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Trabalho - Referencial Teórico

Tema central:
Criação de uma unidade de proteção integral

Palavras chaves:
Tartarugas marinhas - Áreas de preservação - Desova - Reprodução - Conservação ambiental​

Questões da pesquisa:
Como as mudanças ambientais e climáticas influenciam o sucesso reprodutivo das tartarugas
marinhas?

Quais são as áreas prioritárias para a desova e reprodução das principais espécies de tartarugas
marinhas no litoral brasileiro?​


Quais são os desafios e limitações das Unidades de Conservação tradicionais na proteção das áreas de
reprodução das tartarugas?

Problemas abordados:
A fragmentação e degradação dos habitats costeiros, causada por atividades turísticas, construções e
desmatamento, que comprometem a qualidade dos locais de nidificação.

A ausência de políticas públicas integradas que articulem o monitoramento científico, o manejo


ambiental e a participação comunitária.

A dificuldade de adaptação das unidades de conservação às mudanças climáticas, principalmente no


que diz respeito ao aumento da temperatura da areia e seus efeitos sobre a incubação.​

1. Áreas prioritárias e conservação das espécies


Segundo Almeida et al. (2011), a Chelonia mydas possui áreas de desova predominantemente nas
ilhas oceânicas brasileiras, como Fernando de Noronha e Atol das Rocas, além de praias continentais
selecionadas do Nordeste. Já para Dermochelys coriacea, considerada “Criticamente em Perigo”, o
litoral norte do Espírito Santo é apontado como o único local regular de reprodução no país
(ALMEIDA et al., 2009). Da mesma forma, Lepidochelys olivacea é classificada como “Em Perigo”,
com maior concentração reprodutiva entre os estados de Alagoas e Bahia, especialmente no litoral
sergipano (COMIN DE CASTILHOS et al., 2009).

Esses autores adotam como critério principal de proteção a distribuição histórica e contínua das
desovas, defendendo a delimitação de Unidades de Conservação (UCs) que assegurem a integridade
dos locais onde as espécies já demonstraram filopatria — comportamento de retornar às praias de
origem para reprodução.

2. Descobertas recentes e estratégias adaptativas


Estudos mais recentes, como os conduzidos por Barata et al. (2023), indicam a emergência de novas
áreas de reprodução. A partir do monitoramento via satélite de indivíduos de D. coriacea, o autor
identificou o Delta do Parnaíba (PI) como uma segunda área reprodutiva regular da espécie no Brasil,
além da já conhecida faixa no Espírito Santo. Essa descoberta reforça a necessidade de estratégias de
conservação mais dinâmicas e adaptativas, capazes de incorporar novos dados científicos e ajustar as
fronteiras das áreas protegidas em tempo real.

Barata et al. (2023) defendem que a conservação de tartarugas marinhas deve considerar as mudanças
nos padrões migratórios e as alterações ambientais que influenciam o comportamento reprodutivo, o
que exige uma ampliação do monitoramento e uma maior flexibilidade na gestão territorial.

3. Importância da comunidade local e do manejo participativo


Além da atuação institucional, a literatura também destaca a relevância do envolvimento das
comunidades costeiras. Carneiro et al. (2019), por exemplo, relatam um caso de sucesso em Icaraí de
Amontada (CE), onde a população local identificou e protegeu espontaneamente um ninho de L.
olivacea, assegurando um alto índice de eclosão. Esse episódio evidencia o potencial do conhecimento
tradicional e da ação comunitária voluntária na conservação de áreas de reprodução, especialmente em
regiões ainda não contempladas por programas formais de preservação.

Paralelamente, dados do ICMBio e do Projeto TAMAR apontam que, nas mais de 25 localidades
monitoradas pelo programa, cerca de 80% dos ninhos permanecem em seu local original, com sucesso
significativo de eclosão, em grande parte devido à atuação conjunta entre técnicos e moradores
(ICMBIO, 2022).

4. Aspectos ambientais e desafios climáticos


A literatura também alerta para fatores ambientais que podem comprometer o sucesso reprodutivo.
Almeida et al. (2011) explicam que o sexo das tartarugas marinhas é determinado pela temperatura da
areia onde os ovos são incubados. Temperaturas mais altas favorecem o nascimento de fêmeas,
enquanto temperaturas mais baixas produzem machos. Com o avanço do aquecimento global, a
tendência é o aumento da feminilização das populações, o que compromete a estabilidade genética e
reprodutiva a longo prazo.

Embora essa variável ainda seja pouco abordada nos estudos de monitoramento em tempo real,
iniciativas como o Projeto TAMAR têm desenvolvido técnicas de relocação de ninhos e
sombreamento artificial, como forma de mitigar os efeitos da elevação térmica nas praias.

Referências:
ALMEIDA, A. P. de; MARCOVALDI, M. A.; SANTOS, A. J. B.; BELLINI, C. Avaliação do estado
de conservação da tartaruga-verde (Chelonia mydas) no Brasil. Biodiversidade Brasileira, n. 1, p.
20–27, 2011.

BARATA, P. C. R. et al. Delta do Parnaíba: uma nova área reprodutiva de tartarugas-de-couro é


identificada no Brasil. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 2023.

ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Aberta temporada de


reprodução das tartarugas marinhas: conheça os cuidados nas praias brasileiras. [s.l.], 2022.

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