,71% em Riacho Frio a 85,75%
em Redenção do Gurguéia. A agropecuária tem a segunda maior contribuição, variando de 11,20% em Redenção
do Gurgueia a 16,96% em Riacho Frio (Tabela 5.32).
Tabela 5.32. Produto Interno Bruto, valor adicionado bruto a preços correntes – 2019
A indústria é uma atividade presente na área de estudo, contudo, a contribuição ao PIB do setor secundário
usualmente é baixa quando compara aos demais setores. Os dados apresentados demonstram a diferença na
estrutura econômica dos municípios da área de estudo. Dessa forma, deve-se realizar a leitura dos principais
elementos dos segmentos econômicos de forma mais cuidadosa, analisando quais são as atividades mais
relevantes em cada setor.
A. Setor primário
A composição do PIB no setor primário nos municípios da área de estudo representa uma participação de
16,39% em relação ao PIB total de Riacho Frio, e de 10,56% do PIB total de Redenção do Gurguéia. As atividades
agropecuárias predominantes na AII são a pecuária e a lavoura, além da psicultura e do extrativismo vegetal,
conforme detalhado a seguir.
Quanto à caracterização da produção pecuária dos municípios AII, nota-se que os efetivos mais presentes
nos municípios são de galináceos e de bovinos (Tabela 5.33). É possível observar que o tamanho do rebanho de
Redenção do Gurguéia é significativamente superior, com 54,8% da produção total da AII. No município de Riacho
Frio, a principal é produção de galináceos.
Tabela 5.33. Número de cabeças por tipo de rebanho por município na AII, 2020
Os dados a respeito dos produtos de origem animal, na Tabela 5.34, também apontam para maior
produção e valor obtidos em Redenção do Gurguéia do que em Riacho Frio.
A produção de leite tem alto valor econômico para os municípios (R$ 1,281 milhões), já os ovos tem valor
de produção de R$ 372 mil. Além dos efetivos de animais citados, a piscicultura tem despontado como alternativa
de diversificação de renda dos municípios da AII, com a criação da espécie tambaqui (Tabela 5.35).
Para a atividade de extrativismo, se destacam a madeira (carvão, lenha e madeira em tora), outros
produtos alimentícios e pequi nos municípios da AII (Tabela 5.36).
Quanto à caracterização da produção agrícola dos municípios da AII, a lavoura temporária se sobressaiu,
conforme informações da pesquisa de produção agrícola municipal do IBGE, no ano de 2020, sendo que os
principais produtos cultivados foram a soja, milho, cana-de-açúcar, melancia, mandioca, sorgo, feijão e o arroz
(Tabela 5.37).
O valor total dos produtos oriundos das lavouras temporárias na AII somou R$ 13,207 milhões no ano de
2020. A soja, o milho, a cana-de-açúcar e a mandioca foram os produtos agrícolas com maiores valores totais de
produção.
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
Licenciamento do Meio Físico Meio Socioeconômico da Fauna da flora
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 169 de 265
RIACHO FRIO – PI
Em Redenção do Gurguéia, a soja (grão) e o milho foram os produtos que mais ganharam destaque no
ano em análise. Foram produzidas 5.076 toneladas de soja (grão) no valor de R$ 5,076 milhões e o milho chegou
à R$ 4,620 milhões com 4.620 toneladas. Vale salientar que o município é responsável por 94,69% do valor da
produção da área de estudo, em 2020. Em Riacho Frio, o valor da produção de mandioca é o que gera maior
rendimento agrícola (R$ 300 mil), o milho é o segundo produto com o maior valor da produção no município (R$
297 mil).
A lavoura permanente é produzida somente no município de Redenção do Gurguéia com destaque para a
produção de banana (cacho) e castanha-de-caju (Tabela 5.38). O valor da produção de banana é o que gera maior
rendimento agrícola (R$ 94 mil), o de castanha-de-caju é o segundo produto com o maior valor da produção no
município (R$ 30 mil).
B. Setor secundário
A composição do PIB no setor secundário nos municípios da área de estudo representa uma participação
de apenas 3,0% em relação ao PIB total da AII. De acordo com os dados da plataforma DataSebrae (2020), a AII
conta com 21 indústrias (do setor de panificação, serralheria, confecção de roupas, cerâmica, móveis, impressão)
e 15 empresas no segmento da construção civil (Tabela 5.39).
Indústria 18 3
Construção Civil 14 1
Total 32 4
Observa-se que o maior número de empresas existentes na AII está no município de Redenção do
Gurguéia, predominando as do setor da indústria, com 18, seguida de 14 no segmento de construção. Em Ubajara
há 3 (três) indústrias e apenas uma empresa da construção civil.
C. Setor terciário
O setor terciário, que reúne atividades de comércio e serviços (Tabela 5.40), majoritariamente, exerce
influência marcante na produção de riquezas dos municípios estudados. Na AII, o segmento gerou em 2019, R$
95,332 milhões, o que corresponde a 79,55% do PIB na área de estudo.
Em 2020 foram registradas na plataforma DataSebrae 251 empresas do setor terciário na AII, incluindo
prestações de serviços de apoio à administração pública. Este montante representa 87,36% das empresas
atuantes em toda área de estudo. No setor terciário, 72,35% dos estabelecimentos estão ligados ao comércio e
27,65% ligadas à serviços (Tabela 5.40).
Comércio 176 49
Serviços 75 11
TOTAL 251 60
As atividades financeiras podem ser realizadas no município de Redenção do Gurguéia que conta com
uma agência da instituição financeira (Bradesco). Para ter acesso a outras instituições financeiras, a população
tem que se deslocar para o município de Corrente ou Bom Jesus. Os municípios da AII dispõem de um banco
postal que é acessado através dos Correios e casas lotéricas.
No que diz respeito às atividades turísticas, os municípios da AII não foram enquadrados em nenhuma
categoria de regionalização turística do estado do Piauí. Isso não quer dizer que não tenha atrativos importantes
para a população da região e que, portanto, são atrações turísticas daquele local.
O artesanato se constituiu uma importante atividade econômica para os municípios da AII. O artesanato
local é diversificado, tendo-se trabalhos em tecidos, buriti e madeira. Geralmente, os produtos são comercializados
em feiras livres e mercados local, visto que são esses espaços públicos os que mais recebem a presença de
visitantes e da população local.
D. Estrutura ocupacional
A População Economicamente Ativa (PEA) é formada pela parcela da População em Idade Ativa (PIA) que
são classificadas como pessoas ocupadas ou desocupadas com idade entre 15 a 65 anos (IBGE, 2010). A Tabela
5.42 traz a situação de ocupação da população de 10 anos de idade ou mais dos municípios da AII no ano de 2010
em números absolutos e relativos. Na área de estudo havia 4.788 pessoas em idade ativa, destas 89,35% estão
ocupadas e 10,65% desocupadas, já aquelas que não possuem idade ou condição de exercer alguma atividade
representa 51,97%.
A porcentagem de pessoas ocupadas nos municípios variou de 79,92% em Riacho Frio a 93,32% em
Redenção do Gurguéia. Já a população desocupada verificou um maior número no município de Riacho Frio
(20,08%), assim como aquelas que não possuem idade ou condição de exercer alguma atividade (57,64%).
Tabela 5.42. População de 10 anos ou mais e condição de atividade dos municípios da AII – 2010
A Tabela 5.43 demonstra as atividades da economia que mais empregam a população dos municípios da
AII são da área da administração pública e comércio, juntos empregam 92,61% do total das pessoas ocupadas em
2020, seguido pela agropecuária (5,88%) e serviços (1,51%). A remuneração média é de R$ 2.023,04.
Tabela 5.43. Informações sobre empregabilidades e remuneração média por setor dos municípios da AII - 2020
Dentre os serviços básicos e infraestrutura disponíveis nas áreas de influência do empreendimento estão:
educação, saúde, sistema viário e meios de transportes coletivos, energia elétrica, comunicação, coleta e
disposição de lixo e segurança pública.
A. Educação
Os municípios da AII são responsáveis pelas políticas, programas, estudos e investimentos da Política
Educacional. Sobre o número de docentes na AII, tem-se um total de 240 professores, que atuam em escolas
púbicas e privadas (Tabela 5.45), em todos os níveis educacionais. O maior número de docentes está alocado nas
escolas públicas municipais (200 docentes). Esclarecendo que o mesmo professor pode exercer a função de
docente em mais de uma escola ou em mais de um nível de ensino (INEP, 2021). Quanto a lotação de professores
na rede de ensino por município, Redenção do Gurgueia se sobressai integrando 158 docentes e Riacho Frio com
82 professores.
Federal - -
Estadual 46 8
Municipal 125 75
Privada 12 -
Na AII há 20 escolas, sendo 14 na área urbana e 6 na área rural. Dessas, 1 são da rede municipal de
ensino, 4 da rede estadual e 2 da rede privada (Tabela 5.46). Redenção do Gurguéia é o que possui o maior
número de escolas (14), a maioria na zona urbana. Em Riacho Frio há 6 escolas, sendo 5 na zona urbana e uma
na zona rural.
Tabela 5.46. Número de escolas existentes nos municípios da AII – 2021
Estadual 3 1
Municipal Urbana 4 4
Privada 2 -
Municipal Rural 5 1
TOTAL 14 6
Do total de matrículas realizadas no ano de 2021 (4.244) na AII, 630 estudantes estão no ensino infantil,
2.379 no ensino fundamental, 486 no ensino médio, 140 na educação profissional e 609 na Educação de Jovens
e Adultos (EJA) (Tabela 5.47).
Os municípios da área de estudo fazem parte da Coordenação Regional de Saúde de Bom Jesus, sendo
o município de Bom Jesus referência em termos de infraestrutura de saúde na região, no que diz respeito a
estrutura, equipamentos e atendimentos especializados. A Tabela 5.48 apresenta o número de estabelecimentos
de saúde segundo o tipo. Atualmente, a AII conta com 18 estabelecimentos de saúde, todos atendem pelo Sistema
Único de Saúde (SUS) (DataSUS, 2022). Os dados coletados mostram que, dentre os tipos de estabelecimentos
existentes, no município de Redenção do Gurguéia predominam os Postos de Saúde, enquanto que em Riacho
Frio são as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Além deles, a população dos dois municípios conta com uma
unidade do Samu para atendimento móvel de urgência e as Unidades Básicas de Saúde contam com Equipes de
Saúde da Família (ESF).
O quadro de profissionais que prestam serviços através do SUS aos municípios da AII é de 77 profissionais
em Redenção do Gurguéia e 41 profissionais em Riacho Frio, distribuídos entre médicos, enfermeiros, dentistas,
agentes comunitários ou de combate às endemias, além de auxiliares, técnicos e outros profissionais da saúde de
nível superior e nível médio (TabNet/DataSUS, 2022).
A região na qual será implantado o empreendimento possui infraestrutura de saúde apta a atender casos
de baixa e média complexidade. Mediante a análise apresentada, ficou evidente que o município de Redenção do
Gurguéia é o que apresenta um suporte maior em relação aos aspectos de saúde, assim como ocorre nos demais
serviços prestados à população.
Tabela 5.49. Unidades de saúde nos municípios da AII
O desenvolvimento de uma região está intrinsicamente ligado à existência de uma boa estrutura da malha
viária, uma vez que ela proporciona condições para tornar mais eficiente a locomoção da população e a distribuição
de matérias-primas e produtos. A principal via que integra o sistema viário urbano dos municípios da AII é são as
BR-343 e a BR-135, que se constituem como umas das principais rodovias do Estado, sendo de fundamental
importância para interligar à região sul a capital Teresina. A rodovia BR-135 passa pelo município de Redenção
do Gurguéia, porém é a PI-257 que corta a sede municipal. O acesso ao município de Riacho Frio pode ser feito
através da PI-257, que interliga os municípios de Redenção do Gurgueia a Curimatá, com uma extensão de 82,6
km, sendo totalmente asfaltada. Em Curimatá, segue pela PI-255 até Parnaguá por 48,5 km e, em seguida, pela
PI-411 até Riacho Frio, por aproximadamente 40,5 km. Todas as sedes municipais que compõem a AII, estão
integradas por estradas pavimentadas e com razoável estado de conservação de seu pavimento, mas ressentindo-
se também de um melhor padrão de sinalização.
O município de Redenção do Gurguéia conta com terminal rodoviário, que dispõem dos serviços das
empresas que fazem trajetos intermunicipais, bem como outras empresas para rotas interestaduais. Já em Riacho
Frio não há terminal de passageiros rodoviários e os ônibus fazem as paradas em locais estratégicos como a praça
matriz ou algum outro ponto de referência. Além dos ônibus, o transporte de passageiro intermunicipal é feito por
vans/micro-ônibus disponíveis nos municípios.
Nos municípios da AII não há aeroporto regional para voos comerciais regulares de passageiros. Além
desse, os moradores dos municípios da AII podem se deslocar até Bom Jesus que, também, dispõe de um
aeroporto regional ou à capital Teresina que possui um aeroporto com voos regulares.
De acordo com os registros no IBGE Cidades/Frota de Veículos 2021, as motocicletas e motonetas são
os preferidos dos moradores dos municípios. Os automóveis ocuparam o segundo lugar em número de veículos
Vale salientar que além de meio transporte, as motocicletas, motonetas e os utilitários são utilizados como
fonte de renda para um grande número de pessoas dos municípios. Esses tipos de veículos servem tanto para
transporte de cargas como para levar pessoas, com finalidade comercial ou não.
A água utilizada nos municípios da AII é de responsabilidade das Prefeituras Municipais e do Governo do
Estado, que fazem a captação através de poços tubulares. Em Redenção do Gurgueia o abastecimento de água
é realizado pela Companhia Municipal de Água e Esgoto de Redenção do Gurgueia (AERG) (Foto 5.17), através
de 8 poços tubulares distribuídos na sede municipal, e na zona rural a água é disponibilizado por 50 poços tubulares
perfurados nas comunidades do município, além disso, há 22 poços tubulares particulares. Em Riacho Frio a
distribuição é realizada pela Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa), através de um poço tubular na sede municipal
e na zona rural há 20 poços tubulares (CPRM, 2022).
De acordo com os dados do IBGE, a cobertura do abastecimento de água alcança somente 52,37% dos
domicílios de Riacho Frio e 81,07% de Redenção do Gurgueia. A outra parcela dos domicílios da AII não abastecido
pela companhia de água, obtém água de poços ou de nascentes, água da chuva armazenada em cisternas ou
outros recipientes, dentre outras formas.
Em períodos de estiagem prolongada, tanto os reservatórios como os poços tubulares, que ajudam no
abastecimento do Município, têm sua capacidade de acumulação de água reduzida devido ao rebaixamento do
nível do lençol freático. Ainda com base nos dados da Tabela 5.51, observa-se que em toda a área de estudo é
grande a deficiência de sistemas de esgotamento sanitário. Os dados do Censo Demográfico de 2010 mostram que
apenas 3,49% dos domicílios ocupados em Riacho Frio e 39,68% em Redenção do Gurguéia estão ligados à rede
geral de esgoto e/ou fossa séptica.
Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através da plataforma
Atlas do Desenvolvimento Humano, entre 2010 e 2013 houve crescimento no percentual da população residente
em domicílios com abastecimento de água em Redenção do Gurgueia, abarcando, em 2013, 98,12%. Em relação
à coleta de resíduos sólidos, o serviço alcançou 99,76% da população residente em Redenção do Gurgueia em
2015. O fornecimento de energia é feito pela Equatorial Energia Piauí, através do sistema da Companhia
Hidroelétrica do São Francisco (CHESF). Verifica-se que o município de Redenção do Gurguéia tem um alto
percentual da população vivendo em domicílios com acesso à energia elétrica, 96,53% e com menores percentual,
Riacho Frio com 68,90%.
E. Telecomunicação
A discriminação dos serviços de comunicação indica a presença de unidades dos serviços postais da
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) nos municípios da área de estudo, localizadas nas sedes
municipais. Os serviços de telefonia fixa convencional e móvel são disponibilizados nas sedes dos municípios, nas
sedes dos distritos e em vários povoados, pelas operadoras Claro, Tim e Vivo. Os municípios da AII dispõem de
redes de comunicação de abrangência nacional e local: Canal Rede Clube/TV Globo, TV Antena 10/Redord TV,
TV Cidade Verde PI/SBT. Outro meio de comunicação bastante popular e tradicional são as conhecidas rádios.
Entre as rádios, é notável a presença de canais transmitidos por frequência FM com alcance local.
F. Instituições financeiras
O município de Redenção do Gurguéia conta com uma agência bancária do Bradesco, já em Riacho Frio
não há nenhuma instituição bancária, o que obriga os moradores a se deslocar para os municípios mais próximos
como Corrente ou Bom Jesus. Contudo. Os municípios dispõem de um banco postal que é acessado através dos
Correios e Casas Lotéricas (Foto 5.18).
Agência bancária na sede do município de Redenção do Agência dos Correios na sede do município de Riacho Frio
Gurguéia
Fonte: WMetria, 2023.
G. Segurança pública
Na região do Território da Chapada das Mangabeiras, o sistema de segurança é gerenciado pela Polícia
Militar do Piauí, que compõe a área do Comando de Policiamento dos Cerrados. Na AII do empreendimento, o
Policiamento Militar é fornecido pelo 2ª CIA/7º BPM, com sede em Curimatá, e que atende os municípios de
Redenção do Gurguéia, Riacho Frio, Curimatá e Parnaguá.
A demanda do município de Redenção do Gurguéia quanto à segurança pública civil é realizada pela
Delegacia de Polícia Civil de Bom Jesus-PI, que conta com um delegado responsável pelas cidades de Avelino
Lopes, Júlio Borges, Morro Cabeça do Tempo e Curimatá. Já em Riacho Frio fica sob responsabilidade da
Delegacia Regional de Corrente. O Atlas da Violência 2021, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), registrou 3 mortes violentas em Redenção do Gurgueia e 1 em Riacho Frio no ano de 2019, vale
ressaltar que a taxa média estadual foi de 17,38 por 100 mil/hab.
Nos municípios da AII não há uma promotoria, caso a população necessite de serviços, deve se deslocar
para o município de Bom Jesus-PI. Na sede do município de Redenção do Gurgueia há o Cartório Único e o Fórum
que abriga a Vara única, Vara Agrária e o Juizado Especial Cível e Criminal (Foto 5.19).
1) Condições de Saúde
As condições de saúde da população são estudadas por meio de indicadores de morbidade (sintomas,
doenças e deficiências), de mortalidade e bem-estar (qualidade de vida). A partir dessas dimensões de análise,
foram elaborados painéis para a avaliação das condições de vida e saúde na população da área em estudo.
A. Morbidade e mortalidade
700
600
500
Número de Internações
400
300
200
100
0
2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
Internações
Redenção do Gurgueia 494 570 520 595 488 476 485 388 552 259
Riacho Frio 105 106 120 189 162 144 180 138 122 62
No que se refere ao número de óbitos, observa-se que no período de 2013 – 2020 permanece estável
(Figura 5.36). A média anual de mortes em Redenção do Gurguéia é de 42 óbitos, já em Riacho Frio é de 17
óbitos. Estão entre as principais causas de morte as doenças infecciosas e parasitárias, doenças dos aparelhos
circulatórios e respiratório.
60
50
40
Número de Óbitos
30
20
10
0
2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020
Redenção do Gurgueia 36 35 40 48 44 43 47 48
Riacho Frio 12 20 22 15 14 18 22 17
B. Qualidade de vida
Quanto à qualidade de vida da população da AII, a Tabela 5.52 apresenta os dados sobre o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) 1 em 2000 e 2010 dos municípios. O IDH é a síntese de três indicadores, sempre
relativa aos números de dois anos antes: renda, longevidade (ou saúde) e educação. É uma maneira padronizada
de avaliação e medida do bem-estar de uma população, especialmente das crianças e adolescentes.
O IDH municipal total dos municípios que integram a Área de Influência Indireta do empreendimento
demonstra uma evolução entre 1991, 2000 e 2010. A despeito disso, em 2010, enquadrados na categoria de
“baixo” (IDH de 0,500 a 0,599). Sendo assim, a AII apresenta indicadores de desenvolvimento humano baixos, e
isso indica que as questões básicas de saúde, renda e, principalmente, educação não cobrem todos de forma justa
e igualitária.
1 O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, alfabetização e taxa
de matrícula e, a esperança de vida ao nascer. Varia de 0 (nenhum desenvolvimento) a 1 (desenvolvimento total) e foi criado pelo
economista paquinês Mahbub ul Haq, em 1990, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa da Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD). Países (estado ou município) com IDH de 0 a 0,499 são considerados de desenvolvimento humano “muito
baixo”; com índices entre 0,500 a 0,599 são “baixo”; de 0,600 a 0,699 são “médio”; entre 0,700 e 0,799 são considerados de
desenvolvimento humano “alto”; e com índices maiores que 0,800 são considerados de desenvolvimento humano “muito alto”.
Tabela 5.52. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) dos municípios da AII
De acordo com a Tabela 5.52, é possível notar que o IDH de longevidade avançou significativamente, e
passou de “baixo” (entre 1991 e 2000) para “alto” em 2010, em todos os municípios da AII. O índice de renda
passou de “muito baixo” para “baixo” em 2010. E o IDH de educação, em termos históricos, é o mais crítico, pois
em 1991 estava muito perto de zero, o que significa quase nenhum desenvolvimento, e permaneceu na categoria
“muito baixo” em 2010. Sendo assim, considerado um tema sensível, visto que o meio educacional não se
desenvolveu de maneira satisfatória ao longo dos quase 20 anos.
Tabela 5.53. Casos confirmados de doenças de notificação compulsória nos municípios da AII – 2019 a 2021
Dengue 12 4 6 - - 15
Hanseníase 6 1 - - 1 2
Sífilis Adquirida - 2 - - - -
Sífilis Congênita 3 1 - - - -
Sífilis em Gestante 4 1 - 2 - 1
Fonte: DataSUS, 2023.
Com relação a contaminação ocasionada pelo coronavírus, também denominado COVID-19, que teve
início na China no final de 2019, no Brasil até o dia 25 de agosto de 2022, já havia sido foram confirmados mais
de 31 milhões de casos e ocasionado mais de 668 mil óbitos. De acordo com o Painel Epidemiológico Covid-19 –
Piauí, divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, entre março de 2020 a 25 de agosto de 2022, foram
confirmados 396.503 casos e 7.929 óbitos por Covid19.
Nos municípios da AII, entre os casos confirmados no período entre 2020 e 2022 os maiores índices são
observados em Redenção do Gurgueia, com 1.074 casos confirmados e 22 óbitos, já em Riacho Frio foram
contabilizados 138 casos e 5 óbitos. Desta forma, ressalta-se a importância das campanhas educativas e
informativas sobre as maneiras de contágio do vírus e os modos de prevenção, assim como, o trabalho efetivo de
vigilância epidemiológica deve ser prioritário em situações de epidemias.
“grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de
organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua
reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e
práticas gerados e transmitidos pela tradição”.
1) Terras indígenas
De acordo com a base de dados da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e do Governo do Piauí, nos
municípios de Redenção do Gurgueia e Riacho Frio não constam terras indígenas.
2) Comunidades Quilombolas
Segundo a Fundação Palmares até agosto de 2022 foram certificadas 91 comunidades no estado do Piauí.
Na AII do empreendimento há registro de comunidade quilombola somente no município de Redenção do
Gurgueia, denominada de Brejão dos Aipins, distante cerca de 65 km do local de implantação do projeto.
A comunidade Brejão dos Aipins é a localidade existe antes mesmo da criação do perímetro urbano do
qual faz parte hoje. Os primeiros moradores eram os escravos fugitivos de fazendas dos estados da Bahia e
Pernambuco.
Inicialmente recebeu o nome de Suçuapara, pois na época viam muita onça suçuarana na região.
Posteriormente, foi conhecida como Brejão dos Negros, isso por conta dos moradores afrodescendentes, e
finalmente Brejão dos Aipins em homenagem a um extenso brejo, que era conhecido pela grande produção de
aipim e servia para subsistência local.
Foto 5.19. Locais relacionadas ao turismo, cultura e lazer nos municípios da AII
A Serra das Confusões no momento presente é composta pelos municípios piauienses Alvorada do
Gurguéia, Bom Jesus, Brejo do Piauí, Canto do Buriti, Caracol, Cristino Castro, Curimatá, Guaribas, Jurema,
Redenção do Gurgueia, Santa Luz e Tamboril do Piauí. Atualmente a região abriga o Parque Nacional da Serra
das Confusões, Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral, administrada pelo Instituto Chico Mendes
de Conservação e Biodiversidade – ICMBio 2. De acordo com o projeto “Ações Prioritárias para a Conservação da
Biodiversidade da Caatinga”, foi classificado como de extrema importância ecológica e componente do corredor
ecológico Serra da Capivara/Serra das Confusões (IBAMA, 2005).
2O Parque foi criado por meio do Decreto s/nº de 2 de outubro de 1998 e possui uma área de 502.411,00 hectares. O Decreto
Os relatos históricos provenientes do contato entre os grupos indígenas habitantes da Serra das
Confusões, escravos fugitivos e tropas portuguesas, elucidam um complexo sistema de assentamentos. A região
é palco de inúmeros sítios arqueológicos em suas cavernas e grutas, apresentando litogravuras nos paredões
rochosos de valor histórico, científico e cultural.
Na sede municipal de Redenção do Gurguéia, bem como nas comunidades mais antigas existem um centro
histórico, com a presença de edificações antigas que relatam a formação histórica do Município, como por exemplo,
as igrejas, casas antigas entre outras, que são importantes para a história da cidade ou para a comunidade local.
Na área de influência da indireta do empreendimento foram encontrados sítios arqueológicos cadastrados
nos municípios de Redenção do Gurgueia e Riacho Frio, segundo o Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do
IPHAN, conforme Tabela 5.54.
No município de Redenção do Gurguéia constam 6 (seis) sítios arqueológicos cadastrados, que conservam
arte rupestre (pintura). Já em Riacho Frio constam com 3 (três) sítios arqueológicos, sendo um do tipo habitação
e dois à céu aberto do tipo acampamento pré-colonial.
Tabela 5.54. Sítios arqueológicos cadastrados no CNSA identificados nos municípios na AII
Considerando o limite definido para a Área de Influência Direta, um raio de 4,0 km a partir do limite da
ADA, verificou-se a existência de seis comunidades rurais – Feirinha, Taperinha, Lourenço e Água Fria, no
município de Redenção do Gurguéia, e Limoeiro e Romão, no município de Riacho Frio. Contudo, para efeito de
caracterização da população do entorno foi realizada pesquisa com moradores das comunidades Feirinha,
Taperinha, Lourenço e Limoeiro, as quais estão mais próximas à área de implantação do empreendimento (Mapa
5.10).
O local de implantação da Fazenda CR I, II, III e IV está às margens da rodovia PI-257/BR-330, no
município de Redenção do Gurguéia. O acesso, a partir da sede municipal, se dá pela rodovia num percurso de
aproximadamente, 19,0 km e em seguida realiza conversão à esquerda em direção a uma estrada carroçável.
Dentre os moradores entrevistados, 70,59% são do sexo masculino e 29,41% do sexo feminino, com idade
entre 27 e 79 anos de idade, estão casados (76,47%), solteiros (17,65%), viúvos (5,88%) e separados (5,88%)
(Foto 5.21). A maioria é analfabeta (41,18%) ou possui o ensino fundamental completo (41,18%), e 17,65% o
ensino fundamental incompleto. A respeito da ocupação principal dos entrevistados, a maioria dos entrevistados
(88,24%) indicaram ter como ocupação principal atividades relacionadas à agropecuária, sendo agricultores ou
lavradores, já 11,76% dos entrevistados indicaram serem professor ou comerciante.
Comunidade Taperinha, município Redenção do Gurguéia Comunidade Limoeiro, município Riacho Fio
Fonte: WMetria, 2023
A população residente na AID do empreendimento tem entre 2 e 79 anos de idade, sendo maior parcela
representada pelo sexo masculino (56,14%). Ao observar a formação da faixa etária da população residente na
AID, percebe-se que a maioria se encontra na idade adulta (20 a 64 anos), representando 71,93%, seguido pelos
idosos (com mais de 65 anos) com 17,54%, e a população jovem (0 a 19 anos) compreende 10,53% (Figura 5.37).
80,00%
70,00%
71,93%
60,00%
50,00% 56,14%
40,00% 43,86%
30,00%
20,00%
10,00% 17,54%
10,53%
0,00%
Homem Mulher Jovens (0 a 19 anos) Adultos (20 a 64 anos) Idosos (acima de 65
anos)
Sexo Faixa etária
B. Educação
Através das entrevistas realizadas, verificou-se que nas comunidades da área de influência direta não há
estabelecimento de ensino. Entre os entrevistados, cerca de 22,81% não concluíram o ensino médio, e apenas
5,26% concluíram; 19,30% possui o ensino fundamental completo e 14,04% não concluíram; 8,87% são
analfabetas, e 29,82% não frequentam mais a escola (Figura 5.38).
5,26%
22,81%
19,30%
14,04%
8,77%
29,82%
Figura 5.39. Percentual das famílias que recebem visita do ACS e a frequência dessas visitas
100,00%
88,24%
90,00%
80,00%
80,00%
70,00%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
20,00%
11,76%
10,00%
0,00%
Sim Não Semanal Mensal
Visita do ACS Frequência da visita do ACS
D. Habitação
Na área de influência direta, todos os entrevistados são proprietários dos imóveis visitados. A maioria das
casas pertence a antigos moradores que chegaram no povoado há mais de 20 anos (70,59%), outros chegaram
entre 10 e 20 anos (17,65%), e 11,76% estão a menos de cinco anos. Apresentam uma média de 3,4
moradores/residência.
A maior parte dos imóveis são construídos em alvenaria (70,59%); o reboco das paredes pode ser
encontrado em sua totalidade ou parcial, são cobertos com telha e com piso de cimento, cerâmica e chão batido,
cimento e cerâmica. O número de cômodos varia entre 3 a 5 (29,41%), e entre 5 a 8 cômodos (70,59%). Todos os
imóveis visitados dispõem de energia elétrica (Figura 5.40 e Foto 5.23).
Telha 100,00%
Ausente 11,77%
Reboco
Parcial 58,82%
Total 29,41%
Cerâmica 23,53%
Piso
Cimento 58,82%
Adobe 29,41%
Parede
Tijolo 70,59%
Comunidade Feirinha, município Redenção do Gurguéia Comunidade Limoeiro, município Riacho Frio
Fonte: WMetria, 2023.
E. Saneamento básico e limpeza pública Foto 5.23. Vista da caixa de abastecimento de água,
comunidade Feirinha, município Redenção do Gurguéia
Sobre a estrutura de saneamento básico, os
entrevistados indicaram que as residências das
comunidades possuem banheiros conectados às
fossas rudimentares. A população afirmou também
que não há serviço público de coleta, assim o lixo –
papel, plástico, vidro e metal – é queimado por 82,35%
dos entrevistados e/ou enterrado por 17,65%.
O abastecimento de água é proveniente da
rede de distribuição (Foto 5.24), e a água para
consumo humano é filtrada por 82,35% dos Fonte: WMetria, 2023.
F. Atividades econômicas
A utilização das terras nas comunidades onde foram realizadas as entrevistas ocorre principalmente pelo
cultivo de culturas temporárias e permanentes praticadas, respectivamente, por 76,47% e 53,85% das residências,
e pela pecuária (70,59% das residências). Normalmente predomina o trabalho de forma rudimentar, com a
agricultura de subsistência e a pecuária semiextensiva. Entre as culturas produzidas nos imóveis visitados,
predomina o cultivo do milho, feijão, mandioca e arroz. O cultivo de frutíferas de lavoura permanente, como caju,
manga e banana, também são produzidos, porém em menor escala e de forma limitada.
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
Licenciamento do Meio Físico Meio Socioeconômico da Fauna da flora
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 194 de 265
RIACHO FRIO – PI
100,00%
92,31%
90,00% 85,71% 84,62%
80,00%
71,43%
70,00%
60,00% 57,14%
50,00%
40,00%
30,00% 23,08%
20,00% 15,38%
10,00%
0,00%
Banana Caju Manga Arroz Feijão Mandioca Milho
Cultura Permanente Cultura Temporária
Na pecuária, cerca de 70,59% das famílias desenvolvem a criação de aves (galináceos), 32,29% ovinos
e 11,76% suínos. Para caracterizar esta atividade de subsistência é importante mencionar que o total de cabeças
girava em torno de 1 a 20.
80,00%
70,59%
70,00%
60,00%
50,00%
40,00% 35,29%
30,00%
20,00%
11,76%
10,00%
0,00%
Aves (galináceos) Suínos Ovino
Além das atividades agropecuárias, nas comunidades da AID há pequenos comércios para venda de
produtos alimentícios e bares. Ao longo da visita de campo e realização de entrevistas, os moradores foram
questionados sobre a existência de organizações sociais e sobre a sua participação nas mesmas, e com isso foi
possível identificar que os moradores das comunidades rurais de Redenção do Gurguéia tinham conhecimento da
Associação dos Produtores Rurais da Comunidade Taperinha, e 38,46% dos entrevistados são membros
participantes da associação. Já na comunidade Limoeiro, em Riacho Frio, todos informaram que há entidades de
classe, como os sindicatos, contudo nenhum entrevistado é membro participante.
G. Emprego e renda
A respeito da ocupação dos entrevistados, os moradores das residências visitadas com idade e condições
físicas para exercer algum trabalho, 61,40% são lavradores, 3,51% são professores e 1,75% é comerciante, já
24,56% são aposentados, 3,51% são donas de casa, e 5,26% são estudantes (Figura 5.43).
3,51% 1,75%
3,51%
5,26%
24,56%
61,40%
De acordo com os entrevistados com idade entre 18 e 70 anos, 67,31% informaram não possuir nenhum
tipo de renda, e apenas 32,69% recebem até 1 salário mínimo. Das famílias entrevistadas, apenas uma declarou
receber auxílio do governo federal através do Programa Bolsa Família.
No que se refere à configuração religiosa das comunidades da AID, os entrevistados tinham conhecimento
de uma Igreja Católica e da Igreja Batista (Foto 5.25). O contingente católico alcança 57,14% dos entrevistados,
35,71% são evangélicos e frequentam a igreja Batista ou a Assembleia de Deus, outros 7,14% o Centro Espirita.
Ao serem indagados sobre as manifestações folclóricas na região, todos os entrevistados informaram não haver.
Foto 5.24. Instituições religiosas presentes na comunidade Taperinha, município Redenção do Gurguéia
A respeito dos problemas sociais, as entrevistas realizadas demonstram que os entrevistados confirmaram
problemas sociais na região, ressaltando, sobretudo, as drogas, os roubos/furtos e o alcoolismo. Quanto aos
problemas ambientais, verificou-se que os entrevistados não conseguiram identificá-los.
J. Expectativa
Finalizando a pesquisa junto aos moradores das comunidades da AID, foram indagados se são a favor ou
contra à expansão em larga escala de empreendimentos agropecuários na região. Cerca de 76,47% afirmaram
ser a favor. Conforme pode ser visualizado na Figura 5.44, a expectativa dos entrevistados recai sobre a melhoria
da infraestrutura local, a geração de emprego e a maior oferta de insumos. Negativamente, apontaram que a
principal preocupação envolve o aumento do desmatamento na região.
90,00%
80,00% 76,47%
70,00%
60,00%
50,00%
50,00%
40,00%
31,25%
30,00% 23,53%
18,75%
20,00%
10,00%
0,00%
A favor Contra Melhoria da infraestrutura Maior oferta de insumos Oportunidade de oferta de
local trabalhos
Posicionamento sobre a expansão em larga escala de Benefícios da implantação desse empreendimento
empreendimentos agrícolas na região
Impacto ambiental é definido como qualquer modificação do meio ambiente, seja ele natural ou construído
pelo ser humano, que possa afetar de forma significativa a saúde, a segurança e o bem-estar das pessoas, bem
como o equilíbrio ecológico dos ecossistemas.
Considerando a necessidade de se estabelecerem as definições, as responsabilidades, os critérios básicos
e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental, a Resolução CONAMA nº
1/86, define em seu Art. 1º o impacto ambiental como:
Segundo Sánchez (2013), a Avaliação de Impacto Ambiental tem sido vista como um instrumento de
planejamento, isto é, como um recurso de prevenção do dano ambiental e como um procedimento definido no
âmbito das políticas públicas, usualmente associado a alguma forma de processo decisório, como o licenciamento
ambiental. A finalidade da avaliação de impacto ambiental é considerar os impactos ambientais antes de tomar
qualquer decisão que possa acarretar significativa degradação da qualidade do meio ambiente.
A Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), prevista como instrumento da Política Nacional de Meio
Ambiente (Lei Nº 6.938/1981), é considerada a etapa mais importante de um Estudo Ambiental, pois permite
identificar os impactos ambientais relevantes a partir da relação de causa e efeito entre as potenciais intervenções
do empreendimento e as características socioambientais.
Para a identificação e análise dos possíveis impactos ambientais gerados com a implantação, operação e
ampliação da Fazenda CR I, II, III e IV, foram fundamentais as considerações gerais e específicas que integram o
Diagnóstico Ambiental deste estudo. Para cada ação foram identificados os prováveis impactos nos meios físico,
biótico e socioeconômico, a partir das informações fornecidas pelo empreendedor, do levantamento de dados junto
aos órgãos federal, estadual e municipal, e das observações durante as visitas técnicas que foram utilizadas como
subsídio para o levantamento preliminar das ações impactantes a serem realizadas ao longo das fases de
implementação do empreendimento.
A partir da discussão interdisciplinar do diagnóstico ambiental das áreas de influência e das ações
geradoras, estabeleceu-se uma metodologia própria para identificação e classificação dos impactos, utilizando
como instrumento básico a Matriz de Leopold et al., (1971), integrado com os métodos propostos por Fischer e
Davis (1973). Os Critérios adotados para elaboração da Matriz de Impactos estão definidos a seguir:
A tabela a seguir resume os critérios para avaliação da importância dos potenciais Impactos identificados neste
estudo.
Tabela 6.1. Avaliação da importância dos potenciais impactos identificados
MAGNITUDE
PROBABILIDADE
Alta Média Baixa Insignificante
Sinergia: são referentes à capacidade de um efeito específico induzir a ocorrência de um novo impacto, ao
interagir com outro, não necessariamente associado ao mesmo empreendimento ou atividade.
Os impactos resultantes da implantação da Fazenda CR I, II, III e IV, foram classificados em 15 (42,9%)
impactos de caráter positivo e 20 (57,1%) impactos de caráter negativo, onde, conforme esperando para esse tipo
de empreendimento, o maior número de impactos negativos ocorrerá nas fases de implantação e operação (Figura
6.1).
10
0
PLANEJAMENTO IMPLANTAÇÃO OPERAÇÃO
NEGATIVO POSITIVO
Com relação aos impactos ambientais sobre os meios, tem-se um total de 55 impactos prognosticados,
isto porque alguns ocorrem em mais de um meio. Destes, 21 são de natureza positiva e 34 de natureza negativa
(Figura 6.2). Observou-se que dos impactos positivos gerados, 71,43% serão sobre o meio socioeconômico, onde
desses impactos a maioria, estão relacionados à geração de emprego e renda, arrecadação de impostos,
circulação da moeda, capacitação da mão-de-obra, valorização das terras, entre outros.
16
14
12
10
0
MEIO FÍSICO MEIO BIÓTICO MEIO ANTRÓPICO
NEGATIVO POSITIVO
Dos 35 impactos identificados, 22 impactos foram classificados como sendo de alta e média importância,
sendo 09 positivos e 11 negativos, onde 52,6% acorrerão na fase de implantação (Figura 6.3). Dentre os 11
impactos de natureza negativa, 81,8% são reversíveis, sejam pela finalização da atividade causadora ou mesmo
pela execução das medidas mitigadoras propostas nesse estudo.
Figura 6.3. Impactos classificados de acordo com a importância em relação a fase de planejamento
0
PLANEJAMENTO IMPLANTAÇÃO OPERAÇÃO
NEGATIVO POSITIVO
Além disso tem-se que 22 (62,8%) impactos identificados são sinérgicos, podendo induzir a ocorrência de
um novo impacto, ao interagir com outro, porém desses 68,2% são reversível. Dentre os impactos sinérgicos,
54,5% são positivos e 72,7 são acumulativos.
REVERSIBILIDADE
TEMPORALIDADE
PROBABILIDADE
ABRANGÊNCIA
IMPORTÂNCIA
FASE DO
CUMULATIVO
MAGNITUDE
ANTRÓPICO
INCIDÊNCIA
SINÉRGICO
NATUREZA
DURAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DOS IMPACTOS
BIÓTICO
FISICO
PLANEJAMENTO
1 Geração de emprego e renda X POS (+) AII TEMP IND BAI REV CUR ALT MED C S
Aquisição de serviços
2 X POS (+) AII TEMP IND BAI IRR CUR MED BAI C S
especializados
3 Perda de área de vegetação nativa X X NEG (-) ADA PER DIR ALT REV LON ALT ALT C S
4 X NEG (-) ADA PER DIR ALT IRR LON ALT ALT C S
solo
REVERSIBILIDADE
TEMPORALIDADE
PROBABILIDADE
ABRANGÊNCIA
IMPORTÂNCIA
FASE DO
CUMULATIVO
MAGNITUDE
ANTRÓPICO
INCIDÊNCIA
SINÉRGICO
NATUREZA
DURAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DOS IMPACTOS
BIÓTICO
FISICO
7 Alteração dos níveis de ruídos X X X NEG (-) AID TEMP DIR BAI REV CUR ALT MED C NS
8 Alteração na qualidade do ar X X X NEG (-) AID TEMP DIR MED REV MED ALT ALT NC S
IMPLANTAÇÃO
9 Perda dos habitats X NEG (-) AID PER DIR ALT IRR LON ALT ALT NC NS
Perturbação e afugentamento da
10 X NEG (-) AID TEMP IND MED REV MED MED MED NC S
fauna
12 Riscos de acidentes de trabalho X NEG (-) AID TEMP DIR BAI REV CUR BAI INS NC S
REVERSIBILIDADE
TEMPORALIDADE
PROBABILIDADE
ABRANGÊNCIA
IMPORTÂNCIA
FASE DO
CUMULATIVO
MAGNITUDE
ANTRÓPICO
INCIDÊNCIA
SINÉRGICO
NATUREZA
DURAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DOS IMPACTOS
BIÓTICO
FISICO
13 Geração de emprego e renda X POS (+) AII TEMP IND MED REV CUR ALT ALT C S
14 X POS (+) AII PER IND MED REV MED ALT ALT C NS
incremento do comercio local
Aquisição de serviços
15 X POS (+) AII PER IND BAI IRR CUR MED BAI C S
especializados
16 Arrecadação tributária X POS (+) AII TEMP IND ALT IRR CUR ALT ALT C S
REVERSIBILIDADE
TEMPORALIDADE
PROBABILIDADE
ABRANGÊNCIA
IMPORTÂNCIA
FASE DO
CUMULATIVO
MAGNITUDE
ANTRÓPICO
INCIDÊNCIA
SINÉRGICO
NATUREZA
DURAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DOS IMPACTOS
BIÓTICO
FISICO
Geração de resíduos sólidos e
20 X X X NEG (-) ADA PER DIR ALT REV LON ALT ALT C S
efluentes
21 Alteração dos níveis de ruídos X X X NEG (-) AID TEMP DIR BAI REV CUR MED BAI C NS
22 Sequestro de carbono X X X POS (+) ADA PER DIR MED REV CUR MED MED NC NS
OPERAÇÃO
23 Mudanças climáticas X X X NEG (-) AII PER DIR ALT IRR LON ALT ALT NC NS
Perturbação e afugentamento da
24 X NEG (-) AID TEMP IND BAI REV MED BAI INS NC S
fauna
REVERSIBILIDADE
TEMPORALIDADE
PROBABILIDADE
ABRANGÊNCIA
IMPORTÂNCIA
FASE DO
CUMULATIVO
MAGNITUDE
ANTRÓPICO
INCIDÊNCIA
SINÉRGICO
NATUREZA
DURAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DOS IMPACTOS
BIÓTICO
FISICO
26 Riscos de acidentes de trabalho X NEG (-) AID TEMP DIR BAI REV CUR BAI INS NC S
27 Geração de emprego e renda X POS (+) AII CIC IND BAI REV CUR ALT MED C S
Aquisição de serviços
28 X POS (+) AII PER IND BAI IRR CUR MED BAI C S
especializados
OPERAÇÃO
30 Arrecadação tributária X POS (+) AII TEMP IND ALT IRR CUR ALT ALT C S
31 Atração de novos investimentos X POS (+) AII PER IND BAI REV CUR MED BAI C NS
REVERSIBILIDADE
TEMPORALIDADE
PROBABILIDADE
ABRANGÊNCIA
IMPORTÂNCIA
FASE DO
CUMULATIVO
MAGNITUDE
ANTRÓPICO
INCIDÊNCIA
SINÉRGICO
NATUREZA
DURAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DOS IMPACTOS
BIÓTICO
FISICO
33 Valorização fundiária X X POS (+) AII PER IND BAI REV MED MED BAI NC NS
OPERAÇÃO
34 Regularização dos Imóveis Rurais X X POS (+) ADA PER DIR MED REV CUR BAI BAI NC S
35 Pressão sob a infraestrutura viária X X NEG (-) AII CIC IND MED REV CUR ALT ALT NC NS
LEGENDA:
Natureza: Abrangência: Duração: Incidência: Magnitude: Reversibilidade: Temporalidade: Importância: Probabilidade: Cumulativo Sinérgico
NEG (-) – ADA – Área Diretamente TEM – INS – REV –
DIR – Direto CUR – Curto BAI – Baixa BAI – Baixa C – Cumulativo S – Sinérgico
Negativo afetada Temporário Insignificante Reversível
POS (+) – AID – Área de Influência IRR – NC – Não NS – Não
CIC – Cíclico IND – Indireto BAI - Baixa MED – Médio MED – Média MED – Média
Positivo Direta Irreversível Cumulativo Sinérgico
AII – Área de Influência PER -
MED – Média LON - Longo ALT – Alta ALT – Alta
Indireta Permanente
ALT - Alta
Fonte: WMetria, 2023.
I. Impactos Cumulativos
− Aquisição de serviços especializados;
I. Impactos Cumulativos
− Aumento de renda dos funcionários;
− Crescimento do comércio local; e,
− Aumento na arrecadação tributária.
Para a implantação do empreendimento foi suprimida uma área de 1.728,715 ha, para a ampliação
também será suprimida uma área, após a autorização da supressão vegetal, para o plantio de forragicultura e
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
Licenciamento do Meio Físico Meio Socioeconômico da Fauna da flora
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 211 de 265
RIACHO FRIO – PI
criação de bovino. O desmatamento constitui uma das maiores preocupações ambientais nas últimas décadas,
por acarretar desequilíbrios imprevisíveis ao ambiente, onde a retirada da vegetação acarreta no empobrecimento
e erosão do solo e no afugentamento da fauna. Além disso o desmatamento poderá causar danos aos habitats e
micro habitats, além do aumento da fragmentação e perda da conectividade entre os mesmos.
I. Impactos Cumulativos
− Alteração da camada superficial do solo;
− Assoreamento de recursos hídricos superficiais; e,
− Afugentamento da fauna.
I. Impacto Cumulativo
− Alteração do escoamento e fluxo superficial do solo.
A atividade agropecuária pode alterar o escoamento e o fluxo superficial das águas, o que pode ter
impactos significativos no meio ambiente e na produção agrícola. Quando a vegetação nativa é retirada para dar
lugar à agricultura ou à pecuária, as superfícies tornam-se mais impermeáveis e aumenta a velocidade do
escoamento das águas.
Essa alteração pode resultar em diversos problemas, como erosão do solo, assoreamento de rios e
córregos, aumento de enchentes e diminuição da recarga dos lençóis freáticos. Além disso, o escoamento das
águas pode levar à perda de nutrientes e produtos químicos utilizados na produção agrícola, comprometendo a
qualidade da água e afetando a vida aquática.
A área do empreendimento é cortada por pequenas linhas de drenagem sendo a principal o riacho do
Limoeiro, que desaguam no Rio Paraim. No entanto os dois são preservados através da APP e Reserva Legal.
I. Impacto Cumulativo
− Alteração da camada superficial do solo.
I. Impacto Sinérgico
− Alteração da qualidade da água.
O aumento dos níveis de ruído é um impacto ambiental que pode ocorrer no desenvolvimento de atividades
agropecuárias, especialmente em áreas de grande intensidade de maquinário. A produção agropecuária moderna
é altamente mecanizada, e a utilização de máquinas como tratores, colheitadeiras, semeadeiras, entre outras,
pode gerar níveis de ruído elevados, prejudicando o meio ambiente e as comunidades próximas.
Os ruídos podem afetar tanto a fauna quanto a flora local. Os animais podem ser afugentados ou ter sua
comunicação e orientação comprometidos, interferindo em suas atividades de alimentação, reprodução e
deslocamento. Já as plantas podem sofrer alterações no crescimento, na produção e na qualidade devido à
interferência no ciclo de fotossíntese e na troca gasosa.
Destaca-se que não haverá interferência em comunidades vizinhas.
I. Impacto Cumulativo
− Afugentamento da fauna.
uso de fertilizantes e pesticidas, o transporte de produtos agrícolas e a queima de combustíveis fósseis para
produzir energia.
Dentre as principais fontes de emissão de GEE está a fermentação entérica de ruminantes, ou seja, o
processo digestivo dos animais, emitindo principalmente o metano (CH4), um gás que tem um potencial de
aquecimento global cerca de 28 vezes maior do que o dióxido de carbono (CO2).
A estimativa das emissões de GEE durante a fermentação entérica de ruminantes pode ser realizada por
meio da análise dos dados de produção animal, como o número de animais, a ingestão de alimento, a
digestibilidade dos alimentos e a produção de CH4 por unidade de alimento consumido. As emissões de GEE
durante a fermentação entérica podem variar de acordo com a espécie animal, o tipo e quantidade de alimento
consumido, o sistema de produção animal e o manejo alimentar.
I. Impacto Sinérgico
− Aumento de doenças respiratórias;
− Mudanças climáticas.
I. Impactos Cumulativos
− Aquisição de serviços especializados;
I. Impactos Sinérgicos
− Perda dos habitats;
− Acidentes com animais peçonhentos; e,
− Aumento da caça.
Por exemplo, a expansão das áreas de cultivo pode levar à eliminação de predadores naturais, permitindo
a proliferação de roedores e outros animais que servem como hospedeiros para carrapatos e outros vetores de
doenças. Além disso, a acumulação de água em poças e outros reservatórios pode aumentar a proliferação de
mosquitos transmissores de doenças como a dengue, a febre amarela e a malária.
Os colaboradores envolvidos na execução da ação ficarão expostos a riscos de acidentes envolvendo
animais peçonhentos. Esses fatores, associados ao acúmulo de resíduos sólidos poderá atrair animais silvestres
que podem atuar como vetores de zoonoses, podendo gerar risco de acidentes quando em contato com humanos,
tais como: insetos, aves, lagartos, canídeos, gambás e roedores, que utilizam estes recursos como fonte de
alimento. Além disso a proliferação de insetos, como a mosca-do-chifre e carrapatos, é ocasionada quando
medidas de controle não são adotadas pelo empreendedor, onde a proliferação de insetos promove a inquietação
do rebanho, promovendo interferências no processo alimentar, que inevitavelmente perdem peso e diminuem a
produção de leite, além de poder ocasionar a infecção de outros animais e até o ser humano.
O armazenamento inadequado de rações ou de alimentos no empreendimento aumenta a atração de
animais vetores de doenças, como os ratos, devendo evitar o acesso destes animais às fontes de alimento.
I. Impactos Cumulativos
− Aquisição de serviços especializados;
− Crescimento do comércio local; e,
− Aumento na arrecadação tributária.
Outros riscos comuns em atividades agropecuárias incluem a exposição a produtos químicos utilizados na
produção de culturas e no manejo de animais, como pesticidas e medicamentos veterinários, e a possibilidade de
acidentes com animais, como mordidas, coices, chifradas e outras lesões.
A ação de implantação e operação do empreendimento aumentará a probabilidade de ocorrência de
acidentes, principalmente devido ao fluxo intenso de pessoas e máquinas, especialmente durante a fase de
supressão da vegetação. As consequências para os trabalhadores podem ser ferimentos leves, ferimentos graves,
invalidez e morte.
I. Impacto Sinérgico
− Problemas de saúde com os funcionários.
A implantação de empreendimentos agropecuários pode trazer benefícios econômicos para a região, como
o aumento da circulação da moeda e o incremento do comércio local. Com a geração de empregos e renda, os
trabalhadores e suas famílias passam a consumir mais bens e serviços na região, movimentando a economia local.
Além disso, a instalação de empreendimentos agropecuários pode gerar demanda por serviços
especializados, como transporte, armazenamento e comércio de insumos agropecuários, que podem ser
fornecidos por empresas locais. Isso pode estimular a criação de novos negócios e fortalecer a economia da região.
Com a remuneração dos recursos humanos empregados e serviços contratados de maneira direta e
indireta, a economia regional receberá um incremento nas atividades vinculadas ao empreendimento. Além disso,
o empreendimento acarretará no consumo de diversos insumos e, este cenário indicaria um crescimento na massa
salarial da região, refletindo em gastos com o consumo de bens e serviços locais, potencializando, principalmente,
a expansão no setor agropecuário e na arrecadação de tributos para as esferas públicas.
I. Impactos Cumulativos
− Aumento de renda dos trabalhadores; e,
− Aumento da arrecadação tributária.
propriedade rural, Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), entre outros.
Além disso, a implantação de empreendimentos agropecuários pode estimular o desenvolvimento
econômico local, gerando novos empregos e renda e, consequentemente, aumentando a arrecadação de impostos
sobre a renda, como o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF).
I. Impactos Cumulativos
− Aumento na arrecadação de tributos;
− Geração de emprego e aumento da renda; e,
− Incremento do comercio local.
No empreendimento são gerados resíduos orgânicos e efluentes que, se não tiverem destino adequado,
podem contaminar as águas subterrâneas e superficiais e, gerar o aumento dos níveis de nitrato e fosfato nos
corpos hídricos. Com a implantação de novas estruturas e edificações poderá gerar efluentes e resíduos sólidos,
o pastoreio do rebanho sobre o solo acarretará na compactação do mesmo, devendo ser realizado um
revezamento das áreas a serem pastadas, onde deverão ser tomadas medidas para evitar o carreamento destes
para os corpos hídricos. A manutenção dos veículos e equipamentos utilizados na propriedade em áreas próximas
dos corpos hídricos poderão ser um risco de contaminação.
Além disso, a degradação dos solos leva à redução da infiltração da água e ao aumento do escorrimento
superficial, podendo causar abaixamento do lençol freático, perda de nascentes, erosão, enchentes e
assoreamento de rios e reservatórios.
I. Impactos Acumulativos
− Poluição das águas; e,
− Diminuição do oxigênio dissolvido.
I. Impactos Cumulativos
− Contaminação do solo;
− Contaminação de águas superficiais e aquíferos;
− Alteração da qualidade do ar;
− Proliferação de insetos; e,
− Surgimento de vetores de doenças.
Com o bom manejo das pastagens, além de fornecer uma dieta de melhor qualidade que promove menor
emissão de metano pelos bovinos, também pode promover o aumento de matéria orgânica no solo, de modo que
as pastagens tem grande potencial de sequestrar carbono. Isso ocorre, pois, um pasto bem manejado gera sempre
um resíduo da forragem que irá cobrir o solo (similar ao que é feito no plantio direto), melhorando a biodinâmica
do solo. Tem-se maior microbiota decompositora, que irá fixar este carbono na forma de matéria orgânica do solo.
Além disso, esse melhor ambiente do solo irá propiciar o surgimento de mais plantas forrageiras por metro
quadrado. Aumentando a matéria orgânica do solo e o número de plantas forrageiras por hectare, tem-se maior
oferta de comida aos animais, que gera uma maior produtividade para o empreendimento.
A implantação de empreendimentos agropecuários pode atrair novos investimentos para a região, uma
vez que o setor agropecuário pode ser um importante indutor da economia local. Empresas de insumos, máquinas
e equipamentos agrícolas, transporte, armazenagem e processamento de alimentos são exemplos de setores que
podem ser beneficiados com a instalação de empreendimentos agropecuários.
Além disso, a expansão da produção agropecuária pode gerar oportunidades de negócios em outras áreas,
como o turismo rural ecológico e o comércio de produtos regionais. Isso pode contribuir para o desenvolvimento
de uma cadeia produtiva mais ampla, gerando empregos e renda em diferentes setores da economia.
I. Impacto Cumulativo
− Aumento das áreas produtivas na região.
I. Impacto Cumulativo
− Aumento das áreas produtivas na região.
II. Impactos Sinérgicos
− Aumentos da arrecadação tributária;
− Valorização das terras; e,
− Aumento da oferta de trabalho.
disso, a valorização das terras pode estimular o desenvolvimento de outras atividades econômicas na região, como
o comércio e os serviços, gerando novos negócios e empregos.
Esse impacto caracteriza-se pela adoção de políticas ambientais, garantindo o processo de regularização
fundiária, a não ocupação antrópica de áreas de preservação permanente e a proteção da Reserva Florestal Legal
dos imóveis rurais do empreendimento. Bem como a adoção de medidas que visem diminuir os efeitos do
empreendimento no meio ambiente.
I. Impactos Sinérgicos
− Aumentos da arrecadação tributária;
− Valorização das terras; e,
− Aumento da oferta de trabalho.
A implantação de empreendimentos agropecuários pode gerar uma pressão sobre a infraestrutura das
regiões envolvidas, especialmente em áreas que anteriormente eram pouco desenvolvidas. Com o aumento da
atividade econômica, pode haver uma maior demanda por serviços básicos como fornecimento de água, energia
elétrica, transporte e telecomunicações, além de serviços específicos como assistência técnica, armazenamento
e escoamento da produção.
Essa demanda pode sobrecarregar a infraestrutura já existente, levando a problemas como falta de
abastecimento de água, cortes de energia elétrica, congestionamento de vias e dificuldades no acesso a serviços
de saúde e educação. Além disso, a pressão sobre a infraestrutura pode levar a um aumento nos custos de
manutenção e investimentos para melhorias, gerando um impacto econômico na região.
A proposição das medidas mitigadoras dos impactos ambientais tem como pressuposto a avaliação dos
impactos ambientais previsíveis pelo empreendimento sobre o sistema ambiental, ressaltando-se que os
prognósticos feitos nesta avaliação decorrem de uma análise crítica das interferências do projeto sobre o meio
ambiente e do conhecimento das formas de implantação e operação de projetos similares em áreas do sertão
nordestino. As medidas mitigadoras são propostas em uma sequência, levando-se em consideração as ações dos
componentes do empreendimento relativos às fases de implantação e operação, já que na fase de estudos e
projetos as ações do empreendimento pouco irão interferir no geoecossistema da sua área de influência direta.
No que se refere à fase de operação, este estudo propõe a adoção de programas de controle específicos
a serem adotados em caráter temporário ou permanente, os quais serão apresentados na forma de Planos e
Programas de Controle e Monitoramento Ambiental.
A instalação do empreendimento no meio natural pode resultar em alterações dos parâmetros físicos e
biológicos locais, tendo em vista a necessidade de manejar os recursos naturais existentes na área. A adoção de
planos para controle e monitoramento ambiental visa à mitigação ou absorção dos impactos adversos. O
aproveitamento dos impactos benéficos é de suma importância, tendo em vista que a não incorporação poderá
resultar em danos ao meio natural e a própria operacionalização do empreendimento.
As ações e medidas sugeridas serão executadas durante todo o processo de implantação e operação do
empreendimento. Sendo de responsabilidade do empreendedor a execução de todos os programas propostos.
A seguir estão descritos cada impacto com suas medidas mitigadoras, compensatórias ou
potencializadoras que deverão sem implementadas durante a implantação e operação do empreendimento.
É importante destacar que a aquisição de serviços especializados deve ser feita com cautela e
planejamento, levando em consideração a qualidade e a reputação dos prestadores de serviços, além da
adequação dos serviços às necessidades da propriedade e às características locais. A escolha de um prestador
de serviços inadequado ou a contratação de serviços desnecessários pode representar um desperdício de recursos
e até mesmo prejuízos para prejuízos.
Esse impacto não tem medidas potencializadoras.
Para minimizar esses impactos, é importante que os empreendimentos agropecuários sigam as leis
ambientais e adotem práticas sustentáveis, como a conservação de áreas de vegetação nativa, a recuperação de
áreas degradadas, o manejo adequado do solo e a adoção de sistemas de produção que reduzam a necessidade
de expansão da área plantada. Além disso, a adoção de tecnologias que visam à maximização do uso dos recursos
naturais, como a irrigação eficiente e o uso de fertilizantes orgânicos, pode contribuir para a redução da pressão
sobre as áreas de vegetação nativa.
A contratação de serviços especializados, como consultorias ambientais e de manejo do solo, também
pode ajudar a minimizar os impactos ambientais da atividade agropecuária, promovendo práticas sustentáveis e
ações de conservação. Por fim, a conscientização e a educação dos produtores e trabalhadores rurais sobre a
importância da conservação ambiental podem ser cruciais para o sucesso de iniciativas sustentáveis na agricultura
e pecuária.
Na Fazenda CR I, II, III e IV serão adotadas as seguintes medidas:
• Não adotar a prática de queimadas nas áreas da propriedade;
• Introdução de práticas agrícolas que revolvam menos o solo propiciando a conservação do mesmo;
• Evitar erosão, assoreamento e compactação do solo; e,
• Preservar APP e Reservas Legais, com a sinalização de placas das mesmas.
Para mitigar esses impactos, é importante adotar práticas de conservação do solo, como a manutenção
de cobertura vegetal nas áreas de cultivo e pastagem, a utilização de técnicas de plantio direto e a construção de
terraços e barragens para controle da erosão hídrica. Além disso, a adoção de sistemas agroflorestais e de rotação
de culturas pode contribuir para a melhoria da estrutura e da fertilidade do solo. Como medidas o empreendimento
busca:
• Não adotar a prática de queimadas nas áreas da propriedade;
• Introdução de práticas agrícolas que revolvam menos o solo propiciando a conservação do mesmo, como
a rotação de cultura e o plantio direto;
• Evitar o uso indiscriminado de herbicidas, adubos químicos e inseticidas;
• Aproveitamento o material orgânico do rebanho como condicionador de solo; e
• Evitar assoreamento e compactação do solo, através da delimitação das áreas de pasto, utilizando o
método de rodizio de pasto, dando o tempo do solo e do capim descansar.
Para minimizar os impactos negativos, é importante que sejam adotadas práticas sustentáveis no manejo
do solo, como a adoção de sistemas de cultivo conservacionistas e a manutenção de áreas de vegetação nativa
em torno dos corpos d'água, além da construção de estruturas de controle de erosão e escoamento, como bacias
de contenção, terraços e barragens.
A adoção de práticas de manejo adequadas pode não apenas minimizar os impactos negativos, mas
também promover a conservação do solo e da água, contribuindo para uma produção agrícola sustentável e de
alta qualidade. Como medidas para minimizar os efeitos desse impacto o empreendimento buscará:
• Preservar as áreas de APP e Reservas Legais;
• Adotar o revezamento das áreas a serem pastadas;
• Evitar a compactação dos solos das áreas da propriedade;
• Implantar bebedouros para o rebanho, fora das APP;
• Implantar cercas ao longo da delimitação das APP;
• Construir bacias de contenção para o armazenamento do material lixiviador; e,
• Uso de terraços em nível, impedindo que os dejetos sejam carreados para o manancial.
Para evitar a formação e agravamento de processos erosivos, é necessário adotar práticas de conservação
do solo, como o plantio direto, a terraceamento, a rotação de culturas e o uso de cobertura vegetal. Essas práticas
ajudam a reduzir a velocidade das águas superficiais, aumentar a infiltração de água e manter a cobertura vegetal
do solo, reduzindo a erosão. Algumas medidas que serão adotadas:
• Delimitar e preservar as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente;
• Evitar deixar o solo totalmente exposto; e,
• Adotar práticas agrícolas que revolvam menos o solo propiciando a conservação do mesmo, como a
rotação de pastejo e a reforma de pastagens.
O excesso de ruído pode afetar a saúde humana, causando estresse, perturbações do sono e problemas
auditivos. Por isso, é importante que os empreendimentos agropecuários considerem medidas de mitigação dos
impactos sonoros, como a utilização de equipamentos com menor nível de ruído, a realização de manutenção
preventiva para evitar ruídos excessivos, a delimitação de áreas de circulação de máquinas em horários
específicos e o uso de barreiras acústicas. Como medidas o empreendimento fará:
• Regulagem e fiscalização periódica de máquinas e equipamentos e em locais adequados;
• Utilização dos EPI’s pelos colaboradores; e,
• Não realizar trabalhos noturnos.
Para minimizar esses impactos, é importante adotar práticas sustentáveis na produção agropecuária, como
o uso de técnicas de agricultura de baixo carbono, o manejo integrado de pragas e doenças, a utilização de
equipamentos mais eficientes e menos poluentes e o monitoramento da qualidade do ar em áreas próximas ao
empreendimento agropecuário. Como medidas, o empreendimento pretende:
• Não adotar práticas de queimada;
• Regulagem e fiscalização periódica de máquinas e equipamentos, foram utilizados no maquinário filtros
purificadores;
• Adotar técnicas de manejo adequadas dos estercos produzidos nos currais;
• Instalar uma cobertura sobre as esterqueiras para reduzir a dispersão dos gases;
• Cobertura do solo utilizando cal virgem para reduzir o odor dos dejetos retirado;
• Adoção de técnicas de manejo do solo que aumentem a capacidade de armazenamento de carbono, como
a rotação de pastagem, plantio direto e integração pecuária-floresta;
• Utilização de técnicas de manejo de pastagens que melhorem a qualidade da forragem e reduzam a
necessidade de fertilizantes nitrogenados, como a intensificação sustentável da pecuária (ISP);
• Adoção de práticas de produção de alimentos mais sustentáveis, como a utilização de produtos adquiridos
da agricultura familiar, como milho e não diminuição de insumos químicos;
• Ofertar suplementos minerais que contenham taninos, óleos e ionóforos, que reduzem a emissão de
metano; e
• É feita a conservação das estradas para evitar o máximo possível à formação de poeiras, e molhamento
sempre que possível nos locais mais críticos.
Minimizar o impacto da perda de habitat para a implantação de empreendimentos agropecuários pode ser
alcançado por meio de algumas práticas e estratégias, como:
• Supressão somente nos locais definidos; e,
• Preservação das áreas de APP e de Reserva Legal.
Para minimizar esses impactos, é importante que o empreendimento implemente medidas de controle de
pragas e vetores de doenças. Isso pode incluir o uso de produtos químicos para controle de insetos e roedores, a
eliminação de reservatórios de água estagnada, e o monitoramento regular da presença de vetores de doenças.
Além disso, é importante que considerem a conservação dos habitats naturais próximos ao
empreendimento, permitindo a manutenção de populações de predadores naturais e minimizando as condições
propícias à proliferação de vetores de doenças. A implementação de práticas de manejo ambiental adequadas
também pode ajudar a minimizar os impactos na fauna e na flora da região. Algumas medidas adotadas são:
• Realização de limpeza diária de equipamentos, veículos e edificações do empreendimento;
• Armazenamento adequado dos alimentos e rações no empreendimento;
• Adoção de equipamentos e utensílios que facilitem a limpeza e manipulação de produtos;
• Destinação adequada dos resíduos sólidos adequados, evitando o acumulo dos mesmos.
• Retirada diária dos dejetos das instalações onde se encontram os animais;
• Implantar nas edificações do empreendimento uma ventilação adequada ao controle de odores e vapores;
• Dar destino correto aos efluentes gerados nas áreas do empreendimento;
Para minimizar esses riscos, é fundamental que os trabalhadores recebam treinamentos adequados em
segurança no trabalho, utilizem equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados para cada tipo de atividade
e que os empreendimentos agropecuários sigam normas e regulamentações de segurança e saúde do trabalho
estabelecidas pelos órgãos competentes.
• Treinamentos sobre a proteção para os empregados, orientando sobre os riscos que os agrotóxicos e os
adubos químicos poderiam lhes causar;
• Fornecimento e a obrigatoriedade do uso de equipamentos de proteção individual (EPI’s) e equipamentos
de proteção coletiva (EPC);
• Garantia de um ambiente de trabalho esteja em conformidade com as normas vigentes de saúde
ocupacional e de segurança;
• Realizar a manutenção preventiva dos equipamentos;
• Os funcionários deverão se hidratar constantemente, principalmente nos períodos de estiagem;
• Evitar os trabalhos em horários noturnos; e,
• Implantação de placas de sinalização.
Deverá priorizar a contratação de pessoal e serviços, bem como a compra de insumos, equipamentos e
máquinas na região de implantação do empreendimento e, quando não possível, ao menos no estado do Piauí.
Para minimizar esses impactos, é importante que as propriedades agropecuárias tenham um plano de
gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes líquidos, que contemple desde a coleta, armazenamento e
transporte até a destinação final adequada. Essa destinação pode incluir a compostagem, a reciclagem e/ou a
disposição em aterros sanitários licenciados, dependendo do tipo de resíduo.
Além disso, é importante que os produtores sigam as normas e legislações ambientais vigentes, como a
Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Resolução CONAMA n° 357/2005, que estabelecem critérios para o
descarte de resíduos sólidos e efluentes líquidos. As principais medidas que serão adotadas na Fazenda CR I, II,
III e IV, são:
• Construção do tanque séptico seguindo as recomendações;
• Realizar periodicamente a manutenção e a limpeza das fossas/sumidouros existentes nas áreas da
propriedade;
• Evitar aspersão de material orgânico para adubação, evitando a presença de insetos (moscas, mosquitos,
baratas, etc.) e animais silvestres vetores de doenças (ratos, gambás, etc.);
• Realizar sistema de manejo adequado dos dejetos do rebanho;
• Realização de campanha entre os empregados do projeto, para esclarecimento sobre as formas de
acondicionar vasilhames e sobras de produtos, inclusive de uso pessoal, em sacos plásticos e que os
mesmos, posteriormente, sejam destinados a locais apropriados; e,
• Implantar cercas nas áreas de APP, evitando o acesso do rebanho aos corpos hídricos.
Para minimizar os impactos das mudanças climáticas geradas pela atividade agropecuária, é importante
que os empreendimentos adotem práticas de gestão ambiental adequadas, como o manejo sustentável dos
recursos naturais, o uso eficiente da água e a redução das emissões de gases de efeito estufa. O empreendimento
pretende adotar:
• Realizar sistema de manejo adequado dos dejetos do rebanho;
• Adotar melhores práticas culturais, a fim de propiciar um pasto de qualidade aumentando a digestibilidade
dos animais e diminuição a redução do metano;
• Instalar uma cobertura sobre as esterqueiras para reduzir a dispersão dos gases;
• Ofertar suplementos minerais que contenham taninos, óleos e ionóforos, que reduzem a emissão de
metano;
• Programa adequado de nutrição animal; e,
• Melhoramento genético.
Para minimizar esse impacto, é importante que os empreendimentos agropecuários sejam planejados de
forma a considerar a infraestrutura existente e as necessidades de desenvolvimento da região. Investimentos em
infraestrutura devem ser planejados de forma a acompanhar o crescimento da atividade econômica, garantindo o
fornecimento de serviços adequados e evitando problemas como sobrecarga de demanda. Além disso, ações de
conscientização e educação podem ajudar a reduzir o consumo excessivo de recursos e aprimorar a gestão dos
serviços disponíveis. O empreendimento buscará:
• Manter as estradas da propriedade em bom estado de conservação;
• Controlar o peso no transporte de animas.
Nas fases de implantação e operação da Fazenda CR I, II, III e IV, alguns cuidados deverão ser constantes,
e independem dos impactos. Destacar-se os seguintes cuidados:
• Deverá ser mantida preservada a área destinada como Reserva Legal e Área de Preservação Permanente,
uma vez que elas funcionarão como refúgio ecológico para a fauna local remanescente e preservação das
espécies nativas na área de influência direta;
• Estabelecer obrigatoriedade do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) para todo o pessoal
envolvido nas obras de construção;
• Os horários de trabalho deverão ser disciplinados, de forma a evitar incômodos à população;
• Sinalizar as áreas de risco potencial;
• Deverão priorizar a contratação de trabalhadores, serviços e materiais que vivem nas comunidades
próximas às áreas de implantação do empreendimento e nas sedes dos municípios vizinhos;
• Não se deve permitir a matança ou caça de animais silvestres pro parte dos trabalhadores durante a ação;
• O proprietário deverá manter os operários preparados para o combate a incêndios, no sentido de evitar
perdas da cobertura vegetal da área de entorno principalmente quando próxima as áreas protegidas;
• Informar aos trabalhadores quanto à periodicidade das contratações, regime de trabalho, direitos,
garantias e deveres;
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
Licenciamento do Meio Físico Meio Socioeconômico da Fauna da flora
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 233 de 265
RIACHO FRIO – PI
• Não requisitar forças de trabalho infantil ou menor de 18 anos, independentemente da função a ser
desenvolvida;
• Os equipamentos pesados utilizados durante estes serviços deverão estar regulados, no sentido de evitar
emissões abusivas de óleos, gases e ruídos;
• Fazer o controle técnico dos trabalhos de terraplanagem, de forma que ocorra o equilíbrio no manejo dos
materiais arenosos e terrosos;
• Os movimentos de terra deverão ser feitos de modo a adaptar as valas à topografia das áreas, minimizando
as declividades e ressaltos, o que contribuirá também para o controle do escoamento das águas pluviais;
• Monitorar o sistema de coleta e disposição final dos resíduos sólidos gerados;
• Implementar cronograma de vacinação dos rebanhos;
• Implantar almoxarifado com sistema de ventilação adequada, a fim de evitar ambientes insalubres;
• Uso de terraços em nível, impedindo que os dejetos sejam carreados para o manancial;
• Evitar assoreamento nas margens dos corpos hídricos;
• Evitar a compactação dos solos das áreas da propriedade;
• Implantação de bebedouros para o rebanho, fora das APP’s;
• Implantação de cercas e placas de aviso ao longo da delimitação das APP’s;
• Adotar manejo de pastagem;
• A degradação da pastagem faz com que haja redução na produtividade, perda de matéria orgânica do
solo, ou emissão de CO2 para atmosfera, com redução no sequestro do carbono na pastagem;
• Aproveitamento o material orgânico do rebanho como condicionador de solo;
• Evitar assoreamento e compactação do solo;
• Delimitar áreas de pasto para o rebanho.
• Retirar o excesso do esterco mesmo estando em pleno ciclo;
• Cobertura do solo utilizando cal virgem para reduzir o odor dos dejetos retirados;
• Instalar uma cobertura sobre as esterqueiras para reduzir a dispersão dos gases;
• Aplicações de vacinas e produtos veterinários nos animais;
• Estabelecer um programa de controle de pragas e de animais vetores de doenças;
• Os uniformes e acessórios (tais como aventais, calças, gorros e máscaras) utilizados pelos funcionários
nas atividades diárias deverão ser trocados diariamente; e,
• Aplicação de brincos mosquicidas no rebanho.
A instalação do empreendimento no meio natural pode resultar em alterações dos parâmetros físicos e
biológicos locais, tendo em vista a necessidade de manejar os recursos naturais existentes na área. A adoção de
planos para controle e monitoramento ambiental visa à mitigação ou absorção dos impactos adversos. O
aproveitamento dos impactos benéficos é de suma importância, tendo em vista que a não incorporação poderá
resultar em danos ao meio natural e a própria operacionalização do empreendimento.
Os planos de controle e monitoramento técnico e ambiental têm como objetivo propor soluções para
atenuar e/ou compensar os impactos ambientais adversos gerados e/ou previsíveis aos componentes do sistema
ambiental pelas ações do projeto de implantação e operação do empreendimento.
Desse modo, constituem elementos básicos de planejamento e de saneamento ambiental para a
implantação do projeto, bem como de gerenciamento ambiental durante a fase de operação. As ações e medidas
sugeridas serão executadas durante todo o processo de implantação e operação do empreendimento. Os
Programas de Controle e Monitoramento propostos no Estudo de Impacto Ambiental são:
saúde, equipamentos de lazer, entre outros. Nesse programa também serão abordados a Educação Ambiental
junto aos trabalhadores.
• Programa de Sinalização
O Programa de Sinalização apresenta as diretrizes que devem ser adotadas no empreendimento a fim de
evitar a ocorrência de incidentes ou acidentes no trânsito por veículos automotores. A sinalização tem um papel
fundamental de alertar, advertir ou identificar a forma correta de transitar em vias públicas ou ambientes privados.
Quanto à responsabilidade pela execução dos Planos e Programas, o empreendedor poderá designar
dentro da sua equipe de trabalho os responsáveis ou equipe de trabalho responsável por cada medida, observando
as normas, orientações e outros dispositivos legais que orientam essas medidas. Caso avaliem ser mais eficiente
poderão contratar mão-de-obra técnica terceirizada, também especializada e habilitada junto aos Órgão
competentes, observando as normas, orientações e os dispositivos legais. Em ambos os casos, é papel do
empreendedor responsável realizar ações periódicas de avaliação e fiscalização da execução das medidas,
avaliando a importância do impacto, com a finalidade de verificar sua eficiência e adequação às normas ambientais
e outras normas vigentes.
9 PROGNOSTICO AMBIENTAL
O prognóstico ambiental reflete um quadro complexo de consequências em cadeia que podem resultar da
implantação do empreendimento, tendo em vista os processos naturais e antrópicos que se efetivam em um
cenário pré-existente de ocupação espacial bastante limitada e qualidade ambiental retratada por ecossistemas
variados.
Ao realizar o prognóstico ambiental sobre a área do empreendimento, é importante considerar o
zoneamento para a área em conformidade com a legislação ambiental em vigor; tomar como premissas básicas
as características físicas e biológicas da área, visando nortear o zoneamento; a implantação e a operação do
empreendimento serão acompanhadas dos Planos e Programas de Controle e Monitoramento Ambiental que
estenderá todas as áreas de influência do projeto, com o objetivo de maximizar os efeitos benéficos e de minimizar
os efeitos adversos; e, a implantação de um empreendimento legalizado pelos órgãos ambientais competentes
assegura a conservação das Áreas de Preservação Permanente e o controle da qualidade dos recursos
ambientais.
Neste capítulo será apresentada a análise comparativa entre os cenários futuros, considerando as
hipóteses de execução e a de não execução do empreendimento, com destaque para as vantagens e
desvantagens de cada cenário em relação aos aspectos ambientais dos meios físico, biótico e socioeconômico da
área. Para tanto, foram considerados aspectos da atual qualidade ambiental levantados no diagnóstico ambiental,
e da avaliação dos impactos ambientais. Assim, dois cenários foram definidos:
disso, a intensa mobilização de máquinas e equipamentos na área durante a realização da supressão vegetal
levará o afugentamento da fauna.
Na fase de funcionamento do empreendimento, são prognosticadas adversidades ambientais, lembrando
que o empreendimento se trata de um projeto agropecuário, onde é desenvolvida a atividade de plantio de
pastagem com a criação de gado bovino em regime extensivo. Deve-se considerar ainda que o entorno do
empreendimento apresenta uma baixa ocupação de residências.
Um prognóstico ambiental da área do empreendimento, considerando-se a sua implantação e operação,
e tomando-se como referência o diagnóstico ambiental elaborado para a área do estudo pode ser assim definido:
Por outro lado, o prognóstico que pode ser feito no caso de o empreendimento não obter a licença, leva
as seguintes considerações sobre a evolução da área de influência do projeto:
• Devido parte da área já estar antropizada em vários pontos, historicamente, seja com cultivo de capim ou
áreas expostas esperando cultivo, pode-se esperar que haja uma gradual formação/evolução dos
processos erosivos no local, inclusive com lixiviamento do solo;
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
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ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 239 de 265
RIACHO FRIO – PI
• Sem um empreendimento que faça uso das potencialidades locais da área de influência direta, teme-se
que a terra não seja utilizada de forma racional, podendo haver mera especulação imobiliária, esperando
valorização do terreno;
• Redução nos investimentos do setor de bovinocultura de corte;
• O município de Riacho Frio deixará de contar com um empreendimento adequado às condições ambientais
e socioeconômicas da região, que possui forte vocação para as atividades correlatas à do
empreendimento;
• Menor consumo de insumos;
• Aumento na taxa de demissões e menor geração de renda na região.
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O agronegócio tem sido um forte agente de transformação das regiões brasileiras, especialmente no
Estado do Piauí, impulsionado pelo aumento do consumo. A atividade agropecuária tem potencializado a produção,
aumentado a produtividade e alterado o perfil econômico dos municípios, gerando renda, crescimento do comércio
e supervalorização de produtos e serviços. Além disso, tem gerado impostos e absorvido parte da mão-de-obra
local.
No entanto, é fundamental garantir que o crescimento do agronegócio não ocorra em detrimento do meio
ambiente e dos recursos naturais. Por isso, o Estudo de Impacto Ambiental propõe soluções para adequar as
condições ambientais da área do empreendimento, evitando problemas futuros e preservando o padrão de
qualidade ambiental das áreas.
O EIA analisou as interações entre o empreendimento e os componentes ambientais da área,
considerando os dados do projeto proposto, os aspectos legais e as condicionantes ambientais atuais. O objetivo
é subsidiar o licenciamento ambiental para a continuidade da operação e ampliação do projeto agropecuário na
Fazenda CR I, II, III e IV, localizada no município de Riacho Frio.
O empreendimento visa o desenvolvimento de um sistema de manejo extensivo de criação de gado bovino
associado ao cultivo de diferentes espécies vegetais forrageiras em uma área de 1.728,715 hectares. Para isso,
serão respeitados os princípios de sustentabilidade e a implantação de infraestruturas especializadas. Além disso,
o uso de equipamentos poderá utilizar mão-de-obra local, gerando mais empregos para a população do entorno
do empreendimento.
Não há interferência deste empreendimento, considerando a Área de Influência Direta, com áreas de
populações tradicionais, tais como Terras Indígenas (TIs) e Comunidades Quilombolas (CQs), com Unidades de
Conservação (UC) ou interferências em sítios arqueológicos. No entanto o empreendimento encontra-se próximo
ao Parque Estadual Parque do Rangel.
Os recursos hídricos nessa região se apresentam como intermitentes ou efêmeros, onde na área do
empreendimento passa o riacho do limoeiro.
A região onde está alocado a Fazenda CR I, II, III e IV apresentar vegetação de transição cerrado-
caatinga, ecossistema é típico da região semi-árida do Nordeste brasileiro. A caracterização da vegetação foi
realizada por meio do lançamento de unidades amostrais, onde estimou-se uma densidade de 658 indivíduos por
hectare na área, distribuídas em 28 espécies, 26 gêneros e 11 famílias botânicas. Dentro do estrato arbóreo-
arbustivo da área de estudo a espécie de maior representação foi a cagaita, catinga-de-porco, pau-terra-folha-
larga, representando juntas 60,76% de toda a população, demonstrando uma grande dominância do ambiente.
Não foram identificadas nenhuma espécie protegida, imune de corte, ou ameaçada de extinção, dentro
da área de supressão do estrato arbustivo arbóreo, segundo a PORTARIA GM/MMA Nº 300, de 13 de dezembro
de 2022, que tornou pública a lista oficial de espécies da flora ameaçada de extinção.
No levantamento realizado para caracterizar a fauna da região prevaleceu as espécies de avifauna, com
50 espécies identificadas, também foram registadas 11 espécies pertencente ao grupo dos mamíferos, 15 espécies
de herpetofauna e 18 espécies de peixes de água doce. Dentre as espécies identificadas, três apresentaram algum
grau de ameaça: a ave jacu, sendo classificada como ameaçada, o macaco bugio-preto classificado como quase-
ameaçada, e a cobra corre-campo, classificado como vulnerável, todos categorizados pela IUCN, 2022.
A instalação do empreendimento resultará em alteração na dinâmica ambiental, uma vez que são
previsíveis interferências nas inter-relações do ecossistema, principalmente durante a fase de construção, quando
as ações do empreendimento resultarão em alterações nos componentes ambientais bióticos e abióticos,
prognosticando-se uma maior carga de adversidades ou efeitos negativos.
Para a análise dos impactos ambientais foram consideradas as características das áreas de influência,
obtidas por meio de seu diagnóstico ambiental, assim como as características do empreendimento, as intervenções
propostas para a sua implantação e a sua forma de operação. Do cruzamento dessas informações foi realizada a
previsão de impactos ambientais e, posteriormente, a avaliação deles. Onde foram considerando as medidas
mitigadoras, compensatórias para os impactos negativos e medidas potencializadoras para os impactos positivos.
Foram identificados 35 impactos previsíveis para a área de influência funcional do empreendimento, dos
quais 42,9% são de caráter benéfico, enquanto 57,1% são de caráter adverso, onde, conforme esperando para
esse tipo de empreendimento, o maior número de impactos negativos ocorrerá na fase de implantação e operação
do empreendimento.
No intuito de otimizar o projeto, este Estudo de Impacto Ambiental propõe soluções para adequar as
condições ambientais da área do empreendimento, no sentido de evitar problemas futuros do local e controlar o
uso dos recursos naturais da área, visando por fim preservar o padrão de qualidade ambiental das áreas. Além
disso com a adoção das medidas mitigadoras e de planos e programas de controle e monitoramento técnicos e
ambientais recomendados neste EIA/RIMA, os impactos adversos ao meio natural terão seus efeitos bastante
reduzidos.
A elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental atendem
aos princípios que norteiam o direito do ambiente, sobretudo o princípio da prevenção, através do monitoramento
dos recursos hídricos, fauna, flora, prevenção de processos erosivos, entre outras.
Tendo em vista as informações apresentadas no Estudo de Impacto Ambiental, pode-se concluir que o
projeto agropecuário a ser desenvolvido pela Fazenda CR I, II, III e IV, é ambientalmente viável, desde que sejam
Coordenador do Responsável Técnico Responsável Técnico do Responsável Técnico Responsável Técnico
Coordenação Adjunta
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ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA
FAZENDA CR I, II, III e IV Página 242 de 265
RIACHO FRIO – PI
aplicadas com rigor técnico pelo empreendedor as precauções necessárias à preservação ambiental através da
implementação das medidas mitigadoras (corretivas ou preventivas), potencializadoras e compensatórias e dos
projetos propostos, além do atendimento às condicionantes decorrentes do processo de licenciamento ambiental.
11 EQUIPE TÉCNICA
Engenheiro Florestal
Euvaldo Sousa Estrela CREA – 071574864 CTF – 7214869
Licenciada em Geografia
Antonia Luciana Soares Pedrosa
com Esp. em Geografia Sem registro CTF – 1931088
Almeida
e Educação Ambiental
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13 ANEXOS
1. Responsável Técnico
WELYTON MARTINS DE FREITAS SOUZA
Título profissional: Engenheiro Florestal, Engenheiro de Segurança do Trabalho RNP: 1913341860
Registro: 26036
2. Dados do Contrato
Contratante: CR PARTICIPACOES E ADMINISTRACAO DE BENS PROPRIOS LTDA. CPF/CNPJ: 43400081000120
Logradouro: RUA ORLANDO MAGNANI Nº: 155
Complemento: Bairro: JARDIM CASABLANCA
Cidade: SÃO PAULO UF: SP CEP: 05842-110
Contrato: Sem número celebrado em 01/04/2023 Vinculado à ART:
Valor: R$ 10.000,00 Tipo de Contratante: PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO
Ação Institucional:
3. Dados da Obra/Serviço
Logradouro: FAZENDA CR I, II, III E IV Nº: S/N
Complemento: Bairro: ZONA RURAL
Cidade: RIACHO FRIO UF: PI CEP: 64975-000
Data de Início: 10/04/2023 Previsão de Término: 08/08/2024 Coordenadas Geográficas: -9.631069, -44.670308
Finalidade: AMBIENTAL Código:
Proprietário CR PARTICIPACOES E ADMINISTRACAO DE BENS PROPRIOS LTDA. CPF/CNPJ: 43400081000120
4. Atividade Técnica
COORDENAÇÃO Quantidade Unidade
ESTUDO DE DESCRIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS SOLOS 1.0000 unidade
ESTUDO DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL CARACTERIZAÇÃO DO MEIO 1.0000 unidade
ANTRÓPICO
ESTUDO DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL CARACTERIZAÇÃO DO MEIO 1.0000 unidade
BIÓTICO
ESTUDO DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL CARACTERIZAÇÃO DO MEIO 1.0000 unidade
FÍSICO
ESTUDO DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DE CARACTERIZAÇÃO 1.0000 unidade
FITOSSOCIOLÓGICA
ESTUDO DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DIAGNÓSTICO AMBIENTAL 1.0000 unidade
ESTUDO DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL IDENTIFICAÇÃO E 1.0000 unidade
POTENCIALIZAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS
ESTUDO DE DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL PROGNÓSTICO AMBIENTAL 1.0000 unidade
ESTUDO DE ESTUDO CLIMATOLÓGICO DE ÁREAS RURAIS 1.0000 unidade
ELABORAÇÃO Quantidade Unidade
ESTUDO DE INVENTÁRIO FLORESTAL 1652.0000 hectare
EXECUÇÃO Quantidade Unidade
EXECUÇÃO DE DESENHO TÉCNICO DE DADOS E INFORMAÇÕES CARTOGRÁFICAS, 21.0000 unidade
CARTOGRÁFICAS ESTATÍSTICAS E CARTOGRÁFICAS TEMÁTICAS
Após a conclusão das atividades técnicas o profissional deverá proceder a baixa desta ART
5. Observações
Coordenação e Elaboração técnica do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), bem como Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) referente ao projeto
agropecuário Fazenda CR I, II, III E IV, com implantação na zona rural do município de Riacho Frio, região sul do estado do Piauí. Técnico Responsável pela
elaboração do inventário florestal. Técnico Responsável pela elaboração de mapas e Arquivos digitais.
6. Declarações
Acessibilidade: Declaro que as regras de acessibilidade previstas nas normas técnicas da ABNT, na legislação específica e no Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro
de 2004, não se aplicam às atividades profissionais acima relacionadas.
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1. Responsável Técnico
WELYTON MARTINS DE FREITAS SOUZA
Título profissional: Engenheiro Florestal, Engenheiro de Segurança do Trabalho RNP: 1913341860
Registro: 26036
Teresina-PI
___________________ 22 de _____________________
______ maio de 2023
Local data
____________________________________________________
WELYTON MARTINS DE FREITAS SOUZA - CPF: 02294708318
Valor ART: R$ 96,62 Registrada em 22/05/2023 Valor Pago: 96,62 Nosso Número: 8201404423 Baixada em: