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Arte 6

Os povos indígenas do Brasil representam cerca de 0,83% da população, com 1,693 milhões de indígenas, sendo a maioria na região norte. O documento detalha as principais etnias, suas culturas, línguas, organização social, religiosidade e a relação histórica com os colonizadores portugueses. Além disso, destaca a rica herança cultural indígena que influenciou a sociedade brasileira, incluindo práticas alimentares, linguísticas e artísticas.
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Os povos indígenas do Brasil representam cerca de 0,83% da população, com 1,693 milhões de indígenas, sendo a maioria na região norte. O documento detalha as principais etnias, suas culturas, línguas, organização social, religiosidade e a relação histórica com os colonizadores portugueses. Além disso, destaca a rica herança cultural indígena que influenciou a sociedade brasileira, incluindo práticas alimentares, linguísticas e artísticas.
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ARTE 6° AO 9° ANO MÊS DE

ABRIL
Povos indígenas do Brasil:
principais etnias, suas culturas
e histórias
Os povos indígenas brasileiros formam hoje um contingente que
representa cerca de 0,83% da população brasileira.

Segundo os dados do último Censo do IBGE (2022), há 1.693.535


indígenas no país, sendo que desse total 622,1 mil (36,73%) vivem
em terras indígenas oficialmente reconhecidas pelo governo federal e
1,1 milhão (63,27%) fora delas.

Os povos indígenas estão presentes em todo território brasileiro,


tanto em áreas urbanas quanto rurais. A região norte é a que possui a
maior população indígena do país (44,48%).

Etnias
indígenas no
Brasil
No Censo anterior (2010), o
IBGE havia identificado 305
grupos étnicos indígenas
no Brasil, falantes de 274
diferentes línguas. Dentre
eles, há dois troncos
principais:

 Macro-Jê: que incluem os grupos Boróro, Guató, Jê, Karajá,


Krenák, Maxakali, Ofayé, Rikbaktsa e Yatê.
 Tupi: onde estão os Arikém, Awetí, Jurúna, Mawé, Mondé,
Mundurukú, Puroborá, Ramaráma, Tuparí e Tupi-Guarani.

Segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA), as etnias que se


destacam pelo número de habitantes (números do Censo 2010) são:
 Guarani: originários do tronco da família linguística tupi, os
guaranis habitam diversos estados do Brasil e estão divididos
em três grupos: kaiowá, mbya e ñadevaesse.
 Ticuna: pertencente à família linguística ticuna, estão
localizados na Amazônia, sobretudo às margens do rio
Solimões. Eles são considerados o maior grupo indígena que
vive na região.
 Caingangue: proveniente do tronco da família linguística
macro-jê, os caingangues se concentram em quatro estados
do Brasil: São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul.
 Macuxi: da família linguística Karib, os macuxis encontram-se,
na maioria, no estado de Roraima, vivendo majoritariamente
em aldeias e pequenas habitações isoladas pelo estado.
 Guajajara: oriundos do tronco tupi, os guajajaras existentes
moram no estado do Maranhão.
 Terena: da família linguística aruak, encontram-se nos estados
do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
 Yanomami: da família linguística yanomami, esse grupo habita
os estados do Amazonas e Roraima.
 Xavante: originários do tronco da família linguística macro-jê,
os xavantes estão concentrados em reservas indígenas no
estado do Mato Grosso.
 Potiguara: pertencem ao tronco da família linguística tupi e
estão concentrados nos estados da Paraíba, Ceará,
Pernambuco e Rio Grande do Norte.
 Pataxó: da família linguística pataxó, esse grupo encontra-se
nos estados da Bahia e Minas Gerais.

Culturas indígenas
As culturas indígenas são diversas , e cada etnia tem seus hábitos
próprios e um jeito de se relacionar com o mundo. Ainda assim,
podemos identificar que muitos povos compartilham modos de vida,
rituais e organização social semelhantes

Imagem dos índios pataxós


Línguas indígenas

Atualmente, existem 274 línguas


indígenas identificadas no Brasil,
segundo o censo do IBGE de 2010.

Os estudiosos organizam esses


idiomas em dois grandes troncos
linguísticos: Tupi e Macro-Jê. Dizer que esses idiomas fazem parte do
mesmo tronco, isto é, de uma mesma origem, não significa afirmar
que são parecidos.
Para que você entenda melhor: o português e o francês fazem parte
do mesmo tronco linguístico, o latim, e são bastante diferentes entre
si.

Além disso, dentro dos troncos linguísticos há a classificação por


famílias, como Karib, Aruak, Tukano, etc., que podem conter mais de
um idioma cada. Fora as línguas dos povos indígenas isolados, que
ainda não tiveram contato com as sociedades não-indígenas.

A oralidade é algo notório nas comunidades indígenas, sendo que


grande parte da cultura é transmitida desta maneira. Todavia, cada
vez mais os povos indígenas têm buscado a escrita como forma de
registrar sua cultura. Assim, é crescente a produção de escritores de
origem indígena.

Organização social nas sociedades indígenas

Os povos indígenas que vivem nas comunidades tradicionais formam


aldeias, que é um conjunto de habitações organizadas de acordo com
a cultura de cada povo. Essas aldeias podem ser classificadas pelo
formato: circulares, retangulares, lineares, entre outros. O pátio das
aldeias é o lugar onde ocorrem as celebrações e rituais, onde a vida
comunitária acontece.

As casas também são construídas de acordo com a tradição de cada


povo, respeitando sua religiosidade, a estrutura social, entre outros
fatores. São utilizados materiais da floresta, como a madeira e a
palha, e os métodos de construção, durabilidade, formato e tamanho
são diversos entre si.

Não podemos esquecer que muitos indígenas vivem hoje no Brasil em


áreas urbanas, habitando aldeias ou não. Um exemplo são as aldeias
indígenas Guarani localizadas da Terra Indígena Jaraguá, no município
de São Paulo, maior cidade do Brasil.

Parque do Xingu no estado de Mato Grosso, local que


abriga diversas etnias indígenas.
Nas comunidades indígenas tradicionais a
divisão de tarefas é muito clara, de modo
que os papéis sociais e tarefas de homens e
mulheres são bem demarcados, buscando
um equilíbrio.

Nesse sentido, a casa e a alimentação, incluindo o plantio e preparo


dos alimentos, são tarefas femininas, bem como o cuidado das
crianças e a produção de utensílios. Cabe aos homens a caça, a
defesa do território, as construções e as decisões políticas.
Os rituais de casamento são muito diversos de acordo com cada etnia
mas, em geral, nas sociedades indígenas tradicionais as uniões são
resultados de acordos entre as famílias buscando a manutenção da
comunidade.

Religiões dos povos indígenas

A religiosidade dos povos indígenas não se separa de todo seu modo


de viver. Como vimos, até a construção das casas obedece a uma
determinada maneira de crer.

Em geral, os povos indígenas acreditam em divindades que se ligam a


elementos da natureza, animados por espíritos criadores de tudo que
existe. Estas divindades são cultuadas por meio de rituais, que
envolvem cantos, danças, práticas alimentares e pinturas corporais
que, como sempre, variam de povo a povo.

Também são bastante presentes os chamados ritos de passagem,


que demarcam a saída da infância para a vida adulta e são diferentes
para homens e mulheres.

Nas comunidades indígenas tradicionais é marcante a presença de


uma liderança religiosa. Em tupi, essa liderança é chamada de pajé,
mas há outros nomes dependendo da língua. Seu papel é fazer a
intermediação entre a comunidade e o sagrado, aconselhando e
realizando a cura. Isto porque este líder é considerado um sábio
conhecedor das plantas e rituais, sendo capaz de se comunicar com
os ancestrais.

Arte indígena

A arte indígena é extremamente rica e se manifesta na música,


dança, arte plumária, cestaria, cerâmica, tecelagem e pintura
corporal.

O uso das cores e de certos materiais estão relacionados aos ritos de


passagem, celebrações agrícolas e do cotidiano.

Imagem das bonecas Karajá. Foram declaradas


patrimônio imaterial pelo IPHAN (Fonte: Kely
Carvalho, CC BY-NC-SA 2.0 DEED)
A relação entre os
portugueses e os
indígenas brasileiros
Estima-se que em 1500 havia cerca
de 5 milhões de pessoas habitando o atual território do Brasil.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, encontraram uma
população que habitava o litoral. Estes povos encontrados por Cabral
na Bahia, os Tupinambás e Tupiniquins, pertenciam ao grupo
linguístico tupi.

Os europeus passaram a nomear essas pessoas como “índios”,


resultado do equívoco inicial de pensar estarem em territórios
orientais (as Índias), e não em um continente desconhecido. Contudo,
o termo se manteve como marca de distinção social entre
colonizadores e colonizados, colocando os povos nativos sempre em
posição de inferioridade.

Atualmente o uso do termo genérico índio, que apaga a diversidade


cultural entre as etnias, costuma ser evitado.

Num primeiro momento, os contatos entre os indígenas e brancos


foram razoavelmente cordiais e marcados pelo escambo, ou seja, a
troca de produtos.

O trabalho de derrubar o pau-brasil e preparar a madeira para


embarque era feito pelos indígenas, em troca de roupas, colares,
espelhos, facas, serras e machados.

Os portugueses também se valeram dos conhecimentos desses povos


para explorar a terra, como o plantio de mandioca e outros vegetais,
a descobertas de caminhos para adentrar o território, entre outros.

Quando o português implantou um sistema colonial baseado na


lavoura de produtos valorizados na Europa, como o açúcar, e
pretendeu transformar os povos originários em escravizados,
segregou-os nos engenhos e privou-os da caça e da pesca e instigou
as lutas seculares entre os povos inimigos.

Os portugueses também buscaram impor sua religião, o cristianismo,


às populações indígenas. A ordem dos jesuítas estabeleceu missões
com a tarefa de catequizar essas populações, cujos costumes
consideravam selvagens.

Assim, instalou-se uma guerra entre brancos e os povos nativos. Tais


conflitos se estenderam ao longo de todo período colonial e depois
dele.

Índios soldados da província de Curitiba


escoltando prisioneiros nativos, de Jean-Baptiste
Debret
As populações indígenas perderam
suas terras e sofreram um
aniquilamento progressivo.
A capitania de São Vicente (São Paulo), nos séculos XVI e XVII, foi o
maior exemplo disso. De lá partiram as Bandeiras de caça aos povos
originários, que promoviam verdadeiras guerras de extermínio.

Família de um chefe indígena Camacã preparando-se


para um festival, de Jean-Baptiste Debret
A antropofagia entre os
povos indígenas
Sem dúvidas, a antropofagia foi uma das
práticas culturais dos povos originários
que mais chocaram os europeus. Era praticada pelos Tupinambás,
entre outros povos.

Quando os indígenas necessitavam de novos campos de caça, em


virtude da escassez de animais, ou quando desejavam terras mais
férteis, valiam-se da guerra. Desenvolvia-se assim, geração após
geração, um ideal guerreiro de masculinidade, coragem e força.

A antropofagia entre os povos originários não era provocada pela


ausência de alimentos. Eles devoravam seus semelhantes por dois
motivos: vingança e culto aos antepassados.

Em algumas comunidades devoravam-se também os próprios


membros do grupo que faleciam de morte natural. Acreditavam que,
desta forma, assimilavam as virtudes do parente falecido.

Nações indígenas na época colonial


Desde a época colonial houve interesse em conhecer os indígenas, a
fim de torná-los aliados contra invasões de outros europeus.

Vale lembrar que a visão formada pelos portugueses era bastante


influenciada pelos povos de origem Tupi, primeiros a ter contato com
os europeus.

Assim, a primeira forma para entender os indígenas foi reuni-los em


grupos linguísticos ou grandes nações, das quais se destacaram:

 Tupi: espalhavam-se por toda a costa atlântica e várias áreas


do interior;
 Jê ou Tapuia: viviam no Planalto Central brasileiro;
 Aruak: habitavam, na maioria, na Bacia Amazônica;
 Karib: ocupavam o norte da Bacia Amazônica.
Herança cultural
indígena
As culturas indígenas são uma
das matrizes formadoras da
sociedade brasileira. Dentre os
costumes herdados dos
indígenas destacam-se:

 O uso da rede de dormir;


 A utilização do milho, da
mandioca, do guaraná e
demais frutos nativos;
 O emprego de várias ervas medicinais;
 As técnicas de fabricação de canoas, jangadas e artefatos de
palha e cipó;
 O uso de técnicas agrícolas tradicionais como a coivara
(queimada das roças antes de fazer novo plantio), etc.

A língua portuguesa falada em nosso país possui uma infinidade de


palavras de origem indígena, como Iara, Jaci, Itu, Itapetininga,
Anhanguera, tapioca, beiju, pamonha, gamela, puçá, arapuca, dentre
outras.

Na sociedade colonial, a união entre indígenas e brancos - no


princípio considerada ilegítima - ganhou o nome de "mameluco" ou
"caboclo". Por sua vez, a união entre indígenas e negros deu origem
aos termos "cafuzo" e "caboré".

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