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As Duas Bonecas

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As duas bonecas

Conto de António Sérgio Lá longe, na Índia, havia um rei que tinha uma filha. Ora, queria o rei que a sua filha casasse com um homem de muito juízo. "O noiva da minha filha" (dizia ela) "pode ser fidalgo, valente, bonito e rico -tudo isso será bom; mas mais que tudo, antes e acima de tudo, eu quero que o noivo da minha filha seja um homem de muito juízo, uma pessoa discreta e de muito bom senso." Um dia, o rei mandou fazer duas bonecas muito bem feitas, do tamanho de pessoas crescidas. Era olhar para elas, e vê-las iguais -mesmo iguaisinhas. As caras das duas eram iguais; os corpos, iguais; os tamanhos, iguais; os vestidos, iguais; - tudo igual. Não se via diferença: mesmo iguaisinhas. O rei, depois, mandou pôr as duas bonecas à porta do seu palácio. Um arauto avançou por ordem dele, e gritou assim, para que todos ouvissem: - Olá! Oiçam todos o que eu vou dizer! Oiçam todos, e passem palavra do que vão ouvir! À porta do palácio estão duas bonecas. O homem (quem quer que ele seja) que for capaz de dizer certinho em que é que as bonecas não são iguais - esse casará com a nossa princesa, e virá um dia a ser rei ! A notícia correu de terra em terra, e por toda a parte se dizia o mesmo, - por todas as cidades, por todas as aldeias, por todos os campos. "Casará com a princesa, virá a ser rei, quem for capaz de descobrir em que é que as bonecas não são iguais." E desde então, de dia e de noite, passava gente de todas as partes - pelas estradas, pelas veredas, pelos caminhos, uns nos seus carros, outros montados, muitos a pé, - para verem na porta as bonecas do rei. Eram monarcas, eram fidalgos, eram pastores, que todos se punham a ver e mirar. Viam em cima, viam em baixo, viam à frente, viam aos lados, viam atrás. Olhavam, fitavam, espreitavam, contemplavam, inspeccionavam, examinavam - e nada, nada, nada ! Ninguém via diferença alguma. Eram iguais ! - Não sei. Não vejo diferença - diziam todos - parecem-me iguais. E os cozinheiros, portanto, não tiveram de cozinhar o banquete para o dia do casamento da princesa. Por fim, apareceu uma manhã um homem alegre e muito novo - um jovem - de olhos brilhante e de gesto calmo, que parecia pensar as coisas bem pensadas, até adivinha, bem adivinhadas, as adivinhas que lhe propusessem. Ouvira falar do aviso do rei, e queria ver, também ele, as duas bonecas ! Colocou-se pois adiante das duas, e esteve muito tempo a examiná-las. Não via, também, nenhumas diferença. Os olhos de uma eram iguais aos da outra; iguais as mãos, os braços, os pés, os vestidos. Tudo igual ! Saiu o jovem de ao pé das bonecas. Passeou, pensando, de um lado para o outro. Franziu os sobrolhos. Cruzou as mãos por trás das costas. Fechou os olhos. Inclinou a cabeça ... De repente, lembrou-lhe uma coisa. Foi ver as orelhas das duas bonecas. Viu também as suas bocas. Procurou depois qualquer coisa pelo chão, até que encontrou uma palhinha. Pegou na palhinha, e voltou para as bonecas. Então, meteu a palhinha por dentro do ouvido de uma delas. Foi empurrando, empurrando, empurrando, até que viu sair a outra ponta pela boca da boneca, ao meio dos lábios. Puxou então por essa ponta, e assim tirou a palhinha cá para fora. Foi depois à outra boneca - a da esquerda -, e meteu-lhe a palha para dentro do ouvido. Empurrou a palha, empurrou, olhando para os lábios dessa mesma boneca. Empurrou mais. Não saía. Empurrou tudo, até ao fim. A palha desapareceu. Tinha caído, certamente, para dentro do corpo. Não havia passagem do ouvido para a boca. Então, chamou um criado, e disse-lhe assim:

para os cozinheiros. . pelas veredas.esse casará com a nossa princesa. a outra é linguareira e indiscreta.mesmo iguaisinhas. Ora. pelos caminhos.por todas as cidades. havia um rei que tinha uma filha. e gritou assim. valente. O rei. O jovem inclinou-se. .Pode falar . Já dei com o segredo. porque não atira pela boca fora tudo o que lhe entra pelos ouvidos.tudo isso será bom. e por toda a parte se dizia o mesmo.Meu senhor .Trataremos de preparar a festa de noivado. . Não se via diferença: mesmo iguaisinhas. os mordomos. cruzou as mão sobre o peito. os oficiais. antes e acima de tudo. Este jovem tem juízo. tudo aquilo quanto ouve dizer. por todas as aldeias. iguais." Um dia. uns nos seus carros. Um arauto avançou por ordem dele. O homem (quem quer que ele seja) que for capaz de dizer certinho em que é que as bonecas não são iguais . bonito e rico . e passem palavra do que vão ouvir! À porta do palácio estão duas bonecas. os criados. As caras das duas eram iguais. . na Õndia. "Casará com a princesa. e toda a demais gente do real palácio! E isso é que foi uma festa. "O noivo da minha filha (dizia ele) pode ser fidalgo. As duas bonecas (Conto de António Sérgio) Lá longe. do tamanho de pessoas crescidas.declarou o rei . uma pessoa discreta e de muito bom senso. e virá um dia a ser rei! A notÃcia correu de terra em terra.começou o jovem . meus amigos. de dia e de noite. .. para que todos ouvissem: . Uma não repete. ao passo que a outra deixa sair pela boca. passava gente de todas as partes pelas estradas. pois. Era olhar para elas. quem for capaz de descobrir em que é que as bonecas não são iguais. O rei mandou-o entrar. iguais. e há-de casar com minha filha! E então é que foi trabalho. iguais. mandou pôr as duas bonecas à porta do seu palácio. os vestidos.Olá! Ouçam todos o que eu vou dizer! Ouçam todos.uma das bonecas é melhor que a outra. .Faça favor de dizer a el-rei que lhe peço para lhe falar sobre as bonecas. os corpos. depois." E desde então. a do casamento da filha do rei! Leia o texto a seguir para responder à s questões de 01 a 10. por todos os campos. e vê-las iguais . virá a ser rei. os tamanhos. os alfaiates.tudo igual.Ora até que enfim! . mas mais que tudo. tudo que pelos ouvidos se lhe meter.disse-lhe o rei. queria o rei que a sua filha casasse com um homem de muito juÃzo. eu quero que o noivo da minha filha seja um homem de muito juÃzo. o rei mandou fazer duas bonecas muito bem feitas.

eram fidalgos.outros montados. Foi ver as orelhas das duas bonecas.. Inclinou a cabeça. Eram iguais! . viam aos lados. O rei mandou-o entrar.parecem-me iguais. Fechou os olhos. Por fim. eram pastores. .um jovem . Olhavam.uma das bonecas é melhor que a outra. .. empurrou. Eram monarcas. espreitavam. examinavam . Tudo igual! Saiu o jovem de perto das bonecas. e assim tirou a palhinha para fora. Não saÃa. e queria ver. para dentro do corpo. nada. chamou um criado. Não havia passagem do ouvido para a boca. até que encontrou uma palhinha.e nada. Então. nenhuma diferença.Meu senhor . e meteu-lhe a palha para dentro do ouvido. os pés. contemplavam. viam em baixo. não tiveram de cozinhar o banquete para o dia do casamento da princesa. certamente. Já dei com o segredo. os vestidos. Tinha caÃdo. até ao fim. e esteve muito tempo a examiná-las. adiante das duas. inspecionavam. . Empurrou mais. iguais as mãos. A palha desapareceu. os braços. Pegou na palhinha. Viu também as suas bocas. O jovem inclinou-se.para verem na porta as bonecas do rei. de um lado para o outro. e voltou para as bonecas. viam atrás.a da esquerda -. . que parecia pensar as coisas bem pensadas. Procurou depois qualquer coisa pelo chão.Pode falar .diziam todos . Franziu os sobrolhos. pensando. até adivinhar.Não sei. Então.de olhos brilhantes e de gesto calmo. bem adivinhadas. Passeou. Não via. lembrou-lhe uma coisa. fitavam. De repente. viam à frente. apareceu numa manhã um homem alegre e muito novo . as adivinhas que lhe propusessem. portanto. Foi depois à outra boneca . meteu a palhinha por dentro do ouvido de uma delas. cruzou as mãos sobre o peito. Cruzou as mãos por trás das costas. também. olhando para os lábios dessa mesma boneca. Foi empurrando. empurrando. Não vejo diferença . Puxou então por essa ponta.começou o jovem . e disse-lhe assim: . que todos se punham a ver e mirar.Faça favor de dizer a rei que lhe peço para lhe falar sobre as bonecas.disse-lhe o rei. Empurrou tudo. muitos a pé. ao meio dos lábios. pois. nada! Ninguém via diferença alguma. também ele. empurrando. Viam em cima. Empurrou a palha. as duas bonecas! Colocou-se. Ouvira falar do aviso do rei. Os olhos de uma eram iguais aos da outra. E os cozinheiros. até que viu sair a outra ponta pela boca da boneca.

atalho. a do casamento da filha do rei! SÉRGIO. os oficiais. tudo que pelos ouvidos se lhe meter. Os conselheiros do Califa. 1.Trataremos de preparar a festa de noivado.Ora até que enfim! . os criados.5) ______________________________________________________________________ _ __________________ 3. ao passo que a outra deixa sair pela boca. e há-de casar com minha filha! E então é que foi trabalho. meus amigos. que outras duas qualidades deveria ter o noivo? (1. Antônio. (1. Linguareira: que solta a lÃngua. os mordomos. Além de ajuizado. Vocabulário: Arauto: mensageiro do rei. chefe dos criados de uma grande casa.5) ______________________________________________________________________ _ ___________________ 2. Onde aconteceu o fato narrado no texto? (1. os alfaiates. Vereda: caminho estreito. Indiscreto: pessoa que revela abertamente o que deveria ser tratado com reserva ou mantido em segredo. para os cozinheiros. Mordomo: administrador de um palácio. a outra é linguareira e indiscreta. Transcreva do texto o que dizia o arauto por ordem do rei. tudo aquilo quanto ouve dizer.porque não atira pela boca fora tudo o que lhe entra pelos ouvidos. Sobrolho: sobrancelha. Sá da Costa Editora.declarou o rei .5) ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ____________________________________4. e toda a demais gente do real palácio! E isso é que foi uma festa. Este jovem tem juÃzo. Uma não repete. . pois.5) ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________5. que fala demais.5) . O que se passou depois que a notÃcia se espalhou? (1. Quem é o autor do texto? (1.

Transcreva do texto uma frase que indique que estava difÃcil para o jovem encontrar uma solução para o problema.5) ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ____________________________________ 10. “Por fim..― Porque concluiu o rei que o jovem tinha juÃzo? (1. Qual era essa diferença? (1.. que parecia pensar as coisas bem pensadas.de olhos brilhantes e de gesto calmo..― O que esse jovem foi fazer no palácio? (1.5) .Tratemos de preparar a festa do noivado.______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ____________________________________ ______________________________________________________________________ _ __________________ 6. O jovem concluiu que as bonecas tinham uma grande diferença.5) ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ____________________________________ 8. (1.5) ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ____________________________________ 9. qual foi a primeira conclusão do jovem? (1.5) ______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ____________________________________ ______________________________________________________________________ _ __________________ 7. Depois de examinar as bonecas. “Ora até que enfim! – declarou o rei . apareceu numa manhã um homem alegre e muito novo um jovem .. Este jovem tem juÃzo.

queria o rei que a sua filha casasse com um homem de muito juízo. pensando. Puxou então por essa ponta. Eram iguais ! . Foi depois à outra boneca . iguais. viam em baixo. olhando para os lábios dessa mesma boneca. viam atrás. De repente.Olá! Oiçam todos o que eu vou dizer! Oiçam todos. que todos se punham a ver e mirar.. Procurou depois qualquer coisa pelo chão. iguais. Franziu os sobrolhos." E desde então. e assim tirou a palhinha cá para fora.a da esquerda -. Cruzou as mãos por trás das costas. nada ! Ninguém via diferença alguma. os corpos. "Casará com a princesa. . Empurrou a palha. valente. os tamanhos. Foi ver as orelhas das duas bonecas. pelos caminhos. iguais. Então. Viam em cima. Fechou os olhos. até que encontrou uma palhinha. de dia e de noite. muitos a pé. Não se via diferença: mesmo iguaizinhas. virá a ser rei. de um lado para o outro. também ele. e gritou assim. Passeou. por todas as aldeias. na Índia. uns nos seus carros. Inclinou a cabeça . eram pastores. nada. os vestidos. O rei. espreitavam. passava gente de todas as partes . Empurrou mais. uma pessoa discreta e de muito bom senso.parecem-me iguais. os pés.esse casará com a nossa princesa. quem for capaz de descobrir em que é que as bonecas não são iguais.tudo igual. lembrou-lhe uma coisa. as duas bonecas ! Colocou-se pois adiante das duas.um jovem .para verem na porta as bonecas do rei. Por fim. e voltou para as bonecas. até ao fim. Não via. As caras das duas eram iguais. havia um rei que tinha uma filha. empurrando. inspeccionavam." Um dia.Não sei. iguais as mãos. Não saía.pelas estradas. Eram monarcas. antes e acima de tudo. bem adivinhadas. mas mais que tudo. . Ora. viam à frente. Pegou na palhinha. e esteve muito tempo a examiná-las. e meteu-lhe a palha para dentro do ouvido. e virá um dia a ser rei ! A notícia correu de terra em terra. Os olhos de uma eram iguais aos da outra. para que todos ouvissem: . pelas veredas. bonito e rico -tudo isso será bom. Tudo igual ! Saiu o jovem de ao pé das bonecas. meteu a palhinha por dentro do ouvido de uma delas. contemplavam.por todas as cidades. não tiveram de cozinhar o banquete para o dia do casamento da princesa.de olhos brilhante e de gesto calmo. depois. Olhavam. apareceu uma manhã um homem alegre e muito novo . Não vejo diferença . e passem palavra do que vão ouvir! À porta do palácio estão duas bonecas. empurrando. Um arauto avançou por ordem dele. nenhuma diferença. os vestidos. examinavam . Ouvira falar do aviso do rei. Empurrou tudo. e por toda a parte se dizia o mesmo. os braços. ao meio dos lábios.______________________________________________________________________ _ ______________________________________________________________________ _ ____________________________________ Aspectos gramaticais As duas bonecas Lá longe. até adivinha. até que viu sair a outra ponta pela boca da boneca. por todos os campos. A palha . E os cozinheiros.diziam todos . . eram fidalgos. e queria ver. viam aos lados.e nada. O homem (quem quer que ele seja) que for capaz de dizer certinho em que é que as bonecas não são iguais .. Foi empurrando. empurrou. mandou pôr as duas bonecas à porta do seu palácio. que parecia pensar as coisas bem pensadas. Viu também as suas bocas. "O noiva da minha filha" (dizia ela) "pode ser fidalgo. e vê-las iguais -mesmo iguaizinhas. outros montados. portanto. o rei mandou fazer duas bonecas muito bem feitas. eu quero que o noivo da minha filha seja um homem de muito juízo. fitavam. Era olhar para elas. também. as adivinhas que lhe propusessem. do tamanho de pessoas crescidas.

Tinha caído. tudo que pelos ouvidos se lhe meter. para os cozinheiros. Não havia passagem do ouvido para a boca.disse-lhe o rei.Ora até que enfim! . O jovem inclinou-se. chamou um criado.Trataremos de preparar a festa de noivado. ao passo que a outra deixa sair pela boca. para dentro do corpo.uma das bonecas é melhor que a outra.começou o jovem .desapareceu. os mordomos. tudo aquilo quanto ouve dizer. a outra é linguareira e indiscreta. Este jovem tem juízo.Faça favor de dizer a el-rei que lhe peço para lhe falar sobre as bonecas.Pode falar . porque não atira pela boca fora tudo o que lhe entra pelos ouvidos. e toda a demais gente do real palácio! E isso é que foi uma festa.Meu senhor . cruzou as mão sobre o peito. . os alfaiates. Uma não repete. e disse-lhe assim: . os criados. meus amigos. . os oficiais. O rei mandou-o entrar.declarou o rei . certamente. a do casamento da filha do rei! António Sérgio . Então. pois. Já dei com o segredo. . e há-de casar com minha filha! E então é que foi trabalho.

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