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Minicurso Basico Viola Caipira

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Mini-Curso Básico de Viola Caipira

Guia de introdução para o estudo do Viola Caipira

Capítulo 1: História da Viola Caipira

Toda cultura em qualquer parte do mundo possui um ícone. Quando se fala em Brasil, lembramos do Carnaval, quando se fala em Itália, lembramos das massas, pizzas. Na música isso também acontece. Quando falamos, por exemplo em música russa, lembramos da Balaika; da música portuguesa, o Fado; da Espanha, a música flamenca e o Violão. Nosso país tem uma cultura musical imensa e que muitas vezes não conhecemos. Por isso , tenho o grande prazer de apresentar a vocês um instrumento que talvez seja o mais importante da cultura brasileira: a nossa Viola Caipira. A Viola é um instrumento presente em quase todas as festas do nosso interior ( festas do divino, festa de reis, entre outras ). Foi o primeiro instrumento musical a chegar no país. Se a MPB faz jus ao nome ( como toda música popular produzida no Brasil ), então a Viola foi o instrumento precursor de tudo o que temos hoje. É com certeza o instrumento mais popular do país, mas que graças a influência da mídia, quase desapareceu do ouvido dos brasileiros. Um instrumento de som belíssimo, mas que sofre um preconceito enorme por ter estampada em seu nome a palavra " Caipira ". Acima de tudo isso, a Viola é um instrumento que está voltando a crescer graças a nomes como Almir Sater, Roberto Corrêa e Ivan Vilela. Nomes que hoje estão levando o instrumento para outros horizontes, como o erudito, a MPB, a bossa nova. Roberto Corrêa por exemplo já excursionou pela Europa e já levou nosso instrumento até para o outro lado do mundo. Por estas linhas você irá conhecer a sua origem, suasparticularidades, seus ícones ( comoTião Carreiro ), seus ritmos e descobrir muitas novas possibilidades para seu instrumento seja você guitarrista ou violonista. Vamos conhecer um pouco da nossa Viola Caipira ?

HISTÓRICO – 1ª parte Apesar de hoje a Viola Caipira ser considerada um instrumento tipicamente brasileiro, temos historicamente que afirmar que esta colocação é errada. Nossa Viola Caipira supostamente nasceu na Europa por volta do ano 1000, vindo de um instrumento árabe chamado Guitarra Mourisca. Voltando um pouco no tempo, por volta do ano 3000AC, os únicos instrumentos de cordas que tínhamos notícias eras as harpas. Instrumentos que podiam apenas tocar uma nota por corda e eram baseadas em escalas pentatônicas ( escalas de cinco notas ). Sumérios, Egípcios, Chineses a utilizaram durante muitos milênios. Nesta época, descobriu-se que esticando uma corda em uma superfície qualquer, a mesma podia dar inúmeras alturas de som com apenas um toque do dedo. Acredita-se então que a primeira providência foi colocar em uma harpa um pequeno braço de madeira e esticar suas cordas até a extremidade das mesmas. Surgiu então um instrumento mais complexo, capaz de sobrepujar a música até então realizada. Com o tempo, descobriu-se também que uma corda esticada em um recipiente acusticamente favorável ( como uma carapaça de quelônio ) produzia um som mais alto. Surgia na região da Arábia o antecessor do Alaúde, um instrumento que tinha como bojo uma carapaça de quelônio com um couro esticado como tampo, e braço. Por volta do ano 2000AC, os árabes resolveram construir de madeira este instrumento imitando em seu bojo a curvatura das carapaças dos quelônios. Surgia então o A´lud ou Alaùde que em árabe significa "madeira". Perto do ano 900AC, este instrumento sofreu uma ruptura. Dele surgiria o Alaúde que nós conhecemos hoje, com um braço menor. Nesta época, acreditase que o Alaúde já usava cordas duplas para aumentar sua sonoridade. O Alaúde original de braço comprido utilizado por mouros e egípcios ganhou o nome de Guitarra Mourisca. Com a invasão árabe na península ibérica por volta do ano 650 de nossa era, toda cultura árabe foi despejada na região que conhecemos hoje por Portugal e Espanha. Com ela vieram a música e os instrumentos típicos. O Alaúde teve como alteração apenas o adicionamento de trastes, enquanto a Guitarra Mourisca começou a passar por uma lenta transformação. Primeiramente seu corpo passou a ganhar um leve acinturamento na região central, e seu bojo curvo começou a perder esta característica ( fato que levou por volta de mil anos ) ganhando forma plana. Já por volta do ano 1000, temos um instrumento com quatro pares de corda chamado Guitarra Latina ( mais tarde conhecido por Guitarra Renascentista ). Por volta do ano 1400 surgiram na Espanha dois instrumentos derivados da Guitarra Renascentista: a Guitarra Barroca com cinco pares de corda e a Vihuela com seis pares de cordas. Estes dois instrumentos foram então introduzidos em Portugal com o nome de Viola ( aportuguesamento de Vihuela ) por volta do ano1450. Com a expansão ultramarítima portuguesa, os portugueses introduziram em suas colônias seus costumes e cultura. Com os jesuítas, chegou ao Brasil por volta de 1550 a Viola de cinco pares de corda. Utilizada primeiramente na catequese dos índios, ganhou o interior brasileiro e perdeu sua imagem tão erudita, passando a ser construída pelos nossos próprios caboclos com madeiras toscas. Surgia a nossa Viola Caipira. HISTÓRICO – 2ª PARTE Durante os próximos 300 anos a Viola foi rapidamente se transformando no instrumento mais popular do Brasil ( o Violão como conhecemos hoje só surgiu porvolta de 1800 ). Um violeiro brasileiro fez fama nas cortes portuguesas. Era este Domingos Caldas Barbosa ( 1740-1800 ). Em 1817, um censo demonstrava que a Viola era o instrumento maispopular do Brasil. Mas com o surgimento do Violão ( que já veio da Europa com métodos e toda uma escola formada ), a Viola passou a ser confinada cada vez mais para o interior. O Violão passou a ser um instrumento urbano e a Viola um instrumento rural. Em 1929, o paulista Cornélio Pires, amante da cultura caipira, levou para o estúdio a música caipira e com ela a Viola. Pela primeira vez era gravado e lançado em disco o som de uma Viola. O sucesso foi imediato e várias duplas surgiram a partir daí, como Alvarenga e Ranchinho. Em pouco tempo a música caipira era o gênero que mais vendia no país. Nomes como Tonico e Tinoco eram considerados como vedetes. Na década de 50, surgiu um nome que iria mudar o conceito até então de música caipira. Era José Dias Nunes que foi imortalizado com o apelido de Tião Carreiro. Ele revolucionou o modo de tocar o instrumento, estando para a Viola o que Hendrix foi para a Guitarra elétrica. Na década de 60, com o êxodo rural, milhares de famílias que viviam em zonas rurais vieram para as cidades, principalmente as capitais, e cessou-se então um ciclo de aprendizado. Até então os ensinamentos da Viola Caipira eram passados de pai para filho. O instrumento passou a sercolocado em um segundo plano. Também nesta década, as várias influências de músicas de outros países, como os ritmos paraguaios, mexicanos deram ênfase a outros instrumentos como a sanfona e os metais ( trumpetes, por exemplo ). A musica caipira sofre uma ruptura e lentamente vai surgindo a música sertaneja de hoje. A Viola então começa a caminhar outros horizontes. Em 1968 é gravado o primeiro disco de música erudita totalmente gravado com Viola e Tião Carreiro grava samba e choro com o instrumento. A década de 80 traria um novo crescimento para o instrumento. Em 1981, Almir Sater grava seu primeiro disco, mostrando os ritmos pantaneiros e mostrando o lado MPB da Viola.

A TV Cultura abre um programa totalmente dedicado ao instrumento, o "Viola Minha Viola" e em 1985 surge a Viola didática nas mão de Roberto Corrêa, que passa a lecionar Viola Caipira em uma instituição. Em 1990 a Viola volta a mídia com a novela Pantanal, aonde Almir Sater mostra para todo o Brasil a força do instrumento, repetindo a dose em 1992 com a novela Ana Raio e Zé Trovão e em 1996 com a novela Rei do Gado. Roberto Corrêa passa a excursionar pelo exterior com a Viola em punho e nossa música Caipira perde Tião Carreiro em 1993. A década de 90 foi uma década movimentada. Hoje o instrumento volta a ter grandepopularidade, multiplica-se professores de Viola como Ivan Vilela que leciona na região de Campinas e Roberto Corrêa em Brasília e Junior da Violla em São Paulo.

Capítulo 2: Notação Musical e sistema de Cifragem

Para usarmos este método, deveremos aprender um pouco sobre o sistema de cifragem. A notação musical é posterior à linguagem, e surgiu pela necessidade de preservar e de transmitir as manifestações musicais sem as imprecisões e os inconvenientes da transmissão oral. Os gregos, já antes de Pitágoras ( portantoanteriormente ao século V A.C. ), tinham desenvolvido um sistema de notação baseado nas letras do alfabeto. Os romanos, herdeiros da cultura e, portanto, da música grega, reduziram a notação ( que compeendia 15 letras ) a apenas 7. Como a escala grega começava pela nota que hoje chamamos de La, ficou assim essa redução:

Esta denominação se conservou intacta através dos séculos até nossos dias e até hoje ainda é usada preferencialmente, nos países de língua inglesa e na Alemanha. O sistema de cifragem para designar acordes de acompanhamento usado em todo o mundo emprega essa notação. Junto destas letras também são usados alguns sinal denominados acidentes: # (sustenido) - aumenta a nota em 1 semitom b ( bemol ) - diminui a nota em 1 semitom x ( dobrado sustenido) aumenta a nota em 1 tom bb ( dobrado bemol ) diminui a nota em 1 tom Para explicarmos a palavra TOM e SEMITOM, vamos pegar por base as teclas de um piano:

A notação musical ocidental ( que é diferente da oriental ) possui 12 semitons. Isso pode ser percebido quando você vai de uma tecla branca para uma tecla preta que vem em seguida. Por exemplo: DO e DO#, DO# e RE, MI e FA. Para termos um semitom, apenas andamos uma tecla para frente ou para trás. Já para termos 1 TOM, precisamos

de 2 semitons, ou seja, andarmos 2 teclas para frente. Por exemplo: DO e RE, MI e FA#, SOL e LA. Para achar estas distâncias no braço da viola, basta imaginar que para cada tecla, você tem 1 casa:

Capítulo 3: Afinações da Viola Caipira

Agora que já temos noção de leitura de cifras, podemos falar sobre algumas afinações utilizadas na viola. A viola caipira é um instrumento que diferente do violão, utiliza diversas afinações: cebolão, rio abaixo,rio acima, natural, entre outras. Para o nosso método, iremos usar a afinação CEBOLÃO EM MI MAIOR.

Para uma perfeita afinação em sua viola, sugerimos a aquisição de um afinador eletrônico ou diapasão. Uma boa afinação é necessário para se tocar em grupo. Imagine se cada um em um grupo afinar seu instrumento de "qualquer jeito".. Para isso emprega-se o La (440 Hz )que é o Lá do diapasão. Sabendo a afinação da viola, seremos capazes então de saber o nome da nota em cada casa do instrumento. Por exemplo:

Uma boa sugestão de estudo é desenhar o braço do instrumento e fazer como o exemplo acima, corda por corda, assim ficará mais fácil visualizar as notas quando for necessário. Vamos então entrar em nosso primeiro ritmo que é o CURURU:

CURURU

O cururu é um rítimo bastante usado na música caipira. Nasceu quando o Jesuíta para ensinar catequese aos índios faziam uma festa chamada de "Festa da Santa Cruz". O Índio, por não conseguir falar a palavra cruz, dizia "curuz" e com o tempo o ritmo ganhou o nome de cururu. Há vários tipos de cururu, como o piracicabano, por exemplo que é um desafio feito entre os violeiros assim como as emboladas. No nosso caso, cururu é um ritmo básico da viola que veremos a seguir. Exemplos de músicas com este ritmo: A VACA JÁ FOI PRO BREJO ( de Tião Carreiro e Pardinho ) CANOEIRO ( de Zé Carreiro e Carreirinho ) SAUDADES DE ARARAQUARA ( de Zé Carreiro e Carreirinho ) PEITO SADIO ( de Zé Carreiro e Carreirinho ) MENINO DA PORTEIRA ( de Luizinho e Limeira ) PESCADOR E CATIREIRO ( de Cacique e Pagé ) O rítmo está expresso pelo seguinte desenho:

P significa polegar, e a seta indica descer o polegar

I significa indicador, e a seta indica subir com o indicador R sifnifica rasqueado, e a seta indica descer com rasqueado. O rasqueado é feito com a parte da frente da mão, descendo com a ponta das unhas sobre a corda. Visa um som mais forte do instrumento. Escute as músicas indicadas acima e procure treinar o ritmo para que o mesmo tenha o andamento certo. A seguir vem algumas músicas cifradas para você tocar com este ritmo. Segue também um glossário de acordes para você poder tocá-las:

O MENINO DA PORTEIRA ( De Teddy Vieira e Luizinho ) TOM : A INTROD : A E7 A E7 RITMO: CURURU

A E7 TODA VEZ QUE VIAJAVA PELA ESTRADA DE OURO FINO

A DE LONGE EU AVISTAVA A FIGURA DE UM MENINO E7 QUE CORRIA ABRIR A PORTEIRA / DEPOIS VINHA ME PEDINDO D E7 A TOQUE O BERRANTE SEU MOÇO QUE É PRÁ EU FICAR OUVINDO D E7 QUANDO A BOIADA PASSAVA E APOEIRA IA BAIXANDO A EU JOGAVA UMA MOEDA E ELE SAIA PULANDO E7 OBRIGADO BOIADEIRO QUE DEUS VÁ LHE ACOMPANHANDO D E7 A PRÁ AQUELE SERTÃO AFORA MEU BERRANTE IA TOCANDO. E7 NO CAMINHO DESTA VIDA MUITO ESPINHO EU ENCONTREI A MAS NENHUM CALOU MAIS FUNDO DO QUE ISSO QUE EU PASSEI E7 NA MINHA VIAGEM DE VOLTA QUALQUER COISA EU CISMEI D E7 A VENDO A PORTEIRA FECHADA / O MENINO EU NÃO AVISTEI D E7 APEEI DO MEU CAVALO NUM RANCHINHO À BEIRA CHÃO A VI UMA MULHER CHORANDO QUIS SABER QUAL A RAZÃO E7 BOIADEIRO VEIO TARDE VEJA A CRUZ NO ESTRADÃO D E7 A QUEM MATOU O MEU FILHINHO FOI UM BOI SEM CORAÇÃO E7 LÁ PRÁS BANDAS DE OURO FINO LEVANDO GADO SELVAGEM A QUANDO EU PASSO NA PORTEIRA ATÉ VEJO A SUA IMAGEM E7 O SEU RANGIDO TÃO TRISTE MAS PARECE UMA MENSAGEM D E7 A DAQUELE ROSTO TRIGUEIRO DESEJANDO-ME BOA VIAGEM D E7 A CRUZINHA DO ESTRADÃO DO MEU PENSAMENTO NÃO SAI A EU JÁ FIZ UM JURAMENTO QUE NÃO ESQUEÇO JAMAIS E7 NEM QUE O MEU GADO ESTOURE, QUE EU PRECISE IR ATRÁS D E7 A NESTE PEDAÇO DE CHÃO , BERRANTE EU NÃO TOCO MAIS.

ENCONTRO DAS BANDEIRAS TOM : E ( Mi Maior ) INTROD.: ( B C# D# E em solo ) 2X RITMO : CURURU ( REIZADO ) E B7 E E7 AI, QUE BANDEIRA É ESSA, AI, AI A B7 NA PORTA DA SUA MORADA AONDE MORA O CALIX BENTO A B7 E E7 E A HOSTIA CONSAGRADA A B7 E B7 E ( B7 E B7 E ) E A HOSTIA CONSAGRADA, EH, EH, EH E B7 E E7 QUE ENCONTRO TÃO BONITO, AI, AI A B7 QUE FIZEMO AQUI AGORA OS TRES REIS DO ORIENTE A B7 E SÃO JOSÉ, NOSSA SENHORA A B7 E B7 E ( B7 E B7 E ) SÃO JOSÉ, NOSSA SENHORA, EH,EH,EH E B7 E E7 AS BANDEIRA VAI-SE EMBORA AI, AI A B7 AS FITA VÃO AVOANDO

SE DESPEDE DO FESTEIRO A B7 E PRÁ VOLTAR NO OUTRO ANO A B7 E B7 E PRÁ VOLTAR NO OUTRO ANO EH, EH, EH

REIZADO ( De. Teddy Vieira) TOM : E ( Mi Maior ) INTROD.: ( B C# D# E – em solo ) 2X RITMO : CURURU ( REIZADO ) E A O GALO CANTOU NO ORIENTE, AI, AI, AI, AI, B7 E SURGIU A ESTRELA GUIA, AI, AI A HÁ NOS CÉUS DA HUMANIDADE, AI, AI, AI, AI B7 E B7 DEUS MENINO, DEUS DAS FILHA, AI, AI, AI, AI E EM UMA ESTREBARIA, AI, AI E A VINTE E CINCO DE DEZEMBRO, AI, AI, AI, AI B7 E NÃO SE DORME NO COLCHÃO, AI, AI A DEUS MENINO TEVE A CAMA, AI, AI, AI, AI B7 E B7 DE FOIA SECA DO CHÃO, AI, AI, AI, AI E PRÁ NOSSA SALVAÇÃO, AI, AI E A SENHORA DONA DA CASA, AI, AI, AI, AI B7 E ÓIA A CHUVA NO TELHADO, AI, AI A VENHA VER O DEUS MENINO AI, AI, AI, AI B7 E B7 COMO ESTÁ TODO MOLHADO AI, AI, AI, AI E OS TRES REIS AO SEU LADO AI, AI E A DEUS LHE PAGUE A BELA OFERTA AI, AI, AI, AI B7 E QUE VOS DEU COM ALEGRIA, AI, AI A O DIVINO SANTO FEZ AI, AI, AI, AI B7 E B7 SÃO JOSÉ, SANTA MARIA, AI, AI, AI, AI E HÁ DE SER VOSSA GUIA, AI, AI PEITO SADIO TOM : E ( Mi Maior ) INTROD.: ( E E7 A B7 E ) B7 E RITMO : CURURU / CORTA JACA E7 A B7 E FOI ÀS QUATRO HORAS DA MANHÃ MEU CACHORRO DE GUARDA LATIU B7 E LEVANTEI PARA VER O QUE ERA, E VESTI MEU CASACO DE FRIO E7 A B7 E ENTÃO VI QUE CHEGOU UM MENSAGEIRO AMUNTADO NUM BURRO TURDILHO B7 E APIOU E ME DISSE BOM DIA O BOLSO DA BARDANA ELE ABRIU E7 A E B7 E ( Introd. ) UMA CARTA O RAPAZ ME ENTREGOU E DE NOVO AMUNTOU E NA ESTRADA SUMIU E7 A B7 E DEI A CARTA PRO MEU IRMÃO LER, ELE LEU ME OLHANDO SORRIU B7 E É CONVITE PRÁ NÓIS IR NA FESTA, VAI HAVER UM GRANDE DESAFIO E7 A B7 E O MEU PAI JÁ CORREU NO VIZINHO, FOI CHAMAR O VOVÔ EO TITIO B7 E

NÓIS CHEGUEMO A PULAR DE CONTENTE, LÁ EM CASA NINGUÉM MAIS DORMIU E7 A E B7 E ( Introd. ) PRÁ QUEBRA AQUELES CAMPEONATO, NEM COM SINDICATO NINGUÉM CONSEGUIU. E7 A B7 E VIOLEIRO QUE MANDOU CONVITE MORA LÁ NO OUTRO LADO DO RIO B7 E ELE PENSA QUE NÓIS NÃO VAI LÁ, MAIS NÓIS SEMO CABOCLO DE BRIO E7 A B7 E A PETECA AQUI DO NOSSO LADO POR ENQUANTO NO CHÃO NÃO CAIU B7 E QUANDO NÓIS CHEGUEMO NO CATIRA OS MAIS FRACO NA HORA SUMIU A E B7 E ( Introd. ) SÓ CANTEMO MODA DE CAMPEÃO, E OS TAR QUE ERA BÃO NEM SEQUER REAGIU. E7 A B7 E PERGUNTARAM AO DONO DA FESTA, ONDE FOI QUE O SENHOR CONSEGUIU B7 E ESSE TAR VIOLERO FAMOSO, QUE AS MODA DE NÓIS ENGOLIU E7 A B7 E O FESTEIRO FICOU PENSATIVO, E MORDEU NO CIGARRO E CUSPIU B7 E VOCEIS SÃO DOIS CABOCLO BATUTA, QUEM FALOU PODES CRÊ NÃO MENTIU A E B7 E ( Introd. ) TEVE ALGUÉM QUE CANTÁ EXPERIMENTOU MAIS O PEITO FALHOU E A VOZ NÃO SAIU E7 A B7 E AS VIOLA NÓIS FAZ DE ENCOMENDA NOSSO PEITO É TRATADO E SADIO B7 E JÁ CANTEMO TRES NOITE SEGUIDA E AS MODA NOIS NÃO REPETIU E7 A B7 E QUEM REPETE É RELÓGIO DE IGREJA E O TRISTE CANTAR DO TIZIU B7 E E AGORA COM ESTA VITÓRIA, AINDA MAIS NOSSA FAMA SUBIU E7 A E B7 E E VOCÊIS NÃO DEVE DISCUTIR SE VIEMOS AQUI, FOI VOCÊIS QUEM PEDIU.

Capítulo 3: Os Acordes na Viola Caipira

Para os que estão começando agora nesse novo curso dediquei este capítulo para abordar sobre a posição dos acordes a fim de vocês terem em mente e fixá-los para que possam tocar uma canção na sua viola. Veja abaixo a lista dos acordes mais usados com suas devidas posições no braço da viola. Este é um dicionário com afinação em MI, ok?

Capítulo 4: Escala Cromática
Olá, tudo bem??? Fiquei sabendo que com o conteúdo da aula passada você já está conhecido em sua região como o "rei do cururu"!!! Parabéns. Vamos então a mais um passo A ESCALA CROMÁTICA nada mais é do que a escala musical que contém todas as notas do nosso alfabeto musical. É como o nosso alfabeto e todas as suas letras. Temos então na escala cromática:

Como já dissemos na aula passada, nossa escala musical é formada por 12 notas e que a distância entre elas é de 1 semitom, ou seja, de DÒ para DÒ# existe a distância de 1semitom, de RÈ# para MI exista também a distância de 1 semitom, de MI para FÀ também existe a distância de 1 semitom. Cabe ressaltar uma regra básica para se decorar ( ou entender, o que é melhor ) esta escala. Toda nota terminada em "i" NÂO tem sustenido, ou seja, MI e SI. Continuando, podemos também concluir que de DÒ para RÈ temos a distância de um tom, assim como de RÈ# para FÀ, temos também a distância de um tom. Mas para produzirmos música popular, não é necessário que você use todas as 12 notas da escala cromática e sim apenas um pequeno grupo de 7 ( sete ) notas que são as conhecidas ESCALAS MAIORES e ESCALAS MENORES. O que irá diferenciar uma da outra é a distância entre semiton e tom que há entre uma nota e outra. Vamos ver? ESCALA MAIOR Você já deve ter ouvido isso?

DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – LÁ – SI – DÓ
Isso é um exemplo de escala maior, no caso DÓ MAIOR. Vamos entender a estrutura desta escala? De DÒ para RE temos a distância de 1 tom De RÈ para MI temos a distância de 1 tom De MI para FÀ temos a distância de 1 semitom De FÀ para SOL temos a distância de 1 tom De SOL para LÀ temos a distância de 1 tom De LÀ para SI temos a distância de 1 tom De SI para DÒ temos a distância de 1 semitom Portanto a estrutura de uma escala MAIOR é:

TOM – TOM – SEMITOM – TOM – TOM – TOM – SEMITOM Podemos aplicar esta regra em outras tonalidades também:

SOL – LÁ – SI – DÓ – RÉ – MI – FÁ# - SOL
Esta escala é uma escala de Sol Maior e como você pode observar, a nota FÀ está com um sinal de sustenido. Este sinal foi colocado pois houve a necessidade de se alterar a escala para que ela pudesse conter a mesma estrutura de uma escala maior. Vejamos De SOL para LÀ temos a distância de 1 tom De LÀ para SI temos a distância de 1 tom De SI para DÒ temos a distância de 1 semitom De DÒ para RÈ temos a distância de 1 tom De RÈ para MI temos a distância de 1 tom De MI para FÀ temos a distância de 1 semitom, mas preciso ter 1 tom, então coloco um sustenido no FÀ para aumentar a distância de 1 semitom para 1 tom. Portanto, de MI para FÀ# temos 1 tom De FÀ# para SOL temos 1 semitom ( se fosse FÀ para SOL teríamos 1 tom, o que também fica fora do que nós precisávamos ). Espero que você tenha compreendido a lição desta aula teórica. Com as regras aqui passadas você pode testar outras tonalidades, mas lembre-se que a ajuda de um bom professor é fundamental para a compreensão desta matéria. No próximo mês iremos ver ESCALAS MENORES. Vamos a nossa aula prática?

Capítulo 5: Cateretê
O Cateretê é um ritmo ternário ( conta-se 1...2...3...1...2...3...) e é muito usado em músicas caipiras, principalmente aquelas músicas mais românticas e tristes. Segue alguns exemplos de cateretê: A MÃO DO TEMPO ( Tião Carreiro e Pardinho ) MODA DA MULA PRETA ( Raul Torres e Florêncio ) DUAS CARTAS ( Zé Carreiro e Carreirinho ) GARÇA BRANCA ( Vieira e Vieirinha ) AMOR E SAUDADE ( Tião Carreiro e Pardinho ) OI PAIXÃO! ( Tião Carreiro e Pardinho ) Vamos ao Ritmo:

Neste ritmo, o polegar desce duas vezes, o indicador sobe duas vezes e desce rasqueando. Se tiver dúvidas ouça as músicas indicadas acima e segue algumas músicas cifradas para você tocar.

Capítulo 5: Escala Menor
Depois de passar pela escala maior em nossa aula passada, vamos agora conhecer outra escala muito importante que é a ESCALA MENOR. Esta escala possui uma estrutura diferente da maior. Observe o exemplo abaixo: Na escala maior temos TOM-TOM-SEMITOM-TOM-TOM-TOM-SEMITOM Na escala menor temos TOM-SEMITOM-TOM-TOM-SEMITOM-TOM-TOM Vamos observar por exemplo a escala de Lá Menor A–B–C–D–E–E–F–G–A De Lá para Si temos 1 TOM De Si para Dó temos 1 SEMITOM De Dó para Ré temos 1 TOM De Ré para Mi temos 1 TOM De Mi para Fá temos 1 SEMITOM De Fá para Sol temos 1 TOM

De Sol para Lá temos 1 TOM Assim como na escala maior, você pode experimentar outras tonalidades, sempre atentando para a estrutura da escala que deve ser mantida, para que ela tenha característica sonora de uma escala menor. Por exemplo: Escala de E menor E – F# - G – A – B – C – D – E De Mi para Fá sustenido temos 1 TOM ( Mi para Fá tem apenas 1 SEMITOM ) De Fá# para Sol temos 1 SEMITOM De Sol para Lá temos 1 TOM De Lá para Si temos 1 TOM De Si para Dó temos 1 SEMITOM De Dó para Ré temos 1 TOM De Ré para Mi temos 1 TOM Espero que você tenha compreendido bem nossa aula teórica de hoje. Volto a relembrar que a ajuda de um bom professor de viola é fundamental para um bom aprendizado. E temos muitos profissionais de altíssimo nível espalhado por este país. Na aula que vem veremos formação de escalas duetadas, que é o tipo de solo característico do nosso amado instrumento. TOADA A Toada é um dos ritmos mais bonitos da viola. Temos verdadeiros clássicos tocados este ritmo como por exemplo "Chico Mineiro", "Cabocla Tereza", "Pingo d’Água, " Tristezas do Jeca" entre muitas outras. Vamos ver como é o seu ritmo?

Neste ritmo deve-se reparar que ele começa com polegar e termina com polegar, ou seja, colocado em seqüência, teremos dois polegares descendo um após o outro. há a mudança de acorde, o mesmo entrará entre os polegares como no exemplo abaixo:

Segue abaixo algumas pérolas da nossa música caipira:

Capítulo 6: Formação de Acordes
Agora que você viu os dois modos de escalas ( maior e menor ) e fez os exercícios propostos em todos os tons, vamos ver como se formam os acordes. Temos duas categorias principais de acordes: tríades e tétrades. As tríades como o próprio nome já diz são acordes formados por três notas e as tétrades por quatro notas. Vamos conhecêlas: a) Tríades Para a formação de um acorde é necessário que se tenha no mínimo três notas de uma determinada escala. Geralmente se usa a 1ª nota ( também chamada de tônica ), a 3ª e a 5ª nota. Por exemplo, vamos pegar a escala de Mi Maior: E - F# - G# - A - B - C# - D# - E O acorde de Mi Maior seria formado pelas notas E, G# e B. Quando você bate sua viola sem apertar acorde nenhum, automaticamante você estará tocando um acorde de mi maior, certo? Confira então as notas que você está tocando. A afinação da viola é da mais grave para a mais fina: B, E, G#, B, E. E então, bateu? Veja que todas as notas do acorde de Mi maior estão presentes. É assim que se forma um acorde. Vamos pegar agora a escala de Mi Menor: E - F# - G - A - B - C - D - E Fazendo o mesmo procedimento, veremos que o acorde de Mi Menor é formado pelas notas E, G e B. Relembre de nossa primeira aula que cada casa da viola tem um semitom. Então basta procurar no braço as notas do acorde. Veja o desenho a seguir:

Veja que apertando as notas certas teremos da mais grave para a mais fina B, E, B, B, G. Observe que todas as notas fazem parte da escala de Mi Menor. Um bom exercício é pegar todas as escalas maiores e menores que você fez e formar tríades. Lembre-se que o acorde irá ganhar o nome da escala e do modo a que ele pertence. Se você pega e faz a tríade da escala de Dó Maior, obviamente o acorde também se chamará Dó Maior. Na aula que vem veremos como se formam as tétrades. Dando continuidade à parte rítmica, vamos conhecer hoje a Querumana. Este ritmo não é lá muito conhecido, mas está presente num dos maiores sucessos da música caipira dos últimos anos: “Meu Reino Encantado”, gravado em 2000 pelo cantor Daniel. Vamos ver o seu desenho?

Este ritmo é muito fácil, porém você tem que observar que ele tem 6 tempos e você toca apenas nos 4 primeiros deixando os dois últimos sem bater. Por exemplo, conte até seis. Depois toque contando os quatro primeiros tempos e no 5 e 6 abafe as cordas para não tocar. Este ritmo é bem audível na música “Encantos da Natureza”, dos nossos saudosos Tião Carreiro e Pardinho. A seguir algumas músicas para você tocar:

Capítulo 7: Intervalos
Vamos estudar este mês os intervalos. Os intervalos musicais são como distâncias entre um ponto e outro e muito importante para a compreensão de certos acordes como E9, A11 entre outros. Vamos conhece-los. Para este exemplo vou pegar uma escala cromática que comece pela nota MI ( E ): E - T - Tônica - é a primeira nota da escala. A palavra tom vem dela F - 2m ou b9 - segunda menor ou bemol nove F# - 2M ou 9 - segunda maior ou nona

G - 3m - terça menor G# - 3M - terça maior A - 4J ou 11 - quarta justa ou décima primeira A# - b5 - bemol cinco ou quinta diminuta B - 5J - quinta justa C - 6m ou b13 - sexta menor ou bemol treze C# - 6M ou 13 - sexta maior ou décima terceira D - 7m - sétima menor D# - 7M - sétima maior E - 8J - oitava justa Convém estudar em todos os tons. O que mudará são as notas, mas a seqüência de Tônica á Oitava Justa é sempre a mesma. Mão á obra!!! Dando continuidade à parte rítmica, vamos conhecer hoje o Cipó-preto. Este ritmo é bastante diferente dos outros pois é feito no contra tempo. Em vez de descer o dedo no tempo um, você abafa. É o ritmo usado pelo violão no pagode de viola. Preste bem atenção a ele. Vamos ver o seu desenho?

A - abafado R - rasqueado I - indicador Este ritmo é bem fácil desde que você observe que ele não é igual aos outros. Segue algumas músicas para o treino. Na aula que vem continuaremos com o assunto falando sobre pagode de viola

Capítulo 8: Pagode de Viola
E aí pessoal, hoje dando continuidade ao nosso curso vamos ver o ritmo mais amado pelos violeiros do nosso país. Sim, é o pagode de viola. O pagode nasceu nas mãos do saudoso Tião Carreiro no final da década de 50. Tião na época fazendo dupla com Carreirinho estava numa rádio em Maringá e em um momento de descanso pegou o violão e começou a brincar com os ritmos. Ao achar o ritmo que seria conhecido por cipó-preto, ele o gravou em um gravador que havia ali. Com o violão gravado ele pegou a viola e começou a procurar outro ritmo que se encaixasse ali. Nascia o pagode de viola. Tião eufórico, na sua chegada em São Paulo mostrou o ritmo para o compositor e parceiro Lourival dos Santos que disse: “Parece um pagode”. Pagode naquela época queria dizer festa de fundo de quintal, bagunça, Somente nos anos 80 o samba carioca tocado em rítmo mais lento seria conhecido por este nome. Vamos conhecê-lo: O pagode é o ritmo mais difícil de todos pela sua necessidade de coordenação da mão direita e da mão esquerda. Para começar nosso treino, pegue sua viola e toque na corda mi grave a segunda casa com o dedo indicador de sua mão esquerda e sem tirar o dedo dela e sem toca-la novamente, bata com o dedo anelar na quarta corda como um martelo. Bata e fique com o dedo ali, pois se você levantar o dedo, o som morrerá. Isso se chama “ligado” ou em ternos americanizados “hammer-on”. Segue abaixo uma explicação gráfica.

Toque com o dedo indicador na segunda casa da corda mi grave e segure o som, não o deixe morrer

Em seguida bata com o dedo anelar na quarta casa e segure o som, não solte nem o indicador e nem o anelar. Treine bastante até conseguir fazê-lo o mais limpo possível. Vamos agora ver a parte rítmica. Vamos conhecer a batida seca. A batida seca é um rasqueado seco, ou seja, toque um rasqueado forte e com o peso da mão na descida, abafe a corda com a palma da mão. O som tem que sair percussivo. Para testar, faça acordes e toque sua batida seca. Se o som do acorde sair é porque ela ainda não está perfeita. Treine bastante isso. Bom, com o “ligado” e a “batida seca” treinada, vamos ao ritmo:

BS – batida seca I – indicador Repare que há um espaço separando a última batida seca e indicador. Este espaço tem sentido. Dê este espaço para tocar. Juntando dois compassos, ele fica assim:

Treine bastante sempre ouvindo as músicas para ter noção do tempo e do ritmo. Agora vamos ver os acordes usados nele. 1 - na saída dos solos: repare no que a viola faz na saída de um solo no pagode. Os usados ali são: acordes

Acorde 1

Acorde 2

Colocando os acordes junto ao ritmo fica:

2 – Para o ritmo no acorde de mi maior: quando precisar manter o acorde mais de um compasso, use o acorde 2:

E o gráfico da levada fica

2

– Para levada do ritmo no acorde de si com sétima ( B7 ) use o acorde 1:

E o gráfico da batida fica:

4- Para outros acordes, como Lá Maior ( A ), Mi maior com Sétima Menor, faça o acorde normal, mas substituindo o ligado pela descida do polegar:

Bom, espero que você tenha gostado da aula de hoje. Treine bastante e lembre-se de que seu som tem que ficar o mais nítido possível. Boa sorte e até a próxima. Para treinar seu pagode use as músicas passadas na útima aula.

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