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Ética - Sumário

ÉTICA - SUMÁRIO......................................................................................................................................................1 INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................................2 QUESTÕES DE ÉTICA ...............................................................................................................................................3 2. ÉTICA - DEFINIÇÕES.............................................................................................................................................6 2.1 A VERDADE É UM VALOR ÉTICO UNIVERSAL ..........................................................................................................8 3. ASSESSORIA DE IMPRENSA E FORMAÇÃO DE OPINIÃO......................................................................12 3.1 A CONDUTA ÉTICA DO ASSESSOR DE IMPRENSA.....................................................................................................12 QUESTIONÁRIO........................................................................................................................................................13 4. SENTENÇA NÃO É NOTÍCIA.............................................................................................................................15 5. JORNALISMO E HUMANIDADE: TÉCNICA E ÉTICA................................................................................17 5.1 PRECONCEITOS, IMPARCIALIDADE E OBJETIVIDADE...................................................................................................18 5.2 LEITORES, OBJETIVIDADE E IMPARCIALIDADE..........................................................................................................19 CONCLUSÃO..............................................................................................................................................................22 ANEXO 1.......................................................................................................................................................................24 CÓDIGO DE ÉTICA DO JORNALISTA.............................................................................................................................24 ANEXO 2.......................................................................................................................................................................26 CÓDIGO DE CONDUTA DOS JORNAIS...........................................................................................................................26 ANEXO 3.......................................................................................................................................................................27 DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS.....................................................................................................................................27

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Introdução

Dias antes da elaboração deste trabalho, discutíamos com colegas a respeito da ética do jornalista. Por escolher o jornalismo como profissão (ou sacerdócio, como querem alguns), isso nos diz respeito. A discussão aconteceu no intervalo de um dia de trabalho como parte da tentativa de entender o que é ética afinal. E, nessa condição e necessidade é que queremos conduzir o presente trabalho. Não pretendemos chegar a outra conclusão além de qual a melhor forma de trabalhar. Dessa forma, cremos, podemos ser melhores pessoas e jornalistas Compartilhar essa expectativa é mais complicado, principalmente entre os colegas. Às vezes parece piegas, outras vezes improvável. O risco vale a pena. De fato, ele se pagou. Nessa discussão, depois de trombar algumas vezes em nossas concepções, reparamos que aquela oportunidade era rara: pensar – e falar alto sobre o que estamos fazendo da nossa profissão e de nossas vidas. Principalmente porque somos formadores de opiniões, e precisamos ser confiáveis. Nesse ponto é que entra a ética: é a maneira pela qual conduzimos nosso trabalho, moral e profissionalmente, mas que afeta diretamente outras pessoas. E não duvidamos da responsabilidade do que fazemos na, com e da vida alheia. Profissionais do jornalismo precisam ganhar a confiança dos leitores, já que estão prestando um serviço público. E o público somente pode confiar neles se eles forem confiáveis. Isso se aplica, especialmente no meu caso, atuando no momento na Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Sorocaba. Assim começamos por estudar alguns casos relatados no primeiro capítulo deste trabalho. Esses casos nos levaram a estudar as definições de ética, o que encontraremos no segundo capítulo.

O seu meio de comunicação recebe uma denúncia de que numa cidadezinha da área metropolitana existe uma olaria onde a maior parte da mão-deobra é constituída de garotos. mas logo estão cobertos de barro e fuligem. Nenhum traiu seu sonho de criança. Estima-se em 3. O repórter se detém na história de R. vão concordando com as perguntas e respondendo que gostariam de ir à escola.000 dos Estados Unidos) e tem a pior distribuição de renda do mundo . O local é lamacento e o ar poluído com a poeira da terra. Os meninos preparam a massa de barro. olhos assustados.000. o caçula com apenas três meses. cumprem jornada de trabalho de dez. contra US$ 26. Embora desconfiados. Seu pai é ajudante de obras e ganha um salário mínimo e meio. Um repórter é destacado para verificar a denúncia e não só a comprova como fica estarrecido com as condições de trabalho e a exploração da mão-de-obra infantil.. Mas não se queixam do trabalho. Isso significa um rendimento mensal de R$ 48 ou cerca de vinte centavos por hora de trabalho.. de calçar um tênis. ao parque de diversões.5 milhões as crianças com menos de 14 anos obrigadas a trabalhar para ajudar no orçamento doméstico. A maioria delas não tem tempo de ir à escola. acendem e cuidam do forno. Como R.. mas é um dos mais ativos da olaria. O repórter entrevista outros e percebe que a história de R. não reclamam da sujeira. ou R$ 168 por mês. carregam e empilham os tijolos. Os minioperários chegam limpos para o trabalho. 12 anos. informa que 23 milhões de pessoas trabalham mas não recebem salários. que não têm carteira assinada. O serviço oficial de estatística. um garoto magro.pior que a de Botsuana. do salário baixo. sempre precisando de leite em pó. doze horas. IBGE. todos os sábados eles entregam aos pais os R$ 12 que recebem na olaria. é comum: a maioria dos meninos ajuda a família com seu pequeno salário.3 Questões de Ética O Brasil é um país de baixa renda per capita (pouco mais de US$ 4. tão pequeno que parece ter oito anos. . trabalha cerca de dez horas por dia de segunda a sábado (60 horas por semana) e ganha R$ 12 semanais. segundo o Banco Mundial. Sua mãe cuida da casa e dos quatro irmãos menores de R. moldam os tijolos. R. não recebem sequer o salário mínimo.

enquanto o que agora ele está considerando uma pequena injustiça . O dono da olaria vai percebendo que a reportagem pode atrair a fiscalização e acabar com seu negócio. R. causará impacto no público. vaguear pedindo esmolas ou poderão se tornar assaltantes. ele sente satisfação por dar emprego às crianças. O repórter segue a pauta e coloca questões diferentes: que o trabalho do menor de 14 anos é proibido pela Constituição.4 O repórter conversa com o dono da olaria e se espanta ao descobrir que. Conta que até fornece o almoço. O repórter acha que as grandes injustiças do país não saem tanto no jornal. É pouco. Ele levará multas tão altas que não poderá pagar a não ser vendendo a olaria. naquele dia era sopa.? A mãe dele veio pedindo a Deus pra mim dar uma colocação pra ele. Muitos pais me pedem emprego pros filhos. o R. que os meninos tomavam aos goles em tigelas de barro que eles mesmos fizeram. dez litros de leite. “– Se a minha olaria sair no jornal a fiscalização vem aqui e fecha. Imagina que eles irão para as ruas. em vez de vergonha pela exploração da mão-de-obra infantil. O repórter ficou sensibilizado pelo argumento do dono da olaria e acha que se a reportagem sair os fiscais do ministério do Trabalho podem multar e talvez fechar a empresa e os meninos perderão seu trabalho. Tá vendo aquele magrinho ali. nada menos que 40% da força de trabalho não recebem um centavo de salário. mas ajuda a família deles. Mas os dois divergem. Tem menino aqui que sozinho sustenta a casa com esse pouquinho que eu pago. trabalham em troca de comida. pior. Sem o dinheiro que ele leva a família ia passar fome. cinco quilos de feijão. que o trabalho é insalubre e muitos meninos parecem doentes dos pulmões.” O repórter volta para a redação com o dilema e vai fazendo as contas: com os R$ 48 que recebe por mês. que no Brasil. O editor do assunto no meio de comunicação social ouve a história do repórter e examina as imagens: a esquálida figura de R. Começa a achar que R$ 48 por mês é alguma coisa no universo da miséria do país: ele leu que na China milhões de operários adultos ganham US$ 35 por mês e. dá à família algo em torno de dez quilos de frango. por exemplo. dez quilos de arroz e cem pãezinhos. inclusive porque é difícil documentá-las. segundo o IBGE. O senhor sabe o que vai acontecer? Esses meninos vão perder o salário. Eu dei mais para ajudar. que mesmo os adultos têm direito a uma jornada semanal de no máximo 44 horas.

5 foi documentada sem embaraços. programas de renda mínima para os pobres que garanta a ida das crianças às escolas em troca da quantia que elas recebem na olaria. O editor opina que a matéria não deve "chamar a polícia". mas. Argumenta que se o repórter foi lá e apurou. Qual é a melhor decisão: publicar a reportagem tal como foi apurada. engavetar a reportagem ou há uma terceira atitude? Isso é uma questão de Ética – Publicar ou Omitir? . chocando e mobilizando o público. e que assim é muito fácil fazer "jornalismo de denúncia". como. se limitar a narrar os fatos e até mesmo enfatizar os argumentos do dono da olaria. não deve ter tom de denúncia trabalhista. a reportagem deve sair. mas pouco divulgada no país. Acha que a divulgação pode contribuir para o fim desses problemas. É uma história humana e lamentavelmente banal. trairá sua missão informativa se sonegar ao público dramas sociais dessa magnitude. O meio de comunicação social poderá fazer um editorial sugerindo ao governo medidas efetivas contra essa situação. O editor acha que a matéria deve ser publicada. não é juiz dessas situações. O meio de comunicação social não deve censurar os fatos. por exemplo.

A linha divisória entre jornalismo e entretenimento está ficando cada vez mais tênue. E o público somente pode confiar neles se eles forem confiáveis.definições Embora a discussão sobre o significado e a importância de ética venha mobilizando os filósofos há séculos. por exemplo. Mas há outro motivo que parece tornar a ética entre jornalistas um assunto mais importante do que. "opinião" e "padrões" recebem as mais diversas interpretações. qualquer um que possui um computador pensa que é um jornalista." A discussão sobre o comportamento da imprensa é dificultada pelo fato de que não há consenso sobre qual é o papel da imprensa na sociedade. mas também entre autoridades do governo. Pesquisas de opinião conduzidas tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento normalmente mostram que a imprensa não goza da confiança de que deveria gozar. ética entre professores do ensino básico: jornalistas estão sempre falando sobre a necessidade de terem credibilidade. Eles precisam ganhar a confiança dos leitores. "hoje em dia. Alguns substantivos inocentes podem . ativistas. principalmente na televisão. palavras básicas como "valores". Isso ocorre nos Estados Unidos. não apenas dentro da profissão. Além disso. A ética na imprensa tornou-se um "assunto quente". sua aplicação para a imprensa somente agora ganhou lugar em todas as sociedades e países. empresários e pessoas comuns Por que? Parece que hoje qualquer um que seja atingido pelos meios de comunicação — um público enorme — tornou-se um crítico de mídia.6 2. como recentemente disse um jornalista de Trinidad. onde a imprensa fica entre os últimos colocados na lista de credibilidade pública (um resultado semelhante ao do Congresso americano). Ética . educadores. e isso é um complicador. É nesse ponto que entra a ética. "moral". Alguns jornalistas acham que muitas acusações deveriam ser creditadas a outros profissionais dos meios de comunicação. já que estão prestando um serviço público. Muitos também desconhecem como funciona a imprensa e fazem confusão com a terminologia.

embora eles normalmente não sejam obrigatórios para os membros da organização — ao contrário do que acontece com advogados e médicos. então. principalmente quando a discussão entra na esfera da política1.7 adquirir um peso diferente do desejado. é que: “ética é a obediência ao que não pode ser obrigatório”. Os empregadores também possuem seus códigos internos e regras que são obviamente obrigatórios (quem desrespeitá-los pode ser demitido). Por exemplo. um termo que às vezes ganha uma conotação diferente quando há uma discussão entre o governo e a imprensa. e a checagem dos fatos torna-se uma regra de trabalho. se a "verdade" é o valor ético. Esses padrões profissionais são freqüentemente materializados através de "códigos de conduta". quase todas as associações jornalísticas têm seu próprio código de conduta. mas ética. ao menos quando ela é usada pelo governo.. e ouvir a outra versão da história passa a ser a regra. A ética de um jornal é a expressão de como ele conduz seus negócios moral e profissionalmente. Se a "justiça" é o valor ético. como já se disse. Louis Day. utilizada pelo fundador do Instituto de Ética Mundial. A ideologia do jornal é seu compromisso com convicções políticas. O que seria.. uma definição boa e prática de ética? Uma das definições prediletas. da Universidade de Louisiana. Pode se obrigar alguém a obedecer a uma lei. então "equilíbrio" é o padrão. 1 Como resultado dos famosos debates da Unesco nos anos 70. seu resultado afeta diretamente outras pessoas. geralmente feita por pessoas que têm que lidar com ambas ao mesmo tempo. São conceitos bastante diferentes e nem sempre compatíveis. é "o que você faz quando ninguém está olhando".). Uma questão freqüentemente levantada por jornalistas: como se distingue ética de ideologia? (É uma boa pergunta. a expressão "responsabilidade da imprensa" adquiriu um tom ameaçador e ainda é vista por muitos defensores da imprensa livre como uma senha para "restrições". E assim por diante. Padrões profissionais são o resultado direto da ação de valores éticos sobre as regras de trabalho do jornalista. "Uma pessoa totalmente egoísta nunca terá ética". No campo do jornalismo. Por exemplo. Nos Estados Unidos. disse o Dr. Dr. sociais e econômicas. há um outro assunto que está ainda mais perto da ética do que a ideologia — os padrões profissionais. um jornalista pode achar que não há problema em mentir ou roubar em nome de uma "boa causa" (ideologia). Embora os valores éticos estejam dentro de cada indivíduo. . Rushworth Kidder. a "exatidão" é o padrão.

ele discorre sobre valores éticos a partir dos quais podem ser criados códigos de conduta ou tiradas orientações gerais para o trabalho de apurar e divulgar informações. superpopulação – apareceu um item incomum: ética. Estamos tratando de algo essencial à nossa existência. Como definimos esse termo que revisamos com tanta liberdade até agora? Como já citamos antes. é interessante a definição de que ética é a obediência ao que não é obrigatório. independentemente das raças.. Ele se surpreendeu ao notar que além das questões previsíveis – desarmamento nuclear. não tratamos de uma idéia estranha. destruição do meio ambiente. jornalistas. quando tratamos de ética. Sua tese é que existem valores éticos universais. Kidder usou esse conceito para estabelecer a diferença entre ética e lei. Kidder citou que nós. particularmente nos . Durante sua conferência. como amor. classes sociais ou qualquer fator de diferença entre os homens. Kidder foi o principal conferencista do Seminário Ética na Imprensa — Realidades e Desafios no Brasil. que apenas algumas pessoas possam achar importante. Essa é uma forma de explicar porque estamos na situação em que estamos.1 A Verdade é um Valor Ético Universal O jornalista Rushworth Kidder era editor do Christian Science Monitor em 1986 quando pediu a 22 líderes mundiais – do presidente Jimmy Carter ao Dali Lama – que fizessem uma agenda dos temas mais relevantes para o século 21. Kidder escreveu muito sobre ética e outros temas correlatos até deixar a redação para fundar o Instituto de Ética Global. 2. verdade e justiça. para os jornalistas. esses valores devem inspirar os códigos de conduta dos jornalistas.) O professor Eugênio Castelli comparou liberdade e responsabilidade. o conjunto de normas que devem reger sua conduta no desempenho da profissão (. Segundo Kidder. que faz pesquisas e análises sobre o tema em todo o mundo. que é a obediência ao que é obrigatório. Para jornalistas.8 Alberto André afirma que “Ética é. afirmando que o dever de informar se apoia na liberdade e pressupõe um ato de responsabilidade com verdade.. sexos.

educadores ou funcionários do governo. todas elas reconhecidas como líderes éticos. Esse é um exemplo citado no Seminário: você acabou de inventar uma droga . onde ficou demonstrado que se fala mais em responsabilidade). eu também faço parte desse país. ou diria "bem. verdade. mas ocorreu-lhe que se referiam. como o agente laranja usado no Vietnã. da Costa Rica.9 países ocidentais. Você escreveria essa reportagem? Você diria "esta é a verdade. justiça. solidariedade. A questão era: "Se você pudesse formular um código global de ética para o século 21. Algumas eram bem conhecidas. quais seriam os valores essenciais que nos fariam viver conjuntamente como mundo?" Cada um falou do ponto de vista dos seus valores e da sua cultura. É um conflito entre o certo e o certo. precisamos ganhar a guerra. mesmo que eu não goste do que estão fazendo aqui".500 pessoas. porque para os americanos. a oito valores essenciais: amor (ou compaixão). outras desconhecidas. Esse exercício foi feito com mais de 4. Mas esse processo tem seus problemas. Você descobre planos para uso de um desfolhante químico. como o presidente Oscar Arias. homens de negócios. Suponha que você seja um correspondente de guerra.” Muita gente se guia pelo princípio utilitarista da ética: tomar a decisão que beneficia o maior número de pessoas. como uma mulher de 98 anos da tribo dos Maoris. jornalistas. Desde então. isso é música de fundo. respeito à vida (ou tolerância) e liberdade. mas tentando ser um repórter honesto. justiça. De acordo com Kidder. Uma entrevista foi realizada por Kidder entre 24 pessoas em 16 países. Eis um conflito entre a verdade e a lealdade. por que há tantas leis. muitos seminários foram realizados no Instituto de Ética Global com grupos de 20 a 25 participantes. respeito à vida e liberdade (menos nos EUA. Aos participantes era solicitado que escolhessem de 80 a 100 valores morais e depois que se reunissem em pequenos grupos e reduzissem as 100 palavras a cinco. mas seus leitores são preocupados com o meio ambiente. é importante dar apoio aos militares. É porque estamos ficando menos éticos e a lei preenche o vácuo deixado pela ética. com palavras diferentes. que vivia numa montanha da Nova Zelândia. e todos escreviam sobre amor. verdade. tantos advogados. Só nos EUA a liberdade não aparece. honestidade (ou integridade). “às vezes esses valores entram em choque. tolerância. tantas disputas. portanto devo escrevê-la". O exército não quer que você divulgue isso. acompanhando o exército de seu país.

Essencialmente. ficaria tranqüilo ao tomar essa decisão? O utilitarismo nos ajudará em muitas circunstâncias. e todo mundo fará exatamente o que você fizer. Embora os atos de comunicação com freqüência tenham conseqüências involuntárias. Isso é o que o utilitarismo diria. não é moral. nas mesmas circunstâncias. mas antes precisa testá-la em cem bebês e sabe que cinqüenta deles poderão morrer. Eles incluem funcionários públicos e executivos empresariais. ouvintes e leitores – mas especialmente por aqueles que controlam os instrumentos de comunicação social e determinam as suas estruturas. você está dando o exemplo. se eu tomar a vaga estou moralmente certo". editores e responsáveis de estações de rádio. O que você fizer a partir de agora será definido como ato moral. a questão ética é particularmente sutil: a mídia está sendo utilizada para o bem ou para o mal? Um outro exemplo citado no Seminário. correspondentes e outros. escritores. editores. vê um carro saindo. Eis o que ele diz: "Eu nunca deveria agir se não de tal sorte que a minha máxima. linhas de conduta e conteúdo. membros de repartições governamentais. Para eles. são as pessoas que escolhem usar a mídia para finalidades positivas ou negativas. Você faria isso? O que diria o utilitarista: "O que? Só cinqüenta bebês parta salvar milhões? É claro que devo fazer". de modo certo ou incorreto. e é por isso em parte que as pessoas começam a se voltar para um segundo princípio. jornalistas. se não quiser que ninguém mais faça igual no mundo. preciso estacionar para fazer a reportagem. o do "imperativo categórico" do filósofo alemão Emmanuel Kant.10 miraculosa que curaria milhões de bebês. você pensa: "Bem. mas não será a única resposta. há milhões de pessoas esperando para lê-la. se torne uma máxima universal". Kant fala da idéia de universalidade do enfoque moral. Qual de nós. Eu sou uma consumidora com uma característica muito particular: quebro a pontinha das cenouras para me . Você está no estacionamento. Estas opções. o princípio pelo qual estou agindo. são feitas não só por aqueles que recebem as comunicações – espectadores. foi o caso de uma mulher que procurou Kidder para dizer: "Você arruinou a minha vida. O que diria o imperativo categórico de Kant? Diria: "Muito bem. É este o mundo em que você quer viver?" Um grande bem e um grande mal provêm do uso que as pessoas fazem dos meios de comunicação social. empresários. diretores de noticiários. fundamentais para a questão ética. O que quer que você esteja por fazer. mas já há outro esperando pela vaga antes de você. produtores.

11 assegurar de que estão boas. compreendi que eu quiser que todo mundo faça isso. De repente. . Isso é compreensão da universalidade. não haverá mais cenouras e possivelmente supermercados".

prejudicam a imagem de quem é assessorado. por conseqüência. estipulando os limites do certo e do errado.12 3. da própria categoria dos jornalistas com base nos anseios e necessidades da população. Pressionar para que notícias a respeito do assessorado sejam publicadas. Os códigos de ética devem partir. no Rio de Janeiro. deve-se partir de um referencial. na medida em que se pretende atingir um determinado número de pessoas (públicos interno e/ou externo do assessorado). Assessoria de Imprensa e Formação de Opinião O trabalho do assessor de imprensa está – dependendo do caso. contrariam o Código de Ética da profissão e. como já pudemos notar. divulgar inverdades e defender os interesses de quem o contratou acima dos da população são problemas ainda freqüentes no mercado brasileiro de Assessoria de Imprensa. Em seu dia-a-dia. 3. aprovado pelo Congresso Nacional da categoria. passa pelos conceitos de bem e de mal. sonegar informações de interesse. em menor ou maior grau – relacionado com a formação de opinião pública. Em síntese. Assim. não raro. que transcrevemos na íntegra no Anexo I deste estudo.1 A Conduta ética do Assessor de Imprensa A definição de ética. o jornalista de assessoria de imprensa deve pautar sua conduta pelo Código de Ética em vigor. em setembro de 1985. .

concorda com a prática? Sim 0 Não 90% Inventar informações ou declarações para melhorar a reportagem.13 Questionário No Seminário Ética na Imprensa realizado na cidade de Itu em 1996. Escrever reportagem que defenda ou acuse uma pessoa em especial. concorda com a prática? Sim 40% Não 40% . Verdadeiro 25% Falso 71% Se verdadeiro. Verdadeiro 79% Falso 21% Se verdadeiro. funcionários ou homens de negócio. concorda com a prática? Sim 42% Não 17% Permitir às fontes revisarem a reportagem antes da publicação. concorda com a prática? Sim 52% Não 48% Utilizar sua posição de jornalista para influenciar políticos. responderam a um questionário. um jornalista. Verdadeiro 63% Falso 37% Se verdadeiro. concorda com a prática? Sim 0 Não 95% Passar-se por autoridade ou outra pessoa para obter informação. Verdadeiro 42% Falso 58% Se verdadeiro. no Brasil. Verdadeiro 42% Falso 58% Se verdadeiro. concorda com a prática? Sim 0 Não 92% Escrever reportagens sabidamente inexatas para servir ou ajudar uma "boa causa". cujas principais respostas foram: É comum. em sua maioria profissionais de imprensa.. Verdadeiro 33% Falso 63% Se verdadeiro. um partido político ou instituição. os participantes..

Verdadeiro 67% Falso 33% Se verdadeiro. concorda com a prática? Sim 0 Não 90% Usar idéias ou palavras de outra pessoa sem citar a fonte. concorda com a prática? Sim 2% Não 96% .14 Aceitar pagamento por cobertura noticiosa positiva ou negativa. Verdadeiro 38% Falso 58% Se verdadeiro.

A imprensa brasileira dá pouca importância às decisões do Judiciário: prefere exaltar ou amenizar a acusação. Sentença não é Notícia Jornais dão mais destaque a acusação que a julgamento Justiça não é notícia. depois de renderem dúzias de páginas sobre investigações. O jornal paulista escondeu o assunto entre o cipoal de notícias sobre as denúncias de Nicéia Pitta contra seu ex-marido. Casos momentosos. Um exemplo disponível disponíveis é o da condenação do banqueiro Ângelo Calmon de Sá a quatro anos de prisão em regime semi-aberto. manchete de noticiário de TV . A Folha de São Paulo e o Jornal do Brasil. sequer deram chamada na 1ª. em 1995. O banqueiro Calmon de Sá era acusado de cavar um rombo de R$ 3. página. Se a decisão do juiz não corrobora o libelo trançado nas páginas. com solitárias exceções de informantes ou colaboradores. sem maiores explicações. Os grandes meios de comunicação não têm repórteres de Justiça.5 bilhões em numerosas operações irregulares. embora o próprio presidente da República mentisse sobre isso em entrevista coletiva. diariamente. foi sensacionalizado em cadernos inteiros. resultam num pífio noticiário quando sai a sentença da Justiça. Foi capa de revista. Cinco anos depois. num rol de 34 processos abertos sobre a maracutaia no Econômico. O escândalo do Banco Econômico. sai sem destaque. A decisão judicial quebrou. um juiz da 2ª. a depender de seu interesse político. ou ao menos foi um prego a mais na tradição de que banqueiro nunca é condenado.e havia jornalismo no caso. Mas o acobertamento dos erros praticados com o dinheiro público fazia parte do apoio servil da elite da mídia à política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso. além de darem a notícia com atraso. ideológico ou simplesmente financeiro. Vara Federal da Bahia lavrou a primeira sentença. Só não se deu destaque na época às irregularidades emitidas pelos Banco Central. a trataram como um fato rotineiro. na imprensa . sem boxes ou retrancas auxiliares que situassem a decisão. os grandes jornais. em mais uma eloqüente demonstração de que.15 4. para confirmar a regra. e sem nenhuma repercussão nas edições seguintes. o prefeito de São Paulo Celso Pitta. que emprestava dinheiro sem receber garantias. Porém. Enfileirar exemplos é tão fácil quando folhear um jornal.

mas limitou-se a um texto curto. condenado depois do Carnaval. a denúncia merece mais destaque que o julgamento. IstoÉ e Veja confinaram o assunto em notinhas da seção Datas. enquanto a sentença do banqueiro foi limitada a três. O Jornal do Brasil pôs a reportagem sobre a condenação de Calmon de Sá abaixo de uma notícia virtual que considerou muito mais relevante: "Hackers atacam página da Anatel". muito menor que o destaque dado a asneiras como "Biologia abalou o Nasdaq". esta entronizada como manchete em seis colunas. Das revistas semanais.16 brasileira. O Estado de São Paulo saiu-se melhor: deu manchete na página B11 ("Ex-dono do Econômico pega 4 anos de prisão"). apenas Época publicou uma (pequena) reportagem sobre a "quarta-feira de cinzas" do banqueiro. .

"às vezes necessário". Às vezes. Um jornalista espanhol conta que em seu trabalho como secretário de redação de um diário de Madri viu-se diante dessa situação: minutos antes do fechamento da edição. em depoimento ao documentário "Os Fotógrafos". Diante do problema . expelido dela pela explosão da bomba. contou sua reação à foto-reportagem sobre a fome na Somália. tirando fotos quando me sentia daquela forma. ele tenha sido capaz de perceber a diferença de sua reação como jornalista exercendo a técnica e como pessoa e sua ética.não cabia no espaço reservado na página de forma a exibir mãe e filho. Especialmente na situação que vivi. Sudão e outros países da África. da National Geographic Society. isso é necessário. Tive de abaixar a câmera. para poder mostrar a imagem sem cortes no dia seguinte. O . Não é uma história sobre a qual o secretário de redação se orgulhe. "Em várias situações chegava o momento em que eu não conseguia continuar. conta Bob Caputo. chegou a fotografia de um atentado terrorista. uma mulher grávida e seu feto. deixaria de ser humano." O jornalista experimenta diariamente o limite relatado pelo fotógrafo da National Geographic. Achava que se fosse capaz de continuar fazendo meu trabalho. Talvez por isso. mas no jargão jornalístico "não dava corte" . "O perigo de se ter uma câmera entre você e seu assunto é que ela pode virar um escudo. Ocorre em diferentes escalas e. nem é notado. A dissociação entre a condição profissional e humana do jornalista ocorre diante de situações menos extremas do que um atentado terrorista ou a fome na África. às vezes. que realizou em 1992 para a revista da NGS. Pode ser sutil e apenas refletir-se na utilização do escudo a que se refere Bob Caputo. aliado à técnica da produção jornalística. Jornalismo e Humanidade: Técnica e Ética Bob Caputo. A câmera fotográfica ou um gravador são parte desse escudo. Entre os mortos. pois o que fotografei é terrível e deprimente". o jornalista praguejou sozinho. Não havia outra foto: era preciso que os cadáveres estivessem a menos alguns centímetros de distância. Desejou que o corpo do feto estivesse mais próximo da mãe.17 5.agravado pela urgência do fechamento -. como ele diz. Fui dominado pela emoção e pela tragédia. A foto escolhida para a primeira página mostrava os dois cadáveres.

Uma história curiosa. reportagem publicada em 1980. a despeito dos padrões que lhes servem. Daí mesmo o interesse e a riqueza da comunicação. A noção da linguagem pressupõe o oposto. Ambos podem ser instrumentos saudáveis para o profissional. inclusive o de Veja. mas. 5.1 Preconceitos. imparcialidade e objetividade Na tentativa de buscar a imparcialidade e a objetividade – princípios fundamentais da profissão – o jornalista deve procurar desnudar-se de seus "preconceitos". Os fatos assumem tal importância do ponto de vista industrial e comercial que perdem sua razão como experiências individuais para o jornalista. Identificam-se outros problemas relacionados ao processo de "desumanização" do jornalismo. É claro que o cotidiano das redações não transcorre dessa maneira. a pontuação. A valorização exclusiva do fato como matéria para publicação e não em si mesmo transforma a realidade em uma peça secundária. mas vale o desabafo pelo grau de stress a que se submete o bom profissional. levado às circunstâncias da produção jornalística industrial. implica em "preconceitos": a experiência da escrita e da leitura. Este princípio é interpretado como se a concepção individual a respeito de pessoas. É suficiente "ouvir sempre os dois lados" envolvidos no fato relatado e apenas isso? O jornalista tem lado? Sim. em última instância. A escolha de palavras. A objetividade e a imparcialidade também podem servir de desculpa para um trabalho mal feito. vencedora de um prêmio Pulitzer. são absolutos. seu trabalho. Nesse processo. de forma alguma. E melhor se o faz com humor. é. única. podem esvaziar-se a ética profissional e a própria informação. um repórter pergunta a opinião do chefe sobre determinado assunto. O exercício da objetividade e imparcialidade. pode conduzir à "desconstrução" dos preconceitos e à dificuldade de percepção de novos conceitos. Foi o que ocorreu em "O mundo de Jimmy". No afogadilho do fechamento.18 "escudo necessário" é o instrumento ou atitude capaz de mantê-lo "intacto" o suficiente diante da realidade para realizar seu trabalho. A resposta vem num desabafo cômico: "Não sei mais nem se gosto de Pepsi ou de Coca-Cola". fatos ou lugares não devesse interferir na produção jornalística. mas verdadeira. mesmo que mantida a verossimilhança. sobre um editor de Veja. A repórter do .

retirou-se pro seu lar Aí a notícia carece de exatidão O lar não mais existe. exclusivamente. 1996).e está levando . Janet Cook. A mínima diferença seria sinal de que um deles mente.19 jornal The Washington Post. Apenas o fato de considerar seu universo como o de seus leitores. Buenos Aires. "Devem as notícias refletir a realidade como um espelho? Não.Haroldo Barbosa) Tentou contra a existência do humilde barracão Joana de tal. diz Gonzalo Peltzer no livro Periodismo con Pasión (Editorial Ábaco. A mania da objetividade (não me atrevo a qualificá-la mais benevolamente) levaria . por causa de um tal João Depois de medicada.os jornais e meios em geral a parecerem-se cada dia mais entre si." O indício de que a realidade é secundária conduz à morte do jornalismo. Se as informações devem assemelhar-se à realidade como duas gotas de água. Talvez provocado pelo .2 Leitores. "Comunicar a verdade ao público não é o mesmo que mostrar as coisas como num espelho. um menino de oito anos viciado em heroína desde os cinco. Desse mal sofrem todos (?!) os jornais. os jornais deveriam ser todos iguais. objetividade e imparcialidade Notícia de Jornal (Luís Reis . é que não podem". não pode significar a mesma coisa? 5. mas não porque não devam. inventou o protagonista de seu artigo comovente. Colección de la Facultad de Ciencias de la Información de la Universidad Austral. E por onde afastam-se dos leitores. ninguém volta ao que acabou Joana é mais uma mulata triste que errou Errou na dose Errou no amor Joana errou de João Ninguém notou Ninguém morou Na dor que era o seu mal A dor da gente não sai no jornal A objetividade e a imparcialidade são cada vez mais insuficientes à sobrevivência de um jornal ou meio de comunicação.

gravado por Chico Buarque. etc. Ninguém sabe qual será o fôlego desse namoro entre os meios de comunicação brasileiros e o brasileiro. de modo crescente. Mostrar que um jornal é útil pode ser uma tarefa mais difícil do que aparenta.20 exagero da utilização desses recursos ou baseado no fato de que o jornalismo tenha mais que ver com o reconhecimento e confiança dos leitores em relação a "seus" veículos. a informação on demand. O ideal é que o veículo seja. Entretanto.. existe a certeza de que os novos meios que surgem sem limites territoriais são mais do que motivo para começar a adaptar-se. útil para o público. Vale registrar que o Brasil tem vivido o oposto. Alcançar essa intimidade e mesmo a fidelidade dos leitores por meio exclusivo da objetividade e imparcialidade parece. O samba "Notícia de Jornal". mostra parte disto. A moeda estável foi grande aliada dos últimos picos de crescimento nas vendas de publicações. de alguma forma. A Internet. ineficaz. de Luís Reis e Haroldo Barbosa. implicam numa revisão da missão do jornal. O fenômeno reflete-se na tendência de queda mundial dos níveis de circulação dos jornais. .

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estão decidindo se vamos ficar vivos ou se vamos morrer. comportamentos. . com as relações humanas. em algum lugar do planeta. políticas. atitudes e idéias que apoiam-se em valores como liberdade e que. já afirmava que: “A essência da imprensa livre é a essência característica. Então.. No entanto. Para tanto deve existir o reconhecimento do outro. que envolve um compromisso moral radical do profissional de imprensa e jornalismo. qual é o limite dessa liberdade? A UNESCO define a informação como um bem público e social. A informação deve ser mediada por uma ética que não se apegue apenas a normas de conduta. ou para nos posicionarmos diante de outras culturas. Karl Marx. No entanto. mas que reflita uma teoria moral que rompa com a moralidade conservadora. ou da consciência de cada um. tanto do indivíduo. razoável e ética da liberdade. principalmente durante aquele momento de “tormento” pelo qual se passa ao se analisar a diferença entre o reconhecimento legal e a impossibilidade prática. no reconhecimento da autonomia. não pode prescindir de uma norma interna de cada um. quanto do compromisso deste com a autonomia de todos os demais. que se move entre a lei e a legitimidade de posições. economias etc. pode intervir no futuro social da humanidade.22 Conclusão Há 150 anos. Só há sentido falar em ética quando se reconhece o compromisso com o outro. aquele momento de se decidir entre a informação jornalística e a ética profissional. um indispensável pensador. no entanto. O direito social à informação deve ser analisado sob dois prismas: a democratização indispensável dos meios de comunicação e na noção de ética da profissão. é necessário que a esta supere os complexos limites em que se move atualmente. O direito social à informação. mas também para que saibamos se. ao mesmo tempo. A informação é realmente importante não apenas para que saibamos o que acontece nas mais variadas regiões do mundo. o limite dessa liberdade deve ser definido pela ética. construída com base em valores como liberdade e humanidade. legalidade e dominação vigentes. O caráter de uma imprensa censurada é a falta de caráter da não-liberdade”.

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independentemente da natureza de sua propriedade.A obstrução direta ou indireta. c) defender o livre exercício da profissão. 12º . desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros. que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse. Art.A prestação de informações pelas instituições públicas. 4º . e) opor-se ao arbítrio. II . religiosos. c) frustar a manifestação de opiniões. h) prestigiar as entidades representativas e democráticas da categoria. 13º .Em todos os seus direitos e responsabilidades. 1º . pelo órgão em que trabalha. é uma obrigação social.Da conduta Profissional do Jornalista Art. e) exercer cobertura jornalística. políticos. g) respeitar o direito à privacidade do cidadão.Do Direito à Informação Art. é dever dos meios de comunicação pública. em instituições públicas e privadas onde seja funcionário.Sempre que considerar correto e necessário. I . subordinado ao presente Código de Ética. f) combater e denunciar todas as formas de corrupção. e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação. bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Art. 8º . cujas atividades produzam efeito na vida em sociedade. o jornalista resguardará a origem e a identidade das suas fontes de informação. privadas e particulares. precisa e correta.Da Responsabilidade Profissional do Jornalista Art.O jornalista é responsável por toda a informação que divulga.A divulgação da informação. b) lutar pela liberdade de pensamento e expressão. 3º . o jornalista terá apoio e respaldo das entidades representativas da categoria.O jornalista deve evitar a divulgação de fatos: . 2º . b) submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação. Art. Art. honrar e dignificar a profissão.A informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo. 9º . à livre divulgação e a aplicação de censura ou autocensura são um delito contra a sociedade. raciais. de sexo e de orientação sexual. 10º . Art. Art.O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade. Art. em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação.O jornalista não pode: a) aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com a tabela fixada por sua entidade de classe. o código está em vigor desde 1987: Votado em congresso nacional dos jornalistas O Código de Ética do Jornalista fixa as normas a que deverá subordinar-se a atuação do profissional nas suas relações com a comunidade. 11º .24 Anexo 1 Código de Ética do Jornalista Votado em congresso nacional dos jornalistas. 5º . assessor ou empregado. III . divergentes ou impedir o livre debate. Art. Art.O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos. d) valorizar. ao autoritarismo e à opressão.É dever do jornalista: a) divulgar todos os fatos que sejam de interesse público. com as fontes de informação e entre jornalistas. Art. 7º . 6º .O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social de finalidade pública. d) concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais.

27º . 19º . e impedimento definitivo de ingresso no quadro social. de observação. mediante sistema que comprove o recebimento da respectiva notificação.Por iniciativa de qualquer cidadão.A notória intenção de prejudicar o jornalista. Art. especialmente convocada para este fim. Art. b) aos não associados. no prazo máximo de 10 dias. em seus aspectos político. 22º . Parágrafo Único . b) tratar com respeito a todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar. e realizar-se-á no prazo de 10 dias a contar da data de vencimento do mesmo.As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas e apreciadas pela Comissão de Ética. se necessário. 15º . por voto secreto. para que seja apurada a existência de transgressão cometida por jornalista. Art. econômico e social. manifesta em caso de representação sem o necessário fundamento. pelo jornalista. sob pena de nulidade. especialmente convocada para este fim.A Comissão de Ética será eleita em Assembléia Geral da categoria. implica na aceitação dos termos da representação.A audiência deve ser convocada por escrito. no ato da audiência. suspensão e exclusão do quadro social do sindicato.Os jornalistas atingidos pelas penas de advertência e suspensão podem recorrer à Assembléia Geral.Qualquer modificação neste Código somente poderá ser feita em Congresso Nacional de Jornalistas. 20º . IV . Art. Art. 24º . contados da data marcada para a audiência. caso não concorde com a decisão da Comissão de Ética. se notadamente incabível. respeitados os direitos das minorias. quando ficar demonstrada a existência de equívocos ou incorreções. para os não sindicalizados. 18º .A não observância. objeto de representação. a) aos associados do Sindicato. Art. só poderão ser aplicadas após prévio referendo da Assembléia Geral especialmente convocada para este fim. a contar do recebimento da notificação.O presente Código de Ética entrará em vigor após a homologação em Assembléia Geral de Jornalistas. impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do Sindicato.Havendo ou não resposta. para os sindicalizados). determinará seu arquivamento. e pela prevalência da vontade da maioria da sociedade. advertência pública. poderá ser dirigida representação escrita e identificada à Comissão de Ética. objeto de acusações não comprovadas. 17º . Art. Parágrafo 2º . feitas por terceiros e não suficientemente demonstradas ou verificadas. Art. 16º . advertência.O jornalista deve pugnar pelo exercício da soberania nacional. antes da divulgação dos fatos.A aplicação de penalidade deve ser precedida de prévia audiência do jornalista. a contar do recebimento da notificação.A Comissão de Ética terá cinco membros com mandato coincidente com o da diretoria do Sindicato Art. Parágrafo 3º . pela Comissão de Ética. a serem aplicadas pela Comissão de Ética. .As penas máximas (exclusão do quadro social. mediante proposição subscrita no mínimo por 10 delegações representantes de Sindicatos de Jornalistas. Parágrafo 1º . b) de caráter mórbido e contrários aos valores humanos.Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética ficam sujeitos gradativamente às seguintes penalidades. tornando pública a decisão. no prazo máximo de 10 dias corridos. a Comissão de Ética decidirá sua aceitação fundamentada ou.Recebida a representação. Parágrafo 2º . 26º . Art. no prazo mínimo de 10 dias.O jornalista deve permitir o direito de resposta às pessoas envolvidas ou mencionadas em sua matéria. 14º . a Comissão de Ética encaminhará sua decisão às partes envolvidas. Parágrafo Único . todas as pessoas. 23º .25 a) com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas. Parágrafo 1º . Art. jornalista ou não. dos prazos previstos neste artigo. Art. 21º . de observação.O jornalista deve: a) ouvir sempre. Art. ou instituição atingidos. será objeto de censura pública contra o seu autor.O jornalista deve preservar a língua e a cultura nacionais.Fica assegurado ao autor da representação o direito de recorrer à Assembléia Geral. 25º .O jornalista poderá apresentar resposta escrita no prazo do parágrafo anterior ou apresentar suas razões oralmente.Aplicação do Código de Ética Art.

Preservar o sigilo de suas fontes. de forma identificável pelos leitores. Defender os direitos do ser humano. Apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público. Respeitar o direito de cada indivíduo à sua privacidade. o funcionamento sem restrições da imprensa e o livre exercício da profissão. . 10. Manter sua independência. material editorial e material publicitário. 3. Garantir a publicação de contestações objetivas das pessoas ou organizações acusadas. os valores da democracia representativa e a livre iniciativa. não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses. em suas páginas. 2. Assegurar o acesso dos seus leitores às diferentes versões dos fatos e às diversas tendências de opinião da sociedade. Corrigir erros que tenham sido cometidos em suas edições. de atos ilícitos ou comportamentos condenáveis. 6. 4. Sustentar a liberdade de expressão. 8.26 Anexo 2 Código de Conduta dos Jornais Aprovado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). 5. 9. 7. salvo quando esse direito constituir obstáculo à informação de interesse público. está em vigor desde 1991: Os jornais afiliados à Associação Nacional de Jornais (ANJ) comprometem-se a cumprir os seguintes preceitos: 1. Diferenciar.

sexo. Jornalistas dignos desse nome considerarão como de seu dever observar fielmente os princípios declarados acima. Dentro da lei geral de cada país. 5. calúnia. ou opiniões políticas e origens nacionais ou sociais. deturpação maliciosa. acusações infundadas. O jornalista guardará segredo profissional da fonte de informação obtida em confiança. o jornalista há de defender os princípios de liberdade na apuração e publicação honesta das notícias. e fará o extremo para evitar discriminação baseada. linguagem. O jornalista fará o extremo para retificar qualquer informação publicada que for comprovada como perniciosamente incorreta. O jornalista somente informará de acordo com fatos cuja origem ele conhece. 7. publicar e comentar notícia e informação e em descrever acontecimentos. No exercício deste dever. O jornalista estará ciente do perigo de a imprensa promover discriminação. em troca de publicação ou omissão de notícias. 3. suborno. e o direito a comentário e crítica. transmitir. 6. orientação sexual. entre outras coisas. . em raça. em questões profissionais. difamação. O jornalista considerará como graves delitos profissionais o seguinte: plágio. O jornalista não suprimirá informação essencial nem usará documentos falsificados. o jornalista reconhecerá. 8. fotografias e documentos. 2. 4. religião. injúria. 9.27 Anexo 3 Declaração de Princípios Esta Declaração Internacional é proclamada como um padrão de conduta profissional para jornalistas empenhados em coletar. Respeito à verdade e ao direito do público à verdade é o primeiro dever do jornalista. em qualquer forma. exclusivamente a jurisdição de seus colegas e recusará a interferência do governo. 1. O jornalista só usará métodos justos para obter notícias.