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Ética - Sumário

ÉTICA - SUMÁRIO......................................................................................................................................................1 INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................................2 QUESTÕES DE ÉTICA ...............................................................................................................................................3 2. ÉTICA - DEFINIÇÕES.............................................................................................................................................6 2.1 A VERDADE É UM VALOR ÉTICO UNIVERSAL ..........................................................................................................8 3. ASSESSORIA DE IMPRENSA E FORMAÇÃO DE OPINIÃO......................................................................12 3.1 A CONDUTA ÉTICA DO ASSESSOR DE IMPRENSA.....................................................................................................12 QUESTIONÁRIO........................................................................................................................................................13 4. SENTENÇA NÃO É NOTÍCIA.............................................................................................................................15 5. JORNALISMO E HUMANIDADE: TÉCNICA E ÉTICA................................................................................17 5.1 PRECONCEITOS, IMPARCIALIDADE E OBJETIVIDADE...................................................................................................18 5.2 LEITORES, OBJETIVIDADE E IMPARCIALIDADE..........................................................................................................19 CONCLUSÃO..............................................................................................................................................................22 ANEXO 1.......................................................................................................................................................................24 CÓDIGO DE ÉTICA DO JORNALISTA.............................................................................................................................24 ANEXO 2.......................................................................................................................................................................26 CÓDIGO DE CONDUTA DOS JORNAIS...........................................................................................................................26 ANEXO 3.......................................................................................................................................................................27 DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS.....................................................................................................................................27

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Introdução

Dias antes da elaboração deste trabalho, discutíamos com colegas a respeito da ética do jornalista. Por escolher o jornalismo como profissão (ou sacerdócio, como querem alguns), isso nos diz respeito. A discussão aconteceu no intervalo de um dia de trabalho como parte da tentativa de entender o que é ética afinal. E, nessa condição e necessidade é que queremos conduzir o presente trabalho. Não pretendemos chegar a outra conclusão além de qual a melhor forma de trabalhar. Dessa forma, cremos, podemos ser melhores pessoas e jornalistas Compartilhar essa expectativa é mais complicado, principalmente entre os colegas. Às vezes parece piegas, outras vezes improvável. O risco vale a pena. De fato, ele se pagou. Nessa discussão, depois de trombar algumas vezes em nossas concepções, reparamos que aquela oportunidade era rara: pensar – e falar alto sobre o que estamos fazendo da nossa profissão e de nossas vidas. Principalmente porque somos formadores de opiniões, e precisamos ser confiáveis. Nesse ponto é que entra a ética: é a maneira pela qual conduzimos nosso trabalho, moral e profissionalmente, mas que afeta diretamente outras pessoas. E não duvidamos da responsabilidade do que fazemos na, com e da vida alheia. Profissionais do jornalismo precisam ganhar a confiança dos leitores, já que estão prestando um serviço público. E o público somente pode confiar neles se eles forem confiáveis. Isso se aplica, especialmente no meu caso, atuando no momento na Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Sorocaba. Assim começamos por estudar alguns casos relatados no primeiro capítulo deste trabalho. Esses casos nos levaram a estudar as definições de ética, o que encontraremos no segundo capítulo.

acendem e cuidam do forno. todos os sábados eles entregam aos pais os R$ 12 que recebem na olaria. informa que 23 milhões de pessoas trabalham mas não recebem salários. Estima-se em 3. Os minioperários chegam limpos para o trabalho.5 milhões as crianças com menos de 14 anos obrigadas a trabalhar para ajudar no orçamento doméstico. O local é lamacento e o ar poluído com a poeira da terra. O repórter entrevista outros e percebe que a história de R. do salário baixo. não reclamam da sujeira.3 Questões de Ética O Brasil é um país de baixa renda per capita (pouco mais de US$ 4. O serviço oficial de estatística. doze horas. um garoto magro. R. Embora desconfiados. Nenhum traiu seu sonho de criança. O repórter se detém na história de R. 12 anos.000 dos Estados Unidos) e tem a pior distribuição de renda do mundo . ou R$ 168 por mês. Os meninos preparam a massa de barro.pior que a de Botsuana. sempre precisando de leite em pó. cumprem jornada de trabalho de dez. segundo o Banco Mundial. que não têm carteira assinada. vão concordando com as perguntas e respondendo que gostariam de ir à escola. moldam os tijolos. Seu pai é ajudante de obras e ganha um salário mínimo e meio. O seu meio de comunicação recebe uma denúncia de que numa cidadezinha da área metropolitana existe uma olaria onde a maior parte da mão-deobra é constituída de garotos. de calçar um tênis. é comum: a maioria dos meninos ajuda a família com seu pequeno salário. ao parque de diversões. Mas não se queixam do trabalho.. trabalha cerca de dez horas por dia de segunda a sábado (60 horas por semana) e ganha R$ 12 semanais. Um repórter é destacado para verificar a denúncia e não só a comprova como fica estarrecido com as condições de trabalho e a exploração da mão-de-obra infantil. mas logo estão cobertos de barro e fuligem.. A maioria delas não tem tempo de ir à escola. Isso significa um rendimento mensal de R$ 48 ou cerca de vinte centavos por hora de trabalho.000. mas é um dos mais ativos da olaria. não recebem sequer o salário mínimo. tão pequeno que parece ter oito anos. carregam e empilham os tijolos. o caçula com apenas três meses.. contra US$ 26. IBGE. . Como R. Sua mãe cuida da casa e dos quatro irmãos menores de R. olhos assustados.

Conta que até fornece o almoço. inclusive porque é difícil documentá-las. cinco quilos de feijão. causará impacto no público.” O repórter volta para a redação com o dilema e vai fazendo as contas: com os R$ 48 que recebe por mês. Tá vendo aquele magrinho ali. naquele dia era sopa. mas ajuda a família deles. que no Brasil. Tem menino aqui que sozinho sustenta a casa com esse pouquinho que eu pago. enquanto o que agora ele está considerando uma pequena injustiça . Começa a achar que R$ 48 por mês é alguma coisa no universo da miséria do país: ele leu que na China milhões de operários adultos ganham US$ 35 por mês e. Mas os dois divergem. Muitos pais me pedem emprego pros filhos. “– Se a minha olaria sair no jornal a fiscalização vem aqui e fecha. R. O dono da olaria vai percebendo que a reportagem pode atrair a fiscalização e acabar com seu negócio. dez quilos de arroz e cem pãezinhos.4 O repórter conversa com o dono da olaria e se espanta ao descobrir que. Sem o dinheiro que ele leva a família ia passar fome. que os meninos tomavam aos goles em tigelas de barro que eles mesmos fizeram. Imagina que eles irão para as ruas. Ele levará multas tão altas que não poderá pagar a não ser vendendo a olaria. que o trabalho é insalubre e muitos meninos parecem doentes dos pulmões. que mesmo os adultos têm direito a uma jornada semanal de no máximo 44 horas. É pouco. nada menos que 40% da força de trabalho não recebem um centavo de salário. trabalham em troca de comida. ele sente satisfação por dar emprego às crianças. dez litros de leite. o R. em vez de vergonha pela exploração da mão-de-obra infantil. O repórter segue a pauta e coloca questões diferentes: que o trabalho do menor de 14 anos é proibido pela Constituição. por exemplo. O repórter ficou sensibilizado pelo argumento do dono da olaria e acha que se a reportagem sair os fiscais do ministério do Trabalho podem multar e talvez fechar a empresa e os meninos perderão seu trabalho. vaguear pedindo esmolas ou poderão se tornar assaltantes. O repórter acha que as grandes injustiças do país não saem tanto no jornal.? A mãe dele veio pedindo a Deus pra mim dar uma colocação pra ele. O senhor sabe o que vai acontecer? Esses meninos vão perder o salário. Eu dei mais para ajudar. pior. dá à família algo em torno de dez quilos de frango. O editor do assunto no meio de comunicação social ouve a história do repórter e examina as imagens: a esquálida figura de R. segundo o IBGE.

Argumenta que se o repórter foi lá e apurou. engavetar a reportagem ou há uma terceira atitude? Isso é uma questão de Ética – Publicar ou Omitir? . programas de renda mínima para os pobres que garanta a ida das crianças às escolas em troca da quantia que elas recebem na olaria. mas pouco divulgada no país. O meio de comunicação social poderá fazer um editorial sugerindo ao governo medidas efetivas contra essa situação. como. O meio de comunicação social não deve censurar os fatos. não deve ter tom de denúncia trabalhista. O editor acha que a matéria deve ser publicada. e que assim é muito fácil fazer "jornalismo de denúncia".5 foi documentada sem embaraços. Qual é a melhor decisão: publicar a reportagem tal como foi apurada. não é juiz dessas situações. chocando e mobilizando o público. trairá sua missão informativa se sonegar ao público dramas sociais dessa magnitude. É uma história humana e lamentavelmente banal. mas. se limitar a narrar os fatos e até mesmo enfatizar os argumentos do dono da olaria. a reportagem deve sair. Acha que a divulgação pode contribuir para o fim desses problemas. por exemplo. O editor opina que a matéria não deve "chamar a polícia".

educadores. Alguns jornalistas acham que muitas acusações deveriam ser creditadas a outros profissionais dos meios de comunicação." A discussão sobre o comportamento da imprensa é dificultada pelo fato de que não há consenso sobre qual é o papel da imprensa na sociedade. Ética . "hoje em dia. ativistas. não apenas dentro da profissão. Eles precisam ganhar a confiança dos leitores.6 2. "opinião" e "padrões" recebem as mais diversas interpretações. Além disso. empresários e pessoas comuns Por que? Parece que hoje qualquer um que seja atingido pelos meios de comunicação — um público enorme — tornou-se um crítico de mídia. palavras básicas como "valores".definições Embora a discussão sobre o significado e a importância de ética venha mobilizando os filósofos há séculos. Pesquisas de opinião conduzidas tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento normalmente mostram que a imprensa não goza da confiança de que deveria gozar. Isso ocorre nos Estados Unidos. É nesse ponto que entra a ética. por exemplo. onde a imprensa fica entre os últimos colocados na lista de credibilidade pública (um resultado semelhante ao do Congresso americano). "moral". como recentemente disse um jornalista de Trinidad. principalmente na televisão. A linha divisória entre jornalismo e entretenimento está ficando cada vez mais tênue. mas também entre autoridades do governo. qualquer um que possui um computador pensa que é um jornalista. sua aplicação para a imprensa somente agora ganhou lugar em todas as sociedades e países. Muitos também desconhecem como funciona a imprensa e fazem confusão com a terminologia. Mas há outro motivo que parece tornar a ética entre jornalistas um assunto mais importante do que. já que estão prestando um serviço público. ética entre professores do ensino básico: jornalistas estão sempre falando sobre a necessidade de terem credibilidade. A ética na imprensa tornou-se um "assunto quente". e isso é um complicador. E o público somente pode confiar neles se eles forem confiáveis. Alguns substantivos inocentes podem .

"Uma pessoa totalmente egoísta nunca terá ética". O que seria. geralmente feita por pessoas que têm que lidar com ambas ao mesmo tempo. Se a "justiça" é o valor ético. quase todas as associações jornalísticas têm seu próprio código de conduta. Por exemplo. Nos Estados Unidos. é "o que você faz quando ninguém está olhando". . No campo do jornalismo. da Universidade de Louisiana. é que: “ética é a obediência ao que não pode ser obrigatório”. sociais e econômicas. E assim por diante.). Padrões profissionais são o resultado direto da ação de valores éticos sobre as regras de trabalho do jornalista. como já se disse. um termo que às vezes ganha uma conotação diferente quando há uma discussão entre o governo e a imprensa. A ética de um jornal é a expressão de como ele conduz seus negócios moral e profissionalmente. Embora os valores éticos estejam dentro de cada indivíduo. se a "verdade" é o valor ético. Por exemplo. Dr.. disse o Dr. Uma questão freqüentemente levantada por jornalistas: como se distingue ética de ideologia? (É uma boa pergunta. utilizada pelo fundador do Instituto de Ética Mundial. e a checagem dos fatos torna-se uma regra de trabalho. A ideologia do jornal é seu compromisso com convicções políticas. seu resultado afeta diretamente outras pessoas. então "equilíbrio" é o padrão. principalmente quando a discussão entra na esfera da política1. Esses padrões profissionais são freqüentemente materializados através de "códigos de conduta". Rushworth Kidder. então. Louis Day. a "exatidão" é o padrão. Os empregadores também possuem seus códigos internos e regras que são obviamente obrigatórios (quem desrespeitá-los pode ser demitido). mas ética. a expressão "responsabilidade da imprensa" adquiriu um tom ameaçador e ainda é vista por muitos defensores da imprensa livre como uma senha para "restrições". São conceitos bastante diferentes e nem sempre compatíveis. há um outro assunto que está ainda mais perto da ética do que a ideologia — os padrões profissionais.7 adquirir um peso diferente do desejado. um jornalista pode achar que não há problema em mentir ou roubar em nome de uma "boa causa" (ideologia). Pode se obrigar alguém a obedecer a uma lei. 1 Como resultado dos famosos debates da Unesco nos anos 70. ao menos quando ela é usada pelo governo. embora eles normalmente não sejam obrigatórios para os membros da organização — ao contrário do que acontece com advogados e médicos. e ouvir a outra versão da história passa a ser a regra.. uma definição boa e prática de ética? Uma das definições prediletas.

2. afirmando que o dever de informar se apoia na liberdade e pressupõe um ato de responsabilidade com verdade. para os jornalistas. que é a obediência ao que é obrigatório. como amor.. classes sociais ou qualquer fator de diferença entre os homens. independentemente das raças. é interessante a definição de que ética é a obediência ao que não é obrigatório. o conjunto de normas que devem reger sua conduta no desempenho da profissão (.1 A Verdade é um Valor Ético Universal O jornalista Rushworth Kidder era editor do Christian Science Monitor em 1986 quando pediu a 22 líderes mundiais – do presidente Jimmy Carter ao Dali Lama – que fizessem uma agenda dos temas mais relevantes para o século 21.8 Alberto André afirma que “Ética é. não tratamos de uma idéia estranha. Como definimos esse termo que revisamos com tanta liberdade até agora? Como já citamos antes. particularmente nos . Ele se surpreendeu ao notar que além das questões previsíveis – desarmamento nuclear. Kidder usou esse conceito para estabelecer a diferença entre ética e lei. Essa é uma forma de explicar porque estamos na situação em que estamos.. Kidder escreveu muito sobre ética e outros temas correlatos até deixar a redação para fundar o Instituto de Ética Global. quando tratamos de ética. Segundo Kidder. verdade e justiça. sexos. esses valores devem inspirar os códigos de conduta dos jornalistas. Para jornalistas.) O professor Eugênio Castelli comparou liberdade e responsabilidade. jornalistas. que apenas algumas pessoas possam achar importante. ele discorre sobre valores éticos a partir dos quais podem ser criados códigos de conduta ou tiradas orientações gerais para o trabalho de apurar e divulgar informações. Sua tese é que existem valores éticos universais. Kidder citou que nós. Kidder foi o principal conferencista do Seminário Ética na Imprensa — Realidades e Desafios no Brasil. destruição do meio ambiente. Durante sua conferência. Estamos tratando de algo essencial à nossa existência. superpopulação – apareceu um item incomum: ética. que faz pesquisas e análises sobre o tema em todo o mundo.

onde ficou demonstrado que se fala mais em responsabilidade). Você escreveria essa reportagem? Você diria "esta é a verdade. e todos escreviam sobre amor. da Costa Rica. Esse é um exemplo citado no Seminário: você acabou de inventar uma droga . justiça. como o agente laranja usado no Vietnã. honestidade (ou integridade). acompanhando o exército de seu país. Só nos EUA a liberdade não aparece. todas elas reconhecidas como líderes éticos. homens de negócios. Suponha que você seja um correspondente de guerra. porque para os americanos. verdade. respeito à vida e liberdade (menos nos EUA. tantas disputas. como uma mulher de 98 anos da tribo dos Maoris. Eis um conflito entre a verdade e a lealdade. A questão era: "Se você pudesse formular um código global de ética para o século 21.9 países ocidentais. ou diria "bem. mas seus leitores são preocupados com o meio ambiente. mesmo que eu não goste do que estão fazendo aqui". que vivia numa montanha da Nova Zelândia. Aos participantes era solicitado que escolhessem de 80 a 100 valores morais e depois que se reunissem em pequenos grupos e reduzissem as 100 palavras a cinco. Mas esse processo tem seus problemas. outras desconhecidas. De acordo com Kidder. justiça. Esse exercício foi feito com mais de 4. mas ocorreu-lhe que se referiam. por que há tantas leis. respeito à vida (ou tolerância) e liberdade. a oito valores essenciais: amor (ou compaixão). tolerância.500 pessoas. solidariedade. muitos seminários foram realizados no Instituto de Ética Global com grupos de 20 a 25 participantes. O exército não quer que você divulgue isso. tantos advogados. educadores ou funcionários do governo. Algumas eram bem conhecidas. quais seriam os valores essenciais que nos fariam viver conjuntamente como mundo?" Cada um falou do ponto de vista dos seus valores e da sua cultura.” Muita gente se guia pelo princípio utilitarista da ética: tomar a decisão que beneficia o maior número de pessoas. isso é música de fundo. é importante dar apoio aos militares. verdade. É um conflito entre o certo e o certo. portanto devo escrevê-la". como o presidente Oscar Arias. “às vezes esses valores entram em choque. Você descobre planos para uso de um desfolhante químico. Desde então. Uma entrevista foi realizada por Kidder entre 24 pessoas em 16 países. É porque estamos ficando menos éticos e a lei preenche o vácuo deixado pela ética. com palavras diferentes. jornalistas. precisamos ganhar a guerra. mas tentando ser um repórter honesto. eu também faço parte desse país.

Estas opções. Você está no estacionamento. e é por isso em parte que as pessoas começam a se voltar para um segundo princípio. Para eles. vê um carro saindo. O que quer que você esteja por fazer. Você faria isso? O que diria o utilitarista: "O que? Só cinqüenta bebês parta salvar milhões? É claro que devo fazer". diretores de noticiários. O que você fizer a partir de agora será definido como ato moral. O que diria o imperativo categórico de Kant? Diria: "Muito bem. Essencialmente. Embora os atos de comunicação com freqüência tenham conseqüências involuntárias. a questão ética é particularmente sutil: a mídia está sendo utilizada para o bem ou para o mal? Um outro exemplo citado no Seminário. Eles incluem funcionários públicos e executivos empresariais. Eis o que ele diz: "Eu nunca deveria agir se não de tal sorte que a minha máxima.10 miraculosa que curaria milhões de bebês. escritores. você pensa: "Bem. o princípio pelo qual estou agindo. foi o caso de uma mulher que procurou Kidder para dizer: "Você arruinou a minha vida. não é moral. Qual de nós. nas mesmas circunstâncias. jornalistas. são feitas não só por aqueles que recebem as comunicações – espectadores. É este o mundo em que você quer viver?" Um grande bem e um grande mal provêm do uso que as pessoas fazem dos meios de comunicação social. produtores. e todo mundo fará exatamente o que você fizer. se torne uma máxima universal". fundamentais para a questão ética. são as pessoas que escolhem usar a mídia para finalidades positivas ou negativas. correspondentes e outros. ficaria tranqüilo ao tomar essa decisão? O utilitarismo nos ajudará em muitas circunstâncias. se não quiser que ninguém mais faça igual no mundo. linhas de conduta e conteúdo. empresários. se eu tomar a vaga estou moralmente certo". mas já há outro esperando pela vaga antes de você. de modo certo ou incorreto. editores e responsáveis de estações de rádio. o do "imperativo categórico" do filósofo alemão Emmanuel Kant. há milhões de pessoas esperando para lê-la. Kant fala da idéia de universalidade do enfoque moral. ouvintes e leitores – mas especialmente por aqueles que controlam os instrumentos de comunicação social e determinam as suas estruturas. você está dando o exemplo. mas não será a única resposta. membros de repartições governamentais. Isso é o que o utilitarismo diria. Eu sou uma consumidora com uma característica muito particular: quebro a pontinha das cenouras para me . preciso estacionar para fazer a reportagem. editores. mas antes precisa testá-la em cem bebês e sabe que cinqüenta deles poderão morrer.

compreendi que eu quiser que todo mundo faça isso. .11 assegurar de que estão boas. De repente. Isso é compreensão da universalidade. não haverá mais cenouras e possivelmente supermercados".

Assessoria de Imprensa e Formação de Opinião O trabalho do assessor de imprensa está – dependendo do caso.1 A Conduta ética do Assessor de Imprensa A definição de ética. passa pelos conceitos de bem e de mal. no Rio de Janeiro. sonegar informações de interesse. Em seu dia-a-dia. por conseqüência. Pressionar para que notícias a respeito do assessorado sejam publicadas. Em síntese. da própria categoria dos jornalistas com base nos anseios e necessidades da população. . deve-se partir de um referencial. em menor ou maior grau – relacionado com a formação de opinião pública. Assim. contrariam o Código de Ética da profissão e. o jornalista de assessoria de imprensa deve pautar sua conduta pelo Código de Ética em vigor. aprovado pelo Congresso Nacional da categoria. estipulando os limites do certo e do errado. divulgar inverdades e defender os interesses de quem o contratou acima dos da população são problemas ainda freqüentes no mercado brasileiro de Assessoria de Imprensa. Os códigos de ética devem partir. como já pudemos notar. prejudicam a imagem de quem é assessorado. 3. em setembro de 1985. que transcrevemos na íntegra no Anexo I deste estudo. na medida em que se pretende atingir um determinado número de pessoas (públicos interno e/ou externo do assessorado).12 3. não raro.

em sua maioria profissionais de imprensa. concorda com a prática? Sim 0 Não 95% Passar-se por autoridade ou outra pessoa para obter informação. Verdadeiro 25% Falso 71% Se verdadeiro. Verdadeiro 42% Falso 58% Se verdadeiro. Verdadeiro 79% Falso 21% Se verdadeiro. concorda com a prática? Sim 0 Não 92% Escrever reportagens sabidamente inexatas para servir ou ajudar uma "boa causa".13 Questionário No Seminário Ética na Imprensa realizado na cidade de Itu em 1996. cujas principais respostas foram: É comum. funcionários ou homens de negócio. Verdadeiro 42% Falso 58% Se verdadeiro. um partido político ou instituição. concorda com a prática? Sim 0 Não 90% Inventar informações ou declarações para melhorar a reportagem. os participantes. responderam a um questionário. Verdadeiro 33% Falso 63% Se verdadeiro.. concorda com a prática? Sim 52% Não 48% Utilizar sua posição de jornalista para influenciar políticos. Escrever reportagem que defenda ou acuse uma pessoa em especial. Verdadeiro 63% Falso 37% Se verdadeiro. no Brasil.. concorda com a prática? Sim 42% Não 17% Permitir às fontes revisarem a reportagem antes da publicação. um jornalista. concorda com a prática? Sim 40% Não 40% .

concorda com a prática? Sim 0 Não 90% Usar idéias ou palavras de outra pessoa sem citar a fonte. concorda com a prática? Sim 2% Não 96% . Verdadeiro 38% Falso 58% Se verdadeiro. Verdadeiro 67% Falso 33% Se verdadeiro.14 Aceitar pagamento por cobertura noticiosa positiva ou negativa.

a trataram como um fato rotineiro. sem boxes ou retrancas auxiliares que situassem a decisão. resultam num pífio noticiário quando sai a sentença da Justiça. ou ao menos foi um prego a mais na tradição de que banqueiro nunca é condenado. embora o próprio presidente da República mentisse sobre isso em entrevista coletiva. com solitárias exceções de informantes ou colaboradores. Um exemplo disponível disponíveis é o da condenação do banqueiro Ângelo Calmon de Sá a quatro anos de prisão em regime semi-aberto. para confirmar a regra. A decisão judicial quebrou. o prefeito de São Paulo Celso Pitta.e havia jornalismo no caso. A imprensa brasileira dá pouca importância às decisões do Judiciário: prefere exaltar ou amenizar a acusação. que emprestava dinheiro sem receber garantias. sequer deram chamada na 1ª. a depender de seu interesse político. O jornal paulista escondeu o assunto entre o cipoal de notícias sobre as denúncias de Nicéia Pitta contra seu ex-marido. Mas o acobertamento dos erros praticados com o dinheiro público fazia parte do apoio servil da elite da mídia à política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso. um juiz da 2ª. em mais uma eloqüente demonstração de que.5 bilhões em numerosas operações irregulares. O banqueiro Calmon de Sá era acusado de cavar um rombo de R$ 3. sai sem destaque. sem maiores explicações. diariamente. depois de renderem dúzias de páginas sobre investigações. O escândalo do Banco Econômico. Enfileirar exemplos é tão fácil quando folhear um jornal. Se a decisão do juiz não corrobora o libelo trançado nas páginas. ideológico ou simplesmente financeiro. em 1995. página. Sentença não é Notícia Jornais dão mais destaque a acusação que a julgamento Justiça não é notícia. os grandes jornais.15 4. manchete de noticiário de TV . Os grandes meios de comunicação não têm repórteres de Justiça. Casos momentosos. na imprensa . e sem nenhuma repercussão nas edições seguintes. num rol de 34 processos abertos sobre a maracutaia no Econômico. Porém. além de darem a notícia com atraso. Foi capa de revista. Vara Federal da Bahia lavrou a primeira sentença. foi sensacionalizado em cadernos inteiros. Só não se deu destaque na época às irregularidades emitidas pelos Banco Central. A Folha de São Paulo e o Jornal do Brasil. Cinco anos depois.

. condenado depois do Carnaval. IstoÉ e Veja confinaram o assunto em notinhas da seção Datas. O Jornal do Brasil pôs a reportagem sobre a condenação de Calmon de Sá abaixo de uma notícia virtual que considerou muito mais relevante: "Hackers atacam página da Anatel". esta entronizada como manchete em seis colunas. O Estado de São Paulo saiu-se melhor: deu manchete na página B11 ("Ex-dono do Econômico pega 4 anos de prisão"). enquanto a sentença do banqueiro foi limitada a três. muito menor que o destaque dado a asneiras como "Biologia abalou o Nasdaq". mas limitou-se a um texto curto.16 brasileira. apenas Época publicou uma (pequena) reportagem sobre a "quarta-feira de cinzas" do banqueiro. a denúncia merece mais destaque que o julgamento. Das revistas semanais.

Especialmente na situação que vivi. o jornalista praguejou sozinho. aliado à técnica da produção jornalística. conta Bob Caputo. Um jornalista espanhol conta que em seu trabalho como secretário de redação de um diário de Madri viu-se diante dessa situação: minutos antes do fechamento da edição. deixaria de ser humano. O . nem é notado. "às vezes necessário". às vezes. Pode ser sutil e apenas refletir-se na utilização do escudo a que se refere Bob Caputo. Não havia outra foto: era preciso que os cadáveres estivessem a menos alguns centímetros de distância. chegou a fotografia de um atentado terrorista. Desejou que o corpo do feto estivesse mais próximo da mãe. "Em várias situações chegava o momento em que eu não conseguia continuar. "O perigo de se ter uma câmera entre você e seu assunto é que ela pode virar um escudo. Tive de abaixar a câmera. isso é necessário.agravado pela urgência do fechamento -. Fui dominado pela emoção e pela tragédia. Talvez por isso. Às vezes. em depoimento ao documentário "Os Fotógrafos".não cabia no espaço reservado na página de forma a exibir mãe e filho. expelido dela pela explosão da bomba. da National Geographic Society." O jornalista experimenta diariamente o limite relatado pelo fotógrafo da National Geographic. uma mulher grávida e seu feto. como ele diz. Jornalismo e Humanidade: Técnica e Ética Bob Caputo. pois o que fotografei é terrível e deprimente".17 5. ele tenha sido capaz de perceber a diferença de sua reação como jornalista exercendo a técnica e como pessoa e sua ética. Achava que se fosse capaz de continuar fazendo meu trabalho. tirando fotos quando me sentia daquela forma. Ocorre em diferentes escalas e. Diante do problema . A foto escolhida para a primeira página mostrava os dois cadáveres. Sudão e outros países da África. Entre os mortos. A dissociação entre a condição profissional e humana do jornalista ocorre diante de situações menos extremas do que um atentado terrorista ou a fome na África. contou sua reação à foto-reportagem sobre a fome na Somália. para poder mostrar a imagem sem cortes no dia seguinte. que realizou em 1992 para a revista da NGS. Não é uma história sobre a qual o secretário de redação se orgulhe. A câmera fotográfica ou um gravador são parte desse escudo. mas no jargão jornalístico "não dava corte" .

Este princípio é interpretado como se a concepção individual a respeito de pessoas. Identificam-se outros problemas relacionados ao processo de "desumanização" do jornalismo. É suficiente "ouvir sempre os dois lados" envolvidos no fato relatado e apenas isso? O jornalista tem lado? Sim. reportagem publicada em 1980.1 Preconceitos. A objetividade e a imparcialidade também podem servir de desculpa para um trabalho mal feito. fatos ou lugares não devesse interferir na produção jornalística. sobre um editor de Veja. Ambos podem ser instrumentos saudáveis para o profissional. A resposta vem num desabafo cômico: "Não sei mais nem se gosto de Pepsi ou de Coca-Cola". pode conduzir à "desconstrução" dos preconceitos e à dificuldade de percepção de novos conceitos.18 "escudo necessário" é o instrumento ou atitude capaz de mantê-lo "intacto" o suficiente diante da realidade para realizar seu trabalho. mesmo que mantida a verossimilhança. a pontuação. um repórter pergunta a opinião do chefe sobre determinado assunto. única. seu trabalho. E melhor se o faz com humor. A escolha de palavras. mas verdadeira. é. Foi o que ocorreu em "O mundo de Jimmy". 5. inclusive o de Veja. Daí mesmo o interesse e a riqueza da comunicação. Nesse processo. A repórter do . são absolutos. É claro que o cotidiano das redações não transcorre dessa maneira. imparcialidade e objetividade Na tentativa de buscar a imparcialidade e a objetividade – princípios fundamentais da profissão – o jornalista deve procurar desnudar-se de seus "preconceitos". levado às circunstâncias da produção jornalística industrial. em última instância. de forma alguma. a despeito dos padrões que lhes servem. Os fatos assumem tal importância do ponto de vista industrial e comercial que perdem sua razão como experiências individuais para o jornalista. implica em "preconceitos": a experiência da escrita e da leitura. podem esvaziar-se a ética profissional e a própria informação. mas. A noção da linguagem pressupõe o oposto. A valorização exclusiva do fato como matéria para publicação e não em si mesmo transforma a realidade em uma peça secundária. mas vale o desabafo pelo grau de stress a que se submete o bom profissional. vencedora de um prêmio Pulitzer. O exercício da objetividade e imparcialidade. No afogadilho do fechamento. Uma história curiosa.

mas não porque não devam. os jornais deveriam ser todos iguais. Talvez provocado pelo . Colección de la Facultad de Ciencias de la Información de la Universidad Austral. "Comunicar a verdade ao público não é o mesmo que mostrar as coisas como num espelho. inventou o protagonista de seu artigo comovente. Desse mal sofrem todos (?!) os jornais. é que não podem"." O indício de que a realidade é secundária conduz à morte do jornalismo. por causa de um tal João Depois de medicada. retirou-se pro seu lar Aí a notícia carece de exatidão O lar não mais existe.19 jornal The Washington Post. ninguém volta ao que acabou Joana é mais uma mulata triste que errou Errou na dose Errou no amor Joana errou de João Ninguém notou Ninguém morou Na dor que era o seu mal A dor da gente não sai no jornal A objetividade e a imparcialidade são cada vez mais insuficientes à sobrevivência de um jornal ou meio de comunicação. um menino de oito anos viciado em heroína desde os cinco. 1996). diz Gonzalo Peltzer no livro Periodismo con Pasión (Editorial Ábaco.os jornais e meios em geral a parecerem-se cada dia mais entre si.2 Leitores. Buenos Aires.e está levando . não pode significar a mesma coisa? 5. exclusivamente. objetividade e imparcialidade Notícia de Jornal (Luís Reis .Haroldo Barbosa) Tentou contra a existência do humilde barracão Joana de tal. Apenas o fato de considerar seu universo como o de seus leitores. Se as informações devem assemelhar-se à realidade como duas gotas de água. E por onde afastam-se dos leitores. A mania da objetividade (não me atrevo a qualificá-la mais benevolamente) levaria . A mínima diferença seria sinal de que um deles mente. Janet Cook. "Devem as notícias refletir a realidade como um espelho? Não.

A moeda estável foi grande aliada dos últimos picos de crescimento nas vendas de publicações. de Luís Reis e Haroldo Barbosa. A Internet. Entretanto. implicam numa revisão da missão do jornal. Mostrar que um jornal é útil pode ser uma tarefa mais difícil do que aparenta. Vale registrar que o Brasil tem vivido o oposto. de modo crescente. Alcançar essa intimidade e mesmo a fidelidade dos leitores por meio exclusivo da objetividade e imparcialidade parece.20 exagero da utilização desses recursos ou baseado no fato de que o jornalismo tenha mais que ver com o reconhecimento e confiança dos leitores em relação a "seus" veículos. Ninguém sabe qual será o fôlego desse namoro entre os meios de comunicação brasileiros e o brasileiro. etc. O samba "Notícia de Jornal". ineficaz. de alguma forma. existe a certeza de que os novos meios que surgem sem limites territoriais são mais do que motivo para começar a adaptar-se. O fenômeno reflete-se na tendência de queda mundial dos níveis de circulação dos jornais. O ideal é que o veículo seja. gravado por Chico Buarque. .. a informação on demand. útil para o público. mostra parte disto.

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. construída com base em valores como liberdade e humanidade. mas também para que saibamos se. que envolve um compromisso moral radical do profissional de imprensa e jornalismo. o limite dessa liberdade deve ser definido pela ética. Para tanto deve existir o reconhecimento do outro. Karl Marx. com as relações humanas. A informação deve ser mediada por uma ética que não se apegue apenas a normas de conduta. Só há sentido falar em ética quando se reconhece o compromisso com o outro. quanto do compromisso deste com a autonomia de todos os demais. No entanto. tanto do indivíduo. O direito social à informação. principalmente durante aquele momento de “tormento” pelo qual se passa ao se analisar a diferença entre o reconhecimento legal e a impossibilidade prática. O caráter de uma imprensa censurada é a falta de caráter da não-liberdade”. ou da consciência de cada um. pode intervir no futuro social da humanidade. . aquele momento de se decidir entre a informação jornalística e a ética profissional. um indispensável pensador. razoável e ética da liberdade. já afirmava que: “A essência da imprensa livre é a essência característica.22 Conclusão Há 150 anos. atitudes e idéias que apoiam-se em valores como liberdade e que. legalidade e dominação vigentes. ao mesmo tempo. Então. A informação é realmente importante não apenas para que saibamos o que acontece nas mais variadas regiões do mundo. que se move entre a lei e a legitimidade de posições. políticas. no reconhecimento da autonomia. estão decidindo se vamos ficar vivos ou se vamos morrer. O direito social à informação deve ser analisado sob dois prismas: a democratização indispensável dos meios de comunicação e na noção de ética da profissão. em algum lugar do planeta. qual é o limite dessa liberdade? A UNESCO define a informação como um bem público e social. No entanto. mas que reflita uma teoria moral que rompa com a moralidade conservadora. ou para nos posicionarmos diante de outras culturas. é necessário que a esta supere os complexos limites em que se move atualmente. no entanto. não pode prescindir de uma norma interna de cada um. comportamentos. economias etc.

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cujas atividades produzam efeito na vida em sociedade. à livre divulgação e a aplicação de censura ou autocensura são um delito contra a sociedade. políticos. b) submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação. 8º . Art. Art. bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. e) opor-se ao arbítrio. h) prestigiar as entidades representativas e democráticas da categoria.A informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo. raciais. em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação. II . Art. o jornalista resguardará a origem e a identidade das suas fontes de informação. e) exercer cobertura jornalística. d) concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais.O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social de finalidade pública. d) valorizar.O jornalista é responsável por toda a informação que divulga. Art. 6º .Sempre que considerar correto e necessário. 7º . 10º . assessor ou empregado. I .A prestação de informações pelas instituições públicas. c) defender o livre exercício da profissão.Da Responsabilidade Profissional do Jornalista Art. Art. b) lutar pela liberdade de pensamento e expressão. o código está em vigor desde 1987: Votado em congresso nacional dos jornalistas O Código de Ética do Jornalista fixa as normas a que deverá subordinar-se a atuação do profissional nas suas relações com a comunidade. é dever dos meios de comunicação pública. Art.O jornalista deve evitar a divulgação de fatos: .Do Direito à Informação Art. 9º . precisa e correta. 3º .Em todos os seus direitos e responsabilidades.O jornalista não pode: a) aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com a tabela fixada por sua entidade de classe.O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade. c) frustar a manifestação de opiniões. o jornalista terá apoio e respaldo das entidades representativas da categoria. 1º . de sexo e de orientação sexual. em instituições públicas e privadas onde seja funcionário. pelo órgão em que trabalha. que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse. Art. privadas e particulares.Da conduta Profissional do Jornalista Art. 2º . com as fontes de informação e entre jornalistas.A obstrução direta ou indireta. III . é uma obrigação social.O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos. 4º . 11º . Art. desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros. 5º .24 Anexo 1 Código de Ética do Jornalista Votado em congresso nacional dos jornalistas. divergentes ou impedir o livre debate. 12º .É dever do jornalista: a) divulgar todos os fatos que sejam de interesse público. honrar e dignificar a profissão. e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação. Art. independentemente da natureza de sua propriedade. 13º . f) combater e denunciar todas as formas de corrupção. Art. subordinado ao presente Código de Ética. g) respeitar o direito à privacidade do cidadão. religiosos.A divulgação da informação. ao autoritarismo e à opressão.

de observação. Art.Aplicação do Código de Ética Art. IV . e realizar-se-á no prazo de 10 dias a contar da data de vencimento do mesmo. antes da divulgação dos fatos.O presente Código de Ética entrará em vigor após a homologação em Assembléia Geral de Jornalistas. feitas por terceiros e não suficientemente demonstradas ou verificadas. 21º .O jornalista deve pugnar pelo exercício da soberania nacional.Por iniciativa de qualquer cidadão. Art.A não observância. 17º . Parágrafo Único .Havendo ou não resposta. para que seja apurada a existência de transgressão cometida por jornalista. será objeto de censura pública contra o seu autor.25 a) com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas. tornando pública a decisão. 15º . determinará seu arquivamento.O jornalista deve permitir o direito de resposta às pessoas envolvidas ou mencionadas em sua matéria.As penas máximas (exclusão do quadro social. 14º . Art. a serem aplicadas pela Comissão de Ética. 16º . b) tratar com respeito a todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar. b) de caráter mórbido e contrários aos valores humanos. especialmente convocada para este fim. quando ficar demonstrada a existência de equívocos ou incorreções. mediante sistema que comprove o recebimento da respectiva notificação.Os jornalistas atingidos pelas penas de advertência e suspensão podem recorrer à Assembléia Geral. caso não concorde com a decisão da Comissão de Ética. econômico e social. por voto secreto. a contar do recebimento da notificação. no prazo máximo de 10 dias. contados da data marcada para a audiência. a Comissão de Ética encaminhará sua decisão às partes envolvidas. Art.A Comissão de Ética terá cinco membros com mandato coincidente com o da diretoria do Sindicato Art. 22º . no prazo mínimo de 10 dias.O jornalista deve: a) ouvir sempre. Parágrafo 3º .O jornalista poderá apresentar resposta escrita no prazo do parágrafo anterior ou apresentar suas razões oralmente. para os não sindicalizados. objeto de acusações não comprovadas. a) aos associados do Sindicato. Parágrafo 1º .Qualquer modificação neste Código somente poderá ser feita em Congresso Nacional de Jornalistas. pela Comissão de Ética.A audiência deve ser convocada por escrito. Parágrafo 2º . só poderão ser aplicadas após prévio referendo da Assembléia Geral especialmente convocada para este fim. pelo jornalista. advertência pública.Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética ficam sujeitos gradativamente às seguintes penalidades. para os sindicalizados). 26º . Art. respeitados os direitos das minorias. 24º . no prazo máximo de 10 dias corridos. 27º . 25º . e pela prevalência da vontade da maioria da sociedade.A Comissão de Ética será eleita em Assembléia Geral da categoria. Art. todas as pessoas. e impedimento definitivo de ingresso no quadro social. 20º .A aplicação de penalidade deve ser precedida de prévia audiência do jornalista. objeto de representação. manifesta em caso de representação sem o necessário fundamento. sob pena de nulidade. b) aos não associados.Recebida a representação. se notadamente incabível.A notória intenção de prejudicar o jornalista. a Comissão de Ética decidirá sua aceitação fundamentada ou. Art. a contar do recebimento da notificação. Art. Parágrafo 2º . advertência. se necessário.As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas e apreciadas pela Comissão de Ética. . implica na aceitação dos termos da representação. Art. ou instituição atingidos. dos prazos previstos neste artigo. suspensão e exclusão do quadro social do sindicato. Art. Parágrafo Único . 18º . em seus aspectos político.Fica assegurado ao autor da representação o direito de recorrer à Assembléia Geral. impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do Sindicato. Parágrafo 1º . especialmente convocada para este fim. Art. de observação.O jornalista deve preservar a língua e a cultura nacionais. 19º . poderá ser dirigida representação escrita e identificada à Comissão de Ética. no ato da audiência. Art. 23º . jornalista ou não. mediante proposição subscrita no mínimo por 10 delegações representantes de Sindicatos de Jornalistas.

8. não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses. .26 Anexo 2 Código de Conduta dos Jornais Aprovado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). o funcionamento sem restrições da imprensa e o livre exercício da profissão. Diferenciar. Apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público. 6. 5. salvo quando esse direito constituir obstáculo à informação de interesse público. está em vigor desde 1991: Os jornais afiliados à Associação Nacional de Jornais (ANJ) comprometem-se a cumprir os seguintes preceitos: 1. Garantir a publicação de contestações objetivas das pessoas ou organizações acusadas. 3. Preservar o sigilo de suas fontes. 2. Manter sua independência. 7. Respeitar o direito de cada indivíduo à sua privacidade. Sustentar a liberdade de expressão. material editorial e material publicitário. 4. de atos ilícitos ou comportamentos condenáveis. em suas páginas. Corrigir erros que tenham sido cometidos em suas edições. de forma identificável pelos leitores. Defender os direitos do ser humano. 10. 9. os valores da democracia representativa e a livre iniciativa. Assegurar o acesso dos seus leitores às diferentes versões dos fatos e às diversas tendências de opinião da sociedade.

publicar e comentar notícia e informação e em descrever acontecimentos. em raça. e o direito a comentário e crítica. suborno. O jornalista guardará segredo profissional da fonte de informação obtida em confiança. O jornalista somente informará de acordo com fatos cuja origem ele conhece. orientação sexual. O jornalista considerará como graves delitos profissionais o seguinte: plágio. O jornalista só usará métodos justos para obter notícias. em troca de publicação ou omissão de notícias. injúria. No exercício deste dever. ou opiniões políticas e origens nacionais ou sociais. em qualquer forma. o jornalista reconhecerá. Jornalistas dignos desse nome considerarão como de seu dever observar fielmente os princípios declarados acima. Respeito à verdade e ao direito do público à verdade é o primeiro dever do jornalista. 8. O jornalista estará ciente do perigo de a imprensa promover discriminação. o jornalista há de defender os princípios de liberdade na apuração e publicação honesta das notícias. calúnia. fotografias e documentos. Dentro da lei geral de cada país. entre outras coisas. e fará o extremo para evitar discriminação baseada. .27 Anexo 3 Declaração de Princípios Esta Declaração Internacional é proclamada como um padrão de conduta profissional para jornalistas empenhados em coletar. 6. 4. 9. em questões profissionais. sexo. acusações infundadas. deturpação maliciosa. 7. linguagem. exclusivamente a jurisdição de seus colegas e recusará a interferência do governo. transmitir. O jornalista fará o extremo para retificar qualquer informação publicada que for comprovada como perniciosamente incorreta. religião. 1. O jornalista não suprimirá informação essencial nem usará documentos falsificados. 5. 2. 3. difamação.