Desde o início dos anos 1990, o Brasil passou pela adaptação ao processo de globalização e de adoções de políticas neoliberais, sobretudo

privatizações e abertura econômica. Este quadro de transformações macroeconômicas está diretamente relacionado com o panorama europeu surgido após 1989 com a queda do muro de Berlim e o fim do regime socialista soviético (1991). Estes fatos redesenharam a política e a economia mundial que se seguiram, incentivando o movimento para a adoção do neoliberalismo como sistema econômico e político. “Derrubar as barreiras entre as duas Alemanhas significou a internacionalização do país, consolidando a hegemonia de uma única superpotência, o que gerou violência e desigualdade principalmente para a Europa oriental” 1.
As reformas neoliberais adquiriram várias formas, mas alguns elementos estiveram presentes em todas elas: a “remercantilização” da força de trabalho, a contenção ou fechamento dos sindicatos, a desregularização do mercado de trabalho e a privatização de muitos serviços sociais que estiveram historicamente nas mãos dos Estados. “Tudo feito com o objetivo declarado de encorajar a responsabilidade pessoal ou coletiva pela própria auto assistência feita através do mercado. Como resultado, a tendência na maioria dos países tem sido a segmentação crescente dos sistemas de bem-estar social, acompanhada de um maior papel dos grupos privados e de uma assinação de maior autonomia aos setores voluntários e outros tipos de organizações privadas ou filantrópicas”. (FIORI, 1997:14). E neste contexto, não poderia deixar de citar Consenso de Washington, ocorrido no ano de 1989, que apesar de não discutir diretamente questões sociais como pobreza, saúde de educação, consequências da liberalização econômica. O consenso foi uma reunião de funcionários do governo norte-americano e de representantes dos organismos financeiros internacionais como o Banco mundial e FMI (Fundo Monetário Internacional) para avaliar as reflexões das propostas neoliberais empreendidas na América Latina. A conclusão desta reunião consensual foi à imposição direta na negociação das dividas externas dos países latino-americanos (BATISTA, 1997:05). Contudo, para o governo Collor foi inevitável esta adesão às organizações financeiras internacionais e as políticas neoliberais alinhadas ao governo dos Estados Unido, pois a dívida externa crescente foi combatida com medidas drásticas de intervenção no mercado, o que levou a uma desconfiança econômica no país e ao recuo de Collor, obrigado a aderir ainda mais as propostas neoliberais norte-americanas, como não impor limites às tarifas de importações e iniciar a negociação com os países vizinhos para a criação do mercado comum do cone sul.

1

(HOBSBAWM,E. Entrevista a Folha de São Paulo em 08 de Novembro de 2009).

responsabilidadesocial. José L.php?id=140 . Revista de Saúde Coletiva. DA URSS E DECADÊNCIA DO ESTADO DO BEM-ESTAR SOCIAL NA EUROPA E CONSENSO DE WASHINGTON. Rio de Janeiro. Estado de bem estar social: padrões e crises.1997.RELACIONAR COM QUEDA DO MURO. FIORI. PHYSIS.com/article/article_view. 7 (2): 129-147. http://www.

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