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Boletim Geocorrente 218

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Felipe Lima
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ANO 11 • Nº 218 28 DE AGOSTO DE 2025

PERIÓDICO DE GEOPOLÍTICA E OCEANOPOLÍTICA

BOLETIM
GEOCORRENTE
ISSN 2446-7014

A restauração de Tinian e a nova


geometria do poder no Indo-Pacífico
Este e outros 12 artigos nesta edição
BOLETIM
GEOCORRENTE
No 218 • 28 de Agosto de 2025
O Boletim Geocorrente é uma publicação quinzenal do CONSELHO EDITORIAL
Núcleo de Avaliação da Conjuntura (NAC), vinculado
à Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação DIRETOR DA EGN
(SPP) da Escola de Guerra Naval (EGN). O NAC Contra-Almirante Gustavo Leite Cypriano Neves
acompanha a Conjuntura Internacional sob o olhar
teórico da Geopolítica e da Oceanopolítica, a fim de SUPERINTENDENTE DE PESQUISA E
fornecer mais uma alternativa para a demanda global PÓS-GRADUAÇÃO DA EGN
de informação, tornando-a acessível e integrando a Contra-Almirante (RM1) José Luiz Ferreira Canela
sociedade aos temas de segurança e defesa. Além disso,
proporciona a difusão do conhecimento sobre crises e EDITOR CHEFE
conflitos internacionais procurando corresponder às Capitão de Mar e Guerra (RM1) Leonardo F. de Mattos
demandas do Estado-Maior da Armada. (EGN)

EDITOR CIENTÍFICO
O Boletim tem como finalidade a publicação de Capitão de Mar e Guerra (RM1) William de Sousa Moreira
artigos compactos tratando de assuntos atuais de dez (EGN)
macrorregiões do globo, a saber: América do Sul;
América do Norte e Central; África Subsaariana; EDITORES ADJUNTOS
Oriente Médio e Norte da África; Europa; Rússia e Jéssica Germano de Lima Silva (EGN)
ex-URSS; Sul da Ásia; Leste Asiático; Sudeste Asiático Noele de Freitas Peigo (Facamp)
e Oceania; Ártico e Antártica. Além disso, conta com Thayná Fernandes Alves Ribeiro (EGN)
a seção "Temas Especiais", tratando sobre assuntos Victor Eduardo Kalil Gaspar Filho (EGN)
latentes das relações internacionais.
COORDENAÇÃO DE PESQUISA
O grupo de pesquisa ligado ao Boletim conta com Pedro Nobre Vecchia (UFRJ)
integrantes de diversas áreas do conhecimento, cuja
pluralidade de formações e experiências proporcionam DIAGRAMAÇÃO E DESIGN GRÁFICO
uma análise ampla da conjuntura e dos problemas Kenzo Brites Yamaguti (UFRJ)
correntes internacionais. Assim, procura-se identificar
os elementos agravantes, motivadores e contribuintes REVISÃO E TRADUÇÃO
para a escalada de conflitos e crises em andamento, Mancy Mylene Soares Sant'Ana (UFRJ)
bem como seus desdobramentos.

NORMAS DE PUBLICAÇÃO
Para publicar nesse Boletim, faz-se necessário que o autor seja pesquisador do Grupo de Geopolítica Corrente, do
NAC e submeta seu artigo contendo até 400 palavras ao processo avaliativo por pares.

Os textos contidos neste Boletim são de responsabilidade exclusiva dos autores, não retratando a opinião oficial
da EGN ou da Marinha do Brasil.

A publicação integral de qualquer artigo deste Boletim somente poderá ser feita citando expressamente autor e
fonte, e colocando o link de redirecionamento para o artigo original.

Capa: Vista aérea da Base Aérea de Tinian


Por: Pacific Air Forces
Fonte: Flickr

CORRESPONDÊNCIA
Escola de Guerra Naval – Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação.
Av. Pasteur, 480 - Praia Vermelha – Urca – CEP 22290-255 - Rio de Janeiro/RJ -
Brasil
TEL.: (21) 2546-9394 | E-mail: geocorrentenac@[Link]

Esta e as demais edições do Boletim Geocorrente, em português e inglês, poderão ser


encontradas na home page da EGN e em nossa pasta do Google Drive.

O NAC também está no LinkedIn, acompanhem nossas postagens.

2
BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
PESQUISADORES DO NÚCLEO DE
AVALIAÇÃO DA CONJUNTURA

ÁFRICA SUBSAARIANA
.
ORIENTE MÉDIO & NORTE DA ÁFRICA
Franco Napoleão A. de Alencastro Guimarães (PUC-Rio) Eduardo El-Hader Fantini (UERJ)
Gabriel Francisco Castro Aguiar (UFRJ) João Gabriel Fischer Morais Rego (ECEME)
José Ricardo de Oliveira Araujo (UFRJ) Maria Clara Vieira Schneider Vianna (UFRJ)
Kenzo Brites Yamaguti (UFRJ) Melissa Rossi (Suffolk University)
Luísa Barbosa Azevedo (UERJ) Pedro Nobre Vecchia (UFRJ)
Matheus Moreira Alves (UERJ) Vitória de França Fernandes (UNIRIO)
Rafaela Marinho Gonzalez Machado (UFRJ)
Vanessa Passos Bandeira de Sousa (UERJ) RÚSSIA & EX-URSS
Anna Laura Silveira Lengruber (UFRJ)
AMÉRICA DO SUL Gastão Menescal Carneiro Neto (Unilasalle - RJ)
Bruna da Silveira Eloy (UFRJ) José Gabriel de Melo Pires (ECEME)
Fernanda Carvalho Calado Coutinho (UFF) Luiza Gomes Guitarrari (UFRJ)
Gabriel Augusto Almeida da Silva (UFRJ) Pedro Mendes Martins (ECEME)
Guilherme Demmer Knippenberg (UFSC) Pérsio Glória de Paula (Saint Petersburg University)
Luciano Veneu Terra (UFF) Rafael Esteves Gomes (UFRJ)
Maria Fernanda Santos Kerr (UERJ)
Pedro Emiliano Kilson Ferreira (Univ. de Santiago) SUDESTE ASIÁTICO & OCEANIA
Guilherme de Oliveira Carneiro (FGV)
AMÉRICA DO NORTE & CENTRAL Marcelle Torres Alves Okuno (UERJ)
Júlia Santos Soares (UFRJ) Maria Gabriela Veloso Camelo (PUC-Rio)
Kaike Ferreira Mota (UFRJ) Matheus Bruno Ferreira Alves Pereira (UFRJ)
Taynah Pires Ferreira (UFF) Rafael Prisco Cabral (UFRJ)
Rafael de Oliveira Maciel (UnB) Thayná Fernandes Alves Ribeiro (EGN)
Victor Eduardo Kalil Gaspar Filho (EGN)
Yasmim Abril Monteiro Reis (San Tiago Dantas) SUL DA ÁSIA
Eduardo Araújo Mangueira (PUC-Rio)
ÁRTICO & ANTÁRTICA Gabriel Paradela Heil (UFRJ)
Gabriele Marina Molina Hernandez (UFF) Gabriela Siqueira Duarte dos Santos (UFRJ)
Nathália Magalhães Macedo (UFRJ) Lucas Mitidieri Oliveira Mendes (UFRJ)
Maria Fernanda Császár Lima Ferreira (UFRJ)
EUROPA
Amanda Maciel Fraga Montoiro (UFRJ) TEMAS ESPECIAIS
Emerson Luiz Bento dos Santos (UFRJ) Carolina Vasconcelos de Oliveira Silva (PUC-Rio)
Guilherme Francisco Pagliares de Carvalho (UFF) Gabriel Mendes Andrade (UERJ)
Lucas Salles Pithon Macedo (UFRJ) João Victor Marques Cardoso (UNIRIO)
Millene Sousa dos Santos (UFRJ) Maria Elena Andrade Barbosa (EFOMM)
Rafaela Caporazzo de Faria (UFRJ) Raquel Torrecilha Spiri (UNESP)

LESTE ASIÁTICO
Júlia Monteiro Mello Fróes e Silva (Unilasalle-RJ)
Maria Carvalho Pinto Puccetti (UFRJ)
Maria Eduarda Araújo Castanho Parracho (UERJ)
Nina de Almeida Bonifacio Pereira (UERJ)
Philipe Alexandre Junqueira (UERJ)
Rodrigo Abreu de Barcellos Ribeiro (UFSC)
Thomas Dias Placido (UFSC)

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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
SUMÁRIO
AMÉRICA DO SUL LESTE ASIÁTICO
A Direita no Cerne do Debate: mudança de atores na política boliviana................5 Modernização militar no Indo-Pacífico: expansão nuclear chinesa e
o reforço defensivo de Taiwan...............................................................................13
AMÉRICA DO NORTE & CENTRAL
SUL DA ÁSIA
Haiti aposta em drones para conter o avanço de grupos armados.........................6
As tensões Índia-EUA à luz da segurança energética..........................................13
ÁFRICA SUBSAARIANA
SUDESTE ASIÁTICO & OCEANIA
Para além do colapso do financiamento, pode a AUSSOM sobreviver ao
Al Shabaab?............................................................................................................7 A restauração de Tinian e a nova geometria do poder no Indo-Pacífico ..............14
A paz incerta dos Grandes Lagos e o papel de Ruanda.........................................8 Indo-Pacífico .........................................................................................................14

EUROPA ÁRTICO & ANTÁRTICA


Entre Moscou e Washington: protagonismo da BID polonesa frente à OTAN........9 Os desafios do degelo nos polos: novos dilemas de segurança...........................15
ORIENTE MÉDIO & NORTE DA ÁFRICA TEMAS ESPECIAIS
A última colônia africana: o Saara Ocidental e as tensões As mudanças na geopolítica do petróleo e a crise de
no Magrebe...........................................................................................................10 identidade da OPEP..............................................................................................16
Síria, a questão drusa e o envolvimento israelense:
um panorama geral...............................................................................................11

RÚSSIA & Ex-URSS


O desafio da Geórgia: o desejo pela Europa e a fragilidade geopolítica..............12 Artigos Selecionados & Notícias de Defesa........... 17
Calendário Geocorrente......................................... 17
Referências............................................................. 18
Mapa de Riscos........................................................ 19

PRINCIPAIS RISCOS GLOBAIS


Por: Matheus Moreira

Para mais informações acerca dos critérios utilizados, acesse a página 19


4
BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
AMÉRICA DO SUL
No cerne do debate: a direita e a mudança de atores na política boliviana
Gabriel Augusto

N o dia 17 de agosto, a população boliviana foi às


urnas para escolher o presidente que governará
o país até 2030. Diferentemente dos pleitos anteriores,
em julho de 2025, afetando as exportações e provocando
uma escassez de dólares, o que dificultou e encareceu a
importação de combustíveis e alimentos pelo país.
marcados pela vitória da esquerda já no primeiro turno, Dessarte, é válido apontar que essa crise ocorreu
como ocorreu nas eleições de Evo Morales e Luis devido às equivocadas manobras governamentais e às
Arce, esta eleição representou, pela primeira vez em divisões dentro do principal partido do país — o
vinte anos, o fim dessa hegemonia. O segundo turno será Movimento pelo Socialismo (MAS) —, com os atritos
disputado entre dois candidatos de direita: Rodrigo Paz agudos entre Morales e Arce sendo um dos fatores
Pereira e Jorge 'Tuto' Quiroga. Diante disso, cabe-nos que contribuíram na ascensão de candidaturas mais
analisar: o que esperar do redesenho político no segundo conservadoras. Embora Paz e Quiroga possuam
turno, especialmente no cenário dos hidrocarbonetos? divergências, ambos defendem mudanças na Lei de
Pesquisas pré-eleitorais divulgadas pela brasileira Hidrocarbonetos, aprovada no governo Morales, que
AtlasIntel apontavam que a disputa tenderia a concentrar- nacionalizou a exploração desse recurso. Paz defende
-se entre nomes do campo conservador, como o ex- uma reforma que reative a exploração e produção de óleo e
-presidente Quiroga (Liberdade e Democracia) e Samuel gás, estimule o uso de energias renováveis e reestruture
Doria Medina (Unidade Nacional). Contrariando as estatais. Já Quiroga busca atrair investimentos em
expectativas, contudo, o mais votado acabou sendo um exploração e produção, visando manter a continuidade
outsider: o economista e senador Rodrigo Paz Pereira da capacidade de exportação.
(Comunidade Cidadã), com 32,06%. Quiroga ficou em Com o segundo turno previsto para meados de
segundo, com 26,7%, seguido de Medina, com 19,6%. outubro, a Bolívia enfrenta um dilema: enquanto a
O resultado reflete o sentimento popular por mudanças, esquerda deverá buscar uma reorganização após sua
impulsionado pela insatisfação com a gestão atual. Tal maior derrota em duas décadas, ambos candidatos da
efeito está diretamente ligado à crise econômica, agravada direita terão o desafio de apresentar soluções concretas
pela queda da produção de gás natural, principal para revitalizar o setor energético, solucionar a crise e
commodity boliviana, levando a uma inflação de 16% recuperar a confiança da população.

Resultado do primeiro turno das eleições da Bolívia

Fonte: Visión 360

DOI 10.21544/2446-7014.n218 p05.

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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
AMÉRICA DO NORTE & CENTRAL

Haiti aposta em drones para conter o avanço de grupos armados


Rafael de O. Maciel

D iante da intensificação da atual crise no Haiti,


marcada pela expansão territorial de gangues
armadas e pelo colapso das instituições públicas, o
leves, geralmente modelos comerciais modificados e
equipados com explosivos improvisados. Esses aparelhos,
de estrutura semelhante a drones de uso civil, foram
governo passou a utilizar, em março de 2025, drones adaptados para fins ofensivos e, em sua maioria, são
em operações contra os grupos armados. Tal emprego do tipo first-person-view (FPV, “drone de visão em
militar suscita debates sobre os limites do uso da força primeira pessoa”, também chamado de “kamikaze”),
pelo Estado, detentor legítimo dessa prerrogativa, em controlados em primeira pessoa e usados para atacar
contextos urbanos extremos. Posto isso, questiona-se: o diretamente gangues em áreas urbanas. Até o momento,
uso de drones armados pelo Estado haitiano configura o governo haitiano não apresentou um protocolo
uma inovação positiva no enfrentamento às gangues público de engajamento nem mecanismos de supervisão
ou abre um precedente perigoso de violação de direitos independentes. A ausência dessas garantias regulatórias
humanos em contextos de fragilidade institucional? e institucionais alimenta críticas sobre o risco de uso
Em meio à escassez de recursos e à assimetria de abusivo, inclusive pela possibilidade de que os alvos
forças, os drones têm ampliado a capacidade do Estado de estejam sendo escolhidos com motivação política, em
reagir de forma precisa e com menor exposição de seus um ambiente de instabilidade institucional.
agentes de segurança. Relatórios da Rede Nacional de Conclui-se que o uso de drones no Haiti reflete
Defesa dos Direitos Humanos (RNDDH) indicam que, tanto a gravidade da crise quanto a necessidade de
em apenas algumas semanas, mais de 300 integrantes de soluções urgentes diante da ausência de capacidade
facções criminosas foram mortos e 400 ficaram feridos, convencional do Estado. Embora se observe um
contribuindo para o recuo de gangues em regiões críticas da impacto inicial exitoso na contenção das gangues,
capital, Porto Príncipe. Tal inovação tecnológica permitiu é fundamental que o governo haitiano atue para
que o Estado retomasse regiões estratégicas, contribuindo institucionalizar esse tipo de equipamento, com base
para restaurar, ainda que parcialmente, a ordem pública. em critérios legais, supervisão técnica e respaldo
Grupos de defesa dos direitos humanos e organismos humanitário. O êxito da iniciativa dependerá não apenas
internacionais, como a ONU, alertam que o uso de de sua eficácia tática, mas também de sua integração
força letal por drones deve ser proporcional, restrito e a um plano mais amplo de reestruturação institucional
regido por regras claras. O governo tem utilizado drones e pacificação social do país.
Projeto dos Drones FPV

DOI 10.21544/2446-7014.n218 p06.

Fonte: G1
6
BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
ÁFRICA SUBSAARIANA
Para além do colapso do financiamento, pode a AUSSOM sobreviver ao Al Shabaab?
Kenzo Yamaguti

D esde 1992, a Somália enfrenta uma instabilidade


política crônica decorrente da ausência de um
governo centralizado. O território é caracterizado por
financiamento externo — advindo majoritariamente
dos países europeus — começou a decrescer em
razão da perda de interesse da agenda de política
uma multiplicidade de atores não estatais que exercem internacional com a região. Logo, este fato refletiu-se em
influência sobre áreas onde o governo não consegue perdas territoriais para o Al-Shabaab — principal grupo
exercer sua soberania ou estabelecer o monopólio da armado da região. Com o enfraquecimento da operação,
força. Mesmo após duas operações de peacekeeping que reduziu o apoio humanitário e a dissuasão contra os
(1992-1995 e 2007-2022), a conjuntura permanece paramilitares, o grupo extremista ampliou sua capacidade
instável. O maior desafio das iniciativas anteriores foi a ofensiva, atacando bases da ONU e capturando a
falta de financiamento, gerando dificuldades na condução estratégica cidade de Tardo, a mil quilômetros da capital
das operações. Mogadíscio.
Na tentativa de reverter esse cenário, a União Africana Para superar o colapso financeiro que debilitou
conduz a transição da sua operação na região, a Missão operações passadas, a nova operação, conforme a
de Transição da União Africana na Somália (ATMIS, na Resolução 2719 do Conselho de Segurança da ONU,
sigla em inglês), para uma mais abrangente e ambiciosa: instituiu um modelo híbrido, permitindo doações
a Missão de Apoio e Estabilização da União Africana voluntárias de atores estatais e não estatais globais,
na Somália (AUSSOM, na sigla em inglês). A nova complementando o financiamento tradicional da ONU.
missão representa uma expansão dos esforços voltados Assim, ocorreram alterações na política externa somali,
para a construção de uma estabilidade duradoura no como a aproximação com a Etiópia (Boletim 212) e as
país. Entretanto, antes de sua consolidação, a iniciativa discussões em Doha, buscando o Catar como financiador.
já enfrenta déficit de financiamento, estabelecendo-se a Por fim, observa-se que a Somália busca uma
pergunta: o que vem sendo feito para que a nova fase dos alternativa ao colapso financeiro anteriormente vivenciado
projetos de paz sobreviva ao colapso financeiro e supere nos projetos de paz, por meio da mobilização internacional
a fragmentação territorial da região? ampla e da captação de doadores solidários com a causa —
Desde o início da ATMIS, a ideia da operação de paz não necessariamente estatais —, para criar um projeto de
ontologicamente africana chamou atenção pela inovação paz duradoura a longo prazo.
desse movimento. Mas, após um período de euforia, o
Mapa representando as zonas de conflito na Somália

Fonte: European Union Institute Security Studies

DOI 10.21544/2446-7014.n218 p07.


7
BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
A paz incerta dos Grandes Lagos e o papel de Ruanda
Franco Alencastro

A s negociações de paz entre a República Democrática


do Congo (RDC) e o movimento 23 de Março
(M23), um grupo rebelde tutsi, tiveram um começo
êxitos após uma longa estagnação. Em junho, com a
mediação dos Estados Unidos da América, foi assinado
um acordo entre RDC e Ruanda, país historicamente
pouco auspicioso. Previstas para acontecer em Doha, no acusado de patrocinar as atividades do M23 no
Catar, a partir de 18 de agosto de 2025, as negociações leste congolês. Tal acordo pode favorecer interesses
não puderam ser iniciadas devido à ausência dos econômicos estadunidenses na região, com acesso aos
representantes do M23. Nesse contexto, questiona-se: minerais críticos da RDC. Apesar dos dois processos
qual o histórico e perspectivas de paz na RDC? serem iniciativas paralelas, a relação entre Ruanda e
A ausência do M23 pode ser explicada por um o M23 faz com que o insucesso de uma das negociações
comunicado divulgado pelo grupo um dia antes do início possa comprometer a outra. Um eventual fracasso pode,
das negociações, no qual reiterava que sua participação inclusive, beneficiar Ruanda. Em fevereiro, o Parlamento
na próxima rodada de negociações estava condicionada à Europeu suspendeu um acordo de cooperação com o país
implementação completa da Declaração de Princípios de africano no setor de minerais de terras-raras — como o
Doha. Esse acordo, assinado em julho de 2025, entre tântalo, estanho e tungstênio —, em razão de sua exploração
o M23 e o governo da RDC que, entre outras disposições, no leste da RDC em áreas de atuação do M23. Este
previa um cessar-fogo e a priorização de meios pacíficos comércio, que durante anos resultou em grandes vantagens
de negociação. Desde a assinatura do documento, para Ruanda, vem enfrentando pressões internacionais cada
no entanto, ambos os lados trocaram acusações de vez maiores. Resta a Kigali adiar sua interrupção o quanto
violações, colocando sua implementação em risco for possível.
e comprometendo sua efetividade. Um relatório De modo geral, observa-se que as negociações entre as
divulgado pelas Nações Unidas no início de agosto, partes têm sido intensamente permeadas pelos interesses
revelou que o M23 foi responsável por 319 mortes na de atores exógenos ao continente africano, especialmente
região de Nord-Kivu até o dia 21 de julho — após a pela existência de recursos energéticos estratégicos
assinatura do cessar-fogo. na região, fatos que dificultam o processo de pacificação
As negociações no Catar representam o desdobramento regional.
mais recente de um processo de paz que logrou alguns

Área de influência do M23

Fonte: IPIS

DOI 10.21544/2446-7014.n218 p08.


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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
EUROPA
Entre Moscou e Washington: protagonismo da BID polonesa frente à OTAN
Pedro Vecchia

O conflito russo-ucraniano, em curso desde 2022, vem


reconfigurando a arquitetura de segurança europeia,
e posicionou a Polônia como um dos atores centrais
fluxos de assistência técnica, transferência de
tecnologia e contratos de aquisição de novas parcerias,
elementos que sustentam a vitalidade da BID local.
no eixo oriental da OTAN (Organização do Tratado Assim, a BID polonesa não cresce isoladamente,
do Atlântico Norte). A proximidade geográfica com mas como parte de um ecossistema que a conecta às
o território russo tem levado Varsóvia a adotar uma cadeias produtivas globais de Defesa.
estratégia de reforço militar, ampliando em larga escala Nawrocki reafirmou a estratégia polonesa lançada
sua Base Industrial de Defesa (BID). Paralelamente, a em 2014, após a anexação da Crimeia à Rússia, de
eleição de Karol Nawrocki, em junho de 2025, consolida investir de forma contínua e estrutural em Defesa. O
a política de investimentos nacional, transformando o novo governo transmite previsibilidade a aliados e
setor de Defesa em vetor de desenvolvimento econômico. investidores, ampliando a capacidade de planejamento
Nesse contexto, uma questão vem à tona: de que industrial. Ademais, o setor de Defesa tornou-se vetor de
forma a combinação entre vulnerabilidade geopolítica crescimento econômico com a ampliação da produção
e continuidade da política interna explica a ascensão da estatal Grupo Polonês de Armamentos e parcerias
da Polônia como potência emergente na indústria de internacionais que têm gerado empregos, fomentado a
Defesa europeia? inovação tecnológica e contribuído para o crescimento
Situada no flanco oriental da OTAN, vizinha de de longo prazo do PIB, transformando a Defesa em ativo
Belarus e do exclave de Kaliningrado, a Polônia assumiu econômico estratégico.
postura de vanguarda no reforço militar. Desde 2022, Assim, a Polônia consolida-se como novo polo
Varsóvia canalizou recursos significativos para a Defesa, de Defesa europeu. Sua posição geopolítica, aliada ao
alcançando investimentos de 4,7% do PIB em 2024, compromisso de continuidade política e ao impacto
— sendo atualmente o único país da Aliança a se aproximar econômico do setor, projeta Varsóvia na redefinição
da meta de investimentos estabelecida em 5% do PIB da segurança continental. O país emerge não apenas
ao ano. Essa mobilização visa tanto ampliar a dissuasão como linha de frente da OTAN contra a Rússia, mas
contra Moscou quanto consolidar a integração com a também como exemplo de como a política de defesa
estrutura de Defesa transatlântica. O estreito alinhamento pode articular segurança e desenvolvimento econômico.
com os Estados Unidos da América e a OTAN garante

Orçamento de Defesa, em porcentagem do PIB, dos membros da OTAN

Fonte: The Economist DOI 10.21544/2446-7014.n218 p09


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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
ORIENTE MÉDIO & NORTE DA ÁFRICA
A última colônia africana: o Saara Ocidental e as tensões no Magrebe
Maria Clara Schneider

O Saara Ocidental foi desocupado pelas forças


coloniais espanholas em 1976, porém, por não ter
independência declarada e reconhecida, é considerado
buscaria evitar a designação da Frente Polisário como
organização terrorista pelos Estados Unidos da América
(EUA) e manter o tema ativo na agenda do Conselho
a última colônia africana. A região foi anexada pelo de Segurança da ONU (CSNU), cuja próxima reunião
Marrocos, desencadeando um conflito com o povo está prevista para outubro de 2025.
saharaui, organizado pela Frente Polisário, que mantém Ademais, o Saara Ocidental chama a atenção por
controle de aproximadamente 20% do território, possuir vastas reservas de fosfatos e depósitos offshore
enquanto os 80% permanecem sob domínio marroquino. de petróleo ainda inexplorados. Em 2023, exportou
O movimento separatista proclamou a República 1,6 milhão de toneladas de fosfatos, representando
Árabe Saharaui Democrática (RASD), reconhecida por 8% das exportações totais do Marrocos, o segundo
pouco mais de 40 países, apoiada militar, financeira e maior produtor global. Nesse contexto, Rabat investe
politicamente pela Argélia. Entretanto, o reconhecimento estrategicamente no desenvolvimento da região,
majoritário por governos ocidentais recai na soberania destacando-se o porto de Dakhla e o projeto do
marroquina sobre a região. Nesse cenário, emerge a Gasoduto Atlântico-Africano, buscando consolidar
questão: de que maneira essa disputa reposiciona os sua soberania. Paralelamente, para Argel, apoiar a
equilíbrios regionais no Magrebe e desafia a política Frente Polisário constitui uma questão existencial:
energética da Argélia? analistas apontam que admitir a derrota poderia
Em 2007, o Marrocos propôs um plano de autonomia abalar profundamente seu regime militar, em razão do
regional limitada sob sua soberania, considerado pelos investimento de milhões de petrodólares no grupo — o
governos ocidentais como a única solução viável, mas que seria agravado caso este venha a ser classificado
rejeitado pela RASD e pela Argélia. A tensão é agravada como organização terrorista.
pela reatividade argelina, que recorre à sua posição Em suma, o crescente reconhecimento da soberania
como exportador energético para ameaçar interromper marroquina sinaliza uma reconfiguração irreversível do
o fornecimento de gás e aplicar medidas econômicas equilíbrio regional no Magrebe. A Argélia, isolada
punitivas — como o fechamento do gasoduto Magrebe- diplomaticamente e dependente da instrumentalização
-Europa em 2021. Apesar da estratégia de Argel não ter energética como última cartada, enfrenta o dilema de
se mostrado eficaz em angariar apoio à independência do defender uma causa cada vez mais insustentável.
Saara Ocidental, o regime tenta atrair as estadunidenses A reunião do CSNU poderá marcar o epílogo formal
Exxon Mobil e Chevron para explorar gás de xisto no de um conflito que, na prática, já caminha para sua
leste do Saara Ocidental como contrapeso à crescente resolução pela consolidação da autonomia sob soberania
simpatia ocidental pelo Marrocos. O acordo também marroquina.

Mapa de tensões no Magrebe

Fonte: BCC

DOI 10.21544/2446-7014.n218 p10.


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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
Síria, a questão drusa e o envolvimento israelense: um panorama geral
Eduardo El-Hader Fantini

E m julho de 2025, a Síria foi palco de confrontos


entre milícias drusas e forças governamentais,
desencadeados por tensões sectárias em Suwayda, no
as Forças Armadas e de Segurança, compostas por ex-
-integrantes de grupos extremistas.
Além disso, os combates também envolveram a
sul do país. Os combates, que inicialmente envolveram atuação israelense. Sob o pretexto de proteger a minoria
beduínos sunitas e drusos, escalaram a ponto de atrair drusa, Israel atacou alvos na Síria, como o Ministério da
a participação do governo sírio e de Israel. Diante do Defesa em Damasco. A reação internacional, incluindo a
exposto, quais são as consequências e os significados estadunidense, foi de condenar os ataques israelenses.
dos confrontos para a Síria e para a região como um todo? Esse cenário evidencia a manutenção da posição
Desde que assumiu o poder em dezembro de 2024, contundente de Israel em relação ao novo regime
Ahmed al-Sharaa havia prometido manter uma relação sírio, buscando impedir a consolidação da Síria como
de tolerância às minorias etnorreligiosas da Síria, das ator regional relevante.
quais os drusos fazem parte. A religião drusa incorpora Os confrontos de grupos drusos contra as forças
elementos místicos de caráter esotérico e sincrético, governamentais e milícias beduínas demonstram a
tornando seus seguidores suscetíveis à perseguição aparente dificuldade do governo transicional sírio, sob al-
por parte de grupos islâmicos fundamentalistas. As Sharaa, em respeitar minorias etnorreligiosas em um
tensões entre sunitas e drusos alcançaram seu ápice em país que, desde 2011, sofre com tensões e inimizades
meados de julho de 2025, quando milícias beduínas sectárias. Ademais, a participação israelense nos
receberam apoio das forças governamentais nos confrontos evidencia que as dinâmicas de poder do
combates contra grupos drusos. Relatos de violações Oriente Médio favorecem a supremacia de Israel, que
de direitos humanos e massacres por parte dos intervém em questões internas de seus vizinhos para,
combatentes foram recorrentes durante os confrontos. ao que parece, assegurar sua posição geopolítica
O governo retirou suas tropas do sul da Síria e regional. Esses fatores contribuem para a perpetuação
anunciou um cessar-fogo em 16 de julho, que tem se da instabilidade em um país que passou por uma longa
mostrado frágil. Essa situação revela a incapacidade do guerra civil e sofreu sanções internacionais.
presidente al-Sharaa em moderar e “desradicalizar”
Mapa do controle territorial no sudoeste da Síria

Fonte: ISW
DOI 10.21544/2446-7014.n218 p11
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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
RÚSSIA & EX-URSS
O desafio da Geórgia: o desejo pela Europa e a fragilidade geopolítica
Pedro Martins

N o dia 08 de agosto, o exercício multinacional “Agile


Spirit”, entre a Geórgia e a Organização do Tratado
do Atlântico Norte (OTAN), chegou ao fim após duas
dos georgianos aprovam a ideia — 37% responderam
“apoio total” e 20% responderam “prefeririam apoiar”.
Quando o foco das perguntas passa a ser a Rússia, 69%
semanas de operação. Segundo o Ministério da Defesa dos entrevistados consideram o seu vizinho o maior
do país, esse foi o primeiro de uma série de exercícios inimigo do país.
combinados. O desejo de adesão à OTAN faz parte Por outro lado, existem fatores econômicos e
da Constituição georgiana e esse pedido foi aprovado geopolíticos muito importantes que dificultam esse
em 2008. No entanto, nos últimos anos, observa-se um movimento de aproximação com o Ocidente. Primeiro, a
distanciamento entre Tbilisi e a OTAN, decorrente de Rússia é o maior destino das exportações georgianas
tensões entre o governo georgiano e a aliança militar. Tal e a segunda maior origem das suas importações em
distanciamento por sua vez, evidencia uma fragilidade 2024, de acordo com os dados do Trademap. Segundo,
da situação geopolítica georgiana: a população aspira o conflito militar iniciado em 2008, envolvendo as
por uma aproximação com o Ocidente, mas a realidade regiões separatistas da Ossétia do Sul e Abecásia, ainda
geopolítica dificulta a concretização desse desejo. está em andamento, mesmo que congelado. Existe o
Por isso, o objetivo deste artigo é analisar como essa receio de que uma postura georgiana mais assertiva
complexa situação se desenvolve na prática. leve à retomada do conflito e, dada a disparidade de
Quando analisamos as ambições e os desejos da forças, que o país perca ainda mais território para a
população georgiana, podemos perceber que ela Rússia.
está majoritariamente inclinada à aproximação com Nesse sentido, a Geórgia vive uma tensão nas
o Ocidente e com grande desconfiança da Rússia. suas relações internacionais, em que os sentimentos
Segundo a edição de 2024 do Caucasus Barometer, e aspirações da população georgiana têm dificuldade
elaborado pelo think tank armeno Caucasus Research em se concretizar devido a fragilidades geopolíticas
Resource Center, 70% dos georgianos apoiam a entrada e econômicas. Esse tipo de situação evidencia a
do país na União Europeia — 48% responderam complexidade da gestão das relações internacionais
“apoio total” e 22% responderam “prefeririam apoiar”. de um país em um contexto geopoliticamente adverso,
Quando perguntados sobre a adesão à OTAN, 57% mesmo quando há apoio interno.

Mapa das fronteiras da Geórgia

Rússia
Mar
Abecásia
Cáspio

Ossétia do Sul
Mar Tskhinvali

Geórgia
Negro Tíflis

0 Turquia
100 km Armênia Azerbaijão
0
Fonte: Wikimedia

DOI 10.21544/2446-7014.n218 p12.


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LESTE ASIÁTICO
Modernização militar no Indo-Pacífico: expansão nuclear chinesa e o reforço defensivo de Taiwan
Nina Bonifacio

O cenário de segurança no Indo-Pacífico tem se tornado


progressivamente mais complexo, marcado pela
combinação entre a rápida modernização militar da
Em paralelo, Taiwan anunciou a meta de elevar
seus gastos militares para 5% do PIB até 2030, partindo
de 3,32% previstos para 2026. Essa ampliação, que
China e a decisão de Taiwan de ampliar significativamente seu pela primeira vez incorpora recursos destinados à
orçamento de defesa. Tais movimentos, embora distintos guarda costeira, foi inspirada no modelo da OTAN,
em natureza e alcance, revelam dinâmicas paralelas que sinalizando uma concepção mais integrada de defesa.
refletem tanto preocupações internas de segurança A decisão reflete não apenas a intensificação da pressão
quanto o peso das pressões externas, particularmente chinesa, mas também a expectativa dos Estados
no contexto da rivalidade sino-americana. O resultado é Unidos da América (EUA) de que a Ilha assuma maior
a formação de um ambiente estratégico no qual medidas responsabilidade em sua segurança. Além disso, Taipei
declaradas como defensivas são interpretadas sob uma sinalizou que pretende ampliar a cooperação internacional
ótica competitiva, contribuindo para a intensificação das em pesquisa e produção de armamentos, fortalecendo
tensões regionais. sua indústria doméstica e complementando o papel dos
No caso chinês, a expansão de suas capacidades EUA como principal fornecedor externo.
nucleares representa um desenvolvimento sem precedentes A interação entre esses movimentos intensifica
em termos de escala e velocidade. Relatórios recentes o dilema de segurança no Indo-Pacífico e consolida
apontam a existência de aproximadamente 600 ogivas uma lógica de espelhamento estratégico. A expansão
nucleares e a construção de cerca de 350 novos silos nuclear chinesa aumenta a percepção de vulnerabilidade
de mísseis, com projeções de ultrapassar 1.000 ogivas em Taiwan e reforça a pressão para um incremento
operacionais até 2030. Ainda que Pequim reafirme seu orçamentário contínuo. Este, por sua vez, pode ser
compromisso histórico com a política de “não ser o interpretado por Pequim como uma ampliação do
primeiro a usar” armas nucleares, análises externas alinhamento de Taipei com Washington, legitimando
indicam a possibilidade de flexibilização dessa postura internamente sua própria modernização militar. Assim,
em cenários de ameaça direta à sobrevivência do regime, os dois processos convergem para a formação de um
especialmente em torno de Taiwan. Essa discrepância entre ciclo de retroalimentação, em que medidas concebidas
a posição oficial e a leitura de outros atores contribui para como defensivas adquirem caráter ofensivo na leitura
reforçar percepções de incerteza, ao mesmo tempo que do outro, configurando um ambiente estratégico marcado
amplia o espaço de manobra chinês no âmbito regional e por competição constante e por projeções de longo prazo
global. sobre a estabilidade e a segurança no Indo-Pacífico.
DOI 10.21544/2446-7014.n218 p13.

SUL DA ÁSIA

As tensões Índia-EUA à luz da segurança energética


Gabriela Santos

A pós a imposição, pelos Estados Unidos da América


(EUA), de tarifa adicional de 25% sobre bens indianos
— justificada pelas aquisições indianas de petróleo
Ao longo das últimas duas décadas, a relação de
defesa entre EUA e Índia avançou significativamente.
Washington tornou-se o terceiro principal fornecedor
russo —, Nova Delhi suspendeu seus planos de adquirir de equipamentos militares para Nova Delhi, além de se
novas armas e aeronaves estadunidenses. Paralelamente, consolidar como seu maior parceiro em exercícios
foi anunciada a participação do primeiro-ministro militares combinados, e firmou acordos que ampliaram
Narendra Modi na Cúpula da Organização de Cooperação o acesso indiano às tecnologias de defesa estadunidenses.
de Xangai, na China, em setembro de 2025 — sua primeira Como o segundo maior comprador de armamentos do
visita ao país em sete anos. Esse gesto de reorientação mundo — dos quais cerca de 36% são importados da
diplomática evidencia a disposição de Nova Delhi em Rússia, 30% da França e 10% dos EUA —, a Índia
revisar sua postura frente a um aliado estratégico de dificilmente pode se dar ao luxo de romper vínculos
longa data e levanta questionamentos sobre os fatores que estratégicos nesse setor, sobretudo com um aliado crucial
condicionam tais escolhas geopolíticas. no enfrentamento à influência chinesa na região. No

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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
entanto, o recente enfrentamento ao governo dos EUA recorrido a um número crescente de países fornecedores
encontra justificativa no peso crescente da demanda para suprir sua demanda. Cabe destacar, ainda, que as
energética interna e na dependência de combustíveis importações vindas da Eurásia saltaram de apenas 3%
fósseis importados. entre 2017 e 2018 para 39% entre 2023 e 2024.
Entre 2023 e 2024, o consumo final per capita de A Índia permanece vulnerável às importações de
energia na Índia foi de aproximadamente 0,43 toneladas energia. Nesse contexto, a política externa atual dos
equivalentes de petróleo (toe), sendo 60% proveniente EUA entra em rota de colisão com as prioridades
de carvão e 28% de petróleo. Esse quadro é agravado indianas em segurança energética e desenvolvimento.
pelo rápido crescimento da classe média indiana — Diante das pressões de Washington em relação às
cerca de 6% ao ano —, o que intensifica a eletrificação compras de petróleo russo, não surpreende que Nova
e a subsequente digitalização da população, pressionando Delhi priorize suas necessidades energéticas acima
ainda mais uma matriz energética já limitada na sua de alinhamentos diplomáticos, mesmo com parceiros
capacidade de geração. Atualmente, o país importa 80% estratégicos de longa data.
do petróleo e 50% do gás natural que consome, e tem

Importaões de petróleo pela Índia, em bilhões de dólares

Fonte: The Economist


DOI 10.21544/2446-7014.n218 p13- p14.

SUDESTE ASIÁTICO & OCEANIA


A restauração de Tinian e nova geometria do poder no Indo-Pacífico
Gabriela Veloso

N o mês de agosto de 2025, os Estados Unidos da


América (EUA) anunciaram a restauração de uma
base aérea construída na época da Segunda Guerra
O projeto é uma resposta direta à crescente
capacidade militar chinesa de Anti-Access/Area Denial
(A2/AD, “antiacesso/área negada”), que ameaça bases
Mundial, em Tinian, uma pequena ilha no Pacífico. estadunidenses fixas e de grande porte, como a Base Aérea
A Ilha possui cerca de 101 quilômetros quadrados Andersen, em Guam. Restaurar Tinian cria alternativas
e faz parte da “Segunda Cadeia de Ilhas” (Second operacionais: a ilha deixa de ser uma base satélite
Island Chain), que se estende do Japão até Guam e a e passa a constituir uma extensão crítica do complexo
Indonésia. A ação em Tinian está intrinsecamente ligada militar de Guam. Juntas, as instalações podem formar
à competição pelas ilhas do Pacífico. Diferentemente um hub de poder expedicionário dos EUA no Pacífico
de uma base nas Filipinas ou na Indonésia, as quais Ocidental, reforçando a capacidade de Washington
são sujeitas as pressões políticas internas, Tinian é de apoiar aliados em qualquer contingência regional.
um território soberano dos EUA, o que oferece plena Essa iniciativa de dissuasão indica que os EUA estão
liberdade para operações militares permanentes. preparando sua infraestrutura para um possível conflito de

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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
alta intensidade. as duas potências atuantes na região, Tinian representa
O projeto também reforça a rede de segurança que uma faca de dois gumes. Apesar de oferecer um
protege as linhas de comunicação marítima e aérea entre contrapeso militar à influência direta chinesa, também
a Austrália, os EUA e a Nova Zelândia, consolidando aproxima a região do epicentro de uma potencial
a presença estadunidense no Pacífico e buscando corrida armamentista ou conflito.
contrabalançar a influência chinesa nas Ilhas do Pacífico A Austrália é, talvez, o país cuja segurança será
Sul. A existência de uma pista de pouso operacional, mais aprimorada neste projeto. Como integrante da
alternativa e moderna em Tinian força a China a aliança militar tripartida (AUKUS) — Austrália, EUA
considerar um leque mais amplo de possibilidades em e Reino Unido — e um treaty ally (“aliado contratual”)
seus planos militares. dos EUA, o país, de certa forma, depende da capacidade
Para muitos países da Associação de Nações do estadunidense de projetar poder na região. Tinian torna
Sudeste Asiático — como Filipinas, Indonésia, Malásia seu principal aliado muito mais capaz de defendê-la e
e Vietnã — que praticam um cuidadoso equilíbrio entre de operar em conjunto com as suas Forças Armadas.

Localização da Ilha de Tinian

Fonte: Britannica
DOI 10.21544/2446-7014.n218 p14-p15.

ÁRTICO & ANTÁRTICA


Os desafios do degelo nos polos: novos dilemas de segurança
Gabriele Hernandez

R ecorrente entre os temas de ciência polar, a


aceleração do degelo nos polos causada pelas
mudanças climáticas não representa um obstáculo
Estudos recentes indicam que a capacidade
de armazenar carbono no permafrost do Ártico tem
sido reduzida conforme as temperaturas globais
apenas para questões ambientais, mas também para avançam, somadas ao aumento nos incêndios florestais.
as áreas de Defesa e Segurança. Entre 23 de junho Paralelamente, a própria extensão do gelo sofreu redução
e 03 de julho, a 47ª Reunião Consultiva do Tratado da significativa na última década. O resultado, além de
Antártica, realizada na Itália, manteve o foco no tema de afetar a qualidade do ar, faz com que as regiões cobertas
preservação ambiental, enquanto a região ártica prevê a pelo gelo no Oceano Ártico diminuam, abrindo novas
abertura de novas rotas de navegação conforme o degelo rotas de navegação. Tais rotas aproximam Canadá,
avança, alterando não só a dinâmica ambiental, como a China, Estados Unidos da América e Rússia, além de
geopolítica regional. outros países europeus, e facilitam a exploração de

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hidrocarbonetos no leito oceânico. governantes para novas ameaças, aumento no fluxo de
Cidades costeiras e regiões portuárias também são imigrantes, insegurança alimentar, escassez de água
prejudicadas conforme o nível do mar aumenta. Projeções e a possível escalada de conflitos. Na Antártica e no
de elevação da temperatura global indicam rápido degelo na Ártico, podem gerar desestabilização nos acordos
Groenlândia e na Antártica, suficiente para afetar cerca que sustentaram a ordem regional por décadas,
de 230 milhões de pessoas que vivem a aproximadamente especialmente por possuírem grandes reservas de água
1 metro acima do nível do mar. Mesmo as projeções mais potável e hidrocarbonetos.
otimistas não apresentam cenários positivos, o que pode O Brasil é o sétimo país mais próximo da Antártica
levar a migrações em massa e danos econômicos. Outro e possui parte de sua região Norte localizada no
fator é a liberação de agentes patogênicos dormentes no Hemisfério norte, sendo, portanto, afetado pelas
gelo, como ocorreu na Sibéria em 2016, quando o degelo alterações nos dois polos. Com uma das maiores áreas
do permafrost causou um surto de antraz. costeiras do mundo, mudanças climáticas impactam
Essas transformações na dinâmica das costas e regiões tanto a Amazônia Azul quanto o entorno estratégico
polares representam mudanças nos dilemas de Segurança brasileiro.
e Defesa para os Estados, exigindo atenção especial dos

DOI 10.21544/2446-7014.n218 p15-p16.

TEMAS ESPECIAIS

As mudanças na geopolítica do petróleo e a crise de identidade da OPEP


João Victor Marques

A geopolítica do petróleo se reconfigura em meio


às transformações no mercado internacional e
nas relações de poder entre os Estados. Como reflexo às
A missão da Organização em defesa da estabilidade
do mercado foi crucial durante a pandemia de
COVID-19, quando foram cortadas cerca de 1/5 da
mudanças geopolíticas, a percepção sobre a relevância da oferta global para conter a queda do preço e preservar
Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) investimentos. Da mesma forma, a reposição gradual
também se alterou, impactada por fatores como a atual desse volume nos anos subsequentes foi fundamental
conjuntura de mercado, com tendência à sobreoferta para prevenir choques mais profundos com o conflito
de óleo e pela multipolaridade de poder no sistema na Ucrânia. Porém, a atual tendência de sobreoferta,
internacional. Assim, questionam-se as motivações para esperada para 2025 e 2026, se intensifica com a
a flexibilização das cotas de produção de petróleo em flexibilização das cotas, medida adotada para garantir
andamento, considerando uma suposta crise de identidade a coesão interna, uma vez que parte dos membros
da Organização. possuem menor resiliência fiscal e produtiva em
As grandes linhas fundacionais da geopolítica do comparação à liderança da Arábia Saudita, além da
petróleo — e, por extensão, da própria OPEP — que necessidade de disputar mercados diante do avanço do
distinguiam os interesses de grandes produtores e grandes óleo estadunidense.
consumidores, foram abaladas. Atualmente, esses papéis As oscilações de mercado não descartam, contudo,
se sobrepõem, especialmente no caso dos Estados Unidos movimentos geopolíticos, como a ampliação da
da América (EUA), que voltaram a liderar a produção OPEP+ ao atrair a Rússia em oposição aos produtores
global desde a inovação tecnológica que viabilizou a americanos, e a adesão de seus principais membros
produção de óleo não convencional — chamada Shale — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã — ao
Revolution, em meados dos anos 2000. Igualmente, o uso BRICS+. A crise de identidade que forjou a criação
da oil weapon nos anos 1970 provocou efeitos deletérios da OPEP ressurge sob novos contornos, desafiando a
de longo prazo para seus próprios articuladores, que formação de alianças e a distribuição de ganhos para
enfrentam, atualmente, maior concorrência no mercado seus membros, em um mercado no qual possui menor
de petróleo e das energias alternativas. Logo, o interesse controle comparado ao passado e que aponta para um
que legitimou a criação da OPEP e suas ferramentas futuro onde a relevância estratégica do petróleo é
político-econômicas foram remodeladas. colocada à prova.
DOI 10.21544/2446-7014.n218 p16.

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ARTIGOS SELECIONADOS & NOTÍCIAS DE DEFESA
Por: CMG (RM1) Leonardo Mattos

► Trump’s Peace in Our Time


PROJECT SYNDICATE, Joschka Fischer
► Is India Turning to China? A Pragmatic Pivot in a Polarized World
MODERN DIPLOMACY, Jianlu Bi
► A Strategy Long Overdue: The EU’s New Vision for the Black Sea
RUSI, Natia Seskuria
► Scarborough Shoal Incident 2.0: The PLAN Inches Closer to War
U.S NAVAL INSTITUTE, Comandante James E. Fanell
► By Land or by Sea
FOREIGN AFFAIRS, S. C. M. Paine

CALENDÁRIO GEOCORRENTE
Por: Rafaela Machado

SETEMBRO
Principais eventos entre 31 de agosto a 29 de setembro

31* - 01 01 03 09 - 13
30

CHINA GUIANA CHINA OTAN


CÚPULA DA ELEIÇÕES PARADA DO EXERCÍCIO “DYNAMIC
ORGANIZAÇÃO DE DIA DA VITÓRIA
GERAIS GUARD II” DA OTAN
COOPERAÇÃO DE XANGAI

*
- De agosto

08 - 10 11-21
18 - 28 09 - 29 15 - 19
30-05

ETIÓPIA COREIA DO SUL ESTADOS UNIDOS ÁUSTRIA


DA AMÉRICA
2ª CÚPULA DO EXERCÍCIO
69ª CONFERÊNCIA
“ULCHI FREEDOM
CLIMA DA ÁFRICA 80ª SESSÃO DA GERAL DA AIEA
SHIELD 25”
ASSEMBLEIA GERAL
DA ONU

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REFERÊNCIAS

A Direita no cerne do debate: A mudança de atores na Modernização militar no Indo-Pacífico: Expansão


política boliviana nuclear chinesa e o reforço defensivo de Taiwan
PÉCHY, Amanda. Eleições na Bolívia: pesquisa prevê 2º turno entre REUTERS. Taiwan president ups defence spending target to 5% of GDP.
direitistas, mas possível surpresa para esquerda. Veja, 15 ago. 2025. Reuters, 2025. Acesso em: 23 ago. 2025.
Acesso em: 22 ago. 2025. REUTERS. SPECIAL REPORT: China's growing nuclear arsenal.
RAMALHO, André. Eleições na Bolívia: candidatos prometem guinada Reuters, 2025. Acesso em: 23 ago. 2025.
política em gás e lítio após derrota da esquerda. Eixos, 20 ago. 2025. Disponível em: [Link]
Acesso em: 22 ago. 2025. arsenal-2025/.

Haiti aposta em drones para conter o avanço de As tensões Índia-EUA à luz da segurança energética
grupos criminosos SHARMA, Y. Can the new India-China bonhomie reshape trade and hurt
Drone warfare is hitting Haiti. The Economist, 19 jun. 2025. Acesso the US in Asia?. Al Jazeera, 23 ago. 2025. Acesso em: 23 ago. 2025.
em: 27 jul. 2025. THE ECONOMIC TIMES. India marches towards energy self-reliance, but
‘The ground shook’: drone attacks help Haitian government wrest imports still crucial: Hardeep Puri. The Economic Times, 2025. Acesso
control of capital from criminal gangs. The Guardian. 02 jul. 2025. em: 23 ago. 2025.
Acesso em: 27 jul. 2025.
A restauração de Tinian e a nova geometria do poder no
Para além do colapso do financiamento, pode a indo-Pacífico
AUSSOM sobreviver ao Al Shabaab? THE JAKARTA POST. US restoring Pacific island wartime airfield for
Update on the situation in Somalia and AUSSOM operations. Amania deterrence. The Jakarta Post, 6 ago. 2025. Acesso em: 23 ago. 2025.
Africa. 02 Jul. Acesso em: 26 jul. 2025 CENTER FOR GLOBAL SECURITY RESEARCH. Indo-Pacific Deterrence
Al Shabaab captures central Somali town, presses on with advance. 2025 Workshop Summary. CGSR, jun. 2025. Acesso em: 23 ago. 2025.
Reuters. 14 Jul. Acesso em: 26 jul. 2025

A paz incerta dos Grandes Lagos e o papel de Ruanda Os desafios do degelo nos polos: novos dilemas de
MAKAL, D. EU parliament calls for end to Rwanda mineral pact over segurança
DRC conflict links. Mongabay, 25 fev 2025. Acesso em 23 ago 2025. GUO, Hong-Xiang et al. The freezing‒thawing index and permafrost extent
MISHRA, V. Armed militia kill hundreds in eastern DR Congo. in pan Arctic experienced rapid changes following the global warming
Organização das Nações Unidas. Acesso em 23 ago 2025. hiatus. Advances in Climate Change Research, v. 16, n. 2, p. 350-360,
2025. Acesso em: 23 ago. 2025.
Entre Moscou e Washington: protagonismo da BID CARRINGTON, Damian. Sea level rise will cause ‘catastrophic inland
polonesa frente à OTAN migration’, scientists warn. The Guardian, 20 maio 2025. Acesso em: 23
How Poland emerged as a leading defence power. The Economist, 22 ago. 2025.
jan. 2025. Acesso em: 23 ago. 2025.
ALDISERT, Audrey. Strengthening NATO Starts with Fixing Its Industrial As mudanças na geopolítica do petróleo e a crise de
Base. CSIS, 24 jun. 2025. Acesso em: 23 ago. 2025. identidade da OPEP
SMYTH, Jamie; SHEVORY, Kristina. Opec oil ‘price war’ will halt shale
A última colônia africana: o Saara Ocidental e as boom, say US producers. Financial Times, 14 de agosto de 2025.
tensões no Magrebe Acesso em: 23 ago. 2025
Algeria: “Shale gas for Sahara”, will the deal hold?. The North Africa SIRIPURAPU, Anshu; CHATZKY, Andrew. OPEC in a Changing World.
Post, 18 ago. 2025. Acesso em: 22 ago. 2025. Council on Foreign Relations, 09 de março de 2022. Acesso em: 23
FAOUZI, Adil. Algeria’s Gas Gambit: Desperate Bid to Sway US on ago. 2025
Sahara Dispute. Morocco World News, 18 ago. 2025. Acesso em: 22
ago. 2025.
O mapa inicial (pág 04) do Boletim foi produzido pelo MapChart e segue as
Síria, a questão drusa e o envolvimento israelense: diretrizes da Creative Commons.
um panorama geral
Iran Uptade, 18 July 2025. Institute for the Study of War, 18 jul. 2025. Os valores em moeda expressos neste Boletim estão padronizados em Dólar
Acesso em: 21 ago. 2025. Estadunidense, utilizando a conversão do Banco Central do Brasil, no dia da
LEFIEF, Jean-Phillipe. Clashes in Syria: Who are the Druze and why publicação desta edição.
Israel defends them?. Le Monde, 22 jul. 2025. Acesso em: 21 ago.
2025.

O Pesadelo da Geórgia: o desejo pela Europa e a


fragilidade geopolítica
Geórgia recebe exercícios militares da NATO, apesar da perceção de
uma viragem para a Rússia Euronews, 25 jul. 2025. Acesso em: 22
ago. 2025.
Georgia-Russia: Quasi-Partnership Based On Elite Interests Wilson
Center, 12 mar. 2025. Acesso em: 22 ago. 2025.

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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
página 19

MAPA DE RISCO

O mapa intitulado “Principais Riscos Globais”,


exposto na página 04 deste Boletim, foi
elaborado pelos integrantes do Núcleo de Avaliação
dos fenômenos, estes podem ser categorizados em
alto risco (vermelho), quando avalia-se grande
instabilidade social, política, militar ou econômica;
da Conjuntura da Escola de Guerra Naval. Os e também, em médio risco (laranja), para principais
critérios utilizados para analisar os fenômenos situações de agravamento de riscos observados.
internacionais e determinar quais devem constar no Os países em cinza representam conflitos
mapa se baseiam na relevância destes para o Brasil, monitorados; caso tenha agravamento do risco, este
sendo eles: presença de brasileiros residentes na passa a ser vermelho ou laranja.
região, influência na economia brasileira e o impacto As análises são refeitas a cada edição do Boletim,
no Entorno Estratégico brasileiro. Os parâmetros para com o objetivo de reavaliar e atualizar as regiões
categorização dos riscos seguem os interesses dos demarcadas, bem como a cor utilizada em cada um.
membros permanentes do Conselho de Segurança Desta forma, são sempre observados os principais
das Nações Unidas, relevância dos atores envolvidos, fenômenos, distribuídos em alto e médio risco.
repercussão internacional, impacto regional e a Abaixo, encontram-se links sobre os riscos apontados
possibilidade da escalada de tensões. Após a seleção no mapa: Por: Matheus Moreira

► ALTO RISCO:

•HAITI - Conflitos internos: C'est l'enfer sur Terre » : en Haïti, gangs et groupes d'autodéfense prolifèrent et le désespoir
règne. Nations Unies, 18 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•IÊMEN - Crise estrutural e regional: Israeli airstrikes targeting Iran-backed Houthis rock Yemen's capital Euronews, 25
ago. 2025. Acesso em: 26 ago. 2025.

•IRÃ - Instabilidade regional: Iran says it has developed new, better missiles; will use them if Israel attacks again Times of
Israel, 20 ago. 2025. Acesso em: 20 ago. 2025.

•ISRAEL - Conflito regional: Israeli strike on Gaza hospital kills 20 including journalists, outlets confirm Euronews, 25
ago. 2025. Acesso em: 26 ago. 2025.

•LÍBANO - Crise estrutural: Lebanon to present plan by next week to 'convince' Hezbollah to disarm The Times of Israel,
25 ago. 2025. Acesso em: 26 ago. 2025.

•MAR VERMELHO - Risco a travessia: Se Houthi diz que navios não inclusos em sua lista de sanções, receberão “serviço
gratuito de passagem segura”, mas se os navios forem proibidos, eles estarão abertos ao alvo houthi. Lloyd's List, 13 ago. 2025.
Acesso em: 20 ago. 2025.

•MIANMAR - Conflito interno: Myanmar junta rebels trade blame for damage of iconic bridge. Bloomberg, 25 ago. 2025.
Acesso em: 25 ago. 2025.

•RÚSSIA E UCRÂNIA - Conflito militar: Ukraine drone hits Russian nuclear plant, sparks huge fire at Novatek's Ust-Luga
terminal Reuters, 25 ago. 2025. Acesso em: 26 ago. 2025.

•SÍRIA - Crise regional: Syria condemns new Israeli ‘military incursion’ in Damascus countryside Al Jazeera, 25 ago. 2025.
Acesso em: 26 ago. 2025.

•SOMÁLIA - Crise estrutural: Security forces in Somalia confront Islamic State militants. AfricaNews, 21 ago 2025. Acesso
em: 25 ago. 2025.

•SUDÃO - Conflito interno: RSF attacks kill 89 people in 10 days in Sudan’s Darfur, UN says. Al Jazeera, 22 ago. 2025.
Acesso em: 25 ago. 2025.

•VENEZUELA - Crise sociopolítica: Maduro, de dictador a terrorista en la mira de Estados Unidos. El País, 19 ago. 2025.
Acesso em: 25 ago. 2025.

► MÉDIO RISCO:

•BOLÍVIA - Crise sociopolítica: Bolivia’s Supreme Court issues rare order that could see detained right-wing politicians freed.
AP News, 23 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•BURKINA FASO - Crise sociopolítica: Burkina Faso : la junte déclare la coordonnatrice résidente de l’ONU « persona non
grata ». Le Monde, 19 ago 2025. Acesso em: 25 ago 2025.

•CAMBOJA E TAILÂNDIA - Conflito fronteiriço: Camboja e Tailândia prometem normalizar a situação fronteiriça. Kiripost,
25 ago. de 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•COLÔMBIA - Instabilidade sociopolítica: Human Rights Watch Submission to the United Nations Committee on Economic,

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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025
Social and Cultural Rights Review of Colombia. Human Rights Watch, 11 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•COLÔMBIA E PERU - Disputa Fronteiriça: Peru volta a declarar Petro persona non grata. Gazeta do Povo, 22 ago. 2025.
Acesso em: 25 ago. 2025.

•GUIANA E VENEZUELA - Disputa regional: Guiana quer reforçar segurança na zona em disputa com a Venezuela durante
eleições presidenciais. Folha de Pernambuco, 18 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•GUINÉ - Crise sociopolítica:En Guinée, un des trois partis suspendus par la junte au pouvoir va contester en justice une
décision « illégale ». Le Monde, 25 ago 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•IRAQUE - Crise regional: Norway's DNO resumes in Iraq's semi-autonomous region of Kurdistan oilfield output after drone
strikes Reuters, 21 ago. 2025. Acesso em: 26 ago. 2025.

•MALI - Crise sociopolítica: Mali junta charges former prime minister Maiga with embezzlement. RFI, 20 ago. 2025. Acesso
em: 25 ago. 2025.

•MAR DO SUL DA CHINA - Disputas regionais: China condemns vietnam over island building in south china sea . Bloomberg,
25 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•MOÇAMBIQUE - Instabilidade entre governo e forças insurgentes: Mozambique: 50,000 flee Cabo Delgado amid terrorist
attacks. APAnews, 22 ago 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•NICARÁGUA - Instabilidade sociopolítica: Nicarágua: regime Ortega tomou controle de colégio católico. Revista Oeste, 18
ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•NÍGER - Crise sociopolítica: Boko Haram leader killed in Lake Chad basin operation, Niger army says. France24, 22 ago.
2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•NIGÉRIA - Instabilidade interna: Nigeria says it killed 35 fighters in air strikes near border with Cameroon. Al Jazeera. 23
ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO - Crise regional: DRC peace initiatives need sustained international pressure to
succeed. Al Jazeera, 25 ago 2025. Acesso em: 25 ago 2025.

► EM MONITORAMENTO:

•AFEGANISTÃO - Instabilidade sociopolítica: The Security Risks of Afghan Instability. Modern Diplomacy, 24 ago. 2025.
Acesso em: 25 ago. 2025.

•ARMÊNIA E AZERBAIJÃO - Instabilidade regional: Iran rejects planned transit corridor outlined in Armenia-Azerbaijan
pact. Al Jazeera, 09 ago. 2025. Acesso em: 12 ago. 2025.

•BANGLADESH - Instabilidade sociopolítica: Bangladesh exhausts resources for Rohingya refugees, chief adviser Yunus
warns. The Jakarta Post, 25 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•BELARUS - Instabilidade regional:Ukraine warns Belarus against provocations during 'Zapad' military drills Reuters, 22
ago. 2025. Acesso em: 26 ago. 2025.

•EL SALVADOR - Instabilidade sociopolítica: 'Cemitério dos homens vivos': a brutalidade na megaprisão de Bukele relatada
por 8 venezuelanos deportados pelos EUA para El Salvador. BBC, 19 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•EQUADOR - Instabilidade sociopolítica: Daniel Noboa decretó la extensión del estado de excepción en las provincias de
Bolívar y Cotopaxi. Nodal, 22 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•ESTADOS UNIDOS E VENEZUELA - NOVO NO MAPA- Instabilidade Regional: EUA enviam navios para a costa da
Venezuela. CNN, 22 ago. 2025. Acesso em 25 ago. 2025

•ETIÓPIA - Instabilidade interna: Why Ethiopia’s Tigray could be on the brink of another conflict. Africa Defense Forum.
25 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•PENÍNSULA COREANA - Instabilidade regional: UNC says around 30 N. Korean troops crossed inter-Korean border
recently, triggering S. Korean warning shots. The Korea Times, 24 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•SENEGAL - Instabilidade sociopolítica: « À qui sera-t-il le tour ? » : El Malick Ndiaye avoue à demi-mot, Madiambal
Diagne révèle tout. Senenews, 23 ago. 2025. Acesso em: 25 jul. 2025.

•SUDÃO DO SUL - Instabilidade regional: South Sudanese ‘are counting on us’, top UN official tells Security Council. UN
News, 18 ago. 2025. Acesso em: 25 ago. 2025.

•TAIWAN - Disputas regionais: Taiwan, China battle it out in competing World War Two narratives. Reuters, 24 ago. 2025.
Acesso em: 25 ago. 2025.

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BOLETIM GEOCORRENTE • ISSN 2446-7014 • N.218 • Agosto | 2025

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