Você está na página 1de 4

Atividade Virtual Nome: Juliana Alves Manoel - Curso: 2º ano de História

A partir do texto, Jean Paul Sartre nos apresenta uma dualidade, nos fazendo pensar se a essência precede a existência, ou se a existência precede a essência. Podemos dizer que a essência precede a existência, pois por mais que a existência tenha suas individualidades, a essência já está pronta e emoldurada quando passamos a existir, onde a moral e os costumes são universais, fazendo assim parte de um todo maior. Mas podemos também dizer que a existência precede a essência, segundo Jean Paul Sartre, pois em primeiro momento o homem passa a existir, e a partir de sua existência ele é capaz de encontrar uma essência para se definir. Sendo assim, para o filósofo, não é possível o homem existir sem uma essência e essa essência só se é alcançada posteriormente à sua existência.

“O homem é tão-somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após a existência, como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo”.

Portanto, o homem se forma da maneira que ele escolher, e essa escolha é apenas dele e de mais ninguém, com isso não pode culpar ninguém por suas escolhas, trazendo elas conseqüências frustrantes ou positivas. Desse modo, podemos expor que o primeiro passo para o existencialismo é o de conscientizar o homem da sua responsabilidade perante suas escolhas e sua existência. O homem tem a liberdade de escolher aquilo que ele quer ser de acordo com aquilo que ele julga ser o melhor para si mesmo, então, seria o homem de qualquer forma “um projeto que se vive a si mesmo”, pois ele planeja suas ações e decisões e às vive, pondo em prática aquilo que ele quis fazer de seu próprio ser, ou seja, o sentido que ele quis dar a sua existência é a essência que ele expele. Mas, não podemos esquecer de considerar que qualquer que seja a escolha feita pelo homem, ela estará sempre impregnada de valor, pelo fato de nos encontrarmos revestidos de valores perante uma época histórica em que vivemos. Com isso podemos analisar que escolhemos sempre o bem, nunca o mal, pois nossos valores nos remetem sempre a essa escolha, somos enquadrados por regras que nos define dessa forma, querendo sempre escolher o bem. Lembrando

que só sabemos o que é bom para nós a partir do momento que sabemos que é bom para o outro, pois todas as pessoas possuem a mesma concepção de bem segundo os valores objetivados por elas. Assim, atribuímos a nós valores externos a nossa vontade e iguais perante a humanidade. Dessa forma compreendemos quando o filósofo diz que ao escolhermos não estamos escolhendo sozinhos e sim escolhendo por todos universalmente, pois ao fazermos isso implicamos toda uma rede uniforme de conduta, assim nossas escolhas individuais são impossíveis de serem separadas dos valores da humanidade, dessa forma não existiriam as escolhas particulares. Assim, o homem independente de sua opção é responsável não apenas por si e sim por uma categoria universal. Podemos analisar então que o homem ao idealizar valores que imagina ser diferente para si acaba de qualquer maneira escolhendo o próprio homem universal, pois os valores no qual estamos inseridos não nos permite uma ampla possibilidade de revolucionar nesse campo, estamos a todo tempo limitados a essa moral e preso a uma moldura cultural e de valores, limitado à escolhas já feitas e sem poder ter autenticidade ao se definir, dessa forma nos obrigando a fazer nossas escolhas dentro das categorias já existentes. Escolhendo a mim acabo escolhendo à humanidade toda a minha volta. “Tudo se passa como se a humanidade inteira estivesse de olhos fixos em cada homem e os regrasse por suas ações”. Tudo isso nos remete a mais profunda angústia, mas de certa forma essa angústia nos leva a não nos inquietarmos e sim enxergar as possibilidades de escolha perante nós. Dostoievski disse “Se Deus não existisse, tudo seria permitido”, pois a moral e os valores não existiriam e assim o homem seria verdadeiramente livre. Podemos afirmar que o homem estaria condenado à liberdade, mas estaria desamparado, pois foi criado por si próprio, chegou ao mundo e é responsável por tudo aquilo que escolhe e faz e não poderia culpar outro por suas frustrações. E é nesse desamparo que decidirá sobre si mesmo. O existencialismo vê o homem como responsável por suas vontades e se algo o prejudica foi ele quem permitiu que acontecesse, pois ele tem o controle da situação, qualquer conselho ao homem seria insignificante, pois além de passar por sua interpretação individual, a escolha final será do indivíduo. O fato de Deus existir ou não, não mudaria nada, pois o ponto de vista do existencialismo é que o homem de defina por si próprio, não dependente da existência de um ser superior, o necessário é que o homem se reencontre e entenda

que nada pode salva-lo de si mesmo, é sempre ele quem têm o controle de sua existência. Ponge escreveu em um artigo: “O homem é o futuro do homem”, ou seja, o futuro está a ser traçado pelo próprio homem que é o dono do seu destino, sendo assim mais uma vez pensamos em um homem livre, mas desamparado sem um Deus. O existencialismo expressa que as pessoas são aquilo que elas escolhem ser, não nascem assim por mais que esteja inserida a um meio limitado a uma moral, a série de empreendimentos que formam o homem não podem ser definidas biológica ou psicologicamente.

“O existencialista quando descreve um covarde, afirma que esse covarde é responsável por sua covardia. Ele não é assim por ter um coração, um pulmão ou um cérebro covardes; ele não é assim devido a uma qualquer organização fisiológica; mas é assim porque se construiu como covarde mediante seus atos”

Para essa forma de pensamento, a única coisa que existe é a realidade, nada, além disso, por isso as pessoas acusam os existencialistas de serem pessimistas, mas na verdade podemos observar que o pensamento existencialista é na verdade um duro otimismo. Um otimismo real, sem explicações sobrenaturais, onde o homem é a explicação pro homem, ou seja, o homem se explica através de suas próprias escolhas particulares que ao mesmo tempo são individuais e universais perante a moral e a cultura que o envolve. Os acusam também de serem subjetivos, mas o existencialista entende o subjetivismo de outra maneira, ele o vê como “uma impossibilidade que o homem se encontra de transpor os limites da subjetividade humana”. Concluindo, o homem apesar de objetivizar códigos externos, é de qualquer forma responsável por suas escolhas, ações e pelo seu ser, definido por ele próprio. Dessa forma, no limite todos somos livres e a única esperança é a ação do homem, apenas seu ato o permite viver.

“Após essas reflexões, vemos que nada é mais injusto do que as acusações de que fomos alvo. O existencialismo nada mais é do que um esforço para tirar todas as conseqüências de uma postura atéia coerente. Esta não pretende, de modo algum, mergulhar o homem no desespero. Mas se, tal como fazem os cristãos, se decide chamar desespero a qualquer atitude de descrença, nossa postura parte do desespero original. O existencialismo não é tanto um ateísmo no sentido em que se esforçaria por demonstrar que Deus não existe. Ele declara, mais exatamente:

mesmo que Deus existisse, nada mudaria; eis nosso ponto de vista. Não que acreditemos que deus exista, mas pensamos que o problema não é o de sua

existência; é preciso que o homem se reencontre e se convença de que nada pode salvá-lo dele próprio, nem mesmo uma prova válida da existência de Deus. Nesse sentido, o existencialismo é um otimismo, uma doutrina de ação, e só por má fé é que os cristãos, confundindo o seu próprio desespero com o nosso, podem chamar-nos

de desesperados.”