TERRA LIVRE

PARA A CRIAÇÃO DE UM COLECTIVO AÇORIANO DE ECOLOGIA SOCIAL

BOLETIM Nº7 ABRIL DE 2009

TORTURA, NÃO OBRIGADO!

Não à sorte de varas nem aos touros de morte nos Açores
Apelo a todos os cidadãos e cidadãs e a todas as organizações ambientalistas/ecologistas e de defesa dos animais

Depois de várias tentativas frustradas de introduzir na ilha Terceira corridas picadas e touros de morte, temse assistido nos últimos anos a uma imposição das touradas à corda em ilhas onde não há qualquer tradição, como Santa Maria ou São Miguel, com a conivência ou apoio governamental ou autárquico.

Numa altura que as vozes de sempre aproveitando a revisão constitucional de 2004 e o novo Estatuto Político dos Açores, se preparam para fazer aprovar, na Assembleia Legislativa Regional, legislação que legalize a sorte de varas e depois os touros de morte, um grupo de cidadãos e cidadãs decidiu começar a luta em defesa dos direitos dos animais de que as touradas são uma parte do problema.

Considerando que não é aceitável que nenhum animal seja torturado para entretenimento do ser humano. Considerando que todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida (Artigo 11º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais). Considerando ainda que os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem (Artigo 14º) e por acreditarmos que a evolução cultural irá sobrepor-se à tradição e à ignorância, vimos manifestar a nossa profunda discordância com a referida pretensão e apelar para que:

1- Não sejam promovidas nem apoiadas, com recurso a dinheiros públicos, touradas à corda, nas ilhas onde tal prática não é tradição; 2- Não venham a ser legalizadas as corridas picadas e os touros de morte, por serem alheias à nossa cultura, na Região Autónoma dos Açores. 3- Seja aprovada legislação regional de protecção dos animais que tenha em consideração o disposto na legislação europeia e na Declaração Universal dos Direitos dos Animais que foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela Unesco. Primeiros Subscritores: Aíridas Dapkevicius (investigador-bolseiro), Almerinda Valente (professora), Ana Carina Ávila da
Silva (consultora comercial), André Magalhães de Barros (recém-licenciado em direito), Aníbal Pires (professor, António Serpa (bancário), Artur Gil (engenheiro), Carla Silva (bióloga), Catarina Furtado (professora), Cláudia Tavares (professora), Eduardo Santos (técnico de comunicações), Eva Lima (Geóloga), Gabriela Mota Vieira (enfermeira), George Hayes (professor), Helena Primo (professora), Herondina Meneses (professora), Hugo Evangelista (biólogo/investigador), Humberta Maria Ferreira de Medeiros (funcionária publica), Isabel Albergaria (professora), João Pacheco (professor), João Pinto (professor), José Andrade Melo (professor), José Guerra (professor), José Luís Q. Mota Vieira (aduaneiro), José Lopes Basílio (professor), José Pedro Medeiros (bancário), Leonor Galhardo (bióloga), Lubélia Travassos (secretária), Lúcia Ventura (professora), Luís Noronha Botelho (professor), Lurdes Valério e Cunha (professora), Manuel Araújo (engenheiro), Manuel Sá Couto (professor), Maria José Vasconcelos (professora), Maria Manuela Borges Gonçalves do Livro (professora), Mário Furtado (professor), Miguel Fontes (estudante), Nélia Melo (professora), Olinda Costa (professora), Patrícia Costa (professora), Paulo Borges (professor universitário), Pedro Albergaria Leite Pacheco (professor), Rita Melo (bióloga), Ricardo Nuno Espínola de Ávila (educador de infância), Rui Soares Alcântara (professor), Sandra Câmara (bióloga), Sérgio Diogo Caetano (geólogo), Teófilo Braga (professor), Vitor Medina (professor), Zuraida Soares (professora)

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A TOURADA, RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO TOURO BRAVO?
proteger uma espécie. Mas nem o touro bravo é uma espécie, porque é sim uma raça ou subespécie, nem a extinção desta raça é

irremediável e obrigatória quando as touradas acabarem.

A extinção desta raça não é irremediável nem obrigatória porque nada impede a criação parques naturais, santuários ou outras soluções viáveis para a conservação destes animais.

Um dos argumentos frequentemente mencionados em debates sobre touradas é o da importância em manter a espécie do touro bravo.

O que não pode nunca acontecer é justificarmos a crueldade para com uma animal para o poder "conservar".

Os proprietários das ganadarias mantêm os touros nos seus terrenos, não porque tenham uma grande consciência ecológica e ambiental, mas porque daí retiram dinheiro. Muito dinheiro. No dia em que os touros deixarem de ser vendidos a 2000 euros cada (sem contar com chorudos subsídios europeus), cerca de 2600 animais por ano (DN, 2007), os proprietários se esquecerão das de ganadarias qualquer

Cabe na cabeça de alguém que a conservação do panda passe por lhe espetar bandarilhas no dorso? Que o repovoamento do lince ibérico na Península Ibérica passe por lhe cortar as orelhas e rabo?

A conservação de espécies / raças, não é argumento para continuar as touradas. É um papel que tem de ser assumido pelos portugueses e pelo Estado e não por empresas que da exploração desses animais retiram avultados lucros.

rapidamente

importância ecológica ou da biodiversidade do touro bravo.

Existe outro argumento frequente, que é o da É esta a principal, senão a única, verdadeira razão para a continuação das touradas no nosso país um forte interesse económico de um pequeno grupo de pessoas. conservação dos ecossistemas, mas este é ainda mais frágil. É que estamos a falar de um animal totalmente domesticado, que só existe por selecção artificial de características de interesse, que no caso do touro bravo é essencialmente a É claro que, para desculpar o indesculpável, atiram para os olhos o argumento de se querer bravura. Ou seja, o touro bravo não existe no campo por estar em total equilíbrio e conjugação

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com a Natureza. Está lá porque os ganadeiros assim o fizeram e ali o colocaram. Isto significa que um touro bravo é, no mínimo, um elemento supérfluo portugueses. na manutenção dos montados É vital rejeitarmos esta visão subversiva da realidade. É preciso dizer que a tourada não é uma fatalidade e que podemos acabar com uma das formas mais indignas e desumanas de tratamento dos animais da actualidade. O caso muito recente Voltamos então ao único argumento de peso para a manutenção das touradas. Os interesses de Viana do Castelo dá-nos força e entusiasmo. É vital agora a maioria silenciosa que se opõe às touradas mostrar o seu descontentamento, de forma pró-activa e com um único compromisso: o respeito pelos animais e pela Natureza.

económicos. Interesses esses que vivem de um espectáculo que promove a ideia de que existe justiça e igualdade em colocar um animal num local estranho e com regras definidas pelos humanos; que coloca animais numa luta que estes não desejam mas são forçados a entrar; que vive da diabolização da imagem de um herbívoro territorial e faz disso um espectáculo de entretenimento.

Hugo Evangelista – Biólogo

VOLTAR AO TEMPO DOS ROMANOS
Muito obrigado pelo mail sobre as touradas. Fico satisfeito por saber que pretendem fazer alguma coisa, mas creio que de pouco servirá. Não consigo compreender como gente dita civilizada `capaz de servir-se da dor e do sofrimento de qualquer ser vivo para se divertir. Talvez gostassem de voltar aos tempos dos Romanos quando havia as lutas de feras, gladiadores e até os Cristãos eram lançados às feras também. Tudo isto parece-me completamente selvagem. GH

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TOURADAS E DINHEIROS PÚBLICOS
Subscrevo inteiramente a vossa indignação pela iniciativa de promover acções públicas de maustratos a animais no sentido de as "tradicionalizar". Fico, de facto, espantada, por ver a falta de empenhamento em proporcionar espectáculos de natureza artística em zonas mais fechadas, como são as realidades insulares, substituída por um grande empenhamento em espectáculos de Desculpem ter aproveitado o mail de subscrição da vossa moção para incluir um "manifesto" mas acho que só com acções no concertadas sentido e de

amplamente

difundidas

responsabilizar cada cidadão individualmente pela existência social e pública de práticas cruéis, iremos conseguir vencer o lobby das touradas e afins. Agora que estamos em época de crise, em que o Estado não consegue apoiar financeiramente indústrias e PMEs e as deixa fechar lançando no desemprego os seus trabalhadores, temos que aproveitar todas as oportunidades de tornar públicas as verbas que continuam a ser desviadas para este fim. Essas verbas são silenciosas, há pouco tempo soube-se através de uma denúncia por falta de pagamento, que a CM de Santarém cujo presidente viajou para os Açores à custa da autarquia para o tal encontro internacional - devia 66.000€ em bilhetes que adquiriu para oferecer durante um período de pouco mais de um ano.

violência real. Foi nos Açores que se realizou há pouco um encontro internacional para inverter o declínio da ignóbil indústria tauromáquica, que vive hoje em dia à custa de patrocínios comerciais e dinheiros públicos (quer sejam os subsídios europeus destinados à agricultura e ardilosamente desviados para os ganadeiros, quer sejam as verbas atribuídas pelas autarquias na compra e oferta de bilhetes, cedência de espaços publicitários, etc, quer ainda o vergonhoso envolvimento da RTP, utilizando discricionariamente dinheiro público na produção e transmissão de programas regulares, cobertura e transmissão de touradas, festejo dos seus aniversários com a encomenda de uma corrida de touros, publicidade a eventos

Apoio inteiramente o vosso apelo, Cristina D' Eça Leal

tauromáquicos, encomenda e transmissão de filmes promotores, recusa em transmitir

programas/filmes que mostrem a verdade que se esconde por trás do brilho das lantejoulas e defenda pontos de vista contrários). A RTP devia manter uma posição isenta numa questão tão polémica como esta e não misturar os objectivos públicos da estação com os interesses privados de alguns dos seus quadros dirigentes.

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TORTURAR ANIMAIS EM NOME DA CULTURA
A Liga Portuguesa dos Direitos do Animal está convosco na "Luta" contra o retrocesso cultural e humanitário; o regresso à barbárie ao sangue e à tortura de Bois e cavalos. Regresso que uma elite hipocritamente invoca em nome das tradições, quando os povos evoluem e as tradições se humanizam. É inadmissível que em nome de uma cultura hipócrita se continuem a torturar animais. Acreditamos que o povo dos Açores não o irá permitir se for bem informado. A defesa das tradições é uma falácia; trata-se é de defender a exploração de animais em proveito próprio. Se assim não fosse há muito que as touradas tinham acabado. Acreditamos que o povo dos Açores não se deixará manobrar regredindo cultural e Sabiam que o Papa Pio V decretou que, aqueles que praticassem ou assistissem a touradas fossem excomungados - e que tal excomunhão se mantém, porque as decisões dos Papas, sendo inspiradas por Deus são irrevogáveis? Tinham conhecimento que o Primeiro - Ministro Dr. Passos Manuel (em 1856) aboliu as touradas em Portugal, " por serem espectáculos impróprios de povos civilizados" -nunca tendo sido o respectivo Decreto formalmente revogado? São capaz de conceber que, nunca tendo havido touradas, legislação algum a Governo, hoje, aprovaria com

autorizar

espectáculos

características mais gravosas (como as picadas e de morte) tortura de animais e de possível estropiamento e morte de seres humanos? A resposta não temos dúvida seria não! Então porquê reintroduzi-las hoje?! Se não é viciado,"aficionado" de touradas picadas e de morte, porque admite que tais espectáculos "impróprios de povos civilizados" continuem a envergonhar os Portugueses para insana satisfação de uns escassos milhares de viciados?

humanitariamente. Os Açores não necessitam de vender a tortura de animais como meio turístico. Aliás seria um erro fazê-lo uma vez que esta aberrante prática está banida dos países mais desenvolvidos. Como se pode aceitar que as touradas se justifiquem como tradição quando tal espectáculo perpetua as Arenas da decadência do Império Romano onde milhares e milhares de Cristãos foram trucidados? Que um espectáculo de tortura e morte de animais (bois e cavalos), e de potencial estropiamento e morte de pessoas, pode ser considerado como uma manifestação de Arte e Cultura?

NÃO FIQUE INDIFERENTE, EXIJA QUE TAL PRÁTICA NÃO VENHA A SER

REINTRODUZIDA NOS AÇORES EXIJA A SUA ABOLIÇÃO DEFINITIVAMENTE EM PROL DE UMA EVOLUÇÃO CULTURAL E HUMANITÁRIA.

MCSampaio

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É vergonhoso! CONTRA A “SORTE DE VARAS” Pela civilidade, pelos animais, pelos Açores Como já é sabido, recentemente, após sobeja polémica (que, ainda não acabou), foi aprovado o Novo Estatuto Político e Administrativo dos Açores, documento fulcral ao reforço da É vergonhoso e preocupante, porque nesse grupo perfilam pessoas que já tiveram e alguns têm, responsabilidades sociais e políticas, e, ainda na frescura de um documento, de teor central para os Açores, que deverá permitir o espelho do bons exemplos e das descriminações positivas face ao Continente, venham reivindicar a estreia do mesmo para facultar a legalização de uma prática de tortura e desrespeito para com os animais e a vida, O Documento veicula o sentir dos Açorianos de Santa Maria ao Corvo, tendo estado todos ao lado de quem se esgrimiu ousadamente, na fase da sua aprovação, centralismo esquecimento, lutando que contra votou aos os resquícios Açores, e de do ao ao uma O Estatuto Politico Administrativo dos Açores, como documento de referência do Arquipélago, deverá servir para espelhar positivamente os Açores, até para justificar perante os opositores a justeza da luta travada em prol do seu de incivilidade gritante e de total

Autonomia dos Açores, contendo, entre outras conquistas, o poder da ALRA, poder legislar sobre assuntos de interesse específico para a Região.

desinteresse público e específico para a Região.

ostracismo advenientes

subdesenvolvimento,

“condução à distância” de feição colonialista.

enriquecimento e avanço, e, fundamentalmente, para permitir soluções globais de clara vantagem

Se é de sentir orgulho de termos à cabeça da nossa governação pessoas que lutaram tenazmente por um documento que dá um pouco de “mais corda” à auto-condução do destino dos Açores pelos Açorianos e pela União Açórica conseguida à sua volta, é de ficar estarrecido, que logo à saída de tão nobre Documento, que deverá ser “rendido” para o interesse global dos Açores, sua evolução, boa imagem e acreditação nacional e

regional, que unam e não dividam os Açorianos.

internacional, venha a lume, por parte de um grupo de aficionados taurinos da Terceira, a “saída” que ele permitirá para a introdução, nos Açores da sanguinária tourada com “sorte de varas”, prática oriunda de Espanha sem qualquer tradição no arquipélago.

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A propósito da divisão dos Açorianos, acerca da barbaridade das touradas mais sanguinárias, recorde-se que em 1998, o Dr. Adolfo Lima apresentou para análise, em Plenário do Governo Regional dos Açores, suportado pelo PSD, uma proposta que havia sido elaborada pelo Dr. Álvaro Monjardino, através da qual se pretendia que nos Açores fosse introduzida as touradas com touros de morte. Na altura os Amigos dos Açores organizaram uma campanha internacional que culminou com a apresentação de uma petição ao Parlamento Europeu.

revestia de interesse específico regional. Em pouco espaço de tempo Associação dos Amigos dos Animais da Ilha Terceira, promoveram uma petição reclamatória que recolheu cerca de duas mil assinaturas.

É Vergonhosa e desrespeitadora, tal intentona: -desrespeitadora dos animais; desrespeitadora para com aqueles que lutaram por um documento de interesse geral para os Açores, e desrespeitadora dos princípios nobres da Autonomia. Esta deverá servir para descriminar positivamente os Açores, fomentar a qualidade de vida (inclusive a dos

A intenção não avançou, tendo na altura o presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. Mota Amaral, comunicado ao Director do Eurogroup for Animal Welfare que a legislação não avançaria devido às "reacções negativas da opinião pública".

animais), proporcionar a afirmação civilizacional do Arquipélago e nunca para facultar

diferenciações que sejam apontadas como nódoas no todo nacional e no mundo civilizado, e repelentes para os nossos visitantes e turistas.

Numa altura em que, a nível internacional, A 21 de Outubro de 1995, na ilha Terceira, realizou-se numa quinta particular uma tourada à espanhola, onde foram toureados e mortos dois touros. Na ocasião tal acto foi contestado por várias pessoas singulares e colectivas, como os Amigos dos Açores, algumas sociedades nacional e também regional crescem os

movimentos contra as touradas; numa altura em que os Açores, apesar de algumas lacunas no cumprimentos de legislação europeia, já

conseguiu uma boa imagem internacional na conservação da natureza e respeito pela vida animal (elogiado pela Greenpeace e referenciado de excelência pela National Geographic Travel); numa altura em que o Governo afirmou na BTL 2009, que o grande objectivo turístico é “consolidar ao máximo os mercados onde já conseguiu notoriedade, como Alemanha e

protectoras de animais e alguns partidos, na Assembleia da República. Tais actos igualmente foram referenciados negativamente nalguma

comunicação social e nacional, o que denegriu a imagem dos Açores.

A 18 de Outubro de 2002, já houve uma tentativa de legalização da “sorte de varas” nos Açores, tendo a mesma sido “chumbada” pelo Ministro da República Sampaio da Nóvoa já que não se

Inglaterra”, e sabendo-se que estes dois países, assim como os do mercado norte europeu, são dos maiores respeitadores dos directos dos animais e contestadores da prática bárbara das touradas, é

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completamente

inadmissível,

descabida

e

pesada armadura a toda a sua volta e que tem os olhos tapados para não ter ainda mais medo do que já sente (aqui também, é atormentado outro animal) –, enquanto, do alto do cavalo, o “picador” espeta uma longa lança – a vara –, com um ferro muito comprido e afiado na

atentatória à construção da boa conta exterior dos Açores, a proposta da tourada de “sorte de varas”, pelo que se traduziria num retrocesso para o todo regional, com óbvias consequências.

Alertamos todos os Açorianos e os nossos políticos de maiores responsabilidades decisórias, para a euforia legislativa advinda da aprovação do Novo Estatuto dos Açores, que alguns deputados possam ter no Parlamento de todos os Açorianos, em transporte de facções particularizadas,

extremidade, no dorso do touro. Quanto mais o touro faz força para se soltar e tentar defender, mais o ferro comprido o perfura, rasgando-o e provocando-lhe um ferimento de gravidade extrema.”

abusando da autonomia e afrontando a legislação nacional que, em sintonia com a maioria dos países civilizados e em respeito pelos direitos dos animais, proíbe as touradas, ou qualquer

Os defensores das touradas defendem que as “sortes de varas” servem para avaliar a bravura dos touros, mas isso é uma falsidade – na verdade, as “sortes de varas” servem para enfraquecer e provocar um sofrimento imenso aos touros, ao que acrescentaria: -- para demonstrar a estupidez e malvadez de um leque de seres humanos.

espectáculo, com touros de morte ou torturantes como a sorte de varas. A isto eu chamaria “ Involução”, como escreveu João Ilhéu, e pior: dar razão àqueles que tanto se opuseram (opõem) ao teor do novo Estatuto, e serviria tal aberração, de pretexto para o crescendo do seu número.

Esta prática é totalmente violadora da Declaração dos Direitos dos Animais, aprovada em Outubro de 1978 pela UNESCO, e seguidamente pela

Para ao leitores se inteirarem, indignarem contra a vil e atroz prática da “sorte de varas”, apresento abaixo um breve resumo dessa atrocidade repudiante.

ONU, nomeadamente os seguintes:

Artigo 10º 1. Nenhum animal deve ser explorado com sofrimento para entretenimento do homem.

“As

“sortes

de

varas”

são

actos

2. As exibições e os espectáculos que impliquem a dor de animais, são

tauromáquicos extremamente violento,s típicos das touradas em Espanha, estando em crescendo o número de vozes e de movimentos que a contestam. Nas “sortes de varas” (que felizmente são ilegais em Portugal), os touros estão com os cornos inteiros e investem desesperadamente contra um cavalo – que tem uma imensa e muito

incompatíveis com a dignidade do animal.

Artigo 11º 1. Todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida.

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2. As cenas de violência nas quais os animais são vítimas, devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se essas cenas têm como fim mostrar os atentados contra os direitos do animal.

currículos escolares obrigatórios, os quais vão beber às linhas mestras da UNESCO.

Perante o argumento dos proponentes da “sorte de varas”, que a sua introdução é “para enriquecer a

Mal estariam os Açores, se colasse à sua última conquista autonómica a violação de declarações de duas das maiores organizações de referências mundiais ligadas aos direitos, à educação e à ordem civilizacional do mundo.

arte e a cultura nos Açores e colocar o Arquipélago no centro da tauromaquia mundial”, para além de responder que os Açorianos não querem que a nossa região seja referenciada negativamente como “nódoa”, desrespeitadora da vida e de declarações internacionais, obedecidas

Para além de ambientalista e de açoriano responsável, como educador e como pai,

nacionalmente, acrescento que Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada.

igualmente me preocupa a proposta descabida da introdução da “sorte de varas nos Açores”, pela sua incivilidade, deseducação e outras

A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". A violência e a tortura é a negação da inteligência.

consequências sociais graves. Para expressar essa preocupação me recorro novamente da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura), na sua conclusão e alerta a respeito das corridas de touros, emanada em 1980: - “A tauromaquia é uma arte venal de torturar e matar animais em público, segundo

Uma sociedade justa como a açoriana não pode admitir actos eticamente reprováveis-- (mesmo que se sustentassem na tradição, como não é o caso)--, cujas vítimas directas são os animais.

determinadas regras. Traumatiza as crianças e os adultos mais sensíveis; agrava os estados dos neuropatas atraídos por estes espectáculos e desnaturaliza a relação entre o ser humano e o animal. Por tudo isto, constitui um desafio à Moral, à Educação, à Ciência e à Cultura.”

Todos os educadores, pais e açorianos em geral deverão combater a práticas torturantes e

sanguinárias nas touradas: - trata-se de uma exigência da “Educação Cívica”, constante dos

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Uma minoria de açorianos quer manter as touradas e as praças de touros, bárbara e sangrenta reminiscência das arenas da decadência do Império Romano. De facto nas arenas de hoje o crime é o mesmo: -- tortura, sangue, sofrimento e morte de seres vivos para divertimento das gentes das bancadas. Como pode continuar tamanha barbaridade como esta, das touradas, no século XXI?

Importa que, por todo o Arquipélago, se levantem vozes conscientes e responsáveis, e que se assinem petições contra a pretensão

particularizada da “sorte de varas” nos Açores, pelos animais, pela civilidade, pela nobreza autonómica.

Que seja uma sorte e não um grande azar ser dos Açores, para qualquer ser vivo, e que o nosso Estatuto se paute sempre pelas varas da justiça, do

É degradante ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional.

respeito pela vida, da união dos açorianos e do bom exemplo para o país e para o mundo.

Que os políticos responsáveis, nunca compactuem ou viabilizem legislações, que “nos envergonhem

A crueldade que humilha e mata pela dor, jamais se poderá considerar Cultura. Vamos chamar as coisas pelos seus nomes – negócios de crueldade, nunca será arte nem cultura.

de ser açorianos”!

José de Andrade Melo

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A MORTE DO TOURO
Eu amo a galhardia mas odeio a barbaridade. Eu amo os gestos audaciosos, arrojados, mas detesto-os profundamente sempre que eles se traduzem em crueldade. E por isso eu desprezo os heróis, aqueles sobre cuja bravura se tece uma sinistra auréola de sangue. E por isso eu me tinha negado desde o início a dar a minha presença àquele número das festas com que Sevilha recebeu os jornalistas portugueses - e que era uma tourada. Da capital da Andaluzia os jardins maravilhosos, prenhes de perfumes intensos, de lagos adormecidos, de rosas, de gerânios e de cravos, desabrochando em orgias de cor, interessavam mais à minha alma do que o espectáculo bárbaro do homem a defrontar-se com o touro, naquela tarde quente, mórbida e sensual de Junho. Meus companheiros, porém, insistiam, argumentavam - faziam agigantar a meus olhos a tradicional beleza pagã que reside nas touradas. Por último o notável escritor sevilhano Muñoz San Roman, embora inimigo do espectáculo bárbaro, aconselhava-me a que assistisse a ele, para assim fazer uma ideia mais concreta sobre touro e homem, para assim melhor poder combater o homem e defender o touro... Toda aquela multidão fremia ocultamente e sobre a praça pairava uma densa expectativa, uma comoção e uma curiosidade ilimitadas. decidiram-me. A praça, larga, ampla, enorme, estava cheia duma multidão heterogénea, cujos olhos, descendentes dos de Nero, se fixavam impacientes sobre a arena ainda vazia. Um sol inclemente, impiedoso adusto, derramava sobre as arquibancadas da direita a sua cornucópia de luz, e milhares de mãos agitando os clássicos abanicos davam a sensação de asas encarceradas, debatendo-se nervosamente por detrás das grades duma gaiola incomensurável. Próximo de mim, nos camarotes engalanados, grupos de mulheres formosas, perturbantes, palestravam com amenidade, espraiavam seus olhos negros, profundos e misteriosos desde a trincheira até às últimas arquibancadas e irradiavam em seu redor ondas quentes de sensualidade.

Muñoz San Roman é uma sensibilidade delicadíssima e suas palavras

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E, pouco a pouco estabelecia-se um silêncio colectivo; aqueles milhares de lábios cerravam-se numa espera voluptuosa, trágica, de tigre aguardando a presa, de fiéis aguardando o ídolo.

naquele touro negro que está parado no centro da praça a olhar Belmonte e o seu cavalo branco. Mas instigam-no. As capas amarelas e vermelhas surgem na sua frente como estandartes provocadores. E o touro avança então. E a luta estabelece-se. Nada de grandioso, de extra-humano; nada de homem lutando com um tigre, vencendo-o; nada de leão subjugado pelas melenas, sob o poderio de umas mãos hercúleas. É uma luta de ciladas, de traições, órfã de beleza, viúva de assombro. Eu não sinto mas compreendo a beleza brutal daqueles que lutaram com as feras nos circos romanos, - o que eu não compreendo nem sinto é a proclamada beleza da tourada, com um homem magro, candidato a um sanatório da Suíça, esgueirando-se ao lado do touro sobre um cavalo lesto, fazendo da fuga inteligente a principal arma de defesa... Todavia a multidão desvaira, crispa-se de entusiasmo e solta das suas mãos, delirantemente, as pombas do aplauso. O toureiro desce do seu cavalo, toma uma espada e dirige-se ao centro da arena. Vai matar o touro que está vomitando sangue, rugindo de dor. Cerro as pálpebras e quando o meu olhar converge de novo para a praça, já o animal está tombado, com a espada fundida entre as omoplatas. O golpe não foi certeiro e é necessário que o indivíduo encarregado de apagar estes fracassos venha, com um pequeno estoque, concluir a morte do touro. Entretanto, Belmonte, romano regressado das conquistas, deus descido do Olimpo, vai colhendo as rosas do triunfo, as palmas quentes, fartas, que miríades de mãos lhe dispensam, prodigamente, entusiasticamente.

Ia reaparecer Juan Belmonte - o soberano, o deus, um dos primeiros actores de toda a Espanha daquele espectáculo primitivo. E por isso aquela comoção, aquela curiosidade, aquele silêncio só perturbado por alguns miseráveis apregoando água fresca por entre as arquibancadas. Por fim Belmonte surgiu... É uma figura pequena, sem imponência, sem trajes sumptuosos a assinalá-lo sobre o cavalo branco em que monta. Mas a multidão já delira, um frémito de alegria intensa já percorre a multidão. Eu quedo-me a contemplar o touro negro, altivo, desdenhoso, que agora entra na arena. Seu primeiro gesto é correr para o toureiro célere, mas logo se detém, certo da sua força, certo que inutilizará o inimigo numa luta leal. Há desdém, há piedade do homem forte para o homem fraco que afronta,

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A cena repete-se com o segundo touro, e quando na arena surgem os cavalos, o espectáculo ultrapassa os domínios da barbárie, e toureiros e espectadores dir-se-ão selvagens brotados da própria selva da Antropofagia. Têm algo de fúnebre, algo de cavalos recém desatrelados dum carro mortuário, esses que são conduzidos pelos indivíduos que os montam ao encontro do touro, - e que levam os ouvidos cerrados e uma faixa negra, lutuosa, a vendar-lhes os olhos. Eles ignoram o perigo que se acerca, ninguém os procura defender, - a multidão, lá em cima, exige, com requintes de necrófilos, que os seus intestinos se quedem espalhados pela arena, como troféus de asquerosa glória. E os cornos do touro cevam-se no ventre indefeso desses cavalos, e destes, como a multidão deseja, as vísceras quedam-se, sangrentas, trágicas, expostas no centro da arena e para elas, com uma oculta cumplicidade, o Sol converge seus raios ardentes. Sufoco. Um ódio intenso, profundo, enorme, subjuga-me. Orgulhosamente, brutalmente, sinto-me demasiado humano, sinto-me também fera - mas no sentido inverso daqueles que me rodeiam. E parecem-me sinistros, repelentes, os lábios húmidos, grossos e vermelhos duma mulher de rara formosura que está próximo de mim, lábios de inebriantes voluptuosidades e que agora riem de perversa satisfação, ante a carnificina que lá em baixo se consuma. Minha revolta aumenta, amplia-se, toma proporções estranhas, - e quando Belmonte é colhido pelo touro, quando se enreda nas hastes deste, minha alma, que se comove ante uma simples ferida, foi iluminada por um relâmpago de íntima alegria. Eu tinha suposto que aquele homem já não

sairia senão morto de sob a cabeça do touro... Recordo ainda com horror, com o frio das sensações inconfessáveis, esse desejo monstruoso que brotou, como uma faúlha, da minha alma revoltada contra o espectáculo bárbaro. Mas segundos depois essa faúlha apagase, porque já o toureiro se ergue e foge, ligeiro e ileso, do seu inimigo. E então, ante os novos cavalos que já transpunham a trincheira para serem sacrificados, eu levanto-me e protesto e abandono a praça, - abandono aquela multidão desvairada. É a mesma multidão odiosa das arenas de Roma, é a mesma multidão que nas madrugadas das execuções se proscreve dos leitos, para ir contemplar, numa bestialidade repugnante, o corpo dos condenados à morte a contorcer-se no garrote ou na forca, a cabeça dos decapitados dependurando-se sangrenta, clamando vingança, não das mãos delicadas, voluptuosas, da filha de Herodíades, mas sim das mãos imundas, indignas, do carrasco. Ferreira de Castro A Batalha Suplemento Semanal Ilustrado nº 29, 16/6/1924 (Fonte:

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/0 8/33364.shtml)

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TOURADAS? JÁ BASTA ASSIM…
A tourada é uma “diversão” que tem origem após uma campanha com forte cobertura

remota na ilha de Creta, onde os touros eram mortos por golpes de espada. Pelo menos o

mediática e que teve efeitos paradoxais – a paixão com que foi abordado o problema da morte do touro numa festa de Barrancos, originou o “lavar de mãos” legislativo, como Pilatos.

registo pictórico mais antigo da realização de espectáculos com touros remete à cidade

Knossos, em Creta. A principal razão invocada pelos defensores foi a No Império Romano o toureio era feito da tradição. As tradições têm origem em tempos remotos em que as mentalidades e modos de vida eram bastante diferentes dos actuais. As exclusivamente a cavalo e a tourada era organizada para celebrar eventos importantes, desde casamentos a vitórias militares.

sociedades evoluem e hoje ninguém acredita que basta sacrificar um animal para fazer chover ou

Existem registos de touradas em Espanha desde o ano 815, como entretenimento aristocrático e para comemorações festivas. No século XVIII era um acontecimento de massas, em que as arenas eram invadidas por multidões em fúria que matavam os touros com espadas, punhais e facas. Muitos dos toureiros eram açougueiros e os matadouros as “escolas” de toureiros. Carlos IV proibiu a

para ganhar fertilidade. As tradições só fazem sentido quando são compatíveis com as formas de pensar e os conceitos vigentes. Como hoje em dia, o respeito pelo sofrimento dos animais começa a preocupar muita gente, as Touradas são

justamente contestadas.

tourada, mas o seu sucessor, Fernando VII, recuperou-a fundando a Escola Real de

Tauromaquia, em Sevilha. A partir do séc. XVIII tem início a luta taurina como espectáculo, no seu modo actual.

A tourada é um espectáculo tradicional de Portugal, Espanha e sul de França e de alguns países da América Latina, como o México, Colômbia, Peru, Venezuela e Guatemala. Os defensores da tourada contestam a ideia do sofrimento do animal, dizendo Em Portugal, as touradas de morte foram proibidas no século XVIII, no tempo do Marquês de Pombal, que não é um exemplo de tolerância. A única excepção foi aberta em 2002, que é difícil

afirmar o que sente o touro na arena. No entanto, as reacções que o touro manifesta na arena não fazem crer que sinta uma coisa agradável. Os mamíferos têm capacidade para sentir dor,

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ansiedade, medo e sofrimento e até os defensores das touradas de morte têm como alegação principal a de que a morte do touro na arena o faz sofrer menos do que o sofrimento prolongado do touro até ao matadouro… Outro argumento que cai pela base é o do perigo da extinção da espécie. Ora, animais como os leões não se extinguiram por ter acabado o circo romano. A arte de lutar até à morte dos

Abrir mais uma excepção, permitindo as touradas picadas nos Açores, seria um retrocesso

civilizacional.

Não é tolerável que o órgão

máximo da nossa autonomia se preste a ceder às aspirações de um grupo minortário, perante a passividade da restante população, correndo o risco de se desprestigiar por uma decisão contranatura e contra a evolução natural das mentalidades.

gladiadores era considerada bastante honrosa e bonita por quem assistia. Acabou, terá sido também uma pena? A maioria das espécies em perigo de extinção não são mortas numa praça como divertimento, alegadamente para evitar a sua extinção. A tourada é um espectáculo que naturalmente se extinguirá, à medida que as mentalidades evoluam e considerem que não existe justificação moral para causar sofrimento num animal para gáudio ou entretenimento.

Em relação à tourada aplica-se o que escreveu Sérgio Godinho: Para melhor… está bem, está bem. Para pior…já basta assim!”

Luís Noronha Botelho, professor

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POLÍTICA E TOURADAS
A recente campanha contra a introdução da sorte de varas e de touradas de morte nos Açores, iniciativa do Blogue Terra Livre/CAES havendo alguns que inclusive se opõem a todo o tipo de touradas. Contra as corridas picadas também se manifestam os aficionados e amantes da corrida à portuguesa que afirmam que a sorte de varas é o prazer de meia dúzia de pseudo - aficionados. Curiosa, ou talvez não, é a união de alguns conservadores da ala direita e da ala esquerda do espectro político que, por minguarem-lhes os argumentos, consideram que a campanha é obra dos imperialistas micaelenses que querem acabar com a cultura do povo da Terceira. Embora não sejamos adeptos de qualquer tipo de tourada, achamos que as touradas à corda valem pelo convívio que proporcionam enquanto

Colectivo Açoriano de Ecologia Social e que contou, até ao momento, com a adesão de duas das principais associações açorianas, a Associação de Amigos dos Animais da Ilha Terceira e os Amigos dos Açores - Associação Ecológica, e do CADEP, de Santa Maria, tem constituído, para nós, uma surpresa. Surpresa pelo facto de ser um tema que tem unido pessoas de diferentes orientações politico - partidárias e de diferentes organizações de várias ilhas dos Açores, tanto junto dos defensores do bem- estar animal como dos partidários da introdução das práticas bárbaras e não tradicionais que são as touradas picadas e os touros de morte.

consideramos imoral a venda, como espectáculo, da tortura infligida ao touro que são as touradas de praça. Assim, achamos que, não só pelos animais, mas também, pelo risco de vida que correm os próprios homens deveriam ser repensadas as primeiras e abolidas as segundas. Felizmente, nesta luta não estamos sós. Basta lermos João Ilhéu que fala na evolução que sofreram as touradas à corda ao longo dos tempos e outro ilustre, mas pouco conhecido, terceirense que foi o libertário Adriano Botelho que afirmou: ”fazem-se por outro lado, reclames entusiastas de

Quer através dos depoimentos recebidos por correio electrónico que dos que têm sido publicados na comunicação social constata-se que curiosamente são os terceirenses os que mais veementemente se opõem ao desrespeito da tradição e à introdução de práticas mais bárbaras,

espectáculos, como as touradas de praça onde por simples prazer se martirizam animais e onde os jorros de sangue quente, os urros de raiva e dor e os estertores da agonia só podem servir para perverter cada vez mais aqueles que se deleitam

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como aparato dessa luta bruta e violenta, sem qualquer razão que a justifique”. A recente investida dos monjardinos e outros foi precedida da tentativa de “exportar” para outras ilhas touradas à corda, de que são exemplo algumas touradas realizadas em São Miguel, sob o comando do forcado da cara Joaquim Pires, tendo por rabejador o presidente da Câmara Municipal da Lagoa, João Ponte.

consumo que é responsável pela violação dos direitos humanos e ambientais da maior parte da humanidade, sendo também responsável pelo sofrimento infligido aos animais.

TB

Eles disseram

Em abono da verdade, ambas as investidas, têm em comum o facto de tentar impor o que nem é tradição e tentar expandir um negócio que não estará a correr bem ou que se insere na lógica capitalista de crescer a todo o custo,

"...espectáculo touradas),

de que

eras a

bárbaras

(as

civilização,

desenvolvendo-se gradualmente por alguns séculos, ainda não pôde desterrar da Península, e que nos conserva na fronte o estigma dos bárbaros, embora tenhamos

desrespeitando animais e pessoas.

O silêncio dos deputados, sobretudo os do chamado arco governamental, é sintomático de que nos Açores poderemos assistir em breve a um “retrocesso civilizacional” se não continuarmos a campanha de sensibilização para a necessidade de promover uma educação, cultura e legislação que garantam os direitos dos animais. Vamos desertar do medo e reforçar a luta pela alteração do modelo actual de produção e

procurado esconder esse estigma debaixo dos ouropéis e pompas de arte moderna e pleitear a nossa vergonhosa causa perante o tribunal da opinião da Europa com sofismas pueris e ineptos."

Alexandre Herculano (escritor)

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