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Ética - Sumário

ÉTICA - SUMÁRIO......................................................................................................................................................1 INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................................2 QUESTÕES DE ÉTICA ...............................................................................................................................................3 2. ÉTICA - DEFINIÇÕES.............................................................................................................................................6 2.1 A VERDADE É UM VALOR ÉTICO UNIVERSAL ..........................................................................................................8 3. ASSESSORIA DE IMPRENSA E FORMAÇÃO DE OPINIÃO......................................................................12 3.1 A CONDUTA ÉTICA DO ASSESSOR DE IMPRENSA.....................................................................................................12 QUESTIONÁRIO........................................................................................................................................................13 4. SENTENÇA NÃO É NOTÍCIA.............................................................................................................................15 5. JORNALISMO E HUMANIDADE: TÉCNICA E ÉTICA................................................................................17 5.1 PRECONCEITOS, IMPARCIALIDADE E OBJETIVIDADE...................................................................................................18 5.2 LEITORES, OBJETIVIDADE E IMPARCIALIDADE..........................................................................................................19 CONCLUSÃO..............................................................................................................................................................22 ANEXO 1.......................................................................................................................................................................24 CÓDIGO DE ÉTICA DO JORNALISTA.............................................................................................................................24 ANEXO 2.......................................................................................................................................................................26 CÓDIGO DE CONDUTA DOS JORNAIS...........................................................................................................................26 ANEXO 3.......................................................................................................................................................................27 DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS.....................................................................................................................................27

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Introdução

Dias antes da elaboração deste trabalho, discutíamos com colegas a respeito da ética do jornalista. Por escolher o jornalismo como profissão (ou sacerdócio, como querem alguns), isso nos diz respeito. A discussão aconteceu no intervalo de um dia de trabalho como parte da tentativa de entender o que é ética afinal. E, nessa condição e necessidade é que queremos conduzir o presente trabalho. Não pretendemos chegar a outra conclusão além de qual a melhor forma de trabalhar. Dessa forma, cremos, podemos ser melhores pessoas e jornalistas Compartilhar essa expectativa é mais complicado, principalmente entre os colegas. Às vezes parece piegas, outras vezes improvável. O risco vale a pena. De fato, ele se pagou. Nessa discussão, depois de trombar algumas vezes em nossas concepções, reparamos que aquela oportunidade era rara: pensar – e falar alto sobre o que estamos fazendo da nossa profissão e de nossas vidas. Principalmente porque somos formadores de opiniões, e precisamos ser confiáveis. Nesse ponto é que entra a ética: é a maneira pela qual conduzimos nosso trabalho, moral e profissionalmente, mas que afeta diretamente outras pessoas. E não duvidamos da responsabilidade do que fazemos na, com e da vida alheia. Profissionais do jornalismo precisam ganhar a confiança dos leitores, já que estão prestando um serviço público. E o público somente pode confiar neles se eles forem confiáveis. Isso se aplica, especialmente no meu caso, atuando no momento na Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Sorocaba. Assim começamos por estudar alguns casos relatados no primeiro capítulo deste trabalho. Esses casos nos levaram a estudar as definições de ética, o que encontraremos no segundo capítulo.

mas logo estão cobertos de barro e fuligem. 12 anos. IBGE.000 dos Estados Unidos) e tem a pior distribuição de renda do mundo . O repórter se detém na história de R. Os minioperários chegam limpos para o trabalho. é comum: a maioria dos meninos ajuda a família com seu pequeno salário.5 milhões as crianças com menos de 14 anos obrigadas a trabalhar para ajudar no orçamento doméstico. mas é um dos mais ativos da olaria. Mas não se queixam do trabalho.. um garoto magro.. olhos assustados. . Isso significa um rendimento mensal de R$ 48 ou cerca de vinte centavos por hora de trabalho. Como R. vão concordando com as perguntas e respondendo que gostariam de ir à escola. todos os sábados eles entregam aos pais os R$ 12 que recebem na olaria. do salário baixo. A maioria delas não tem tempo de ir à escola. Seu pai é ajudante de obras e ganha um salário mínimo e meio. segundo o Banco Mundial. cumprem jornada de trabalho de dez. informa que 23 milhões de pessoas trabalham mas não recebem salários. doze horas. Sua mãe cuida da casa e dos quatro irmãos menores de R. sempre precisando de leite em pó. ao parque de diversões. O serviço oficial de estatística. que não têm carteira assinada. não recebem sequer o salário mínimo. Um repórter é destacado para verificar a denúncia e não só a comprova como fica estarrecido com as condições de trabalho e a exploração da mão-de-obra infantil. O local é lamacento e o ar poluído com a poeira da terra. tão pequeno que parece ter oito anos. contra US$ 26. não reclamam da sujeira. O seu meio de comunicação recebe uma denúncia de que numa cidadezinha da área metropolitana existe uma olaria onde a maior parte da mão-deobra é constituída de garotos.pior que a de Botsuana. Nenhum traiu seu sonho de criança. trabalha cerca de dez horas por dia de segunda a sábado (60 horas por semana) e ganha R$ 12 semanais. acendem e cuidam do forno.3 Questões de Ética O Brasil é um país de baixa renda per capita (pouco mais de US$ 4.. R. de calçar um tênis. moldam os tijolos. carregam e empilham os tijolos.000. o caçula com apenas três meses. Estima-se em 3. O repórter entrevista outros e percebe que a história de R. ou R$ 168 por mês. Embora desconfiados. Os meninos preparam a massa de barro.

dez quilos de arroz e cem pãezinhos. que o trabalho é insalubre e muitos meninos parecem doentes dos pulmões. Tá vendo aquele magrinho ali. O repórter segue a pauta e coloca questões diferentes: que o trabalho do menor de 14 anos é proibido pela Constituição. Começa a achar que R$ 48 por mês é alguma coisa no universo da miséria do país: ele leu que na China milhões de operários adultos ganham US$ 35 por mês e. Tem menino aqui que sozinho sustenta a casa com esse pouquinho que eu pago. que os meninos tomavam aos goles em tigelas de barro que eles mesmos fizeram. Imagina que eles irão para as ruas. inclusive porque é difícil documentá-las. cinco quilos de feijão. enquanto o que agora ele está considerando uma pequena injustiça . O dono da olaria vai percebendo que a reportagem pode atrair a fiscalização e acabar com seu negócio. É pouco. vaguear pedindo esmolas ou poderão se tornar assaltantes. Eu dei mais para ajudar. dá à família algo em torno de dez quilos de frango. Sem o dinheiro que ele leva a família ia passar fome. R. O senhor sabe o que vai acontecer? Esses meninos vão perder o salário. que no Brasil. Conta que até fornece o almoço.” O repórter volta para a redação com o dilema e vai fazendo as contas: com os R$ 48 que recebe por mês. O repórter ficou sensibilizado pelo argumento do dono da olaria e acha que se a reportagem sair os fiscais do ministério do Trabalho podem multar e talvez fechar a empresa e os meninos perderão seu trabalho. em vez de vergonha pela exploração da mão-de-obra infantil. Muitos pais me pedem emprego pros filhos. ele sente satisfação por dar emprego às crianças. por exemplo.4 O repórter conversa com o dono da olaria e se espanta ao descobrir que. nada menos que 40% da força de trabalho não recebem um centavo de salário. O repórter acha que as grandes injustiças do país não saem tanto no jornal. mas ajuda a família deles. pior. que mesmo os adultos têm direito a uma jornada semanal de no máximo 44 horas. segundo o IBGE. trabalham em troca de comida. Mas os dois divergem. O editor do assunto no meio de comunicação social ouve a história do repórter e examina as imagens: a esquálida figura de R. “– Se a minha olaria sair no jornal a fiscalização vem aqui e fecha. causará impacto no público. naquele dia era sopa.? A mãe dele veio pedindo a Deus pra mim dar uma colocação pra ele. o R. dez litros de leite. Ele levará multas tão altas que não poderá pagar a não ser vendendo a olaria.

se limitar a narrar os fatos e até mesmo enfatizar os argumentos do dono da olaria. a reportagem deve sair. Acha que a divulgação pode contribuir para o fim desses problemas. programas de renda mínima para os pobres que garanta a ida das crianças às escolas em troca da quantia que elas recebem na olaria.5 foi documentada sem embaraços. Qual é a melhor decisão: publicar a reportagem tal como foi apurada. trairá sua missão informativa se sonegar ao público dramas sociais dessa magnitude. O meio de comunicação social poderá fazer um editorial sugerindo ao governo medidas efetivas contra essa situação. não é juiz dessas situações. não deve ter tom de denúncia trabalhista. mas pouco divulgada no país. e que assim é muito fácil fazer "jornalismo de denúncia". O editor opina que a matéria não deve "chamar a polícia". como. engavetar a reportagem ou há uma terceira atitude? Isso é uma questão de Ética – Publicar ou Omitir? . É uma história humana e lamentavelmente banal. chocando e mobilizando o público. por exemplo. mas. O editor acha que a matéria deve ser publicada. O meio de comunicação social não deve censurar os fatos. Argumenta que se o repórter foi lá e apurou.

já que estão prestando um serviço público. educadores. Eles precisam ganhar a confiança dos leitores. "moral". sua aplicação para a imprensa somente agora ganhou lugar em todas as sociedades e países. A ética na imprensa tornou-se um "assunto quente". Muitos também desconhecem como funciona a imprensa e fazem confusão com a terminologia. palavras básicas como "valores". ativistas. qualquer um que possui um computador pensa que é um jornalista. Alguns jornalistas acham que muitas acusações deveriam ser creditadas a outros profissionais dos meios de comunicação." A discussão sobre o comportamento da imprensa é dificultada pelo fato de que não há consenso sobre qual é o papel da imprensa na sociedade. É nesse ponto que entra a ética. Mas há outro motivo que parece tornar a ética entre jornalistas um assunto mais importante do que.definições Embora a discussão sobre o significado e a importância de ética venha mobilizando os filósofos há séculos. mas também entre autoridades do governo. onde a imprensa fica entre os últimos colocados na lista de credibilidade pública (um resultado semelhante ao do Congresso americano). ética entre professores do ensino básico: jornalistas estão sempre falando sobre a necessidade de terem credibilidade. "hoje em dia. por exemplo. não apenas dentro da profissão. empresários e pessoas comuns Por que? Parece que hoje qualquer um que seja atingido pelos meios de comunicação — um público enorme — tornou-se um crítico de mídia. como recentemente disse um jornalista de Trinidad. E o público somente pode confiar neles se eles forem confiáveis.6 2. e isso é um complicador. Alguns substantivos inocentes podem . principalmente na televisão. Ética . A linha divisória entre jornalismo e entretenimento está ficando cada vez mais tênue. Pesquisas de opinião conduzidas tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento normalmente mostram que a imprensa não goza da confiança de que deveria gozar. Isso ocorre nos Estados Unidos. Além disso. "opinião" e "padrões" recebem as mais diversas interpretações.

Rushworth Kidder. então. quase todas as associações jornalísticas têm seu próprio código de conduta. ao menos quando ela é usada pelo governo. a "exatidão" é o padrão. A ideologia do jornal é seu compromisso com convicções políticas.7 adquirir um peso diferente do desejado. um jornalista pode achar que não há problema em mentir ou roubar em nome de uma "boa causa" (ideologia). disse o Dr. então "equilíbrio" é o padrão. um termo que às vezes ganha uma conotação diferente quando há uma discussão entre o governo e a imprensa. Por exemplo. Louis Day. da Universidade de Louisiana.). seu resultado afeta diretamente outras pessoas. é que: “ética é a obediência ao que não pode ser obrigatório”. Uma questão freqüentemente levantada por jornalistas: como se distingue ética de ideologia? (É uma boa pergunta. embora eles normalmente não sejam obrigatórios para os membros da organização — ao contrário do que acontece com advogados e médicos. Embora os valores éticos estejam dentro de cada indivíduo. principalmente quando a discussão entra na esfera da política1. No campo do jornalismo. utilizada pelo fundador do Instituto de Ética Mundial. 1 Como resultado dos famosos debates da Unesco nos anos 70. se a "verdade" é o valor ético. e a checagem dos fatos torna-se uma regra de trabalho. . a expressão "responsabilidade da imprensa" adquiriu um tom ameaçador e ainda é vista por muitos defensores da imprensa livre como uma senha para "restrições". Os empregadores também possuem seus códigos internos e regras que são obviamente obrigatórios (quem desrespeitá-los pode ser demitido). é "o que você faz quando ninguém está olhando". mas ética. Nos Estados Unidos. como já se disse. A ética de um jornal é a expressão de como ele conduz seus negócios moral e profissionalmente.. Padrões profissionais são o resultado direto da ação de valores éticos sobre as regras de trabalho do jornalista. geralmente feita por pessoas que têm que lidar com ambas ao mesmo tempo. Se a "justiça" é o valor ético. São conceitos bastante diferentes e nem sempre compatíveis.. há um outro assunto que está ainda mais perto da ética do que a ideologia — os padrões profissionais. Dr. E assim por diante. e ouvir a outra versão da história passa a ser a regra. Por exemplo. sociais e econômicas. uma definição boa e prática de ética? Uma das definições prediletas. Esses padrões profissionais são freqüentemente materializados através de "códigos de conduta". "Uma pessoa totalmente egoísta nunca terá ética". Pode se obrigar alguém a obedecer a uma lei. O que seria.

Segundo Kidder.. quando tratamos de ética. Kidder escreveu muito sobre ética e outros temas correlatos até deixar a redação para fundar o Instituto de Ética Global. independentemente das raças. que é a obediência ao que é obrigatório. é interessante a definição de que ética é a obediência ao que não é obrigatório. Kidder citou que nós. Durante sua conferência. como amor. esses valores devem inspirar os códigos de conduta dos jornalistas. Estamos tratando de algo essencial à nossa existência. não tratamos de uma idéia estranha. Kidder foi o principal conferencista do Seminário Ética na Imprensa — Realidades e Desafios no Brasil. Para jornalistas.8 Alberto André afirma que “Ética é.1 A Verdade é um Valor Ético Universal O jornalista Rushworth Kidder era editor do Christian Science Monitor em 1986 quando pediu a 22 líderes mundiais – do presidente Jimmy Carter ao Dali Lama – que fizessem uma agenda dos temas mais relevantes para o século 21. sexos. superpopulação – apareceu um item incomum: ética. destruição do meio ambiente. que faz pesquisas e análises sobre o tema em todo o mundo. Como definimos esse termo que revisamos com tanta liberdade até agora? Como já citamos antes. Essa é uma forma de explicar porque estamos na situação em que estamos. classes sociais ou qualquer fator de diferença entre os homens. afirmando que o dever de informar se apoia na liberdade e pressupõe um ato de responsabilidade com verdade.) O professor Eugênio Castelli comparou liberdade e responsabilidade. o conjunto de normas que devem reger sua conduta no desempenho da profissão (. jornalistas. Ele se surpreendeu ao notar que além das questões previsíveis – desarmamento nuclear. Sua tese é que existem valores éticos universais. 2. ele discorre sobre valores éticos a partir dos quais podem ser criados códigos de conduta ou tiradas orientações gerais para o trabalho de apurar e divulgar informações. Kidder usou esse conceito para estabelecer a diferença entre ética e lei.. para os jornalistas. particularmente nos . verdade e justiça. que apenas algumas pessoas possam achar importante.

solidariedade.9 países ocidentais. como o presidente Oscar Arias. jornalistas. educadores ou funcionários do governo. porque para os americanos. Você descobre planos para uso de um desfolhante químico. respeito à vida e liberdade (menos nos EUA. da Costa Rica. e todos escreviam sobre amor. Aos participantes era solicitado que escolhessem de 80 a 100 valores morais e depois que se reunissem em pequenos grupos e reduzissem as 100 palavras a cinco. eu também faço parte desse país. precisamos ganhar a guerra. Esse exercício foi feito com mais de 4. tantos advogados. tantas disputas. é importante dar apoio aos militares. “às vezes esses valores entram em choque. De acordo com Kidder.500 pessoas. Mas esse processo tem seus problemas. respeito à vida (ou tolerância) e liberdade. mesmo que eu não goste do que estão fazendo aqui". É porque estamos ficando menos éticos e a lei preenche o vácuo deixado pela ética. Esse é um exemplo citado no Seminário: você acabou de inventar uma droga . portanto devo escrevê-la".” Muita gente se guia pelo princípio utilitarista da ética: tomar a decisão que beneficia o maior número de pessoas. honestidade (ou integridade). que vivia numa montanha da Nova Zelândia. verdade. mas seus leitores são preocupados com o meio ambiente. com palavras diferentes. por que há tantas leis. Eis um conflito entre a verdade e a lealdade. Uma entrevista foi realizada por Kidder entre 24 pessoas em 16 países. muitos seminários foram realizados no Instituto de Ética Global com grupos de 20 a 25 participantes. como o agente laranja usado no Vietnã. É um conflito entre o certo e o certo. Só nos EUA a liberdade não aparece. acompanhando o exército de seu país. todas elas reconhecidas como líderes éticos. mas tentando ser um repórter honesto. quais seriam os valores essenciais que nos fariam viver conjuntamente como mundo?" Cada um falou do ponto de vista dos seus valores e da sua cultura. isso é música de fundo. justiça. Algumas eram bem conhecidas. justiça. O exército não quer que você divulgue isso. Suponha que você seja um correspondente de guerra. Você escreveria essa reportagem? Você diria "esta é a verdade. Desde então. homens de negócios. A questão era: "Se você pudesse formular um código global de ética para o século 21. a oito valores essenciais: amor (ou compaixão). ou diria "bem. outras desconhecidas. mas ocorreu-lhe que se referiam. verdade. como uma mulher de 98 anos da tribo dos Maoris. onde ficou demonstrado que se fala mais em responsabilidade). tolerância.

e é por isso em parte que as pessoas começam a se voltar para um segundo princípio. se eu tomar a vaga estou moralmente certo". se torne uma máxima universal". escritores. Embora os atos de comunicação com freqüência tenham conseqüências involuntárias. há milhões de pessoas esperando para lê-la. O que diria o imperativo categórico de Kant? Diria: "Muito bem. Kant fala da idéia de universalidade do enfoque moral. a questão ética é particularmente sutil: a mídia está sendo utilizada para o bem ou para o mal? Um outro exemplo citado no Seminário. e todo mundo fará exatamente o que você fizer. jornalistas.10 miraculosa que curaria milhões de bebês. ouvintes e leitores – mas especialmente por aqueles que controlam os instrumentos de comunicação social e determinam as suas estruturas. empresários. fundamentais para a questão ética. o princípio pelo qual estou agindo. Estas opções. você pensa: "Bem. você está dando o exemplo. de modo certo ou incorreto. mas não será a única resposta. são feitas não só por aqueles que recebem as comunicações – espectadores. correspondentes e outros. Eis o que ele diz: "Eu nunca deveria agir se não de tal sorte que a minha máxima. Você está no estacionamento. não é moral. O que quer que você esteja por fazer. ficaria tranqüilo ao tomar essa decisão? O utilitarismo nos ajudará em muitas circunstâncias. o do "imperativo categórico" do filósofo alemão Emmanuel Kant. linhas de conduta e conteúdo. diretores de noticiários. Qual de nós. mas já há outro esperando pela vaga antes de você. mas antes precisa testá-la em cem bebês e sabe que cinqüenta deles poderão morrer. editores. Eles incluem funcionários públicos e executivos empresariais. Essencialmente. nas mesmas circunstâncias. membros de repartições governamentais. produtores. foi o caso de uma mulher que procurou Kidder para dizer: "Você arruinou a minha vida. preciso estacionar para fazer a reportagem. Isso é o que o utilitarismo diria. são as pessoas que escolhem usar a mídia para finalidades positivas ou negativas. se não quiser que ninguém mais faça igual no mundo. Para eles. O que você fizer a partir de agora será definido como ato moral. Eu sou uma consumidora com uma característica muito particular: quebro a pontinha das cenouras para me . editores e responsáveis de estações de rádio. Você faria isso? O que diria o utilitarista: "O que? Só cinqüenta bebês parta salvar milhões? É claro que devo fazer". É este o mundo em que você quer viver?" Um grande bem e um grande mal provêm do uso que as pessoas fazem dos meios de comunicação social. vê um carro saindo.

. Isso é compreensão da universalidade. De repente.11 assegurar de que estão boas. compreendi que eu quiser que todo mundo faça isso. não haverá mais cenouras e possivelmente supermercados".

prejudicam a imagem de quem é assessorado. como já pudemos notar. na medida em que se pretende atingir um determinado número de pessoas (públicos interno e/ou externo do assessorado). 3. no Rio de Janeiro. da própria categoria dos jornalistas com base nos anseios e necessidades da população. o jornalista de assessoria de imprensa deve pautar sua conduta pelo Código de Ética em vigor.12 3. que transcrevemos na íntegra no Anexo I deste estudo. divulgar inverdades e defender os interesses de quem o contratou acima dos da população são problemas ainda freqüentes no mercado brasileiro de Assessoria de Imprensa. em menor ou maior grau – relacionado com a formação de opinião pública. Os códigos de ética devem partir. contrariam o Código de Ética da profissão e. Em síntese. Em seu dia-a-dia. não raro. aprovado pelo Congresso Nacional da categoria. passa pelos conceitos de bem e de mal. Assim.1 A Conduta ética do Assessor de Imprensa A definição de ética. Assessoria de Imprensa e Formação de Opinião O trabalho do assessor de imprensa está – dependendo do caso. estipulando os limites do certo e do errado. sonegar informações de interesse. em setembro de 1985. por conseqüência. deve-se partir de um referencial. . Pressionar para que notícias a respeito do assessorado sejam publicadas.

cujas principais respostas foram: É comum. Verdadeiro 42% Falso 58% Se verdadeiro. um jornalista. no Brasil. Verdadeiro 79% Falso 21% Se verdadeiro. responderam a um questionário. funcionários ou homens de negócio. Verdadeiro 25% Falso 71% Se verdadeiro. os participantes. Escrever reportagem que defenda ou acuse uma pessoa em especial. concorda com a prática? Sim 0 Não 92% Escrever reportagens sabidamente inexatas para servir ou ajudar uma "boa causa".13 Questionário No Seminário Ética na Imprensa realizado na cidade de Itu em 1996. concorda com a prática? Sim 42% Não 17% Permitir às fontes revisarem a reportagem antes da publicação. concorda com a prática? Sim 0 Não 95% Passar-se por autoridade ou outra pessoa para obter informação. Verdadeiro 42% Falso 58% Se verdadeiro. em sua maioria profissionais de imprensa. Verdadeiro 33% Falso 63% Se verdadeiro.. um partido político ou instituição. concorda com a prática? Sim 52% Não 48% Utilizar sua posição de jornalista para influenciar políticos.. Verdadeiro 63% Falso 37% Se verdadeiro. concorda com a prática? Sim 40% Não 40% . concorda com a prática? Sim 0 Não 90% Inventar informações ou declarações para melhorar a reportagem.

concorda com a prática? Sim 2% Não 96% .14 Aceitar pagamento por cobertura noticiosa positiva ou negativa. concorda com a prática? Sim 0 Não 90% Usar idéias ou palavras de outra pessoa sem citar a fonte. Verdadeiro 67% Falso 33% Se verdadeiro. Verdadeiro 38% Falso 58% Se verdadeiro.

com solitárias exceções de informantes ou colaboradores. além de darem a notícia com atraso. Enfileirar exemplos é tão fácil quando folhear um jornal. o prefeito de São Paulo Celso Pitta.e havia jornalismo no caso. que emprestava dinheiro sem receber garantias. a trataram como um fato rotineiro. O banqueiro Calmon de Sá era acusado de cavar um rombo de R$ 3. Cinco anos depois. em 1995. ou ao menos foi um prego a mais na tradição de que banqueiro nunca é condenado. foi sensacionalizado em cadernos inteiros. Só não se deu destaque na época às irregularidades emitidas pelos Banco Central. A imprensa brasileira dá pouca importância às decisões do Judiciário: prefere exaltar ou amenizar a acusação. embora o próprio presidente da República mentisse sobre isso em entrevista coletiva. Os grandes meios de comunicação não têm repórteres de Justiça. diariamente.5 bilhões em numerosas operações irregulares. sem maiores explicações. os grandes jornais.15 4. a depender de seu interesse político. resultam num pífio noticiário quando sai a sentença da Justiça. O jornal paulista escondeu o assunto entre o cipoal de notícias sobre as denúncias de Nicéia Pitta contra seu ex-marido. sai sem destaque. Mas o acobertamento dos erros praticados com o dinheiro público fazia parte do apoio servil da elite da mídia à política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso. para confirmar a regra. Casos momentosos. em mais uma eloqüente demonstração de que. um juiz da 2ª. Porém. Vara Federal da Bahia lavrou a primeira sentença. O escândalo do Banco Econômico. página. sem boxes ou retrancas auxiliares que situassem a decisão. Sentença não é Notícia Jornais dão mais destaque a acusação que a julgamento Justiça não é notícia. na imprensa . num rol de 34 processos abertos sobre a maracutaia no Econômico. ideológico ou simplesmente financeiro. e sem nenhuma repercussão nas edições seguintes. sequer deram chamada na 1ª. A decisão judicial quebrou. manchete de noticiário de TV . Um exemplo disponível disponíveis é o da condenação do banqueiro Ângelo Calmon de Sá a quatro anos de prisão em regime semi-aberto. A Folha de São Paulo e o Jornal do Brasil. Foi capa de revista. Se a decisão do juiz não corrobora o libelo trançado nas páginas. depois de renderem dúzias de páginas sobre investigações.

.16 brasileira. a denúncia merece mais destaque que o julgamento. Das revistas semanais. condenado depois do Carnaval. apenas Época publicou uma (pequena) reportagem sobre a "quarta-feira de cinzas" do banqueiro. mas limitou-se a um texto curto. IstoÉ e Veja confinaram o assunto em notinhas da seção Datas. enquanto a sentença do banqueiro foi limitada a três. muito menor que o destaque dado a asneiras como "Biologia abalou o Nasdaq". O Jornal do Brasil pôs a reportagem sobre a condenação de Calmon de Sá abaixo de uma notícia virtual que considerou muito mais relevante: "Hackers atacam página da Anatel". esta entronizada como manchete em seis colunas. O Estado de São Paulo saiu-se melhor: deu manchete na página B11 ("Ex-dono do Econômico pega 4 anos de prisão").

Não é uma história sobre a qual o secretário de redação se orgulhe. Desejou que o corpo do feto estivesse mais próximo da mãe. em depoimento ao documentário "Os Fotógrafos". Achava que se fosse capaz de continuar fazendo meu trabalho. Sudão e outros países da África. Pode ser sutil e apenas refletir-se na utilização do escudo a que se refere Bob Caputo. A foto escolhida para a primeira página mostrava os dois cadáveres. como ele diz. Um jornalista espanhol conta que em seu trabalho como secretário de redação de um diário de Madri viu-se diante dessa situação: minutos antes do fechamento da edição. Especialmente na situação que vivi. o jornalista praguejou sozinho. tirando fotos quando me sentia daquela forma. da National Geographic Society. "às vezes necessário". "Em várias situações chegava o momento em que eu não conseguia continuar. Talvez por isso. A câmera fotográfica ou um gravador são parte desse escudo. contou sua reação à foto-reportagem sobre a fome na Somália. Às vezes. deixaria de ser humano. Entre os mortos. uma mulher grávida e seu feto. isso é necessário. Fui dominado pela emoção e pela tragédia. aliado à técnica da produção jornalística. Não havia outra foto: era preciso que os cadáveres estivessem a menos alguns centímetros de distância. mas no jargão jornalístico "não dava corte" . A dissociação entre a condição profissional e humana do jornalista ocorre diante de situações menos extremas do que um atentado terrorista ou a fome na África. pois o que fotografei é terrível e deprimente". para poder mostrar a imagem sem cortes no dia seguinte. expelido dela pela explosão da bomba. que realizou em 1992 para a revista da NGS. Tive de abaixar a câmera. "O perigo de se ter uma câmera entre você e seu assunto é que ela pode virar um escudo." O jornalista experimenta diariamente o limite relatado pelo fotógrafo da National Geographic. ele tenha sido capaz de perceber a diferença de sua reação como jornalista exercendo a técnica e como pessoa e sua ética. chegou a fotografia de um atentado terrorista. Ocorre em diferentes escalas e.agravado pela urgência do fechamento -. conta Bob Caputo. às vezes.não cabia no espaço reservado na página de forma a exibir mãe e filho.17 5. Diante do problema . Jornalismo e Humanidade: Técnica e Ética Bob Caputo. O . nem é notado.

levado às circunstâncias da produção jornalística industrial. reportagem publicada em 1980. a despeito dos padrões que lhes servem. Foi o que ocorreu em "O mundo de Jimmy". Daí mesmo o interesse e a riqueza da comunicação. é. Ambos podem ser instrumentos saudáveis para o profissional. A objetividade e a imparcialidade também podem servir de desculpa para um trabalho mal feito. em última instância. mas vale o desabafo pelo grau de stress a que se submete o bom profissional. A noção da linguagem pressupõe o oposto.1 Preconceitos. É suficiente "ouvir sempre os dois lados" envolvidos no fato relatado e apenas isso? O jornalista tem lado? Sim. Este princípio é interpretado como se a concepção individual a respeito de pessoas. de forma alguma. mas. O exercício da objetividade e imparcialidade. Os fatos assumem tal importância do ponto de vista industrial e comercial que perdem sua razão como experiências individuais para o jornalista. A valorização exclusiva do fato como matéria para publicação e não em si mesmo transforma a realidade em uma peça secundária. pode conduzir à "desconstrução" dos preconceitos e à dificuldade de percepção de novos conceitos. Identificam-se outros problemas relacionados ao processo de "desumanização" do jornalismo. sobre um editor de Veja.18 "escudo necessário" é o instrumento ou atitude capaz de mantê-lo "intacto" o suficiente diante da realidade para realizar seu trabalho. a pontuação. E melhor se o faz com humor. única. A repórter do . imparcialidade e objetividade Na tentativa de buscar a imparcialidade e a objetividade – princípios fundamentais da profissão – o jornalista deve procurar desnudar-se de seus "preconceitos". 5. A escolha de palavras. um repórter pergunta a opinião do chefe sobre determinado assunto. Uma história curiosa. vencedora de um prêmio Pulitzer. É claro que o cotidiano das redações não transcorre dessa maneira. implica em "preconceitos": a experiência da escrita e da leitura. mesmo que mantida a verossimilhança. seu trabalho. inclusive o de Veja. A resposta vem num desabafo cômico: "Não sei mais nem se gosto de Pepsi ou de Coca-Cola". podem esvaziar-se a ética profissional e a própria informação. No afogadilho do fechamento. mas verdadeira. são absolutos. Nesse processo. fatos ou lugares não devesse interferir na produção jornalística.

"Comunicar a verdade ao público não é o mesmo que mostrar as coisas como num espelho. não pode significar a mesma coisa? 5. exclusivamente. Desse mal sofrem todos (?!) os jornais. ninguém volta ao que acabou Joana é mais uma mulata triste que errou Errou na dose Errou no amor Joana errou de João Ninguém notou Ninguém morou Na dor que era o seu mal A dor da gente não sai no jornal A objetividade e a imparcialidade são cada vez mais insuficientes à sobrevivência de um jornal ou meio de comunicação.e está levando .Haroldo Barbosa) Tentou contra a existência do humilde barracão Joana de tal. mas não porque não devam.19 jornal The Washington Post. inventou o protagonista de seu artigo comovente. retirou-se pro seu lar Aí a notícia carece de exatidão O lar não mais existe. objetividade e imparcialidade Notícia de Jornal (Luís Reis . diz Gonzalo Peltzer no livro Periodismo con Pasión (Editorial Ábaco. Janet Cook. Apenas o fato de considerar seu universo como o de seus leitores. A mínima diferença seria sinal de que um deles mente. Colección de la Facultad de Ciencias de la Información de la Universidad Austral. Buenos Aires. Talvez provocado pelo . um menino de oito anos viciado em heroína desde os cinco.os jornais e meios em geral a parecerem-se cada dia mais entre si. Se as informações devem assemelhar-se à realidade como duas gotas de água. "Devem as notícias refletir a realidade como um espelho? Não. A mania da objetividade (não me atrevo a qualificá-la mais benevolamente) levaria ." O indício de que a realidade é secundária conduz à morte do jornalismo.2 Leitores. é que não podem". os jornais deveriam ser todos iguais. 1996). E por onde afastam-se dos leitores. por causa de um tal João Depois de medicada.

de Luís Reis e Haroldo Barbosa. . útil para o público. a informação on demand. ineficaz. A moeda estável foi grande aliada dos últimos picos de crescimento nas vendas de publicações. Alcançar essa intimidade e mesmo a fidelidade dos leitores por meio exclusivo da objetividade e imparcialidade parece. mostra parte disto. Mostrar que um jornal é útil pode ser uma tarefa mais difícil do que aparenta. existe a certeza de que os novos meios que surgem sem limites territoriais são mais do que motivo para começar a adaptar-se. O fenômeno reflete-se na tendência de queda mundial dos níveis de circulação dos jornais. Entretanto. de modo crescente. A Internet. Vale registrar que o Brasil tem vivido o oposto. de alguma forma.20 exagero da utilização desses recursos ou baseado no fato de que o jornalismo tenha mais que ver com o reconhecimento e confiança dos leitores em relação a "seus" veículos. O ideal é que o veículo seja. O samba "Notícia de Jornal".. gravado por Chico Buarque. implicam numa revisão da missão do jornal. etc. Ninguém sabe qual será o fôlego desse namoro entre os meios de comunicação brasileiros e o brasileiro.

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qual é o limite dessa liberdade? A UNESCO define a informação como um bem público e social. O direito social à informação. No entanto. Só há sentido falar em ética quando se reconhece o compromisso com o outro. que se move entre a lei e a legitimidade de posições. estão decidindo se vamos ficar vivos ou se vamos morrer. políticas. Então. legalidade e dominação vigentes. no reconhecimento da autonomia. A informação é realmente importante não apenas para que saibamos o que acontece nas mais variadas regiões do mundo. que envolve um compromisso moral radical do profissional de imprensa e jornalismo. não pode prescindir de uma norma interna de cada um. Para tanto deve existir o reconhecimento do outro. O caráter de uma imprensa censurada é a falta de caráter da não-liberdade”. atitudes e idéias que apoiam-se em valores como liberdade e que. principalmente durante aquele momento de “tormento” pelo qual se passa ao se analisar a diferença entre o reconhecimento legal e a impossibilidade prática. Karl Marx. um indispensável pensador. economias etc. é necessário que a esta supere os complexos limites em que se move atualmente. mas que reflita uma teoria moral que rompa com a moralidade conservadora. quanto do compromisso deste com a autonomia de todos os demais.. A informação deve ser mediada por uma ética que não se apegue apenas a normas de conduta. No entanto. O direito social à informação deve ser analisado sob dois prismas: a democratização indispensável dos meios de comunicação e na noção de ética da profissão. já afirmava que: “A essência da imprensa livre é a essência característica. com as relações humanas. no entanto. pode intervir no futuro social da humanidade. aquele momento de se decidir entre a informação jornalística e a ética profissional. ou da consciência de cada um. em algum lugar do planeta.22 Conclusão Há 150 anos. comportamentos. . tanto do indivíduo. construída com base em valores como liberdade e humanidade. ou para nos posicionarmos diante de outras culturas. razoável e ética da liberdade. o limite dessa liberdade deve ser definido pela ética. ao mesmo tempo. mas também para que saibamos se.

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10º . c) defender o livre exercício da profissão.A divulgação da informação. 8º . e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação. 7º .24 Anexo 1 Código de Ética do Jornalista Votado em congresso nacional dos jornalistas. b) submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação. bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem.O jornalista deve evitar a divulgação de fatos: .O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos. políticos. 11º . à livre divulgação e a aplicação de censura ou autocensura são um delito contra a sociedade. é dever dos meios de comunicação pública. precisa e correta. subordinado ao presente Código de Ética. 12º . em instituições públicas e privadas onde seja funcionário.É dever do jornalista: a) divulgar todos os fatos que sejam de interesse público. cujas atividades produzam efeito na vida em sociedade. e) exercer cobertura jornalística. Art.O jornalista é responsável por toda a informação que divulga.A obstrução direta ou indireta. 2º . Art. Art. religiosos. desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros. d) concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais.Do Direito à Informação Art. Art.O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade. em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação. 3º . 1º . Art. d) valorizar. I . c) frustar a manifestação de opiniões. g) respeitar o direito à privacidade do cidadão. Art.O jornalista não pode: a) aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com a tabela fixada por sua entidade de classe.Da Responsabilidade Profissional do Jornalista Art. f) combater e denunciar todas as formas de corrupção. privadas e particulares.Sempre que considerar correto e necessário. Art. 5º . e) opor-se ao arbítrio. h) prestigiar as entidades representativas e democráticas da categoria. 6º . III . Art. o código está em vigor desde 1987: Votado em congresso nacional dos jornalistas O Código de Ética do Jornalista fixa as normas a que deverá subordinar-se a atuação do profissional nas suas relações com a comunidade. assessor ou empregado. o jornalista resguardará a origem e a identidade das suas fontes de informação. independentemente da natureza de sua propriedade.A prestação de informações pelas instituições públicas. honrar e dignificar a profissão. 13º .A informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo. de sexo e de orientação sexual. com as fontes de informação e entre jornalistas.Da conduta Profissional do Jornalista Art. II . raciais. 9º . que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse. b) lutar pela liberdade de pensamento e expressão. o jornalista terá apoio e respaldo das entidades representativas da categoria. pelo órgão em que trabalha.Em todos os seus direitos e responsabilidades. 4º . é uma obrigação social. divergentes ou impedir o livre debate. Art. Art.O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social de finalidade pública. ao autoritarismo e à opressão.

Parágrafo 3º .O jornalista deve permitir o direito de resposta às pessoas envolvidas ou mencionadas em sua matéria.25 a) com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas. Art. para que seja apurada a existência de transgressão cometida por jornalista. Parágrafo Único . se notadamente incabível. . 27º . b) tratar com respeito a todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar. pelo jornalista. dos prazos previstos neste artigo. em seus aspectos político.O jornalista deve: a) ouvir sempre. especialmente convocada para este fim. 23º . 17º . mediante proposição subscrita no mínimo por 10 delegações representantes de Sindicatos de Jornalistas.O jornalista deve pugnar pelo exercício da soberania nacional. a Comissão de Ética decidirá sua aceitação fundamentada ou. todas as pessoas.Havendo ou não resposta. caso não concorde com a decisão da Comissão de Ética. Art.A notória intenção de prejudicar o jornalista. Art. Parágrafo 1º .O presente Código de Ética entrará em vigor após a homologação em Assembléia Geral de Jornalistas. no prazo máximo de 10 dias. a contar do recebimento da notificação. quando ficar demonstrada a existência de equívocos ou incorreções. advertência. e pela prevalência da vontade da maioria da sociedade.O jornalista deve preservar a língua e a cultura nacionais. antes da divulgação dos fatos.Aplicação do Código de Ética Art. especialmente convocada para este fim.As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas e apreciadas pela Comissão de Ética. jornalista ou não.Os jornalistas atingidos pelas penas de advertência e suspensão podem recorrer à Assembléia Geral.O jornalista poderá apresentar resposta escrita no prazo do parágrafo anterior ou apresentar suas razões oralmente. 16º . Art. 14º .A não observância. 26º . Parágrafo Único .A Comissão de Ética será eleita em Assembléia Geral da categoria. Art. Parágrafo 1º .Fica assegurado ao autor da representação o direito de recorrer à Assembléia Geral. Art. contados da data marcada para a audiência. e impedimento definitivo de ingresso no quadro social. 19º . e realizar-se-á no prazo de 10 dias a contar da data de vencimento do mesmo. respeitados os direitos das minorias. advertência pública. 21º . feitas por terceiros e não suficientemente demonstradas ou verificadas. de observação. objeto de representação. Art. mediante sistema que comprove o recebimento da respectiva notificação. impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do Sindicato. 24º . Art. a) aos associados do Sindicato. no prazo mínimo de 10 dias. b) aos não associados. 18º . suspensão e exclusão do quadro social do sindicato. só poderão ser aplicadas após prévio referendo da Assembléia Geral especialmente convocada para este fim.Por iniciativa de qualquer cidadão. determinará seu arquivamento. b) de caráter mórbido e contrários aos valores humanos.A Comissão de Ética terá cinco membros com mandato coincidente com o da diretoria do Sindicato Art. 22º . 15º . Art. 20º . Parágrafo 2º . por voto secreto.As penas máximas (exclusão do quadro social. Parágrafo 2º . IV . tornando pública a decisão. econômico e social. Art. ou instituição atingidos. se necessário. para os sindicalizados). manifesta em caso de representação sem o necessário fundamento. sob pena de nulidade. para os não sindicalizados. no ato da audiência.A aplicação de penalidade deve ser precedida de prévia audiência do jornalista. Art. objeto de acusações não comprovadas. implica na aceitação dos termos da representação. pela Comissão de Ética.A audiência deve ser convocada por escrito. 25º . poderá ser dirigida representação escrita e identificada à Comissão de Ética.Recebida a representação. será objeto de censura pública contra o seu autor. a serem aplicadas pela Comissão de Ética.Qualquer modificação neste Código somente poderá ser feita em Congresso Nacional de Jornalistas. Art. a contar do recebimento da notificação.Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética ficam sujeitos gradativamente às seguintes penalidades. no prazo máximo de 10 dias corridos. de observação. a Comissão de Ética encaminhará sua decisão às partes envolvidas.

de forma identificável pelos leitores. de atos ilícitos ou comportamentos condenáveis. salvo quando esse direito constituir obstáculo à informação de interesse público. 2. Defender os direitos do ser humano. material editorial e material publicitário. 3. Garantir a publicação de contestações objetivas das pessoas ou organizações acusadas. 4. Preservar o sigilo de suas fontes. Assegurar o acesso dos seus leitores às diferentes versões dos fatos e às diversas tendências de opinião da sociedade. 7.26 Anexo 2 Código de Conduta dos Jornais Aprovado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). em suas páginas. . 8. Sustentar a liberdade de expressão. está em vigor desde 1991: Os jornais afiliados à Associação Nacional de Jornais (ANJ) comprometem-se a cumprir os seguintes preceitos: 1. o funcionamento sem restrições da imprensa e o livre exercício da profissão. 9. Corrigir erros que tenham sido cometidos em suas edições. Diferenciar. Apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público. não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses. 6. os valores da democracia representativa e a livre iniciativa. 5. Respeitar o direito de cada indivíduo à sua privacidade. 10. Manter sua independência.

e o direito a comentário e crítica. O jornalista guardará segredo profissional da fonte de informação obtida em confiança. ou opiniões políticas e origens nacionais ou sociais. sexo. O jornalista estará ciente do perigo de a imprensa promover discriminação. . transmitir. calúnia. em qualquer forma. difamação. em troca de publicação ou omissão de notícias. 2. em questões profissionais. o jornalista há de defender os princípios de liberdade na apuração e publicação honesta das notícias. Respeito à verdade e ao direito do público à verdade é o primeiro dever do jornalista. fotografias e documentos. suborno. 6. 5. 4. em raça. injúria. religião. e fará o extremo para evitar discriminação baseada. O jornalista somente informará de acordo com fatos cuja origem ele conhece. deturpação maliciosa. No exercício deste dever. O jornalista fará o extremo para retificar qualquer informação publicada que for comprovada como perniciosamente incorreta. publicar e comentar notícia e informação e em descrever acontecimentos. 7. o jornalista reconhecerá. orientação sexual. 9. O jornalista considerará como graves delitos profissionais o seguinte: plágio. 8. acusações infundadas. 3. Jornalistas dignos desse nome considerarão como de seu dever observar fielmente os princípios declarados acima.27 Anexo 3 Declaração de Princípios Esta Declaração Internacional é proclamada como um padrão de conduta profissional para jornalistas empenhados em coletar. Dentro da lei geral de cada país. linguagem. 1. O jornalista não suprimirá informação essencial nem usará documentos falsificados. O jornalista só usará métodos justos para obter notícias. exclusivamente a jurisdição de seus colegas e recusará a interferência do governo. entre outras coisas.