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LEI DE RESPONSABILIDADE

FISCAL
• A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – Lei
Complementar nº 101 – entrou em vigor em 4 de
maio de 2000. Ela vem regulamentar a
Constituição Federal no que diz respeito à
Tributação e Orçamento (Título VI) e atender ao
artigo 163 da Constituição Federal.
• Esta lei prevê, portanto, um mecanismo de maior
controle nas contas públicas: passa a haver
maior rigor para que o governo não contraia
empréstimos ou dívidas.
• É um mecanismo de fiscalização e transparência.
• Antes da Lei, a administração pública, de modo
geral, não tinha o mesmo grau de compromisso
com o orçamento. Gastava-se dinheiro, muitas
vezes contando com verbas futuras incertas.
• A partir da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF,
esse ato passa a ser realizado com mais
parcimônia do gestor que gasta dinheiro e
orçamento.
• Se a despesa não estiver prevista no orçamento,
serão necessários cortes e ajustes.
• A Constituição Federal, ao consagrar o princípio
da moralidade administrativa como vetor da
atuação da administração pública, igualmente
consagrou a necessidade de proteção à
moralidade e há responsabilização do
administrador público, amoral ou imoral.
• Dessa forma, deve o Poder Judiciário, ao exercer
o controle jurisdicional, não se restringir ao
exame estrito da legalidade do ato
administrativo, mas, sim, entender por
legalidade ou legitimidade não só a conformação
do ato com a lei, como também com a moral
administrativa e com o interesse coletivo.
• A conduta do administrador público, em despeito
aos princípios norteadores da Lei de
Responsabilidade Fiscal e da moralidade
administrativa, enquadra-se nos denominados
atos de improbidade, a Lei nº 10.028/00 4
permite ao Ministério Público a propositura de
ação civil pública por ato de improbidade,
enquanto a Lei n° 8.429/925 permite ao Poder
Judiciário o controle jurisdicional sobre lesão ou
ameaça de lesão ao patrimônio público.
• O administrador público precisa ser eficiente,
ou seja, deve ser aquele que planeja o
orçamento pautado pela obediência à
objetividade e à imparcialidade.
• Igualmente, é aquele que produz o efeito
desejado da execução orçamentária, que dá
bom resultado, exercendo suas atividades sob
o manto da igualdade de todos perante a lei.
O Conteúdo da Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF)
• A origem jurídica da LRF vincula-se ao Capítulo II a
Constituição Federal, mais especificamente em seu
art. 163, ao determinar que uma LC deverá tratar das
finanças públicas, dívida pública externa e interna,
incluída as das autarquias, fundações e demais
entidades controladas pelo poder público, concessão
de garantias pelas entidades públicas, emissão e
resgate de títulos da dívida pública, fiscalização das
instituições financeiras, operações de câmbio
realizadas por órgãos e entidades da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e, por
último, a compatibilização das funções das instituições
oficiais de crédito da União, resguardando-se as
características de cada região brasileira.
• Quanto ao objetivo da LRF, nada mais é do
que o estabelecimento de normas de finanças
públicas, voltadas a implementar a
responsabilidade na gestão fiscal dos
mandatários dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, dos Tribunais de
Contas e dos Ministérios Público, dos
administradores de fundos e de entidades da
administração indireta, logo, quaisquer
ordenadores de despesas.
• O modelo de planejamento atual, associado
com a elaboração do orçamento, encontra-se
delineado na Constituição de 1988, ao longo
dos arts. 165 usque 169, que trata das
questões relativas ao Plano Plurianual (PPA), a
Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei
de Orçamento Anual (LOA), que receberá
ordenamento específico na LRF.
Equilíbrio das Contas Públicas
• Diferente do equilíbrio orçamentário, a Lei de
Responsabilidade Fiscal traz uma nova noção de
equilíbrio para as contas públicas: o equilíbrio
das chamadas “contas primárias”, traduzida no
Resultado Primário equilibrado.
• Significa que o equilíbrio a ser buscado é o
equilíbrio auto-sustentável, aquele que
prescinde de operações de crédito e, portanto,
sem aumento da dívida pública.
• Esta é a verdadeira tradução do slogan “gastar
apenas o que se arrecada” .
• Diante desta constatação nos vem a pergunta:
Nenhum ente público poderá endividar-se
(contratar operações de crédito) a partir da Lei de
Responsabilidade Fiscal ?
• A resposta é: certamente que pode.
• Entretanto, sabemos que a dívida pública é o
principal problema de ordem macroeconômica
enfrentado pelo País nos últimos tempos, em
todos os níveis de governo.
• O controle da dívida pública é o principal motivo
que podemos invocar para a elaboração de uma
lei como a LRF.
Execução Orçamentária e
Cumprimento das Metas
• A regra de execução orçamentária prevista no
art. 8º da LRF estabelece que a competência é
do Poder Executivo, no que se refere à
determinação da programação financeira,
bem como a fixação do cronograma de
execução mensal de desembolso, sempre
com base na LDO, devendo ocorrer num prazo
máximo de até 30 (trinta) dias da publicação
de seus orçamentos anuais (investimentos,
fiscal e da seguridade social).
• Tal dispositivo determina o estabelecimento
da programação financeira e o cronograma
de execução mensal de desembolso para a
União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
• Esta regra coloca o orçamento-programa
como peça fundamental na consecução dos
objetivos governamentais.
• Art. 8o Até trinta dias após a publicação dos
orçamentos, nos termos em que dispuser a lei
de diretrizes orçamentárias e observado o
disposto na alínea c do inciso I do art. 4o, o
Poder Executivo estabelecerá a programação
financeira e o cronograma de execução
mensal de desembolso.
• O Art. 9º determina que, ao final de cada
bimestre, seja feita a análise se a realização
da receita, permitindo-se o cumprimento das
metas de resultado primário ou nominal
assumidas no Anexo de Metas Fiscais.
• Caso ocorra insuficiência de receita, que não
permita o alcance das metas, deverão ser
realizadas limitações de empenho e corte de
gastos, conforme definido na LDO.
• Art. 9o Se verificado, ao final de um bimestre,
que a realização da receita poderá não
comportar o cumprimento das metas de
resultado primário ou nominal estabelecidas no
Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério
Público promoverão, por ato próprio e nos
montantes necessários, nos trinta dias
subseqüentes, limitação de empenho e
movimentação financeira, segundo os critérios
fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.
• O mecanismo definido na LC permite que,
uma vez recuperada a receita prevista, deve-
se proceder à recomposição dos empenhos
proporcionalmente às reduções efetivadas.
• Ressalte-se que as despesas que constituam
obrigações constitucionais ente, não estarão
sujeitos à regra da limitação.
• A metodologia na execução orçamentária
prevista na LRF (art. 10), em consonância com
a Constituição (art. 100), impõe o controle
sobre o pagamento dos precatórios, devendo-
se identificar os beneficiários dos pagamentos
por meio de sistema de contabilidade e
administração financeira.
Aspectos Operacionais
• Considerando que a realização das despesas
programadas dependerá das receitas
arrecadadas, a não realização das receitas
esperadas importa na impossibilidade de
realizar determinadas despesas.
• Ou seja, não havendo a arrecadação prevista,
parte das despesas programadas não poderão
ser executadas.
Despesa Pública
• A regra básica da LRF (art. 15), para todo e
qualquer aumento de despesa pode ser assim
traduzida: toda e qualquer despesa que não
esteja acompanhada de estimativa
orçamentário-financeiro nos três primeiros
exercícios de sua vigência, da sua adequação
orçamentária e financeira com a LOA, o PPA e
a LDO é considerada: não autorizada,
irregular e lesiva ao patrimônio público.
• A novidade aqui está no conceito de despesa
obrigatória de caráter continuado que, nos
termos do art. 17, é a despesa corrente:
• Derivada de lei, medida provisória ou ato
administrativo normativo;
• Geradora de obrigação legal de sua execução por
um período superior a dois exercícios.
• Ex: o pagamento de “bolsa-escola” para famílias
carentes que comprovem a frequência dos filhos
em idade escolar na rede pública de ensino;
Despesas com Pessoal: fiscalização e
controle
• Entre 1996 e 2000, o conjunto dos Estados
brasileiros gastou em média, 67% de suas receitas
líquidas (receitas disponíveis) com pagamento de
pessoal .
• O que acontece quando um ente público
despende 70% de suas receitas líquidas com a
folha de pagamento?
• Significa que restam 30% para a realização dos
serviços públicos básicos, como educação,
saneamento, saúde e segurança ...
• A LRF determina dois limites distintos para os
gastos com pessoal no setor público:
• 50% da RCL (receita corrente líquida)para a
União; e
• 60% da RCL para Estados e Municípios.
• Na esfera estadual, por exemplo o limite de
60% será repartido da seguinte forma:
• 2% para o Ministério Público;
• 3% para o Legislativo, incluindo o Tribunal de
Contas do Estado;
• 6% para o Judiciário; e
• 49% para o Executivo.
Renúncia de Receita
• A expressão renúncia de receita encontra-se
caracterizada como sendo o abandono ou
desistência expressa do ente federado
competente para sua instituição, sempre de
forma voluntária.
• No caso específico, a renúncia de receita ocorre
devido à concessão de incentivos fiscais, do
quantum devido ao Estado, e por isso o art. 14 da
LRF exige que, quando aplicada, deve vir
acompanhada de estimativa do impacto
orçamentário nos três primeiros exercícios de
sua vigência, respeitado o disposto na LDO.
• Deve ainda, em consonância com os incisos I e II
do art. 14, atender pelo menos uma das
seguintes condições :
• - a demonstração de que a estimativa de receita
já incorpora os efeitos da renúncia, sendo neutra
do ponto de vista das metas fiscais; e
• - a adoção de medidas compensatórias, nos
mesmos três exercícios financeiros, na forma de
aumento da receita tributária, quer seja por
meio de elevação de alíquota, ampliação de base
de cálculo, criação de tributo etc.
• Para a LRF, renúncia ocorre na forma de anistia,
remissão, subsídio, crédito presumido, concessão
de caráter não geral, alterações de alíquotas ou
modificações de base de cálculo etc.
• Qualquer aplicação destes institutos baseados
em medidas de compensação,devido à perda de
receita futura, somente terão validade quando a
compensação estiver em vigor e, resguardada a
certeza de que não há prejuízo à sociedade, a
expectativa da renúncia fiscal mostrar-se lucrativa
para a sociedade (§ 2º, art. 14, LRF).
Despesas com Seguridade Social
• A LRF praticamente repete o que dispõe a
Constituição Federal (§5º, art. 195).
• “Art. 195. A seguridade social será financiada por
toda sociedade, de forma direta e indireta, nos
termos da Lei, mediante recursos provenientes
dos Orçamentos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes
contribuições sociais.
• §5º Nenhum benefício ou serviço de seguridade
social poderá ser criado, majorado ou estendido
sem a correspondente fonte de custeio total.”
Transferências Voluntárias
• A transferência voluntária, definida no
capítulo V da LRF, é “a entrega de recursos
correntes ou de capital a outro Ente da
Federação, a título de cooperação, auxílio ou
assistência financeira, que não decorra de
determinação constitucional, legal ou
destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).”
• Para o ente que cede, a transferência
voluntária é uma despesa; para aquele que
recebe, trata-se de receita.
• Para que ocorra este mecanismo, deve-se
cumprir com as determinações da LDO e
respeitar exigências impostas pela LRF.
• A primeira exigência a ser destacada, com
relação à dotação, refere-se à vedação
imposta à “realização de despesas ou a
assunção de obrigações diretas que excedam
os créditos orçamentários, ou adicionais”.
• A segunda exigência a ser respeitada, também de
caráter constitucional, encontra-se na EC nº
19/98, ao proibir a:
• “transferência voluntária de recursos e a
concessão de empréstimos, inclusive por
antecipação de receita, pelos Governos Federal e
Estaduais e suas instituições financeiras para o
pagamento de despesas com pessoal ativo,
inativo e pensionistas, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.” (art. 167, X , CF).
• O mecanismo de transferência voluntária só se
encerra quando o beneficiário tiver cumprido
suas obrigações tributárias, empréstimos e
financiamentos devidos ao ente transferidor, e
que não haja pendência quanto a recursos
recebidos anteriormente deste mesmo ente.
• O dispositivo impõe uma condição a impedir que
o Ente seja beneficiado com transferências
voluntárias feitas por outro se estiver em débito
com este .
Sanções Institucionais para o
descumprimento da LRF
• As sanções institucionais correspondem à
interrupção de transferências voluntárias (e a
sua contratação) realizadas pelo Governo
Federal, ao impedimento de contratação de
operações de crédito e a impossibilidade para
a obtenção de garantias da União para a
contratação de operações de crédito externo.
• Com relação ao controle das operações de
crédito, o Banco Central é a instituição que
vinha acompanhando a dívida pública
brasileira, inclusive o volume de contratações
de operações de crédito de Estados e
Municípios. A partir da Resolução n° 43, de 21
de dezembro de 2001, este papel passa a ser
realizado pelo Ministério da Fazenda.
Sanções Pessoais
• Paralelamente às sanções institucionais,
descritas no próprio texto da LRF, o
descumprimento da LRF poderá representar
para o administrador público a aplicação de
penalidades penais e administrativas .
• A sanção penal, nos termos da Lei de Crimes,
recairá sobre aquele administrador público
que não seguir as regras gerais da LRF, desde
a confecção das leis orçamentárias nos
termos da LRF (artigo 4º), até a publicação de
todos os relatórios exigidos, passando pela
observação dos limites para contratação de
pessoal, serviços terceirizados e
endividamento.
• As sanções pessoais recairão diretamente
sobre o agente administrativo, importando na
cassação de mandato, multa de 30% dos
vencimentos anuais, inabilitação para o
exercício da função pública e detenção, que
poderá variar entre 6 meses e 4 anos.
Exemplos de ações e penalidades
Ultrapassar o limite de Despesa Total Cassação do mandato (Decreto-Lei nº
com Pessoal em cada período de 201, art. 4º, inciso VII).
apuração (LRF, art 19 e 20).

Expedir ato que provoque aumento da Nulidade do ato (LRF, art. 21);
Despesa com Pessoal em desacordo com Reclusão de um a quatro anos (Lei nº
a lei (LRF, art. 21). 10.028/2000, art. 2º)
Não obter o resultado primário necessário Multa de 30% dos vencimentos anuais
para recondução da dívida aos limites (Lei nº 10.028/2000, art. 5º, inciso III e §
(LRF, art. 31,§1º, inciso II). 1º).
Conceder Garantia em desacordo com a Cassação do mandato (Decreto-Lei nº
lei (LRF, art. 40). 201, art. 4º, inciso VII).
• Os crimes contra as finanças públicas não
excluem o seu autor da reparação civil do
dano causado ao patrimônio público.
• Certamente que a punição criminal baseada
na Lei de Crimes levará ainda o transgressor a
responder por outros crimes associados.
• No que se refere à apuração de irregularidades,
esta poderá ser motivada a partir de sindicâncias,
processo administrativo disciplinar, ou mesmo a
partir de comissões parlamentares de inquérito,
essas, a princípio de caráter político mas com
desdobramentos na esferas judicial.
• Já a denúncia de irregularidades poderá ser feita
pelos próprios órgãos públicos ou pelo cidadão,
devendo essas serem apuradas até que sejam
esclarecidos os fatos.
• Além disso, o convívio com a irregularidade,
sem a denúncia aos órgãos competentes
(Tribunais de Contas, Ministério Público), nos
termos do Código Penal configura-se como
crime de condescendência criminosa.