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III SEMANA DE GESTÃO

PÚBLICA
MINICURSO
METODOLOGIA DE
PESQUISA
Luiz Ismael Pereira
Professor Substituto do IPPUR/GPDES
Doutor em Direito Político e Econômico
Funções da metodologia:

 1. Auxilia a como fazer a pesquisa e produzir o conhecimento;


 2. Dá acesso aos caminhos do conhecimento científico de
determinado(a) pesquisador(a);
 3. Permite que novas técnicas possam responder perguntas em
aberto;
 4. Cria novas questões.

PORQUE PENSAR A METODOLOGIA


 Tema (e sua delimitação);
 Problema de pesquisa;
 Hipótese de pesquisa;
 Objetivos (geral e específico);
 Método;
 Cronograma de pesquisa;
 Sumário provisório;
 Referências.

ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA


– (INICIAÇÃO CIENTÍFICA)
 É o assunto que se deseja desenvolver;
 Pode surgir:
 de uma dificuldade prática enfrentada pelo pesquisador;
 de uma curiosidade científica;
 de desafios encontrados na leitura de outros trabalhos;
 da própria teoria.

O TEMA DA PESQUISA
FATORES INTERNOS: FATORES EXTERNOS:

 inclinações, as aptidões e as  tempo disponível pra pesquisa


tendências pessoais; (dedicação e até a entrega
final);
 assunto compatível com as
qualificações pessoais;  existência de obras pertinentes
ao assunto (bibliografia
 encontrar um objeto que
suficiente);
mereça ser investigado
cientificamente e tenha  possibilidade de consultar
condições de ser formulado e especialistas e bancos de dados
delimitado em função da institucionais;
pesquisa.  Financiamentos em projetos
maiores.

DELIMITANDO O TEMA
O que evitar:
 Assuntos sobre os quais foram feitos excessivos estudos;
 Temas muito amplos que são inviáveis como objeto de pesquisa
aprofundada ou conduzem a divagações, discussões
intermináveis, repetições de lugares comuns ou “descobertas” já
superadas.

Como evitar:
 Delimitação do tema: sujeitos, objeto, tempo, espaço.

O QUE LEVAR EM CONTA NA


DELIMITAÇÃO DO TEMA
EXEMPLOS DE DELIMITAÇÃO DO TEMA

SUJEITOS:
Territórios quilombolas na Cidade do Rio de Janeiro: política pública,
regularização fundiária, atores e Estado (Dissertação 2016 – IPPUR/UFRJ).

OBJETO:
Políticas públicas de saúde no cárcere: uma análise do Plano Nacional de
Saúde no Sistema Penitenciário (TCC 2016 – FD/Mackenzie).

TEMPO:
O papel da comunicação e participação popular no processo de
licenciamento ambiental: o caso da legislação do Estado do Rio de Janeiro a
partir de 1975 (TCC 2017 – IPPUR/UFRJ).

ESPAÇO:
A pesca artesanal em Paraty: conflitos e desafios para a gestão ambiental
(TCC 2016 – IE/UFRJ)
 “na acepção científica, problema é qualquer questão não
solvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do
conhecimento” (GIL, 2008, p. 33).
 Aquilo que motiva o início da pesquisa.
 Pensa em como são as coisas, causas, consequências, natureza,
sistematização teórica.
 Há níveis de problemas, que variam de acordo com a
complexidade da pesquisa (IC, monografia, dissertação, tese,
projeto de pesquisa etc.).

PROBLEMA DE PESQUISA
 O que NÃO É problema de pesquisa?
 Problema de “engenharia”: não estão relacionado a como são as
coisas, suas causas ou consequências, mas como fazer. São
questões de planejamento.

 Exemplos de problemas de engenharia:


Como resolver a desigualdade social?
O que fazer para aumentar a participação popular na política?
Como resolver o problema do déficit habitacional?

 Fornecer sugestões não necessariamente é científico.

PROBLEMA DE PESQUISA
 O que NÃO É problema de pesquisa?
 Problema de “valor”: questionam se a coisa é boa, má, desejável,
melhor, pior, se deve ou não ser feita etc.

 Exemplos de problemas de valor:


Qual o melhor modelo de Estado?
As linhas de crédito do PMCMV são boas para os mais pobres?
Os pais devem dar palmadas nos filhos?

 A pesquisa científica deve trabalhar com aquilo que pode ser


verificável, manipulável, testado (por dados, teorias, observações
etc).

PROBLEMA DE PESQUISA
 Para um bom problema de pesquisa, ele deve:
 Ser uma pergunta;
 Não ser genérico, mas delimitado de acordo com a complexidade
(IC, monografia, dissertação, tese etc.);
 Ser claro e preciso, com o real significado e extensão em que os
termos são utilizados;
 Ter referências (empíricas ou teóricas);
 Ser factível (é possível acessar os dados em que propõe a
delimitação do problema?);
 Ser ético (se aplicados a animais seres humanos, deve passar pelo
Comitê de Ética e Pesquisa e ser registrado na Plataforma Brasil).

PROBLEMA DE PESQUISA
 Sugerir explicações para os problemas de pesquisa;
 São verificadas, se verdadeiras ou falsas, após a pesquisa;
 Pode surgir por: i) observação de fatos; ii) resultados de
pesquisas anteriores; iii) derivação de teorias; ou iv) palpites ou
intuição;
 Problemas claros, precisos, embasados e factíveis levarão a
hipóteses no mesmo nível;

HIPÓTESE DE PESQUISA
 Objetivo geral: o que se pretende ao final da pesquisa (o último
degrau de uma escada).
 Ex.: “O objetivo geral do presente trabalho é pesquisar...,
comparar..., analisar..., compreender... NUNCA demonstrar...,
pois a pesquisa já estaria terminada.

 Objetivos específicos: os passos tomados para chegar ao


objetivo geral (os degraus a subir para chegar o último degrau
da escada).

OBJETIVO GERAL E ESPECÍFICOS


 FERREIRA, Fátima Regina Cordeiro Fonseca. Autogestão e habitação: entre
utopia e mercado. Tese (Doutorado em Planejamento Urbano e Regional).
Rio de Janeiro: UFRJ, 2014.

EXEMPLO DE OBJETIVO GERAL


 FERREIRA, Fátima Regina Cordeiro Fonseca. Autogestão e habitação: entre
utopia e mercado. Tese (Doutorado em Planejamento Urbano e Regional).
Rio de Janeiro: UFRJ, 2014.

EXEMPLO DE OBJETIVOS ESPECÍFICOS


 Procedimentos intelectuais e técnicos utilizados pelo(a)
pesquisador(a) para a produção de conhecimento;
 O que determinará a escolha do método?
 A natureza objeto de pesquisa;
 Os recursos materiais disponíveis;
 O nível de abrangência do estudo;
 A epistemologia/referencial teórico do(a) pesquisador(a).

MÉTODO DE PESQUISA
 Quem pesquisa deve se preocupar com o tempo disponível
para leituras, fichamentos, acesso a dados, tratamento dos
dados, escrita, revisão e formatação, relatórios parciais, e
apresentação de resultados parciais em eventos;
 Ter em mente os prazos para relatórios finais e entrega do
trabalho final;
 Ter comprometimento com o cronograma e, acima de tudo

SER REALISTA COM O TEMPO DISPONÍVEL PARA A PESQUISA!

CRONOGRAMA
 Quem pesquisa deve se preocupar com o tempo disponível
para leituras, fichamentos, acesso a dados, tratamento dos
dados, escrita, revisão e formatação, relatórios parciais, e
apresentação de resultados parciais em eventos;
 Ter em mente os prazos para relatórios finais e entrega do
trabalho final;
 Ter comprometimento com o cronograma e, acima de tudo

SER REALISTA COM O TEMPO DISPONÍVEL PARA A PESQUISA!

CRONOGRAMA
CRONOGRAMA
 Serve de guia para a escrita do trabalho;
 Deve ser instigante: usar títulos interessantes;
 Sumário simples: segue a lógica da pesquisa, do mais complexo
ao mais específico e importante;
 Sumário desafiador: começa pela questão mais desafiadora,
explicitando suas causas e consequências no decorrer do
trabalho;
 Pensar junto com Orientador(a);

SUMÁRIO
1. O Estado; 1. Ideia e realidade do Estado
1.1 O Estado de Democrático de Democrático de Direito (EDD) no
Direito; Brasil;
1.1.1 A origem do Estado
Democrático de Direito; 1.1 A proposta do EDD;
1.1.2 O Estado Democrático de
Direito na História do Brasil; 1.2 As tentativas de implantação
1.1.2.1 Constituição de 1946; democrática de Estado no Brasil;
1.1.2.2 Constituição de 1967 e
Ditadura; 1.3 Democracia tentada e
1.1.2.3 Constituição de 1988; democracia golpeada: Estado
1.1.3 Os processos de brasileiro pós-redemocratização;
Impeachment e a quebra do
Estado Democrático de Direito;
1.2 xxxxxxxxxxxxxxxxxx
1.3 xxxxxxxxxxxxxxxxxx

SUMÁRIO
 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS: ABNT!

 NBR 6023:2002 - Informação e documentação - Referências –


Elaboração.
 NBR 14724:2011: Informação e documentação — Trabalhos
 acadêmicos — Apresentação.
 NBR 10520:2002 – Informação e documentação - Citações em
documentos.
 Manual para elaboração e normalização de trabalhos de
conclusão de curso UFRJ – 2011.
 Guia prático para normalização de trabalhos acadêmicos
IPPUR/UFRJ - mar 2015.

REGRAS FORMAIS DE FORMATAÇÃO


 Preferência pelo sistema autor-data. Notas de rodapé, apenas,
para notas explicativas, traduções, dados etc.

 Citação direta: Transcrição textual de parte da obra do autor


consultado.
 Ex: Oliveira e Leonardos (1943, p. 146) dizem que a "[...] relação
da série São Roque com os granitos porfiróides pequenos é
muito clara."
 Citação indireta: paráfrase, ou texto baseado na obra do autor
consultado.
 Ex: Temby (2002a) afirmava que a evolução do sistema de
defesa do organismo foi influenciada pelo tempo. E, em outro
momento, complementou (2002b) que isso é uma real
constatação quando falamos em anticorpos.

CITAÇÕES
 Ordem alfabética ao final do trabalho;
 Quando o autor se repetir, usar espaço de 6 vezes “_” para indicar
o mesmo autor.

 Livro:
Ex: HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos
conflitos sociais. 2.ed. Tradução de Luiz Repa. São Paulo: Ed. 34, 2009.

 Artigo de periódico:
Ex: MOREIRA, Adilson José. Direito, poder, ideologia: discurso jurídico
como narrativa cultural. Direito e Práxis. Rio de Janeiro: UERJ, v. 8, n. 2,
2017, pp. 830-868. Disponível em: http://www.e-
publicacoes.uerj.br/index.php/revistaceaju/article/view/21460 .
Acesso em: 28 ago. 2017. DOI: 10.12957/dep.2017.21460.

REFERÊNCIAS - ABNT
 Capítulo de livro:
Ex: ALMEIDA, S. L.. Capitalismo e crise: o que o racismo tem a ver
com isso?. In: OLIVEIRA, Dennis de. (Org.). A luta contra o racismo
no Brasil. São Paulo: Edições Fórum, 2017, pp. 187-198.

 Anais de Congressos:
Ex: RIBEIRO, L. C. Q. ; COSTA, L. G. ; SALATA, A. R. ; RIBEIRO, M. G.
Classes Sociais e as Desigualdades de Acesso às Tecnologias da
Informação e Comunicação. In: Anais do XV Congresso Brasileiro
de Sociologia, 2011, Curitiba - PR, 2011.

REFERÊNCIAS - ABNT
Citação no corpo do texto Citação com recuo

EXEMPLOS
EXEMPLO DE
REFERÊNCIAS
O problema do plágio:

 O plágio é, em termos simples, a cópia de trechos de obra ou


de ideias de outro(a) autor(a), sem os devidos créditos.
 O plágio direto, copia trechos inteiros de outra obra;
 o plágio indireto, embora modifique as palavras, não dá crédito
à ideia original;
 o autoplágio reproduz trabalho anteriormente publicado,
dando, no segundo momento, a ideia de ineditismo que já não
existe.

ÉTICA NA PESQUISA
 1. Tema bem delimitado;
 2. Problema de pesquisa;
 3. Hipótese inicial; RESUMO
 4. Objetivo geral (onde chegar);
O que um projeto
 5. Objetivos específicos (passo a passo
para chegar no objetivo geral); deve conter:
 6. Método (dados, onde consegui-los,
análise qualitativa, quantitativa,
metodologia de análise, referencial
teórico);
 7. Cronograma real;
 8. Sumário provisório;
 9. Referências.
 Resumo: sintetiza as ideias principais de um documento após a
leitura do conteúdo, reduzindo sua extensão.
 Fichamento: método de armazenamento de informações após
consulta ao material, para facilitar posterior consulta e citação
no trabalho.
 Resenha: análise comparativa e/ou crítica do conteúdo de um
documento (livro, artigo, relatório etc.). Aponta-se a opinião do
resenhista, sem, contudo, perder a escrita em terceira pessoa.

RESUMO, FICHAMENTO, RESENHA


FICHAMENTO:
- Incluir dados de referência;

- No fichamento de conteúdo, incluir as ideias


principais do autor;

- No fichamento de citações, incluir trechos da


obra fichada com o número da página para
posterior consulta.
RESENHA DESCRITIVA E RESENHA CRÍTICA
 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações: http://bdtd.ibict.br/vufind/

 Periódicos Capes: entrar pela Intranet da UFRJ

 Scielo: scielo.br

 Google acadêmico: https://scholar.google.com.br/

 Minerva: minerva.ufrj.br

 Pantheon: http://pantheon.ufrj.br/

ONDE PESQUISAR?
 luiz.Ismael@gmail.com

DÚVIDAS?