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Conferencia 3. Contaminação da água.

Introdução.

Na aula anterior tratamos:

Contaminação ambiental: E a contaminação do solo, do ar,


da agua, ou da terra, provocada por lixo, produtos tóxicos,
fumaça , fogo ,etc.

Distintos tipos de contaminação: da água ou hídrica, do ar


ou atmosférica e do solo, química, térmica, biológica,
radioativa, mecânica e sonora.

Estudamos também a: Poluição Global, o Aquecimento


global e a chuva ácida.
Hoje trataremos com maior profundidade a contaminação
das águas.

1. Causas da contaminação.

A contaminação da água é um problema presente em muitos


lugares. Devido ao aumento da escassez da água por estar
contaminada e sem possibilidades de consumo para a grande
porcentagem dos consumidores de água potável, sendo eles
os comerciantes, as industrias e os consumos domésticos.

Com a necessidade de abastecer determinados locais onde a


contaminação se encontra mais elevada, a solução foi
pesquisar as causas de tanta poluição e quais são as
consequências derivadas dela.
Falta de tratamento de esgoto é uma das principais
causas de contaminação da água.
Em geral nos países em desenvolvimento o maior problema que
causa a contaminação é a falta de tratamento para os
esgotos domésticos, agrícolas e industriais, incluindo os
agrotóxicos, o que deixa a água em total contaminação.

Outro fator causador da contaminação é o contato da água


com produtos químicos tóxicos e ainda pela presença de
microorganismos patogênicos que devido aos tratamentos de
esgoto não serem de excelente qualidade resistem e
permanecem na água.

Esses produtos e substancias poluente podem ser


classificadas de duas maneiras, Biodegradáveis e
Persistentes, a primeira contêm substancias que em
determinado tempo se decompõem, por exemplo, inseticidas,
detergentes, fertilizantes, petróleo, etc.; e a segunda, as
substancias presentes em sua composição permanecem por um
prazo indeterminado.
A poluição de rios e lagos por esgotos domésticos,
indústrias, agrotóxicos e outros poluientes
2. Consequências da água contaminada.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 80%


das doenças que ocorrem nos países em desenvolvimento são
ocasionados pela contaminação da água. Cada ano, 15
milhões de crianças de zero a cinco anos de idade morrem
direta ou indiretamente pela falta ou deficiência dos sistemas de
abastecimento de águas e esgotos.

Ainda hoje, muitos municípios no mundo não têm forma de


processar os esgotos, o que afeta diretamente a qualidade das
águas de rios, mares e lagoas

Esse grande número de águas contaminadas ocasionam graves


problemas de saúde, já mencionados, e doenças como, por
exemplo, as causadas por bactérias, vírus, vermes e
protozoários, como amebíase, febre tifoide, giardíase, e outras.
Por poluir podemos entender também lançar substâncias em
quantidade acima da capacidade de autodepuração ou
dispersão do meio, ou de qualidade que não possa ser
absorvida pela natureza.

Por isso a água é poluída por um grande ramo de


produtos, podendo ser dividida pelas suas
características:

• Poluição pontual, onde o foco de poluição e facilmente


identificável como emissora de poluentes, como no caso de
águas residuais, industriais, mistos ou de minas.

• Poluição difusa, onde não existe propriamente um foco


definido de poluição, sendo a origem difusa, tal como
acontece nas drenagens agrícolas, águas pluviais e
escorrimento de lixeiras.
• Detritos marinhos ou lixo marinho, são resíduos de origem
humana, que foram feitos ou usados por pessoas que
deliberada ou involuntariamente acabam nos mares, foram
levados ao mar indiretamente pelos rios, inundações, esgotos
e águas servidas, ou vendavais; foram perdidos
acidentalmente, incluindo materiais perdidos no mar durante
tempestades (materiais de pesca, cargas); ou foram
deliberadamente deixados pelas pessoas nas praias e costas
atualmente constituem uma grande fonte de poluição marinha.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente inclui
nesta definição os detritos de águas interiores, como os rios e
lagos. e deliberadamente descartados nos mares, rios ou
praias; as

Existem formas de detritos marinhos que são produzidas


naturalmente, como os amontoados de plantas arrastados
pelas enchentes, embora a maior parte do problema atual seja
de origem humana.
O problema ainda não foi estudado em detalhe, mas muitos
estudos já foram feitos indicando que ele tem vasto impacto
ambiental, econômico e social.

O detrito marinho é um desafio de grandes proporções que


cresce a cada dia, é uma das mais onipresentes formas de
poluição e tem dado enormes prejuízos, e por isso tem
chamado a atenção internacional, mas as medidas adotadas
até agora têm sido insuficientes para a reversão de um quadro
que é muito preocupante e cuja repercussão é de longo prazo.

Os detritos são uma séria ameaça aos ecossistemas marinhos,


levam animais e plantas à morte por asfixia, intoxicação ou
ferimentos, interferem fisicamente no ambiente por
acumulação, são confundidos com comida por várias espécies
e a sua ingestão provoca graves danos nos seus organismos.
Detritos marinhos As águas cheias de
arremessados pela maré detritos da Baía de
em uma praia do Havaí. Minamata, Japão.
A cada ano, os mares recebem uma quantidade enorme, de
lixo e detritos diversos - alguns estudos sugerem que possam
ser até 7 bilhões de toneladas anuais, embora seja uma
estimativa extrema.

A maior parte, vai para o fundo, mas o restante flutua sobre as


águas, e atualmente boia uma média de 13 mil objetos ou
fragmentos plásticos por quilômetro quadrado de superfície.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


(PNUMA) considera detrito marinho “qualquer material
sólido, persistente, manufaturado ou processado, que é
descartado ou abandonado no ambiente marinho e
costeiro”.
Em certas áreas, chamadas zonas de convergência ou "giros",
sob a influência das correntes marinhas, se formam campos de
detritos flutuantes compactamente reunidos e com centenas de
quilômetros de extensão, como grandes lixeiras a céu aberto.

A situação é dramática: em algumas regiões, como a


Indonésia, há mais de 690 mil detritos por quilômetro quadrado
de leito marinho. Muito desse lixo acaba voltando à terra, e
polui as praias de todo o mundo, afetando os ecossistemas
costeiros e animais terrestres. Nos locais mais intensamente
poluídos, como as costas da Sicília, já foram registrados 231
itens a cada metro quadrado de praia.

Cerca de 70% dos detritos que permanecem próximos de


regiões costeiras urbanizadas têm origem em terra. Em áreas
distantes da civilização, a maior proporção de detritos deriva
de atividades pesqueiras e navais.
O problema está crescendo, e não diminuindo, a despeito dos
esforços que vêm sendo feitos para minimizar os impactos,
que repercutem no equilíbrio ecológico, na saúde humana, no
abastecimento alimentar, na economia, no turismo e no
desfrute estético e social dos ambientes naturais.

Uma grande variedade de fontes produz os detritos


marinhos: as cidades com seu lixo urbano, que acaba
parando em esgotos e rios e vai para o mar; as indústrias com
seus resíduos; o lixo de plataformas petrolíferas, o deixado por
turistas em praias; detritos oriundos de desastres e acidentes,
de atividades militares, da produção agrícola, da mineração, da
pesca, do comércio e do transporte de cargas e pessoas via
naval.

Todo esse lixo, além de poluir fisicamente os ambientes, os


polui quimicamente, liberando substâncias tóxicas.
O Plástico.

O principal detrito do mares são os objetos de plástico,


afetando todas as regiões oceânicas com bilhões de toneladas
de objetos diversificados a boiar pela superfície ou se
depositando no fundo marinho.

O plástico é um material onipresente na civilização


contemporânea, e o encontramos sob as mais variadas formas.
Por conseguinte, é também um dos mais descartados.

O plástico é um material que se degrada lentamente; conforme


o tipo, pode permanecer mais de 600 anos visivelmente no
ambiente antes de se decompor em fragmentos microscópicos,
misturando-se ao plâncton e finalmente infiltrando toda a cadeia
alimentar oceânica.
Restos de um albatroz revelando um estômago cheio de
objetos plásticos.
O plástico interfere nos ciclos naturais do oceano soterrando
criaturas que vivem no fundo, bloqueando parte da superfície
quando boia em grandes maciços, liberando substâncias
tóxicas, sendo confundido com alimento por várias espécies de
animais, mas, sendo indigerível, causa obstruções no seu tubo
digestivo, matando-os ou ferindo-os.

Cerca de 100 mil tartarugas, aves, focas e outros grandes


animais marinhos são mortos anualmente por plástico, mas
esses números são muito maiores somando-se outras
criaturas. Um dos objetos plásticos mais daninhos são as sacos
de compras, usadas aos bilhões em todo o mundo.

Uma pesquisa analisou em 1998 os objetos flutuantes no


Pacífico Norte e constatou que 89% deles eram de plástico. A
maioria dos outros estudos indica uma incidência majoritária do
plástico.
Materiais de pesca.

A atividade pesqueira é responsável por grande descarga no


mar de artefactos de pesca, tais como redes, linhas, boias,
tonéis ou anzóis. Nos últimos 50 anos a descarga acentuou-se,
devido ao aperfeiçoamento de técnicas e equipamentos, à
expansão da frota e à introdução das linhas e redes de plástico,
e se tornou tão relevante a ponto de ser frequentemente tratada
em separado.

Em 2002 foram coletadas 107 toneladas de linhas e outros


objetos pesqueiros somente no atol Pearl e Hermes, no Havaí.
No ano seguinte, foram retiradas mais 90 toneladas.

Algumas observações informais indicam que até 30 km de redes


são descartadas em cada viagem de navio pesqueiro no
Atlântico Norte, mas isso se deve repetir similarmente em todos
os mares.
Uma tartaruga verde encurralada numa rede de pesca
abandonada.
Essas redes abandonadas no mar causam a morte inútil de
milhões de peixes e outros animais todos os anos, pois mesmo
abandonadas continuam como antes a ser enormes e eficazes
armadilhas, que continuarão a capturar vítimas sem parar
durante séculos até que seu material se decomponha, mas sem
que ninguém aproveite o produto dessa "pesca fantasma", como
é chamada.

Linhas, cordas e redes se enredam em hélices de navios,


danificando-as, obstruem tubulações e sistemas de
bombeamento de água, e complicam a própria atividade
pesqueira e a navegação em geral, tornando-se um problema de
todos. Já existem áreas no oceano que são evitadas pelos
navios de pesca devido à grande quantidade de redes
abandonadas e outros detritos.

Em alguns lugares as redes compõem mais de 80% do total de


detritos.
Outras origens.

Plataformas petrolíferas:

Por estarem rodeadas por ambientes marinhos, qualquer


objecto perdido torna-se automaticamente um detrito marinho.
São grandes causadoras da quantidade de itens como plásticos
derivados dos tubos de perfuração, capacetes de protecção,
luvas e barris de armazenamento e resíduos de petróleo.

Navios de carga e outras embarcações:

Durante as suas viagens, podem por inúmeras razões perder a


totalidade ou parte da sua carga. Para além de contentores de
carga com o seu conteúdo, derrames de óleo e combustível,
assim como os resíduos resultantes da sua limpeza, acabam
invariavelmente nas águas marítimas.
Resíduos sólidos e águas residuais:

As descargas de águas residuais nos grandes ecossistemas


marinhos, mal planeadas e elaboradas transformam-se num
foco de inserção de detritos marinhos que alteram directamente
não só as propriedades físico-químicas da água, como
introduzem igualmente resíduos sólidos ai presentes. Os
sistemas de gestão de resíduos sólidos, ineficientes podem
igualmente potenciar o fluxo de resíduos para os rios,
terminando nos mares e oceanos.

Eventos naturais:

Cheias, furacões, tornados, maremotos, inundações e


deslizamentos de terra provocam grandes destruições na
superfície terrestre, destruindo edificações humanas e naturais.
Os resíduos resultantes desses eventos naturais tendem a ser
arrastados pelas águas da chuva para os rios e o mar.
Grande parte dos resíduos da destruição provocada
pelo Furacão Katrina tiveram como destino o mar
3. Impactos.

Os efeitos dos detritos marinhos são variados regionalmente,


refletindo a influência de contextos específicos, mas a
contaminação é global, já que os oceanos são todos
interligados e a carga de detritos flutua livre ao longo das
correntes marinhas. A partir da contaminação do ambiente, o
homem passa a ser também afetado. Entre os principais
impactos, o PNUMA listou:

Ecológicos, que podem ser de três tipos:

• Efeitos físicos, podendo chegar a destruir ecossistemas pela


simples acumulação excessiva,

• Efeitos químicos, derivados da liberação de substâncias


tóxicas na água,
• Efeitos sobre indivíduos e populações, produzindo morte
ou sofrimentos por ingestão de lixo indigerível ou tóxico,
sufocação, e por enredamento em cordas e linhas, que podem
matar por asfixia, afogamento ou imobilização, podem ferir
cortando, amputando membros, ou causar deformações e
malformações de crescimento. Os detritos também provocam
mudanças de hábitos, dificuldades de locomoção, fixação,
alimentação e nidificação, e tendem a fazer declinar espécies
e populações.

Muitas espécies ameaçadas são particularmente vulneráveis


aos problemas gerados pelo detrito marinho, como as
tartarugas, que frequentemente confundem sacos plásticos
com as medusas de que se alimentam.

Em certas espécies, como o albatroz, até 90% da população


estudada tem plástico em seu trato gastrointestinal.
Colônia de albatrozes Praia do Mar Vermelho
em uma praia intensamente poluída.
contaminada.
Os corais, as ervas marinhas e outras espécies que vivem
nos fundos, como caranguejos e moluscos, são os grupos de
criaturas mais vulneráveis, mas os impactos mais óbvios são
sobre os grandes animais, como as aves, tartarugas,
golfinhos, baleias e focas.

Pelo menos 267 espécies já foram documentadamente


prejudicadas por lixo marinho.

Os detritos flutuantes também podem servir de veículo para


espécies exóticas, que podem se tornar invasoras em regiões
diferentes da sua origem

Vários casos de invasão através deste meio já foram


documentados, incluindo invasões de mexilhões e marés de
algas.
Econômicos e sociais.

Muitos países já registraram declínio na pesca por causa do


lixo, e o problema afeta o turismo ao depreciar esteticamente
as paisagens costeiras, tornando-as desagradáveis para o
desfrute e o convívio social, um lixo que em grande porção é
deixado pelos próprios frequentadores dos litorais.

Os impactos econômicos ainda não foram estimados com


precisão, e só se dispõe de estudos pontuais, mas a partir
deles é fácil projetar a dimensão global dos prejuízos.

Por exemplo, a Polônia gastou em 2006 cerca de 570 mil euros


para limpar suas praias, e a cidade de Ventanillas, no Peru, só
ela usou 400 mil dólares para o mesmo fim naquele ano.

A Inglaterra e o País de Gales gastam 30 milhões de dólares


anuais na limpeza de suas praias.
Em 1998 os detritos marinhos jogados às praias produziram
até 3,6 bilhões de dólares em prejuízos sobre o turismo e
outros rendimentos no estado de Nova Jérsei, nos Estados
Unidos.

Nas Ilhas Shetland, danificando equipamentos ou prejudicado


os peixes, os detritos marinhos dão prejuízos para a pesca
que chegam a mais de 3 milhões de euros anuais.

No Reino Unido, em 1998 foram registrados 200 incidentes


envolvendo motores de barcos danificados por detritos, e
alguns portos britânicos gastam até 33 mil euros anuais por
problemas.

O Japão gasta mais de 4 bilhões de ienes anuais para


reparar navios danificados por detritos.
Estão incluídos nos prejuízos os problemas ligados à saúde
pública e à segurança humana.

Detritos em praias, como cacos de vidro e objetos metálicos


cortantes, têm sido frequente causa de ferimentos em
pessoas e animais domésticos; lixo hospitalar pode estar
contaminado com doenças, lixo flutuante é uma ameaça a
nadadores, mergulhadores e esportistas, e causam dano a
propriedades e barcos.

Há também transtornos jurídicos, já que o assunto envolve


violações de leis sobre o descarte e processamento de lixo, e
tem ligações com a pesca predatória e clandestina.

Deve ser considerado que grande parte da população do


mundo vive em regiões litorâneas, recebendo impactos
diretos da poluição por detritos marinhos.
4. Manejo dos detritos.

O problema dos detritos marinhos está ligado ao problema


maior do manejo do lixo, reconhecido como um desafio
ambiental e sócio-econômico-cultural dos mais relevantes
atualmente e considerado prioritário pelo PNUMA.

Várias conferências internacionais e acordos já foram


estabelecidos para diagnosticar e lidar com o assunto, que, no
entanto, está longe de ter uma solução, em vez agravando-se
a cada dia, uma vez que os materiais são em geral
persistentes, permanecendo longos períodos no ambiente, os
mecanismos humanos de coleta e limpeza são precários e a
descarga está aumentando.

Assim como com o lixo em geral, as causas da contaminação


marinha são múltiplas e de abordagem difícil.
Fundam-se em geral em hábitos e tradições arraigadas, mas
mal orientadas, de disposição de dejetos, em carências de
infraestrutura e tecnologia, no mau manejo dos recursos
marinhos, em práticas predatórias, na falta de entendimento do
público em geral a respeito dos resultados de suas ações, na
falta de um amparo jurídico e policial efetivo para normatização
e fiscalização, na escassez de recursos financeiros para
implementar projetos e leis, e na própria vastidão do problema,
que nasce em todos os níveis da sociedade e afeta todas as
culturas e ecossistemas.

A própria ciência ainda está mal preparada para abordar o


desafio, pois os estudos já feitos são poucos, e em geral são
limitados a aspectos locais. A grande maioria enfocou-se o lixo
arremessado a praias, alguns analisaram a situação dos
detritos em mar aberto, e uma pequena minoria se aprofundou
no estudo do lixo no leito oceânico; muita pesquisa ainda
precisa ser feita.
O PNUMA recomenda, as seguintes medidas para minimizar
o impacto negativo do detrito marinho, enfatizando sempre
que ele transcende fronteiras políticas e que a prevenção é
mais efetiva e mais barata:

• Reforço internacional à legislação vigente sobre o lixo e aos


sistemas administrativos e fiscalizadores.
• Estabelecimento de programas de monitoramento.
• Educação do público em larga escala, fazendo-o entender a
importância do problema, seu papel nas causas.
• Reestruturação do setor pesqueiro, introduzindo métodos e
materiais de pesca menos danosos ao ambiente.
• Incrementar a eficiência e segurança dos sistemas de manejo
de lixo dos navios de transporte de carga e passageiros.
• Incentivar a pesquisa e o intercâmbio de informações.
• Dedicar mais incentivos e recursos a infraestruturas sanitárias,
a programas de redução do lixo e de manejo correto dos
resíduos.
5. Efeitos dos poluentes nos meios aquáticos.

A introdução de substancias poluentes nos corpos aquáticos, ao


modificar as características do meio, altera a relação entre
produtores e consumidores.

Se diminuir o oxigênio dissolvido, as espécies que realizam


fotossíntese têm tendência a proliferar, enquanto as que
necessitam do oxigênio na respiração, podendo resultar numa
situação de Hipóxia.

Esta alteração da relação entre produtores e consumidores pode


levar igualmente à proliferação de algas e organismos
produtores de produtos tóxicos. A inserção de compostos tóxicos
pode ser absorvida pelos organismos, ocorrendo
bioacumulação, compostos que entrando na cadeia alimentar
pode causar sérios danos ao ser humano.
Pelo menos 2 milhões de pessoas, principalmente crianças
com menos de 5 anos de idade, morrem por ano no mundo
devido a doenças causadas pela água contaminada, segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Floração das águas.

Este fenômeno é causado pelo uso agrícola de fertilizantes,


que contêm fósforo e azoto que ao atingir os cursos de água,
nutrem as plantas aquáticas. Naturalmente, o fosforo e o azoto
estão em deficit nos sistemas aquáticos, limitando o
crescimento dos produtores primários.

Com o aumento destes nutrientes, a sua população tende a


crescer descontroladamente, diminuindo a transparência da
água e com isso causando a diminuição de luz solar.
Esta diminuição afecta a população de macrófilas submersas,
diminuindo assim a diversidade do habitat, e provocando uma
redução na capacidade de alimentos para inúmeros
microorganismos, empobrecendo as comunidades de
invertebrados e vertebrados.

Eutrofização.

A eutrofização ou eutroficação é um fenómeno causado pelo


excesso de nutrientes (compostos químicos ricos em fósforo
ou nitrogênio, normalmente causado pela descarga de
efluentes agrícolas, urbanos ou industriais) num corpo de
água mais ou menos fechado, o que leva à proliferação
excessiva de algas, que, ao entrarem em decomposição,
levam ao aumento do número de microorganismos e à
consequente deterioração da qualidade do corpo de água.
Um peixe morto, num corpo de água poluída.

Hipóxia

O aumento de organismos consumidores de oxigénio pode


levar a um fenómeno de baixa concentração de oxigénio que
ocorre em ambientes aquáticos.

Ocorre quando a concentração de oxigénio dissolvido (OD)


encontra-se a níveis reduzidos, ao ponto de causar danos nos
organismos aquáticos presentes no ecossistema.
A concentração de oxigénio dissolvido geralmente é expressa
em quantidade de O2 dissolvido na água em mg/L, sendo que
os valores normais situam-se a volta de 8 mg L/1 a 25°C entre
0 e 1.000 m de altitude.

Larvas do mosquito Aedes


aegypti, transmissor da
dengue, que se reproduz-se
em todo local que acumula
água, como pneus, garrafas
vazias e vasos de planta.
Transmissão de doenças.

A água poluída pode causar diversos efeitos prejudiciais à


saúde humana, tais como: febre tifoide, cólera, disenteria,
meningite e hepatites A e B.

Pode ser igualmente por vectores de contaminação por doenças


transportadas por mosquitos, como paludismo, dengue, malária,
doença do sono, febre amarela. Pode conter parasitas como
verminoses, enquanto a escassez da água pode gerar ou
potenciar doenças como a lepra, tuberculose, tétano e difteria.

As águas poluídas por efluentes líquidos industriais podem


causar contaminação por metais pesados que geram tumores
hepáticos e de tiroide, alterações neurológicas, dermatoses,
rinites alérgicas, disfunções gastrointestinais, pulmonares e
hepáticas. No caso de contaminação por mercúrio, podem
ocorrer anúria e diarreia sanguinolenta.
A dengue é uma doença que se propagam somente na água.
Porém, essa água tem que estar parada e limpa para a
criação do inseto.

6. Controle dos níveis de poluição

Água para consumo humano

A Purificação da água é o processo de remoção de


contaminantes químicos e biológicos da água bruta.

O objectivo é produzir água própria para uma finalidade


específica, sendo que a maior parte da água é purificada para
consumo humano, mas pode ser concebido para uma
variedade de outros fins, inclusive para atender às exigências
da medicina, farmacologia, química e aplicações industriais.
Em geral, os métodos utilizados incluem processo físico, como
a filtração e sedimentação, processos biológicos, tais como
filtros de areia lento ou lodos activados, processo químico,
como a floculação e cloração e a utilização de radiação
electromagnética, como a luz ultravioleta.

Em geral, os métodos utilizados incluem processo físico, como


a filtração e sedimentação, processos biológicos, tais como
filtros de areia lento ou lodos activados, processo químico,
como a floculação e cloração e a utilização de radiação
electromagnética, como a luz ultravioleta.

Fontes da água potável

A água para consumo público ou privado pode ser obtida de


diversas fontes:
• Água subterrânea profunda - aquela que emerge de alguns
poços localizados profundamente no subsolo.

Esta terá sido filtrada naturalmente pelas camadas de solo e


de rochas, sendo normalmente rica em carbonatos e em
cálcio, magnésio, cloretos, além de pequenas quantidades de
ferro ou de manganês, o que torna esta água especialmente
agradável para beber e cozinhar. Se as dosagens dos
elementos químicos forem excessivas para o consumo
humano elas podem requerer algum tipo de tratamento
especial.

• Água de lagos e reservatórios elevados - localizados na


superfície terrestre, em áreas elevadas, onde são restritas as
possibilidades de contaminação, se forem devidamente
protegidas.
•Águas de rios, canais e reservatórios de planície - na
superfície terrestre, em áreas mais baixas, onde são maiores
as possibilidades de poluição ou de contaminação. Nesses
casos o tratamento, numa Estação de Tratamento de Água
pode ficar mais complexo e caro.

A água percorre as seguintes etapas, para chegar às


casas:

• Captação (coleta)
• Adução (transporte)
• Tratamento
• Armazenamento
• Distribuição

Em todas estas etapas pode ser contaminada.


O tratamento da água deve ser iniciado desde as nascentes, até
as barragens, através da proteção aos mananciais, cuja
poluição por detritos, impurezas, dejetos domésticos, agrícolas e
industriais (bacias hidrográficas), deve ser controlada o melhor
possível, através de análises de rotina.

O alerta é dado quando atingido um número superior a 1000


microorganismos/cm³.

Nesse caso, a água deve ser desinfectada com um algicida, tipo


sulfato de cobre ou hipoclorito de sódio, assim que chega à
estação de tratamento.

Métodos de tratamento da água.

Separação/Filtração- embora não sejam suficientes para


purificar completamente a água, é uma etapa preliminar
necessária.
Filtros de areia rápidos- o uso de filtros de areia de acção
rápida, é o tipo mais comum de tratamento físico da água, para
os casos de água de elevada turvação. Em casos em que o
gosto e o odor possam vir a constituir um problema, o filtro de
areia pode incluir uma camada adicional de carvão activado.
Recorde-se que os filtros de areia ficam obstruídos após um
período de uso e devem ser lavados.

Desinfecção- A maior parte da desinfecção de águas no mundo


é feita com gás cloro. Porém, outros processos tais como
hipoclorito de sódio, dióxido de cloro, ozônio ou luz ultravioleta,
também são utilizados em menor escala, dada a complexidade,
alto custo e eficácia aquém das necessidades sanitárias do
mundo atual. Antes de ser bombeada para os tanques de
armazenamento e para o sistema de distribuição aos
consumidores, equipamentos de cloração garantem a
manutenção de uma quantidade de cloro residual, que continua
exercendo a sua função de desinfectante até o destino final.
A cloração de águas para consumo humano é considerada um
dos maiores avanços da ciência nos últimos dois séculos.

Coagulação ou floculação- Neste processo as partículas


sólidas se aglomeram em flocos para que sejam removidas
mais facilmente. Este processo consiste na formação e
precipitação de hidróxido de alumínio (Al(OH)3) que é insolúvel
em água e "carrega" as impurezas para o fundo do tanque.

Primeiramente, o pH da água tem que ser elevado pela adição


de uma base diretamente, ou de um sal básico (carbonato de
sódio).

Após o ajuste do pH, adiciona-se o sulfato de alumínio, que irá


dissolver na água e depois precipitar na forma de hidróxido de
alumínio. Os flocos formados vão sedimentando no fundo do
tanque, "limpando" a água.
Outras técnicas de purificação da água.

Outros métodos para purificar a água, especialmente para


fontes locais são a destilação e a osmose, embora envolvam
custos elevados e manutenção complexa.

Para o uso doméstico, utilizam-se desde a antiguidade:

Fervura- A água é aquecida até ao ponto de ebulição


mantendo-se a fervura por, pelo menos, cinco minutos, tempo
suficiente para inactivar ou matar a maior parte dos
microorganismos que nela possam existir.

Este tipo de tratamento não elimina o vírus da hepatite A que


só é destruído a mais de 120 graus Celsius.
Filtração por carbono- Utilizando-se carvão de lenha, um
tipo de carbono com uma extensa área, que absorve diversos
compostos, inclusive alguns tóxicos.

Filtros domésticos podem ainda conter sais de prata.

Destilação- O processo de destilação envolve ferver a água


transformando-a em vapor. O vapor de água é conduzido a
uma superfície de refrigeração onde retorna ao estado líquido
em outro recipiente.

Uma vez que as impurezas (solutos) não são vaporizados,


permanecem no primeiro recipiente.

Observe-se que mesmo a destilação não purifica


completamente a água, embora a torne 99,9% pura.
Águas residuais

Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) que, se


designa também por Estação de Tratamento de Esgoto
(ETE), é uma infraestrutura que trata as águas residuais de
origem doméstica e/ou industrial, comumente chamadas de
esgotos sanitários para depois serem escoadas para o mar
ou rio com um nível de poluição aceitável através de um
emissário, conforme a legislação vigente para o meio
ambiente receptor.

Numa ETAR as águas residuais passam por vários


processos de tratamento com o objetivo de separar ou
diminuir a quantidade da matéria poluente da água.

Fases do tratamento:
Tratamento preliminar

No primeiro conjunto de tratamentos, designado por pré-


tratamento ou tratamento preliminar, o esgoto é sujeito aos
processos de separação dos sólidos mais grosseiros tais
como a gradagem (gradeamento) que pode ser composto por
grades grosseiras, grades finas e/ou peneiras rotativas, o
desarenamento nas caixas de areia e o desengorduramento
nas chamadas caixas de gordura ou em pré-decantadores.

Nesta fase, o esgoto é, desta forma, preparado para as fases


de tratamento subsequentes, podendo ser sujeito a um pré-
arejamento e a uma equalização tanto de caudais como de
cargas poluentes ou resíduos.
Tratamento primário

Apesar do esgoto apresentar um aspecto ligeiramente mais


razoável após a fase de pré-tratamento, possui ainda
praticamente inalteradas as suas características poluidoras.

Segue-se, pois, o tratamento propriamente dito.

A primeira fase de tratamento é designada por tratamento


primário, onde a matéria poluente é separada da água por
sedimentação nos sedimentadores primários.

Este processo exclusivamente de ação física pode, em alguns


casos, ser ajudado pela adição de agentes químicos que através
de uma coagulação/floculação possibilitam a obtenção de flocos
de matéria poluente de maiores dimensões e assim mais
facilmente decantáveis.
Após o tratamento primário, a matéria poluente que permanece
na água é de reduzidas dimensões, normalmente constituída
por coloides, não sendo por isso passível de ser removida por
processos exclusivamente físico-químicos. A eficiência de um
tratamento primário pode chegar a 60% ou mais dependendo
do tipo de tratamento e da operação da ETAR.

Tratamento secundário

O chamado processo de tratamento secundário, geralmente


consiste num processo biológico, do tipo lodo ativado ou do
tipo filtro biológico, onde a matéria orgânica (poluente) é
consumida por micro-organismos nos chamados reatores
biológicos.

Estes reatores são normalmente constituídos por tanques com


grande quantidade de micro-organismos aeróbios, havendo por
isso a necessidade de promover o seu arejamento.
O esgoto saído do (reator biológico) contem uma grande
quantidade de micro-organismos, sendo muito reduzida a
matéria orgânica remanescente.

A eficiência de um tratamento secundário pode chegar a 95%


ou mais dependendo da operação da ETE.

Os micro-organismos sofrem posteriormente um processo de


sedimentação nos designados sedimentadores (decantadores)
secundários.

Finalizado o tratamento secundário, as águas residuais


tratadas apresentam um reduzido nível de poluição por
matéria orgânica, podendo na maioria dos casos, serem
despejadas no meio ambiente receptor.
Tratamento terciário

Normalmente antes do lançamento final no corpo receptor, é


necessário proceder à desinfecção das águas residuais
tratadas para a remoção dos organismos patogênicos ou, em
casos especiais, à remoção de determinados nutrientes, como
o nitrogênio (azoto) e o fósforo, que podem potenciar,
isoladamente e/ou em conjunto, a eutrofização das águas
receptoras.

Remoção de nutrientes

Águas residuárias podem conter altos níveis de nutrientes


como nitrogênio e fósforo. A emissão em excesso destes pode
levar ao acúmulo de nutrientes, fenômeno chamado de
eutrofização, que encoraja o crescimento excessivo (chamado
bloom) de algas e cianobactérias (algas azuis).
A maior parte destas algas acaba morrendo, porém a
decomposição das mesmas por bactérias remove oxigênio da
água e a maioria dos peixes morrem. Além disso, algumas
espécies de algas produzem toxinas que contaminam as
fontes de água potável (as chamadas cianotoxinas).

Há diferentes processos para remoção de nitrogênio e


fósforo:

A Desnitrificação requer condições anóxicas (ausência de


oxigênio) para que as comunidades biológicas apropriadas se
formem. A desnitrificação é facilitada por um grande número
de bactérias. Métodos de filtragem em areia, lagoa de
polimento, etc. pode reduzir a quantidade de nitrogênio.

O sistema de lodo ativado, bem projetado, também pode


reduzir significante parte do nitrogênio.
A Remoção de fósforo, que pode ser feita por precipitação
química, geralmente com sais de ferro (ex. cloreto férrico) ou
alumínio (ex. sulfato de alumínio).

O lodo químico resultante é difícil de tratar e o uso dos produtos


químicos torna-se caro. Apesar disso, a remoção química de
fósforo requer equipamentos muito menores que os usados por
remoção biológica.

Desinfecção

A desinfecção das águas residuais tratadas, possibilita a


remoção dos organismos patogênicos.

Entre os processos artificiais e o de menor custo e de elevado


grau de eficiência em relação a outros processos como a
ozonização que é bastante dispendiosa e a radiação ultravioleta
que não é aplicável a qualquer situação.
O tratamento de efluentes residenciais, ocorrem nas ETAR's,
onde se procede à eliminação de contaminantes de águas
residuais de origem doméstica, ou as provenientes da
escorrência superficial, maioritariamente água da chuva.

O processo inclui operações físicas, químicas e processos


biológicos para remover físicos, químicos e biológicos
contaminantes, com o objectivo de reduzir a carga de
poluentes.

Tratamento de efluentes Industriais.

O Tratamento de Efluentes Industriais abrange os mecanismos


e processos utilizados para o tratamento de águas que foram
contaminadas, de alguma forma por antropogénicas
actividades industriais ou comerciais antes da sua libertação
no ambiente ou a sua reutilização.
Geralmente os efluentes possuem altas concentrações de
poluentes convencionais como óleo ou graxa, poluentes
tóxicos, como por exemplo, metais pesados, compostos
orgânicos voláteis, ou outros poluentes, como amónia,
precisam de tratamento especializado.

Algumas destas instalações pode instalar um pré-tratamento


para eliminar o sistema de componentes tóxicos e, em
seguida, enviar os efluentes pré-tratados para o sistema
municipal.
Planta de tratamento de efluentes Industriais