Simulado ENEM 2024: Linguagens e Redação
Simulado ENEM 2024: Linguagens e Redação
TEXTO II
QUESTÃO 11
Acusa-nos o Sr. Pinheiro Chagas a nós escritores
A inteligência do herói estava muito perturbada. Acordou brasileiros do crime de insurreição contra a gramática da
com os berros da bicharia lá em baixo nas ruas, disparando nossa língua [...]. Em sua opinião estamos possuídos da
entre as malocas temíveis. E aquele diacho de sagui-açu mania de tornar o brasileiro uma língua diferente do velho
que o carregara pro alto do tapiri tamanho em que dormira... português! [...] Em vez de atribuir-nos [...] essa revolução
filológica, devia [...] buscar o gérmen dela e seu fomento no
Que mundo de bichos! que despropósito de papões
espírito popular [...]. A revolução é irresistível e fatal, como
roncando, mauaris juruparis sacis e boitatás nos atalhos
a que transformou o persa em grego e céltico, o etrusco em
nas socavas nas cordas dos morros furados por grotões latim, e o romano em francês [...]; há de ser larga e profunda,
donde gentama saía muito branquinha branquíssima, de como a imensidade dos mares que separa os dois mundos
certo a filharada da mandioca!... A inteligência do herói a que pertencemos. Quando povos de uma raça habitam a
estava muito perturbada. As cunhãs rindo tinham ensinado mesma região, a independência política, por si só, forma sua
pra ele que o sagui-açu não era saguim não, chamava individualidade. Mas se esses povos vivem em continentes
elevador e era uma máquina. De-manhãzinha ensinaram distintos, sob climas diferentes, não se rompem unicamente
que todos aqueles piados berros cuquiadas sopros roncos os vínculos políticos; opera-se também a separação nas
esturros não eram nada disso não, eram mas cláxons ideias, nos sentimentos, nos costumes, e portanto na língua,
que é a expressão desses fatos morais e sociais.
campainhas apitos buzinas e tudo era máquina. As onças-
ALENCAR, J. Posfácio à 2a edição de Iracema. In: TELLES, Gilberto Mendonça et al
-pardas não eram onças pardas, se chamavam fordes (org.). Prefácios de romances brasileiros. Porto Alegre: Acadêmica, 1986.
hupmobiles chevrolés dodges mármons e eram máquinas. O comentário de José de Alencar (Texto II) sobre a crítica
Os tamanduás os boitatás as inajás de curuatás de fumo, de Pinheiro Chagas a um de seus romances (Texto I) reflete
em vez eram caminhões bondes autobondes anúncios- sobre o desenvolvimento da língua portuguesa no Brasil
-luminosos relógios faróis rádios motocicletas telefones sob um viés romântico, pois centra-se na
gorjetas postes chaminés... Eram máquinas e tudo na pesquisa filológica rigorosa.
cidade era só máquina! O herói aprendendo calado. De vez B comparação entre distintas línguas.
em quando estremecia. Voltava a ficar imóvel escutando C originalidade do idioma falado no país.
assuntando maquinando numa cisma assombrada. D historiografia praticada nesse momento.
ANDRADE, M. Macunaíma. Disponível em: [Link].
Acesso em: 17 set. 2023.
E visão subjetiva do escritor sobre sua língua.
QUESTÃO 13 QUESTÃO 14
Hábitos digitais estão “atrofiando” nossa O desenvolvimento e a comercialização do
habilidade de leitura e compreensão? microprocessador (unidade de cálculo aritmético e lógico
A neurocientista cognitiva americana Maryanne localizada em um pequeno chip eletrônico) dispararam
Wolf costuma ser abordada, em suas palestras e aulas, diversos processos econômicos e sociais de grande
por pessoas que se queixam de não conseguir mais se amplitude. Eles abriram uma nova fase na automação
concentrar em textos longos ou “mergulhar” na leitura tão da produção industrial: robótica, linhas de produção
profundamente quanto conseguiam antes. “As pessoas flexíveis, máquinas industriais com controles digitais
estão percebendo que algo está mudando em si mesmas, etc. Presenciaram também o princípio da automação de
alguns setores do terciário (bancos, seguradoras). Desde
que é seu poder de leitura. E há um motivo para isso”,
então, a busca sistemática de ganhos de produtividade por
diz Wolf. A razão, segundo a pesquisadora [...], é que o
meio de várias formas de uso de aparelhos eletrônicos,
excesso de tempo em telas – celulares e tablets, desde a
computadores e redes de comunicação de dados aos
infância até a vida adulta – e os hábitos digitais associados
poucos foi tomando conta do conjunto das atividades
a isso estão mudando radicalmente a forma como muitos
econômicas. Esta tendência continua em nossos dias.
de nós processamos a informação que lemos. Segundo um LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
livro de Wolf [...] e algumas pesquisas sobre o tema, o fato
O desenvolvimento das tecnologias de automação
de lermos cada vez mais em telas, em vez de papel, e a proporcionou um incremento econômico e social bastante
prática cada vez mais comum de apenas “passar os olhos” perceptível atualmente. Sob tal configuração, a oferta de
superficialmente em múltiplos textos e postagens on-line produtos e serviços foi
podem estar dilapidando nossa capacidade de entender
ampliada pela grande celeridade dos custos de produção
argumentos complexos, de fazer uma análise crítica do que e distribuição.
lemos e até mesmo de criar empatia por pontos de vista
B concentrada na busca particular de novos mercados e
diferentes do nosso. Tudo isso tem o poder de impactar consumidores.
desde a nossa performance individual no mercado de C desenvolvida para atender a uma parcela específica do
trabalho até nossa tomada de decisões políticas e a vida público consumidor.
em sociedade. D orquestrada para fazer a substituição escalonada da mão
Disponível em: [Link]. Acesso em: 14 set. 2023. de obra autônoma.
De acordo com o texto, a migração do papel para as telas E promovida pelo desenvolvimento de tecnologias focando
maior produtividade.
contribuiu para que a atividade da leitura se tornasse mais
dinâmica. QUESTÃO 15
B inteligível.
C cansativa.
D dispersiva.
E democrática.
QUESTÃO 19
A campanha utiliza a linguagem estrategicamente para conscientizar a sociedade acerca da doação de órgãos, centrando-se
no(a)
repetição de um substantivo abstrato que adquire diferentes sentidos pelo leitor.
B emprego de verbos no infinitivo que adquirem significação com base nas imagens.
C relação do substantivo “família” com a ilustração de diferentes tipos dela nas imagens.
D utilização de verbos no imperativo que fazem com as que as pessoas sintam-se obrigadas a agir.
E representação de duas famílias que perderam seus entes queridos por falta de doação de órgãos.
QUESTÃO 20
o céu azul e as avenidas planas
ladeadas de prédios com balcones
a música de los acordeones
e a confusão latino-americana
tive problemas logo na aduana
eu levo a vida dentro de um ciclone
um tira confiscou meu telefone
e a garrafa de grappa italiana
em Buenos Aires nada decepciona
velhos cafés onde cantou Gardel
e vinho feito da água das geleiras
acho que te esqueci em Barcelona
junto com minhas tintas e um pincel
eu vou cruzar a última fronteira
CORSALETTI, F. Engenheiro Fantasma. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
QUESTÃO 24 QUESTÃO 25
TEXTO I
D especificam o papel centralizador e controlador das Ambientada na cidade de Manaus do século XX, a narrativa
moedas virtuais.
de uma família que emigrou do Líbano situa aspectos desse
E consolidam o caráter moderador e regulatório das contexto histórico, expressos, no fragmento, pelo(a)
moedas virtuais.
cruzamento de etnias e culturas.
QUESTÃO 27 B sentimento de não pertencimento.
“A pior coisa é você perguntar as horas C conflito entre imigrantes e nativos.
e a pessoa esconder a bolsa”, diz D desejo de retornar ao local de origem.
Emicida sobre racismo no Brasil E ideia de fronteira como limite entre vivências.
“Salvo pelo hip hop e pela leitura”, segundo ele próprio,
o rapper não quis se distanciar da realidade que canta em
sua música e hoje mantém a sua gravadora independente –
“Laboratório Fantasma” – em Santana, perto da “quebrada”
onde nasceu.
Agora que acumula milhões de visualizações em clipes
no YouTube e faz shows até na Europa, Emicida se sente
na obrigação de falar sobre racismo.
CARNEIRO, J. D. MENDONÇA, R. BBC News Brasil. 1 set. 2015.
Disponível em: [Link]. Acesso em: 23 dez. 2018.
QUESTÃO 29
Os sistemas de informação de saúde e os recenseamentos, inquéritos e outras pesquisas demográficas são as
principais fontes de dados para o conhecimento das dinâmicas populacionais. Tais pesquisas já produzem um respeitoso
volume de dados, introduzindo complexidades para a sua análise. Então, já éramos big data? Ou big data se define não
só pela quantidade de dados em análise? Diversas propostas para definição do que vem a ser big data (ou sua vertente
científica e acadêmica denominada “ciência de dados”) se apresentam, acompanhando, naturalmente, a evolução de um
campo novo, com a absorção de suas rápidas mudanças e novas aplicações. Contudo, parece haver uma convergência:
big data não diz respeito, unicamente, a grandes bases de dados. As implicações da correção dessa característica para
estudos populacionais e de saúde são importantes. O volume e a velocidade da produção de dados dessas áreas em
comparação aos campos das ciências naturais, como física e biologia, são menores, mesmo comparando-se todos os
microdados de todas as pesquisas demográficas e dos sistemas de informação em saúde.
SALDANHA, R. F.; BARCELLOS, C.; PEDROSO, M. M. Ciência de dados e big data: o que isso significa para estudos
populacionais e da saúde? Cadernos Saúde Coletiva, 2021. Disponível em: [Link]. Acesso em: 29 set. 2023
Segundo o texto, o fato de a definição para o termo “big data” não se restringir somente a dados volumosos
diz respeito à notória carência de informações para alimentar a base de dados de pesquisas em outras áreas.
B converge no sentido de defender uma exclusão do conceito, pois ele prejudica pesquisas em outras áreas.
C reflete sobre a exigência de contraposição do conceito para recuperar a relevância em pesquisas de outras áreas.
D demonstra que a velocidade da produção de dados amplia e consolida a interferência dos conceitos em outras áreas.
E aponta a necessidade de uma correção do conceito, uma vez que é importante também para pesquisas de outras
áreas.
QUESTÃO 30
veem na humilhante contingência de sofrer continuamente A narração apresenta uma sequência de ações
censuras ásperas dos proprietários da língua; [...] usando desencadeadas pelo ferimento de um desconhecido. No
do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir trecho “fez-se o curativo”, a palavra “se” desempenha a
que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como mesma função em:
língua oficial e nacional do povo brasileiro. O suplicante
“moviam-se devagar,”
[...] pede vênia para lembrar que a língua é a mais alta
manifestação da inteligência de um povo, é a sua criação B “e tomaram-se as informações.”
mais viva e original; e, portanto, a emancipação política C “viu-o sentar-se tranquilamente,”
do país requer como complemento e consequência a sua D “O desconhecido declarou chamar-se Fortunato”
emancipação idiomática. Demais, Senhores Congressistas, E “No fim, entendeu-se particularmente com o médico,”
o tupi-guarani, língua originalíssima, aglutinante, é a única
capaz de traduzir as nossas belezas, de pôr-nos em relação QUESTÃO 33
com a nossa natureza e adaptar-se perfeitamente aos
Um estudo feito pela Sam Schwartz Consulting em
nossos órgãos vocais e cerebrais, por ser criação de povos
parceria com a Bloomberg Philanthropies descobriu que as
que aqui viveram e ainda vivem, portanto possuidores da
cidades podem ficar mais seguras para os pedestres quando
organização fisiológica e psicológica para que tendemos,
incorporam arte no redesenho das estradas. O impacto da
evitando-se dessa forma as estéreis controvérsias
arte na paisagem urbana foi mensurado comparando taxas de
gramaticais, oriundas de uma difícil adaptação de uma
acidentes e o comportamento em tempo real de motoristas
língua de outra região à nossa organização cerebral e ao
e pedestres em locais que possuem arte na rua. [...]
nosso aparelho vocal – controvérsias que tanto empecem o
A arquiteta e urbanista Gabriela Azzolino Varella aponta
progresso da nossa cultura científica e filosófica.
BARRETO, L. O triste fim de Policarpo Quaresma. que faixas de pedestre com arte se tornam um elemento
Disponível em: [Link]. Acesso em: 17 set. 2023.
urbano que prende a atenção do motorista. “É importante
O texto, que compõe a petição enviada à Assembleia reforçar que chamar a atenção no trânsito é diferente de
Legislativa por Policarpo Quaresma, revela um olhar do distrair. Então, intervenções urbanas acabam atraindo a
personagem acerca da sociedade brasileira, demarcado atenção para espaços em que o motorista tem que estar
pelo(a) focado, como a rua. Além disso, essas intervenções
defesa das variações linguísticas brasileiras. também trazem arte e cultura para o dia a dia desses
B relevância da participação popular no Legislativo. transeuntes”, diz.
C desconsideração da língua portuguesa como brasileira.
D pedido de proibição do uso de expressões estrangeiras.
E condenação do emprego da norma-padrão no
funcionalismo público.
QUESTÃO 32
Médico e subdelegado vieram daí a pouco; fez-se o
curativo, e tomaram-se as informações. O desconhecido
declarou chamar-se Fortunato Gomes da Silveira, ser
capitalista, solteiro, morador em Catumbi. A ferida foi
reconhecida grave. Durante o curativo ajudado pelo
estudante, Fortunato serviu de criado, segurando a bacia,
Disponível em: [Link]. Acesso em: 6 dez. 2022.
a vela, os panos, sem perturbar nada, olhando friamente
para o ferido, que gemia muito. No fim, entendeu-se A função da Arte Urbana, no contexto do texto e da
particularmente com o médico, acompanhou-o até o imagem, é
patamar da escada, e reiterou ao subdelegado a declaração fazer uma crítica social.
de estar pronto a auxiliar as pesquisas da polícia. Os dois
B comunicar uma irregularidade.
saíram, ele e o estudante ficaram no quarto.
Garcia estava atônito. Olhou para ele, viu-o sentar-se C explorar o conceito de arte pela arte.
tranquilamente, estirar as pernas, meter as mãos nas D ressaltar a ideia de efemeridade da arte.
algibeiras das calças, e fitar os olhos no ferido. Os olhos E contribuir para uma mudança de conduta.
QUESTÃO 34 QUESTÃO 35
Canção pra não voltar A luta corporal indígena praticada no Alto Xingu –
[...] Brasil Central, costuma ser evidenciada na literatura e
Não me espere, porque eu não volto logo pela mídia em geral. Todavia, quase sempre depreendida
Não nade, porque eu me afogo superficialmente pelo senso comum ou na escrita dita
Não voe, porque eu caio do ar científica em algumas áreas do conhecimento, sobretudo na
Não sei flutuar nas nuvens como você Educação Física e segmentos afins. Ademais, largas tintas
foram conferidas (quase) sempre ressaltando o exotismo.
Você não vai entender
À exceção, principalmente, da literatura antropológica,
Que eu não sei voar
pouca luz, de fato, aplicou-se para melhor compreensão
Eu não sei mais nada
dessas atividades.
PAIVA, L. et al. Luta corporal indígena: contribuições à Base Nacional
Dó com baixo em dó Comum Curricular (BNCC). SOMANLU – Revista de Estudos
Sol com baixo em si Amazônicos – UFAM, n. 2, v. 2, jul.-dez./2021.
os pequenos, achar-vos-eis tanto menos quanto mais No fragmento lido, o andamento temático do texto se dá
fostes fumoso”. por meio da
presença do foco narrativo sempre na terceira pessoa.
QUESTÃO 38
B utilização do argumento por exemplificação para justificar
Nas terras dos indígenas Yawalapiti, no Alto Xingu, a tese defendida.
fala-se kalapalo, kamaiurá e kuikuro. O próprio yawalapiti, C predominância de construções com tematização
a língua original da etnia, sobrevive hoje na voz de apenas marcada, o “direito à ciência”.
três homens, todos já em torno dos 70 anos. D exploração de conectores, por exemplo, o uso de “no
O mais velho, Aritana, 76, é o cacique da tribo. Quem entanto” exprimindo a ideia de concessão.
trabalha para revitalizar o idioma é seu filho, Tapí Yawalapiti, E constatação de que o direito à ciência precisa ser de
43, mestrando em linguística na Universidade de Brasília conhecimento da população, porém sem apontar como
(UnB). […] fazer isso.
QUESTÃO 40 QUESTÃO 41
TEXTO I Eram três diabos que querem destruir a aldeia com
Em vez de pessoas cuja aparência agradava, gente pecados, aos quais resistem São Lourenço, São Sebastião
representativa a cumprir seus honrados afazeres humanos, e o Anjo da Guarda, livrando a aldeia e prendendo os
a exposição de Arbus perfilava monstros seletos e casos tentadores cujos nomes são: Guaixará, que é o rei; Aimbirê
extremos – na maioria, feios; com roupas grotescas ou e Saravaia, seus criados.
degradantes; em ambientes desoladores ou áridos – que ANCHIETA, J. Auto da festa de São Lourenço. Disponível em:
[Link]. Acesso em: 7 dez. 2022.
se haviam detido para posar e, muitas vezes, para olhar
com franqueza, com segurança, para o espectador. A obra Considerando que o trecho foi escrito pelo padre José de
Anchieta no início da colonização da América portuguesa,
de Arbus não solicita aos espectadores que se identifiquem
a indicação cênica serve ao propósito de
com os párias e pessoas de aspecto miserável que ela
fotografou. A humanidade não é “una”. criticar a colonização portuguesa do Brasil.
SONTAG, S. Sobre fotografia. Tradução Rubens Figueiredo. B formar congregadores religiosos para a Companhia de
1a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 45.
Jesus.
TEXTO II C levar os indígenas a se reconhecerem nos personagens
descritos.
D apresentar a religião católica aos nativos para promover
um sincretismo religioso.
E descrever fielmente o local em que os portugueses
desembarcaram ao chegar à nova terra.
QUESTÃO 42
As expressões “testar positivo” e “testar negativo” vêm
despertando certa curiosidade.
Aos que questionam tratar-se ou não de bom português,
afirmando que “testar” é verbo transitivo direto, recordamos
que tradicionalmente esse verbo apenas aparecia nos
dicionários nos sentidos jurídicos de “legar em testamento”
e de “dar testemunho”.
Apenas decênios depois, “teste” foi incorporado ao
léxico no sentido de “exame”, provindo do inglês test,
como avisa Laudelino Freire, em 1954. Mais ou menos ao
mesmo tempo, em 1961, outro grande dicionarista, Antenor
ARBUS, D. A Young Man in Curlers at Home on West 20th Street, N.Y.C. 1966.
Disponível em: [Link]/photos/97840029@N06/9102211370. Nascentes, admitiu “testar” no sentido de “submeter a teste”.
Acesso em: 15 set. 2023. MÓDOLO, M; AUBERT, E. H. Disponível em:
[Link]. Acesso em: 8 jul. 2023.
Ao retratar figuras que não correspondiam aos padrões
estéticos de sua época, entende-se que Diane Arbus O texto associa o surgimento das expressões “testar
pretendia positivo” e “testar negativo” ao(à)
tendência do português para vocábulos polissêmicos.
expandir a compreensão do belo.
B corroborar os estereótipos sociais. B resultado de um processo evolutivo do verbo “testar”.
C contrariar a inclusão dos enjeitados. C resistência dos falantes à inclusão de estrangeirismos.
D subalternizar os indivíduos diferentes. D consenso dos especialistas sobre a pertinência do uso.
E desmistificar uma humanidade homogênea. E retomada de aplicações antigas do substantivo “teste”.
QUESTÃO 43
Considerando os contextos em que circulam essa campanha publicitária, infere-se que seu objetivo visa
conscientizar os grupos de risco de que a prevenção contra o vírus da gripe é o melhor remédio.
B impor regras sociais que inibem a proliferação descontrolada do vírus da gripe em lugares públicos.
C estimular a vacinação contra a gripe, mostrando que a prevenção é a melhor forma de combater o vírus.
D derrotar a desinformação, modificando a crença de que o vírus da gripe não é algo tão prejudicial à saúde.
E influenciar o comportamento do leitor, ao mostrar que ele não tem o poder de controlar um ser microscópico.
QUESTÃO 44 QUESTÃO 45
E agora, José? A comunicação há tempos é um fator relevante e
A festa acabou, poderoso em diversos campos de estudo. A interação com
a luz apagou, o mundo e o fato de serem observáveis, as diferenças e
o povo sumiu, semelhanças em diversos âmbitos, a torna interessante
a noite esfriou, no cotidiano de diversos profissionais. Para a Educação
e agora, José? Física, pode ser mais uma ferramenta de estudo, um meio
e agora, você? de entender algumas manifestações corporais, assim
você que é sem nome, como forma de linguagem específica a certas ocasiões.
que zomba dos outros, Ao observar um indivíduo, alguns aspectos se destacam
e outros passam despercebidos. Tais aspectos variam de
você que faz versos,
acordo com diversas situações que de alguma forma se
que ama, protesta?
façam notáveis ao comportamento dele. O mundo que se
e agora, José?
conhece possui diferentes sociedades e, nelas, formas de
Está sem mulher, linguagem, e é possível aprender muito ao buscar observar,
está sem discurso, analisar e compreender essas linguagens.
Disponível em: [Link]. Acesso em: 27 out. 2023.
está sem carinho,
já não pode beber, De acordo com o texto, a ligação entre comunicação e
já não pode fumar, linguagem corporal é relevante para a Educação Física
cuspir já não pode, porque o(a)
a noite esfriou, comunicação verbal e a corporal se vinculam na teoria
o dia não veio, acadêmica.
o bonde não veio, B entendimento dos movimentos corporais pode revelar
o riso não veio, particularidades.
não veio a utopia C corpo humano e suas funções fisiológicas constituem
e tudo acabou seu objeto de estudo.
e tudo fugiu D inteligibilidade de alguns gestos se revelam a partir da
e tudo mofou, adoção da prática desportiva.
e agora, José? E linguagem corporal comunica as verdadeiras intenções
ANDRADE, C. D. José. In: . Reunião. do indivíduo diante de uma situação concreta.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija
texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “O papel da mídia para
o desenvolvimento de dismorfia corporal em crianças e adolescentes brasileiros”, apresentando proposta de intervenção
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a
defesa de seu ponto de vista.