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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E POLÍTICAS FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DIREITO PENAL II

DAS PENAS

Paula Zimbrão Pereira

Professor José Romeiro

RIO DE JANEIRO 2013 Da Pena

1. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA PENA DE PRISÃO A história da prisão não subentende a história de sua progressiva abolição, mas de sua reforma, até chegar a visão concebida hoje de um “mal necessário”. Sendo assim, procura-se elucidar as distintas formas em que os atos do homem delinqüente foram puníveis, de acordo com os períodos da História da Humanidade.

a. A Antiguidade Convém esclarecer desde início que até fins do século XVIII a prisão serviu somente à contenção e guarda dos réus a fim de preservá-los fisicamente até o momento de serem julgados. Assim, tanto na Grécia quanto na Roma Antigas, a prisão tinha como finalidade eminente a custódia, para impedir que o culpado pudesse se subtrair ao castigo. Isso porque o catálogo de sanções esgotava-se com a morte, penas corporais e infamantes. A prisão também servia como modo de retenção dos devedores até que pagassem suas dívidas. Assim, este devedor ficava a mercê do credor, como seu escravo. Os piores lugares eram empregados como prisões; calabouços, aposentos em ruínas ou insalubres de castelos, torres, conventos abandonados, palácios e outros.

1.2 A Idade Média Neste período a privação de liberdade continua a ter uma finalidade custodial aplicável àqueles que foram submetidos aos mais terríveis tormentos. Entretanto, nessa época, distinguem-se duas formas de prisão: a prisão de Estado e a prisão eclesiástica. Na primeira só podiam ser recolhidos os inimigos do poder, real ou senhorial, que tivessem cometido delitos de traição, ou adversários políticos. Os exemplos mais populares são a Torre de Londres e a Bastilha de paris. Por sua vez, a prisão eclesiástica destinava-se aos clérigos rebeldes e respondia às idéias de caridade, redenção e fraternidade da Igreja, assumindo um sentido de penitência e meditação. Sendo assim, segundo Hilde kaufmann, citado por Cesar Roberto Bitencourt 1, a pena privativa de liberdade teve seus fundamentos constituídos pelo pensamento cristão, com algumas diferenças entre o catolicismo e o protestantismo. De fato, o direito canônico contribuiu decisivamente para o surgimento da prisão moderna, principalmente no que concerne às primeira idéias sobre reforma do delinqüente. Desse direito extrai-se o vocábulo penitência de onde surgem as palavras penitenciário e penitenciária.

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BITTENCOURT, Cesar Roberto. Tratado de direito penal – Parte geral I. 11ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2007. Pag. 437.

2. monge beneditino francês: Reflexões sobre as prisões monásticas. 2012: 563). mediante ação penal. Cezar Roberto Bitencourt acrescenta que: “A pena constitui um recurso elementar com que conta o Estado e ao qual recorre. consistente na diminuição de um bem jurídico. CONCEITO DE PENA Fernando Capez conceitua pena como: “sanção penal de caráter aflitivo. Defende a proporcionalidade da pena de acordo com o delito cometido e a força física e espiritual do réu. Surgem na Inglaterra as workhouses e em Amsterdã. imposta pelo Estado. aborda a experiência punitiva carcerária que se aplica no Direito Penal canônico.3 A Idade Moderna Nesse período. a crise das formas feudais de vida e da economia agrícola havia ocasionado um enorme aumento de criminalidade. pode ser considerado um dos primeiros defensores dessa ideia. ao culpado pela prática de uma infração penal. faz o mesmo ao dizer que “Pena é a sanção aflitiva imposta pelo estado. Na segunda metade do século XVI iniciou-se um movimento de criação e construção de prisões organizadas para a correção dos apenados. em execução de uma sentença. as longas guerras. Da mesma forma. já que não se podia aplicar a tanta gente. Por sua vez. Assim. podemos extrais um expoente comum que é o caráter de imposição por parte do Estado. cuja finalidade é aplicar a retribuição punitiva ao delinqüente. Damásio de Jesus. as Rasphuis. Dá grande importância ao problema da reintegração social do apenado e assim. quando o agente comete um fato . e cujo fim é evitar novos delitos” (JESUS. quando necessário. como retribuição de seu ato ilícito. os distúrbios religiosos. para tornar possível a convivência entre os homens” (BITENCOURT. A partir dessas duas definições. consistente na restrição ou privação de um bem jurídico. ao autor de uma infração (penal). Diante desse fato. as destruidoras expedições militares do século XVII. a devastação do país. O trabalho de Jean Mabillon. 2011:385).1. a pena de morte não era uma solução adequada. promover a sua readaptação social e prevenir novas transgressões pela intimidação dirigida à coletividade” (CAPEZ. 2007:442).

. Assim. salvo no caso de guerra declarada.1 Teoria absoluta ou da retribuição A finalidade da pena é punir o autor de uma infração penal. é atribuído à pena a difícil incumbência de realizar a Justiça. d) de banimento. Esse papel do Estado de aplicar a sanção penal deve seguir sempre os princípios expessos ou implícitos em nossa Constituição Federal.2 Teoria relativa. 3. Entre os defensores dessa tese estão os mais expressivos pensadores do idealismo alemão: Kant (A metafísica dos costumes) e Hegel (Princípios da Filosofia do Direito). 3. Assim. A prevenção geral é representada pela intimidação dirigida ao ambiente social (as pessoas não delinqüem porque têm medo de receber a punição). e e) cruéis. a teoria também chamada de unificadora aceita a retribuição e o princípio da culpabilidade como critérios limitadores da intervenção da pena como sanção 2 CAPEZ. na teoria preventiva. Neste caso. TEORIAS DA PENA Parafraseando Fernando Capez2. A pena é a retribuição do mal injusto. pelo mal justo previsto no ordenamento jurídico (punitur quia peccatum est). 5º da CRFB prevê que não haverá penas: a) de morte.típico. c) de trabalhos forçados. praticado pelo criminoso. 386. essa necessidade de pena não se baseia na ideia de realizar justiça. 15ª ed. as finalidades e/ou funções da pena são explicadas por três teorias: 3. A prevenção é especial porque a pena objetiva a readaptação e a segregação sociais do criminoso como meios de impedi-lo de voltar a delinquir. No entanto. Assim. a pena é considerada um mal necessário. Todas essas consideradas como ofensivas à dignidade da pessoa humana. Curso de Direito Penal – Parte Geral. pela reeducação e pela intimidação coletiva (punitur quia peccatum est et ne peccetur). intermediária ou conciliatória A pena tem a dupla função de punir o criminoso e prevenir a prática do crime. 3. o inciso XV. b) de caráter perpétuo. Pag. abre-se espaço para que o Estado possa fazer valer seu ius puniendi. Fernando. mas na função de inibir tanto quanto possível a prática de novos fatos delitivos. Saraiva:2011. ilícito e culpável. do art. utilitária ou da prevenção A pena tem um fim prático e imediato de prevenção geral ou especial do crime. eclética. finalista.3 Teoria mista. para as duas teorias supracitadas. São Paulo.

execução. desde que ainda não esgotadas as conseqüências jurídicas do fato. . 5º. o juiz não pode extinguir a pena de multa levando em conta seu valor irrisório.4 Princípio da individualização da pena A lei regulará a individualização da pena (CF. art. art. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória”).1 Princípio da Legalidade ou da Reserva legal Determina que a criação de infrações penais e suas sanções devem ocorrer tão somente através da lei. que diz que não pode haver punição de fatos praticados antes da vigência da lei penal. nulla poena sine lege praevia).2 Princípio da anterioridade da lei Decorre do Princípio da Legalidade.59). salvo para beneficiar o réu” e CP. 4.O juiz verificará essas necessidades nas hipóteses previstas na lei. 4. aplicação (pena concreta). possibilitando a sua retroatividade ou a ultra-atividade . a pena não pode deixar de ser aplicada sob nenhum fundamento. a irretroatividade da lei penal é conseqüência do ideal iluminista.jurídico-penal. Como excessão à regra. é prevista a extra-atividade da lei mais benéfica (CF. Assim. ou seja. Assim. 5º. 4. insculpido na Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. 4. Por exemplo. ir além da responsabilidade decorrente do fato praticado. art. Apesar de sua origem mais antiga. Neste caso. pois.5 Princípio da necessidade concreta de pena Para a aplicação da pena o juiz deverá analisar a necessidade concreta da pena. nem pena sem prévia cominação legal” (nullum crimen. se é conveniente ao Estado punir o agente. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS/ CARASCTERÍSTICAS DA PENA 4. três são os momentos da individualização da pena: a cominação abstrata. a imposição e o cumprimento da pena deverão ser individualizados de acordo com a individualidade e o mérito do sentenciado. XLVI e CP. XL: “a lei penal não retroagirá.3 Princípio da aplicação da lei mais favorável Em regra. A pena não pode. XXXIX da CRFB/88: “não há crime sem lei anterior que o defina. salvo essas exceções. art. Este princípio está discriminado no art. os fatos praticados na vigência de determinada lei devem ser por ela regidos (tempus regit actus). 2º: Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. 5º. 4.

bem como determina que a pena seja cumprida de forma a efetivamente ressocializar o condenado. aquela de curta duração.6 Princípio da pessoalidade da pena ou da intranscendência da pena A pena deve ser aplicada somente ao autor do fato e não a terceiros (CF. pelo menos. a prisão fracassava em todos os seus objetivos declarados. amputação. Ela estava verdadeiramente em crise. não pode ser exigida dos herdeiros do falecido.4. necessário e indispensável a busca de outros meios para substituir a clássica pena privativa de liberdade. art.7 Princípio da Humanidade Nenhuma pena pode atentar contra a dignidade da pessoa humana. XLV).1 Das penas privativas de liberdade A partir do iluminismo e da repercussão de seus ideais reformadores. 5º. a pena de multa. como também qualquer consequência jurídica indelével ao delito. 32 do Código Penal: “As penas são: Privativas de liberdade Restritivas de direitos De multa” I. provocava a sua reincidência. pelo contrário. XLVII). CLASSIFICAÇÃO / ESPÉCIES DE PENA Nos termos do art. de sorte que é vedada a aplicação de penas cruéis e infamantes. 4. 5º.9 Princípio da proporcionalidade A pena deve ter relação proporcional com a gravidade da infração ( CF. Faz-se assim. visto que grande parte das críticas e questionamentos que se faz à prisão refere-se à impossibilidade de se obter algum efeito positivo sobre o apenado. ainda que considerada dívida de valor para fins de cobrança. 5. 59). . 4. não se cumpria. Assim. art. art. II. 5. a tradicional função de corrigir o criminoso retribuindo sua falta. III. Crise essa que também alcançava o objetivo ressocializador da pena privativa de liberdade. Esse princípio é o que dita a inconstitucionalidade de qualquer pena ou consequência do delito que crie um impedimento físico permanente (morte. etc). Assim.8 Princípio da suficiência da pena O juiz estabelecerá espécie de pena e sua quantidade conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime (CP. 4. intervenção neurológica. castração ou esterilização.

principalmente porque entre eles não se incluem os criminosos de colarinho branco. Somente o cumprimento insatisfatório deste poderá leva-la ao regime fechado.792/2003 que institui o regime disciplinar diferenciado. e. 5. Tratado de direito penal – Parte geral I. Somente os crimes mais graves são puníveis com pena de reclusão.b. Cesar Roberto.1 Regras do Regime Fechado Neste o condenado cumpre a pena em penitenciária e está obrigado ao trabalho em comum dentro deste estabelecimento. Nesse regime. 2007.1 Reclusão e detenção A Reforma Penal brasileira de 1984 adotou penas privativas de liberdade como gênero e manteve a reclusão e a detenção como espécie. Há ainda a Lei n. 5.1.2 Regimes Penais Os regimes são determinados fundamentalmente pela espécie e quantidade da pena e pela reincidência. num sistema progressivo. jamais será possível este isolamento. é uma injustiça flagrante. 11ª Ed. industrial ou estabelecimento similar. 3 BITENCOURT. 33. Quem cumpre este tipo de pena não tem direito a frequentar cursos de instrução ou profissionalizantes.1. o semi-aberto será executado em colônia agrícola. 5. Assim. O trabalho externo só e possível em obras ou serviços públicos.1. Conforme estabelece o Código Penal em seu art. o regime aberto será cumprido em casa de albergado ou em estabelecimento adequado. reservandose a detenção para os delitos de menor gravidade. Este serviço externo poder ser o último estágio de preparação para o retorno do apenado ao convívio social. a. Entretanto. industrial ou estabelecimento similar. 443 . através da regressão.2. em colônia agrícola.1. o regime fechado será executado em estabelecimento de segurança máxima ou média.c. a pena de reclusão pode iniciar seu cumprimento em regime fechado. Também ficará sujeito ao trabalho em comum durante o período diurno.2. O condenado terá direito de frequentar cursos profissionalizantes. desde que o condenado tenha cumprido um sexto da pena. São Paulo: Saraiva. O próximo passo será o livramento condicional. salvo para os presos residuais. 5. aliadas ao mérito do condenado. o que jamais poderá ocorrer na pena de detenção. Pag. §1º. o condenado fica sujeito ao isolamento durante o repouso noturno. finalmente. 10. com a superpopulação carcerária.Cesar Roberto Bitencourt3 ainda enfatiza a dominante convicção de que o encarceramento.2 Regras do Regime Semi-aberto Neste não há previsão para o isolamento durante o repouso noturno.

1. Os fatores fundamentais para a determinação desse regime são.3 Regras de Regime Aberto Baseia-se na autodisciplina e no senso de responsabilidade do apenado. frequentar cursos ou exercer outra atividade autorizada fora do estabelecimento e sem vigilância. 52: I. reincidente ou não. sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie. de acordo com os elemento do art. Pag. Prática de fato previsto como crime doloso que ocasione subversão da ordem ou disciplina internas. O maior mérito desse regime é manter o condenado em contato com a sua família e com a sociedade. o preso terá direito à saída da cela por duas horas diárias para banho de sol. Quando houver fundadas suspeitas de envolvimento ou participação. CP.1. quadrilhas ou bando. com duração de duas horas. até o limite de um sexto da pena aplicada. e) detenção até 4 anos. d) detenção reincidente. Apresente alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. São Paulo: Saraiva. Cesar Roberto Bitencourt 4 estabeleceu algumas regras sobre esse regime: 1ª Para pena de detenção: a)só pode iniciar em regime semi-aberto ou aberto. conforme o art. 4 BITENCOURT. 59.1. poderá iniciar em regime semi-aberto ou aberto. o recolhimento será em cela individual admitindo visitas semanais de duas pessoas. 2007. b) nunca pode iniciar em regime fechado. Cesar Roberto. 5. em organizações criminosas. Tratado de direito penal – Parte geral I. 33 e 59 do Código Penal. II. 5. O condenado só permanecerá recolhido (em casa de albergado ou em estabelecimento adequado) durante o repouso noturno e nos dias de folga.5 Regime Inicial A fixação do regime inicial da execução das penas privativas de liberdade compete ao juiz da ação. natureza e quantidade da pena aplicada e a reincidência. a qualquer título.2. III.2.4 Regras do regime disciplinar diferenciado Poderá ser aplicado nas seguintes situações. permitindo que o mesmo leve uma vida útil e prestante. Com base nos arts. não reincidente.5. só pode iniciar em regime semi-aberto. Ele deverá ainda trabalhar. qualquer quantidade de pena. c)detenção superior a 4 anos. 11ª Ed. só pode iniciar em regime semi-aberto.2. sem contar as crianças. Esse regime terá duração máxima de 360 dias. 450 .

pode iniciar em regime fechado ou semi-aberto. 59. além do mérito do condenado (bom comportamento). c) reclusão superior a 4 anos até 8. Na regressão. Entretanto. 5.2ª Para pena de reclusão: a) reclusão superior a 8 anos sempre inicia em regime fechado. reincidente.3 Prisão domiciliar O Supremo Tribunal Federal decidiu que a prisão domiciliar somente será cabível nas hipóteses previstas no art. não reincidente.1. e) reclusão até 4 anos. pode iniciar em regime fechado semiaberto. CP. é indispensável que ele tenha cumprido.1. a depender das condições do art. d) reclusão até 4 anos. 59. LEP). pelo menos. torna incabível o regime atual (art. sempre produto de uma sentença penal condenatória. cuja pena. II . 5. que o condenado não poderá passar direito do regime fechado para o aberto. ampliando ou diminuindo o seu status libertatis.4 Progressão e Regressão Os regimes de cumprimento da pena direcionam-se para maior ou menos intensidade de restrição da liberdade do condenado. na progressão. para qualquer dos regimes mais rigorosos.condenada gestante”. 5. A sanção aplicada possibilita ao apenado progredir ou regredir nos regimes. segundo recomendarem os elementos do art.condenado maior de 70 (setenta) anos. Por sua vez. sem passar obrigatoriamente pelo regime semi-aberto. somada ao restante da pena em execução. CP. dá-se o inverso. reincidente. Isso quer dizer. Também dependerá do art. 112.5 Detração Penal . pode iniciar em qualquer dos 3 regimes.1. 59. não reincidente. por crime anterior.condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental. um sexto da pena no regime anterior (art. 117 da Lei de Execuções Penais: “Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de: I . Contudo. sempre inicia em regime fechado.condenado acometido de doença grave. 118. III . a regressão está prevista como obrigatória. IV . LEP). b) reclusão superior a 4 anos. ou sofre condenação. Na progressão evolui-se de um regime mais rigoroso para outro menos rigoroso. o inverso não é verdadeiro. quando o sentenciado pratica o fato definido como crime doloso ou falta grave.

as executadas parcialmente em estabelecimentos detentivos. como a reclusão. casas de internação. se trabalhar também poderá remir parte de sua futura condenação. As primeiras são as que se cumprem em estabelecimentos especialmente destinados a esse fim (penitenciárias. Não institucionais. descontar. . Ex. as penas restritivas de direitos são: 1º prestação pecuniária.Através dela. 4ª interdição temporária de direitos. Semi-institucionais. c) Internação em casas de saúde. Ela se faz na base de 3 dias de trabalho por um de pena. “as penas podem ser institucionais. parte do tempo de pena a cumprir. Entretanto.: a multa e a prestação de serviço à comunidade” (JESUS.2 Das penas restritivas de direitos De acordo com o art. b) Prisão administrativa. Esse período anterior à sentença penal condenatória é tido como de pena ou medida de segurança efetivamente cumpridas. pelo trabalho realizado dentro do sistema prisional. 5. 2012:573). na pena ou na medida de segurança. sem vinculação com estabelecimentos prisionais.6 Remição Significa abater. a detenção e a prisão simples. 2ª perda de bens e valores 3ª prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas. 42 do Código Penal estabelece as hipóteses em que pode ocorrer a detração penal: a) Prisão provisória. no Brasil ou no estrangeiro. Também o preso provisório. Conforme afirma Damásio de Jesus. 43 do Código Penal. o tempo de prisão ou de internações que o condenado cumpriu antes da condenação. O art. nem superior a 8 horas diárias. 5. as que se executam em liberdade. desde que a jornada de trabalho não seja inferior a 6 horas diárias.1. o condenado que for punido por falta grave perderá o tempo remido. 5ª limitação de fim de semana. como a limitação de fim de semana. que não está obrigado ao trabalho. semi-institucionais e não institucionais. é possível descontar. etc).

Não podem ser aplicadas diretamente. O juiz. há expressa vedação de substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos. por exemplo. em casos como os crimes de tráfico de drogas. 5. Entretanto. As medidas alternativas podem ser classificadas em: 1ª restritivas de liberdade. como a limitação de fim de semana. o juiz tem dois caminhos: se impõe pena privativa de liberdade por crime hediondo. como a multa e a prestação pecuniária.1 Medidas Alternativas Alternativas penais são meios de que se vale o legislador visando impedir que ao autor de uma infração penal venha a ser aplicada medida ou pena privativa de liberdade. se for o caso. em primeiro lugar. Por exemplo: no art. semi-aberto e aberto). 5. nem cumuladas com as privativas de liberdade. como. se a substitui por pena alternativa. incide a lei nº. que permite que a pena privativa de liberdade. As penas alternativas constituem medidas sancionatórias de natureza alternativa. como as interdições provisórias de direitos. bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição é suficiente. Assim. se o crime for culposo. na fase de execução.2. Também podem atuar na fase de execução da pena. não se relacionando com os regimes de execução. 8. Podem atuar antes do julgamento. 44 do Código Penal. a associação para tráfico de drogas. como a “submissão a tratamento”. seja convertida em restritiva de direitos. 3ª pecuniárias. não se fala em regimes (fechado.5.2. a fiança. Depois. a substitui por uma ou mais alternativas. fixa a pena privativa de liberdade. 2ª restritivas de direitos. b) O réu não for reincidente em crime doloso. e 4ª de tratamento. qualquer que seja a pena aplicada.2 Natureza das penas restritivas de direitos As penas alternativas são substitutivas. a conduta social e a personalidade do condenado.072/90. a liberdade provisória e suspensão condicional do processo. 180 da LEP. os antecedentes. o financiamento ou custei de tráfico de drogas.3 Condições De acordo com o art. as penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: a) Aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou. c) A culpabilidade.2. .

durante o cumprimento da pena restritiva de direitos. irrecorrivelmente. a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos.2. a primeira causa de conversão ocorre em face do descumprimento injustificado da restrição imposta. mencionado por Cesar Roberto Bitencourt6. “se chama pena pecuniária a diminuição de nossas riquezas. c) Multa. São Paulo: Saraiva. A conversão é facultativa: se.3 Das penas de multa Segundo o mestre Francesco Carrara. 2ª Incompatibilidade entre as penas: há conversão.: limitação de fim de semana. Direito Penal I – Parte Geral. . O apenado fica sujeito a determinadas restrições e à condição de não praticar nova infração penal (“não será executada a pena privativa de liberdade se não fizeres tais e tais coisas”). podendo deixar de aplica-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. As penas de multa. a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. 44. O segundo caso de conversão ocorre quando.2. o sujeito vem a ser condenado.: prestação pecuniária. 558. Trata-se de condicionamento negativo.5 Conversão da pena alternativa em privativa de liberdade Parafraseando Damásio de Jesus5. 2012. 2007. 5. 579. 5. 6 BITENCOURT. se superior a 1 ano. o apenado deve cumprir a restrição imposta na sentença (“não será executada a pena privativa de liberdade se fizeres tais e tais coisas”). São Paulo: Saraiva. Cesar Roberto.5. 5 JESUS. Pag. pela prática de crime a pena privativa de liberdade (art. durante a execução de pena alternativa. Pag. de acordo com duas regras consideradas em face da natureza da pena alternativa anterior: 1ª Compatibilidade entre as duas penas: não há conversão. são as seguintes: a) Confisco. Tratado de direito penal – Parte geral I. 33ª ed. 11ª Ed. sobrevier condenação à pena privativa de liberdade por outro crime. Ex. nas modalidades restritivas de direitos.4 Multa substitutiva: condenação à pena igual ou inferior a 1 ano Tratando de condenação à pena igual ou inferior a 1 ano. Ex. Na hipótese. aplicada por lei como castigo de um delito”. §5º). o juiz da execução penal deverá decidir sobre a conversão em privação da liberdade. segundo a classificação mais tradicional. A substituição é aplicável à lei legislação especial. A conversão e facultativa e não obrigatória. Damásio de. b) Multa reparatória.

O Código Penal de 1940 adota quatro critérios para a cominação da pena de multa: a) Parte alíquota do patrimônio do agente: leva em conta o patrimônio do réu.268/96 retira a coercibilidade da multa penal.2 O sistema dias-multa 7 BITENCOUT. Cesar Roberto.Em relação ao confisco. 2. Por vezes. 558. Assim. Pag. A multa reparatória. A possibilidade de sua conversão em pena de prisão. independente da cominação na parte especial. a impossibilidade de ser transferida para os herdeiros ou sucessores do apenado. São Paulo: Saraiva.1 Cominação e aplicação da Pena de multa A multa pode-se apresentar como pena comum (principal). c) Dia-multa: leva em conta o rendimento que o condenado aufere durante um mês ou um ano. b) Renda: a multa deve ser proporcional à renda do condenado. caso não seja paga. 5. O que afasta uma das características da multa penal no brasil. cumulada ou alternadamente. . a CRFB/88 criou a possibilidade de sua adoção como pena sob a expressão de “perda de bens”. atenuar a criminalidade e sanar as chagas deixadas por esse flagelo no organismo social. 2007. 11ª Ed. ou seja.3. Basileu Garcia. citado por Bitencourt7 defende a impreterível necessidade de se canalizar os proventos originários da pena de multa unicamente para as funções de prevenção geral e especial. isolada. d) Cominação abstrata da multa: deixa ao legislador a fixação do mínimo e do máximo da pena pecuniária. já foi proposta nos congressos penitenciários de Roma e Bruxelas. quer sozinha quer em conjunto com a pena restritiva de direitos. longe de ser uma ideia nova. Entretanto. é tradicionalmente consagrada em todas as legislações. Seu caráter personalíssimo. Consiste na substituição das penas privativas de liberdade por multa indenizatória. Tratado de direito penal – Parte geral I. a Lei n. e como pena substitutiva da privativa de liberdade. é um tanto difícil distinguir quando a multa terá ou não caráter penal. em 1889 e na Rússia. buscando assim. duas são as características essenciais da multa penal: 1. em 1890. 9. Já a pena de multa propriamente dita. impedindo a sua conversão em pena de prisão por falta do pagamento.3. dividindo-se o montante por 30 ou 365 dias: o resultado equivale ao dia multa. 5.

do CP). Sendo assim. conclui Cesar Roberto Bitencourt: “O sistema dia-mulya é o mais completo de todos os que até agora foram utilizados. 5. 49 e seus parágrafos. dizem-na mais flexível e. conforme afirmação de Silvio Teixeira Moreira: “os doutrinadores afirmas ser a pena de multa mais aflitiva que a privação de liberdade.Segundo esse sistema. Entretanto. o juiz verificar que embora aplicada no máximo. enfatizar que os limites da multa não são apenas aqueles previstos no art. recebe pagamento dos condenados” (BITENCOURT.3. A forma de avaliação da culpabilidade e das condições econômicas do réu ajusta-se aos princípios de igualdade e proporcionalidade” (BITENCOURT. 6º. o que representará 5400 salários mínimos. especial. considerando-se sua situação econômica e patrimonial. que é o menor valor do dia-multa. §1º. estabelecendo a média que o acusado aufere em um dia. o juiz. E o mínimo desse limite de dias-multa será de 10 e o máximo de 360. essa pena é ineficaz.4 Limites da pena de multa Para determinar os limites da pena de multa. 2007:563). Assim.5 Fase Executória da pena pecuniária . 2007:562). em virtude da situação econômica do réu. por isso. 60. 5. que é o seu maior valor. preconizam-na como mais econômica para o Estado que. o valor de um dia-multa deverá corresponder à renda média que o autor do crime aufere em um dia. que se aplica tanto à multa prevista nos tipos legais de crimes como nas multas substitutivas. do CP. poderá elevá-la até o triplo (art. há outro limite. extraordinário: se. e cinco salários mínimos. mais permeável ao princípio da individualização da pena. É importante ainda. ao invés de despender grandes somas no sustento dos internos.3. asseveram-na menos degradante que a segregação e sem as nefastas consequências desta. §1º. fixará o valor do dia-multa entre os limites de 1/30 do salário mínimo. mas também o do art.

no caso previsto na Lei de Execução. a multa poderá ser cobrada mediante desconto na sua remuneração.5. o condenado deverá tomar a iniciativa para pagar a multa. através do Ministério Público. se melhorar de situação econômica. fixará o número de prestações. 170. c) Desconto em folha (vencimentos e salários).5. Isso disposto no art.1 Pagamento da multa No art. Já em relação ao desconto em folha. no caso do Código Penal. ou então. conclui-se que pode haver 3 modalidades de pagamento da pena pecuniária. desde que não incida sobre os recursos indispensáveis ao seu sustento e ao de sua família. Para verificar a situação econômica do réu e constatar a necessidade de parcelamento. ou seja. será revogado o parcelamento. Tem-se assim que. deverá requerer a citação do condenado para. a iniciativa caberá ao Estado. se o condenado for impontual. o juiz poderá determinar diligências e. que são: a) Pagamento integral. b) Pagamento parcelado. acredita-se que a jurisprudência e a doutrina acabarão se inclinando pela adoção da norma mais favorável ao réu e também mais coerente. uma vez que a sentença condenatória tem força coercitiva. após audiência do Ministério Público. Diante desse impasse. ou nomear bens à penhora. em seu art. Também regulamenta a LEP. §2º. 5º do Código Penal vem disposto que a multa deve ser paga dentro de 10 dias depois de transitada em julgado a sentença. que se o condenado estiver preso. .3.5.3. No entanto. o art. 50. 164 da Lei de Execução Penal determina que o Ministério Público. do Código Penal. esse desconto deverá ficar dentro do limite de um décimo e da quarta parte da remuneração do condenado. no prazo de 10 dias. Se houver atraso no pagamento.2 Formas de pagamento da multa Pelas disposições legais. de movimentar outra vez o aparelho judiciário para constranger o cumprimento de uma decisão condenatória com trânsito em julgado. E. pagar o valor da multa. numa interpretação sistemática. no caso. as disposições da LEP. de posse da certidão da sentença pena condenatória. 5.

por sua vez. da mesma forma que o anterior. contudo. sob absoluto silêncio e confinamento solitário durante a noite.2 Sistema Alburniano Uma das razões que levaram o surgimento desse sistema foi a necessidade de superar as limitações e os defeitos do regime celular. como modelo para outros tipos de relações sociais. As ideias desse sistema foram influenciadas pelas ideias de Howardve de Beccaria. Já não se trataria apenas de um sistema penitenciário criado para melhorar as prisões e conseguir a recuperação do delinquente. Este modelo. a obrigação estrita do silêncio. 6. na prisão de Gante. As características essenciais desse sistema fundamenta-se no isolamento celular dos intervalos. Não se aplicou. Suas bases foram lançadas no Hospício de San Miguel de Roma.1 Sistema Pensilvânico ou celular Originou-se numa construção no jardim da prisão de Walnut Street com a finalidade de se aplicar o solitary confinement aos condenados. como fim de resultarem produtivos ao sistema. Neste. e a segregação individual impedia a possibilidade de introduzir uma organização do tipo industrial nas prisões. pretende servir de modelo ideal à sociedade. Assim. Aplicou-se a rigorosa lei do silêncio. a meditação e a oração. . SISTEMAS PENITENCIÁRIOS Os primeiros sistemas penitenciários surgiram nos Estados Unidos e não são apenas um antecedente importante dos primeiros sistemas penitenciários. acompanhando sua evolução. superando a utilização da prisão como simples meio de custódia. mas de um eficiente instrumento de dominação servindo. impôs-se o isolamento em celas individuais somente aos mais perigosos. 6. como também marcam o nascimento da pena privativa de liberdade. os outros foram mantidos em celas comuns e também era permitido o trabalho conjunto entre eles durante o dia. passou-se a permitir o trabalho em comum dos reclusos.6. examinar-se-á os sistemas pensilvânico. um microcosmos de uma sociedade perfeita onde os indivíduos se encontrem isolados em sua existência moral. mas são reunidos sob um enquadramento hierárquico estrito. o sistema celular completo. Esse sistema de vigilância reduzia drasticamente os gastos com vigilância. alburniano e progressivo.

ou mesmo pela imposição de brutais castigos corporais. 128. da dedicação ao trabalho. Também foi criticado a aplicação de castigos cruéis e excessivos. para poderem dedicar-se a um trabalho produtivo. basicamente. Tratado de direito penal – Parte geral I. No entanto. O sistema auburniano impõe-se nos EUA não só porque oferece maiores vantagens que o filadélfico. ao fato de que o silente system acolhe estilo de vida militar. O silente system era economicamente mais vantajoso que o celular. em parte. Os dois sistemas tinham ideias ou uma ideologia que evidenciava a finalidade ressocializador do recluso. . Por outro lado. Cesar Roberto. principalmente. Os dois sistemas adotam um conceito predominantemente punitivo e retributivo da pena. eram reunidos durante algumas horas. O sistema celular fundamentou-se em inspiração mística e religiosa. Outro aspecto negativo desse sistema foi o rigoroso regime disciplinar aplicado. . o trabalho que podia ser desenvolvido no sistema auburniano era mais eficiente e produtivo.1 Sistemas pensilvânico e auburniano: semelhanças e diferenças A diferença principal reduz-se ao fato de que no regime celular a separação dos reclusos ocorria durante o dia. à pressão das associações sindicais que se opuseram ao desenvolvimento de um trabalho de um trabalho penitenciário. do ensino dos princípios cristãos.2. fosse através do isolamento. Pag. ainda aplicado em muitos países. São Paulo: Saraiva. Isso porque a produção nas prisões representava menores custos ou podia significar uma competição ao trabalho livre. inspira-se claramente em motivações econômicas. esse objetivo caiu por terra devido. mas porque o desenvolvimento das forças produtivas. O sistema auburniano. no auburniano. Um dos pilares do silente system foi o trabalho. já que permitia alojar maior número de pessoas na prisão. por sua vez. 11ª Ed. 8 BITENCOURT. A importância dedicada à disciplina deve-se. 2007. diminuindo os custos de produção. do ensino de um ofício. assim como as condições imperantes do desenvolvimento econômico. o permitiam. O sistema auburniano – afastadas sua rigorosa disciplina e suas estrita regra de silêncio – constitui uma das bases do sistema progressivo.Na visão de8 Foucault este é um meio eficaz para a imposição e manutenção do poder. 6.

considerada como um meio de prova da aptidão do apenado para a vida em liberdade. A essência deste regime consiste em distribuir o tempo de duração da condenação em períodos.3. tratava-se de um período intermediário entre as prisões e a liberdade condicional. o remanescente desses “débitos-créditos” seria a pena a ser cumprida. consiga paulatinamente sua reforma moral e a preparação para a futura vida em sociedade.3 Sistemas Progressivos O apogeu da pena privativa de liberdade coincide igualmente com o abandono dos regimes celular e auburniano e a adoção do regime progressivo. pretende que este regime. Somente o excedente destas marcas.3. fez a introdução desse sistema na Irlanda. de tal maneira que a quantidade de vales que cada condenado necessitava obter antes de sua liberação deveria ser proporcional à gravidade do delito. 6. estimulando-lhes a emulação que haverá de conduzi-los à liberdade. e. ampliando-se em cada um os privilégios que o recluso pode desfrutar de acordo com sua boa conduta e o aproveitamento demonstrado no tratamento reformador. na Ilha Norfolk. Walter Crofton. Em que se pese o sucesso alcançado pelo sistema de Maconochie. procuram corresponder ao inato desejo de liberdade dos reclusos. Na verdade. . Referida soma era representada por certo número de marcas ou vales. na Austrália.2 Sistema progressivo irlandês Os sistemas progressivos. Esse sistema consistia em medir a duração da pena por uma soma de trabalho e de boa conduta imposta ao condenado.1 Sistema Progressivo ou “mark system” Foi desenvolvido pelo capitão Alexander Maconochie. inquestionavelmente. em seus diversos matizes. além de diminuir significativamente o rigorismo na aplicação da pena privativa de liberdade. em razão de boa disposição anímica do interno. Outro aspecto importante é o fato de possibilitar ao recluso reincorporar-se à sociedade antes do término da condenação. de outro. diretor das prisões na Irlanda. A meta do sistema tem dupla vertente: de um lado pretende constituir um estímulo à boa conduta e à adesão do recluso ao regime aplicado. Ao contrário dos regimes Auburniano e Filadélfico. Em caso de má conduta impunha-se-lhe uma multa. deu importância à própria vontade do recluso. era necessário que se fizesse uma melhor preparação do recluso para voltar à liberdade plena. 6. um avanço penitenciário considerável. no ano de 1840. aperfeiçoando-lhe e introduzindo uma ideia original que foi o estabelecimento de “prisões intermediárias”. O regime progressivo significou.6.

todo esse ambiente de crescente conscientização tem levado a um questionamento mais rigoroso do sentido teórico e prático da pena privativa de liberdade. 5) O sistema progressivo parte de um conceito retributivo. Por fim. e muito menos em uma prisão. Através da aniquilação inicial da pessoa e da personalidade humana pretende que o recluso alcance sua readaptação progressiva. demonstrando uma atitude aberta que permitisse estimular a reforma moral do recluso. Essa maior conscientização social não tem ignorado os problemas que a prisão apresenta e o respeito que merece a dignidade dos que.3. O afrouxamento do regime não pode ser admitido como um método social que permita a aquisição de um maior conhecimento da personalidade e da responsabilidade do interno. houve significativo aumento da sensibilidade social em relação aos direitos humanos e à dignidade do ser humano. A consciência moral está mais exigente nestes temas. A ação penitenciária de Montesinos planta suas raízes em um genuíno sentimento em relação ao outro. procurando construir no recluso uma definida autoconsciência. 6. nas palavras de Bitencourt: “Nos últimos tempos. as seguintes limitações: 1) A efetividade do regime progressivo é uma ilusão diante das poucas esperanças sobre os resultados que se podem obter de um regime que começa com um controle rigoroso sobre toda a atividade do recluso. 4) O maior inconveniente que tem o sistema progressivo clássico é que as diversas etapas se estabelecem de forma rigidamente estereotipada. por meio do gradual afrouxamento do regime. chegando inclusive a estabelecer as famosas Regras Mínimas para tratamento de reclusos (Genebra. são seres humanos. contribuindo ainda mais para o debate sobre a crise dessa espécie de pena. fundado num sentimento de confiança e estímulo e estímulo.6. 2007:135).3 Sistema de Montesinos Deu-se verdadeira importância ao recluso nesse sistema. o sistema progressivo alimenta a ilusão de favorecer mudanças que sejam progressivamente automáticas. especialmente do regime fechado. . condicionado à prévia manifestação de boa conduta. 1955)” (BITENCOURT.3. que o recluso esteja disposto a admitir voluntariamente a disciplina imposta pela instituição penitenciária. que muitas vezes é só aparente. Um bom exemplo desse processo é o interesse da ONU pelos problemas penitenciários.4 Algumas causas de crise da sistema progressivo Ao sistema progressivo pode-se assinalar. antes de serem criminosos. 3) Não é plausível. Assim. dentre outras. 2) No fundo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .

Damásio de. São Paulo: Saraiva. 2011. . 15ª Ed. 2007. 33ª ed. Direito Penal I – Parte Geral. CAPEZ. Fernando. Cesar Roberto.BITENCOURT. JESUS. Curso de Direito Penal – Parte Geral. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. Tratado de direito penal – Parte geral I. 11ª Ed. 2012.

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