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Leis do

Discurso
Funcionamento da linguagem
Profa. Dra. Rosana Helena Nunes




Ethos do orador
 O universo de sentido de qualquer discurso
impõe-se pela maneira de dizer que remete
à maneira de ser do orador. Com efeito, a
imagem construída pelo orador está ligada
à noção de ethos (termo da retórica
aristotélica que representa o caráter, a
corporalidade do orador, ou seja, por meio
da enunciação, revela-se a personalidade
do enunciador – “ou sou isto e não aquilo”
– imagem que pensa de si e sonha de si).

Discurso e linguagem
 “A noção de discurso é muito utilizada
por ser o sintoma de uma modificação
em nossa maneira de conceber a
linguagem. O discurso é orientado não
somente porque é concebido em função
de uma perspectiva assumida pelo
locutor, mas também porque se
desenvolve no tempo” (cf. Maingueneau,
2002).
Discurso – tipos
Discurso é uma orientação situada
para além da frase.
O discurso é orientado.
O discurso é uma forma de ação.
O discurso é interativo.
O discurso é contextualizado.
O discurso é assumido por um sujeito.
O discurso é regido por normas e é
considerado no bojo de um
interdiscurso.
A preservação da face
 Como a comunicação verbal é também uma relação
social, ela se submete como tal às regras que
costumamos chama de polidez. Transgredir uma lei do
discurso (falar fora do assunto, ser hermético, não dar as
informações solicitadas etc.) é se expor a ser chamado
de “mal-educado”. O simples fato de dirigir a palavra a
alguém, de monopolizar sua atenção já é uma intrusão no
seu espaço, um ato potencialmente agressivo. Esses
fenômenos de polidez estão integrados na teoria
denominada “das faces”, desenvolvida desde o final dos
anos setenta principalmente por Brown e Levinson[1], que
se inspiraram no sociólogo americano E. Goffman.
 [1] Politeness, Cambridge, Cambridge University Press, 1987.

As faces: positiva e negativa
Considera-se que todo indivíduo possui
duas faces; o termo “face” deve aqui ser
tomado no sentido que este termo possui
uma expressão como “perder a face”:
 Uma face negativa, que corresponde ao
“território” de cada um (seu corpo, sua intimidade
etc.);
 Uma face positiva, que corresponde à “fachada”
social à nossa própria imagem valorizante que
tentamos apresentar aos outros.

Ato de comunicação
 O ato de comunicação pode constituir uma
ameaça para uma ou várias dessas faces:
dar uma ordem valoriza a face positiva do
locutor, desvalorizando a do interlocutor;
dirigir a palavra a um desconhecido ameaça a
face negativa do destinatário (é uma intrusão
no seu território), mas também a face positiva
do locutor (que pode ser visto como sendo
excessivamente desinibido).
ETHOS DO ORADOR NO
DISCURSO
 A partir das considerações apresentadas
sobre o discurso, pode-se dizer que todo
ato de linguagem envolve determinadas
características (leis do discurso) e isso
representa a forma pela qual cada
participante interage para construir sua
face, ou seja, a construção do ethos do
orador.
Referências
 MAINGUENEAU. Dominique. Análise de
Textos de Comunicação. São Paulo:
Cortez, 2002.