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DE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO

DIREÇÃO

COM A TRUPE INTACTA RETINA

EM PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
como ESPÍRITO

ATOR CONVIDADO
como REI GERUTH

e práticas culturais estão na ordem do dia. Sublinhar a heterogeneidade de grupos – estigmatizados ou não – incluídos à revelia na recente globalização, destrói todo um pensamento hegemônico. Qual seja, vivemos por muito tempo, nós, ocidentais, sob a égide de um binarismo de base. Acreditávamos no “bem em si”, e nas escolhas únicas entre pares antagônicos – homem/mulher, senhor/escravo, capitalismo/comunismo. O que está em jogo é a criação de caminhos transversos, de sentidos que excedam estas dicotomias. Vale lembrar o Deleuze de Mil platôs, ao propor um espaço transiente. A troca da lógica do “isto ou aquilo” pelo “isso e aquilo”. E aí entra em cena o papel das diferenças. sociedade descentrada, que começa a gerir suas peculiaridades através das famosas “guerras de identidade”. No lugar de um Homem, existe um indivíduo que, espantado, descobriu que sua vontade não passava de uma ilha no oceano de si mesmo. Não somos donos de nossas aparências, ferozmente cultivadas por mentiras e mitos “congênitos”. Descobrimo-nos apenas células quando procurávamos o deus da cidade. Os anos sessenta estão a colher seus frutos nesse momento. A contingência e o caráter não sintético dos empreendimentos brilham na ponta do iceberg. Uma síntese fecha um discurso, cria uma certeza, fecha os possíveis horizontes, resseca o solo do conhecimento. me parece uma proposta imbuída desse novo espírito. É uma aposta. Cada um tem seu Shakespeare. Harold Bloom entronizou o bardo no centro do cânone ocidental; Peter Brook, em suas encenações, surrupiou o “respeito” pelo tradição do império; Tom Stoppard tirou-lhe as calças. O grupo da Trupe Intacta Retina, formado basicamente por mulheres, pretende – e é assim que me parece – destruir a máquina de alteridade que conformou a mulher, aqui, por estas plagas. Não é um Hamlet feminino. É um flerte, uma obra aberta, em processo, um trabalho de reconfiguração. Seja dito: Carolina Floare, a tradutora dessa montagem, é a própria imagem das novas articulações. Bailarina, portuguesa, poliglota, “brasileira”, atriz, escritora e tudo que o verso ainda tiver fôlego para dizer. Portanto, o que se espera não é somente uma “peça de teatro”. Sim, um convite de outras sereias, de novas cantoras. Que o Ulisses-espectador se perca e jamais retorne à casa. Para o emigrado, toda terra é estrangeira, inclusive a sua origem.

Por MAURÍCIO GONÇALVES, Brasileiro – Ator e Professor

“Hamlet” foi escrita por Shakespeare na virada para o século XVII e tornou-se a peça mais estudada, citada e encenada da história do Teatro Mundial. Obra literária divisora de águas, referência do Humanismo, de uma Revolução Moral. O ser humano que se liberta dos grilhões das certezas medievais da alma e ousa perguntar-se: ser ou não ser? A passagem da Idade Média para a Renascença continua a operar-se ainda hoje, em cada alma. É por isso que “Hamlet” nunca morre e é universal, por que é a maior reflexão sobre a condição humana. “Hamlet 2012” é uma nova tradução deste poema ilimitado e, como tal, busca novos limites da sua beleza e vigor originais. Ao mesmo tempo, é uma adaptação da obra para esse tempo e esse espaço definidos apenas por uma contemporaneidade e por um mar. A inversão dos gêneros de (absolutamente) todos os personagens é um desafio experimental à própria essência da obra: o seu humanismo. Para a reflexão sobre a condição humana, obviamente tanto faz ser-se homem ou mulher. E é exatamente essa essência da obra que queremos fazer ressaltar, através da surpresa de estarmos perante a mesma história apesar da subversão radical das formas. Fora isso, é mais um “Hamlet” erguido por mais uma trupe de atores apaixonados por seu ofício, que um dia quiseram criar caminhos transversos e novos sentidos para tocar e viver a maior peça do mundo. Sem pretensões. Mas também sem pudores. Por CAROLINA FLOARE, Portuguesa – Atriz e Tradutora/Adaptadora de Hamlet 2012

é o resultado de uma tradução e adaptação inéditas da obra-prima de Shakespeare, a peça que, desde há quatro séculos, mais tem atraído atores e público na história do Teatro Mundial. desafia a essência humanista da obra: por um lado, inverte os gêneros de todos os personagens, mantendo suas características e relações, e, por outro lado, liberta-os do condicionamento histórico específico, levando-os para o limite de uma era e um espaço indefinido.

o símbolo do “ponto zero”, a partir do qual se conta a tão famosa história como se fosse pela primeira vez.

vez que se monta um “Hamlet” desta maneira, em que todos os personagens masculinos são transpostos para o feminino e vice-versa. o confronto fundamental com a condição humana para além das formas, Hamlet 2012 pretende contribuir para a compreensão do homem contemporâneo sobre si mesmo e sobre sua identificação e relação com o outro, o meio e o divino. a proposta de inversão dos gêneros de todos os personagens remete a uma reflexão sobre a existência e complexidade da alma humana, sobre a igualdade essencial dos sexos acima de qualquer diferença acidental. são propostos numa linguagem surpreendentemente clara e acessível, que procura resgatar a poesia e a popularidade originais do texto de Shakespeare e atrair, dessa forma, todos os tipos de público. Promoverá, assim, a elevação cultural, filosófica e artística da sociedade em geral e a formação de um público teatral crítico.

indefinido à beira-mar, morre subitamente a Rainha. Dois meses passados, o Rei viúvo já está casado com sua antiga cunhada, a nova Rainha, para espanto do povo e revolta de Hamlet, a Princesa, ainda em luto pela mãe. o espírito inquieto da Rainha falecida ronda o palácio durante as madrugadas até conseguir se comunicar com a filha. A revelação é terrível: houve um assassinato. Uma irmã matou a outra para ter acesso ao poder e ao amor do Rei.

a fazer justiça e a endireitar seu Reino caído na corrupção de valores, renuncia ao amor, reflete e, consequentemente, hesita, procura provas através da loucura e do teatro... Uma tragédia com pitadas de humor. E se Hamlet fosse uma mulher? E se tivessemos uma Rainha assassina? E um Rei entre elas? E se Ofélia fosse Ofel? E se, mesmo assim, a história fosse exatamente a mesma?

e professora de teatro há mais de trinta anos. Atuou nas peças: Jardim das Cerejeiras, A Barca do Inferno, Kurtindo Weill, Tribobó City, A Menina e o Vento, Capitães da Areia, Apareceu a Margarida, O Abobalhado, Genética, Cadilak Vermelho, Nhoc em Tempos de Crise, A Tuba, Amores de Sabrina, entre outras. Sua experiência no cinema inclui filmes como: Veja Esta Canção, Exupiá, Coração Mágico de Macunaíma, O Quinto Macaco, As Dez Bailarinas do Cassino, A Grande Arte. Na TV, Grande Sertão Veredas, Memórias de um Gigolô, Linha Direta, Zorra Total, Sob Nova Direção, Mães de Acari, Turma do Didi e Escrito nas Estrelas foram alguns dos seus trabalhos. assistente do diretor inglês David Herman durante sete anos em dez espetáculos produzidos na CAL (Casa de Artes das Laranjeiras). Como diretora assistente, trabalhou ainda nos espetáculos profissionais: A Gaivota e Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekov, e A Cozinha, de Arnold Wesker. Dirigiu profissionalmente as seguintes peças: Maldita Parentela, de França Júnior, A Mais Forte, de Stringberg, e Escola de Mulheres, de Molière. de interpretação na Cia. de Teatro Contemporâneo do Rio de Janeiro, onde já dirigiu Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, de Almodóvar, Arlequim Servidor de Dois Patrões, de Carlo Godoni e O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol. além de diretora, faz uma participação especial como atriz, no papel de Espírito.

e bailarino. Na TV, atuou nas novelas Senhora do Destino, Paixões Proibidas, Alma Gêmea, Tocaia Grande, Tecendo o Saber, Louca Família, Caminhos do Coração e nos seriados Dona Flor e Seus Dois Maridos e Os Maias. participou dos filmes A Cartomante, Dente por Dente, A Grande Arte, Boca de Ouro, Quilombo e Um Trem para as Estrelas. trabalhou em musicais como Teatro Musical Brasileiro II, A Pequena Loja dos Horrores, Rent, Porgy and Bess, Eu Sou Samba, Zé Com a Mão na Porta e no espetáculo Um Lugar Chamado Recanto. Em 2003, viveu um um dos pontos altos da sua carreira: o musical Ópera do Malandro, de Chico Buarque. O espetáculo ficou em cartaz quase um ano no Rio de Janeiro. O trambiqueiro General Eletric, o seu personagem na peça, teve tanto sucesso que, ao fim do musical, Ronnie Marruda entrou na novela das oito da TV Globo, para viver o expresidiário Cigano em Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva. de Ópera do Malandro em Concerto, um espetáculo de Charles Möeller e Claudio Botelho. Ronnie Marruda vive o personagem Rei Geruth, pai de Hamlet.

teatral composto por jovens atores do Rio de Janeiro. Desenvolve, desde março de 2010, um estudo da linguagem e métodos teatrais. e sua experimentação cênicas em cima da dramaturgia clássica e contemporânea têm sido desenvolvidas com os diretores Regiana Antonini, Gilles Gwizdek e Sílvia Carvalho. como grupo, peças como Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues; Banheiro Feminino, de Regiana Antonini; e Crônicas, de Arthur Azevedo. com direção de Sílvia Carvalho, culmina, assim, dois anos de intensivo estudo e experimentação orientados para a busca de uma linguagem teatral que fale ao homem contemporâneo.

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DIREÇÃO DE ARTE Leite DIREÇÃO DE MOVIMENTO Belchior Shakespeare ESGRIMA ARTÍSTICA Rocha TRILHA Floare Carvalho Fonseca Viegas COLABORAÇÃO TRILHA Zeni LUZ PROJETO E ARTE GRÁFICA Floare ARTE MATERIAL DIVULGAÇÃO Comunicação FOTOGRAFIA E CÂMERA Ribeiro FOTOS Chaves Almeida Bastos Maia DIVULGAÇÃO WEB F. ASSESSORIA DE IMPRENSA Vidal ASSISTÊNCIA DE PRODUÇÃO Guerra DIREÇÃO DE PRODUÇÃO Almassy ( Promoções e Eventos) PRODUÇÃO Intacta Retina

TEXTO

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO Floare
DIREÇÃO Carvalho ELENCO Rodrigues Falconi Floare Marangoni Crispim Valente Targino Favatto Rodrigues PARTICIPAÇÃO ESPECIAL Carvalho ATOR CONVIDADO Marruda

De Simoni
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