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II Congresso Virtual de Psicologia, Saúde e Educação do Brasil

O uso da hipnose e sua eficácia no tratamento da síndrome do pânico
FERNANDA REIS PSICOLOGA E HIPNOTERAPÊUTA

Resumo
• O trabalho pretende mostrar o quanto o corpo sob pressão pode reagir, transformando a vida do indivíduo em constantes sinais de alerta, bem como comprovar a eficácia da técnica da hipnose no tratamento da síndrome do pânico. A hipnose mostra-se como um método bastante eficaz no tratamento da síndrome do pânico, porque dá a conhecer ao paciente uma outra maneira de estar no mundo. De forma mais calma e menos ansiosa, ele vai podendo experimentar novas visões e percepções da realidade . A superação dos conflitos e a identificação dos medos em suas raízes mais profundas permite ajudar o paciente em transe, oferecendo sugestões positivas e o ajudando a reconfigurar as situações pelas quais ele passou, superando traumas e reelaborando seus conflitos internos. A descrição do transtorno do pânico é feita segundo a definição do CID-10, a fim de dar maior embasamento às análises do tratamento por hipnose. Palavras-chave: Transtorno do pânico, hipnose, Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, ou CID-10.

1. Introdução
• O transtorno do pânico, ou síndrome do pânico, é uma condição mental psiquiátrica que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes. Pode ser controlado com medicação e psicoterapia. É importante ressaltar que um ataque de pânico pode não constituir doença (se isolado) ou ser secundário a outro transtorno mental. Como diz Bauer em seu livro Síndrome do Pânico, “todo sintoma é uma verdade sobre nós mesmos e, ao mesmo tempo, um caminho de saída que mostra o que devemos fazer para achar um alívio” (BAUER, 2008, p. 98).

Já foi constatado que o transtorno do pânico “ocorre com maior frequência em algumas famílias” (BALLONE, 2007) do que em outras, e isto pode significar a existência da participação de um fator hereditário (genético) na determinação de quem desenvolverá o transtorno. Entretanto, muitas pessoas que o desenvolvem não têm nenhum antecedente familiar.

O transtorno do pânico é um sério problema de saúde, mas pode ser tratado. Geralmente ele é disparado em jovens adultos: cerca de metade dos indivíduos que têm transtorno do pânico o manifestam antes dos 24 anos de idade, mas algumas pesquisas indicam que ela pode ocorrer com freqüência também dos 25 aos 30 anos. Mulheres são duas vezes mais propensas a desenvolverem o transtorno do pânico do que os homens (KLAPZINSK, 2003)

Neste trabalho, será possível constatar que um dos tratamentos do transtorno do pânico que alcançam bons resultados é a hipnose.

2. Síndrome do pânico e suas facetas

Um dos motivos do crescimento do Transtorno do Pânico nos dias de hoje é a transformação dos sintomas neuróticos ao longo do tempo e da cultura, visto que podemos considerar os sintomas do Transtorno do Pânico como sendo de natureza neurótica, ou seja, são consequentes da falência adaptativa da pessoa diante de alguma situação estressora, crônica ou aguda. Na realidade é uma crise de ansiedade aguda, ou uma crise de ansiedade neurótica. (FREUD[1926],1982)

3. Os sintomas neuróticos mudam de acordo com os valores culturais
• O aumento da ocorrência do Transtorno Pânico parece resultar também do aumento das exigências da vida cotidiana. As necessidades de adaptação à vida moderna têm se sobrepujado à capacidade adaptativa de muitas pessoas, notadamente aquelas que participam ativamente da vida comunitária, daquelas mais atuantes, determinadas e participativas.

4. A hipnose no tratamento do transtorno do pânico

O uso da hipnose no tratamento do transtorno do pânico é feito a partir de várias técnicas de relaxamento, respiração, visualização criativa, sugestões hipnóticas, metáforas, entre outras. Alguns hipnoterapeutas, como Emile Coue, Marlus Ferreira, Sophia Bauer, Clystine Abram Gomes e Gil Gomes, já demostraram sua eficácia no tratamento do transtorno do pânico. Segundo Clystine Abram Gomes, “o conceito de Milton Erikson é inovador: o transe hipnótico é um estado de sugestionabilidade intensificado artificialmente e semelhante mas não igual ao sono, no qual parece ocorrer uma dissociação natural dos elementos conscientes e inconscientes do psiquismo” (GOMES, 2008)

5. Conclusão
• A hipnose tem se mostrado bastante eficiente no tratamento de pacientes com síndrome do pânico, e, como temos acompanhado em vários estudos de casos clínicos, vemos que ao sedar a ansiedade por meio do transe, o paciente melhora muito seu nível de ansiedade. • Vários autores já disseram que a ansiedade é o medo do que esta por vir, e que a pessoa vive esse momento antecipadamente. Diz Bauer: • [...] A ansiedade é a sensação de que algo desagradável está para acontecer e o medo de um futuro incerto, trazendo um sofrimento antecipado, motivado por algo que ainda não aconteceu e que nem se quer sabemos o resultado. (BAUER, 2000, p. 98) • Assim, pode-se entender que a hipnose, ao promover um estado de relaxamento profundo, já coloca o sujeito em um estado diferenciado da tensão provocada pela ansiedade antecipada.

Outro benefício promovido pela hipnose dentro do tratamento do transtorno do pânico seria a sugestão e a autossugestão. O maior divulgador desse tema foi Émile Coué, que diz: “Autosuggestion is an instrument that we possess at birth, and in this instrument, or rather in this force, resides a marvellous and incalculable power” (Coué, s.d., p. 18).

Usando a sugestão no momento do transe, e conhecendo o histórico do paciente e aquilo que o atormenta, o hipnoterapeuta pode identificar quais pensamentos e aprendizagens serão necessários ao paciente, para então montar uma estratégia a partir da realidade individual dele, a fim de que o conteúdo seja passado e assimilado pelo mesmo, e assim ele possa chegar a novas conclusões para sua vida.

Milton H. Erickson
• Milton H. Erickson, M.D. (15/12/1901 – 25/03/1980) foi o criador da hipnose moderna e da psicoterapia breve estratégica, sendo considerado uma das maiores autoridades mundiais em hipnose aplicada à psicoterapia e à medicina. Médico psiquiatra especializado em Hipnose médica e Terapia de família, foi presidente fundador da Sociedade Americana de Hipnose Clínica e participou da Sociedade Americana de Psiquiatria, Associação Americana de Psicologia e Associação de Psicopatologia Americana. Erickson tornou-se o grande mestre da comunicação individual, mostrando-nos que é possível, no plano terapêutico, usar todos os modos de comunicação que existem, seja a palavra, o tom de voz, a respiração, o olhar, a postura... e, assim, permitir mudanças significativas no comportamento desadaptado dos pacientes. Trabalhando com o sintoma, a personalidade, o sistema social ou qualquer outra combinação de fatores, ajudase a pessoa a localizar seus próprios recursos e possibilidades de mudança, das quais não tem consciência e, em razão disso se manter presa aos problemas “aprendidos” e/ou herdados ao longo da própria vida, a criar soluções. Tornou-se conhecido internacionalmente pela sua abordagem psicoterápica não convencional utilizando metáforas. A terapia tradicional baseia-se na análise e compreensão para a qual o terapeuta dá ao paciente seu entendimento daquilo que este último quer dizer. Enquanto que o método ericksoniano baseia-se no efeito daquilo que a pessoa vivencia como problema ou sintoma.

Obrigada pela atenção

Fernanda de Sena Reis CRP: 05/12836 Psicóloga Clínica Hipnoterapeuta