Jean-Paul Sartre
EXISTENCIALISMO
Jean-Paul Sartre (1905-1980)
Existencialismo (Ateu)
Nascido em Paris, atuou como soldado do
serviço de meteorologia e foi preso pelos
alemães, permanecendo entre 1940 e 1941 no
campo de concentração de Trier na Alemanha.
Após fugir do campo de concentração atuou
no movimento de Resistência Francês.
Destacou-se não apenas pelas obras
filosóficas, mas também pelas literárias. Foi
agraciado com o Prêmio Nobel da Literatura
em 1964. Recusou-se a aceitar o prêmio, pois
não desejava reconhecer a autoridade dos
juízes que lhe ofereceram prêmio, nem aderira
essa instituição.
Durante toda a vida, foi companheiro da
filósofa Simone de Beauvoir (1908 -1986), cujo
estudos sobre a condição da mulher ficaram
muito conhecidos no século XX.
O existencialismo ateu, que eu
represento, é mais coerente. Declara
ele que, se Deus não existe, há pelo
menos um ser no qual a existência
precede a essência, um ser que
existe antes de poder ser definido por
qualquer conceito, e que este ser é o
homem ou, como diz Heidegger, a
realidade humana. Que significará
aqui o dizer-se que a existência
precede a essência?
Significa que o homem
primeiramente existe, se descobre,
surge no mundo; e que só depois se
define. O homem, tal como o concebe
o existencialista, se não é definível, é
porque primeiramente não é nada.
Só depois será alguma coisa e tal
como a si próprio se fizer. Assim, não
há natureza humana, visto que não há
Deus para a conceber.
O homem é, não apenas como ele
se concebe, mas como ele quer
que seja, como ele se concebe
depois da existência, como ele se
deseja após este impulso para a
existência; o homem não é mais
que o que ele faz. Tal é o primeiro
princípio do existencialismo. [...]
[...] o que nós queremos dizer é que o
homem primeiro existe, ou seja, que o
homem antes de mais nada é o que se
lança para o futuro, e o que é consciente
de se projetar no futuro. O homem é antes
de mais nada um projeto que se vive
subjetivamente, em vez de ser uma couve-
flor; nada existe anteriormente a este
projeto; nada há no céu inteligível, e o
homem será antes de mais nada o que ele
quiser ser.
[...]Mas se verdadeiramente a existência
precede a essência, o homem é
responsável por aquilo que é. Assim, o
primeiro esforço do existencialismo é o
de por todo homem no domínio do que
ele é e de lhe atribuir a total
responsabilidade da sua existência.”
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. 2. ed. Lisboa:
Presença, s. d. p. 242-244.
A ideia fundamental do existencialismo sartriano está
expressa em uma das frases mais conhecidas do filósofo:
“
.”
LIBERDADE E RESPONSABILIDADE
A ideia de que a existência precede a essência tem
profundas consequências na maneira de entender o
ser humano e suas ações.
Se sua essência não está determinada, seja por
Deus, seja pela natureza, a quem cabe a
determinação?
Ao próprio indivíduo. Cada individuo tem
responsabilidade pelo que é ou deixa de ser. Suas
decisões e ações influenciam seu modo de ser.
Para o existencialismo, como não há essência estabelecida
antes da existência, o indivíduo tem liberdade para se
constituir e deve assumir essa responsabilidade.
Ao nascer, ele é um projeto aberto, cujo exercício cabe a ele
mesmo.
Em outras palavras, o individuo recém-nascido é lançado no
mundo sem ter escolhido nascer e sem ter decidido sobre seus
pais, sobre a situação social e econômica da família ou sobre
sua nacionalidade, mas a partir de sua existência, tem a
liberdade e a responsabilidade de se realizar como pessoa.
Cada indivíduo, por suas decisões e ações, forma-se nesse
vir a ser.
Não existe Deus, nenhuma essência, nenhum destino,
encontram-se predefinidos para o ser humano.
No caso do ser humano, a
existência precede a essência, ao
contrário do que ocorre com as
coisas e os animais.
As coisas e os animais são,
enquanto apenas o homem
existe. As coisas e os animais
possuem uma essência antes de
serem.
Uma mesa, antes de ser
fabricada, antes de vir a ser, foi
idealizado de acordo com a sua
função. Ele permanecerá sempre
uma mesa. Existe de acordo com
a sua essência.
Qual a diferença entre o ser
humano, os animais e as coisas?
Ser em - si Ser- para-si
É a consciência que Apenas o ser humano é
distingue o ser humano livre, porque nada mais é
das coisas e dos animais, do que o seu projeto.
que são “em-si”, ou seja, Pois sendo consciente é
não são capazes de se um “ser-para-si”, uma
colocarem “do lado de vez que a consciência é
fora” para se autorreflexiva, pensa
autoexaminarem. sobre si mesma, é capaz
de colocar-se “fora” de
São objetos existentes no si.
mundo e possuem Acessível a possibilidade
essência definida. da mudança
O que acontece com o ser humano quando se
percebe aberto à possibilidade de construir ele
próprio sua existência?
Descobre que não há essência ou modelo para
orientar o seu caminho e que o futuro encontra-se
disponível e aberto: assim sendo, está
irremediavelmente “condenado a ser livre”.
Cita a frase de Dostoiévsky em Os irmãos
Karamazov: “Se Deus não existe, então tudo é
permitido”, para lembrar que os valores não são
dados nem por Deus nem pela tradição – apenas
ao próprio indivíduo cabe inventá-los.
Angústia e má-fé
Eis que, ao experimentar a liberdade e ao
sentir a consciência como que vazia - a
consciência é nada, o indivíduo vive a
angústia da escolha.
Muitas pessoas não suportam essa
angústia, fogem dela, aninhando-se na
má-fé.
Má- fé
A má-fé é a atitude característica de quem finge
escolher, sem na verdade escolher; é um
"autoengano" daquele que imagina que seu destino
já está traçado e "mente" para si mesmo simulando
ser ele próprio o autor dos seus atos, já que aceitou
sem críticas os valores dados.
Não se trata de uma mentira propriamente, pois esta
supõe outros para quem mentimos; na má-fé, porém,
o indivíduo está diante apenas de si mesmo e evita
fazer uma escolha pela qual deva se responsabilizar.
. Atribui ao outro a responsabilidade que é
nossa.
Má- fé
Atitude daqueles que
renunciam à própria
liberdade e à
responsabilidade.
“Não importa o que fizeram
conosco.Importa o que fazemos com o
que fizeram conosco.”
Jean-Paul Sartre
O que importa é como podemos
transformar aquilo que nos acontece.
Temos o poder de transformação.
FONTES PRINCIPAIS
360º filosofia: história e dilemas, volume único / Renato dos
santos belo. – 1. ed. – São Paulo:FTD,2015.
Fundamentos da filosofia: História e Grandes Temas, volume
único/Gilberto Cotrim. 17ed.São Paulo: Saraiva.
Filosofando: introdução à filosofia / Maria Lúcia de Arruda
Aranha, Maria Helena Pires Martins. – 5 ed. São Paulo:
Moderna, 2013.
Fundamentos de Filosofia / Gilberto Cotrim, Mirna Fernandes. -
- 4.e. – São Paulo: Saraiva, 2016.