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O texto analisa a passagem do Evangelho de Lucas sobre Marta e Maria, enfatizando a importância de priorizar a presença de Jesus em nossas vidas em vez de nos perdermos em atividades. Marta, ocupada com o serviço, acaba se distanciando do relacionamento com Jesus, enquanto Maria exemplifica a devoção ao ouvir a palavra do Senhor. A reflexão destaca a necessidade de equilibrar ação e contemplação no discipulado, lembrando que o amor a Deus deve ser a base de nossas obras.

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O texto analisa a passagem do Evangelho de Lucas sobre Marta e Maria, enfatizando a importância de priorizar a presença de Jesus em nossas vidas em vez de nos perdermos em atividades. Marta, ocupada com o serviço, acaba se distanciando do relacionamento com Jesus, enquanto Maria exemplifica a devoção ao ouvir a palavra do Senhor. A reflexão destaca a necessidade de equilibrar ação e contemplação no discipulado, lembrando que o amor a Deus deve ser a base de nossas obras.

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Daniel H. Mueggenborg, Come Follow Me: Discipleship Reflections on the Sunday


Gospel Readings for Liturgical Year C, Second edition (Herefordshire, United Kingdom:
Gracewing, 2020), 284.

Evangelho de Lucas 10:38–42. É a história de Jesus indo à casa de Marta e Maria.


Esta cena deve ser lida no contexto da pergunta do advogado da semana passada (ver
Lc 10:25) e da subsequente discussão sobre o amor a Deus e o amor ao próximo. Esse
contexto é importante porque a leitura desta semana demonstra como é o amor a
Deus, assim como a parábola do Bom Samaritano da semana passada demonstrou
como é o amor ao próximo. À medida que este encontro com Maria e Marta se
desenrola, torna-se um momento de ensino para todos os discípulos sobre a
necessidade de permanecerem focados em meio às nossas vidas apostólicas ativas.
Como muitos textos das Escrituras, esta passagem pode ser lida tanto em níveis
superficiais (literais) quanto em níveis mais profundos. Ambos os níveis podem ser
benéficos para nossa reflexão.
Em um nível superficial, esta história nos diz que Marta estava tão ocupada fazendo
coisas para Jesus que acabou ignorando-O. Quando isso acontece, os
relacionamentos sofrem. Esta é uma percepção importante para nós como discípulos,
porque afeta a forma como nos relacionamos com nossas famílias, amigos e colegas
de trabalho em um nível humano. Jesus lembra Marta, e a nós, que apenas uma coisa
é necessária quando se trata de hospitalidade, e é prestar atenção à outra pessoa.
Tudo o mais que fazemos por eles é secundário. Às vezes, desequilibramos nossas
prioridades e podemos acabar gastando tempo fazendo todo tipo de coisas para outras
pessoas, mas não passando tempo com essas pessoas. Nosso desejo mais profundo é
por amor, e essa é a única coisa necessária em nossos relacionamentos humanos.
É interessante que Jesus não diz nada a Marta até que ela reclame. O Senhor permite
que ela realize seus trabalhos de serviço e intervém somente quando ela expressa
raiva e frustração. É então que Ele pode falar com ela e recentralizar seu coração,
ajudando-a a ver o que está fora de ordem.
As obras de serviço de Marta deveriam ter sido uma expressão de seu amor por Jesus.
Em vez disso, tornaram-se uma fonte de raiva, julgamento e ressentimento. O que
poderia ter sido uma bênção para Marta (a oportunidade de servir a Jesus) tornou-se
nada mais que um fardo. Imagine quantas pessoas se sentiriam honradas em receber
Jesus em suas casas, mas Marta perdeu de vista a honra e a oportunidade de
experimentar a maravilhosa presença do Senhor.
Às vezes, isso também acontece conosco em nossas interações diárias, quando somos
motivados mais pelo dever do que pelo amor. Pense em como rapidamente a
oportunidade de participar de um evento com seu filho pode se tornar o fardo de uma
demanda adicional em sua programação. Além disso, pense em como a oportunidade
de cuidar de um pai enfermo pode se tornar uma imposição à sua liberdade pessoal.
Agora, vamos analisar esta passagem em um nível mais profundo. Quando Marta
reclama, ela revela o que acontece a todos nós quando perdemos o foco na presença
do Senhor em nossas vidas. Ao ouvirmos sua lista de queixas, podemos prontamente
entender como podemos facilmente experimentar esses mesmos erros em nossa fé.
Primeiramente, Marta acusa Jesus de não se importar com seus problemas.
Frequentemente, nas Escrituras, ouvimos clamores semelhantes de pessoas em
angústia que acusam Deus de não se importar. Essa tendência reflete uma atitude de
autopiedade que pode preencher nossa oração e corroer nosso compromisso com o
Senhor.
Em segundo lugar, Marta diz a Jesus qual é o problema, como se Ele não pudesse
descobrir sozinho. Para Marta, o problema parece óbvio demais. Em sua avaliação
precipitada da situação, ela tirou conclusões e sente a necessidade de convencer
Jesus de suas observações.
Terceiro, Marta atribui a culpa a outra pessoa por sua situação. É obviamente culpa de
Maria que Marta tenha ficado ocupada e distraída. Marta só consegue ver a
necessidade de mudança no comportamento de Maria, não no seu próprio. Às vezes,
em nossa oração, somos assim e só conseguimos ver como os outros precisam mudar
suas vidas, mas podemos estar cegos à nossa própria necessidade de conversão.
Quarto, Marta diz ao Senhor a solução para o problema como se Ele também não
pudesse descobrir isso. Às vezes, temos tantas soluções prontas para Deus e
podemos encher nossa oração com tais remédios. Ao fazê-lo, estamos revelando
nossa própria arrogância, que presume que sabemos mais do que o Senhor. Expressar
nossa dependência de Deus é uma parte boa e necessária de nossa oração. Dizer a
Deus o que fazer é uma abordagem equivocada à oração.
Quinto, em vez de ouvir o que Jesus tem a dizer, Marta é quem fala o tempo todo; ela
interpreta, acusa, avalia e recomenda sem nunca deixar Jesus dizer uma única palavra.
Sempre que nossa oração se torna um monólogo semelhante, falhamos em ouvir. É
importante lembrar que o verdadeiro propósito da oração não é fazer com que Deus
faça o que queremos, mas para que Deus nos faça fazer o que o Senhor quer. Tal
atitude dócil exige que ouçamos mais do que falamos quando oramos.
Quando Jesus fala com Marta, note como Ele tem que chamá-la pelo nome duas
vezes. Nas Escrituras, quando um nome é chamado duas vezes, muitas vezes é feito
para despertar alguém que adormeceu (ver 1 Sam 3:10 e Lc 22:31). Ao exclamar
"Marta, Marta!", Jesus está nos dizendo que Marta adormeceu em sua fé e que essa é
a causa final de sua vida desfocada. O Senhor tem que acordá-la para que ela possa,
mais uma vez, ter o relacionamento certo com Ele.
Muitas coisas podem nos fazer adormecer em nossa vida de fé. Para algumas
pessoas, é a rotina da oração diária ou mesmo a liturgia que se torna tão comum que
elas param de refletir sobre o que está acontecendo. Uma boa regra é esta: nossas
obras religiosas provavelmente não significam muito para Deus se não significam muito
para nós.
Outras pessoas podem adormecer por causa de um desinteresse fundamental em suas
vidas de fé. Quando isso acontece, elas podem perceber a oração como infrutífera e
parar de passar tempo com o Senhor. Sempre que pensamos que entendemos Deus,
então adormecemos e precisamos ser despertados para o mistério insondável do
Senhor. Jesus é relevante para cada momento de cada dia. Se não conseguimos ver
essa relevância, é nossa própria cegueira que nos impede de apreciar a vida profunda
que Ele nos oferece.
Esta passagem do Evangelho diz especificamente que foi a agitação e as distrações de
muito servir que levaram Marta a adormecer em sua vida de fé. Esse detalhe nos
adverte a não ficarmos tão preocupados com nossas tarefas que acabemos obcecados
em completar nossos deveres. Às vezes, as pessoas precisam ser despertadas de tal
estado de sono espiritual para que não se esqueçam da razão fundamental dessas
obras de serviço e amor.
Por fim, algumas pessoas adormecem na fé devido à simples falta de cuidado e
disciplina ao observar práticas religiosas básicas, como assistir à missa dominical, orar
diariamente, celebrar regularmente a Confissão e assim por diante. Ao permitir que
essas práticas boas e regulares da fé diminuam lentamente em frequência, as pessoas
podem realmente acabar em um estado de fé não praticante.
Outro aspecto desta leitura que deve despertar nosso interesse é que Marta ficou
sobrecarregada com muito serviço. A palavra real usada em grego é diakonian e
também é traduzida como “ministério”. Esta passagem, então, tem uma mensagem
particular para aqueles que estão envolvidos em vários ministérios da Igreja. Uma das
armadilhas do ministério é que uma pessoa pode ficar preocupada com o que os outros
não estão fazendo. Tal atitude de comparação, e até mesmo competição, pode ser
prejudicial aos benefícios espirituais oferecidos através das obras do ministério.
Infelizmente, o que poderia ter sido uma obra abençoada de devoção amorosa por
Jesus tornou-se um fardo e uma causa de ressentimento.
O risco de ser sobrecarregado com muita atividade também é um lembrete de que um
ministério melhor nem sempre significa mais ministério. Esta é uma afirmação muito
importante para aqueles que servem na liderança pastoral. Às vezes, é tarefa fiel e
responsável da Igreja discernir quais ministérios são importantes e quais não são. Uma
vez que somos limitados em nossas habilidades humanas, temos a obrigação de usar
nossas energias e recursos de forma sábia e eficiente, a fim de cumprir a missão que
Jesus nos confiou. Para fazer algo bem, inevitavelmente teremos que dizer “não” a
fazer tudo.
Nosso Senhor fez um comentário muito interessante quando disse que apenas uma
coisa é necessária (ver Lc 10:42). Este comentário levanta a questão de qual é
exatamente a única coisa necessária. Esta questão tem sido respondida de várias
maneiras. Alguns a entendem em termos de hospitalidade e, assim, interpretam o
comentário de Jesus como significando que apenas um item alimentar é necessário
para receber um hóspede, em oposição às provisões extensas e elaboradas que Marta
estava preparando. Outros entendem este comentário como significando que a parte
mais importante de receber alguém é prestar atenção a essa pessoa, em vez de
constantemente fazer coisas por ela. Outras interpretações ainda veem esta passagem
como parte da explicação estendida do que significa amar a Deus e ao próximo (ver Lc
10:25–28) e, assim, a “única coisa necessária” é entendida como tendo o dever de
amar a Deus e obedecer à Palavra de Deus acima de todas as outras obrigações
percebidas.
Dada a ênfase no papel exemplar de Maria e no significado espiritual desta passagem
no contexto do Evangelho de Lucas, parece que a interpretação mais adequada
entenderia este comentário como uma referência encorajadora à forma como Maria
está respondendo à presença de Jesus. Maria está ouvindo a palavra de nosso Senhor.
Maria está prestando atenção Nele como o foco de sua vida. Maria está passando
tempo com Jesus e não apenas correndo para tentar fazer coisas por Ele. Maria
permaneceu sincera em sua devoção a Jesus de todas as formas possíveis. Estas são
as qualidades mais importantes de ser um discípulo e a única coisa necessária para o
nosso relacionamento maduro com Jesus.
Esta história é muito importante para os discípulos ouvirem imediatamente após a
parábola do Bom Samaritano, pois corrige qualquer possível tendência ao ativismo,
pela qual alguém poderia ficar tão preocupado com o amor ao próximo que falha em
seu amor a Deus. Se alguma vez falharmos em amar a Deus com todo o nosso
coração, mente, alma e força, então nosso serviço ao próximo se torna vazio e um
fardo sem sentido. Ou pior ainda, nosso serviço ao próximo pode se tornar uma causa
de autojustiça, julgamento e condenação dos outros. As autênticas obras cristãs de
caridade e serviço devem sempre brotar de nossa profunda comunhão com Jesus e
não se tornar iniciativas de nossa própria escolha. Trabalhar para Deus é muito
diferente de fazer a obra de Deus.
A reflexão final sobre esta passagem diz respeito à última parte da fala de Jesus sobre
Maria ter escolhido a melhor parte e "não lhe será tirada". Os estudiosos das Escrituras
têm debatido o que esse comentário significa.
A maioria acredita que é uma referência à decisão de Maria de se tornar uma discípula
de Jesus. Sabemos que ela de fato se tornou uma discípula porque nos é dito que ela
se assentava aos Seus pés e ouvia a Sua palavra, o que são todas referências ao
discipulado. Vale a pena refletir sobre as várias maneiras pelas quais Maria teve que
escolher entre Jesus e outras obrigações percebidas.
Maria teve que deixar para trás suas expectativas sociais e responsabilidades
costumeiras para estar na cozinha preparando comida para o hóspede, a fim de poder
estar com o Senhor. Marta a desprezou por ignorar esses deveres que eram
tradicionalmente atribuídos às mulheres.
Maria teve que entrar na sala com Jesus e Seus discípulos e compartilhar sua
companhia. Tal presença de mulheres entre homens não relacionados não era
permitida na época de Jesus.

Em todas essas ações, Maria demonstrou sua corajosa disposição de escolher Jesus
em vez de ficar presa às expectativas sociais de sua época. Essa é a melhor parte. Ela
pode ter ofendido alguns por suas ações, mas agradou ao Senhor. Jesus não recusará
tal compromisso de fé e discipulado, apesar das reclamações daqueles ao Seu redor.
Ele vê Maria como um exemplo a ser seguido por outros.
A tradição espiritual cristã atesta que as figuras de Marta e Maria, apesar de suas
óbvias diferenças em atitude e disposição, também se tornaram o ideal para o que
chamamos na Igreja de “contemplação” e “ação”. A integração de Maria
(contemplação) e Marta (ação) para um verdadeiro discípulo é o equilíbrio perfeito que
buscamos em nosso ministério ao Senhor.

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