Educação para igualdade de
gênero e enfrentamento da
violência contra a mulher
Samara Vasconcelos
Psicóloga CRP:02/30590
Como surgiu a campanha?
A campanha Agosto Lilás surgiu em referência à Lei Maria da
Penha, sancionada em agosto de 2006, que visa o combate
à violência doméstica e familiar contra a mulher. O objetivo
da campanha é conscientizar a população sobre a
importância da lei e incentivar a denúncia de casos de
violência. A cor lilás é utilizada para simbolizar a luta
feminista e a busca por respeito e igualdade de gênero.
Entendendo o que é violência:
A violência pode ser definida por meio de ações violentas,
agressivas que fazem uso da força bruta, constrangimentos
físicos ou morais. Ou seja, é qualquer comportamento ou
conjunto de comportamentos que tenham a intenção de
causar danos a outras pessoa, ser vivo ou objeto, atingindo a
sua autonomia, integridade física ou psicológica, até mesmo
ameaçando a vida do outro.
O que é violência contra a mulher?
Entende-se por violência contra a mulher qualquer ato ou conduta,
baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico,
psicológico ou sexual, na esfera pública ou privada, em razão do
vínculo de natureza familiar ou afetivo.
Tipos de violência
São previstos cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a
mulher na “Lei Maria da Penha”: física, psicológica, moral, sexual e
patrimonial.
Tais formas de violência são complexas, não ocorrem isoladas, tendo
graves consequências em todos os âmbitos da vida. Qualquer uma
dessas formas de violência constitui ato contra os direitos humanos e
violam as garantias constitucionais prevista no Artigo 5° da Constituição
Federal.
Violência física:
Entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal
como por exemplo: tapas, socos, arranhões, puxões de cabelo, entre outros;
Violência psicológica:
Entendida como qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da
autoestima ou que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que tenha a
intenção de degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e
decisões, mediante ameaças, constrangimentos,humilhações, manipulações,
isolamentos, insultos, chantagens, violação de intimidade, limitação do direito de
ir e vir, entre outros;
Violência moral:
Entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou
injúria. Exemplo: contar mentiras e inventar histórias sobre a pessoa, expor
detalhes da vida íntima, publicar imagens íntimas ou informações pessoais
nas redes sociais, entre outros;
Violência sexual:
Entendida como qualquer conduta que a constranja, a manter, presenciar
ou participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação,
ameaça, coação ou uso de força; que induza a comercializar ou utilizar de
qualquer modo a sua sexualidade; que a impeça de usar qualquer método
contraceptivo, ou que force matrimônio, gravidez, aborto ou prostituição.
Violência patrimonial:
Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial
ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais,
bens, valores e direitos ou recursos econômicos.
Ciclo de violência:
É possível perceber que o conflito não se inicia com agressões físicas, como
socialmente se imagina. Inicialmente observa-se comportamentos de controle,
provocações, humilhações, ofensas verbais, ciúme excessivo, controle do que
a mulher vai vestir e etc.
Na segunda fase do ciclo, a mulher sofre a violência física;
Na última fase, denominada “lua de mel. É a fase que o agressor se
“arrepende” pede perdão e faz promessas sobre mudanças de
comportamento;
Por fim, o ciclo se repete…
O chamado ciclo de violência revela como normalmente a
violência ou diversos momentos de violência vividos pela
mulher acontecem durante a relação. É importante estar atenta
pois a cada retorno ao ciclo, as agressões e as consequências
dessas agressões vão ficando mais difíceis de resolver, de
curar, tanto para a mulher (lesões no corpo, doenças
psicológicas, perda de patrimônio) quanto para o restante da
família e amigos que sofrem com o temor constante, ansiedade
e medo.
Mitos sobre a violência doméstica!
“As mulheres apanham porque gostam ou porque provocam”
“A violência doméstica só acontece em famílias de baixa
renda ou de pouca instrução”
“É fácil identificar o tipo de mulher que apanha”
“Em briga de marido e mulher não se mete a colher”
Redes de Atendimento
SERVIÇOS DE SAÚDE: Englobam serviços específicos para atendimento de
emergência às mulheres como unidades básicas de saúde, hospitais,
maternidades, entre outros serviços que atuem na atenção e na prevenção de
situações de violência;
CENTROS E NÚCLEOS DE REFERÊNCIA PARA A MULHER: Para situações
de violência com variações de estrutura de atendimento entre as diferentes
localidades. Esse centro tem a função de prestar acolhimento, acompanhamento
e a articulação junto à rede;
Redes de Atendimento
DELEGACIAS ESPECIALIZADAS DE ATENDIMENTO À MULHER (DEAM):
Atendimento e investigação de casos de violência doméstica, familiar e
crimes contra a dignidade sexual contra mulheres, atuando de forma
preventiva e repressiva com um foco em direitos humanos e um atendimento
acolhedor e especializado. A DEAM realiza apuração legal, presta suporte
psicológico e jurídico e integra a rede de proteção à mulher, colaborando com
outros órgãos e serviços para oferecer assistência completa às vítimas.
Redes de Atendimento
ABRIGOS A MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA: Atendem mulheres
com risco iminente de perda de integridade e de vida, incluindo também o
acolhimento e atendimento dos filhos;
CREAS E CRAS: Atendimento, acolhimento e encaminhamento de casos de
violência a mulher, crianças e adolescentes;
SERVIÇOS EDUCACIONAIS (ESCOLAS): Local de articulação intersetorial, nos
quais se observa um espaço frequente de denúncias de diversas violências;
Redes de Atendimento
CONSELHOS TUTELARES E CONSELHOS MUNICIPAIS DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES: Entidades de controle social que pautam as políticas públicas
locais para a proteção de crianças e adolescentes;
ATENDIMENTOS DO SISTEMA DE JUSTIÇA E PODER JUDICIÁRIO:
Existentes na localidade, a exemplo do Juizado Especial de Violência Contra
Mulher, Varas de Família, Varas de Infância, Juventude e Idoso, Defensorias
Públicas e Ministério Público;
Redes de Atendimento
COORDENADORIA DA MULHER: “O trabalho desempenhado pela
coordenadoria da mulher no município de Petrolândia
consiste em elaborar campanhas e políticas públicas para as
mulheres. Divulgar a importância da lei Maria da Penha e as
formas de violência que as mulheres podem sofrer. Sempre
com o intuito de promover a igualdade de gênero”
“Os atendimentos presenciais às mulheres vítimas de
violência doméstica e suas famílias acontece na sala da
coordenadoria da mulher, que fica localizada dentro do
prédio da secretaria de desenvolvimento social. No momento
em que recebemos essa mulher, ela é acolhida, é feita a
escuta e depois da identificação de suas necessidades, ela é
encaminhada aos órgãos competentes. Esse
acompanhamento segue mesmo posteriormente ao nosso
primeiro contato, priorizando o bem estar dessa usuária”
Orientações para mulheres que vivem situação
de violência
- Converse com uma pessoa de confiança e combine com ela um plano
de emergência;
- Mantenha em locais seguros cópias de documentos pessoais,
documentos dos bens e dos filhos. Não assine procurações ou
transferências de bens se não compreender ou não concordar com elas;
- Não espere o ciclo de violência se agravar. Busque orientações assim
que perceber que está passando por alguma dessas situações. Essa é
uma situação em que a questão do tempo é importante para o resultado
final do conflito e para a sobrevivência da mulher;
Ouvidoria da Mulher de Pernambuco: 0800 281 81 87
Polícia Militar: 190
Disque Denúncia: 180