Sumário
CAPÍTULO 1 – FLUXO DE POTÊNCIA ................................................................ 3 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3

2. MODELOS DOS ELEMENTOS COMPONENTES DOS SISTEMAS DE POTÊNCIA ................................................................................................................ 4 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 3. 4. Linhas de Tranmissão ................................................................................. 4 Transformadores em Fase .......................................................................... 5 Transformador Defasador ........................................................................... 8 Geradores e Compensadores ..................................................................... 9 Cargas ...................................................................................................... 10 Capacitores e Indutores em Derivação ..................................................... 10

REPRESENTAÇÃO MATRICIAL ..................................................................... 10 FLUXO DE POTÊNCIA LINEARIZADO............................................................ 12 4.1 4.2 4.3 4.4 Aspectos Gerais ........................................................................................ 13 Linearização .............................................................................................. 13 Formulação Matricial ................................................................................. 15 Representação das Perdas no Modelo de Fluxo DC ................................. 17

5. FORMULAÇÃO BÁSICA DO PROBLEMA DE FLUXO DE POTÊNCIA NÃO LINEAR ................................................................................................................... 22 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 6. Aspectos Gerais ........................................................................................ 22 Formulação Básica ................................................................................... 24 Resolução de Sistemas Algébricos pelo Método de Newton ..................... 26 Fluxo de Potência pelo Método de Newton ............................................... 30 Método de Newton Desacoplado .............................................................. 38 Método de Newton Desacoplado Rápido .................................................. 42

REFERÊNCIAS................................................................................................ 46

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CAPÍTULO 1 – FLUXO DE POTÊNCIA
1. INTRODUÇÃO
A análise de fluxo de cargas em redes elétricas consiste basicamente na determinação do estado da rede (i.e. magnitude das tensões nodais e os ângulos de fase), da distribuição dos fluxos e das injenções de potências ativa e reativa nas barras, dentre outras grandezas de interesse. Nesse tipo de análise, a modelagem do sistema é estática e a rede é representada por um conjunto de equações e inequações algébricas. Tais modelos se justificam pelo fato da análise se referir a situações em que as variações das grandezas no tempo são suficientemente lentas, de modo que o efeito transitório pode ser desconsiderado. Nos sistemas de potência, os componentes podem ser ligados de duas formas distintas: entre os nós (barras do sistema), como é o caso das linhas de transmissão e transformadores, e entre o nó de referência e um nó qualquer, como é o caso das cargas, dos geradores, compensadores síncronos, etc. Os geradores e as cargas do sistema são tratados como parte externa do sistema. Sendo assim, são modelados como injeções constantes de potência nos nós da rede. A parte interna da rede, formada pelos demais componentes (i.e. linhas de transmissão, transformadores, etc) é tratada como um conjunto de circuitos passivos e modelada por meio da matriz de admitância de barra. Impondo-se a conservação das potências ativa e reativa em cada nó da rede é possível obter as equações básicas que regem o comportamento dos fluxos de potênica nas redes elétricas. Em outras palavras, em cada nó da rede, a potência líquida injetada deve igual à soma das potências que fluem para os nós adjacentes. Nas seções seguintes são apresentados os modelos das linhas de transmissão, transformadores em fase com ajuste de tap, transformadores defasadores, geradores, cargas e os reatores e capacitores em derivação (shunt). Em seguida, mostra-se formulação básica do problema de fluxo de potência, bem como os métodos de solução mais utilizados.

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2. MODELOS DOS ELEMENTOS SISTEMAS DE POTÊNCIA

COMPONENTES

DOS

Nesta seção são apresentados os modelos dos elementos de um sistema de potência, geralmente representados nos estudos de fluxo de potênica.

2.1 Linhas de Tranmissão
O modelo equivalente da linhas de transmissão Erro! Fonte de referência não encontrada. é frequentemente utilizado nos estudos de fluxo de potência. Como se observa na Figura 1.1, esse modelo é descrito por meio de três parâmetros: resistência série , reatância séria ; e a susceptância em derivação (shunt) .

k Ikm zkm = rkm + jxkm Imk

m

jb km

sh

sh

jb km

Figura 1.1: Modelo -equivalente da linha de transmissão.

Sejam e as tensões fasorias das barras e respectivamente. A corrente que flui da barra para a barra , pode ser dada por:

,

(

)

(1.1)

ou, ( Logo, a potência complexa que flui de ) para pode ser obtida por: (1.3) Substituindo o valor de dado em (1.2) em (1.3) chega-se a: (1.2)

6) ( ) (1. conforme mostrado na Figura 2. os transformadores em fase são representados por uma admitância em séria e um auto-transformador ideal com relação de transformação . as quais regem os fluxos de potência ativa e reativa. logo: e é mesmo da . k Ikm 1:t Figura 1.4) em que . Sejam as tensões fasoriais nos pontos . e . da em (1. Como é um número real. se . o transformador é um defasador.5) (1.5 [( [( ) ( ) ( ) ) ] ] (1. respectivamente.7) 2. ( ) (1.5). Considere inicialmente um transformador em fase. sendo que apenas a magnitude da tensão é alterada.2 Transformadores em Fase De modo semelhante às linhas de transmissão. Aplicando a fórmula de Euler. respectivamente. m p ykm Imk No modelo da Figura 1. em que a é um número real. o transformador está em fase. chega-se as expressões (1.6) e (1. o ângulo da tensão no ponto tensão no ponto .7).2. pode também mudar o ângulo de defasagem. Por outro lado. numa linha de transmissão. pois além de mudar a magnitude da tensão. em (1. se .2: Modelo de transformadores.4) e separando-se os termos reais e imaginários.

presume-se que as potências na entrada e na saída serão as mesmas.8) Considerando-se que transformador do modelo apresentado na Figura 2 seja ideal. pois não há perdas. Logo: (1. Para tanto.9).10) Nota-se que as correntes estão na razão de .8) e (1. como o mostrado na Figura 3. a corrente do modelo apresentado na Figura 2. ( Levando-se o valor ) ( ) (1.10). k Ikm A Imk m B C Figura 1. e para que as correntes e sejam as mesmas para os modelos das Figuras 2 e 3.11) na relação (1. e estão defasadas de 180° e suas magnitudes Suponha agora que o mesmo transformador em fase apresentado anteriormente possa também ser representado por um circuito -equivalente.9) Das relações (1.6 (1.3: Circuito -equivalente para o transformador. O que se deseja é determinar os parâmetros . obtém-se: (1. considere primeiro. chega-se a: .

14) nas Finalmente.13) e (1.16) A equações em (1. ). Considere inicialmente . Desse modo. Por outro lado. B e C. a magnitude da tensão tende a diminuir. obtém-se o seguinte sistema de equações lineares. ( ) ( ) ( ) (1. ( ( ) ) ( ) ( ) (1.17) . Neste caso. a admitância será positiva (efeito indutivo).12).3. (1.16) permitem a análise do efeito da relação de transformação sobre as magnitudes das tensão e . Para valores de . enquanto que a magnitude da tensão tende a diminuir.13) (1. enquanto a magnitude da tensão tende aumentar. igualando os termos que multiplicam as tensões e equaçãoes (1. chega-se a: ( ( ) ) (1. Para a obtenção das equações de fluxo no transformador em fase. a magnitude da tensão tende aumentar.3 se reduz a uma admitância série.14) as correntes modelo apresentado pela Figura 1. com . Neste caso as admitâncias e são nulas.e.7 ( ) ( ) e (1.14). basta multiplicar a tensão pelo conjugado da corrente dada em (1.11) a (1. quando assume valores maiores que 1 (i. e o circuito -equivalente da Figura 1..12) com base no Sejam agoras as expressões (1. adimitância será negativa (efeito capacitivo) ao passo que será positiva (efeito indutivo). enquanto que será negativo (efeito capacitivo).15) Resolvendo o sistema anterior para A.

18) 2. Nesta situação. é . sendo que agora . . a abertura angular sobre a adimitância ykm passará a ser . portanto. o que implica um acréscimo no fluxo de potência ativa no ramo – . para os quais os ângulos e são rígidos. tem-se . caso em que . ou seja. duas situações extremas: (i) o ramo – é radial. i..e. No caso do defasador puro (quando somente as fases das tensão afetadas. Se o ramo não for radial. e a variação introduzida pelo defasador será tanto menor. o defasador afeta o fluxo de potência ativa introduzindo uma defasgem entre os nós e do modelo da Figura 1. significando máxima influência de sobre . (ii) o ramo não é radial e a rede é infinitamente forte entre o n k e m. ou seja ( ). Seja . Neste caso. Para entender o princípio de funcionamento do defasador. após a introdução do defasor. quanto mais forte for o sistema de transmissão (ou quanto maior for a magnitude da susceptância total equivalente entre os nós e . em relação à susceptância do defasador). o restante do sistema tenderá a impedir que a abertura angular varie livremente.19) . Existem. considere uma situação hipotética. o fluxo no ramo – diminuirá após a introdução do defasador.8 ( ) ( ) ( ) (1. não variam com o ângulo introduzido pelo defasador. Neste caso. ou seja. isto é. pois os nós p e m sofrerão a mesma variação angular ( ).2. passando a nova abertura angular do ramo a ser dada por . significando que o fluxo independe de . o fluxo ficará inalterado. e vice-versa).3 Transformador Defasador O transformador defasador permite controlar o fluxo de potência ativa no ramo no qual ele está inserido. situação que realmente tem interesse prático. o ângulo introduzido pelo defasador. Uma situação extrema ocorre sistemas infinitamente fortes. Raciocínio análogo se aplica para caso de . Se o ramo – for radial. a abertura angular sobre a admitância . tem-se: e são (1. Como o próprio nome sugere. caso em que . na qual o sistema opera sem a presença do defasor com o fluxo de potência no sentido . a abertura angular sobre a adimitância série ficará inalterada ( ). o fluxo de potência ativa aumentará. Isso significa que todo o ângulo do defasador é somado à abertura angular existente inicialmente entre os pontos e (se for possitivo.

os geradores são representados pelas injeções de potências ativa e reativa. . e circuito π-equivalente.24) (1. a potência ativa injeta é nula. aplicando o princípio da conservação das potências. porém utilizando agora a relação dada em (1.9 o que equivale a dizer (1. as equações que regem os fluxos de potências ativa e reativa são. ( ) ( ( ) ) (1. No caso de um compensadore síncrono.4 ilustra a representação de um gerador.4 Geradores e Compensadores Nos estudos de fluxo de potêcia os geradores/compensadores são modelados como elementos externos à rede. Na formulação básica do problema de fluxo de potência.25) 2.19). A Figura 1. P G Q Figura 1.22) ( diferente do termo que multiplica na equação (1. a qual será vista mais adiante.4: Representação dos geradores.23) do ) é e Observe agora que não é mais possível determinar os parâmetros . obtém-se: (1. pois o termo que multiplica na equação (1.21) De modo análogo ao que foi feito para o transformador em fase. No caso do transformador defasador.23) ( ).20) Novamente. respectivamente: ( ( ) ) ( ( ) ) (1.22) (1. as correntes podem ser escritas em função das tensões.

3. pode ser obtida por: ( ) (1. 2.10 2. Q P Figura 1. REPRESENTAÇÃO MATRICIAL . como injeções de potências ativa e reativa.5. nos quais a potência consumida é uma função da tensão.26) em que é a potência nominal em VA. Normalmente.5: Representação das cargas. nos programas de cálculo de fluxo de potência.5 Cargas De modo semelhante aos geradores. convencionou-se entrar com uma potência positiva para o banco de capacitores e uma negativa para o banco de indutores. do elemento em derivação ligado á barra k e a tensão nominal de operação do banco de capacitor/indutor ligado à barra . Embora modelos mais elaborados da carga. Logo esses elementos são representados dentro da matriz de admitância de barra. Sendo assim. a admitância a ser adicionada ao elemento da matriz de admitância nodal. o campo destinado à potência dos bancos de capacitores ou indutores em derivação refere-se a potência liquida “injetada” por esses elementos no ponto onde estão conectados. possam ser utilizados. os bancos de capacitores ou indutores em derivação são especificados em termos de sua potência para a tensão nominal. Geralmente. O modelo básico da carga utilizado nos cálculos de fluxo de potência em redes elétricas é apresentado na Figura 1. as cargas são também representadas externamente à rede. Sendo assim. eles são serão abordados neste documento. os programas de cálculo de fluxo de potência consideram os bancos de capacitores ou indutores em derivação como sendo parte da rede interna.6 Capacitores e Indutores em Derivação Normalmente.

porém.29) Observe que os termos que multiplicam a tensão correspondem ao elemento da matriz de admitância de barra Erro! Fonte de referência não encontrada.6: Barra k ligada à vizinhaça. ao passo que os termos que multimplicam a tensão equivalem aos termos da matriz de admitância de barra. ∑ (1.27) Supondo inicialmente que a barra está ligada às barras adjacentes por meio de linhas de transmissão.6. cujo o modelo é aquele apresentado na Figura 1. ao invés de utilizar as correntes. Os elementos da matriz de admitância de barra são dados por: ( ) ∑[ ( )] (1. Para tal considere uma barra k de um sistema hipotético. a qual está ligada a outras barras. A injeção líquida de potência na barra pode ser obtida aplicando-se a primeira lei de Kirchoff na Figura 1. serão utilizadas as potências que fluem do nó . tem-se para as potências líquidas ativa e reativa injetadas na barra as seguintes equações: ( ) ∑ ( ) (1.1.30) .11 Nesta seção será apresenta a formulação das equações dos fluxos de potências ativa e reativa nos elementos do sistema de potência utilizando a representação matricial.6. conforme se mostra na Figura 1. l k m n Figura 1.28) ( ∑ ( ) ) (1..

uma vez que relação de transformação e/ou o defasamento estão representados na matriz de admitância de barra [1].12 ( ) ( ) (1.33) Finalmente. elas podem ser reescritas como mostrado em (1. as equações (1.35).35) Vale lembrar que as equações (1. porque o termo somatório envolve apenas as barras adjacentes à barra k (o que implica em um algoritmo seria necessário uma verificação para testar ).34) e (1. FLUXO DE POTÊNCIA LINEARIZADO .33). resultando também nas equações (1. para tornar as equações ainda mais eficientes do ponto de vista computacional. Primeiro. ∑ ( ) (1.29) poderiam ser escritas para os fluxos nos transformadores em fase e defasadores.30) não são as formas mais eficiente de se expressar as injeções líquidas de potências ativa e reativa.32) ∑ ( ) (1.28) e (1.34) ∑ ( ) (1.34) e (1. porque elas estão em função da admitância dos elementos da rede e não dos elementos da matriz de admitância de barra. 4. As equações (1. Segundo. utilizando os termos da matriz de admitância de barra.29) podem ser reescritas conforme mostra-se em (1.35).31) Do ponto de vista computacional.32) e (1.28) e (1. ∑ ( ) (1.28) e (1.

O fluxo de potência DC é uma ferramenta de análise de sistemas de potência bastante empregada nos estudos de planejamento de longo prazo. Além disso. nos quais os fluxos de potência ativa dependem também. das quedas de tensão. as potências reativas e os taps dos transformadores. nem dos suportes de reativo.1 Aspectos Gerais Antes de dar início à formulação do problema de fluxo de potência não linear. 4. ele é de grande utilidade em fases preliminares de estudos que exigem a ánalise de um grande número de casos. O fluxo de potência ativa em uma linha de transmissão. Uma das principais característica dessa ferramenta é que a mesma não apresenta problemas de convergência. o mesmo tipo de relação válida para linhas de transmissão pode ser estendido também para transformadores em fase e defasadores. O fluxo de potência DC é baseado no acoplamento entre as variáveis e (potência ativa e ângulo) e apresenta resultados tanto melhores quanto mais elevado o nível de tensão. . que.2 Linearização Considere o fluxo de potência em uma linha de transmissão.37) Para a obtenção das perdas ativas na linha de transmissão basta somar os fluxos e . o que dificilmente poderia ser feito utilizando-se os métodos convencionais. dado pela equação (1.36). de maneira significativa. Embora o modelo de fluxo de potência DC não leve em consideração as magnitudes das tensões nodais. quando não se tem um conhecimento detalhado do perfil de tensão do sistema. (1. A relação entre os fluxos de potência ativa e as aberturas angulares é do mesmo tipo da existente entre os fluxo de corrente e as quedas de tensões em um circuito de corrente contínua. por questões de conveniência.6). o que a torna muito propícia para estudos de longo prazo. é repetida em (1. é aproximadamente proporcional à abertura angular na linha e se desloca no sentido de ângulos maiores para ângulos menores. esse modelo linearizado não é aplicável à sistemas de distribuição em baixa tensão.36) O fluxo no sentido oposto da linha é (1. Entretanto. Daí surge o nome fluxo de potência DC.13 4. é pertinente apresentar o fluxo de potência linearizado ou DC. como se verá mais a frente.

para o qual a equação de fluxo de potência ativa é repetida em (1. dado pela equação (1.40). o fluxo pode ser aproximado por: ( ) (1. Retirando-se das equações (1.38) que a perda ativa na linha de transmissão está associada à condutância da linha. desprezando-se os termos correspondentes à perdas e introduzindo as aproximações apresentadas em (1.44). ao quadrado das tensões terminais e ao dobro do produto das tensões terminais pelo cosseno da abertura angular entre os terminais da linha. as seguintes aproximações podem ainda ser introduzidas em (1. procedendo-se de forma análoga ao que foi feito para a linha de transmissão e transformador em fase.43) No caso de um transformador defasador.42).36) e (1.39) (1.37) os termos correspondentes às perdas na linha.41) Note que a equação (1. chega-se a (1. sendo análogo à intensidade de corrente.14 ( ) (1. e análogos às tensões terminais e análogo à resistência.38) Nota-se.41) tem a mesma forma que a lei de Ohm aplicada a um resistor percorrido por corrente contínua.45) que a .40) Dessa forma.42) Novamente. chega-se a: (1.39) Adicionalmente. chega-se a: ( ) ( ) ( ) (1. portanto na equação (1. Considere agora o fluxo de potência ativa Pkm em um transformador em fase. ( ) ( ) ( ) (1.

45) pode ser representada pelo modelo linearizado proposto na Figura 1. Considere inicialmente que uma determinada barra k do sistema esteja conectadas as barras adjacentes somente por linhas de transmissão.7: Modelo linearizado de um defasador puro. para negativo). no qual a componente invariante do fluxo ( ) aparece como uma carga adicional na barra e uma geração adicional na barra (ou vice-versa.7. Considerando que seja constante (no caso de variar automaticamente. é a matriz de susceptância de barra e o vetor de ângulos das tensões nodais.45) tem duas componentes: uma que depende do estados dos terminais ( ) e.46) pode ser posta na forma matricial como em (1. tem-se: ∑ ( ) (1.47).45) Note que o fluxo pela equação (1. k m xkm -bkmqkm Figura 1. A matriz é composta da seguinte forma: .15 equação linearizada do fluxo de potência ativa num transformador defasador. ( ( ) ) ( ) (1. pode-se tomar o valor básico). (1.47) em que é o vetor das injeções líquidas de potência ativa. outra.3 Formulação Matricial O modelo de fluxo de potência linearizado ou DC desenvolvido anteriormente pode ser expresso por meio de uma equação matricial. que depende do ângulo do transformador defasador ( ). aplicando a lei de Kirchoff das correntes.46) em que representa o conjunto das barras vizinhas à barra . -bkmfkm Imk bkmqkm 4.44) (1. Então. a equação (1. A equação (1.

1: Dados das barras Barra Geração (pu) Carga (pu) 1 2 3.49) Note que a matriz de susceptância nodal que aparece em (1. Exemplo 4. Para contornar esse problema. bem como os fluxos nos circuitos.7.8: Sistema com quatro barras. Dessa forma.47) e adota-se a barra correspondente como referência angular ( ). Com relação ao vetor .5 - . Como as perdas foram desprezadas.8.48) (1. Os dados do sistema são apresentados a seguir.5 1.47) é singular. conforme indicado na Figura 1. Tabela 1. ou seja a injeção líquida de potência em uma barra qualquer pode ser obtida pela soma algébrica das demais. Deseja-se determinar os ângulos das tensões nodais desse sistema. Vale destacar que a construção da matriz segue as mesmas regras para os três tipos de elementos (linha de transmissão. elimina-se uma das equações do sistema (1.16 ∑ (1. a soma dos componentes de é nula. deve-se levar em conta em sua formação a existência das injeções equivalentes utilizadas na representação dos transformadores defasadores. transformador em fase e transformador defasador).1: Considere um sistema de potência com três barras cujo diagrama unifilar é apresentado na Figura 1. 1 4 3 2 Figura 1. esse sistema passa a ser não singular com dimensão ( ) e os ângulos das barras restantes podem ser obtidos pelas injeções de potência especificadas nas – barras (supõe-se que a rede seja conexa).

a geração da barra de referência é que fecha o balanço entre geração e carga. Para tanto. do ponto de vista computacional.15 0. Neste caso. .2: Dados das linhas De Para X (pu) 1 1 2 2 3 3 4 3 4 4 0. as perdas são modelas como cargas adicionais distribuídas por todas as barras do sistema. Como foi visto anteriormente.8 Tabela 1. as mesmas serão atendidas pela geração da barra de referência.4 Representação das Perdas no Modelo de Fluxo DC Uma forma de melhorar os resultados do fluxo de potência linearizado. tem-se: [ ] – Depois constrói-se o vetor das injeções de potência nas [ Finalmente.40 Solução: O primeiro passo é construir a matriz de susceptância de barra: [ ] Em seguida elimina-se uma linha e uma coluna correspondentes à barra de referência.20 0.17 3 4 - 2.2 2. considerando-se a barra 1 como referência. ao incluir as cargas adicionais para modelar as perdas. determina-se o vetor dos ângulos: ] barras. deste modo.30 0.25 0. Nesta subseção é apresentada uma maneira eficiente e barata. para que os resultados se aproximem mais daqueles obtidos pelo modelo não linear. [ ] 4. para representar as perdas na transmissão. é incluir a representação das perdas ativas.

18 Considere novamente a equação da potência ativa .50) em que representa o conjunto das barras vizinhas da barra própria barra .51). exlcuindo-se a Substituindo na equação (1. .50) os termos G_kk.52) ∑ (1. obtém-se a equação (1. Gkm e Bkm conforme indicado em (1.52) Aproximando-se (1.50) Considerando que a magnitude das tensões nodais Vk e Vm são aproximadamente iguais a 1 e rearanjando os termos da equação (1.50) chega-se a : ∑( ) (1.51) ∑ ( ) ∑ (1.54) .53) Obtém-se. finalmente: ∑ ∑ (1. ∑ ( ) (1.

o modelo de fluxo DC passa a assumir a forma: (1.19 Observe que o termo comprovar. o efeito das perdas pode ser representado aproximadamente como cargas adicionais obtidas dividindo-se as perdas de cada linha do sistema entre suas barras terminais (metade para cada lado). a mesma matriz de susceptância é utilizada. adicionando-se Um procedimento que pode ser adotado na resolução do sistema (1. |( ) ( ) | e compare com uma iv) Determine tolerância ( ) desejada. uma vez obtida a inversa de no primeiro passo. Portanto. o lado esquerdo da equação (1. .38).54) é dado pela injeção líquida de potência ativa na barra menos a metade das perdas ativas de todas linhas adjacentes a esta barra. v) Utilizando o vetor de ângulos atual. senão encerre o processo.57) é apresentado a seguir. sem considerar as perdas). bata fazer ⁄ representa as perdas na linha de transmissão. Dessa forma. ).55). Para e na equação (1. Utilizando os ângulos encontrados no passo (i) calcule as perdas em cada linha e construa o vetor de perdas ( ). a mesma deve ser guardada para ser utilizada nos passos posteriores. ( ) (1.e.57) ou seja. Ou seja. i) ii) Resolva o sistema (i. chega-se a: (1. determine as perdas nas linhas de transmissão e retorne ao passo (iii)..56) Portanto. iii) Adicione o vetor de perdas ao vetor de potências líquidas injetadas e resolva o novo sistema ). Se o resultado for maior que a tolerância prossiga para o passo (v).55) Fazendo-se as substituições indicadas anteriormente. o novo modelo é obtido a partir do modelo original ( o vetor aos vetor das injeções nodais de potência ativa. Vale salientar que durante todo o processo. que por conveniência é repetida em (1.

04 Faça uma análise de fluxo de potência DC para o sistema.03 0. deve-se somar metade das perdas das linhas em cada uma das barra.03 0. cosiderando as perdas na transmissão. o mesmo é somado ao vetor das potências injetadas. Solução: O primeiro passo é resolver o sistema obteve-se os seguintes ângulos em radianos: [ Em seguida. supondo agora que as linhas de transmissão apresentem os seguintes valores de resistência.02 0. Tabela 1.20 Exemplo 4.1. Logo: [ ] [ ] Uma vez obtido o vetor das perdas.1 De Para R (pu) 1 1 2 2 3 3 4 3 4 4 0.2: Considere novamente o sistema do exemplo 4. do qual ] Para montar o vetor das perdas. .02 0.3: Resistências das linhas do exemplo 4. despreza-se essa barra. calculam-se as perdas nas linhas.1. Como a barra 1 foi adotada como referência ( ). ( ( ( ( ( ) ) ) [ ) ) [ [ ( [ [ ( ( ( ( )] )] )] )] )] . como foi feito no exemplo 4. na qual a linha está conectada.

ou seja: |[ ] [ ]| Assumindo uma tolerância de 10-3.0210.21 [ ] [ ] [ ] O próximo passo é obter o novo vetor de ângulos. Sendo assim deve-se calcular as perdas utilizando os ângulos mais recentes. Os valores das perdas são: O novo vetor de perdas é: [ ] Somando-se o vetor de perdas ao vetor das potências líquidas. nota-se que máximo desvio é superior à tolerância desejada. a solução para o problema é: . resolvendo o sistema: ( o que resulta no novo vetor de ângulos [ ] ) ( ) O maior desvio entre o valor atual das perdas e o valor passado é: 0. tem-se: [ E o novo vetor de ângulos é: [ ] ] [ ] [ ] E o maior desvio entre o valor atual das perdas e o valor anterior é: |[ ] [ ]| Portanto.

cada uma delas representando o fato de as potências ativa . FORMULAÇÃO BÁSICA DO PROBLEMA DE FLUXO DE POTÊNCIA NÃO LINEAR 5. – injeção líquida de potência ativa (geração menos a carga). A barra de referência (Vq) tem a função de servir como referência angular para o sistema e fechar o balanço de potência. existem algumas situações particulares. como por exemplo. Dependendo de quais variáveis nodais entram como dados e quais são consideradas como incógnitas. O conjunto de equações do problema de fluxo de potência é composto por duas equações para cada barra. as quais não são conhecidas antes de ter a solução final do problema (daí a necessidade de se dispor de uma barra do sistema na qual não é especificada a potência ativa). ) e ) e a potência As barras dos tipos PQ e PV são utilizadas para representar. a cada barra da rede são associadas quatro variáveis. – injeção líquida de potência reativa. – ângulo da tensão nodal. P e V [2]. respectivamente. o controle de intercâmbio de uma área e o controle da magnitude de tensão de uma barra. Entretanto. )e PV – são as barras para as quais são fornecidas a magnitude da tensão ( a potência ativa ( ).1 Aspectos Gerais Na formulação básica do problema de fluxo de potência.22 [ ] [ ] [ ] 5. nas quais aparecem outros tipos de barras. levando em conta as perdas da transmissão. ) e a Vq (ou referência) – barra para a qual são fornecidos o ângulo ( magnitude da tensão ( ). tais como: PQV. As variáveis em questão são:     – magnitude da tensão nodal. barras de carga e de geração (incluindo-se os condensadores síncronos). Esses três tipos de barras que aparecem na formulação básica são os mais frequentes e mais importantes. e calculados a magnitude de tensão ( ) e ângulo ( ). e calculados a potência reativa ( ) e ânguo ( ). definem-se três tipos básicos de barras:    PQ – são a barras para as quais são fornecidas as potências ativa ( reativa ( ). sendo que duas delas são incógnitas e as outras duas como dados de entrada. e calculadas a potência ativa ( reativa ( ).

59) . .58) ∑ ( ) (1. nas equações das injeções de potências ativa e reativa os ângulos e aparecem sempre na forma de . Isso corresponde à imposição da primeira lei de Kirchoff e pode ser expresso matematicamente conforme mostra em (1. – magnitudes das tensões das barras terminais do ramo – ângulos das tensões das barras terminais do ramo – fluxo de potência ativa no ramo – fluxo de potência reativa no ramo – . .23 e reativa injetadas em um barra serem iguais a soma dos fluxos correspondentes que deixam a barra através de linhas de transmissão. Vale também ressaltar que as equações apresentadas em (1. . transformadores etc.58). o que torna necessária a adoção de uma referência angular. significando que uma mesma distribuição de fluxos na rede pode ser obtida se for somada uma constante arbitrária a todos os ângulos nodais.58) ( ) ∑ ( ) em que – conjunto das barras vizinhas da barra .59). (1.58) foram montadas considerando-se a seguinte convenção de sinais: as injeções líquidas de potência são positivas quando entram na barra (geração) e negativas quando saem da barra (carga). os fluxos de potência são positivos quando saem da barra e negativos quando entram. – – . Como já foi visto anteriormente. Além do conjunto de equações em (1. para os elementos em derivação (shunt) é adotada a mesma convenção que para as injeções. . ou seja. conforme se mostra em (1.componente da injeção de potência reativa devido ao elemento shunt da barra . há também o conjunto de inequações que representa as restrições nas magnitudes das tensões nodais das barras PQ e os limites de injeção de potência reativa das barras PV. . o problema de fluxo de potência é indeterminado nas variáveis .

60) e (1. pretende-se calcular e nas barras PQ. são: (1. intercalando-se a solução das equações básicas com a representação dos controles e limites de operação. considera a atuação dos dispositivos de controle e da representação dos limites de operação do sistema. Matematicamente isso pode ser representado por: ∑ ( ) (1. Logo. será conhecido o estado ( ) para todas as barras da rede. como por exemplo. e para as barras PV. O problema formulado anteriormente pode ser decompostos em dois subsistemas de equações algébricas.2 Formulação Básica As equações básicas do fluxo de potência. o que torna possível o cálculo de outras variáveis de interesse. também chamada de algoritmo básico. Sejam e o número de barras tipo PQ e PV. e e para a barra Vq (referência angular). nas barras PV. trata da resolução por métodos iterativos de um sistema de equações algébricas do tipo (1. e nas barras PV. O objetivo é determinar e nas barras PQ.62) .60) ∑ ( ) ∑ ( ) (1. Os métodos computacionais para o cálculo do fluxo de potência são constituídos de duas partes: a primeira.60) e (1. Outra possibilidade consiste em introduzir alterações nas equações (1. Considere incialmente um problema no qual são dados e . As duas partes podem ser resolvidas alternadamente. deve-se resolver um sistema com equações algébricas não lineares com o mesmo número de incógnitas. a segunda parte. respectivamente.61).61) para incluir a representação dos dispositivos de controle – neste caso. conforme se mostra a seguir: Subsistema 1 (dimensão ) Neste subproblema são dados e nas barras PQ e e nas barras PV. sendo NB o número de barras da rede. e e na barra Vq. os fluxos de potência nas linhas e transformadores.24 5. as quais já foram deduzidas anteriormente. as duas partes são resolvidas simultaneamente [2].61) para . Uma vez resolvido esse problema. para as barras PQ.

As incógnitas do subsistema 1 podem ser agrupadas no vetor . portanto. já sendo conhecidos e para todas as barras. no qual todas incógnitas aparacem de forma explícita. Em outras palavras. conforme se mostra a seguir. As equações (1.66) [ ] em que é o vetor dos ângulos das tensões das barras PQ e PV. deseja-se calcular e na barra de referência.62) e (1.67) . ∑ ( ) (1.64) ∑ ( ) (1. { { (1. que forma o susbsistema 1. e nas barras PV. e é o vetor das magnitudes das tensões das barras PQ. basta que os valores de e sejam aplicados às equações (1.63) Subsistema 2 (dimensão: ) Após resolvido o subsistema 1 e.64) e (1.65) No processo de resolução apresentado anteriormente não foram consideradas as restrições de operação e a atuação de dispositivos de controle que correspondem a um conjunto adicional de inequações/equações. podem ser reescritas da seguinte forma: ( ) (1.65) para determinar as grandezas de e . Trata-se de um sistema com equações algébricas não lineares com o mesmo número de incógnitas. o que torna trivial o processo de resolução.63).25 ∑ ( ) (1.

pode ser colocado na forma: ( ) (1.68).69) (1. na subseção seguinte faz-se uma breve revisão do processo de solução de equações algébricas pelo método de Newton. 5.68) As funções (1.71) { { ( ) [ ] (1.3 Resolução de Sistemas Algébricos pelo Método de Newton Considere inicialmente um sistema unidimensional do tipo ( ) (1. Pretende-se determinar o valor de para o qual a função ( ) se anula. antes de dar início ao método de Newton aplicado à resolução do problema expresso em (1. injeções de potência reativa nas barras PQ. sendo que os mais eficientes são os métodos de Newton e o desacoplado rápido. ou seja: ( ( ) ) (1. a solução da equação (1.67) e (1.72).72) Esse sistema de equações não lineares pode ser resolvido por um número muito grande de métodos. Porém.71) Por meio dessa função. o subsistema 1. Seja agora ( ) função vetorial dada por (1. como mostra a Figura 1.67) e (1.70) o vetor das sendo o vetor das injeções de potência ativa nas barras PQ e PV. Em termos geométricos. dado pelas equações (1. .73) corresponde ao ponto em que a curva corta o eixo .73) em que ( ) e são escalares.68) podem ser colocadas na forma vetorial.26 ( ) (1.9.

( ) .74) sendo que . v) Resolver o problema linearizado.76) Isso significa que a nova estimativa de sendo .73) pelo método de Newton segue os seguintes passos: i) ii) iii) Fazer e escolher uma solução inicial .27 f(x) f(x0 ) f(x1 ) f(x2 ) x2 x1 x0 Figura 1. senão prossiga para o próximo passo. Calcular o valor da função ( ) no ponto Comparar o valor calculado ( ) com a tolerância especificada e. se então será a solução procurada dentro da faixa de tolerância . ou seja encontrar ( ) ( ) tal que: (1.75) passa a ser: (1. iv) Linearizar a função ( ) em torno do ponto [ Taylor: ( ) ( ) ( ) ⁄ ( ) ( )] por intermédio da série de (1. X A resolução do problema proposto em (1. .9: Interpretação gráfica do método de Newton.

pois a derivada não precisa ser calculada a cada passo. .77) A variante do método de Newton ilustrada na Figura 1. isto é. pretende-se encontrar uma das raízes dessa função utilizando o método de Newton.10 é obtida considerando-se a derivada constante. o número de iterações. Considere uma tolerância de e que . Solução: Primeira iteração: . é maior que a 10-3. Nessa versão.28 ( ) ( ) vi) Fazer e voltar passo (ii). no passo (iv) do algoritmo faz-se ( ) ( ).10: Variante do método de Newton. (1. mas cada uma das iterações se torna mais rápida. para uma dada tolerância de convergência. ( Com ( ) ) x0 X Figura 1.1: Considere a função ( ) . em geral é maior que no método original. deve-se calcular a nova estimativa de ( ) ( ) Segunda iteração: ( ) . f(x) f(x0 ) f(x1 ) f(x2 ) x3 x2 x1 Exemplo 5.

calcula-se a nova estimativa de : ( ) ( ) Terceira iteração: ( Como ( ) ) é maior que a tolerância. A principal diferença está no passo (iv).1: Resolva o exemplo 4. A solução final do problema é a mesma? O número de iterações é maior? Considere agora a resolução de um sistema composto por matematicamente descrito por (1. será utilizada durante todo o processo iterativo. (1.1 considerando que a derivada de ( ) será constante e igual à derivada no ponto . agora. os mesmos passos do algoritmo apresentado anteriormente para o caso unidimensional. no qual. A resolução da equação (1.78) o vetor das incógnitas. basicamente. ( )..78) segue. aparece a matriz jacobiana.79) sendo a matriz jacobiana dada por .78) ( ) sendo ( ) uma função vetorial com dimensão também com dimensão .29 Como ( ) é maior que a tolerância. ( ) [ ( ) [ ( ) ] e ( )] equações algébricas. calcula-se a nova estimativa de : ( ) ( ) Quarta iteração: ( Como ( ) é a solução do problema.e. ) é menor que a tolerância Exercício 5. A linearização da função vetorial ( ) para é dada pelo dois primeiros termos da série de Taylor ( ) ( ) ( ) (1. i.

Testar a convergência: se Calcular a matriz jacobiana ( ). tal que: .81) pelo método de O algoritmo para resolução do sistema de equações do tipo ( ) Newton é apresentado a seguir.2: Utilize o método de Newton para resolver o sistema de equações a seguir: { Considere uma tolerância de 10-3 e que a e 5. Determinar nova solução : . iv) v) [ ( )] vi) Fazer e retornar para o passo (ii).80) ⁄ [ O vetor de correção ⁄ ⁄ ] é calculado impondo-se que ( ) ( ) (1. o processo convergiu para a solução .4 Fluxo de Potência pelo Método de Newton Nesta subseção o método de Newton será aplicado na resolução do sistema de equações que forma o subsistema 1. consiste em determinar o vetor de correções . i) ii) iii) Fazer e escolher uma solução inicial ( ) . caso contrário. prosseguir para o próximo passo.30 ⁄ ⁄ ⁄ ⁄ ⁄ ⁄ (1. Calcular ( ). ( ) Exercício 5. A ideia central do processo de resolução do sistema linearizado.

89) As componentes das submatrizes ⁄ ⁄ { ⁄ ⁄ { ( ( .69) e (1. dada em (1.90) ( ) ∑ ) (1. a matriz jacobiana pode ser reescrita da seguinte forma: ⁄ ⁄ ⁄ ⁄ ( ) [ ] (1. são geralmente representadas por: (1.91) ∑ ( ) .84) ( ) [ ⁄ ⁄ ⁄ ⁄ ] (1.86) As submatrizes que compõem a matriz jacobiana .85) Considerando-se as equações de e dadas em (1.83) [ ] (1. tem-se: ( ) [ ] (1.31 ( ) ( ) (1. e são dadas por: ) (1.82) No caso do subsistema 1. . e lembrando que e são constantes.70).86).

.92) ∑ ) ( ( ) (1. .90) a (1. então os elementos . e ii) iii) {| |} .93) ) ∑ Com base nas equações (1. e também serão nulos. Isso implica que as matrizes . iv) Calcular a matriz jacobiana ( v) Determinar a nova solução ( ) [ ) ( ( ). prosseguir no passo ) ) ( ( ) ] ) Sendo e determinados por: ( ( ) ) ( ( ) ]} ) ( ( ) ] ) [ ] {[ [ (1.94) vi) Fazer i = i + 1 e voltar para o passo (ii). Testar a convergência: se {| |} e ( ) para as barras PQ.93) pode-se concluir que. se o elemento for nulo. Calcular ( ) para as barras PQ e PV. e determinar os resíduos e . o processo iterativo convergiu para a solução ( (iv). caso contrário. e têm as memas características de esparsidade que a matriz . e as magnitudes das tensões das barras PQ ( ). . O método de Newton aplicado à resolução do subsistema 1 é resumido nos passos a seguir: i) Fazer i = 0 e escolher os valores iniciais dos ângulos das tensões das barras PQ e PV ( ).32 ⁄ ⁄ { ⁄ ⁄ { ( ( ) (1.

0 Tabela 1.0 0.0 0.02 Faça uma análise de fluxo de potência para o sistema em questão.0 0. A linha apresenta uma admitância shunt de A matriz de admitância nodal é: [ Sendo as matrizes e : [ ] [ ] ] .). cujos dados são apresentados a seguir Tabela 1. logo a admitância da linha é .33 Exemplo 5.2: Considere um sistema de potência hipotético composto por duas barras.0 0. Considere a tolerância para convergência igual a 0.60 0. o subsistema 1 é formado pela seguinte equação: sendo que A equação para a injeção de potência na barra 2 é dada por: ∑ [ ( ) ( )] Desevolvendo o somatório da equação anterior e lembrando que a barra 1 é a referência angular do sistema.003 pu ( .4: Dados das barras Barra Tipo V (pu) q (Graus) PG(pu) QG (pu) PL(pu) QL(pu) 1 2 Vq PV 1.0 1.0 0.2 1. tem-se: ( ) .20 0. Com há somente uma barra do tipo PV.5: Dados da linha Linha r (pu) x (pu) bsh (pu) 1-2 0. Solução: A impedância série da linha vale .

tem-se ∑ ( ) . e a injeção de potência reativa na barra PV.34 Substituindo os valores e rearranjando os termos. é a solução do problema. Para a barra de referência ou Vθ. Uma vez solucionado o subsistema 1. tem-se: ( Logo. a equação de é: ( 1ª iteração: ) ) ( ) ( ) ⁄ ( ( ( ) ) ) ( ) 2ª Iteração: ( ) ( ) ( ) ( ) ( ( ) ) 3ª Iteração ( ) ( ) Então. deve-se calcular a injeção de potência ativa e reativa na barra Vθ.

30 0.07 Tabela 1.0 0.0 0. obtém-se: Então. Solução: . cujos dados são apresentados a seguir Tabela 1.7: Dados da linha Linha r (pu) x (pu) bsh (pu) 1-2 0.02 Faça uma análise de fluxo de potência para o sistema em questão.3: Considere novamente um sistema de potência hipotético composto por duas barras. tem-se Para a barra PV. obtémse: ( ) Então. tem-se: Exemplo 5.35 ∑ ( ) Desenvolvendo o somatório da equações anteriores e substituindo os valores. para radianos.0 0. tem-se: ∑ ( ) Desenvolvendo o somatório da equação anterior e substituindo os valores.2 1.0 0. Considere os seguintes valores para a convergência do processo: pu.0 -0. para radianos.6: Dados das barras Barra Tipo V (pu) q (Graus) PG(pu) QG (pu) PL(pu) QL(pu) 1 2 Vq PQ 1.0 0.0 0.

logo as matrizes e serão as mesmas.2.36 Verifica-se que os parâmetros da linha de transmissão possui os mesmos valores que do Exemplo 5. ou seja: [ ] [ ] Como neste caso a barra 2 é uma barra PQ. ∑ [ ( ) ( )] ∑ [ ( ) ( )] Substituindo os valores e rearranjando os termos das equações anteriores. existem duas equações: uma para a injeção de potência ativa ( ) e outra para a injeção de potência reativa ( ). chega-se a: ( ) 1ª Iteração: ( ( ) ) ⁄ ⁄ ⁄ ⁄ ( [ ] [( ) [ )] [ ( ( ) ] ) [ ] ] .

∑ ( ) ∑ Substituindo os valores. a solução [ ] [ ] Uma vez resolvido o subsistema 1. determinam-se os valores de potência ativa e reativa na barra de referência. chega-se a: ( ) . Portanto.37 [ 2ª Iteração: ] [ ] [ ] [ ] [ ( ( ) ] ) [ ] ( [ ] [( ) [ )] [ ( ( ] [ ) ] ) [ ] ] [ 3ª Iteração: ] [ ] [ ] [ ( ( ) ] ) [ ] Neste caso tanto do problema é: quanto são menores que a tolerância.

Na resolução do subproblema Pq são utilizados os valores atualizados de V.96) ( ) ( ) (1. pois o problema resolvido continua o mesmo ) ( ) [ ( e ]. Esse tipo de relação é.97) . verificado para sistemas de transmissão em extra-alta tensão (tensões maiores que 230 kV) e ultra-alta tensão (tensões maiores que 750 kV).QV os termos N e M da equação (1. como o próprio nome sugere.5 Método de Newton Desacoplado O método de Newton desacoplado. É válido salientar que a aproximação é feita somente na matriz jacobiana.95) A dedução do método de Newton desacoplado é feita em duas etapas: desacoplamento e aplicação do esquema alternado de resolução. Portanto. Considere as equações do subproblema 1. sendo que os vetores e continuam sendo calculados da mesma forma. postas na forma mostrada em (1.95) ( ( ( ( ) ] ) ) ) ( ( ) ) ) ) ( ( ( ( ) ][ ) ) ) [ [ ] ( ( (1. isto é. o caminho percorrido entre o ponto inicial e a solução. Nesta subseção é apresentado o método de Newton desacoplado. mas não altera a solução final. a aproximação feita na matriz jacobiana altera o processo de convergência. baseia-se no desacoplamento das Pq .38 5. O desacoplamento possibilita a adoção de um esquema de resolução alternado dos subproblemas Pq e QV. no qual as submatrizes e são feitas iguais a zero. Pelo desacoplamento Pq . em geral. o que torna possível colocar o algoritmo de Newton na seguinte forma: ( ) ( ) (1. ou seja. a matriz jacobiana é obtida considerando-se que as sensibilidades ⁄ ⁄ e ⁄ são mais intensas que as sensibilidades ⁄ e .95) são ignorados.QV. enquanto que na resolução do subproblema QV são utilizados os valores atualizados de q.

utilizando os valores mais recentes de . senão continuar no para o passo (iv). xvii) Se . (contador de iterações do subproblema QV). . i) Fazer (variável de controle do subproblema Pq). ( ). ). (variável de controle do subproblema QV). utilizando os valores mais recentes de . iterando-se apenas com o subproblema ainda não convergido. . ( ) Testar a convergência do subprobelma Pq: se | (viii).39 Observe que as equações (1. Pq). Em situações como essa é possível obter alguma vantangem. . as variáveis e são atualizadas a cada meia iteração do algoritmo: meia iteração para obter a variável . ir para o passo iv) v) vi) vii) viii) ix) x) xi) Resolver o subproblema ( ) ( . por exemplo. são apresentados os passos necessário para resolver o problema de fluxo de carga não linear via o método de Newton Desacoplado. Em outras palavras. senão. ( ) |. e meia iteração para obter a variável V. solução do problema foi encontrada. senão. ) . voltar para o passo (ii). É possível que em alguns casos os subproblema Pq e QV tenham velocidades de convergência diferentes: o subproblema Pq. Atulizar o vetor das magnitudes das tensões: Incrementar o contador de iterações do subproblema QV: Fazer Fazer e voltar para o passo (ii). |. ii) iii) Calcular ( (contador de iterações do subproblema e . do ponto de vista computacional. . ir para passo (x). A seguir.96) e (1. ir para o Testar a convergência do subproblema QV: se | passo (xvi). . a solução do problema foi encontrada.97) permitem que o problema seja resolvido alternadamente. ( ) ( ) xii) xiii) xiv) xv) xvi) Resolver o subproble . Atualizar o vetor de ângulos: Incrementar o contador de iterações do subproblema Pq: Fazer Fazer Se Calcular . . senão continuar no passo (xii). . pode convergir antes que o subproblema QV.

resolve-se o subproblema ( ( ) ) ( ( ( ) ) ) .4: Resolver o sistema apresentado no Exemplo 5.40 Exemplo 5. já foram determinadas no exemplo anterior e são repetidas aqui por conveniência.3 utilizando o método de Newton Desacoplado. ( ) 1ª Iteração Pq: ( | Como | ( )| ( )| ( ) ( ) ) . resolve-se o subproblema ( ( ) ) ( ( ( ) ) ) 1ª Iteração QV: ( | Como | ( )| ( ) ) | ( ) ( ) . Solução: As equções dos desvios de potências ativa e reativa.

o subproblema Pq convergiu. a solução . prosegue-se para o passo (xvi). E como é: . Sendo assim. deve-se calcular ( | ( )| ) Como . ambos os subproblemas estão convergidos.41 2ª Iteração Pq: ( | ( ( ( )| ) ) ( ( ( ) ) ) ) 2ª Iteração QV: ( | ( ( ( ) )| ) ( ( ( ) ) ) ) 3ª Iteração Pq: ( | ( )| ) Logo. Segue-se para o passo (viii) do algoritmo Como ainda é igual a 1.

Nessa versão. muito maior que . nas quais aparecem as matrizes constantes e ⁄ e .101) (1. dependendo das características do sistema. Com a ajuda da matriz .100) a (1.103) O método desacoplado rápido tem o mesmo algoritmo básico que o método de Newton desacoplado.102) (1. é possível que a convergência do processo iterativo ocorra de forma um pouco mais rápida que na versão anteriormente apresentada. Para linhas de .6 Método de Newton Desacoplado Rápido O método de Newton desacoplado apresentado anteriormente pode ser levemente modificado para dar origem ao método denominado desacoplado rápido. em magnitude. respectivamente.100) (1. Seja a matriz diagonal cujos os elementos não nulos são as magnitudes das tensões nas barras PQ do sistema. muito maior que é. é. Nas equações (1.42 [ ] [ ] 5.99) em que as componentes das submatrizes ( e são dadas por: ) (1. as submatrizes e podem ser postas na forma (1. . em magnitude. em particular para extra alta tensão (EAT) e ultra alta tensão (UAT). A diferença fundamental entre os dois métodos desacoplados é que no métodos desacoplado rápido são utilizadas as equações ⁄ . válidas para sistemas de transmissão. em geral. As aproximações a e b são.103) podem ser introduzidas as seguintes aproximações: a) b) c) é muito próximo de 1.98) (1.

e em não aparecem as linhas e colunas referentes às barras PV e à barra Vq. Introduzindo-se as aproximações a. desprezam-se as resistências série. reatores. Finalmente.111) As equações (1.106) (1. capacitores.5 no lugar as equações e . em geral. podem-se e por: (1. shunts de linhas etc. podendo ser da ordem de 20 em linhas de 500 kV. Essas duas matrizes são semelhantes à matriz de susceptâncias . Nota-se que as submatrizes e mantêm as estruturas das submatrizes jacobianas e .109) em que as matrizes e só dependem dos parâmetros da rede.105) (1. a relação tem magnitude maior que 5.100) a (1. também válida pois se baseia no fato de as reatâncias shunt (cargas. na formação da matrizes . as equações do método de Newton desacoplado rápido podem ser postas na forma: (1.103).110) e (1. os elementos das matrizes e são . com a diferença que em não aparecem as linhas e colunas referente à barra Vq.43 ⁄ transmissão acima de 230 kV. Algumas melhorias no desempenho do métodos desacoplado rápido foram observadas quando.104) (1.110) (1.107) Considerando-se ainda que e aproximar as submatrizes jacobianas são aproximadamente unitárias.108) (1. aproximando dados por: por ⁄ . obtêm-se: (1. Dessa forma.111) entram nos passos (iv) e (xii) do algoritmo apresentado na Seção 5.) de uma rede de tranmissão serem muito maiores que as resistências série (linhas e transformadores). b e c nas equações (1. A aproximação c é.

44 (1. Resolva o problema de fluxo de potência não linear pelo métodos de Newton desacoplado rápido. e é a reatância Exemplo 5. A diferença fundamental é a utilização das matrizes constantes e .113) (1.5: Considere novamente o sistema apresentado no Exemplo 5.5: 1ª Iteração Pq: ( | ( ( ) )| ) ( ) ( ) 1ª Iteração QV: .112) ∑ (1.114) (1. Solução: Os passos a serem seguidos são os mesmo do algoritmo do métodos de Newton desacoplado.3. as quais são dadas por: Então.115) em que e são os elementos da matriz de susceptância série de uma linha ou transformador. seguindo-se os passos do algoritmo apresentado na Seção 5.

45 ( | ( ( ) )| ) ( ) 2ª Iteração Pq: ( | ( ( ) )| ) ( ) 2ª Iteração QV: ( | ( ( ) )| ) ( ) 3ª Iteração Pq: ( | ( )| ) .

5.. Fluxo de Carga em Redes de Energia Elétrica.46 ( ) ( ) 3ª Iteração QV: ( | Como ( )| ) . A solução final é: [ ] [ ] Nota-se que dentro da tolerância especificada . Como . retorna-se ao passo (ii). prosegue-se para o passo (xvi). . REFERÊNCIAS [1] Grainger. W. J. prosegue-se para passo (viii). São Paulo: Edgard Blucher. 1983. o problema está convergido.. 6. [2] Monticelli. então. Power System Analysis. ( | ( )| ) Como .5 (métodos desacoplado rápido) são os mesmos. Stevenson. os resultados obtidos nos Exemplos 5. J.. J.4 (método desacoplado) e 5. New York: McGraw-Hill.3 (método de Newton). A. Como . J. 1994.

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