Texto Lucas 10:38-42.
Culto de terça feira união apostólica
Introdução aos Evangelhos
Os quatro evangelhos compõem o coração da revelação cristã. Três deles — Mateus,
Marcos e Lucas — são conhecidos como “evangelhos sinóticos”, por apresentarem
uma estrutura e conteúdo semelhantes, embora sob perspectivas particulares.
O quarto, o evangelho segundo João, se distingue pela profundidade teológica e estilo
singular, mas junto com os demais, formam um só Evangelho — o Evangelho de Jesus
Cristo
Os quatro evangelhos dentro de sua missão de revelar cristo por meio de seus
mandatários, envia a seus destinatários uma mensagem única, profunda e uniforme
que expressa o amor de Deus em enviar seu unigênito.
Mateus ao escrever o evangelho ele tem como destinatário os Judeus e
apresentando Cristo como Rei, o leão da tribo de Judá o messias prometido.
Marcos ao escrever o evangelho tem como destinatário os romanos e apresenta
Cristo como evangelho do Servo sofredor tendo como figura uma Novilha (Boi) animal
de trabalho e sacrifício; Jesus veio para ser servir e não ser servido (Marcos 10:45),
Jesus afirma: “Porque o Filho do homem veio para servir e dar a sua vida em resgate
por muitos.”
Lucas ao escrever o evangelho tem como destinatário os gregos tendo como figura o
Homem Perfeito (símbolo do rosto de homem) Lucas revela Cristo de uma maneira
ímpar, foca na humanidade daquele que é divino, Lucas é o único a revelar detalhes e
parábolas que não é encontrada em nenhum dos outros evangelhos.
João ao escrever o evangelho tem como destinatário A igreja universal composta por
Judeus e Gentios convertidos em Cristo tendo como figura uma águia que representa
uma visão alta e espiritual, celestial que comtempla os mistérios dos céus e se revela
ao homem como o verbo encarnado.
Os quatros evangelho juntos conta a mais bela história.
• Em Mateus está dizendo; Ele é Rei
• Mas Marcos afirma; mas veio para servir e se sacrificar
• E João declara; O verbo se fez carne e habitou em nosso meio, João
trata da divindade daquele que se fez carne
• E Lucas confirma a humanidade daquele que é divino, o rei
que recebeu uma coroa de espinhos, que deixou o seu trono se esvaziando
de si e se tornado homem e se entregou si mesmo como cordeiro
imaculado.
Entrando no contexto do texto:
O capítulo 10 de Lucas revela três cenas que ilustra o ministério triplo de todo Cristão.
Missão Compaixão e Intimidade, que revela os processos de uma vida cristã com
proposito Seara, Estrada e Casa.
O alvo da missão era a seara, na seara servimos com as mãos (Ação Pública) No inicia
do capitulo cristo destina 70 discípulos para uma missão. Jesus os envia para cidades e
vilarejos que ele planejava visitar, como precursores, preparando o caminho para a
chegada do Reino de Deus. Com poder e autoridade para cura os enfermos e expulsar
demônios em seu nome, mas a maior alegria é que seus nomes estão escritos nos céus.
1. Missão (Lucas 10:1-24) Antes de qualquer coisa, Jesus envia. A missão começa com
a ordem de Deus, não com o entusiasmo humano. Missão sem ordem e direção é
ativismo vazio.
Eles voltam alegres pelos frutos, mas Jesus os orienta:
“Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos no céu.”
Ou seja: A identidade eterna vem antes da produtividade terrena. O valor não está no
fazer, mas no ser conhecido por Deus.
2. Compaixão (Lucas 10:25-37) A parábola do bom samaritano.
A verdadeira compaixão se revela na estrada onde servimos ao próximo com o coração
(Ação Relacional) Pois é onde havia um homem semimorto que prefigura a
humanidade caída, sem forças à beira da morte. Este homem está entre Jerusalém que
aqui representa religião sem compaixão e Jerico que representa a queda. Onde Alma
está vulnerável
Ele desconstrói a religiosidade dos que passaram direto (sacerdote e levita), e exalta o
que interrompe sua rota por amor. Ou seja: Não basta conhecer a Lei — é preciso ouvi-
la, vivê-la e deixar que ela nos mova à compaixão.
Amar a Deus e ao próximo é o caminho do Reino.
Centro da mensagem: Lucas 10:38-42
No Oriente Médio do século I, hospitalidade era um valor sagrado. Quando alguém
recebia uma visita — ainda mais um rabino como Jesus — esperava-se:
• Preparar comida e água;
• Servir com honra e rapidez;
• Prover conforto para o hóspede;
• Demonstrar respeito através do serviço.
Portanto, Marta estava fazendo o que era culturalmente correto. Ela não era
indiferente a Jesus — muito pelo contrário. Seu desejo era honrá-lo à sua maneira:
servindo bem.
E aqui está o ponto central: Jesus não critica Marta por servir. Ele critica a inquietação,
a ansiedade e a comparação. “Quando o serviço vira comparação, perdemos a
comunhão.”
O que Jesus realmente disse a Marta? (Lucas 10:41-42)
“Marta, Marta, andas inquieta e te preocupas com muitas coisas;
mas uma só é necessária.
Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.”
Jesus está dizendo:
• Seu serviço é válido, mas está sendo feito com inquietação;
• Você está distraída com muitas coisas, mas Maria está focada na coisa
essencial;
• Você está tentando tirar Maria desse lugar, mas eu não vou permitir;
• O serviço precisa nascer da intimidade, e não substituí-la.
Marta age certo segundo a cultura, mas Jesus a convida para uma nova ordem:
A prioridade do Reino é comunhão, não performance.
Isso não desvaloriza o serviço — só o reposiciona.
Jesus não disse: “Maria é melhor que Marta.”
Ele disse: Maria escolheu a melhor parte naquele momento.
Ou seja:
• Marta representa o zelo sem escuta;
• Maria representa o coração ensinável;
• Jesus não escolhe entre uma e outra — Ele corrige o desequilíbrio.
Essa é a beleza do momento. Jesus, sendo homem e judeu, rompe com a tradição:
• Mulheres não se sentavam aos pés de mestres. Isso era posição de discípulo —
privilégio reservado aos homens;
• Maria não apenas escutava: ela estava na posição de discípula formal, o que
era revolucionário;
• E Jesus não a repreende — Ele a defende.
Ou seja:
Jesus legitima a intimidade, a escuta, o aprendizado — mesmo quando contraria costumes.
Ele não ignora o serviço de Marta, mas mostra que a intimidade com Ele nunca deve ser
sacrificada, nem mesmo pela causa dEle.
• Marta representa a fidelidade da tradição — mas corre o risco de se perder na
agitação;
• Maria representa a fome do novo — que rompe com o esperado e se lança aos
pés do Mestre;
• Jesus não rejeita nenhuma, mas ajusta a prioridade: primeiro o coração, depois
as mãos.
“Quem ouve essas minhas palavras e as pratica…” (Mateus 7:24)
Ou seja: ouvir antes de agir. Sentar antes de servir.
1. Distrações podem nos afastar da presença de Deus
Marta não estava fazendo algo errado — ela estava servindo, o que é
bom. Mas Jesus mostra que o coração inquieto e ansioso pode até nos
fazer perder o essencial: a presença do próprio Cristo.
2. Deus prioriza comunhão antes de desempenho
No Reino de Deus, não se mede valor por produtividade, mas por
proximidade com Jesus. Maria é elogiada não por fazer muito, mas por
escolher o melhor lugar: ouvir o Mestre.
3. A devoção precede o serviço
Servir sem ouvir pode levar ao ativismo vazio. Ouvir sem servir pode se
tornar passividade.
“Ouvir sem servir pode se tornar passividade.”
Essa frase aponta para um desequilíbrio espiritual: pessoas que amam ouvir a Palavra,
gostam da presença de Deus, mas não colocam isso em prática. Elas se alimentam,
mas não se movem. Acabam estagnadas, espiritualmente “cheias”, mas improdutivas.
Exemplo prático (cotidiano):
É como alguém que assiste aula de direção, lê o manual do carro, decora todas as leis
de trânsito – mas nunca dirige. Essa pessoa pode até saber muito, mas não tem
experiência nenhuma na pratica. Assim também é na vida com Deus: quem só ouve é
não pratica, não amadurece. Fica parado acomodado
Aplicação espiritual:
Tem gente que ama estar na igreja, ouvir pregações, sentir a presença de Deus — mas
nunca serve, nunca ajuda ninguém, nunca põe a mão na massa. Com o tempo, isso que
era para fortalecer, vira acomodação. A pessoa se acostuma a só receber. Isso é
perigoso, porque podemos achar que estamos crescendo, quando na verdade estamos
parados.
Maria escolheu a melhor parte: sentou se aos pés de jesus para ouvir. Isto é
essencial. Mas o que ouvimos deve nos leva a pratica. O equilíbrio entre
Maria e Marta é o ideal: Ouvir com profundidade, e servir com proposito.
“Só ouvir sem se mover, nos torna passivo. Só servir sem ouvir, nos
esgota”
APLICAÇÃO PARA HOJE
Na vida pessoal:
Vivemos em um mundo hiper-conectado, cheio de vozes, tarefas e distrações.
Podemos estar como Marta — fazendo muito, até mesmo coisas boas — e ainda assim
longe de Jesus.
Aplicação: Aprenda a priorizar tempo aos pés de Jesus, mesmo que isso
signifique dizer “não” a outras tarefas.
Na vida cristã e ministerial:
Muitas pessoas, inclusive líderes, estão esgotadas tentando “servir a
Deus”, mas negligenciam o lugar secreto, o momento de escuta.
O ministério mais poderoso nasce da intimidade. Sem isso, o serviço vira
peso.
Em nossa cultura:
Hoje, o valor é medido por performance. Jesus nos mostra que, no
Reino, o mais valioso é a intimidade com Ele.
FRASE-CHAVE:
“Antes de servir com as mãos, sente-se com o coração aos pés de Jesus.”
Quer estejamos na Seara, quer na Estrada, quer em Casa, nosso maior privilégio e
alegria é fazer a vontade de Deus.
Em Síntese:
• Na seara: Servimos a Deus com nossas mãos (ação pública).
• Na estrada: Servimos ao próximo com nosso coração (ação
relacional).
• Em casa: Servimos ao Senhor com nossos ouvidos e alma (ação
espiritual).
A vida cristã madura equilibra missão, compaixão e adoração.
Não basta esta seara se, ignoramos o caído na estrada ou se negligenciamos o tempo aos pés
do Senhor,
Essas histórias mostram o coração compassivo de Deus por aqueles que
a religião despreza — exatamente o ponto da parábola.