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CONTAS NACIONAIS

MEIOS DE PAGAMENTO E BASE


MONETÁRIA – VISÃO GERAL
1 Prof. Fernando Pozzobon
fernando.esag@gmail.com

Cap. 6 e 7 –Paulani e Braga


CONTAS MONETÁRIAS E FINANCEIRAS
 As estatísticas monetárias e financeiras de
um país, responsabilidade do BACEN no Brasil,
apresenta dados importantes sobre a oferta de
moeda, empréstimos e financiamento dos bancos,
operações com títulos públicos, etc.
 Isso permite acompanhar os efeitos de políticas
monetárias, cambiais, evolução da dívida pública,
fazer previsões, etc.

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA MOEDA
 O homem é um ser social.
 Com o passar dos anos e da especialização, o homem
agora produz apenas uma pequena parcela daquilo
que consome.
 Isso é possível pois existem as trocas.

 As trocas evoluíram em duas etapas: trocas diretas,


produto por produto, e trocas indiretas, por
intermédio da moeda.
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA MOEDA

 A substituição das trocas diretas pelas


trocas indiretas foi possível pois estabeleceu-se
um padrão de conversão, mediante consenso,
uma mercadoria ou um produto que fosse aceito
por todos os indivíduos: a moeda.
 A moeda, mesmo que não sejam no momento útil
ou desejado pelos que recebem (quem tem fome
não quer comer ouro), são aceitos porque todos
sabem que todos utilizarão para fins
transacionais.
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA MOEDA
 A medida que um determinado produto é
escolhido para intermediar as trocas, o valor de
todos os demais produtos são cotados em
termos desse produto.
 Estabelecem-se medidas de valor que são a
expressão primitiva do que hoje são as
“expressões monetárias”.
 A moeda por sua vez, passa a desempenhar três
funções básicas: intermediação de trocas,
medida de valor e reserva de valor.
FUNÇÕES DA MOEDA
 A função de intermediação de trocas traduz-se em servir
como meio de pagamento, de aceitação geral. Essa função é a
razão principal e determinante do aparecimento da moeda,
qual seja, a de facilitar o processo de circulação de bens.
 A moeda é medida de valor porque estabelece uma unidade-
padrão de medida, à qual são convertidos os valores de todos os
bens e serviços disponíveis na economia. Em outras palavras,
diz-se que a moeda serve como denominador comum de valores.
 Considerando-se que a moeda pode ser trocada por bens ou
serviços em qualquer ocasião, sua posse constitui reserva de
valor, desde o momento em que é recebida pelo seu detentor,
até ao instante em que é gasta. A retenção da moeda, como
reserva de valor, traduz-se, portanto, numa forma alternativa
de guarda ou de acumulação de riqueza.
 A moeda é conceituada, então, como um bem econômico
qualquer, que exerce as funçöes de intermediário de
trocas, de medida de valor e de reserva de valor e que
tem aceitaçäo geral.
MEIOS DE PAGAMENTOS
 Os meios de pagamentos são os ativos em poder
dos agentes (públicos e privados) que podem ser
utilizados para o pagamento de compromissos
(dívidas) assumidas e/ou para pagamentos à
vista.
 Os Meios de Pagamentos (MP) - em conceito
restrito (M1) - envolvem o Papel-Moeda em Poder
do Público (PMPP) mais os depósitos à vista nos
bancos comerciais (DVbc).
 O Papel-Moeda (e a moeda metálica) em poder do
público – PMPP – é a chamada moeda manual.
Os depósitos à vista nos bancos comerciais (DVbc)
são chamados de moeda escritural. 7
BANCO CENTRAL X BANCOS COMERCIAIS
 O Banco Central é quem emite papel-moeda legal de
curso forçado. Porém, não é todo o Papel Moeda
Emitido (PME) que se transforma em PMPP.
 Parte do PME fica em Caixa no Banco Central (Cbc).
O restante é o Papel Moeda em Circulação (PMC) –
meio circulante.
 Os Bancos comerciais são os agentes
responsáveis/autorizados a receber depósitos à vista
e ficam com parte desse PMC em caixa, no chamado
encaixe técnico (Et). E o que sobra vira PMPP.

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CRIAÇÃO DE MOEDA ESCRITURAL
 Os Bancos Comerciais são os agentes responsáveis
pela criação da moeda escritural.
 Já que nem todos os agentes que possuem direito de
saque irão exercer o seu direito ao mesmo tempo, o
Banco Comercial pode emprestar parte desses saldos
monetários dando crédito aos indivíduos e o banco cria
depósitos à vista. (veremos com mais detalhe nas
próximas aulas)
 O conjunto de instituições responsáveis pela criação de
M1 denomina-se Sistema Monetário ou Bancário e é
constituído, no Brasil, pelo Banco Central e pelos
Bancos Comerciais. 9
http://www.bcb.gov.br/?INDECO

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POR FALAR EM QUALQUER ATIVO...
 Existe assim uma categoria de ativos cuja utilidade é
a de serem formas de guardar a riqueza de seu
possuidor: são os chamados ativos financeiros (títulos,
depósitos em bancos, etc) que em geral rendem juros.
 A própria moeda é um ativo financeiro que,
entretanto, não rende juros.
 Os ativos financeiros que não possuem a liquidez
imediata, característica da moeda, mas que
apresentam alto grau de liquidez, são denominados
quase-moeda.
 Surgem assim outros ativos financeiros (M1, M2, M3,
M4) que são definidos, no Brasil, de acordo com as
metodologias do Banco Central. 11
DE 2001 PRA CÁ...
 “Os novos conceitos de meios de pagamento representam
mudança de critério de ordenamento de seus componentes,
que deixaram de seguir o grau de liquidez, passando a
definir os agregados por seus sistemas emissores.”
 o M1 é gerado pelas instituições emissoras de haveres
estritamente monetários, o M2 corresponde ao M1 e às
demais emissões de alta liquidez realizadas primariamente
no mercado interno por instituições depositárias - as que
realizam multiplicação de crédito. O M3, por sua vez, é
composto pelo M2 e captações internas por intermédio dos
fundos de renda fixa e das carteiras de títulos registrados no
Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). O M4
engloba o M3 e os títulos públicos de alta liquidez 12
ASSIM, AGORA...
 Meios de Pagamento Restritos:
M1 = papel moeda em poder do público + depósitos à vista
 Meios de Pagamento Ampliados:

M2 =M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de


poupança + títulos emitidos por instituições depositárias
M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações
compromissadas registradas no Selic
 Poupança financeira:

M4 = M3 + títulos públicos de alta liquidez

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AGREGADOS MONETÁRIOS E O CONCEITO
DE LIQUIDEZ

 Os Meios de Pagamentos (MP = M1) são


ativos com plena liquidez, ou seja:
“desempenham em sua plenitude a função de
reserva de valor e podem, em qualquer
momento, liquidar dívidas estabelecidas em
contratos formais ou obrigações advindas de
transações realizadas em mercados à vista.”
 A liquidez então é o atributo que
qualquer ativo possui, em maior ou menor
grau, de conservar valor ao longo do tempo e 14
ser capaz de liquidar dívidas.
BASE MONETÁRIA
 A Base Monetária (B) é a soma do PMPP com as reservas tecnicas
dos Bancos Comerciais (Et). Isso representa o total de moeda
colocada em circulação pelo Banco Central. (as vezes chamada de
M0).
 Os bancos comerciais são agentes especiais dentro do sistema
porque seus passivos (depósitos à vista) são reconhecidos pelo
Estado como plenamente conversíveis em moeda. Por isso mesmo,
essas instituições recebem regulação específica do Banco Central.
 Os Bancos Comerciais fazem dois tipos de Encaixes, os
compulsórios (Ec) e os voluntários (Ev).
 Os Ec são estabelecidos e recolhidos pelo Banco Central e servem
para mostrar a solvabilidade dos bancos comerciais na forma de
moeda do estado.
 Além disso, os próprios bancos comerciais mantêm uma reserva
voluntária (Ev) em seus ativos. Dessa forma, se em um determinado
dia um banco recebe mais saques do que depósitos, o banco poderá
fazer os pagamentos sem ter de recorrer ao mercado ou ao Banco15
Central.
 Os Encaixes totais dos bancos (ET)podem ser de 3
tipos:
 Encaixes técnicos dos bancos comerciais (o caixa
dos bancos)
 Encaixes compulsórios dos bancos comerciais
junto ao BACEN
 Encaixes voluntários dos bancos comerciais junto
ao BACEN

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O BANCO CENTRAL...
 Emite papel moeda e controla a liquidez
 É o banqueiro dos bancos (compensação de
cheques e empresta aos bancos)
 Regula o sistema monetário e financeiro
(impõem regras e condições gerais de operação,
fiscaliza, restringe ou impede determinadas
operações)
 É o depositário das reservas internacionais
(retém moeda estrangeira para atender a demandas
e evitar escassez de divisas, pode também,
dependendo da quantidade, tentar controlar as
taxas de câmbio com operações de compra e venda
no mercado de divisas internacionais.) 17
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BALANÇO RESUMIDO DO BACEN
Ativo Passivo
(12) Reservas Internacionais Base Monetária (16)
(13) Títulos Públicos PMPP (16.1)
(14) Redescontos e Empréstimos Reservas Bancárias (16.2)
(15) Outras aplicações Empréstimos do Exterior (17)
Outras Fontes (18)
Total do Ativo Total do Passivo

- A função de emissor de papel moeda é representado pela


Base Monetária
- A função de emprestador aos bancos é representada pelos
Redescontos e Empréstimos
- A função de depositário das reservas internacionais é
representada pelas Reservas internacionais. 19

- Pode ser também financiador do Governo (Títulos Públicos)


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MULTIPLICADOR MONETÁRIO
 A quantidade OFERTADA de base monetária é
determinada pelo Banco Central.
 Bancos comerciais e o público em geral
demandam moeda. Os primeiros por causa dos
encaixes entre saques e depósitos e os segundos
para transformá-las em meios de pagamentos.
 A quantidade total de meios de pagamentos é um
múltiplo da base monetária pois os bancos
comerciais também criam meios de pagamentos
(através da criação de moeda escritural).
 Por conseqüência, os meios de pagamento
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tornam-se um múltiplo da base monetária.
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ASSIM...
 Se o multiplicador monetário de uma economia é
de 1,5 e o BACEN fez a base monetária variar
100 milhões, então, os meios de pagamento serão
expandidos em 150 milhões.
O BACEN pode controlar diretamente a
quantidade de meios de pagamentos da economia
de duas formas isoladamente ou utilizando-as de
maneira complementar:
 1º Controle direto da base monetária.

 2º Controlando as reservas compulsórias em


relação aos depósitos à vista.
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