Você está na página 1de 17

EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA -

GASTON BACHERLAD

Cláudia Santana
Itanna Moreno
Manuela Almeida
Ana Carolina Ferreira
Ramires Carvalho
INTRODUÇÃO E OBRA

“Demasiadamente tarde, conheci


a boa consciência, no trabalho
alternado das imagens e dos
conceitos, duas boas
consciências, que seria a do
pleno dia e a que aceita o lado
noturno da alma.”
BIOGRAFIA
Nasceu no dia 27 de junho de 1884,
na França;

Morreu no dia 16 de outubro de 1962,


aos 78 anos;

Era um filósofo e poeta;

Aos 35 anos, iniciou os estudos de


filosofia, a qual também passa a
lecionar;

Tinha como principais interesses a


Filosofia da Ciência, Epistemologia,
Filosofia da Criação Artística,
Educação e Filosofia da Psicanálise;
PRINCIPAIS OBRAS
“A epistemologia” — 1971

No seu projeto epistemológico, tende para um pluralismo filosófico e assinala à filosofia o lugar entre
a ciência e a poesia, como linha de demarcação que permite a liberdade e a eficácia. A presente
compilação reúne algumas das ideias centrais da sua reflexão.

“A formação do espírito científico” — 1996

Trata-se basicamente do objeto do presente trabalho: obstáculos epistemológicos. Desde a


valorização subjetiva do objeto de estudo até a generalização gratuita e absurda, o autor faz uma
lista dos principais obstáculos ao conhecimento científico, analisando cada um em profundidade.

“O Novo Espírito Científico” — 1996

Capta o pensamento científico na sua dialética, realça o carácter inovador da ciência


contemporânea com o espírito de síntese que a anima, tal é o propósito de Bachelard. Para isso
sugere uma epistemologia, não-cartesiana, que apreenda o ritmo alternativo de atomismo e
energética, de realismo e positivismo, de descontínuo e contínuo, de racionalismo e empirismo,
próprio da história científica.
BACHELARD E A EPISTEMOLOGIA
HISTÓRICA:
O SURGIMENTO DA EPISTEMOLOGIA
BACHELARDIANA

“O espírito científico é essencialmente uma retificação do saber, um


alargamento dos quadros do conhecimento. Julga o seu passado
condenando-o. A sua estrutura é a consciência dos seus erros
históricos. Cientificamente, pensa-se o verdadeiro como retificação
histórica de um longo erro, pensa-se a experiência como retificação
da ilusão comum e primeira” (BACHELARD, 1996; p.120)
BACHELARD E A EPISTEMOLOGIA
HISTÓRICA:
O SURGIMENTO DA EPISTEMOLOGIA
BACHELARDIANA
“[…] A partir do momento em que
se medita na ação científica,
apercebemo-nos de que o realismo
e o racionalismo trocam entre si
infindavelmente os seus conselhos.
Nem um nem outro isoladamente
basta para construir a prova
científica… Não há lugar para uma
intuição do fenômeno que
designaria se uma só vez os
fundamentos do real, também não
há lugar para uma convicção
racional — absoluta e definitiva —
que imporia categorias
fundamentais aos nossos métodos
de pesquisas experimentais.”
AS NOÇÕES DE RUPTURA
EPISTEMOLÓGICA E
VIGILÂNCIA
Noção de ruptura epistemológica como um importante conceito diretamente ligado à
noção de retificação dos erros, na medida em que o conhecimento ocorre sempre
contra um conhecimento anterior, retificando o que se considerava sabido e
sedimentado.

• ”Por isso, não existem verdades primeiras, apenas os primeiros erros: a


verdade está em devir (...) o que sabemos é fruto da desilusão com aquilo
que julgávamos saber; o que somos é fruto da desilusão com o que
julgávamos ser” (LOPES, 1996, p.254)

Andrade e Smolka (2009) asseveram que o conceito de ruptura na obra


bachelardiana representa a preocupação com o avanço do conhecimento científico
por um caminho correto e, representa também, a não banalização do conhecimento
produzido. Para garantir a não cristalização do conhecimento e manter crítico o
espírito científico, torna-se necessária, assim, a noção de vigilância. Uma postura de
vigilância epistemológica seria responsável, então, por garantir um eterno
recomeçar demandado pelo verdadeiro espírito científico.
AS NOÇÕES DE RUPTURA
EPISTEMOLÓGICA E
VIGILÂNCIA
O conceito de obstáculo
epistemológico surge do
reconhecimento da existência de
forças de resistência ao processo de
ruptura entre o conhecimento comum
e o conhecimento científico. Os
obstáculos epistemológicos são
espécies de forças anti-rupturas,
pontos de resistência do pensamento
ao próprio pensamento, um instinto
de conservação do pensamento.

Três tipos de obstáculos: a


experiência primeira; a
generalização prematura e; o
obstáculo verbal.
AS NOÇÕES DE RUPTURA
EPISTEMOLÓGICA E
VIGILÂNCIA
A experiência primeira é o
obstáculo genuinamente
empirista. Bachelard (1996, p.
29) define que “o espírito
científico deve formar-se contra a
Natureza, contra o
encantamento, o colorido e o
corriqueiro [...] a natureza só
pode ser verdadeiramente
compreendida quando lhe
fazemos resistência”. O
obstáculo aqui surge com o
apagamento da ruptura, quando
ela se torna unidade,
continuidade, desenvolvimento.
AS NOÇÕES DE RUPTURA
EPISTEMOLÓGICA E
VIGILÂNCIA
Por sua vez, a generalização prematura é o obstáculo
genuinamente racionalista. Acontece no instante seguinte
às primeiras observações, quando já não há mais nada a
observar. Essa generalização apressada e fácil proporciona
um perigoso prazer intelectual que leva o pensamento à
imobilidade. O pensamento científico se engana quando
segue duas tendências contrárias: a atração pelo particular
e a atração pelo universal, que se caracterizam um, pelo
conhecimento em compreensão e outro, pelo conhecimento
em extensão.
AS NOÇÕES DE RUPTURA
EPISTEMOLÓGICA E
VIGILÂNCIA
Na sequência, Bachelard apresenta o obstáculo verbal, tomando um
exemplo clássico, o da esponja, para demonstrar a usual e abusiva
extensão do uso das imagens, às vezes incorporadas em um único
vocábulo, que pode constituir “toda a explicação”, porque vem
“carregado de adjetivos”, sendo “substituto de uma substância com ricos
poderes” (1996, p. 91).

• “Aqui, vamos tomar a simples palavra esponja e veremos que


ela permite expressar os fenômenos mais variados. Os
fenômenos são expressados: já parece que foram explicados.
São reconhecidos: já parece que foram conhecidos. Nos
fenômenos designados pela palavra esponja, o espírito não
está sendo iludido por uma potência substancial. A função da
esponja é de uma evidência clara e distinta, a tal ponto que
não se sente a necessidade de explicá-la (1996, p. 91).”
AS NOÇÕES DE RUPTURA
EPISTEMOLÓGICA E
VIGILÂNCIA
Segundo Bachelard, a metáfora da esponja, como uma imagem
generalizada, foi empregada por vários cientistas em referência a
substâncias e fenômenos diversos (ar, ferro, eletricidade, gelo),
designando a matéria comum. Criou-se o substantivo abstrato e o
conceito de “esponjosidade” como uma categoria empírica (o caráter
esponjoso), o que aparentemente teria sido um avanço em ciência.
Contra esse ponto de vista, ele alerta: “para ser coerente, uma
teoria da abstração necessita afastar-se bastante das imagens
primitivas” (1996, p. 94). Ideias primitivas, imagens particulares
podem transformar-se em esquemas gerais, em metáforas, em
“metáforas imediatas” – e “metáforas seduzem a razão” (1996, p.
97). Ele cita outros termos que têm efeito semelhante, sendo
levados, por analogia, a muitas esferas do saber: alavanca, espelho,
peneira, bomba, choque, pólvora.
CRÍTICAS AS FILOSOFIAS
VIGENTES
Diferenças epistemológicas entre Meyerson e Gaston
Bachelard
Filósofo francês de origem
polonesa (1859-1933).
Estudou química na
Alemanha e na França,
onde se instalou em 1882.
Dedicou-se a filosofia das
ciências e se opôs a
epistemologia positivista.
Entre suas obras, cabe citar
Identidade e realidade (907)
e Sobre a explicação das
ciências (1921) UAPLASSU:
MARCONDES, 2008).
CRÍTICAS AS FILOSOFIAS
VIGENTES
Diferenças epistemológicas entre Maine de Biran e Gaston Bachelard
Filósofo francês (1766-1824).
Desempenhou na vida política
diversos papéis importantes
(deputado e conselheiro de
Estado). Influenciou a reação
espiritualista que marcou a
filosofia francesa no início do
século XX. A oposição entre o
sentimento e a reflexão, entre
a passividade e a atividade,
são os temas principais de
Maine de Biran. Seu trabalho
filosófico foi realizado na forma
dF memórias, reflexões e
diário. Foi autor das obras: A
influência do hábito (1802), A
decomposição do pensamento
(805),
CRÍTICAS AS FILOSOFIAS
VIGENTES
Diferenças epistemológicas entre Auguste Comte e Gaston Bachelard
Filósofo francês 8-1857). Viveu
numa fase da história francesa em
que se alternavam regimes
despóticos e revoluções. Este
contexto propiciou em Comte um
descontentamento geral com a
política, bem como a uma crise dos
valores tradicionais. Em resposta a
esse estado de ânimo, Comte
combinou elementos da obra de
pensadores anteriores, bem como
de alguns contemporâneos,
derivando num corpo teórico a que
chamou de positivismo. Entre suas
obras cabe destacar: Sistema de
Filosofia Positiva (1848), Sistema
de Política Positiva (1851-54, quatro
volumes) e Síntese Subjetiva (1856)
(APLASSU: MARCONDES, 2008).
A CONSTRUÇÃO DO OBJETO
CIENTÍFICO
A utilização consciente de
um método de pesquisa,
como a construção do
objeto científico, leva o
cientista a chegar mais
próximo possível da
verdade do seu objeto, sem
com isso entender o
esgotamento do seu
estudo, dada a
característica dialética da
sociedade e do
conhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A filosofia de Bachelard é significativa na
medida em que agrega a dimensão
psicológica à dimensão epistemológica.
A formação do espírito científico só foi
possível a partir da retificação dos erros.
Isso nos leva a entender que o objeto
cognoscível não é um objeto imediato. A
percepção sensorial não se reverte
imediatamente em conhecimento
científico. É necessário passar os dados
empíricos pelo crivo da razão, de modo
a depurar os enganos e equívocos.
Bachelard (1996) afirma que um
conhecimento científico não pode se
fundamentar sobre um conhecimento
sensível, estimulado por pragmatismo e
ideias pré-concebidas.