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AVAI - Aldeia Indígena

Avaí é a cidade com a maior porcentagem de população indígena no estado de São Paulo, com 15,1% de seus moradores se declarando indígenas, segundo o Censo 2022. A maioria dos indígenas reside na reserva de Araribá, onde preservam suas tradições e a língua Terena, considerada ameaçada. A convivência entre as culturas indígena e não indígena é marcada pelo respeito e pela influência cultural nas festividades e no comércio local.

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AVAI - Aldeia Indígena

Avaí é a cidade com a maior porcentagem de população indígena no estado de São Paulo, com 15,1% de seus moradores se declarando indígenas, segundo o Censo 2022. A maioria dos indígenas reside na reserva de Araribá, onde preservam suas tradições e a língua Terena, considerada ameaçada. A convivência entre as culturas indígena e não indígena é marcada pelo respeito e pela influência cultural nas festividades e no comércio local.

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Conheça Avaí, a cidade mais indígena do estado de SP

Município tem a maior porcentagem de população que se declara indígena no estado de SP, sendo
15,1% dos moradores da cidade. Dados são do Censo 2022, divulgados pelo IBGE na segunda-
feira (7).
Por Luís Ricardo da Silva e Mariana Bonora, g1 Bauru e Marília
09/08/2023 07h03 Atualizado há um ano

A cidade de Avaí, no centro-oeste paulista, é o munícipio com o maior percentual de indígenas


em relação à população total, segundo os dados do Censo 2022, realizado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgados na última segunda-feira (7).
Segundo o levantamento, 15,1% da população de Avaí é considerada indígena. São 677
indígenas em uma população de 4.483 pessoas. De acordo com o IBGE, a pessoa indígena é
aquela que se autodeclara indígena e pode viver dentro ou fora das terras consideradas
indígenas. (Confira abaixo o ranking estadual).
Avaí: 677 indígenas (15,1%);
Arco-Íris: 249 indígenas (12,18%);
Barão de Antonina: 134 indígenas (3,79%);
Braúna: 177 indígenas (3,3%);
São Francisco: 78 indígenas (3%);
Tapiraí: 151 indígenas (1,89%);
Cananéia: 214 indígenas (1,74%);
Iguape: 327 indígenas (1,12%);
Mongaguá: 656 indígenas (1,06%);
Sete Barras: 118 indígenas (0,93%).

Em números absolutos, Avaí é a 5ª cidade com maior número de indígenas do estado, atrás de
São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Itanhaém. Todas cidades com mais de 100 mil
habitantes.

Ao g1, moradores indígenas e de outras etnias disseram que a vida em Avaí carrega, além de
tranquilidade e sossego na pacata cidade de pouco menos de 5 mil habitantes, a preservação das
tradições dos povos originários.

Lá, a maioria dos indígenas vive na reserva de Araribá e são, em grande parte, das etnias Terena e
Guarani. Há também alguns representantes dos Kaingang.

Historicamente, a terra-indígena Araribá era povoada pelo grupo tupi-guarani até 1932, quando
vieram os primeiros Terena do Mato Grosso do Sul, com o intuito de preservar o território que estava
sendo invadido por fazendeiros.
O espaço de cerca 1920,80 hectares ou 793,72 alqueires foi declarado reserva indígena antes
mesmo da chegada dos Terenas, em 28 de abril de 1913, após um decreto do Governo de SP. À
época, Avaí ainda era Distrito de Jacutinga, município e comarca de Bauru (SP).

A reserva completa 110 anos de fundação em 2023 e, ao todo, é formada por quatro aldeias. São
elas:

 Aldeia Kopenoty, onde vivem indígenas das etnias Terena e Kaingang


 Aldeia Ekeruá, onde vivem indígenas Terena
 Aldeia Nimeundaju , onde vivem indígenas da etnia Guarani
 Aldeia Tereguá, onde vivem indígenas das etnias Terena e Guarani

No povoado existe uma Unidade Básica de Saúde e também uma escola, vinculada à Diretoria de
Ensino de Bauru (SP), através da Secretaria Estadual de Educação, responsável pela contratação
dos professores e do corpo docente indígena.

“No dia a dia da nossa escola é sempre ensinado o Terena [idioma] para os mais pequenos, mas
isso também já vem da casa dos pais e aqui complementamos a formação”, conta Adão Alves,
professor indígena da instituição.

Terena, tereno ou têrenoe (denominação utilizada pelos terena) é uma língua indígena do
Brasil falada por cerca de 15 mil indivíduos da etnia Terena e pertencente à família linguística
aruaque. A utilização do terena estende-se principalmente no estado Mato Grosso do Sul, estando
também presente em aldeias indígenas localizadas em São Paulo, como a reserva Araribá em Avaí,
e no Mato Grosso.

O terena é considerado uma língua ameaçada devido ao baixo número de falantes e perpetuação
desigual da língua em diferentes aldeias. Assim, a língua é majoritária em algumas comunidades
indígenas e raramente utilizada em outras. A Unesco classifica o terena como definitivamente em
risco.

“No dia a dia da nossa escola é sempre ensinado o Terena [idioma] para os mais pequenos, mas
isso também já vem da casa dos pais e aqui complementamos a formação”, conta Adão Alves,
professor indígena da instituição.

Terena, tereno ou têrenoe (denominação utilizada pelos terena) é uma língua indígena do
Brasil falada por cerca de 15 mil indivíduos da etnia Terena e pertencente à família linguística
aruaque.

A utilização do terena estende-se principalmente no estado Mato Grosso do Sul, estando também
presente em aldeias indígenas localizadas em São Paulo, como a reserva Araribá em Avaí, e no
Mato Grosso.
O terena é considerado uma língua ameaçada devido ao baixo número de falantes e perpetuação
desigual da língua em diferentes aldeias. Assim, a língua é majoritária em algumas comunidades
indígenas e raramente utilizada em outras. A Unesco classifica o terena como definitivamente em
risco.

No entanto, a formação de novos talentos e integração da população indígena com o restante da


sociedade também faz parte da realidade vívida pelos grupos indígenas em Avaí.

Um desses exemplos é Regiane Kaingang. Nascida e criada na aldeia Kopenoti, a indígena atuava
como auxiliar de enfermagem. Para se qualificar na profissão e atuar em prol da comunidade, ela
resolveu fazer uma faculdade de enfermagem em Bauru (SP), cidade que fica a 42 quilômetros de
distância de Avaí.

“É um motivo de muito orgulho para mim e para minha comunidade. De me formar e voltar para
exercer o papel de enfermeira na minha aldeia. Eu saí com esse intuito de aprender e retribuir
para o meu povo”, conta a indígena.

O sentimento de preservação dos povos indígenas, seja da cultura ou da existência propriamente


dita, é o que motiva os indígenas em Avaí, e é repassado constantemente dentro da escola.

“Aprendemos sobre o passado da nossa cultura, do nosso povo. E devemos resgatar esse passado.
O povo está muito ligado na internet e não mais na tradição. A tradição é uma coisa nossa, que deve
ser guardada”, relata Victor Hugo, estudante indígena de 15 anos.

Na comunidade em Avaí há uma escola ligada a educação municipal — Foto: Chicão Terena / Arquivo pessoal
E para quem não se declara indígena, a cultura dos povos originários inevitavelmente permeia as
relações na cidade. É o que garante a professora de português Ana Cristina Mady, de 48 anos.

Identificada como uma mulher branca, ela é natural de Avaí e, embora tenha passado um tempo fora
da cidade, retornou e vive nela há 10 anos. Segundo ela, culturalmente e economicamente, a
influência da população indígena é visível para os outros moradores da cidade.

"Tem um impacto grande no comércio, isso é inegável. Culturalmente, eles estão sempre presentes
em festas pontuais, como o próprio Dia dos Povos Indígenas, 7 de setembro e 1º de dezembro, que é
aniversário da cidade, trazem seu artesanato e danças típicas", revela.

"O que eu acho lindo são as lendas urbanas, como a presença de cemitérios indígenas -um deles
estaria onde é a nossa praça da matriz Major Gasparino de Quadros. Mas certeza mesmo,
ninguém tem", complementa a professora.

Ana Cristina ressalta que, dentro da cidade, a coexistência entre as diferentes culturas tem como
alicerce primordial o respeito. "As lideranças indígenas lutam para que não haja a aculturação, no
sentido estrito da palavra. Eu acho que o movimento de trazer suas danças e artesanato aproximam,
ensinam, impõe respeito. Eu acho que o respeito é importante para qualquer cultura e para manter
qualquer cultura", pontua.

Reserva indígena em Arco-íris é formada por sete etnias — Foto: Lidiane Damaceno Cotui
Afonso /Arquivo pessoal

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