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História

Conquistas e Desafios dos Comitês de


Prevenção da Mortalidade Materna e
Infantil do Paraná
Morte Materna
Conceito:
• É a morte de uma mulher
Indicador do
durante a gravidez, durante o
nível de
parto e após o nascimento da
saúde de
criança (puerpério).
uma
população e O período vai desde a gravidez

da atenção até o 42º dia após o parto, ou até

à saúde das término

mulheres da gestação. (CID 10-OMS)


CONCEITO COMITÊS

Os Comitês de Prevenção da Mortalidade MATERNO e


INFANTIL são organismos de natureza interinstitucional,
multiprofissional e confidencial que visam identificar todos
os óbitos maternos e infantis para apontar medidas de
intervenção para sua redução na região de abrangência.

IMPORTANTE INSTRUMENTO DE

CONTROLE SOCIAL
(MS, Manual dos Comitês 2009)
PRIMEIROS COMITÊS DE MORTE
MATERNA
• EUA – 1931 FILADELFIA
• INGLATERRA-1952
• AMÉRICA LATINA-1987 CUBA
• BRASIL 1987 - SÃO PAULO (capital)

• PARANÁ-
1989 -MATERNO
1990 INFANTIL
( abrangência estadual)
COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE MATERNA DO PARANÁ
HISTÓRICO

1988 - “I SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE MORTALIDADE


MATERNA” com apoio do MS

INICIATIVA: DR Luiz Fernando Cajado de Oliveira Braga- médico


obstetra, prof. UFPR

1989/90- IMPLANTAÇÃO DO COMITÊ ESTADUAL + 22 REGIONAIS

Apoio Secretário de Saúde: Nizan Pereira


Luis Fernando
Cajado de
Oliveira Braga
foi Presidente do
Comitê Estadual
de Prevenção da
Mortalidade
Materna do
Paraná de 1989 a
1994, quando
faleceu.
COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE MATERNA DO PARANÁ

Contribuíram efetivamente na sua implantação


Luiz Fernando Braga
Eleusis Nazareno
Maria Leonor Fanini
Vera Hirata
Manoel Pires Paiva
Rose Fischer
Vania Muniz Néquer Soares
COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE INFANTIL DO PARANÁ
HISTÓRICO
• Tendo como base a experiência dos CPMM

• Implantado em 1994- nomeação de membros -


elaboração regimento interno

• Em 1998 realizado o I Treinamento de


Multiplicadores para Investigação dos Óbitos
Infantis e Organização dos Comitês Regionais.

• Formalização 1999- Resolução Estadual-Impulsionado


pelo Dr NEREU MANSANO - PEDIATRA
COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE MATERNA E INFANTIL DO PARANÁ
•2 Comitês Estaduais
14ª
MATERNO E O INFANTIL
17ª 19ª
15ª 18ª •22 Comitês Regionais
13ª •217 Comitês municipais
12ª 16ª
11ª •30 Hospitalares
22ª 21ª
20ª
5ª 3ª
10ª 2ª


8ª 4ª

7ª 6ª •Vigilância dos óbitos


nos 399 municípios
COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE INFANTIL DO PARANÁ

Características regimentais:
OBJETIVOS:
INTERINSTITUCIONAL,
• Monitorar os óbitos maternosMULTIPROFISSIONAL,
e infantis -sub- notificação/causas
CONFIDENCIAL.
• Avaliar a assistência à saúde materna e infantil- controle social
• Subsidiar as políticas públicas e ações de intervenção
• Contribuir para qualidade: assistência e informação.
• CONTRIBUIR PARA REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA E
INFANTIL

(MS. Manual dos Comitês ,2009)


COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE MATERNA DO PARANÁ
COMPOSIÇÃO
 SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE - PR
 UNIVERSIDADES :UFPR, PUC,EVANGÉLICA, IESPP, UEL, UEM,UNIOESTE
 CRM, COREN
 ABENFO, ABEN, ASSOCIAÇÃO MÉDICA
 SOGIPA
 HC, HUEC E HT
 FUNASA
 PASTORAL DA CRIANÇA
 MOVIMENTO DE MULHERES : REDE FEMININA DE SAÚDE, REDE DE MULHERES NEGRAS.
COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE INFANTIL DO PARANÁ
SECRETARIA DE ESTADO DA SAUDE DO PARANÁ

SECRETARIA DE ESTADO DO TRABALHO E PROMOÇÃO SOCIAL

UNIVERSIDADES:UNICENTRO,UEL,UEM,UEPG,FEPAR, FAFIPA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA

SOCIEDADE PARANAENSE DE PEDIATRIA

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE / FUNASA

HOSPITAL DE CLÍNICAS , MAT. ALTO MARACANÃ

ONGS CRIANÇA SEGURA, PASTORAL DA CRIANÇA

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE ARAUCÁRIA e CURITIBA


COMITÊS DE PREVENÇÃO DA MORTALIDADE MATERNO
PRESIDENTES/COLEGIADO
1989-1994 : Luiz Fernando Cajado Oliveira Braga, médico UFPR

1995-1997 : Vânia Muniz Nequer Soares, enfermeira SESA

1998-1999 : Hélvio Bertolozzi Soares, médico UFPR

2000-2001 : Alaerte Leandro Martins, enfermeira ABEn - PR

2002-2003 : Fernando César Oliveira Júnior, médico UFPR

2004-2005 : Eliana Portella Carzino, enfermeira PUC

2006-2007 : Edson Taques, médico - SESA

2008-2009 : Eliana Portella Carzino, enfermeira ABENFO – Pr

2010-2012: COLEGIADO-Eliana Carzino , Ligia Cardieri, Luiz Carzino

2013-2015: COLEGIADO- Fernando Oliveira, Vânia Muniz, Eliana Carzino


COMITÊ DE PREVENÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL
PRESIDENTES
1994: Cléia Maria Conrado

1998-1999: Nereu Henrique Mansano

1999-2001: Nereu Henrique Mansa

2001-2003: Nereu Henrique Mansano

2003-2005: Aristides Schier da Cruz

2005-2007: Aristides Schier da Cruz

2007-2009: Evanguelia Athanasio Shwetz

2009-2011: Evanguelia Athanasio Shwetz

2012- 2013- Luiz Carlo Bagatin


COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE INFANTIL DO PARANÁ

LOCAL E APOIO-
SECRETARIA ESTADUAL DA SAÚDE : vinculado ao
Departamento de Epidemiologia – possui uma sala, com
movies e computador e uma assessoria comitês-
enfermeira

REUNIÕES MENSAIS com cronograma anual.


FINANCIAMENTO
INICIAL materno: MINISTÉRIO DA SAÚDE, OPAS e UNICEF
e UNFPA
POSTERIOR: VIGISUS - recursos da epidemiologia.
Atualmente –sem financiamento
COMITÊS DE PREVENÇÃO DA
MORTALIDADE MATERNA - PARANÁ

AÇÕES DESENVOLVIDAS
Todas as definidas pelo Ministério da Saúde- Manual
comitês 2007 e 2009

• Vigilância epidemiológica dos óbitos


• Educação/informação
• Divulgação/mobilização
• Normativa e assessoria
ACÕES DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

• ORGANIZAÇÃO DA REDE DE VIGILÂNCIA DOS ÓBITOS


MATERNOS E INFANTIS MUNICIPAL

• CRIAÇÃO DOS SISTEMAS INFORMATIZADOS PARA


DIGITAÇÃO DOS DADOS DAS FICHAS DE INVESTIGAÇÃO

• CORREÇÃO DA SUB-NOTIFICAÇÃO DOS ÓBITOS NO SIM


TELA
SIMI

TELA
MORMATER
ACÕES DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

• UTILIZAÇÃO SISTEMATICA DO MÉTODO “ RAMOS”


REPRODUCTIVE AGE MORTALITY SURVEY –
INVESTIGAÇÃO DE TODAS AS MIFs

• SOLICIATDO COPIA PRONTUÁRIOS ,ENTREVISTA FAMILIA

• “ELABORAÇÃO DE ESTUDOS DE CASO DE TODOS OS


ÓBITOS MATERNOS”

• IDENTIFICANDO DAS CAUSAS REAIS DO OM E


DETERMINANTES DAS MM
• ESTUDO DE CASO

• CASO Nº 12 - 2ªRS / 2010- 13182685 – PHS 17 anos, branca, casada,


estudante, sem informação da escolaridade, renda familiar 2 salários mínimos,
residia com 4 pessoas no domicílio na zona urbana de Curitiba.
• ANTECEDENTES E FATORES DE RISCO – G I P 0 adolescente, faltava
as consultas de pré-nata e difilculdade de localização da paciente, uso de drogas
• DADOS DO PRÉ-NATAL –
• DADOS DO PARTO OU ABORTO – Em 10/9/10 3:20h Parto Normal .
• DADOS DE ANESTESIA – local
• DADOS DO RN – Natimorto, peso 2400g,35-36 semanas (eco).
• DADOS DO PUERPÉRIO – atonia uterina, hemorragia e choque.
• DADOS DO ÓBITO – Óbito em 12/9/10 às 6:36h, no HOSP B.
• DADOS DA ATENÇÃO HOSPITALAR –
• RELATO DA FAMÍLIA – Familiares procuraram a US, conversaram com ASL
e o médico no sentido de procurar culpados. Não forneceram informações sobre
situações de risco que a adolescente e que souberam depois da possibilidade de
uso de drogas. A ASL solicitou a carteira de pré-natal no domicilio mas o pai
negou em tom ameaçador.
• DADOS DA NECRÓPSIA – Placenta de terceiro trimestre com aceleração da
maturação, necrose fibrinoide vilositaria, compatível com HA materna.
.CAUSA NA D.O.
Parte I a) Choque refratário
b) CIVD
c) Eclâmpsia
d)
Parte II Insuficiência Hepática Aguda
• CLASSIFICAÇÃO DO ÓBITO
Causa básica do óbito após investigação: ECLAMPSIA NA GRAVIDEZ
CID – O 15.0
Tipo de óbito – Obstétrico direto.
Morte materna declarada na causa básica da DO– Não
Identificação do OM pelos campos 43 e 44 – Não preenchidos.
Evitabilidade – Evitável.
Responsabilidade – Social, ambulatorial, paciente, ambulatorial
• COMENTÁRIOS
Assistência – A situação social reflete a realidade de muito bairros de Cutitiba. Paciente com
pré-eclâmpsia grave, não identificada na US, assim como não foi avaliada de forma adequada e
conduzida ao Hospital. Foi para o Hosp A após crise convulsiva em casa. (Eclampsia).Admitida
às 19:15h no hosp A com 35 semanas e óbito fetal.O parto vaginal ocorreu às 03:20h, evoluiu
com atonia uterina, hemorragia pós parto e síndrome HELLP. O HospitalA por ser um Hospital
para referência de baixo risco não tinha o suporte de vida necessário para esta paciente,
associado a isto não recebeu conduta adequada para o quadro. A paciente do SUS não conseguiu
vaga pela regulação de leitos do Estado para UTI, sendo liberada vaga pelo diretor técnico do
Hosp B. A demora em conseguir a vaga e a transferência para UTI e a ausência de estrutura para
alto risco no Hosp A foram elementos que contribuíram para o óbito da paciente. O atendimento
no Hospital de transferência foi adequado, porém tardio.
• Prevenção – 1C, 1D, 2A, 2C, 2D, 5A, 6B
ACÕES EDUCATIVAS/ INFORMATIVAS

• I FORUM NACIONAL DE MORTALIDADE MATERNA

• SEMINÁRIOS ANUAIS e REGIONAIS DE AVALIAÇÃO


E ATUALIZAÇÃO DOS COMITÊS

• DIA ESTADUAL DE PREVENÇÃO DA MORTALIDADE


MATERNA- 28 DE MAIO

• TELECONFERÊNCIAS

• APOIO NAS CAPACITAÇÕES PROFISSIONAIS


SEMINÁRIO ESTADUAL ANUAL
Seminários Regionais
APOIO NAS CAPACITAÇÕES
TELECONFERÊNCIA DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS
AÇÕES EDUCATIVAS

. FOLDERS

. CARTAZES

. CARTILHAS

. NORMAS

. KITS EDUCATIVOS
MATERIAIS EDUCATIVOS ELABORADO PELOS
COMITÊS COM AMPLA PARTICIPAÇÃO DE SEUS MEMBROS

FOLDER PRENATAL CARTILHA MANEJO


PRÉ-ECLÂMPSIA

SOGIPA

CARTAZ PRE-NATAL
ESTUDOS DE CASO DESE 19994
MATERIAIS EDUCATIVOS
KIT ECLÂMPSIA

KIT AULA
AÇÕES DE DIVULGAÇÃO

• RELATÓRIO SITUACIONAL ANUAL MM

• CADERNOS COM ESTUDOS DE CASO

• Boletim do Comitê Estadual “ VIGIAR PARA PROTEGER”

• ESTUDOS ESPECÍFICOS APRESENTADOS EM EVENTOS


CIENTÍFICOS

• ELABORAÇÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS

• MATÉRIAS PARA MÍDIA- ENTREVISTAS


CÂMARA TÉCNICA DE

ESTUDOS DE ÓBITOS

MATERNOS
ACÕES DE ASSESSORIA E CONTROLE OCIAL

Subsídios com dados e proposta de estratégias para redução das


MM para Planos Estaduais e Municipais de Redução de Mortalidade
Materna: Protegendo a vida /Nascer no Paraná Direito a Vida/Mãe
Curitibana / Mãe Paranaense/outros municipais

 Seminários fortalecimento comitês regionais e municipais

 Relatório para o gestor estadual com destaque de eventos sentinela


2010, aumento da MM por DHEG e Hemorragia pos parto.

 Monitoramento do número de MM 2011 a 2013, que passou a ser


controlado pelo departamento de VE
AÇÕES NORMATIVAS

PROTOCOLO DE RESOLUÇÕES :
CONDUTAS:  Presença do acompanhante e
 Hemorragias obstétricas parto humanizado
 Manejo da pré-  Obrigatoriedade do partograma,
eclâmpsia vinculada à emissão de AIH
 Indicação cesáreas  Normatiza a vigilância dos óbitos
 Partograma infantis

 Urocultura  Rotinas para exame de urocultura


em gestantes
CONQUISTAS e AVANÇOS
• Comitês atuantes, de forma sistemática e ininterrupta
• Criação de um sistema de vigilância abrangente e
informatizado para os óbitos maternos e infantis
• Ampla representatividade e participação democrática
de seus membros
• Rigor dos dados e análises
• Visibilidade da mortalidade materna
• Correção da sub-notificação dos óbitos maternos e das
causas do óbitos maternos e infantis
• Proposição de medidas e estratégia de redução dos
óbitos maternos e infantis com ampla base
epidemiológica
• Redução da mortalidade materna e infantil no Paraná
Premissa dos comitês:
GARANTIA MATERNIDADE SEGURA
“Identificar os determinantes da mortalidade materna
e agir positivamente na busca de resultados é mais
importante do que saber apenas o nível preciso de
magnitude de mortalidade materna e , ou seja, é
necessário saber quantas mortes ocorrem, mas é
muito mais relevante saber o porquê morrem
e definir estratégias para sua redução”.

Beyond the numbers: reviewing maternal deaths and


complications to make pregnancy safer; OMS2004
DESAFIOS PARA OS COMITÊS
• EXERCER EFETIVO CONTROLE SOCIAL EXIGINDO QUALIDADE NA

INVESTIGAÇÃO E DA ASSISTÊNCIA MATERNA E INFANTIL

• APROFUNDAR E DEMONSTRAR OS REAIS DETERMINANTES

DA MORBI-MORTALIDADE MATERMA E INFANTIL-ANALISE


DETALHADA DAS CAUSAS MMI – APONTANDO COMO EVITA-LAS

• AMPLIAR AS PARCERIAS PARA SEU CONTROLE.


DESAFIOS PARA OS GESTORES
• Implementar as ações e recomendações dos comitês,
dentre outras.

• Reduzir os óbitos maternos em 6% ao ano até 2015 (seis


anos) para atingir os objetivos do milênio

• Reduzir a mortalidade infantil abaixo de 10 por mil


nascidos vivos.

• Garantir o direito a vida das futuras gestantes e das


crianças paranaenses
Razão e Tendência de Morte Materna. Paraná, 1990 a 2011*

100,00
86,9
90,00
86,3
93,8
90,5 82,0 79,0
77,8
80,00 74,4 69,7 74,4
86,1 66,4
81,6 65,3 61,5
70,00 61,8

60,00 65,7
58,0 60,3 57,6
50,00 57,6
50,4
40,00

30,00 *
20,00

10,00

0,00

90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11
19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20

•Lenta redução da mortalidade materna no estado desde


1990, apenas 2% ao ano ou 28% no total
•Taxas ainda permanecem acima do recomendado-
20/10000Nv