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O Livro Da Luz

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Livro da Autora Aylla Harard.
This is named "The Book Of Light", people around the world does a research about this interesting book, now you can read - It's in your hands! -
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Published by: Raquel Constantin on Oct 13, 2009
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O LIVRO DA LUZ

O LIVRO DA LUZ
Inspirado por Lo' Ramp e Luyz Levy Psicografado por Aylla

2008

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O LIVRO DA LUZ

ÍNDICE
A origem do Livro da Luz As 13 virtudes A origem dos espíritos A sabedoria A função dos anjos Explicação da origem da vida e do universo A alma, o lar espiritual e o umbral O livre-arbítrio Adão e Eva Os anjos e suas missões Abramelim, Salomão, Akhenaton e Ramsés O bem e o mal A evolução dos espíritos O universo revelado O diálogo de Osha com o Rabi Os Amorazins Os Tenains Os anjos do bem o de mal A verdade sobre Jesus Cristo A cruz e a Árvore da Vida As 3 trindades de Deus A criação As 22 lâminas (caminhos de evolução) Planetas primários e escolas estagiárias, planeta natal, planeta escola e planeta fixo Os signos do Zodíaco e as eras Por que é errado matar animais e comer carne? As últimas palavras de Jesus Os símbolos ligados a Cristo A Kabalah Os chakras A Kabalah e o corpo humano universal – a estátua de Ezequiel Os 13 anjos e sua missão na transformação da Terra Os anjos caídos Abim = Abel e Caim Os Illuminati e a Arca da Aliança Abraão, Hagar, Sara e seus descendentes (Isaac e Ismael) Akhenaton, o 13º filho de Ismael O Tratado dos Illuminati e a morte de Golaha (Golias) Hiram Abïf, o Templo de Salomão e a Arca da Aliança A verdade sobre Jesus e sua história (a culpa romana e dos judeus) A Nova Jerusalém
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Os 12 e os 144 auxiliares As várias encarnações de Jesus na Terra (mitologia e verdade, simbologia e fatos ocultados) A Sophia e o Apocalipse revelado O quinto elemento A verdade sobre a data de nascimento de Jesus, sobre Maria Magdala e Pedro Os discípulos de Cristo, Santa Helena e Sarah Constantino e a Bíblia; as provas da existência de Jesus; o falso corpo de Cristo Rei Artur, Jacques DeMolay, Simão Pedro e o mago Simão, Melchizedek, o rei de Salem A prisão e morte de Jesus A missão do Anjo do Amor REVELAÇÕES O diálogo de Deus com Samiazy, Krysnasvary e Agkrüpymallaya A Era de Ouro A Era de Prata, do Bronze e do Aço A descida dos anjos caídos e seus filhos A história recontada A escola de Salém A história de Adão, Eva, Caim e Abel Os 7 Elohins e a fala de Prometeu / Melchizedek sobre Deus e a Terra Akhenaton e Moisés (Manasses) Miriam, Aarão, Jetro, Jashá e Moisés Os 3 Amorazins Samuel e Sansão A CRIAÇÃO UNIVERSAL A Kabalah (a Criação universal e terrena) O Pai Nosso original

162 163 172 176 177 179 182 184 197 202 209 210 215 218 225 229 231 236 240 246 258 261 271 281

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Após mais de 2.000 anos de silêncio Jesus Cristo decidiu que já estava na hora de devolver à humanidade a Verdade que há anos vinha sendo escondida, que há anos vinha sendo queimada e rejeitada, Verdade essa que Ele mesmo havia deixado na Terra, que Ele mesmo havia escrito em aramaico e outros idiomas hoje pouco conhecidos e falados. Muitos de seus apóstolos conheciam essa Verdade, mas poucos tiveram coragem de expôla. Dois de seus apóstolos, porém, espalharam esse grande segredo por vários cantos da Terra. Na verdade um desses apóstolos nem chegou a ser discípulo de Cristo, mas após a morte de Jesus a Virgem Maria concedeu a ele a iluminação da revelação. Seu nome era Lucas e, como todos sabem, ele nem chegou a conhecer Cristo, mas sem saber se tornou escolhido para receber a revelação. O outro foi Tomé, o desconfiado. Esses dois discípulos receberam a missão de ensinar à humanidade todo o ensinamento contido na Livro da Luz, mas as perseguições e os obstáculos se tornavam cada vez maiores e para aqueles que aprendiam a verdade a morte era o caminho certo. No final de suas vidas Tomé e Lucas foram até Pedro, outro conhecedor da verdade, e pediram para ele guardar os livros originais em total sigilo e segurança e este assim o fez. Logo depois eles morreram. Pedro, respeitando o pedido dos nobres amigos, enterrou o Livro da Luz em uma pequena igreja toda construída com blocos de pedras muito pesadas. O livro de Lucas não teve um destino muito diferente, porém na hora de proteger os originais Pedro recebeu um aviso divino de que deveria fazer outras cópias daquele livro e assim o fez. Antes de morrer o bom Pedro deixou este precioso presente em mãos seguras para que estas o reproduzissem mais vezes e secretamente as distribuíssem a outros escolhidos que estavam por vir. Durante centenas de anos o Livro da Luz fez vários adeptos e criou a seita dos Puros de Coração, seres que foram considerados hereges e morriam às centenas por não aceitarem a doutrina da Igreja. Com o passar dos séculos os exemplares do Livro da Luz começaram a desaparecer. No tocante a eles a Igreja não podia queimá-los, pois estes se destruíam automaticamente, queimando-se antes mesmo que pessoas da Igreja os tocassem. Assim ela nunca viria a saber o que realmente continha esse tal livro misterioso e porque ele lhes impunha tanto medo e curiosidade. Para a Igreja ele ficou simplesmente conhecido como O Quinto Evangelho, a verdade que Cristo escreveu e a religião apagou, mas hoje, para desespero de alguns seres, é sabido que existem alguns exemplares desta relíquia espalhados pelo mundo. Vocês devem estar se fazendo uma pergunta: Que mistérios escondia este livro? Por que tantos seres morreram pela verdade que existia dentro dele e por que essa Verdade não podia ser revelada? Bem, esse é o assunto de que vamos tratar agora. Vamos revelar os segredos do Livro da Luz, afinal hoje grande parte da humanidade já tem uma boa noção desses segredos e não há mais motivo algum para eles continuarem secretos. Foi-nos passado o dever de fazer isso de uma maneira bela e de fácil compreensão, sem esconder nada de sua Verdade. Ao caminhar pelos jardins floridos e perfumados da Cidade dos Anjos Cristo pensava em uma maneira de revelar a Verdade contida no Livro da Luz para a humanidade e depois de um breve momento de reflexão Ele chamou alguns anjos e pediu que lhe trouxessem 13 crianças do Jardim das Virtudes. Não demorou muito tempo e os anjos voltaram trazendo as 13 crianças e as deixaram com Jesus Cristo. Cristo se aproximou delas e as abraçou uma a uma. Depois, sentado em meio a elas, disse: - Vocês, meus amores, forem escolhidos para serem os olhos, as bocas e palavras, os ouvidos e a consciência da humanidade. A partir de hoje a humanidade só encontrará a chave de alguns mistérios do universo depois que sentirem e compreenderem cada um de
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vocês inteiramente. Vocês, por alguns momentos, serão donos da humanidade, porém essa jamais deverá ser dona de vocês. Agora aproximem-se uma a uma e digam-me o nome da virtude que representam e mais tarde direi a vocês o motivo pelo qual as escolhi. Que venha o primeiro. A primeira criança se aproximou de Cristo e docemente disse qual era a virtude que representava: - Eu represento a Verdade e a Justiça. A segunda: - Eu represento a Bondade e a Misericórdia. A terceira: - Eu sou a Abnegação. A quarta: - Eu sou a Felicidade. A quinta: - Eu sou a Prosperidade. A sexta: - Eu sou a Vida. A sétima: - Eu sou o Destino. A oitava: - Eu sou a Saúde, a Coragem e a Força. A nona: - Eu sou a Sabedoria e a Paciência. A décima: - Eu sou a Evolução. A décima primeira: - Eu sou o Perdão. A décima segunda: - Eu sou a Compreensão. A décima terceira: - Eu sou o Amor. Assim as 13 crianças se apresentaram. Cristo disse: - Que bom que todos estão aqui. De fato vocês são exatamente tudo que preciso para mostrar à humanidade o que ela precisa para chegar ao Grande Pai, mas antes de enviar vocês para a Terra vou lhes passar algumas instruções e lhes contar a verdade sobre alguns enigmas do universo. Só assim terão mais claros os conceitos que irão ensinar aos seres humanos. - Muitos anos atrás, quando estive na Terra como um ser humano, eu escrevi um livro onde relatei os caminhos da evolução. Fiz isso para que as pessoas pudessem ver o quanto era fácil alcançar a sabedoria e a evolução verdadeira. Naquela época esse livro trouxe consciência somente a alguns seres, que desde então lutariam encarnação após encarnação para conscientizar os outros seres. O tempo passou e hoje vejo a necessidade de escrever este livro de novo, mas desta vez não será como no passado. Por isso escolhi vocês. Hoje, com a ajuda de vocês, vou deixar tudo ainda mais claro e mais fácil de se compreender. Não que não tenha sido assim no passado, porém hoje o

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tempo tornou as coisas mais fáceis. Muitos seres já estão aptos a conhecer e até compreender essa Verdade e até mesmo procuram por ela. Agora vamos às explicações. Todos vocês vieram do Jardim das Virtudes e obviamente já conhecem a história da origem dos espíritos, mas há algo que vocês ainda não conhecem e eu me vejo tendo que revelar isto a vocês, afinal para ensinar a humanidade este conhecimento se faz necessário. Vocês sabem que o Grande Pai tirou de seu próprio coração uma parte, pois desejava, além de sentir, ver o sentimento que lhe dava vida. Tão grande, vivo e livre era seu amor que, logo que se viu fora do corpo, transformou-se numa vida como a do Pai, que agia e sentia como Ele. Estava ali criada a chama gêmea de Deus. Ambos se completavam. Então se uniram de tal forma que tornaram-se apenas um e logo que fizeram isso uma outra chama deles brotou. Tão imensa e poderosa se tornou aquela união que o amor gerado por ela fez essa outra chama ser independente tal qual os seus criadores. Os criadores, felizes pelo que haviam criado, alimentaram de amor essa nova chama. Tão forte e poderoso era o alimento dado a essa chama que ela cresceu e multiplicou-se em quantidade e número jamais estimado pela humanidade. Mas o Grande Pai percebeu que para a humanidade ser feliz de verdade as pessoas tinham que provar o que Ele já havia experimentado: “o sabor de ter uma chama gêmea”. Ele então disse: “Multipliquem-se como eu o fiz”. Nesse instante Ele tirou um pedaço do coração de cada ser e deu a esses pedaços vidas independentes e livres que, seguindo o exemplo do Pai, uniriam-se ao outro pedaço do coração e juntos criariam mais uma vida e assim estava formada a tríade sagrada divina: o Pai, sua chama e o fruto deles dois. O fruto, sua chama e a semente deles. Obviamente todos são frutos do Grande Pai, mas para que seu fruto evoluísse o Pai deixou que ele se sentisse responsável pela sua chama e ela responsável pela sua semente e assim por diante. A sabedoria então começaria a dar seus primeiros passos até a compreensão e essa conduziria a todos no caminho da evolução. Embora Deus tenha criado todos os espíritos, deixou para eles a obrigação de se auxiliarem na evolução. E qual a melhor maneira de evoluir senão pela responsabilidade por si e pelos outros? Assim todos os espíritos conscientes tinham que buscar uma fórmula de expandir e evoluir essa consciência. Para isso foram criados alma e corpo, dois corpos intermediários do espírito, que seriam usados para colocar em prática tudo o que este sabia e assim é desde o princípio até o presente e sempre será, pois o fim não existe nesse círculo eterno de sabedoria universal. Mas não é só isso, meus pequenos mestres. Há algo ainda mais difícil que vocês terão que explicar à humanidade e é justamente disso que vou lhes falar agora. Logo que o Grande Pai criou seus filhos, os espíritos, Ele permitiu que eles tivessem as principais qualidades dEle: Vida, Liberdade e Amor e, assim sendo, o livre-arbítrio buscaria a evolução de acordo com a sua vontade e consciência, que iria ser alcançada no decorrer das diversas encarnações, sendo o amor um sentimento que todos possuem. Enfim, alcançariam a evolução somente pelo seu próprio esforço, sabedoria e vontade. O Grande Pai, visando a necessidade dos inúmeros filhos, trouxe para perto de si um grupo imenso de espíritos que Ele julgava estarem avançando mais
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rapidamente do que os demais e os observou por um tempo. Eles se desenvolveram bem, alcançando o grau de evolução necessário para adentrar o estágio da perfeição. Assim foi criado o primeiro planeta que entrou na perfeição e daí também surgiram os primeiros auxiliares do Grande Pai. Nasceram então os seres conhecidos como anjos. Esses, por livre e espontânea vontade, sentiam um desejo enorme de ajudar o universo a evoluir. Foi então que o Grande Pai deu a eles a responsabilidade de ajudar os outros planetas e seus habitantes. Com o passar do tempo os outros planetas foram sentindo a força da evolução e da mesma forma que foram ajudados resolveram também ajudar e assim a sabedoria tem sido passada adiante de um planeta para o outro. Isto não acontece apenas com os planetas, mas também com os seus habitantes. Vou dar um exemplo: Imaginem que lá na Terra, no meio da imensa multidão, existam vários seres humanos que já alcançaram um grau de consciência superior ao dos demais. Esses seres não sabem, mas são orientados por alguns Mestres do Universo, que tem por missão orientar e ajudar na evolução de seres humanos que por sua vez tem que ajudar na evolução daqueles que estão ao seu redor. O maior problema que esses seres humanos enfrentam é justamente a elevada consciência, pois quanto mais eles sabem mais se torna difícil sua vida terrena. Parece um despropósito ou uma contradição dizer isso, porém é a mais clara das verdades. Prova disso foi o estágio que passei na Terra, pois quanto mais fácil eu dizia ser o caminho para o Pai menos acreditavam em mim e, por mais que eu provasse isso, nunca era o suficiente. As pessoas queriam sempre mais, exigiam provas que na maioria das vezes já existiam diante de seus olhos, mas eles se negavam a ver, porém eu não podia infringir o livre-arbítrio das pessoas e obrigá-las a ver. Tinha que ser paciente e esperar que eles tivessem a consciência de que o milagre que esperavam de mim eles mesmos fariam um dia. Porém tanto para mim quanto para os que ainda vivem na Terra chega o momento em que o simples fato de ter consciência passa a ser um incômodo, pois os inúmeros seres que se julgam ‘senhores da verdade’ sentem-se incomodados pela nossa presença. Eles passam a nos encarar como um perigoso concorrente e mesmo que afirmemos que nosso conhecimento é fruto tão somente de Deus e do grande amor que tudo liberta, isso não nos salva da exclusão. Por mais que o nosso desejo resuma-se apenas em tentar esclarecer jamais acreditarão que não tenhamos outras intenções por trás desta. Enfim, a sabedoria que nos eleva ao Pai nos condena em meio ao homem. São como cegos que vêem a luz pela primeira vez e se desesperam e lutam para diminuir essa luz, pois ela incomoda e agride os olhos nos primeiros momentos. É preciso ser persistente e calmo para ir se acostumando a ela, podendo enfim abrir os olhos e contemplar a Verdade, mas nem todos pensam assim. Grande parte prefere a escuridão à qual estavam acostumados, pois acreditam que assim, se errarem, será por não saberem e portanto não precisam ser julgados. Logo que fazem essa escolha procuram dar um fim na luz para que esta não os incomode mais. Assim a sabedoria que nos ensina a compreender a humanidade um dia termina nos expulsando dela. Entretanto não devemos nos incomodar com isso, afinal se temos a sabedoria é fácil compreendermos o seu propósito e
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devemos sempre mantê-lo em mente, pois aquele que mais nos nega é o que mais necessita de nós. Para não sofrermos não devemos esperar compreensão instantânea de nada nem de ninguém, pois o simples fato de carregarmos a compreensão nos revela esse segredo de ajudar sem esperar ser ajudado, de compreender sem esperar ser compreendido, de amar sem esperar ser amado. Sei muito bem que isso parece utopia ou ilusão, porém não só eu como inúmeros outros seres acreditam que é mais fácil amar que ser amado. Digo obviamente Amor no sentido verdadeiro, o real, o único. Esse amor não precisa ser alimentado pelo amor dos outros, pois se sustenta diretamente da fonte, o coração do Grande Pai. Esse amor é um dos mais altos graus de evolução para qualquer ser vivo, porém nem mesmo esse grandioso amor nos impede de sentir um mínimo de dor, afinal quando as pessoas rejeitam a compreensão que lhes oferecemos no fundo estão rejeitando o amor e mesmo que isso seja perfeitamente compreensível um pouco ainda nos fere. Mas esse ferir não é da pessoa para nós, afinal a compreensão ensina que existe hora para tudo. Essa dor vem de dentro. São perguntas que fazemos a nós mesmos. Questionamos se de fato estamos fazendo a coisa certa, se não somos nós os culpados pela incompreensão do outro, se temos ou não capacidade para ajudar ou ensinar. Perguntamos a Deus onde estamos agindo errado e onde devemos mudar. Quanto mais compreensão alcançamos maior é a vontade de ajudar, porém os limites do livre-arbítrio e da evolução do outro nos fazem barrar diante da grande muralha do destino de cada um. Entretanto não devemos nos sentir intimidados, afinal se mil não estão aptos a compreender nos dias de hoje isto não significa que estamos jogando nosso tempo fora, pois tudo que alguém ouve um dia fica registrado em sua memória e permanece eternamente em sua alma para vir a ser aproveitado na época e momento certos. Além disso de mil podemos tirar 50 que chegarão a compreender e que mais tarde se tornarão 100 e assim por diante. Para o Grande Pai não importa o número de pessoas que estão recebendo a sabedoria, mas a qualidade da sabedoria que foi transmitida, sua veracidade, seu verdadeiro teor, pois uma sabedoria mal-ensinada e aplicada ao invés de despertar o coração pode aprisioná-lo, ao invés de trazer compreensão à mente pode confundi-la. Os grandes sábios costumam dizer que o verdadeiro sábio não se intitula mestre de ninguém. Ensina o ofício ao aprendiz que desejar aprender, mas na hora de erguer a Grande Obra ele não dá palpites, deixando que o aprendiz molde seu destino da sua própria maneira, com sua própria energia, ouvindo sua própria intuição, afinal o destino é dele e não do sábio e assim tanto o sábio quanto o aprendiz recebem um grande conhecimento. Cada um à sua maneira terá aprendido algo muito importante: respeitar a liberdade de sonhar. O sábio, quando aprendeu, criou seu mundo como sonhava. Hoje seu aprendiz faz o mesmo e ambos podem ver que no fundo o princípio da construção é sempre o mesmo. Sempre surge alguém para dar uma dica. O resto depende da evolução e sonho de cada um e por mais impossível que possa parecer é exatamente assim que o Grande Pai age. Ele, em sua infinita sabedoria, nos criou e deu vida, mas nos deixou livres para buscarmos o sentido dela. Dessa maneira o Grande Pai nos permite

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evoluir pelos nossos próprios méritos e aí está a chave que abre a porta onde se esconde a tão preciosa resposta que a humanidade tanto busca. Todo mundo deseja saber porque a sabedoria é considerada infinita. Bem, a resposta é muito simples e deveras fácil, porém compreender essa resposta e absorvê-la como verdade se torna algo muito difícil, pois a humanidade ainda se limita muito, mas agora não vejo mais motivos para esconder essa Verdade. Por isso vou esclarecê-la. O fato que torna a sabedoria infinita está justamente na liberdade que Deus deu aos homens, deixando-os evoluir à sua maneira. As diferentes formas de evolução que os seres criam são sentidas também pelo Pai. A consciência em seus mínimos detalhes também. Portanto quanto mais o homem avança na sabedoria e na expansão de sua consciência, mais se aproxima da Verdade de Deus, porém o que o homem não sabe é que Deus se alimenta da evolução universal. Quanto maior for o amor e maior a consciência das pessoas, maior ainda se torna o amor e a sabedoria do Pai. Isso não quer dizer que somos criadores de Deus. Quer dizer apenas que tornamos seu poder ainda maior quando alcançamos um grau a mais de sabedoria e consciência. Isso também não significa que o Grande Pai não tenha seu poder próprio. Quer dizer apenas que quando temos confiança em alguém ou algo tornamos tal coisa ou pessoa mais poderosa do que já é e o mesmo acontece com o Grande Pai. Por essa razão é simplesmente impossível limitar a sabedoria do Divino a um fim, pois quanto maior o poder que os seres lhe dão maior será sua evolução, como também sua responsabilidade. Mesmo de maneira tão fácil e clara acredito que ainda ficará muito difícil para algumas pessoas compreenderem o que eu disse, mas não tem importância, afinal explicarei isso dentro de outras explicações que virão no decorrer de outros assuntos de que tratarei com vocês. No passado, quando andei pela Terra como homem, procurei me fazer entender explicando à humanidade aquilo que o Grande Pai me confiou, porém era muito difícil para as pessoas compreenderem o quanto era fácil e simples chegar a Deus. A humanidade estava acostumada a dogmas, rituais e sacrifícios para falar com o Pai e não podiam acreditar que tudo isso podia ser resumido pela fé e o amor. Respeitando o livre-arbítrio dos meus irmãos escrevi o Livro da Luz, mais tarde conhecido como O Quinto Evangelho, mas para que os evangelistas que receberam essa missão estivessem preparados para ela muito tiveram que sofrer. No fundo suas almas já haviam escolhido receber essa consciência. As informações secretas que Maria lhes confidenciou ainda não podiam ser totalmente compreendidas pelos nossos evangelistas. Eles de tudo faziam para compreender aquelas informações, porém elas lhes pareciam muito distantes da compreensão. Eles então resolveram se enclausurar por algum tempo e pediram a Deus que lhes trouxesse compreensão para entenderem melhor aquela missão. Após dias de oração, solidão, fome e sede eles receberam a consciência que tanto pediram, porém essa consciência os marcou. Eles receberam estigmas semelhantes aos que eu recebi na crucificação. Era uma prova de que falariam a Verdade que eu ensinei, mas não foi só isso que os evangelistas souberam. Eles também contataram os outros seres que tiveram acesso à mesma Verdade. Viram no
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passado distante Enoch recebendo a revelação de todos os mistérios. Tão grande foi a sabedoria de Enoch que ele não pôde ficar na Terra, mas ele sabiamente deixou vários ensinamentos escritos e os segredou a seu filho e mais tarde a seu neto. Todos os segredos originais da Kabalah estavam ali. Esse ensinamento foi guardado e preservado por centenas de anos em mãos preciosas e sábias que esperavam os enviados aptos a receber esse conhecimento. Akhenaton foi um faraó que recebeu esse conhecimento. Seu dever era preparar o povo para minha chegada, mesmo que ainda fosse demorar muito tempo até que eu chegasse na Terra. Enoch escreveu a Verdade e por ela esse grandioso ser teve que partir. Akhenaton teve que colocar em prática a Verdade e por ela teve que pagar o preço da incompreensão, dor e sofrimento, que ele suportou dignamente. Muitos ele conseguiu conscientizar, mas sabia que somente os que viriam após ele libertariam de verdade aquele povo. Assim seu sofrimento era mais ameno. Depois dele Lucas, Tomé e João também receberam a consciência da Verdade, como também Francisco de Assis e inúmeros outros que não tiveram seus nomes reconhecidos. Tudo isso e muito mais foi revelado aos evangelistas, que a partir dessa revelação tiveram suas vidas mudadas pelo alto grau de consciência. Muitos discípulos alcançaram a sabedoria através dos ensinamentos dos evangelistas e continuaram a peregrinar pela Terra passando adiante esse conhecimento, que muitos levou à morte física em troca da grande evolução da alma. Mais tarde o povo foi se acovardando, pois a resistência às leis da Igreja era inútil. Ela crescia e passava por cima de tudo, criando leis que terminavam por desencorajar os homens e esses, já cansados de ver tanto sangue derramado, terminavam por ceder às leis da Igreja. Com o tempo eles se acostumaram e foram esquecendo o verdadeiro evangelho, porém após algumas encarnações os conhecedores daquela Verdade voltavam à Terra com lembranças dela e aos poucos começaram a trazê-la de volta. Progressivamente passaram a ser aceitos, mesmo que sem total compreensão. Hoje isso é mais fácil, pois o povo está mais livre até mesmo na forma de pensar, portanto está mais apto a receber a Verdade e talvez possa até compreendê-la. Como a Terra está sendo preparada para uma nova e grande transformação essa Verdade só poderá ajudar a todos a compreenderem melhor os novos acontecimentos, esclarecendo e preparando o mundo para isso. Agora vamos começar a explicar a função que cada um de vocês irá desempenhar na Terra. Vamos fazer isso um a um, meus pequenos anjos. Peço que o primeiro que desejar saber sua função me questione o quanto for necessário para esclarecer suas dúvidas. A primeira criança foi para a frente de Cristo e disse: - Eu represento a Verdade e a Justiça. Sei que essa é a virtude que tenho que ensinar aos seres humanos, mas gostaria de saber como o senhor revelou essa Verdade em seu livro e como os evangelistas ensinaram-na aos outros seres humanos. Meu querido anjinho, no Livro da Luz o Grande Pai permitiu que fosse revelada a verdade sobre a evolução humana e seus mistérios, explicando que todo ser um dia alcança a consciência da Verdade original.
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Senhor, eu sei que o meu papel na Terra se limita à verdade que faz justiça ou na verdade por trás de um karma, de uma injustiça, etc., mas o que de fato é a Verdade original? - Meu querido, a Verdade original é o Absoluto, é a Consciência Superior de cada ser que desperta para sua verdadeira essência. Alguns seres, por exemplo, que estão vivendo a última encarnação na Terra já têm a consciência dessa Verdade, pois as inúmeras experiências já vividas lhes proporcionaram alcançar essa Verdade, porém devo deixar bem claro que são apenas alguns seres humanos. No seu caso, meu anjinho, tua verdade e justiça servirão de conselho para inspirar os seres humanos nas escolhas do bem e do mal. - Senhor, eu não entendi muito bem. Podes me explicar melhor? Mas claro que sim, meu querido. Tua função é orientar os seres humanos quando eles estiverem propensos a cometer injustiças ou falarem inverdades que possam vir a prejudicar outros irmãos, porém se não for possível evitar essas injustiças deves acatar o destino, da Lei do Karma e do livre-arbítrio, deixando que aconteça o que tem que acontecer, pois o próprio destino te colocará no caminho dessas pessoas mais tarde para que tu te faças não apenas em Verdade, mas também em Justiça. Para que tu entendas melhor como deves agir, meu anjinho, vou te dar alguns exemplos. Nesse instante Cristo ergueu a mão e num segundo fez surgir uma esfera transparente do tamanho de uma bola de cristal, deixando-a suspensa no ar na altura de sua cintura para que ela pudesse ser observada por todos e disse: - Observem, meus anjinhos. Aqui vocês verão cenas reais vividas atualmente por seres humanos encarnados. As crianças se aproximaram e, curiosas, esperaram surgir as primeiras imagens. A esfera girou rapidamente e em segundos parou. Em seguida as primeiras imagens começaram a surgir. Apareceu então uma criança de apenas seis anos de idade. Essa criança estava apanhando muito de sua mãe, que não media o peso da mão para bater nela. Cristo pediu para que a criança representante da Justiça observasse aquela situação e encontrasse ali uma maneira de fazer justiça. A criança olhou aquela cena atenciosamente e depois de um breve momento voltou seu olhar para Cristo e disse: - Senhor, nesse caso tenho que ficar de um lado só, pois ainda não posso me fazer presente na íntegra para essa família. Tenho que me fazer presente aos poucos, pois é a única maneira de conscientizar a todos da Verdade. Essa criança ainda não tem consciência de seus karmas. Portanto tudo que posso fazer é a Justiça Divina pedindo ao Grande Pai que torne menos dolorosa a consciência do sofrimento para essa criança, porém quando ela crescer eu poderei me fazer presente em sua vida. Com a ajuda do destino e da Lei da Ação e Reação será mais fácil conscientizar essa família de seus erros. - Muito bem, meu bom anjinho. Tu mostras que conheces bem a tua virtude, porém vocês são livres para mexer na vida da humanidade desde que façam isso com concordância do amor e do destino e se lembrem que as pessoas escolhem os seus karmas a serem pagos. Vocês são responsáveis pelo cumprimento deles, portanto não podem ser misericordiosos e nem perder a misericórdia. Sei que isso parece dúbio, mas garanto-lhes que é mais simples do que podem imaginar. Como vocês ainda não compreenderam muito bem
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eu vou explicar exatamente qual será a função de vocês na vida dos seres humanos. Meus queridos anjos, quero deixar claro que não será fácil a missão de trazer consciência à humanidade. Há muitos anos vários escolhidos tiveram essa mesma tarefa e não foram muito bem recebidos, pois a Verdade ofusca os olhos dos cegos e amedronta aqueles que passam a vê-la, pois esta, por ser simples e fácil demais, simplesmente é impossível que acreditem nela. Tudo que vou relatar a vocês agora há muito tempo já foi relatado e não só no planeta Terra, mas em vários outros planetas e as reações não foram muito diferentes. Sei que vocês devem pensar porquê continuamos a insistir. Simplesmente porque de uma forma ou de outra nossas tentativas tem dado resultados. Mesmo que aparentemente pequenos para uma humanidade tão grande eles são significativos para Deus. As primeiras tentativas de escrever o Livro da Luz começaram há 6.556 anos atrás (tempo da Terra, sendo hoje o ano de 2004 d.C. Portanto no ano 4552 a.C.). Naquela época eu e vários legisladores do universo observamos aqueles que seriam os escolhidos, aqueles que fariam mudanças significativas em vários planetas incluindo a Terra. Naquela época eu já sabia que teria que descer à Terra para atestar com maior ênfase tudo que os escolhidos já teriam falado e feito. Há 6.556 anos eu e um grupo de sábios chamamos os escolhidos para uma conversa na senda luminosa onde fica o Grande Conselho do Universo. Esses escolhidos de nada sabiam nem nada lembravam. Por essa razão os levamos à senda, lugar onde teriam acesso à Verdade que viria a atordoar alguns desses escolhidos, porém sabíamos que eles estavam prontos para isso. Revelamos a eles os segredos do universo. Começamos por explicar a origem dos espíritos, explicação essa que já dei a vocês, porém nessa explicação ficou faltando um pequeno detalhe. Faltou dizer a vocês que havia uma ordem de consciência para cada ser que se multiplicasse daquele que já havia sido multiplicado. Explicando melhor, todos os espíritos foram criados da Matrix Divina: Deus e sua chama gêmea. Os primeiros milhares que saíram dEle tinham uma consciência perfeita, porém quando o Grande Pai resolveu partir os corações para que esses voltassem a se unir e se multiplicassem, como Ele mesmo o fez, Ele fez com que essa nova multiplicação recebesse a consciência da primeira e dessa mesma maneira agiu com as demais multiplicações, que no total foram 22 grupos e cada grupo com milhares e milhares de espíritos multiplicados. Todos esses seres foram obviamente criados pelo Divino Pai e todos feitos numa só época. Mais tarde o Grande Pai os separou e os conduziu a seus planetas, que a princípio funcionavam como um berçário onde eles aguardariam a hora de começar o grande aprendizado. Os primeiros seres que iam evoluindo passavam a se tornar responsáveis por aqueles que de forma indireta haviam criado ou pensavam ter criado (é preciso lembrar sempre que todos foram criados por Deus), pois a única maneira de evoluir de fato era se tornar responsável pela própria evolução e que melhor maneira senão ter responsabilidade pelos outros e pela própria existência? Assim os primeiros pais a ajudarem seus filhos foram os anjos, mas devemos lembrar que eles receberam de Deus uma grande ajuda, pois Ele lhes passou todo o
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conhecimento teórico de como cuidar de seus “filhos”. Até aí os anjos ainda não haviam alcançado a suprema evolução. Haviam alcançado apenas a perfeição. Como foram os primeiros milhares, tinham a facilidade de sentir como o Pai. Por isso não foi tão difícil chegarem à perfeição, porém o processo é semelhante para todos. O tempo e a consciência é que faz a diferença. Com suficiente aprendizado teórico eles partiram para a prática e foram no grande berçário do universo buscar seus filhos para enfim ensinálos. À medida que os anjos instruíam os seus filhos estes automaticamente faziam o mesmo por aqueles que haviam saído deles e assim por diante (vamos lembrar que todos os espíritos têm sabedoria, mas precisam praticála) e esta é a fórmula secreta da evolução dos 22 grupos de milhares e milhares de espíritos. Atualmente só sete grupos têm uma evolução perfeita e consciente, mas não completa, afinal a sabedoria é infinita e evolução perfeita é apenas a compreensão de que somos eternos aprendizes. Mesmo dentro dessa escala de sete grupos é gigantesca a quantidade de espíritos, mas ainda não o bastante para o infinito universo que, se me fosse autorizado revelar o número, este não caberia nas páginas de um livro, tampouco na mente humana. Mas agora vamos contar um exemplo de como um pai evolui um filho. Vou dar a vocês o mesmo exemplo que dei aos escolhidos que receberam o Livro da Luz. Vou lhes contar a história do mestre Maitreya e sua filha Agkrüpymallaya. O mestre Maitreya pertence ao sétimo grupo de espíritos, o que explica sua sabedoria e seu alto nível de consciência. A filha do mestre Maitreya por sua vez pertence ao oitavo grupo de espíritos, que obviamente já têm uma sabedoria muito grande, mas ainda distante daquela de seu pai. Hoje Maitreya é um dos grandes sábios do universo e atua como ministro e legislador ao mesmo tempo. Há vinte e seis mil anos (tempo da Terra) ele conseguiu trazer sua filha à consciência, porém para testar tudo que ela havia aprendido ele tinha que vê-la praticar todos os ensinamentos. Para isso ele a enviou à Terra como um dos seres da primeira etapa de seres humanos que veio para este planeta. Fez isso com total concordância de sua filha, que aceitou passar o período de 26 mil anos estagiando no planeta Terra. Em alguns milhares de anos sua missão era apenas aprender e praticar para que na hora certa ela pudesse corresponder às expectativas de seu pai, que havia preparado para ela uma missão muito grande e difícil para a visão terrena, porém esta seria a grande prova de que ela havia de fato aprendido tudo que ele havia lhe ensinado. Agkrüpymallaya obviamente não poderia saber dessa história até que realmente estivesse pronta e ela começou a dar sinais de que começara a estar pronta há 6.556 anos atrás, na mesma época em que os filhos de outros mestres também deram seus primeiros indícios. Foi então que os levamos para a senda luminosa onde revelamos a eles suas origens, quem eram seus pais e qual era o propósito de termos levado eles até ali. A princípio eles ficaram muito assustados em saber que eram filhos de mestres do universo, pois se sentiam muito inferiores aos seus pais. Foi então que permitimos que eles se lembrassem de seus pais, pois essa relembrança tornaria as coisas mais fáceis. De fato isso nos ajudou muito e assim revelamos qual seria a
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missão daqueles seres a partir daquele momento. Eles teriam que preparar a Terra para uma fé única e isso teria que ser feito ao longo de muitas e sacrificadas encarnações. Teriam que ensinar à humanidade toda a Verdade que haviam aprendido, mesmo que para isso perdessem o corpo físico. Também foram avisados que eu seria o instrutor dali para frente, pois os pais deles assim haviam decidido. A responsabilidade agora seria minha e dos escolhidos, pois eu seria dentro em breve o presidente da Terra e os escolhidos me foram indicados por meus nobres irmãos auxiliares. Era minha primeira vez como presidente de um planeta. Era a primeira vez deles como auxiliares de um presidente. Enfim, estávamos todos começando um novo estágio juntos. Esses auxiliares me conheceram antes que eu tivesse a aparência do Cristo que hoje todos conhecem, porém minha aparência anterior tinha muito poucas diferenças. Dentre elas destacavam-se meus longos cabelos negros e lisos, que hoje não são mais assim, mas ainda são muito semelhantes, mas isso não vem ao caso. Vamos voltar ao que realmente interessa. Os escolhidos para serem auxiliares foram levados ao canal aberto da senda, lugar onde se pode acessar o registro akáshico do universo, lugar de acesso restrito. Apenas os sábios do universo e seus trabalhadores escolhidos podem acessá-lo. Esses auxiliares haviam ganho a permissão para acessar o registro, pois ainda não sabiam, mas logo estariam adentrando na senda luminosa, coisa que eles julgavam impossível de acontecer. A filha do mestre Maitreya, colocada diante de seu passado, viu-se na sua aparência original, a primeira aparência que seu espírito teve logo que saiu de seu pai e de sua mãe. Era como se estivesse vivendo um sonho. A alma observando o nascimento do próprio espírito, aquele momento de seu nascimento ou criação. Ela observou como o Grande Pai criou os espíritos e como os fez multiplicarem-se e como assim foi criada toda vida espiritual do universo. A partir daí ela foi acompanhando, num estágio mais avançado, seu próprio estágio de evolução. Agkrüpymallaya, como vários outros seres que alcançaram o estágio de consciência, puderam enfim conhecer seus pais e seu lar “definitivo”, lugar onde poderiam viver temporariamente antes de partirem para outro planeta. Esse lar é chamado de “definitivo” porque a partir de tal estágio evolutivo os espíritos sempre podem voltar a ele após os estágios em outros planetas e, além de voltarem para casa, voltar para perto de seus pais, aqueles que são na verdade sua primeira família. Para chegar a esse estágio o espírito passa por vários “planetas de afinidade” até alcançar o estágio da consciência. Esse estágio só é alcançado quando o espírito chega ao caminho nº 10 de evolução. Antes disso o espírito tem a sabedoria, mas lhe falta a prática, e a melhor maneira de tê-la é encarnando e estagiando por inúmeras vezes em vários planetas diferentes sem a consciência de um lar ou família, pois isso atrapalharia a evolução natural desses seres. Mas logo que são conscientizados de que tem um lar e uma família eles recebem um segundo presente. Ganham a consciência de que também são pais responsáveis por evoluir outro ser, ser esse que obviamente é partícula multiplicada daquele que acaba de receber a consciência. Para que o exemplo fique claro vejamos a evolução da filha do mestre Maitreya.
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Deus a criou da partícula do mestre Maitreya e sua chama gêmea. Ela, por sua vez, foi evoluindo de acordo com a evolução de seus pais, mas obviamente na mesma hora em que foi criada sua existência deu origem a outro ser e assim por diante, exatamente como foi com todos. A única diferença é que nenhum ser tinha consciência de que viria a se tornar responsável pela vida multiplicada de si mesmo. No fundo somos todos uma grande cadeia de irmãos que formam uma grande família, onde os mais velhos cuidam dos mais novos até que esses adquiram sabedoria bastante para cuidarem de si e dos seus dependentes. Essa foi uma revelação muito grande para os escolhidos e, se eles se assustaram, imaginem como ficaram ao saber que tinham que passar todo esse conhecimento para a humanidade. Não foram só eles que se assustaram. Eu também achei muito dura a incumbência de revelar tamanha sabedoria à humanidade do planeta Terra, porém o Grande Pai me disse que para ter um grande pomar é preciso semear boas sementes. Mesmo que essas não venham a crescer na época que desejamos não devemos nos frustrar por isso, pois o mal não é da semente e sim do solo que ainda não se tornou fértil. Porém se a semente de fato for boa um dia vence o solo e, sem que esse perceba, começa a germinar até se tornar uma frondosa árvore de belos frutos, e Ele, em sua infinita sabedoria, tem sempre certeza das coisas. Da mesma maneira que Ele me convenceu eu tentei instruir os escolhidos mostrando-lhes algumas sementes já germinadas na Terra e até mesmo em outros planetas e apesar disso não posso dizer que foi fácil a missão deles. Porém não foram só esses segredos que revelamos a eles. Falamos também sobre os segredos da evolução da alma e esse foi um dos assuntos mais importantes e que os deixou de fato bastante abismados, pois jamais haviam imaginado que um processo tão difícil no fundo era algo tão simples e fácil, mas que a humanidade jamais conseguiria desvendar sem a devida sabedoria e compreensão. Algo tão simples, porém tão difícil de se compreender e isso não diz respeito apenas ao planeta Terra, mas à evolução geral do universo. Vamos lembrar que todo planeta que habitamos é apenas uma grande escola onde nos dispomos a aprender, praticar e evoluir. Mais tarde, quando os planetas evoluem, alcançando o estágio da perfeição, se tornam lares onde vários espíritos já muito evoluídos fixam uma morada, mas vamos deixar claro que essa morada é como uma casa de campo, que nos serve de refúgio em um curto período de férias, pois sabemos que ali é a nossa casa, porém o nosso trabalho e estudo geralmente estão em outros planetas. Na verdade esse lar é como um ponto de encontro familiar, onde os espíritos vinculados pelo laço familiar dão sempre um jeitinho de matar a saudade que sentem uns dos outros. Agora vamos ao assunto que diz respeito à evolução da alma. A alma foi criada como segundo corpo, corpo esse que estaria entre o espírito e o corpo físico. A alma é o canal de comunicação entre o espírito imortal e o corpo físico mortal. Sua função é evoluir a ambos e a si mesma, criando uma fusão que só acontece no final de um estágio planetário (final de um estágio planetário significa a última encarnação de um estágio em um planeta). Isso significa que o espírito alcançou seu intento naquele planeta e pode continuar
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avançando para outros planetas em busca de sabedoria, mas para que isso aconteça a alma é submetida a muitos testes escolhidos pelo próprio espírito. A criança chamada Destino pergunta a Cristo: - Como isso acontece, Senhor Jesus. Pode nos explicar? - Mas é claro, meus amores. É isso que vou fazer agora. Vou explicar a vocês como acontece a evolução das almas dos seres que vivem na Terra, que por sinal é muito semelhante à evolução das almas em outros planetas. Até onde a humanidade terrena sabe ou conhece foram criados dois tipos de escolas, lugares para onde são encaminhadas as almas que acabam de desencarnar. Essas escolas são chamadas de lar espiritual e umbral. O lar espiritual tem 12 colônias, cada uma com um grau de evolução crescente, onde a alma vai avançando no decorrer de suas inúmeras encarnações. Mas a escola chamada umbral, também conhecida como inferno, é o maior segredo de todos, que agora tenho que revelar. A princípio enquanto os seres humanos eram inconscientes e não podiam compreender a verdade que hoje vamos relatar deixamos que eles acreditassem em um lugar chamado inferno, porém o que vou relatar agora prova que esse lugar jamais existiu, ao menos não como a humanidade imagina. - Quando uma pessoa desencarna e vai para o umbral ou inferno ele acredita que está num lugar terrível onde mora toda a maldade e até mesmo um “deus do mal”. Ali ele acha que vai sofrer até pagar todos os seus crimes, até se arrepender deles e só então poder sair de lá para ter uma nova chance de reencarnar e se redimir, dedicando-se a uma vida que o conduza a um pouco de sabedoria. A verdade sobre o umbral é que foi criado um espaço paralelo na Escola da Consciência (o lar). Esse espaço é chamado de umbral por muitos seres humanos e até por almas desencarnadas que se comunicam com os encarnados. Esse espaço paralelo é o lugar para onde vão as almas rebeldes que cometeram crimes de diversos graus, mas nesse espaço nenhuma alma encontra outra alma, como a grande maioria pensa. Na verdade tudo que acontece nesse espaço paralelo é obra do espírito, dono daquela alma. É ele quem determina tudo que a alma deve ou não passar. - Esse grande segredo guardado há tanto tempo hoje vem descortinar as incertezas que alguns seres humanos ainda carregam. Para que todos compreendam exatamente o que vou falar vou começar revelando a vocês mais um segredo. O livre-arbítrio eu acredito que seja algo que todos já conhecem, mas o que nem todos sabem é que livre-arbítrio é algo que foi dado apenas ao espírito e ao corpo físico. A alma, por sua vez, não tem livrearbítrio e portanto não tem escolha. Ela, no entanto, não tem consciência disso, vindo a alcançá-la quando já tiver avançado para um nível maior de sabedoria. - O que, em resumo, acontece com a alma é mais ou menos o seguinte. Quando um ser desencarna e deixa na Terra vários assuntos pendentes como crimes, violência, etc. ele vai para aquele espaço paralelo que muitos acreditam ser o inferno ou umbral, porém nesse espaço paralelo existem sete níveis. Cada nível varia de acordo com os crimes que as pessoas cometem. Digamos que uma pessoa vá para o Vale dos Suicidas. Esse lugar é contaminado pela depressão e pela angústia. Geralmente os suicidas terminam por ir para esse
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lugar. Ao chegar lá o ser se vê rodeado de pessoas semelhantes a ele, que compartilham da mesma tristeza, dor, rancor e angústia, mas o que a alma não sabe é que aqueles seres não podem feri-lo tampouco magoá-lo, pois eles estão ali a pedido do espírito daquela alma, que na tentativa de fazê-la evoluir e reconhecer seus próprios erros usa seus medos e sua própria ignorância como armas que podem despertar a consciência. Na verdade o espírito vai tornando a sua alma cada vez mais semelhante a ele ao passar das encarnações, exatamente como o Grande Pai faz conosco, com algumas diferenças, é claro. Quanto mais evoluímos maior se torna o poder do Grande Pai. Isso significa que, por maior que venha a ser a nossa evolução, jamais alcançaremos a evolução do Grande Pai, mas por outro lado se a evolução dEle é infinita a nossa também é. Já que somos seus filhos seguimos também seu exemplo. Portanto Ele sempre será o mestre universal e nós seus eternos aprendizes. Já no que diz respeito à alma e ao corpo físico, esses são eternos aprendizes do espírito, que manipula todos os acontecimentos sem que esses dois corpos o saibam. Portanto tudo que a alma sofre nos espaços intermediários chamados de inferno ou umbral nada mais é do que a libertação de seus erros e sua ignorância através do medo que ela mesma causou em outros seres humanos. É como se a alma se colocasse diante de suas vítimas e estas a fizessem passar por tudo que ela causou a elas, porém nós sabemos que réu e vítima só costumam se encontrar quando reencarnam novamente, mesmo porque seria muito cruel deixar uma alma-vítima ao lado de uma alma que lhe causou o trauma. Em meio a tanta organização existem algumas regras de exceção que na verdade as pessoas vêem como exceção, mas para os espíritos são mais conhecidos como ajustes kármicos. Como os espíritos não são inimigos uns dos outros eles tratam de fazer o mesmo com suas almas que, querendo ou não, terminam por se tornar inimigas temporárias pelo vínculo que criam ao encarnar e desencarnar. Em alguns casos algumas almas ficam presas num espaço à espera daquela que lhe fez mal e terminam por se vingar. Isso, no entanto, só acontece com autorização prévia dos espíritos de ambas, que promovem o encontro para um ajuste kármico. Esse encontro só acontece quando as mesmas almas não vão mais se encontrar em corpos físicos e também porque o assunto entre elas é extremamente pessoal, não podendo ser pago através de outro ser. Devo deixar claro que todo sofrimento do corpo físico e da alma contribuem para a prática da evolução do espírito (a consciência), que sofre e sente, mas que só pode alcançar a consciência original de sua sabedoria através do sofrer do corpo e da alma. O espírito é o sentimento (consciência) que não podemos ver nem tocar. É a vida suprema que nos habita. Ele é o amor. A alma é o destino que veio para colocar em prática esse amor. O corpo é a escola onde buscamos sabedoria maior nas emoções que sentimos ao praticar esse destino. Senhor Jesus, se entendi bem – falou o menino chamado Destino – o senhor está dizendo que tudo que a alma passa no umbral não passa de uma ilusão? Sim, meus amores, é basicamente isso, mas por que a pergunta, meu anjinho, se isso você já sabe? De fato nós sabemos, Jesus, mas como explicar isso à humanidade?
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Meus amores, vocês sabem que a alma é meio humana e meio imortal. Humana por depender do corpo físico para continuar aprendendo a evoluir a imortalidade e a sabedoria que recebe do espírito (consciência). Sendo assim, por mais que seja uma ilusão, tudo que a alma passa no umbral também não deixa de ser um aprendizado real, devidamente registrado em sua evolução. Em suma, seria mais fácil explicar à humanidade que tudo que ela julga real e palpável não passa de uma ilusão, pois se acaba, e quase tudo que ela julga ilusão seja a única realidade que de fato interessa unicamente ao espírito e à alma. Senhor, como seus escolhidos reagiram diante dessa verdade? A reação deles foi muito natural, pois até aí eles estavam preparados. A dificuldade que eles encontraram foi a mesma de vocês. Como dizer à humanidade uma verdade tão simples? Como dizer que era tão fácil? E como eles disseram essa verdade à humanidade, senhor? Naquela época eles fizeram da maneira que acreditaram possível. Foram grandes sábios e ainda o são, pois ainda muito me auxiliam, mas vocês, meus amores, vão ensinar ao mundo de maneira diferente e é disso que vamos falar agora. Vocês vão passar esse conhecimento para a humanidade em etapas. Por isso vocês são 13. Cada um vai ensinar a sabedoria que compete a seu nome, mas o resultado final será sempre o mesmo. Todos terão ensinado de uma só vez e isso acontece justamente porque todos fazem parte da vida dos seres humanos, mas antes que eu inicie esse assunto deixem-me esclarecer porque somente o espírito e o corpo físico têm maior livre-arbítrio que a alma. O espírito eu nem preciso explicar. Ele foi criado livre pelo Grande Pai e assim deve permanecer, pois é a essência divina que dá a vida e é a vida de todos os seres vivos. Quanto ao corpo físico, ele tem maior livre-arbítrio que a alma justamente porque as condições terrenas e o baixo nível de evolução de alguns seres não lhes permite ouvir claramente as escolhas que a alma fez na hora de reencarnar. Digo isso porque tem alguns seres que, enquanto são almas fazem certas escolhas na hora de reencarnar, porém quando já encarnados se desviam do caminho que a alma escolheu. Entretanto, com a sabedoria que o espírito tem e já prevendo que seu corpo físico se desviaria de alguns assuntos kármicos, logo trata de desviar outros assuntos kármicos para irem de encontro com o corpo físico, ou seja, o corpo físico também tem um livre-arbítrio limitado. No fundo tanto alma quanto corpo físico não têm livre-arbítrio total, pois somente o espírito pode tê-lo em sua totalidade e assim ele decide pela alma, que por sua vez acredita decidir pelo corpo físico, no entanto somente o espírito tem domínio sobre alma e corpo físico. Para que vocês entendam melhor vou contar uma história engraçada a vocês de um ser humano que ainda vive na Terra. Esse ser faz parte da primeira etapa e está vivendo a última encarnação. Na época em que alcançou a consciência de que era seu espírito o senhor real de seus atos e escolhas teve reações muito engraçadas. A princípio essa pessoa começou a questionar o livre-arbítrio e até mesmo as doutrinas que afirmavam que todos nós temos livre-arbítrio. Sua vida sempre tão cheia de regras espirituais era uma prova de que o livre-arbítrio não era tão real assim como tanta gente pregava e quanto mais ela aprendia mais questionava o livre-arbítrio, pois em suas
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descobertas viu-se diante de encarnações passadas que agora retornavam para seu presente com tanta força que simplesmente era impossível negá-las. Essas visões do passado lhe diziam o que deveria ser feito no futuro e isso era uma das mais duras tarefas, o que fazia ela crer que não teve escolha, pois se tivesse tido não teria escolhido tamanha responsabilidade. Sua evolução foi em apenas quatro anos o que também a assustava, pois foi muito rápida e as informações eram preciosas demais para terem sido recebidas em tão curto prazo. Foi como se tivesse dormido ignorante e acordado sábia. Foram quatro anos de altos e baixos até absorver e aceitar tudo com naturalidade. Tudo aconteceu de forma espontânea, bem natural, sem auxílio de seres humanos, mas com a ajuda fiel dos espíritos. O lado humano ainda tinha dúvidas e insegurança, mas isso aos poucos foi sendo domado pelo lado espiritual. Um belo dia ouvi esse ser dizer: “Hoje sei que foi meu espírito quem escolheu tudo isso para minha alma e meu corpo físico. Espírito trapaceiro esse meu. Ele só fez isso porque não precisa sofrer o que meu acabado corpo sofre.” Ao mesmo tempo que dizia isso ria de si mesmo, pois imaginava sua alma e seu corpo físico reclamando para o seu espírito (consciência) de tudo que esse obrigou-o a passar. Algumas vezes se imaginava louco por não conseguir passar por cima de sua consciência como antes fazia. Agora qualquer deslize era como um grave pecado que martirizava sua mente até que fosse reparado. Sua consciência se tornou tão imensa que esse ser pedia a Deus que não mais o deixasse viver se sua existência viesse a ferir ou magoar qualquer ser vivo, mesmo que isso fosse inconsciente. Esse ser passou a não se admitir falhando com as outras pessoas, pois temia a gravidade de suas falhas. Assim durante algum tempo ele suportou e aceitou com resignação a maldade alheia. Suas forças foram sugadas e sua energia caiu. Foi quando sua consciência se ampliou, dando-lhe respostas que tranqüilizaram sua mente, abrindo-a para uma verdade maior. Graças aos espíritos esse ser compreendeu que aceitar os seres humanos como eles são não significa viver com a ignorância deles sem se defender dela. Para um ser humano que ainda vive num corpo físico é muito difícil aceitar que seu espírito seja o único responsável pelas escolhas que a alma faz no momento de reencarnar, mas para o ser que já alcançou um bom nível de consciência fica fácil entender que justamente por ser a essência pura é que o espírito tem esse direito. Ele sabe sempre o que precisamos e o que ele precisa de nós, afinal a maior contribuição de nossas experiências físicas não pode morrer simplesmente com o nosso corpo. Por isso fica na memória da alma e contribui na evolução do espírito. Na verdade alma e corpo físico são como filhos do espírito, que pacientemente vai ensinando e aprendendo também. Mas agora vamos explicar como vocês irão agir, o que devem fazer para ensinar à humanidade os segredos da vida e da evolução do espírito. A tarefa não será muito simples. Nem mesmo para mim o foi, afinal, se fosse fácil, Ele não nos enviaria para tal missão. Simplesmente deixaria que os seres humanos se descobrissem ao passar dos anos. Devemos nos sentir felizes por termos sido escolhidos para tão grande missão, pois dessa maneira vamos pôr

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em prática tudo que já sabemos e somente assim vamos ter a certeza de que alcançamos tal nível de sabedoria. - Isso que acabei de dizer está acontecendo no momento presente com inúmeros seres humanos que vivem na Terra e por terem um bom nível de conhecimento estão sendo colocados em teste. Alguns até tem consciência disso. Outros sentem-se como estrangeiros num país desconhecido. - Agora eu quero que se sente aqui na minha frente a criança que representa a vida física. A criança aproximou-se e, como Jesus havia pedido, sentou-se à sua frente. - Meu querido anjinho, tua missão é tirar a vida e ao mesmo tempo doá-la. A ti dou o direito da palavra final sobre a vida e a morte. Após a decisão do amor e do destino restará sempre a ti a palavra final. Tu não deves sentir dor ou misericórdia, pois já és conhecedor da Verdade divina. Chegarás sempre na hora certa, pois para ti não existe hora errada. Deves levar a vida do solo mais infértil ao mais produtível. Assim também farás com a morte. Não deves te importar com as diferenças de raça, cor, credo, etc., pois és mais forte do que tudo isso. Os poderes mágicos não devem te afetar. A menos que recebas ordens superiores deverás atender aos apelos da magia. Habitarás todos os cantos, ora usando a face da vida, ora usando a face da morte. Seja inocente ou pecador tu deves cumprir tua missão. Aos inocentes pareça sempre suave, mesmo que aos olhos da humanidade isso não seja possível ver. Quanto aos pecadores, cumpra apenas os apelos do destino. - Tanto ao dar a vida quanto ao dar a morte tu deves sempre dar uma lição que cabe sempre ao destino escolher, mas para que tu e os outros entendam melhor o que é dar uma lição vou-lhes contar uma lenda criada por um velho sábio que há muito tempo viveu na Terra. É uma lenda sobre duas irmãs gêmeas. Uma chamava Vida e a outra Morte. Ambas eram igualmente belas e se davam muito bem. Viviam sempre juntas, mas por serem tão iguais uma resolveu se vestir de branco e a outra de preto, ambas cores neutras e frias. Reza a lenda que elas haviam sido criadas por um sábio chamado Tempo, que ao ver seu povo viver tanto e evoluir tão pouco percebeu que a necessidade de fazer transformações já não podia mais ser adiada. - O velho sábio invocou o Anjo da Consciência e pediu a ele que lhe mostrasse uma maneira de ajudar seu povo. Todavia, precavido, o velho sábio não se esqueceu de dizer ao Anjo da Consciência que só aceitaria essa solução se essa não lhe trouxesse karmas futuros, pois ele não queria carregar a culpa da dor de um povo em suas costas. O anjo, compreendendo a preocupação do velho sábio, disse: “Eu tenho a solução perfeita para o teu povo e para teu alívio essa solução não vai te custar nada, tampouco te trazer algum karma, pois ela faz parte do destino de muitos seres em outros mundos e até no teu, mas aqui elas irão mudar algumas coisas, pois durante 300 anos elas estarão presentes como qualquer ser vivo e dessa maneira a simples presença delas fará com que o teu povo repense melhor suas vidas.” Assim o velho sábio levou as meninas Vida e Morte para viverem em meio ao povo, que passou a aproveitar melhor o tempo que tinha de vida em busca de conhecimento, pois a morte agora era inesperada e pegava as pessoas de surpresa sem dó nem piedade. Assim as pessoas passaram a dar mais valor ao seu próximo,
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despertando um sentimento que aos poucos ia tornando-os fortes. No período de 300 anos as gêmeas deram tantas lições àquele povo que as pessoas aprenderam o que não haviam aprendido em 1.000 anos. Quando elas se sentiam seguras elas roubavam-lhes o chão lançando uma praga ou uma peste que os fazia perder desde o alimento até aquilo que lhes era mais precioso. Tempos mais tarde a vida devolvia a alegria aos campos e aos ventres das mulheres. Assim esse círculo de perdas e ganhos trouxe grande sabedoria àquele povo, mas isso é só uma lenda, meus queridos anjinhos. Senhor Jesus, quando uma alma que já alcançou a consciência reencarna por que alguns de nós não têm muito acesso a esse ser? Meus amados, como o próprio nome já diz são seres conscientes, seres que já alcançaram um grau de sabedoria um tanto superior aos demais e reencarnam para cumprir propósitos divinos. Por isso o destino deles perdura nas mãos dos Magisters ou Ministros do Universo. É também por essa razão que esses seres superam o que a grande maioria julga insuperável. Geralmente seres assim são escolhidos para mudarem o destino de muitos, mas jamais devemos esquecer que se o fazem é porque têm autorização para isso, pois ao contrário jamais deveria ser feito. Senhor Jesus, alguns seres conscientes, que alcançam os segredos do universo, sentem muita dificuldade em passar esses segredos às outras pessoas e não encontrando outra alternativa eles terminam por desistir de passar a sabedoria adiante. Com isso sentem-se frustrados por não alcançarem seu intento. Então eu pergunto: “Nós anjos não podemos interferir ou ajudar alguns desses nossos nobres irmãos?” Meu querido anjinho. A verdade é muito clara. Quando um ser consciente não consegue mudar seu próprio caminho somente os Magisters do Universo podem tomar essa decisão de interferir e para que vocês possam entender isso com maior clareza vamos descortinar o mistério que existe por trás disso. Vamos então partir do princípio, da história verdadeira e original. Todos vocês sabem que o verdadeiro Adão conhecido como o primeiro homem criado por Deus, o Grande Pai, nada mais é do que Ele mesmo, o próprio Grande Pai, e a primeira mulher, Eva, feita da costela esquerda de Adão, nada mais é que a chama gêmea do Pai, feita vida no momento em que o Grande Pai retirou um pedaço de seu coração para observá-lo. Naquele instante mágico o Pai deu origem ao princípio masculino e feminino e como Ele era livre e infinito em sabedoria o princípio feminino que saiu dEle também possuía as mesmas qualidades, na mesma intensidade. Por essa razão também se completavam tão harmoniosamente. Esse pequeno segredo já é uma grande heresia para muitos seres humanos. Agora imaginem então o que ainda vou continuar a revelar a vocês. Bem, mas isso não é mistério para grande parte dos seres humanos que conhecem a Kabalah na íntegra. Por essa razão devo continuar, pois creio que a Verdade não pode ficar restrita a um grupo de pessoas que na verdade não revela esse segredo por motivos de interesse pessoal e até coletivo. Muitos são os interesses que mantém essa Verdade ainda cortinada, velada para a grande maioria. Mas continuando vamos revelar quem era a serpente que, muito entre aspas, fez Adão e Eva pecar e sair do paraíso onde viviam. Na verdade o Grande Pai e sua chama
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gêmea viviam no universo que haviam criado quando resolveram ter uma alma, como antes já expliquei. Também já expliquei como essa alma se multiplicou e deu origem aos espíritos filhos do Grande Pai. Eles criaram essa alma e ela se multiplicou em inúmeras partículas livres e sábias, exatamente como o Grande Pai (porém agora vem a parte mais difícil para alguns seres humanos) e deixou que essas partículas escolhessem como deveriam evoluir. A alma distribuída em inúmeras partículas era a Serpente da Sabedoria, que para colocar em prática toda a consciência que tinha escolheu materializar-se sem perder seu corpo. Primeiro o Grande Pai, em sua enorme sabedoria, deu a essas partículas um segundo e um terceiro corpo. O segundo seria imortal como o primeiro, mas sentiria todas as dores e emoções do terceiro, que seria mortal e estagiário. Foi então que o segundo e terceiro corpos começaram a colocar em prática todo o conhecimento do primeiro. A princípio esses dois corpos não podiam ter a consciência do primeiro corpo, pois se isso acontecesse não haveria aprendizado. Por isso esses dois corpos passaram e passam tanto tempo sem despertar a consciência do primeiro e somente quando estão aptos a entender é que alcançam essa consciência. O espírito, o primeiro corpo, é a consciência divina pura e limpa, mas que não teria avanço algum sem os outros dois corpos. A alma é a sabedoria e o corpo físico é o aluno que vai praticar essa sabedoria, ora como o bem, ora como o mal, afinal a sabedoria, para chegar a evoluir para consciência, precisa conhecer muito bem os dois caminhos. Por isso alguns seres encarnam como leigos, sem maldade e são atropelados pelas leis do destino ditadas pelo seu próprio espírito, que diz: “Tens que conhecer as profundezas da tua ignorância, tens que adentrar nas grandes matas escuras dos teus medos e preconceitos, não só para conhecê-los, mas para conhecer-te também. Assim poderás transformálos e transformar-te também.” Na verdade a palavra ‘transformação’ é uma das últimas que corpo e alma aprendem, pois antes disso esses dois corpos lutam para destruir seus medos e preconceitos da mesma forma que vão matando as pessoas que surgem em suas vidas como o mal. Acontece que o mal não se mata, se transforma, pois ele nada mais é do que um professor que tem muito a ensinar. Sei que para muitos seres humanos isso parece totalmente ilógico, pois afirmar que o mal é um professor que quer te ajudar para muitos não é concebível. A primeira Eva (chama gêmea) e o primeiro Adão (Deus) já tinham grande sabedoria e evolução suficiente e é óbvio que deram isso a seus filhos (alma de Deus). Essa também foi uma maneira que o Grande Pai achou de praticar sua sabedoria. Não que Ele precisasse disso, mas foi um motivo a mais para o Grande Pai criar a humanidade universal. Era como se partículas do Grande Pai mostrassem a Ele como Ele agiria sem ter a responsabilidade de ser Deus, como Ele agiria nas mais diferentes situações, como Ele seria sem a consciência de quem de fato era e essas partículas, que hoje sabemos que somos nós, mostraram ao Grande Pai o que Ele é nas suas mais diferentes emoções. Então Ele olha para nós e se vê nas mais diferentes raças, formas, cores ou credos. Por isso o Grande Pai nos aceita a todos sem restrição alguma, da mesma forma que nos compreende com imensa tranqüilidade.
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Isso tudo porque Ele jamais conseguiria negar a si mesmo e vendo que somos todos parte dEle fica a pergunta: “Como negar-te se vós sois eu?” Quando Deus disse que Ele é o tudo Ele estava se referindo ao ‘tudo’ geral e ao ‘tudo’ que a nossa mente ainda não alcança. Em suma, nós somos o Grande Pai nas suas mais diferentes formas, nas mais diversas faces, em suas inúmeras raças, cores, credos, etc. Enfim, somos Ele nas mais diferentes emoções, mas para termos a certeza de que somos Ele o Pai nos deixou livres para vivermos uma emoção maior a cada encarnação e assim, nas nossas muitas encarnações, vamos enchendo nosso gigantesco caldeirão de emoções. Quando este estiver transbordando de sabedoria passamos então a perceber que emoções transbordam e se esvaem como água nas mãos. Só então percebemos que apenas aquilo que ficou é caldeirão, porém esse grande caldeirão é o recipiente sagrado chamado ‘coração’, que não pode ser preenchido de emoções, pois essas sempre o deixarão. Mas há algo que as emoções podem deixar nesse caldeirão: a sabedoria acumulada pelas lições causadas pelas emoções e essa sabedoria pode ajudar a alma a encaminhar o corpo no caminho da compreensão. Compreensão é uma palavra sagrada e a humanidade vai precisar muito dela para o que vou revelar a ela agora. Meus queridos anjinhos, aproximem-se todos, pois isso que vou revelar diz respeito a todos vocês e mais especificamente à missão que cada um de vocês vai desempenhar na Terra. Vamos começar essa história bem do começo para que não haja malentendido. Desde Abraão que a humanidade terrena ouve falar dos anjos, porém a verdade sobre eles foi bastante deturpada. É claro que isso foi providencial, afinal se uma grande parte da humanidade soubesse o que vou revelar agora fatalmente não adoraria os anjos. Acredito até que teria medo deles e por ser eu um Serafim obviamente que comigo não seria diferente. Nos primeiros livros conhecidos como Livros da Verdade ou Livros da Criação os anjos foram divididos em diferentes hierarquias. Conta-se até mesmo que esses livros tenham sido dados aos seres humanos pelos anjos. Nisso há uma certa verdade, a exemplo de Abraão e Enoch, que de fato receberam alguns segredos do universo através dos anjos. Para ser mais preciso Abraão recebeu toda a Verdade contida na Kabalah, mas não pôde divulgá-la na íntegra a seu povo, pois pareceria muito absurdo dizer que o primeiro homem e a primeira mulher, Adão e Eva, eram tão somente o próprio Criador e naquela época seria mais difícil ainda explicar que o Grande Pai nos criou a partir da união com sua chama gêmea e depois, já unificados, sacrificaram sua alma para nos criar. Como podem observar, meus anjinhos, explicar para a humanidade sua verdadeira criação e origem era muito difícil para o nosso tão sábio Abraão, que mesmo com tanta sabedoria não conseguiria que o seu povo acreditasse nele. Imaginem se ele revelasse tudo que realmente sabia. Simplesmente a história da humanidade terrena não seria a mesma ou com certeza o Grande Pai daria uma nova chance a outro Abraão. Mas vamos voltar à história dos anjos. Nosso amado sábio e irmão Enoch esteve durante muito tempo dividido entre a Terra e o céu para obter as informações necessárias que iriam ajudar a humanidade toda numa fase de
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transformação muito grande. Enoch recebeu dos anjos a verdade sobre suas vidas e sobre suas missões junto dos seres humanos. Em sua última visita ao Reino dos Anjos o poderoso Arcanjo da Sabedoria relatou a Enoch qual era de fato a função de um anjo na vida dos seres humanos e o que de fato eles podiam ou não fazer. Esse arcanjo revelou a Enoch que a verdadeira função de cada anjo na vida humana era proteger o espírito de cada ser vivo e cuidar de outros assuntos referentes ao universo como auxiliar os presidentes dos planetas e seus Magisters (grande conselho ou ministros), porém havia outra grande missão que os anjos chegariam a desempenhar na vida dos seres humanos, só que essa missão Enoch não deveria revelar tão claramente. Devia deixar escrito de forma que viesse a ser descoberto quando a humanidade tivesse um certo grau de evolução para compreender melhor. Esse arcanjo relatou a Enoch que os anjos desempenhariam o papel do Bem e do Mal na vida dos seres humanos e que só faziam isso com a total autorização do espírito de cada indivíduo. Vale lembrar que o espírito de todos é livre, puro e cheio de sabedoria, porém para colocar esta sabedoria em prática ele tem que usar a alma e o corpo afim de que esses, recebendo esta sabedoria, a coloquem em prática para assim evoluírem e alcançarem a consciência. Só então alcançarão a união junto ao espírito. Para que todos compreendam com mais facilidade o que estou tentando explicar vou usar um exemplo de um ser que hoje já alcançou essa consciência. Vamos chamar esse ser apenas de Maria. No princípio, quando Maria desceu à Terra, teve boa parte de sua memória apagada, como todos os que vieram para a Terra. Sofreu a destruição de Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Mais uma vez perdeu a memória, só que dessa vez teve que esquecer tudo. Por isso teve que recomeçar do zero, como todos os outros. Assim Maria, como os outros, criou karmas para pagar. É aí que entra seu anjo guardião. No decorrer de suas encarnações na grande escola terrena Maria foi apresentada a todo tipo de maldade, crueldade, torturas, horrores, etc. Em várias vidas Maria esteve do lado do mal, em outras do lado do bem, obviamente como qualquer ser humano. Essa história seria normal se não fosse por um pequeno detalhe que irá mudar a visão que as pessoas tem dos anjos. Todo bem e todo mal que Maria sofreu foi em primeiro lugar ordenado pelo seu próprio espírito, que usa do livre-arbítrio que possui para fazer seus outros corpos evoluírem, porém o ser que coloca tudo isso em prática para a alma quando esta sobe ao Lar Espiritual para escolher sua nova encarnação é o seu anjo guardião. Quando o ser já encarnado tenta fugir às suas escolhas os espíritos guardiões tentam chamá-lo de volta à razão. Quando não conseguem o anjo guardião é que faz isso. Assim o bem e o mal repousa nas mãos do anjo guardião de cada ser, porém ele jamais faz isso sem a devida autorização do espírito (consciência) desse ser, pois o respeito ao livre-arbítrio é absoluto. Sendo assim o anjo cumpre apenas a tarefa que na verdade cada um de nós lhe confiou. Hoje, tendo essa consciência, Maria sabe que seu amado anjo guardião, por amá-la incondicionalmente, seria o único capaz de fazê-la enxergar a verdade, mesmo que para isso ela tivesse que sofrer muito. Ela também reconhece que seu anjo guardião nada fez que seu espírito não desejasse.
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Assim sendo o anjo fez apenas o que Maria já lhe havia confiado fazer, só não se lembrava de tê-lo feito. Na verdade os anjos e espíritos guardiões são instrumentos de evolução da alma e do corpo, que de uma forma ou de outra tem que pagar seus karmas. Esse exemplo de Maria foi muito leve. Agora vou dar um exemplo mais profundo da sabedoria dos anjos. Vou dar o exemplo de Salomão, que se envolveu entre anjos e demônios e até mesmo acreditou tê-los sob seu domínio. Essa história não é nenhuma novidade para as pessoas que conhecem ou já ouviram falar da magia dos quadrantes ou Abramelin. Essa magia foi entregue à Terra através dos próprios anjos, que a confiaram a Enoch. Ela se espalhou pela Terra e assumiu várias formas, porém todas muito semelhantes. Os chineses e japoneses usavam-na em forma de pequenas folhas de papel contendo desenhos de ideogramas mágicos. Os hindus usavam-na em forma de pequenos mudras desenhados em papel. Curiosamente o mudra mais poderoso até hoje é uma lenda na Índia, mas nem por isso deixa de ser o mais temido, afinal mesmo sendo lenda muitos afirmam que ele ainda existe e é protegido por alguns monges muito sábios. O nome desse mudra é Rada Shiva. Obviamente ele carrega esse nome por desencadear o poder destruidor do deus Shiva, que representa a destruição e a transformação, mas o maior segredo do Rada Shiva e do Abramelin é que ambos possuem o mesmo poder. O Rada Shiva é um mudra que em mãos erradas invoca o poder de destruir tudo que seu dono desejar, mas em mãos certas tem o poder de acalmar as mais terríveis calamidades e todo esse poder está em um único mudra. Nos quadrantes também se encontra toda a magia do bem e do mal em um único quadrante que, por orientação do anjo guardião jamais deveria ter sido usado. Mas se jamais deveria ser usado com certeza jamais deveria ter sido ensinado. Como tudo no universo tem seu propósito um dia os homens com certeza não segurariam a curiosidade e passariam por cima da advertência do anjo e logo descobririam do que aquele quadrante realmente era capaz. Na verdade foi o que aconteceu com Salomão, que recebeu o livro sagrado e resolveu se aperfeiçoar em todo o conhecimento que ele continha. Durante algum tempo Salomão acreditou que fosse o único a deter esse conhecimento e por muitos anos usou e abusou de todos os poderes e favores que os quadrantes mágicos lhe ofereciam. Naquela época não se acreditava que as mulheres pudessem ter acesso a essa magia, mas isso não era verdade. Essa proibição foi criada pelos homens, que temiam perder o controle e poder para algumas mulheres, pois as julgavam mais ardilosas que as serpentes. Conta-se uma estória que ilustra o mal uso da magia pelos faraós, mas que não é inteiramente real, pois Ramsés e Moisés eram a mesma pessoa e Moisés não foi o salvador do povo judeu, e sim Miriam e Aarão. Mais adiante essa história é melhor explicada. Algumas centenas de anos antes de Salomão alguns faraós descobriram os segredos dos quadrantes. Um desses faraós foi Ramsés, o arqui-inimigo de Akhenaton. Mesmo tendo Akhenaton morrido já há mais de 60 anos Ramsés não conseguia se livrar da magia que Akhenaton havia deixado em seu reino e que não chegou a ser destruído pelos seus sucessores, pois eles não tinham o conhecimento mágico para destruir o que Akhenaton havia construído. No
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reinado de Ramsés ele obteve o conhecimento do livro dos quadrantes através da tortura feita em um sacerdote que mantinha o livro guardado. Entretanto o sacerdote, precavido e já sabendo que ia morrer, deu a Ramsés apenas o livro, mas não ensinou como usá-lo, deixando que o destino se encarregasse de fazê-lo. O sacerdote sabia que Ramsés tinha um coração ambicioso e que o anjo guardião dos quadrantes se encarregaria de fazê-lo pagar pelos seus desmandos e assim foi. Ramsés, logo que conseguiu aprender a magia dos quadrantes colocou em prática esse conhecimento em benefício próprio obtendo ouro, pedras preciosas raríssimas, algumas jamais vistas, e outras de poderes estranhos e obscuros. Mas havia algo que Ramsés não conseguia destruir: a cidade de Akhetaton, construída por Akhenaton. Sendo isso impossível ele pediu ao anjo guardião dos quadrantes que lhe ensinasse uma maneira de fazer Akhenaton ser esquecido. O anjo disse que isso só poderia ser feito se sua história fosse apagada ou escondida, porém jamais destruída, pois estava protegida por uma magia divina que tinha que ser respeitada, caso contrário algo muito terrível poderia acontecer. O anjo guardião disse a Ramsés que a maneira mais fácil de fazer Akhenaton ser esquecido seria construir uma nova história por cima da dele, porém essa nova história só esconderia a história de Akhenaton se fosse construída pelas mãos dos seus seguidores, pois a magia que o antigo faraó havia deixado só não seria capaz de prejudicar aqueles que haviam se tornado seguidores de seus ensinamentos. Ramsés usou e abusou dessa oportunidade e construiu imensos colossos encima daquilo que Akhenaton havia construído, mudando toda a aparência da cidade. Na verdade ele só trocou a fachada, pois a base firme, a verdadeira estrutura, ainda está viva por trás de seus falsos feitos. Acredito que a tecnologia já existente na Terra pode provar isso facilmente, pois sei que existem aparelhos que podem ver e diagnosticar imagens por cima de outras, mesmo que essas sejam feitas em pedra. Voltando a Ramsés, ele fez com que os seguidores de Akhenaton passassem a rejeitar o ensinamento do antigo faraó e isso não foi muito difícil, afinal os antigos deuses ainda eram adorados às escondidas na época de Akhenaton. Agora que estavam livres voltaram a fazer os velhos e falsos milagres. Sacerdotes escondiam-se por trás das estátuas e com truques de ilusionismo convenciam o povo dos poderes das estátuas (obs.: em meio a tanta mentira havia milagres reais, pois a fé de muitos era verdadeira). Os seguidores de Akhenaton receberam um golpe duro dos sucessores de Akhenaton e aproveitando-se disso Ramsés piorou essa situação. Ele disse ao povo que eles estavam sofrendo tudo aquilo por conta das loucuras que o antigo faraó havia lhes ensinado e agora os deuses os castigavam por tê-los abandonado por tanto tempo. Durante algum tempo esse castigo seria a morte de algumas crianças especialmente escolhidas pelo faraó, que usaria o sangue delas para acalmar algum deus que havia entrado em fúria, porém isso não era verdade. Ramsés fazia isso porque havia lido em antigos rolos de papiros que Akhenaton reencarnaria e toda vez que Ramsés se sentia em perigo matava uma criança que ele julgava ameaçálo e se banhava com o sangue dessa criança acreditando obter a juventude e alguns anos a mais de vida. Alguns anos mais tarde ele encontrou outros papiros onde Akhenaton relatava que seu povo entraria em grande sofrimento
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por causa de um faraó que de tanto usar a magia sem sabedoria mataria seus próprios herdeiros e como castigo enlouqueceria, mas antes disso acontecer o Deus único mandaria um libertador que salvaria todo o seu povo. Esse papiro deixou Ramsés ainda mais obcecado pela magia dos quadrantes e a qualquer custo lutava para se proteger das profecias de Akhenaton, porém o que Ramsés não sabia é que seus dias estavam marcados e ele estava perto de cometer seu pior erro. Em uma de suas loucuras Ramsés bebeu o sangue de uma criança acreditando que estava roubando a juventude e o vigor do ser inocente, mas desta vez o destino entrou como navalha no caminho dele. O sangue daquela criança estava contaminado com uma doença fatal e incurável. Como Ramsés fazia esses rituais com propósitos de magia isso o prejudicou ainda mais, pois essa doença só seria revertida se ele conseguisse devolver a vida à criança que lhe passou aquele sangue contaminado. Acontece que para fazer isso a criança deveria ter morrido a menos de 24 horas e seu corpo deveria estar em perfeito estado. Essas eram as exigências da magia dos quadrantes, que no entanto não estavam ao alcance de Ramsés, pois ele havia feito o tal ritual há mais de um mês e para piorar o corpo da criança havia sido atirado aos crocodilos como forma de não deixar vestígios. Ramsés agora tinha que morrer e aceitar esse pequeno castigo pela sua maldade, mas ele não aceitou tudo isso tão facilmente assim e resolveu fazer um pacto com o Santo Anjo Guardião dos Quadrantes Mágicos. Ele conseguiu, através da magia dos quadrantes, garantir sua reencarnação como um dos filhos de seu próprio filho (reencarnando como neto de si mesmo). Com isso ele voltaria a ser faraó novamente em menos de 20 anos. Assim Ramsés planejou, assim ele fez. Antes de morrer confiou a magia a dois de seus sacerdotes que obedeciam cegamente tudo que ele falava, pois temiam sua magia. Passado algum tempo o filho de Ramsés e que seria pai de sua reencarnação, continuou os seus desmandos judiando do povo, sacrificando-o no trabalho pesado e matando suas crianças ora para satisfazer os impulsos sanguinários de algum deus, ora para satisfazer seus próprios impulsos. Pouco tempo se passou e Ramsés reencarnou e em poucos anos foi reconhecido pelos sacerdotes. Só que desta vez Ramsés não estava sozinho. Havia ganho um irmão adotivo e adorado por todos e ele não sabia que este era o escolhido que o Deus único havia mandado para salvar seu povo. Desta vez algo não estava dando certo. Na hora de aprender a magia dos quadrantes Ramsés não conseguia cumprir certas exigências, pois tinha muito medo do que surgia diante dele. Vendo que o menino não progredia os sacerdotes resolveram mostrar a ele sua história, que ele mesmo havia deixado escrita. Ao ler tudo um pânico ainda maior tomou conta de Ramsés, que percebendo seu fracasso com os quadrantes pediu aos sacerdotes que deixassem seu irmão aprender. Nesta época um sacerdote misterioso dominava tranqüilamente a magia dos quadrantes. Esse sacerdote aceitou ensinar a verdadeira magia ao irmão de Ramsés, porém ele mesmo não podia presenciar o aprendizado de seu irmão. Essa era uma exigência do Santo Anjo Guardião. Ramsés não se importou muito, afinal se ele não se lembrava daquela magia e nem conseguia aprendê-la é porque podia confiar em seu irmão. Mal sabia que seu irmão era um escolhido divino e tinha um coração
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bom. O Santo Anjo Guardião ensinou tudo que pôde ao escolhido e fez mais. No final do aprendizado o escolhido pediu ao anjo que revelasse o real motivo de todo aquele aprendizado. Esse revelou o passado desde Akhenaton até o futuro, que mostrava a libertação daquele povo. Dessa maneira o jovem escolhido descobriu toda a verdade sobre a sangrenta história que estava por trás do seu irmão. Esta foi a troca que o espírito de Ramsés pediu para o Anjo Guardião fazer. Agora o espírito de Ramsés colocava seu corpo e sua alma diante de todo o horror que na vida anterior ela havia proporcionado a tantas pessoas, mas ainda era muito pouco para fazer Ramsés compreender a Verdade. Foi então que o espírito decidiu que tinha que pagar um preço ainda mais alto e decidiu privá-lo de tudo para fazê-lo compreender que sabedoria sem evolução não tem poder real. Um poder sem responsabilidade não pode ser permanente e deve ser tolhido. Dessa forma o espírito de Ramsés decidiu que estava na hora dele conhecer na prática todo o mal que ele sabia aplicar tão bem. Assim a magia foi transferida para as mãos certas, que usando com sabedoria o conhecimento dessa magia castigaria Ramsés pelos seus crimes. Dessa forma, meus anjinhos, o Santo Anjo Guardião dos Quadrantes Mágicos fez Ramsés cair na sua própria armadilha. O resto da história todos já sabem. O irmão de Ramsés, Moisés, libertou o povo de Akhenaton, que já não se lembrava mais do faraó que um dia lhes havia ensinado a amar um deus único, pois o sofrimento da dinastia Ramsés e Septh-Há fez o povo odiar ter seguido Akhenaton. Por essas e outras razões o nome desse faraó foi apagado da história daquele povo, mas a profecia que ele deixou para Ramsés se cumpriu, não no primeiro corpo de Ramsés, como ele temia, mas na sua nova vida como Ramsés, o neto (Septh-Há). Ele terminou sua vida sem herdeiros, pois após o êxodo a loucura do faraó chegou a tal ponto que seu filho, poupado por Deus através de Moisés, o abandonou após ler os desmandos de seu pai. Ele jurou jamais ser um faraó e tampouco se sentaria num trono sujo de sangue de tantos inocentes. Ramsés morreu velho, louco e sozinho, atormentado por fantasmas que o torturavam todas as noites. O jovem colocado no trono não era sangue dele e a maldição do faraó havia chegado ao fim. Porém, meus queridos anjinhos, essa missão dupla de vocês não é algo muito fácil de fazer a humanidade terrena e universal compreender, pois a parte do universo que ainda não alcançou a consciência desta verdade condena qualquer coisa que venha apontar ou confundir vocês anjos com seres cruéis. Nós sabemos que vocês não são maus e que cumprem apenas a missão que lhes foi confiada, não só pelo Grande Pai como pelos próprios espíritos, que para evoluírem devem também evoluir seus corpos físicos e almas. Na verdade vocês não fazem nada que não tenha sido ditado pelo próprio espírito de cada um, afinal ele é livre para evoluir sua alma da forma mais adequada que desejar e é por isso que vocês, meus queridos, devem continuar a ser os agentes duplos que colaboram para essa evolução. Mas agora vou contar a verdadeira história sobre Salomão e sua tentativa de aprisionar o Santo Anjo Guardião.

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Vocês já conhecem a fórmula que deu sabedoria a Salomão e a tantas outras pessoas, porém nosso querido sábio um dia perdeu o controle dos seres que tanto lhe serviram. Na verdade a intenção desses seres é fazer a pessoa acreditar que tem o poder de controlá-los. Nosso bom sábio, como muitos já sabem, enriqueceu às custas desse poder. Ele utilizava os quadrantes mágicos para invocar espíritos da natureza, fossem eles servidores do bem ou do mal e esqueceu de achar o ponto de equilíbrio da magia, que é usufruir dela sem ser corrompido por ela e isso geralmente só acontece quando a pessoa não tem a magia natural. A magia natural é alcançada através do aprendizado de inúmeras reencarnações. Essa magia também é conhecida como a ‘magia do coração’, pois além de ser natural ela é sentida. Mas voltando à magia que Salomão usou na sua época, ela lhe trouxe bastante benefícios e esses não se resumiam apenas a tesouros. Salomão usou essa magia para assustar outros reis e obter deles favores e belas mulheres. No auge do seu reinado Salomão veio a descobrir que não era o único que detinha tal conhecimento. Sentindose ameaçado Salomão procurou o Anjo Guardião e pediu a ele que destruísse os outros livros mágicos que davam poder às outras pessoas. O anjo disse que isso era impossível, pois o mesmo direito que lhe cabia também cabia aos outros e além disso um anjo guardião jamais poderia ir contra um outro anjo guardião, afinal eram eles que haviam trazido para a Terra a sabedoria, mesmo que tenha sido através de Enoch. Irritado, Salomão disse ao anjo que não precisava mais de sua permissão para utilizar a magia dos quadrantes, pois já os conhecia de cor. Sendo assim não via nenhum problema em dominar os demônios sozinho. O anjo desapareceu sem nada falar, pois já sabia o que estava para acontecer. Mais tarde Salomão invocou um demônio muito esperto que não podia ficar muito tempo solto no mundo real, mas nosso amigo Salomão não estava vendo o perigo que o rodeava. Aquele ser passou a fazer inúmeras propostas a Salomão e uma delas chamou muito a atenção do sábio. O ser disse a ele que para ter uma magia superior a dos outros sábios bastava apenas que ele aprisionasse o Santo Anjo Guardião da Magia dos Quadrantes. Para obter sua liberdade de volta o anjo faria aquilo que Salomão desejasse. Ensinou então um encantamento para Salomão lançar sobre o Anjo Guardião logo que ele surgisse, mas em troca desse encantamento ele disse a Salomão que, por uma vez somente, queria sentar em seu trono. Salomão não percebeu a armadilha que se escondia por trás do pedido daquele ser e em sua sede por poder aceitou o trato proposto. Resolveu então chamar mais uma vez o Anjo Guardião e lançou sobre ele o tal feitiço de aprisionamento. O Anjo, que tudo sabe, fez o feitiço de Salomão voltar para ele e assim o sábio foi aprisionado pelo próprio feitiço. O Anjo Guardião foi até Salomão num mundo paralelo informá-lo de suas novas condições e esclarecê-lo sobre o erro que havia cometido. Neste mundo paralelo o tempo era diferente e este foi um aliado precioso que ajudou nosso sábio a repensar os seus erros. Arrependido, Salomão conseguiu sair do mundo paralelo com a ajuda do Anjo Guardião, porém quando voltou ao seu tempo viu que muita coisa havia mudado. O ser que se sentou no trono de Salomão causou mudanças irreparáveis em seu reino. Uma delas foi permitir que as esposas de Salomão cultuassem seus deuses. Outra foi ensinar a magia
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dos quadrantes a algumas mulheres. O povo estava bem revoltado com Salomão, que vinha maltratando-o há algum tempo. Salomão, que esteve fora por algum tempo, não entendeu nada do que estava acontecendo. O Anjo explicou a Salomão que o ser que assumiu o seu lugar assumiu também sua imagem e desse modo fez algumas mudanças no seu reino. Salomão perguntou ao Anjo quanto tempo passou fora de sua realidade e foi informado que haviam se passado três anos. Depois disso o reino de Salomão desandou e muita coisa fugiu ao seu controle. Em meio a tanta desordem Salomão esqueceu que somente o Anjo Guardião era responsável por passar a magia dos quadrantes aos aprendizes e somente no final de sua vida ele compreendeu que para as mulheres saberem aquela magia o Anjo deveria ter autorizado. Após deduzir isso Salomão resolveu ter uma conversa com seu Anjo Guardião e pediu a ele que explicasse como era possível algumas mulheres de seu harém terem recebido tamanho aprendizado. O Anjo respondeu com muita clareza dizendo: Meu bom Salomão, tu, como vários seres que aprenderam a sagrada magia dos quadrantes, acreditam que são seres com poderes supremos, capazes de dominar o bem e o mal e chegam até mesmo a acreditar que são capazes de aprisionar anjos ou demônios. Porém, meu bom sábio, eu hoje te digo que sou o servidor real da tua consciência suprema (teu espírito) e essa consciência me deu a missão de ser guardião de tua alma e também me encarregou de fazê-la evoluir para um dia estar pronta para receber a consciência, mas até que esse dia chegue eu serei o caminho que tua consciência escolheu para te fazer evoluir. Nesta minha missão eu não devo ter dó nem piedade de ti. Ao mesmo tempo que te ensino o bem também devo te ensinar o mal, porém este mal nada mais é do que o reflexo de tuas ações erradas. Entretanto nem bem nem mal acontecem em tua vida sem que eu antes saiba ou autorize. Então, meu caro sábio, muito antes de fazeres o acordo com aquele demônio para me aprisionar eu já havia autorizado tal acontecimento, assim como todos os outros, que nada mais são do que frutos daquilo que tu plantaste. Por isso, meu bom Salomão, te afirmo que nunca um ser tão distante da consciência verdadeira aprisionou um anjo, ou tu acreditas que nós, anjos, seres conscientes, nos deixaríamos prender de verdade por um ser inconsciente? Em todas as estórias que contam sobre um ser humano ter poder sobre um anjo nada existe além de um acordo do anjo com a consciência (espírito) do ser humano, que mais tarde usa este acordo para dar uma lição na alma. Veja tu mesmo, Salomão. Tu acreditaste poder me ter a hora que desejasses, servindo-te de acordo com a tua vontade. Eu deixei tu creres que me tinhas como um serviçal. Eu já esperava que um dia tu te deixasses levar pelas tentações. Muitos já cometeram o mesmo erro, porém, meu caro, muitos também foram os que souberam a hora de parar, pois ouviram o coração primeiro. Tu, Salomão, como os muitos que já conheço, pediram sabedoria, mas se esqueceram de pedir evolução o bastante para lidar com essa sabedoria e sabedoria sem evolução é conhecimento além da tua prática e capacidade. Tu pediste um veículo que ainda não sabias conduzir, te empolgaste com as facilidades desta sabedoria. Ela te cegou e levou à tua própria destruição. Eu te dei o poder, Salomão, mas tu usaste ele
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contra ti mesmo quando resolveste usá-lo contra mim. Portanto, meu caro, tudo que aconteceu em teu reino tu mesmo o fizeste. Tu só não tens consciência disso hoje, mas no futuro teu espírito te provará essa verdade. Quanto às mulheres terem aprendido a magia, esta é uma lei divina que obedeci. O Grande Pai do Universo não limita o conhecimento apenas ao sexo masculino, pois a sabedoria não está na roupa (corpo) que a alma veste, mas no que sente o coração desta roupa. Portanto homem ou mulher não tem a menor diferença. Na hora de receber a sabedoria o que vale é a alma, que não tem sexo, tal qual a consciência (espírito). Salomão então compreendeu tudo que havia acontecido, principalmente o motivo por tudo ter acontecido, porém agora já era tarde demais e ele já não podia consertar mais nada. Mas uma grande lição ele havia aprendido: ninguém pode aprisionar um ‘ser consciente’ (um ser que conhece os segredos da magia e do universo, seres humanos com consciência de verdade ou seres celestiais), como também um ser consciente jamais aprisiona outro ser consciente, pois uma consciência elevada jamais ataca outra consciência do mesmo nível. Mesmo um anjo tendo todos seus poderes jamais poderá atacar com eles um ser humano que, mesmo sem poderes iguais, tenha conhecimento da verdade, pois a consciência desta verdade é o verdadeiro poder que protege qualquer ser da magia usada sem sabedoria. Vocês perceberam, meus queridos anjinhos, o quanto é difícil a missão de vocês no universo? Mas espero que vocês também tenham percebido o quanto esta missão é importante para a humanidade universal. Não importa qual seja a virtude que vocês representem, afinal ela sempre terá um segundo lado e é justamente neste segundo lado que vocês não devem procurar ser compreendidos. Aquele que representa a vida não pode se importar em ser a morte, pois afinal ser responsável pela morte física é ser consciente que a verdadeira vida é a da alma e da consciência (espírito). Ser responsável pela abnegação é ter consciência de que o verdadeiro bem habita o coração. Ser responsável pela sabedoria é abrir caminho para a evolução. Ser responsável pela derrota é ensinar o caminho para a vitória. Ser responsável pela doença é também dar forças para o alívio. Ser responsável pelo perdão que vai é trazer o perdão que vem. Ser responsável pelo destino é saber o tempo de cada acontecimento. Assim, meus queridos anjos, eu apresentei seus lados opostos a vocês mesmos. Bem e mal irão perdurar na mão de vocês de acordo com as ações daqueles que vocês irão proteger. Jesus, o senhor falou das responsabilidades de todos os meus irmãos, mas e eu que carrego a responsabilidade do amor? Oh, meu querido querubim, eu não me esqueci de ti. Tu és o tudo, o princípio, o meio e o fim e é único. Tu és a alma da consciência do Divino Pai e de tudo que dEle foi gerado. Sem ti jamais algum dos teus outros irmãos poderá agir, pois és o que dá a vida às virtudes e as impulsiona a viver. Todos te procuram, todos querem te ter, te conhecer, mas só tu podes tê-los, só tu podes possuí-los inteiramente, só tu podes conduzi-los ao Pai. Repousa sobre ti a responsabilidade de dar ao universo essa consciência. Tu és o único que tens o direito de frear o destino e até mesmo de mudá-lo. Tu representas Deus e a fé e através de ti o impossível se fará realidade. Assim
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sendo, meu querido anjo do amor, tu serás das sombras a escuridão e das profundezas negras a mais intensa luz. Tu és o único a ter o poder de aplicar a maior, a mais inexplicável e a mais aguda das dores, porém tu também és o único que tens o antídoto para ela. Por ti o universo briga, contigo o universo sonha. De todos os bens tu és o mais rico, o mais nobre, sem preço. Nem o universo inteiro pagaria teu valor, porém tu és o cego que tudo vê, não tens preconceitos, deves preencher os corações mesmo que esses vivam em mansões ou jogados ao relento, deves arrebatar o puro e arrastar aos teus pés o mais duro e terrível dos mortais. Diante de ti só os pequeninos inocentes serão poupados, pois até certa idade são representantes teus. Quanto aos outros seres, quando colocados diante do teu poder, deverão perceber que de ti não se pode fugir. Muitos que no universo dizem “eu amo” acreditam te conhecer, mas tu deves ensinar a eles a diferença entre “amar” e “saber amar”. Muitos acreditam conhecer a diferença entre essas colocações do amor, mas não imaginam que grande diferença há entre elas. Deves ensinar que amar a grande maioria da humanidade acredita fazer e que para amar não existem regras, basta amar. É muito simples amar um pai, uma mãe, um filho, um marido, um amigo, porém esse amor é simples e muito comum. Vejam que é muito fácil amar uma criança ou um velhinho. Difícil é amar um criminoso ou uma prostituta. As pessoas julgadas como criminosas pela sociedade não são amadas nem respeitadas. Por isso muitas vezes não recebem uma segunda chance e se um dia saem da vida de crimes não são respeitados nem bem aceitos ou bem vistos pela sociedade desconfiada, que agindo dessa maneira termina por incentivar essas pessoas a voltarem para seus delitos. Saber amar não é apenas amar a família ou pessoas boas. Saber amar é respeitar e aceitar o próximo, seja ele branco ou negro, rico ou pobre, crente ou ateu, criminoso ou não. Afinal todos são filhos de um Grande Pai, que não faz distinção de seus filhos pelos erros ou acertos. Ele os aceita igualmente e esse foi um dos mandamentos que Ele me pediu para deixar bem claro para a humanidade terrena. “Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amo”. E eu pergunto a essa humanidade: Se eu posso aceitá-los como são, por que não podem eles fazer o mesmo? Se por eles dei minha vida como prova do grande amor que fui a eles deixar, por que eles não podem perder o orgulho e o preconceito para a mão de um irmão apertar? O saber amar é amar desinteressadamente, sem medos ou preconceitos. É não condenar o passado para salvar o futuro e consertar o presente. Tudo que desejo, meus anjinhos, é que vocês consigam ensinar essa tarefa tão difícil aos seres humanos. Levem a eles a consciência de que o amor é o único verdadeiro poder, pois não há magia que o derrube nem poder semelhante a esse nobre sentimento em todo o universo e ninguém pode dizer que o conhece na íntegra se ainda não aprendeu a diferença entre amar e saber amar. Todas as demais virtudes devem seguir o Amor, de quem hoje arrancarei os olhos. Não te preocupes, meu querido querubim, tu jamais serás cego de verdade, pois a ti dou a visão verdadeira, a original, a visão que segue apenas o que sente, porém as outras virtudes obrigatoriamente verão os dois lados, terão que andar por esses dois lados e em alguns momentos terão que ser
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mais cegos que o Amor, mas este jamais os deixará, pois sozinhos, separados, vocês perdem o verdadeiro sentido da sabedoria. Então, meu pequeno ser chamado Amor, tiro-te agora a visão dos pecados, dos erros, dos medos, dos defeitos e te dou a mais ampla de todas, aquela que te permite enxergar a verdade que habita cada ser vivo, verdade essa que nunca permitirá que tu te desvies do caminho do Deus único. A mais perfeita de todas as visões, a visão do amor, é a visão da perfeição. Tu e o Destino são como corpo e alma. Os demais são como uma simbiose que lhes permite serem sentidos pela humanidade. Todos juntos são como o próprio Eterno, o Divino, o Grande Pai. A Verdade nos permite amar a humanidade sem esperar nada em troca. Essa muitas vezes diz nos amar ou acha que nos ama. Algumas vezes chegam a confundir este amor com o amor carnal, mas a verdade é que enquanto vivos no máximo recebemos amor verdadeiro de um ou dois seres. Um deles geralmente é uma criança pura e inocente, que na sua inocência do mundo fecha os olhos para os preconceitos e nos vê como o Pai, sem diferenças. É muito difícil para outros seres acreditarem que alguém possa amar tanto sem ser amado. Algumas vezes até nos dói a ausência do amor, porém quando olhamos para o amor que as pessoas nos oferecem e observamos que nele ainda existem vícios e paixões terrenas nos lembramos que o amor verdadeiro do Grande Pai é capaz de nos suprir infinitamente e sem ele já não podemos viver. Durante os muitos anos que passei na Terra eu desejei ser mortal como qualquer outro. Digo mortal não porque eu fosse um imortal. Ao contrário do que as pessoas pensam a imortalidade não é viver 1.000 anos sem morrer. A imortalidade é a consciência da Verdade divina. É algo tão supremo e grandioso que às vezes parece não caber dentro de nós ou do nosso corpo quando estamos encarnados. Algumas vezes me peguei olhando para algumas pessoas que viviam suas vidas simples, felizes, sem responsabilidade alguma perante a humanidade. Ignoravam a Verdade, porém esta ainda não lhes fazia falta e isto ainda não os prejudicava. Eles apenas viviam como tinham que viver. Eu os olhava e algumas vezes cheguei até mesmo a chorar, pois não podia ser um simples mortal como eles. A minha consciência não permitia. Eu sabia a Verdade, então tinha que passá-la adiante. Mesmo que isso parecesse impossível eu tinha que fazê-lo. Esse conflito não foi só meu. Inúmeros seres tiveram esta mesma dor e não a dividiram, meus anjinhos. Ao ensinar a Verdade a seres que ainda não estão prontos qualquer um sente dor. Senhor Jesus, até mesmo o Grande Pai sente esta dor? Meus queridos, vocês se lembram que eu lhes disse que vocês jamais sentiam algo que antes o Grande Pai não tivesse sentido? Então, muito antes de nos criar o Grande Pai já era três: amor, vida e consciência. Vida é a existência de todos os seres, mas vida tão somente não é o suficiente. Por isso a consciência se faz necessária. Para o Grande Pai ela existe em sua infinidade, mas para a alma ela deve ser aplicada em doses homeopáticas (gradativamente), pois a consciência é a revelação do divino em cada ser. É o poder ilimitado que nos habita, mas que não temos condições de conhecer antes do tempo certo. Temos então vida e consciência e é aí que entra o Supremo Divino, o Amor, aquele que anima a vida e acorda a consciência.
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Enfim o Grande Pai, que tudo é e sente, de si tirou a experiência, do vazio e cheio, do completo e incompleto e deles purgou duas gotas de emoções que Ele próprio sentiu. Depois transformou elas em vidas independentes como Ele. Elas ganharam o título de professores. Uma ensinaria pela dor, a outra ensinaria pelo amor, porém jamais deveriam se separar, devendo sempre andar juntas. Dentro de si o Grande Pai é escuridão e luz, pois só assim é perfeito e é desse exemplo que Ele criou esses dois professores tão necessários para a evolução universal. A dor ou o mal criou uma escola chamada “umbral do universo”, onde as almas ignorantes são levadas para se corrigirem, porém os seres conscientes também vão ao umbral do universo, onde vão aprender lições que fazem parte de um processo de evolução que eles deverão ensinar quando forem legislar em planetas que exigem um conhecimento aprofundado de supostas maldades. Quero deixar claro que o umbral do universo só é mau para os seres inconscientes de sua real função, pois para o conscientes ele é apenas uma escola que ensina a doutrina necessária para a evolução de qualquer planeta. Assim o bem também tem sua escola profissionalizante. Como nosso espírito é livre escolhe em que escola a alma vai aprender antes de encarnar: se é na escola do bem ou na do mal, pois como nosso espírito tem sabedoria, mas não tem prática, ele sabe que para evoluir ao Um tem que passar pelos dois caldeirões de emoções criados pelo próprio Um e assim o espírito vai trocando de escola de tempos em tempos. O espírito sabe que bem e mal são apenas escolas, mas a luta dele é para dar essa consciência à alma e ao corpo físico. A alma inconsciente pode ficar presa no umbral do universo até que o espírito dela julgue ter aprendido o suficiente para aquela etapa. O espírito é a consciência de cada alma. Por isso não pode ser aprisionado, pois é livre como o Pai o criou. Sendo o espírito a consciência ele vai ensinando a alma até que esta esteja pronta para recebê-la (união de espírito e alma) em sua plenitude e a melhor forma de prepará-la é ensinando que bem e mal fazem parte da criação e nada pode evoluir sem conhecê-los e compreendê-los. Assim a alma é o corpo e a consciência (o espírito) é a vida do corpo. Quando digo isso não estou me referindo a um corpo perecível, mas a um corpo sublime. Senhor Jesus, como vamos explicar o processo de evolução dos espíritos para a humanidade universal? Muito simples, meus queridos. Como antes já havia explicado a vocês todos, os espíritos foram criados num só momento. Isso significa que todos temos a mesma idade espiritual, mas o processo de evolução acontece em cadeia ou efeito dominó. Vendo que o Grande Pai explodiu sua alma gêmea os primeiros espíritos saídos dela se encontravam mais perto da consciência dEle. Esses eram os anjos. Para que vocês compreendam melhor imaginem a explosão em câmara lenta num efeito dominó.

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Mesmo que todos tenhamos sido criados num mesmo momento e tenhamos a mesma idade a regra que conta é a evolução. Portanto as primeiras peças de dominó que iam evoluindo seriam as que estariam mais ‘próximas’ da consciência do Criador. As que se multiplicaram delas criavam consciência só depois que as primeiras já a tivessem alcançado e as que se multiplicaram das segundas seguiriam o mesmo processo, que se repetiria até os últimos multiplicados, exatamente como num efeito dominó. O Grande Pai criou a todos. Tocou a primeira peça e essa a segunda e assim por diante, mas volto a deixar claro que isso só diz respeito à evolução. Quanto à idade e criação temos todos a mesma idade e fomos todos criados num só ato, porém ainda existe algo muito importante no processo de evolução. Quando o Grande Pai simbolicamente tocou a primeira peça isso não significa que Ele deu a ela sabedoria total. Na verdade foi só o primeiro passo para a consciência. Esse efeito dominó tem várias etapas. Enquanto uma termina outra logo começa e assim continuará a ser por toda a eternidade. Em meio a tudo isso não devemos nos esquecer do livre-arbítrio que todos nós temos. Em meio a esse efeito dominó algumas peças resistem, porém isso não atrapalha a evolução da peça seguinte, a não ser que ela deseje e, acreditem, são incontáveis as peças que já avançaram vários estágios, mas quando se vêem diante de um novo estágio resistem a ele por um longo período até compreendê-lo. - Jesus, no efeito dominó do universo o ser que resiste não interfere na evolução do outro, mas e quando estamos encarnados isso é possível? - Foi muito bom você me fazer esta pergunta, meu querido anjo. Hoje eu diria que isso tem poucas probabilidades de acontecer, mas no passado não muito distante alguns seres dotados de certos conhecimentos mágicos conseguiam interferir no destino de muitas pessoas e até mesmo no futuro. Para deixar essa situação bem esclarecida vou lhes contar uma história real de como isso aconteceu. Vocês sabem que para a alma, assim como para o espírito, o passado e o futuro são apenas dois mundos paralelos. Um que o corpo ainda não viveu (futuro), mas que a alma, mesmo que inconsciente, já sabe que existe, pois o espírito (consciência) sabe tudo que vai acontecer com sua alma antes de enviá-la a determinada escola (planeta), afinal é ele que escolhe tudo do princípio ao fim e só ele pode fazer as alterações que julgue necessárias. O outro mundo paralelo é aquele que a alma já viveu (passado) e desse todas as almas têm consciência, porém nem sempre passam para o corpo essa consciência, pois esperam sempre o momento adequado para isso. Algumas almas já conscientes passavam essa consciência para o corpo. Estes, algumas vezes apavorados com os erros cometidos no passado, buscavam através da magia portais mágicos para voltar ao passado visando corrigir seus erros e é óbvio que tentavam eliminar sofrimentos no futuro. Assim quando voltassem

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acreditavam ter uma vida maravilhosa, porém era exatamente neste ponto que todos os erros começavam. Vou lhes contar a história de Yan, um jovem que fez esta loucura e pagou um preço muito caro por ela. Ele nasceu na Índia há 3.000 anos atrás. Ele cresceu dentro de uma família de velhos sábios. Ao fazer 13 anos um dos sábios disse a Yan que havia chegado a hora dele saber todo o seu destino, pois se aproximava a hora dele se defrontar com o seu karma. O velho disse a Yan que ele se defrontaria com um perigo muito grande e que esse perigo seria como um abismo muito escuro e profundo, porém ele entraria voluntariamente nesse abismo. Yan ficou muito assustado com tudo que o velho disse e perguntou a ele se havia alguma maneira de evitar este acontecimento. O velho disse: “Se tu conheceres melhor o teu passado poderás aceitar o presente e consertar o futuro e para isso tu deves apenas lembrar-te de tuas vidas passadas”. Yan então pediu ao velho que o ajudasse a relembrar seu passado, mas o velho disse que ainda não era hora, pois tudo tinha seu próprio tempo. Insatisfeito com a recusa do velho Yan começou a procurar alternativas e na sua curiosidade achou velhos manuscritos com fórmulas mágicas. Escondido de todos ele leu esses manuscritos na tentativa de achar uma solução para o seu problema, porém o que ele achou era muito mais importante e perigoso. Ele achou uma magia que levava as pessoas a qualquer época que esta tivesse vivido e eu não preciso nem dizer que a curiosidade de Yan deu a ele armas para ferir a si mesmo.O que Yan não sabia era que o velho sábio que o advertiu já conhecia os seus pensamentos e se precaveu sobre aquela atitude de Yan. O velho usou uma magia que o neutralizava das ações do destino que Yan iria mexer. Desculpe-me Jesus, mas como pode um ser humano interferir no destino de outras pessoas sem a vontade da mesma? Acalma-te, meu querido anjinho, que já te respondo. Dentro desta história existe apenas um exemplo, mas quero esclarecer que algumas almas já trazem karmas coletivos de outros planetas e seus espíritos, que não são inimigos, entram num acordo e opinam por fazer as almas pagarem os seus karmas juntas numa encarnação em que uma é levada a alterar o destino das outras. Tudo isso é feito com a devida autorização do espírito (consciência), mas esta situação não se resume apenas a karmas coletivos interplanetários, pois é perfeitamente possível em karmas coletivos criados no planeta atual. Agora vamos voltar à história de Yan, que através da magia entrou num portal mágico e voltou ao passado, onde se deparou com uma guerra. Logo que atravessou o portal Yan se sentiu perdido e meio assustado, pois via homens correndo de um lado para o outro montados em seus cavalos. Eles tentavam defender o território que lhes pertencia. Logo Yan se lembrou que estava de certa forma protegido, pois estava usando uma magia que o mantinha invisível. Com esta vantagem ele começou a procurar pelo seu corpo anterior, ou melhor, sua encarnação passada. Decorridas algumas horas ele encontrou aquele que um dia havia sido ele e naquele instante aquele ser era prisioneiro de uma das partes que lutavam pela conquista daquela terra. Yan não pensou duas vezes. Foi até o seu antigo corpo e o libertou, sem imaginar o que aconteceria com o seu futuro. Abriu o portal dos mundos
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paralelos e voltou para o tempo presente acreditando ter resolvido seu problema, porém quando voltou para o presente uma grande surpresa o aguardava. A princípio ou aparentemente nada havia mudado, até que ele foi tentar entrar em sua casa. Só então Yan percebeu o que de fato havia mudado. As pessoas o trataram como um desconhecido e pediram a ele que se retirasse ou voltasse para sua casa. Yan olhou para todos e tentou convencê-los de que ele os conhecia. Eles, porém, pensaram que ele era louco, pois ali ninguém jamais o tinha visto. Atordoado e confuso Yan se questionava sobre o que havia dado errado, porém algo o atemorizava ainda mais: o medo de tentar consertar aquilo de novo e piorar ainda mais a situação. Mesmo cheio de medo ele voltou ao passado novamente, só que desta vez ele foi direto aonde havia achado seu corpo anterior aprisionado, mas outra surpresa o preocupou ainda mais. Ele não encontrou a sua última encarnação. Não havia mais ninguém no seu lugar. Ainda mais assustado ele resolveu voltar para o presente e esse continuava idêntico. Era como se ele não fizesse parte daquele lugar. Como não sabia mais o que fazer Yan se afastou de sua casa e foi até as ruínas de um templo onde, já cansado e assustado, passou a noite. Foi então que o velho sábio resolveu agir dando uma lição em Yan e ao mesmo tempo ajudando-o a resolver seu problema. O velho, em viagem astral, entrou nos sonhos de Yan e lhe mostrou o que estava para acontecer com ele. O velho mostrou a Yan que em menos de 7 dias ele deixaria de fazer parte daquele presente definitivamente e iria pertencer a uma outra família em outro país. Seria uma vida bem diferente da que ele estava acostumado e nesse outro presente ele ficaria louco, pois não teria o privilégio do esquecimento e se lembraria para sempre da sua família atual, porém jamais conseguiria voltar a ela. Neste mesmo sonho o velho sábio lhe ensinou como consertar seu erro. Era uma coisa muito simples. Yan tinha apenas que voltar ao passado desse presente e no momento em que se sentiu tentado a consertar seu passado tentando eliminar seus karmas para o presente ele deveria procurar novamente o velho sábio e este lhe daria uma boa orientação. No dia seguinte Yan acordou procurando ter certeza de que continuava ainda no lugar que conhecia. Depois de se certificar ele fez exatamente como sonhou, mas no instante em que fez isso sua memória foi apagada como se tudo aquilo que ele havia feito tivesse desaparecido de sua memória. Somente uma coisa havia ficado: uma forte vontade de procurar o velho sábio, que já o esperava. Yan perguntou-lhe o que de tão terrível ia acontecer em seu futuro. O velho disse: “Já aconteceu, Yan, porém tu não te lembras, mas agora chegou a hora. Tu deves conhecer teu passado mais recente, pois este te servirá de lição por muitas vidas futuras. Falando isso o velho sábio fez Yan regredir ao seu passado recente, onde ele viu tudo que havia acabado de fazer. Depois que Yan viu este seu breve passado o velho lhe contou que na tentativa de corrigir o futuro ele destruiria o seu presente e o presente de outras pessoas. Yan perguntou como isso seria possível. O velho disse que no exato momento em que Yan libertou o ser que estava prisioneiro no passado ele alterou o seu presente e o seu próprio futuro, pois ele se esqueceu de medir as conseqüências de seus atos e relatou a Yan que o prisioneiro não morreria,
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como equivocadamente ele havia pensado. Uma família salvaria aquele prisioneiro da morte e essa mesma família voltaria a encontrá-lo numa reencarnação futura. Aí Yan entendeu que sua família atual era aquela que no passado salvou sua vida, mas ainda tinha algo que Yan não havia compreendido totalmente. Por que o velho sábio não lhe contou o que realmente sabia, afinal assim poderia ter evitado o erro que Yan cometeu. O velho disse a Yan que no momento em que lhe revelou um grande perigo em sua vida não estava se referindo ao ato precipitado que Yan cometeu, porém ele não lhe deu alternativas, preferindo não esperar o momento certo. Assim cometeu um erro, mas deu sorte, pois o velho descobriu a tempo os seus planos e pôde assim se precaver, evitando uma catástrofe maior. Yan então voltou a perguntar qual era de fato o perigo que o esperava no futuro. Se fores paciente, meu jovem Yan, te contarei na hora certa – disse o velho. Desta vez Yan preferiu esperar a hora certa chegar para que seu destino se revelasse sem maiores interferências. O tempo passou e Yan foi colocado na posição de defensor de seu povo e assim cabia a ele evitar uma guerra quase inevitável. Era chegada a hora de Yan pagar o bem que no passado ele havia recebido. Só que desta vez ele tinha que ajudar não só sua família, mas um povo inteiro. Foi só aí que Yan compreendeu como poderia ter sido horrível se o velho sábio não o tivesse ajudado a reverter o erro que ele havia cometido quando resolveu voltar ao passado. Como podem observar, meus anjinhos, passado e futuro são mundos paralelos que poucos seres podem acessar com sabedoria, mas agora vou lhes contar uma história bem simples, mas de importância fundamental para muitos seres humanos. Maya era uma mulher de 32 anos quando atingiu a consciência reveladora. Um misto de tristeza e felicidade, frustração e compreensão tomava conta de Maya. Ela agora tinha a consciência e esta lhe trazia a confiança, a certeza absoluta de sua missão e dos propósitos que se escondiam por trás dela. Ao mesmo tempo esta mesma consciência a torturava mostrando-lhe fatos que não podiam ser mudados. Maya era feliz por ter alcançado a compreensão de sua existência e de sua missão. Isto a ajudava a compreender e aconselhar as pessoas melhor. À medida que compreendia as pessoas percebia o quanto ficava difícil sua permanência na Terra, pois sua maneira de ver a Verdade ajudava as pessoas, mas não ajudava a própria Maya, que aos olhos das pessoas tinha sabedoria , mas não a usava para si mesma. O que as pessoas não compreendiam era que Maya simplesmente aceitava seu destino, pois sabia que não podia mudá-lo. Algumas pessoas lhe perguntavam: “Por que você tem que abnegar de tudo, Maya? Como sabe que não pode mudar nada?” Maya simplesmente respondia: “Este é o meu destino, fui eu que o escolhi”. Um dia, em um de seus cursos, Maya disse aos seus alunos: “No dia em que vocês descobrirem a verdadeira consciência saberão o quanto vocês são imortais e a partir de então desejarão muitas vezes ser mortais (inconscientes), pois a consciência que salva também sacrifica e com certeza este é um teste pelo qual todos os seres humanos deverão passar”.
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Um dia, num momento de muita tristeza, Maya, em prantos, começou a questionar a hipótese de como seria a vida sem a sua presença, porém a sua consciência foi mais rápida que seus pensamentos e lhe ofereceu várias respostas. A primeira foi: ”Imagine as milhares de pessoas que, de uma forma ou de outra, você ajudou. Agora imagine aquelas pessoas que vinham a você te vendo como o último raio de esperança. Imagine aquelas que já estavam desenganadas, perdidas. Agora imagine o que seria dessas pessoas, de suas vidas, sem o bem que você fez a elas. Como você pode pensar em apagar tantos destinos?” – questionou a consciência. Porém Maya retrucou dizendo: “Se eu não existisse essas pessoas procurariam outros seres como eu e obviamente encontrariam ajuda, pois não sou o único ser a ter este tipo de missão”. A consciência de Maya, entretanto, não parou por aí e lhe deu mais algumas lições. “Maya, se você não existisse é óbvio que outros seres iriam ajudar as pessoas que você ajuda, porém, minha querida, você não está discutindo a sua existência, mas sim o seu karma, sua missão. Dessa maneira você está se esquecendo que o seu karma é só seu e de mais ninguém. Portanto, minha querida Maya, não queira transferir para as costas dos outros uma cruz que é só sua (só você pode carregar) e não seja egoísta, pois a sabedoria que você recebeu de nada vale se não tentar ensiná-la a outros, mas isto tudo você já devia saber. A sabedoria só pode ser passada adiante na medida que o outro a pode receber. Você não pode passar nada além do que o outro possa compreender, afinal o fato de você compreender não significa que outros compreenderão como você. Aos poucos Maya passou a gostar dos diálogos que mantinha entre a sua consciência e sua razão e a partir daí quando ela se sentia cansada, pensando em desistir, sempre parava para ouvir os bons conselhos de sua consciência. Senhor Jesus, como um ser como Maya, já consciente, vivia assim em conflito? Meus queridos, a consciência traz as respostas dos enigmas de nossas vidas, porém não nos impede de termos emoções e o simples fato de ter alcançado a consciência não significa ter alcançado o fim da evolução, que por ventura é infinita e conflitos não são atributos só da alma e do corpo. O espírito (consciência), mesmo unido à alma, também os terá. Vejam os Ministros do Universo e os grandes legisladores. Todos ainda sentem isso. É claro que não de uma forma terrível ou desesperadora, mas de uma maneira mais amena e consciente. Quando eu digo “mais amena e consciente” quero dizer que o ser tem uma certa consciência de que aquele conflito é necessário para a continuidade de sua evolução. Agora vamos continuar o assunto anterior. Como vocês puderam perceber, algumas vezes o destino de muitos perdura na mão de uma única pessoa. Chamamos isto de fios do destino, que se entrelaçam por causa do karma que construímos. Mas existe uma maneira dos fios do destino não se cruzarem numa encarnação e assim também não causarem danos a outros destinos. Existem seres que reencarnam e logo que crescem opinam pelo isolamento total. O isolamento a que me refiro não é o de um convento ou mosteiro, pois este ainda é um isolamento coletivo. Na verdade estou me referindo ao isolamento total e este se refere a tudo, cidade, família, etc. Assim são
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pessoas que vão morar nas montanhas, onde o vizinho mais próximo fica a 10 quilômetros de distância. São pessoas que vivem sozinhas, isoladas do mundo, pessoas praticamente desconhecidas. Este tipo de vida não tem vínculos e portanto não causa laços do destino. Por isso é muito improvável que um ser assim venha a interferir no destino de alguém. Agora que já expliquei com bons exemplos alguns enigmas do universo me cabe revelar a vocês o maior de todos, o mais complexo, o mais temido e o mais velado de todos os enigmas, o Segredo dos Segredos. Mas Senhor Jesus, que segredo é esse? – pergunta um anjinho. Meus queridos, este segredo é a maior de todas as Verdades, é a luz de todas as luzes. Seu nome original é Universo Revelado. Perdoe-me a intromissão, Senhor, mas acaso não estais falando da Kabalah? És sábio, meu pequeno Serafim. Não estou falando propriamente da Kabalah, mas dos manuscritos que a criaram. Estes manuscritos, longos pergaminhos, foram entregues à humanidade desde sua criação. Me refiro à humanidade universal, afinal todos os planetas recebem esta Verdade desde o princípio de sua criação, mas vamos falar especificamente do planeta Terra e como e quando este recebeu o Livro das Eras, conhecido também por Livro da Luz, Torah ou Kabalah. No princípio da Terra tudo era dominado por seres chamados de deuses, seres que tinham este conhecimento pelo simples fato de não tê-lo esquecido como os outros habitantes do planeta. Para explicar melhor tudo isso vamos começar falando como tudo de fato começou no planeta Terra. O planeta Terra foi criado lindo e perfeito como um verdadeiro paraíso. Tudo nele foi criado lembrando características dos outros doze planetas de onde vieram as doze tribos que habitaram a Terra (agora revelando a verdade que está explícita na Bíblia, porém poucos podem vê-la). Este paraíso era nada mais nada menos que Atlântida, Lemúria e Shangrillá (obs.: guardem bem estes nomes e observem que são três. Isto também é muito importante). Estas três grandes nações eram como o paraíso de Eva e Adão. A diferença é que havia muitas Evas e muitos Adãos, isto é, os seres que vieram habitar a Terra e nela passar mais um estágio evolutivo, porém eles não eram os únicos. Havia também os seus superiores, aqueles que eram tidos como deuses, pois tinham o conhecimento de tudo, mas raramente o repassavam ao povo que, escravo submisso, obedecia aos deuses. Esta situação não durou muito tempo, afinal os seres que vieram para a Terra tinham que aprender algo, pois essa era a única maneira de evoluir. Isso não significa que o povo não tivesse evolução alguma. Pelo contrário, eles tinham uma grande sabedoria, afinal viviam num mundo completamente mágico, onde podiam falar, ver e conviver com seres encantados como fadas, duendes, sereias, unicórnios, etc. Também tinham um grande conhecimento da flora e suas propriedades medicinais. Muitos sábios e magos foram se fazendo ao longo do tempo e, sem perceber, criaram outros sábios e magos. Aos poucos o povo começou a perceber que podia tanto quanto os deuses, mas não era bem assim. Os tais deuses eram imortais e estavam ali para ensinar a humanidade, porém esse ensinamento deveria ocorrer no tempo certo e em suas devidas proporções, mas isso não foi possível, pois à medida que o povo ia descobrindo as coisas
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exigia dos deuses respostas que ainda não podiam ser reveladas. Para tolher o povo os deuses passaram a ser mais enérgicos, aplicavam castigos, etc. Foi então que os deuses começaram a se dividir. Alguns defendiam o povo, outros castigavam. Assim a sabedoria deu lugar a uma grande guerra pelo seu poder. De escola a Terra passou a ser um campo de batalha onde o que estava em jogo era o comando da mesma. A luta pelo poder criou inúmeras crimeras como os dinossauros, seres criados a partir da magia dos deuses, que permitiram a aproximação entre sentinelas e seres humanos, cruzamento tenebroso que terminou por gerar criaturas estranhas que amedrontavam não só pela aparência, mas pelo tamanho. Os sentinelas foram gigantes que numa época de revolução foram enviados para a Terra para conter as guerras, mas o que eles não sabiam é que a presença deles iria trazer mal ainda maior, pois eles terminaram se envolvendo emocionalmente com alguns seres humanos. Vendo nisso um amor impossível os deuses resolveram dar uma ajudazinha e usaram seus poderes para tornarem mais fáceis esses encontros, transformando por algumas horas os apaixonados em animais ou aves. Usavam esta camuflagem para que ninguém além deles soubesse do relacionamento proibido, porém os frutos desses relacionamentos não puderam ser escondidos, o que terminou por derrubar as muralhas que ainda sustentavam este paraíso cheio de tragédias, crimeras e muita insanidade, que ainda iremos revelar no decorrer de nossas conversas. Com a chegada dos dinossauros a humanidade começou a correr o grave risco de extinção, porém havia uma regra que piorava ainda mais a situação: os deuses jamais podiam destruir algo criado pela própria magia, o que tornou a tragédia inevitável. Atlântida, Lemúria e Shangrillá estavam com seus dias contados, porém isto demorou 45 anos para acontecer de fato. Neste período os deuses procuraram uma maneira de mudar aquela situação, mas não conseguiram. Foi então que vários eremitas, sábios e magos começaram a armazenar (em fórmulas secretas) toda a Verdade sobre o universo e a Terra em diversos crânios de cristal e cristais vulcânicos, peças e pergaminhos sagrados e outros objetos. Tomadas essas providências a Terra se preparou para sua primeira transformação. O paraíso (Atlântida, Lemúria e Shangrillá) iria desaparecer levando consigo toda a sabedoria, magia e suas facilidades e então a destruição se fez. A humanidade sobrevivente sofreu uma perda temporária de memória, afinal a destruição causou um distúrbio temporal no eixo da Terra. Este fenômeno apagou as lembranças das pessoas e elas acordaram de tudo aquilo como se tivessem aberto os olhos pela primeira vez. O que estou falando hoje é fácil de ser provado pela ciência, que estuda o que uma mudança drástica de condições planetárias pode causar ao cérebro humano [De acordo com a mudança que ocorre no eixo da Terra (1º a cada 72 anos) as pessoas vão recuperando suas lembranças mais remotas de Atlântida, Lemúria e Shangrillá e quando o eixo estiver competamente normalizado alguns dos seres humanos também terão todas as lembranças de volta]. Naquela época isso tudo foi planejado para os humanos sobreviventes, pois eles tiveram a sabedoria verdadeira ao seu alcance, mas não tinham a evolução necessária para absorver e compreender esta Verdade. O Grande Pai porém, em sua infinita grandeza, deixou alguns seres com suas mentes
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intactas para que estes recomeçassem o ensinamento e reconstruíssem a escola (o planeta). Aos poucos a Terra começou a se refazer e no decorrer de milhares de anos a sabedoria divina foi se mantendo viva, porém de maneira discreta, apenas para seres escolhidos (seres que já davam indícios de relembrança das antigas civilizações). Em meio a esses escolhidos eu escolhi um Amoraim, um aprendiz da Verdade original, um discípulo do Talmud, mago conhecedor da Verdade universal. Talmud, esta palavra tem vários significados, porém o mais conhecido entre os seres humanos é “ensino sagrado”. Este ensino é uma aliança de várias escolas, que se fundiram há mais de 4.000 anos. Vou citar alguns nomes destas escolas: Mischnapu Talmud de Jerusalém, Ghemara Talmud da Babilônia, os Thosphata. Os talmudistas foram redatores de uma obra mista. Pertenciam a três classes de rabinos, que conservaram e interpretaram os textos primitivos de Enoch. Estas três classes eram: os Tenains ou Iniciados, os Amorains, discípulos dos Tenains e os Massaretas ou Chachamins. Estes nomes são apenas variações de nomes dos grupos de aprendizes do Talmud. Explico isso só para me fazer compreender, pois na verdade nada disso tem importância, só para os seres humanos, que têm o defeito de patentear tudo. Tentam fazer isto até mesmo com as leis de Deus. Colocam seus nomes como autores de livros sagrados e se sentem seus donos, assim como do conteúdo sagrado que receberam para divulgar e não esconder eternamente. É por esta razão que vamos contar todo o aprendizado que um Amoraim recebeu. OSHA E O RABI

Osha era uma criança de apenas sete anos quando foi abandonado por sua mãe. Um rabi, compadecido com a situação do garoto, levou-o para morar com ele num templo talmud. Foi a partir daí que a vida do pequeno Osha começou de verdade. Era o ano 450 d.C., época em que só raramente se podia encontrar um templo talmud. O velho rabi viu no garoto os princípios básicos para torná-lo um aprendiz de verdade, afinal ele era ainda uma criança, não tinha mais familiares e ainda não estava corrompido. O fato de não ter familiares o deixava livre para o ensino e apto a guardar segredos. O fato de ser criança dizia simplesmente que ainda era puro e aprenderia a Verdade com mais facilidade, pois ainda era desprovido de outros conhecimentos. Os primeiros ensinamentos que o velho rabi começou a passar para Osha foram o da realidade e o da ilusão. O rabi determinou que Osha teria aulas de nove horas por dia, onde receberia o conhecimento do Livro da Luz. Eis as primeiras coisas que ensinou a Osha: - Osha, meu bom menino, hoje tu vais aprender o que de fato tens e não tens na vida. A partir de agora eu vou te ensinar a mais preciosa de todas as verdades, porém preciso de três virtudes tuas. Primeira: Teu sigilo absoluto. O silêncio é filho da paciência, pois nos dá a oportunidade de conhecer melhor as coisas e os seres vivos. Segunda: Tua curiosidade. A vontade de aprender aliada à coragem de perguntar é um suporte que nos leva a um bom conhecimento. Por fim a Terceira: Disciplina. Esta qualidade, que reúne obediência e vontade, pode fazer o ser humano conhecer seu verdadeiro poder. Agora tu já sabes o que precisas e tens para avançar nos degraus da
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infinita escada da sabedoria. Em primeiro lugar vou te mostrar como as coisas tiveram seu princípio. O velho tirou do bolso uma semente e mostrou-a a Osha dizendo: - Vês esta semente, minha criança? Um dia, numa época que tua memória ainda não pode alcançar, tu já fostes como ela. - Como assim, senhor? – perguntou o garoto. - Este é o primeiro segredo do Grande Pai de todas as criaturas. É o primeiro segredo que Ele nos permitiu saber e que agora vou revelar a você. O pai de todas as criaturas um dia foi como qualquer um de nós. Ele foi ignorante de sabedoria e muito antes de ser perfeito Ele foi a mais imperfeita forma de vida. Digo forma de vida porque chamar a Deus de criatura o definiria como um ser criado e Deus não foi criado por ninguém. Ele originou-se sozinho de sua própria vontade. Voltemos agora à primeira face de Deus. No princípio Deus era como esta semente única num vazio imenso onde o nada morava. Imagine sua mente vazia, sem pensamentos, num espaço sem cor ou paredes. Deus era o próprio vazio e o vazio era Ele, mas um dia o inanimado decidiu se tornar animado, porém esse animado não tinha consciência, teoria ou prática alguma. Enfim, nada sabia. Seus primeiros passos criaram seus primeiros pensamentos. Seus movimentos ainda eram algo intrigante (desconhecido). Não sabia o que era dúvida, medo ou dor. Havia dado um grande passo, mas ainda era vazio. Assim um tempo distante da nossa compreensão se passou e aquele pequeno ser que se arrastava pelo nada acumulou sua primeira parcela de conhecimento. A incompreensão do próprio nada criou a primeira explosão de Deus, que ao descobrir o som também descobriu o poder que este tinha. Deus gritou sem em nada pensar. Gritou para afugentar o vazio ou para descobrir se de fato era vazio. Seu grito foi imenso, impossível imaginar a grandeza daquele grito. Tão forte e poderoso foi o grito que trincou as paredes invisíveis do vazio e um eco grandioso voltou. Deus então descobriu sua segunda voz e a procurou no imenso vazio, porém não a achou. Foi então que surgiram os primeiros pensamentos de Deus. Ele pensou existir outro ser como Ele e logo descobriu o poder de seus pensamentos. Ao pensar Deus criou, sem saber, seres idênticos a Ele, que obviamente ainda não tinham a sua minúscula evolução, pois Ele havia imaginado apenas os seres e não o conteúdo deles. Aos poucos Deus ensinou o que sabia a estes seres, que eram totalmente dependentes de seu criador. Ao ensinar estes seres Ele se viu em seu próprio princípio, como se estivesse vivendo novamente o que já havia vivido. Era como um grande espelho que reprisava cada gesto seu. Deus então pôde observar a si mesmo como jamais pudera fazer antes e aquilo lhe ensinou muito. Ele então avançou mais uma etapa de evolução e nela descobriu que os seres criados de seus pensamentos começavam a evoluir também, porém eram diferentes, individuais e ao observá-los Deus percebeu que cada um representava um pouco daquilo que Ele sentiu no decorrer de sua evolução. Cada um deles era uma face de Deus em tempos diferentes. - Senhor Rabi, desculpe-me interrompê-lo, mas algo me intriga. Gostaria muito de saber se o senhor pode me responder qual era a aparência de Deus e dos seres que Ele criou.
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Que pergunta curiosa esta sua, pequeno Osha. És de fato atencioso a detalhes. Saiba que no estágio primário do Divino Pai aparência era algo completamente incompreensível para nossa mente limitada, pois no princípio Deus não tinha uma aparência visível. Ele era como olhar para um deserto vazio e imenso, porém era justamente neste deserto vazio que se escondia o segredo. Como assim? Quando olhamos para o deserto não enxergamos nada além do próprio deserto. O Grande Pai era assim também, porém quando Ele criou de seu grito os primeiros seres, estes logo se tornaram visíveis ao Grande Pai, pois foram projetados de sua primeira ação e ação é uma forma de criação. Os seres que Deus criou eram como um espelho mágico, que dava ao Pai olhos, pois Ele jamais havia visto algo. Sua visão foi criada a partir de seu grito. Assim como sua audição e seus outros sentidos, que foram se desenvolvendo e se aprimorando para atender às necessidades de suas criaturas. Para que você compreenda melhor imagine Deus como um cérebro fora da cabeça. Este cérebro vai desenvolvendo um corpo que o proteja e possibilite sua locomoção. É como um bebê que vai se desenvolvendo no ventre de uma mulher. No primeiro mês quase nada se desenvolveu. No segundo já é possível ver um bom desenvolvimento. No terceiro mês os membros já estão bastante definidos, porém é só no sétimo mês que um bebê tem a primeira possibilidade de sair do ventre da mãe, pois já está completo, mas ainda precisa de dois meses para ter a força que precisa para sobreviver. Por isso é possível alguns bebês nascerem de sete meses quando a maioria nasce de 9 meses. Mas voltando ao exercício de imaginação continue fazendo o pequeno feto evoluir até a hora do nascimento. Aí imagine Deus dando seu primeiro grito, como os bebês fazem quando nascem. Logo depois vieram os outros instintos naturais, exatamente como os bebês. O Grande Pai nasceu do nada para ser o tudo. No princípio Deus, como os bebês, não definia imagens ou cor, pois seus olhos estavam fechados até que houvesse a necessidade de abri-los. Essa necessidade se fez quando Deus criou suas primeiras criaturas, que nasceram tão pequenas quanto um embrião, que se parece com um girino, e aos poucos foram tomando forma até chegarem a uma aparência definida. Agora imagine Deus sendo um bebê recém-nascido, sem consciência alguma do que é certo ou errado, tendo que cuidar de uma enorme quantidade de criaturas sem consciência, sem instintos, sem ação, porém todos com vida. No decorrer da evolução das criaturas Deus, como todo bebê inconsciente e pela sua inocência, fez várias mutações sem saber o que estava fazendo. Fez isso tocando as criaturas e modificando-as. Exemplo: Coloque um belo bolo confeitado na frente de um bebê. Ele pode ter várias reações, desde deixá-lo ali como avançar sobre ele com as mãos e se sujar. Com Deus não foi muito diferente, porém tudo que Ele modificou não se destruiu, apenas se transformou. Neste período Deus ainda não tinha imaginação. Suas ações eram espontâneas como as de um bebê. Deus só passou a ter imaginação quando chegou a um grau de evolução muito semelhante a de um bebê de três anos.

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Quando passou a usar a imaginação Deus mudou a forma dos seus primeiros embriões e não parou aí. Muita coisa aconteceu aos primogênitos de Deus até que Ele alcançasse o nível mais alto da evolução. Pode parecer brincadeira, loucura ou até mesmo blasfêmia, mas Deus sentiu todas as emoções que nós, simples mortais, sentimos. Ele sentiu desespero, tristeza, ansiedade, raiva, dor, alegria, compaixão, bondade, etc. Enfim todas as emoções que nós sentimos. O Grande Pai as sentiu na íntegra e para Ele nenhuma que venhamos a sentir será exclusiva. Todas essas emoções que o Pai sentiu foram no decorrer de sua primeira evolução, junto aos seus primogênitos, que muito trabalho lhe deram. Deus era como o irmão mais velho de muitos irmãos órfãos e por isso teve que aprender sozinho como cuidar desses irmãos. Cada um deles era como uma escola para Deus, pois cada um reagia e agia de uma maneira, porém Deus conhecia essa maneira. Ela era um estágio que Ele já havia vivido e Deus, vendo isso, via suas reações repetidas nos seus irmãos e a partir daí Deus procurou se entender, se descobrir, pois esta seria a melhor maneira de ajudar os seus primogênitos. Durante muito tempo Deus tomou para si a responsabilidade pelos seus atos, pois ouvia os seus instintos de proteção e preservação. Ele sentia que tinha que ser assim, porém algo de estranho acontecia. Seus primogênitos não evoluíam, não se esforçavam, pois estavam acostumados a ser conduzidos. Deus passou a forçá-los a evoluir obrigando-os a passar e sentir tudo aquilo que Ele passava e sentia, mas foi exatamente aí que Deus percebeu que eles tinham livre vontade, exatamente como Ele, pois a reação desses seres foram as mais diferenciadas possíveis. Alguns agiram com medo de Deus. Outros agiram com raiva. Outros aceitavam, mas não compreendiam e isso fez Deus perceber que cada um tinha seu tempo certo para evoluir e que não adiantava forçá-los, afinal ninguém forçou Deus. Ele evoluiu pela própria vontade e natureza, despertou os instintos de acordo com as necessidades deles. Deus então resolveu deixar seus primogênitos livres para alcançarem seus instintos de acordo com suas necessidades e passou apenas a observá-los. Ao fazer isso Deus viu o conflito e a mistura grandiosa de emoções que surgiu. O mais incrível de tudo isso é que Deus sentia que aqueles conflitos e emoções pareciam sair de dentro dEle como se aqueles seres fossem parte dEle, o que no fundo era verdade, mas Deus ainda não tinha consciência disso. Em suma, todos aqueles seres eram faces e emoções de Deus diante dEle. Era como se Ele visse várias personalidades suas caminhando diante de seus olhos. Assim durante muito tempo aquelas pessoas foram mostrando a Deus tudo que Ele precisava saber sobre si mesmo: suas falhas, seus pontos fracos, defeitos de qualidade, valores, etc. Ao observar tudo isso Deus passou da criatura à criação. Imaginou coisas que julgava certo para evoluir seus primogênitos e assim criou um primeiro planeta, chamado de Planeta Experimental ou Primeiro Sistema. É óbvio que esse Primeiro Sistema é o modelo para todos os sistemas do universo. Nele Deus criava uma árvore e suas criaturas o imitavam criando outras diferentes nas propriedades, mas semelhantes na aparência. Deus criava um pássaro ou animal e suas criaturas o imitavam. Obviamente nem tudo saía tão perfeito assim, mas foi dessa maneira que o primeiro Éden foi criado. Este era
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gigantesco, impossível de imaginar suas proporções. Incontáveis eram suas árvores e tudo que nele foi criado, porém na tentativa de aperfeiçoar as coisas os primogênitos de Deus começaram a criar mutações constantes naquilo que haviam criado e essas criações se revoltavam, pois também eram vida. Alguns primogênitos tentaram fazer isso a força, exatamente como Deus um dia tentou evoluí-los. Outros se apegaram a suas criações e as protegiam, exatamente como Deus quando despertou seu instinto de proteção. Assim Deus se viu dividido entre o bem e o mal e esses dois grupos tinham constantes brigas, pois não se aceitavam. Mais uma vez Deus viu que o conflito era seu, pois Ele não sabia qual dos dois lados estava certo. Ele só sabia que ambos eram seus e que não podia se livrar deles. O conflito de Deus aumentou e Ele se tornou severo e cruel e às vezes sereno e bom. Deus castigava seus primogênitos, que por sua vez castigavam suas criações e o Éden se tornou um inferno. Tamanho foi o conflito de Deus que Ele quis destruir seus primogênitos, porém seu lado sereno e bom o apaziguava. Após um grande tempo de conflito Deus, já exausto, pensou: “Queria tê-los dentro de mim, assim não se destroem”. Foi então que Deus despertou a consciência sem saber. Logo que Deus pensou em colocá-los dentro de si todo o Éden e suas criaturas se fundiram com Deus, penetrando dentro dEle e por fora de Deus tudo ficou vazio como no princípio, só que agora era tudo muito diferente. Deus estava cheio, preenchido por todas as suas emoções, por tudo que havia passado e aprendido. Deus enfim se sentia completo, porém ainda desejava organizar tudo que O habitava, conhecer melhor cada emoção e porque e como elas surgiram. Ele então meditou por longo tempo no vazio que havia restado para assim compreender cada partícula de tudo aquilo que havia absorvido. Enquanto tudo estava cheio e conflitante Deus não tinha como resolver a situação, porém quando Ele absorveu tudo teve a oportunidade de, no vazio, rever suas emoções e compreendê-las. Isso lhe trouxe uma imensa alegria, uma incontrolável felicidade. Ele já havia sentido algo parecido, porém havia sido passageiro e aquilo era constante, infindável, imenso e foi então que Ele desejou ver o que era aquilo que tão feliz, tão pleno e seguro o deixava. Rasgando o próprio peito tirou um pedaço do seu coração e este criou vida imediatamente e vagou pelo vazio por algum tempo e logo voltou para Deus, tornando-se sua chama gêmea, sua luz idêntica, seu outro igual que, atraído pelo Criador, a Ele retornou livremente. Feito isso o Criador, já unido à sua chama gêmea, sacrificou sua alma naquilo que foi sua maior explosão e criou todos os espíritos do universo, porém o Grande Pai não esqueceu dos seus primogênitos, os seres que nasceram antes dessa explosão, aqueles que foram criados a partir do primeiro ato concreto do Pai. Estes obviamente tiveram uma evolução muito diferente, afinal eles não nasceram da perfeição do Grande Pai, mas de sua inconsciente inocência, e compartilharam dos primeiros estágios evolutivos de Deus. Por isso Deus os tornou a parte onde habitavam os sentimentos em sua alma, afinal eles correspondiam a cada emoção que o Grande Pai havia vivido e somente as emoções nos conduzem ao sentimento verdadeiro. Assim Deus deu a eles o direito de serem o coração da alma, que Ele
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explodiu em infinitos bilhões de átomos. Foi assim que foram criados os Amorazins, seres que nasceram antes dos demais. Deus, em sua infinita sabedoria, percebeu que seus primogênitos haviam sido criados do ato que ainda não tinha sentimento e foi justamente por falta desse que Deus absorveu o primeiro Éden para dentro de si. Nesse primeiro Éden viviam todas as emoções do Grande Pai e a única maneira que ele achou de compreendê-las foi absorvendo-os. Dessa maneira Ele as analisou e elas se transformaram em um grandioso e nobre sentimento chamado Amor. Foi aí que Deus decidiu que suas novas criaturas não poderiam nascer sem este sentimento e deu a eles o direito de nascerem prontos para sentirem as emoções que os conduziriam ao sentimento verdadeiro, porém a consciência, como função dos Amorazins, deveria ser passar a ensinar a humanidade universal, que viveria movida pelas emoções. Como é hoje na Terra e em outros planetas, a grande parte dos seres se deixa conduzir pelas suas emoções passageiras, sejam elas de raiva, dor, incompreensão ou falsas paixões e, acreditem, as pessoas dizem que agem orientadas pela razão quando no fundo se orientam pelos seus próprios interesses, seus próprios desejos, suas próprias dores. Mal sabem que o nome de tudo isso é emoção passageira. Os Amorazins receberam vários nomes. Alguns os conhecem como anjos, outros como seres celestiais, outros os chamam até mesmo de escravos de Deus, justamente por trabalharem tão somente para Deus, mas quero corrigir esta falha na história. Os Amorazins nascerem antes e participaram da evolução do Divino como suas emoções vivas. Deus sabia que essas eram criaturas criadas a partir de suas dores, seus conflitos ou alegrias, enfim, eram seres criados para mostrar ao Grande Pai que cada emoção que Ele sentia era uma experiência viva que não deveria ser destruída. Portanto, para não apagar a própria história de sua evolução Deus deu nova vida aos Amorazins, dando a eles o direito de ser o coração da alma do universo. Isso quer dizer que os Amorazins se tornariam responsáveis pelo restante da alma de Deus, que era simplesmente 30 vezes maior que o coração. Isso significa que aquela pequena quantidade de espíritos se tornava responsável por um número trinta vezes superior ao seu. Exemplificando melhor basta olharmos para o nosso corpo e observar a grandeza de um pequeno órgão chamado coração, que nos mantém vivo. Aqueles seres chamados Amorazins carregavam em si todas as emoções que o Grande Pai sentiu antes de se tornar O Perfeito, todas as emoções que Ele sentiu desde o início de sua evolução e, o que é melhor, continuam a sentir as primeiras emoções do Grande Pai em seu estágio atual. Na verdade não eram bem emoções que o Grande Pai estava sentindo. Agora Ele sentia apenas amor em sua infinita grandeza. Esse amor agora é cheio de virtudes e elevadas emoções. Quando digo elevadas emoções é porque essas não têm comparação alguma com as emoções terrenas. São sublimes inspirações. Os Amorazins que renasceram como coração da humanidade universal tinham o dever de alcançar a evolução servindo seus irmãos e a Deus, afinal eles foram incumbidos apenas de ensinar a seus irmãos as emoções, pois a compreensão ou a consciência é exclusividade do Divino Pai. Ele, em sua infinita sabedoria, permitiu as emoções, mas a consciência só viria no tempo certo,
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assim como foi para Ele. Nem mesmo os Amorazins, sendo primogênitos de Deus, tiveram o privilégio da consciência completa. Eles só estavam alguns estágios à frente dos outros irmãos, porém ainda tinham e têm que continuar a evoluir. Senhor Rabi, quem de fato são esses Amorazins? São pessoas como nós ou são seres diferentes? Meu pequenino finalmente me questionou. Teu silêncio me alegra, mas também me preocupa, mas respondendo a tua pergunta os Amorazins são seres celestiais. Alguns os chamam de anjos caídos ou anjos de Capela, o planeta. Na verdade essa confusão tem 50% de verdade e 50% de ilusão. Os 50% de verdade é que eles são anjos caídos, porém eles não fizeram mal algum para encarnarem na Terra. Pelo contrário, eles desceram neste planeta por livre e espontânea vontade, afinal eles teriam que ser os legisladores que trariam para o planeta Terra toda a Verdade sobre Deus e o universo, além de trazerem boa parte de tudo que já tínhamos aprendido em nossas vivências em outros planetas. Como assim, Rabi? Após a destruição das civilizações de Atlântida, Lemúria e Shangrillá os seres humanos tiveram as mentes do corpo e da alma apagados temporariamente, mas os Amorazins não precisaram passar por isso. Como eles tinham o dever de manter o conhecimento divino na Terra eles ajudaram a humanidade a reconstruir o planeta. Como tudo que eles ensinavam já havia sido aprendido pelos seres que habitavam a Terra não foi considerado pecado como alguns seres humanos ainda pensam. Para ser mais claro os Amorazins apenas relembraram os seres humanos de algo que eles ainda não podiam lembrar que já sabiam. Em suma, eles só nos ensinaram aquilo que já sabíamos, porém não lembrávamos. Rabi, existem Amorazins ainda vivendo na Terra? Sim, meu querido, e ainda vão existir por muito tempo. Alguns ainda não sabem que são, outros já tem a certeza e alguns vivem na dúvida. Mas como podem seres tão sábios não saber quem são ou terem dúvidas? Meu bom Osha, os Amorazins estão na Terra desde que ela começou a ser construída para ser habitada. Eles ajudaram na construção e no aperfeiçoamento do planeta, mas para o bem deles escolheram cumprir a missão em segredo. Por isso só despertam a consciência quando o Grande Pai julga necessário. Entretanto posso lhe garantir uma coisa. Um Amorazim raramente tem uma encarnação comum, pois na grande parte de suas encarnações terrenas ele se lembra de quem é e por isso sempre tenta passar a Grande Verdade à humanidade, mesmo sabendo que vai morrer, fato esse que termina por acontecer na maioria das vezes. Rabi, o senhor pode me responder duas perguntas? É óbvio que sim, meu querido. Primeiro: Por que os Amorazins têm que morrer quando contam a Verdade? E segundo: Os Amorazins são todos iguais? Estimulantes as suas perguntas, meu pequeno aprendiz. Vou lhe responder a primeira. Os Amorazins são seres que conservam a Verdade em sua essência e de tempos em tempos alertam a humanidade para essa Verdade, porém essa
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Verdade é tão poderosa que destrói todos os conceitos religiosos e isso não é bom para nenhuma época. Por isso terminam por morrer em prol da Verdade, mas não é só isso. Aos poucos eu vou revelar a você o teor desta Verdade e só então você irá compreender porque esses seres terminam por morrer. Quanto aos Amorazins serem todos iguais existem no fundo certas diferenças. Você se lembra que a princípio os Amorazins correspondiam a cada emoção de Deus. Justamente nesta parte está a diferença. Estas emoções transformaram-se em virtudes logo que Deus alcançou a perfeição e criou todos os espíritos. Os Amorazins dominam essas virtudes. Na íntegra todos são sabedores de todas as virtudes, porém até eles têm que aperfeiçoá-las. Para isso cada um escolheu qual virtude iria aperfeiçoar no decorrer de suas encarnações. Alguns Amorazins são calmos e passivos. Outros são mais soltos e alegres, outros são sérios e reservados e assim por diante. E quem são os Tenains, senhor Rabi? Essa é de fato uma pergunta muito importante, meu pequeno Osha. Aqui na Terra muitos seres se intitularam Tenains e acredito que muitos ainda irão se intitular assim, porém, meu bom menino, um Tenaim é um sábio superior enviado por Deus. Esses seres chamados Tenains foram os Amorazins que tiveram uma evolução ainda mais rápida que os outros. Um exemplo disso é Enoch, o primeiro Tenaim que veio à Terra para ensinar e o primeiro a escrever esta Verdade, porém Enoch nunca deixou de ser um Amorazim, pois sua origem foi como dos outros. O título de Tenaim ele apenas ganhou por ter sido o primeiro a receber a revelação de Deus. Assim os Amorazins o chamaram de Mestre ou Escolhido de Deus, porém este título ele ganhou somente aqui na Terra, justamente por ter sido o primeiro a receber a revelação da Verdade aqui. Os essênios acreditavam que Enoch foi o primeiro dos primeiros. Eles sabiam que Enoch era um Amorazim, porém acreditavam que ele foi o primeiro Amorazim. A verdade é que não houve um primeiro, como você já sabe. Houve um primeiro ato de Deus que originou os primeiros. A missão de Enoch era plantar a Verdade na Terra e deixá-la aqui. Por isso ele teve acesso a ela mais cedo do que os demais e por isso também foi considerado um Tenaim, mestre dos Amorazins. Senhor Rabi, o que de tão grave esses seres chamados Amorazins sabiam ou sabem? Meu pequeno ser, eles simplesmente sabem todos os segredos da Terra e quase todos os do universo. Então é por isso que eles também são chamados de anjos? Os anjos são conhecedores da Verdade divina de fato, porém o que ninguém imagina é que eles, disfarçados de Amorazins, podem viver entre nós e como nós. Rabi, que verdades são essas e por que são tão graves assim? Meu bom menino, a Verdade tem a face muito dolorosa quando ainda não pode ser compreendida. O que vou lhe contar agora explica porque a Verdade não pode ser totalmente revelada. Logo que Deus evoluiu para seu estado perfeito, onde criou todos os espíritos, Ele não destruiu o seu lado mal, afinal havia sido o lado mal de Deus que O ensinou a encontrar o equilíbrio, pois o bem e o mal precisam ser compreendidos para nos conduzir à evolução.
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Então, logo que o Pai avançou até a perfeição Ele individualizou o bem e o mal que havia passado e sentido até chegar àquele estágio e transformou-os em seus primeiros grandes princípios e os Amorazins seriam a seqüência desses dois grandes princípios para que eles tivessem vida. Deus retirou de si toda a essência do mal e do bem e duas formas gigantescas de luz se fizeram vida, ambas de imensa beleza. Deus então disse a estes seres: Ambos são um só. Por mais que eu os tenha separado vocês jamais se separarão, pois só há utilidade em vós se estiverem sempre juntos e somente juntos poderão ensinar o caminho da evolução. Vossos irmãos terão uma evolução tal qual a minha. Por isso precisam de vocês para serem os professores deles. O papel que vocês vão desempenhar irá se esconder por trás das emoções que eles vierem a sentir. Na dor, na alegria ou na tristeza irão desenvolver a habilidade de chamar vocês sem saber que estão fazendo isso. Assim como eu dei vida a vocês quando as senti os vossos irmãos também darão vida a vocês quando senti-los e logo que os vossos irmãos despertarem vocês dentro deles começará o aprendizado. Por enquanto eles são inocentes, desconhecem o bem e o mal, não sabem definir o que é certo ou errado, não sabem distinguir a menor das emoções, porém essas condições não os evoluem e a única maneira de evolui-los é dar a eles a mesma liberdade que eu tenho. Para isso será preciso tirar dos olhos deles a venda da pureza, da inocência e revelar a eles a manifestação de seus instintos. Os Amorazins são meus primogênitos. Eles já os conhecem, pois sentiram vocês quando eu os manifestei em mim. Vocês são como os Amorazins criados de meus primeiros atos e emoções. Os Amorazins vão passar o conhecimento ao universo e vocês serão os responsáveis pela realização desse conhecimento. Isso quer dizer que os Amorazins serão como um livro com toda a teoria da Verdade e vocês serão como um livro com toda a prática. Por mais que os Amorazins ensinem vocês serão a única forma de colocar tudo em prática, pois somente sentindo é que se aprende o que se ouve. A você, meu Anjo do Mal, eu dou o direito de estar acima do bem e do mal, porém jamais acima da compreensão, pois tu és aquele que eleva a compreensão. Tu não deves ter piedade ou misericórdia daquele que não teve piedade ou misericórdia. Tu não deves sentir dor nem rancor, pois tu estás acima da dor e do rancor. Teu dever é aumentar o fardo para aquele que rejeita aceitar tua existência até que ele venha a descobrir o bem que de fato tu representas, porém lembra-te sempre que teus irmãos têm livre-arbítrio e os espíritos deles devem estar de acordo com os teus ensinamentos, que obviamente serão aplicados somente no terceiro (corpo físico) e segundo (alma) corpo do espírito. Lembra-te também que esses espíritos já nasceram conscientes, porém precisam praticar essa sabedoria. É justamente aí que vocês e os outros Amorazins deverão cumprir vossas missões, pois vocês já praticaram essa sabedoria enquanto se transformavam junto comigo. Agora vão ensinar seus outros irmãos a fazer o mesmo, afinal vocês tiveram um privilégio: fui eu que os ensinou enquanto me compreendia. Agora vocês irão ensinar enquanto se compreendem. A vocês dou o direito de ser eu sem jamais deixarem de ser vocês mesmos. Em suma, me representarão na
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sabedoria, mas serão passíveis de falhas ou erros, pois carregam dentro de si o livre-arbítrio, código que os diferencia uns dos outros. Ao mesmo tempo que são iguais a liberdade é a lei que os torna únicos, pois eu, criador das criaturas, jamais fiz uma forma igual. Um jardim é belo pelas suas diferentes flores, sua variedade de cores e aromas. Assim, meu Anjo do Mal, anjo da minha dor, da minha força, da minha revolta, tristeza e ira, enfim da minha luz, eu te darei o nome de “luz que se faz”, pois tu fostes a minha luz. Tu, quando ainda pequenino germinando dentro de mim, não me parecias ser bem nem mal. Foi então que descobri que tu e teu irmão Bem me habitavam em simbiose constante. Aos poucos os meus desejos e as minhas emoções me mostravam o poder que tu e teu irmão tinham, porém houve época em que o poder de ambos ficou tão grande, imenso, que não mais os controlei e me deixei conduzir por esse poder até conhecer sua última gota. Foi nesse instante que me conscientizei que não poderia mais separá-los e então resolvi uni-los, pois na verdade descobri o quanto um precisa do outro. Assim descobri um poder maior nascendo dentro de mim, o poder da compreensão, e este novo poder logo me levou a outro poder. Um poder imenso, infinito, inexplicável, que me trazia satisfação plena, absoluta, e este poder eu tão somente sentia e tudo compreendia. Por isso preciso que vocês ensinem seus irmãos que nasceram deste poder a praticá-lo e compreendê-lo. Tu, meu Anjo da Luz que se faz deves fazer aos teus irmãos o que fizestes comigo. Tire o véu que encobre a inocência e desperte o poder que te cabe dentro de cada um, porém deves te lembrar que até que a humanidade universal venha a te compreender e te ter como um aliado e bom professor tu serás rejeitado, negado, abominado e considerado a pior de todas as criaturas. É por essa razão que te dei este nome, para que um dia a consciência da humanidade repense seus conceitos e veja que Luxcifer é a luz que se faz dentro de cada um e dessa forma esta luz termina por mostrar os monstros que nos habitam e o quanto esses monstros podem ficar poderosos enquanto não compreendidos. Sei que esta é uma missão muito dura, porém a do teu irmão em nada é menor. Meu Anjo do Bem, anjo de minha caridade, minha bondade, minha tolerância, de meus olhos cegos, de minha justiça sem consciência. Anjo de meu conflito, equilíbrio de minha balança, tu nasceste tal qual o teu irmão. Por te defender e proteger teu irmão era negado. Tu, sem compreensão, era mais frágil que rosa em botão. Teu irmão atacava por ter medo. Tu temias atacá-lo. Tu desejavas ajudá-lo, mas às vezes te tornavas ele quando maltratado. É por isso que eu não os compreendia. Ambos trocavam de lado de acordo com as farpas atiradas. O Bem, que tão doce era, rejeitava e negava o Mal com ira tão imensa que parecia ser o próprio Mal. O Mal, por ser rejeitado, se negava a ser o Bem. É assim, meus amados, quando separamos compreensão e sabedoria de um só coração. Sabedoria sem compreensão é prática sem saber. Compreensão sem sabedoria é teoria sem prática. Por isso eu os quero sempre juntos, inseparáveis, como de fato são sabedoria e compreensão, porém a humanidade universal os verá separados até compreendê-los juntos. Por isso, meu Anjo do Bem, eu te darei o nome de Anjo do Fogo da Justiça. Tu, como teu irmão, deves ensinar a teus irmãos o
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mesmo que a mim ensinastes. Deves levar a eles todo o poder que te cabe. Deves mostrar que não és um bem unilateral ou preconceituoso. Para fazeres isso deves apelar para as emoções sentidas na própria pele. Elas serão teu maior auxílio. Enfim, meus Anjos do Bem e do Mal, eu os declaro professores da consciência. Nenhum bem é bem sem consciência e nenhum mal é mal com consciência, pois o bem, para ser verdadeiro, precisa ter a certeza de que não vai prejudicar ninguém. Quando fazemos um bem a alguém acreditamos estar ajudando uma pessoa, quando nosso bem pode estar escondendo uma cortina de maldades. Ao fazer um mal a alguém estamos fazendo mal a nós mesmos, mas quanto à pessoa estamos, sem saber, fazendo um bem involuntário. Senhor Rabi, agora o senhor me deixou confuso. Como pode Deus ter dito isso? Perdoe-me se te deixei assustado, pequeno Osha, mas agora vou te explicar direito a idéia de bem e mal. Vou te contar a verdade sobre o que de fato é certo ou errado, bem e mal consciente ou não. Na verdade bem e mal não existem. O que de fato existe são ações e reações e, de acordo com elas, os anjos do bem e do mal aplicam o aprendizado. Anjo do bem e do mal para Deus não têm diferença, pois bem e mal para Ele significam aprendizado e evolução, porém para a humanidade universal a conotação de bem e mal é ainda bastante incompreendida. Vamos agora aos exemplos práticos. Digamos que uma velhinha passe o resto de seus dias a mendigar comida e ajuda, pois não tem recursos para sobreviver. Todos os dias algumas pessoas vão até ela e lhe oferecem comida, água e roupas. Ela assim vai sobrevivendo o tempo que lhe cabe, porém um belo dia chega uma senhora de bom coração e, comovida com a pobre senhora, leva-a para morar em sua casa. Passados alguns dias essa senhora bondosa recebe a visita de um parente da velhinha, que relata todos os erros que esta cometeu, dizendo que ela tinha o coração amargo e quando rica pisou e humilhou todos os seus parentes. Um dia a vida lhe tirou toda sua riqueza e mesmo assim ela continuou com o coração duro, pois desdenhava daqueles que queriam ajudá-la. Após ouvir este breve relato da vida daquela velhinha a boa senhora tem que ouvir o seu coração para ter certeza de que está fazendo a coisa certa, pois se ela ouvir somente a razão poderá chegar a cometer duas ações erradas. A primeira é julgar a velhinha e achar que ela não merece mais nenhuma chance. A segunda é ter pena dela e aceitá-la acreditando que ela não vai fazer mais nada de errado. Essas duas maneiras de pensar estão erradas, pois as duas nos levam à conclusão de que estamos sempre esperando algo de alguém. Na verdade nós devemos esperar tudo e nada das pessoas. Devemos acreditar que um dia aquela pessoa vai evoluir, não importa quando. Que todos temos defeitos é coisa sabida, porém devemos tentar encontrar as qualidades escondidas pelos defeitos. Se a senhora de bom coração aceitar a velhinha agindo somente com seu coração ela vai fazer um bem consciente e esse bem não se importa com os defeitos ou erros, porém não nega sua existência. Já o bem inconsciente é o bem piedoso, que só se importa com o que vê e julga unilateralmente. É aquele bem que não sabe, mas está pronto para se decepcionar, pois costuma investir
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alto e no fundo sempre espera algum tipo de retorno. Na maioria das vezes esse retorno é a certeza de que estava certa e é justamente aí que esse bem se torna mal ou a pessoa erra, pois já começa esperando provar para si e para os outros que estava certo. O verdadeiro bem ou bem consciente não se importa de estar certo ou errado diante dos outros e nem de si mesmo. Ele age como o destino, misterioso, porém sempre presente. Agora, meu menino, eu vou lhe contar a Parábola da Ingratidão. Uma boa dona de casa, muito humilde, trabalhava na lavoura para ajudar seu marido, um homem rude e severo. A mulher, com sua bondade e atenção, sempre prestativa, conseguia negociar toda a produção da sua lavoura e sempre ganhava mais atenção do que o seu marido. Aquilo o deixava indignado, pois não concebia o fato de sua esposa ter mais carisma do que ele. Um dia, com inveja da própria mulher, ele colocou uma serpente venenosa na cama enquanto ela dormia. A serpente picou uma das pernas da mulher e ela não morreu, mas já não podia mais andar ou se locomover como antes. Entretanto a mulher sabia que seu marido não manteria seus clientes por muito tempo e, com pena dele, passou a se arrastar até a lavoura, onde atendia os clientes e esses, comovidos com a sua bravura diante da situação, fizeram uma espécie de aparelho de locomoção adaptado para ela. Era um pedaço de tábua com mais ou menos um metro de comprimento e meio de largura. Embaixo dessa tábua foram encaixadas algumas rodas e encima havia uma espécie de alavanca que ajudava o aparelho a locomover a mulher para onde ela precisasse. O homem, inconformado com o fracasso de seu plano, parecia ficar ainda mais cego de raiva. Começou a ficar cada dia mais agressivo. Gritava com a mulher por qualquer coisa e ainda vivia lembrando a ela que era um fardo a mais para ele carregar. A mulher, entristecida, pensava: “Senhor, pobre do meu marido. Ele trabalha tanto que não tem tempo para ter amigos e agora eu, assim aleijada, lhe sou um peso a mais. Pai, se não for lhe pedir muito limita meus dias a essa primavera tão somente, pois se eu me for deste mundo ele não precisará trabalhar tanto e logo terá o tempo que gasta comigo para, quem sabe, ter alguns amigos e aprender a ser feliz.” Deus ouviu a pureza daquelas palavras, que eram tão verdadeiras, e disse: “Teu karma acabou, minha filha. Logo virás trazer mais luz ao meu jardim.” No final daquela primavera a mulher morreu dormindo como um anjo que havia sido. Todos que a conheciam choraram sua morte menos seu marido que, com o passar de duas semanas, foi completamente esquecido. Ainda revoltado por saber que ninguém o notava ele se lembrava da mulher e a amaldiçoava por ter morrido, pois agora ninguém mais comprava suas frutas, legumes e verduras e, egoísta como ele era, deixava tudo apodrecer, mas não dava nada a ninguém. Para piorar sua situação uma chuva muito forte caiu e devastou sua lavoura. O homem agora estava sem nada, nem mesmo para comer. Vendo a penúria em que ficou o homem um velho cliente e amigo de sua esposa levou para ele leite, farinha e pão. O homem, orgulhoso, olhou aquilo e disse: “Eu não estou tão miserável para aceitar uma miséria maior que a minha”. O velho cliente fingiu não ouvir as ofensas e partiu, deixando sobre a mesa o pão, o leite e a farinha. O homem pegou o leite e quando ia jogá-lo fora uma voz familiar o fez parar. Era a voz de sua esposa, que diante
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dele surgiu, dizendo: “Não faça isso. Essa é uma das últimas oportunidades que Deus te deu para ser você mesmo. Você passou sua vida inteira desejando ter a minha vida e esqueceu de construir a sua. Você me tirou uma perna e sem perceber arrancou as suas, pois enquanto eu trabalhava as pessoas vinham a ti dando-te a oportunidade que a mim davam. Eu aproveitava essas oportunidades e você perdia seu tempo em me condenar, porém todo mal que você fazia a mim era uma semente que você plantava e hoje basta olhar para a lavoura que você então reconhecerá nela o teu próprio coração. Mas um dia essa lavoura foi verde e bela e por sorte ainda pode vir a ser novamente, pois seu solo ainda está vivo. Basta que o alimente com respeito e gratidão e ele te dará o que desejar. Agora aceite esta caridade e alimente o solo do teu corpo com esse leite e pão. Quem sabe eles te alimentem de amor, caridade e gratidão”. Ao terminar essas palavras a mulher desapareceu. O homem, petrificado, sem ação ficou por várias horas, tempo suficiente para as lembranças de sua vida inteira passarem diante de seus olhos. Sentado num banco deixou as lágrimas correrem por muito tempo. O arrependimento torturou a sua consciência. De joelhos no chão ele caiu, muito chorou e rezou até dormir. Mais tarde ele acordou com fome. O pão e o leite lhe foram o melhor de todos os alimentos. Seu coração estava renovado e seu corpo encorajado. Para a lavoura ele caminhou e trabalhou noite e dia e das poucas sementes que haviam sobrado uma nova e grande lavoura ele fez e quando esta estava pronta seus frutos ele colheu e grandes cestas fez e as deu de presente. Aos amigos, clientes de sua esposa, a cada cesta que entregava ele dizia: “Este é um presente que a minha esposa, se viva fosse, lhe daria” e dessa forma o homem cativou alguns clientes. Não tantos quanto a sua esposa, porém para ele era o suficiente, pois a sua consciência lhe dizia que ele agora tinha mais do que merecia. Como você pôde ouvir, meu pequeno Osha, o bem e o mal nessa história trocaram de lugar. Como assim, senhor Rabi? O mal que o homem fez à esposa não ficou nela. Na verdade ela nem mesmo sentiu aquele mal, pois já se encontrava muito além da pequena evolução do marido. Por isso ela tinha pena dele e para protegê-lo dele mesmo ela não se importava em se sacrificar, afinal ela era muito mais forte que ele, não na aparência, mas em virtude e sabedoria. Agindo dessa maneira ela permitiu que Deus fizesse justiça em seu lugar e assim se fez. O mal que o homem fez à mulher trocou de lado e voltou para ele fazendo-o perder tudo para aprender a reconhecer o que realmente tinha. Porém, meu bom menino, este foi apenas um exemplo simples de mal ou bem. Vou-lhe contar agora como isso se realiza na prática. Vou explicar porque Deus disse que nenhum mal é mal consciente e porque nenhum bem é bem sem consciência. Em primeiro lugar vou dar o meu próprio exemplo. Eu, muito antes de conhecer todas essas verdades que hoje lhe conto era um ser ignorante, não por falta de estudo ou educação paternal. Eu não conhecia a verdade que conheço hoje. Por isso cometia meus erros, como grande parte das pessoas faz, sem ter consciência. Eu lutava para impor minha vontade e me julgava certo quase sempre. Meu poder de liderança me fazia um ser grande,
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orgulhoso de cada conquista minha. Eu me julgava sabedor de tudo, pois acreditava que a imposição era a melhor maneira de ter tudo, porém um dia eu encontrei um jovem que passou a me ensinar a verdade do Talmud. Foi aí então que eu descobri o quanto eu era insignificante, quanto mal eu fazia aos outros com a minha arrogância e o quanto fiz mal a mim mesmo. Quanto aos outros o mal que neles apliquei hoje sei que foi uma troca de aprendizado, pois eu os ensinava sem saber que estava ensinando. Quando digo ensinar me refiro ao aprendizado da vida. Para que você me entenda melhor vou explicar como isso funciona. Todo mal que eu fazia àquelas pessoas ajudava elas a pagar suas dívidas com o seu passado, porém para mim aquele mal voltou como sol refletido num espelho. Me cegava pela ignorância e pela incompreensão. Quando aprendi os ensinamentos da Verdade descobri que aquele mal que me feria os olhos havia sido criado por mim mesmo e que no fundo havia sido meu melhor professor, pois jamais alguém teria coragem de ensinar o que ele me ensinou. Em suma, eu mesmo desejei esse aprendizado antes de vir para a Terra. Hoje, meu bom Osha, eu sou um ser consciente da Verdade e por ter esta consciência não desejo fazer mal a nenhum ser vivo, simplesmente porque sei que cada um de nós tem seu próprio mal dentro de si e este não precisa de ajuda para ser acordado. As ações e reações do tempo se encarregam disso. Portanto, meu querido, eu não faço mal simplesmente porque não quero, mas porque sei que não preciso fazê-lo. O simples fato de ter consciência da Verdade me causaria uma enorme dor na consciência se eu lhe contasse hoje uma mentira, pois eu iria passar horas ou até dias me punindo e se eu não fosse me retratar com você a Verdade me puniria de maneira dura e eficaz. Provavelmente me faria perder algo que me fosse muito caro ou me fazendo ver que a mentira que lhe contei lhe causou um dano fatal, que obviamente voltará para mim. É por isso que não existe mal consciente, pois a Verdade faz ele ser abolido da sua vida. O mal único e real só pode existir sem a consciência da Verdade, pois somente na ignorância dela os seres humanos são usados para fazerem outros evoluírem. Algumas pessoas acreditam que outros fazem o mal porque realmente desejam. Isso de fato não é mentira, mas também não é totalmente verdade. Como já disse, todos temos que evoluir e a evolução não se alcança sem dor. Portanto todos temos que fazer o papel de monstro uma vez ou outra na vida. É preciso ser o monstro para aprender o tamanho de seu poder e como controlá-lo. É preciso conhecer a ira para saber seus limites, sua insanidade e seu ponto fraco. É preciso conhecê-la na própria pele para vir a compreendê-la e possivelmente curá-la primeiramente em si e mais tarde curá-la também nos outros. Todas as emoções que o mal causa são passageiras, mas são um grande aprendizado eterno, tal qual o bem. Senhor Rabi, dizem que há tempos atrás andou pela Terra um homem chamado Jesus e que este homem era muito bom, mas tanta bondade atraía o mal de algumas pessoas. Dizem também que ele era como Deus andando na Terra. Isso é verdade? Meu menino, tantas foram as histórias sobre o Filho da Lei que muitas mentiras se criaram, porém a verdade sobre Jesus já estava escrita milhares de anos antes dele nascer. O Talmud a preservou escondida da grande
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maioria, pois essa jamais compreenderia a missão desse ser grandioso que desceu à Terra. A humanidade jamais acreditaria que Deus viria à Terra de maneira tão simples e Ele mesmo pediu que essa Verdade fosse preservada para o bem de seus próprios filhos que ainda não estavam prontos para tão grande revelação, porém Deus permitiu que muitos profetas anunciassem a chegada de um messias e dois mil anos antes da chegada do Cristo à Terra muitos profetas já a anunciavam para manter a chama da esperança acesa no peito das pessoas. Senhor Rabi, o que Jesus Cristo tinha de tão especial e como ele ganhou o direito de falar que era Deus? Esta é uma história muito longa, meu pequeno Osha, e também cheia de mistérios, que se mantiveram secretos após a sua morte, porém havia muitos seres que sabiam estes segredos e que tinham que revelá-los por parábolas ou contos, pois essa era a única maneira de ensinar a Verdade à humanidade sem chocá-la. Mas agora, meu pequeno aprendiz, vou lhe contar a vida de Cristo e o motivo dEle ser tão especial. Acaso você se lembra da história que lhe contei sobre o nascimento de Deus, de como Ele se criou e como criou os Amorazins? Sim, Rabi, eu me lembro. No primeiro ato de Deus Ele criou todos os Amorazins, inclusive Jesus Cristo, que foi o primeiro a nascer. Mas o senhor disse que todos nasceram juntos!?! E nasceram, porém preste bem atenção no que vou lhe explicar. Ao dar seu primeiro grito Deus soltou primeiro um sopro, seguido por um som que para nós humanos durou segundos e, de acordo com esses segundos uma seqüência de vidas gerava-se e a primeira vida foi a de Jesus Cristo. Entretanto não só isso o tornava especial. Todos aqueles seres eram as emoções de Deus e Jesus Cristo e outros grandes Amorazins tiveram um papel muito importante no aprendizado do Divino. Deus provou de todas as emoções que se possa imaginar e, é claro, não podemos esquecer da maior de todas as emoções, a dor da perda, a dor da morte. Esta foi a emoção mais dura para Deus. O primeiro ser que Deus matou foi também o primeiro que saiu de dentro dEle: Jesus Cristo. Depois de Jesus Cristo Ele matou vários outros Amorazins e toda vez que Ele fazia isso, sentia um pedaço de si desaparecer, porém que outra maneira Deus teria de sentir saudades e como Ele aprenderia o que era morte ou vida se não as criasse? Foi também ao descobrir a morte que Deus descobriu os valores de manter a vida, afinal os Amorazins eram seu instrumento de aprendizado e Ele não podia destruí-los justamente para não destruir o que havia aprendido. Até a morte de alguns o havia ensinado. Por isso Ele desejou absorvê-los para dentro de si. Essa foi uma maneira de compreendê-los e compreender a si mesmo, mas também era uma maneira de protegê-los da morte, uma das emoções mais dolorosas para Deus. A partir daí você já sabe. Deus meditou e recriou seus filhos, porém criou um número muito superior aos seus primogênitos. Senhor Rabi, eu não compreendi direito a história de Deus ter nascido do vazio. Não consigo entender como isso é possível. Osha, meu menino, existem 3 trindades divinas. As três fazem parte do processo de evolução de Deus e justamente a primeira trindade é o
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nascimento de Deus como corpo físico. A segunda é a alma de Deus e a terceira é o espírito. Não vou lhe explicar tudo agora, mas tenha a certeza de que vou lhe explicar essa 3 trindades. No momento lhe basta saber que Deus nasceu de uma energia imensa que nada sabia ou criava. Essa energia já era o espírito de Deus, mas ao mesmo tempo era o nada, pois de nada tinha consciência e por isso era chamado de vazio. Logo lhe explicarei isso com muita tranqüilidade e você poderá compreender tudo. Agora vamos voltar à história de Cristo. Este, por ter sido a dor mais profunda do Pai, foi escolhido para representá-lo na íntegra aqui na Terra. Assim também aconteceu com os outros Amorazins, que passaram semelhante processo de evolução servindo de emoção da morte ou da perda para o Pai. Aqui na Terra os Amorazins que sabiam da vinda de Cristo o tinham como um Tenaim, que quer dizer Mestre dos Amorazins, Primeiro dos Primogênitos ou até mesmo Rei dos Primogênitos. Isso para os grupos de judeus amorazins essênios. A palavra “amorazim” (ou amoraim) é conhecida dos judeus, porém nem todos os judeus admitem Jesus Cristo como um Messias ou como o Filho da Lei, mas alguns grupos de judeus conhecidos como essênios estudaram a fundo o verdadeiro Evangelho de Cristo e o preservaram e preservam até hoje muito bem guardado para que no futuro essa verdade não seja destruída, mas reabilitada, pois na nossa época o sagrado Evangelho de Cristo já foi muitas vezes adulterado. Isso quer dizer que ele não agrada aos nossos governantes, que vêem nessa preciosa verdade uma ameaça aos seus planos. Porém não duvide, meu bom menino, que quando se passarem dois mil anos da morte de Cristo esta verdade vai estar quase extinta da Terra. Se hoje, 450 anos após sua morte, essa verdade já é deturpada e proibida, imagine no futuro como ela estará, mas não perco as esperanças, pois na Terra sempre terá um Amorazim pronto a resgatar essa verdade e dessa maneira ela nunca irá se extinguir por completo e sempre voltará aos olhos e ouvidos dos homens para que esses sejam livres. Vamos agora explicar porque trouxe o bem e o mal consigo e porque a maldade não pode ser vista com olhos maus. - Vou lhe dar agora, meu menino, os mesmos ensinamentos que o Cristo deixou na Terra. Muitos foram os ensinamentos de Jesus Cristo, porém o maior de todos também foi o que mais incomodou a todos. Um dia Jesus estava a ensinar seus discípulos sobre a questão do bem e do mal quando um dos discípulos perguntou: - Senhor, tu és plena luz. Como podes conhecer tão bem o mal. E Cristo respondeu: - Acaso acreditas que não faço mal algum, meu irmão? Se credes nisso és realmente muito ingênuo. O simples fato de trazer a Verdade comigo por onde quer que eu vá já é um grande mal. - Senhor, eu agora não vos conheço. Por que estais a dizer tais coisas? - Meu amado irmão, o mal não consiste apenas na intenção de fazê-lo. Quando eu vim à Terra eu já sabia que andaria pelas minhas costas o mal da ignorância e da incompreensão da Verdade, pois a Verdade revelada seria como expor um crime e o criminoso à multidão. Essa Verdade, ao ser dita, revela todas as mentiras que enganam a multidão. Revela os segredos secretos que jamais precisaram ser secretos.
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Mas senhor, isso tudo por acaso não é um bem? Será um bem no futuro, pois no presente e no futuro próximo será o maior de todos os males, pois muito sangue e dor há de correr por causa desta Verdade. Porém a verdade que te condena também te redime. Minha missão aqui na Terra é derrubar muitas muralhas que muitos julgam intransponíveis e para isso não posso ter piedade daqueles que as construíram, pois muitos deles conhecem a Verdade e não a dividem com mais ninguém. Além disso cometem o maior de seus crimes, acreditando-se donos supremos dessa Verdade. Mas que verdade tão perigosa é essa, senhor? O mais simples de todas, meus irmãos, aquela que venho ensinar a vocês no dia-a-dia, porém vocês não perceberam o quanto ela é perigosa. Agora vou lhes descortinar essa Verdade para que possam ver. A Verdade que vou lhes revelar quando falo sobre o nosso Pai é uma verdade ainda incompreendida, pois Deus não faz mistérios, mas os homens os criam para serem deuses na Terra. Senhor Jesus, se é verdade que és o Filho de Deus e sabes todas as coisas por que também não nos faz saber? Deus, meus irmãos, nos criou livres para desejarmos a hora de aprender e ninguém pode passar por cima da liberdade do outro, porém é esta palavra, liberdade, que muita coisa explica sobre a Verdade. Minha missão foi a de descer à Terra e libertar os meus irmãos, mas não como Moisés fez. Moisés os libertou da escravidão de um faraó e em nome de um Deus único os conduziu a uma nova morada. Agora eu vim para libertar o povo de sua própria escravidão, seus medos e sua ignorância. Vim tirar o véu de seus olhos, porém talvez isso lhes custe mais caro e assim é muito provável que eles prefiram a cegueira e a ignorância. Eu vou lhes contar uma parábola onde poderão compreender um pouco dessa dificuldade. Um soldado muito fiel a seu imperador executava todas as suas ordens. Se tinha que matar matava, se tinha que ir para a batalha ele ia. Se alguém cometia um crime de extrema crueldade era dado a ele o mesmo castigo. O imperador chamava o soldado e o incumbia de aplicar ao criminoso o mesmo mal que esse havia aplicado à sua vítima e o soldado assim o fazia. Esse soldado tinha muitos amigos que em nenhum momento o condenavam ou criticavam sua função. Os seres que não conheciam o soldado perguntavam a seus companheiros como eles tinham coragem de viver com um ser como aquele, tão cruel e severo quanto os criminosos que ele matava ou castigava. Os companheiros respondiam: Ele não é a pessoa que vocês pensam ver. A ele posso confiar a minha vida e sei que estarei bem protegido. Mas isso não convencia as pessoas de que o soldado era um ser bom e justo. Mas Jesus, essa não é justiça que o senhor nos ensina. Se esperares eu terminar todos compreenderão o que estou a contar. Muitos anos se passaram e aquelas leis não mudavam. Era sempre a mesma coisa. Se um ladrão roubava alguém ele tinha que reparar seu erro devolvendo o produto do seu furto ou trabalhava até pagar por ele. Um dia uma pequena multidão foi até o imperador reclamar do soldado. O imperador recebeu as
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pessoas e as ouviu. Depois que falaram tudo que queriam ele pediu silêncio a todos e resolveu falar. Em primeiro lugar vou lembrá-los que o meu soldado não faz mal algum a ninguém. Tudo que ele faz é ensinar aos malfeitores que eles precisam pagar por seus erros. Em segundo lugar se vocês estão olhando apenas para o comportamento do meu soldado é porque não estão se importando com os malfeitores, tampouco com suas próprias vidas, que na verdade ele está defendendo. Assim estão com suas mentes voltadas apenas para o mal, o que pode vir a torná-los um dos próximos malfeitores. Em terceiro lugar o meu soldado jamais os tratou mal e jamais os trataria, pois sua função é punir apenas os culpados e não os inocentes. Se vocês se abalaram até aqui para julgá-lo é porque estão com medo de serem os próximos culpados, porém eu vos peço: vão para vossas casas, cuidem melhor de vossas vidas sem medo de serem atacados pela ‘espada da justiça’, pois esta só fere onde existe uma injustiça e nunca se esqueçam que toda ação maldosa requer uma ação justa. Cuidem melhor de suas ações e jamais sofrerão uma reação injusta. Meio sem jeito e envergonhado o povo voltou para casa a pensar nas palavras do imperador. Naquele instante o soldado foi até o imperador para se despedir, pois sua missão ali já havia acabado. O imperador abraçou o bom amigo e com lágrimas nos olhos se despediu dizendo: “Adeus, meu anjo da justiça”. O soldado abriu suas longas asas e partiu. Aquele maravilhoso ser não era um soldado, mas um anjo que descera à Terra para aplicar a Lei da Ação e Reação e como todo ser humano tem dois lados dentro de si não podiam enxergá-lo como um bem, porém não podiam condená-lo como um ser apenas mau. Por isso optaram por procurar o imperador, que lhes mostrou o outro lado do soldado, que eles não conheciam, ou melhor, não desejavam conhecer. Minha missão aqui na Terra não é muito diferente da desse soldado, pois somente aqueles que me conhecerem e me compreenderem saberão quem de fato eu sou. O restante se ocupa em me julgar. Antes mesmo de ver a cor da minha veste eles dirão que ela é como a de um rei ou de um ladrão; antes de ver a poeira de minhas sandálias eles dirão ser de ouro ou simplesmente que não as tenho. De mim eles nada sabem senão pela boca de muitas bocas. Então como podem julgar um ser imaginado. Um ser pintado ou desenhado não passa de uma obra que um artista criou, e infelizmente é isso que eu sou para aqueles que me julgam sem jamais ter me ouvido. Eu cometerei muitos crimes nas mentes insanas dos meus juízes terrenos, pois seus olhos só enxergam o que eles desejam ver. O soldado que aplicava a Lei da Ação e Reação era tão somente o destino que se encarrega de fazer a colheita daquilo que plantamos. Na vida, meus irmãos, não importa onde tu lances as sementes. Se elas brotarem tu irás colhê-las onde quer que estejas. Nem mesmo a morte é capaz de te livrar de colher os frutos de tuas ações. Na verdade a morte é a porta que te obriga a fazer esta colheita, pois ela te dá o privilégio de renascer diante da tua horta. Jesus, explica-nos melhor essa história de renascer.

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Meus queridos, olhem para a natureza. Observem tudo que nela existe. Agora observem o quanto ela se parece com vocês. Tudo que está ao redor de vocês um dia se acaba, seja pela mão do homem, seja pela mão do tempo. Igual a vossas vidas, que também são destruídas, seja pela mão do homem ou pela mão do tempo e o destino, porém a natureza e o homem perdem a semelhança justamente na morte. A natureza nada tem a dever a Deus ou ao homem. Já o homem muito deve a Deus, aos seus irmãos, à natureza e a si próprio. A natureza gentilmente renasce para que o homem possa usufruir de seus benefícios, pois ela é instrumento de primeira necessidade para a vida dos homens. O homem renasce mascarado, usando uma nova aparência, porém sua alma e seu espírito não precisam de máscaras. O homem, já com uma nova carne, não reconhecerá seus inimigos, suas vítimas ou seus réus, pois todos estão mascarados, porém suas almas guardam a visão da verdade dentro de si e os conduzem ao reencontro onde deixam os corpos mascarados acertarem seus assuntos pendentes. As almas revelam que se conhecem pelo instinto e pela intuição. Dessa maneira o réu e a vítima voltam a se encontrar para um possível entendimento ou um ajuste de contas algumas vezes um tanto drástico. A morte, meus queridos irmãos, é só o começo da imortalidade, pois só morre de fato aquele que não tem alma ou espírito. Jesus, existe alguém que não tenha alma ou espírito? Sim, meus queridos, existem vários, porém esses muitas vezes são ignorados e passam suas vidas quase desapercebidos. Quando muito eles têm a ensinar a quem se propuser a aprender. Esses são parte da Grande Mãe Natureza. Vejam as árvores. Como tu elas nascem, crescem e morrem, porém essas árvores não voltarão a nascer. O que delas terá vida são suas sementes. Como a árvore tu também geras sementes, porém as sementes da árvore não levantam as mãos umas contra as outras nem destroem aquelas que ao seu redor habitam. As sementes do homem levantam as mãos umas contra as outras e destroem aquilo que habita ao seu redor. As árvores não criam assuntos pendentes para outras vidas como os homens. Por isso não precisam renascer, mas em toda sua mortalidade têm muito a ensinar ao homem, com toda sua imortalidade. Um carvalho vive mil anos e ensina tanto a 500 homens quanto a mil. Um homem que nasce e renasce no período de mil anos pode ensinar tanto a 10 homens como a 20. Sei que essa comparação parece aos homens uma humilhante incompreensão, mas vou lhes explicar porque um carvalho pode ensinar tanto. O menino pequeno pega para brincar as bolotas de carvalho e em sua inocência um dia ele as vê diferentes, como que estouradas. Elas estão a germinar e o menino, em sua curiosidade, resolve plantar aquela pequena semente, que junto com o menino vai crescendo. Muito tempo se passa. O menino se torna pai, mais tarde avô e embaixo do velho amigo conta como o plantou e como o viu crescer. O menino virou um homem adulto, idoso e morreu, mas seu amigo continua ali acolhendo seus netos e bisnetos, que vão tentando buscar no tempo as histórias do frondoso carvalho. Essas histórias ultrapassam várias gerações e assim o velho carvalho vai mostrando a todos que de um pequeno ato uma grande e linda lenda se fez. Digo lenda porque após centenas de anos ninguém têm mais
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tanta certeza de como aquele carvalho brotou e muitos vão criando suas próprias lendas encima do original. Além de ensinar os seres a preservar o amor o carvalho retribui com suas propriedades curativas fazendo o papel de médico das dores da carne. Em outra ocasião vira o médico das lágrimas, pois acolhe em seu silêncio a tristeza de quem busca sua companhia para desabafar sozinho. No sol forte protege com sua sombra acolhedora e em sua solitude mostra o quanto é fácil doar sem receber. Nessa história, como em outras, o carvalho não tem necessidade do homem, mas o homem tem necessidade dele, só que na maioria das vezes só descobre isso quando precisa. O homem nasce e renasce na maioria das vezes para resolver seus assuntos pendentes e isso o coloca diante daqueles que devem ser reencontrados. Dependendo do assunto pendente o homem não tem muitas oportunidades de encontrar outras pessoas justamente para que não se desvie daquele assunto e termine assim arrumando outro sem resolver totalmente o que se encontra em seu momento presente. Por essa simples razão o carvalho, que não tem assuntos pendentes a resolver, sai à frente do homem na comparação que fiz. Jesus, tu és o Filho de Deus, que tão grande e bondoso Pai é para todos nós. Por que Ele permite que venhas a essa Terra para sofrer tamanha injustiça? Eu agora vos digo, meus irmãos. Eu aqui não sou apenas eu. Eu sou o Pai e o Pai sou eu. Por isso meu dever é revelar a Verdade e assim o farei. Senhor, perdoe-me a ignorância, mas não seria uma blasfêmia dizer que és Deus. Sabedoria eu sei que tu tens, mas os sábios dos tabernáculos também a tem. Olho para ti, senhor, e não vejo trajes de um rei como Deus é e teus poderes também são semelhantes aos de alguns sábios. Nós acreditamos no Deus de Davi e Moisés, um Deus forte que se fazia ouvir no rugir de um trovão. Como tu, senhor, vais te fazer crer ser Deus se não te assemelhas a Ele? Tens um conceito muito errado de meu Pai. Tu, como a maioria, acreditas que Deus tem a imagem que tu pintaste para identificá-lo. Na verdade tu não sabes nem o que é Deus. Como posso exigir que saibas o que eu sou? Para que tu conheças a Deus eu vou te apresentar a Ele e se estiveres pronto para conhecê-Lo descobrirás um Deus que jamais imaginaste. Em primeiro lugar Deus é o Rei dos Reis, Criador de todas as criaturas, Senhor Absoluto do Tudo. Nada existirá sem ele, porém Ele pode existir sem o nada e o tudo. Sua sabedoria não pode ser medida, não tem fim, simplesmente é infinita. Seus poderes em nada se assemelham ao que tu conheces. Sua aparência tua mente jamais alcançaria, pois Ele é o Senhor de Todas as Faces. Nem vestes, nem trono ou reino Ele precisa se dono de tudo é. Para que reino ou trono quando tanto há para fazer? Limita-te a vestes e a um trono e serás rei tão somente de ti mesmo quando vires tua imagem refletida num espelho. Tu acreditas que ser rei é dominar a vontade dos outros, porém aquele que domina a vontade dos outros não domina nem a própria, tampouco a dos outros, pois aquele que domina teme ser dominado. Deus liberta, pois não deseja dominar. Sabedor de que jamais será dominado deu ao homem o direito de ser libertado e é para isso que eu vim. Eu não estou aqui para libertar o povo de seus imperadores

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ou reis. Estou aqui para libertar o povo de seus próprios preconceitos, medos, isto é, da sua própria ignorância. Eu vim à Terra para descortinar o véu da Verdade que separa o homem de Deus e essa Verdade é o grande inimigo daqueles que a conhecem, mas não a admitem. - Quando eu digo que meu Pai e eu somos um só não profano o santo nome de meu Pai, pois estou a dizer a Verdade de que muitos já são sabedores, mas eles preferem preservar esse conhecimento do grande povo por julgar ser ainda muito cedo para o povo compreender a sabedoria. Há, porém, um segundo motivo para não a revelarem. Essa Verdade acabaria por tirar o poder das mãos dos homens poderosos. - Jesus, essa Verdade pode destruir o poder dos sacerdotes que realizam milagres com seus conhecimentos? - Eu vos digo que qualquer homem conhecedor e entendedor dessa Verdade pode realizar milagres verdadeiramente surpreendentes aos olhos dos homens comuns, mas há um porém. Essa Verdade não pode ser profana, ou seja, utilizada sem que de fato seja necessária. Assim sendo não pode ser utilizada sem consciência, pois eis aí a regra que ela dá ao seu portador. - Então conta-nos, Jesus, que Verdade tão preciosa é essa. - Meus queridos, eu já estou a falar dela, muito embora vocês ainda não o tenham percebido. Muito antes de mim vários profetas vieram à Terra para ajudar a humanidade a compreender essa Verdade, mas muitos foram mortos muito antes de explicarem o princípio dessa Verdade. - Para que vocês me compreendam melhor vou tentar explicá-la em traços geométricos, pois assim ficará mais fácil entendê-la. Quando você olham para uma cruz o que vêem? - O castigo – disse um. Outro, um tanto mais sábio, respondeu: - A cruz não é apenas usada para castigar. Ela também simboliza os cantos de orientação da Terra: norte, sul, leste e oeste. Cristo olhou para ele e disse: Estais certo, porém teu irmão também está. A verdade desses dois pedaços de madeira é muito maior do que esses dois significados. Falando isso Cristo desenhou no chão a Árvore da Vida (cabalística) e disse: Eis aqui todos os segredos do universo. O homem que souber decifrá-los conhecerá a Verdade desde o princípio até os dias futuros.

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Alguns discípulos já haviam visto aquele desenho, porém nada sabiam sobre ele e falaram: - Jesus, esse símbolo é de um ensinamento destinado tão somente a sábios? - Muitos de nosso povo ignoram a existência desses ensinamentos, pois só os grandes sacerdotes são dignos deles. - Estás enganado, meu querido irmão. Esse ensinamento não foi criado apenas para privilegiados, mas para aqueles que de boa vontade e bom coração o desejem saber, mas é certo o que vou-lhes dizer. Nem todos estão prontos para essa Verdade, pois ela trás alento aos que a compreendem e desalento aos que não a entendem. O símbolo geométrico da cruz simboliza os quatro pontos cardeais da Terra que, se colocados dentro de um círculo

simbolizam a própria Terra e tudo que a compõe. Exemplo: o círculo

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é a Terra vazia, como o número zero. Significa a época em que a Terra ainda não tinha vida nem habitantes. O círculo com a cruz dentro dela mostra a Terra preenchida em sua totalidade. Mesmo que isso pareça um absurdo vou exemplificar para vocês como é. A cruz dentro do círculo representa os quatro elementos básicos para dar vida à Terra e ao homem: o ar, a água, a terra e o fogo. Assim esses quatro elementos básicos criaram outros quatro elementos básicos (fogo, terra, água e ar), compuseram a natureza por inteiro, as matas enraizadas no chão, os pássaros que voam pelo ar, os peixes que nadam nas águas, o fogo que aquece e faz germinar as sementes, animais e homens que andam pelo chão. Quatro também são os tempos que cuidam do homem e da natureza. O outono é o tempo da terra frutificada. O inverno é o tempo do ar adormecer a terra, o frio que retira o velho para abrir caminho para o novo. A primavera é o tempo de desabrochar das novas sementes e das primeiras águas trazendo o renascimento. O verão é o fogo que dá a força para o crescimento e assim por diante. Se soltarem a imaginação irão perceber que muito mais coisas existem por trás de um simples símbolo, mas agora observem aquilo que compõe a cruz. São dois traços. Um que representa uma linha na horizontal e outra na vertical. A linha horizontal significa aquilo que está no alto, suspenso no ar e no tempo. Simboliza a vontade de Deus, que existe e se sustenta por si só e a tudo pode sustentar. A linha vertical simboliza a vontade do homem, que se finca na terra, porém para continuar firme se apóia na vontade de Deus, mesmo que não saiba. - Dentre tantos significados para a cruz haverá mais um que muito bem e muito mal trará à Terra. Esse significado há muito já é sabido por muitos sacerdotes, porém poucos ousaram divulgá-lo. Agora eu o direi a vocês. Olhem bem para o símbolo da Árvore da Vida e observem a cruz que encontram no seu centro. Vocês encontraram ao alto da árvore a coroa que significa o próprio Deus, sua sabedoria. A cruz abaixo significa o próprio Deus que, sem deixar os céus desce à Terra para se fazer entender e morrer nela, pois esta é a única maneira de eternizar o que sempre foi e sempre será eterno. - Mas Jesus, tu estás a dizer que Deus, o Pai todo Poderoso descerá à Terra e morrerá numa cruz? - Sim, eu estou afirmando isso e não vejo o porquê de tão grande espanto. - Isto é uma blasfêmia ao santo nome de Deus e jamais poderia ser possível! - Cala-te e ouve o que o mestre diz – retrucou um apóstolo a outro. - Meus queridos irmãos, Deus tudo pode em seu imenso poder e sabedoria. Por que a Ele seria impossível descer à Terra sem deixar os céus? - Porque a Ele seria impossível morrer na cruz quando já possui a eternidade infinita. - O que vocês não conseguem compreender nisso tudo? Será que é o fato de não saberem quem é Deus, ou será o fato de não conceberem Ele na Terra e
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nos céus ao mesmo tempo? Sei que tudo isso parece muito confuso a vocês, mas na hora certa vocês vão reconhecer Deus. - Jesus, tu estais novamente dando a entender que és Deus, mas como podemos crer que és Ele? - Deus não precisa de teu credo ou fé. Para existir Ele simplesmente existe, muito antes de teus sonhos ou realidades. Deus não precisa de tua permissão para realizar sua obra. Ele simplesmente a faz e tu nem percebes porquê. Por que eu preciso provar a ti que sou o Filho de Deus? Acaso eu vivo te pedindo provas ou de alguma forma tu já me vistes pedir a outros? Não! Com certeza tu jamais me viste pedir provas a quem quer que seja, pois só pede provas aquele que não conhece a segurança que o habita. O fraco precisa sempre de uma prova para poder prosseguir seu caminho. Assim são também os fracos de fé, que precisam sempre de um milagre para alimentar-se. Eis o que vocês são, fracos a pedir-me que prove o que de fato vocês são, porém um ser que se deixa intimidar por outro se torna tão fraco quanto esse. No momento não vejo motivo algum para provar a vocês quem sou, afinal se teus ouvidos não podem me ouvir com certeza teus olhos não podem me enxergar. - Por que achas que não podemos ouvi-lo nem enxergá-lo, senhor? - Meus amados, vossos ouvidos não estão no tempo de compreender o que estou a lhes dizer. Obviamente vossos olhos não irão enxergar as rosas se vossos ouvidos só compreendem espinhos. O que quero dizer com isso? Muito simples. Tudo na vida tem seu tempo e o tempo de vocês, como de todos, há de chegar. Eu não tenho que provar que sou o Messias. São vocês que terão que me reconhecer e muitas vezes eu mesmo vou tornar isto muito difícil. - Mas senhor, assim nos estais a confundir. Por que vós tornaríeis difícil para nós reconhecê-lo? - Porque minha missão na Terra não é ser compreendido, mas dar compreensão à humanidade e aquele que compreende nem sempre é compreendido. Nesse instante um garoto de 14 anos aproximou-se de Cristo e disse: - Eu o compreendo, senhor. Cristo olhou para ele e perguntou: - Por que acreditas me compreender? - Senhor, Deus compreende a todos os seus filhos, mas ninguém jamais respondeu seus enigmas. Tuas palavras me fizeram crer que de fato és o Messias, aquele que, escolhido pelo Pai, O representaria como sangue vivo entre os homens, aquele que abnegaria ser compreendido para compreender. Cristo abraçou o garoto com lágrimas nos olhos, ato que a todos ali comoveu. Disse Jesus: És um cego vidente. Que Deus te preserve assim, meu jovem e inocente irmão. Por que o senhor o chamou de cego se ele pode ver? Porque a visão dele não é baseada nos olhos, mas sim no coração. Por isso o chamei de cego vidente, pois o verdadeiro vidente é aquele que abandona a visão mundana para orientar-se apenas pela visão do sentimento ou do coração. És tão sábio, senhor. Por que não permites a todos conhecê-la?
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A sabedoria não é negada a ninguém, meus irmãos, ao contrário do que pensam. A sabedoria em todos já habita. Minha missão aqui é apenas lembrálos que já a conhecem fazendo-os lembrar dela. O senhor está querendo dizer que tudo que vós sois em conhecimento nós também somos? Sim, porém, como já lhes disse todo conhecimento tem seu tempo e o tempo é o senhor da compreensão, pois só ele pode torná-los no futuro o que eu sou hoje. Estais a nos dizer que um dia seremos um messias? – pergunta assustado um apóstolo. Estou a lhes dizer que desde sempre sois um filho de Deus tal qual eu sou, porém tu és uma forma e eu sou outra. Eu tenho a compreensão da sabedoria, tu ainda buscas a sabedoria para encontrar a compreensão, porém para o nosso Pai e seu infinito coração somos todos irmãos e jamais deixaremos de sê-lo. Agora se no futuro tu serás um messias já não é um assunto que me cabe, afinal essa é uma escolha livre, cabível somente àquele que a faz. Estás nos dizendo que podemos escolher ser um messias? Tente me entender. Tu jamais serás eu assim como eu jamais serei tu, mas se tu alcançares a sabedoria e a verdade poderás fazer o que faço, se assim for a tua vontade e a do Pai. Com isso tu nos afirmas que podemos representar o Pai como tu estás hoje a fazer? Exatamente, meus queridos irmãos. Senhor, o que precisamos aprender para sermos semelhantes a ti? A primeira coisa que precisam aprender é o que são realmente o bem e o mal, pois só conhecendo esses dois professores na íntegra estarão de fato acima deles, poderão julgar sem julgar, poderão compreender sem a necessidade de serem compreendidos, poderão amar sem serem necessariamente amados e assim por diante. Senhor, então nos ensine como chegar a compreender o que é bem e mal. Meus queridos irmãos, essa é a coisa mais simples, porém muitas vezes se torna a mais difícil. Isso depende apenas do coração de cada um. Diante de vocês eu sou o mais claro exemplo do bem e do mal e não estou a enganarvos quando digo isso. Mesmo que vocês não compreendam eu explicarei onde está minha maldade e minha bondade. Iniciarei por minha maldade. Na Terra vocês estão acostumados a ver nos templos sacrifícios para falar com meu Pai, porém eu lhes digo que meu Pai não precisa da vida de um ser inocente para salvar a sua. Ele não se agrada dos sacrifícios nem de seus templos luxuosos, pois de nada disso Ele precisa. Vejo aqui na Terra que os homens acreditam num Pai soberbo e injusto que se senta em um trono de ouro para beber a vida que Lhe é oferecida. Que tipo de pai vocês acreditam ser Ele? Um pai que só vive nos templos de sacerdotes escolhidos, um pai que exige de seus filhos o sacrifício de animais? Este com certeza não é o meu Pai, pois o Pai que conheço e amo não se agrada de sacrifícios, tampouco pede isso em troca daquilo que oferece ao homem, porém o homem está acostumado a fazer trocas com Deus e até mesmo acredita nisto. O Pai que conheço não faz pactos ou negociatas com ninguém. Ele não habita
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templos luxuosos que foram construídos com os recursos daqueles que hoje passam fome. O meu Pai não habita nenhum templo que rejeite ou proíba a entrada de um filho seu. Meu Pai é senhor absoluto do maior de todos os templos, templo esse que o homem jamais há de construir, jamais há de tocar ou ver, porém todo homem carrega esse templo para todo lugar onde quer que vá. Esse templo é tão somente o coração que habita o peito de cada ser vivo. Eis o templo sagrado de Deus, que não pode ser profanado com altares manchados de sangue, tampouco deve ser ornado com ouro ou prata, pois já possui a maior de todas as riquezas, que somente pode ser revelada ao homem quando ele criar a consciência de que a possui. Quando isso acontecer o homem descobrirá o maior de todos os poderes, poder que jamais sonhou possuir, poder ainda muito distante da compreensão do homem. Esse é o templo de Deus: o coração do homem. Eu vim à Terra para banir a falsa credulidade, para mostrar aos tolos os seus falsos deuses e seus falsos poderes. Eu vim para mostrar ao homem quem de fato meu Pai é e quem de fato é o deus em que vocês crêem. Muitas terras estremecerão diante desta verdade. Muitos povos a compreenderão, mas o temor será maior que a compreensão. Eu vim para dizer a vocês que todos são livres e que nada devem a Deus, porém a dívida de cada pecado deve ser paga ao seu devedor. Se roubas um alfinete do teu irmão deves ressarci-lo devolvendo a ele um alfinete. Se tirares a vida do teu irmão tua vida será tirada por um outro irmão e se assim não for tua vida terá grande dor até que essa chegue a pagar a dor que causaste no outro. Eu vim para lhes dizer que não existe mal ou bem fora de ti, pois o bem e o mal são conclusões da pouca sabedoria do homem, que mesmo com tão pouca sabedoria julga tudo saber. Todo mal se resume nas ações dos homens contra si mesmos e contra a natureza. O mal que o homem acredita ser mal nada mais é que um grande espelho mostrando aos devedores suas dívidas. Mesmo que eles não tenham consciência dela a justiça divina sempre a terá. Mesmo quando julgado inocente o homem jamais o será, pois sua alma armazena os delitos que cometeu e oportunamente os corrige quando reencarna. Portanto o mal na maioria das vezes se converte em benefício, pois nos capacita o alerta da consciência. Agora vou dar um curto exemplo de como isso acontece. Imaginem que um homem viveu uma vida onde tivera que cometer muitos crimes. Em outra vida reencarna e passa a pagar por esses crimes sofrendo todo tipo de humilhação e tortura até morrer. Renasce novamente e se vê diante de situações onde relembra inconscientemente que de alguma forma muito mal já fez e muito mal já sofreu. Ele passa a prestar mais atenção nesses pequenos alertas que sua mente lhe dá e percebe que já viveu muitas daquelas emoções ou de alguma forma sabe como elas são. Assim o homem opina por defender e proteger, acusar ou julgar. Sua consciência ainda não é total, mas aos poucos vai se expandindo até mostrar ao homem tudo que ele já foi e ainda o é. Para ver isso o homem só precisa olhar para os lados e verá um espelho refletindo sua imagem a cada ação e reação de um irmão seu. Dessa maneira eu vos afirmo que vós sois o único culpado pelos vossos erros ou vossos
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pecados, porém lembrem-se: um homem não pode julgar o que é certo ou errado antes de ter a total consciência e compreensão da mesma. Senhor Jesus, tu falas assim com tanta certeza e firmeza de palavras. Por ventura sabes então o certo e o errado? Saber o certo e o errado não basta. É necessário conscientizar-se deles na prática, aplicando tal consciência no dia-a-dia da vida. #######

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Senhor Rabi, me desculpe interrompê-lo, mas onde está o Jesus Cristo mau nessa história ou onde está a maldade que as pessoas dizem que ele fez? Meu menino, Cristo não fez mal algum a ninguém. A pouca evolução das pessoas é que fazia eles verem maldade na grande sabedoria do mestre. Cristo foi visto como mau porque era tido como um espelho da verdade reveladora. Todos que a Ele iam pedir justiça Ele pedia que primeiro reparassem nas suas injustiças e somente assim teriam a justiça que tanto desejavam. Cristo não os julgava, mas pedia a eles que julgassem a si mesmos primeiro antes de julgarem os outros. Cristo não destruiu os falsos dogmas nem seus rituais, mas provou a todos que conhecia a Verdade. Não se ajoelhou diante de imagens nem idolatrou deuses da Terra, mas se ajoelhou diante do vazio e lá apontou seu único Deus e Pai, Senhor de Todas as Coisa, Habitante do Tudo. Essas pequenas diferenças faziam de Cristo um herético e antiético, palavras essas que resumiam o que os grandes líderes sentiam por Cristo, mas que na verdade revelava o tamanho da ignorância desses homens. O mal que Cristo fazia era revelar a Verdade de maneira muito simples, porém eficaz. Isso era um verdadeiro desacato para os ditos sacerdotes ou sábios de sua época, afinal muitos desses homens também sabiam a Verdade, mas preferiam beber deste néctar sozinhos. Dessa maneira mantinham suas vidas a salvo, pois a Verdade os condenava mais que redimia. Esses homens eram e são como senhores de um grande oásis, que não desfrutam de suas águas e nem deixam outros desfrutarem. Quando Cristo revelou ao mundo a Verdade eles se sentiram como que furtados de seus direitos de herdeiros da Verdade e ao invés de aceitar e compreender eles passaram a ter Cristo como inimigo. Quanto mais difícil parecia ser a situação, mais fácil Cristo a tornava. Cristo ensinou ao povo como eles deveriam se alimentar e o que de fato podiam comer e o motivo de tais coisas, porém o ensinamento dos 22 Caminhos da Evolução Cristo só resumiu para o povo. O ensinamento na íntegra Ele só deu a poucos escolhidos, assim como esclareceu a eles as 3 trindades de Deus e as 9 hierarquias angélicas. Que confusão, Rabi. Agora não entendi mais nada. Que ensinamentos são esses de que o senhor está falando? São a verdade, meu bom menino. A verdade sobre a Terra e o Universo e essa verdade tem várias etapas. Para que você a compreenda devo voltar de onde parei, lá no princípio, onde eu comecei a lhe explicar a origem de Deus ou o nascimento de Deus. #######
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Rabi, antes que o senhor continue gostaria de saber porque Cristo dizia aos seus discípulos que Deus e Ele eram um só e, se isso realmente era verdade, por que Cristo teve medo quando estava na cruz? Quem te disse que Cristo teve medo quando estava na cruz? As pessoas dizem que Cristo, quando estava na cruz, perguntou a Deus porque o havia abandonado. Por que Ele falaria isso se Ele era Deus? Nem tudo que ouves é verdade e esse trecho jamais existiu. A única verdade que Cristo falou naquele instante crucial de sua morte física foi: “Oh Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Essa outra frase foi criada por algumas pessoas que faziam parte de um conselho imperialista. Eles falaram isto para diminuir Cristo e torná-lo tão humano quanto qualquer mortal. Esta era mais uma das evidências (forjadas), que fariam o povo deixar de vê-lo como o Messias ou como o Salvador (ver pg. 101). Esta não foi a única mentira criada para o povo esquecer Cristo, porém poucas foram as palavras que Cristo pronunciou no dia de sua morte e estas palavras foram gravadas por alguns de seus seguidores, que fizeram questão de preservá-las escritas em pergaminhos, que até hoje permanecem muito bem guardados, bem distante dos olhos do povo e seus líderes religiosos ou políticos. Isso não significa que eles não conheçam essa Verdade, muito pelo contrário. Eles não só a conhecem como desejam destruí-la, pois essas pequenas verdades abalariam o poder que esses homens têm sobre o povo. Além disso Cristo provou seu conhecimento e sua superior evolução, o que fez o povo crer que Ele de fato era quem dizia ser, mas para os incrédulos Ele representava apenas um grande perigo para os interesses pessoais deles. Então é verdade, Rabi? Cristo era Deus? Meu pequeno curioso, todos nós somos Deus, afinal todos somos fagulha de seu corpo (alma), mas o que Cristo dizia era a maneira original de ser Deus. Vou lhe contar um segredo, Osha. Você acredita que Cristo não tinha fé? Não, não posso crer nisto! Mas é verdade, Osha. Cristo superou a fé e chegou ao nível mais alto de comunhão com Deus. A fé o homem só tem quando é testado ou quando se vê diante dela por imposição da vida. Cristo não vivia falando a ninguém se tinha ou não tinha fé. Ele sempre repetia: “O Homem que tem Deus tudo vencerá, tudo terá”. Ele sempre disse: “Eu tenho o Pai e o Pai tem a mim. Eu sou o Pai e o Pai sou eu”. Mas quando Ele dizia isso Ele não estava afirmando ser Deus, o Um. Ele estava tentando explicar que todo ser que atinge a consciência da Verdade divina está acima do bem e do mal, acima dos preconceitos e dos julgamentos, pois é um ser livre e por ser livre também liberta e o próprio Cristo explicou isto com um belo exemplo. Ao dizer que tinha Deus Cristo revelou à Terra o mais alto nível de evolução dela ou o nível possível a que esta um dia deverá chegar. Cristo deixou claro para as pessoas que ter Deus era ter um pai todos os dias, em todas as horas. Ter Deus era o mesmo que ter o criador da fé, o criador de tudo. Portanto ter Deus era superior a ter fé, mas para chegar a ter Deus o ser humano tinha que se permitir ultrapassar a fé, pois a fé era algo destinado somente a um deus, visto apenas como Deus, e isto ainda não era o ideal.
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Ter Deus tornava o homem mais próximo de seu legítimo e único Pai. Ter Deus era como dizer: “Eu tenho um Pai que tudo pode, pois tudo criou”. Essas palavras transmitem mais segurança aos homens e os tornam mais íntimos de seu Pai, algo que há muito Deus procurava ensinar a seus filhos e eles não compreendiam. Deus, muito antes de ser Deus, foi e é nosso Pai, nosso Criador, porém muitos ensinamentos e conceitos foram se formando ao passar de longos anos e muitos deles foram ditando regras ou rituais rigorosíssimos para fazer o homem se aproximar de Deus, quando na verdade Deus jamais se afastou de seus filhos. Por isso, meu bom menino, quando Cristo dizia ter Deus ou ser Deus Ele não estava mentindo. Ele estava afirmando o que sentia e um dia a humanidade também afirmará a mesma coisa. Senhor Rabi, como a gente faz para ouvir a Deus? Essa é a coisa mais simples de todas, porém a mais difícil de ser compreendida por alguns seres, justamente pela incapacidade que eles têm de fazer isto. Acredito que para você isso não seja algo tão difícil assim, pois você ainda carrega a virtude (inocência) que lhe facilita esse diálogo. Preste bem atenção no que vou lhe dizer e você descobrirá o segredo de falar com Deus. Nós temos duas bocas que vivem falando o tempo todo. Até mesmo os mudos têm essas duas bocas, só que neles somente uma vive a falar. A outra vive em silêncio. A boca que expressa o som, que bebe e come é a segunda boca, pois ela só existe se a primeira existir. A primeira boca é a boca da nossa mente, a boca do pensamento, que só se cala quando estamos dormindo. Essa é a boca mais importante e a mais difícil de calar, pois estamos o tempo todo pensando, ocupando nossa mente e esta, por sua vez, ocupa nossa segunda boca. Para falar com Deus devemos calar nossa boca da mente, calar nossos pensamentos, ficar em total silêncio e profunda harmonia e paz e assim, com nossas duas bocas caladas, abrimos nossos ouvidos para nosso coração ou nossa intuição, palavras que alguns sábios dão para os sentimentos. Quando nossos ouvidos estão ocupados ouvindo o som da nossa própria voz ou prestando atenção nos próprios pensamentos não conseguem ouvir a Deus. Porém quando estão a ouvir um silêncio muito grande, como se nada ouvissem, algo divino os penetra. Respostas, palavras que fogem ao seu conhecimento, mas que a mente identifica como de inspiração divina, pois ela não as pensou, já que estava em silêncio. Outra maneira de falarmos com Deus é a meditação da oração. Quando o ser humano se entrega à oração meditando profundamente cada palavra dela, Ele trás luz para sua mente quando esta se encontra nublada. Rabi, eu sei que as pessoas dizem que Deus fala através dos anjos, espíritos da natureza, etc., mas eu quero saber se algum ser humano já ouviu de verdade a voz de Deus. Sim, meu querido, muitos seres já ouviram a voz de Deus. Também é fato que na maioria das vezes Deus se faz presente através de anjos, espíritos e outros, porém existem seres de uma iluminação grandiosa que conseguem ouvir a voz de Deus. Geralmente esses seres são vistos como iluminados, porém jamais o admitem, pois sabem que isso é uma vaidade humana. Alguns desses seres de fato chegam a ser famosos, porém não precisam fazer
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propaganda para isso. Em geral alcançam a fama pelos atos e ações. Esses seres não se deixam aprisionar pela fama e não dão muita importância ao glamour que ela causa. Costumam agir sempre da mesma maneira simples e verdadeira. Não se permitem corromper ou rotular. E por que esses seres se tornam famosos, Rabi? Justamente porque terminam por atrair um número muito grande de pessoas em busca da sabedoria que possuem. Assim também foi com Jesus, que com toda sua simplicidade e luz atraía um número muito grande de pessoas. Ele jamais vestiu roupas pomposas ou caras, jamais andou com dinheiro no bolso, jamais ergueu um templo ou casa. Muitas vezes andava descalço, com vestes simples de carpinteiro. Poucas foram as sandálias que vestiram seus sagrados pés. Cristo não se orgulhava nem se envaidecia de sua superior sabedoria, jamais humilhou um irmão, jamais sentiu rejeição ou preconceito por qualquer ser vivo, porém sua Verdade ofendeu muitos seres vaidosos e cheios de preconceito e estes passaram a caçar Cristo como um animal. Na verdade eles sabiam quem Cristo realmente era e também sabiam que se permitissem que Ele continuasse a ensinar a Verdade ao povo Ele não seria mais dominado por ninguém. Houve uma época em que o Cristo passou a ser visto como o próprio Deus que havia se feito encarnar para nos ensinar. A sabedoria de Cristo chegou a ser testada por várias vezes e em todas elas Ele surpreendeu as pessoas que O testavam, mas Cristo não podia ser admitido como Deus, pois Deus não seria um ser tão simples e humilde. A idéia que algumas pessoas tinham de Deus era de templos luxuosos, vestes de beleza grandiosa e um ser de poderes extraordinários, que num estalar de dedos colocaria o mundo a seus pés. Cristo veio justamente para mudar essa imagem errônea de Deus e mostrar o Deus verdadeiro que poucos conheciam. Ele veio para clarear as nuvens de mistérios que colocaram em torno de Deus, porém não foi possível dar tão grande conhecimento a todos. Como já lhe disse antes, Cristo escolheu poucos seres que estavam aptos a entender essa Verdade e a revelou a eles para que esses também tivessem seus escolhidos e assim por diante. Dessa forma a Verdade jamais seria esquecida. Para o povo Cristo ensinou o básico, suficiente para que desejassem continuar a evoluir. *******

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A partir de agora vou dividir em duas partes os ensinamentos de Cristo: aquele que Ele deu ao povo e aquele que Ele deu a seus poucos escolhidos e tu, meu pequeno Osha, vai me dizer qual desejas que eu te conte primeiro. Eu gostaria que o senhor me contasse primeiro o que Cristo ensinou aos escolhidos. Já que escolhestes essa parte tenho por obrigação te dizer que este ensinamento é um segredo sagrado, que em nossa época deve permanecer escondido e guardado. Ele deve ser revelado apenas para seres muito especiais, que estejam prontos para isso. Mas como vou saber se uma pessoa está pronta para isso, senhor Rabi?

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Isso, meu bom garoto, vai ser a coisa mais fácil depois que tu adquirires o conhecimento da Verdade, pois esta revela para ti o que se esconde por trás do mais denso véu, mas tu não deves te revelar sabedor desta Verdade, se sábio fores de verdade. Em primeiro lugar atenta para o nome que vou te dizer. Este nome tu não deves esquecer jamais, porém não deves viver a pronunciá-lo, pois já vi muitas pessoas serem castigadas por falá-lo. Yahweh ou Sheva, esses são os nomes primitivos de Deus ou os nomes que revelam a chave dos mistérios divinos. Durante muitos anos apenas um grupo minúsculo de seres era conhecedor desses nomes e dos mistérios que havia por trás deles. Por interesses puramente machistas alguns sábios retiraram as vogais do nome de Deus dizendo que elas tornavam o nome divino poderoso demais, capaz de destruir uma casa se fosse pronunciado ou escrito na íntegra. Na verdade isso foi criado apenas para manter o povo sob rédeas curtas e doutrinados de acordo com a vontade daqueles que se julgavam saber mais. Desta forma eles criaram um Deus apenas masculino, que chamavam de O Grande Homem e até hoje Deus é visto como homem. Por isso o homem se sente no direito de colocar a mulher em segundo plano para Deus e ele obviamente é o primeiro. Portanto o homem é mais importante, tem mais força, mais direitos e é dono de tudo, inclusive da mulher, que é tão somente uma aquisição sua e dessa maneira muitos anos se passaram e ainda hão de passar até o homem ter em si o domínio de quase tudo que julgar importante para ele. Muito distante da tua e da minha imaginação o princípio de tudo começou a ser escrito. Isso se deu quando Deus ainda era um grande vazio. Osha, tu te lembras como se fez a vida? Sim, Rabi, o senhor me contou. Muito bem, meu garoto, então preste muita atenção no que vou te falar. A primeira Trindade de Deus começou quando Ele ainda era o vazio. Logo que Deus se criou se tornou o segundo corpo. O vazio era o primeiro corpo. O grito de Deus seria então o terceiro corpo. Agora vou explicar a você cada um desses corpos que forma a primeira Trindade. O vazio era o corpo mais importante de Deus, pois o vazio em sua infinidade manifestou-se criador e completo, porém nem Deus nem o vazio sabiam disso, afinal ambos eram um só, porém o que Deus não tinha consciência era que o vazio era tão somente seu próprio espírito, pois o vazio era e é aquilo que não se vê, não se toca, não se sabe onde ou porque. É como uma tela em branco, uma mente sem imaginação, audição e visão. É como um sono sem sonhos ou lembranças. O espírito de Deus gerou seu corpo físico e assim deixou de ser vazio. O corpo físico de Deus continuaria a ser vazio e o próprio vazio não teria progresso algum se existisse tão somente o corpo físico. O que Ele saberia e o que sentiria se não existissem as emoções? O corpo físico de Deus não teria motivo de existir se fosse apenas uma tela em branco. A função do corpo físico de Deus era dar ao espírito (vazio) sabedoria e aprendizado. Para isso o grito de Deus se fez. No momento em que o corpo de Deus soltou sua primeira emoção o espírito recebeu sua primeira emoção intuitiva e os seres que nasceram a partir desse grito trouxeram a Deus inúmeras outras emoções até então desconhecidas pelo vazio (espírito) e esse aos poucos começou a ser preenchido. Como já disse antes, Deus de tudo
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provou: morte, frio, medo, fome, tristeza, dor, alegria, paz, euforia, insanidade, lucidez, raiva, ira, perdão, bondade, enfim, inúmeras emoções. Assim se fez a primeira Trindade de Deus: o vazio (espírito inconsciente), corpo e os filhos do grito, a primeira ação e reação de Deus. Na segunda Trindade Deus absorveu para si todas as emoções. Assim Ele voltou a ser Um. O vazio (espírito) de Deus estava confuso, cheio, perturbado pelas próprias emoções. Por essa razão preferiu ser Um. Assim colocou para dentro de seu corpo aquelas emoções e passou a repensá-las e compreendê-las. O espírito confuso penetrou no corpo de Deus e absorveu o aprendizado que cada emoção Lhe ensinara. Dessa forma chegou a um alto nível de consciência e evolução. Deus e o espírito agora eram um só, preenchido de emoções. Nesse estágio Deus soltou ao seu redor dois tipos de energias diferentes, energias essas que as pessoas chamam de Bem e Mal. Deus as criou de acordo com as reações de suas emoções. Das inúmeras emoções Ele criou apenas duas energias. Essas energias seriam suficientes para identificar se uma emoção era boa ou ruim. Assim o Deus consciente se tornou três mais uma vez: o Deus consciente e as duas energias, positiva e negativa, bem e mal (a segunda Trindade de Deus). Mas não vamos esquecer que Deus, por ter chegado à consciência, dava igual importância a estas duas energias e justamente por ter compreendido que elas eram a raiz principal de suas emoções que Ele as criou como guias ou professores de emoções. Mas há algo muito importante em tudo isso e que você não deve esquecer, meu pequeno Osha. É que Deus liberou o bem e o mal como professores, porém Deus não liberou a consciência e isso Ele fez por dois motivos simples. Primeiro não há evolução sem aprendizado e não há aprendizado sem emoção e essas são frutos da inconsciência. Então como as pessoas vão chegar a ter consciência, Rabi? Calma, meu querido, eu já te explico. Outro motivo pelo qual Deus não liberou a consciência é o mais óbvio e também o mais simples. Quando um ser humano aprende que o fogo queima suas mãos ele tem consciência do perigo que o fogo representa e assim procura não ultrapassar os seus limites. Este é apenas um exemplo mínimo de consciência e em nada se assemelha à consciência divina, porém é neste exemplo mínimo que tentarei explicar o motivo pelo qual Deus não liberou a consciência. Como o homem que aprende as coisas aqui na Terra e não pode se livrar do que aprendeu Deus também não podia se libertar, ou melhor, se separar de sua consciência. O homem pode até não usar um aprendizado, mas sua mente não o joga fora, apenas o guarda ou o esconde quando este aprendizado não é muito agradável às lembranças do homem, porém quando uso a palavra consciência me refiro ao nível maior, onde essa é superior ao bem e ao mal. Um bom exemplo desta consciência são as palavras de Jesus Cristo quando foi colocado diante dele uma mulher que pelos seus pecados deveria ser apedrejada. Cristo não a julgou, mas deu a ela e a todos que ali estavam a justiça verdadeira dizendo: “Atire a primeira pedra aquele que não tiver pecados”. A consciência permite que você enxergue a solução de um problema sem prejudicar ninguém. Por isso está sempre acima do bem e do mal. Deus ultrapassou a barreira do bem e do mal quando alcançou sua consciência. Por isso também jamais ignora
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um filho seu por pior que ele seja. Mas além de todas essas verdades a maior de todas é também a mais bela. Eis ela: Nenhum homem pode alcançar a verdadeira consciência sem antes chegar a Deus, pois Ele é a única e verdadeira consciência universal. Assim como a Matemática ensina que os números são infinitos Deus também é infinito em consciência e em saber, afinal a Matemática foi Ele que criou. Agora vamos à última Trindade de Deus. A terceira é também a que chamamos de “A Perfeição e Glória do Divino”. Esta também é a Trindade mais censurada, temida e velada de Deus. Neste nível superior de evolução o Grande Pai já se sentia completo, mas tudo que Ele sabia e conhecia somente a Ele pertencia. Não existia ninguém para Ele dividir ou ensinar seus conhecimentos. Neste estágio Deus ainda preferia manter todos os seus primeiros filhos, os Amorazins, dentro de si. De alguma forma eles não eram apenas filhos. Eles eram de fato parte de Deus, que não podiam se separar dEle, pois eram suas emoções. Como as emoções são o caminho para a evolução não é possível ao homem se separar daquilo que já viveu ou sentiu. É uma maneira de não esquecer o que aprendeu, porém essas emoções que estavam dentro de Deus se transformaram em sentimento, pois o Criador as compreendeu e a compreensão evoluiu as emoções para o sentimento único chamado Amor Único ou Universal. Esse sentimento inexplicável cresceu imensamente dentro de Deus até que o Pai transbordou para fora de si um pouquinho desse Amor e logo que se viu livre este Amor, que já era vida, transformou-se em um ser que em tudo era semelhante a Deus, porém havia algumas pequenas diferenças. Este ser nascera da perfeição do Pai, não sentia rancor ou dor, mas os conhecia, afinal seu código espiritual era idêntico ao do Pai. Tudo que o Pai sabia este ser sabia. Rabi, esta história está muito mal contada. O senhor me disse que a chama gêmea de Deus teve que evoluir separada dEle. Agora o senhor diz que ela já nasceu sabendo tudo. Afinal qual é a verdade? Você é um excelente observador, meu pequeno aprendiz, mas preste atenção no significado das palavras. Sabedoria não é evolução. De fato ela sabia tudo, mas ainda não havia colocado nada em prática, como Deus. Como todos os seres que o Pai criou eram livres e independentes, justamente para colocar em prática a sabedoria, sua chama gêmea não fugiu à regra. A diferença dela para os Amorazins era apenas que ela já havia sido criada com sabedoria. Os Amorazins foram criados para dar e receber sabedoria. Eles nasceram num estágio primitivo de Deus. Sua chama gêmea nasceu num nível muito superior ao dos Amorazins, porém quando ela nasceu os Amorazins já se encontravam no mesmo nível que ela, mas eles ainda permaneciam dentro de Deus. No entanto a chama gêmea de Deus, que agora estava livre, procurou evoluir, afinal tudo que ela tinha era a teoria. Ela então procurou uma maneira de aprender e fez o mesmo que o Pai, com uma diferença bem clara. O Pai criou seus primeiros filhos sem consciência de fazê-los, nem mesmo sabedoria. Ela usou a sabedoria e criou um mundo muito semelhante ao primeiro mundo que o Pai havia criado, porém era um mundo totalmente feminino, delicado e cheio de beleza, mas também cheio de vaidade, luxúria,
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capricho e sedução. Deus, que tudo observava sem se deixar observar, percebeu naquele ser os pequenos detalhes que lhe faltavam e também notou como ela usava sua fragilidade para conquistar ou adquirir certas coisas. Devo esclarecer que a chama gêmea de Deus também criou criaturas (os Evins) e as manipulou. Como Deus, também as amou e as protegeu. Em suma, mesmo com sabedoria, este ser cometeu tantos erros quanto Deus. Suas emoções também eram seus filhos e também os ensinou como Deus. Também sofreu como Ele. O tempo que Deus os observou foi suficiente para perceber a diferença de comportamento. O primeiro mundo, criado por Deus, não tinha muito colorido nem tanta beleza, afinal Ele estava em seu primeiro estágio de evolução e não tinha sabedoria alguma. O primeiro mundo que a chama gêmea de Deus criou era como um lindo jardim cheio de beleza e esplendor, mas cheio de fragilidades também. Foi como se Deus se visse no espelho, mas de uma nova maneira, é claro. Não demorou muito e esse ser maravilhoso também mostrou as suas garras. Era impiedosa, às vezes piedosa. Era odiosa e às vezes amorosa. Enfim, suas emoções variavam como as de Deus. Era um ser apaixonante que Deus pacientemente esperou evoluir. Ela tomou a mesma atitude que Deus havia tomado e resolveu devolver para dentro de si suas emoções que tanto a perturbavam e durante um longo período as analisou até as compreender uma a uma. Foi então que se sentiu imensa e cheia de amor. Quando se igualou a Deus o amor de ambos os atraiu e eles se uniram para nunca mais se separar. Essa é a segunda parte da trindade perfeita de Deus e após a conclusão dessa união Deus, já único e absoluto, em consciência suprema, libertou de si um corpo puro, imortal como Ele, um corpo com profunda sabedoria, porém não devemos nos esquecer de um pequeno detalhe. Tudo que Deus criou tinha sabedoria, mas faltava a ele a prática, afinal tal feito somente o Pai havia alcançado, pois toda sua evolução foi feita de prática, onde tudo Ele provara pela primeira vez. Este grande corpo era a mistura perfeita dos seus primogênitos e dos primogênitos de Eva. Esclarecendo melhor, eram apenas a mistura e não de fato os primogênitos. Este corpo celeste que nasceu da fusão de Deus e Eva na verdade eram os primeiros filhos do Deus Magnus, do Deus consciente e completo. Volto a lembrá-lo do fato de Deus ter preservado os seus primogênitos, pois agora vou te mostrar, meu menino, onde Deus guardou esses primogênitos. Logo que Ele compôs a terceira parte de sua perfeita e última Trindade Ele deu um lugar muito especial a estes primeiros filhos no grande corpo. Os Amorazins eram o coração desse corpo e os Evins eram o cérebro. Compreender o motivo dessa escolha é muito fácil. Os Amorazins foram as primeiras emoções de Deus. Eram puras. Cada uma delas era distinta, jamais se repetiram. Eram emoções da incoerência do Divino. Nasceram dos impulsos naturais do Pai. Nada antes delas jamais havia existido. Eram as primeiras emoções e por essa razão se mantiveram juntas, reunidas em um único lugar nesse corpo que o Pai acabara de criar, mas agora o Pai as devolvia ao universo perfeitas e elas deixaram de ser emoções para ser um só sentimento, o Amor Absoluto Universal. Os primogênitos de Eva já nasceram da mãe semi-consciente, afinal Eva, quando saiu do Pai, já tinha sabedoria, mas
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faltava-lhe a prática, coisa que ela só poderia ter se tivesse como aprender o que isso era de fato. Para isso Deus permitiu que Eva criasse seres a cada emoção que sentisse. Assim nasceram as emoções racionais, aquelas que já nasceram com propósito e para servirem a um propósito. Então de certa forma essas emoções não eram puras ou totalmente inconscientes como as primeiras de Deus, pois já haviam nascido de um ser que tinha sabedoria e só não tinha a prática da mesma, mas antes que você me pergunte vou-lhe responder algo que provavelmente está confundindo sua mente. Quando Deus criou Eva ela nasceu perfeita e sábia, porém o mais importante em todo ser criado pelo Pai é a liberdade. Cada ser pode ter sabedoria, mas a prática é o sentir e isso cada ser deve viver, cada ser tem que ter suas próprias emoções, senti-las uma a uma, pois esta é a única maneira de se alcançar a evolução que leva a Deus. Deus, Eva e o primeiro filho de ambos forma a última Trindade Divina, mas é aí que tudo começa para os espíritos que nasceram desta Trindade. O grande corpo celeste que o Pai tirou de si era sua alma e a alma de sua chama gêmea Eva, que unidos originaram os primeiros filhos. Esses filhos foram divididos em três partes: o coração, que são os Amorazins, também chamados de raiz ou aqueles que nasceram da semente única; o cérebro, que são os Evins, aqueles que nasceram da sabedoria, também chamados de filhos dos galhos (chamados de galhos porque Eva foi considerada como sendo os galhos da Grande Árvore. Quando Deus se tornou a Árvore da Sabedoria ela foi considerada seus galhos, pois foi a expansão do sentimento de Deus consciente) e os Infinins, aqueles que eram os frutos da Árvore da Sabedoria quando esta se transformou em Árvore da Evolução da Vida. Em suma, a terceira e última Trindade de Deus é o Pai, sua chama gêmea e os filhos dessa união. Rabi, tudo isso é muito confuso e estranho, mas gostaria de saber se entendi tudo. No princípio Deus era a semente que se gerou do seu espírito inconsciente e logo criou raízes, que na verdade são a expansão da sua consciência refletida nos Amorazins. Depois Deus voltou a ser um e dividiu suas emoções em duas máximas, bem e mal. Depois voltou a ser dois quando criou Eva e ela, já tendo sabedoria, seguiu o mesmo destino que Deus, criou seres, os Evins, que mais tarde colocou dentro de si como Deus fez com os Amorazins. Depois ela voltou para Deus e ambos se uniram e, além dos seres que já haviam criado, criaram um número ainda maior de seres que se juntaram aos primogênitos deles e só a partir de então, oficialmente, os espíritos nasceram e começaram a evoluir. É isso ou ainda não compreendi nada, Rabi? Não se preocupe, meu pequeno aprendiz, você compreendeu tudo direitinho, faltando apenas alguns pequenos detalhes. O fato de todos os espíritos terem nascido juntos não significa que todos tenham a mesma idade, afinal os Amorazins e os Evins nasceram uma segunda vez, pois o fato deles terem sido as emoções de seus criadores conta como uma primeira encarnação. Não seria uma primeira vida do espírito, Rabi? Não, meu garoto, os Amorazins, como os Evins, provaram da vida e da morte. Eles tiveram um corpo perecível, não igual ao nosso, é claro, mas muito mais grotesco e inexplicável. Deus matava um Amorazim, mas não
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apagava de sua lembrança a existência desse ser, o que criava um espírito imortal, pois era justamente a lembrança que mantinha vida dentro de Deus. Então, meu querido, tanto Amorazins como Evins foram criados primeiro e sem dúvida alguma têm mais evolução que os Infinins, pois já nasceram tendo obtido a teoria e a prática. Os Infinins nasceram apenas com a teoria. Falta a eles a prática e é justamente essa a função dos Amorazins e Evins: dar prática aos Infinins de acordo com a livre vontade deles, é claro. Existem seres em um grau de evolução inferior aos Infinins? Sim, meu querido, existe, mas agora preste muita atenção para entender a explicação que vou dar, pois essa é uma revelação que chocaria a humanidade se ela viesse ao conhecimento público. De acordo com os níveis de evolução os Amorazins são os que estão mais próximos de Deus. Isso lhes dá um extraordinário poder e sabedoria e como todo ser copia o caminho do Pai os Amorazins não poderiam fugir a essa regra. Eles são como as raízes daquela semente única (Deus), porém quando essas raízes se aprofundam para se firmar e expandir seu território uma hora voltam a surgir na superfície e terminam por germinar um broto. Este pequeno broto cresce, torna-se uma árvore e quando está pronta dá frutos e sementes. Falando agora claramente, quando um Amorazim evolui o suficiente é dado a ele o mesmo direito que Deus tem em si de ser pai. Em suma, um Amorazim é colocado em seu teste mais difícil, o de ser criador, lembrando sempre que toda vida que ele criar jamais seria vida sem a existência da primeira semente (Deus). Explicando isso melhor vou contar a você uma pequena história bíblica. Em um trecho da Bíblia conta-se que Deus, após ter criado todos os seus anjos, se ausentou por alguns minutos. Nesse curto prazo o seu primeiro anjo, Lúcifer, resolveu pegar o seu ramo e a água sagrada de Deus e usando-os deu vida a vários anjos, pois tinha a intenção de tomar o trono de Deus e se tornar dono do universo. Quando Deus retornou e viu o ocorrido ficou decepcionado com Lúcifer e sua ambição, afinal Deus o havia criado como o mais belo de todos os anjos, o mais luminoso, e agora tanta beleza e luz ofuscara sua visão a ponto dele trair o próprio Criador. Sendo assim Deus o lançou nas profundezas da terra com todos os seres que ele havia criado. Essa é a idéia do mal criada pela humanidade e alimentado durante milênios até o fim dos tempos. Eu já lhe contei a história de Lúcifer, que é “a luz que se fez”, para mostrar o quanto ainda precisamos evoluir, mas essa estória encontra a verdade justamente na parte que diz respeito a anjos criarem outros seres. Os Amorazins e Evins, quando ainda viviam dentro de Deus já completo, absorveram o nível de evolução que o Pai havia alcançado e na hora da grande explosão da alma de Deus eles já tinham a capacidade de sonhar em criar seres. Deus, que os mantinha dentro de si, sentia o que eles estavam sentindo e deixou que os sonhos deles se tornassem realidade, porém não os avisou disso, pois eles estavam preparados para sonhar e não para idealizar. Os Amorazins e Evins ainda tinham uma grande missão a cumprir e de acordo com o decorrer dessa missão eles iriam obter mais prática de seus conhecimentos. Na verdade eles eram e ainda são responsáveis pela evolução da vida universal. Dessa forma colocariam em prática a capacidade de serem pais sem saber. Alguns desses
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seres foram verdadeiros carrascos, usando disciplinas duras e brutais e outros foram verdadeiros amigos. Com o passar do tempo eles foram melhorando, aprendendo e naturalmente elevando o nível de evolução e deixando de cometer tantos erros. O fato de ser um Amorazim ou Evim não os impedia de errar, afinal no começo da missão, enquanto ainda eram apenas alma ou espírito, não se podia deduzir na íntegra o que o corpo carnal iria passar nessa nova fase, afinal o corpo carnal não era novidade para eles, porém a novidade maior era ter que instruir o que haviam acabado de aprender e isso eles ainda não tinham a menor noção de como fazer até vivenciar a situação. Jesus Cristo foi um dos primeiros Amorazins a descobrir que tinha criado seres. E como ele soube disso, senhor Rabi? Eu digo alguns dos primeiros entre muitos, mas respondendo a sua pergunta quando Cristo terminou seu estágio de evolução angelical Deus o chamou e disse-lhe que Ele tinha uma grande missão para ele. Cristo teria que descer à Terra e anunciar a Verdade para ela. Para isso Deus o incumbiria de falar em seu nome e o representar na íntegra. Por isso Cristo usou as palavras “Eu sou o caminho, a verdade e a luz”, “Ninguém chegará ao Pai senão por mim” e outras frases que o tornavam tão Senhor quanto o próprio Deus, mas Cristo ainda não sabia que já estava exercendo o papel de pai. Ao andar pela Terra Cristo fez exatamente tudo que lhe exigia sua missão e quando retornou ao Pai recebeu a notícia de ser o presidente da Terra, o que veio junto com a notícia de que era pai de 40% dos habitantes deste planeta. Aqui na Terra têm 3 etapas diferentes de seres, excluindo os Amorazins e Evins. Esses são auxiliares celestes de Cristo, que logo também terão o mesmo destino que Ele. As três etapas são: 1ª) os mais antigos, aqueles que chegaram na época de Atlântida, Lemúria e Shangrillá; 2ª) aqueles que chegaram logo depois da destruição destas cidades e 3ª) os que são seres voluntário, mais evoluídos, que estão passando um curto estágio por aqui. Todos estão misturados procurando aprender e ensinar. Os seres da primeira etapa são os filhos de Cristo, que já estão aptos a trocar de escola e os da segunda etapa são aqueles ainda muito materialistas, que terão que ficar ainda muito tempo por aqui. Após a partida da primeira etapa Cristo vai deixar de ser presidente da Terra, Rabi? Não, meu menino, Cristo vai continuar a ser o presidente da Terra até que essa venha a evoluir para seu estado estelar. Isso significa que quando a Terra se transformar num planeta invisível e se unir ao grupo de outros doze planetas ela passará a ser presidida por mais alguns seres de evolução igual a de Cristo. Rabi, só os Amorazins e Evins podem criar? Não, meu bom Osha. Sei que aquilo que vou lhe explicar agora é algo um tanto difícil de você compreender, porém tudo que neste momento lhe parece uma novidade já é passado para sua alma. Exemplo disso são os filhos dos Amorazins, Evins e Infinins. Osha, toda criatura criada por Deus nada cria de inédito, apenas imita o Pai e é justamente neste ponto onde moram todas as respostas. Deus criou todos os seres para seguirem os mesmos caminhos de evolução que Ele mesmo seguiu, porém isso não foi uma imposição
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divina. Isso são apenas os instintos do Pai refletidos nos filhos. Os primeiros filhos de Deus repetiram na íntegra seus erros e acertos, pois agiam de acordo com as emoções de Deus. Deus não tinha um pai que o ajudasse ou orientasse na criação de seus filhos. Por isso os tomou para dentro de si até que os compreendesse e se compreendesse também. Passada essa fase Deus resolveu dar uma vida eterna a seus filhos, porém só fez isso quando tinha alcançado um nível de evolução superior que lhe dava compreensão e responsabilidade por um ato tão decisivo, afinal Deus estava criando seres imortais como Ele, mas esses seres não tinham vivido tudo que Deus já havia vivido, exceto os Amorazins. Na hora da explosão da alma do Divino Ele resolveu permitir a todos os seus filhos o direito da criação, porém eis aí um grande segredo. Ele deixou embutido dentro de cada espírito uma semente da vida e da criação que a partir daquele instante já existia, já era vida eterna, mas ainda não foi contabilizada, pois somente o Pai sabia da existência delas. Elas só viriam a evoluir de acordo com os níveis de evolução que os seus portadores iam alcançando. Para que isso se torne mais fácil para você entender vou usar Cristo mais uma vez como exemplo. Cristo era um serafim num nível muito elevado, que cuidava justamente do nível de sabedoria recebido pela humanidade da Terra e por muitas vezes Cristo, ainda como anjo, imaginouse pai deste povo. Não que Ele desejasse ser Deus, apenas se sentia responsável pela evolução desses seres. Foi quando Deus julgou que Ele estava pronto para assumir o cargo de pai daqueles que já há muitos milênios tinha imaginado. Os filhos dos Amorazins e dos Evins já brotaram e já se encontram em evolução, porém os filhos dos Infinins ainda são apenas sementes. Em suma, todos os espíritos já estão criados, porém a grande maioria ainda é semente adormecida, que ainda não teve desenvolvimento algum, afinal os filhos dos Infinins também terão seus filhos e assim por diante, pois toda semente que desperta já está fecundada e não sabe. Esse é um número que somente o Pai carrega o direito de saber, mas Ele nos deixou uma pista. Como tudo é um estado progressivo isto significa que é infinito o número de sementes ou de espíritos. Assim sendo jamais saberemos a quantidade de seres que existem e ainda virão a existir. O mais importante a saber é que Deus se multiplicou a partir dos Amorazins e continua a se multiplicar infinitamente. É justamente por essa razão que o universo não tem limites de tempo e espaço e assim sua evolução também é constante. Todo ser pode ser criador como o Pai, porém só Ele pode fecundar. Isso também significa que nenhum ser poderia criar sem antes ganhar do Pai o poder de ser fecundo. Esta é uma das razões pela qual Deus disse ter feito o homem à sua imagem e semelhança. O homem pode ser semelhante ao Pai em todo o livre-arbítrio que este lhe deu, porém jamais alcançará sua sabedoria e sua evolução, pois a sabedoria e evolução de Deus não tem origem, já a do homem se originou em Deus. Deus é a única sabedoria que surgiu do nada ou do vazio. Deus é a única vida que se fez sozinha e principiou o Tudo. Senhor Rabi, então na verdade ainda existem espíritos que ainda estão em forma de sementes?

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Isso mesmo, Osha. De fato ainda há uma infinidade de espíritos que ainda estão em forma de semente esperando o momento de começar a jornada da evolução. E quando esta começa, senhor Rabi? Começa quando o portador da semente passa a sentir suas primeiras emoções. Eu ainda não entendi, Rabi? Eu vou lhe explicar. Os primeiros espíritos conscientes eram os Amorazins e Evins, pois eram a teoria e a prática de seus criadores. Logo que nasceram eternos junto com os Infinins ganharam a missão de dar a esses irmãos a prática da sabedoria que tinham. Sendo os Amorazins e Evins os primeiros diplomados em prática e teoria obviamente também foram os primeiros a libertar e sentir suas emoções. Assim, sem que eles percebessem, davam vida a seus filhos e cada emoção representava um filho, exatamente como foi com Deus, e de acordo com a evolução de cada ser (Amorazim) seus filhos também progrediriam e dariam continuidade à criação espiritual. Até um certo nível de evolução não é permitido ao Amorazim saber que é pai, pois se isso viesse a acontecer ele fatalmente iria interferir no livre-arbítrio de seus filhos, podendo impedi-los de evoluir. Na tentativa de ajudá-los poderia até mesmo prejudicá-los. Por essa razão Deus só permite que os pais tenham consciência de seus filhos quando eles já alcançaram um nível de evolução onde possam respeitar o livre-arbítrio de seus filhos, interferindo apenas quando for realmente necessário, assim como Cristo o fez. Ele veio ajudar seus filhos instruindo-os no caminho da sabedoria. Em todos os momentos Cristo ensinou seus filhos a respeitar ao invés de julgar, a amar ao invés de odiar, etc. Senhor Rabi, Cristo é um ser tão elevado. Por que seus filhos ainda estão tão distantes de alcançar essa sabedoria? Dentre os filhos de Cristo existem dois níveis diferentes de evolução. O primeiro nível é daqueles que estão perto de partir da Terra e fazem parte da 1ª etapa. São as emoções de Cristo que já alcançaram um nível elevado de evolução e com certeza compreenderam o ensinamento que Cristo deixou na Terra. Ao segundo nível de seres pertencem as emoções que ainda estão buscando a sabedoria e ainda não têm consciência das palavras do Cristo. Por isso ainda terão que viver um longo período neste planeta até atingirem um grau considerável de sabedoria. Senhor Rabi, gostaria de lhe fazer duas perguntas. Primeira: Existe um número certo de filhos para cada espírito ter? Segunda: Quando paramos de sentir emoções que geram filhos? Sábias perguntas, meu pequeno aprendiz. Em primeiro lugar existe sim um limite de filhos. Assim como Deus teve um número específico de emoções até alcançar a consciência os espíritos também têm que passar pelo mesmo número de emoções e somente quando alcançam a consciência param de gerar filhos, mas isso não significa que esses seres não sintam mais emoções. As emoções são transformadas em vida enquanto não se repetem. É justamente esse princípio que torna cada ser vivo genuinamente único, exclusivo. Vamos exemplificar isso melhor. Digamos que um ser, nascido de um Amorazim, que foi a primeira sensação de alegria de Deus, seja a
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primeira sensação de tristeza do Amorazim. Este ser terá nascido da tristeza daquele que foi a alegria de Deus. Agora digamos que um Evim nascido do orgulho gerou um ser quando sentiu misericórdia ou medo e assim por diante. Uns nascem do medo e são a coragem, outros nascem da alegria e são a dor. O que determina o ser que vai nascer é a emoção que o progenitor está sentindo e não importa que emoção este progenitor foi. Tudo é tão perfeito na matemática de Deus que cada ser sente a emoção a sua maneira, com mais ou menos intensidade. O importante é senti-la. Quando as emoções passam a se repetir não produzem mais vida. É sinal de que o progenitor já alcançou o número de filhos a que tinha direito e esses espíritos que passam a encarnar à procura de evolução são chamados de “espíritos novos”, aqueles que já existiam, mas ainda não haviam despertado. Para você ter uma idéia é infindável o número de espíritos que já existem, mas se encontram adormecidos esperando o momento de serem gerados pelas emoções de seus progenitores. Já expliquei de uma certa maneira como paramos de gerar filhos, mas vou explicar um pouco melhor. As emoções se repetem para nos trazer consciência e quando a alcançamos não paramos simplesmente de ter emoções. O fato é que alcançamos o sentimento mais profundo e ele derruba os motivos que nos levariam a sentir determinadas emoções. Este sentimento nos trás consciência e esta nos liberta do orgulho, da ira, do preconceito e de outras emoções que costumeiramente nos levavam ao descontrole. O amor incondicional nos liberta da ansiedade, da insegurança, do medo, enfim a compreensão trazida pelo amor incondicional nos torna aptos a sermos pai, o mesmo que aconteceu com Deus quando Ele colocou de volta dentro de si suas emoções para melhor compreendê-las e só depois disso Ele libertou seus filhos, dando-lhes os mesmos direitos que Ele mesmo possui. Compreendes agora, meu pequeno Osha, porque é infinito o universo? Agora entendo porque nem consigo imaginar metade disso, mas ainda não sei porque tudo isso tem que ser um segredo. Não acho que isso seja mau. Tu és muito inocente, meu pequeno aprendiz, e ainda não podes compreender os interesses dos homens, mas vou te dar uma pequena amostra do poder desta Verdade. Vou te contar onde está escrito e como encontrar esta Verdade. Ela foi resumida em 22 letras e 22 cartas de um oráculo sagrado. Desde que Deus se gerou e alcançou sua evolução Ele separou essa evolução em 22 etapas ou estágios e desta forma seus filhos e os planetas por eles habitados passam também por esses 22 estágios de evolução. Rabi, Cristo também ensinou isso aos seus escolhidos? Sim, meu querido, mas para sua surpresa Cristo não foi o primeiro a ensinar o segredo dos 22 estágios. Lá no princípio da criação da Terra havia vários sábios que conheciam este segredo, mas um deles recebeu a revelação de maneira muito especial. Seu nome era Enoch. Ele foi o primeiro escolhido para escrever esta Verdade em sua totalidade. Para isso ele foi levado da Terra por anjos, que lhe deram todas as revelações desde o princípio da Terra até seus últimos dias. Ele também recebeu os segredos dos anjos da vida, da morte e da evolução e muitos outros segredos, mas o nosso irmão Enoch não foi uma só vez ao Reino dos Mistérios. Foram muitas as vezes que os anjos o
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levaram. Até que ele pudesse compreender tudo muito tempo se passou, porém no fim desse aprendizado divino o primeiro Livro da Luz se tornou realidade na Terra, só que havia um porém. Este livro foi escrito em símbolos (desenhos), pois não havia uma escrita exata naquela época. Fazia pouco tempo que as doze tribos que habitavam a Terra haviam entrado num atrito muito grande, que chegou a causar a primeira grande destruição. Isto eu lhe explico mais tarde no desenrolar da história. O fato é que na época de Enoch quase todos os seres se comunicavam pela escrita de símbolos. Eram desenhos que hoje raramente são compreendidos, porém aqueles que os compreendem não os revelam a outros e assim mais inacessíveis ficam os segredos do Livro da Luz. Hoje, na nossa época, este livro ainda existe e é guardado como um verdadeiro tesouro. O original encontra-se numa velha ruína de templo talmud, protegido por uma passagem secreta, onde o faraó Akhenaton o deixou guardado para Jesus Cristo. Este, por sua vez, o manteve no mesmo lugar, vendo que este lugar secreto mantém o livro invisível para os demais seres. Senhor Rabi, e se um dia um ser penetrar nesta passagem secreta e achar o livro? Não se preocupe, Osha, os únicos seres que podem acessar este livro são os seres que têm o nome escrito nele. Isso quer dizer que é o livro que determina quem vai achá-lo e ler o que nele está escrito. Além disso o poder deste livro é tão grande que ninguém ousaria tocá-lo, pois ele vive dentro de uma chama de fogo que aumenta com a aproximação da presença humana a cerca de um quilômetro, fazendo com que um calor muito forte espante os seres que ousam se aproximar do lugar onde ele se encontra. Este livro atrai para si somente os seres que estão inscritos para conhecer sua Verdade. Em resumo ele é um livro mágico, que não corre o risco de ser achado, afinal ele determina quem pode achá-lo e só o acha quem pode compreendê-lo. Na verdade, meu pequeno Osha, sem que você soubesse eu já lhe contei os 22 caminhos enquanto narrava a história do início de tudo. Eu contei os segredos da criação sem especificar a seqüência dos caminhos. Agora basta apenas fazer isso para você entender melhor como alguns seres escolhidos tiveram o privilégio de conhecer tão grande sabedoria. No Livro de Enoch tudo eram símbolos, como já lhe disse, e poucos foram os que conseguiram compreender o significado desses símbolos, porém um dos primeiros a traduzir abertamente esses símbolos foi o faraó Akhenaton, porém ele teve sua história apagada e coberta pelos outros faraós. Outro grande sábio, Hermes Trismegistos, teve mais sucesso que o faraó, porém tal qual Akhenaton pouco se sabe sobre sua vida, pois ela também foi apagada e até mesmo fraudada por alguns seres, mas isso não importa. O principal é que seu maior feito não foi apagado e se mantém preservado de uma maneira para muitos incompreensível. Hermes fez cópias dos símbolos do Livro de Enoch e traduziu (explicou) os significados dos símbolos para um grupo de seres selecionados, que passaram este conhecimento adiante para outras pessoas também consideradas escolhidas ou aptas para adquirir tal conhecimento. O faraó também fez isso,
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porém podemos dizer que ele forçou um pouco a situação ou tentou impor de uma maneira até suave este ensinamento, mas na época dos deuses um só Deus não interessava aos sacerdotes sedentos de poder. Hermes passou este ensinamento de uma maneira mais secreta e velada aos olhos dos sacerdotes. Hermes transformou os desenhos de Enoch em 22 lâminas de prata e cada uma continha uma letra do alfabeto hebraico que traduzia e dava nome à lâmina. A primeira lâmina era completamente branca, vazia. Não tinha desenho algum, apenas a primeira letra do alfabeto, que representava o início de tudo, o abismo sem fim ou o vazio sem consciência, mas o sábio Hermes foi muito além. Ele criou mais de três maneiras de interpretar essas lâminas. Vou relatar aqui as três principais. A primeira interpretação referia-se ao princípio do universo, Deus como o vazio que se gerou e se fez vida. Esta é a história que já lhe contei. A segunda interpretação desta lâmina referia-se à evolução do planeta em que vivemos, um planeta novo em fase de adaptação. A terceira interpretação referia-se aos seres humanos recomeçando do zero uma nova etapa de evolução em um novo planeta. Explicando melhor, digamos que uma pessoa resolva consultar essas lâminas como um oráculo e resolva fazer uma pergunta pessoal, uma pergunta a nível universal e outra espiritual e por um acaso essa pessoa retire a mesma lâmina para as três perguntas. Se isso acontecer não quer dizer que a resposta da lâmina seja a mesma para as três perguntas, pois o seu significado muda. Para que fique bem claro como isto ocorre eu farei o papel da pessoa que fará essas perguntas. Minha primeira pergunta é: “Como posso resolver a situação em que me encontro no momento?” Ao consultar as lâminas sagradas de Hermes eu tiro a lâmina em branco, a que não tem número, e por isso foi numerada mais tarde com o zero. Esta lâmina significa que eu estou perdido sem rumo. Estou à beira de um abismo, mas não o enxergo. Por isso no mundo físico esta lâmina significa O Louco, aquele que anda sem rumo nem direção, aquele que por falta de sabedoria ou compreensão não ouve os conselhos dos sábios ao seu redor, etc. Agora digamos que eu deseje saber como está o estado de evolução do planeta em que vivo (Terra) e ocasionalmente retiro esta mesma lâmina. Isso significa que o meu planeta está no primeiro estágio de aprendizado e ainda é muito novo, totalmente inocente. Agora vou fazer minha terceira pergunta. Nela eu questiono a origem divina e ao tirar esta carta eu vejo revelado o segredo de como tudo começou, o início de tudo, o vazio que se preencheu sozinho, o Verbo que se deu vida, Aquele que é, foi e sempre o será. O poder dessas lâminas é tão forte e revelador que Hermes disse que aquele que as compreendesse encontraria a rota da evolução divina nelas. Outros sábios árabes deram-lhe o nome de Torah. Mais tarde alguns nômades boêmios vulgarizaram as interpretações corretas deste segredo hermético. O nome dessas lâminas foi trocado diversas vezes até que terminou ficando com um pelo qual se tornou muito conhecido, o Tarot (ou Tarô), que na verdade era seu verdadeiro nome. A combinação das letras da palavra tarô também forma outras palavras reveladoras como a rota. Muito antes essas lâminas eram conhecidas como A boca da Torah, leitura sagrada dos judeus.

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Portanto, meu pequeno aprendiz, desde que a Terra foi criada o homem que nela habita recebeu também o manual que o instruiria no caminho da evolução, só que sozinho o homem não compreenderia esse manual. Por isso Deus treinou vários professores. O primeiro foi Enoch, que recebeu o nível mais alto de conhecimento para sua época, porém quando tentou ensinar o que sabia foi considerado louco e profano. Enoch, como todos os outros seres que tiveram acesso a essa sabedoria logo descobriram o preço que esta lhes custaria: a solidão, o descrédito e a eterna incompreensão dos que viviam ao seu redor. A Verdade deu a Enoch a liberdade, retirou de seus olhos o véu dos mistérios. Mostrou-lhe o infinito, mas o expulsou da Terra, pois a ignorância aqui era grande, como ainda o é. O profeta Elias foi um dos primeiros a traduzir e compreender o Livro de Enoch, pois também recebeu a revelação divina e esta o transformou em peregrino. Por essa Verdade Elias quase morreu apedrejado, mas esta mesma Verdade o salvava. Elias teve o mesmo destino de Enoch, do faraó Akhenaton, de Hermes e Cristo. Nenhum desses seres tiveram seus corpos achados e jamais o terão. O faraó Akhenaton mandou colocar em seu sarcófago um homem simples, que se passaria por ele no futuro, quando resolvessem abrir seu sarcófago. Tempos depois dele as pessoas acreditavam que ele era meio homem meio mulher. - Eu não entendi isso direito, senhor Rabi. Como isso é possível? - Até os dias de hoje e até no futuro, meu pequeno Osha, muitos acreditarão que o faraó era uma anomalia ou uma aberração da natureza, porém nada disso foi verdade. As poucas imagens de Akhenaton que o faraó Ramsés não destruiu refletiam apenas a verdade que ele tentava deixar escrita para o futuro. Ele pediu a seus artistas para retratá-lo com dorso de homem e quadris femininos para mostrar que Deus era a luz absoluta da Verdade e sendo Ele a luz e o princípio de tudo fatalmente seria o feminino e o masculino em um só. Nas várias imagens de Akhenaton é possível vê-lo com peito de homem e quadris femininos reverenciando o Sol, a grande luz. Isso significa que Deus, sendo o masculino e o feminino, sabedoria e compreensão, alcançaria assim o Magma Supremo, a Grande Luz Reveladora. Deus, sendo dois, seria o Um Absoluto. - Então quer dizer que Deus é o Sol, senhor Rabi? - Não, Osha, Deus não é o Sol, pois o Sol é apenas uma pequena molécula da sombra da imensa luz de Deus. Akhenaton tentou explicar isso usando o Sol como exemplo, afinal esta é a maior luz que alcança o nosso planeta. Na verdade o faraó Akhenaton não tinha um corpo deficiente como muitos imaginam. Ele apenas se fez retratar daquela maneira para explicar a evolução divina dos seres humanos e para explicar o que era o verdadeiro Deus, porém sua história foi distorcida e adulterada durante muitos anos por outros faraós e sacerdotes ambiciosos, que não respeitavam a Verdade. Akhenaton preparou tudo para sua morte. Seu médico era seu melhor amigo e sabia tudo sobre a vida do sábio faraó. Cumpriu-lhe seu último desejo. Akhenaton pediu ao médico e a outro amigo que não o mumificassem, mas que o levassem para um lugar por ele previamente escolhido no deserto. Era um lugar sagrado para o faraó, pois ali seu corpo jamais seria encontrado. Há, no entanto, uma observação a ser feita nessa história. Algumas dezenas de
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anos mais tarde Akhenaton reencarnou e foi ao lugar onde seu corpo havia sido enterrado e de um velho caixote retirou um cajado sagrado, que foi dado a outro grande homem para que cumprisse a missão de preservar a sabedoria na Terra. Mas voltando ao faraó, quando ele percebeu que estavam se aproximando os dias finais de sua existência ele conversou com seu médico, que trabalhava na Casa da Cura e da Morte, e pediu a ele que não permitisse a entrada de ninguém em seus aposentos no dia de sua morte e que esta só fosse anunciada após a troca de seu corpo e somente quando o corpo já estivesse preparado para a extirpação, sendo então levado ao banho de mirra, lá permanecendo por 60 dias. Assim já não seria reconhecido quando fosse velado. Antes disso ele mandou sua esposa e filhas para outro palácio e providenciou um corpo da Casa da Cura e da Morte de um pobre tão magro quanto ele, pois era a única semelhança necessária, algo que não era muito difícil encontrar naquela época. Assim o faraó Akhenaton fez seu corpo desaparecer da história, afinal ele tinha sabedoria suficiente para não aceitar os rituais de mumificação feitos com os seres da sua época. Enfim, pequeno Osha, os grandes sábios que tentaram revelar os segredos das 22 lâminas foram apagados pelos seus sucessores. As vidas deles desapareceram dos pergaminhos e da boca das pessoas, mas o tempo que tudo encobre também descobre. Sendo assim tudo o que um dia foi velado voltará a ser revelado, afinal essas vidas foram escondidas, mas jamais esquecidas. Senhor Rabi, continue a me contar a história dessas lâminas sagradas. A lâmina em branco também carrega um número muito especial, que tem semelhança com seu aspecto vazio. O número zero no alto da lâmina define um círculo vazio. A lâmina também é vazia, nada tem senão o número zero. Essa lâmina é considerada a primeira por muitos sábios, porém há outros que dão a ela o número 22, preferindo começar a numeração do Tarô pela lâmina nº 1, O Mago. Nenhum deles está errado, afinal a lâmina número zero, que muitos chamam de O Louco, tem uma particularidade. Ela inicia a leitura da evolução do Homem, do Pai e do Universo e somente para Deus ela não se reprisa mais, mas para o homem e o universo vive se reprisando. Para que você me entenda melhor vou exemplificar essa reprise. Quando um ser termina um estágio em um planeta é porque ele chegou ao caminho 21, O Mundo. Só que ao partir para outro planeta um novo estágio planetário começa, obviamente mais avançado, mas tudo é novo e o ser tem que recomeçar sua adaptação, afinal ele pode até ter sabedoria, mas ainda não conhece a sua prática naquele novo planeta. Isso só pára de acontecer quando o espírito daquele ser atinge o nível 21 de prática e sabedoria. Em outras palavras somente quando o espírito já pôs em prática todas as suas emoções, somente quando já sentiu todas elas. Somente assim ele estará pronto para representar Deus em sabedoria e poder. As sete primeiras lâminas representam a Divindade e toda a sua história. As outras sete representam os sete gênios da divindade e as sete últimas lâminas representam as virtudes e pecados do homem, decadência e ascensão, nascimento e morte, involução e evolução, mas vamos deixar claro que elas também explicam a evolução do universo e dos planetas. Na verdade elas são um manual do universo e de tudo que há nele.
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Rabi, 22 lâminas não é muito pouco para explicar tantas coisas? Não Osha, não é. Para olhos sábios, que saibam captar a sabedoria que elas contêm, elas são como muitos livros reveladores dentro de uma única imagem. Muitos homens já enlouqueceram ao descobrir os segredos dessas 22 lâminas e muitos ainda vão enlouquecer, pois a verdade que elas revelam são como espada, pois o véu do destino mostra ao homem uma verdade que ele jamais imaginara conhecer. Como já lhe expliquei a lâmina nº 0 agora vou lhe explicar a lâmina nº 1. Esta tem um significado muito belo, pois representa Deus como o Verbo (o Éter, o Ar), aquele que deu vida ao vazio. Como o vazio não pode ser destruído deve ser preenchido e O Mago ou a lâmina nº 1 representa o princípio desse preenchimento. O mago na verdade é um aprendiz, aquele que se depara com suas primeiras experiências, as primeiras emoções. Esta lâmina representa que o universo germinou e deu vida e que a partir dessa vida muitas outras nascerão. Esta lâmina representa Deus como aprendiz e os Amorazins como experiência. Para entender melhor esta lâmina basta você se lembrar do princípio da evolução divina, que já lhe contei, e assim você compreenderá tudo com muita facilidade. Já quanto ao ser humano ele tem que reviver todas as lâminas, como já lhe disse, afinal cada planeta é uma nova escola, mas para o espírito do ser humano isso é muito diferente na medida que somente o corpo e a alma têm que encarnar e nascer para dar ao espírito a prática. Ele avança uma lâmina ou “um caminho” a cada escola (planeta) onde a alma encarna. Já tendo a sabedoria basta apenas ao espírito praticá-la para obter a evolução. No universo acontece a mesma coisa. Cada planeta passa pelos 22 estágios e acredite, meu pequeno Osha, ainda existem planetas vivendo no caos do número zero. Senhor Rabi, esses planetas são como aqueles espíritos de que o senhor falou que já existem, mas ainda não sabem ou não despertaram? Sim, esses planetas são lugares vazios esperando para serem habitados. Alguns já têm habitantes, que estão começando a dar vida a esses lugares. Alguns sábios acrescentaram à lâmina nº 1 (O Mago) mais um segredo revelado. Eles dizem que ela representa o Homem, a primeira criação de Deus, afinal sendo o Pai o nº zero o homem seria o número 1, pois o homem não pode ser o zero já que teve um princípio, um criador. Deus é o único a ser o número zero, pois só Ele é o princípio de tudo e tudo é Ele. Há um enigma antigo que faz jus a essa crença. Na Índia existe um templo sagrado e que hoje é muito bem escondido. É conhecido como Templo do Elefante Dourado. Conta-se que o templo fica do outro lado de um rio onde a água é tão quente que derrete até metal, porém existe uma maneira de atravessar este rio. Uma pedra mágica surge na margem do rio. Sobre ela vem sempre escrito um enigma. Aquele que desvendar o enigma fará surgir um caminho de pedras que, apesar de estarem em água quente, não queimam aquele que pisar sobre elas. Um dos enigmas mais curiosos que surgiu foi desvendado por uma única pessoa, que sabia falar várias línguas e por isso conseguiu desafiálo. E que enigma era esse, senhor Rabi?

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Onde morre o começo e o princípio do início e onde se acaba o tempo que nunca tem fim? Isso é muito fácil, Rabi. O começo morre no fim e o tempo se acaba quando a gente morre. Meu pequeno Osha, tu me fazes rir com tuas brincadeiras. Não é tão simples assim, meu menino. Você tem que analisar melhor as palavras. Este enigma foi escrito em um idioma para ser respondido em outro e assim ele demorou 100 anos para ser decifrado. Durante 100 anos ninguém atravessou o rio, pois enquanto um enigma não fosse decifrado não surgia outro. Um homem vindo de terras distantes leu o enigma em sânscrito e o respondeu no seu idioma e assim foi decifrado o enigma, que permaneceu secreto por 100 anos. Onde morre o começo e o princípio do início e onde se acaba o tempo que nunca tem fim nada mais é do que a letra O, a última letra das palavras princípio, começo, início e tempo, que terminam em O. Deus é o alfa, mas também o ômega. Essas palavras são princípios da definição divina. Alfa é um estado elevado de meditação onde o homem consegue transcender a matéria. O ômega é transcender a própria transcendência, é ser sem limites, estar acima de tudo e ser o Tudo, mas vamos deixar os enigmas para trás e continuar nas lâminas sagradas. Agora vou lhe contar o significado da lâmina nº 2. Ela significa a sabedoria (a Ísis velada, a Terra). Para Deus ela representa a parte em que Ele começou a sentir, a ter emoções, a dar vida a seus Amorazins. Para o homem ela representa o princípio da sabedoria, os primeiros passos do aprendizado da vida e tem o mesmo significado para o universo. Ela representa a descoberta dos valores terrenos. A lâmina nº 3 (os Sonhos, a Água) representa a germinação. Para Deus ela foi a necessidade da criação. Depois de começar a sentir e dar vida a suas emoções Deus começou a criar formas diferentes para controlar ou organizar o caos de seus primogênitos. Para o homem esta lâmina também representa a germinação de seus planos, de suas idéias e é assim também para o universo. A lâmina nº 4 (a Força que germina, o Fogo) representa o lado oposto da lâmina nº 3. A nº 3 representa a germinação e também a compaixão buscando alternativas, enquanto a nº 4 representa a ordem pela força, o comando. Até esta lâmina Deus já havia criado, obviamente ainda sem controle, os quatro elementos primários: terra, água, fogo e ar, mas Ele ainda não sabia como dosar tudo isso e, desgovernados, esses elementos descontrolavam o que já era incontrolável, os primogênitos de Deus, ou seja, as emoções do Pai. Para o homem esta lâmina representa o princípio de suas conquistas, de sua força e para o universo também. A 5ª lâmina mostra que Deus descobriu sua própria dualidade, os dois gênios superiores que O habitavam. O gênio da fúria, da morte, da ira, do descontrole, da ansiedade, etc. e o gênio da paz, da harmonia, da insegurança, das incertezas, da caridade e do medo. Um rio se fez na mente de Deus dividindo duas grandes árvores: a Árvore da Vida e a Árvore da Morte. Na Kabalah e no Talmud existem duas explicações muito belas sobre os dois lados de Deus. Vou tentar uni-las e resumi-las, pois se eu for tentar explicar com exatidão essa passagem duraria pelo menos 20 dias para narrá-las e alguns anos para você compreendê-las, meu pequeno aprendiz.
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Por que é tão difícil esta passagem, senhor Rabi? Porque é nela que se esconde a grande verdade humana, divina e universal. Todas as lâminas anteriores perderiam o significado se ela não fosse bem explicada, assim como as próximas lâminas também não seriam bem compreendidas e então a história de Deus, do universo e do homem ficaria cheia de interrogações. Em primeiro lugar tente entender que as duas árvores de que vou falar se tratam apenas de dois grandes poderes que habitavam Deus. Esses dois grandes poderes nasceram dentro do Pai no momento em que Ele começou a ter suas primeiras emoções, porém cada emoção que o Pai sentia era uma página ainda pequena da primeira história de um universo que acabara de nascer. As emoções de dor ou amor, tristeza ou alegria foram alimentando lentamente os dois lados de Deus e gradativamente foram crescendo até se transformarem em duas potências de poderes iguais. Foi quando o descontrole invadiu o Pai e Ele absorveu para dentro de si mesmo tudo que havia criado. Assim Ele meditou e avaliou de novo todas as sensações que havia criado até descobrir o que estava faltando. Em seu longo meditar Deus descobriu que sua vida era o primeiro dos elementos, o ar. Deus havia saído do invisível vazio e era o éter que começava a preencher o vazio. Eis aí a revelação da primeira lâmina, O Mago. As primeiras ações de Deus geraram seres vivos, os Amorazins. Surge então a segunda lâmina (A Papisa), que aqui representa a terra. Depois vieram as polaridades que trariam ordem ao caos: a lâmina nº 3 (A Imperatriz), que representa a água passiva e a lâmina nº 4 (O Imperador), que representa o fogo que aquece e germina as sementes, mas pode ser devastador. Os quatro elementos estavam criados, mas faltava o que os tornaria imortais e isso Deus tinha que descobrir sozinho. Em seu período de meditação Deus observou detalhadamente tudo que havia construído desde o princípio de sua existência e percebeu que faltava algo que traria compreensão a toda a desordem que O habitava. Tudo que Ele precisava era permitir que suas duas forças se compreendessem e para isso Deus tinha que compreendê-las e aceitá-las como elas se apresentavam dentro dEle. Em suma, Deus tinha que se aceitar, se compreender, pois só assim encontraria a resposta que tanto buscava. Deus tinha que aceitar que seus dois lados opostos eram uma soma de toda sua verdade, porém Deus sabia que não deveria escolher um deles, pois um não iria progredir sem o outro. Ele então compreendeu a verdadeira função dos seus lados opostos e os uniu, transformando-os em um só. Foi então que Deus alcançou a quinta essência (quintessência). Ela que, como o ar, é invisível, mas que dá a vida a todas as criaturas. Deus descobriu a quinta essência lembrando-se do vazio que era antes de ser o Verbo, Pai de todos os Verbos. Deus lembrou-se que antes de existir lutava para destruir o vazio. O vazio, consumido no nada, nada fazia, nada deixava acontecer. O Tudo resumia-se no Nada. Não existia cor, nem céu, nem terra, nem luz. Cansado de tentar destruir o vazio, que na verdade era Ele mesmo, Deus se preencheu, do Nada brotou e procriou. Ao lembrar disso Deus entendeu que o Vazio jamais havia sido vazio. Ele era apenas invisível e inimaginado, mas a vida real estava nele. Então ele só podia ser a parte de Deus que Deus ainda não
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conhecia e de fato era ele o espírito de Deus cheio de teorias, mas sem prática nenhuma; cheio de sabedoria, mas sem evolução. Foi então que Deus separou seus lados dando-lhes vida. Eles mais tarde voltaram a se unir a Deus, que havia se tornado consciência pura e de três voltou a ser o Um, o primeiro que O gerou, o Espírito. Deus agora era mais que o Verbo criador. Era o Tudo em si mesmo. Muitos conhecem a lâmina nº 5 como O Papa ou O Hierofante, nomes dados para esconder seu verdadeiro significado. Na verdade um dia se chamou A Quinta Essência, mas por alguns milhares de anos seu significado foi se distorcendo e o lado divino desta lâmina foi se apagando da memória do povo, restando apenas o significado do controle sobre o bem e o mal. O significado divino eu já expliquei. Agora resta o significado humano e universal, que na verdade é muito semelhante ao de Deus. Significa a aceitação do bem e do mal como professores, como caminhos obrigatórios que conduzem à evolução. Dando continuidade a esta explicação adentramos a lâmina nº 6, que também tem um significado muito misterioso. Alguns seres a chamam de O Namorado ou O Enamorado. Algumas têm a imagem de um homem, uma mulher e um jovem entre os dois e acima deles um querubim apontando uma flecha para o jovem e este ainda tem que escolher o caminho certo. O jovem tem sua perna direita amarrada à perna da mulher e sua perna esquerda amarrada à perna do homem. O homem está apontando para um caminho e a mulher aponta para outro. O primeiro significado é talvez o mais reservado. Poucos seres o conhecem ou o compreendem. Significa Deus e sua chama gêmea, que unidos pelo poder absoluto do amor infinito (o querubim) deram a própria alma para criar os espíritos que povoam o universo. O fato do jovem estar com as pernas atadas à mulher e ao homem significa que, não importa o que lhe aconteça, ele sempre terá o elo com seu criador. Em resumo o aspecto divino dessa lâmina revela Deus como homem (princípio masculino) e mulher (princípio feminino) sendo o Criador e o jovem que aparece na cena é a alma de Deus, que explode em inúmeros átomos, criando assim a infinidade de espíritos. No aspecto humano essa lâmina representa o homem atado entre o bem e o mal, tendo-os como caminho único para a evolução. O querubim que aponta sua cabeça com uma flecha é o único guia que conduz o homem pelo caminho correto. Na verdade o querubim é o sentimento que consegue ser mais forte que o bem (feminino) e o mal (masculino). Não posso esquecer de revelar que o querubim dessa lâmina tem uma venda nos olhos para justificar que o amor não é visto com os olhos dos mortais, mas com o coração. A venda é um respeito ao sentimento puro, que não vê preconceitos de raça, cor, credo ou de ordem financeira. Em suma, o amor é o cego que tudo vê e nada no universo tem mais poder do que este poderoso cego. No aspecto humano os homens vão trilhando suas vidas, uns pelo caminho do bem e outros pelo caminho do mal, mas nunca deixarão de lado o caminho da verdade que, não importa quanto tempo leve, eles encontrarão. No aspecto universal o significado desta lâmina é praticamente igual ao do homem, não tendo o que acrescentar. Vamos agora para a sétima lâmina, fazendo você compreender inteiramente o motivo pelo qual as pessoas dizem que Deus descansou no 7º dia. Observe como as pessoas distorcem a verdade. A lâmina nº 6 representa de fato a criação dos
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espíritos. Para que não ficasse tão fácil de compreender a verdade inventaram que no 6º dia Deus havia criado o homem de barro, pois assim seria mais fácil para a humanidade compreendê-la. Se fosse revelada a verdade a pouca sabedoria pioraria a situação dos seres que vivem na Terra e muito provavelmente comprometeria a evolução deles. A lâmina nº 7 (O Carro) representa a obra criada, o espírito e a forma. Essa lâmina revela que Deus, além de dar a vida também deu o habitat, porém as condições de vida deveriam vir dos donos do planeta. É justamente aí que se encaixam os primogênitos de Deus, os Amorazins, e também os Evins que, sendo filhos já sábios precisavam apenas praticar a sabedoria nos Infinins, ajudando-os a evoluir. A partir daí Deus encarregou os seres de suas próprias vidas. Por isso dizem que depois de ter criado tudo o Pai descansou, mas isso não é bem verdade. Como pai Deus jamais abandonou seus filhos, porém deu a eles o livre-arbítrio, deu-lhes o direito de escolher como desejariam evoluir. A partir desta lâmina se acaba para muitos sábios a explicação da evolução do Divino Pai e se inicia a evolução do homem. A lâmina nº 8 (A Justiça) tem como desenho o símbolo universal que O Mago (carta nº 1) carrega acima de sua cabeça . Este símbolo significa que tudo que os seres fizerem de bom ou de ruim, não importa onde ou como, vai retornar para eles. Daí se dá o princípio da justiça. Para que essa justiça seja perfeita o que é julgado na balança universal é o coração do homem e sua sabedoria, seu sentimento e suas ações. Isto significa que o homem sempre será o responsável por seus erros e suas ações, seja ele consciente ou inconsciente. Senhor Rabi, eu não entendi direito esta explicação. Na verdade quer dizer que uma pessoa pode matar e roubar e só porque ela acha que não está fazendo mal isso quer dizer que ela não tem consciência? Não é bem assim, meu pequeno Osha. Há milhares de anos a humanidade terrena vive em conflitos, guerras e mata seus semelhantes sem ter sentimento algum. Não há nem uma fagulha de emoção em muitos crimes de guerra ou disputas territoriais, mas isso não significa que o assassino não tenha que pagar pelo seu crime. O que na verdade acontece é que os crimes cometidos sem dor ou consciência serão julgados no decorrer das encarnações, serão pagos sem que o corpo humano tenha consciência. Houve muitas épocas em que a humanidade usava apenas seu instinto de sobrevivência e outro ser humano era tratado como intruso. Então ele era morto e muitas vezes até comido como alimento comum. Esse é um crime muito cruel aos olhos de muitos seres humanos, porém para alguns é tão comum quanto pescar um peixe. Os níveis de evolução são desiguais, ou melhor, os seres estão em níveis diferentes de evolução e sabedoria, afinal a raça que habita esse planeta descende de 12 raças primárias, seres que nunca haviam se encontrado ou convivido com algum tipo diferente. Portanto é muito natural que ao se encontrarem nesta escola chamada Terra venham a ter divergências. Senhor Rabi, o que vem a ser exatamente um planeta primário?

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Logo que terminar a explicação sobre as lâminas vou-lhe contar com todos os detalhes o que é um planeta primário e suas variações. Acho que você compreendeu a lâmina nº 8, a lâmina da justiça, que tanto para o homem quanto para o universo tem o mesmo significado: toda ação tem uma reação. Consciente ou não o homem sempre colherá o que plantou. Esta é a lâmina que mantém o equilíbrio do universo e tudo que nele vive. Agora vamos à lâmina nº 9 (O Ermitão), que significa a medida da sabedoria, a prudência ao misturar seres de planetas tão diferentes. No aspecto universal seu significado quer dizer que quando tantos planetas primários atingem um nível semelhante de sabedoria e evolução estão consideravelmente prontos para se unirem e é nessa hora que entra a lâmina nº 9, que além de representar a prudência também representa muitos sacrifícios em nome dessa união, pois é o momento de deixar os velhos conceitos de lado sem abandonar a sabedoria deles para adquirir novos. Esta lâmina é representada por um velho sábio, que não mostra a face e carrega na mão uma vela acesa. A face oculta significa que a sabedoria se adquire com o passar dos anos (tempos), como indica o corpo curvado do velho, mas sua face não é determinada pelo tempo, pois o tempo, que tudo lhe ensinou, muitas faces também lhe deu. O corpo velho e curvado representa o tempo de aprendizado. A face oculta representa o aprendizado absorvido pela alma, afinal o verdadeiro conhecimento aloja-se no espírito e na alma, mas somente o sinal de velhice do corpo pode demonstrar a sabedoria terrena. A vela que o velho carrega na mão simboliza sua consciência. É então que se encaixa a palavra ‘prudência’. A sabedoria obtida ao longo dos tempos não precisa ter face, mas tem consciência. Isso quer dizer que o homem já tem a medida dos atos e das ações e por isso pode ser submetido a outros aprendizados, afinal ele já tem consciência de que o aprendizado nunca termina. Agora vou lhe explicar a lâmina nº 10, A Roda do Destino, como os sábios talmud a chamam, ou A Roda da Fortuna. Essa lâmina trás em si o desenho de um círculo e dentro dele dois triângulos entrelaçados formam uma estrela de seis pontas. No alto pode-se ver uma esfinge alada, com corpo de leão e cabeça de homem. Abaixo do círculo duas serpentes entrelaçam-se na pilastra que sustenta o círculo. Esta lâmina talvez seja a mais complexa para muitas pessoas que tentam compreender seus mistérios. Na verdade esta lâmina resume toda a história, como ocorre com o nº 10. Representa o nº 1 e ao mesmo tempo o nº 0 e é justamente isso que revela a verdade por trás desta lâmina. O nº 0 é o caos, o vazio, a cegueira. O nº 1 o início, o começo. Esta lâmina esconde essa dualidade. Ao mesmo tempo que ela pode elevar um ser também pode derrubá-lo. Mas vamos ao seu significado. O círculo significa o vazio e ao mesmo tempo o andar de todos os acontecimentos, o tempo sempre em movimento. Um grande rei sábio chamado Salomão usou como assinatura o símbolo desta lâmina e até explicou o seu significado para muitos de seu povo. O simples círculo com os triângulos entrelaçados é um talismã de poderes inestimáveis. O triângulo de cabeça para baixo tem vários significados, mas vamos falar apenas de dois. Um é o Deus velado, o Deus que a humanidade não conhece nem pode conhecer até o tempo certo chegar. Este Deus velado eu já revelei. Tirei o véu que o escondia, é tudo que já
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contei sobre Deus. Este triângulo também representa o medo do desconhecido, o preconceito sobre aquilo que não se conhece na íntegra e a classificação disso como sendo o mal e todas as formas de energia negativa existentes. As pessoas olham para essa parte da estrela como o mal ou o lado mal das coisas. O triângulo com a ponta para cima é a luz, o bem ou o lado bom das coisas. Também representa o Deus que todos conhecem e amam, porém eu lhe digo que essa parte da estrela é nada mais que a sombra de Deus, pois o verdadeiro Deus é aquela parte do triângulo que todos negam por não saberem compreender ou não estarem aptos para isso. O círculo e a estrela simbolizam a consciência da necessidade dos dois lados como caminho único para a evolução. A pilastra envolvida pelas duas serpentes representa Ida, Pingala e Sushumna, três grandes energias que se escondem dentro de todo ser humano, mas que um dia se unem e despertam o homem para a consciência do Divino. Após um nível de sabedoria considerado suficiente para a transformação essas três energias despertam no ser humano. Isso acontece quando o ser já tem um alto nível de consciência e o despertar da energia é chamado de “o acordar da grande serpente de fogo” ou Kundalini. Isso acontece quando a alma entra em harmonia profunda com o espírito. É quando o corpo já tem consciência de sua alma como parte do espírito, necessária para a evolução do mesmo. O corpo também se compreende como roupa viva usada pela alma para expandir a consciência do espírito. Em resumo esta pilastra entrelaçada por duas serpentes simboliza o corpo, a alma e o espírito unidos em perfeita harmonia, aptos a acessar a verdade que se esconde no círculo que rodeia a estrela de seis pontas. Na verdade este círculo manifesta-se como a consciência dos três corpos já unidos. A esfinge alada que está acima do círculo significa que o homem dominou seus medos e sua ira. As asas da esfinge são as asas que libertam o homem, que agora sabe o que realmente tem e o que nunca teve, mas acreditou um dia possuir. Essas asas são o que o liberta desse mundo de ilusões e o conduz ao mundo verdadeiro. É essa consciência que não permite ao homem cometer erros, mas nem todos os homens chegaram a este nível de sabedoria de maneira natural. Muitos usaram fórmulas mágicas, outros forçaram o despertar das energias da Kundalini, que foi o caso do nosso sábio rei Salomão. O despertar forçado termina sendo desastroso, pois os três corpos humanos ainda não vivenciaram nem aprenderam tudo que deveriam vivenciar ou aprender para chegar à harmonia necessária. Muitas dessas interferências forçadas fizeram a lâmina nº 10, A Roda do Destino, ser vista como uma lâmina de medo. Por esta razão também foi preservado por alguns sábios o significado que lhe contei, que quer dizer apenas o seguinte: O homem consciente é livre e eterno, pois sua consciência está acima da morte física. Chegar a este nível significa ter que lutar muito para se manter ou avançar, pois os obstáculos não serão pequenos nem conhecidos. Um mundo novo começa a se revelar e o homem tem que lutar para não enlouquecer. Afinal ele viverá entre dois mundos e muitas vezes essas duas realidades vão se chocar e poderão trazer grande confusão à cabeça do homem. É esta lâmina que prepara o homem para a lâmina nº 11, conhecida como A Força. Ela tem a imagem de uma bela mulher abrindo a boca de um
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leão, delicadamente e sem esforço algum. No alto de sua cabeça ela tem o símbolo do universo, que significa que ela tem o conhecimento divino e todo o seu poder e força vem deste conhecimento. Ela tem o poder da Verdade que tudo amansa, acalma e domina. Esta é considerada a força indestrutível e inabalável, pois está além da imaginação. Reúne em si as três formas de força e poder: a força divina, a força moral e a força humana. É a força do querer, do poder e da realização. O homem tem agora a consciência e o poder que esta lhe concede, tudo em perfeita harmonia, mas o seu grande teste se esconde na lâmina nº 12, que muitos chamam de O Sacrificado, O Escolhido ou O Enforcado. Após atingir um nível tão alto de sabedoria o homem deve passá-la aos seus irmãos, deve tentar ensinar o que aprendeu e geralmente isso vai lhe custar um preço muito caro como a descrença e as humilhações. Esta foi a lâmina que Cristo carregou nas costas quando desceu à Terra para passar a verdadeira sabedoria à humanidade. Esta lâmina representa um sacrifício em prol da verdadeira sabedoria, mas esses sacrifícios grandiosos como o de Cristo são apenas para níveis de evolução como o dele. Muitos seres temem esta lâmina por conhecerem seu significado, que geralmente implica em sacrificar ou perder algo ou até mesmo abnegar de alguma coisa. Somente no aspecto divino esta lâmina representa o sacrifício do Cristo, que na verdade foi um grande sacrifício para uma grande realização. A lâmina nº 13 (A Morte) representa a grande transformação, a evolução de um nível de sabedoria para outro. Esta lâmina tem uma imagem de um crânio e uma flor que germina do alto dele. Isto significa que é na morte que encontramos a verdadeira vida, pois somente na morte terrena é que encontramos a imortalidade. Também representa um recomeço a partir de um final. Em suma, esta lâmina representa um círculo de eterno fim e recomeço e transformações, sempre de forma brusca ou irreversível. No aspecto planetário e universal esta lâmina representa uma transformação obrigatória, sendo aplicada pela própria Lei da Natureza. Foi esta lâmina que surgiu para mudar o destino da humanidade terrena na época em que o Cristo morreu. Ela surgiu como um fogo devastador que queimou muitas crenças e credos deixando o caminho aberto para a Verdade. É uma pena que esta Verdade reinou por um curto período e logo depois passou a haver muitas distorções, mas esta Verdade retornará e tomará conta da Terra, pois é assim que está escrito nos livros sagrados Talmud e Kabalah. O Cristo foi o Crucificado, o Enforcado (lâmina nº 12), mas também foi a espada devastadora da Verdade, que calou a boca dos grandes sábios (lâmina nº 13). Agora vou lhe explicar a última lâmina que tem um aspecto dos gênios. Por que aspecto dos gênios, Rabi? Porque as oito primeiras lâminas (0 a 7) têm o aspecto divinal. Isso quer dizer que elas dizem respeito ao Pai e sua criação. As outras 7 lâminas (8 a 14) dizem respeito aos gênios. Esta é a parte mais difícil de explicar, pois os gênios, além de serem os sete planetas que regem a Terra diariamente, também são os espíritos de todos os seres humanos do universo. Isto quer dizer que essas lâminas juntas são um grande livro sobre a evolução das criaturas de Deus. As últimas sete lâminas (15 a 21) representam a evolução
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das criaturas criadas pelas criaturas de Deus. Na verdade essas últimas sete lâminas representam as condições de evolução da humanidade. Elas representam também os obstáculos colocados nas escolas universais (planetas) para dar continuidade à evolução das criaturas. Quando eu começar a explicá-los vai ficar muito mais fácil para você compreender o que estou tentando explicar agora. Vamos primeiro dar continuidade às explicações com a lâmina nº 14 (A Temperança). Nela se vê o desenho de uma criança com dois pequenos vasos, um em cada mão. Um está com azeite e o outro com água. Essas duas substâncias normalmente não se misturam, pois a água repele o azeite fazendo-o subir e o azeite repele a água proibindo que ela ultrapasse sua barreira, porém neste desenho é possível ver a criança misturar essas duas substâncias, que na verdade são alma (azeite), corpo (água) e espírito (criança). O espírito, que é a divina sabedoria, emana para a alma tudo que ela vai precisar em uma encarnação e a alma, por sua vez, tem que passar as informações necessárias para o corpo, que tem de enfrentar as condições terrenas para viver. A água representa o corpo porque este é mortal e a água é um fluido que nasce da terra, mas a própria terra o absorve, o que significa que o corpo que neste mundo habita nele se acabará. A alma aqui é o azeite porque este não morre simplesmente na terra. Se nela for jogado por muito tempo ali permanecerá, proibindo que venha a nascer matéria viva neste lugar, pois a alma precisa ter um corpo para animar. Seu corpo natural são os frutos das oliveiras. Este mesmo azeite também dá vida longa ao fogo, pois ele é a luz do homem e quando o azeite da alma é esgotado pelo fogo da matéria o corpo do homem perde sua energia vital. O espírito, que com facilidade mistura o azeite e a água, é a evolução da sabedoria. Isto significa que uma simbiose entre corpo e alma começa a acontecer quando a matéria passa a compreender as vontades e necessidades da alma, quando o corpo começa a compreender a sabedoria divina e passa a ver sua vida como um círculo constante de evolução que não tem fim. A maioria dessas lâminas já tem explicações maiores em tudo que já lhe relatei. Por isso não estou me demorando em explicá-las para não ser repetitivo demais. Vamos agora à explicação da lâmina nº 15, conhecida como O Destino ou O Diabo. Esta lâmina também é conhecida como a serpente que expulsou Eva e Adão do Paraíso, para o povo que acredita nesta história, é claro. A verdade é que esta lâmina marca os primeiros passos que o homem encarnado deve dar para sua evolução. Para que você me compreenda bem vou lhe explicar esta lâmina usando como base a estória de Adão e Eva e a serpente que os levou ao pecado. Na estória da Bíblia a Gênese conta que Deus criou Adão e o paraíso e somente mais tarde criou a mulher, mas a verdadeira história eu já contei. Vamos apenas recapitular. Deus, como o homem, criou num processo de evolução os seus primogênitos de suas próprias emoções. Tanto os primeiros filhos como o próprio Pai não tinham uma aparência definitiva. Isso só aconteceu quando Deus tirou de seu próprio coração um pedaço, momento em que nasceu seu lado feminino (Eva), sua chama gêmea e somente depois da evolução dela é que nasceram os filhos. Da lâmina nº 15 foram encontradas diferentes imagens. Uma lâmina tinha apenas uma face de homem e outra de uma mulher, ambos sendo engolidos por uma gigantesca
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serpente, mas uma outra lâmina encontrada dentro da esfinge do touro no Egito retrata com fidelidade a verdadeira história. Mostra o desenho simbólico de uma mulher nua em pé de um lado do riacho e um homem nu do outro lado desse mesmo riacho. Eles estão separados, mas existe uma corda fina que amarra o homem pelo pescoço ao ventre da mulher. No fundo pode-se ver a imagem de uma crimera (ou quimera), uma mistura de cabra e homem hermafrodita. Para não te assustar vou tentar descrever esta imagem, que durante muitos anos aterrorizou as pessoas e, por incrível que pareça, ainda continuará a aterrorizar por mais alguns milhares de anos. Esta crimera tem as pernas de uma cabra, sua região genital está desnuda e deixa à mostra um pênis ereto e é possível ver duas serpentes entrelaçadas no órgão. Da cintura para cima este ser tem seios femininos fartos. Sua face é a de uma cabra ou bode com chifres grandes, porém no alto de sua cabeça existe uma tocha acesa. Seu braço direito aponta para o céu e o esquerdo para a terra. Em suas costas as asas vermelhas estão abertas e o trono deste ser é um círculo dourado representando o sol. Biblicamente falando esta é a imagem do pecado que Eva levou Adão a cometer e condenou assim toda a humanidade, mas não houve uma Eva ou um Adão culpado. Esta crimera é o agente da evolução humana na Terra. Ela mostra tudo que o homem tem que passar para chegar à evolução, a começar pelo fato de estar sentado encima do Sol. Isto significa que o homem, enquanto permanecer ignorante, não poderá enxergar a verdade ou a verdadeira luz. O fato de ter uma face de cabra demonstra a face do pecado. Alguns seres sacrificam carneiros e cabras para sanar suas dívidas com Deus, pois ao fazerem isso acreditam estar se libertando de seus pecados. Esse é um costume muito antigo e para algumas seitas ou religiões a oferenda a Deus de um belo animal dessa espécie é uma boa maneira de ser perdoado por algum erro. Outras crenças acreditam que esse ser é o “agente do mal” e o cultuam como criador das luxúrias. Os seios femininos e o órgão sexual masculino mostram a união das duas polaridades como sendo um só, unidos pelos pecados e pelo desejo carnal. O órgão masculino entretocado por duas serpentes representa a briga eterna do bem e do mal pelos prazeres da vida e da carne. O órgão sexual masculino são os prazeres e as duas serpentes são o bem e o mal. A tocha que está no alto da cabeça da crimera é a consciência que está acima de tudo e que vive em todo ser vivo, mas aguarda a hora certa para despertar. As asas nas costas é a maneira que esse agente encontrou de dizer que o ser humano é livre. Ele tem liberdade ou livre-arbítrio para ter escolhido provas da Árvore da Sabedoria e arcar com as conseqüências de não ter evolução bastante. O ser é livre para errar e acertar. Somente o pecado pode evoluir o homem dando a ele sabedoria o bastante para que compreenda seu próprio destino e tudo que nele existe. O fato do ser apontar com uma mão para o céu e com a outra para a terra tem vários significados. Dentre eles um diz que é preciso conhecer o inferno para chegar ao paraíso. Outro explica que é preciso viver as dores da ignorância para conhecer o alívio da consciência. O que você faz aqui embaixo está sendo visto lá encima, o que está encima é o mesmo que está embaixo. É preciso nascer para morrer e morrer para renascer. Ignorância é o caminho para aprender e aprender é o caminho para o saber, etc. Analisemos
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o homem e a mulher separados por um riacho, porém unidos por uma fina corda. Esta fina corda é a mão do destino, que significa que para ser vida o homem precisa nascer. Por isso sua sabedoria, força e soberania não podem existir se ele antes não habitar o ventre feminino, pois essa é a terra fértil onde o homem pode plantar suas futuras encarnações. A mulher é a senhora da germinação e o homem é o dono da semente, mas somente juntos podem tornar possível o ato da criação. Outra explicação bem clara é o fato de que hoje aquele que é homem um dia será mulher, pois o riacho que os separa é a alma, que não tem sexo, cor ou credo. O destino atrai o homem pela razão, guiado somente pelo que vê e sabe. O homem serve os conceitos sociais que determinam sua posição como ser superior, que em tudo manda e em tudo deve ser obedecido. A mulher tem o ponto fraco no seu ventre, pois é mais fácil matar uma mãe através de um filho do que simplesmente matá-la através da dor. Não há dor maior para uma mulher do que ter um filho morto ou doente. Repousa sobre as mulheres a sabedoria que os homens desconhecem. Quando é preciso são mais fortes que milhares de homens em fé, porém da mesma maneira são devastadoras como fogo. Para sentir o que uma mulher é em sua essência é preciso encarnar como uma. Para sentir o que um homem tem em sua essência é preciso encarnar como um. Por isso homem e mulher tem que ser um complemento do outro, pois ambos carregam sabedoria oculta dentro de si, que só se revela quando se completam. O sentido bíblico do homem e da mulher unidos significa que o homem teria que se reproduzir como semente, a mulher seria o alimento da semente e a terra a desabrochar e juntos teriam que ser os jardineiros cuidadosos a zelar pelo jardim pessoal. Essa parte é vista como um castigo por muitas pessoas que não compreendem a Bíblia. O riacho que separa o homem da mulher não é apenas a alma, mas também são as diferenças que existem entre esses dois seres, porém não posso me esquecer que no Talmud há passagens belíssimas que igualam o homem à mulher como um só ser. No livro sagrado do Talmud a mulher, ao contrário da Bíblia, não é vista como a costela do homem, mas como o coração dele, tal qual Deus e sua chama gêmea. São como corpo e alma, um não pode viver sem o outro. O Talmud ainda preserva alguns dos mais belos poemas de Enoch. O rei Salomão as reescreveu milhares de anos mais tarde e o povo atribuiu a autoria deles ao rei, talvez por não saber que o verdadeiro autor de tão belas obras fosse Enoch, mas isso não vem ao caso. O importante é relatar que a lâmina nº 15 para a Bíblia mal-compreendida é o princípio da humanidade, e a Eva e o Adão, pais criadores dos homens e da humanidade e a crimera que está por trás deles é o Lúcifer, o pecado que condenou todos os seres vivos a serem expulsos do paraíso, porém para os livros que formaram a Bíblia esta lâmina nada mais é que o destino trilhando o caminho da evolução de todos. Relata apenas a nossa transferência de uma escola (planeta) para outra em busca de evolução. Mais tarde, quando eu contar sobre os planetas primários, talvez fique mais fácil compreender porque alguns seres acreditam que deixamos um paraíso para viver num inferno. Só então a verdade vai sair das sombras. Senhor Rabi, então quer dizer que tudo que está escrito na Bíblia não é verdade?
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Não é bem assim, meu pequeno aprendiz. A Bíblia foi escrita a primeira vez numa escrita desenhada. Tudo era feito por imagens e estas eram fiéis à Verdade. Também nesta época os sábios da Kabalah passaram para este novo livro uma boa parte dos ensinamentos que existiam nos velhos. Na verdade eles queriam tornar acessível as bases do conhecimento que tinham, só que para isso tinham que reduzir ou resumir esse conhecimento passado para este novo livro que hoje é chamado de Bíblia. Moisés, quando começou a escrever o primeiro capítulo já era mais que um aprendiz, porém ao acessar os pergaminhos sagrados do grande Livro de Enoch percebeu que tudo que Enoch escreveu foi numa época em que a humanidade estava rumando para sua primeira destruição e já não se compreendia mais. Moisés foi fiel aos desenhos do Livro da Criação de Enoch, porém mais tarde algumas pessoas convenceram Moisés que aquela história não fazia mais parte da verdade e era muito fácil prová-lo, pois na época de Enoch a humanidade falava o idioma universal e na época de Moisés já existiam muitas línguas. Como ter certeza de que a escrita-desenho de Enoch retratava a verdade que Moisés acreditava ser o princípio da criação? Moisés se negou a retirar todos os desenhos, mas aconselhado por outros grandes homens de sua época tirou partes que seriam essenciais para a compreensão dos enigmas bíblicos. Com o passar dos anos este livro foi traduzido para outras escritas e línguas e foi ficando cada vez menor. Em suma isso não é ruim, afinal tudo está revelado em apenas 22 lâminas ou em 22 letras, o que na verdade é tão pouco para compreender um universo tão grande, porém aquele que sabe o significado dessas lâminas e das letras já pode se considerar um sábio. A Bíblia também revela esta Verdade, mas é preciso estar apto para compreendê-la. Mas agora vamos dar continuidade à explicação das lâminas. A lâmina nº 16 é conhecida como O Reino de Deus, A Casa de Deus ou simplesmente A Torre. No aspecto bíblico ela se refere à Torre de Babel, que os homens construíram para chegar ao céu e terminaram por não compreender uns aos outros, pois tiveram os idiomas trocados com a finalidade de não se compreenderem e assim desistiriam de construir a torre gigantesca, mas o que esta lâmina relata de verdade é a época do dilúvio, onde a Terra estava tomada pela luxúria e pela loucura. Esta era uma época em que homens e deuses cometiam erros em nome da própria ambição, época das grandes crimeras, seres fabricados pelos excessos da magia de soberanos sem razão. O nome A Casa de Deus foi dado porque esta torre tinha o objetivo de conduzir o homem ao céu, ou seja, à casa de Deus. Na verdade esta lâmina significa toda a destruição das três cidades do princípio da Terra: Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Para que você me compreenda melhor vou descrever as imagens desenhadas nesta lâmina. Nela pode-se ver o desenho de uma construção muito grande edificada como uma torre. Do lado de fora dela é possível ver raios derrubando homens e mulheres que tentam escalar esta torre, porém há 3 mil anos esta lâmina tinha outro desenho muito conhecido, que por motivos religiosos foi trocado ou ocultado para sempre. Este outro desenho era semelhante a uma grande Arca de Noé. Eis os dois lados desta lâmina. O primeiro lado é a visão bíblica do ser humano que, não estando contente com sua vida terrena, tenta voltar ao paraíso. Muitos seres que
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foram instruídos segundo os relatos da Gênesis acreditavam e ainda acreditam que são filhos de uma Eva e um Adão pecadores e segundo a Bíblia esses seres construíram uma torre para fugir das dores físicas, uma torre que os levasse ao céu e deram a ela o nome de A Casa de Deus. Outros a chamavam de Torre de Babel (Babel significa Babilônia). O outro lado desta lâmina, que diz respeito à Arca de Noé, era apenas mais uma parte do imenso quebra-cabeça, pois mostrava o desenho da arca protegida e do lado de fora uma multidão de seres humanos suplicando perdão, tentando agarrarse à arca, enquanto as águas os engoliam. A lâmina nº 16 não era uma arca e nem mesmo uma torre. Esses desenhos serviram apenas para a humanidade perceber a grandiosidade de seus erros e sua ignorância. Esta lâmina marca a primeira grande destruição da Terra, aquela a que todos dão o nome de dilúvio. Ela marca uma época em que o equilíbrio material foi desfeito e a Terra teve que ser destruída parcialmente. Toda a sabedoria mágica que facilitava a vida dos homens foi consumida pelo fogo, pela água e pela própria terra. Muitas catástrofes naturais se abateram sobre o nosso planeta numa só época, porém é imprescindível dizer que Deus nada fez para causar esta destruição, como alguns acreditam. Esta destruição foi obra do próprio homem e daqueles que eram chamados de deuses, seres com conhecimento de magia, mas sem sabedoria para utilizá-la de maneira correta. Naquela época era muito fácil usar a magia da natureza e seus elementais (seres da natureza), assim como era muito fácil descobrir e saber como utilizar o poder dos astros, mas toda essa facilidade gerou aquilo que alguns chamam de aberrações e outros chamam de dinossauros. Particularmente eu prefiro chamá-los de crimeras. O mais incrível de tudo isso é que houve uma época em que os seres humanos conseguiram viver em harmonia com esses seres, mas como tudo que é bom dura pouco a natureza entrou em desequilíbrio pela destruição causada pelo grande número de crimeras e as constantes guerras entre eles e os humanos. Em resumo, o homem teve que perder tudo que acreditava ter para mais tarde, numa outra vida, recomeçar. A lâmina nº 15 é a aceitação da evolução e a busca da sabedoria pelos caminhos das encarnações. A lâmina nº 16 é a aceitação do esquecimento da magia para o aprendizado da verdadeira sabedoria. A lâmina nº 17 (A Estrela) é a marca do recomeço. O desenho desta lâmina retrata as condições e até mesmo o período necessário para uma nova etapa terrena. Nesta lâmina é possível ver a imagem de uma mulher nua (representando a Terra e o espírito do homem). Seu corpo todo é luminoso. Ela pisa em uma grama verde, tem em cada uma das mãos um recipiente vazio e acima de sua cabeça oito estrelas brilhantes formam o símbolo do universo ( ∞ ). Ela representa a Terra como uma virgem pura, pronta para ser semeada, e o espírito do ser humano como a consciência carregando o corpo e a alma, que são receptáculos vazios, prontos para serem preenchidos. Porém existe uma imagem que representa a lâmina nº 17 em sua total perfeição. É um desenho muito antigo, feito na época dos primeiros faraós. É o desenho de uma bela flor de lótus totalmente branca, que surge das águas turvas de um rio. Acima dessa flor de lótus aberta senta-se harmoniosamente a Ísis e no alto de sua cabeça um conjunto

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de oito estrelas fazem o símbolo do universo(∞ ). A flor de lótus pura e branca, que nasce de águas profundas e turvas simboliza o renascimento da vida e da natureza após a destruição. A Ísis é o símbolo da sabedoria universal, que tudo equilibra. Resumindo, essa lâmina representa o renascer do homem e da natureza após o período de destruição, biblicamente falando após a queda da Torre de Babel e a briga de Jacó com o demônio. A lâmina nº 18 (A Lua) marca o princípio de uma rivalidade muito grande. A princípio os desenhos desta lâmina mostram uma batalha entre dois irmãos. Explicando melhor vê-se o desenho de um cão negro de um lado e um cão branco do outro. No céu a Lua está de um lado e o Sol do outro. Os dois cães estão separados por um rio e no outro lado do rio surge um escorpião que avança em direção aos dois. Em alguns desenhos o escorpião é substituído por um escaravelho. Os dois cães representam também os herdeiros de um grande faraó. Um é filho legítimo e o outro é adotivo, salvo da morte quando ainda era bebê (ver pg. 23). A esposa do faraó o salvou justamente numa época em que todos os filhos (meninos) das escravas estavam sendo mortos pela tirania alucinada de um faraó louco, que descobriu o verdadeiro poder que se escondia por trás de um povo. Este faraó temia a reencarnação do faraó Akhenaton, o faraó mais evoluído de todos os tempos, aquele que por curtos 17 anos mostrou a seu povo a verdade sobre o legítimo e único Deus. Mas não era só a volta de Akhenaton que o faraó louco temia. Ele também temia a vinda de um Messias, que ele acreditava que nasceria naquela época, porém o que ele não sabia era que o Messias só havia proclamado sua vinda e pouquíssimos seres sabiam com certeza a época de seu nascimento. Em resumo, o faraó acreditou ter dado fim aos seus pesadelos quando mandou matar tantos seres inocentes dando-os aos crocodilos, leões e hipopótamos, além de oferecê-los como sacrifício aos seus deuses. O sangue inocente mudou o Egito e a balança divina tratou de equilibrar as coisas no universo. Além de fazer esses sacrifícios com crianças alguns faraós acreditavam que tomar banho ou beber o sangue de bebês ou crianças de até 7 anos os manteria jovens e fortes. Isso era uma verdadeira aberração diante do divino Pai, mas apesar de todo seu esforço para impedir o nascimento do Messias o faraó não evitou o nascimento de um grande profeta salvador (Moisés) e sem saber quem era o próprio faraó o criou e o instruiu nos aprendizados sagrados dos antigos. Seu filho legítimo não se interessou muito por este aprendizado, fato com que o faraó não se importou, pois acreditava que ambos governariam juntos e assim um teria o apoio do outro. O relato bíblico todos conhecem. O filho legítimo assumiu o trono e o filho adotivo descobriu os crimes que seu avô e pai cometeram. Foi então que a guerra entre o filho da Lua e o filho do Sol começou. O filho do Sol era considerado o filho da verdade e o filho da Lua o filho da falsa sabedoria (magia), aquele que tem o poder, mas não o conhece realmente. Na verdade essa lenda representa a luta entre o bem e o mal. O escorpião ou escaravelho no meio dos dois cães é a morte, a fatalidade, as inúmeras mortes que iriam acontecer nesta guerra de irmãos. A lâmina nº 18 representa uma época muito difícil. Muitos anos de luta árdua entre a luz e a

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escuridão. Esta lâmina foi criada para marcar este período de grande importância para a raça humana. Foi criada para fazer-nos lembrar que a verdadeira sabedoria dos livros sagrados chegaram a pertencer a seres que tinham apenas o desejo de poder, porém mesmo tendo os livros sagrados e o poder que esses revelavam faltava o principal, a compreensão do poder, algo que faz de um leitor de oráculo o próprio oráculo, do profeta o próprio Pai. Quando digo que um profeta pode ser Deus não estou dizendo que um ser humano seja Deus de fato, porque Deus é único, porém o único que tudo é e tudo habita. Quando o homem tem a consciência de que de tudo faz parte e que o Todo faz parte dele ele sente o infinito dentro de si e lembra-se que Deus deu a ele os mesmos direitos que deu a si próprio e somente a grande verdade pode destruir as ilusões de poder. A verdade não está em ter o poder, mas em ser o poder. Só pode sê-lo aquele que tem consciência profunda de estar unido ao Uno. A lâmina nº 19 (O Sol) explica com clareza essa união. Ela trás o desenho de um Sol muito brilhante que repousa nas costas de dois seres inocentes, o ser humano completo de mãos dadas com sua consciência. Na verdade esta lâmina é uma demonstração alegórica para alguns, porém muito real para outros. Ela demonstra Deus encarnado na Terra no mesmo instante em que está no céu. Os dois seres de mãos dadas são Deus e Cristo caminhando pela Terra. O Sol brilhante no céu é Deus com todo seu poder e Verdade. Esta lâmina afirma o poder que Cristo tinha ao falar em nome de Deus. Representa o Pai no filho e o filho no Pai, o duplo como o Uno. Representa a Verdade que desceria sobre a Terra e se manifestaria em meio aos homens através de um homem. Esta lâmina representa a vinda da Verdade, do verdadeiro poder. O Sol é o fogo que queima para revelar o que existia por trás das sombras. Este foi o verdadeiro poder que Cristo veio revelar à humanidade e que desagradou a muitos já conhecedores dessa Verdade (digo apenas conhecedores, mas não aplicadores dela). Em suma, esta lâmina representa a vinda do Messias. É a verdade de mais um capítulo na história da humanidade. É também a prova de que toda a história já está escrita há muito tempo, mas algumas pessoas só poderão compreendê-la quando já tiver acontecido tudo. A lâmina O Sol representa a Verdade reveladora, pois a luz do dia revela o que a escuridão da noite esconde. Por essa razão vários seres temem a noite, justamente por ela velar, esconder as más intenções dos seres humanos e também por ela revelar o medo e a insegurança dos mesmos. Na verdade a noite é tão reveladora quanto o dia, pois a noite é o momento em que nos damos conta de que temos receios, temores, insegurança, más intenções, emoções perturbadoras e até mesmo incontroláveis. Obviamente que não somos todos iguais e é claro que alguns já têm controle desse lado desconhecido, mas uma grande maioria ainda o teme. Como já disse, a lâmina nº 19 (O Sol) é a lâmina da vinda do Cristo e de toda a sabedoria que Ele traria à Terra. A lâmina nº 20 é a lâmina dO Julgamento, da grande transformação. Ela marca as ações do homem sendo julgadas pela Lei da Natureza. Mostra um desenho alquímico do ser humano dentro de um túmulo que aos poucos vai se decompondo e se transforma numa árvore. Isso significa que deste mundo o
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homem nada levará senão aquilo que ele aprendeu e sentiu, pois seu corpo perecível morrerá na forma visível, mas continuará a dar vida à natureza. Na verdade é como se o corpo do homem se transformasse numa pequena semente ou simplesmente fosse o adubo para ela. Na natureza nada se perde, tudo se transforma, pois a Mãe Natureza não rejeita nada que dela veio, mas rejeita o que do homem pode vir. Por isso devemos ter o cuidado de preservar a Mãe Natureza da nossa ignorância e intolerância, pois a nossa mão devastadora pode até ser forte, pode até dizimar espécies e destruir nosso próprio habitat natural, mas a mão da Mãe Natureza com certeza é muito superior à nossa e quando não tiver mais saída ela vai julgar quantos de nós devem permanecer nesta linda escola, mas isso é uma história já escrita e cujo final muitos já sabem. A primeira etapa de seres humanos deve partir e seguir seu aprendizado em outras escolas. Deve permanecer aqui apenas uma pequena quantidade de seres humanos para repovoar a Terra e reconstruí-la sem destruí-la, preservando-a para um futuro ainda muito distante, quando enfim ela receberá novos alunos para um novo estágio em que ela será uma escola já transformada. Porém não é apenas este o significado da lâmina nº 20. Ela também retrata a evolução do homem pelas suas encarnações, sua sabedoria e seu nível e há quanto tempo ele vem se transformando. É esta lâmina que basicamente certifica que o homem está apto a deixar a Terra como escola, pois deve buscar aprendizado diferente em outros planetas (escolas). Agora vou adentrar numa polêmica entre sábios e magos. Meu pequeno aprendiz, você se lembra que eu comecei esta explicação a partir da lâmina número zero (0)? Sim, senhor Rabi, eu me lembro. Meu bom Osha, alguns sábios e magos dão a essa lâmina o número 21 (O Louco), pois preferem começar a contagem dessas lâminas pelo nº 1, porém há um segredo que poucos magos e sábios sabem ou concordam com ele. A lâmina nº 0 também é a lâmina 21. Como já expliquei, ela representa o vazio, o caos, o nada onde o princípio resolveu se fazer verbo, porém isso apenas para o aspecto divino. Para o aspecto humano ela é a lâmina nº 21 e não a nº 0. Ela é o nº 0 quando queremos compreender o princípio do Uno, mas para compreendermos a parte que cabe à humanidade ela é a lâmina nº 21, que representa o caos, o tudo, o exagero material, a desordem, a loucura, a perda da razão e do controle. Portanto como lâmina nº 21 ela afirma que o homem vai chegar ao limite de seu egoísmo, de sua cobiça, de sua ira, de sua intolerância e de sua loucura. O homem vai se achar Deus, vai crer que é possível ser dono de tudo e que tudo pode construir e destruir também. Desta verdade que estou lhe ensinando apenas 10% da humanidade ainda se lembra e, mesmo assim, não na íntegra. Os 4% que a conheceram na sua totalidade não tiveram força para transmiti-la e outros simplesmente tiveram medo, mas dentre tantos seres humanos surgiram algumas pequenas formiguinhas que se transformaram em mártires desta Verdade. Esses serão os poucos escolhidos para salvar o pouco da humanidade que deverá ficar na Terra quando a primeira etapa partir, mas posso afirmar seguramente que os salvadores não salvarão a si mesmos.
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Mas por que, senhor Rabi? Eles compreendem que é sua última missão. Salvar a humanidade não significa tornar-se responsável por ela. Além disso ela tem o livre-arbítrio de recomeçar a vida com a sua própria visão e vontade, aprendendo cada um com suas próprias experiências. Tudo isso acontecerá para que uma só verdade prevaleça na Terra, para que a mulher vestida de sol reine absoluta diante das falsas verdades criadas pelo homem. O senhor está me dizendo que a Terra será destruída para destruir as mentiras que existem nela? Infelizmente, meu pequeno aprendiz, é quase isso que vai acontecer. Em primeiro lugar a Terra não será destruída inteiramente, apenas um pouco mais que a metade. Na verdade a humanidade vai se transformar em um caos total por ter tantas falsas verdades denominando-se ‘verdade divina’ e essas estarão lutando entre si pelo poder de ter o controle geral. Será uma época difícil, onde as pessoas estarão confusas e alguns seres se aproveitarão disso para transtornar ainda mais as mentes humanas. A Terra estará tomada pela violência e pela injustiça, pela ignorância, intolerância e descrédito. Os bens materiais serão como templos de adoração e todos acreditarão estar com a razão. Mas tudo isso ainda é muito pouco diante da realidade total da lâmina nº 21. Para o Divino ela é o vazio que o princípio gerou e para o homem ela é o Tudo que precisa ter fim. A lâmina chamada de O Mundo é também a última de todas e é o nº 22 para quem conta a partir da lâmina nº 1. Para quem conta a partir da lâmina nº 0 O Mundo é a lâmina nº 21. Ela trás a imagem de uma bela jovem nua. Seu corpo é suavemente coberto pela luz do Sol, que parece nascer de seu ventre (por isso a chamo de ‘A mulher vestida de Sol’). Uma grande serpente (Oroborus) faz um grande círculo, ficando a mulher no centro. Esta serpente fecha o círculo mordendo a própria cauda. Três animais e um querubim estão em volta desta mulher. Uma águia representando o ar e a sabedoria, um touro representando a terra e a força, um leão representando o fogo e os instintos e o querubim representando a água e o homem. Agora, juntando cada parte deste desenho vamos encontrar a evolução do homem em sua totalidade. A mulher nua ao centro de tudo representa a Verdade divina. Seu ventre iluminado por raios solares significa que ela, além de ser portadora da Verdade, também dará a luz a essa Verdade. Ela é como a consciência que aos poucos vai desabrochando no ser humano. A lâmina nº 22 representa a única Verdade que irá sobreviver. Em alguns aspectos ela representa a religião única que deveria existir na Terra. Esta religião resistiria a todos os pecados capitais e a todas as outras religiões que dizem ter nascido da Verdade. Na Bíblia (Apocalipse 12;1-12) fala-se de uma grávida que, com dores de parto, vai para o deserto tentando fugir do dragão de 7 cabeças (sete pecados capitais) e dez cornos (desobediência às leis de Deus, os 10 mandamentos). Mesmo assim o mal ataca a mulher devido a sua fraqueza, porém ela é pura, santa, porque vai ser mãe. Ela dá a luz a uma criança do sexo masculino, que será rei de todos os povos (a crença do mundo novo que luta contra a crença antiga). O dragão cospe um rio para devorar o filho da mulher (esse rio é a
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sociedade e as falsas doutrinas nascidas da imaginação desregrada e que tendem a controlar tudo e a todos), mas a terra absorve o rio (o que nasce da terra a ela retorna) e por cima dela só a Verdade é eterna e só ela não pode ser devorada. Na verdade essa mulher é a Verdade que Cristo deixou na Terra e que os anos e as muitas religiões foram distorcendo, transformando esta Verdade em outras falsas verdades, usadas para controlar o povo e mantê-lo sob um regime de submissão voluntária. O filho da mulher é a vitória de uma crença única em um só Deus. É a transformação de todas as crenças em uma só, uma crença sem nome, guiada pelo amor incondicional, sem preconceitos de raça, cor, credo ou posição social. Uma crença feita, ou melhor, nascida da Verdade resumida nos dois mandamentos de que Cristo falou a seus apóstolos: Amar a Deus sobre todas as coisas (inclusive a religião) e a teu próximo como a ti mesmo. A lâmina nº 22 revela esta Verdade e muitas outras, como os três animais e o querubim, que simbolizam a Terra e seus elementos, o homem e seus aspectos de evolução. O touro é o homem submisso à terra, usando a força para construir seu caminho. O leão é o homem usando seu poder irracional, a força bruta que devora e destrói. A águia é o homem buscando a sabedoria através daquilo que não pode alcançar. Tudo que o homem não pode possuir é superior a ele até que este compreenda que faz parte daquilo. Unindo o homem (querubim), o touro, o leão e a águia temos um ser sábio, mas não necessariamente evoluído para ter a consciência dessa Verdade que a lâmina nº 22 explica tão claramente. É preciso compreender os círculos de reencarnações (representado pela serpente em volta da mulher) planetárias e estagiárias. Planetárias são as vidas que vivemos passando de um planeta para outro. Estagiárias são as vidas que passamos numa escola (planeta). Enfim, a lâmina nº 22 é o grande arcano da Verdade, é o símbolo que representa um futuro inevitável. O caminho que todos terminam um dia alcançando, a Verdade absoluta que liberta o homem das correntes preconceituosas da ignorância. Bem, meu pequeno aprendiz, como havia lhe prometido, aí está o segredo da vida revelado, mas tu não deves esquecer que te revelei apenas o princípio desses segredos. O restante cabe a cada um descobrir dentro de si mesmo, afinal o conhecimento é apenas a margem. A evolução e a compreensão são um oceano infinito. Senhor Rabi, como cabem tantas explicações, como cabe um universo inteiro dentro de apenas 22 letras ou 22 lâminas? Como é possível explicar tudo em tão poucas palavras? Este é um segredo divino que Deus ofereceu a alguns seres para eles revelarem aos demais no tempo oportuno. A maioria das pessoas acredita que jamais chegará aos mistérios divinos. Outros vivem buscando incansavelmente por esses segredos. A maioria termina por se confundir ainda mais e não chega a lugar algum. Deus não é um mistério. Nós o denominamos mistério por não compreender a linguagem com que Ele nos fala. Passamos tanto tempo prestando atenção só nas coisas que nos são visíveis que terminamos por desacreditar do invisível, mas Deus não é invisível como pensa a grande parte da humanidade. Deus está em tudo que tem vida, em tudo que é natureza viva. A água, o ar, o fogo, a terra, as
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árvores, animais, homens, etc., tudo isso são as tantas formas de Deus ser visível. Para evoluir o homem tem que passar por inúmeras encarnações e planetas, processo que torna o homem apto a compreender os 22 caminhos da Verdade e assim desvendar seus próprios segredos, revelando para si o Deus que habita cada ser vivo. Assim o homem entende que faz parte do Um e que o Um é parte dele. Sempre foi e sempre será. Senhor Rabi, eu posso hoje ter alguma lembrança do planeta onde vivi? Sim, meu querido, é possível você vir a ter algumas lembranças da sua última escola estagiária. Por que o senhor chama os planetas de escola estagiária? Porque é isso que na realidade eles são, meu menino. Mas não existe nenhum planeta que tenha habitantes fixos? Sim, existe, porém não podemos dizer que seus habitantes são totalmente fixos, pois grande parte desses habitantes vivem viajando a outros planetas para ajudá-los no processo de evolução. O universo em si é uma grande morada. Como o Grande Pai disse, o espírito habita onde desejar. E como são esses planetas e qual é a diferença deles para os planetas primários? Um planeta primário, meu querido, é exatamente como a Terra. O planeta que hoje habitamos é chamado de primário porque foi construído especialmente para nós, mas para você compreender essa história direito vou lhe explicar o princípio das coisas. Existem várias classificações planetárias. A primeira é o planeta natal, a segunda são os planetas escolas e a terceira são os planetas fixos. Vamos começar pelo planeta natal. Para isso é preciso que você se lembre da explicação que lhe dei sobre os seres que ainda vão nascer, mas que por Deus já foram criados. Isso tudo é muito confuso, senhor Rabi. Eu sei, meu querido, mas não se preocupe. Vou esclarecê-lo o máximo possível. No universo existem milhares de espíritos que ainda vão despertar através das emoções daqueles que estão em estágio de evolução. Para isso esses espíritos precisam de um lar. Na verdade eles já têm um lar e isso funciona basicamente assim. Digamos que Deus criou várias estufas no universo e nelas Ele plantou milhares ou bilhões de sementinhas, que precisam apenas ser regadas com emoções para despertarem. Ao despertarem passam a habitar o planeta natal. Ali essas sementes têm suas primeiras experiências, seus primeiros atos e ações e passam por um período de evolução sem misturas. Isso quer dizer sem ter misturas planetárias. Os únicos seres que entram num planeta natal ainda autêntico são os Amorazins e os Evins, seres que se encontram num nível angélico, que vão para esses planetas justamente com a finalidade de evoluí-los. Quando os habitantes desses planetas alcançam o nível de evolução desejado eles estão aptos a passar para o nível estagiário. Vamos dar um exemplo melhor. A Terra foi construída para ser habitada por seres de 12 planetas completamente diferentes, tanto em aparência quanto em atitudes, comportamentos e ações. Antes desses seres habitarem a Terra seus planetas natais foram transformados em uma grande sociedade e as 12 diferentes populações (tribos) fundiram-se naquilo que no universo é chamado de pirâmide
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evolutiva. Desta fusão nasceu uma nova raça com três níveis semelhantes de sabedoria. O primeiro nível foi chamado de Atlantis (filhos dos Amorazins), o segundo nível foi chamado de Shangrillá (filhos dos Evins) e o terceiro nível de Lemúria (filhos dos Infinins). Esses seres jamais haviam se encontrado, jamais haviam visto outro ser que não fosse de seu próprio planeta. Na verdade jamais haviam saído de seus planetas natais. Todos sabiam lidar com seus preconceitos, com suas diferenças, experiências normais de qualquer planeta, porém agora teriam que aprender a lidar com seres completamente diferentes, de diferentes planetas, de níveis diferentes. Era tudo novo e muito estranho. Assim os Amorazins, junto com os grandes legisladores do universo, resolveram chamar esta nova mistura humana de A 3ª raça ou As três raças. Mesmo estando num nível semelhante as diferenças eram gigantescas, afinal semelhante é apenas um nível parecido, mas não igual. Na verdade funciona assim: desses doze planetas natais que evoluíram para um nível invisível foram escolhidos os seres que ainda se encontravam em um nível de sabedoria insuficiente. Isso significa que esses seres ainda não estavam aptos a viver num nível superior e por isso tinham que passar pela experiência de viver com os opostos em todos os aspectos. Desses doze planetas surgiu uma raça completamente mista. No princípio havia seres azuis, outros tinham caudas como animais, outros tinham chifres, três olhos e alguns pareciam meio humanos meio peixes, como as sereias. Para seres que jamais haviam visto um ser diferente foi um choque, um verdadeiro impacto visual, porém os legisladores sabiam que mesmo com tantas diferenças esses seres já podiam viver juntos no mesmo planeta sem extinguir uns aos outros. Logo que a Terra foi construída e completamente adaptada para as 12 tribos os primeiros milênios seriam comandados por todos, afinal eles não eram mais 12 tribos diferentes, mas uma nova raça com níveis diferentes de sabedoria (lembre-se que eu disse que os níveis eram semelhantes, mas não eram iguais). O primeiro nível, dos atlantes, era considerado o mais evoluído (filhos dos primogênitos de Deus, os Amorazins). O segundo nível era dos shangrillês (filhos dos Evins). O terceiro nível era dos lemurianos (filhos dos Infinins). Passado um período na Terra os seres celestiais e os legisladores resolveram determinar uma aparência mais adequada aos habitantes deste novo planeta. Fizeram isso para que atlantes, shangrillês e lemurianos parassem de destruir uns aos outros, fato esse que estava acontecendo por inconsequência da superioridade de seus líderes, que viviam disputando quem tinha mais poder ou sabedoria. Esses líderes eram chamados de deuses, pois tinham poderes que lhes foram conferidos para ajudar o povo na adaptação ao novo planeta e suas novas regras, porém alguns milênios de destruição e loucuras levaram a Terra a sofrer sua primeira grande catástrofe. Foi então que mudar a aparência se tornou uma necessidade e todos passaram a ter uma aparência semelhante, ficando apenas com cor da pele, olhos e cabelos diferentes. Dessa maneira ninguém mais se lembraria dos atlantes, shangrillês e lemurianos, pois a barreira visual havia sido destruída, mas no inconsciente isso não desapareceria. Pouco tempo mais tarde o preconceito visual estava de volta e a velha luta pela superioridade retornava à Terra. Na verdade este preconceito
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já vem de outros planetas, mas tudo isso já era previsto, afinal juntar 12 tribos (planetas) que jamais haviam visto ou imaginado outro ser obviamente seria um susto, mas enfim agora todos tinham que viver nesta grande escola estagiária chamada Terra. A Terra é chamada de escola estagiária porque é um planeta primário. Explicando melhor, é mais ou menos assim. Digamos que alguns jovens passem os quinze primeiros anos de suas vidas dentro de suas casas junto com suas famílias, conhecendo apenas alguns parentes, vizinhos e amigos. De um momento para outro esses mesmos jovens, que não conhecem nada além de seus mundos, são convocados a passar 10 anos em uma escola de sabedoria. Esta escola recebe diversos jovens de muitas partes diferentes do mundo. Jovens com costumes e tradições diferentes terão que aprender a superar suas barreiras de medo, desconfiança e de preconceito para só então descobrirem que são justamente as diferenças que formam a base de todo o aprendizado. A Terra é um planeta primário pelo fato dela jamais ter sido habitada. Isso quer dizer que é a primeira vez que ela serve como habitat, além de dar aos seus habitantes a oportunidade do primeiro encontro. Por isso também é uma escola estagiária, onde todos vêm para aprender uns com os outros. Logo que termine este aprendizado os habitantes da Terra voltarão para suas 12 tribos. Obviamente que elas já estão transformadas na terceira raça e é claro que a Terra fará parte desta terceira raça, afinal ela é a conclusão da evolução física desta 3ª raça. Nascerá então no mundo celeste a escola evolutiva da terceira raça, isso quando a Terra passar do estado visível para o invisível. Assim a Terra alcançará o nível das grandes escolas celestes que já existem no universo. Senhor Rabi, se eu entendi direito o senhor está dizendo que toda vez que 12 planetas se juntam uma escola nova é construída? Muito bem, meu pequeno aprendiz, é exatamente isso. A cada fusão de 12 planetas uma escola nova é construída. É como se 12 pessoas de diferentes raças e costumes construíssem juntas um novo habitat com as características particulares de cada ser. Assim é a Terra. Uma grande e bela mistura, infelizmente ainda incompreendida. Rabi, como é um planeta fixo? Os planetas fixos não necessariamente são a morada de todos os seus habitantes, mesmo porque somos todos filhos do universo. Não temos morada certa e vivemos de escola em escola até o infinito, afinal somos todos eternos aprendizes, mas algumas vezes sentimos falta dos nossos espíritos afins, seres que amamos muito e que vez ou outra encontramos em algumas encarnações. É com essa finalidade que se faz os planetas fixos, que na verdade são um dos 12 planetas natais que mais tarde se tornam um ponto de encontro fixo, onde os espíritos marcam para voltar a se encontrar. Assim a fusão dos 13 planetas fica perfeita, aquilo que chamam de As três raças, planetariamente também chamado de A Pirâmide da Evolução, que é composta de um planeta primário (escola estagiária), um planeta natal (a fusão de 12 tribos) e um planeta fixo (o lar celeste).

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Assim fica muito mais fácil compreender porque é feita a fusão dos planetas e também é mais fácil compreender que todos os nossos defeitos ou qualidades já vem nos acompanhando desde o planeta natal e não necessariamente do planeta que habitamos atualmente. Rabi, como saber se estamos num planeta natal ou numa escola estagiária? Isso é muito simples, meu querido. Num planeta natal todos os seres têm uma aparência praticamente igual. Por exemplo os asiáticos. Todos têm uma pele amarela, olhos pequenos e puxados, cabelos lisos, grossos e negros. O povo africano tem pele negra, olhos arredondados e negros e cabelos crespos. Outros povos têm pele vermelha, cabelos longos, lisos e negros, etc. Cada ser que descrevi pertence a um planeta onde só tem iguais. Na Terra, onde vivemos, têm todos esses seres e muito mais. Isso classifica-a como uma escola estagiária onde todos que aqui se encontram tem o mesmo intento, que é aprender e evoluir. Na escola estagiária o maior de todos os aprendizados é poder encarnar por várias vezes em peles diferentes justamente para saber como viver e conhecer também as diferenças de todas as tribos que vivem na Terra. Esta é a grande magia da escola estagiária onde, para descobrir como uma tribo vive e sente, basta encarnar nela. Senhor Rabi, qual é o significado dos animais que as pessoas chamam de signos? Muito interessante esta sua pergunta, meu pequeno Osha. Poucos conhecem os segredos desses animais na íntegra. Tudo começou com os primeiros habitantes atlantes, shangrillês e lemurianos, seres que ainda possuíam a consciência de suas raízes. Cada animal desses doze representam uma tribo (planeta), porém os representantes das três raças não concordavam muito em relação à aparência desses animais. Exemplo: os atlantes aderiram ao escorpião como um de seus animais-símbolo. Os shangrillês aderiram à serpente, os lemurianos usaram o elefante e assim por diante (alguns desses animais-símbolo foram alterados mais tarde). No fundo os doze signos têm o mesmo sentido: representar cada tribo que existe na Terra. Eles são como a bandeira do planeta natal das tribos que aqui vivem, mas não termina por aí. Eles também têm forte influência sobre os seres que nascem sob a regência deles. Cada mês é regido por um animal e as pessoas recebem a influência do animal que rege o mês do seu nascimento, porém o mais importante é a transformação que cada um desses animais causa na Terra quando a rege por um tempo muito longo chamado “era”. Grandes mudanças estão sempre acontecendo a cada entrada de uma nova era. Poucas são as eras marcadas

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pelo equilíbrio. Todas são sempre cheias de conflitos, mas isso tudo tem uma explicação muito simples. Cada animal representa uma tribo (planeta). Este planeta, por sua vez, manda uma grande carga de energia para a Terra governando-a por uma era. Isso significa que a Terra fica sob influência de uma das 12 tribos e seu planeta natal. Esta é uma maneira da Terra receber a energia dos planetas que compõem seus habitantes. Isso é muito confuso, senhor Rabi. Eu não estou entendendo direito o que o senhor realmente quer dizer. Tudo bem, vou explicar de uma maneira mais fácil. Há 10 mil anos atrás uma era tinha 120 anos, porém o tempo daquela época era muito diferente do tempo de hoje. 1.080 anos daquela época era equivalente a 2.160 anos do tempo de hoje. Isso significa que há 10 mil anos atrás o tempo passava mais lentamente e hoje o tempo já acelerou muito. É muito provável que no ano 2000 depois de Cristo o tempo estará ainda mais acelerado, porém acredito que poucos farão a contagem correta de uma era. Existe uma ampulheta dentro da Grande Pirâmide do Egito que marca corretamente o verdadeiro tempo de uma era. Assim toda vez que se acaba uma era e uma nova começa esta ampulheta abre um portal do tempo onde os acontecimentos da nova era passam a ser percebidos por alguns seres especiais, que devem lutar para prevenir a Terra desses acontecimentos. No ano 2000 d.C. muitos seres acreditarão estar vivendo no princípio da Era de Aquário, mas na verdade naquele ano ela já estará terminando. A Era de Aquário será a mais evoluída materialmente. Os homens terão acesso a uma tecnologia muito avançada, se aproximando um pouco da tecnologia dos atlantes, shangrillês e lemurianos e a catástrofe que essa tecnologia irá causar à humanidade também será muito semelhante àquela que aconteceu às três civilizações. O que é tecnologia, senhor Rabi? Na íntegra é um grande avanço material. No passado muito distante os seres humanos terrenos tiveram acesso a uma sabedoria que os ensinou a construir máquinas maravilhosas. Imagine que existisse algo que possibilitasse ao homem voar para lugares distantes em poucas horas. Agora imagine que esses objetos voadores fossem construídos pelo próprio homem. Pois bem, tudo isso não é apenas imaginação. No passado os seres humanos tiveram o privilégio de acessar uma tecnologia inimaginável para os homens de hoje e no futuro apenas 40% dessa tecnologia voltará à Terra e isso deve acontecer justamente na Era de Aquário. Quando o planeta Terra estiver sob o comando da tribo e influência de Aquário essa tecnologia (sabedoria) tomará conta do planeta e em apenas 120 anos a Terra estará vivendo um verdadeiro colapso. Em tão curto prazo a natureza estará reduzida a apenas 30% do que era. Os grandes colossos de pedra estarão no lugar onde um dia existiram grandes matas e suas centenárias árvores. Animais se extinguirão, desaparecendo completamente da Terra. Pássaros e árvores também irão desaparecer. Restará apenas 20% de tudo que hoje podemos ver e usufruir e tudo isso acontecerá em apenas 120 anos. A Era de Aquário terá sabedoria apenas na aparência material, pois na espiritual apenas 20% da humanidade terá uma sabedoria relativa. Isso quer dizer que dentre esses 20% poucos seres terão um bom nível de consciência divina. Nessa Era de Aquário quanto mais o
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homem avançar na sabedoria material mais distante ficará da espiritual, pois estará tão envolvido pelas realizações materiais que terminará por deixar a evolução espiritual de lado, porém como contrapeso da balança os seres espiritualmente desenvolvidos lutarão para trazer um pseudo-equilíbrio para a humanidade e justamente por isso estarão vivendo um momento de conflitos e muitas outras perturbações. Procurarão alento nas doutrinas de espiritualistas religiosos, mas nem todos serão autênticos. Isso quer dizer que nem todos serão verdadeiramente evoluídos, mas falsos sábios, que viverão de argumentos criados em livros e teorias errôneas sobre a verdade. Depois da Era de Aquário virá a Era de Capricórnio, a era da espiritualidade, do recomeço. Essa era indicará o renascimento da Terra e o ressurgimento da natureza como parte maior da Terra. Senhor Rabi, o senhor está dizendo que a tribo e o planeta de Peixes são os mais evoluídos? Não é bem assim, meu pequeno Osha. Todas as tribos que existem aqui na Terra têm três níveis de sabedoria e evolução diferentes. Para que você me compreenda melhor vou dar um exemplo mais simples. Juntemos as 12 tribos (planetas) num só círculo e vamos marcar os seres que têm o mesmo nível de sabedoria nº 1, colocando-os no círculo Atlantis. Agora vamos pegar os seres que têm o nível de sabedoria nº 2 e colocar no círculo Shangrillá. O último nível de sabedoria (nº 3) vai para o círculo Lemúria. Assim temos três grupos de seres completamente diferentes em tribos e planetas. Os atlantes foram formados por seres das 12 tribos e planetas e por mais que fossem diferentes no aspecto físico e nos costumes, tinham um nível igual de sabedoria. O mesmo se aplica aos shangrillês e lemurianos. Em suma, aqui na Terra não importa a tribo ou o planeta que o ser representa, mas sim o seu nível de sabedoria, mas quando nos referimos aos animais que irão reger uma era estamos nos referindo diretamente à influência planetária que moverá o curso do planeta Terra. Afinal esta é uma escola administrada por 12 tribos (12 planetas), mesmo que essas tenham se transformado numa grande sociedade. Digamos que cada era é como um professor, que transmite à Terra mais um nível de sabedoria necessária. Já que tudo funciona como uma grande escola ela obviamente precisa ter alunos e professores. Os alunos são os seres humanos, os professores os animais planetários (signos do zodíaco) e os administradores são os 12 planetas. Vou fazer alguns desenhos para explicar a você como tudo isso é realmente.

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Esta primeira pirâmide é composta pelos 12 planetas que já saíram do estado visível e se transformaram numa grande sociedade. O 13º planeta, que se encontra no alto da pirâmide, é a Terra, a escola dessa grande sociedade. Como esses 12 planetas são planetas natais, planetas puros (sem mistura), fez-se necessária a criação de uma nova sociedade onde todos pudessem se encontrar, mas só se encontrar não bastaria. Esses seres precisariam trocar experiências juntos. Para isso criou-se o 13º planeta, a escola chamada Terra. Esta pirâmide que você vai ver agora é no que se transformaram os 12 planetas.

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Os três círculos dentro da pirâmide querem especificar cada parte desta grande sociedade. Um dos círculos é o que chamamos de planeta natal, lugar onde são guardados e preservados todos os registros dos 12 planetas e dos seres que os habitaram e habitam. É na verdade o registro akáshico das sementes que ali nasceram, em que condições nasceram, qual foi a emoção que a fez nascer, de quem veio essa emoção e como foi o desenvolvimento desses seres até o momento da fusão. Em suma é como um registro de berçário, onde se registra tudo que os bebês fizeram durante o seu crescimento. O segundo círculo representa o que chamamos de planeta fixo. Este planeta, como já expliquei anteriormente, é um ponto de encontro onde vários seres se reencontram quando desejam. Usam o planeta fixo como referência ou como morada planetária temporária. O terceiro círculo é a escola estagiária e também o planeta primário, aquele que é construído à semelhança dos doze que o originaram para comportar os habitantes que vão até ele com o único intento de aprender as primeiras lições de convivência com os opostos. Dessa maneira a grande sociedade evolutiva da pirâmide universal se compõe de um berçário (planetas natais), uma casa temporária (planeta fixo) e uma grande escola de evolução (planeta primário). Quando esta grande sociedade é formada uma divisão de seres também é estabelecida. Como já lhe disse, os 12 planetas estavam no mesmo nível de evolução, porém dentro de cada planeta havia três níveis diferentes de sabedoria. É aí que as eras se fazem necessárias, pois marcam o período de cada aprendizado terreno e transmitem à Terra um ensinamento diferente a cada 2.160 anos, porém o mais importante eu vou lhe explicar agora. A cada mudança de era a Terra não só recebe uma nova influência e uma nova sabedoria como também faz uma troca de alunos.

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Troca de alunos? Mas o que é isso, senhor Rabi? Eu já lhe disse que aqui convivem 12 tribos diferentes e que cada uma vive passando pela experiência de nascer e aprender a sabedoria de outra tribo, mas não é só isso. Suponha que hoje nós estivéssemos vivendo na Era de Áries (o carneiro). Todos os seres que pertencem à tribo de Áries e no momento estão vivendo na Terra vão para a sua colônia espiritual, que por sua vez fica na grande sociedade e lá permanecem por algum tempo. Enquanto isso outras pessoas que pertencem àquela tribo e estão vivendo na grande sociedade poderão vir à Terra para aprender. Em resumo isso acontece todos os dias. É um revezamento constante de um grupo que desce e outro que sobe. Por isso algumas vezes alguns seres acreditam estar na Terra pela primeira vez e até afirmam que são de outros planetas. Na verdade esta é uma lembrança de ter estado em casa (no planeta natal), mas obviamente não é a primeira vez que este ser está encarnando na Terra. Como cada era exerce uma influência enorme sobre a tribo correspondente, ela também é a mais atingida pela morte para que aconteça o revezamento. É por isso que a cada dez, quinze ou vinte anos acontece uma catástrofe de grandes proporções, que termina destruindo um povo ou uma nação. Geralmente esta nação destruída era da tribo regida pela sua própria era, mas da mesma maneira que a era leva ela também trás. Seres que são vítimas de guerras dão lugar a outros, que voltam para a Terra para fazer grandes mudanças. Aqueles que partiram vão se aperfeiçoar para voltar em uns trinta ou quarenta anos, já prontos para substituir os que ocuparam seu lugar e assim por diante. Assim a Terra é regida por 12 eras, habitada por 12 tribos, distinguidas por 3 níveis diferentes de sabedoria e evolução, mas com um grande segredo que sempre a protege da total destruição: a 13ª era. Esta é uma era muito especial, que só acontece entre duas eras que nem sempre são as mesmas, também chamada de hiato do tempo. Vou citar um exemplo. A 13ª era vai ocorrer da próxima vez entre a Era de Aquário e a Era de Capricórnio. Ela é uma era que costuma durar cerca de 40 anos, às vezes mais, às vezes menos, e em 26.000 anos costumam ocorrer dois hiatos de 40 anos. Nesse curto período a Terra (ou qualquer outro planeta em estágio de evolução) recebe a influência das 12 eras de uma só vez. Isso quer dizer que as 12 tribos são igualmente influenciadas por seus planetas. Quanto à próxima 13ª era (que será entre Aquário e Capricórnio), ela vai levar da Terra todos os seres que estão no nível 1 de sabedoria (os atlantes). Isso quer dizer que os seres conhecidos como a 1ª etapa vão partir e não mais precisarão encarnar na Terra, pois já terão alcançado a evolução necessária. Isso significa que já terão terminado os estudos na grande escola chamada Terra. O fato das 12 eras regerem a Terra significa que estarão regendo também os seres do nível 1 de sabedoria de cada tribo. Assim os atlantes irão partir da Terra deixando-a exclusivamente para os seres do nível 2 e 3 de sabedoria (shangrillês e lemurianos). A 13ª era é um recurso utilizado toda vez que a Terra (ou qualquer outro planeta) for passar por uma grande transformação em que uma parte bastante significativa de seus habitantes deverá deixar de habitá-lo. No período dessa transformação a Terra receberá uma grande ajuda. Vários Amorazins (que há muito tempo já a habitam) terão um papel muito especial, pois recairá sobre suas costas a
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responsabilidade de salvar os seres que deverão continuar no planeta. Para tão grande missão eles vão contar com a ajuda de alguns seres do nível 1 de sabedoria e juntos eles deverão orientar de uma maneira sutil toda a população terrena, além de construírem pequenas cidadelas sagradas, que vão funcionar como a Arca de Noé. Tais cidades devem ter a construção baseada na matemática cabalística para que na hora certa o poder divino a proteja da grande catástrofe que se abaterá sobre todo o planeta. Meu pequeno Osha, agora você já sabe grande parte do mistério divino. O que deseja saber agora? - O senhor não me contou ainda o significado da Kabalah nem a Verdade que o Cristo revelou aos seus apóstolos. - É verdade. Eu prometi lhe contar os ensinamentos do Cristo e junto com esse ensinamento vou lhe revelar a verdadeira história sobre Judas, o traidor. Os apóstolos de Cristo receberam um privilégio que poucos outros mortais receberam. Cristo lhes ensinou a alimentação correta, revelou-lhes os segredos da natureza e o aproveitamento desses recursos. Um dia um dos discípulos de Cristo perguntou-lhe porque não se agradava da carne dos animais. Cristo respondeu que nada tinha contra os seres que se alimentavam de carne animal, afinal todos somos filhos de um só Pai, porém a necessidade de um irmão seu não era a dele. O discípulo, intrigado com a resposta, continuou a questionar: - Mas por que jamais te vimos matar um animal? O Cristo respondeu: - Se queres saber da verdade prepara-te para as conseqüências, pois tu não serás mais o mesmo depois de ouvi-la. Sendo assim pergunto-te: queres de fato conhecer a Verdade? - Sim Jesus, liberta-me da minha ignorância – respondeu o discípulo. - Quando um homem mata um carneiro para alimentar seu corpo está levando a morte para dentro de um corpo cheio de vida. Este corpo cheio de vida se alimenta dos quatro elementos vitais. A água, que brota viva da terra, sem interferência da mão do homem. O fogo, que nasce da terra e pula de sua grande boca vulcânica e também não sofre a interferência do homem. O Sol, estrela da chama divina, alimenta a terra e o homem com o seu calor e é responsável pela germinação das sementes na natureza e na mulher. A terra que recebe as sementes como um útero fértil também dá ao homem o sustento e o abrigo. Ela também é vida sem precisar da mão do homem. Por fim o ar puro, sopro divino que vive no homem e na natureza e dá vida a eles. O corpo do homem é a composição sagrada desses quatro elementos. O sangue representa a água, a carne representa a terra, a temperatura do corpo representa o fogo e a respiração é o próprio ar. Esses quatro elementos dão ao homem o direito de ser o quinto elemento e esse 5º elemento o homem tem que conquistar no período de sua estadia na Terra. Este quinto elemento é a sabedoria do homem quando ele compreende o amor e seu propósito divinal. Sendo o homem vida em todos os aspectos de sua existência ele deve também respeitar a vida. O homem que come o morto leva para dentro de sua vida as doenças daquele morto, além de estar comendo carne que somente em anatomia, aparência e paladar é diferente da sua, mas em nenhum momento deixa de ser carne. Em suma, o homem que abate um carneiro sem
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necessidade real de sua carne está abatendo um semelhante que não lhe fez mal algum. Tudo que está morto o homem deve deixar ao encargo da natureza. Essa é a única que tem o direito de se alimentar daquilo a que um dia deu a vida, pois ela só faz isso quando ele já não tem mais a vida que um dia ela lhe ofereceu. Em verdade vos digo que o homem foi criado em carne viva para alimentá-la somente daquilo que, como ela, também está vivo e tudo que está vivo foi criado na natureza para suprir as necessidades dos homens e dos animais, porém não confunda minhas palavras quando digo que o homem deve se alimentar somente daquilo que está vivo. Digo que ele deve se alimentar de tudo que a natureza lhe oferece sem precisar morrer para isso. Veja, por exemplo, as macieiras. São belas árvores, que produzem frutas maravilhosas em paladar, aroma e beleza. O homem pode se alimentar de maçãs sem destruir a macieira. A maçã, como as outras frutas, são alimentos vivos que nascem do excesso de amor da natureza. Portanto a fruta não morre quando tirada do pé. Ela é o excesso da criação da árvore que a produziu e essa criação não termina quando o homem se alimenta da fruta, pois o homem come a fruta, mas deixa a semente, que um dia virá a ser uma frondosa árvore. O mesmo já não acontece com o animal que o homem mata, pois este não tem uma semente que pode ser plantada para originar outro animal. O Pai, em sua grandiosa perfeição, deu ao homem o presente mais perfeito, que é a natureza, onde o homem encontra exatamente tudo que precisa para viver: o alimento, o remédio, o trabalho, o habitat, a roupa e tudo que ele for capaz de imaginar. O remédio se encontra nas folhagens de pequenas plantas ou nas raízes profundas de grandes árvores, no fruto, na flor ou na própria semente. O trabalho está na lavoura ou na imaginação do homem em saber fazer arte com o que a natureza lhe oferece. O habitat também fica à escolha do homem. Pode ser uma caverna como pode ser uma morada feita com os recursos da própria natureza. A água que desce das montanhas faz um longo caminho. Transformando-se em rios e cachoeiras alimentará o homem gratuitamente. O Sol também aquece o homem sem que ele pague por isso. A Terra, não sendo o Sol, também aquece o homem sem que ele pague por isso. A Terra, não sendo maltratada, germinará as frutas e os legumes que podem alimentar o homem e sempre se reproduzir. O homem que souber se harmonizar com a natureza encontrará nela a maior de todas as riquezas, pois esta tudo provê ao homem e aos animais. Mas nos animais também existe um excesso de amor, que pode ser oferecido ao homem. As vacas e as cabras são animais que oferecem leite em abundância, se não for prejudicar os seus filhotes. O homem pode aproveitar este alimento tanto para bebê-lo como alimento muito rico em vitaminas como na transformação dele em queijo e outros derivados. No reino animal encontramos as galinhas que botam seus ovos e não estando na época de chocá-los o homem pode aproveitá-los como alimento e para fazer pães, bolos, etc. Usando a inteligência o homem pode descobrir facilmente o que pode e o que não pode comer, devendo lembrar-se sempre que um ser vivo não come outro ser vivo, mas apenas o que este ser vivo pode lhe oferecer. Das árvores o homem tem as frutas, as verduras oferecem suas folhas e os legumes sua polpa, deixando ao homem o encargo de replantar suas sementes. Esses são os seres vivos que
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o homem pode comer, pois levam para o corpo do homem a vida e a saúde perfeita. O animal vivo o homem não poderá comer, pois para isso terá que matá-lo e isto significa comer o morto e extinguir aquele ser que não nascerá de novo. Por mais duro que pareça ser o que agora vou dizer é uma verdade imutável no universo. O corpo morto de uma vaca e o corpo morto de um homem nada mais tem de valor, pois a alma valiosa do homem já o deixou para seguir seu caminho, mas se a vaca estiver sendo abatida naquele mesmo dia ainda terá a serventia de alimentar tanto o homem ignorante quanto outros animais. Deus não proíbe que o homem se alimente de carne, principalmente quando ele não tiver outra alternativa, mas como Deus proveu o homem de sabedoria espera que um dia ele venha a descobrir isso sozinho e os sinais dessa verdade o Pai espalhou por todos os caminhos do homem. Após ouvir atenciosamente o que o Cristo disse o discípulo perguntou: Jesus, então vós afirmais que nossas doenças podem vir da carne que comemos? - Vossas doenças têm muitas origens. Uma delas está no excesso de alimento morto que comem e de vossos profundos mal-hábitos de alimentação, higiene pessoal e de moradia. A água é o melhor dos remédios para limpar o corpo das febres inebriantes. Beber água pura e tomar banhos abundantes limpa o corpo tanto por dentro como por fora. Como elemento vivo também leva vida para dentro do homem. O suco de muitas frutas, quando feito na hora, também é um excelente remédio para a limpeza do organismo. Algumas ervas laxativas como ‘sene’ são muito boas para limpar as impurezas do sangue e do intestino preso. Se o homem sempre se alimentar do que tem vida como frutas, legumes, verduras e água pura terá sempre uma boa saúde e muito raramente terá alguma doença. Sua moradia deve ser asseada. Mesmo na simplicidade a limpeza do corpo e da casa deve ser um dever na vida do homem, mas se mesmo agindo assim a doença surgir o homem deve observar melhor seu coração, fazer um exame de consciência e procurar os erros de suas ações, pois pode estar sofrendo as reações daquilo que plantou na vida. As ações são a única árvore que o homem planta e que o persegue onde quer que ele vá. Isso significa que muitas das doenças do homem são apenas uma reação de suas ações e não importa quantas vidas o homem viva ele sempre será o único responsável pelas suas ações. - Jesus, as bebidas fermentadas como o vinho também são algo morto que não devemos beber? - O vinho não foi criado como alimento do homem, pois suas propriedades não estão ligadas à alimentação humana, mas para cuidar da saúde do corpo do homem. O vinho pode curar males que atacam a pele e até mesmo a mente. Por fora do corpo o vinho pode curar ferimentos, tais como cortes, arranhões e até mesmo algumas feridas de origem desconhecida, mas para que esta cura se realize é preciso empregar de maneira correta este poderoso remédio, pois o seu uso diário e em doses elevadas levará à falência de alguns órgãos, além de tornar o cérebro um dependente de seu uso. Como tudo na vida tem uma medida certa devemos apenas encontrar essa medida para utilizar bem os recursos que a natureza nos oferece. Se o ser humano fosse se basear apenas na Verdade divina jamais usaria uma árvore como lenha para cozinhar o
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alimento sagrado, pois a árvore morta produz o fogo, mas este, para existir, absorve o que morreu. Além disso a humanidade irracional derruba as árvores para seu uso, mas muitas vezes esquece de replantá-las, fazendo assim muitas espécies desaparecerem da face da Terra e a destruição maior só não aconteceu ainda porque a natureza conta com seus fiéis operários. Animais e pássaros semeiam nas florestas o florescer de um novo futuro, pois o alimento deles são justamente sementes e frutas, mas terminam por devolvê-las à natureza. Através das fezes ou no simples ato de carregá-las algumas se espalham na natureza tornando-se novas árvores. O mais incrível de tudo isso é que existem algumas espécies de pássaros e animais que fazem este trabalho de maneira bastante racional, distribuindo as sementes de maneira proposital por toda a floresta. Alguns seres humanos chamam esses animais de ‘plantadores da floresta’ justamente porque por onde passam derrubam sementes de árvores e essas brotam mais tarde. Depois de tudo isso não é estranho que o homem se ache tão mais sábio que a natureza? Na verdade o homem é só um pequeno aprendiz diante de um grande professor. Jesus, eu até compreendo o que estais a explicar, mas como poderíamos cozinhar o alimento que precisa do fogo? Muito simples, meu querido irmão. O Sol e sua energia deve ser aproveitado em toda sua plenitude. Muitos povos antigos captavam o calor do Sol utilizando cristais e outros instrumentos. Dessa maneira acreditavam absorver também toda a boa energia desta divina luz. Muitos povos, como ainda no tempo atual, só bebiam o leite depois de deixá-lo alguns minutos no Sol e no inverno a grande parte desses povos se alimentava apenas dos alimentos dessa estação. Em verdade eu vos garanto que o homem sábio terá alimento em todas as estações do ano sem precisar sacrificar nenhum animal, pois a natureza provê o alimento para homens e animais, porém só os animais percebem isso. Para tudo Deus criou opções. Um dia o homem já soube quais são, mas hoje a grande maioria já as esqueceu. E assim, meu pequeno Osha, Cristo também ensinou aos homens o respeito à natureza e tudo que nela vive e se eu fosse lhe contar tudo que ele ensinou levaria anos só para relatar o que me lembro, porém o mais importante eu já lhe contei. O segredo das 22 lâminas que estão associadas às 22 letras do alfabeto hebraico e este também é o grande segredo da Kabalah. Em suma, eu já lhe relatei o Grande Arcano (segredo) da Verdade, que resumido em dez mistérios mais tarde se tornou o símbolo da Árvore da Vida, a Kabalah. (ver desenho na pg. 55) Mais tarde vou lhe explicar de maneira resumida esses dez mistérios, seus significados e porque o criaram dessa maneira. Agora vamos aproveitar que estamos falando sobre Jesus Cristo e vamos revelar a verdade sobre o que Cristo realmente disse na hora de sua morte, o que significou aquela coroa de espinhos em sua cabeça e os estigmas em seu corpo. Quero também que saibam que Judas nunca traiu Cristo, mas isso já é uma outra história. Os apóstolos se infiltraram na multidão quando pediram ao povo para escolher o Cristo ou Barrabás. Os outros apóstolos estavam todos presentes ao sofrimento do Cristo e não foi só Pedro que O negou, como muitos
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acreditam. Para salvar as próprias vidas os apóstolos tiveram que negar que conheciam Cristo. Quero que fique bem claro que Judas existiu, porém por trás dele existiu um Judas ainda maior. Como já havia dito, ele foi um ser usado para representar uma multidão. Ele foi só o bode expiatório. Darei maiores explicações sobre isso mais tarde. Os registros do aprendizado crístico foram profanados e até mesmo o que hoje constitui a Bíblia em muito já foi reduzido e com o passar dos anos ainda será muito modificado a tal ponto que ele se mostre apenas por enigmas, que poucos poderão decifrar. Isso se refere também às últimas palavras que Cristo pronunciou e que por “erro” de interpretação foram modificadas. Cristo disse (em hebraico): ‘LI’ LI LMH ShBHhTnNI (Meu Deus, meu Deus, quanto me glorificas!), mas traduziram como: Eli, Eli LAMMA SabAchthani (Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste!). Essas mudanças nos textos bíblicos fizeram com que a revelação que o Grande Pai enviou à Terra desaparecesse momentaneamente. Assim o florescer da religião única foi interrompida por toda a Terra, porém a Verdade Universal é a única coisa que a terra não pode tragar. Este pequeno período em que a Verdade virou um Grande Arcano (mistério), a Gnosis Absoluta (Grande Arquiteto = Deus) tratou de renovar em segredo esta Verdade e quando for a hora certa o tempo de Deus será então o tempo do homem e uma revelação inteiramente nova surgirá e terá um poder absoluto, pois destruirá mais da metade da humanidade para assim transformar o planeta. Desta forma muitos credos criados pelo homem também irão desaparecer, mas ainda não será desta vez que a Verdade Absoluta se tornará a única verdade. Esta será apenas mais uma das vezes em que ela mostrará o seu poder imortal. Cristo veio mostrar o poder desta Verdade, foi morto por isso, porém a sua Verdade provou que era imortal e se manteve na Terra e muitos que a seguiram morreram como o Cristo, mas mantiveram esta Verdade viva em livros sagrados e através dos escolhidos para dar continuidade à divulgação desta infinita sabedoria. Senhor Rabi, por que o senhor diz que a Verdade se esconde por trás de alegorias ou símbolos? A simbologia foi uma maneira secreta que muitos sábios antigos encontraram para preservar a Verdade na Terra, mesmo que muitas vezes eles fossem interpretados de uma maneira totalmente errada. Enoch, por exemplo, escreveu esta Verdade em vários livros e mais tarde a resumiu em um só, feito apenas de símbolos dos quais ele fez cópias e as deixou em lugares seguros onde seriam encontrados no futuro por seres aptos a entendê-los e já escolhidos. Uma das cópias ficou de herança para Noé. Além desta cópia ele também herdou os livros que foram escritos em idioma celeste e juntando os dois foi possível compreender a origem de tudo, do universo e do homem, porém logo que houve a grande transformação Noé recebeu a instrução espiritual de dar a cada um de seus filhos um livro celeste, pois a Verdade mais uma vez corria o risco de desaparecer da face da Terra e a melhor maneira de preservá-la era separá-la, levando suas partes para lugares diferentes. Assim se uma parte fosse destruída as outras estariam preservadas, porém o Livro dos Símbolos só podia ser passado a alguém escolhido pela luz, que compreendesse os símbolos sem precisar do livro do idioma celeste.
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Em resumo, para compreender o Livro dos Símbolos era preciso ter o Livro do Idioma Celeste ou ser um Filho da Luz, que já tinha a sabedoria para compreender os símbolos por si mesmo. Na verdade poucos homens puderam acessar este livro e mesmo aqueles que o compreenderam não conseguiram transferir o seu conhecimento a muitos, pois poucos eram os discípulos ou aprendizes que alcançavam o nível desta imensa sabedoria. Mas o maior de todos os segredos é que Enoch, ao juntar os livros em um só não o escreveu apenas em símbolos, mas também explicou cada um deles no idioma celeste. Este livro se tornou ainda mais raro que qualquer outro. Sabe-se que no passado os faraós os tiveram em seu poder, mas que apenas Akhenaton conseguiu compreender o que neles estava escrito. Agora vamos direto ao assunto que realmente interessa, a simbologia que está por trás do Cristo, sua cruz, sua coroa de espinhos, etc. Quando olhamos a imagem de Cristo na cruz observamos um ser puro banhado de sangue, sacrificado sem motivo algum. No passado Akhenaton escreveu uma história. Na verdade não era uma história, mas uma visão espiritual que transformou a vida deste faraó. Na visão de Akhenaton ele viu uma cruz vinda do céu e ao centro dela ele viu uma bela rosa vermelha. O significado da cruz vinda do céu tem várias explicações, mas vou contar as cabalísticas. Na Kabalah a cruz significa O Todo Poderoso, os 4 elementos, o encontro do céu com a terra e os 4 pontos que marcam a rota do destino, além de trazer em si a palavra “tarô”

e é também o Tau sagrado dos talmuds. A rosa vermelha significa O Todo Poderoso nascido entre os homens, a sabedoria sacrificada, o quinto elemento (o amor), etc. Em resumo, significa que a Grande Sabedoria nasceria entre os homens e por ser a Verdade Absoluta, se espalharia pelos quatro cantos da Terra. Os espinhos colocados na cabeça do Cristo significa o quão grande ainda eram os obstáculos e a incompreensão dos seres humanos a respeito dessa sabedoria. Além disso esses espinhos também significavam o quanto seria difícil o caminho daqueles que resolvessem seguir o Caminho da Verdade, mas o seu significado não pára por aí. O mais belo de seus significados é o despertar da consciência divina e a abertura do terceiro olho, o olho da mente e da alma, além do despertar do oitavo chakra, aquele que nos permite a comunicação com o mundo divino. Os estigmas de Cristo deixam bem claro o despertar dos outros chakras, as chibatadas nas costas acordando a Kundalini, porém não devemos esquecer que o Cristo não precisava despertar os seus chakras. Por isso seus estigmas, além de representarem o despertar da sabedoria também tinham uma representação superior. Os pés simbolizavam a terra, os braços abertos o ar, o sangue que corria de seus ferimentos a água, o calor de seu corpo era

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o fogo, porém o Cristo na cruz era a quinta essência viva ou o quinto elemento, o amor e a sabedoria sendo sacrificados pela incompreensão e pela ignorância. Os cinco estigmas são os 5 elementos e os 5 sentidos do homem. O Cristo recebeu os espinhos (ignorância), mas deu rosas (sabedoria). - Senhor Rabi, por que tanto simbolismo em torno da morte do Cristo? - Essa é uma boa pergunta, meu pequeno Osha. Muito antes do Cristo nascer a cruz já era sagrada e muitos já sabiam seu simbolismo, porém na cruz faltava o quinto elemento para, de fato, dar vida a Deus, que se fez presente no Cristo, e assim manifestou a sabedoria pelos quatro cantos da Terra. Tantos são os significados que existem por trás do Cristo na cruz que seria preciso escrever um livro para traduzir e explicar todos, porém os mais importantes eu já relatei a você, meu pequeno aprendiz. Voltemos agora aos estigmas de Cristo, que representavam, além dos chakras, os cinco sentidos do Caminho da Sabedoria. Os estigmas dos pés simbolizam o Caminho da Sabedoria que somente aquele que está apto a ser peregrino pode trilhar. Os das mãos significam o tato e a abnegação de saber tocar sem possuir. Os das costas representam a humilhação da matéria, a ignorância do mundo e seus obstáculos, que tentam derrubar aquele que trilha o Caminho da Sabedoria. Os da cabeça significam a sabedoria divina vencendo a ignorância da matéria, pois somente tamanha sabedoria suportaria uma coroa de espinhos sem reclamar uma só palavra, que poderia destruir aquele sofrimento. É preciso ter muita sabedoria para não usar o poder. Também significa o pensar antes da reação. O estigma do peito significa o sentimento verdadeiro, o amor incondicional. Para os homens esses estigmas têm apenas um simbolismo de dor, mas para os sábios eles são um livro de grande aprendizado, principalmente para quem deseja se iniciar na magia sagrada. Em suma isso quer dizer que todo aquele que deseja avançar para os mistérios divinos deve ver sua vida como a vida de um livre peregrino. Quando digo peregrino não necessariamente estou afirmando que as pessoas devam sair pelo mundo sem rumo ou direção. Estou dizendo que a vida terrena é um eterno peregrinar, encarnação após encarnação, vida após vida, mas se surge no homem a necessidade da busca interior ele deve fazê-lo. Para isso o homem deve se manter abnegado, estando sempre pronto para alçar vôo como uma águia livre que invade os céus com toda sua beleza. Para isso o homem deve agir como os pássaros, que só podem voar porque a nada são apegados, pois suas asas só suportam o peso dos seus corpos e daquilo que lhes servirá de alimento. Os pássaros podem andar e voar, mas não podem possuir objetos como os homens. No entanto o homem daria tudo para ter as asas dos pássaros, mas os pássaros com certeza nada dariam para ter a prisão sem muros do homem. - O homem também tem a consciência de que suas palavras são sua sabedoria e não sua opinião. O Cristo falou com os homens usando sua sabedoria, jamais a opinião própria. Exemplo disso foi quando ele foi chamado a julgar a mulher adúltera. Ele disse à multidão: “Atire a primeira pedra aquele que não tiver pecados” (isso é sabedoria) e depois, quando a mulher lhe perguntou: “Mas senhor, como fazer para corrigir meus erros?” Ele respondeu: “Vá e não peques mais.” Isso é opinião em forma de ensinamento. Na primeira
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parte Cristo mostrou à multidão os defeitos deles mesmos incrustados na pele da mulher que a multidão condenava. A sabedoria não condena, apenas mostra a verdade, e esta por sua vez se faz juiz de todos. Na segunda parte, quando questionado, Cristo deu à mulher um caminho, mas cabia ao livrearbítrio dela segui-lo ou não. Depois de aprender a usar as palavras o homem deve aprender a suportar o peso delas (através da incompreensão e a solidão). O simples fato de uma pessoa passar a compreender as coisas que muitos não compreendem o torna distante e incompreendido, porque as pessoas se perguntam: “Mas por que um ser tão sábio não tem nenhum luxo ou não luta para ter alguns bens?” ou até mesmo “Por que não usa sua sabedoria para conquistar riquezas e outras coisas?” Esses seres ainda não estão aptos a entender que aquele que possui o conhecimento tem o maior de todos os tesouros. Por isso é muito comum encontrarmos sábios principiantes entristecidos pelo peso do conhecimento, mas ao passar do tempo essa tristeza vai se tornando mais amena e bem menos dolorosa. A solidão já não é mais tão pesada e a incompreensão já não incomoda mais, pois aquele que avança para a Verdade, por mais dolorosa que ela seja, muito raramente retorna ao Mundo das Ilusões e se ele o faz é porque estava escrito em seu caminho e mesmo assim ele terminará retornando à Verdade, pois aquele que a conhece pode até abandoná-la por um breve período, mas esta jamais abandonará sua consciência. Eis aí, meu pequeno Osha. Tu agora és mensageiro dos mistérios da humanidade e da criação, mas é óbvio que tu ainda não sabes tudo, pois o caminho da evolução é único e chama-se Sabedoria Infinita e este todos nós trilhamos dia após dia. Tu cresceste muito durante esse tempo que passamos juntos. Na verdade perece que o tempo não passou, mas hoje sei que tu não és mais o pequeno aprendiz, nome pelo qual me acostumei a te chamar. Hoje és mais que um aprendiz. Tu és um iniciado nos mistérios que a ti foram revelados, mas que em parte ainda não foram sondados e nem praticados. Tu terás uma vida inteira para reconhecer esses mistérios na íntegra, mas como havia te prometido vou te contar em poucas palavras o simbolismo da Kabalah, a Árvore da Vida.

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A primeira esfera (em hebraico chamada de sephirah), no alto da Kabalah, tem o nome de Kether. Alguns a chamam de Coroa do Universo, Primeiros Movimentos, etc. Esses dez caminhos da Árvore da Vida são a classificação de três planos: o divino, o universal e o planetário, o que significa o princípio de Deus, do universo e de cada planeta deste universo. Em suma, Kether retrata a história do nascimento de Deus quando Ele era apenas o Nada e resolveu “ser”. Isso eu já te expliquei como ocorreu. Do Primeiro e Uno também veio o universo e assim também os planetas, isto é, um princípio que foi gerando outros princípios. A segunda esfera tem o nome de Hockmah, que no plano divino representa os Amorazins, a primeira ação divina, que também já te expliquei. No plano universal significa o zodíaco, as doze eras do universo, a regência de cada zodíaco. No plano planetário foi o primeiro dos planetas, aquele que foi se criando a partir das necessidades de Deus para controlar suas primeiras emoções e que é chamado de O Planeta do Princípio, onde tudo começou. A terceira esfera tem o nome de Binah. No plano divino representa a parte feminina de Deus. Foi quando Ele retirou um pedaço de seu coração e criou sua Eva. No plano universal é a dualidade da sapiência, no planetário simboliza a criação de Saturno (a sabedoria e seus mistérios). A quarta esfera tem o nome de Chesed, que no plano divino significa o nascimento dos Evins. No universal significa a criação dos dois pólos, bem e mal como caminhos ainda separados. No planetário significa o nascimento de Júpiter, Senhor da Vida e da Morte e princípio do fim. A quinta esfera tem o nome de Geburah. No plano divino representa a união de Deus e Eva e a primeira criação de Deus, que voltou a ser o Uno. No universal é o símbolo do equilíbrio da sabedoria pelo amor. No planetário existem muitas discordâncias. Alguns seres atribuem esta esfera ao planeta Marte, outros a Vênus e eu fico com a segunda opção, afinal o planeta Vênus é o representante do amor e da criação. A sexta esfera se chama Tiphereth. No plano divino representa a criação pelo Divino, após a evolução e união, dos Infinins. No plano universal é o princípio do movimento interno, o início da caminhada da sabedoria para as primeiras criaturas. No planetário é o Sol, o Senhor da Luz, da energia fecunda e o calor da vida física. A sétima esfera tem o nome de Netzah. No plano divino representa as primeiras emoções da criação do Divino, que dessa forma iriam dar continuidade à criação. No plano universal representa as criaturas e suas primeiras criações. No planetário é a Lua, a Senhora da Magia Fecunda e a Mãe da Imaginação. A oitava esfera tem o nome de Hod. No plano divino é considerada o Fogo da Justiça, que tudo equilibra. No plano universal é a ação e a reação que dá continuidade à criação e à evolução. No planetário representa Marte, o Senhor da Guerra e das Armas, mas também Senhor das Conquistas. A nona esfera tem o nome de Yesod. No plano divino são as emanações dirigidas ao universo, no universal são as inspirações transformadoras. No planetário é Mercúrio, responsável pelas mensagens e pelas realizações,
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considerado o Mensageiro de Deus, aquele que leva aos homens os grandes acontecimentos. A décima esfera leva o nome de Malkuth. No plano divino é chamada de A Dor, a Vida das Emoções. No plano universal é a alma, o corpo criado para evoluir de acordo com as emoções. No planetário significa a vida dos elementos criadores da vida física: água, terra, fogo e ar. Meu querido Osha, sei que essa explicação rápida e quase incompreensível da Kabalah muito pouco te ajudaria se não fosse por tudo que já te expliquei dos 22 caminhos da evolução, que na verdade alguns sábios chamam de 32 caminhos, pois eles incluem os dez da Kabalah, mas devo dizer que as dez esferas da Kabalah já estão incluídas nos 22 caminhos, como aqui ficou bem claro. Em suma, a Kabalah é tudo aquilo que te expliquei anteriormente, os segredos do universo revelados, mas não só isso. Nela também existe uma fórmula que poucos seres conhecem. Ela revela uma maneira de despertar a consciência para as portas do universo, uma maneira de obter a sabedoria. Deixo claro que isso nem todos que tentam fazer alcançam. No corpo humano existem várias aberturas conhecidas como canais invisíveis de energia ou chakras. Esses canais recebem influência planetária e angélica. É preciso alinhar os canais com os dias e horários dos planetas, além de saber qual o ser angélico que rege o canal. Para isso vou usar um exemplo bem simples. Como são muitos os canais vou explicar apenas os dez mais conhecidos e necessários. Vamos começar pelo seu próprio corpo, Osha. O primeiro canal ou chakra está nos seus pés. Este é regido pelos elementos terra e água. O segundo canal está nas suas mãos. Ele é regido pelos elementos fogo e ar. O anjo que rege esses dois canais geralmente é o mesmo. Então o planeta que rege esses dois canais é a Terra e seus elementos vitais e o anjo que cuida desses canais é mestre universal. O terceiro canal é localizado no cóccix (última vértebra da coluna) e seu planeta regente é Marte, que apesar de vermelho é um planeta frio, o que significa para os sábios matéria morta. Este canal é o mais difícil de ser controlado, pois é o canal dos instintos animais. Também é o canal da reprodução humana. Por isso alguns sábios atribuem a ele o fogo de Marte, sabendo que é um fogo que não existe, que não passa de uma ilusão. Este fogo é classificado dessa maneira porque a humanidade não consegue controlar seus desejos sexuais mesmo sabendo que todo aquele prazer é algo passageiro, que pertence apenas à carne, que um dia vai se acabar. Por isso é atribuído a Marte, o planeta que, apesar de vermelho, é frio. O anjo de Marte geralmente é o arcanjo Kamael, o senhor das revoluções humanas. O quarto canal fica bem próximo do umbigo. Seu planeta regente é Mercúrio, que atribui ao homem o dom da realização, pois o cordão umbilical é o fio da vida quando estamos no ventre de nossas mães e esta é uma realização que o homem pode realmente chamar de sua. O anjo que rege este canal é Uriel, o anjo guardião da vida. O quinto canal fica bem no centro do peito, naquilo que alguns chamam de ‘boca do estômago’. Seu planeta regente é o Sol, a energia viva. É normal que algumas pessoas, quando tomadas por emoções fortes, não consigam se alimentar direito, pois é como se o estômago não aceitasse nada. Mas também é normal que aconteça o contrário. O ser tomado por uma ansiedade
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desesperadora come demasiadamente, sem limites. Esses dois aspectos mostram o quanto somos impacientes e imprudentes. O Sol como energia viva e quente se apodera deste canal afim de supri-lo de energia viva, porém aqueles que não conseguem obter o controle desta energia terminam ficando muito irritados e até mesmo agressivos. Os antigos sabiam dos efeitos do Sol e controlavam as horas que desejavam permanecer expostos a ele. Dessa maneira controlavam até mesmo a fecundidade das mulheres. O anjo regente deste canal é o arcanjo Miguel, também chamado de O Fogo de Deus ou A Espada da Justiça. O sexto canal é aquele que fica próximo do coração. Seu planeta é Vênus, o planeta do amor. Seu anjo pertence à hierarquia do príncipe dos querubins. Seu nome é Haniel, Senhor do Amor Incondicional. O sétimo canal fica naquela pequena cavidade que temos na garganta. Este pequeno buraco por dentro é chamado de laringe. Nesta cavidade é armazenada a energia que controla as emoções dos homens, já que alguns centímetros abaixo dela se esconde a glândula conhecida como a Senhora do Corpo, a tireóide. Esta glândula é responsável pelo bem-estar do corpo. Se ela se altera o ser humano pode começar a engordar muito ou emagrecer demais. Ela também provoca um ritmo desgovernado no coração. Na verdade é o fator emocional que causa alterações nesta glândula e ela, por sua vez, altera o corpo e o humor dos seres humanos. Resumidamente existem três glândulas no ser humano que têm o controle da vida física e espiritual. As duas principais estão no cérebro e são as glândulas pineal e pituitária. Ambas são tão pequenas quanto um grão de ervilha. A mesma que é responsável pela visão (a pineal) também é responsável pela 3ª visão. A outra (pituitária) é responsável pelo pensamento e demais atos, mas também pelas informações espirituais, etc. Mas voltando ao sétimo canal, também chamado de laringo, seu planeta regente é Júpiter, Senhor da Vida e da Morte. Seu anjo é o arcanjo da vida, Rafael. Este arcanjo é aquele que carrega nas mãos o bálsamo que cura todos os males. Por isso é chamado de O Arcanjo da Vida, pois até mesmo na hora da morte ele trás o consolo. O oitavo canal é aquele que fica entre as sobrancelhas, também chamada de Terceira Visão ou Pirâmide Sagrada. Seu planeta é a Lua, a Senhora da Magia, das Sabedorias Secretas, Senhora da Luz Interior. Seu anjo é o arcanjo Gabriel, o mensageiro divino, inspirador de idéias futuristas e o Senhor das Premonições. O nono canal fica no topo da cabeça. Seu planeta regente é Saturno, Senhor da Sabedoria Universal. Seu anjo é o sagrado arcanjo do trono divino. Seu nome é Metatrom. Ele é o arcanjo dos arcanjos e na hierarquia cabalística está abaixo apenas de Cristo, mas também é do grupo dos Amorazins. É ele que tem a responsabilidade de coordenar a evolução dos sábios que se encontram encarnados pelo universo. O décimo canal é totalmente invisível, ao contrário dos outros. Seu planeta regente é todo o zodíaco, seu anjo é o próprio Divino Pai. Este canal é a consciência absoluta do Absoluto. É o que você está aprendendo agora, meu querido Osha. Quando o ser humano descobre como alinhar as qualidades planetárias e angélicas aos canais de energia ele desperta esta consciência divina que na verdade também é chamada de Kundalini, a Grande Serpente da Sabedoria. Sobre isso nós já conversamos. É só juntar uma coisa com a outra que tudo ficará mais fácil,
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porém quero lhe deixar claro que para tamanho feito é preciso estudar mais sobre as virtudes dos anjos e a influência dos planetas, pois tudo que falei sobre isso foi muito pouco e não é o suficiente. O mais importante é lembrar que nada existe entre o céu e a terra que a Kabalah não possa revelar, mas para isso é preciso estudá-la e conhecê-la na íntegra. As dez esferas da Árvore da Vida é uma abreviação dos 22 caminhos, que na soma geral são os 32 caminhos da consciência, mas acredito que a ti revelei parcialmente esses 32 caminhos. Os detalhes o teu livre-arbítrio deve suprir e a prática o resto te ensinará. Senhor Rabi, como o Grande Pai criou as 12 esferas da Kabalah e por que elas são 10 e não 12? Isso tudo é muito confuso para minha cabeça. Meu pequeno, sei que tudo lhe parece muito surreal e de fato é um tanto estranho a numeração não bater, mas vou lhe explicar. A Kabalah não tem 12 nem 10 círculos, mas 11. Em sua origem ela tinha 13 círculos, ou seja, ela escondia 2 círculos = planetas. Esses planetas na verdade seriam a primeira Mãe e o primeiro Pai unificados em um só corpo celeste. O filho seria o segundo corpo celeste, que teria surgido ou se soltado do primeiro corpo. Conta a tradição que esses corpos explodiram e deles surgiu o Universo. Assim os primeiros corpos de luz se apagaram transformando-se em planetas, estrelas, galáxias, etc., mas essas duas primeiras luzes teriam deixado o Sol como astro-rei do Universo. Assim ele ganhou o título de pai, a Lua de mãe, a Terra de berço e o vento de alma, que anima não apenas o homem como todos os seres vivos desse planeta Terra. Para que você compreenda isso melhor vou lhe ensinar como está nas escrituras ou como está na Zohar. Na Gênesis bíblica Deus criou sua obra em 7 dias e tudo era bom. Nem homem nem mulher tinham pecado e nem havia serpente, ou seja, um capítulo até Gn 2,4. Tudo era bom e homem e mulher não eram feitos de barro, e o principal ou talvez o mais importante: Deus não os criou sozinho, pois Ele disse em Gn 1,26 a 28: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” e Deus criou o homem à sua imagem, a imagem de Deus o criou, homem e mulher o criaram. Observe que Deus aqui fala no plural. Ele está falando com outra pessoa, Rabi? Isso mesmo, Osha, e são essas outras pessoas o mistério da criação. A Kabalah explica que a essa altura da criação não era mais o Pai que estaria criando os seres à sua própria imagem, mas os primeiros filhos e isso está certo. Essa criação é feita pelos filhos e alguns o chamam de Templo do Senhor ou de Salomão e é nessa história que vamos encontrar os melhores arquitetos da história bíblica. Na verdade eles são os magos de Deus. O primeiro mago é o mago renegado Caim, que teve um filho chamado Enoch e construiu uma cidade para ele Gn 4,17 (O mago dos magos é a sabedoria de Deus, que construiu o Éden e deu para Adão e Eva). O segundo mago é Tubal Caim, o terceiro mago é Noé, que constrói a arca, o quarto mago é Nimrod, o quinto mago Abraão, o sexto mago Jacó, o sétimo mago José,o oitavo mago Moisés (Bazilai), o nono mago Josué e o décimo mago Hiram Abif do rei Salomão (pulamos o mago de Davi, que se chama Bazilai, assim como o de Moisés). Os dez magos do Templo do Senhor são como arquitetos das 10 sefiroths kabalísticas. Um dado importante é que José, filho de Jacó, aqui
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também é o José carpinteiro, pai de Jesus. Sei que isso não está explícito, mas vou tornar agora. Primeiro vamos fazer os 10 caminhos explicando como cada mago em si é um planeta e juntos são um corpo, ou melhor, o corpo. A Terra é a alma desse corpo, ou seja, dentro desse conjunto ela é a vida pelo fato de ser o planeta que tem vida e seres vivos. Resumindo, a Terra é o umbigo desse pequeno universo de 10 magos visíveis e um invisível. Mas Senhor Rabi, esses magos de que o Senhor falou são tão pouco conhecidos. Como eles são os grandes magos do Universo se a história não fala deles? Ora, meu pequeno, nem sempre tudo que brilha é ouro e nem sempre aquilo que é ouro precisa brilhar. Digamos que por esses nomes realmente quase ninguém os conhece, mas posso lhe afirmar que a história de suas existências preserva esses nomes na Bíblia e em outros livros, mas eles têm vários nomes, que vou revelando a você no decorrer da nossa conversa. Tudo que as pessoas sabem sobre esses magos foi retirado do Livro de Ratziel (Haziel) ou Livro de Enoch, o sagrado livro da Gênesis universal. Eses seres são mistificados como primeiros homens ou o Adão Kadmo do planeta Terra, mas por trás desses nomes se escondem muito mais do que simples seres humanos. Por trás deles se escondem os códigos do Universo, as portas para a liberdade da alma. O primeiro mago de Deus é Metatron. Eu diria que ele é a coroa de Deus. Kabalisticamente falando ele resume em si três potências: o ser = Aïn; o ser forte = Aïn Soph e o ser com tempo = Aïn Soph Aur. Onisciência, Onipresença, Onipotência e Onisciência. Ele está acima do zodíaco porque ele é o movimento que deu origem aos outros movimentos planetários. Ele é a explosão que criou no Nada o Tudo que hoje é. Ele não tem face, imagem e como é o tudo dentro do nada que se preencheu sua imagem ou semelhança é o tudo e o nada, é um abismo infindável como um Universo criado. É a sabedoria de Deus que equilibrou o Nada e o Tudo, do negro vazio ao branco tudo. O branco é o resultado de todas as cores e o preto a ausência de todas elas. Por isso Metatron é a medida que equilibra esses dois pólos. Imagine um gigante de luz com os braços abertos e deixando à mostra apenas um lado da face. Em seu braço esquerdo ele tem o zodíaco, que também é chamado de Hockmah, Mazaloth, Matsualem, Matusalém ou pão e água no aspecto invisível. O zodíaco é pão e água universal, o corpo. Raziel é o que chamamos de Jeovah, o senhor das esferas ou rodas do destino, habitante da esquerda do Senhor da Luz diamantina Mitatrom. Raziel é o cristal que emana sua luz para o braço direito do gigante universal. Esse braço direito é o Shabbathai, Saturno ou Binah, Marah, Jehovah Elohim, Tzaphkiel. É essa sefirah que limita nossas origens apenas à Terra. Eis o que chamamos de Trindade: Deus, a sabedoria de Deus e a criação. Pelo fato dessa criação começar de Saturno ele ganha o título de mãe e pai, a casa de Jacó = Jacobet, lugar de onde viria o Messias bíblico. Esse planeta também é chamado de caldeirão negro, é a pedra ônix da Gn 2,12 e a safira da Kabalah tradicional. Entre Hockmah e Binah existe um grande abismo chamado Daath, que faz a ponte entre os dois lados. É como a coluna vertebral do corpo desse gigante, que estabelece o equilíbrio do corpo. No cérebro desse gigante está o signo de Áries, o Ser, ou o cordeiro de Deus coroado. A coroa
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desse cordeiro tem 3 fachos, o Aïn (Ser), Soph (força), Aur (tempo, espaço) e é o Senhor do Absoluto coroado pelo Absoluto invisível. No pescoço dele encontramos o signo de Touro, a força. Os três princípios da coroa do cordeiro começam a se manifestar no cordeiro e nos demais signos. Como tudo que está acima é igual ao que está embaixo o cordeiro é a cabeça do gigante. O Touro é o pescoço e Gêmeos é o Urim e Thummim, união do novo e o velho, do preto e do branco, justiça e misericórdia, positivo e negativo, o sim e o não, a eternidade e a morte, o fim e o começo. Essas são as primeiras sephiroth chamados de Lei do Além-Mundo, mas na verdade também se encaixam nos 10 mandamentos bíblicos. “Viva porque eu vivo (Aïn = o Ser), Ame porque eu amo (Aïn Soph = o Ser, força) e Seja livre porque eu sou livre (Aïn Soph Aur = o Ser, força, tempo e espaço)”. Ser (vida), amor (sentimento) e liberdade: são esses os mandamentos herdados geneticamente da divindade paterna para os filhos mortais. “Amar a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo” é o resumo dos dez mandamentos porque o homem que segue esses três princípios não precisa de outros. Os 10 mandamentos de Moisés são as 10 sephiroth expressas como o planetário (os planetas) em forma de lei. O Cristo abreviou os 10 mandamentos nas 3 primeiras sephiroth, ou seja, se tivermos consciência da trindade em cada um de nós tudo fica mais fácil. O Livro de Jeremiah ou Jeremias deixa claro o mesmo que o Cristo. Ambos dizem: “Entrega-te e sobreviverás.” O profeta vê o templo destruído, saqueado e depois queimado. O Cristo destrói a tábua da lei ou essa se parte ao meio, como Moisés a quebrou na primeira vez que desceu do Monte Sinai. “Mas esse templo destruído será reconstruído” diz o profeta e o Cristo, “porém dessa vez deve ser construído também no coração dos homens. Preservai o teu coração, pois eis o reino de meu Pai”, diz o Cristo. Tudo bem, Senhor Rabi, mas e as outras sephiroth, pra que servem então? Elas terminam a constituição do cosmo e do microcosmo e, é claro, são tão importantes quanto as primeiras. Eu não as desmereci e nem retirei o valor delas. Apenas tentei lhe mostrar que o homem pode resumir suas regras e aumentará o tempo em proveito da sabedoria, ou seja, o homem não precisa de tudo que acredita para viver e não precisa descobrir isso só aos 50 anos de idade, quando seu tempo físico já está no fim. Vamos continuar o caminho para a Terra ou o corpo do gigante universal. Nós já construímos a parte dourada ou a cabeça do cérebro universal. É por isso que falamos: “O silêncio e a sabedoria são de ouro”? Muito bem lembrado do provérbio, meu pequeno aprendiz. Na verdade esse gigante é a famosa estátua de Ezequiel bíblico, também chamada de Estátua de Daniel.

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Também já começamos a parte do peito de prata. Agora vamos dar continuidade a esse nosso gigante. A sephirah Daath corresponde ao signo de Câncer. Como um escudo as vértebras e costelas se fecham para proteger o ‘precioso do Senhor’ (coração) e os pulmões. Basta observar um caranguejo e verá o peito e as costas ao mesmo tempo. A sephirah Daath em si não tem um planeta regente, mas ela ganha a quarta casa da Kabalah mesmo sendo invisível. Ela representa o ar kabalístico, o pulmão do Universo. Agora vamos terminar a parte de prata do nosso gigante, colocando a sephiroth Chesed, o El, Senhor, Cronos, tempo, começo, fim e recomeço eterno. Tzadkiel, Júpiter da quinta sephiroth, o justo = José, Joaquim, Yaquim, Yacov, Yago, Tiago é a safira avioletada ou ametista, universalmente falando. Júpiter seria a primeira luz ficando acima de Marte e do Sol. Muita gente atribui essa sephirah ao rei de Salem, ou melhor, da Urusalimum, velha Jerusalém. Melchizedek, o rei da paz e justiça, que repartiu com Abraão o pão e o vinho, ou seja, ajudou Abraão a fazer seus 12 trabalhos ofertando a parte primordial para constituição do Templo de Deus, no caso o corpo humano. Nesse caso Melchizedek foi professor de Abraão e de Cristo (Gn14,18-20) e o Cristo era sacerdote supremo, pois aprendeu na Ordem de Melchizedek, afirmam seus apóstolos. Vamos lembrar que o pai do Cristo se chamava Yosef = José, Tzadic = Tizedic = Tzadkiel e Abraão tem um escravo chamado Eliezer (auxílio de Deus) = El Yezer, Yosef ( justo), ou seja, ambos tem o mesmo nome, mas na Bíblia esses nomes tomam rumos diferentes. Um é escravo que Abraão torna seu herdeiro (Gn 15,2-4), sem esquecer que aqui vamos também jogar com os nomes de Ismael, filho da escrava Hagar e Itssachar = Isac = Isaac, o filho de Sara...Assim como João
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Batista, filho de Isabel ou Elisabet (casa de Eli), El, casa do Ser, Senhor (essas semelhanças vão ficar mais claras e óbvias no decorrer da história). O outro é o carpinteiro que, já observamos, tem o ofício de arquiteto do templo. Abraão e Yaoshua unificados pelo mesmo mestre, afinal esse mestre tem o poder divino de possuir o tempo e assim dita as regras ao coração, avisando que esse deve pulsar como um relógio marcando as horas da vida. A pureza desse órgão é guardado pela virgem e imaculada, que abre e fecha a boca do leão de Judá. Aqui os signos Leão e Virgem ficam muito próximos. Eu diria que além de pulmões e do coração o nosso gigante agora tem um estômago que é chamado de “forno de Vulcano”, o ferreiro dos deuses que não tem templo. Vulcano ou Hefesto é considerado aquele que molda as mais belas armaduras dos deuses, pois só ele sabe o segredo de fundir os metais. A princípio Vulcano se apaixona pela deusa Pallas Athena ou Minerva. Essa paixão acontece quando Zeus, o soberano dos deuses, está procurando uma cura para sua dor de cabeça e pede a Vulcano que faça um machado potente que possa abrir sua cabeça. A princípio Vulcano diz que não faria isso, pois teme que Zeus o castigue se algo não der certo, mas Zeus o convence de que é preciso e assim é feito. Minerva já nasce armada de escudo, espada ou lança e capacete e faz um único pedido a Zeus: “Quero me manter pura, invicta, intacta” e assim é, pois Zeus lhe atende o pedido. Mas Vulcano enlouquece por ela e a quer para si. Ela o recusa e foge dele. É depois do nascimento de Minerva que Zeus, sem saber, termina colocando para fora todos os filhos que um dia ele engoliu. Essa lenda também é atribuída a Júpiter (Cronos) antes dele ser derrotado por Saturno (Zeus) e os titãs. Mais tarde alguns escritores a escreveram usando o nome de Zeus. Na verdade como se trata de pai e filho cada escritor dá a lenda a quem deseja. Assim também é a história de José e Jesus, Júpiter e Melchizedek. São os senhores da sabedoria. O estômago é o leão que devora o homem, o predador que digere o alimento como um forno de sucos gástricos e transfere para o corpo a parte boa dos alimentos, mas armazena a parte ruim na bílis, o irmão louco de Vulcano, o Marte (Ares), o deus da discórdia, da guerra e da violência. Vulcano processa o que é bom e distribui isso no corpo, mas a bílis ou vesícula recebe apenas a parte venenosa. Entramos então na sephiroth de Marte (Madim) = Geburah, Elohim Gibor, Kamael. Marte está na direita do nosso gigante, na posição da vesícula biliar. Ele é o rubi do corpo da divindade. Ele é o que muitos chamam de justiça a qualquer preço. Assim se fecha a parte de prata do gigante para começar a parte de bronze, que vai se iniciar com 3 sephiroth que se localizam na cintura do ser cósmico. É o cinturão de Horiuns, Hórus (Órion). Trata-se também das 3 pirâmides na terra do Egito: o pai, a mãe e o filho. O pai é a sephirah de Hod = Miguel Arcanjo, chamado de Mercúrio (Kokab) divino, que revelou o segredo do mar de bronze de Hiram Abïf. Essa sephirah é o rim direito, enquanto Netzah é o rim esquerdo e o filho desses é o Tiphereth, o organismo e aparelho reprodutor. Na verdade essas três sephiroth são responsáveis pelos órgãos fígado, baço, pâncreas e rins, ou seja, do estômago pra baixo até os órgãos genitais. Netzah, Haniel, Vênus, Magdala, Nagah representam aqui a estrela portadora da maternidade do homem que hoje vive na Terra, mãe do Cupido
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divino. O filho, que é Tiphereth, nesse caso é o Sol, Samesh, Simeão, Simão, Rafael, Simão Pedro, Sansão. Essa sephirah é o signo de Balança, o equilíbrio entre os dois lados. Como está um pouco acima dos pais fica no umbigo, enquanto os pais são unificados pelo Escorpião, que cobre a genitália do nosso gigante. Tiphereth é o topázio amarelo. Netzah é a esmeralda e Hod é a opala fígado de boi. Agora vamos sair do mar de bronze e fazer as pernas do homem universal. Elas são feitas de ferro seguindo o esquema do profeta Ezequiel. Sua sephirah é Yesod, Gabriel, a Lua-Mãe e alma do planeta Terra. Esse foi o anjo que fez a anunciação a Maria. Na lenda hindu ele não deu lírios, mas o colar de pérolas. Por isso ela é a mãe dos mares, a eterna Diana pura e majestosa com seu arco e flecha na mão representando o signo de Sagitário. É também o trabalho em que Hércules tem que caçar a corsa de Diana. Como as lendas variam muito vou deixar por hora apenas uma, em que Hércules não mata a corsa, mas atira de forma a não feri-la gravemente, justamente para não ofender Diana, que era sua irmã e que dentre os irmãos era uma das que o protegia. Essa sephirah contém também mais quatro signos. O sagitário fica nas coxas, o Capricórnio fica nos joelhos, o Aquário fica nas pernas e o signo de Peixes são os pés, que alguns afirmam estar acima da sephirah Malkuth justamente pelo ritual do lava-pés do Cristo, mas isso será explicado melhor agora, que vamos entrar nos pés do gigante. Os pés são feitos de barro fundido ou pedra lavrada, como alguns falam, e isso significa que por mais forte que sejam os pés não irão sustentar o peso do gigante de metal. Essa imagem também nos leva a Maria, que pisa na Lua ou na serpente, o São Jorge ou São Miguel pisando no dragão. Os pés devem ficar acima da terra (Malkuth, a última sephirah), porque a terra é uma esfera elemental onde habitam as almas de fogo Hashim, Abel e Caim unificados, Jacó e Saul. Esse é o reino de Sandalphon ou Apolonion, Adnai Melekh. Aqui o rei é de barro, forjado pelos quatro elementos e o Ki da divindade universal. Malkuth é a realização da obra de Deus, é o 7º dia da criação, onde Deus descansa no tempo que Ele construiu. O descanso de Deus é o despertar do homem em Pangéia. Segundo os cientistas o peixe surgiu na Terra na época em que havia um continente único, a Pangéia, e esse peixe com coluna vertebral seria o príncipe dos seres vertebrados, incluindo o ser humano, que de microorganismo evoluiu para uma cadeia revolucionária de espécies até chegar à aparência atual. O reino de Malkuth é a prisão para onde o Cristo será levado. Na verdade esse nome Malkuth, Geene, Gomorra, Sodoma significa castigo, punição. Por isso muito seres têm a idéia de que a Terra é uma prisão para os anjos caídos de Enoch, onde o Pai os condenou para todo o sempre, mas é só uma escola tão temporária quanto os demais planetas, mas com uma diferença. A Terra está nos pés do gigante e é feita de barro. Na estátua de Ezequiel um meteoro vem em direção dos pés do gigante e a derruba porque quebra seus pés, dando à Terra o título de Maya (= ilusão, passagem). Como a Terra é considerada a alma desse Universo de 10 sephiroth se ela se acabar a vida se acaba nesse Universo ou nesse corpo. O gigante morre, mas o detalhe é que essa alma deve renascer em um outro nível de evolução, não mais visível aos olhos humanos. Assim os 12 planetas
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surgem no plano invisível e fecham a pirâmide evolutiva. Os outros planetas de onde vieram os seres que hoje habitam a Terra já passaram para o estágio invisível e como eram planetas-berçário tinham apenas sua própria espécie. A Terra é a mistura das espécies planetárias e por isso não é um berçário, mas uma escola, muitas vezes chamada de exílio ou prisão. Aqui é o lugar onde o ser passa do microcosmo e vai evoluindo para outros estados até chegar ao estado final do homem hoje, mas ainda terá que evoluir como homem de sabedoria, compreensão e consciência. Existem vários gigantes kabalísticos no Universo. Alguns o homem já sabe que existem, mas nem sempre tem coragem de divulgar. Grande parte dessa evolução está em espaços invisíveis ou simplesmente inalcançáveis. E assim terminamos o rascunho do gigante universal. - Anda bem, Senhor Rabi, eu já não estava mais entendendo nada. O Senhor fez um gigante cheio de planetas e ainda o encheu de bichos. Eu não sabia mais se ele era planetas ou bichos. O Senhor Rabi soltou uma gostosa gargalhada e com calma disse: - Meu bom menino, eu vou lhe explicar a Kabalah em detalhes e qualquer dúvida eu prometo responder da maneira mais simples possível, o que você acha? - Se o Senhor está dizendo que será mais fácil, tudo bem. Eu vou tentar compreender prestando atenção. - Osho, meu menino, esse pequeno gigante foi só um pequeno esboço daquele que vamos fazer com a ajuda da Bíblia, da Torah e do Talmud e as cartas que compõe os 72 caminhos de Hermes. - Nossa Rabi, mas isso não vai ficar difícil demais para compreender? - Não, muito pelo contrário, vai se tornar mais fácil. Nós vamos fazer o corpo do nosso gigante de histórias, dividindo-as em eras de transformação planetária e terrena. Para as pessoas que tem pouco tempo para ler esses livros todos esse aprendizado será o melhor dos benefícios, afinal não é todos os dias que se encontra resumida ou compactada a sabedoria de tantos escritores em um só livro. - O Senhor está dizendo que um dia isso que está me ensinando vai virar livro? - Sim, um dia será um livro que você escreverá e depois muitos outros o copiarão. Assim no futuro, quando eu passar pela Terra, encontrarei nossa história e me lembrarei do dia em que espalhamos as primeiras centelhas de sabedoria na Terra. Mas agora vamos voltar ao nosso estudo kabalístico universal? - Vamos! - Lembre-se, meu querido, agora vamos descrever a evolução universal, planetária, Terra, microcosmo e homem animal. - O primeiro caminho, Hermes = Kether é a coroa do Universo, os princípios. Quero deixar bem claro que nesse caminho existem na verdade três caminhos dentro de um só e que começamos pela Gênesis universal, porém essa Gênesis vale apenas para o Universo, mas é reflexo para a Gênesis da Terra. Seria mais fácil dizer que ao terminarmos o corpo do Universo é que começa a Gênesis humana. Logo que os 72 anjos estiverem cada um em seu lugar é que começa a Gênesis humana e sua natureza terrena.
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O número 0 é o imanifesto, que vai se tornar manifesto. O Zero é o viajante cósmico. Está sempre iniciando a Grande Obra, mas quando esta termina ele nunca fica para dela desfrutar. Está sempre com sua mochila pronta para continuar sua jornada. Ele é o bobo ou tolo inocente, porém devemos observá-lo por vários ângulos. O nosso Louco sob a visão universal representa o caos, o abismo, o Verbo que se faz sem imaginar as conseqüências. A primeira ação que desconhece as reações é como um ser que vai se transformando na medida de seus passos, mas o Louco também é um paradigma que diz: “O início está no fim e o fim está no início. Tudo que começa termina e tudo que termina um dia recomeça.” É o tal círculo da eternidade evolutiva das espécies. Sabemos também que o Caminho Zero do Louco simboliza o Universo, o cosmo infinito, o nada, Senhor Absoluto do Tudo por deixar a herança genética espalhada por todos os caminhos. Usando a longa história sagrada e lendária vamos nos deparar com Adão e Eva quando o Pai os expulsou do paraíso (Gn 3,10-23), também igual a Jacó quando deixa a casa de seus pais para não morrer pelas mãos de Esaú (Gn 28,1-4), Abraão, Sara e Ló (Gn 12), a venda de José, filho de Jacó (Gn 37,2336), a fuga de Moisés (Ex 2,11-15), a fuga de José e Maria para o Egito (Mt 2,13-15) e vários outros. É muito interessante ver o quanto nossos personagens têm em comum, mas vamos adentrar no primeiro zero de todos os contos, aquele de que não conhecemos seu próprio princípio, o nascido sem dores de parto e que deu nome a si mesmo chamando-se de Princípio. Esse primeiro passo da divindade chamamos de perfeição inominável, intangível e incompreensível, pois tudo que fez era bom Gn 1,1-31 e 2,1-4. Nesse primeiro capítulo da Gênesis tudo que Deus fez era bom, nada Ele reprovou e não viu erro em nada. Uma pequena observação pode deixar as coisas mais claras. As escrituras sagradas pressupõem Deus como o arquiteto colocando em prática sua obra somente depois da primeira explosão que originou o Universo. Antes disso não se fala de Deus no seu estado invisível. Os primeiros 7 dias da Gênesis são dedicados às sagradas criaturas vivas, os serafins ou sapiências do Pai. O primeiro ser é Vehuiah, a luz, o nascimento da luz, é o primeiro passo. E disse Deus: “Exista a luz” e a luz existiu (Gn 1,1-4) ou, traduzindo melhor, “Que se faça a luz” e a luz se fez, unindo as palavras Luxifer, Fiat, Lux, Faet. Aqui temos o anjo mais amado e mais brilhante do Senhor, que mais à frente vai se rebelar, segundo os relatos das sagradas escrituras. Esses 7 princípios kabalísticos são transformados em 8, vendo que o zero (0) não pode ser incluído nos arcanos maiores, mas por lei não pode ser excluído por ser o Inominável, aquele que chegou antes de tudo e de todos. Assim os 7 princípios e o Criador somam 8. Esse número vai coroar a cabeça no nosso Mago, o arcano nº 1. Mas voltando à história observem que ao fazer o homem em Gn 1,26-29 Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine os peixes do ar, aves do céu e animais domésticos.” Deus os abençoou e disse: “Crescei e multiplicai-vos.” Em primeiro lugar aqui Deus não está sozinho. Com certeza ele tem a companhia de outro ou outros seres, que por sinal devem ser semelhantes ao Deus Criador, caso contrário Ele não afirmaria essa frase no plural “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.” De fato Deus não
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está sozinho. Ele está acompanhado dos seus primeiros princípios, que realmente são semelhantes a Ele. Esse primeiro capítulo da Gênesis se vela (esconde) entre Deus e seus filhos, que mais à frente se revelará, mudando apenas os nomes do Pai e dos filhos, filisteus e judeus ou judeus e Israel, romanos e judeus, etc. Após criarem o homem à sua imagem e semelhança também o abençoaram com a benção dos mares. Primeiro seria uma forte indicação de que Deus já concluiu os 12 trabalhos, afinal dominar os peixes do mar já é o sal da vida e o último signo do zodíaco, mas é claro que aquele que escreveu o primeiro capítulo da Gênesis não escreveu os demais. Os homens unificaram as cartas e as transformaram em livros que de certa forma tem uma seqüência. Essa Gênesis primordial é a obra perfeita da construção do Universo. Deus constrói aqui a casa e seus habitantes, mas as regras e a manutenção fica nas mãos do homem e da natureza. Não se deve deixar de perceber que Deus criou o homem no 6º dia. Jesus morre na sexta-feira da Paixão. Dois pólos contrários? Não! Isso não está errado se observarmos pela ótica divina, que só no decorrer da história será possível ver. O Pai arquiteto fez o homem no 6º dia e descansou no 7º. Jesus morre no 6º dia e repousa na mansão dos mortos. No 7º dia Deus também repousa e volta à vida no dominus dei = o domínio de Deus, dia do domínio, simplesmente dia do homo = homem. Esse Deus que dorme também é o Deus que se levanta mais tarde e já é homem em meio ao homem (imortal, assexuado). O descanso de Deus é a morte de Jesus, por isso o respeito pelo 7º dia. No segundo capítulo da Gênesis as coisas mudam de aparência totalmente. Surge o homem feito de barro, animais também feitos de barro e o homem, que aparentemente era dois em um, terá que ser dividido, separado e assim cometerá o seu primeiro pecado capital, mas antes disso cabe a observação primordial. Bereshit bara Elohim et hashamarim ve’et ha’arets (no princípio Elohim criou o céu e a terra). Bereshit bara é uma composição de 12 tribos = 3 x 4 = 12 e 1 + 2 = 3, que é a santíssima trindade perfeita: Pai, mãe e filho, não no sentido de criação da Terra, mas no sentido de criação universal, onde Deus separa dois mundos, céu e terra. Dentro do macrocosmo Deus separa os planetas (terras) e o céu (universo). Dentro do planeta é o solo (terra) e o infinito (céu). Esse é o mundo dos serafins = literalmente os ‘consumidos pela luz’, chamados de ardentes. Eu prefiro chamá-los de sabedoria forjada pela luz primeira. Isso seria o Big Bang da ciência. Essa trindade formada pela união de quatro, a unificação do solo dos 12 planetas para dar vida humana. Explicando melhor seria como se Deus tivesse usado os componentes desses planetas para dar origem à vida na Terra. Ele pegou tudo que havia nos planetas e misturou, criando uma simbiose e fez a biodiversidade das formas vivas, seja vegetal, animal ou mineral. O homem tem duas grandes biodiversidades dentro dele. A composição animal é a união de um todo, assim como o vegetal também se torna um todo. Em uma lenda antiga e pagã Eva não estava disposta a se sujeitar a Adão, pois o achava pesado como uma rocha, mas o Adão não queria ceder sua posição de primogênito de Deus e dizia: “Eu nasci primeiro, estou no meu direito.” Essa primeira Eva não suportou a indelicadeza de Adão e foi reclamar ao Criador, dizendo que Adão não a amava, pois não a respeitava.
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Assim o Pai nomeou Eva de vida e Adão de rocha da vida. Depois disso Eva passou a ter dificuldades para penetrar no duro coração de Adão, mas Deus ofereceu a Eva o dom da paciência e aos poucos, usando a sabedoria, Eva voltou a fazer a nobre rocha Adão tornar-se seu lar, onde juntos passaram a render frutos da criação. Adão aceitou a condição de que o amor era o único ser que estava para todo o sempre em primeiro lugar e Eva aprendeu a duras penas a esculpir o homem que ela amava. Assim as águas podem até cobrir a terra e ser 70% do principal elemento universal (hidrogênio), mas isso Eva deve ao próprio Adão, terra mineral, e a Hélios e outros minerais do Universo, pois é o Adão que chora para dar vida à sua Eva, mas suas lágrimas são doces e não salgadas e das gotas lacrimais desse Adão foram se formando rios, mares e continentes. Essa primeira Eva que nega Adão é muito semelhante a Caim negando Abel, a Jacó que rouba Esaú, a Judá que vende José ou até mesmo Judas que vende Jesus, etc. Essas colocações não estão erradas, apenas vou explicá-las melhor quando estivermos adentrando o pescoço do nosso gigante. Basta dizer que esses seres são o preto e o branco ou a luz e as trevas que Deus separa logo no início da Gênese (Gn 1;4). Caim nasceu. Primeira tradução de seu nome: Shain = fogo temporário, uma vida curta. Digamos que Caim é a tocha que Prometeu acendeu no carro de Hélios ou Hiperion e essa tocha em dado momento se apaga como a vida dos mortais. Assim o homem deve ascender a Deus e pegar o fogo da vida por si mesmo. Esaú era o primeiro (primogênito), mas vende seu direito pelo prato de lentilhas (os pés que carregam o signo de Peixes se tornam símbolo de fartura e abundância para Esaú, mas nesse caso lembramos que o peixe que Esaú acabou de virar fazendo a troca morre pela boca, ou seja, pela matéria). Mais tarde encontraremos Esaú na pele de Labão, que significa ‘branco’, o tio (irmão) de Jacó, que o faz de escravo, quando foi Jacó que recebeu do pai a benção de submeter seus irmãos, mas o preto tem muito a ensinar ao branco quando esses podem se unir, e acredite, o tudo e o nada é uma perfeição, aprendiz e professor, pai e filho, etc. Os Elohins, deuses da criação, são os 10 magos que modelaram o Universo e sempre mantiveram esse equilíbrio entre os pólos, os opostos. Essa guerra de irmãos seria como Deus e seu primogênio, o Aïn Soph = Ser luz, Luxifer (luz, força, pensar; toda forma de pensamento é uma luz), “brigando” para seduzir o filho mais novo de Adão. Deus dá preferência a Abel, Abraão dá preferência a Isaac, Jacó dá preferência primeiro a José e depois, pelas circunstâncias, a Benjamim, Davi dá preferência a Salomão, etc. Adão no caso é o primeiro alvo. Para não permitir a profanação de sua criação Deus Elohim o levou para o Éden, uma esfera inferior chamada de Mundo da Formação (Yetsirah) onde habitavam os Elohins. Lá Adam Kadmon ou Hockmah migrou ou transformou-se no Adam Eva (She heva = Jehovah). Esse mundo está bem abaixo do Mundo da Criação (Briah) e Emanação (Atziluth). Assim o mundo de Adão ficou conhecido como Jehovah, o Adão Eva, chamados de máscara de Deus ou a Lua e sua face que não se mostra para os terráqueos. O castigo do belo anjo, primogênio de Deus, foi ser escravo eterno dos filhos de Adão (está no Corão, na pg. 754, não exatamente neste contexto). Ele se recusou. Segundo algumas lendas ele
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dizia que Adão era de barro e ele era de fogo e não iria se rebaixar. Deus perguntou: “Ó Iblis, o que te impede de reverenciar aquele que eu criei com as próprias mãos?” Iblis diz: “Sou melhor que ele. Criaste-me do fogo e o criaste do barro.” Deus então diz: “Sairás do paraíso e voltarei a vê-lo apenas no dia do Juízo.” Iblis então diz: “Senhor, concede-me dilatação e perdoa-me por tê-lo matado (Na verdade o homem ainda não estava completo quando Luxifer ou Iblis acreditou tê-lo matado. Era apenas uma parte do homem. Faltava ainda a vida mortal, que justamente o anjo Luxifer se encarregaria de fazer mesmo sem saber, pois a estrela Vênus, também chamada de Luxifer, é a estrela que kabalisticamente deu ao homem a vitória pela eternidade das vidas. Nas rodas da reencarnação ela está segurando os pés de Cristo e ao seu lado está João, ou seja, Maria Magdalena (Vênus) segura os pés do amado e seu filho (Lua) fica ao seu lado. Maria ganhou o destaque na Binah, a casa de Deus (Saturno e Juno que sofrem a morte do bem-amado). Iblis tenta expiar seu erro, mas pega para si a mais difícil missão: doutrinar as ovelhas negras do Senhor. “Então, por teu poder, eu os farei incorrer no mal, exceto os teus servos prediletos.” Deus aceitou a proposta de Iblis e disse: “A verdade emanará todo o sempre de mim e a verdade somente eu digo. Com certeza enchei a Geena (Terra) de ti e dos outros que a ti seguirem. Isso nos leva a Jacó, que após trabalhar 14 anos para Labão tem que fazer um acordo para se ver livre da escravidão do sogro (irmão). Ele pede apenas as ovelhas negras e pintadas. Labão fica apenas com as ovelhas brancas. O caos e as trevas (Gn 1,1-5) representam o não-ser, assim como a luz representa o ser. Mas agora vamos navegar com bastante calma pelas palavras da Gn 1,2. O capítulo 1 foi criado por Deus unido à sua sabedoria e assim sendo o homem é perfeito como toda a criação até o seu término. Não havia pecado nem absolutamente nada reconhecido como mal, pois a origem de tudo era boa. Já no capítulo 2 Deus muda o aspecto de sua obra, mas eu diria que o 1º capítulo é a planta original do projeto e o 2º cap. é a cópia dessa planta original e que de alguma forma não saiu tão perfeita como ela. O que teria acontecido para não estar tão perfeita como a primeira? O ponto de partida vamos encontrar nos nomes de Adão e Eva (Gn 5,2). “Criou-os homem e mulher, os abençoou e os chamou Adão (= Homem) ao criá-los.” Os primeiros seres da criação carregam na origem um só nome, independente de se Ele ou Ela. Ambos são chamados de Homem. Esse Homem Adão Eva ou Jehovah é um ser perfeito e está muito longe do Adam Kadmon. Esse ser é a vontade (imaginada, a sabedoria) de Deus (Soph), que andava sempre ao seu lado (Provérbios 8,22-30) “O Senhor me criou como primeira de suas tarefas, antes de suas obras; desde outrora, desde sempre fui formada...eu estava junto dele, como artesão, eu estava desfrutando cada dia, brincando todo o tempo em sua presença, brincando com o orbe de sua terra, desfrutando com os homens.” Deus aqui é o Ser (Aïn). Esse ser faz o 1º cap. da Gênesis inteiro, onde tudo é bom. Observe que nesse 1º capítulo Deus é chamado apenas de Deus e quando começa o 2º cap. Ele é chamado de Senhor Deus (Gn 2;4,5,7,8, etc.). Daqui pra frente Deus tem dois nomes: Senhor e Criador. Ele agora é o ser que pensa, que deu a luz, pois toda forma de pensamento é luz. Assim o Cordeiro, Carneiro, Áries e rato (no horóscopo
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chinês) está pronto. O Ser divinal acordou, despertou a semente germinada. Entre o horóscopo chinês e ocidental existem claras semelhanças que formulam a criação. O rato chinês, por exemplo, é a vida que tudo anima, autoproclamado matriz da criação, a unidade completa. Seu poder dá vida a tudo, pois compreende que tudo é vida, que tudo deve sair do não-ser para o ser. Assim também é o Carneiro/Áries. Seu verbo é Ser pronunciado como o indivíduo, o ardor, o inflamado (Ser)aphim (Aphis = boi, touro), o Eu que se fez por si mesmo para dar continuidade à sua obra. Digo continuidade porque o Ser em si é a marca da obra, só que essa marca é particular como um Éden que jamais será profanado, aliás jamais foi. É o habitat do Ser. Aqui acabamos o primeiro capítulo da Gênesis e a primeira das três cabeças do nosso gigante. Vamos tecer suavemente o labirinto do Minotauro e fazer o cérebro do nosso gigante, onde ele vai encontrar sustento, força para projetar suas idéias, ou melhor, para começar a acumular seu mais precioso tesouro: a sabedoria. Esse Éden matriz do cap. 1 da Gênesis é a planta original de onde o anátema (ser água, não nascido) tirou o exemplo para as filiais planetárias. A matriz não pertence aos filhos, mas ao Ser. É o vaso sagrado por onde transbordam os raios de luzes holográficas do retroprojetor inicial. Nele tudo é a perfeição, mas quando as imagens chegam a nós nem sempre a observamos com a mesma perfeição por um motivo bem claro: não temos a mesma evolução que a imagem perfeita tem. Então observamos a imagem como se ela e não nós fosse imperfeita, ou seja, julgamos apenas o que vemos e esquecemos de sentir antes de ver o imperfeito. Só existe na nossa mente e pela nossa própria vontade, mas se somos hologramas do Ser perfeito obviamente já temos um bom motivo para termos certeza da nossa própria evolução, afinal não seremos hologramas pelo infinito eterno. Fomos agraciados com a herança da sabedoria e essa não é apenas um holograma, mas um bem comum que cria seus próprios hologramas e também os desfaz conforme sua vontade e necessidade de crescimento, compreensão e consciência. Na segunda fase da construção desse cérebro vamos entrar no meio das emanações projetadas ou literalmente no labirinto da massa cefálica universal. Isso vai do 2º capítulo da Gênesis até o dilúvio. Matusalém, Lamec, Noé, Henoc (Enoch) e seus filhos caídos e elementos ajudam a construir a Terra nossa e universal , e a Terra, que começa compacta, se quebra após o dilúvio, dividindo-se entre os filhos de Enoch ou Noé. Antes da queda da torre eles já falam outra língua, que originou nova raça. A beleza desse 2º capítulo da Gênesis nos revela o Senhor Deus múltiplo, tal qual Deus do 1º capítulo. É necessário observar essa particularidade da Divindade. Em nenhum momento Ele está sozinho, pois basta observar que Ele, ao fazer o Homem, sempre usa o verbo no plural (façamos). Senhor Rabi, quem está junto com Deus ajudando-O a fazer as coisas? Essa é uma pergunta muito inteligente, Osha, mas posso lhe dizer que em nenhum momento é Deus que está aqui na nossa história. O que? Como? Eu não entendi nada. Agora tudo ficou confuso. É bem verdade que já estava bem confuso, mas com certeza agora ficou mais.

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Não se desespere. Eu explico. Os construtores desse Universo que conhecemos são a presença daquele que É, mas aquele que É não se limita a um só Universo. Para isso Ele delega funções a seres iguais a Ele e a criação do Universo que a Terra conhece foi delegada a seres que são como Deus, o que na íntegra todos são. O que separa o homem dessa realidade é tão somente o estágio de evolução. Até o dilúvio as três primeiras trindades (Deus trino, Senhor Deus trino e Senhor trino) constituem o Universo planetário que conhecemos e logo que anunciam o fim do dilúvio (Gn 8) retornam ao princípio, o novo mundo, com o primeiro Ser como Deus. Então “Deus” se lembrou de Noé, ou seja, o primeiro mago absoluto assume comando para desembarcar Noé nesse Novo Mundo. Na verdade o que eu quero dizer com isso é que a cada conclusão, mudança, transformação, Deus entra em cena e o Senhor sai para dar lugar ao antigo (Urizim). Mas vamos voltar a Lamec, aquele que fala para suas mulheres que matará um homem por uma ferida e um jovem por uma cicatriz (Gn 4,23). As mulheres de Lamec tem nomes sugestivos: Ada e Sela, terra e céu, ou seja, Lamec declara aos céus e terra suas intenções. E quais são? Lamec (= Lamed) é braço em hebraico. Na Bíblia não é tão difícil encontrá-lo. Moisés e Jesus são as formas mais belas desse braço divino. Em Números 20,1-11 Miria (seu nome significa água, vida), irmã de Moisés morre e quando isso acontece o povo fica revoltado contra Moisés, pois acabou a água (a Miria = Maria). Moisés golpeia a rocha com um bastão e brota água. Em Mateus 27,50-53 a terra tremeu, as pedras reclamaram os sepulcros, se abriram e os santos ressuscitaram, no momento da morte de Jesus. Em João 19,33-35 o soldado abriu o lado de Cristo com um golpe de lança e jorrou água e sangue. Se Lamec matou um homem por uma cicatriz e outro por uma ferida eis aí os homens, sem esquecermos, é claro, do homem que o Senhor Deus criou de barro na Gn 2, 21-22. Ele tira da costela de Adão (terra) e dá a Eva (água). A cicatriz a que Lamec se refere é a pequena nascente brotando a pequena mancha (= ferida) de água, que a princípio são apenas lagos, mas como Lamec diz que sua vingança seria 70x7, essa pequena mancha vai se transformar no dilúvio universal, que atinge também a Terra e é aí que entra o nosso Eon divinal, o princípio, primórdio, os elementos / substâncias trazidas por Enoch ou Noé e seus filhos planetários. Na verdade esse é o mago, fruto sagrado, Num, que deu vida não apenas à Terra, mas aos demais planetas. Vamos explicar como isso aconteceu. Matusalém é a pedra fundamental do nosso Hockmah planetário, kabalístico. Matsu (solo) = Matsa (chão), Salem (terra) = Matusalém. Esse nome é composto de dois: solo e terra. É como se estivéssemos construindo o solo da Terra. Imagine que do espaço ainda vazio surge o primeiro planeta. Esse primeiro planeta teria vindo do Ser (Aïn), mas ainda no seu estado não-ser para se tornar ser. Esse planeta atravessou o mundo invisível para nós e adentrou no que viria a ser o nosso “espaço universal”. Digamos que Matusalém é um corpo titã, o Senhor dos Titãs. Biblicamente falando Matusalém não é um planeta em si, mas o espaço ou a mesa onde se sentariam os 12 filhos de Jacó e os 12 apóstolos de Jesus Cristo, ou seja, Matusalém é a casa universal dos planetas titãs. O solo, corpo, vaso,
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metaforicamente falando, que recebeu / acolheu os planetas. A soma da idade de Matusalém é igual a 6, dia em que Deus criou o Homem. 969 = 24 = 6. Também 24 é a soma de duas vezes 12; (12 + 12 = 24), que seria a perfeição da palavra Bareshet bara 12, o não-ser (12) para o ser (12), o encontro do nada com o tudo primordial, o Deus e o Senhor Deus, o arquiteto e a sabedoria do arquiteto, Mazalot = Matusalém = Matsusalem = Hockmah = pedra, água. O Hockmah é chamado de “sabedoria de Deus” justamente porque se localiza na sephiroth que contém o zodíaco completo. Do zodíaco surgiriam todos os elementos necessários para a criação da vida universal e humana, macro e microcosmo. A palavra Hockmah / Hocman é traduzida apenas por sabedoria, a Sophia, mãe que deu vida a todas as coisas, porém seria mais fácil traduzi-la por Via Láctea, terra de leite e mel...e já que é a Via Láctea do Universo podemos também nos ater à tradução da palavra Hockmah / Hocman. Hockmah também é parte da palavra Binah. Separadamente Hoc Man  Hoc = base, rocha; Man = lago, água, o que nos deixa entre três cartas do tarô ou entre três letras do alfabeto hebraico. Seriam as cartas 11 Kaph, pedra, 12 Lamed, braço e 13 Mem, água. Imagine que a letra 11 é uma primeira forma, uma base. Para facilitar as coisas imagine a letra 11 como uma mão fechada que vai saindo do não-ser e adentra o ser (nosso Universo), mas pára no punho fechado. A letra 12 (Lamed, braço) vai dar continuidade ao movimento da carta anterior, afinal Lamed significa braço e ferida, ou seja, o nascimento planetário dos titãs e da Via Láctea. A fenda ou ferida feita no Verso criou o Universo e o alimento lácteo mitológico, bíblico e histórico. A mão de Deus que surge do nada se estende como um braço gigante e libera o Universo em que vivemos. É muito importante o número de formação das conjunções astrais dos 12 zodíacos principais. A quantidade de constelações é de 51 = 6. [70 x 7 = 490 = 49 = 13 Mem, 49 verdadeiro] Esse braço de Lamed estendido que forma a Via Láctea é o marco para o 3º homem e é só a partir desse ponto que poderíamos dizer que a água da vida ou o leite universal alimentara os planetas, inclusive o nosso, afinal não devemos nos limitar apenas ao nosso planeta, pois se temos vida comum o Universo também recebeu essa dádiva. Na verdade os 22 caminhos descritos pelas 22 letras hebraicas são a etapa de evolução conjunta e individual, universal e planetária. Essas etapas servem também para nos lembrar dos primeiros estágios de evolução da Terra e dos seres que aqui habitaram. Como eram as primeiras raças de aparência e evolução? Como serão as próximas e quando chegará o fim definitivo do planeta Terra? Tudo isso sempre esteve ao alcance de todos, pois os segredos não podem ser escondidos nos céus. As estrelas os revelam, basta olhar, observar com calma, ler os ditos livros sagrados e outros, fazer associações entre nomes, datas, histórias e tudo ficará bem simples. Na verdade é isso que eu estou tentando fazer agora. Seguindo a “maldição” do Lamed bíblico 70 x 7 = 49 = 13 (= 4), carta e letra do alfabeto (Mem = lago), que tem valor de nº 40. Ela simboliza as águas da fertilidade, a mulher, a vida universal. É o dilúvio que destrói Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Antes das águas choveu meteoros e houve inúmeras erupções vulcânicas, abalos terríveis na crosta terrestre, que dizimaram as
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raças primárias da Pangéia. Para salvação das raças teve que vir da casa de Beteiguse / Beteigeuze [casa dos Gêmeos, signo de Gêmeos, na ponta do bastão (maça) ou espada de Órion. Órion é uma perfeita harmonia celeste, ao mesmo tempo em que mira sua flecha para o signo de Touro (Plêiades) ergue a maça ou espada para Gêmeos]. Esse Órion é chamado de Hércules = glória da terra (,mas existe outra constelação com o nome de Hércules. O fato é que ela não tem semelhança com o mito do herói grego)], Tamuz dos caldeus, Osíris dos egípcios, Esaú e Sansão dos hebreus, Al Jabar dos sírios e até Jesus Cristo dos cristãos. Assim justifica-se a história da origem de Jesus Cristo ser da casa de Beteiguse = Beteigeuze = BetHellen = Belém. Órion é o ser que vai dar início aos 12 trabalhos para manter uma forma de vida na Terra. Assim vamos descendo do pescoço do gigante universal, que agora vai ser decapitado como João Batista. Construída a cabeça Kether = Carneiro, Hockmah = o zodíaco (Libra), Daath, Binah = Touro e Gêmeos (ponte dos 2 lados = meia divisão, fronteira). Essa 1ª trindade fechada em 4 esferas = a sephirah Daath (Câncer) é invisível = uma ponte que liga Hockmah a Binah. Por ser considerada invisível ela não é contada, mas aqui vamos deixar claro que ela é o fundamento central da trindade, a viga mestra, coluna central, pouco abaixo da cervical. Essa 1ª trindade é separada do resto do corpo do nosso gigante universal. Vamos agora explicar porquê. (João Batista perde a cabeça, mas continua falando pela boca do Cristo. É o que acredita Herodes. Osíris fala pela boca de Hórus). É agora que nossa história pode ficar um pouco confusa, porém muito interessante, pois vamos adentrar direto na história de Jesus Cristo e seus três nomes (Galileu, Nazareno e nascido em Belém). Além de explicarmos o nome de Magdala = Mam (13) = água, mulher; Daat = divisão, ela é a Heroditas (Salomé) (a esposa de Putífar, que atenta José do Egito) entre os dois irmãos ou a mulher do João Batista, que ama Jesus. Lembrem-se que ele veio da casa de Beteigeuze, Gêmeos ou o meio irmão de sangue como na lenda de Castor e Pollux, os irmãos da constelação de Gêmeos. Não sei se vai ficar mais difícil do que já está, mas creio que esse assunto vai continuar a me deixar de boca calada. Eu ainda não compreendo nada do que o Senhor está falando, Rabi. O silêncio, meu ser de pura alma, é o mestre mais nobre quando não nos deixa dúvidas. Por isso preste atenção, mas jamais esqueça de perguntar, pois o vento passa rápido e suas dúvidas guardadas podem ser esquecidas no momento, porém mais tarde, quando o vento voltar, a dúvida também voltará à sua memória implorando por uma resposta que lhe traga a certeza. Tudo bem Rabi, eu vou escrever aquilo que eu não compreender, mas ainda prefiro que o Senhor continue a contar toda a história sem minha interrupção. É mais fácil ouvir para depois perguntar. Estás a te tornar um sábio com tão pouca idade, meu pequeno Osha. Foi o Senhor mesmo que me ensinou que para compreender melhor uma história é preciso ouvi-la na íntegra. Tudo bem, então vamos continuar, afinal nosso gigante é de fato um gigante e ainda temos muito para construir. Vamos começar pelo Ariano, que sempre se encontra no céu do lado contrário ao Pisciano. A cabeça do carneiro e do
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peixe da ceia sagrada para muitos povos, o primeiro e último trabalho de Hércules, carta 1 (Mago) e 12 (Sacrificado), ou melhor, o arquiteto, irmão do Cordeiro (Abel) Hiram Abïff. Traduzindo: Hiram = arca. Usando o verso da palavra Hiram = Marih. Hiram também é escrito de várias maneiras: Haram = Alah = o primeiro, o homem que pensa ou o Ser que pensa. De uma forma ou de outra o nome Hiram ou Haram ou Hirá é o ser que pensa e Abïff é a força do pensamento, ou seja, Abïff = touro sacrificado ou Aphis (touro) dos egípcios, chamado também de “o Robustíssimo”, aquele que o Senhor cumulou de dons e talentos para construir o seu templo. Aqui ele é reconhecido também como o irmão, como é para alguns a tradução do nome Hiram. João Batista cabe perfeitamente dentro desse contexto, pois veio construir o caminho para o Yoshua, como todos os outros grandes arquitetos divinos Bacellel ou Basilai do templo de Moisés e Davi. O que é mais estranho é que na Bíblia a morte de Hiram é um jogo de palavras muito bem elaborado, como acontece com o triângulo amoroso de Davi, Betsabei e Urias = José, Putífar e a esposa = Herodes, Salomé “Heroditas” e João Batista. Como as histórias mudam o rumo das coisas! Mas bons olhos não perdem os detalhes. É possível ver onde tudo vai ser encaixado. Toda essa gama de mítica religiosa faz referência ao impulso universal causado pela explosão de um astro que dá origem à Gênesis e o princípio da vida. Surge então para o Universo o Touro de Mitra. Despeja seu sangue, que surge como raios de Sol e vai fecundar ou até mesmo dar o princípio ativo à casa do Senhor, Binah = Aime, Sephiroth de Saturno, o pai-mãe do nosso Universo. Quando nos referimos a um ser cheio de dons para criar o templo do Senhor observamos que esse ser em si carrega o princípio, a Gênesis, ou seja, já é um ser perfeito. Ele próprio é a origem (Gene Orion, Orizim, Osíris, Ísis). Vejamos como isso é possível. Beresheet = Ber, Bor, Bar = pai; eres = chão, terra, uma terra não é necessariamente nosso planeta; esh = ele, masculino, she = ela, feminino; et ou el = a perfeição = o Ser.

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Dividindo e juntando adequadamente as letras da palavra Beresheet = princípio ou criação, teremos um ser de fato perfeito. Vamos observar o quanto o nome Beseleel tem de semelhança com o Beresheet. Na verdade não se trata apenas de semelhança. Remove-se a letra ‘r’, substitui-se o ‘t’ por ‘l’ e teremos o artesão que Moisés recebeu de Deus para construir o templo que no futuro Davi não contruirá, afinal esse templo já está construído e Hiram Abïff é só uma outra forma ou máscara de Besekel (Êxodo 35,30). Ele era filho de Órion (Uri), filho de Hur da tribo de Judá e o Senhor lhe deu dotes sobre os humanos, sabedoria e habilidade para lidar com seu ofício. Esse

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artesão ou mago vem da casa de Uri ou Urizim = uma luz que ascende à Criação (Capela, Orion, filhos da luz), ou seja, o princípio. Aqui compreendemos que Beseleel é o filho da luz dotado da luz criadora. Ele é o touro forte que puxara a carruagem de fogo de Osíris, Elias, a Arca de Noé. Também é o Batista que veio antes e também, como o touro, terá seu pescoço sangrado, para que a Tumim se realize. Essa Tumim é o Tau ou Tav, a presença do Ser divino, o sinal , o código de Enoch ou Thecinah ou Shekinahah, a graça da presença do “Ser” no ser humano (O sono mortal, Benjamim, pois no 7º dia o Senhor descansou de sua obra, entrou no homem que fez, acordando para uma vida e morrendo para a outra. Transformou-se em humano e deu a graça de sua presença.) O nome Shekinahah (ela, fruto da luz) ou Thecinah (a filha da luz, a face de Deus) = o ser de luz, o filho da luz, o filho de Enoch (= homem). Assim fica mais fácil compreender as coisas. O ser criador Beseleel, filho e pai de si mesmo, vem para criar algo à sua imagem e semelhança. Esse algo é a vida em sua infinita grandeza, seja ela planetária, universal ou apenas individual. A Urim e a Tumim são as duas partes das constelações que estão ao lado de Orion, tendo ele como o puxador desse grande Universo. É o signo de Áries e Peixes, que se encontram lado a lado fazendo o princípio, a cabeça do cordeiro imolado e sua perna seria o peixe, que é o fim da grande obra do arquiteto, o que na verdade também seria o fim do corpo do nosso gigante universal, mas nosso mago apenas começou o trabalho e vamos às suas primeiras tarefas, lembrando sempre que ele em si é perfeito, pois carrega as 10 letras do alfabeto e o nome Beresheet é uma união secundária dessas 10 primeiras letras, pois o nº 10 é um princípio no vazio. Observe: 1 + 0 = 1 Aleph = horizonte (velha Zion = Urisalimon = filhos de Orion ou Capela), mais propriamente falando seria Urizim, Ori Eon = Uri Zion = Horizon (o Cristo disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida) = caminho, luz, um caminho para seguir, uma luz para seguir (se orientar), o sentido do horizonte em nossas vidas (deixar a velha casa e partir para uma nova, que ia ser a Terra de hoje. Os filhos de Orion se tornam filhos refugiados na Terra, exílio dos capelinos), do Sol como guia da humanidade e da primeira luz, a que explodiu em milhares de fragmentos estelares e se fez não apenas luz, mas cores e em seu arco-íris reinou como vida no Universo. Assim deu à Terra apenas o reflexo do seu belo colorido. O arco-íris que a Terra vê é reflexo dos raios solares na chuva. Mal existe o arco-íris, reflexo das constelações do Universo, que surge raras vezes em torno de algumas estrelas. O Sol é a soma de todas as cores. Por isso é chamado de cristal ou diamante universal. Esse é o Urizim, Mago, 1º Aleph, o arquiteto da grande obra de Deus. Seus ajudantes (filhos) são os Elohins Seraphis, Serafins ou luzes, as estrelas com luz própria que nasceram da grande explosão do primeiro Sol cristal, que ao explodir originou de si essa gama de estrelas com vida e luz própria, que se comparam ao Urizim, com os Senhores da Criação, embora eles sejam apenas o Senhor Deus do 2º capítulo da Gênesis, aquele que criou o Adão de argila e a Eva da sua costela. O Urizim dos Urizins é o Deus do 1º capítulo, que fez Adão e Eva de luz, individualmente. Na verdade são esses primeiros seres que têm a história velada. Pouco se revela sobre esse primeiro Adão e sua Eva. Na Torah,
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Talmud e Zohar eles têm os nomes diferentes e é isso que é preciso esclarecer para termos o 1º Mago, Arquiteto da Vida. A 1ª Eva e o 1º Adão receberam de Deus uma benção: “Crescei e multiplicai-vos.” Elétron é o mais próximo da 1ª Eva, Lilith na Zohar. Ela seria o alimento do Adão Próton, pois esses ainda não são feitos de argila. Alquimia e ciência universal, a saída do buraco negro e o impacto com o nada gerou os divinos seres do 1º cap. da Gênesis, mas como Deus disse “Crescei e multiplicai-vos”, tal história é semelhante a Abel e Caim. Eva e Adão cresceram e não apenas se multiplicaram, mas criaram massa, substância, solo e deram vida ao 2º Adão, feito de argila e à 2ª Eva, água, que nasce do Adão ferro, “argila”, e esses dão a vida aos elementos fundamentais, Caim e Abel, que enfim vão se transformar em Camael = Samael = Shaim = Caim = Hebel (ar, sopro) = Caimã. Unindo os dois nomes desses irmãos vamos ter variantes significativas: Cam.ael (Caim e Abel), também é a união do nome do filho amaldiçoado de Noé “Cam” (Gn 9,20-26). O fogo se alimenta do ar como Caim = Shaim (fogo) se alimentou metaforicamente de seu irmão Abel = Hebel (ar, sopro). Camael, Shamael é o Sol expulso do reino dos Elohins? Ou é a Luxbelula de Deus? Lux = fogo ainda na fagulha, na formação sem força. Caim é o fogo limitado, que se expande ao se alimentar de Bell ou Abel = ar. Assim se tornam o fogo criador solar, a Luxbell, a Lisbelula de Deus. Juntos eles também são o touro Aphis, o Seraphus ou a força ipsíssima da presença do Ser divino. São também a lenda dos Gêmeos Pollux e Castor. Constelações se formam, surge Orion, Capela, Plêiades. É o Universo que cresceu junto com a expansão dos irmãos unificados, a história de Jesus Cristo. Temos uma união também muito interessante: a de Jesus Cristo com Simão Cirineu, o gentil que o ajudou a carregar a cruz. Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus (Abel era pastor de ovelhas). Cirineu é na verdade Pedro Simão, aquele que o trai e nega. Mais tarde como Caim, Kaifás ou Kepha, Ozebte (Seraphis) = ardente, consumido pelo fogo, ou seja, por mais que tentem esconder Simão = Shimão recebeu vários nomes, mas nunca deixará de ser Caim, o Simão Cirineu. O papel deles se inverte apenas na formação do astro divino, o Jesus Cristo = Yoshua (vida) = ser que é o núcleo do Sol, o cristal / diamante divino, é Caim, Kepha, é o fogo que o ascende e juntos eles formam o Samuel, Simão, Samec, que é o movimento circular ao redor do núcleo central. Esse movimento circular gerado pelo gás que aumentou o tamanho do Sol também é chamado de Belial ou bélico, fatal, mortal, pois como já aconteceu no princípio, onde tudo se gerou da união, acontecerá também em futuro próximo que o Sol vai explodir. Na verdade ele já está explodindo e não vai demorar tantos bilhões de anos como dizem os homens da ciência. Eles sabem que já aconteceram várias explosões solares e que esse não é o nosso primeiro astro-rei. Sabem também que o Sol é o responsável pela fertilidade da natureza em geral, seja homens, animais, etc. Algumas lendas primitivas acusam a Lilith ou Belial por matar crianças muito pequenas ou bebês roubando-lhes o fogo da vida, o coração (órgão que é regido pelo Sol). Na verdade não é assim. O Sol pode realmente ser letal para crianças ou adultos. O que na Zohar fica claro é a desidratação ou os casos de seres prematuros como as sementes que não resistem a temperaturas muito altas. Assim também acontece com os seres
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humanos. Algumas lendas falam da Lilith como a Lua negra ou o lado negro da Lua, que vive influenciando o Zodíaco. Alguns astrônomos e astrólogos dizem que a Lilith passa vários anos regendo determinadas constelações ou “signos.” O mais belo de tudo isso está na constituição do gigante universal. Quando este ser ficar pronto no Universo o corpo humano da aparência atual também estará. Para se ter uma idéia Belial troca de lugar. No corpo humano ela se refere a bílis, que não deixa de ser um líquido letal para o próprio ser e o mal funcionamento desse órgão, unido aos rins e fígado, causa um envevenamento lento, que pode prejudicar gravemente a boa saúde. Já a Lilith e Samael encontramos no nível de gordura das artérias, mais especificamente as do coração. Seria o HDL e LDL, os níveis de colesterol nas artérias. O Caim que mata o Abel é o ritmo cardio-respiratório que faz o sangue (de Abel) circular pelo corpo. O Lamec que mata o Caim e se torna maior por sua maldição (70 x 7 = 490 = 49) nada mais é do que uma das maiores veias do corpo, a aorta, e assim, com a soma da maldição de Lamec teremos 40 = 13. O próximo órgão é Mem = lago, que é internamente nossa bexiga, mas externamente é o nosso abdômem. Não devemos esquecer que Lamec, apesar de ser a aorta, pára justamente na vesícula biliar, lembrando que Lamec tinha duas esposas: Ada e Sela = vesícula biliar. Os filhos de Lamec (Gn 4,19-23) são Jabal, Tubal Caim, Jabel e Noema. Interiormente eles são rins e fígado. O pâncreas fica para Noema, que controla a glicose no sangue, a quantidade de sal e açúcar. Os intestinos delgado (duodeno) e grosso ficam para Noé e seus filhos. Observe que Matusalém, avô de Noé, construiu a parte de fora (glúteos, pélvis do umbigo até o começo das coxas). Assim Noé estará pronto para sua viagem. As águas sobem. Desceu para o estômago e vai fazendo a trajetória pelos intestinos. Noé solta o corvo, os gigantes mortos. Os alimentos digeridos serão expelidos do corpo de outra forma. Assim como a terra come os corpos digerindo-os e os transformando em adubo, o corpo segue o exemplo. A pomba é o exemplo mais belo de sabedoria medicinal. A urina (pomba) são as águas que bebemos, que não apenas alimentam nossos corpos. Observe que a pomba vai a primeira vez e retorna e assim várias vezes. Quando volta com o ramo verde no bico as águas já estão baixas. Os povos antigos acreditavam que a urina devidamente usada limpava o corpo humano de inúmeras doenças, além de ser excelente para curar picada de cobras venenosas e escorpiões. Por isso Moisés levantou uma serpente de bronze (planeta Marte) metaforicamente para curar seres picados por serpentes. O bronze é a parte dos quadris do ser humano (ver a estátua de Daniel ou Ezequiel) e é nessa parte que o canal da urina está, ou seja, a serpente de bronze é apenas a representação metafórica dele. Noé é o representante da carta Nun 14, que significa fruto, ou seja, ele faz seu caminho pelo intestino, mas sua parada é a próstata do homem, sem esquecer que ele também viaja pelo útero feminino, afinal em sua arca ele carrega toda espécie de animal, macho e fêmea, isto é, ele é os órgãos reprodutores e excretores masculino e feminino. A continuação do corpo físico se faz com Jacó e seus 12 filhos, a começar pelo próprio Jacó e seu irmão Esaú, calcanhar e punho. Rubem (visão), Simão (audição), Levi (narinas), Judá
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(fala), Aser (o ato de comer), Yssacar (pensamento), Neftali (riso), Dan (raiva ou fúria), Benjamim (sono, “morte”), Zebulom (andar), Efrain (tato, toque), Gad (ação). Na verdade os filhos de Jacó são a cabeça do homem, corpo físico humano e universal, mas cada um coordena duas áreas no corpo. Como sabemos que o cérebro, a cabeça é o mestre do corpo, vejamos o exemplo de Judá, que é a fala, mas também rege o pé direito. Rubem é a visão e a mão direita.

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Benjamim e José tem sentidos bem elevados. José é a vida que vem para o mundo em busca de sabedoria. Seu nome é literalmente rocha, justo ou vida, conhecimento. No corpo humano ele é o cérebro na íntegra e Benjamim é o coração, que tira a vida da mãe quando nasce. A mãe é Raquel, luz solar. Por isso está no coração de Jacó (assim como José). O Sol dá sentido à vida, manda no coração. O filho Benjamim matou o Sol do pai, dando o sono da morte para a mãe (Jacó perde a luz, Raquel, e a vida. José, por isso, se contenta com a morte, Benjamim), mas ao mesmo tempo levou vida (verdadeira. É uma esperança de retornar à luz do divino Pai celeste e aliviase de tudo que sofreu) para Jacó com a sua presença (Gn 29,32 e 30,25-26 e 35,16-19). Lia é a outra esposa de Jacó. Ela é a Lua (Lilith), que rege o cérebro, a razão, enquanto Raquel é a emoção, o sentido da vida. O livro da Gênesis bastaria para a constituição universal, planetária e humana, mas se temos que deixar tudo bem claro vamos então dar continuidade. Após essa breve explicação anatômica voltemos à construção do gigante universal e, é claro, a história dos filhos de Jacó agora vai ficar ainda mais interessante, pois a unificaremos com a de Jesus e de várias outras personagens bíblicas. É bom prestar atenção que o Universo sempre fará parte da história, afinal, como disse Hermes, o que está encima é igual ao que está embaixo e vice-versa. A história de um homem revela a origem do Universo e dos seres humanos e toda anatomia viva na nossa atmosfera. Vamos sair de dentro do corpo, deixar de ser anatomia para continuar a história. Aqui eu vou ter que juntar a Lilith à história, mas colocando-a em outra posição. Preciso explicar que as personagens aqui podem trocar de lugar, pois no Universo o nome é outro. Na Terra é usado um mais conhecido. Na verdade é como se fossem várias faces ou avatares, reencarnações de um só ser que, de acordo com a história vai mudando de posição, mas não necessariamente a função. Por exemplo a Lilith agora vai ser a serpente do Éden que tentou a Eva, o que bate com a Zohar e até um pouco com as suas histórias anteriores, pois sua função agora é a mesma, mas ela vai entrar no Éden com um nome mais esclarecedor. Ela será a esposa de Jacó, Lia, que irá seduzir Raquel e Jacó, conduzindo-os à morte. Como? Esse é o começo da nossa infindável história universal, que terei muito prazer em lhe contar, mas para não nos perdermos no caminho vamos só dar mais uma face para a Lilith. Na Gn 2,18-25 o Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer para ele uma auxiliar (seres bíblicos que têm o nome de “auxílio de Deus”: Jesus, José, Lázaro). Então o Senhor Deus lançou sobre o homem um sono (Benjamim, filho de Jacó, João ou Jonas) e o homem adormeceu. É o Lázaro que dizem estar morto e Cristo o ressuscita (o auxílio de Deus, Lázaro = José, pai de Jesus) (Jacó que se mortifica sem José e revive ao vê-lo). O Senhor Deus retirou uma costela e a partir de dentro cresceu a carne. Assim do Adão nasceu a Eva e ele disse: “Essa é carne da minha carne” e a chamou de Eva. Assim, com a ajuda do Senhor Deus o homem ganhou sua auxiliar, vida. O barro, a terra recebe a água, vida, Maria. O nome de Eva em hebraico tem a raiz na palavra vitalidade ou vital, hwh (Eva), o que nos faz lembrar das sephiroth (h) Binah, ar (w) Daath, água, Magdalena e (h) Hockmah, terra de Eva (anagrama de ‘Ave’ Maria).
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Voltando ao Adão, que agora já tem sua auxiliar, vamos descobrir onde está a serpente mágica Lilith (Gn 3,2-6 diálogo da serpente com Eva). “Não podemos comer da árvore que está no meio do jardim”, disse Eva à serpente. A serpente disse: “Nada de pena de morte! Acontece que Deus sabe que seus olhos se abrirão quando comeres dela (lembrar que nesse capítulo o domínio da criação é do Senhor Deus e a serpente aqui se refere apenas a Deus. No caso ela própria é o Senhor, é o primeiro auxiliar de Deus) e sereis como Deus, versados no bem e no mal.” Então a mulher percebeu que a árvore era desejável para adquirir discernimento. Pegou o fruto da árvore, comeu e ofereceu a seu marido, que comeu junto com ela. Agora vamos à versão desse diálogo em João 4,6-23. Jesus e a samaritana: “Quem beber a água que lhe darei jamais terá sede, pois a água se transforma em manancial que brota dando vida eterna.” “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha sede e não tenha que vir aqui para tirá-la.” “Vai, chama teu marido e volta aqui.” Vamos lembrar que a samaritana chama o Cristo de Senhor. A serpente também era o Senhor. Nesse caso ambos são auxiliares de Deus, já que o nome de Jesus, Yeshua

(Ele, Ela; Aba = Pai = Ser) é Auxílio de Deus, ou melhor, o arquiteto do templo sagrado. O fruto e a água são fontes de sabedoria, da vida eterna. Esses diálogos formam as 4 primeiras sephiroth, que mesmo sendo o Daath invisível, fará parte dessa trindade. O Daath se divide em 4 partes, como as 4 faces da Lua. Ele serve de ponte para Hockmah e Binah e Kether e Tiphereth, ou seja, ele é o servo do corpo, coluna cervical, as 7 principais vértebras, os 6 maridos da samaritana, que fala com Cristo “Tens razão, tiveste cinco maridos e tampouco o de agora é teu marido” (João 4, 18-19). O 7º marido conversa com ela, que deixará de ser samaritana para se tornar Maria Magdalena, a mulher de quem Cristo expulsa 7 demônios (Lucas 8,2-3). Esse Yashua é o Kether (ben) filho do Pai, a coroa do filho adâmico de Deus, mas agora é preciso compreender quem é esse Deus cujo nome os homens tanto falam: Yod, He, Vav, He (YHWH) = Senhor. O nome de Eva é HWH. Jesus e Maria também são chamados em aramaico de Maryah = Senhor Deus e já na Gn 2,7 a criação passa a ser feita pelo Senhor Deus, que faz o homem de barro e sopra o alento nas suas narinas, igual a Cristo em João 20,22 soprou sobre seus discípulos e disse: “Recebei o Espírito Santo”. Se Jesus e Maria carregam o mesmo título “Senhor Deus”, fica claro que eles são pais da humanidade, criadores do Senhor do 4º cap. da Gênesis. Esse Senhor adâmico de barro feito pelo Senhor Deus seria o Simon bar Yoshai, Simão, filho de Jesus, mas antes de dar continuidade à história do filho vamos compreender o nome dos pais. O 1º Adão e Eva criados pelo Deus (Elohim) não são feitos de barro. O 2º Adão e Eva feitos pelo Senhor Deus são feitos por um só ser e separadamente, ao contrário dos primeiros, que foram feitos de uma vez e ainda recebem (Gn 1,26-30) as bênçãos dos peixes (água / Peixes), das aves do céu (ar / Áries), animais domésticos, répteis, ervas da face da terra. Esse 1º casal já contém os 4 elementos, as 22 letras e os 12 signos, mas são o
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plano imaginário, arquétipo perfeito e imutável kabalisticamente, chamado de Atsiluth (Kether). O 2º casal é chamado Briah, criação de Chockmah e Binah. Esse segundo casal, filhos do 1º casal (Senhor Deus) irá criar o 3º casal, que logo irá surgir. Lembremos que a serpente seria o animal mais astuto que o Senhor Deus criou. Recorde que o anjo Gabriel é o mensageiro e a força de Deus e também tem controle sobre as serpentes. Esse anjo vai entrar agora na história para ajudar o “Senhor Deus” a criar o Senhor. Adão e Eva de barro comem da árvore o seu fruto proibido. São expulsos do paraíso. O Senhor Deus fez para eles túnicas de pele (Gn 3,20-21) e os vestiu como se eles ainda fossem crianças? Não, na verdade eles não tinham a pele humana que temos hoje, ou seja, eles agora estariam de fato acabados, feitos, prontos, ganhando corpo carnal. No cap. 4 Eva tem um filho com a ajuda do Senhor. Na verdade ela diz: “Procriei um ‘homem’ com a ajuda do Senhor”. Começa aí o círculo vegetal (Caim) e animal (Abel). O círculo vegetal é terra, água, semente e fruto. O círculo animal é terra, ar, deserto e fome. A união cria a perfeição divina. Esse círculo continua no Novo Testamento com Isabel e Maria anunciadas pelo mesmo anjo Gabriel. Caim, apesar de representar o lado vegetal da história tem o nome semelhante a Shin (chamas de uma fogueira de vida curta, que logo se apaga. Ele representa a letra Shin, o Louco no tarô, que perde o rumo e o contato com o Divino. Abel aparentemente seria as águas e não o ar, mas no decorrer da história eles vão mudando os nomes e elementos. A semelhança da anunciação do anjo Gabriel são justamente os elementos. João Batista, filho de Isabel, é o aquariano (ar) (fogo, carneiro imolado, degolado dentro do templo) vestido com pele de camelo e vive no deserto. Seu nome é compaixão do Senhor, pomba, Yonná, graça de Deus. O nome de Jesus é Immanuel (imma = mulher, nun = fruto, el = Deus) (Isaías 7,14-15) significa “O Senhor está contigo ou Deus é conosco”, Senhor Deus, porém, em Lucas 1,28-38 o nome Immanuel (traduzido ao pé da letra: mulher fruto de Deus e Deus fruto da mulher) é um termo que o anjo Gabriel usa para falar com Maria, dizendo “Alegrate, favorecida do Senhor, pois o Senhor está contigo. Não temas, Maria, pois gozas do favor de Deus. Terás um filho a que chamarás de Jesus = o Senhor salva = Messiah, Salvador, 5ª carta e letra. Esse Jesus que caminha pela terra, pois nasceu do signo de Virgem, terra (Maria), é trino, pois justamente com ele vieram os anjos Gabriel, senhor lunar que rege as águas (anunciação da obra), Rafael, anjo da vida, da misericórdia divina, cura (Moshe) e Miguel, anjo da justiça solar, a espada e o escudo de Deus, justiça, misericórdia e saúde, vida. Esses anjos são do dia 29 de setembro (2 = 9 = 11 e 7. O nº 11 é o Eu Sou e o nº 7 são os 7 dias da criação), saída do signo de Virgem para entrada do signo de Libra. O signo de Virgem é representado por uma mulher segurando um ramo de lírios. Gabriel personifica Maria, elemento terra. Miguel representa às vezes a balança de Deus, outras ele mostra apenas a espada e o escudo, que dá no mesmo para o signo de Libra, ar. Rafael trás nas mãos uma ânfora com o remédio (cura = águas divinas = alma). Ele é 3 em 1, seu nome é cura, misericórdia e salvação. Assim ele seria literalmente o Jesus Cristo, sacerdote supremo da escola do (Mel-qui-zed) rei Melchizedek. Contém em seu nome os 3 reis magos que foram visitar Cristo quando ele nasceu. 3 reinos, 3 poderes e toda a glória do pisciano, o filho das águas = (Maria), Moshe, cura, vida e Eva. Assim o nome dele é YHWH = Deus, Javé = Sheva = Yheaowa = Yeoshua, Maryah, Senhor Deus, nome de Jesus e de Maria também. Assim o filho da viúva de Naïm que procuram é o filho deles, a pedra nº 9 Yesod. - Senhor Rabi, essa história está cada vez mais confusa. Eu já não estou entendendo nada.

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Não se preocupe, meu pequeno Osha. Agora vou deixar mais claro para você. Vou começar contando a verdadeira história da criação (Yoshua ben Sirac) ou Jesus, o Sirius de Nazaré, a estrela Sirius, serpente ariana. Jesus é a cruz de Sirius, que explodiu e criou todo o Universo. Por isso é o pai da Humanidade, é o Criador. Além, muito além do tempo e espaço havia uma crise no além-Sirius, lá onde as pirâmides planetárias de evolução se fazem. 12 planetas estavam prontos para se transformarem em pirâmides, para se unirem e se transformarem em uma só potência. As 12 raças que vinham para a Terra se dividiriam em três níveis de evolução. Atlantes (espírito): esses seriam os Elohins, sóis, consciência estelar ou de luz, a 1ª essência criadora. Eles seriam o nível mais alto de consciência e seriam os responsáveis pelos outros dois níveis. Shangrillês (alma): aqueles que mais tarde nasceriam como filhos dos atlantes. Lemurianos (corpo físico): seriam o corpo físico dos homens. Assim o ser humano seria a mistura perfeita de 12 tribos e 3 níveis de evolução, tendo 7 eons cada nível e 1 eon unificaria espírito, alma e corpo. Os primeiros eons são descritos como os 7 primeiros dias da criação da Gênesis. Se observarmos esses 7 dias teremos a certeza do quanto em si eles são a perfeição. O 1º dia é universal, onde Deus criou o nada para que o tudo pudesse existir e eu não inverti as leis ou a ordem das coisas. Deus sempre foi o tudo dormente no nada, pois o tudo é a luz e essa já existia antes da escuridão. Ela teve que diminuir-se, recuar, recolher-se, explodir-se para se fazer. Isso tudo apenas no Universo visível, pois no além-buraco negro = umbigo de Deus, as coisas são bem diferentes. Assim fica fácil compreender que o Universo nada mais é que uma pele que separa o ser do não-ser, o espírito criador das dimensões desse Universo. O nosso Universo é uma casa com muitas moradas, como disse o Cristo. Vamos explicar de forma astrológica também. Cristo nasceu sob o signo que representa o Ser. O signo de Áries carrega em si o Ser. Ele é o Kether, coroa na Kabalah, o princípio da criação. Por isso ele é chamado de Cordeiro de Deus. Isso pode ser diferente de acordo com as diversas culturas. Os egípcios, por exemplo, colocam o gato como sendo o ser de Sirius. Os povos africanos aderem a essa opinião, apenas trocam o felino. Em vez de gato colocam o leão. Assim fica mais compreensível o fato de tantos povos chamarem o leão de rei dos animais. Isso na verdade não é importante. O que de fato importa é que o que chamamos de ser era luz, a luz de Sirius, muito antes de explodir e criar esse Universo. Cristo foi chamado de Cordeiro pelos cristãos e de Leão de Judá pelos judeus. Revelo assim o véu da verdade, pois Jesus e Judá eram as metades da mesma moeda. O Cordeiro é a consciência, a mente, o espírito e o Leão é a alma do ser que deseja evoluir, praticar o que a mente sabe, afinal ela é o tudo e criou a alma para colocar em prática todo seu conhecimento. Isso faz lembrar a lenda de Hiram Abïff, o grande mestre maçom de Salomão. Em sua lenda podemos viajar pela alma dos poetas. Hiram teria sido morto por não revelar o segredo da imortalidade, pois o templo que ele construía não era o lúdico templo salomônico. Ele construía o Templo da Terra, o nosso coro humano. Ele construía a noiva de Cristo, a Nova Jerusalém. Enfim , não era ouro ou prata, mas sabedoria e isso Hiram tinha de sobra. Essa lenda conta que após ter sido assassinado por 3 discípulos, seus
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aprendizes, teria sido ressuscitado pela garra do leão, o rei Salomão. Assim podemos ver que a alma trás um ser de volta à vida não apenas pela lei da Reencarnação, mas pela lei do Imortal. Um ser atinge seu Cristo Sirius interior, se torna imortal e se torna guardião do planeta como um pequeno Sol. Na Terra vemos esses pequenos sóis como estrelas. Eis a lenda que diz que todos os heróis viravam estrelas, mas deixando as lendas de lado vamos voltar ao ariano, pisciano mais famoso de todos os tempos. Na época do nascimento do Cristo 9 planetas se alinharam no céu, atraindo para o cinturão de Orion toda a energia necessária para criar uma alma dotada de 12 signos, 12 trabalhos de Hércules, 12 tribos de Jerusalém (Sirius), 12 apóstolos de Cristo, ou seja, as 12 raças que no princípio habitaram a Terra e a construíram. Ele era o Mago ou Abraão Melim = Alequin = Aleph = Alef = Arius = o primeiro, o três vezes grande = o Alfa da Criação. Assim como foi com a Terra também foi no Universo. Nós apenas reprisamos, repetimos a forma de evolução universal. Sirius é o espírito ariano universal, o Sol que não queima, mas a luz que preenche o Universo através de suas inúmeras partículas. Assim sendo a herança visível do homem é luz. Todo o Universo ao redor de Sirius é filho seu, mas se distingue de Sirius pela cor. Sirius é uma estrela branca, mas as outras estrelas ao seu redor têm uma variação de cores que se assemelham a um arco-íris universal. Sabemos que a estrela branca em si já contém todas as cores. Assim Sirius pode realmente ser o pai das outras estrelas. A Terra, quando estrela branca, já era filha de Sirius. Era um ariano, o indivíduo, o primeiro passo para se tornar planeta habitável. Em si ela já continha vida, a vida espiritual, se entendermos pelo princípio de que o espírito é luz e o espírito da Terra é uma inteligência divina que criou o nada (roupa, pele) para se fazer, mas para criar essa roupa a Terra precisaria da ajuda de outros planetas. É aí que entra o sacrifício do touro de Mitra ou a lenda de Europa e Zeus transfigurado em touro, do boi Aphis egípcio. Para que fique fácil de compreender vamos dividir o planeta Terra em 4 partes: 1ª parte) espírito, luz, Sol, elemento: fogo, planeta: Sirius, Sol, cor: branco, amarelo; 2ª parte) alma, hidrogênio universal, elemento: água, planeta: Vênus, Lua, cor: azul índigo; 3ª parte) corpo, minério, elemento: terra, planeta: Marte, cor: vermelho; 4ª parte) homem completo, natureza, atmosfera, elemento: ar, planeta: Mercúrio, cor: verde. Essas quatro partes da Terra seriam os 4 elementos fundamentais e também 4 eras universais. Na Terra a ordem desses elementos são diferentes. Seria água, terra, fogo e ar, mas seguindo o padrão universal de que tudo surgiu da luz e esse é o princípio e o fim de todas as coisas. Observamos que tudo que foi aceito pelo homem como padrão é apenas uma forma que passará, como tudo na nossa existência terrena. O homem é igual ao planeta e o planeta é igual ao Universo. Quando Sirius explodiu as estrelas que se formaram de sua explosão foram consideradas como sangue que saiu de seu primeiro corpo. Uma chuva de poeira cósmica é óbvio que para nós é apenas poeira, mas no céu, quando vemos a Via Láctea, imaginamos metaforicamente um rio de estrelas. Esse rio de estrelas no Nilo é visto como rio das almas. Assim chamamos o touro de Mitra de “o sacrificado” (Sirius), que deu seu sangue para criar o reino das almas. No zodíaco o ariano se localiza na cabeça do
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gigante Orion e o touro próximo ao pescoço. O signo de Gêmeos seria o princípio do Urim, Thummim, Ying Yang, esquerda e direita. No corpo humano o Ariano está na cabeça. O Touro fez o pescoço, o Gêmeos os braços, o Câncer o peito, pulmão e costas, o Leão é o Senhor da Alma, coração. Ele preserva o templo das reencarnações, o sentido do amor e da vida. O Virgem está lado a lado com o Leão. É o signo responsável pela carta do tarô nº 11 (a Força), que fecha a boca do leão. Seria a respiração que anima, como também pára o coração. Mitologicamente falando seria a Dalila chamando o Sansão. Depois temos o signo de Libra, responsável pelo estômago, centro e rim esquerdo e rim direito.O Escorpião são os órgãos genitais responsáveis pela reprodução da vida. O Sagitário é um centauro (soldado) e são as coxas que têm a força de muitos cavalos. O Capricórnio é o 10º trabalho desse Hércules, Cristo universal. Ele fica entre os joelhos e as pernas. O Aquário cria o habitat separando as pernas com água e o Peixe conclui os pés. Do jeito que é no Universo é também no planeta Terra e seus habitantes. Assim como os primeiros habitantes do Universo são de Sirius nós, por mais que tenhamos nos misturado, continuamos a ser siriatas, pois a genética universal é de Sirius. Somos todos a estrela branca, que em sua íntegra contém todas as cores e raças, todas as formas que temos no nosso reino e fora dele. O nascimento do nosso Universo visível teria sido a fusão de Sirius estrela branca com a Sirius estrela negra. Na verdade teria sido a união de um buraco negro (o nada) com o princípio do Universo (Sirius). Essa fusão teria causado a grande explosão criadora do Universo. Observemos que o preto e o branco são sempre a origem de tudo, seja no Universo ou simplesmente em planetas. Seguindo esse princípio as mulheres na vida de Cristo também carregam a responsabilidade de fazer o papel do nada. O nome Magdalene = duas torres ou torre do rebanho e Betania = casa da Liz ou cãs do ser significam a casa da pantera (Yoshua ben Pandira = Pandora), lugar onde do nada o tudo vai nascer. Noiva escolhida, o rei faz sua morada, reino. Ela é considerada a casa dos 3 poderes, carta de paus e fica no abismo (Daath). Entre Binah e Hockmah é a alma que recebe tudo do Hockmah, Matsaloth, zodíaco e transfere para Binah. O Cristo, como ser humano, teria trazido para a Terra um princípio, uma origem, a origem do homem que tem alma, memória eterna, e isso teria acontecido no período em que a Terra passaria seu período mais crítico de evolução. Teria ocorrido na época em que o homem receberia o presente da alma. Seria a destruição de Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Na Bíblia seria o dilúvio, a queda da torre de Babel, a saída do homem do paraíso. Na Bíblia encontramos essa saída do paraíso como sendo um só ser, o Adão, pois na verdade o Senhor Deus, que costuma ser tão específico em seu relato da criação nos deixa claro que a Eva não foi expulsa, pois ela é a mãe de todos os seres vivos (Gn 3,21-24), ou seja, a mulher e o homem podem ser expulsos, pois são carne perecível e foram criados dos últimos dois elementos: terra e ar. Já a Eva é água da vida, assim como o nome de Maria também é água. A isso devemos o fato da água ser um elemento chamado de “mãe de Deus, esposa e irmã”. Assim revela seu papel de alma do fogo, esposa do Sol, a Lua senhora das águas, almas. A Eva personagem jamais levou o homem ao pecado, pois Eva, sendo alma,
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teria sido criada com a finalidade da evolução e o Adão para garantr à vida esse direito. A Eva evolui o espírito “Deus”, o seu Pai Criador e o Adão evolui a Eva alma, sua mãe, esposa, irmã e professora. A Eva ainda habita o Jardim do Éden que o Adão ainda não vê, mas no dia em que ele renunciar ao mundo de César poderá voltar para o Jardim do Éden e assim a Eva divina também retornará para seu Pai, Elohim, Deus. Então terá sua alma unificada a seu espírito maior, o Universo voltará para dentro da Sirius-mãe-Universo e essa então abrirá a porta para o verdadeiro jardim, onde o homem reencontrará o sentido do Ser. ******* Como prometido a vocês, meus anjinhos, este foi o relato do aprendizado de um sábio na Terra (É Cristo voltando a contar a história). Como puderam perceber Osha e o senhor Rabi são sábios que conhecem os segredos da sagrada Kabalah e esta acabou de ser revelada a vocês. Agora todos estão prontos para cumprir suas missões na Terra, pois é chegado o tempo em que ela está precisando de vocês. Jesus, sem querer interferir em vossa sagrada palavra, podes me dizer quem foram Osha e o senhor Rabi? Oh, meu anjinho, Osha é hoje um ser que se encontra na Terra. Depois de pouco mais de 1.500 anos ele retornou à Terra com aquela sabedoria que aprendeu no ano de 450 d.C. com o senhor Rabi. Osha reencarnou várias vezes para praticar e se tornar apto a ter esta sabedoria. Na verdade Osha já há muito tempo havia passado (no tempo dos faraós Quéfren e Mikerinos), aprendido e se iniciado nos grandes mistérios, mas a cada mil anos é necessário aperfeiçoar o conhecimento e torná-lo compreensível para tal período ou época. Osha hoje está pronto para usar seu conhecimento e vai passar pela Terra deixando suas marcas na humanidade. Quanto ao senhor Rabi, ele é apenas mais um grande sábio do universo a trabalho da luz divina. Senhor Jesus, responda-nos então porque há tamanha semelhança entre vós e o senhor Rabi. Acaso o senhor foi ele? És bastante esperto, meu Anjo do Destino. Tua sabedoria revelou-me ali. De fato o senhor Rabi sou eu, mas isso não tem importância, pois já foi há tanto tempo e o que de fato importa é o momento que se aproxima para a humanidade. Essa é a razão pela qual eu os preparei e agora que estão prontos deverão descer à Terra para cumprir a missão mais dura de suas vidas. Vocês irão ajudar a humanidade a se recuperar de uma grande transformação que há muito já é preparada e esperada. Na Terra existem 13 anjos como vocês, que estão começando a construir as pequenas cidades sagradas onde alojarão uma boa quantidade de seres que precisam ser salvas para dar continuidade à vida. Na verdade essas cidades são como Arcas de Noé espalhadas pelos continentes, só que desta vez elas não estão sendo muito anunciadas, pois o povo não acreditaria naquilo que os aguarda. Senhor Jesus, o povo tem idéia das proporções daquilo que vai lhe acontecer? Não, meu querido Anjo do Amor. No passado, em Atlântida, Lemúria e Shangrillá, vários sábios que tinham consciência da transformação trágica
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que aconteceria no planeta tentaram, num desespero de causa, advertir o povo e até seus governantes. Durante 50 anos eles anunciaram o fim daquela era de sabedoria mal utilizada e poucos acreditavam, mas não bastava apenas crer. Era preciso criar alternativas de sobrevivência e formas de ajudar até os incrédulos a sobreviver a algo que não acreditavam que fosse acontecer. Muitos fizeram um trabalho silencioso e este mesmo trabalho hoje volta a se repetir. Os 13 seres que chamo de anjos são as 12 esferas que contêm a gnose (conhecimento, sabedoria) sagrada. São também os representantes das 12 tribos que habitam o planeta, só que eles estão passando pela missão mais difícil de suas encarnações, pois têm que construir um grande retiro que comporte um vasto número de seres humanos e animais e grande parte da natureza. Por isso estão construindo esses chamados “retiros” em áreas que já tenham um meio ambiente natural. Ao construírem isso eles também terão que deixar escrita uma espécie de doutrina ou sabedoria que aprenderam. Em resumo é como se eles tivessem que construir a escola e a disciplina a ser aplicada nela. Além disso eles deverão passar a sabedoria na prática para alguns aprendizes que servirão como voluntários na transformação. Jesus, e quanto ao 13º ser. Por que o Senhor não falou dele? Eu não o esqueci, apenas estava explicando a missão das 12 esferas. O 13º ser é de fato um Amorazim, ou seja, um dos primogênito de Deus. Este ser faz parte daqueles que nasceram das emoções do Divino Pai. Senhor Jesus, perdoe-me a interrupção, mas gostaria muito que o Senhor nos esclarecesse algo antes de dar continuidade à história deste Amorazim. É verdade que cada anjo Amorazim trás um significado no nome? É também verdade que o significado do seu nome angélico, Emanuel, é ‘Legislador de Deus’? Sim, meu Anjo da Vida, meu nome angélico é Emanuel (Legislador de Deus) e é verdade que cada anjo tem no nome um significado, mas por que desejas saber isso? Para saber qual é o significado do nome do Amorazim que está na Terra, pois nós estudamos os nomes dos anjos e seus significados, mas o do anjo que está na Terra não nos foi permitido saber. Como vocês já sabem o final ou as letras EL significam Deus. Nos livros sagrados é possível encontrar outras conjunções de letras que simbolizam o nome de Deus, porém o nome deste anjo Amorazim que está na Terra só foi escrito uma vez na Kabalah e não se repete como os nomes dos outros anjos. No livro sagrado de Salomão, chamado de Pequena Chave ou Clavículas de Salomão o nome deste anjo se repete por sete vezes, mas de maneira muito discreta. Em alguns livros sagrados da Índia seu nome também não se repete com muita freqüência. Isso quer dizer que o nome deste anjo é muito pouco conhecido. Dentre mil apenas 26 cabalistas sabem o nome deste anjo e mesmo assim não conhecem e nem tem idéia alguma de suas virtudes. Isso foi feito desta maneira justamente para que se mantivesse o segredo da identidade verdadeira deste anjo, para que ninguém viesse a especular ou descobrir os propósitos divinos que se escondem por trás do nome deste ser. Porém, como agora a transformação está próxima, vou dar a vocês uma pista. A 13ª esfera, além de ser um Amorazim é uma mulher. Ser uma mulher é
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talvez a tarefa mais difícil para este posto, pois o descrédito da humanidade de que ela venha a ser o salvador da época será muito grande, pois as pessoas acreditam no Salvador como sendo um homem. Como Deus tem sempre manifestado seu poder através de encarnações masculinas é nisto que a humanidade acredita, pois fazem questão de esquecer que por trás desses grandes homens existiam brilhantes almas em corpos femininos, que disfarçadamente ajudavam muito. O desafio do homem é crer que não importa que tipo de corpo a alma habite. O que importa é o que ela conquista e o que é capaz de conquistar, mas voltando à 13ª esfera ela tem um dos nomes de Deus, mas, como já disse, este é um dos nomes menos conhecidos. Na verdade dentre a humanidade apenas 5 mil sábios sabem da existência deste nome sagrado e somente 500 dentre os que ainda vivem na Terra sabem o que se esconde por trás deste nome. Isso quer dizer que sabem que é um Amorazim e que veio para construir o templo sagrado que terá a magia divina. A maioria desses sábios vive na Índia, no Oriente Médio e no Egito, porém como são sábios jamais contarão a ninguém esses segredos a não ser para os discípulos que deverão sucedê-los. Para que vocês tenham uma idéia nem mesmo o próprio Amorazim sabia que era o escolhido. Somente há dez anos foi-lhe confirmado quem de fato era. Isto lhe foi revelado porque ele alcançou um nível de consciência muito anormal para um ser humano. Digo anormal porque este ser alcançou esta sabedoria sozinho. Não procurou ninguém para ajudá-lo, pelo contrário. Ele se manteve sempre só nesse aspecto. Nunca procurou sábios ou buscou filosofias, mas recebeu sempre a melhor de todas as ajudas. Com capacidade para se comunicar com espíritos, principalmente os familiares, este ser aos poucos foi recebendo instruções dos espíritos e com o passar do tempo foi descobrindo segredos que só os grandes rabinos ou estudiosos da Kabalah sabem, mas com uma diferença. Este Amorazim sabe mistérios ainda maiores, que somente os escolhidos alcançam. Foi assim que ele recebeu a minha visita, onde eu lhe afirmei quem de fato era e o que deveria fazer segundo seu livre-arbítrio. Aos poucos ele continuou a ser inspirado para receber as informações da grande cidade que salvará a Terra. Sei que parece muito pouco uma cidade para salvar a Terra, mas não é bem assim. Na verdade outras cidades serão construídas com este mesmo intento, porém esta cidade deste Amorazim é muito importante, pois ela foi totalmente inspirada em números cabalísticos. Tudo nela deve obedecer às regras divinas que são reveladas na Kabalah. Ela deve ser feita como um grande octógono.

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Oito é o número do Arcano (mistério) da Justiça e do chakra mais elevado do corpo humano. Este mistério revela que esta cidade terá como pilares o equilíbrio divino. Será a Cidade da Libertação, onde Deus decide quem lá entrará e não o homem. Terá 7 templos e cada um terá 7 altares com 7 credos diferentes, porém um dos altares será dedicado ao coração. Os sete templos são para lembrar os sete dias da semana, os sete sentidos humanos e as sete virtudes. Os sete altares de credos diferentes são um ato de ecumenismo dirigido ao Altar do Coração, que representa a fé de coração. Terá doze pilastras em referência às doze tribos que habitam a Terra, às doze eras e aos doze signos do zodíaco. Dentro do octógono esta cidade se formará em três círculos, referência à Trindade e à Criação. Ao centro dos três círculos terá um lago e bem no meio dele haverá a imagem de um anjo feito de cristal em tamanho natural, representando o renascimento limpo da humanidade, mas todo o mistério estará neste anjo, pois no dia da transformação da Terra ele terá vida e de posse do poder divino a ele concedido este anjo desencadeará uma onda de proteção gigantesca, que protegerá não só esta cidade, mas também as outras que estão sendo construídas pelas outras esferas. Mas para que este anjo tenha vida é preciso que o Amorazim que vai construir esta cidade sacrifique sua própria vida. Na verdade este Amorazim morrerá antes mesmo de ver esta cidade ser construída até o final. Ele hoje já é um trabalhador do bem e já vem cumprindo há um bom tempo sua missão de ajudar o próximo. Além de desenvolver um trabalho de cura também já escreveu os Livros da Verdade, que deverão servir de doutrina para os sobreviventes. Seu último ato é dar as garantias de que esta cidade (Arca de Noé) seja construída depois. Pouco tempo este ser ainda viverá e logo que chegar a sua hora uma fatalidade o arrebatará para o convívio com os seus familiares, mas nem tudo se acabará aí. A missão deste Amorazim é voltar no terceiro dia após sua morte e, de maneira espiritual, continuar seu trabalho até que este chegue ao fim. Para algumas pessoas é muito difícil compreender porque um ser tem que se sacrificar por outros e mais difícil ainda é compreender porque este ser deve morrer antes de concluir sua missão, mas isso é muito fácil de explicar. A sabedoria (ou o sábio que a carregava) morrendo é muitas vezes a única maneira de despertar o interesse por ela. Funciona assim. Digamos que um professor de Matemática instrua seus

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alunos até determinado nível, porém esses alunos não sabem que vão ter que fazer um teste com um supervisor. Eles então vão às aulas de Matemática e aprendem o que interessa aprender. Dias antes do teste o professor morre e, já tendo ensinado tudo que podia a seus alunos, parte em paz. Os alunos são avisados do teste e, assustados por terem sido pegos de surpresa e não terem mais o bom professor de Matemática, apavoram-se. Procuram então lembrar tudo que o velho mestre lhes ensinou. Reúnem-se, pesquisam, etc. Com a sabedoria muitas vezes é assim. Os sábios ensinam, mas nem todos prestam atenção. Esses então morrem para renascer na lembrança. O fato de morrer antes de concluir a missão não é verdade para o espírito, apenas para o corpo. O ser que parte dessa vida deixando uma grande missão a ser cumprida é porque esta não é mais sua missão, mas a missão de outros. Ele era apenas o idealizador dessas idéias ou aquele que as aperfeiçoaria para facilitar a compreensão dos outros. Eu acredito que tudo que vocês precisavam saber eu já lhes expliquei. Agora resta a vocês praticar tudo isso no convívio com a humanidade que os aguarda. Vocês são o equilíbrio universal que a Terra vai precisar para a transformação que se aproxima. Sendo assim todos devem ir até a Escola das Virtudes, onde deverão se aperfeiçoar e compreender cada virtude que possuem. Só depois estarão aptos a descer à Terra e levar a ela o grande ensinamento dos mistérios divinos. Concluída a fala os anjos se encaminharam para a Escola das Virtudes, mas Cristo pediu ao Anjo do Amor que ficasse, pois ele ainda tinha que receber algumas instruções. Logo que os outros anjos partiram Cristo ficou sozinho com o Anjo do Amor. Silenciosamente o anjo se aproximou de Cristo e docemente passou sua pequena mão pela de Cristo, fitando-o com um olhar misteriosamente carinhoso. Cristo retribuiu o gesto beijando-lhe a testa e disse: - Parece que tu já sentes o que estou para te dizer. - Sim, Jesus, eu sei o que tu tens para me dizer – disse o anjinho e continuou. O nosso Pai Divino me enviou para ti e me disse que o maior de todos os arcanos tu contarias só para mim. - Em sua divina sabedoria nosso amado Criador preparou-te para a Verdade, Verdade essa que só tu dentre os 13 anjos poderás compreender, pois somente quando teus irmãos alcançarem teu esplendor poderão compreender o que agora a ti revelarei. Este é o segredo mais secreto que existe e que por mais que seja revelado na Terra sempre voltará a ser ocultado e será sempre ocultado porque ninguém é capaz de compreendê-lo e poucos tem coragem de revelá-lo. Esta é uma verdade que só os iniciados conseguem alcançar. - Senhor Jesus, eu sei que Verdade é essa e a compreendo, mas não vejo como os seres humanos irão aceitá-la, pois ela vai contra tudo que eles acreditam e sabem. - É por isso que somente o verdadeiro amor, aliado ao tempo, pode levar a humanidade à compreensão. Este arcano (mistério, segredo) não é um mistério total na Terra. Como já disse, vários iniciados ainda preservam esse conhecimento. Só não tem coragem de passá-lo adiante e se o fazem é tão somente para alguém que se tornará um novo iniciado. - Senhor Jesus, é muito difícil para o senhor falar disso? - Sim, meu querido anjo, de fato me é muito difícil falar deste mistério.
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Então por que o senhor não tenta explicar à humanidade como tudo realmente começou? Essa não é uma má idéia. Só vejo que terei que resumir as coisas para não confundir a mente das pessoas. Vou tentar explicar a você e assim você poderá explicar para a humanidade. No princípio da habitação da Terra existiram, como você já sabe, deuses e semideuses e os seres normais chamados de mortais. Além desses também existiram os seres celestiais, que na verdade terminavam por coordenar tudo sem que ninguém soubesse. Algumas pessoas chamam esses seres de anjos caídos, mas isso não é bem verdade, pois não eram anjos caídos, mas professores voluntários. Eles também não eram muitos. Na verdade só existiram 9 anjos caídos ou seres celestiais, isso já incluindo o mais famoso anjo caído, aquele que alguns chamam de Estrela Flamejante e outros preferem chamar de Lúcifer. Na verdade já expliquei o nome deste anjo e já expliquei sua verdadeira função na Terra, mas vou dar uma pequena relembrada para que tudo que vou dizer daqui por diante seja compreendido. A palavra Lúcifer significa “aquele que dá luz!” ou “aquele que faz a luz”. O nome de Estrela Flamejante se dá ao planeta Vênus, que é considerada pelos iniciados uma estrela de grande poder, pois Vênus é considerado o planeta do amor e da beleza, vulgarmente também conhecido como o planeta das paixões e da luxúria. Cada ser celestial que aqui vou descrever representa um planeta e foi dessa maneira que os alquimistas aprenderam a utilizar a magia sagrada, pois descobriram esses segredos que agora vou revelar mais uma vez. Tanto os grandes iniciados como várias filosofias conhecem o segredo de Lúcifer. Sabem que o mal não estava nele como afirma a maioria das doutrinas religiosas. Ele veio à Terra somente para trazer a luz aos olhos dos homens, para que eles enxergassem seus erros, seus pudores, seus pecados, suas vontades, etc. A analogia da serpente que manda Eva comer do fruto proibido é tão somente o primeiro passo para a evolução. A sabedoria de fato é um fruto proibido para aquele que não tem consciência, porém quem não a tem deve adquiri-la ao longo das muitas experiências vividas nas diversas encarnações. Os nove seres celestiais (ou anjos caídos) desceram à Terra para dar sabedoria à humanidade. O anjo Lucífero era aquele que tinha a responsabilidade de ensinar a humanidade a conhecer o amor, mas como tudo tem duas faces a primeira parte que a humanidade conheceu foi a face do Gênio de Vênus e não o Anjo de Vênus. Lucífero aceitou ser o anjo mais odiado pela humanidade e o motivo de tudo isso foi muito simples. A humanidade vivia com os deuses, que acreditavam ter o controle de tudo. As três grandes civilizações perfeitas (Lemúria, Shangrillá e Atlântida) tinham uma sabedoria hoje completamente impossível de se imaginar. Eles tinham tudo para tornar a vida fácil, mas terminaram por torná-la mais difícil, mas esta é uma história já contada, porém estou voltando a ela para resgatar Enoch, este ser especial que escreveu o primeiro livro dos mistérios divinos. Ele foi muito mais que um simples profeta. Na verdade ele foi o primeiro anjo caído, que por Deus foi abduzido (levado embora) várias vezes para receber instruções de como escrever esta Verdade e de como deixá-la pro mundo. A Verdade que Enoch escreveu não agradou aos seres de sua época, pois eles não queriam
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abandonar a vida que tinham, mas nem todos agiam ou pensavam da mesma maneira, afinal os favorecidos não faziam parte da maioria. Bem, mas vamos direto ao assunto que interessa. Por que a humanidade odeia tanto a Estrela Flamejante ou Lucífero? Muito simples. Ele mostrou a ela a única maneira de evoluir e essa maneira era deixar o paraíso em que alguns julgavam viver. Em outras palavras significava abandonar Atlântida, Lemúria e Shangrillá, as civilizações corrompidas por uma sabedoria desgovernada. A humanidade estava fora de controle. Havia criado crimeras e outros seres que causariam, no futuro, a destruição do próprio planeta, mas não só isso. A humanidade ainda tinha relembranças de seus planetas anteriores e preservava também alguns poderes. Tudo isso fez das três grandes civilizações uma bomba prestes a explodir. Enoch tentou fazê-los mudar avisando-os de seus abusos, mas eles não lhe deram ouvidos. Foi então que os nove seres celestiais tomaram a grande decisão de destruir tudo para recomeçar do início, só que sem tanta facilidade. É aí que se revela o mistério de Enoch. Ele foi abduzido (levado embora) antes da destruição das três civilizações e voltou após a destruição (obs.: as três civilizações seriam destruídas de qualquer maneira, pois a humanidade estava causando esta destruição e ela seria ainda maior se os 9 seres celestiais não tivessem interferido a tempo). Ao chegar na Terra novamente Enoch encontrou um planeta devastado e em fase de transformação. Um povo espalhado por vários cantos, perdido, sem lembranças e sem sabedoria ou conhecimento algum e que recomeçava a sentir os instintos. Enoch tinha sua sabedoria preservada e agora tinha a missão de passá-la adiante, porém agora Enoch não estava sozinho. Ele tinha mais oito seres celestiais para ajudá-lo nesta árdua tarefa. Naquela época de transformação, em que a humanidade estava frágil como uma criança que nada sabe da vida, esses seres celestiais foram chamados de anjos caídos. Ganharam esse nome porque os seres humanos os chamaram de anjos que sacrificaram suas condições de anjo para ajudar no processo de evolução da humanidade. Esses anjos se espalharam pela Terra e passaram um longo período ensinando os sobreviventes e seus descendentes. O gênio de Saturno ensinava a arte do saber, o conhecimento, a leitura e a escrita. Seu lado anjo revelava os caminhos da sabedoria divina e as várias formas de alcançar essa sabedoria (Quando digo gênio e anjo é porque esses seres celestiais tinham que mostrar os dois lados da virtude que eles pregavam na Terra. Assim o ser humano, logo que alcançasse a evolução, encontraria o Caminho do Meio). O gênio de Marte ensinou as artes da guerra ensinando como a humanidade deveria se proteger de sua própria intolerância. O anjo ensinou a força e a coragem para vencer os medos e os obstáculos. O gênio de Mercúrio ensinou a arte da comunicação dando o conhecimento de outras línguas, despertando assim a curiosidade. O anjo tornou possível as longas viagens, que antes eram difíceis por falta de meios de transporte, coisa que o anjo ensinou a construir. Assim gênio e anjo tornaram possível o encontro e o diálogo entre seres desconhecidos. O gênio da Lua ensinou aos seres humanos a magia da natureza, dos elementais, etc. O anjo ensinou os mistérios das fases da Lua e a utilizar cada fase, isto é, para que cada uma servia. Ensinou como a Lua atua sobre o homem e a natureza e como se
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aproveitar desse poder. O gênio do Sol ensinou o poder destrutivo do fogo e seus limites. O anjo ensinou como aproveitar esse calor em benefício próprio, seja para cozinhar, derreter metais, etc. Enfim, ambos ensinaram tudo sobre o fogo e o ferro e o fogo divino. O gênio de Vênus ensinou aos homens a necessidade de cuidar da aparência confeccionando roupas e outros utensílios para o corpo como sapatos para proteger os pés, chapéus e gorros, etc. O anjo ensinou a fazer trocas, confeccionar objetos para trocar por outros, mas também ensinou a arte da pintura, do bordado e a arte de presentear, de aprender a doar, etc. O gênio de Júpiter ensinou a arte da caça e de abater a caça, etc. O anjo ensinou a arte do conhecimento das ervas e suas propriedades de cura, como cultivá-las e utilizá-las, etc. e revelou os segredos da vida e da morte. O gênio de Netuno ensinou o uso da água, como transformá-la em tinta, remédio, etc. O anjo ensinou sobre as marés, os grandes mares e seus habitantes. O gênio de Urano trouxe a escuridão, as trevas, para que a humanidade descobrisse que isso não era ruim. O anjo trouxe ou mostrou a luz. Em suma, este é apenas um breve resumo de tudo que os nove seres celestiais ensinaram à humanidade. Na verdade o que cada um ensinou dá mais de um livro de 400 páginas, pois a parte gênio e a parte anjo desses seres celestiais ensinaram tudo que a humanidade hoje conhece e um pouco mais, o que a humanidade, graças a Deus, já esqueceu. Vamos dar um exemplo maior. O gênio de Marte ensinou a arte da guerra e dessa forma também ensinou a forjar as armas para as guerras, ensinou todas as artes marciais, os tipos de lutas, a fazer lanças, facas, espadas, escudos, etc. O anjo ensinou que a virtude da força e da coragem poderiam ser a mais poderosa arma e esta deveria ser conquistada com o tempo e forjada no fogo interior. Em suma, o mesmo ser celestial que ensinou a forjar uma espada também ensinou a encontrar a espada interior. Outro exemplo é o gênio de Vênus, que ensinou a necessidade de se cuidar. Ensinando como fazer roupas também ensinou a lapidar pedras preciosas e a colocá-las em anéis, brincos, colares, etc. O anjo ensinou o homem a enxergar a beleza natural em tudo e que esta é muito mais importante do que a beleza criada pelo homem, pois na beleza artificial mora a mentira e na beleza natural habita a verdade. Em suma, este ser celestial ensinou ao homem que na vida ele encontraria paixões, luxo, vaidade e mentiras, mas que tudo isso passa como o tempo e o que realmente fica é o amor, o único sentimento capaz de enxergar a beleza natural e a verdade de tudo e de todos. Ensinou o que era o verdadeiro amor à humanidade. Enfim, meu anjinho do Amor, os anjos caídos foram à Terra para ensinar a humanidade, mas tudo que fizeram foi apenas ensinar algo que os seres humanos já sabiam, mas que no momento não podiam lembrar, justamente para não cometerem danos que viessem a atentar contra eles mesmos. Por isso os anjos foram ensiná-los para que desta vez eles pudessem aprender os dois lados do Caminho da Sabedoria. Assim poderiam escolher como evoluir. Como eu já disse, foi dado ao homem apenas a ciência de algo que sua alma já conhecia há muito tempo. A prática de tudo isso foi deixado ao livre-arbítrio de cada um. De nada os seres celestiais têm culpa como afirmam alguns dogmas ou filosofias religiosas. Apenas em uma coisa os seres celestiais têm culpa e este segredo a humanidade já tentou decifrar por
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diversas vezes, mas agora não vejo mais motivo algum para não revelá-lo na íntegra. Tu te lembras quando te contei como Deus me criou? Sim, Jesus, eu me lembro. Eu e os outros Amorazins somos filhos primogênios de Deus. Primogênio significa “os primeiros gênios de Deus”. Eu sou o primo umgênio (o 1º gênio). Como já lhe expliquei anteriormente, toda criatura criada pelo Criador tem o dever de criar. Eu e outros Amorazins descemos à Terra para isso, para criar nossos filhos. No total são 9 anjos caídos, que são os pais dos habitantes da Terra. Antes desses seres virem para a Terra eles estavam morando em seus respectivos planetas natais, onde desabrocharam de sementes a frutos. Eu e os outros 8 Amorazins ainda não sabíamos que todas as nossas emoções haviam criado vida, pois estávamos passando por um processo disciplinar de evolução, isto é, Deus estava nos preparando para sermos pais. Acontece que nossos filhos jamais haviam saído de seus planetas natais, jamais haviam conhecido outros seres, jamais haviam imaginado existir outra aparência. Exemplo: os filhos de Marte eram determinados, briguentos, fortes, etc. Os filhos de Júpiter eram sombrios, viviam distantes do Sol, mas eram calmos e tolerantes. Os filhos da Lua eram sensíveis demais, inconstantes, etc. Os filhos de Vênus eram apegados demais a tudo, principalmente a si mesmos e assim por diante. Cada anjo determinava as características de seus filhos. Para que você não fique confuso lembre-se que os anjos caídos representavam os nove planetas que já expliquei a você e cada planeta representa os dois lados do anjo: o lado gênio (sabedoria e prática) e o lado anjo (evolução e compreensão). Os filhos dos anjos caídos estavam separados em 12 diferentes planetas, porém já havia chegado o momento deles saberem quem eram, quem eram seus pais (além de Deus, é óbvio), como haviam nascido, quais eram suas raízes e como deveriam continuar evoluindo, etc. Eu e os outros oito anjos caídos (Amorazins) fomos chamados à presença do Divino Pai Celeste e Ele nos disse que estava na hora de sermos responsáveis por nossas criaturas e assim Ele passava para nós o dever de fazer nossos filhos evoluírem. Confesso que muito me assustou a idéia de ter a responsabilidade por tantas vidas nas mãos, mas não fui o único. Criamos a Terra como a primeira escola para nossos filhos, com características dos seus planetas natais, e assim a Terra ficou uma esfera linda, com beleza rara, pois tudo de mais belo que havia nos planetas natais nós copiamos para colocar na Terra, pois queríamos dar aos nossos filhos um habitat perfeito, onde pudessem aprender como se estivessem em casa. Nossos filhos estavam em três níveis diferentes de evolução, como já expliquei anteriormente: atlantes, shangrillês e lemurianos. A princípio nós permitimos que aqueles que mais se destacavam (deuses) fossem responsáveis pelos demais. Revelamos sabedoria e demos poderes a esses seres para que eles cuidassem dos outros, mas este foi nosso primeiro erro. Esses seres se intitularam “deuses” e quase devastaram a Terra e tudo era culpa nossa, afinal nós fomos os responsáveis pela irresponsabilidade deles. Tudo que hoje existe na Terra com a marca desses seres são imagens, gravuras em paredes ou templos em ruínas e até mesmo países que ainda os
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cultuam. A aparência desses deuses é apenas uma vaga lembrança da aparência original dos seres que habitam a Terra hoje. Explicando melhor nós, os anjos caídos (que ainda não tinham caído), permitimos que os seres que escolhemos para comandar a Terra tivessem sua aparência original preservada e suas lembranças também, o que resultou em mais um grande erro, pois eles se tornaram ‘deuses’ e comandavam os outros às custas do medo e da dor, além de trazerem para a Terra os credos primitivos que cultuavam em seus planetas natais. É bem verdade que nem todos os intitulados ‘deuses’ foram ruins. Uma boa parte conseguia compreender e até realizar o propósito a que foram designados por nós, ensinaram aos outros que havia um ser supremo superior a eles e que este ser era o criador de tudo. Durante muitas centenas de anos nós observamos o comportamento de nossos filhos e de seus dirigentes, que também eram nossos filhos. Percebemos que não tínhamos experiência alguma e que errávamos demais. Enviamos várias mensagens através dos deuses bons avisando que se os outros não mudassem o comportamento nós teríamos que interferir, porém nada mudou, apenas piorou. Nosso erro foi esquecer que um planeta com tanta coisa desconhecida, com tantos mistérios, com tantos seres diferentes em pensamento, formas e costumes jamais poderia ser presidido por seres completamente inexperientes. Nós acreditávamos que esses seres seriam como pastores que guiariam seu rebanho sem interferir no rebanho do outro, mas enfim, se eles erraram nós erramos primeiro, pois esquecemos o maior de todos os detalhes da evolução. Esquecemos que toda evolução é semelhante à evolução divina. Deus gerou seus filhos de suas emoções e os deixou vivos para conhecê-los melhor, pois Ele ainda não tinha nem teoria nem prática. Muitas vezes Deus os destruiu, outras os protegeu e assim Deus foi aprendendo a lidar com seus filhos e consigo mesmo, mas quando os primogênios de Deus tiraram-lhe a razão e os sentidos Deus os absorveu e meditou por um longo tempo até compreendê-los e só os devolveu à vida quando se completou por inteiro. Nós, em nossa incessante luta para corrigir os erros, terminamos por fazer com nossos filhos basicamente tudo que Deus fez conosco. Sem perceber estávamos seguindo o Caminho da Evolução do Divino. A maior de nossas dores foi quando percebemos que não havia mais como manter Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Não havia outro jeito. A Terra precisava ser purificada ou seria destruída pelos nossos filhos. Os 4 anjos da destruição receberam o aval para destruir as três primeiras civilizações: Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Essa destruição coube aos anjos de Júpiter, Sol, Lua e Marte. Os outros cinco tratavam de proteger e preservar aquilo que deveria ainda restar na Terra. Ao final de tudo nossa dor era grandiosa demais. A culpa que nos habitava parecia não ter remédio. Mesmo sabendo que eles reencarnariam e claramente recomeçariam tudo de novo, ainda assim a culpa nos doía. Foi então que fomos pedir alento ao Pai. Ele em nada nos condenou, pois já estávamos envergonhados e condenados pela nossa própria consciência. Nós Amorazins, os primogênios de Deus, envaidecidos por isso, ficamos cegos e diante da prova divina (nossas criações) percebemos o tamanho da nossa ignorância. O Pai, com sua plenitude absoluta, disse:

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Todos vocês são minhas criaturas e eu os amo exatamente assim como são. Eu os tive ao meu lado no decorrer da minha e da vossa evolução. Esta foi a maneira mais eficiente para o meu aprendizado e para o vosso. A melhor maneira de aprender é ensinando. Com essas palavras nós compreendemos que estava na hora de ensinar os nossos filhos sem intermediários. Essa também seria a melhor maneira de aprendermos a ser pais, porém Deus nos deu uma única advertência. Ele disse que nós iríamos à Terra a primeira vez como anjos caídos, que perdem a liberdade, mas mantêm a sabedoria. Só que depois da nossa primeira vida como mortais nós teríamos nossas mentes parcialmente apagadas para voltar à Terra como seres comuns e durante um longo período nós teríamos que estudar o comportamento de nossos filhos nascendo, vivendo e aprendendo com eles e somente em determinado período, em que já tivéssemos aprendido o suficiente, teríamos então nossa consciência de volta por inteiro. Descemos à Terra e foi aí que ganhamos o nome de ‘anjos caídos’. A humanidade de nada se lembrava. Estava começando a reconstruir o planeta. Alguns sábios, a que permitimos guardar o conhecimento, nos auxiliaram no ensinamento da Verdade, mas não devemos esquecer que tudo tem seu ponto de equilíbrio. A desordem do passado ainda resistia em mentes perturbadas, que pareciam ver a antiga aparência ainda viva diante de si (obs.: depois da destruição a forma dos seres humanos foi mudada para aquela de hoje). Neste período, em que ensinávamos nossas virtudes e nossos defeitos, a humanidade ainda não estava apta a compreender tudo que falávamos, mas nosso dever era ensinar para o futuro, afinal a alma armazena o que aprende. Foi também nessa época que nós, os anjos caídos, ganhamos o nome mais temido e odiado pela humanidade atual: Lucífero, “aquele que traz a luz”. O simples fato de mostrarmos à humanidade a verdade do bem e do mal nos fez merecedores deste nome. Nós revelamos os segredos dos caminhos que levam à sabedoria. Fizemos aquilo que o senhor Rabi fez com o menino Osha. Ensinamos a Verdade que hoje vive velada, tudo porque as religiões acreditam ter o controle da humanidade, porém em verdade eu afirmo que nenhum dos anjos caídos ensinou a construir templos ou deu nomes aos credos da humanidade. Nós ensinamos a Verdade para todos e eles já tinham seus credos primitivos. Muitos os aboliram, outros os mantiveram, pois cada um compreende a Verdade de acordo com a sabedoria que tem. O nome Lucífero voltou a surgir 1.000 anos antes de Cristo, só que voltou como um ser ruim, cruel. Nessa época algumas religiões, através de seus dogmas, o condenaram porque sabiam que um Messias desceria à Terra e traria a Verdade que destruiria a mentira. Esta mentira eram os rituais, os sacrifícios, os dogmas arbitrários construídos encima das palavras de homens que diziam falar com Deus e assim amedrontavam o povo com um deus destrutivo, que punia, matava e exigia sacrifícios. Mais uma vez o anjo caído desceu à Terra e mais uma vez ele levou a luz, só que dessa vez ele foi mais direto e claro. Ele mostrou que a verdadeira maldade estava no próprio homem e nas suas ações. Ele tirou o homem da ignorância mostrando-lhe seus próprios erros e culpas. Mais uma vez ele foi a luz que revelou aos homens suas vaidades, suas mentiras, seus apegos, seus medos e sua covardia. Revelou ao homem toda
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sua ignorância diante da luz da sabedoria divina e isso incomodou os falsos sábios e seus credos, porém agradou os humildes, sedentos pela Verdade desconhecida, mas ainda aprisionados pela supremacia dos ignorantes sábios. Os nove anjos caídos revelaram à humanidade o princípio da história, como tudo aconteceu. Explicaram como foi a evolução de Deus e como foram criados por Deus, porém esta Verdade que eles ensinaram nem sempre foi bem compreendida, pois ao mesmo tempo que esta Verdade ajudava também assustava. Na verdade a humanidade condena os nove anjos caídos (Lucífero) porque desconhece o Lucífero que habita dentro de cada ser humano. Todos nós temos uma luz que um dia nos mostra nossos próprios defeitos e erros. O difícil é aceitar essa verdade como sendo parte de nós mesmos. Todos nós somos meio anjo meio gênio. Esta é a herança do Divino em nós, que também teve sua parte anjo e gênio, mas com sabedoria usou a compreensão e as uniu, transformando-as em uma só, a absoluta evolução, infinita sabedoria, luz divina do Ser do universo, mas enquanto a humanidade ainda estiver distante desta sabedoria será mais fácil para ela ter um Lucífero ou diabo externo para culpar pelos erros e deslizes que comete. Para a humanidade é mais fácil se omitir da culpa do que tentar compreender a imagem refletida no espelho da verdade, que no fundo não passa da simples ignorância implorando pela sabedoria, o próprio ser humano em seu estágio mais ignorante. Durante milhares de anos a humanidade teve em seu esteio várias encarnações dos anjos caídos, que para trazer compreensão à Terra perderam a condição de anjos. Se foi um erro ou não dar à humanidade a Verdade só o Divino Pai poderá julgar. Sei que seguimos o Caminho da Evolução e também sei que não existe outro caminho certo, mas da última vez que desci à Terra resolvi que a melhor maneira de ajudar meus filhos era não dando a eles o que queriam, mas dando a eles o que realmente precisavam e fui condenado à cruz. Assim aprendi e ensinei que a Verdade que te condena hoje te redime amanhã. A Verdade que condenou a mim e os outros anjos caídos no princípio nos libertou milhares de anos depois, mas quando desci como Cristo esta Verdade me condenou mais uma vez, mas me absolveu logo depois da minha morte. Hoje eu acredito que uma porcentagem muito pequena da humanidade saiba o significado das palavras que disse nas minha horas finais: “Perdoai-os Pai, pois (são meus filhos, vossas centelhas divinas e ignorantes) não sabem o que fazem”. Eles são meus filhos e por mais ignorantes que sejam eu os amo e os perdôo, afinal a culpa da ignorância deles é minha e dos outros oito anjos caídos. Fomos nós que oferecemos a eles a sabedoria e somos nós que devemos ajudá-los a compreendê-la. Tentei dizer a eles que era o pai deles dizendo: “Ninguém chega ao Pai senão por mim. Eu estou no Pai como o Pai está em mim”. Eu estava me redimindo quando ofereci meu sofrimento pelo perdão dos pecados deles. Um dia eu os condenei abrindo-lhes os olhos e como a sabedoria tem seu preço eu recebi a condenação em troca do que ofereci. Eu ofereci sabedoria e ganhei incompreensão. Morri para a compreensão da sabedoria que ensinei. Assim

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foi comigo e com todos os anjos caídos e assim será sempre, meu Anjinho do Amor. Eu te compreendo, meu senhor Jesus, e sinto vossa dor, tristeza e sofrimento, mas todo pai tem que mostrar a seus filhos todo bem e todo mal que existe dentro deles para que eles encontrem o segredo do domínio da força interior que cada um possui, afinal ninguém vive só do bem ou da maldade. Meu senhor Jesus, é preciso estar acima do bem e do mal para alcançar Deus e a única maneira de estar acima deles é conhecê-los na teoria e na prática. Assim se alcança a consciência e não se deixa mais ser subordinado nem ao bem nem ao mal, pois se opina pela Verdade e esta é a única que está acima de tudo. Somente o Amor pode compreender sem antes julgar e é por isso que resolvi que este grande arcano só a ti revelaria, meu amado Anjinho do Amor, porém este não é o único mal que pesa sobre minhas costas. Ainda há outro, que na verdade é a alegoria deste que acabei de te revelar. Referindo-se ao princípio da humanidade terrena a história dos leigos inocentes afirma que tudo começou com um Adão e uma Eva que foram expulsos do paraíso e tiveram dois filhos, Caim e Abel. Como tu sabes esses personagens jamais existiram aqui. São apenas alegorias para esconder a Verdade, mas agora vamos ao fundo verdadeiro desta bela fantasia. Como já relatei Adão e Eva são Deus em seus dois princípios, que mais tarde formariam a Trindade, mas isso tudo já está explicado. O que falta te dizer agora é que como tu mesmo já sabes eu fui o primeiro a nascer quando o Pai teve sua primeira ação. Esta história foi distorcida na alegoria de Adão e Eva. Quando eu vim para a Terra me deram vários nomes. Um deles era Abim, a mistura perfeita de Abel (bem) e Caim (mal). Os outros eram Lucífero, Azaziel, etc. Fato é que na alegoria Caim matou Abel, portanto o bem não teve sementes e somente o mal rendeu frutos. Caim teve filhos que mais tarde vieram a ser amaldiçoados por toda a eternidade. Alguns povos acreditavam que os pais dos seres humanos eram Abel e Caim, ou seja, o bem e o mal, porém a verdade nessa confusão toda é que Lucífero e Yehod são equivalentes a Abel e Caim e em resumo são um só, que se dividiu em dois, no gênio e no anjo. Como Abim eu sou os dois em um porque estou completo. A humanidade é que faz questão de separar Abel e Caim, mas agora vou explicar melhor a morte alegórica de Abel. Caim, como o gênio, tinha os instintos e a sabedoria teórica. Abel, como o anjo, tinha a evolução da sabedoria e a consciência absoluta da mesma. Para evoluir um planeta o anjo (espírito) se separa do gênio (alma) para que este coloque em prática a sabedoria que aprendeu no decorrer de sua evolução planetária. Assim o espírito não abandona nem corpo nem alma, apenas deixa de ser visível até que corpo e alma estejam prontos para ele. Quando voltei à Terra como Cristo fui negado pelos meus próprios filhos, que não demoraram muito para me acusar de traidor, afinal como Lucífero, Caim ou Azaziel eu lhes havia ensinado a ter as facilidades e o conforto do mundo. Havia ensinado a despertar seus instintos mostrando a eles o que poderiam possuir, mas esses mesmos filhos ainda não haviam aprendido que, se lhes mostrei seus instintos, também mostrei a verdade sobre eles. Mostrei que a missão de cada um era domar e lapidar esses instintos e assim aprender
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a evoluir com esta lição. Na verdade isso eu já lhe contei, porém o fato é que alguns de meus filhos me negaram e ainda me negam por acreditar que eu, como Cristo, vim para tirar deles aquilo que eu mesmo havia dado, mas a verdade não é essa. Eu não voltei como Cristo para tirar-lhes nada. Vim apenas para esclarecê-los do quanto ainda eram ignorantes e o quanto ainda precisavam evoluir. Eu vim para mostrar à humanidade que ela não precisa nem de um terço daquilo que acredita precisar. Eu lhes mostrei que nada possuem a não ser os seus sentimentos e a sabedoria das experiências vividas. Tentei mostrar aos meus filhos que eles não precisam ser tão manipulados como são. Tentei mostrar aos manipuladores que o domínio do poder não está em escravizar as pobres ovelhas, mas isso não muda desde que o mundo é mundo. O fato é que as ovelhas precisam de pastores, porém o livre-arbítrio existe para que cada um possa fazer suas próprias escolhas. Hoje a humanidade é forçada a pagar seus karmas, mas não são conscientes disso e mesmo que alguém os conscientize eles não acreditariam nisso, pois a Verdade lhes pareceria tão absurda que eles não a aceitariam. O senhor está falando dos Illuminati? Sim, meu querido anjinho, mas não apenas deles, mas de todos os outros que se sentem donos do mundo e do destino das pessoas. Na verdade minha morte como Cristo se deu porque eu destruí temporariamente a hierarquia que na época tinha o domínio da Terra. Chega um tempo em que é necessário deixar o povo andar com suas próprias pernas, tomar suas próprias decisões e viver seu próprio destino, sem que haja tanta interferência. O poder sempre foi e ainda continua sendo um objeto nas mãos de seus líderes. Veja a época de Ramsés = Moisés. Aarão teve que usar a Sagrada Magia dos Anjos para libertar um povo da escravidão, porém este povo, que hoje tanto se orgulha de seu passado, mal imagina que seus antepassados eram um bando de ovelhas medrosas e covardes, que preferiam a falsa segurança da vida que o faraó lhes oferecia do que lutar para ter a liberdade e a dignidade e mesmo depois que Aarão lutou e os libertou eles ainda queriam um líder, alguém que os conduzisse e lhes ensinasse tudo. Aarão os libertou para que fossem livres, mas animais que crescem presos em gaiolas revoltam-se por estar nelas e quando são libertados revoltam-se por não conseguir voltar a elas. Poucos são aqueles que conseguem se adaptar à liberdade e menos ainda são aqueles que conseguem sobreviver sem líderes. Para que você possa compreender melhor tudo que estou lhe dizendo vou lhe contar o melhor de todos os exemplos: a verdadeira história sobre o Templo do Rei Salomão e a Arca da Aliança (ou Caixa de Pandora), mas antes vou lhe dar um pequeno exemplo de como era fácil manipular as pessoas. Algumas décadas antes do rei Salomão alguns povos se revoltaram contra os impostos abusivos pagos a um imperador, que dizia cobrar esses impostos para construir novos templos para os deuses. Era uma época de pobreza. A colheita, por mais farta que fosse, terminava indo parar nas mesas dos ricos banquetes do imperador e seus súditos ilustres. Assim o povo resolveu fazer um boicote e parou de visitar os templos, parando também de levar oferendas de qualquer espécie. Preocupados, os sacerdotes dos templos foram ao imperador pedir para que ele libertasse o povo dos impostos, ao menos por
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uns dois ou três meses. O imperador chamou os sacerdotes de tolos, pois se o povo toma as rédeas uma vez tomará sempre e logo o imperador perderia também o seu poder. Um sacerdote astuto disse ao imperador que se libertasse o povo dos impostos por seis meses faria com que o povo pagasse esses impostos por livre e espontânea vontade mais tarde. Sem compreender o que o sacerdote imaginava o imperador perguntou como ele conseguiria tal feito. O sacerdote fez um acordo com o imperador. Disse que se o povo não pagasse os impostos o imperador poderia mandar enforcá-lo. Nos seis meses que se seguiram o povo voltou a se acalmar e já não estava mais revoltado. A plantação era boa, a colheita abundante e um pseudo-equilíbrio entre o imperador e o povo parecia começar a ocorrer, mas o povo ainda não retornava para os templos e suas oferendas. Ao final do sexto mês um estranho acontecimento mexeu com os alicerces do povo e do imperador. Todas as estátuas de um determinado deus amanheceram misteriosamente sem cabeça. Supersticiosas e cheias de medo, as pessoas acorreram aos templos temendo a vingança do tal deus. Fizeram vários sacrifícios e ofertas abundantes, tudo para aplacar a fúria do deus e assim, após um mês, para provar que não estava tão furioso, uma estátua do deus apareceu com a cabeça novamente. Acreditando ser um sinal divino o povo passou a adorá-lo ainda mais e dessa maneira davam aos templos praticamente o dobro do que davam ao imperador e faziam isso por livre e espontânea vontade. Assim os sacerdotes davam ao imperador a metade de tudo que recebiam para que ele mantivesse o povo livre de seus impostos, mas na verdade tudo não passava de uma falsa liberdade, assim como as estátuas dos deuses decapitados não passavam de uma força criada por um sacerdote muito astuto, que ofereceu ao povo uma liberdade fingida. Jesus, os Illuminati não foram criados justamente para manter o equilíbrio da Terra? Por que então estão causando desequilíbrio? Meu pequeno anjo, é fato que os Illuminati foram os seres escolhidos para manter o equilíbrio da Terra, porém o tempo vai mudando coisas que não deveriam ser mudadas, mas para que se realizem as profecias eles têm que permitir a mudança. Desde o princípio, quando os Guardiões da Verdade foram escolhidos, já se sabia que todas as profecias tinham que se realizar. Por essa razão esses guardiões vem se renovando até os tempos atuais e assim também preservam o primeiro nome que receberam: Illuminati. Na época de Akhenaton uma batalha foi travada entre dois Illuminati: Akhenaton e Septh (Ramsés). Depois Davi e Golias e mais tarde Salomão e a Rainha de Sabá. O que todos esses seres queriam era possuir o grande segredo do “Olho que tudo vê”, a Caixa de Pandora ou Arca da Aliança e na verdade todos a possuíram por um breve período. Mas o primeiro guardião não foi o arcanjo Samael ou Eller, o Senhor da Babilônia? Sim, essa história é real, mas não totalmente completa, meu querido anjinho. Eu vou lhe contar como tudo aconteceu. Após a destruição das três grandes civilizações (Atlântida, Lemúria e Shangrillá) o Sagrado Livro de Enoch e as 13 Chaves dos Mistérios ficaram a encargo de seu bisneto Noé, o herdeiro de sangue real (obs.: quem tinha sangue real era filho das três civilizações
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antigas), que só deveria passar essas relíquias aos seus três filhos. As 13 chaves foram divididas da seguinte maneira: 4 ficaram com Jafé, 4 com Sem e as outras 4 com Cão, porém Noé tinha que dar a 13ª chave somente a um dos filhos e ele escolheu Cão, o Senhor de Canaã. Ao fazer isto despertou a ira dos outros filhos, que amaldiçoaram o irmão e ele foi expulso para as montanhas do Gigarseu levando consigo as 4 chaves dos mistérios de Lemúria e a 13ª chave. Com seus irmãos Jafé e Sem ficaram as chaves de Atlântida e Shangrillá. A 13ª chave era a Chave do Conhecimento Absoluto, que deveria ser passada somente para os profetas escolhidos por Deus. Resumindo a história, os filhos de Noé herdaram toda a história e todo o conhecimento que possuíam as civilizações do passado. Cão ficou com a história e conhecimento de Lemúria e além disso herdou também a Chave dos Legisladores. Assim ele não só herdou a história e o conhecimento de Lemúria como também o direito de saber quem foram os legisladores da mesma, porém não eram apenas os legisladores de Lemúria que estavam inscritos naquele arcano. Cão sabia quais seriam os próximos legisladores da Terra, quais seriam os próximos escolhidos para liderar as três grandes civilizações formadas pelas 12 raças que habitavam nossa querida Terra. Cada filho de Noé carregava em seu pescoço um colar de couro com um pingente em forma de pirâmide com o desenho de um olho dentro dela. Isto fazia deles mestres das antigas civilizações ou senhores conhecedores dos mistérios do passado. Abraão viveu na segunda era de Áries após a destruição e herdou as chaves de Cão e Jafé. As de Sem foram para Ló, que mais tarde as transferiu para Abimeleque e é a partir daí que começou toda a confusão. Abraão teve um filho com Hagar, uma escrava egípcia. Ismael era seu nome. Abraão era descendente de atlantes, Hagar de lemurianos. Por isso Ismael, não sendo puro atlante, não podia receber a 13ª chave. Abimeleque era descendente atlante e tinha, por sinal, as chaves de Sem, mas Abraão tinha que possuir todas as chaves, segundo as revelações da 13ª chave. Sara era uma descendente atlante, mas não dava filhos a Abraão, porém o problema não era com Sara e sim com Abraão. Com medo de ser rejeitada e ter seu filho negado Hagar utilizava ervas para tornar Abraão estéril. Ele durante anos não percebeu as armadilhas de Hagar. Mais tarde, quando descobriu tudo, já era tarde. Nada mais podia fazer para reverter esse quadro, porém Abraão tinha Abimeleque como a um irmão e foi até ele, relatou o ocorrido, pedindo-lhe total sigilo de seu segredo e suas intenções. Abimeleque por sua vez achou melhor manter tudo em família. Ele teve um filho com Sara, que para todos deixou crer ser filho legítimo de Abraão. [Esta é só uma meia verdade, pois a história real eu contarei mais adiante, na pg. 185] Assim também deu a Abraão a chave que lhe faltava. Ele agora possuía a Aliança com Deus ou a Arca da Aliança. Ele agora tinha o conhecimento do passado e através dele podia conhecer até mesmo o futuro. Por ter os três colares das três grandes civilizações o povo passou a chamá-lo de Pai das Nações. Esse poder pesou muito sobre os ombros de Abraão, pois era freqüentemente perseguido pelas tentações do passado e de sua própria época. Após Isaac ter nascido de Sara Abraão passou a dar-lhe mais atenção do que a Ismael. Sara aproveitou para se vingar de Hagar e disse-lhe que seu filho Ismael não seria
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uma das colunas do Templo do Deus Único. Ferida pela ofensa de Sara Hagar vai até Abraão e avisa que vai partir, pois sabe que não é mais bem vinda na casa do seu Senhor. Antes que ela se vá Abraão vai se orientar com Deus e eis que as três pirâmides de seus colares se unem e o Olho da Verdade se abre diante dele. Abraão é orientado a dar um colar a cada filho e quebrar o terceiro colar ao meio, dando uma metade a cada um deles, porém o Sagrado Livro do Conhecimento, chamado de 13ª chave, deveria ser passado somente para Ismael, que mais tarde foi chamado de Camael, Samael ou Eller. Para fazer isso sem levantar suspeitas e a revolta do povo e nem de Sara Abraão tinha que expulsar Hagar e seu filho para o deserto, tirando-os do convívio com o seu povo. - Abraão chamou Hagar e Ismael e lhes entregou a chave, o colar e a metade do terceiro colar e disse a Ismael: “Tu serás pai de 12 príncipes, que serão donos de 12 grandes nações. Tu firmarás a primeira pilastra do Templo de meu Deus. Tu agora serás o primeiro príncipe dos Illuminati. Por isso teu nome deve carregar as duas colunas unidas e não mais separadas. Eu, Abraão, uni em honra a meu Deus as duas colunas colocando nos nomes de meus filhos a primeira letra que constitui a Verdade de meu Deus (Illuminati): Isaac e Ismael. Por isso, meu filho, darei a ti em segredo o nome de um anjo, Eller (no hebraico Relle ou Hylle). Tu deves partir para o deserto até a Terra de Gigarseu, onde encontrarás as montanhas dos últimos Filhos dos Céus. Lá tu encontrarás um homem chamado Golahá. Deves dar a ele a 13ª chave e ele te instruirá sobre o que fazer.” - Assim Ismael foi até o homem de que seu pai lhe falou. Vagou no deserto com sua mãe por vários dias até encontrar as montanhas dos Filhos dos Céus, onde achou, para sua surpresa, o gigante Golahá. Era um homem muito alto, chegando a amedrontar Ismael. Diante do gigante Ismael perguntou: - Quem és tu? O gigante respondeu: - Meu nome é Eller e tu, quem és? - Eu sou Ismael, filho de Abraão e vim em nome do Deus de meu pai. - Tu és aquele que recebeu o meu nome. Portanto deves te anunciar a partir de hoje como Eller, o bode expiatório da nova Terra. Teu pai Abraão é o último rei da era ariana, a era do reinício da Terra. Tu, Ismael, serás para a Terra uma das pilastras do Templo de Deus, mas para que tu possas ser essa pilastra deves aceitar as condições do Divino Pai. Em primeiro lugar vou te explicar o que é ser uma pilastra do Templo de Deus e depois tu dirás se aceitas este fardo. Desde o princípio da criação da Terra eu tenho feito as vezes da pilastra da esquerda do Templo de meu Pai. Há muito tempo venho guardando o fogo sagrado de meu Pai e libertando suavemente a luz sagrada dele aos seres humanos para que possam evoluir, encontrar a sabedoria verdadeira. Dai-me agora a 13ª chave e te mostrarei o que é isso. Ismael passou a 13ª chave a Golahá e este fez surgir diante de Ismael uma luz tão forte que quase o deixou cego. Aos poucos a luz foi diminuindo e dentro dela podia-se ver suavemente um livro aberto. Golahá disse a Ismael: - Este é o Livro das Eras de Todos os Tempos e Todas as Coisas e o Livro de Saturno, o Athanatos (ou Imortal), o anjo do sábado e da conclusão. Neste livro está
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escrito como tudo foi criado e feito, mas isto que estais vendo não é um livro comum. Nele se escondem os segredos da vida e da morte, do bem e do mal, da cura e da doença e muito mais. Neste livro estão escritos todos os dias da Terra do começo ao fim de sua evolução planetária e tudo que aqui está escrito não será mais alterado, apenas aperfeiçoado. Eu e outros como eu oferecemos todo este conhecimento à humanidade, porém as três grandes civilizações se utilizaram desse conhecimento para destruição e proveito próprio. Não ouviram os avisos dos profetas e acabaram por destruir a si mesmas. Por essa razão é que eu ficarei com a 13ª chave. Assim as três grandes civilizações não mais poderão ser construídas. Agora uma grande civilização deve voltar a povoar a Terra, porém a sabedoria e o conhecimento das coisas divinas não deve ser abandonado e é por isso que eu ainda estou aqui. No passado eu fui chamado de Lucífero, de Prometeu (o ladrão do fogo de Deus, de Vênus, a estrela flamejante caída), mas eu não fui o único a receber tal nome. Todos os outros que desceram dos céus para instruir a humanidade tiveram muitos nomes. Todos nós que descemos do céu trouxemos junto uma bola de fogo nas mãos e esta bola de fogo era a sabedoria divina que deveríamos ensinar à humanidade. Ao passarmos este conhecimento à humanidade nos tornamos prisioneiros dos nossos erros, que nos acorrentaram aqui na Terra até que a humanidade venha a compreender nossa função de professores dentre eles. Eu, meu pequeno Ismael, sou o último representante dos nascidos dos céus. Minha missão é guardar os mistérios da criação até que venha aquele que deverá me substituir. Já não falta mais tanto tempo para isso, pois farei uma aliança com 12 seres humanos apontados pelo meu Pai e esses 12 farão alianças com outros até que meu mestre chegue e enfim dê sabedoria a todos. De ti, Ismael, nascerão 12 príncipes, porém tu receberás de Deus o 13º príncipe. Ele será tal qual um anjo sem ser. Ele tu deves reconhecer como um rei, pois ele o será. Ele já nascerá sábio, pois o saber já está em sua alma. A ele tu darás a mesma herança que teu pai te deu: os colares com a pirâmide e sua metade. O resto ele saberá. Este teu filho será um faraó nas terras do Egito e ensinará o povo a reconhecer o Deus único e Deus o chamará de Akhenaton. Entretanto da parte do teu irmão Isaac também nascerá um escolhido, mas ele não será filho de teu irmão, mas filho do filho do teu irmão (neto dele). Teu irmão terá filhos gêmeos, Jacó e Esaú. De Jacó nascerão 12 príncipes, porém um 13º será o escolhido. Muitos o chamarão de José, mas Deus trocará seu nome no futuro para Levi, pois um dos 12 príncipes já se chamará José. No futuro muitos afirmarão que foi o príncipe chamado José que recebeu a sabedoria divina, porém poucos saberão a verdade. Levi será um sábio nascido e partirá para o Egito, onde será faraó, pois carregará no peito a herança de seu avô Isaac e no Egito ele será chamado de Hermes Trismegisto = Zafenate Panéia, pois terá herdado também a herança que pertenceu a Akhenaton e assim terá o poder completo e a muitos ele ensinará. Assim ele formará uma nova nação, que muitos chamarão de levitas, mas eles não serão bem aceitos pelas outras tribos, pois seus costumes serão diferentes e desagradarão as 12 tribos criadas pelos filhos de Jacó. Jacó ficará triste e sofrerá por ver seu filho querido ser negado pelos outros irmãos. Então Jacó virá a ti pedindo-te que dê terras para esta nova nação. Tu então nada negarás a Jacó, pois é teu sobrinho, sangue do teu irmão, porém lembra-te que quando chegar este tempo eu travarei uma batalha com Jacó para fazê-lo merecedor de tuas terras e ele acreditará ter lutado com Deus. Em tuas terras só podes permitir a entrada de levitas, pois só eles serão no futuro guardiões do tabernáculo sagrado do grande rei sábio. Eles serão como andarilhos que irão peregrinar a Terra anunciando a chegada de um legítimo irmão meu, que será chamado de Messias.

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- Ismael, agora tu já sabes o destino até onde deves saber. Como já te disse, tu és uma das pilastras do Templo de meu Pai e o teu irmão é a outra pilastra, mas devo te advertir que serás o rei da Babilônia e por mim tu te passarás. Irão te chamar de Eller, de Zaziel, Prometeu, Samuel, etc. Isto tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que os seres que chegarem a aprender o que tu tens a ensinar se multiplicarão e ensinarão a tua Verdade a muitos outros, porém aqueles que não te compreenderem te odiarão e te verão como a face do pecado e no futuro muitos nomes tu ganharás, muitos sacrifícios serão feitos para te afugentar e a primeira estória que irão contar a teu respeito mostrará tua mãe Hagar sendo enxotada para o deserto carregando um bode como companhia. Dirão que Abraão, teu pai, fez isto a mando de Sara, que para expiar os pecados expulsou a ti e a tua mãe para o deserto e por muitos e muitos anos esta estória será repetida pela boca daqueles que não compreenderão a sabedoria que tu irás ensinar. Sendo assim, muitos anos se passarão e as profecias de Golahá se realizarão. - Jesus, por um acaso Golahá é Golias? - Sim, meu pequeno, Golahá é o famoso gigante Golias. Muitos seres acreditavam que Golias era um dos gigantes atlantes que havia sobrevivido à destruição das três grandes civilizações. De fato Golias assumiu a aparência de um atlante para viver melhor entre os seres humanos, pois ainda existiam atlantes legítimos, sobreviventes da destruição e os atlantes, como se sabe, podiam ter até 5 m de altura (sendo os shangrillês de até 3 m e os lemurianos de até 2 m), mas esses eram poucos, pois a era de Abraão já não tinha mais muitos desses seres. Eles viviam uma vida longa como Matusalém e os poucos que sobreviveram já estavam com mais de 400 anos. O que era considerado o final da vida para uns para estes sobreviventes era a maturidade. Na verdade o mundo hoje se impressionaria ao ver uma criança atlante, pois aos 75 anos um atlante ainda carregava a aparência de uma criança de 10 anos dos tempos atuais. Mas voltando ao assunto principal, nosso amigo Golias de fato era o último sentinela que habitava a Terra naqueles tempos. Ele trocou de nome e tamanho para se adaptar ao novo mundo e para não ser reconhecido como um dos 9 sentinelas que vieram quando esta era constituída por três grandes civilizações, porém a transformação deste nosso amigo celeste não foi nada fácil. Na primeira era do primeiro milênio da nova Terra (após dilúvio) nosso amigo sentinela estava morto, soterrado debaixo de gigantescas montanhas de pedras. Seu nome sagrado era Garivaram. Ele era o guardião dos segredos divinos da criação da vida e da morte e de todo o infinito. Alguns feiticeiros descendentes das antigas civilizações reanimaram o sentinela para que este lhes contasse os segredos da imortalidade. Acorrentaram o sentinela com correntes mágicas e rituais de magia e o forçaram a confessar alguns segredos. Depois de sofrer nas mãos dos feiticeiros nosso amado Garivaram deu à humanidade o castigo merecido. A Terra mal acabara de ser destruída e o pouco que restava ainda brigava para não perder o poder. Foi nesta época que ele ficou conhecido como o Anjo da Morte ou Azaziel, destruindo Sodoma e Gomorra, que na verdade era a herança nefasta das três civilizações. Foi então que os segredos da sabedoria passaram a ser renovados através de Ló e Noé. Depois disso Garivaram trocou de nome e aparência, pois ainda não tinha terminado sua missão na Terra, porém os
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verdadeiros iniciados sabiam quem de fato era Garivaram. Ele se disfarçou novamente para que todos os feiticeiros curiosos se mantivessem distantes do nosso amado irmão, o arcanjo mensageiro da saraiva divina, o arcanjo das guerras, o devastador, a espada da saraiva divina (espada esta que o rei Davi herdou) e assim o nosso irmão celeste viu cumprir-se o destino dos colares sagrados. Depois de Zafenate-Panéia (Hermes Trismegisto, Levi), erroneamente chamado de José, o outro herdeiro da 13ª chave foi Aarão. Veja, meu anjinho, que todos os que chegaram a possuir as 13 chaves do conhecimento nasceram dentro dos tronos da sabedoria e foram faraós adoradores de um só deus: Akhenaton, Zafenate-Panéia e Aarão, tirando Aarão, que não chegou a ser faraó, mas foi considerado um príncipe. Akhenaton e Zafenate-Panéia chegaram a ser faraós. A diferença é que Akhenaton impôs o seu Deus único ao povo e o nosso Levi / Zafenate-Panéia foi um faraó sem sentar no trono, mas isso não o impediu de passar a doutrina da Verdade única a muitos adeptos. Por isso ficou mais conhecido no Egito como o Mensageiro dos Deuses, pois podia decifrar os sonhos e as mensagens enviadas ao homem por Deus. Depois de Aarão veio Davi, o assassino de Golias ou Golahá e é agora que tudo fica muito complicado e confuso, pois a humanidade não foi capaz de compreender o que estava diante de seus olhos. Como na mitologia grega Zeus é pai de Hércules, Golias é pai de Davi com uma diferença. Davi não sabia que Golias era seu pai. Já na estória de Hércules ele sabia que Zeus era seu pai, porém a mitologia grega é somente uma lenda a mais sobre a verdadeira história de Davi. Só não vê as semelhanças entre as estórias de Hércules e Davi quem não quer, mas para quem não deseja ver o tempo ainda lhe abrirá os olhos. Mas para ti, meu querido anjinho, vou contar como tudo se passou. Durante muitos anos Golias ou Golahá foi tido como um oráculo divino e de fato era. Ele então instruiu os sábios das montanhas para que fossem atrás de um casal escolhido por Deus, pois eles seriam os pais do homem que viria para substitui-lo. Os sábios perguntaram a Golahá porque Ele havia escolhido uma casa que habitava a região do povo pequeno. Por que não escolheu um ser da terra dos gigantes? Golias disse: Para o meu Pai não importa o tamanho do homem, mas o tamanho do seu coração. Além disso eu não sou atlante, lemuriano ou shangrillê. Sou um sentinela e se for mostrar minha verdadeira face e tamanho as nações estremeceriam diante de mim. Os sábios das montanhas foram orientados a levar o casal até Golias e este lhes fez as revelações divinas do que ia acontecer. Eles, intrigados com tudo que ouviram, questionaram o fato de virem a ser pais de um ser celestial. Golias disse: Esta é a parte mais simples. Eu juntarei meu sangue ao de vocês e darei ao ser que vai nascer apenas a virtude da força e da liderança, porém este ser jamais deve saber que sou seu pai ou que é parte de mim, pois cabe a vocês a responsabilidade de criá-lo e prepará-lo para que no futuro ele me liberte de minha sina. Assim Golias misturou magicamente sua formação genética com a de seres humanos normais. Davi nasceu uma criança completamente diferente das
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outras crianças. Aos dez anos de idade já era mais forte que qualquer homem, sabia caçar, pescar e cultivar a terra. Vendo o povo que Davi era muito forte e diferente foram até seu pai e lhe pediram que Davi fosse o herdeiro do trono. Para encurtar a história Davi lutou contra leões e gigantes remanescentes de Atlântida, porém sua luta lendária foi com Golahá (Golias). Sem saber que Golahá de uma forma ou de outra era seu pai Davi foi levado até ele quando ainda era adolescente e foi instruído nos mistérios da Árvore da Vida, do Livro de Enoch. Quando Davi foi proclamado rei (faraó) Golahá resolveu que era hora de partir da Terra e transferiu a Davi a 13ª chave, mas sua tarefa não era tão simples assim. Davi não podia fazer mau uso desse poder nem usá-lo em benefício próprio (luxúria). Deveria instruir o povo e orientá-lo no caminho da evolução, porém como o poder é algo difícil de se ter e se controlar, Davi utilizou-o para conquistar terras e destruir seus oponentes. Na Terra não havia um ser que não fosse descendente das 12 tribos e toda vez que uma tribo era atacada outra tribo era saqueada. Por conta das guerras as tribos viviam em conflito. Todas disputavam terras, animais e mulheres. A tribo mais temida e a mais odiada era a dos ‘levitas’, que tiveram o nome trocado numa época por causa de um conflito de terras e foram chamados de ‘leviatãs’, o que mais tarde foi tido como nome do mal ou coisa parecida. Existiu também uma cidade de levitas chamada Leviatã. O problema é que este nome nunca foi explicado e terminou se tornando símbolo das trevas. Na verdade os levitas, por serem a 13ª tribo, não eram bem vistos ou bem quistos e as lendas sobre esta tribo e seu povo eram sempre criadas com obscuridade, heresia e crueldade. Na verdade os levitas aceitaram essas lendas, afinal isso mantinha os curiosos distante dos segredos que eles protegiam. A doutrina dos levitas não é como a das outras tribos, obviamente por ter sido criada por profetas sábios de nascença (seres que nasciam com os dons). Não é que isso não acontecesse nas outras tribos também, mas entre os levitas era em maior número. Durante anos Davi construiu seu império às custas de muitas vidas, chegando até mesmo ao ponto de cometer os mesmos erros de seus antepassados. Davi, como alguns de seus antepassados, mandou perseguir e matar videntes que previam o futuro, pois temia que ao serem consultados por seus inimigos revelassem que ele era o novo guardião do poder. No passado grandes homens perseguiam e matavam os videntes para que esses não revelassem os propósitos dos primeiros legisladores, mas não só isso. Em menos de 1.000 anos após a destruição os videntes, sábios e profetas já começavam a doutrinar o povo com os antigos segredos de sabedoria das três civilizações destruídas. Vendo que no passado as coisas não foram bem sucedidas os legisladores deste novo tempo passaram a reservar a sabedoria somente para escolhidos e estes também teriam seus escolhidos. Assim a verdadeira sabedoria seria passada de geração em geração, mas sempre com o firme propósito de manter o povo sob rédeas curta. Dessa maneira as tribos fizeram um tratado chamado de “O Tratado das 12 Tribos”. Os levitas foram excluídos propositalmente, afinal os conceitos de sacrifícios e outras normas não agradavam muito essa tribo, mas o que ninguém imagina é que foram os próprios levitas os criadores de algumas das leis que constavam desse tratado e não vamos nos esquecer que este tratado foi criado na época
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de José do Egito (Zafenate-Panéia, Levi ou Hermes Trismegisto). O príncipe levita criou o “Tratado dos Illuminati”, criando o conceito de que a pirâmide era construída de cima para baixo. Ele quis dizer que a sabedoria desce do alto para se firmar embaixo. Nosso Zafenate-Panéia também foi o líder da 13ª tribo, criada por ele. Quando criança Zafenate-Panéia sonhou com 12 estrelas ao redor de sua cabeça, sendo ele a 13ª e um dos que tiveram acesso à 13ª chave. Os levitas foram a tribo que mais obteve terras, porém nos livros sagrados a estória contada é outra. Dizem que foram dados a eles pelas outras 12 tribos alguns pequenos pedaços de terra. De certa forma isso é bom, pois mantinham-se afastados aqueles que tinham o poder da ganância. Assim confirma-se que Davi era da linhagem levita por parte de pai e mãe e por parte de Golahá que, como já expliquei, era um remanescente da 13ª tribo original. A Terra foi composta por 12 tribos, que formaram as três grandes civilizações. Os seres celestiais criaram sua própria tribo, a 13ª. Voltando a Davi, ele fez a aliança com Golahá, mas não cumpriu o trato como havia sido firmado. Golahá, que havia dado a Davi a Aliança com Deus, não gostou de ver o mau uso que ele fez desta aliança, mesmo porque Davi, sendo levita, estava agora atacando os profetas de sua própria tribo e das outras também. Em suma, muito sangue foi derramado desnecessariamente. A genética de Davi havia sido alterada e seus instintos e comportamento verdadeiros só se mostraram quando ele possuiu o poder. Ele se tornou um homem descontrolado, que tentou impor sua vontade a qualquer custo, o que terminou por levar muitos de seus homens a guerras e à morte. Golahá, por saber que isso iria acontecer, chamou Davi e disse-lhe que tiraria dele as Chaves da Sabedoria, pois enquanto ele não controlasse seus inimigos internos (instintos) não poderia ter um poder tão grande em suas mãos. Davi se aliou secretamente a alguns seres que pertenciam ao povo gigante e armou uma emboscada para Golahá. A intenção não era matá-lo, mas apenas obter de volta os colares. Golahá, que sabia de tudo, surpreendeu Davi arrastando-o para dentro de sua caverna sem que os outros vissem. Lá dentro ele explicou a Davi: Você jamais terá este poder novamente, pois a 13ª chave é algo muito poderoso para ficar nas mãos dos homens, porém é vontade de meu Pai que este grande segredo permaneça em tua família, Davi, mas para que isto se torne realidade tu deves me libertar da minha condição de mortal, pois para obter esta forma que hoje tenho eu fui reanimado da morte para a vida física. Eu morri com as três grandes civilizações e na Nova Terra sábios remanescentes do passado me trouxeram de volta à vida, mas fizeram isso usando o sangue humano com o sangue sagrado da natureza (mandrágora). Assim eu me tornei matéria viva e já há quase dois mil anos eu habito a Terra Nova. Para fugir daqueles seres eu usei a magia sagrada, mudei meu tamanho, pois era muito superior ao atual, e me assemelhei aos últimos seres que tu chamas de gigantes. Desde então venho renovando a Aliança de Deus com os homens, mas agora o Pai já me absolveu dos meus erros e não preciso mais renovar esta aliança, pois tu tomarás o meu lugar. Sendo assim eu te revelarei a Verdade. O Pai criou 12 chaves, 3 pirâmides sagradas e uma 13ª chave. As 12 chaves representam as 12 tribos que desceram para habitar a
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Terra. Elas abrem os arquivos onde está relatado tudo sobre as tribos desde o princípio da criação até a descida para a Terra, tudo que aqui viveram e viverão. As 3 pirâmides são as chaves dos segredos das três grandes civilizações e todo o poder que elas tiveram. O homem que as possuir terá o controle da humanidade. Por isso raros foram aqueles que já tiveram essas relíquias sagradas em seus peitos. Zafenate-Panéia foi chamado de “o três vezes grande= Trismegisto”, pois possuiu este conhecimento além da 13ª chave, o que fez dele, meu bom Davi, um ser celestial como eu. A mãe de Zafenate-Panéia não podia ter filhos, porém ela era amada e adorada pelo marido Jacó, que já sabia da minha existência e me procurou pedindo-me uma maneira para ajudar sua amada a conceber um filho. Ela vivia triste, pois teve que ver as outras esposas de seu marido darem a ele muitos herdeiros. Eu firmei um acordo com Jacó. Disse a ele: Farei tua esposa fértil, porém o filho que tiveres com ela será como a boca de Deus a falar ao homem. Será um sábio de grandeza na alma e por ser tão brilhante ele será negado pelos outros irmãos que, por inveja de seu saber, o excluirão. Apesar disso ele será o Príncipe dos Iluminados da Nova Terra e do novo tempo. Ele fará tudo como fora no passado quando as três grandes civilizações existiam. Estas tinham 13 senhores chamados de Illuminati, pois eram de fato os representantes mais sábios de cada tribo. A princípio Illuminati era um nome dado apenas aos seres celestiais (anjos caídos). Tu, Davi, também és um Illuminati como Jacó, Isaac e outros, mas não podes ser o Príncipe dos Illuminatis, pois poucos tiveram essa missão dolorosa e difícil. Akhenaton passou pelo mesmo processo que Zafenate-Panéia. Ambos nasceram de maneira misteriosa, porém as 12 chaves já foram praticamente distribuídas e aqueles a quem as confiei também as confiaram aos profetas escolhidos, que são instruídos desde criança a respeitar e guardar esses segredos, que só devem ser passados adiante para seres também escolhidos e instruídos da mesma forma. O povo chama esses seres de Tenains, rabinos, sábios, profetas, escolhidos por serem capazes de compreender esta sabedoria. Para que esta sabedoria permaneça na tua família, Davi, tu deves me trazer dois de teus filhos para que eu os ordene IIIuminatis. Deves me trazer aquele que tem a fama de ser “o Belo”, mas que também é justo, e deves me trazer também Salomão, aquele que herdará teu trono, porém tu não podes fazer isso antes que eu morra, ou melhor, antes que tu me mates. Entretanto neste mundo não há nada que possa me matar, mas eu trouxe do mundo celestial a única arma que pode me ferir: minha espada. Esta irá te pertencer e sob teus cuidados a deixarei e tu a deixarás aos cuidados daquele que Deus te indicar. Para que se cumpra a vontade de meu Pai eu sairei para fora e me farei vitima da tua emboscada. Estarei rendido quando tu me apunhalares o peito com a minha própria espada. Então Golahá saiu da caverna e os homens gigantes o atacaram, puxaram-no pela longa trança de seu cabelo, amarraram suas mãos nas costas e depois amarraram-lhe os pés. Davi surgiu com sua espada e olhando nos olhos de Golahá estremeceu. Não era sua vontade fazer aquilo. Golahá era o último oráculo vivo, era um filho celeste de Deus. Golahá o olhou profundamente nos olhos, fazendo Davi ouvir seus pensamentos:
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Faça-o Davi, faça agora ou seus aliados gigantes deixarão de crer em você. Davi então enfiou no peito de Golahá sua própria espada. Golahá não soltou nem um gemido. Caiu de joelhos com um ar de alivio no rosto. Temendo uma guerra Davi e os homens gigantes fizeram uma profunda cova e sepultaram o corpo de Golahá. Desamarraram-lhe os pés e as mãos antes de enterrá-lo, mas quando ele foi jogado na cova um de seus braços quebrou-se, ficando por trás de suas costas. Agora Davi tinha que rezar para ninguém descobrir que ele era o assassino do ultimo oráculo divino e tinha que rezar para Golahá voltar como havia prometido. Mas havia ainda outro problema. Absalom (o Belo), filho de Davi, não compartilhava mais de sua convivência. Davi o havia expulsado de seu palácio, pois ele havia matado justamente um de seus irmãos, que violentara a irmã. Rancoroso com a atitude de Absalom Davi o banira para fora de seu convívio, porém Absalom era um ser justo e sábio. Na época em que seu irmão cometeu o crime de violentar a irmã ele relatou a Davi o ocorrido e Davi nada fez para corrigir o mal feito. A jovem violentada passou a ser negada pelo seu violentador, que depois de possuí-la tomou nojo e raiva de sua presença. Ela passou a ser rejeitada pelas outras irmãs e nem mesmo podia se sentar à mesa junto delas. Em suma, era como se ela tivesse provocado aquela situação. Um ano se passou. A jovem ficou muito magra, triste e fraca, vindo a ter uma tristeza profunda e incurável, deixou de falar e praticamente não reconhecia ninguém, exceto Absalom, que ao ver a irmã naquele estado fez justiça com as próprias mãos, porém isso era um desrespeito aos códigos da casa de Davi. Porém Davi, como grande parte dos homens daquela época, e até dos tempos atuais, dava mais valor aos filhos homens, pois eram eles os herdeiros do nome e da linhagem dele. Absalom não concordava muito com as regras do pai, que defendia apenas os homens e pouco se importava com as mulheres. Criou então seu próprio reino e declarou guerra a seu próprio pai. Era isso que Davi tinha que resolver, e sem derramar sangue, mas Davi não teve muita dificuldade em alcançar seu intento. Armou uma armadilha para Absalom usando a irmã que ele tanto amava. Mandou dizer a Absalom que sua irmã agonizava à beira da morte e chamava por seu nome. Comovido, Absalom foi até sua irmã, mesmo sabendo que não seria bem-vindo pelo seu pai. Lá Absalom foi surpreendido por homens fortes que já o esperavam, porém de fato sua irmã estava para morrer. No dia certo Davi levou seus dois filhos até a caverna de Golahá e teve uma surpresa ao encontrar seu amigo Hiram, rei de Tiro. O que fazes aqui, ó senhor de Tiro? O mesmo indago a ti, rei Davi. Golahá surgiu diante dos homens brilhante como raios de sol, ofuscando a visão dos presentes. “Fui eu que, em nome de meu Pai, os chamei aqui”, disse. Quando a luz se acalmou os homens puderam ver a figura luminosa de Golahá, que agora tinha uma aparência tão bela e pura que causava uma certa vertigem e sono nos seres que ali se encontravam. Davi, tu me trouxeste Absalom, o Belo, sábio e Salomão, o Prudente, juiz, porém tu deves entregá-los a Hiram para que ele ensine a teus filhos a sabedoria do Livro Sagrado de Enoch, que dei a ele. Ele é o último ser a quem foi confiado este livro. Teus filhos vão aprender a Verdade, porém
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somente Absalom poderá reescrevê-lo, copiá-lo. Na verdade Absalom passará alguns anos copiando este livro, pois Salomão irá precisar dele num futuro muito próximo. Para o povo tu deves dizer que teu filho Absalom morreu em guerra, pois ele não deve mais ser visto. Seu nome será trocado por Jonkins (aquele que estabelece a ordem). Salomão também terá seu nome trocado, mas não será como Absalom. Salomão só usará seu novo nome comigo e com seres que não são humanos. Eu o chamarei de Boaz (aquele que estabelece o poder). Em nome de teu filho Absalom tu edificarás uma grande pilastra (coluna). Fará isso para que teu povo saiba que tu honras o filho morto, mesmo que ele já não estivesse mais em tua casa. Essa também será uma maneira do povo crer que Absalom morreu. Hiram ensinará a teus filhos como ter sabedoria e como usá-la de forma sábia. Enquanto isso, Davi, tu deves dar início à construção do templo que receberá o Deus vivo, mas lembro-te que tu não terminarás esta construção, pois muitos anos levará para se edificar o Templo de meu Pai e tu fizestes mais inimigos que supõe tua imaginação. Por isso vives em conflito e guerras constantes, massacrando os outros povos e o teu próprio. Por isso, Davi, tu não te fizestes merecedor daquilo que viestes me roubar, porém existe bondade em teu coração e por isso eu te dei minha espada e esta te será muito útil nas tuas últimas batalhas. Quando estiveres perto do fim deves trazê-la a esta caverna e te mostrarei secretamente onde deves guardá-la, pois tu voltarás a precisar dela quando Deus ordenar teu retorno à Terra. Agora vá, Davi, e cumpra as ordens de meu e vosso Pai. Tudo se passou como Golahá havia dito. Salomão e Absalom foram para a casa de Hiram, filho de Nagaret Abïf (Hiram também foi chamado de Hiram Abïf, Abraão Melim ou Abramelim), que ensinou os segredos do Livro de Enoch a Salomão como havia prometido a Golahá. Absalom estranhamente não precisava das instruções de Hiram, pois ao passo que ia copiando o livro sagrado também o compreendia. Hiram deduziu que ele era um sábio nascido, que possuía o conhecimento na alma. Hiram se afeiçoou tanto a Absalom que o tomou como filho de seu próprio sangue e o mesmo sentimento e respeito surgiu de Absalom por Hiram. Os anos se passaram e Davi morreu. Salomão assumiu seu lugar tornando-se um novo rei com novas leis e ordens, bem menos ofensivas e duras que as de seu pai, mas com certeza muito mais eficazes. Todos acreditavam que Salomão fosse o novo representante da Sabedoria Suprema, ou seja, que ele era o novo Príncipe Illuminati, aquele que possuía a 13ª chave, mas a verdade é que o professor, o mestre de Salomão, Hiram, era o Príncipe Illuminati e todo o poder de Salomão era apenas um reflexo do poder de Hiram, que manteve secreto o fato de ser um filho legítimo de Atlântida. Golahá ressuscitou Hiram quando procurava num cemitério sagrado os ossos de um ser que tivesse vivido em Atlântida. Golahá encontrou uma múmia de uma mulher grávida e tudo que ele precisava era de um ser que não tivesse lembranças de Atlântida, mas que tivesse sangue legítimo. Golahá analisou a vida daquela mulher e viu que ela era uma sacerdotisa que sobreviveu à destruição das três grandes civilizações e que profetizara seu próprio destino. Ela sabia que iria morrer, porém deixou sua vida escrita em linguagem atlante e em seu relato ela dizia: “Meu mundo
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será destruído, meu povo desaparecerá e toda a sabedoria sumirá da Terra. ‘O Divino Infinito É’ (Deus) pediu-me para ter um filho da luz de sua sabedoria. Ele deu-me uma semente pura, sem homem algum para me fecundar. Sei que morrerei e não verei meu filho nascer, mas muitos anos passarão e pelas mãos de um anjo a Terra meu filho verá.” A mulher se chamava Nagaret Abïf. Golahá observou que ao tocar a barriga da múmia esta passou a pulsar como se nunca tivesse morrido, porém a múmia não tinha reação alguma. Somente seu ventre habitava a vida e assim Golahá, usando as palavras sagradas, fez nascer Hiram Abïf e logo que o bebê nasceu o corpo de sua mãe virou cinzas. Hiram foi dado a uma família nobre, que guardou o segredo de Golahá, porém toda a sabedoria de Hiram lhe foi dada por Golahá, que o instruiu desde muito pequeno. Assim Hiram foi o maior sábio velado de sua época. Salomão, que muito estimava a sabedoria de Hiram, pediu-lhe que o ajudasse e o instruísse na construção do Templo de Deus, que já tinha sido iniciado, mas ainda faltava muito para ser finalizado. Hiram era um ser que trabalhava pela ordem, pelo poder e acima de tudo pelo dever cumprido. Ele criou regras para os homens, organizando-os em grupos de acordo com a profissão. Cada um receberia pela sua função, o que serviria para pôr ordem na situação naquele momento e possibilitaria um controle maior dos gastos. Os homens da época de Davi recebiam por grupo que trabalhasse mais e nem sempre eles eram honestos. Terminava sempre em briga e injustiça. Um grupo ameaçava o outro e às vezes chegavam a matar para ter maior credibilidade perante o rei e assim também poder ganhar mais. Hiram separou a classe de pedreiros e deu a eles um passe e uma marca que cada um deveria usar como assinatura. Assim seria mais fácil saber quem de fato executou determinado trabalho. Com o grupo de mestres-de-obra, com os engenheiros e os arquitetos ele fez o mesmo. Dessa maneira o trabalho passou a render muito mais e a ordem adentrou aquela construção sagrada. Praticamente não havia brigas ou fraudes, porém havia o eterno grupo de insatisfeitos, que não admitiam as regras de Hiram e tramavam uma maneira de mudar aquela situação. Hiram aplicou a Lei do Justo pelo Justo, nada mais nada menos, e a única maneira de quebrar essa regra era ter as senhas (passes) e as assinaturas daqueles que estavam num nível acima. Para obtê-las os insatisfeitos espreitaram Hiram e então o espancaram para que ele desse os passes e as assinaturas. Hiram morreu sem fazê-lo. Os assassinos, vendo o que haviam feito, tentaram encobrir o crime enterrando o corpo de Hiram embaixo dos escombros da construção. Semanas se passaram e o rei Salomão procurava por Hiram sem saber onde encontrá-lo. Desespero maior era o de Absalom, que sentia em seu peito o aperto da morte daquele que tinha como pai. Numa noite, enquanto orava a Deus para encontrar Hiram Absalom recebeu uma visão profética de Golahá dizendo: “Procura teu pai/mestre embaixo da sombra de uma árvore de romã, mas nos jardins de Salomão tem muitas dessas árvores. Tu deves deixar te guiar pelo aroma doce e puro das acácias, que se deixam proteger por essa árvore. Vá logo, Absalom. Vá antes que a lua mude, pois se não achares Hiram a tempo ele perderá a vida.” Absalom saiu madrugada adentro ao encontro de Salomão que, atento ao sonho do irmão, juntou 33
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sábios de confiança para fazer o serviço. Duas horas mais tarde os sábios voltaram com o corpo de Hiram, que já estava em decomposição. Absalom, que era sábio nascido, pousou a mão sobre as feridas de Hiram e viu seus assassinos e até mesmo como eles haviam procedido. Mas não foi só isso que ele viu. Absalom viu que Hiram era conhecedor da fonte que jorrava a “água da vida”, porém esta fonte era muito longe e ele não sabia como chegar tão depressa àquele lugar (as três pirâmides do Egito estão acima desta fonte). Foi então que ele resolveu usar o conhecimento do Livro de Enoch. Usou a magia da teleportação, enfrentou seu pior inimigo (o medo) e recebeu 100ml da água que corria livremente de uma pequena nascente à beira de uma bela árvore. Do outro lado havia um riacho de lama escura (era o rio da Morte), que nascera à beira de uma árvore seca, porém em um determinado ponto as raízes das duas árvores se cruzavam harmoniosamente. Absalom compreendeu que a vida e a morte eram cúmplices da trajetória humana na Terra. Ele levou a água até Hiram e com a ajuda de Salomão trouxe o grande mestre de volta à vida. Hiram despertou do mundo dos mortos mais uma vez, porém as marcas da ignorância de seus agressores permanecia em seu peito e sua face. Não ferimentos abertos, mas cicatrizes, que Hiram explicou da seguinte maneira: Essas são as marcas e provas de que a ignorância e a ganância pelo poder não aceitam e nem respeitam medidas nem ordem, mas também são as marcas de que o poder, a ordem e o dever não devem ser corrompidos, pois se assim fosse essas marcas não estariam aqui. Se me queres trabalhando para ti, Salomão, eu farei golems (golem é um homem feito de barro e animado por magia) para que sejam meus engenheiros e arquitetos. Não usarei teus homens para construir as partes secretas do templo, pois eles provaram não merecer confiança e além disso não estamos mais vivendo os tempos de teu pai. Por que dizes isso, ó sábio Hiram? – perguntou Salomão. Antes de ti e teu irmão se tornarem aprendizes meus o último anjo caído ensinou a Davi uma maneira de não sacrificar mais os seus homens. Naquela época teu pai, o rei Davi, pediu a cem homens que construíssem vários corredores subterrâneos. Todos levavam a uma armadilha, um abismo escuro e profundo de onde ninguém jamais saiu vivo, mas um desses corredores dava para o rio e esse era usado pelo rei quando fugia de seus inimigos. Na verdade o rei não fugia de seus inimigos. Ele os atraía para esta armadilha subterrânea de onde só ele conhecia a saída. Era um labirinto e para ninguém mais conhecer seu segredo depois de terminado o rei mandou matar todos que o construíram. O anjo caído Golahá, não satisfeito com a atitude do rei Davi, chamou-o e lhe mostrou uma alternativa. O barro onde Golahá havia sido enterrado podia dar vida a homens. Como a lenda diz que Deus fez o homem a partir do barro Davi criou vários soldados de barro, mas somente daquele barro. Assim Davi parou de sacrificar seus homens e passou a utilizar os golems, porém, para que o povo não soubesse disso ele os utilizava apenas de noite e eles executavam qualquer ordem do rei. Naquela época teu pai não possuía a sabedoria que tu tens hoje. Tu não precisas do barro do túmulo de Golahá, pois tens o Livro Sagrado dos Anjos Caídos, o Livro da Luz e da
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Verdade dado a Enoch e hoje sabes como utilizá-lo, mas os golems que preciso eu mesmo devo fazer. Mais tarde tu usarás esta sabedoria, quando for necessário. Outra coisa muito importante, Salomão. Eu não quero que tu mandes matar meus assassinos, pois como diz a palavra eles são meus assassinos e somente eu devo dar a eles o castigo que achar conveniente e para teu governo eu os chamarei a prestar contas do mal feito por eles no tribunal de Deus, que é um juiz muito mais eficaz do que eu ou tu. Aprenda, meu bom rei. O tribunal divino já os chamou à consciência, podes ter certeza disso. Como podes me afirmar isso, sábio Hiram? Eu confio em Deus, Salomão, não apenas creio nEle, e aquele que confia em Deus também é Deus. Mas eu também confio em Deus, Hiram, e sinceramente não vejo o que estais tentando me mostrar de diferente. A diferença está entre nós dois. Preste atenção no que vou te dizer. Tu crês em Deus e no bem e no mal. Por isso crês nos talismãs, no teu anel, que serviu como aliança entre os gênios e os anjos, porém, meu amigo Salomão, eu não preciso da aliança entre o bem e o mal, pois não creio serem capazes de me prejudicar. Eu creio neles apenas como professores que nos trazem a Consciência Suprema. Em suma, o mal e o bem nada podem me oferecer. O mal nada pode me dar, tentar ou oferecer que eu já não possua. O bem não pode me tornar anjo, pois minha consciência diz que eu não sou um. Não pode me dar mais sabedoria se ainda não lutei para alcançá-la. Então o que me faz estar acima do bem e do mal é tão somente minha consciência. Um dia, Salomão, eu também fui como tu. Precisei crer em alguma coisa para crer no poder. Um dia eu também usei talismãs mágicos, mas hoje eu sou o poder, eu sou o talismã, porque aquele que confia no ‘Infinito É’ se torna infinito como Ele. Então tu vais me perguntar porque me deixei matar por aqueles homens. Eu te digo que foi apenas para te mostrar que é muito difícil estabelecer uma ordem num povo que não conhece ordem, mesmo porque a ordem que tu queres estabelecer é a ordem divina (o justo pelo justo / o justo e perfeito). Sempre haverá os contrários às regras e aqueles que acreditam que podem queimar etapas de evolução na ordem divina. Em tudo que fiz, faço e farei na minha vida procuro sempre me deixar guiar pela Consciência Divina. Pouco penso, muito sinto, sempre obedeço. Assim Deus em mim é sempre constante e Sua vontade também. Como se alcança um confiar maior que a própria confiança, Hiram? Como não precisar mais da magia e seus rituais? Isso, meu bom Salomão, tu só compreenderás quando te tornares a magia. Fazer parte dela tu já faz, ser ela tu um dia poderás vir a ser se venceres o teu ego humano e permitires ser invadido pelo ego do teu espírito. Mas agora deixemos de lado esses assuntos para construirmos o Templo de Deus, o Templo da Ordem, do Justo pelo Justo, do Justo e Perfeito. Depois dessa conversa Hiram fez uma oração que era um canto aos elementos da natureza. Ele pegou algumas sementes de romã e as jogou sobre a terra enquanto fazia a oração. As águas pareciam obedecer seu chamado e se deitaram por cima das sementes, o calor ali era forte, o vento soprava. Os
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quatro elementos reunidos. Podia se ver ao mesmo tempo as chamas de fogo e a água que corria por cima dele sem apagá-lo. O vento revolvia a terra e aos poucos as sementes germinaram e de uma única romã brotaram várias pequenas mudas. Porém enquanto Salomão e Absalom pensavam ser árvores Hiram as transformava e quando atingiram um palmo e meio de altura um exército de homenzinhos começou a tomar forma. Esses homenzinhos tomaram uma aparência humana perfeita já com 70 centímetros de altura, porém Hiram só parou a oração quando eles haviam atingido a altura de um homem mediano. Depois de ter feito isso Hiram disse a Salomão que aqueles eram os ajudantes que ele precisava para enfim terminar a sagrada obra, porém aqueles seres só podiam trabalhar à noite. Durante o dia eles voltavam a ser simples sementes. Este não foi o único feito de Hiram. Ele também usou como ajudantes os elementais da natureza como os silfos, elfos, duendes e outros seres que só trabalhavam à noite. Durante o dia todos desapareciam e os homens de Salomão faziam o trabalho. Uma certa vez o aprendiz foi imitar o mestre, só que não sabia nem conhecia o poder de Hiram. Então Salomão se utilizou do conhecimento dos quadrantes e círculos mágicos, que ofereciam o mesmo resultado. Salomão passou a controlar demônios e ‘anjos’ e começou a gostar de ter o poder de controlar seres tão superiores e de fato chegou a crer que os controlava, mas houve uma época em que esses seres controlaram Salomão e chegaram a se passar por ele. O mal de todas as pessoas que aprendem esta sagrada magia é crer que podem controlá-la na íntegra. É preciso ter o conhecimento na alma para ter o controle desse grande poder. Hiram era um nascido da magia, Salomão era um nascido para conhecer a magia. Salomão invocou seres que achavam e lapidavam pedras preciosas e raras, além de metais valiosos. Esses seres têm o dever de incentivar a ambição de seu mestre e costumam fazer isso com sutileza e cuidado para que o envolvido não perceba que está sendo envolvido. Logo que alcançam seu intento começam a cobrar caro pelos serviços prestados. Desta maneira Salomão teve que ceder aos caprichos de alguns desses seres, que o mantiveram refém. Pela sua ingenuidade Salomão se deixou envolver pelas ofertas desses seres da natureza, porém quando eles resolveram cobrar pediram a Salomão que construísse templos de oração para os antigos deuses e outras coisas. Salomão não podia negar o pedido, afinal na magia sagrada toda dívida deve ser honrada, pois o devedor sempre é avisado das cobranças que receberá. Isso quer dizer que ele sempre terá consciência daquilo que está fazendo. De fato Salomão sabia o que estava fazendo, só não sabia das conseqüências dessa sua ação. Para a história Salomão não ficou com a culpa nas suas costas, pois aqueles que a escreveram trataram de pôr a culpa em suas mulheres, seres submissos e amedrontados, que muitas vezes nem sabiam falar o idioma local. Além disso elas eram orientadas a temer um rei que tinha poder sobre seres obscuros, porém Salomão era apenas mais um dos homens que fazia isso com suas esposas. Na verdade ele não foi tão cruel. Mandou matar apenas 50 de suas mulheres e dentre os motivos um deles foi o fato de algumas descobrirem o poder e mais tarde chegarem a trair Salomão, revelando a seus inimigos os segredos do rei. Outras foram mortas por conspirarem contra as mães dos
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primeiros filhos do rei, atentando contra a vida deles. Naquela época as mulheres eram proibidas de conhecer os segredos da magia divina, porém Hiram deu a Absalom o dever de ensinar a algumas mulheres estes segredos, coisa que ele fazia com maestria, pois carregava o dom da perspicácia e da prudência. Algumas das esposas de Salomão foram confiadas a Absalom para que seus filhos no futuro mantivessem a sabedoria do pai. Estas não traíram Salomão e passaram para seus filhos o conhecimento. Voltemos agora ao Templo de Salomão. Ele foi construído cabalisticamente perfeito e desta vez nenhum homem sabia onde a verdadeira Arca da Aliança foi colocada, pois os seres que construíram o santuário misterioso não eram homens, mas golems criados por Hiram. A arca que foi colocada no tabernáculo era uma réplica perfeita da original. Ninguém jamais desconfiou de que esta fosse falsa, nem mesmo as pessoas que a roubaram no fim do reino de Salomão. Enfim, enquanto todos acreditavam que Salomão era o novo príncipe da 13ª tribo, o ungido dos Illuminati, Hiram Abïf fazia de Absalom seu sucessor. Antes de abandonar a Terra Hiram passou para Absalom a 13ª chave. Antes de Hiram desaparecer misteriosamente vamos explicar isso melhor. Quando Hiram foi assassinado pelos pedreiros do templo ele pediu a Salomão que anunciasse ao povo sua morte, pois passaria a trabalhar somente à noite com seus golems e não queria que soubessem quem era o arquiteto que liderava o grupo de pedreiros noturnos. Salomão anunciou a morte de Hiram tal qual ela havia ocorrido e deu ao povo três culpados já mortos. A partir de então Absalom, que não era mais reconhecido como irmão de Salomão e até tinha outro nome (Jonkins), passou a tomar conta do reino de Hiram. Muitas estórias chegaram até mesmo a confundir Hiram e Absalom com Akhenaton e Tutankhaton, faraós do Egito. Muitos também julgam que Akhenaton e Tutankhaton foram os últimos príncipes da 13ª tribo, mas não foi bem assim. Absalom teve apenas um filho, que jamais foi descrito em história nenhuma. Se nome era Zoroaster, também conhecido como Zaratustra, Zoroastro e biblicamente conhecido como Ezequiel. Vamos chamá-lo apenas de Ezequiel, um profeta limpo e puro como Elias, que também foi um grande profeta, e ambos foram príncipes legítimos da 13ª tribo, que honraram o ensinamento verdadeiro de Akhenaton e o levaram adiante tal qual o faraó adorador do Sol. Esses profetas também adoravam o Sol e o fogo como aspectos da presença de Deus. Ezequiel foi entregue a Hiram por Absalom, que pediu a ele que levasse seu filho para a terra dos atlantes junto com ele, pois na morada dos sábios do passado ele estaria seguro e aprenderia a Verdade com os ‘brahmanes’, os Senhores do Conhecimento. Assim que estivesse pronto ele voltaria à Terra e passaria a ensinar a Verdade ao povo escolhido. Na verdade Hiram e Absalom tinham a missão de reconstruir uma 13ª tribo, que no futuro desenvolveria uma doutrina onde somente seres iluminados nascidos com sabedoria na alma seriam iniciados. Era uma maneira de não errar e nem ser injusto, pois esses escolhidos, logo que lapidados, levariam a sabedoria a todos os cantos da Terra. Eles fariam isso com sabedoria e consciência, ensinariam a Verdade de um Deus único sem forçar as pessoas a adorá-lo, pois isso elas fariam espontaneamente se compreendessem este Deus único e seus propósitos.
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Absalom mandou erguer uma coluna a que deu o seu nome. Como o povo já havia esquecido o filho morto do rei Davi (Absalom) ele resolveu homenagear seu filho Ezequiel, mas como ninguém sabia que Absalom estava tão vivo que tinha um filho a coluna ganhou o nome de Absalom. Salomão, que guardava o segredo do irmão, achou prudente dizer ao povo que aquela coluna era para lembrar Absalom, um príncipe que não teve como levar seu nome adiante, pois não teve filhos para dar continuidade à sua linhagem e seu sangue. O gesto nobre de Absalom de dar seu único filho aos brahmanes tem uma explicação. Tanto Absalom quanto seu filho nasceram para ser profetas e não reis ou faraós e os grandes profetas da 13ª tribo não costumavam ter muitos filhos e mulheres, como era costume. Também não almejavam um trono, pois a responsabilidade de reinar os impediriam de levar adiante a grande missão divina de partir em busca dos escolhidos e criar a Comunidade da Verdade Divina. Lembro que Akhenaton e Zafenate-Panéia foram faraós e de uma forma quase inédita levaram essa sabedoria ao povo, porém esse período de luz durou muito pouco e logo foi esquecido. Vendo o exemplo do passado os novos iluminados preferiram levar uma vida de ermitões, mesmo porque a 13ª tribo já não era mais a mesma. Os escolhidos começaram a ser mortos logo que nasciam pelos grupos que pertenciam às outras 12 tribos, que faziam isso para diminuir o poder da 13ª tribo, pois era a única a ter acesso ao tabernáculo e a certos Livros da Verdade. Uma onde de inveja, ciúme e cobiça tomou conta de alguns integrantes das 12 tribos e eles, sempre que podiam, tramavam contra os Illuminatis. Isso ficou tão evidente que alguns reis chegaram ao absurdo de ter para si todas as princesas representantes das 12 tribos só para conquistar assim o poder sobre todas as tribos. O rei Davi foi um exemplo desses e Salomão também. Eles tomaram por esposas as princesas de cada tribo e assim fazia-se uma aliança forçada com as 12 tribos, que na verdade só visavam terras, animais e riquezas e assim de certa forma todos também mantinham a 13ª tribo sob controle. Não oferecendo à 13ª tribo as princesas de nenhuma tribo uma aliança era quase impossível de ser feita. Vendo-se rejeitados os membros da 13ª tribo começaram a se camuflar. Durante os anos seguintes eles criaram um pacto para se tornarem profetas e eremitas e aos poucos foram se tornando invisíveis aos olhos das outras tribos. Assim afastaram o perigo de terem seus filhos mortos. Era como se a 13ª tribo existisse apenas para abrir o tabernáculo e fazer as honras de praxe. Chegou uma época em que as 12 tribos acreditaram que a 13ª tribo já estava no fim, mas para serem politicamente corretos sempre procuravam manter os seres restantes à frente do tabernáculo. Por tudo isso Absalom mandou seu filho para a escola dos brahmanes de Atlântida junto com Hiram. Alguns anos mais tarde Ezequiel aparece na Pérsia e passa a ensinar a seus seguidores o conhecimento dos astros, das pedras preciosas, do tempo visível e do tempo invisível. Falava das coisas de Deus e de toda sua criação. Algumas pessoas acreditam que ele não foi visto quando criança porque passou anos no deserto no alto de uma montanha sagrada sem comer. Só se alimentava de água e da sabedoria que Deus lhe oferecia em forma de alimento para a alma. Ezekiel foi um exemplo real de profeta divino, pois
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como poucos ele não precisou arrastar sobre suas costas mares de sangue de inocentes como os ditos homens-profetas faziam. Assim também foram Elias e João Batista. Eles somente advertiam os homens da palavra de Deus. Aconselhavam o povo a andar nas diretrizes da Lei Divina, mas assim nossos queridos Illuminatis passaram a ser olhados como agitadores ou profanadores dos segredos sagrados e passaram a ser perseguidos. Para resumir melhor essa história quando eu (Jesus) desci à Terra dizem que um rei mandou matar várias crianças (meninos), porque dois profetas que pertenciam às 12 tribos contaram a ele que nasceria um rei ainda maior que ele e que este novo rei seria o Príncipe Supremo dos Illuminatis, pois carregaria em sua testa o ‘Olho que tudo vê’ e assim seria como o próprio Deus. Não gostando muito de saber que seria destronado este rei, em sua fúria desmedida, mandou matar vários seres inocentes afim de exterminar com a possibilidade desse novo rei vir a nascer. O pior de tudo isso é que os dirigentes das 12 tribos foram coniventes, pois podendo fazer algo para defender seu povo preferiram assistir a tudo em silêncio. Poucos fizeram alguma coisa e os que mais fizeram foram os últimos da 13ª tribo. A verdade é que não foi na época do meu nascimento, mas quando já era adulto, e não foram crianças, mas membros da seita dos essênios de Qumram, que eram meus seguidores. Senhor Jesus, por que sua história foi trocada e por que o povo judeu permitiu essa troca? Meu belo anjinho, eu fui um só, mas na Terra criaram tantas estórias sobre mim que poucos são aqueles que conhecem a verdade. A minha verdadeira história você já conhece, mas você se lembra que naquela época os judeus tinham o costume de punir seus criminosos com o apedrejamento. Então essa é só mais uma parte da história que foi omitida, mas agora vou lhe explicar porque ela foi escondida. Eu andei pela Terra cumprindo a palavra da Verdade Divina para a qual meu Pai havia me enviado. Esta Verdade desencadeou uma guerra não registrada na história, pois todos aqueles que tentaram fazer isso foram cassados e mortos, mas é claro que alguns não só escreveram como guardaram esses segredos até os dias de hoje. Os romanos ameaçaram tomar Jerusalém e fazer dela uma terra de escravos. Era como se todo o pesadelo da época de Moisés voltasse. Não havendo outra maneira os senhores das 12 tribos, digo os representantes, acharam por bem ceder aos romanos a cabeça de João Batista, que é a minha(, pois João Batista e Jesus são a mesma pessoa). Só esqueceram de avisar isso ao povo. Esse foi mais um dos motivos que me levou a entrar no Templo de Salomão pela porta secreta e assim eu espalhei pelos quatro cantos da Terra as chaves dos segredos, os colares que tinham o poder de abrir os arquivos da Terra, de abrir portais entre o futuro e o passado e vice-versa, pois o Templo de meu Pai estava profanado por traidores e depois disso nunca mais ali entrei. Tudo que deixei lá foram as réplicas, tal qual Salomão fez com a Arca da Aliança. Porém, para que ninguém percebesse que ali só restavam réplicas eu lhes dei poder, mas um poder limitado e por um tempo determinado e até os dias de hoje ninguém desconfia disso, pois acreditam possuir o original. Eu, entretanto, posso lhes garantir que as verdadeiras estarão em total segurança

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até o dia do combate final, que acontecerá provavelmente no ano de 2012, pela contagem de tempo verdadeira. Em suma, meu anjinho, os judeus não podem assumir que amam um Cristo que de fato não é o Cristo deles, pois o Cristo criado pela Igreja Católica matou muitos judeus e os puniu por sua morte, enquanto que a verdade é que os sacerdotes judeus se viram obrigados a aceitar as condições dos romanos para não verem seu povo novamente escravo. Eu tive 12 apóstolos e 33 traidores, que decidiram por voto que deveriam me matar. Como já lhe disse antes, o homem com o nome de Judas foi apenas o bode expiatório representando a traição do povo, que não sabia o que estava fazendo. O conselho dos 33 julgou que eu devia morrer para que o povo não fosse escravizado, mas posso lhe afirmar que não foram todos que votaram a favor. Na verdade um grupo de 22 deu o voto da morte e os outros 11 não queriam carregar o peso da morte do Messias nas costas. Mas para os romanos não bastava me condenar. Os judeus também tinham que me executar como mandava a lei e antes que eu fosse parar na cruz dos romanos fui apedrejado. Como mandava o costume meus executores cobriam suas faces para esconder sua vergonha. Isso era um sinal de que estavam matando alguém inocente e para que tudo fosse feito segundo a lei eles me expulsaram por 40 dias para que todos soubessem quem eu era e porque estava sendo morto. Só depois de cumprir esse ritual é que me entregaram à condenação final nas mãos dos romanos, a única parte da história que foi escrita. Os romanos, para constituir uma nova ordem, roubaram os ensinamentos e a história do Cristo dos judeus e transformaram essa história e esses ensinamentos, fazendo-os se voltar contra os judeus e os pagãos da época. Assim criaram quase um Anticristo encima do verdadeiro Cristo. Os judeus e outros povos se recusaram a aceitar aqueles ensinamentos, afinal conheciam o verdadeiro ensinamento do Cristo. Por isso passaram a negar o Cristo romano como rei dos judeus. Isso, porém, não significa que os judeus aplicariam os ensinamentos verdadeiros do Cristo. Na verdade, como os romanos lhes roubaram o Cristo eles acharam melhor matar a história real do Cristo, pois manter essa história seria criar um outro Cristo e isso só traria mais guerras e confusão para um povo já tão sofrido. Mas graças a Deus nem todos os judeus tomaram essa atitude de se acovardar. Um grupo de judeus chamados de messiânicos ou essênios criaram uma comunidade onde os meus ensinamentos foram escritos por vários profetas e aplicados por muitos anos. Era a comunidade de Qumran, onde foi construída uma biblioteca com livros em mais de cinco línguas contendo toda a Verdade do que passei e ensinei na Terra. Eu sei que o povo judeu não queria minha morte, mas também sei que vários de seus líderes jamais acreditaram que eu fosse o Messias. Essa dúvida foi um dos motivos que pesou bastante na decisão do conselho dos 33. Alguns acreditavam que eu era o Messias. Outros me tratavam como apenas mais um profeta da 13ª tribo. Para concluir a história, alguns anos mais tarde um imperador romano chamou para um banquete 72 sábios judeus representantes das 12 tribos. Durante uma semana de festa eles discutiram com este imperador as condições para criar um Talmud e Torah para os romanos. Seria a primeira Bíblia. Acertados os
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termos “politicamente corretos” eles foram para uma ilha onde ficaram 70 dias traduzindo para o latim e o grego os rolos da Torah e do Talmud. Todos eram Tenains, rabinos que tiveram alguns de seus aprendizes mortos por transportarem rolos secretos. Alguns romanos faziam emboscadas a esses aprendizes e os matavam para ficar com os rolos, que jamais foram vistos novamente. Isto colaborou ainda mais para que os 72 sábios não julgassem o povo romano merecedor da sabedoria, apesar de já estar combinado que só seria criado um livro que atendesse às exigências do imperador, que desejava um livro que mantivesse o povo dentro da lei que ele acreditava ser correta. Os ensinamentos verdadeiros do Cristo formam apenas mais um dos capítulos que foi e ainda é omitido deste livro sagrado do cristianismo, porém a Bíblia não esconde toda a verdade. Ela apenas a confunde, pois repete uma história de diferentes maneiras e dá nomes diferentes aos mesmos personagens. Por isso dizem que somente os judeus sabem as verdadeiras histórias da Bíblia. Como ela foi criada a partir da Torah e do Talmud, servindo apenas a interesses políticos, não precisava conter necessariamente toda a Verdade. Mas Senhor Jesus, por que os judeus não passam esta Verdade para a humanidade, afinal eles já não correm mais o perigo do passado. Meu querido anjinho do Amor, os judeus são um povo marcado pelo sofrimento, pela dor, pela traição e pelo medo. Isso tudo os fez criar uma cúpula em torno de si mesmos. Assim a Verdade permanece dentro desse seleto e minúsculo grupo (os rabinos) e o restante do povo apenas vive de acordo com as leis que os regem e com certeza eles não estão mais dispostos a sofrer pela ignorância de outros povos, mesmo que agindo assim só mostrem o quanto ainda são ignorantes também. Porém, meu anjinho, no fim dos tempos os judeus já estarão na Nova Jerusalém e serão donos dela, mas terão o cuidado de não deixar ninguém perceber que são os verdadeiros donos. O Senhor está falando da América do Norte? Sim, eu estou me referindo a La Merica ou América do Norte, que o nosso sábio alquimista Cristhovam Colombo descobriu. Cristhovam Colombo era um descendente de judeus e foi devidamente orientado pelas antigas escrituras e mapas a encontrar a Nova Jerusalém e depois de decifrar os segredos contidos em mapas e números kabalistas ele achou a grande prancha de terra, pedaço restante de Atlântida. Para que não restem dúvidas sobre a sabedoria desse homem basta lembrar que seu nome, CHRISTOFERENS, significa ‘o Portador de Cristo’. Além disso ele era um grão-mestre templário. Como já disse, descendia de judeus e não de genoveses, como relatam algumas histórias. Em sua assinatura já era possível ver o nível de seu conhecimento:

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XPOREERENS tinha a missão de reconstruir o Templo Sagrado da Verdade em uma Nova Sião e assim ele levou para essa Nova Terra a Ordem dos Cavaleiros Templários. A sabedoria de Hiram, Zafenate- Panéia, Akhenaton e outros ia continuar nesta Nova Terra, onde ela mais tarde se dividiu em duas partes. Uma passou a se chamar maçonaria, a outra manteve o nome de templários. A antiga ordem já não era mais a mesma. Seus líderes começaram a divergir como ocorrera muitas vezes no passado, porém em meio às divergências 13 grandes estados se uniram nesta Nova Jerusalém e proclamaram sua independência dos demais estados. Tornaram-se fortes e através dos judeus mantiveram os símbolos sagrados, os livros mágicos, os antigos talismãs e toda a magia do passado permanece até hoje nas mãos dos lideres dessa Nova Jerusalém. Hoje eles se intitulam ‘donos do mundo’ ou pelo menos da Terra e de fato o são, não de forma absoluta e divina. De forma política e pela magia oculta dominam sua nação e as outras também. - Isso significa que os judeus deram a esses líderes todo o poder dos livros mágicos, Senhor Jesus? - Não só dos livros mágicos, meu anjinho. Para falar a verdade esses novos líderes não são judeus assumidos, mas são maçons e templários, o que significa que têm o mesmo nível de conhecimento, afinal para ser templário ou maçom é preciso ser admitido, ser aceito por um grão-mestre que, querendo ou não, recebe ordens de outros mestres de um nível superior, que em suma são judeus. Nessa Nova Terra os judeus fazem questão de se manter por trás dos dirigentes para que ninguém desconfie do poder que eles têm sobre o planeta. Eles usam homens de confiança para dar ordens em seu lugar. Esses homens são geralmente participantes da Franco-Maçonaria, Ordem dos Templários, Illuminatis, ou seja, tudo que está sob domínio judeu. Nessa Nova Jerusalém os judeus ergueram uma estátua de Prometeu e esta tem o nome de Estátua da Liberdade, a Vênus coroada com sua tocha simbolizando a sabedoria livre e rainha absoluta, porém o domínio real dos judeus só surgiu na Era de Aquário e esta estátua é o símbolo da raça que

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possui o conhecimento. Prometeu, o anjo caído que trouxe o conhecimento para a humanidade foi transformado em uma Vênus, a Senhora da Luxúria, das Paixões, da Beleza e do Poder. É o gênio oposto de Lucífero. Como já expliquei antes, Lucífero, o Anjo da Luz, é aquele que “fez a luz” para a humanidade ou é o “Portador da Luz’, o mesmo que Prometeu na mitologia grega. Eu também vou relatar sua verdade pra ti, meu anjinho, mas deixe-me antes terminar apenas o relato desta parte trágica da transformação que a Terra vem sofrendo e não tem conseguido dar conta. Desta vez são os próprios homens que têm o domínio de tudo. Eles usam a magia para se comunicar com seres que chamam de extraterrestres. Deles receberam toda a tecnologia que possuem hoje. Na verdade esses seres, que alguns chamam de extraterrestres, nada mais são do que os mesmos seres que Salomão e outros grandes sábios invocaram no passado. Salomão, Davi, Abraão e Moisés podiam se comunicar com seres dos 12 planetas, irmãos daqueles que hoje habitam a Terra. Dessa comunicação tiravam proveito, afinal os 12 planetas já se encontram num estágio de evolução superior ao da escola chamada Terra. Para ser mais claro e específico afirmo que esses seres jamais deixaram a Terra. Na verdade eles vivem até hoje nos limites dos mundos físico e extra-físico. Existem portais para Atlântida, Shangrillá e Lemúria, onde estão escondidas todas as tecnologias do tempo moderno e do futuro, onde é possível criar máquinas jamais imaginadas pelo homem. Os grandes alquimistas e magos do passado sabiam desses segredos e criaram fórmulas diversas para passar esse conhecimento, mas também sabiam que esses segredos não podiam ser revelados a qualquer um, pois os danos poderiam ser irreversíveis. Grande parte desses magos eram cavaleiros templários, que viviam sob juramento de preservar a Verdade, mantendo-a viva ao longo dos anos, mas o fato é que a Igreja passou a punir severamente os cavaleiros templários, pois eles estariam ameaçando a ordem e o poder das igrejas que se mantinham às custas da ingenuidade do povo. Muitos templários foram perseguidos e mortos. Muitos de seus segredos foram parar nas mãos do clero, que terminou utilizando o poder dos templários contra os próprios templários. Durante muitos anos se travou uma luta secreta entre os dois lados. Mais tarde essa luta se tornou pública. A Igreja incitava o povo contra os templários mostrando-lhes símbolos secretos como se fossem arte do mal e assim fazia as pessoas crerem que os templários eram adoradores do mal. Assim a Verdade passou a ser velada e temida. Cada vez mais o número de adeptos desta Verdade diminuía e as profecias do Apocalipse se realizavam lentamente. É o dragão de 7 cabeças que tenta devorar a mulher vestida de sol, os pecados capitais e seus governantes tentando engolir a verdadeira religião, palavra sagrada que significa ‘religare’ ou ‘religar-se a Deus, voltar a unir-se ao Pai.’ Apesar da perseguição o dragão não consegue devorar a Verdade, pois ela é a única que resiste a tudo, pois simplesmente é a Verdade que está acima do bem e do mal. O mundo ilusório se acaba, mas a Verdade jamais morrerá. Abreviando a história, os cavaleiros templários e os maçons eram como os antigos judeus essênios da comunidade de Qumran, porém nos tempos de hoje não são todos os maçons que têm o conhecimento original. A verdade
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continua sendo velada e temida como um anjo mal e a sombra da verdade é adorada e reconhecida como a Verdade Absoluta. Os homens reconhecidos como “o grupo dos 33” sabe toda a Verdade, assim como os 144. Dessa maneira grupos de homens mantém a história da humanidade escrita da maneira que eles desejam. Esses senhores, também intitulados “o Olho que tudo vê”, observam a evolução dos países e só permitem o avanço tecnológico até onde esses países não lhes ofereçam nenhuma rivalidade, ou melhor, não saiam do controle. Em suma, quase todos os países são controlados pela Nova Jerusalém. [USA Jer(usa)lém], porém este controle não é assim tão explícito. Para os países mais pobres e de fácil exploração fica muito claro o controle, porém para os países ricos, com um bom nível de poder aquisitivo esse controle aparece apenas nas entrelinhas de seus contratos de boa vizinhança. São como cobras que se beijam antes de se atacarem. Eles se dizem os primeiros em tudo. Os primeiros a chegar à Lua, senhores do espaço com seus satélites que controlam os satélites dos outros países, e quando ameaçados destroem os satélites desses países antes mesmo de serem lançados. Muitas vezes essa destruição leva junto muitas vidas. A era glacial deu a esses senhores muito da tecnologia que eles possuem hoje, pois não foi só através da magia kabalista que eles se comunicaram com os seres chamados de extraterrestres. Na era glacial muitas naves dos atlantes, lemurianos e shangrillês ficaram presas no gelo por milhares de anos. Algumas foram achadas por esses seres, outras só deverão ser achadas no estágio final de evolução da Terra. Essas naves foram deixada de propósito na Terra para que fossem achadas justamente na Era de Aquário, pois é esta a era do avanço tecnológico e da destruição que trará a renovação. Esses senhores sabem que é esta a era onde tudo deve ser refeito na Terra e por isso permitem que uma evolução de mil anos aconteça em apenas 100 e mais uma vez os filhos das 12 tribos procuram uma Nova Jerusalém para edificar seu Templo do Olho que Tudo Vê. Mais uma vez eles tentaram criar uma sociedade perfeita, mas dessa vez eles não serão os únicos, pois a 13ª tribo está completa na Terra e mais uma vez os verdadeiros herdeiros da Verdade já estão se preparando para a batalha final, pois o Príncipe Illuminati divino já nasceu, assim como o Príncipe Illuminati dos homens também já se encontra nascido. Ambos têm a mesma idade, não se conhecem, mas sabem da existência um do outro. Há muitos anos são preparados para o dia em que vão se encontrar. Ambos tem o mesmo nível de conhecimento, sabedoria e poder, mas apenas um tem consciência e compreensão da Verdade divina. Senhor Jesus, deixe eu perguntar uma coisa: Este príncipe, que na verdade é o novo Messias, não tem os 10 anjos auxiliares? Sim, meu anjinho, de fato, como consta na Kabalah, este ser tem seus auxiliares, afinal tudo tem que seguir as regras do Livro da Verdade. Sendo assim este ser não tem apenas 10 auxiliares, mas 12 auxiliares, como eu. Sei que agora te deixei um tanto confuso, mas vou te explicar direitinho. Tu te lembras que no princípio o Pai, ao nascer, nos gerou de sua primeira ação? Então, meu anjinho, após a primeira ação que gerou os primogênios de Deus o Pai nos classificou por instintos. Sete são os instintos e de cada um desses
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derivam uma porção de emoções. 144 foi o número de emoções que o Pai sentiu para alcançar seu primeiro estágio de evolução, mas tudo começou quando Ele colocou tudo isso em perfeita harmonia. A primeira ação também foi o primeiro sentido e instinto inconsciente, o choro ou o grito, para nós seria o choro de bebê, o vazio que começa a se preencher com os sons da vida. O segundo sentido e instinto inconsciente, o movimento, e o terceiro sentido e instinto inconsciente, a visão. Quarto, a audição e quinto, o olfato. Só depois veio o tato e o paladar, o gosto e bem mais tarde entraram em cena os outros dois maiores sentidos ocultos, a sabedoria e a compreensão, que mesmo sendo dois sentidos separados o Pai resolveu que andariam sempre um ao lado do outro. Assim milhares de tempos se passaram. O Pai então nomeou seus primeiros Amorazins classificando-os dessa maneira. Sete seriam os sentidos da alma, que levariam à carne seus instintos básicos de sobrevivência, porém a alma só receberia do espírito os últimos dois sentidos no decorrer de sua eterna evolução. Para encurtar essa história, as virtudes são o diploma dos sentidos e os pecados capitais são o diploma dos instintos. Em suma, são o anjo e o gênio de cada ser humano, que só chegam à supremacia quando alcançam a sabedoria e a compreensão. Esses sete Amorazins mais tarde seriam conhecidos por anjos: Arcanjo Miguel, Arcanjo Gabriel, Arcanjo Kamael, Arcanjo Rafael, Arcanjo Tzadkiel, Arcanjo Anael e Arcanjo Uriel. Os planetas que eles regem são os gênios: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno e o ser que governa esses sete anjos e os sete planetas é Metatrom, que faz a união perfeita de um Serafim (Jesus Cristo)(sabedoria e compreensão) com um querubim (Ayrimael)(amor). O pai alcançou, através das emoções causadas pelo Cristo, a sabedoria e o amor. Por isso O dividiu em dois, tornando Cristo o primeiro Amorazim completo. Por isso Ele pode ser o regente do planeta, dos planetas regentes da Terra e seus respectivos anjos. Na verdade eu já expliquei tudo isso. Não exatamente assim, porém o que falta é saber como os anjos chegaram ao número de 72 e mais tarde a 144 e porque este número misterioso está em quase tudo. Isto é muito simples de compreender. Cada anjo tem seu gênio oposto, que mantém o equilíbrio das coisas. Assim as primeiras emoções de Deus somaram 144, sendo 72 anjos e 72 gênios, virtudes e pecados, bem e mal, abnegação e desejo, enfim prática e teoria (alma e espírito), sabedoria e compreensão (alma e espírito), aprendiz e mestre (alma e espírito), etc. Acho que já falamos demais desse assunto. Agora vamos adentrar a verdade sobre as vezes em que eu estive na Terra. Vamos falar sobre os deuses gregos e egípcios, onde começou a história do “Olho que tudo vê” e a verdade que impera até hoje e poucos são os que têm olhos para ela. Vou relembrar para você a história dos deuses gregos, afinal a origem da verdade se revela através das lendas contadas até os dias de hoje. Se alguém deseja descobrir a verdade basta ter um conhecimento profundo da mitologia grega e somar a esse conhecimento um estudo sério da Bíblia Sagrada, da Torah e do Talmud. Na mitologia irá encontrar estórias semelhantes à Bíblia e à criação do mundo. A Torah, o Talmud e a Kabalah serão os certificados de garantia
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dessas estórias, mas para não me fazer perder tempo vou ser mais direto. Observem a história de Zeus, o grande deus grego, pai de todos os deuses, e verão que tem muita semelhança com a história que lhes contei do princípio da evolução do Divino Pai Celeste. Na mitologia grega Zeus tem 7 personificações, também representadas pelas 7 primeiras lâminas do Tarô: Saturno, Júpiter, Lua, Sol, Marte, Mercúrio e Vênus. Cada personificação contém uma virtude, e sua oposição, suprema do Divino Pai Celeste. Vamos começar pelo Sol, a virtude da justiça (oposição: cegueira; dia: domingo). Depois vem a Lua, a virtude da paciência (ansiedade; segunda-feira). Marte é a virtude do perdão (ira; terça-feira). Mercúrio é a virtude da misericórdia e da abnegação (avareza; quarta-feira). Júpiter é a virtude da vida (morte; quinta-feira). Vênus é a virtude do amor (luxúria; sexta-feira) e Saturno é a virtude da sabedoria (ignorância; sábado). Essas virtudes e seus opostos variam muito. Por isso estou lhe contando apenas essas que, se você percebeu, também regem os dias da semana. Para os gregos essas personificações de Deus, que eles chamavam de Zeus, são os planetas regentes da Terra, que influenciam a humanidade em seu aprendizado. Para um bom conhecedor da mitologia grega basta lembrar que uma dessas personificações (Júpiter) engolia seus próprios filhos por temer que eles lhe tirassem o poder. Relacione isto ao fato de Deus ter engolido os Amorazins, seus primogênios. A partir daí a história ganha várias adaptações no tempo e espaço. Para ser mais claro a história deixa o céu e se desenrola na Terra. Na verdade a mitologia grega desenvolve metade das histórias no céu e metade na Terra, o que causa uma confusão tremenda na cabeça de muita gente que a estuda. Quando Zeus perde seu trono para Cronos e os gigantes é o mesmo que a vinda dos anjos caídos à Terra. O surgimento do deus Caos, que destrói tudo, é o mesmo que a destruição das três grandes civilizações (ou o dilúvio da Bíblia), que fizeram mal uso da sabedoria e instalaram o caos e a destruição (fato que deverá acontecer novamente nesta Era de Aquário). Mas como encontrar os anjos caídos na mitologia grega, Jesus? Muito simples, meu anjinho. Como já te expliquei, uma parte da mitologia se passa no céu e outra parte na Terra. Raziel (segredo de Deus) é o nome do anjo que deu o Livro da Lei a Adão depois que ele saiu do paraíso (segundo as lendas judaicas). Neste livro havia todos os segredos da existência da criação de tudo. Raziel é então o primeiro Prometeu da mitologia grega, pois trouxe a luz aos homens em forma de sabedoria e Adão nunca existiu, a não ser da maneira como já expliquei. Ele é o próprio Deus em seu princípio. Então quem seria o Adão terreno, Jesus? Abraão, meu anjinho, afinal Abraão foi expulso do “paraíso”, pois nasceu após a destruição das três grandes civilizações ou, mitologicamente falando, após a destruição do Olimpo. Isto significa que já nasceu fora do paraíso, mas nem por isso ficou sem a sabedoria que recebeu de herança dos filhos de Noé. Noé tinha uma linhagem misteriosa, pois seu nascimento foi algo muito extraordinário para a época. Um bebê loiro que sorria ao nascer e, de tanta luz, acalmava todo o ambiente ao seu redor. Não existiam homens de pele tão clara e cabelos tão dourados naquela região. Por isso ele foi recebido como um mistério de Deus, mas isso já era previsto, vendo que Enoch, seu avô, era
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um anjo de alta hierarquia divina chamado Metatrom. Mas voltando ao novo tempo, Abraão era o dono do conhecimento e, como manda a lei, passou esse conhecimento a seus filhos Isaac e Ismael, aquele que foi pai de 12 príncipes. Desses príncipes nasceram os primeiros faraós do Egito. O primeiro foi Osíris, chamado de Filho da Luz e do Sol. Na mitologia grega o Deus da Luz e do Sol era Apolo, que além disso era o deus das artes, da beleza e do oráculo. Estes dois seres tem uma coisa em comum. Ambos eram “senhores da sabedoria” e tinham o título de “portadores da luz”. Em suma, ambos eram uma mesma pessoa com histórias muito semelhantes, porém distorcidas pelos poetas, que enfeitavam demais para encobrir ou prejudicar a verdade. Osíris se casou com Ísis e com ela teve apenas um filho: Hórus (o olho da sabedoria). Osíris era o Filho da Luz, como Apolo. Osíris ou Apolo era um anjo caído infiltrado entre os seres humanos. Na mitologia grega Apolo foi banido do Olimpo para ser jogado na Terra e assim seria um mortal como aqueles que ele tanto insistia em defender e ajudar, porém seu conhecimento, sua beleza e sabedoria não lhe foram retirados. Assim Apolo ensinou suas artes para a humanidade. Apolo também é confundido com o deus Hermes, Mercúrio, o Mensageiro dos Deuses, porém é preciso esclarecer que o deus Hermes da Grécia em nada se compara com o sábio Hermes Trismegistos, o Zafenate-Panéia. Apolo tem uma história misteriosa e foram raros os poetas que a relataram. Por isso ela é pouco conhecida, mas eu vou contá-la para mostrar a semelhança entre Osíris e Apolo. Para fazê-lo preciso, no entanto, relatar primeiro a história de duas grandes mulheres: Ísis (Urânia) e Afrodite (Vênus). Ísis era filha dos últimos descendentes atlantes, da hierarquia dos netos de Noé, mas não pertencia à família de Abraão nem de seus herdeiros. Vênus nasceu dos restos de esperma de Cronos (Saturno), que teve seu pênis cortado pelo seu filho Zeus (Júpiter) que, ao ver sua mãe ser fecundada incessantemente resolveu dar um fim ao sofrimento dela. Conta a lenda grega que mesmo sendo castrado o pai de Zeus ainda produziu alguns filhos. Daí nasceu a bela Afrodite, que por sinal já nascera no Novo Tempo, pois Zeus havia acabado com o reinado de seu pai ao castrá-lo e, de uma forma ou de outra, havia acabado com o caos que Cronos havia criado fecundando sua mãe incessantemente (o abuso da sabedoria). Afrodite e Ísis eram filhos de uma Nova Terra e um novo tempo, mas filhos da velha sabedoria. Osíris e Apolo também tinham essa mesma história. Tal qual Afrodite Ísis se casou com Mun-Há (Afrodite com Vulcano), pois era uma troca feita pelos líderes daquela época. A filha mais bela de um rei aplacaria a ira de um bárbaro ferreiro que carregava o dom de construir as mais terríveis e mortais armas. Com o passar dos anos tanto Ísis como Afrodite tiveram que se acostumar às condições de vida que o destino lhes oferecia. Vulcano (Hefestos) e Mun-Há tinham um irmão. No caso de Mun-Há era Septh-Há e no de Vulcano era Marte (Ares). Esses irmãos, enamorados das esposas dos seus irmãos, tramaram contra eles e, como conta a lenda, decapitaram Mun-Há e Vulcano, porém tanto Ísis como Afrodite andaram até os quatro cantos da Terra atrás dos pedaços de seus maridos e os remendaram, reconstruindo o corpo por inteiro. Foi assim que ambas, com a ajuda do elixir da longa vida, trouxeram seus respectivos maridos de volta à vida, porém eles não eram mais os
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mesmos Senhores das Trevas com os quais elas haviam se casado. O renascimento foi uma prova de amor puro e incondicional por parte das esposas, que tudo fizeram para trazê-los de volta à vida. Para Vênus (Afrodite) nascia Apolo, luminoso como os raios de sol, senhor de todas as artes (da música, etc.), da medicina (curava até a própria peste) e até do oráculo sagrado. Para Ísis (Urânia) nascia Osíris, o Filho da Luz, luminoso e cheio de sabedoria, exatamente como Apolo. Até aí as histórias são iguais. Só não vê quem não quer. Assim Lucífero nascia mais uma vez na Terra. Na mitologia grega dizem que Apolo é irmão gêmeo de Diana, filho do gigante Latona com Zeus, porém Diana não teve irmão gêmeo. Osíris tinha uma carruagem de fogo, Apolo também. Ambos eram chamados de Deus da Luz e do Sol, o que faz deles a mesma pessoa, apenas com histórias distorcidas pelo tempo e seus poetas cheios de imaginação. Porém somente aquele que carrega a Verdade pode afirmá-la e eu afirmo, pois eu fui Osíris para os judeus e egípcios e outros povos, mas também fui conhecido como Apolo para os gregos, que chamaram sua terra de Hellas em homenagem ao primeiro e ao segundo Prometeu, os portadores da luz, Prometeu e Apolo. Elias também foi um profeta portador da luz e, como Enoch, foi levado aos céus em uma carruagem de fogo. Osíris e Ísis tiveram um filho, Hórus (o olho de Deus, a Verdade), porém isso antes de Osíris ser destroçado por seu irmão. Hórus foi o primeiro pai das 12 tribos e é o equivalente a Ismael. Ísis lutou contra seu irmão Sepht-Há, que tinha uma cabeça de serpente. Seria coincidência Apolo ter lutado contra a serpente Píton? Diz a lenda que Afrodite teve um filho chamado Eros, o deus do Amor, e um dia ela vedou os seus olhos e lhe disse: “O amor preciso apenas da certeza, da confiança absoluta. Assim tu darás aos seres humanos o mais inexplicável dos sentimentos, que nasce sem ser chamado e ousa ser aquele que jamais será derrotado.” Para mostrar que tinha aprendido a lição Eros se apaixonou por uma bela mortal, Psiquê (a alma), aquela que provaria dos mistérios das mais profundas paixões até chegar ao verdadeiro amor. Eros, por sua vez, dava força à sua amada inspirando-a a conhecer as virtudes através dos próprios pecados (erros), porém houve um poeta que, seja por inspiração ou conhecimento, descreveu Eros como sendo filho de Ísis e Osíris, só que mais tarde outro ser decidiu que estes nomes não atenderiam e nem agradariam a política local e mudou o nome de seus pais para Íris e Zéfiro. Não demorou muito e Apúleo trocou mais uma vez os nomes dos pais de Eros para Vênus (Afrodite) e Marte, o deus da Guerra, e assim a mitologia foi perdendo sua originalidade e a pobre Afrodite se tornou uma mulher da vida, que tinha um filho com cada deus. Dizem até que ela teve um filho com Hermes e a este deram o nome de Hermafrodito, juntando os nomes dos pais, porém a verdade é que Afrodite perguntava a Hermes se o amor tinha um sexo único e qual seria esse sexo. Hermes, deus da Sabedoria e mensageiro de Deus, disse a ela: “O amor não tem sexo, cor, raça, credo. Ele é um ser feminino e masculino completo em um só corpo. Teu filho Eros é a força dos bravos homens, das delicadas donzelas, é um grande oceano cheio de vida e paz, mas também um vulcão revolto em erupção. Em suma, ele é como tu e eu, seres opostos em aparência e até comportamento, porém iguais diante do
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Deus único. Agradecida a Hermes pela explicação Afrodite batizou a virtude de seu filho de hermafrodita. Osíris, depois de ter ressuscitado, não podia ser visto pelas pessoas comuns, diz a história, pelo fato de brilhar como o Sol. Então Ísis instruiu Hórus até ele ter idade para lutar contra Septh-Há, mas Osíris permanecia o tempo todo a seu lado. Na época em que se deu o combate Septh-Há arrancou um olho de Hórus e Osíris então tomou para si o outro olho do filho, evitando assim que este caísse nas mãos de Septh-Há. Os olhos de Hórus podiam ver o futuro e todas as coisas misteriosas e escondidas. Osíris adentrou o corpo de seu filho Hórus e deu a ele um poder gigantesco. Iluminado pelo Sol Septh-Há ficou cego e saiu rastejando, como serpente que era, e foi viver nas trevas, pois não suportava a luz. Entretanto em seu poder ainda tinha o olho de Hórus, que se transformou em um olho de cristal, restituído mais tarde por Ísis, que o transformou em um talismã. Assim Hórus se tornou cego como Eros, porém esses dois cegos podiam ver além da matéria. Podiam ler as mentes humanas e invadir as almas, descobrindo o mais profundo mistério que habita o ser humano. O filho que o Messias deixou na Terra era simplesmente Amor, o ser mais temido, deus respeitado pelo bem e pelo mal, pois se tornara o senhor da criação, pois para tudo dava um sentido, uma razão, um porquê, o senhor que tudo revelava, porém seus mistérios eram insondáveis. Essas são as lendas criadas, com um fundo de verdade, sobre Ísis, Osíris e Hórus, Apolo, Vênus e Eros, mas a essas histórias devo acrescentar que os opostos Septh-Há e Píton eram o equilíbrio da balança, pois enquanto eu fazia o papel de Osíris, o Sol (justiça de Deus), Septh-Há era a luz que trazia à humanidade o espelho da verdade onde refletia as vaidades, as luxúrias, as cobiças, a avareza, o rancor, o medo, a covardia, enfim tudo que o corpo deveria superar para chegar à Verdade divina, porém a humanidade, ao ver a imagem de seus defeitos expostos em seus espelhos, se aterrorizava e além de condenar aquela visão jamais tentou compreender o que ela realmente representava. Todos descrevem a lenda de Vênus com Helena de Tróia, como se Vênus fosse uma deusa cheia de cólera e ciúmes (como Juno, a grande mãe de tudo, ou a Eva), porém na época daquele concurso Vênus prometeu dar a Páris a mais bela mortal (Helena de Tróia) se ele votasse nela. Isso significa que Vênus jamais competiu com Helena naquele concurso, que tinha caráter político. Senhor Jesus, essas histórias estão escritas em alguns livros na Terra, não estão? Sim, meu anjinho, porém esses livros parecem não chamar muita atenção e se tornam a cada dia mais raros. Sendo assim poucos são os que sabem dessas histórias e menos ainda os que se interessam em divulgá-las. Mas Senhor Jesus, a história de Vênus, a Afrodite, na Terra lhe é muito injusta, pois ela somente persuadiu o mortal Páris a votar nela para manter os seres elementais vivos tal qual fez Ísis. É verdade, meu querido. Naquela época não eram apenas os elementais que Vênus ou Ísis protegiam. Havia também seres de formas estranhas e horripilantes aos olhos dos humanos do novo tempo. Haviam restado alguns seres que pareciam crimeras e na verdade não eram monstros assustadores. Os dragões eram grandes mestres, que guardavam o conhecimento e o
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passavam somente aos escolhidos. Os seres normais temiam uma nova destruição da Terra se as crimeras continuassem a se multiplicar e se tivessem filhos com as mulheres normais. Além disso desejavam possuir os poderes daqueles seres. Tentaram descobrir seus segredos ou fórmulas de magia, etc. Não conseguindo resolveram matá-los, extinguindo-os da face da Terra. Para continuar guardando esses seres Ísis ou Vênus entrou em guerra com vários reinos que queriam destruir a raça “imperfeita” da Terra.. Por isso Vênus entrou em um acordo com Páris, dando-lhe o que ele desejasse. Ele era apaixonado por Helena e a julgava a mais bela mortal. Vênus, para continuar a proteger seus amigos, disse a Páris que ele teria a mais bela mortal se votasse nela no concurso que elegeria dentre 3 deusas aquela que iria a Tróia para destruí-la. Ela sabia que se fosse Diana ela não pouparia ninguém e Minerva facilmente aceitaria a vontade dos outros deuses, apesar de ser justa. Páris então fez apenas o combinado e terminou se saindo bem, porém Vênus, apesar de ter ganho o concurso e ter a ajuda de Apolo e Marte, não teve muito êxito em seu plano. Tróia foi invadida por um plano sórdido de Minerva e Diana, que mataram primeiro alguns mortais para servir de aviso a Vênus e seus aliados. Muitas das criaturas (crimeras) que haviam sobrado de Atlântida, Lemúria e Shangrillá agora estavam mortas pelo preconceito e a ignorância absoluta, mas alguns foram preservados em esconderijos subterrâneos. Sobreviveram e se multiplicaram, mas com o passar dos anos foram desaparecendo da face da Terra. Essa foi a batalha de Tróia que os poetas não sonharam escrever, porém muitos sabiam dela. Enfim, os seres chamados de deuses tentavam destruir a si mesmos para ter mais poder sobre um povo sem rumo, mas até mesmo os deuses têm um fim. Assim como Osíris morreu e foi ressuscitado por Ísis outros também morreram. Explicando melhor, a ressurreição de Osíris não se deu num corpo carnal. O que Ísis trouxe de volta foi apenas o espírito reluzente e limpo de seu amado que, atendendo ao suplício do verdadeiro e puro amor, voltou para ao lado de sua amada viver por mais algum tempo e, tão logo cumpriu sua missão, partiu da Terra. Septh-Há tinha o dom de transformar as pessoas em pedra e um dia, na tentativa de possuir Ísis, ameaçou-a com seus poderes caso ela não se entregasse aos seus desejos. Ísis negou-se a prestar-se a tal sacrilégio. SepthHá tocou-lhe um braço e ela, percebendo que logo estaria petrificada, apressou-se em arrancar o braço petrificado e se distanciou de Septh-Há que, desesperado, a seguia segurando o braço petrificado dela nas mãos. Septh-Há amava Ísis e sabia que ela sempre seria fiel a Osíris, mas seu dever de gênio contrário era tentá-la até o limite, porém foi ele que terminou sendo pego na teia do destino. Como ele era meu gênio oposto tinha o amor que eu tinha por Ísis, mas o meu amor estava além da alma, além do ser e do universo. Meu amor era simplesmente fagulha do “Infinito É” e o amor de Septh-Há era o amor das malícias, das luxúrias, das paixões ardentes, devastadoras e caóticas. Enquanto Ísis corria de Septh-Há seu sangue se esvaía como sua vida. Assim meu gênio viu seu amor partir pelas suas mãos frias. Quando ele tocou o sangue de Ísis foi invadido por todos os sentimentos que Ísis sentia

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por mim e percebeu que eu e ela éramos um só ser e que ele era parte desse corpo divino e assim Ísis, Osíris, Hórus e Septh-Há

CRUZ ANSADA transformaram-se no primeiro ser divino, as quatro letras sagradas do nome de Deus: IHVH, Hórus, a sabedoria divina, a águia; Ísis, o amor da alma que vence a carne, a água; Osíris, o Sol, a luz que dá vida às trevas da ignorância e Septh-Há, a serpente que rasteja pela terra, a natureza que tudo dá e tudo tira conforme a evolução de quem a compreende. Formamos as quatro letras, os quatro cantos da Terra, o destino escrito como ROTA.

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Somos o corpo, a alma, o espírito e a evolução deles. Na verdade são muitas as explicações para essas quatro letras que o povo judeu tão bem conhece e mantém em segredo seu significado. Durante muitos anos vários faraós egípcios mantiveram essa dualidade equilibrada entre Septh-Há e Osíris para que o equilíbrio da balança universal estivesse sempre perfeito. A maçonaria e os templários ainda mantêm o segredo do 33º rito, que significa Sol em miniatura. Para os bons entendedores da palavra isto fica bastante claro, o pequeno Sol que desceu à Terra. Deus Pai é olhado e comparado com o Sol de incalculável calor e infinita luz. Assim eu fui considerado o Sol pequeno. Os alquimistas criaram uma simbologia para explicar alguns fatos da minha história. Os doze apóstolos representam os doze meses do ano. Dividindo-se em quatro teremos as estações do ano: verão (nascimento), outono (crescimento), inverno (morte) e primavera (plantio para ressurreição). Nos

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deparamos aí com as quatro letras sagradas ou quatro palavras sagradas que compõe o Tetragrammaton, um sol quatro vezes maior. Foi este o nome que me deram. Assim também pintaram os artistas as imagens que tentam retratar a minha pessoa. Sempre colocaram um sol dourado ao redor da minha cabeça para que as pessoas pudessem identificar o Filho do Pai ou o Ungido ou o Escolhido. Meu nome em hebraico é IHSHVH (pronuncia-se Jehêshua). Retiraram duas letras para que o nome do Deus deles não fosse revelado no meu e ficou assim: IHVH. Assim o nome de Deus e o meu são a mesma coisa, quatro forças elementais criadoras de tudo. O fogo (o leão) representa o espírito, o ar (a águia) representa a consciência e a sabedoria, a água (o homem) representa o sangue e a vida, a terra (o touro) representa o corpo físico e a força, o simbolismo dos quatro evangelistas. Senhor Jesus, sua história foi realmente escrita nas lâminas do tarô de Hermes, porém poucas pessoas sabem onde começa sua história nas lâminas, mesmo porque somente alguns egípcios, judeus e iniciados sabem do que de fato estou falando. De fato é verdade, meu anjinho. Raros são aqueles que compreendem e sabem da minha história nas lâminas de Hermes, mas se isso é algum segredo que seja então revelado e tu farás isso por mim e pela humanidade. Minha história nas lâminas do Tarô começa pela lâmina nº 12 (O Enforcado, O Sacrificado, etc.) e vai até a lâmina nº 22 (O Mundo), onde a vitória absoluta do Religare é nitidamente expressa por uma bela mulher nua com duas baquetas nas mãos, que apontam na mesma direção em um equilíbrio harmonioso (simboliza a religião do equilíbrio universal). Em volta dessa mulher está a grande serpente Oroborus mordendo a própria cauda representando um círculo completo de aprendizado, uma era que chega ao final, um tempo que se cumpre. Ao redor da serpente estão os quatros animais sagrados representando o ar (a águia), o fogo (o leão), a terra (o touro) e a água (o homem). Tudo isso unido em uma só lamina de Tarô representa a vitória da minha Verdade, da Verdade de meu Pai sobre todas as mentiras e ilusões terrenas. Observe que a lâmina 21 é o contrário de 12 e é 1+2. Sempre somos a trindade, a pirâmide construída sempre de cima para baixo, a sabedoria que desce de Deus para os homens. Como já expliquei a última lâmina vou agora para o número 12, aquele que define a minha chegada, o Enforcado. Mostra um homem pendurado pelo pé. Ele está de cabeça para baixo, suas mãos estão atadas nas próprias costas, como se ele nada pudesse fazer. Como só tem um pé amarrado, com o outro ele faz um quatro de ponta cabeça, o que significa que ele não está na terra totalmente, pois se mantém pendurado e ligado à Árvore da Vida Eterna. Ele esconde suas mãos, pois não irá agir com a força, mas com a palavra, a sabedoria. Ele significa os quatro elementos que descem à Terra e é sacrificado para ser compreendido. Por isso logo vem a lâmina de número 13 (A Morte), que significa a renovação feita pelo sacrificado ou por aquilo que o sacrificado trouxe à Terra. Essa lâmina também representa a Espada de Deus sobre os ímpios, a Saraiva da Verdade devastando a mentira. Na lâmina nº 14 (A Temperança) pode-se ver uma mulher que mistura o azeite e a água na esperança de harmonizar os mistos. Na verdade na explicação egípcia para
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esta lâmina chamada de “as duas urnas” podemos ver Osíris, que segura uma urna derramando na urna de Hórus (a urna menor) toda a sabedoria. Isto significa que o azeite divino (sabedoria) desce suavemente para os homens, que aqui representam o elemento água. Deus aqui deseja fazer uma mistura, pois tem que romper a ignorância da água (homens) para se unificar a ela através do azeite (a sabedoria).

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Entra em cena então o aprendizado que eu deixei na Terra, a lâmina nº 15 (O Destino) ou aquele que tantos preferem chamar de “o Diabo”, o karma da humanidade exposto em sua face. Vem então o temor, o medo do pecado e do erro. Homens e mulheres unidos uns aos outros com a finalidade de harmonizarem seus karmas. A imagem de um bode que surge na frente de um sol vermelho representa tão somente as fraquezas, erros e desejos da humanidade, expostos a ela pela luz. Assim a humanidade teme as trevas que a luz lançou sem piedade ao mundo e não percebe que essas trevas são tão somente a falta de sabedoria e compreensão. Onde não há sabedoria e compreensão há somente ignorância, medo e escuridão. Isso foi o que aconteceu com os seres que não compreenderam o que eu ensinei. Me viram como um Tífon ou Píton, a serpente castigadora que os condena apontando os defeitos que eles insistem em não desejar, ver e tampouco admitir que têm. Me fizeram então de bode expiatório e se transformaram em falsos cordeiros. A lâmina nº 16 é chamada de A Casa de Deus ou a Torre de Babel por fazer uma alegoria à própria Torre de Babel, que não chegou ao seu final pela ignorância dos homens. Essa lâmina representa a minha revolta sobre os acontecimentos no Templo Sagrado de Salomão, a imoralidade e o desrespeito pela lei de meu Pai, a profanação da Verdade e os sábios corrompidos pelo poder. Na lâmina nº 17 (A Estrela) eu vou ao Egito, onde o

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Pai me prepara corpo e mente. Lá eu me caso e faço as núpcias divinas. Eu e o Pai nos tornamos definitivamente um só. Na lâmina nº18 (A Lua) meu oponente se apresenta igualmente como foi com Osíris e Septh-Há, o lobo e o cão. O Nilo os separa, mas o escorpião envenena as águas tal como foi com Moisés. Meu oponente não é um só ser, mas vários, que criaram uma seita mentirosa em cima do meu nome e da minha Verdade. A lâmina nº 19 trata do meu julgamento. Esse também é o nome da lâmina. Meu julgamento é a minha morte, mas a vida da minha Verdade se torna ainda mais forte e renasce a cada novo ser que vem à Terra. Essa é a promessa da lâmina nº 19. A lâmina nº 20 (O Sol) é o meu retorno à vida como o Sol, a luz que alumia os dias, a verdade que sai da escuridão da Lua (noite) e volta à luz do Sol (dia). Como já expliquei as 21 lâminas anteriormente agora fica muito fácil compreender a minha história escrita nelas, pois Hermes não escreveu apenas a história de Osíris, mas a de todas as minhas descidas à Terra, que sempre se dão da mesma forma. Mas agora, meu anjinho, tu serás eu e eu serei tu e mais uma vez as quatro letras, as quatro palavras sagradas irão descer à Terra. Lembra-te que a verdade sobre a minha vida tu conheces muito bem e a verdade que vão te apresentar é aquela que suavemente tu terás que refazer. A ti eu entrego a rosa cor-de-rosa, que representa a suavidade do amor incondicional, pois deixou de ser vermelha, a cor que carrega o sangue das paixões explosivas e ciumentas. Esta rosa é a tua marca da pureza. Ela é a garantia que eu te fiz cego para as diferenças e os preconceitos, que tu não verás, seja de raça, cor, credo ou posição social. Tu também não verás a razão do homem, mas apenas os seus sentimentos. Tu serás a verdade acima de toda verdade. Nenhuma outra verdade poderá ser maior que tu na Terra. Tu revelarás a verdade da Sophia ou, se preferir, descortinarás o véu da Ísis, a religião verdadeira, sem véus ou máscaras, que há tanto tempo vive escondida, guardada a sete chaves, sendo usufruída apenas por uma minoria de iniciados, que pouco interesse têm de passá-la adiante. Senhor Jesus, perdoe-me o atrevimento, mas para isso não seria mais fácil dizer à humanidade que o Senhor e aquele que eles chamam de Miguel Arcanjo são a mesma pessoa? Mas é exatamente isso que tu irás fazer, meu querido anjinho. Na Kabalah e em quase todos os livros sagrados o Miguel Arcanjo é representado pelo fogo de Deus. O Sol é o planeta regente, porém mesmo com essas dicas são poucos os que associam o poderoso arcanjo da justiça a mim, porém basta observar que os grandes artistas sempre desenham o Miguel Arcanjo pisando o Lucífero e verão o Sol esmagando a Estrela d’Alva, pois é visível a superioridade da luz do Sol. Assim como Osíris e Apolo foram chamados de Senhores do Sol e da Luz o Arcanjo Miguel e Lucífero também são as luzes divinas. Lucífero é o gênio, Miguel é o anjo. O Miguel Arcanjo que derrota o Lucífero é tão somente a vitória da sabedoria sobre os instintos, é o Miguel que controlou seu próprio gênio e seus instintos e só assim se transformou no arcanjo da justiça, que carrega a balança divina para medir as conseqüências dos atos dos homens e assim ele se torna a Espada de Deus, uma hora Lucífero, o gênio que tudo devasta, outra hora arcanjo, que tudo protege, mas
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sempre mantendo a balança equilibrada. Esta história também se repete com Simão, o mago e Simão Pedro. Para os católicos estes eram dois seres completamente opostos, mas para alguns kabalistas ambos são uma só pessoa. Simão, o mago, nada mais era que o lado da verdade de Pedro, que a Igreja católica diz desconhecer. Ele de fato era um grande mago, pois teve o mesmo conhecimento de Salomão e outros grandes homens, porém não era apenas o caso de Pedro. Todos os apóstolos tiveram esse conhecimento, mas foi a briga de Pedro com o mago Simão que a história registrou. Pedro teve que vencer seu gênio lucífero, que se envaidecia demais do conhecimento que possuía. Teve que lutar contra seus demônios pessoais tal qual foi com Cipriano e outros. A sabedoria sem evolução traz confusão e loucura àqueles que a perseguem cegamente. Salomão roubou para si o símbolo de seu pai e o usou como um selo para esconder sua verdadeira origem. A estrela de Davi ou selo de Salomão é a assinatura de um arcanjo que brilhava lindamente em seu escudo. Por isso alguns judeus também chamam este símbolo de Escudo de Davi, pois Davi também o usava para se proteger de seus inimigos.

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Quando precisava de ajuda bastava fazer este desenho no chão e se colocar dentro dele, rezar a oração de invocação do arcanjo e se consumava a vitória, mas não apenas isso. Também era preciso entender o significado deste símbolo, o que não era muito difícil, afinal já expliquei isso anteriormente. Com certeza agora fica mais fácil. Senhor Jesus, se me permites perguntar, por que o Senhor não contou toda a verdade sobre Osíris? Porque não é necessário. Aqueles que tiverem bom senso e um pouco de conhecimento vão perceber que a história dos anjos caídos é contada de maneiras diferentes por povos diferentes e em diferentes épocas, mas o resultado é sempre muito semelhante, tirando alguns devaneios de poetas, que terminam por aumentar as histórias ou ridicularizam algumas de suas personagens. Mas e quanto à Sophia, Jesus? Isso não será difícil explicar, meu anjinho. Basta tu te lembrares da mulher vestida de Sol que consta do livro do Apocalipse na Bíblia. É uma mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo de seus pés e uma coroa de 12 estrelas na cabeça. Para os cristãos esta mulher é Maria que, grávida de Jesus, brilha como um Sol, pois carrega em seu ventre a luz divina da Verdade. Na verdade esta mulher é a Terra, ou melhor, a Nova Terra (a Nova Jerusalém, para os judeus que ainda esperam pelo Messias). A coroa de 12 estrelas é a representação das 12 tribos de Israel, sendo a coroa a 13ª tribo. A luz do Sol em seu ventre é a semente da verdadeira religião, que brotará da terra e fincará suas raízes. A mulher sofrendo as dores do parto é a Terra padecendo
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com a ignorância humana (o mal que o homem está fazendo à Mãe Natureza), pois a humanidade prefere permanecer na mentira a tentar vencer o preconceito para conhecer a Verdade. O dragão vermelho é a sociedade e seus líderes mergulhados nos 7 pecados capitais (as 7 cabeças do dragão) e na desobediência dos 10 mandamentos (10 cornos ou chifres). O dragão se detém na frente da mulher para devorar o seu filho. Os céus arrebatam seu filho para Deus e os anjos levam a mulher para um lugar no deserto, onde ela é protegida por 1.260 dias (3 anos e cinco meses e meio, período de maior transformação e destruição da Terra). A mulher protegida em lugar seguro é uma pequena parte da Terra onde estará preservado e protegido o Santuário Sagrado da Verdade Divina (a verdadeira religião), onde também habitará a 13ª tribo, que será presidida por um anjo caído, o último que ainda estará na Terra para duelar com outro anjo, criado pelos homens. Esse outro anjo é o que alguns chamam de Anticristo. Ele é um ser criado por toda a tecnologia e sabedoria da era de Aquário (11), que tentará destruir o anjo nascido pela divindade. Esse Anticristo nada mais é do que um grande líder de uma grande nação e se transformará também em líder religioso, que usará todo seu poder bélico e de persuasão para destruir e se unir às outras nações. O seu exército de anjos são apenas os outros governantes de grandes nações. Enquanto isso o Anjo Messias não será anunciado. Isso quer dizer que será um ser desconhecido e que não demonstra ter poder algum. Silenciosamente constrói o Templo da Verdadeira Sophia e cria seus primeiros adeptos. Em suma, a Sophia sem véu ou a verdadeira religião é o motivo do maior conflito entre Israel e a Palestina. Ambos lutam uma guerra santa e ambos acreditam possuir a verdadeira fé ou religião, porém ali a sabedoria há muito tempo corrompeu as mentes inconscientes, que esqueceram que para se ter sabedoria antes de tudo é preciso pedir a compreensão e consciência dela, pois somente assim ela se torna verdade. No Apocalipse, quando se fala que a serpente ou o dragão jorra água contra a mulher e seu filho e ela cria asas e a terra conspira a favor dela isto significa que a verdadeira religião divina tem asas, ou melhor, é imortal, pois é o espírito e por isso não pode ser destruída pela terra, que só consome aquilo que é perecível pela vida e pelo tempo. Só fica na terra aquilo que a ela pertence, isto é, exatamente tudo que o homem possui exceto o sentimento, a sabedoria e sua alma, a Verdade que renasce de tempos em tempos sem jamais ter morrido. Na visão o profeta (João) diz ver surgir do mar uma besta com 7 cabeças e dez chifres. O mar é a multidão, a humanidade, e do meio dela surgirá uma sociedade de grandes líderes, que conduzirão essa multidão à ruína e quase destruição total. A essa besta é dada a autoridade para agir durante 42 meses (3 anos e 6 meses), basicamente o mesmo período que a mulher fica exilada. Esta besta também recebe autoridade para difamar o tabernáculo (as igrejas e instituições de fé), as tribos, os povos, as línguas e nações (autoridade para atacar todos os países sem distinção). Quando diz: “Se alguém mata pela espada pela espada morrerá” isto significa que se alguém mata pela justiça então pela justiça morrerá. Em outra visão o profeta diz que a besta surge parecendo um cordeiro, mas fala como dragão e opera sinais de maneira que até o fogo dos céus faz descer diante dos homens.
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Assim a tarefa de identificar a besta é simples. É um grande líder mundial unido a outro. Esses sinais se referem a uma tecnologia chamada HAARP e outras semelhantes. São grandes antenas e espelhos monitorados por satélites levados pro espaço e que emitem para a Terra ondas de diversas freqüências e o reflexo do Sol, potencializando o calor a tal ponto que podem destruir plantações, derreter propositalmente as geleiras, causar erupções vulcânicas, desmatar florestas, além de poder destruir cidades causando terremotos, maremotos e ondas de calor excessivo. Funciona também para exercer o controle mental sobre as pessoas. Esta tecnologia chamada HAARP pode controlar as mentes humanas pela emissão de ondas eletromagnéticas e radiação solar combinada com a grande quantidade de aparelhos eletrônicos que hoje a humanidade utiliza. Na verdade os grandes cientistas de hoje nada mais são que copiadores dos grandes alquimistas, que deixaram seus segredos escritos em símbolos e fórmulas secretas, hoje revelados ao mundo de maneira cruel e devastadora. Há mais de 150 anos a natureza perdeu o trono de culpada por todas as catástrofes naturais. Hoje apenas 20% dos fenômenos ditos naturais têm realmente causa natural. Os demais 80% são causados pelos homens. A humanidade perdeu seu livre-arbítrio e não sabe. Grande parte das doenças é causada por grandes cientistas e seus laboratórios milionários, que a cada dia ficam mais ricos às custas das doenças dos miseráveis cordeiros inocentes. Esses homens possuem a Caixa de Pandora mitológica. Melhor dizendo eles criaram uma Caixa de Pandora e a abrem quando querem engordar seus bolsos ou querem matar milhares de seres humanos nas chamadas guerras biológicas. Hoje eles criam um vírus, amanhã fingem que encontraram um antídoto e recebem um prêmio por tanta falsa bondade. Esta é a realidade da sociedade perfeita (leia mais a respeito no livro “Futuro, um Presente que veio do Passado”) do momento. Agora tu já sabes tudo que deves saber, meu anjinho do Amor. A Sophia é toda a Verdade que te revelei do princípio divino e de todas as coisas. Outra maneira de deixar claro minha existência é explicar à humanidade o símbolo do cálice e da hóstia (Tomei e bebei todos vós. Este é o meu sangue, que é dado por vós.). Em alguns desenhos religiosos é possível ver uma pomba branca que desce do céu com uma hóstia no bico e mergulha em um cálice de sangue que transborda, espalhando o sangue pela terra. Assim eu me defini para a humanidade. A pomba é o Espírito Santo de meu Pai e a hóstia que ela carrega no bico é a semente divina (eu), que se fez Verbo, desceu à Terra (o cálice) e pelo seu sangue ou pelo sacrifício espalhou a sabedoria e a Verdade Divina entre os homens.

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E este é o Tau sagrado de meu Pai, o alfa e o ômega. Em mim tudo começa para a mim tudo um dia retornar. Assim foi, assim é e assim será por todos os tempos. Senhor Jesus, hoje a Terra está vivendo sob o domínio de uma das tantas sociedades perfeitas que o homem vive criando ao passar dos anos, porém nós sabemos que elas nunca dão certo e tudo acaba sempre em uma grande catástrofe. E desta vez, Senhor, vamos ter que fazer de novo o apagão na mente das pessoas para elas esquecerem de tudo? É muito provável que sim, meu anjinho, mas não será como no passado. Será apenas um pequeno apagão, mas será necessário, pois a violência mental, visual e verbal já está causando um grande prejuízo aos seres humanos mais frágeis e, como se isso não bastasse, a Nova Jerusalém está usando desmedidamente os equipamentos de controle mental na humanidade, causando enormes ondas de suicídios em determinados países e ondas de síndrome de pânico e depressão. Da noite para o dia as pessoas estão acordando com comportamentos estranhos, como se não fossem mais as mesmas. Isso geralmente acontece após um resfriado ou uma crise de stress. Os grandes laboratórios espalham suas armas biológicas em pequenos aviões que borrifam as lavouras. Borrifam as nuvens para fazer chover e aproveitam para colocar o vírus da loucura junto, porém graças ao Pai várias pessoas resistem a esses vírus. Geralmente são pessoas que vivem no campo, onde tem muita vegetação e água pura. Já as pessoas que vivem nas grandes “selvas de pedra” (cidades), onde existe muito pouca vegetação e uma grande poluição, geralmente são os alvos mais fáceis, pois não têm nada que as proteja a não ser Deus. Até a alimentação é um veneno que vai matando lentamente. O número de pessoas obesas está acima do limite por causa desse controle mental invisível, que torna as pessoas mais ansiosas e deprimidas, levando-as ao desespero. Assim algumas terminam descontando tudo na alimentação errada, que por sinal é modificada em laboratório para manter as pessoas ansiosas e consumidoras daqueles produtos. Assim a obesidade é uma rica indústria, que se mantém às custas de clientes inconscientemente manipulados. Esses clientes são, sem saber, os maiores geradores de emprego. Por causa deles as academias de ginástica faturam muito alto, assim como as clínicas de estética, consultórios médicos, spas, indústrias de produtos dietéticos e light e laboratórios que criam fórmulas para um emagrecimento nem sempre alcançado. Assim também é com as doenças. Os laboratórios vão criando fórmulas cada vez mais caras para doenças que eles mesmos criaram e fazem questão de manter a homeopatia sempre desacreditada, afinal esse é um rival poderosíssimo, que deve ser mantido sempre sob controle. Pobre Paracelso, gênio da alquimia natural, que queimou os livros de Avenca e Galeno e depois ensinou a medicina natural a um grupo de egoístas e aproveitadores, que mais tarde lhe viraram as costas e roubaram os créditos de suas descobertas e fórmulas. Há 2.000 anos os grandes alquimistas vivem numa eterna briga. Lucas, o evangelista, era um médico que sabia curar seus pacientes apenas com uma suave conversa. Ele detectava se o mal era na alma ou no corpo e só depois dava um diagnóstico. Seu maior dilema foi perante um leproso que havia sido enxotado para fora
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da cidade para evitar a contaminação. Lucas o encontrou dentro de uma caverna junto da esposa, que era a única que cuidava dele, mas que já dava sinais de ter contraído a doença. Lucas deu a ela um elixir e a banhou com um preparado de azeite com alecrim e outras ervas. O mesmo fez com o homem, que já emanava do corpo um odor apodrecido de defunto. Não obtendo muito resultado com o homem Lucas se transtornou com o sofrimento daquele ser e chegou a duvidar de si e até de Deus. Em seu lamento ele desabafou toda sua dor com o Pai, dizendo: “Cadê tu? Onde estás? Acaso fechaste teus olhos e teus ouvidos para esse miserável que espera de ti a misericórdia da morte para alívio de sua dor? Onde estás tu, meu Pai, que não me respondes? Este Deus silencioso não é o meu Pai, pois o meu Pai jamais me deixou sem respostas.” Depois disso Lucas chorou, chorou como criança que lava a alma e depois dorme. No outro dia a esposa do leproso, já restabelecida, foi até Lucas e disse: “Senhor, eu ouvi vossa conversa com vosso Deus e seu clamor foi tanto que Ele vos ouviu. Hoje meu marido amanheceu com as feridas cicatrizadas e sem aquele cheiro de podre. Ele até comeu um pão e bebeu água.” O leproso se curou, mas foi Lucas que recebeu o milagre da fé. Assim Lucas se tornou médico de homens e de almas. Apolônio de Tyana realizou feitos tão grandiosos que até chegaram a dizer que ele era eu. O Grande Alberto e inúmeros outros homens que revelaram a alquimia divina da natureza aos homens hoje são imitados pela medicina convencional, que ainda tenta decifrar alguns de seus inventos ou receitas ainda não compreendidos. Porém essa mesma Medicina que os imita também finge não conhecê-los, mas graças a esses alquimistas os cientistas conhecem a cura universal para todo tipo de doença e infelizmente graças à ignorância e a ganância pelo dinheiro e poder jamais vão dá-la à humanidade. Se dizem que têm a cura estarão destruindo a galinha dos ovos de ouro deles. A doença dá lucro às empresas. A saúde traria prejuízo e um colapso industrial. É por isso que os homens de poder usam todos os meios para manter a humanidade dependente. Da alimentação à água, dos aparelhos eletrônicos aos jornais e revistas, do trabalho até as igrejas tudo é controlado pelos illuministas (Illuminatis). Tudo não passa de uma grande força criada para manipular as ovelhas (povo) e só o povo não sabe e não vê que entre os templários, maçons e illuminatis existem líderes religiosos das mais diversas filosofias. Dentre eles tem judeus, crentes, católicos, pentecostais, budistas, testemunhas de Jeová, batistas, adventistas do 7º dia, etc. Praticamente todos os credos tem um membro filiado à maçonaria, afinal para ser maçom é preciso ter uma religião, um credo, segredo esse que a maioria das pessoas não acredita ser verdade, porém não podemos esquecer que existem os dois lados dessas filosofias. Maçonaria, templários e illuminatis fazem as duas partes da balança. Esses seres podem até ter o mesmo conhecimento, porém graças ao Pai não têm a mesma opinião. Eles se dividem em dois grupos. Existem aqueles que lutam ao lado de Septh-Há e aqueles que lutam ao lado de Osíris. Quero esclarecer que estou apenas exemplificando os dois lados, afinal o bem e o mal existem com maior poder na mente daqueles que os cultivam.

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Já que o Senhor voltou a mencionar Osíris, por que não explicar o fato dele ter se tornado Hórus? Você se lembra que eu lhe disse que Osíris entrou no corpo de Hórus quando este foi lutar contra Septh-Há? Então, ali eu já estava dizendo que eles haviam se transformado em um só ser, mas tudo bem, vamos esclarecer a história do “Olho que tudo vê”. O “Olho que tudo vê” é a Verdade divina, que observa tudo que o homem faz. É a sabedoria, é a Sophia ou a Ísis sem véu, ou melhor, a religião sem máscaras, porém essa religião ou essa Ísis tem seus registros terrenos. Ela é o verdadeiro e único Livro da Luz na Terra. É o tal livro famoso que o anjo Raziel deu a Enoch e a partir dele muitos outros livros se originaram: Kabalah, Talmud, Torah, Bíblia, Vedas, etc. O mais importante é que este livro está dentro da Arca da Aliança (Caixa de Pandora) e que somente aqueles que têm a chave poderão abri-la, mas isso não é tudo. Eu já lhe disse que logo que entrei no Templo de Salomão mudei o destino da Arca da Aliança e tornei mais difícil a chave mestra. Existe apenas uma chave mestra, mas também existem outras chaves variantes, que podem até abrir a arca, mas não abrem o livro. Como já expliquei antes só abre este livro o quinto elemento encarnado, o Eros mitológico ou Hórus. Encima da capa deste livro está o olho de Hórus, que Ísis transformou em um talismã. Este olho não é apenas o olho de Hórus, mas também o olho de Osíris, vendo que Osíris e Hórus se fundiram num só ser para derrotar Septh-Há, porém não é apenas o olho de Hórus e Osíris. É também o olho de Ísis e Septh-Há. Em suma, este olho possui o poder do Tetragrammaton, das quatro letras sagradas e quatro elementos da vida e aquele que olhar este olho deve possuir o quinto elemento. Somente assim poderá abrir o livro do verdadeiro Religare ou o Livro da Luz. Senhor Jesus, o que aconteceria se alguém sem o quinto elemento olhasse o “Olho da consciência divina”? Muito bem lembrado, meu anjinho. Este é o nome verdadeiro do “Olho que tudo vê”, que muitos insistem em chamar de “olho de Hórus”. Respondendo agora sua pergunta, o ser que olhar este olho e não possuir o quinto elemento estará à mercê de seu espírito e nada na Terra poderá ajudá-lo. Seu julgamento será sua índole. Se for um ser rancoroso e cheio de ambições receberá do olho um raio de luz sobre sua testa e despertará o gênio mais terrível e cruel que o habita (Septh-Há). Com esse despertar acordará também um grande poder, que colocará a Terra em grande perigo. Este poder fará o ser que o possui perder o controle, mas ele não irá perceber isso, porém este ser não abrirá o livro sagrado. Irá apenas absorver uma parte do poder que existe nele, o poder dominante das trevas. O mesmo acontece com uma pessoa que possui em si uma das virtudes com maior domínio que as demais. Digamos que possua a virtude da justiça e receba o raio da sabedoria de Hórus. Entretanto, sendo incompleta essa virtude, fará da pessoa que recebeu o seu poder um assassino frio e calculista, que matará bandidos e malfeitores ou qualquer ser que ele julgue estar cometendo um ato injusto. Em suma, qualquer um que olhe para o “Olho da consciência divina universal” sem ter em si o quinto elemento pode vir a se transformar num perigo para si e para todos ao seu redor. Este olho só pode ser visto por aquele que compreende na
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íntegra o poder das quatro letras (palavras) sagradas do nome de Deus. Terá que compreender que Ísis (Lua / água) e Osíris (Sol / fogo) se uniram e juntos criaram Hórus (Saturno / ar), que venceu Septh-Há (Terra / terra, força, instinto) e que estes, unificados, são a revelação dos mistérios e a compreensão da natureza e tudo que há nela. Os quatro se transformaram no quinto elemento, aquele que tudo compreende e a tudo dá sentido. Sem este quinto elemento a humanidade não encontraria sentido nas suas encarnações e nem mesmo nas suas vidas. Com isso eu afirmo que todo ser humano é dotado do quinto elemento, mas isso não quer dizer que ela seja o quinto elemento. O quinto elemento é uma sabedoria além da Terra e de tudo que muitos seres humanos possam vir a imaginar. O quinto elemento hoje habita um ser humano que vive na Terra. Este ser humano possui em seu corpo a medicina universal, um antivírus que cura as mais terríveis doenças e vírus criados pelos homens. Este ser humano aparentemente leva uma vida normal. Não costuma chamar a atenção para a sua pessoa. É dotado de uma grande sabedoria, podendo tranqüilamente se equiparar a um mestre da senda luminosa, mas é um ser prudente, que prefere passar por louco a ter que ser reconhecido como sábio. Sabe perfeitamente do seu papel, da missão que veio desempenhar na Terra, tem consciência de que é o quinto elemento e isso muitas vezes lhe dói na própria alma. Este ser também sabe que na hora mais terrível de dor da humanidade ele será o único que poderá salvá-la. Ele é dotado das quatro letras / palavras sagradas e de seu poder. Por isso é o poder maior que tranqüilamente pode olhar no olho do livro que guarda a Verdade absoluta. Ele já sente esta Verdade absoluta, pois é ela caminhando disfarçada de ser humano pela Terra. O quinto elemento é este livro. É como Deus e o filho que se unirão na hora certa para dar à Terra mais uma chance. Ambos se atraem um para o outro e ninguém impedirá esse encontro. Este livro é o motivo de muitas mortes entre dois países que vivem uma guerra santa sem fim. Ambos lutam para ter o direito de possuir o livro e a chave que abre a arca que o guarda. Muitos foram os seres que enlouqueceram diante dessa poderosa verdade e muitos ainda podem vir a enlouquecer. Ter a arca e a chave não basta para ter o Livro da Luz. É preciso ter em si o quinto elemento. Na verdade ele é o fator principal para receber a luz sagrada desta Verdade e aquele que não possui o quinto elemento o máximo que pode vir a receber deste livro é uma loucura sem fim. Ninguém pode entrar na casa do Senhor sem antes ter se despido do mundo, dos desejos da carne, dos desejos do ego, sem antes se perder e desejar ser achado, sem antes estar vazio para ser preenchido. Enfim, ninguém pode adentrar a casa do Senhor sem antes compreender tudo que a ti disse. Senhor Jesus, agora que o Senhor já esclareceu a história de Ísis e Osíris, não seria conveniente que o Senhor esclarecesse também sua história com Ayrimael ou M-Magdala (invertido: Mirya-el) e contasse a verdade sobre o apóstolo Pedro? É, eu acho que tens razão, meu anjinho. Essa verdade também precisa ser esclarecida, mesmo porque ela não é mais um segredo tão velado. Muitos são os que a conhecem, porém poucos são os que tem coragem para admiti-la e
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divulgá-la. Na época em que vivi na Terra com o nome de Jesus Cristo deixei uma história que mais tarde foi escondida, mas chegou a hora de tirar o véu e fazê-la renascer. Pra começar vamos tratando logo de corrigir a data do meu nascimento. Naquela época existiam 13 meses e não 12, isso porque o mês tinha apenas 28 dias, referindo-se à Lua. Um mês significava uma Lua completa em seus quatro ciclos. O 13º mês era reservado para as festividades das estações: verão, outono, inverno e primavera e também existia a 13ª hora. Tudo isso não vem ao caso, mas é apenas mais uma prova da datação errada. A contagem está errada. Para alguns historiadores eu nasci entre 60 e 70 anos antes da datação que tornaram oficial e eles com certeza estão mais próximos da verdade. Existem documentos que meus apóstolos escreveram relatando essa verdade e obviamente já foram encontrados. Alguns até já foram divulgados. Muita gente acredita não haver documentos que atestem a minha existência na Terra, mas eu lhe afirmo que esses documentos existem e a própria Igreja os esconde da humanidade. Agora vou contar o motivo pelo qual a Igreja os prefere escondidos. Esses documentos não só atestam a minha existência como também relatam fatos que derrubariam os pilares da Igreja. Um desses fatos é que eu tive duas mulheres apóstolas, minha mãe e Magdala, dois seres que muito amei e amo. Magdala era uma das mais doces criaturas que conheci e, ao contrário dos relatos históricos, jamais foi uma prostituta. O relato da adúltera não menciona o nome da mulher que ia ser apedrejada, porém mais tarde a Igreja, para se manter, resolveu dar um nome a essa pecadora e escolheu o único nome que poderia ameaçá-la. Magdala era minha companheira e discípula. Ela tinha uma grande compreensão daquilo que eu ensinava aos discípulos, o que não a tornava muito bem-vinda aos olhos de alguns dos apóstolos, principalmente aqueles que eram também meus irmãos: Tiago, José, Simão e Judas. Eles eram meus irmãos por parte de pai. Por isso alguns dizem que são primos-irmãos, porém Simão é aquele a que mais tarde se chamou Pedro. Posso lhe afirmar, meu anjinho, que ninguém me traiu mais do que Pedro. Judas me amou demais, mas Pedro cometeu erros em nome do poder. Em alguns evangelhos está escrito que eu troquei o nome de Simão para Pedro, e que ao fazer isso eu disse: “Tu agora sois pedra e sobre essa palavra edificarei meu templo.” Por isso a Igreja Católica prega até hoje que Pedro foi o primeiro papa ou a pedra fundamental da igreja que criou em meu nome. Em primeiro lugar Pedro era um rabino, tinha conhecimento da lei, e um rabino não troca de nome. Depois basta observar no Velho Testamento quão raras foram as vezes que um homem trocou de nome. Em segundo lugar o significado da frase está bem clara “...e sobre essa palavra edificarei meu templo” (a palavra “pedra” e não sobre Pedro). A Igreja mudou e omitiu muitas coisas nas escrituras sagradas. Simão Pedro era um homem muito rigoroso, principalmente quando se tratava de seguir a velha lei. Não tinha flexibilidade com as mulheres. Tratava-as como seres inferiores e pouco merecedoras do conhecimento divino e na verdade questionava muito tudo que eu ensinava a ele e aos demais, pois era apegado à lei antiga, que não aceitava mudança. Seus
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conflitos eram muitos e isso o tornava agressivo com os demais apóstolos e muitas vezes intolerante. Em verdade afirmo que é muito mais fácil ensinar a quem nada sabe do que mudar os conceitos de alguém que julga muito ter aprendido. Pelo fato de ser rabino Pedro já tinha seus conceitos formados e não estava disposto a evoluí-los. Esse também era mais um dos motivos pelo qual não aceitava Magdala como apóstola e mais um dos motivos para ofendê-la constantemente, porém o motivo mais secreto e jamais revelado aos homens era simplesmente o amor. Pedro nutria por Magdala uma paixão velada, que tentava de todas as maneiras matar dentro de si. Magdala era minha companheira e isso fazia Pedro ofendê-la ainda mais e é nesse instante que ressurge a lenda de Ísis, Osíris e Septh-Há. Tal qual foi no passado distante seria mais uma vez. Um dia Pedro perguntou a Levi o que teria Magdala de tão especial para até o Filho do Homem encantar. Levi e Felipe, assustados com a pergunta de Pedro, responderam: “Virtudes, ela carrega apenas virtudes, Pedro.” “Acaso nós homens não temos virtudes?” – perguntou Pedro. “Tu não compreendes os desígnios do mestre porque em teu coração repousa a doença do ciúmes” – retrucou Felipe. Desde muito pequeno Pedro carregava muita revolta. A primeira foi o fato de ter perdido sua mãe ainda muito cedo. Ela havia fugido com outro homem e deixou os filhos sem ter notícias de sua existência por muitos anos. Ela era uma esposa agressiva e mãe cruel, o oposto de José, porém Pedro era o único filho que parecia ter herdado a índole da mãe e também o único que nutria ódio por ela. Talvez tenha começado aí a intolerância e o preconceito que Pedro tinha em relação às mulheres. Ele julgava todas as mulheres impuras e seres inferiores, exceto uma mulher, Maria, minha mãe. Essa ele adorava, pois para ele foi como uma mãe verdadeira, cheia de carinho e atenção para com os filhos adotivos. Por Maria Pedro nutria verdadeiro carinho e respeito, mas por Magdala a raiva era incômoda e intrigante. A maneira como ele a tratava era de total desprezo, porém a maneira como a olhava era de um desejo velado. Muitos dos apóstolos tinham certeza das intenções de Pedro para com Magdala, afinal ele fazia questão de causar discórdia entre os apóstolos e Magdala, mas na maioria das vezes ele não alcançava seu intento, pois os apóstolos não lhe davam atenção e Magdala encontrava refúgio nos braços de minha mãe, quando a mim não encontrava. Assim Pedro ia ficando cada vez mais furioso com Magdala. A situação chegou a ponto dela questionar Pedro que mal ela lhe havia feito para que ele a odiasse tanto. Num súbito momento de consciência e desespero ele respondeu: “Será que tu não percebes? Será que tu de fato não vês o que realmente sinto por ti?” Só então é que Magdala compreendeu o que se passava pelo coração de Pedro, porém isso a amedrontou ainda mais, afinal ela era uma mulher comprometida e Pedro também já era casado e tinha um casal de filhos, sendo que desses a filha era a mais maltratada. Pedro tratava sua esposa como uma serviçal e sua filha vivia escondida, proibida de aparecer na presença de qualquer tipo de visita. Era uma moça linda e quando chegou a época de se casar Pedro passou a rejeitar todos os possíveis pretendentes. O tempo passou e Pedro não mudou sua maneira de
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pensar. Ele dizia que ela seria pura até a morte e assim jamais conheceria o pecado. Algumas atitudes e atos de Pedro fugiam totalmente do comportamento de um rabino, como ele era, e para trazê-lo de volta à realidade a vida lhe deu um duro golpe. Ele rezava todas as noites para que Deus preservasse sua filha pura e sem pecados e não sabia que estava para ser atendido em suas preces. A filha de Pedro se apaixonou mortalmente por um nobre homem de boas intenções e honesto em suas relações. Esse homem também veio a se enamorar pela filha de Pedro e com ele foi ter uma conversa, que não foi muito agradável. Pedro chegou a ameaçá-lo de morte se ele se aproximasse de sua casa. Passada uma semana o homem apareceu morto e a filha acusou o pai de ter matado o amor de sua vida. Pedro negou ter cometido o crime, mas não convenceu a filha, que sabia até onde o pai seria capaz de chegar para alcançar seus intentos. Daquele dia em diante a moça secou, sua beleza foi desaparecendo e no curto prazo de um mês ela veio a morrer como se fosse uma múmia. Esse foi o dia em que Pedro absorveu um pouco de consciência, porém como um dia havia sido no passado voltava a ser. Mais uma vez a história se repetia. Eu, o Osíris, Magdala minha muito amada Ísis e Pedro meu irmão Septh-Há. Pedro não era um ser cruel ou mau de fato. Ele apenas não tinha consciência de que era a reencarnação de Septh-Há e que tinha que cumprir seu papel. Um dia, quando eu falava aos apóstolos, revelei a eles que ao morrer eu voltaria para orientá-los, mas que se algum deles tivesse dúvidas que procurasse por minha mãe ou minha companheira. Elas haveriam de ter algum alento para as dúvidas deles. Pedro então questionou porque eu daria a liderança às mulheres e não a um dos homens, como era costume da época. Eu lhe comuniquei de que ali todos eram líderes das ovelhas que arebanhassem, mas cada um seria mestre de si mesmo. Senhor Jesus, por que o Senhor não conta a história de sua filha? Eu irei contar, meu anjinho, mas antes vamos começar a história do começo, como as coisas de fato se passaram. Em primeiro lugar havia entre os apóstolos dois homens chamados Simão e três chamados Judas. Esse é também um dos motivos por haver tanta confusão histórica, que vou tentar desfazer agora. Entre os discípulos um dos Simão era chamado de Pedro rabino e o outro apenas de Simão. Mais tarde a Igreja resolveu mudar a história para favorecer seus interesses e trocou o nome de Simão rabino para Pedro, a tal pedra fundamental da Igreja, e o outro foi simplesmente apagado da história ou teve sua história misturada a de Pedro. Os três Judas são Judas Tadeu, Judas o Tomé e Judas Scariot, o falso traidor. Esses também tiveram suas histórias adulteradas na época do imperador Constantino, mas que fique bem claro que não foi só Constantino que mudou a história. Outros homens de poder depois dele também tiveram grande parcela de culpa pelas mudanças. Santa Helena, a mãe de Constantino, foi de fato uma grande mulher. A Igreja conta que foi ela que achou os cravos e a cruz na qual fui crucificado, mas a verdade é bem outra. Helena era minha descendente, pois descendia da minha filha. Após a minha morte Magdala e minha filha ficaram com os meus
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pertences e eles foram guardados em segredo de geração em geração até os dias de hoje, porém nem todos os meus pertences foram preservados pela minha geração. Os mais importantes, o livro que escrevi (o Livro da Lei), o cálice sagrado, onde está guardado meu plasma, e a chave de Magdala foram muito bem escondidos por minha muito amada Magdala. Ela preservou isso longe do alcance da humanidade para que tu, meu querido anjo do Amor, possas salvar a Terra. Eu sei, Senhor Jesus, que Maria Magdala preservou tudo isso para um futuro de mais de dois mil anos. Sei também que foi o Senhor quem a instruiu. Por isso até hoje ninguém achou tão precioso tesouro e mesmo que alguém o achasse jamais poderia fazer uso dele, meu anjinho, pois ele foi designado somente a ti e tão somente a ti. Eu compreendo, Senhor, mas podes me explicar o que houve com vossa descendência? Na verdade você quer me perguntar porque eu não escolhi um deles para achar as relíquias sagradas, não é? Mas essa resposta é muito simples, meu anjinho. Durante 2.000 anos a minha descendência vem sendo perseguida. No princípio Magdala e minha filha Sarah tiveram que fugir para a Gália antiga, hoje França, para sobreviverem. Foram dias e noites dentro de um barco com dois fiéis amigos, José de Arimatéia e Felipe, e sua irmã Bethânia. Eram três mulheres corajosas e dois homens que lhes aumentavam a fé. Não era um barco grande, pelo contrário. Era um barco simples de pescador para ninguém desconfiar dos seres que estavam em fuga. Eles passaram por dificuldades grandiosas. O mar estava revolto nos primeiros dias, o sol parecia estar mais quente e por fim vieram algumas tempestades e a falta de alimento. Cinco dias sem ter o que comer, bebendo somente a água da chuva. À deriva, foram guiadas por Deus até as margens de um rio. Hoje a cidade ali existente carrega o nome de Santas Marias do Mar (em francês: Lês-Saintes-Mariesde-la-Mer). Eles foram vistos por um menino, que estava tomando banho ali. Ele, gritando desesperadamente, pediu socorro à sua família, dizendo: “Salvem, salvem!” Ele levou algumas pessoas até o local e esses retiraram minha amada família daquela situação. As mulheres estavam fracas demais, já não conseguiam andar. Os homens também já não tinham forças. Esse pequeno grupo de pessoas os recolheu, alimentou e terminou se tornando uma família para aqueles kali (pele negra ou escura), foi assim que os chamaram. Eram um povo nômade e muito alegre. Faziam festa por tudo e reconheceram em Magdala uma sacerdotisa ou grande anciã. A eles ela contou sua história e eles a respeitaram e amaram ainda mais. Magdala tinha uma pele escura, mas seus cabelos não eram negros como das mulheres da Judéia ou de Jerusalém. Ela tinha a pele bronzeada do sol, mas seus cabelos eram castanhos, nem claros nem escuros. Tinha um pouco da genética de seus pais, que descendiam dos gregos, que eram um povo de cabelos mais claros. Magdala trabalhava nas vinhas de seu pai e morava em uma pequena fortaleza que tinha o nome de Midgales. Foi daí que ela recebeu seu segundo nome, Maria de Midgales, que mais tarde foi distorcido para Magdala. Sua irmã, nascida na Bretânia, chamou-se Maria Bethânia, como era comum na época as pessoas receberem o nome de acordo com a casa ou
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lugar onde nasceram. Além de saber cuidar de vinhas Magdala também havia aprendido a pescar muito bem e falava fluentemente quatro idiomas. Isso também tornou mais fácil sua vida com o povo da Gália. Ela era uma mulher muito trabalhadora e sábia e em sua sabedoria criou uma língua só falada por este pequeno grupo. Era uma espécie de código que misturava outros idiomas, tornando impossível outros saberem o que era falado entre eles. Criou o idioma e os símbolos, que eram reconhecidos apenas por aqueles de total confiabilidade. Ela fez isso justamente para evitar as perseguições e a revelação dos segredos. Somente as pessoas daquele grupo sabiam falar a tal língua e somente algumas anciãs e anciãos sabiam o significado de alguns símbolos ou gestos (olhares e movimentos). Nessa mesma época Pedro viajou a Roma atrás de Magdala. Ele acreditava que ela havia fugido para lá, pois foi essa a pista falsa que os discípulos lhe forneceram. Enquanto isso Simão e Bartolomeu, que já tinham notícias de Magdala, foram para a Gália e a avisaram que Pedro não estava mais tão longe e que estava determinado a encontrá-la. Magdala partiu para as montanhas com o grupo de pessoas que agora eram seus irmãos, sua família. Lá construíram ao pé de uma montanha pequenas moradias, na verdade uma pequena aldeia. Viviam da lavoura e uma vinha, pescavam e criavam vacas leiteiras para produzir queijos. Magdala lhes ensinou tudo que eu lhe ensinei sobre a vida, a alimentação correta, a natureza e a sabedoria divina. Nesse lugar também foi construído um esconderijo secreto para proteger Magdala e sua filha Sarah. Nesse esconderijo Magdala construiu secretamente, sem que ninguém soubesse, um segundo esconderijo, onde guardou as três relíquias das quais lhe falei. Por precaução ela fez réplicas dessas relíquias e as espalhou. Uma cópia foi para o Egito com Bartolomeu e Felipe. Outra ficou com sua filha, porém o segredo de onde ficou o original somente Magdala guardou. Anos após sua morte o povo nômade continuou perpetuando seus ensinamentos e aos poucos os apóstolos também terminaram a construção da sociedade de Qumran, que seguia os mesmos ensinamentos pregados por Maria, minha mãe, e Magdala. Eram pequenos grupos que se formavam, mas que aos poucos espalhavam a sabedoria pela Terra. Em Roma Pedro pregava sua oposição a Cristo. Na verdade foi um acordo entre romanos e judeus que Pedro fez. Ele disse: “Eu dou a vocês a história do Cristo e vocês me dão Magdala, afinal eu fui um dos 30 que pagou o salário de Deus. Estando o Cristo morto ela estará livre para mim. (Naquela época o valor de um escravo podia chegar a 30 moedas de prata e o ‘salário de Deus’ foi o termo usado pelo Sinédrio ao comprar Cristo por 30 moedas. Era como se estivessem dizendo: “Estamos negociando Deus por 30 moedas.) Pedro tomava parte das reuniões do Sinédrio e era mais um dos que não podia crer que eu era o Messias, mas fazia bem o seu papel. Um dia eu disse a Pedro: “Cuida-te Pedro, pois o mal vem roubar tua alma, mas eu hei de falar ao Pai a teu favor e rogarei para que até o fim da tua vida tu voltes para Deus.” Isso está escrito no Evangelho de Lucas (22;31), não com essas palavras, afinal o Evangelho do Novo Testamento sofreu graves alterações, mas para os bons historiadores ou estudiosos no assunto deixo uma boa pista: o Velho Testamento e o Apocalipse de João são tesouros cheios de respostas
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para certos enigmas. Em Zacarias é muito fácil encontrar a profecia que relata sobre o salário de Deus como sendo 30 moedas de prata. Isaías, Daniel e Ezequiel também permitem decifrar vários enigmas, bastando ler com calma e atenção. Um desses profetas teve uma visão em que foi chamado a conversar com Deus, que mostrou a ele um cordeiro com 7 olhos. Outro profeta viu uma pedra com 7 olhos e Deus disse a ele: “Eis a pedra fundamental onde construirei meu reino.” Em resumo, Pedro jamais foi a pedra fundamental da Igreja que muitos acreditam ter sido. Essa história foi apenas mais uma das distorções criadas pelo clero para manter um dogma machista e impiedoso. Se Pedro foi o primeiro papa da Igreja e era casado e teve filhos, por que os papas, bispos e padres dessa mesma Igreja não podem se casar, constituir família e continuar sua missão com Deus? Essa questão nada tem haver com a vida e doutrina de Pedro, exceto pelo fato de Pedro não permitir que os ensinamentos fossem passados a mulheres. Outra página deturpada da história é aquela que diz que Pedro foi crucificado de ponta cabeça alegando que não merecia a honra de ser crucificado como o Cristo. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo por negar os dogmas anteriores e aceitar a filosofia de Cristo (a cruz de cabeça para baixo também é considerado pela Igreja uma negação do Cristianismo). Como ele era um rabino a punição por transgredir suas leis e dogmas era ter uma morte assim, além dos vários rituais que aconteciam antes do castigo final, mas isso só veio a acontecer após a morte de Magdala. Pedro só se libertou quando teve a certeza da morte dela e durante os anos que lhe restaram ele virou um verdadeiro profeta. Eu não estou reprovando Simão Pedro, tampouco julgando sua conduta na época. Apenas quero esclarecer que sua história foi misturada com a do outro Simão, que há tempos tem sua história praticamente negada ou completamente desconhecida, porém a maioria dos feitos relatados como sendo de Pedro pertencem de fato a Simão, assim como a Revelação (Apocalipse) de São João não pertenceu a ele, mas a Magdala e Maria, minha mãe. Elas se correspondiam por cartas contando as revelações que haviam tido. Os apóstolos João e Lucas se incumbiram de transcrever as revelações das duas em um só rolo e aí veio a distorção da Igreja. João e Lucas deixaram bem claro quem havia recebido aquelas revelações e que estavam apenas transcrevendo essas revelações para um só documento. A Igreja aproveitou essa oportunidade e deu a João a legitimidade da autoria das revelações apagando da verdadeira história aquelas que poderiam lhe trazer grandes problemas políticos e religiosos. Muitas foram as mentiras criadas pelos homens, porém a maior de todas elas foi criada na época de Constantino: o falso corpo do Cristo. Mas Senhor Jesus, não foi o imperador Constantino que causou as maiores mudanças naquele que chamamos o Livro da Lei, hoje chamado também de Bíblia? Sim, meu anjinho, o Livro da Lei foi criado naquela reunião política entre o imperador e os representantes das 12 tribos e ali surgiu a Bíblia, contendo apenas o Velho Testamento retirado da Torah e do Talmud (Judá e Israel), porém o mais importante continuava secreto (A Kaballah. Este livro de
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grande sabedoria estava velado para aqueles que não estavam na lista dos escolhidos do Zohar ou Livro do Esplendor.) Todos esses livros resumem uma só coisa: a origem do universo, do homem e da vida e eu concordo que são necessários muitos anos de estudo para compreendê-los. Por isso a Bíblia se tornou uma prévia da Verdade, pois nela foi resumido o conteúdo de mais de 20 livros, com o dobro do seu tamanho. Constantino era adorador do Sol Invicto antes de se fazer passar por cristão. Furtou de sua mãe Helena as relíquias originais da descendência de Sarah, minha filha e com elas negociou sua vitória. Dentre essas relíquias havia documentos atestando datas e acontecimentos importantes, que seriam provas da minha existência, mas como já disse, muitos documentos eram cópias, pois alguns originais só Magdala e Maria, minha mãe, sabiam onde estavam. Tanto judeus como romanos se apoderaram desses documentos, num acordo político que não durou muito tempo. A Torah e o Talmud foram adulterados na intenção única de apagar a minha existência. Me ignorar seria para Israel manter seu poder político e religioso. Me afirmar seria para Roma ganhar o poder, pois era crescente um Cristianismo assassino de judeus que eu não criei. O Cristianismo era tão repressor e ignorante quanto as seitas que reprovei quando estive na Terra, até mesmo os essênios, de cuja história eu já contei um pouco. Entretanto devo esclarecer que existiam vários grupos de essênios e que dentre eles existiam alguns que eram tão rígidos na disciplina que chegavam a proibir que um novo membro do grupo tocasse em um membro mais antigo para não contaminá-lo com a energia impura do novo. O novo membro só podia tocar nos seres dessa comunidade após um ano de purificação do corpo e da alma. Isso é falta de sabedoria e caridade/respeito com o próximo, mas também existiam essênios que tinham o conhecimento do amor incondicional. Vamos agora voltar ao assunto anterior, Senhor Jesus, sobre o falso corpo? Sim, vamos. Por que os homens criaram esse falso corpo, Senhor Jesus? São tantos os motivos, meu anjinho, que se fosse enumerá-los daria um livro. Em primeiro lugar é mais fácil responder porque Roma, tendo todos os documentos da verdade, não a revela a ninguém. Isso é muito simples, Senhor Jesus. Se Roma revelar ao mundo que tem como provar sua origem e sua existência derrubará o mito do Cristo que ela criou, pois os documentos que provam sua existência também provam a linhagem do Graal, seu casamento com Magdala e a família que fizeram juntos. Também prova que sua mãe, Maria, era uma sacerdotisa estéril, que jamais poderia ter filhos, pois veio de uma família estéril e ela fora concebida apenas para Lhe conceber. A mãe de Maria, sabendo que não teria filhos, pediu a Deus a oportunidade de ser mãe e jurou que se tivesse alcançada a graça, entregaria a filha para servir o Templo do Senhor. Assim Maria nasceu e logo foi para o templo, cumprir a promessa de sua mãe. Assim Maria se tornou a taça sagrada que Deus escolheu para receber Sua luz e transbordá-la na Terra e se isso não basta Roma ainda terá que desfazer o mito de Pedro como pedra fundamental e de Judas como o traidor. Terá que dar a Magdala o seu lugar de direito e tirar de sua história a fama de ter sido prostituta. Terá que contar
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a verdade sobre o seu encontro com ela e dizer que o Senhor a salvou de ser sacrificada num ritual para Asmodeus. Terá que dizer que ela era pura e seria sacrificada e assim também irá revelar que as pessoas que participavam desse ritual eram judeus, os descendentes daqueles que adoravam o bezerro de ouro e que nem Moisés, com toda sua sabedoria, conseguiu mudar. Terá que mostrar uma face desconhecida de Pedro, o patrono do império religioso romano. Em suma, Senhor Jesus, o Cristianismo teria seu fim decretado e o império romano perderia seu poder, pois nem todos compreenderão que a verdade que derruba dogmas de fato nos liberta para evoluirmos os conceitos estacionados na ignorância e no preconceito, criados por tais dogmas. Eu sei, isso tudo é uma dura realidade e muito me agrada tu também conheceres essa verdade, anjinho, mas o motivo mais importante para Roma manter o segredo é não deixar que judeus voltem a ter o poder, pois essa verdade seria para eles como um trono de rei, onde eles seriam reis e voltariam a mandar no povo até tê-lo todo sob seu perfeito domínio e, é óbvio, não seria difícil convencer esse povo. Eles simplesmente diriam que sempre foram vítimas de um falso Cristo e que sempre demonstraram sua opinião a esse respeito e ninguém jamais os ouviu. Iriam incitar o povo contra a Igreja dizendo: “Ela mentiu para vocês uma vez, não revelando a verdadeira história do Cristo. Quem pode lhes afirmar que agora ela está falando a verdade?” Assim uma nação ou uma multidão de fiéis ao redor do mundo seria influenciada por dois falsos cordeiros. Nem judeus nem romanos têm verdadeiro interesse em ajudar o povo. Ambos têm apenas interesses políticos e de poder. Mas enfim, meu anjinho, vamos ao que a Igreja teme acontecer e terá que suportar, pois tamanha descoberta será fatal para a humanidade e causará uma guerra religiosa sem fim. Quando Constantino negociou sua vitória passou adiante cópias de documentos, ainda hoje secretos, sobre a minha vida. O mundo judaico, amedrontado, procurou a melhor maneira de aproveitar a seu favor aquelas informações e assim o fez. Criaram um túmulo nas mesmas condições e localização onde José de Arimatéia havia deixado meu corpo e assim também sepultaram um corpo com todas as marcas que correspondiam àquilo que eu passei. Deixaram esse corpo para que fosse achado mais tarde e dessa maneira absolvessem o povo judeu e condenassem o povo cristão, pois o milagre da ressureição não mais existiria e o dogma cairia por terra, pois ali não teria só um corpo de um falso Jesus, mas também documentos que o tornariam um mortal, que se casou e teve uma filha e, portanto, não pode ser o filho de Deus ou o representante de Deus. Esse corpo ainda vai ser achado e com certeza vão dizer que ele era Cristo, afinal ele está documentado pelos símbolos, pela idade do corpo, pelas semelhanças das marcas encontradas nos ossos e pela história que lá será encontrada e assim ninguém irá perceber que tudo está perfeito demais para ser verdade. Mas Senhor Jesus, a história que foi colocada neste túmulo está pela metade, não corresponde à sua verdadeira história. É fato, anjinho, mas a Igreja de Roma não vai mostrar os verdadeiros documentos, pois esses iriam atestar de certa maneira a farsa criada pelos judeus, mas por outro lado afirmar o quanto a Igreja mentiu para o povo esses
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anos todos. O fato é que o corpo é uma farsa e sua história é baseada em uma história real de um Cristo real. Apesar de ser apenas uma meia história feita de símbolos ela será o bastante para convencer o povo. Tudo seria muito mais fácil se os interesses dos homens não tivessem omitido a verdade sobre a minha vida. O que eu vivi e fiz nesse mundo jamais anulará minhas palavras e minhas ações, tampouco o amor que tenho por esse povo, filho de meu Pai e também filhos meus. Como está escrito no Evangelho de Tomé, eu não vim apenas para trazer a luz, mas para trazer a espada, que significa a palavra, a Verdade de meu Pai e essa Verdade jamais se apagou da Terra, pois a minha descendência a manteve viva, não só pelo sangue, mas pela sabedoria e prudência. O rei Artur foi mais um dos seus descendentes? Sim, foi e ele manteve os segredos e os protegeu. Antes de morrer delegou essa missão à sua filha Hellena ou Ellin, que a história não registrou, pois quis Artur que ninguém jamais soubesse da existência dessa filha. Para isso ele treinou uma moça para proteger e manter sua filha em total segurança. Ela não levantaria suspeitas, mas suas habilidades com a espada e sua desenvoltura nas artes marciais davam a Artur a segurança que procurava para garantir o anonimato e a segurança de sua filha, que foi treinada pela própria guardiã. Além do rei Artur e sua filha Ellin quais foram os outros guardiões? Jacques DeMolay, um grande mestre templário, que sofreu o martírio cruel imposto pela Igreja, que tanto desejava obter os segredos de seus tão misteriosos conhecimentos. Vários nomes de grandes alquimistas aumentam essa lista e graças a esses nomes a Verdade se mantém viva. Senhor, por que não esclarecermos que Simão Pedro e o mago Simão eram a mesma pessoa? Mas eu já disse que ambos eram a mesma pessoa. Quando relatei a batalha do gênio e do anjo eu estava afirmando que ambos eram a mesma pessoa. Depois, eu não vejo motivo para esconder ou ocultar isso, afinal está escrito na Bíblia que Felipe encontrou um mágico, que se chamava Simão, que com seus feitiços iludia o povo com seus falsos milagres, mas vendo que não podia com a força de Felipe se converteu e a ele se juntou, jamais voltando a se separar. Esse foi um dos motivos que levou Felipe a ser morto exatamente como Pedro, crucificado de cabeça para baixo. Para um bom estudioso a Bíblia revela todos seus mistérios. O Novo Testamento mostra Pedro sempre com duas faces, porém a verdadeira ele só mostraria quando se convencesse da Verdade e isso só veio a acontecer anos depois da minha morte. O verdadeiro Simão jamais disse que era a tal pedra fundamental. Pelo contrário, ele sempre afirmou que o Cristo era a pedra rejeitada e isso também é um trecho bíblico. Senhor Jesus, e como se explica a história do asno e a carta nº 0, ou 21, como alguns preferem? Essa história não pode ser apenas uma história, meu anjinho, afinal ela tem várias faces. Uma das faces é o fato dos judeus me retratarem na cruz com face de asno. Outra é o fato do povo fazer uma comemoração que nos dias atuais tem o nome de ‘carnaval’ (carnem levare ou carne vale, isto é, carne
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livre), mas que no passado era uma festa ritualística onde o deus era um ser com face de asno. Mais tarde ele teve sua face mudada, mas seu nome continuou sendo o mesmo: Asmodeu, ou como alguns preferem, Asnodeu (deus asno). Outra face é sobre a carta do Louco, nº 0 ou 21, que corresponde a esse personagem da história e é clara a história de um ritual desse deus onde Magdala seria sacrificada e antes que você me pergunte se vou contar a história do homem enfeitiçado que eu curei digo que “sim, vou contar” como essa história começou originalmente e porque ela é um enigma para muitos pesquisadores. Vamos começar pelo desenho de uma estrela de cinco pontas virada de cabeça para baixo. É o mesmo que uma estrela caindo. Essa estrela caída é o anjo caído de Salem, a lenda de como surgiu o povo judeu. A Salem de Melchizedek era o paraíso na Terra. Adonias, o pai de Melchizedek, recebera de Deus um pergaminho sagrado onde estava escrita a lei pura, que pregava a harmonia, a paz, o amor e o trabalho. Adonias recebera de Deus orientação para guiar um povo e instruí-lo segundo essas leis. Naquela época havia muita magia e encantamento sobre a face da Terra e esse era um mundo dividido entre três grandes montanhas. A montanha de Salem ficava ao centro, o Monte das Oliveiras ficava de um lado e do outro a montanha que guardava o abismo de Sodoma e Gomorra. O palácio de Salem era feito de cristal, ornamentado com finas pedras preciosas engastadas no ouro e na prata e outros metais nobres. As grandes pilastras eram magníficas e tinham grossos feixes de cristal azul. No alto a perfeição de uma flor de lótus com as pétalas abertas, algumas feitas de ametista, outras de água marinha e até de quartzo rosa. Nada ali era ostentação, pois tudo isso era algo comum para aquele lugar mágico. Aos poucos mais e mais pessoas vinham até Adonias desejando juntar-se a ele e ajudá-lo a construir a cidade divina, que se ampliava de acordo com a sua população. As pessoas que viviam ali de fato acreditavam nas leis do pergaminho sagrado e, por mais estranho que pareça, viviam em harmonia uns com os outros. Adonias não impunha a lei às pessoas. Ele apenas lia o pergaminho sagrado duas vezes por mês e fazia isso como se estivesse recitando uma poesia e cantarolando versos divinos. Dessa maneira Adonias manteve a paz em sua cidade e assim também ensinou seu filho. Melchizedek cresceu dentro dos conceitos da verdade, da luz e do amor. Um dia surgiu um jovem rapaz que se expressava com tanta doçura, beleza e candura, que Adonias o convidou para viver no palácio e o tratou como a um filho. Melchizedek, tão cheio de amor e ternura, se afeiçoou ao rapaz como a um verdadeiro irmão e parecia ser correspondido à altura. O jovem se chamava Samael e tudo nele parecia ser perfeito, sua candura, sua bela voz cantarolando os versos do pergaminho, sua beleza e sua disciplina. Alguns anos se passaram e tanto Melchizedek quanto toda Salem tinham verdadeira adoração por Samael, que vivia encantando as pessoas com sua bela voz. Adonias resolveu nomear Samael o Conselheiro do Povo, pois ele tinha um dom especial de tocar o coração dos seres humanos que precisavam de ajuda. Tudo foi perfeito até o quinto ano de sua estadia em Salem. Nesse período tanto Melchizedek quanto Samael já estavam maduros o suficiente para receberem a notícia que Adonias reservara para eles. Adonias fez uma grande
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festa para anunciar que no período de dois anos Melchizedek deixaria de ser príncipe para ser rei de Salem e que Samael seria seu fiel conselheiro. O anúncio foi motivo de muita alegria para Melchizedek, Samael e toda a Salem, que já amava seus futuros dirigentes e via nisso uma honra. No período desses dois anos seria fabricado o cetro real feito exclusivamente para Melchizedek e também todos os ornamentos, vestes, trono, etc. O mesmo seria feito para Samael, exceto o trono do rei e o cetro. Um ano se passou e os artesãos convocaram Adonias e Melchizedek para aprovar o cetro e outros ornamentos. Samael, como era comum, participou dessa reunião. Nesse dia sua máscara foi ao chão e ele foi tomado por um sentimento de inveja que jamais havia sentido. Isso aconteceu quando ele viu o cetro que seria de Melchizedek. No cetro estava gravada toda a lei de Salem, além de tocar harmoniosamente melodias que recitavam as leis de Salem em versos. Deslumbrado pela beleza e pelo poder do cetro Samael sentia um desejo incontrolável de possuí-lo, pois só ele conferia a um homem o poder de ser rei e de comandar toda uma nação. A partir desse dia Samael entrou em um conflito interno, pois ele sabia que havia sido recebido por aquela cidade com tanto amor e Melchizedek, que o amava como a um irmão, não merecia tão grande decepção. Mas por que ele estaria sentindo aquele desejo incontrolável? Que sentimento era aquele que habitava seu coração e que se fazia maior que a gratidão que ele tinha por Adonias e Melchizedek. Durante algum tempo Samael tentou esconder sua inveja de Melchizedek, mas a mudança em seu comportamento era visível. Melchizedek, que percebeu a mudança de seu amado irmão, tentou de várias maneiras ajudá-lo, falando sempre do quanto ele era importante para sua vida e para o povo. Tentava exaltar suas qualidades como tesouro ou dádiva de Deus, mas nem todo o amor que Melchizedek oferecia destruía a inveja que habitava Samael. Triste por estar perdendo o fiel amigo Melchizedek orava a Deus em busca de respostas e de ajuda. Samael, cada vez mais dominado pelos seus sentimentos funestos, planejou algo para se apossar do cetro e de todo o reino. A princípio ele passou a usar a sua influência para deturpar a mente do povo de Salem. Começou a mostrar as leis do pergaminho de uma maneira diferente, sem jamais ofender o pergaminho. Ele fez com que o povo enxergasse suas leis sob uma ótica libertina e vulgar. Exemplo: ele dizia que amor e justiça era ter desejos profanos, fantasias sexuais, seja com homens, mulheres ou ambos juntos. Um pequeno grupo de pessoas começou a gostar das idéias de Samael e ele então sugeriu que elas as pusessem em prática e que depois voltassem a ele. Ele estimulou alguns seres a se embriagarem para fazer isso, pois seria uma experiência ainda mais fascinante. Para esse pequeno grupo que acreditava na conversa de Samael foi de fato uma experiência que muito lhes agradou. Foi então que Samael revelou seu plano maligno aos seus súditos. Ele iria roubar o cetro sagrado e com ele seria rei de seu povo e quando Melchizedek se desse conta do furto fatalmente iria tentar resgatá-lo. Tendo ele um comportamento pacifista obviamente faria isso tudo sozinho, pois jamais colocaria seu povo em risco e logo que fizesse isso Samael o atrairia para uma armadilha fatal e assim voltaria a Salem com o cetro em mãos, tomaria seu lugar no trono do rei e logo toda Salem estaria sob seu domínio.
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Três dias antes da coroação Samael pôs em prática seu plano. Roubou o cetro e fugiu com seu grupo de adeptos para as montanhas, que viriam a ter o nome de Sodoma e Gomorra. Naquele dia Melchizedek sentiu um forte aperto no coração, como se pressentisse o que estava para acontecer. Procurou por Samael e não o encontrou. Deduziu que o seu pressentimento se tornara realidade. Procurou pelo cetro e não o encontrou. Logo deduziu o que havia acontecido e fez exatamente aquilo que Samael imaginara. Foi resgatar o cetro real sozinho e só voltaria quando estivesse com ele em suas mãos. Depois de ser humilhado, espancado e ter as mãos transpassadas por Samael Melchizedek caiu em sono profundo, como morto, e neste instante a loucura tomou conta de Samael, que num surto de consciência acreditou ter matado Melchizedek. O sentimento da dor dos apelos de sua consciência, que trazia de volta todo o bem que aquele ser lhe havia feito e toda a alegria que viveu enquanto esteve em sua companhia, fazia um misto de amor e ódio tomar conta de Samael. Diante daquela situação ele fugiu, para não continuar a ver aquela cena que lhe atormentava a mente e na sua fuga ele terminou esquecendo o cetro ao lado do corpo de Melchizedek, que acordou no dia seguinte todo ferido e cheio de dores. Ele pegou o seu cetro e num esforço sobre-humano seguiu para sua amada Salem, onde se tornou rei. Essa história terminaria aí se não existisse o outro lado da moeda. Na verdade essa história é um pouco mais longa, mas não vale a pena perder tempo. Vamos direto à verdade que se esconde por trás dessa história. O Senhor está se referindo à princesa Sara e Isaac? Não só a esses dois personagens ocultos, meu querido anjo, mas ao verdadeiro nome de Samael e à verdadeira história de Akhenaton, o faraó. Em primeiro lugar Adonias não era o pai de Melchizedek, nem foi um ser humano comum. Adonias era um sentinela do universo enviado à Terra para ajudar a humanidade na época de Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Após a destruição das três civilizações os sentinelas desapareceram da face da Terra, pois não havia mais necessidade da presença desses seres no planeta, mas como nada é perfeito alguém sempre termina caindo em tentação e, como sempre, alguém acha o que não deve ser achado. Alguns seres que desejavam a qualquer custo o segredo da imortalidade descobriram que ressuscitando um sentinela ele forneceria a eles a fórmula. Estou falando de Garivaram ou Golaha, que, ao ser reanimado pelos magos das trevas libertou o Príncipe das Trevas, Samael. Obviamente que Golaha não fez isso por vontade própria, mas o fez por ordem dos magos das trevas, que tinham um domínio nefasto sobre o sentinela. Após libertar Samael, o Príncipe das Sombras ou Príncipe das Trevas, como alguns seres o chamam, est logo criou aliados, que mais tarde se tornariam os imperadores do mal. Nesse mesmo tempo outros sentinelas foram despertados para ajudar outros magos. Esses eram os magos da luz, os mesmos que despertaram outros sentinelas. Eles resolveram em primeiro lugar libertar Garivaram (ou Golaha) do feitiço dos maus feiticeiros. Houve uma grande batalha, que eu não lhe contei, mas agora chegou a hora de relatá-la exatamente como foi. Golaha e os magos da luz resolveram dar um
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tempo para Samael e seus seis imperadores se redimirem e voltarem para a luz. Nesse período Golaha invocou a Deus para que desse uma luz para resolver aquele problema. Em resposta Deus enviou a Golaha um ser celestial tal qual Samael, que veio como um bebê de que Golaha deveria cuidar e passar a ele todo o aprendizado do pergaminho sagrado, pois o ser celestial seria tratado como um humano e criado por humanos, os magos da luz, verdadeiros construtores de Salem. Para essa missão o sentinela divino se fez passar por um ser comum, para não levantar suspeitas dos imperadores das sombras. Golaha e os magos da luz criaram Melchizedek dentro da pura Salem e dentro das leis sagradas que a regiam. Aos sete anos de idade Melchizedek soube a verdadeira identidade daquele que chamava de pai e ficou feliz ao saber que seu pai era um sentinela divino, pois podia ver o horizonte do mundo dos ombros de seu gigantesco pai, que era o mais alto de todos os homens. Naquela época isso não assustou muito Melchizedek porque os seres remanescentes de Atlântida, Lemúria e Shangrillá ainda existiam e eram bem altos, mas nunca da altura de seu pai. O próprio Melchizedek não chegava a dois metros de altura. Foi também nessa época que Samael ardilosamente se fez passar por um garoto basicamente com a mesma idade de Melchizedek e adentrou Salem na tentativa de dominar mais um reino, porém não contava que a energia de Salem o dominasse de tal forma como o fez. Durante os anos em que viveu em Salem Samael se transformou e provou do amor e da alegria. Ele, que pensava em armar uma armadilha para aquele povo, terminou caindo na armadilha que Golaha (Adonias) criou para convertê-lo, pois segundo as ordens que Deus lhe passou ele deveria dar a oportunidade do mal conhecer o bem antes de receber o castigo apropriado no dia do julgamento. Hipnotizado pela atmosfera de Salem e a bondade de Melchizedek Samael descobriu que tinha seu lado bom e que podia ser bom também. Outro detalhe importante é que se o bem fosse um dia despertado dentro de Samael ele perderia seus poderes de gênio do mal. Para deixar as coisas mais claras vamos explicar exatamente do que estamos falando. Samael era o gênio e Melchizedek era o anjo (outra versão da história de Melchizedek você vai ler na pg. 228, onde Samael é Abraão). Os anos se passaram e veio a primeira provocação de Samael. Golaha (Adonias) pediu que Melchizedek escolhesse entre o povo aquela que seria a sua esposa, pois para ser rei ele teria que ter uma rainha. Melchizedek já há algum tempo estava enamorado de uma bela jovem chamada Sara e revelou a ela seus sentimentos. Ela os correspondeu na mesma intensidade e, para desespero de Samael, ele também havia se apaixonado pela mesma pessoa, porém mais tarde uma linda jovem se declarou apaixonada por Samael. Seu nome era Hagar (ver pg. 144). Samael não a amava como amava Sara, mas tinha por ela um forte sentimento e aos poucos ela ia fazendo ele esquecer Sara. O casamento de ambos se realizou no mesmo dia e a festa durou dias. Ambos estavam felizes e tudo parecia correr bem. Em um curto período de tempo Melchizedek seria coroado rei e os preparativos para isso já estavam sendo o principal assunto da cidade de Salem. Golaha anunciou que em três anos tudo estaria pronto para a coroação do príncipe Melchizedek e Samael, é claro,
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teria um cargo de honra ao lado do rei. Ele seria seu conselheiro, afinal eles eram como irmãos, viviam sempre juntos e conheciam muito bem as necessidades do povo, que a ambos amava. Hagar engravidou e deu a luz a um menino que se chamou Ismael. Um tempo mais tarde foi a vez de Sara, que também teve um menino. Quando este nasceu a felicidade de Melchizedek parecia ser completa. Ele era um pai maravilhoso, sempre cheio de amor para com sua amada e seu filho. Sua felicidade chegava a perturbar Samael, que ainda se sentia muito atraído por Sara, o que fazia Hagar ter muito ciúmes de Samael, que passou a ter um comportamento um tanto estranho. Parecia perdido em seus pensamentos. Muitas foram as vezes em que desejou partir de Salem, mas não teve coragem de fazê-lo. Enfim chegou o dia da coroação e nem Melchizedek nem Samael tinham visto os ornamentos que iriam usar. Nesse dia tanto Melchizedek quanto Sara adentraram o templo onde seria a cerimônia como se estivessem vestidos de luz. Foram coroados pelos magos da luz e Golaha (Adonias), receberam o trono e o cetro do poder, onde estavam gravadas as leis do pergaminho sagrado. Aquela cena foi o bastante para Samael voltar a ser quem um dia havia sido. A cobiça e a inveja tomaram conta dele e a partir daquele dia a vida de Melchizedek virou um inferno. Não vou repetir tudo que Samael sentiu, pois já o descrevi na história anterior. Vou apenas relatar que rumo as coisas tomaram. Não demorou muito para Samael descobrir que seus poderes já não existiam mais, porém ele pensava que eles deveriam estar adormecidos pelo fato dele estar em Salem há tanto tempo. Hagar foi a primeira a perceber a mudança de comportamento de seu marido, que parecia insatisfeito com tudo, mas que não deixava Melchizedek ou Sara perceberem isso. Assim Hagar percebeu que não podia desabafar com ninguém, pois passaria por mentirosa. Samael montou um plano para se tornar rei de Salem e usou o povo como parte principal de seu plano. Ele não obteve muito sucesso, pois apenas um grupo pequeno se tornou adepto de seus conceitos, porém ele se lembrava do grande grupo de adeptos que tinha fora de Salem e esses seriam sua maior arma, o grande exército que destronaria Melchizedek. Sutilmente Samael tentou trazer Sara para o seu lado, porém ela amava Melchizedek e não caía nas ilusões de Samael. Este desejava seduzi-la até que ela tivesse um filho dele, pois assim ele teria o direito ao trono. Era só chantagear Melchizedek com a traição de Sara, que ele aos poucos iria ceder aos seus caprichos e logo que o filho tivesse idade para ser rei ele mataria o primeiro filho de Melchizedek com Sara e faria o filho que ele teria com ela tomar o trono. Assim ele seria rei através de seu filho comandando-o. Hagar não demorou muito para descobrir os planos de Samael e tanto por ciúmes quanto por vingança usou de ervas poderosas e o tornou um homem estéril, que jamais teria filhos com mulher alguma, porém ela também conhecia a erva capaz de reverter essa situação, mas só a usaria se assim o desejasse. Sua fúria, entretanto, não terminou aí. Hagar relatou os planos de Samael a Melchizedek. Esse, por sua vez, não ficou surpreendido, pois já sabia de tudo. Já há algum tempo Golaha havia contado a verdade sobre Samael a Melchizedek, que por sua vez tentou tranqüilizar Hagar, pedindo que tivesse um pouco mais de paciência, pois as
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coisas não sairiam como Samael desejava e de fato assim o foi. Por mais que tentasse Samael não obtinha êxito e por isso resolveu sair de Salem e se unir aos seus velhos imperadores das sombras, que esperavam pela sua volta. Ele voltou com uma ira ainda maior e do lado de fora de Salem, com todo o conhecimento dos magos das sombras, recuperou uma parte de seus poderes e sua antiga aparência. Samael preparou uma tropa grandiosa para invadir Salem e tomar o trono e o cetro do poder. Melquizedek, que não conhecia a violência e não desejava a guerra, se viu diante de um grande dilema: como proteger seu povo sem tê-lo ensinado a se defender? Golaha lhe acalmou o coração dizendo: “Não te preocupes, Melchizedek, o amor é o maior de todos os professores do universo. Em sua justiça e verdade infinita ele ensina a combater e defender quando preciso for.” Durante muitos anos Melchizedek foi protegido por Golaha, mas agora tinha que aprender a se defender sozinho. Já era um rei, seu filho já era homem, assim como o de Samael. Ele já não temia deixar um trono sem rei ou herdeiro e cedo ou tarde seu filho lhe daria netos. Assim Salem estaria protegida. Nas primeiras tentativas de invasão Samael não se deu muito bem. Ele esqueceu que Salem era regida pela lei de um pergaminho sagrado e o cetro do poder estava nas mãos de um justo, o que dava a Salem um poder de luz gigantesco, que funcionava como escudo protetor, que não permitia a entrada dos aliados de Samael, tampouco dele mesmo. Durante anos Samael lutou contra essa energia e jamais conseguiu vencê-la, porém sua raiva por Melchizedek crescia a cada derrota. Isaac, filho de Melchizedek, casou-se e teve filhos. O mesmo aconteceu com o filho de Samael, Ismael. Melchizedek resolveu então que era chegada a hora de transferir para seu filho o cetro sagrado do poder de Salem e o pergaminho. Samael soube que Melchizedek ia coroar o filho e então planejou uma maneira de entrar sozinho em Salem para roubar o cetro antes que ele fosse entregue a Isaac. O mundo ao redor de Salem já estava tomado pela maldade, pois os imperadores das sombras já dominavam quase todas as nações. Mais uma vez a Terra tinha que ser transformada, mas dessa vez não seria como as grandes civilizações, Atlântida, Lemúria e Shangrillá. Alguns dias antes da coroação do filho de Melchizedek ele passou a ter alguns pressentimentos de que algo muito terrível ia acontecer. Sua angústia era grande, porém ele sabia que era algo que não podia ser evitado. Na noite anterior à cerimônia Melchizedek teve um sonho real. Um anjo surgiu à beira de sua cama e o levou para uma outra dimensão. Ele entrou em uma cidade muito semelhante à sua Salem, porém ela era ainda mais bonita. Pilares grandiosos feitos de cristal, lindas flores de lótus que ornamentavam esses pilares. Eram doze as colunas que sustentavam um templo magnífico, que ficava no centro da cidade. Essas colunas sustentavam uma cúpula que parecia ser feita de sol, tamanha era sua luz. Cada coluna tinha um símbolo diferente que a distinguia das outras. Eram os símbolos dos 12 animais do zodíaco. O anjo conduziu-o até o trono de um rei que tinha uma luz tão grande que não se podia ver sua face. Ele chamou Melchizedek e com ele começou a conversar. Tu fostes chamado aqui para conheceres a verdade e essa verdade te libertará, não só a ti, mas a teu povo, mas para isso tu terás que provar do mais amargo
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fel sem contaminar teu coração. Sofrerás as mais profundas dores, mas não esquecerás do perdão. Tu deves morrer para viver e só assim viverás para a vida eterna. O rei estendeu sua mão a Melchizedek e ela estava suja de sangue como se tivesse ferido os pulsos. O sangue escorria, o peito também passou a sangrar sujando o linho branco e puro que vestia aquele rei, que emanava tanta paz. De repente sua coroa de 7 fachos transformou-se em uma coroa de espinhos, que feriam a cabeça do rei e seu sangue escorria pela face. Melchizedek olhou para o anjo e perguntou o que estava acontecendo. O anjo disse: Tu estás conhecendo o Rei dos Homens, que ainda vai nascer, e seus ferimentos são o sacrifício que os homens irão impor ao próprio rei e Pai. Tu estás a me dizer que este ser de tão grandiosa luz é o Pai? Não, porém eu lhe digo que ele é o Pai mesmo não sendo o Pai e o Pai é ele. Ele é o corpo do pai quando Este se fizer homem e viver entre os homens. Tu podes ver o cordeiro que ele tem no colo? Observa que ele tem 7 olhos e que tem o pescoço cortado como se tivesse sido sacrificado. Ele representa as 7 virtudes sacrificadas para o perdão do homem. O rei então voltou a dirigir a palavra a Melchizedek e lhe disse: Vedes, homem, essas doze pérolas? Elas são tuas. Tu as deve dar a teu fiel amigo Golaha, que saberá como as guardar. Elas são os doze líderes das doze tribos, porém eu te entrego uma outra pérola e essa tu deves guardar contigo até o dia de tua morte e só então deverás doá-la a Golaha, para que ele venha um dia a devolvê-la a ti num futuro não muito distante. O que eu quero de ti agora é tão somente que apascentes o meu rebanho. Até a minha chegada todas as ovelhas estarão dispersas, mas se tu reuni-las hoje e mais tarde novamente muitas já estarão preparadas e não te preocupes. Muitos como tu ainda hão de nascer antes que eu venha a viver entre os homens, mas tu serás como eu entre os homens e minha própria autoridade eu te dou para guiar o meu povo. Por isso deves partir agora e preparar o tribunal para o Dia do Julgamento. Após ouvir essas palavras Melchizedek acordou em seu quarto tendo em suas mãos um pequeno saquinho feito de veludo macio. Nele havia doze pérolas idênticas e uma 13ª completamente diferente. Era basicamente do mesmo tamanho, porém sua cor e seu brilho eram a grande diferença. Essa era a pérola de Melchizedek. Ela era um pouco menor que as outras e de um tom de cor rosado, porém quando submetida à luz do Sol ou à simples claridade sua superfície acetinada emitia raios coloridos como um arco-íris. As doze pérolas eram brancas e emitiam uma luz clara e bela.Melchizedek procurou Golaha, mas este já o esperava na porta de seu quarto. Apenas convidou-se a entrar e contou-lhe o seu sonho. Ele explicou o que de fato havia acontecido. Melchizedek então compreendeu a sua missão e agora sabia que enfim estava preparado para ela. Senhor Jesus, é justamente agora que temos o dever de organizar a história explicando para a humanidade quem de fato foi Melchizedek. Você tem razão, meu anjinho. A humanidade precisa saber que Melchizedek foi o pai dela ou que tinha a autoridade de Deus para isso e que Abraão não era quem os homens acreditam ter sido. Naquela época eu possuí
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Melchizedek em nome do Pai e dei a ele as 12 pérolas das 12 tribos, mas eu também o marquei para sempre como um “ungido de Deus”. Fiz isso dando a ele a 13ª pérola. Melchizedek era um dos anjos caídos, tal como eu, porém não podia se lembrar disso pelos motivos que já lhe expliquei anteriormente. O mais importante é que agora era sua vez de cuidar de seus filhos e de preparar o território para a chegada dos próximos anjos, que ainda estavam por vir. Como todo anjo tem seu gênio Melchizedek tinha a Samael, um gênio que, apesar de tudo, ele amava como a um irmão, porém não encontrava mais argumentos para evitar o dia do julgamento. Houve uma época em que a Terra foi totalmente tomada por Samael e seus príncipes ou imperadores das sombras. A Terra estava tentando se refazer da destruição das três grandes civilizações ocorrida não havia nem meio milênio e os remanescentes daquelas civilizações, que haviam perdido a lembrança de terem vivido nelas, estavam evoluindo apenas materialmente. Melchizedek criou, com a ajuda de Golaha, a escola de Salem, como ficou conhecida sua cidade posteriormente. Fez o máximo para dotá-la de tudo que havia na Terra e principalmente de sabedoria e conhecimento das leis divinas. Na verdade o pergaminho que guardava as leis de Salem era um pergaminho celeste semelhante aos pergaminhos das três grandes civilizações. Senhor Jesus, perdoe-me, mas não seria mais fácil falarmos que Salem foi aquilo que biblicamente foi chamado de Arca de Noé? Não creio que seria mais fácil para as pessoas compreenderem isso, afinal a Arca de Noé existiu na época da destruição das três grandes civilizações e não na da destruição de Sodoma e Gomorra. Eu sei disso, Senhor. Eu não me expliquei direito, porém vou tentar fazê-lo. Por que não falarmos que Salem é a Arcádia local, onde muitos acreditam terem surgido os primeiros seres humanos pós-dilúvio e outros crêem que lá se encontra a Arca de Noé. Na verdade a grande nave que preservou tudo que havia na Terra antes da sua primeira destruição de fato pousou ali e dentro dela havia uma pequena arca, que mais parecia um pequeno baú, que guardava o Livro Sagrado de Haziel ou o Livro da Luz. Por esse e outros motivos a Arcádia recebeu esse nome, porém seu nome era Salem, que mais tarde mudaria para Jerusalém, a casa de Deus. Digamos apenas que Salem era uma segunda Arca de Noé. Assim ficará mais fácil. O dia da coroação do filho de Melchizedek havia chegado e mais uma vez a história ia se repetir (Osíris e Septh). Melchizedek, seguindo os desígnios de seu coração, permitiu a entrada de Samael em Salem. Na verdade ninguém era proibido de entrar em Salem, porém o poder que ela tinha enquanto Melchizedek era rei não permitia a entrada de seres das sombras, pois esses sentiam-se mal e perdiam suas forças ao tentarem se aproximar da cidade. No dia da troca de rei o Cetro do Poder seria transferido para o próximo rei e este era tirado da cúpula sagrada (Era uma cúpula feita de um cristal adamantino que jamais se quebrava. Nem mesmo a mais terrível fornalha aquecia aquele cristal, porém o cetro era a alma que, em simbiose harmônica com a cúpula, emanava energia para a cidade inteira.) para que o novo rei recebesse o poder do pergaminho divino, que tinha suas leis gravadas no Cetro do Poder.
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Resumindo a história, Samael rendeu os guardas que protegiam o Cetro do Poder e enquanto este ainda estava dentro de um baú Samael podia carregá-lo sem temê-lo. A cerimônia de coroação estava pronta para começar quando um guarda avisou Melchizedek que Samael havia roubado o cetro. Melchizedek comunicou Golaha que a hora do julgamento havia chegado e deu-lhe a pérola especial. Golaha sabia que seu amado filho, amigo e irmão partiria para a outra vida. Melchizedek era único para Golaha e o mesmo Golaha era para Melchizedek. Golaha só se permitiu revelar sua verdadeira aparência de sentinela angelical a Melchizedek, pois sabia que ele também era um anjo, porém jamais deveria saber disso. Sentindo a tristeza de Golaha Melchizedek tentou distraí-lo brincando e dizendo: Não chore Golaha, pois jamais vi um sentinela (gigante) chorar e se tu resolveres pôr pra fora tuas lágrimas e essas saírem de teus olhos verdadeiros, toda Salem morrerá afogada no mar dos teus olhos. Não te preocupes, a humanidade jamais viu as lágrimas de um sentinela, pois as lágrimas de fato seriam a única maneira de revelarmos nossa verdadeira face à humanidade e essa não gostaria muito de nos conhecer de verdade. Um dia a humanidade já conviveu com os sentinelas e cometeu erros, erros que causaram a destruição das três grandes civilizações. Perdão, meu amado amigo, irmão e pai. Eu não desejava lhe causar tão tristes lembranças. Vou sentir tua ausência, meu amado Melchizedek, aquele que muitos também vão chamar de Abimelek. O tempo para mim não existe, eu sei, mas para ti é um fardo pesado, que de tempos em tempos tu deves trocar, e eu estarei aqui a te esperar por mais algumas vidas tuas e sempre te devolverei a tua esfera sagrada que, podes ter certeza, guardarei sempre comigo até que tu voltes. Eu espero em Deus guardar tua lembrança e tudo que aprendi contigo em minha alma, meu celestial irmão Golaha. Meu corpo mortal pode te esquecer, mas minha alma imortal jamais te abandonará e a ti sempre serei grato. Melchizedek abraça Golaha, que também se conforta em seus braços. Um último carinho antes do adeus. Ambos vão para a sala da cerimônia, onde são recebidos por Samael que, sentado no trono, segura o Cetro do Poder de Salem. O povo esperava o início da cerimônia do lado de fora da sala, pois a porta principal se encontrava fechada. Samael a havia fechado, pois queria que Melchizedek fosse o primeiro a vê-lo sentado no trono. Desejava sentir o prazer de humilhá-lo, mas não foi isso que conseguiu. Melchizedek entrou na sala disposto a retirar de suas mãos o cetro e em nenhum momento se mostrou intimidado pela sua presença. Como tem vivido o rei de Salem e sua adorável e bela rainha? Os seus súditos continuam ovelhas obedientes a um pergaminho de leis ultrapassadas e cheias de censura? Ao contrário do que tu pensas, Samael, o pergaminho sagrado contém as leis que libertam a humanidade para a Verdade divina do amor, da justiça, da paz interior, o verdadeiro conhecimento e a harmonia que existe dentro de cada um de nós e tu tivestes o privilégio de conhecer essa Verdade, porém não desejas te libertar. Por isso tu condenas o pergaminho sagrado. Eu sou livre, Melchizedek, e não desejo ser prisioneiro da consciência, assim como tu és.
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Mais uma vez tu te enganas, Samael. Tu és prisioneiro da luxúria, és prisioneiro das vontades, dos apelos errantes dos teus instintos. És prisioneiro da carne e vives apenas para satisfazê-la, portanto não sabes o que é ser livre. Ora Melchizedek, tu não sabes os prazeres de libertar a carne, de deixar o corpo livre da mente e seus conceitos de certo ou errado. Tu não sabes o que é aproveitar todos os prazeres do sexo, todas as suas formas, todos os seus jeitos e maneiras. Seja com uma ou mais pessoas o sexo é uma fome grandiosa e sem limites. Até a dor agrada o sexo, mas por que estou falando isso a ti? Tu não sabes o que é isso, tu nunca provaste desse manjar. Tu achas que o sexo é algo puro e sublime, que feito em nome do amor é superior e inexplicável. Às vezes acho que tu de fato não sabes o que dizes. Na verdade se tu não tivesses tido um filho com Sara eu acreditaria que tu jamais tivestes provado desse prazer. Eu nada tenho a te provar, Samael. Enquanto tu vives tua vida entregue à libertinagem, às orgias, aos bacanais, às luxúrias e à adoração dos ídolos pelos quais tu ofereces sangue inocente eu vivo minha vida entregue a um Pai Supremo no qual acredito e prego seus ensinamentos, pois a mim jamais abandonou e tampouco falhou nos momentos em que dEle precisei. Eu não preciso de um deus para me ditar o que devo ou não fazer. Eu sou deus de mim e dos meus. Por isso tu mandas erguer estátuas em tua honra? O meu Deus não me pede estátuas para ser adorado. Talvez por isso eu venha sendo mais adorado que o teu Deus, afinal eu ao menos tenho uma face e a face do teu Deus ninguém jamais viu. Samael, tu já fostes tão iluminado, tão brilhante, porém teu brilho ofuscou tua consciência e tu te tornaste esse ser acabado e sem brilho que hoje vejo diante de mim. E as tuas imagens, de que tu te orgulhas tanto, têm como face uma estrela de cinco pontas de cabeça para baixo, só para lembrar a teus súditos que és uma estrela caída. Tu devias te orgulhar de ser uma estrela caída, pois trouxestes para a Terra o conhecimento do universo e deverias dar esse conhecimento ao homem na intenção de ajudá-lo a evoluir. Mas o que eu estou fazendo, Melchizedek, senão ensinar ao homem tudo aquilo que ele deseja? Aquele a quem você chama de Pai do universo me enviou aqui para ser o deus desses seres e é isso que eu estou fazendo e agora eu estou aqui para ser o teu deus, pois estou sentado no teu trono e segurando o Cetro Sagrado. Isso faz de mim teu rei e faz de ti meu servo. O que queres para devolver o Cetro Sagrado sem agressão ou violência, Samael? Eu te dou aquilo que tu desejares para que me devolvas o cetro. O que eu desejar? Sim, porém eu apenas peço para não agredires ninguém da minha família ou do meu povo. Sei que tua raiva é dirigida tão somente a mim. Por isso peço que restrinjas tua vingança apenas à minha pessoa. Tu és louco, Melchizedek, e é a mim que chamas de louco. Eu estou sozinho aqui. Sou minoria contra ti, mas sei que teu povo é manso como tu e jamais agiria pela violência. Isso me dá uma certa vontade de ficar mais tempo, sem pressa. Quanto à tua proposta, eu sei exatamente o que eu quero e tu tens razão. Meu assunto é apenas contigo. Mais ninguém aqui me interessa. Eu
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quero que tu te ajoelhes no chão para que eu possa espancá-lo até que minha raiva passe. Depois disso eu te dou o cetro. Eu aceito tua proposta. Samael espancou Melchizedek até que esse ficasse banhado em sangue. Não satisfeito, perfurou suas mãos com a ponta de cristal incrustado no cetro, que estava todo manchado com o sangue de Melchizedek. Esta parte da história é semelhante à outra história de Salem que eu lhe contei, mas agora vem o verdadeiro fim da história de Salem. Ao ver Melchizedek praticamente morto diante de si Samael teve um surto de consciência e, num misto de loucura e sanidade, ele se desesperou. Gritava coisas às vezes sem sentido. Outras vezes eram surtos de sua consciência pesada. Ele gritava: Eu matei o rei, mas matei meu único irmão, o único ser que me ensinou o amor. Mas eu odeio o amor. Por que estou falando isso. Eu odeio Melchizedek e sua filosofia. Por que não aprendeu a se defender? Por que me deixou te matar? Por que? Por que? Ele fez isso para você descobrir o bem que existe dentro de você – respondeu Golaha. Mas que bem é esse? Não existe bem nenhum dentro de mim. Todo aquele que conhece a Verdade e não se liberta precisa perder o livro sagrado dela para descobrir como compreender tamanha sabedoria. Você perdeu o seu livro sagrado. Matando Melchizedek você acaba de receber a verdadeira consciência de tudo que ele te ensinou. O bem não se destrói com a morte de um corpo. Você, Samael, está acostumado às guerras cheias de sangue e morte. Vive de conquistas e vitórias temporárias, porém agora fostes derrotado para sempre, pois ao destruir Melchizedek destruístes tua fonte de ira. Tu odiavas o bem, esse agora não existe mais. Tu não tens mais oponentes. Vais lutar agora contra ti mesmo, ou melhor, contra tua consciência pesada, que jamais será aliviada, pois o tempo irá aumentar os grãos de areia na balança do teu destino e sabes porquê? Porque Melchizedek está de coração limpo. Ele jamais te ofendeu ou te feriu, jamais te negou como irmão, nem mesmo te condenou quando descobriu que tu desejavas a Sara e, sem que tu soubesses, ele sofria pela tua dor e o teu ódio. Ele orava por ti todos os dias e jamais te desejou mal algum. Eu não preciso ficar a lembrar-te quem era Melchizedek, pois tu sabes que ele morreu para te dar aquilo que tu não tinhas. Ele morreu para te dar um coração e a consciência de que ele existe. Tu podes achar que és o Senhor das Sombras, mas tu recebestes o privilégio de conhecer a Verdade e hoje ela te libertou. O tumulto foi grande quando o povo soube do ocorrido. Melchizedek não estava morto ainda, mas gravemente ferido. Samael estava louco, completamente fora de si. Golaha permitiu sua fuga, pois fazia parte dos propósitos divinos. Golaha, com a autoridade de rei por ser pai de Melchizedek, nomeou Isaac o novo rei de Salem. Salem não fez festa nem comemorou o novo rei, pois Isaac preferiu o silêncio em respeito ao seu pai Melchizedek. Samael passou três dias e três noites delirando. Ninguém mais o compreendia. Ele enlouquecera, chorava e ria ao mesmo tempo. Obviamente que seus imperadores sofreram toda a influência da energia emanada por ele,
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porém eles matavam uns aos outros sem saber exatamente o que estavam fazendo. Era Samael que desejava matar a si mesmo tentando apagar sua consciência. Ele se questionava o que era bem e mal, pois não sabia mais quem era quem, tampouco quem ele era. Golaha cuidou de Melchizedek, porém três dias mais tarde ele veio a falecer e deixou um recado para Samael: “Eu o perdôo por tudo.” No dia em que Melchizedek morreu a Terra foi coberta por uma escuridão sem fim. Uma chuva de meteoros destruiu completamente Sodoma e Gomorra e, para piorar a dor de Samael, ele passou a ouvir uma voz que lhe contava como todos estavam morrendo. A voz dizia: “Hoje é seu dia, Samael. Hoje é o dia do seu julgamento, ó Alva. Hoje é o dia do teu martírio, minha mais bela estrela caída. Eu vim para te fazer e trazer a justiça. De ti tirarei o reino do bem e do mal e tu servirás tão somente a mim.” Delirando com visões de horror e dores intermináveis, Samael rolava seu corpo pelo fogo, porém de nada tinha consciência e assim um dia e uma noite se passaram. O rei de Salem, Melchizedek, seria enterrado em lugar sagrado conhecido apenas por Golaha (Adonias). O povo chorava a morte de um rei e o desalento dos seres que também haviam morrido com a grande catástrofe que atingira a Terra. Somente Salem havia permanecido intacta, graças ao Cetro Sagrado pelo qual Melchizedek dera a vida. O cetro estava no seu devido lugar quando a chuva de meteoros caiu sobre a Terra e graças a ele e à cúpula de cristal adamantino toda Salem foi protegida por um forte escudo de poder. Salem parecia um paraíso em meio a um inferno em chamas. Melchizedek foi enterrado em um antigo templo que pertencia às três grandes civilizações. Passou-se um mês e Golaha chamou Sara e Isaac e deu a eles umas pérolas para que a partir daquele dia eles soubessem que a Terra seria dividida em tribos. Chamou também Hagar e Ismael e fez o mesmo, porém a parte mais difícil de sua missão ainda estava por vir. Ele agora tinha que achar Samael e ajudá-lo a voltar à normalidade. Não foi muito difícil achá-lo. Em meio a tanta destruição ele era o único que não estava morto. Ele estava jogado embaixo de uma estátua feita em sua homenagem, a estátua da estrela com face de asno. Na verdade Samael não sabia o que de fato aquela estátua ainda iria representar em sua vida. O reino do carnaval não existia mais. Da “carne livre” só haviam sobrado alguns ossos. Samael estava irreconhecível quando Golaha o encontrou e o levou para Salem em segredo. Somente Sara e Hagar sabiam que ele estava ali. Golaha passou noites e dias tratando de Samael, que não o reconhecia, mas isso não fazia diferença. Ele não reconhecia ninguém, não falava, não andava muito, pouco comia e bebia e apenas dormia. Dormia muito, como se estivesse possuído por um sono infindável. Enquanto ele dormia Sara, Hagar e Golaha liam o pergaminho sagrado para ele em forma de oração para ajudálo a recuperar sua consciência. Um ano mais tarde Samael estava completamente recuperado. Sua aparência era saudável e serena. Não parecia com a sedutora aparência que tinha quando chegou a Salem, tampouco com a aparência do dia de seu julgamento. Era diferente. Ele parecia ter paz após tanta loucura. Golaha disse a ele que havia chegado o momento dele saber o propósito pelo qual Deus o havia deixado vivo.

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Deus te deixou conhecer a Verdade, Samael, para que tu possas ensiná-la à humanidade, porém tu deves ensinar a Verdade da mesma forma que aprendeu. Mas por que eu? Por que Deus escolheria a mim, um ser profano, que destruiu a Terra com a minha luxúria e o meu mal? Por que justo eu, que matei o bem que poderia ter salvo a humanidade, e o que tenho eu para ensinar à humanidade? Sou hoje um ser tão vazio. Como posso oferecer aquilo que eu mesmo não tenho? Exatamente por todos esses motivos e outros mais que Deus te escolheu. Tu agora és completo, Samael. Tu conhecestes o mal em sua totalidade e o bem em sua verdade. És hoje como um Renato, como um renascido, que viveu os dois lados de Deus. Se estás vazio é porque zerastes todo bem e todo mal para agora ser preenchido pela verdadeira consciência infinita. Tu fostes como o louco que deixa para trás tudo que sabe, como na lâmina nº 22 ou 0 dos 22 caminhos. O sujeito coloca numa mochila tudo que sabe e, ignorando o saber, prefere carregá-lo nas costas para não precisar se lembrar que já o conhece. Esse ser anda como um cego por lagos cheios de crocodilos. Isso quer dizer que sua cegueira ainda não permite que ele se liberte da pele grotesca de sua ignorância e dos desejos carnais. Ele se dirige para um abismo, porém um cão tenta inutilmente puxá-lo para evitar a queda. No teu caso o cão era Melchizedek, aquele a quem tu chamarás de Abimelek nas histórias que contares a seu respeito. Tu te precipitastes e caístes no abismo. Conheceste tua infinita loucura, provaste de todo o fel e do mel. Portanto tu estás apto a ajudar a humanidade a conhecer esses dois lados. Deves ensinar o que é bem e mal e para isso tu não mais te chamarás Samael, pois teu reino como o gênio das sombras acabou e outros farão esse papel em teu lugar. Para isso Deus me deu autoridade para trocar teu nome. A partir de hoje tu te chamarás Abraão e é por esse nome que o povo te conhecerá, porém tu deverás ter a coragem de contar e ensinar a Verdade tirando de tua história o próprio exemplo. Isso fará com que algumas pessoas descreiam de ti, porém muitos te seguirão por teres revelado a elas a Verdade. Tu viverás em Salem com Sara e seu filho Isaac, o rei, com Hagar e Ismael, teu filho verdadeiro. Mais tarde, quando teus netos estiverem crescidos, tu enviarás Ismael e os filhos para serem os conquistadores das novas terras. O mesmo acontecerá com os filhos de Isaac, que serão apenas dois gêmeos, mas desses dois nascerão mais doze tribos, que vão conquistar terras ainda desconhecidas. A Ismael e Isaac eu já entreguei as pequenas esferas, pérolas que serão como marcas para cada escolhido. Entreguei também os talismãs de Salem. Aqueles que conheces tão bem, mas não sabes o significado. Tu tens a metade do olho de Horus, assim como Melchizedek tinha a outra metade. Se unidas formam uma pirâmide. São relíquias sagradas, que sabes que jamais deverás deixar cair em mãos erradas, e só para que tu tenhas prudência advirto-te que os senhores das sombras ou imperadores das sombras não foram todos mortos. Existem ainda sobre a face da Terra alguns de seus seguidores e esses são os seres que mais irão lhe impor prudência e paciência. E assim, meu querido anjinho, a estrela caída com face de asno ganhou um grande sentido na vida de Abraão Renato. Ele agora seria o ser que carregaria
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sobre seu lombo a responsabilidade de ajudar e ensinar a humanidade. O asno é um animal muito forte, que parece pequeno, porém em silêncio e com calma carrega grandes cargas. O ídolo que havia sido feito para Samael agora tinha um sentido ainda maior. Ele representava a estrela de 5 pontas de pontacabeça, era a bela estrela caída e o desequilíbrio dos 5 sentidos sendo doado à humanidade. Uma tocha no centro da cabeça representa a consciência que Samael tinha, porém não a usava. As orelhas pontudas representam o domínio na Terra como duas pilastras. Seu corpo masculino e feminino era a representação do ser hermafrodita que liberta a carne para viver livre como deseja. Eu já expliquei isso quando lhe contei o significado da imagem do bode de Mendes, que na verdade tem muita semelhança com a estrela invertida com face de asno. Essa é também a história de Caim e Abel contada de maneira diferente pelos 72 judeus que escreveram a Bíblia. Dentre os 72 cada um contou a história à sua maneira, só para confundir a verdade. Por isso nomes tão diferentes para histórias tão iguais. As 12 tribos por milhares de anos reverenciaram essa imagem como o Pai da Humanidade e a guardavam na intenção de lembrarem do motivo pelo qual a Terra havia sido destruída. Era uma maneira de manter a memória do passado sempre acordada, afim de evitar novos erros, porém isso não adiantou muito. Alguns seres tornaram essa imagem um símbolo de rituais malignos e sanguinários. Como tudo tem sua dualidade a razão estava dos dois lados. Aquela imagem foi de fato símbolo de crueldade e sangue, mas também representava a primeira parte da história do homem, que levaria a humanidade aos primeiros passos da evolução e assim a primeira parte da história da humanidade foi escrita, mas não nos livros que os homens podem acessar. Está escrita apenas na história de Melchizedek, um ser que praticamente não aparece nos textos bíblicos ou de livros sagrados, pois não interessa à humanidade saber a Verdade. Essa é a opinião de alguns de seus líderes, pois teriam que explicar como a humanidade é descendente apenas do mal, afinal, se a Terra é toda filha de Eva e Adão por que somos tão diferentes em nossa aparência física? Como teríamos nos tornado negros e brancos? Por que temos olhos de cores e formatos tão diferentes? Se a nossa origem é de um único casal nossa genética não poderia ter mudado tanto com o passar dos anos. Isso geneticamente é impossível e se toda a história do princípio de fato tivesse fundo real para a Terra isso implicaria em um mal ainda maior. Toda a humanidade seria não apenas descendente de uma Eva e um Adão, mas também de seu filho Caim, o assassino de Abel. Isso faz dos seres humanos filhos de Samael e não de Melchizedek. Mas essa história agora está explicada. Eva e Adão são os princípios de Deus e todo o princípio da raça humana universal eu já contei. Agora vamos voltar para a história de Melchizedek, que vai continuar agora com o novo corpo que Deus lhe deu. Melchizedek reencarna num futuro não tão distante como Akhenaton, o faraó. Essa história eu também já lhe contei, meu anjinho. Apenas não lhe disse que ambos eram a mesma pessoa. Akhenaton recebeu de Golaha sua pérola sagrada, que mais uma vez fazia dele o 13º e mais uma vez Akhenaton teve sua vida e sua história roubada. Dessa vez foi o faraó Sepht e Ramsés, como também já expliquei.
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Melchizedek reencarnou na pele de Akhenaton para tentar fazer a mesma coisa que fez no passado: construir o templo sagrado. Foi chamado de Akhetaton a cidade que o faraó levantou para seu Deus único e que não durou muito tempo. Mas hoje, meu anjinho, eu posso lhe afirmar que após tantas encarnações Melchizedek está pronto para construir a Salem divina, a Salem que vai salvar uma pequena parte da humanidade e dessa vez ninguém vai passar por cima de sua história, pois Samael não se encontra no mesmo país. Melchizedek sempre é chamado a realizar grandes tarefas quando a Terra está passando por uma fase de transformação e dessa vez ele tentará novamente deixar uma escola na Terra. Sua primeira escola se chamou Salem, sua segunda Akhetaton e quando eu nasci finalmente preenchi o templo de Salem, que terminou sendo chamada de Jerusalém. Para ninguém perceber tais trocas os 72 rabinos que traduziram o livro sagrado para o imperador fizeram inúmeras mudanças, propositalmente, é óbvio. A Bíblia Sagrada conta várias histórias e nós temos apenas que prestar um pouco de atenção para percebermos que vários personagens têm histórias tão iguais que seria impossível não perceber que tais histórias foram contadas apenas de maneiras diferentes pelos 72 rabinos. Vamos dar um exemplo simples. Os Cantares de Salomão são na verdade as Lamentações de Magdala, relatando a minha morte, mas isso eu vou contar daqui a pouco. Agora vamos contar o restante da história do asno e a festa da “carne livre”, como ficou bem claro. Samael fez da Terra sua festa particular na época em que era um príncipe das sombras. A libertinagem, a luxúria e as orgias sexuais faziam parte do ritual da carne livre ou carne liberta. Essa foi a época do Louco ou a época da carta nº 0 ou 21, como já expliquei. Na época em que vivi na Terra como Cristo o ritual da carne livre ainda era uma comemoração comum entre alguns povos, que faziam essa festa ritual para comemorar a libertação dos sentidos. Nesse período o Império Romano estava crescendo, invadindo novas terras e escravizando os povos. A Terra estava passando mais uma vez por uma fase transitória. O povo que havia sido libertado do Egito agora era escravo de seus próprios líderes religiosos, que impunham leis severas e desumanas ao povo e, por mais que tivessem tentado ensiná-los no passado aprendeu apenas aquele que desejava aprender. Os rituais e os sacrifícios não haviam mudado muito. Era um costume, uma tradição que parecia não se acabar.A verdadeira magia era velada. Apenas alguns escolhidos tinham o direito de aprendê-la, mas a magia profana era comum entre os povos. Na época em que nasci um homem chamado Apuleio ou Cagliostro havia sido enfeitiçado. Seu erro foi tentar revelar segredos a outros seres, que jamais poderiam saber o que de fato acontecia em um sabath, mas o que os seres que o enfeitiçaram não sabiam era que Apuleio era um ser mais sábio e que havia se deixado enfeitiçar para cumprir um propósito. Apuleio era um Arimatei, parente de José de Arimatei. Ele era um homem que havia aprendido os segredos das Clavículas de Salomão (o verdadeiro Livro de Enoch), livro esse que ensina como as pessoas se transportam de um lugar para outro usando a forma e aparência desejada. Apuleio precisou se deixar enfeitiçar para não levantar suspeitas sobre seus verdadeiros conhecimentos. Muitos acreditaram que ele viveu sua vida
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transformado em um asno, mas a verdade é que Apuleio usou disso para fugir para o Egito, onde foi preparando o caminho para Maria e José, os meus pais. Nessa época o “carnevale” teve dois sentidos, pois duas festas pagãs estavam se realizando ao mesmo tempo; o “bacanal” de Baco em homenagem a Dionísio, deus da colheita e do vinho para os gregos e romanos e a ‘carne livre”, o ritual judeu que festejava o dia do Sabath como o dia de Samael. Baco ou Dionísio tinha uma aparência semelhante a de um sátiro, com pés de bode e corpo de homem. Era o gamo-rei. Alguns lhe punham um rosto de cabra e outros de asno. Sobre Samael eu não preciso explicar tudo novamente. Ambos eram festejados no dia que os líderes religiosos e outros líderes resolveram se unir para perseguir José e Maria. A festa de Baco contra a festa do Samael. Propositalmente foram misturadas naquele dia por ordem de um sacerdote de grande poder, que se manteve secreto. Ele pagou ao povo para se misturar e se divertir muito, a fim de distrair os guardas e os líderes. Ninguém imaginava quem de fato foi esse misterioso sacerdote e poucos são os que sabem de sua existência naquela época. Na verdade ele foi um dos enviados de meu Pai, que chegou antes de mim e muito profetizou em meu nome. Quanto a Apuleio, reassumiu sua forma original muito antes de chegar ao Egito. Algumas pessoas afirma até hoje que eu teria trazido ele de volta ao normal, porém para revelar a verdade eu vos digo que não foi Apuleio que eu trouxe de volta à forma original. Para saberem se eu era de fato quem eles desejavam que eu fosse me trouxeram dois jumentinhos, isso quando eu tinha apenas 10 anos de idade e havia sido levado ao templo. Os sacerdotes conhecedores dos segredos da magia transformaram um ser humano em animal para testar meus conhecimentos. Eles me questionavam sobre assuntos diversos e eu apenas respondia. Não contentes com as respostas eles me trouxeram os dois jumentinhos e pediram para que eu apontasse a diferença entre os dois. Eu toquei a testa de um deles e isso foi motivo de espanto para os sacerdotes. Eu disse: “A diferença é muito simples: um é um homem e o outro é um animal.” Eles ficaram horrorizados com a resposta, pois não admitiam que eu soubesse a verdade. Pediram-me para mostrar uma maneira de provar que estava falando a verdade. Eles esperavam de mim algum tipo de ritual, palavras secretas, qualquer coisa que me incriminasse como feiticeiro. Eu nada falei. Apenas toquei o ser enfeitiçado e ordenei-lhe mentalmente que voltasse ao normal e assim aconteceu. A partir desse dia tive que partir para outro lugar, pois tinha que fazer esses homens esquecerem da minha existência. Voltei para a minha querida Salem, a cidade-escola de Melchizedek, onde havia passado minha infância. Passaria agora mais um período da minha vida lá. Eu vivi por muito tempo absorvendo o conhecimento das antigas civilizações e tudo que a Terra já havia passado e ainda haveria de passar. Na época da minha morte um outro homem mandou o povo festejar. Dessa vez era diferente. O povo precisava ser distraído para não perceber o que estava acontecendo. Deram ao povo muita carne e vinho, deram-lhe de comer e de beber e os deixaram livres do trabalho. Aquele dia, afinal, era o dia mais importante para toda aquela nação, pois os líderes judeus e romanos estavam fazendo um acordo de paz. Por isso a festa era grandiosa, mas não passava de
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uma grande farsa, criada como uma trégua entre os dois lados, para destruir alguém que eles julgavam inimigo e dessa maneira eu fui levado à morte. Depois disso porém, a trégua acabou e cada lado passou a acusar o outro pelo erro fatal e assim surgiram as guerras entre os povos, que se matavam para defender a verdade de seus líderes mentirosos. Um povo ignorante é um povo dependente e fácil de se enganar. Um povo sem direito à cultura e à verdade é um povo sem futuro próprio e seu caminho precisará sempre de pastores. Essa era a filosofia dos líderes romanos e judeus daquela época e da atual também. O povo prefere ser comandado, pois tem medo de aprender a comandar até sua própria vida. O asno na cruz foi o povo, que entendendo o que havia acontecido, crucificou simbolicamente Baco e Samael, pois esses os haviam traído. O povo queria expressar que tanto os líderes judeus quanto os romanos eram traidores e que não haviam respeitado seus deuses e desse modo terminaram levando para a cruz junto com o Cristo, pai da nação, Abraão (Samael) e Baco, o deus da alegria, da colheita do vinho dos romanos. Depois de algumas manifestações iguais a esta seus líderes aumentaram ainda mais a intriga entre os povos jogando acusações para os líderes opostos. Os judeus afirmavam que os romanos eram os verdadeiros culpados e os romanos falavam que os judeus eram os que realmente tinham culpa. O povo, perdido e dividido, vivia entrando em conflito e assim foi por muito e muito tempo. Vale lembrar, Senhor Jesus, que na época da falsa trégua entre romanos e judeus eles já o tinham capturado há quarenta dias. Cumpriam os rituais que os judeus faziam questão de realizar quando iam julgar um réu. Colocavam uma máscara em seu rosto e o apresentavam pela cidade, como era de costume, antes de levá-lo à morte. Poucos eram os réus que tinham o rosto coberto e quando alguém questionava o motivo daquilo a resposta era sempre a mesma: “Aquele que ver seu rosto pagará o seu crime por ele” ou “Ele cometeu um crime tão hediondo que Deus se envergonha de sua face”. Assim o Senhor chegou ao dia do julgamento sem que a multidão maior percebesse quem de fato estava sendo julgado. A festa distraiu o povo, que bebia muito e pouco se importava ou tinha noção de quem estava sendo julgado. Poucos eram os seres que estavam sóbrios em meio à multidão docemente enganada. Nisso tu tens razão, meu anjinho. Não havia nem duzentas pessoas totalmente sóbrias naquele dia. Essas armas são usadas até hoje pelos grandes líderes. Quando querem atingir um objetivo oculto simplesmente distraem a humanidade com um outro grande acontecimento e para isso eles usam as cobaias humanas, testam armas novas e inventam que foi um acidente natural e para isso simulam provas de diversas maneiras. Mas existe na Bíblia uma pequena história que relata como foram um pouco das minhas horas finais. Essa história foi contada por Magdala, mas a colocaram em Cantares de Salomão. Vou descrever-lhe apenas um pouco da dor que ela sofreu e em versos deixou escrito. O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascentará o seu rebanho entre os lírios. Antes que o dia se acabe ou antes que amanheça ele para mim retornará (ela se referia ao fato d’eu ter saído para acalmar os apóstolos que, ao saber que se aproximava o dia da minha morte, ficaram em alvoroço).
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Volta, oh meu amado; faze-te presente. De noite no meu leito busquei o amado de minha alma, mas não o achei (Magdala sabia que eu estava sendo perseguido e que seria preso a qualquer momento). Levantei-me e rodeei a cidade. Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade. Perguntei-lhes: vistes o amado de minha alma? Mal os deixei encontrei o amado de minha alma; agarrei-me a ele e não o deixei ir embora, até que o fiz entrar em casa e ele me disse: eu imploro à minha amada que me permitas dormir para que meu corpo descanse todas as horas que precise. (Agora ela descreve a última vez que me vê em vida antes de ser preso). Já tirei minha túnica, preparo-me para dormir, mas eis que alguém bate à minha porta. É o meu amado, posso vê-lo por uma fresta. Meu coração se comoveu ao vê-lo. Minha mão parece ter óleo de mirra ao tocar a maçaneta. Abro a porta. Toco seu corpo como mirra preciosa. Era puro bálsamo para minha alma, mas antes que eu o tocasse já os guardas o haviam levado. Minha alma se derretia ao se lembrar de sua voz desesperada. Busquei-o e não o achei. Chamei-o e não me respondeu. Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade. Espancaram-me, feriram-me, tiraram-me o meu manto, violaram-me o corpo os guardas dos muros. Depois me perguntaram ironicamente: Se encontrarmos o teu amado o que queres que digamos? Que estou a morrer de amor, respondi tão somente em minha dor sem fim. Essas foram um pouco das humilhações que minha querida Magdala passou quando eu fui pego. Estava á porta de minha casa e surgiram os guardas para me levar ao meu fim, que eu já te revelei. Naquela noite foi espancada, violaram seu corpo e marcaram-lhe a face com um corte de punhal. Seu longo e belo cabelo encobria um pouco a cicatriz, que não lhe tirou a beleza, mas a marcou para o resto de sua vida. Como se não bastasse, não foi só esse o sofrimento de Magdala. Ela descreve ainda que pudera Deus que eu fosse seu irmão, pois ao me encontrar na rua beijar-me-ia sem ser desprezada e comigo então poderia ir onde quer que desejasse e eu poderia ensiná-la sem outros a nos observar. Põe-me como selo sobre o teu coração, oh minha amada, porque o amor é forte como a morte. Duro como a sepultura é o ciúme e a ira dos homens que nos separaram, mas as brasas do amor são como brasas de fogo. São veementes labaredas do senhor, que as muitas águas não poderiam apagar esse amor, nem os rios afogá-las. Ainda que alguém desse todos os seus bens pelo amor seria de todo sem valor e desprezado. Quanto à minha filha, ela também deixou uma prova de sua existência na Bíblia, no mesmo lugar: Cantares de Salomão. Os apóstolos dizem: Temos uma irmãzinha que ainda nem tem seios. Que faremos a essa nossa irmã quando ela for pedida? Minha filha sobreviveu e continuou minha geração em outro país, onde foi preciso trocar de nome muitas vezes para evitar o mapeamento da minha árvore genealógica. Durante mais de 1.500 anos os seres que tinham minha herança genética mudaram seus nomes, cidades. Viviam como ciganos, nômades que costumam ter dupla nacionalidade e várias identidades. Em algumas cidades são conhecidos por um nome, em outros dão outro nome e assim por diante. Essa era a única maneira de sobreviver às eternas
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perseguições. Minha amada Magdala sofreu muito para sobreviver e proteger minha linhagem. Como se não bastasse a violência brutal à qual seu corpo foi exposto no dia em que me levaram preso ainda ofereceram a José Arimatei 30 moedas de prata pelo seu jardim, onde sabiam que meu corpo se encontrava após a morte. No mesmo dia em que fui crucificado José Arimatei levou meu corpo para o Jardim das Videiras, pois já tinha tudo preparado para me transportar para um lugar sagrado e secreto, onde eu voltaria à vida apenas por um curto período, em que deveria terminar o que vim fazer na Terra. Alguns judeus e romanos ofereceram dinheiro, muito dinheiro a José Arimatei para que ele lhes desse o meu corpo, pois queriam ter a certeza de quem eu era e, é óbvio, fariam muitas experiências mágicas para descobrir isso. Entretanto José Arimatei não vendeu o seu jardim. Alegava sempre que ele pertencia à viúva, que ela o tinha como herança. É claro que não se pode comprar a herança de uma viúva. Pelas leis antigas seria um crime deixá-la desprovida de seus bens, porém para tudo eles davam um jeito e o combinado era que José Arimatei entregasse meu corpo a eles após minha execução. Para se livrar disso José Arimatei usou a lei, que os dois lados tanto pregavam. No tumulto causado na hora da minha morte todos terminaram por esquecer momentaneamente o corpo, menos José. Ele fez um guarda romano receber e assinar um documento que declarava que o governador romano Pilatos aceitava pelo corpo do condenado Jesus Cristo a quantia de trinta moedas de prata, entregando esse ao José Arimatei para que se cumprisse os rituais segundo sua crença e sua lei. Esse documento daria algum tempo a José Arimatei, pois levaria os judeus ao governador romano, que por sua vez não sabia do ocorrido, afinal os cobradores de impostos tinham a liberdade de cobrá-los, mas nem sempre seus governantes sabiam a mercadoria negociada. Por trinta moedas vendido, por trinta moedas comprado novamente. Após a grande saraiva de meu amado Pai guardas romanos e autoridades judaicas e romanas foram, sob o véu da noite, profanar o túmulo onde José havia, para todos, me sepultado. Meu corpo havia desaparecido e eles foram pegos em flagrante por uma pequena multidão que desejava despedir-se de mim. Foi então que o povo levantou grande revolta contra seus líderes, pois esses conspiravam juntos o desaparecimento do corpo. A notícia se espalhou rapidamente e para se verem livres de qualquer acusação começaram a proclamar um milagre: o desaparecimento do corpo. É bem verdade que José Arimatei me transportou a tempo para outro lugar, a minha tão querida Salem subterrânea, onde os ensinamentos da Salem de Melchizedek foram preservados. Como já lhe expliquei anteriormente, eu voltei para instruir algumas pessoas do que deveria ser feito, mas existe algo que preciso revelar à humanidade. Para manter o fato de um milagre ter acontecido tanto líderes judeus como romanos resolveram criar uma farsa para acalmar o povo e ao mesmo tempo obter informações preciosas. Eles fizeram um homem muito semelhante a mim surgir diante do povo. Colocaram palavras em sua boca e o pagaram bem para surgir apenas em lugares estratégicos onde era possível desaparecer facilmente. Ele tinha marcas semelhantes às que eu sofri quando me executaram, mas isso resultou em mais revolta, pois o povo esqueceu a
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profanação do túmulo, mas não esqueceu as pessoas que me executaram. Os líderes queriam com isso confundir também alguns apóstolos e fazê-los aparecer, saírem de seus esconderijos para serem pegos, mas isso não funcionou. Minha amada Magdala se recuperou do apedrejamento e espancamento que sofrera no dia da minha prisão. Ela foi até o portão da fortaleza, implorar para apenas me ver e os mesmos guardas que a violentaram a denunciaram aos líderes judeus sob a acusação leviana de que ela estaria oferecendo seu corpo em troca de favores. Esses líderes enviaram ela para o apedrejamento público e o povo começou, mas nessa hora Pedro soube o quanto amava Magdala e mandou que o povo parasse. O povo, indignado, perguntou: “Por que defendes uma adúltera?” Ele respondeu: “Basta olhar os olhos dessa mulher e ver sua face cortada por adaga para ver que ela não se vendeu, mas foi violada em sua carne. Além disso observem. Por acaso ela por algum instante tentou se defender como fazem os verdadeiros culpados? Não, ela aceitou a punição e não reclamou, como se nada mais em sua vida tivesse valor algum. Ela aceitou seu fim, que mais lhe parece um alívio.” Foi então que o povo percebeu o erro que estava cometendo, mas Pedro teve que se justificar e para isso não precisou de muitas desculpas. Todos sabiam que ele amava Magdala, porém ele evitou tocá-la para não expor diante da multidão aquele sentimento que mal controlava. Foi Arimatei e Felipe que socorreram o corpo cheio de sangue de minha querida, que mais tarde teve sua história profanada pelos homens que desejam manter a verdade longe dos olhos do povo, mas não foi só isso que Magdala sofreu antes de sua morte. Ela ficou cega pela visão do Apocalipse, como já lhe contei. Seu sofrimento foi muito grande, mas seus ensinamentos deixaram raízes que até os dias de hoje se mantêm vivos. Por centenas de anos minha linhagem foi perseguida por todo o clero romano e judaico, que usava da magia sagrada das Clavículas de Salomão para nos destruir. Criavam seres inacreditáveis para a imaginação da humanidade. Gárgulas ou golans, vampiros e outros seres passaram a povoar a Terra e, por mais incrível que pareça, eles surgiram justamente onde havia duas colunas estabelecidas (Jonkins e Boaz). Era uma perseguição velada, que só a caça e o caçador sabiam que estava acontecendo, mas como tudo tem uma ação e uma reação os seres humanos que se valiam da magia sagrada nem sempre tinham um controle absoluto sobre ela e muitas vezes o criador perdia o poder sobre sua criatura, que terminava por não voltar mais para seu respectivo mundo e causava grande destruição nos lugares onde vivia. Esta se tornou uma época de caça às bruxas, principalmente as que tinham cabelos castanhos com tons avermelhados e que carregassem a marca da flor de liz, além de outras características bem marcantes, como participarem de uma sociedade secreta (da Rosa Mística) e uma sabedoria incomum, além de habilidades com a espada e outros tipos de armas e até mesmo artes marciais. As mulheres se tornaram um alvo maior da Inquisição, pois poderiam renascer os segredos de Magdala a qualquer momento e esse seria o fim de uma ordem que estava se estabelecendo. Nos tempos de hoje os homens não precisam usar a magia. Eles têm a tecnologia para criar seus próprios golans e

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o fazem submetendo seres humanos a transformações genéticas, criando seres capazes de fazer coisas inacreditáveis. Porém agora, meu querido anjinho, a tua missão é levantar as colunas do templo sagrado de meu Pai. Tu tens que estabelecer a ordem e a Verdade mais uma vez. Deves edificar a [Yerus]halayim], Yoshualem [Jesu[salem]. Os nomes Jesus e Salem formam a Casa de Deus. Nessa Nova Jerusalém tu fará tudo de maneira kabalisticamente correta, porém eu não te darei a memória dessa nossa conversa até que tu tenhas recebido todo o projeto arquitetônico por pura inspiração. A princípio tu não vais compreender como chegastes a algo tão exato e para teu desespero maior eu não irei prover tua vida das condições financeiras necessárias para construir esse grandioso templo, porém eu te revelarei a Verdade e os propósitos divinos. Tu então vais crer que és de fato quem o Pai escolheu para essa missão e no ano em que o galo revelar a aurora do novo tempo, no mês da trindade eu te proverei das condições financeiras para construíres a Casa do Senhor. Eu farei com que os templários guardiões dos tesouros e da herança da linhagem real venham do estrangeiro e, tal qual foi no passado, lhe ofereçam o quanto precisar para construir a casa de meu Pai e assim mais uma vez as colunas do Deus visível e do deus invisível devem se levantar para sustentar o futuro da humanidade. O Deus Pai e o Deus filho é a ordem estabelecida mais uma vez. Como foi muitas vezes no passado será mais uma vez e quantas ainda forem preciso. Eu conheço bem essa lei, meu querido Senhor Jesus. Deus Pai é a ordem do universo em todas as coisas e criaturas que nele habitam. O Senhor veio como Deus filho para estabelecer essa ordem na Terra. Por isso um dos nomes que lhe deram era Emmanuel, o legislador de Deus. Muitos foram os nomes que me deram, querido e amado anjinho, e a tua missão é ajudar a humanidade a compreender porque houve tanta mudança na ordem que eu deixei na Terra. Tua missão não será fácil e muitas pedras irão te atirar, mas tu, como carregas a virtude sagrada do Amor, tens o maior de todos os poderes, mas só irá descobrir do que ele realmente é capaz na hora da transformação. Eu irei te desprover de qualquer outro dom. Tu terás apenas o dom do amor e quando souberes usá-lo irás descobrir que tens todos, mas antes que tu te vás quero ainda te fazer algumas perguntas. 1ª) Tu sabes porque te chamo Anjo do Amor?; 2ª) Tu sabes porque somente a ti revelei tudo que aos demais não revelei? ; 3ª) Por que tu aceitaste trocar de aparência para falar comigo? Acaso tu não sabias que eu te reconheceria? Senhor Jesus, perdoe-me, mas por que estais a me confundir tanto assim? Eu vim a mando de Metatrom e do Santo Anjo Gabriel, pois ele é o anjo que anuncia as profecias a serem realizadas. Foram eles que me enviaram ao Senhor. Meu pequeno amado, querido anjo, tu és a flor rara que abrigo no meu peito. Tu agora tens a 13ª pérola divina. És o 13º escolhido para levar à Terra a transformação, mas não és apenas isso. Tu és viver do meu viver, és luz que habita em mim como eu habito em ti. És a metade da gota de essência sagrada e divina da qual o Pai me fez. Tu e eu somos um só. Por isso, oh
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amada minha, tira o véu de tua face e liberta tua verdade para que eu possa assim de ti me despedir mais uma vez. Minha querida Ísis, tão amada Magdala, oh Ayrimael, revela-te para mim e deixe-me dar-te um longo abraço, meu anjo do amor. Oh Senhor meu, existência de minha existência, perdoa-me a afronta, porém assim o Pai ordenou fazê-lo, pois sabes que o Pai não deseja ver-te infeliz e sabendo tu que eu desceria para fazer o 13º escolhido logo te entristecerias. Por isso o Pai me vestiu como criança e permitiu que me revelasse apenas na hora da partida. Assim seria menos doloroso, tanto para ti como para mim e dessa vez o karma é meu e não teu, amado de minha luz. Eu devo resgatar minha verdade e assim com certeza a tua também estará resgatada. Deves lembrar-te que a última pessoa que tentou revelar a verdade ao mundo era um sangue real e por esse motivo logo foi descoberta e levada a morar nas áreas secretas da Igreja católica, onde jamais podia ser vista ou ouvida. Passou a vida em total clausura involuntária. A morte dessa mulher poria fim à linhagem de sangue real se não fosse por um pequeno detalhe. De seu corpo foi feito um mapeamento genético e extraídas amostras genéticas para serem manipuladas no futuro, mas tu te lembras que te contei que o papa da Igreja Católica tem um filho com uma freira? Sim, essa freira é uma das crianças daquele grande acontecimento que houve em Fátima (Portugal), mas que também pertence ao famoso “caminho de Castela”. Esse caminho é muito conhecido como rota de fuga. No passado os cátaros e outros viajavam por esse caminho atravessando fronteiras em busca de exílio. Hoje é um caminho de peregrinação espiritual. Essa jovem nasceu ali e nem sabia que era de sangue real quando começou a relembrar a sabedoria de um passado distante. Também trouxe de volta a verdade que a muitos incomodou. Aqueles dois seres que estavam junto dela também sabiam a verdade, porém eles foram assassinados. Essa foi uma maneira de impor limites a ela, afinal uma nova Madalena ou Virgem Maria não podia reencarnar justamente na época em que a Igreja estava segurando as rédeas do destino do povo. Seria um desastre total a verdade sobre a “madre”, mãe da fé, vir à tona. Magdala teria seu reino de volta junto a seu rei e para a Igreja romana quanto para os judeus isso era completamente inviável. A jovem atingiu a iluminação e carregava estigmas muito bem escondidos pelos seus superiores, que a mantiveram em cárcere desde o dia em que ela foi obrigada a aceitar o acordo de guardar os segredos que a Virgem Maria em visão lhe contara para que ela revelasse ao mundo. Essa jovem, ao ver os jovens primos mortos por saberem o mesmo segredo que ela, não teve outra escolha, pois além dos primos seus parentes também pagariam um preço muito alto e para o povo tudo seria contado como se a verdadeira culpada daquelas tragédias fosse unicamente ela. Ela ficou sem opção e em seu bom coração não queria ser a causa de tantas mortes, que fatalmente aconteceriam se ela levasse adiante seus planos de revelar a verdade. Mas sua herança genética não está perdida. Ela e o último papa tiveram um filho, porém ele é o 13º do lado oposto ao teu. Minha querida, tu terás que enfrentar na Terra um filho sangue real como tu. Eu farei com que teus bisavós sejam descendentes de sangue real. Assim tu também terás a
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linhagem real, mas teus bisavós e avós serão instruídos a serem nômades e a trocarem nomes e datas de nascimento. Assim terão várias identidades provenientes de vários lugares e nenhuma verdadeira. Nem mesmo tu deverás saber de fato o dia, ano e lugar correto de teu nascimento. Tudo isso vai evitar que os homens de preto / illuminatis cheguem até você. Quando for a hora certa a ti será revelada toda a verdade e assim tu cumprirás tua missão, que em nada te será fácil, mas além disso deves também te lembrar que quando essa mulher, mãe do 13º da oposição, morrer o papa também morrerá logo depois. Isso te será o sinal mais claro de que o dia da grande profecia de tua vida se aproxima. Tu irás passar por uma grande transformação, que te deixará à beira da vida e da morte. Tua pele será tirada como cobras que trocam de pele. Teu corpo parecerá sangue puro. Será como se alguém tivesse tirado toda tua primeira camada de pele. Tua aparência irá desaparecer. Tu estarás consciente, pois tudo deves sentir para lembrar-te. Deixarás para trás um corpo humano e serás revestida de uma nova forma, aquela que guarda todos os mistérios e é essa que te fará suportar a grande batalha que te espera. Lembra-te sempre, minha querida, que o pão é a carne, a matéria, o vinho que colocamos no cálice é a sabedoria e a pomba com a hóstia no bico, que entra no cálice, é a consciência do Divino. Só que para receber essa consciência o corpo deve ser revestido de um cálice (cálice novo divino). Esse é preenchido pela sagrada sabedoria do sangue real, que por sua vez recebe a magnitude da consciência divina e universal. Seu oponente tem apenas uma diferença de ti. Ele foi criado pelo homem para realizar seus propósitos. Todo seu conhecimento foi manipulado pela ciência que o criou. Ele sabe que é sangue real e acredita ser o Messias encarnado. Por isso também se acha no direito de fazer a lei de acordo com a sua vontade. Ele é obviamente discreto e age por trás de vários homens, que não passam de marionetes em suas mãos. Isso é tudo que podes saber sobre esse ser. O restante tu deverás descobrir quando desceres à Terra e estiveres pronta para te encontrares com esse ser. Não te preocupes, oh meu amado. Tudo deve correr de acordo com a vontade de Deus e eu há muito já aprendi que a minha vontade nem sempre é a vontade de Deus, porém a vontade de Deus com certeza também é a minha vontade, mesmo que ainda não tenha consciência disso. Nós desejamos coisas porque temos o livre-arbítrio e esse é o nosso professor oculto. Sem o livre-arbítrio de acertar e errar não podemos evoluir, mas a evolução, quando alcança o nível de consciência divina, nos ensina que as vontades do Pai terminam por ser as nossas realidades, mesmo que não saibamos disso. E eu estou pronta para fazer a vontade do Pai. Estou pronta para acatar a vontade dEle como a minha e isso me dá a segurança que tanto preciso para realizar essa divina missão. Oh amado meu, devo partir para o mundo que me espera, mas que não me conhecerá, pois eu só renascerei com a Verdade após a grande transformação. Antes disso minha vida será discreta e comum aos olhos da sociedade que me cercar. Alguns anos antes da transformação devo vestir a roupa divina que irás me preparar e talvez aí alguns seres me reconhecerão, mas prometo fazer de tudo para me manter discreta e não chamar a atenção.
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Minha querida, sei que tu tens sabedoria suficiente para isso. Sei que teus conhecimentos são amplos, pois és um Amorazim como eu. Somos os primogênios (primogênitos) de Deus, disse Jesus. Vá, minha doce alma. De ti jamais estarei separada e para que tu estejas em mim e eu esteja sempre em ti troquei as cores das nossa esferas sagradas. A tua é a azul, que um dia me pertenceu, e a minha é a rósea, que um dia foi tua. Tu agora és o Anjo do Amor e a tua esfera sagrada rósea, a 13ª, foi incrustada em tua alma, assim como a minha azul é incrustada em mim. Por isso fiz simbolicamente a mudança. O que está na alma não muda. Quando sentires minha falta tu desejarás ver uma linda rosa azul. A utopia dos humanos é um dia ter em seus jardins o teu desejo, teu sonho. Eu te enviarei rosas róseas para corresponder e preencher tua saudade. Tu então saberás que estou não só pensando em ti, mas estou em ti. Eu te amo, oh chama que acendeu minha essência e infinitamente te amarei. Eu também te amo, oh essência de minha essência e por todos os dias de tua estadia terrena eu te velarei e esperarei, até o dia em que nos meus braços em nome do Pai novamente eu te terei, amor de minha alma, disse Jesus. Não me deixes sentir a dor da tua ausência, a cruel saudade do teu ser. Alarga teus braços em minha direção e toca-me ao menos nos sonhos, amor do meu viver. Sei que a carne incomoda a alma com sua infundada insegurança e sua dura solidão. Por isso te imploro, amado meu, não me deixes sofrer na angústia de tua saudade. Lembra-te, oh amada minha, dos tempos em que vivemos juntos na Terra. Foi um tempo em que pouco te fiz feliz, pois minhas viagens, que só revoluções causavam, muito transtorno a ti traziam. Eu sei que era minha missão libertar a Terra dos falsos sacerdotes e seus contínuos sacrifícios de adoração, mas como companheiro teu pouco da minha presença eu te dava. Agora tu cumprirás essa missão sem a aflição que eu te impunha naquela época. Tu vivias a sofrer à espera do pior. Temias a minha morte pelas mãos dos líderes ou de qualquer um, porém nem tu imaginavas que seriam os líderes aliados a nós que viriam a nos trair de maneira tão declarada. Eu sei que estás falando das sete igrejas apocalípticas, que na verdade eram os sete mais importantes líderes aliados a nós, os primeiros a declararem aberta a casa do Senhor, aqueles que esqueceram as colunas de Boaz, pai adotivo de Davi, e Jones, o Jesus. (obs.: Esse Boaz e Jones é simbolismo histórico maçônico. Na Maçonaria a coluna Boaz representa o pai do rei Davi e Jones significa um dos filhos do rei Salomão, como também o próprio Jesus, mas a explicação correta já foi escrita anteriormente). Voltando ao assunto principal, foram eles que instituíram a nova ordem, a nova lei, que era por sinal muito simples. Liberta o povo da ignorância, indica o caminho da sabedoria. Só que para isso era preciso abandonar os rituais de sangue, orgia e sacrifícios. A princípio eles acreditaram na tua verdade e que tu eras o verdadeiro herdeiro de Salomão, a linhagem real do rei Davi. Desse modo tu eras o Messias dos profetas antigos. Durante muitos anos lutaram ao teu lado
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nas tuas peregrinações e muitos templos conquistaram para a nova ordem e nova lei. Nasciam ali os construtores oficiais de templos do Senhor, os seguidores da Verdade tornaram-se cada vez mais e mais. Até se tornarem um grande exército, que tinha no líder um bravo guerreiro, um guerreiro que lutou contra falsos profetas, feiticeiros e mágicos ilusionistas, mas que jamais puxou arma alguma contra eles, a não ser a espada da Verdade (a palavra). Isso te trouxe muitos inimigos, muitos cheios de influência e poder, outros cheios de feitiçarias e práticas de rituais sangrentos. Jamais vi o medo em teus olhos. Pelo contrário, sempre vi uma plácida calma e uma imensa dor que tentava se esconder, dor de saber o que iria acontecer. Eu e tu sabemos dessa verdade, minha flor, mas o que de fato interessa dela até os dias de hoje é omitido. O povo não tem idéia de como foi realmente minha vida, tampouco imagina que passei anos viajando para pregar a Verdade e destruir a ignorância. Não imaginam o quanto era difícil fazer o povo crer na Verdade e abandonar a ilusão dos falsos ídolos. Na verdade o povo acha que só fiz uma revolução no final da minha vida. Mal imaginam que o simples fato d’eu falar aos apóstolos: “Vá, mas não contes a ninguém o que vistes aqui” era uma maneira de prolongar meu tempo na Terra. Agindo dessa maneira eu ganhava tempo para estender ainda mais o reino de meu Pai na Terra. Todos acreditam que eu vivia fazendo milagres aos olhos da multidão e isso não é bem verdade, pois todas as vezes que usei as palavras “jamais conte a alguém o que vistes aqui” não coincidem com o comportamento de um ser que realizava grandes feitos diante de milhares de olhos. Por que eu falaria isso e em seguida iria me expor de maneira tão contraditória ao povo? É uma pena que o povo jamais tenha se feito essa pergunta. Os feitos que aconteceram para muitos não foram relatados e aqueles que foram estão modificados. Um dos grandes feitos foi quando fomos para Qumran (Monte da Nova Lei) criar a nova lei. Éramos em 400 homens, mas tínhamos que agir de maneira discreta para não chamar a atenção. Durante meses uma caravana de 50 homens se revezava com outros 50. Assim eles não permaneciam tanto tempo ausentes de seus lares e cidades. 50 homens de várias cidades se correspondiam e marcavam a data para o encontro em Qumran. Assim apenas alguns homens de cada cidade se ausentavam e não levantavam suspeita de seus governantes. Às vezes eram apenas dois ou três e isso não alterava em absolutamente nada o ritmo normal de qualquer cidade. Mas o fato desses homens se encontrarem em Qumran tinha que permanecer em segredo e esse era o motivo de tanta cautela e sigilo. Lá nós escavamos de noite uma montanha onde viria a ser no futuro uma cidade subterrânea que guardaria a grande biblioteca da lei e todos os segredos da nova lei, pois já nos era previsto um futuro cheio de perseguições e morte, afinal o presente já nos era semelhante. Éramos perseguidos pelos que se diziam meus inimigos e muitos do nosso grupo foram mortos por esses inimigos, que procuravam nos intimidar com essas ações clandestinas e traiçoeiras. Houve um dia em que mais de 100 homens resolveram trabalhar na cidade subterrânea a fim de terminá-la logo. Uma grande emboscada nos encurralou dentro da montanha. Eles ainda não haviam nos visto. Apenas sabiam que estávamos ali e isso seria o bastante para nos aniquilar, afinal não
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seria muito difícil esconder tantos corpos, pois já estávamos num lugar propício. Eu disse aos meus homens: “Continuem a trabalhar e não se amedrontem quando eles entrarem, pois vos garanto que não verão vocês, mas sim algo tão aterrorizante que aqui não permanecerão por 30 segundos.” Tomei a dianteira ficando à frente dos homens que trabalhavam. Assim logo que os ditos inimigos entrassem eu seria o primeiro a ser visto por eles. Como disse, eles não permaneceram nem 30 segundos ali. Saíram gritando: “Escravos de Salomão, escravos de Salomão!” e isso fez meus trabalhadores caírem na gargalhada, pois todos sabiam que escravos de Salomão eram os seres que ele invocava usando a magia sagrada. Ele chamava esses seres para ajudá-lo a construir ou escavar minas e muitos desses seres tinham uma aparência assustadora, o que era proposital, evitando que seres humanos curiosos causassem algum dano àquele empreendimento, ou seja, roubar ou destruir ou mexer no que não deviam. Esse não foi o único feito diante de muitos olhos, mas vale ressaltar que todos que estavam ali já tinham conhecimento das minhas habilidades e não as viam como algo anormal ou danoso, pois eles também eram meus aprendizes, que tanto desejavam conhecer a Verdade. É, meu amado, eu bem conheço do que és e fostes capaz. É uma pena que a humanidade não tenha consciência e tampouco instrução para aprender isso, mas esse também é mais um dos motivos pelo qual eu devo descer à Terra. Eu devo, por ordem do Pai, escrever tua verdadeira história em um livro que relate teus ensinamentos e tua verdade. Devo também escrever um livro que leve a luz à humanidade, onde se revela os segredos da criação de tudo e todos e, é claro, construir o templo sagrado de meu Pai, a nova casa de Salem, a Yoshuasalem, Jesusalem, a Casa de Deus. Este deverá servir de abrigo para o povo e também servirá de escola, como foi a Salem de Melchizedek. Tu sabes que dessa vez tu não terás o concílio das 7 igrejas conspirando contra ti, como fora no passado, quando vivemos juntos na Terra. Eram necessários 33 votos para minha prisão e execução e as sete igrejas que a nós eram fiéis venderam seus votos em troca de quantias bem expressivas, afinal meus ensinamentos nada ofereciam senão sabedoria e ela já estava saindo muito cara para alguns líderes e rabinos acostumados ao luxo, pois o povo, fiel consumidor dos templos, já não depositava mais seu sagrado suor nas mãos dos ilusionistas, que diziam remediar tudo. De bolsos vazios alguns se viram nas condições em que eles costumavam deixar o povo e aprenderam que tinham que trabalhar duro para sustentar-se. É óbvio que isso não agradou a todos, que fingiram aceitar tais condições para não serem apedrejados pelo povo. Assim sendo, os rabinos das 7 igrejas tornaram-se fiéis à nova lei, aliando-se à maioria do povo, mas conspirando com os outros pelas sombras. Como em toda comunidade, existem divergências. A mim não foi surpresa um concílio me julgar e condenar. Eu já estava acostumado com os seres que a cada momento tinham divergências por comportamento diferente. Era muito difícil lidar com tantos homens de temperamentos e índoles tão desiguais. A toda hora queriam que eu julgasse o comportamento ou a ação de fulano ou sicrano. Isso muitas vezes me entristecia, pois parecia
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que eu estava ensinando a vida para defuntos, que nada mais podiam aprender, mas contigo será um tanto semelhante a mim, minha querida. Tu também irás te sentir assim, porém não te apavores ou desanimes. Faça a tua parte apenas e o Pai fará o resto. Não te preocupes comigo, oh amado meu, pois eu hei de estar pronta quando tu abrires o 7º selo e o anjo do senhor derramar a saraiva divina sobre a Terra. Creio em Deus e tenho constância na minha segurança e esperança de que Ele irá prover tudo na hora certa para que se cumpra sua providência e seus desígnios. Sei também que para isso devo me unir a ti na Terra, isso é, nascerei como ser humano e aparência de ser humano, mas em um dado momento tu e eu devemos nos tornar um só, sem que tu necessariamente tenhas que reencarnar para isso. Sei que para realizar esse grande feito muitas dores terei que passar, mas sei que isso é uma profecia divina e deve se realizar, como toda profecia divina. Disso não tenho medo, receios ou insegurança, pois tudo que mais desejo em minha alma é estar contigo, oh amado de minha luz, amor meu, minha esperança. O Grande Pai em sua infinita bondade prometeu calar-me o coração, para que eu não venha a sofrer tanto pela tua ausência, mas já agora reluz-me a alma de saber que me unirei a ti para sempre. Nosso casamento divino se aproxima, oh meu amado de todos os tempos. E juntos, minha querida, vamos olhar pela Terra até que ela evolua e se transforme no seu estágio final. Essa é tua última missão carnalmente falando. Ao terminá-la não mais precisarás da carne. Assim teu espírito e o meu serão tal qual uma só chama para todo o sempre, minha querida. Pelo teu amor juro pela luz do meu espírito que farei o desejo do Pai ser o meu desejo também. Eu me libertarei e em nada hei de pensar para deixar minha mente à disposição somente do Pai e seus desígnios. Saibas, oh amada minha, lírio de meu jardim, que palavras não encontro para me despedir de ti. Queria eu ter a sabedoria do Pai, nesse instante apenas, para saber o que te dizer, mas não encontro palavras no mundo para dizer-te o que vai por dentro de mim. Oh vida de meu viver, eu também me sinto assim. Dai-me apenas teus braços para que eu te deixe um selo na alma e assim não te esquecerás de mim. Vem, oh meu ser, invade-me por inteiro, pois mesmo que o universo inteiro se apagasse jamais apagaria o que sinto por ti, pois se isso eu fizesse muito antes eu esqueceria de mim. Oh meus queridos filhos, flores raras do meu jardim, não entristeçam esse velho e eterno Pai, que tanto os ama e que, por tanto amar, em vocês tantas vezes já confiou. Oh meus preciosos Amorazins, tesouros do livro sagrado de minha existência. Eu por vocês e em vocês já me fiz presente na Terra. Eu, que vi quão grandes e fortes foram as dores dessas melhores de suas existências, vim falar-vos que em momento algum os deixarei, pois jamais o fiz e jamais o faria, pois eu sou aquele que é, aquele que está sempre presente e jamais deixa de estar. Agora eu não os estou separando. Estou unindo-os em laço de matrimônio divino, transformando-os em chama única para todo o sempre. Minha querida Ísis, Vênus, Aphrodite, Magdala, Ayrimael, etc., minha criação divina, agora que estás completa leva tua luz àqueles que mais
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precisam dela. E tu, ó bem precioso, meu pequeno Sol Osíris, meu flamejante Apolo, tu já não necessitas mais da carne. Tua missão já foi completada. Permitas à tua metade completar a dela para se unificar mais tarde a ti. Oh Pai, perdoa-nos a fraqueza. Não é nosso desejo fazer-te infeliz com nossa tristeza. Meu amado Yoshua, tão digno é teu coração que não vejo fraqueza alguma em ti ou em tua alma amada Ayrimael. O amor é senhor de nós, minhas lindas flores, e nós jamais seremos senhores do amor, pois o amor sou eu em minha infinidade do verbo “Sentimento da Verdade” e mesmo eu me perco em mim quando quero me perder nesse jardim de infinitas rosas, flores tão cheias de cores e aromas inigualáveis. Eu estou pronta para ir, Pai. Estou pronta para te servir e te oferecer o que há de melhor em mim, mas perdoa-me a insignificância. Sei que tão pouco sou diante daquilo que vós desejas fazer. Oh, querida criatura. És o suficiente para o que preciso e nada te falta, pois assim eu te concebi. Por isso tanta certeza tenho, tanto de ti quanto de meu amado Yoshua. Até breve, amado de minha eternidade. Meus braços estarão sempre envolvidos no teu abraço aqui dentro de minha lembrança. Até breve, querida de minha eternidade, flor de meu jardim. Meus braços também jamais largarão o teu abraço, que guardarei para sempre em minha lembrança. Eu os preservarei em minhas mãos até o dia em que voltem a se reencontrar. Eu a ti ordeno, Ayrimael, amado Amorazim, princesa dos querubins: Faça-se a luz e a luz na Terra nasceu. Agora, meu pequeno anjo do Senhor, tu estás pronto. Tu agora deves descer à Terra e ensinar ao mundo a verdadeira Sophia e para isso eu te farei nascer entre os mortais e te darei a consciência de um ser já adulto. Para tornar mais fácil tua missão tu não terás lembranças de ser um anjo até que alcances a idade de 24 anos, mas teus atos serão comparados aos de um anjo. Aos 33 anos tu terás recuperado todas as tuas lembranças da vida de anjo e é claro que só te lembrarás disso porque terás alcançado a sabedoria para compreender os propósitos de tua missão diante da humanidade. Agora vá e sejas eu e em meu nome te dou o direito de falar tão preciosa Verdade. A ti darei ajudantes. Alguns deles serão maçons, templários, illuminatis e de diversas outras filosofias. Tu deves te lembrar que a balança divina deve sempre permanecer equilibrada. Por isso deixa-te guiar pelo teu coração e assim encontrarás os maçons, templários, illuminatis e outros adequados para te ajudar. Não te preocupes em saber que o controle da Terra está na mão desses homens, pois metade estará do teu lado, a outra metade estará do outro lado. Revele aos homens a Sophia, porém deixe que eles descubram os mistérios, afinal a evolução é deles, a missão é tua, e por fim ensina a eles o verdadeiro “Pai Nosso”, que rezei e ensinei quando estive entre eles, aquele escrito em aramaico, onde revelo a Verdade de meu Pai. Levanta-te e vai, meu anjo, cumprir o teu destino. Sei que todos os iniciados que resolveram revelar este grande arcano à humanidade morreram pelas mãos da ignorante incompreensão, mas esta
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Verdade não pode ser tragada pela Terra, pois a Terra só mata o que é ilusão. Aquilo que for verdade terá a eternidade como vida e um dia ganhará o abraço da compreensão humana, mas por enquanto, meu querido Anjinho do Amor, vamos viver e esperar no tempo de Deus que a humanidade evolua em seu próprio tempo, como assim foi e será por todos os tempos. Espero aqui ter esclarecido o que são de fato luz e trevas, o que são de fato amor e paixão, o que são verdade ou ilusão. Só não espero de ti compreensão, pois essa não depende de mim, mas da tua evolução. O segredo da sabedoria consiste em saber absorvê-la, compreendê-la e saber a quem ensiná-la. Lembre-se que a Luz da Verdade só queima os olhos daqueles que não desejam enxergar (aprender), porém aqueles que desejam ver receberão uma visão cristalina da Verdade Universal. Que a Luz Divina esteja convosco.

REVELAÇÕES
Era uma época de trevas na Terra quando Deus, Senhor de tudo e de todos, Pai Universal, chamou diante de si o seu filho Samiazy. Arrebatado da Terra Samiazy foi transportado para a presença do Pai. Diante de Deus o anjo Samiazy curvou solenemente a cabeça reverenciando a luz imensa e sutilmente, em sonora e melodiosa voz, disse: - Chamaste-me, oh meu Criador. Aqui estou como tua criatura. Da imensa e gloriosa luz uma voz surgiu. Parecia brisa suave com aroma de orvalho ao amanhecer. - Filho querido, meu amado. Chamo-te aqui porque desejo saber de ti como vai a casa de teus filhos e quantos desses já sabem que são teus filhos e até mesmo quantos deles te reconhecem como pai. Um olhar triste responde sem palavras. Samiazy baixa a cabeça e algumas lágrimas deixa cair. O Pai envolve sua nobre criação em um abraço de profunda luz e supremo amor e assim diz bem baixinho: - Já está feito (o dilúvio avançou sobre as três grandes raças: Atlântida, Lemúria e Shangrillá). Um novo tempo te espera, meu amado. Tu agora deves reensinar os mortais filhos teus e de teus irmãos. Tu agora deves descortinar a verdade que cobre a história da humanidade. Revela, oh meu querido anjo caído, aos teus filhos quem são seus pais, relata desde o princípio como tudo se originou, como te criei fecundo e como tu fecundo te tornaste. Vá, meu querido Anjo da Luz. Dê a teus filhos o mesmo que eu te dei. Criei a 13ª raça (tribo) e ela te servirá de braços e pernas, que levarão tuas palavras a todos os cantos da tua imensa casa chamada Terra. Porém jamais te esqueças, meu querido, deixe sempre bem claro a teus filhos que esta casa é transitória, pois não é morada, mas apenas a Escola do Estágio Primário do Conhecimento em Conjunto. Lembra-te sempre: tu és eu, pois habitas em mim e eu sou tu, pois habito também em ti. - Samiazy, meu querido filho, nessa tua jornada não estarás sozinho. Recolhi duas belas rosas do meu jardim, o mesmo jardim onde tu nasceste. Tu já as conhece, são teus irmãos, Amorazins como tu. São Krysnasvary e

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Agkrüpymallaya. Vocês não irão nascer de maneira humana. Nascerão de forma oculta aos olhos dos homens e como são responsáveis pelos habitantes da Terra viverão nela até que essa evolua para o estado invisível. Neste instante Deus chama Krysnasvary e Agkrüpymallaya para se unirem a Samiazy e os três chorosos anjos se aninham no colo do Pai por alguns instantes, parecendo prever que viverão longos milênios sem o tão profundo e mais puro dos puros carinhos. Como criaturas tão fortes e evoluídas poderiam estar chorando no colo do Pai? Como criaturas tão cheias de sabedoria agora pareciam tão frágeis e pedidas? É muito simples a explicação. Esses três seres foram designados a trazer à Terra a maior potência em forma de sabedoria, porém ao trazerem luz aos olhos dos homens também trariam a destruição. A primeira etapa dessa jornada eles haviam cumprido e já estavam tão feridos e cheios de dor que só o colo do Pai poderia trazer um pouco de alento. A imensa luz os envolve com enorme doçura e amor e os prepara para o retorno à Terra. A Era de Ouro agora havia acabado e com ela os seres chamados ‘deuses imortais’ também sentenciaram seu fim. Agora um novo estágio da escola ia começar e mais uma vez os três anjos do Senhor iriam preparar a humanidade, mais uma vez seriam odiados com todo o fervor da ignorância humana, mais uma vez levariam a culpa por todos os erros da humanidade e mais uma vez lutariam juntos para salvar essa mesma humanidade do grande mal que ela estava por criar. Num olhar tristonho e cheio de lágrimas Agkrüpymallaya diz ao Senhor: - Pai, por que confias a mim essa providência divina. Eu errei tanto na primeira etapa de sabedoria que me envergonha ainda merecer vosso resplendor. - Minha tão amada criatura, se tu tivesses errado por acaso eu não teria errado também? O que tu pensas não é o que eu sinto. Porém o que eu sinto tu deverias sentir também. Liberta-te de tuas culpas, pois estás servindo aos propósitos pelos quais eu te criei, porém deves te lembrar que tu não serves apenas aos meus propósitos, pois esses são os teus também. Cada criatura minha tem seu próprio propósito e vai reconhecendo-o à medida que vai evoluindo. Cada um de vocês vai servir a humanidade de acordo com a necessidade que ela tem e agora já não é como era antes, porém não é menos penoso e difícil. Mais uma vez vocês criarão uma escola. Também vão escrever os livros e ensinarão os alunos. Não há muito mais a saber, há mais o que fazer, praticar. É chegado o momento: a hora de vocês renascerem. Minha bela trindade feita, criada de Amorazins, meus queridos e amados primogênios, eu vos confio mais uma vez a escola Mürions (Terra). Ela será a pátria de vocês por longos tempos, mas não se abalem ou magoem seus corações, pois eis aqui um lugar sagrado onde eu sempre estarei, onde sempre poderão comigo se encontrar. Assim Deus se despediu de seus amados anjos enviando-os mais uma vez à Terra. Naquela noite linda o céu estava estrelado e particularmente belo. Havia algo de mágico no céu. Era como se algo muito especial estivesse para acontecer, porém esta história quem vai nos contar é um velho amigo que pôde presenciar todos os acontecimentos que daqui por diante vamos desenrolar. Ele prefere ser chamado apenas de Alma Peregrina. Particularmente ele não gosta de falar. Ele apenas diz: - Eu sou o que sou. Chamem-me de terra, água, vento, fogo, estrela, floresta, metal ou mar. Faça como desejar.

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Nosso velho rabino não precisa ter nome, pois seu saber é grandioso demais para ser rotulado. Vamos deixar então ele contar como tudo começou. - Eu não sei contar uma história do meio e, no caso da história de Samiazy, somente o princípio pode levar compreensão ao fim. Que seja, portanto, lá no começo, onde tudo começou. Após ter construído a Terra como escola para 12 tribos (seres de 12 planetas diferentes) Deus obviamente enviou esses seres para lá para aprenderem a experiência mais bela de suas vidas e conhecerem seres diferentes, onde o mundo de tudo que era desconhecido seria descortinado lentamente. - A primeira era da humanidade na Terra foi chamada de “A Era de Ouro”. Muita gente acredita que ela ganhou esse nome apenas pelo vil metal, porém eu vos afirmo que, apesar de tanto ouro, ele era o que menos importava. Poucos foram os que souberam interpretar a famosa visão de Ezequiel, que viu um homem dividido em 7 metais (a estátua de Ezequiel – ver pg. 111). Era a visão de um grande homem, que tinha a cabeça feita de ouro até os ombros, os braços e o peito de prata, da cintura para baixo ele era feito de aço, bronze, cobre e ferro, porém seus pés eram de simples barro. Está aí, ao alcance do conhecimento e da sabedoria de quem os possui. Tudo na Terra se passa exatamente como no céu. No princípio os homens que vêm habitar a Terra são seres imortais (ouro), a era dos ‘deuses’, como os gregos, hindus, egípcios e babilônios preferem chamá-los. Para os cabalistas e estudiosos da ciência da Sofia chamam esses seres de “anjos caídos”. Alguns seres preferem dizer que os Amorazins, os famosos primogênios (primeiros gênios) de Deus haviam se revoltado contra a vontade de seu criador, ou simplesmente que o Senhor Supremo do Universo era chamado de Zeus ou Eros, o nascido sem ser concebido. Muitos mitos e muitas lendas foram escritas e contadas no decorrer do tempo. Em todas elas existe um fundo de verdade, mas nenhuma decifra o caminho. Afinal, de quem são os filhos da Terra? Dos deuses ou dos anjos capelinos? E para complicar um pouco mais o que são anjos capelinos? E o que Eva e Adão tem haver com tudo isso? As perguntas não terminam por aqui. Ainda existem milhares, mas para trazer um pouco de paz à mente humana eu vou abrir as portas que há muitos anos permanecem fechadas à grande parte da humanidade. Foram muitos os motivos que levaram essas portas a serem fechadas, porém hoje vejo maiores os que me levam a abri-las. - Na Era de Ouro, quando a Terra era considerada um paraíso, a Terra era regida por 12 anjos do Senhor ou 12 Titãs na mitologia (e 4 princípios divinos ou 4 elementos essenciais), sendo que três desses seres, também chamados de sentinelas, eram diferentes dos demais. Entretanto ninguém sabia disso, nem mesmo eles. Eram seres celestiais infiltrados na escola. Eram como espiões divinos. O primeiro dos anjos ou deuses chamava-se Princípio, Essência Divina, Aquele que nasceu sem ser concebido, o Tudo nascido do nada. Isso do ponto de vista apenas terreno, pois do ponto de vista universal esse princípio cabe somente a Deus, pois Ele foi o único nascido sem ser concebido, o único nascido do nada. Esse princípio da Terra, muito antes de ser o que era, já havia se originado de Deus, mas eu estou esclarecendo a história como se fosse um manual, para que todos venham a
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compreender. A esse deus ou anjo foi dado o nome de Pai da Humanidade e seu elemento era a terra. O segundo anjo ou deus era o Anjo da Substância Divina, havia nascido da terra e do ar, por isso era substância e seu elemento era o ar (Lua), também chamado de A Vida da Humanidade ou Sopro da Vida. O terceiro anjo ou deus era chamado de Mercúrio Divino ou O Sangue da Terra, era a água que tudo fecunda e a faz gerar. Era a Imperatriz cercada com as 12 estrelas. Era chamada de Ísis ou Vênus. O quarto anjo ou deus foi chamado de O Senhor das Formas, aquele que criou as coisas à sua semelhança. Era o grande Júpiter dos gregos ou o poderoso Osíris egípcio ou até mesmo o grande deus chamado Hélios, o primeiro e único fogo supremo, o Sol universal que jamais pôde ver sua própria luz. Eu não estou me referindo ao Sol da Terra, mas ao Sol da emanação divina, o Pai de todas as coisas, o primeiro Sol, aquele que trouxe luz ao caos universal. Estavam agora criados os 4 elementos divinos, tal qual foi no universo agora também seria na Terra. Assim toda criação imita seu criador. A Terra agora tinha vida e uma vida abundante. Tudo que fora semeado agora germinava. A Imperatriz e o Imperador estavam prontos para receber seus primeiros filhos, os titãs mitológicos. Gaia e Urano foi o nome que a terra ganhou quando se uniu ao céu. Os egípcios os chamam de Gerb e Nut. Para os gregos a Terra era feminina (Gaia) e Urano é o masculino Céu. Já os egípcios acreditavam que a Terra era o poderoso Gerb e Nut era o Céu feminino, porém vamos expor com clareza a verdade. A Terra é um corpo rude, um protótipo perfeito, que está pronto para receber sua alma, o Céu. Juntos são uma belíssima simbiose harmônica da criação divina. Sendo mais claro, a Terra foi criada pelos legisladores dos 12 planetas, que hoje nela educam seus filhos (maiores informações na pg. 35 e no livro A Hierarquia da Luz). Esses 12 legisladores a deixaram perfeita para receber os seres que nela habitariam. Esses legisladores foram chamados de titãs, pois por muitos anos viveram na Terra com a finalidade de evoluir os seres que vieram para essa escola. Vamos aos nomes desses legisladores, titãs ou anjos: Réia ou Teia seria a mãe dos deuses; Febe, Celene ou Atena era a luz da Lua; Têmis, Minerva ou Ártemis era a justiça; Mnemosine a memória; Tétis a deusa das águas e Oceânidas dos mares; Crio; Hyperion; Jápeto; Cronos; Oceano e Zeus. Para não perdermos tanto tempo com explicações vou juntar as forças astrais. Os titãs são forças planetárias que têm dois pólos. Essas forças planetárias são as que até hoje regem o planeta como signos do zodíaco. Sei que nem todo mundo vai concordar com a união que vou fazer, porém antes quero deixar bem claro que dentre os 12 existe uma subdivisão: água, terra, fogo e ar. Os 12 gigantes governam essas forças elementais da natureza, mas havia alguns desses seres que tinham o poder de governar mais de um desses elementos. Bem, agora a Terra estaria de fato pronta e porque não dizer perfeita para ser habitada por aqueles alunos escolhidos, filhos dos 12 planetas, que passariam aqui um longo estágio de aprendizado. Tétis e Oceanos, senhores dos mares, Hypérion e Febe (a luz do Sol e a luz da Lua), Têmis e Órion, senhores da ordem e da justiça, Mnemosine e Cronos, senhores do tempo e da lembrança, a memória preservada na alma ao passar do tempo, Réia e Zeus, senhores do Olimpo, Iapeto e Oceânidas, vento e brisa marinha, ar puro do amanhecer e
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entardecer. Agora os elementos primários (ar, terra, fogo e água) tinham seus regentes e assim os 12 signos do zodíaco estavam completos. Foram então trazidos para a Terra os seus ilustres moradores, seres que jamais haviam se encontrado. 12 tribos, planetas com 12 raças diferentes na aparência, nos costumes, nos hábitos, enfim, estranhos quase que por completo, exceto por um único objetivo, que a partir de agora os ensinaria uma nova visão de existência. Todos tinham alcançado a maturidade permitida para praticar a convivência com o desconhecido. Os seres chamados de ‘deuses’ teriam que ajudar sem interferir demais. Tinham que incentivar a convivência em prol da evolução desses espíritos ainda tão jovens no caminho da evolução. Até aí parecia que tudo correria bem. A Terra tinha de tudo para oferecer a seus habitantes, alunos e professores. Vamos matar a curiosidade da humanidade e falar de que planeta esses tais habitantes vieram: de Capela (Hellen). Capela é hoje uma pequena constelação de estrelas dentre as quais 12 atingiram o ponto de evolução em conjunto, porém resta esclarecer que nem todos os titãs ou deuses eram de Capela. Havia alguns que eram de outros planetas vizinhos. Apenas os habitantes da Terra eram de Capela. Nos primeiros tempos no novo planeta a convivência não foi tão difícil assim, afinal os capelinos ou capetos não se mostravam assim tão diferentes. Suas diferenças eram apenas na aparência física geral, como cor da pele, cabelos, alguns eram mais aquáticos, outros mais subterrâneos, alguns gostavam de viver nas montanhas, outros de viver em terra firme. Enfim, todos tinham seus costumes, trazidos de seus planetas natais, mas mesmo assim a Consciência Divina os julgou aptos para o convívio em conjunto. Aos poucos eles se aproximaram e tentaram um contato pacífico, mas como em toda sociedade existem divergências era óbvio que logo elas iriam surgir. Três grandes castas foram criadas: Shangrillá, Lemúria e Atlântida. Essas castas eram formadas por seres que, apesar de diferentes em aparência tinham uma certa semelhança no comportamento e no nível de sabedoria (obs.: lembramos que o tempo não existia exatamente como hoje. No decorrer da nossa história vamos esclarecer isso melhor). No início dessa experiência préescolar nossos alunos agiam como crianças num jardim de infância. Criança brinca, briga, mas termina se entendendo, mas é aí que tudo foi ficando complicado. Essas crianças foram passando a ter um entendimento maior das coisas e passaram a lutar entre si para obter poder, território e domínio. Foi só então que tudo deu uma grande reviravolta. Os deuses, senhores dos elementos da criação, passaram a interferir diretamente na vida dos alunos da Terra (vamos lembrar que esses deuses eram os representantes oficiais das 12 tribos que agora habitavam a Terra). Eles terminavam muitas vezes por favorecer seus protegidos e dessa maneira começou uma guerra entre deuses e entre mortais e no reino da escola Terra ninguém mais se entendia. O controle foi perdido pelos governantes e pelos governados. Assim a Era de Ouro se transformou na Era do Caos. Os deuses passaram a criar seres dotados com os seus poderes para assim serem mais fortes e dominarem os outros humanos. Eles fizeram isso de maneiras diversas. Coabitavam com os seres humanos ou até mesmo os transformavam. Deuses, semi-deuses,
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criaturas estranhas e humanos viviam em constante conflito, pois pequenas ações de alguém pareciam ofender profundamente a outro. Rivalidade, intriga e luxúria desmedida fizeram a razão desaparecer da Terra. A loucura e a cegueira tomaram conta daquilo que seria a escola. O Conselho do Universo foi chamado para tomar decisões. Os limites haviam sido quebrados e os aprendizes já estavam sofrendo muito nas mãos dos deuses e dos seres que nasciam desse cruzamento louco e sem razão de ser, porém é agora que nosso tão amado Samiazy entra na nossa história. Na verdade ele já entrou desde o começo, mas se manteve oculto. Vou chamar este divino anjo do Senhor por nomes que várias pessoas jamais supunham que ele tivera. Samiazy sempre foi um mensageiro de luz, como seu próprio nome indica: “Portador da Luz”, mais propriamente dito “Lúcifer”, o nome que todos os ignorantes da sabedoria divina temem sem razão alguma. Samiazy era um arcanjo de luz infindável, conhecido como “A Luz do Saber”. Por isso podia representar a Deus em qualquer parte do universo. Samiazy era o anjo que representava a saraiva (ira) de Deus. Por isso por milhares de anos a humanidade o odiou e jamais o compreendeu. Quando o Conselho do Universo se reuniu (ver o livro A Hierarquia da Luz) decidiu que os 7 sentinelas especiais (dos 30 que existiam) que viviam na Terra deveriam tentar dividi-la em 3 reinos e também teriam que impor a ordem. Os sentinelas especiais eram seres celestiais, que observavam tudo que acontecia na Terra, mas jamais eram vistos, nem mesmo pelos deuses. Na verdade havia 9 sentinelas, porém dois continuavam ocultos. Um deles era Samiazy, o outro era o Athanatus de Deus, o anjo da vida e da morte. Esse de fato não podia aparecer. Sua função agora era apenas dar e tirar o sopro divino, tanto para deuses quanto para mortais. Ambos agora estavam sentenciados. Até mesmo a imortalidade havia encontrado suas fragilidades. Houve um tempo de pseudo-equilíbrio dentro da primeira era, porém como nada mais era ao gosto dos deuses esses fizeram de tudo para persuadir os sentinelas celestiais, mas não obtiveram muito sucesso. O máximo que conseguiram foi piorar a situação. Os 7 sentinelas visíveis passaram a amar a humanidade a ponto de defendê-la dos deuses, ensinando à ela segredos dos universos paralelos e do nosso. Ensinaram como utilizar os elementos e o poder dos mesmos. Ensinaram a forjar armas e todo tipo de metal. Ensinaram as artes da pintura, música, dança, etc. Enfim tudo que era dever dos deuses terem ensinado foram os sentinelas (seres celestiais) que ensinaram, mas os sentinelas também se envolveram sexualmente com os seres da Terra e dessa mistura nasceram seres de imensa sabedoria, porém com aparência gigantesca, afinal os sentinelas desceram à Terra como gigantes muito superiores aos ditos titãs (deuses). Se na Terra já havia aberrações, agora então ela era o reino delas, mas não podemos deixar de esclarecer que isso fazia parte de um plano dos deuses. Tais filhos dos sentinelas com os mortais tinham sabedoria, ao contrário de alguns filhos dos deuses com mortais, pois nem todos herdavam os poderes ou a sabedoria que tais deuses possuíam e desejavam para seus filhos. Quando os filhos dos seres celestiais surgiram causaram grande impacto sobre a raça humana. Eles não eram muitos, mas

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valiam por muitos. Foi esse período que originou a Guerra de Titãs, que mais tarde a história relatou favorecendo o lado dos deuses. Em um curto período de 50 anos Samiazy e o Athanatus passaram avisando a deuses e mortais, semi-deuses, seus filhos e até os filhos dos seres celestiais que a Terra corria grave perigo de desequilíbrio e, assim sendo, se ela saísse de seu eixo de evolução divina o Conselho do Universo iria novamente pesar tudo que estava acontecendo e se uma fagulha pesasse a mais para um lado o equilíbrio obviamente estaria desfeito. De nada adiantaram os avisos dos dois anjos do Senhor. É certo que entre os deuses havia seres com virtudes voltadas para a sabedoria e a Verdade divina, porém nem mesmo esses suportavam mais tamanha confusão e conflito. Os deuses do fogo e do ar pareciam esquecer o resto da Terra e toda a sua natureza. Eles entraram em conflito várias vezes destruindo e devastando a natureza da Terra, que não se defendia, só se refazia. A terra em si (seus deuses) tinha uma natureza pacífica. Nessa luta de sábios e insanos de fato o que menos existia era sabedoria. Foi pedido ao anjo Haziel, o santo arcanjo dos mistérios divinos, que abrisse o Livro da Lei para que fosse registrado nele a sentença do planeta Terra. A decisão do Conselho foi unânime: a Era de Ouro da imortalidade dos deuses deveria acabar, pois era isso que fazia com que o tempo demorasse mais a passar para aqueles que realmente precisavam estar na escola e, o que é pior, o homem teria pela primeira vez sua memória pagada, afinal todo conhecimento adquirido na Era de Ouro não havia sido justo e para o Criador um conhecimento só é justo quando os caminhos que levam a ele também o são. Sendo assim a humanidade esqueceria que um dia, numa época muito distante, na memória do tempo (Mnemosine de Cronos), haviam sido filhos de deuses e seres celestiais. Enfim, o homem de hoje poderia dizer que foi um deus. O simples fato deles terem vindo para a Terra com aparência e lembranças de seus planetas natais os fazia sábios, mas não conscientes. Sabedoria é ter o conhecimento, mas não necessariamente a prática do mesmo. Já a consciência é a teoria e a prática unidas, o que de fato seria evolução. Por inconsciência humana, inconsciência dos deuses e até mesmo dos seres celestiais foi determinado o fim de uma era de imortalidade sem tempo. Quando digo sem tempo é porque o binário ou a ampulheta do tempo não tinham função. O tempo funcionava apenas para registro das guerras, conflitos, jogos e trapaças entre os seres humanos e os deuses e semi-deuses. Nessa era os deuses, no mesmo instante que matavam um ser, transformavam-no em outro ser, seja animal ou vegetal. Era um jogo de transformações e transmutações como num grande laboratório alquímico. Isso não levava a alma a alcançar, tampouco galgar os degraus de sua evolução, razão pela qual ela estava na escola chamada Terra. A sentença da Terra soou muito assustadora quando foi proclamada pelo santo anjo Haziel. Ele disse que o conselho do Primeiro Universo pedia a extinção da escola (obs.: Primeiro Universo, ou Verso, é aquele que a humanidade sequer sabe que existe, pois conhece apenas esse universo acima de suas cabeças, que foi criado para essa dimensão. Esse 1º universo nem mesmo a alma conhece. Somente o espírito o adentra.). Grande foi o temor. O pânico tomou conta da Terra. Os deuses agora pareciam ter suas consciências de volta e,
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arrependidos, também se compadeciam do destino trágico que esperava a Terra e eles também. Em sigilo ordens foram passadas a alguns seres celestiais. Tais ordens eram para selecionar tudo que havia na Terra. Tudo que tivesse vida era para ser preservado (amostras, sementes, exemplares). Dentre os seres chamados de “alunos” era para preservar amostras das 12 tribos, entre semi-deuses e mortais, porém deuses não constavam dessa lista. As mesmas naves que outrora haviam trazido para a Terra seus primeiros habitantes agora serviriam como refúgio. Depois de tudo devidamente calculado e feito, a saraiva divina lavou a Terra da Era de Ouro. Os seres (dinossauros) filhos dos deuses e de sentinelas padeceram junto com os humanos. Os deuses foram chamados ao conselho e foram condenados a habitar o “eixo da Terra”, podendo cumprir a missão que lhes fora confiada apenas por inspiração e perderiam a divindade. Passariam a ser apenas auxiliares entre os vivos e os mortos (ver A Hierarquia da Luz), pois tinham que ajudar a construir uma morada provisória para as almas dos desencarnados, o Lar dos Desencarnados ou simplesmente Lar das Almas. Esse lar funcionaria de acordo com a consciência de cada ser desencarnado, mais propriamente dito de acordo com as ações desses seres. Agora a Terra começaria um novo período: a Era da Prata, do Bronze, do Aço. Eram os filhos dos deuses (bronze) e alguns filhos das sentinelas, seres celestiais (prata), que criariam o homem de aço. Logo que a Terra foi transformada seu legado foi passado aos anjos caídos (seres celestiais). Samiazy era o novo Pai da Humanidade. Cabia a ele e a outros seres celestiais o dever de fazer as transformações na aparência da raça humana e criar condições para esse novo habitat, que renascia das águas, cinzas, destroços e restos (como uma boa parte dessa história já está explicada no livro A Hierarquia da Luz e neste mesmo livro, vou apenas completar o que ficou faltando) (Samiazy, como outros anjos caídos, são consciência cósmica, em suma, são Deus, pois já fazem parte do corpo da consciência una e universal e portanto podemos chamá-los de ‘espíritos da consciência suprema’. Aos poucos tudo isso vai sendo explicado no decorrer do nosso diálogo). A aparência humana foi modificada, sugerindo aos nossos extraterrenos uma semelhança na aparência física, porém ela afastou apenas traços interplanetários. O resto praticamente permaneceu igual. Antes havia muitas cores de pele incluindo azul, verde e violeta. Ficaram portanto quatro cores primárias: branco (areia), negro (ébano), vermelho (cor da terra) e um branco rosado (silvestre). Mais tarde formaram-se outras cores com as misturas das raças. Mais uma vez a raça humana tinha uma casa, ou melhor, escola. Como já foi explicado no A Hierarquia da Luz poucos foram os seres que sobraram. Menor ainda foi o número de pessoas que sobraram com consciência de tudo que ocorreu. Dentre esses foram escolhidos alguns para ensinar os outros, que tiveram suas memórias apagadas. A humanidade teve que ter a memória apagada por vários motivos, dos quais vamos esclarecer alguns. 1º) o fato de lembrar que agora não mais habitavam o planeta natal poderia causar pânico e, ao mesmo tempo, vontade de voltar para casa e até mesmo revolta por estarem vivendo entre seres que jamais viram antes. 2º) Na Era de Ouro os seres humanos sofreram os horrores das guerras criadas
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pela inconseqüência dos deuses, que lutaram para dominar a Terra (Isso não mudou muito nos tempos de hoje. Os deuses ainda existem. Não são como os titãs do passado. Hoje vivem mais camuflados, infiltrados dentro da humanidade, controlando tudo). 3º) A humanidade deveria esquecer que outrora foram muito semelhantes aos deuses, pois isso poderia levar a escola à destruição novamente. Vamos esclarecer melhor o fato de lembrar ou não lembrar. Ficou estabelecido que a humanidade não precisava se lembrar naquele momento de transição, porém isso não valia pelo resto das encarnações dentro dessa escola. Mais tarde, no futuro, seria possível se lembrar e, é claro, fazer bom proveito dessa lembrança. Assim sendo, fica mais fácil compreender que as memórias voltariam quando os seres já tivessem alcançado uma boa dose de consciência. Assim saberiam lidar melhor com essas lembranças. Bom, mas agora vamos dar de fato início à história de nossos ilustres anjos caídos, os pastores guias da humanidade. Após o Pai ter chamado Samiazy, Krysnasvary e Agkrüpymallaya conversou com eles, acalentando seus espíritos, e passou as orientações que precisavam. Então eles voltaram à Terra e mais uma vez recomeçaram. Juntos construíram aquilo que em muitas filosofias é chamado de Jardim do Éden. Esse jardim futuramente seria chamado de Babilônia ou Porta do Céu. Ficava numa terra que hoje é chamada de Mesopotâmia, dentro de um território ainda maior conhecido por Arcádia ou Arca de Noé. Esse local é o chamado “berço da raça ariana” (os filhos dos deuses, primeira raça sem misturas, raça pura). Esse jardim se estendia por várias planícies da Terra, que obviamente não tinha nome. Era uma terra nova, sem donos e sem fronteiras. Da mesma forma que criaram esse Éden eles também criaram outros, porém em menor dimensão, pois a maior quantidade de seres humanos sobreviventes se localizava no primeiro Éden. A criação de tais jardins não se deu da noite para o dia como num passe de mágica. Os três seres celestiais juntos faziam tais criações de maneira que pudessem ensinar os seres humanos a fazerem o mesmo. Aos poucos a raça humana foi se desenvolvendo e passando a mostrar os primeiros sinais de aprendizado e com o tempo a escola tomava seu curso natural. Não podemos deixar de lado o fato de vários seres humanos terem sido preservados com a genética misturada. Esse fator os tornava diferentes dos outros. A transformação dada pelos seres celestiais ajudou muito, pois assim todos pareciam, de uma certa forma, iguais, mas apenas de uma certa forma. Deus é justo em sua infinita sabedoria e permitiu que de tudo fosse preservado um pouco, pois só assim se faz o equilíbrio das coisas. Se dependesse da vontade do homem a Terra teria sido extinta, pois os elementos fundamentais já se encontravam em desequilíbrio total. O avanço da sabedoria nesse novo recomeço trouxe obviamente problemas, porém o maior deles veio quando os seres humanos descobriram que na mistura de algumas raças nasciam seres extremamente fortes, sábios, belos, com qualidades muito acima dos outros. Tais seres se desenvolviam com maior facilidade e acumulavam o conhecimento de maneira rápida demais. Por isso vários desses seres terminavam por serem instruídos por aqueles que ficaram com as memórias intactas. Os seres que tiveram a memória
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preservada foram escolhidos para orientar e ensinar aqueles que a perderam. Esse foi um desafio que nem todos suportaram. Vários foram os homens que perderam o controle e em algum momento de frustração terminaram falando demais. Isso quer dizer que terminaram revelando a alguém a existência de uma Atlântida, Lemúria e Shangrillá. É óbvio que, por falta de memória, nem todos acreditaram num passado tão trágico, porém esse passado não era o maior segredo, nem mesmo os deuses e seus poderes, tampouco o fato de todos os seres humanos serem extraterrestres. Tudo isso ainda era pequeno demais diante do mistério da criação. E por que esse mistério era assim tão grande e temível? Tal segredo não era nada que a humanidade não pudesse saber, porém era necessário o tempo certo para que ela pudesse absorver essa informação sem prejudicar a si mesma. Como revelar à humanidade sua verdadeira origem era, de imediato, o maior de todos os problemas de Samiazy, Krysnasvary e Agkrüpymallaya. Revelar à humanidade todos os segredos da criação implicaria em falar toda a verdade. Eles teriam que dizer que fizeram tudo exatamente como o Pai também o fez. Isso implicaria em dizer que numa época a Suprema Consciência produziu sementes e de tudo fez com essas sementes. Tanto coisas conhecidas como barbaridades como aquelas conhecidas como bondades. De uma extremidade a outra todas as emoções Ele sentiu. Assim a evolução de toda partícula divina segue o mesmo destino, toda partícula se reproduz de acordo com as emoções sentidas e logo que avança no caminho evolutivo da consciência divina terá que exercer o papel de pai daquilo que criou. É só aí que vem a parte mais difícil, onde o ser se torna consciência plena do Criador, podendo então evoluir e, porque não dizer, criar suas próprias criaturas. Essa responsabilidade agora era definitivamente passada às mãos da trindade, que se tornara responsável pelos seres humanos, que cuidava do bem-estar de seus filhos sem que eles imaginassem quem de fato eram, mas isso não ficaria assim tão escondido por muito tempo. Como eu estava contando, os seres que iam nascendo eram diferentes em atitudes e comportamento. Eram a mistura que surgiu dos filhos dos semi-deuses com os filhos dos seres celestiais. Os filhos de semi-deuses e de seres celestiais agora estavam camuflados pela aparência e até mesmo pela falta de memória, porém quando essas duas raças se juntaram uma nova raça começou a nascer. A prata e o bronze criaram o aço, uma matéria nobre e mais resistente. A Terra voltou a uma época de conflito, pois a sabedoria sem consciência gerou seus pecados capitais: ganância, sede de poder, confrontos, rivalidades, preconceitos, enfim “falta de conhecimento”. Se for contar pelo tempo do homem isso aconteceu em menos de 200 anos após a primeira transformação. Não demorou muito tempo para as pessoas passarem a adorar e cultuar os novos deuses. Também não demorou para outros serem convencidos de que eram filhos de seres supremos e assim criaram-se cultos, lendas, estórias e a verdade foi se perdendo. Os pais dessa humanidade observavam tudo isso, mas nada podiam fazer, afinal tinham que permitir a seus filhos o mesmo direito que eles tiveram de errar para aprender, aprender para sentir, sentir para evoluir, evoluir para a consciência universal alcançar. As três esferas divinas se viam agora diante de um novo grande conflito, criado pela supremacia dos seres
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mais fortes que habitavam a Terra e, de uma maneira ou de outra, algo teria que ser feito. Eles não desejavam que a Terra fosse mais uma vez transformada por pura ignorância de seus habitantes. Era preciso ajudar os filhos e a melhor maneira seria instruí-los no caminho da luz e da verdade, mas para fazer isso os seres celestiais tinham apenas que fazer a mais difícil escolha de suas vidas. Como seres celestiais eles não precisavam necessariamente ser visíveis. Podiam se transformar em qualquer coisa, assumir qualquer aparência , desde que a ajuda se limitasse apenas à reconstrução da natureza. Como essa já estava se recuperando eles agora também tinham que se limitar a observar sem interferir na evolução dos seus filhos. Mas havia uma oportunidade de mudar a situação. Bastava eles fazerem a escolha, talvez uma escolha que raros seres humanos fariam. Essa escolha era renunciar à vida, ou melhor, renunciar à posição de seres celestiais e se tornarem humanos mortais como os demais que na Terra habitavam, incluindo até mesmo o esquecimento temporário. Mal tendo saído de uma transformação a Terra era como “bebê novo”, cheia de belas matas, povoada por muitas espécies animais e vegetais, mas esse paraíso de apenas duzentos anos agora estava novamente ameaçado. No entanto a ameaça agora não eram os deuses, mas a herança que eles haviam deixado. A nova raça de seres criada a partir da união dos filhos de semi-deuses e de filhos dos seres celestiais a princípio não parecia ser tão ameaçadora e de fato não seria se não tivesse a intervenção de alguns seres que, utilizando-se do privilégio de ter lembranças do passado, resolveram ressuscitar esse passado fazendo culto à memória de deuses que eles julgavam criadores dessa humanidade. É fato que a história deve sempre ser preservada para que tenhamos uma referência, mas também é fato que a história era uma ameaça para mentes ainda pouco evoluídas. Logo que se descobriu que alguns homens eram demasiado superiores aos demais endeusaram também esses tais homens, colocando-os em uma posição de representantes de determinados clãs, que com o passar dos anos terminaram surgindo. Esses clãs começaram uma lutar de poder pela posse dos primeiros reinos estabelecidos e é nessa confusão que os seres celestiais dariam seus primeiros passos na Terra como pais mortais da humanidade. Seus nomes agora entrariam para a história, inclusive como “anjos caídos”. Suas histórias se transformariam em lendas e contos que cada nação contaria a seu modo, mas sempre preservando algumas linhas de realidade misturadas a páginas de ilusão. Samiazy agora fazia jus ao seu nome traduzido (= vida renunciada. Alguns povos traduzem erroneamente o nome de Samiazy para vida renunciada no aspecto de vida física, aqueles que renunciam aos confortos da vida material para avançar na espiritualidade, também conhecidos como “Samniazy”, quando o correto é renunciar à divindade para se tornar mortal. Quando digo renunciar à divindade estou me referindo à imortalidade e não à renúncia do Ser Divino). Os primeiros seres a experimentar a imortalidade seriam os verdadeiros pais da raça humana da Terra. Após tomarem a decisão de nascerem os seres celestiais escolheram onde e como nasceriam. Samiazy, assim como os outros, havia sido sentinela antes da primeira destruição da Terra e resolveu armar uma estranha façanha
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para voltar a ser uma espécie de sentinela. Com a transformação os sentinelas que desceram para proteger e ajudar a Terra tiveram que abandonar os seus corpos gigantes para voltar ao domínio celeste, pois os corpos que assumiram naquela época haviam sido “profanados”. Eles se misturaram geneticamente com os seres desse planeta, mas na hora da transformação seus corpos seriam consumidos, vindo a desaparecer juntamente com todo o resto. Mas Samiazy havia deixado seu corpo dentro de uma caverna soterrada por muitas pedras. Ele mesmo induziu alguns feiticeiros a procurarem por aquele que seria o único sentinela possível de ser achado. Ele tinha seus propósitos (leia a história no livro A Hierarquia da Luz). Após ter sido reanimado e, a princípio, servir a feiticeiros sem escrúpulos, ele passou a viver entre uma raça de seres naquela época considerada gigante e passou a servir os magos da luz, que trabalharam contra os magos das trevas. Esses magos das trevas buscavam a imortalidade dos deuses, desejavam ser imperadores, senhores supremos da raça humana e ao reanimarem o corpo do sentinela submeteramno a um transe hipnótico para forçá-lo a revelar o segredo da imortalidade. Essa revelação foi considerada a primeira Caixa de Pandora póstransformação, pois para alcançar a imortalidade os magos das trevas ou feiticeiros reabriram as portas do umbral universal. Vamos esclarecer que esse sentinela era um dos que no passado presidiria uma das tribos, porém sua má influência levou-o a ser substituído por outro deus. Seu nome era Caos e ele estava predestinado a vir para a Terra, mas não no mesmo período dos deuses, pois o estrago com certeza seria ainda maior. Caos era o deus supremo da destruição. Alguns o chamavam de Loki, o deus da travessura e da confusão. O fato é que, mesmo que involuntariamente, Samiazy ajudou a abrir a porta para Caos, Loki ou até mesmo Caim, o ser bíblico. Os nomes variam de acordo com o povo que conta a história. Samiazy ganhou mais nomes também. Para o grupo de gigantes ele era conhecido por Garivarah ou Garivaram. Para os magos da luz seu nome permaneceu o original, Samiazy, aquele que renuncia à divindade pela humanidade. Para a mitologia grega e alguns historiadores ele se transformou em um ser duplo ou dois irmãos: Prometeu, o que pensa antes, e Epimeteu, o que pensa depois, seres que na verdade são uma só pessoa. Vamos agora contar a história desse ser como um mortal. Os magos da luz tomaram o sentinela Garivaram dos magos das trevas e o trouxeram de volta do transe hipnótico e, sabedores de que um sentinela era de fato um ser celestial, eles pediram a ajuda de Samiazy para afastar Caos da Terra, pois ele estabeleceria seu domínio juntamente com os magos negros. Assim Samiazy pediu aos magos da luz para reanimar mais dois corpos, que somente ele sabia onde encontrar (Pequena observação: Samiazy, quando resolveu reencarnar no corpo do sentinela que já havia sido seu, recebeu a memória que estava preservada nele. Por isso ele não teve uma perda total de memória, o que aconteceria se ele tivesse encarnado por meios convencionais.). O mesmo aconteceu com Krisnasvary e Agkrüpymallaya. Eles receberam nomes diferentes ao desceram para a Terra. Krisnasvary recebeu o nome de Krisna, Apolo, Ozeires, Osíris, Herkubes ou Hercules. Algumas pessoas o confundiram com Aquiles. Agkrüpymallaya recebeu o nome de Hebe, Febe,
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Diana, Ísis, Ifigênia, Arsayalalyur, mas jamais o nome que de fato tinha na época em que fez a renúncia. Jamais foi chamado de Agkrüpymalaya ou de Ayrimael. Seu nome angélico era apenas Ayrimael. Essa foi apenas a primeira encarnação desses seres, mas muitas outras ainda teriam que vir para que eles trouxessem luz à consciência da humanidade. O mais importante em tudo isso é que durante muito tempo esses seres jamais reencarnaram separados. Quando digo não separados me refiro apenas ao fato deles terem sempre reencarnado na mesma época. Muitas vezes chegaram a encarnar de fato juntos, mas nos últimos dois mil anos eles tem encarnado em países diferentes e nem se encontraram mais. Na época em que Samiazy encarnou como sentinela gigante ele ganhou o nome de Prometeu e Epimeteu. Nas lendas tradicionais ele roubou o fogo dos deuses para dar luz à humanidade. A parte de dar luz à humanidade é a única parte verdadeira dessa lenda. Assim ele também ficou conhecido como Portador da Luz ou Lúcifer. Como Prometeu ou Lúcifer ele trouxe para a Terra o conhecimento das coisas universais e abriu caminho para a infindável sabedoria diante da mente limitada do homem. Caos (Gabriel), o príncipe do Érebro e das trevas tratou de ser a Caixa de Pandora de Prometeu. Ele libertou os instintos da humanidade, ensinou a ela as inúmeras maneiras de utilizarem a sabedoria que Prometeu havia lhes fornecido e assim a humanidade passou a aplicar nas suas vidas as mais variadas fórmulas e maneiras de evoluir. Prometeu sabia que conhecimento não se pode negar e é claro que para isso ele não roubou nenhum fogo divino, afinal ele era o próprio. Sendo ele um ser celestial, estabelecido como parte da consciência divina, isso já o tornava fogo divino. Caos e Prometeu eram como vulgarmente algumas pessoas repetem: Deus e o diabo. Digo vulgarmente, porque poucos são os que têm consciência para compreender que Deus e o diabo são a mesma pessoa, afinal tudo é parte da consciência una, divina, universal. Então por que o diabo não faria o que fez? O lado Prometeu de Samiazy, pensando na evolução de seus filhos, deu a eles esclarecimento, levou luz e conhecimento, mas o lado Epimeteu só surgiu como conseqüência desse ato. A grande águia negra que come o fígado de Prometeu ainda vivo e acorrentado é uma expiação imposta pelo próprio Prometeu, que resolvera renunciar à divindade para encarnar na Terra no intuito de ensinar seus filhos. Caos mostrava apenas o quanto esse aprendizado pode ser doloroso, porque todo aprendizado, quando sai da teoria para a prática, tem dores, pois sem elas se torna impossível aprender. Assim é possível também ver os males da Caixa de Pandora. As dores, enfermidades, guerras e conflitos nada mais são que um estágio necessário para a evolução de todos os seres. Acredito já ter esclarecido que alguns mitos criados pela humanidade nada mais são que formas de evolução e que dentro dessa história não existe mal ou bem, apenas consciência divina. Vou chamar para contar essa história comigo alguém que, como eu, estava lá no início de tudo, onde tudo começou. Seu nome é Ayrimael, um dos seres que escreveram nas linhas da memória do destino a verdadeira origem desse planeta chamado Terra. Minha querida Ayrimael, quero que me conte como foi sua trajetória desde anjo, “ser celestial” a um Samiazy, um renunciado da divindade e do amor, quais foram as suas dores, seus conflitos, o que
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realmente aconteceu contigo e a teus outros dois irmãos, que também renunciaram às condições divinas em prol da humanidade. Oh, meu contador de histórias divino, minha existência é mito e em todas as lendas já escritas a meu respeito jamais houve uma que me revelou. A Terra nunca soube quem sou e creia, não darão crédito ao que vou te contar. Hoje estou de partida da Terra. Devo me retirar, enfim cumpri meu destino de “ser que renuncia”. Agora posso voltar para os braços do universo, repousar no berço da semente sagrada que me criou. Na íntegra isso significa que Deus, o Grande Pai, renovaria seu eterno pacto de dar a sabedoria a todos os seus filhos. Foi essa decisão que infelizmente desagradou aos pseudo-escolhidos para liderar, afinal eles haviam sofrido a transformação e se lembravam de tudo que a sabedoria sem consciência havia causado à humanidade. Foi a partir de então que eles passaram a criar regras para se obter o conhecimento. Essas regras eram baseadas no conceito de sabedoria que cada um desses seres possuía e assim criou-se divergências entre os sábios. Uns se consideravam melhores que outros e em meio a essa divergência regras se tornaram leis inquebrantáveis, ditas como instituídas por Deus. Um caos de leis e absurdos se fez novamente na Terra e esse caos separou povos, transformou seres livres em escravos de suas próprias leis, fundaram-se religiões baseadas no conhecimento, mas sem conhecimento algum e a Terra passou a ter fronteiras e tribos. Um dia irmãs se tornaram inimigas. O Livro de Haziel estava adormecido, velado, guardado, escondido no cinturão do gigantesco sentinela e junto dele estavam as três pérolas, esferas do conhecimento universal, assim como também os três anéis do mistério vital. O Anel do Mistério era como uma aliança que só poderia ser usada por um ser que possuísse a esfera do conhecimento universal. Sendo mais claro, uma esfera do conhecimento era um Elohim ou um anjo do Senhor, era a consciência de todas as coisas e o anel era que dava vida ou, melhor dizendo, prática a toda essa consciência. A esfera era um conhecimento infinito, porém ainda não colocado em prática. Sendo assim era apenas uma teoria e teoria sem prática é sonho não realizado. Os primeiros seres a usarem esses objetos fomos nós, os renunciados. Nós já tínhamos a sabedoria necessária para isso. Precisávamos colocar em prática tudo que havíamos aprendido e esse seria nosso pior desafio, pois sabíamos que a humanidade estava muito distante de compreender todas as informações que daríamos a ela. Afinal agora éramos todos mortais. O corpo se tornara passageiro e bastante perecível, cheio de dores e dificuldades, porém agora me vejo em grande conflito. Não posso falar da vida mortal sem antes esclarecer como realmente cheguei a essa situação. É preciso deixar tudo muito bem explicado para que não haja confusão ou erro. Por isso resolvi contar a verdade que tanto foi negada, mas que sempre esteve diante dos olhos de todos, porém por muito poucos foi percebida. Daqui pra frente vou facilitar as coisas, começando pelos nomes dos anjos que formaram a primeira trindade da Kabalah, Merkabah, Árvore da Vida. Com certeza esses o mundo conhece: Miguel, Gabriel, Samael, Rafael, Tzadkiel ou Haziel, Hanael e Uriel ou Metatrom. São esses os anjos caídos, os Samiazis que renunciaram às condições divinas para criar, orientar e trazer amor e auxílio à humanidade. Porém não basta saber os nomes dos
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criadores da Terra. Custa agora a coragem de revelar como foi o início dessa criação. Na vida, seja ela eterna ou mortal, os filhos terminam sempre por imitar o pai, mesmo que não saibam e foi exatamente isso que aconteceu com os anjos renunciados. Imitamos o pai também na construção da Ada ou aquela que teve o primeiro nome: Mürions. Só mais tarde chamou-se Ada ou Arda. Então vamos agora para a parte arquitetônica desse projeto divino e como tudo foi planejado. Enquanto éramos apenas Amorazins não tínhamos a consciência daquilo que nos esperava. Éramos apenas espíritos, sopros, chamas de luz, que cumpriam à risca a Lei do Universo. É preciso dizer que nessa época nós ignorávamos o fato de sermos pais de alguém ou alguma coisa. Conhecíamos a história evolutiva do Grande Pai, sabíamos que tudo se originou de suas emoções, como antes fora explicado. Em um momento sem tempo ou espaço, muito antes da origem da Terra, o Grande Pai chamou muitos de seus primeiros gênios, Amorazins, e lhes disse: - Meus amados, é chegada a hora de vocês observarem com seus próprios olhos o que geraram com suas emoções. Foi um impacto, surpresa geral. Alguns de nós se dirigiram ao Pai e perguntaram: - Pai, mas como geramos algo? Nós não temos esse dom, pois sabemos que só vós o podeis, e o que geramos se nada vemos? O pai, em voz bondosa e calma, explicou: - Filhos, meus queridos filhos, tão sábios e tão ingênuos. A evolução de todo ser vivo (espírito) é sempre tal qual a minha. Mesmo que o caminho não venha a ser igual o resultado sempre será o mesmo. Logo que vocês nasceram eu não tinha intuição o bastante para sabê-lo e educá-los. Em suma, eu criei vocês das ações e não da idéia ou planejamento. Vocês foram os primeiros frutos das minhas ações inconscientes. Aos poucos eu me desenvolvi e com isso descobri que mais desenvolvidas também ficavam as minhas ações e com isso era mais difícil lidar com elas. Eu ainda não pensava, apenas criava como criança, que faz as coisas sem saber o que está fazendo. O pensar só veio quando eu os exterminei pela primeira vez. Me alimentei de tudo aquilo que perturbava minha mente irracional. Eu os devolvi para dentro de mim e entrei pela primeira vez em contato com um ser para mim totalmente desconhecido: meu Eu Supremo, algo que falava dentro de mim e me fazia rever tudo que até então eu havia feito, porém eu ainda não sabia porque eu revia aquilo. Aos poucos fui compreendendo. A noção das coisas começava a surgir e isso me alegrava, mas a primeira idéia me proibiu de fazer uma ação. Eu agora queria encontrar um elo entre ação e idéia. Eu não permitia mais que as minhas idéias se transformassem em ações, pois desejava aperfeiçoálas dentro de mim para somente depois colocá-las para fora e o resto dessa história vocês já conhecem. Eu conheci o maior de todos os sentimentos que me habitava e assim gerei minha dualidade e essa evoluiu como eu e voltando para mim geramos unidos um ser perfeito chamado de ‘a alma do universo’, que hoje anima tudo que existe. Essa parte vocês também já sabem. A alma se espalhou em infinitos pedaços e cada pedaço é um ser completo. Esse é o resultado daquilo que agora vejo diante de meus olhos, porém chegou a hora de vocês saberem que, como eu, vocês também têm filhos das ações, não pensadas ou idealizadas, e é vosso dever evoluir esses filhos. Vão agora para

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o planeta-berçário e lá darão início à missão de saber aquilo que sou, vão aprender a ser o que sou!” Depois desse diálogo com o Pai nós partimos para cumprir a missão de nos tornarmos conscientes de tudo que havíamos sentido até aquele momento. Eu nem sabia que o simples fato de cantar no coro dos anjos era uma ação que gerava vida. Como o Pai, nós fomos evoluindo e nossas ações impensadas também. Em suma, enlouquecemos como o Pai e, como ele, cometemos ações ainda mais impensadas. Nós conhecíamos todo o bem e todo o mal do Pai, pois isso estava registrado em nós. Mas agora era hora de viver isso como Ele havia vivido. Para resumir vou até o ponto onde os filhos de nossas ações evoluíram para um nível de aprendizado. Explicando melhor, estavam prontos para ir para a escola como as crianças da Terra, que aos 4 ou 5 anos vão para uma escola aprender e ter um convívio com outros seres. Foi nesse estágio que se fez necessário construir um planeta para servir de escola. É justamente aí que a Terra entra na história da humanidade. O Pai convocou os arquitetos dessa nova obra e apenas os orientou, sem influenciar diretamente, e deixou que eles construíssem tudo de acordo com as necessidades daqueles que iriam habitar a escola. Enfim a escola ficou pronta e totalmente adaptada para receber 12 tribos de 12 diferentes planetas, seres que tinham diferentes habitats, aparências, costumes, etc., afinal seus pais, apesar de serem Amorazins, não eram iguais em aparência, mas no nível de evolução sim. Muitas eras se passaram até que tudo ficasse perfeito e harmonioso. Foi então, ao transportarmos os nossos filhos para esse novo mundo, que descobrimos o quanto seria difícil educá-los sem haver divergências e opiniões contrárias. Em nossa ignorância dos fatos futuros caímos na tentação de dar sabedoria a 12 seres. Cada um seria um representante de sua tribo, seu planeta. Esses seres foram encarregados de cuidar da natureza da Terra. Tinham que controlar as águas, o fogo, os elementos sutis das plantas, da terra, do ar, a Lua, Sol e estrelas. Esses seres ganharam os nomes dos 12 primeiros titãs. A partir daí muitas guerras foram travadas na Terra, pois eles nem sempre usavam seus poderes de maneira correta, o que já era de se esperar, afinal se nós éramos falhos, imaginem eles. Muitos outros seres foram criados pelos deuses titãs, que se esqueceram do propósito pelo qual estavam na Terra e, enraivecidos uns contra os outros, terminaram por criar uma energia cruel terrivelmente má. Na verdade eles estavam aprendendo a conviver com o próprio mal que os habitava e assim a Terra ainda não servia para ser a escola das crianças dos Amorazins ou “Eloins”, nome pelo qual seríamos chamados pelos humanos da Terra, pois significa “construtores de Deus”. Nossas crianças desceram para a Terra, mas não podiam ser despertados, pois o habitat havia se tornado inconstante e perigoso. Os 12 dirigentes não entravam em um acordo e, para complicar as coisas, suas ações criavam vida muito rápido devido ao poder que havíamos concedido a eles. Nossa intenção era fazer com que aqueles seres evoluíssem mais rapidamente para ensinar as crianças que habitariam a Terra. Nós não podíamos deixar que eles nos vissem, pois em nossa evolução também não víamos nosso pai. Só alcançamos esse privilégio quando todas as eras de evolução do ser se completaram. Até então éramos como cegos que nada viam e nada conheciam. Ele podia nos ver e fazer o que desejasse conosco, mas nós de nada tínhamos consciência. O mesmo procedimento que tivemos com nossos filhos Ele teve conosco e agora estávamos presenciando o quanto havia sido terrível para o Pai ter que nos educar sem impor sua presença. Os 12 professores titãs não perceberam, mas com a discórdia que haviam criado estavam também dando vida a um novo ser: o Senhor das Trevas, a escuridão, o vazio que tudo consome.

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Eles não sabiam que esse novo ser era fruto do mal que os habitava e passaram a negá-lo logo que o conheceram, aumentando assim o poder que ele já possuía. Não demorou muito para esse ser mostrar o quanto era mais forte que os deuses titãs e tudo que os titãs construíam ele destruía. E assim muitas eras de trevas, luz, destruição e reconstrução se passaram até que, sem interferência dos deuses ou do Senhor das Trevas, nasceu um outro ser, que se chamou de Animus. Esse ser era o espírito da Terra que, cansado de sofrer nas mãos dos deuses e do seu opositor, surgira como força máxima e a todos causou espanto, pois nada fugia a seus olhos, que tudo viam e observavam, nem a seu coração, que tudo sentia e compreendia. Animus não era um ser gerado ou nascido, não tinha idade, pai ou mãe. A nada se prendia, porém em tudo habitava. Ele se aproximou do Senhor das Trevas e o observou ternamente. Então disse: - Tu és o vazio e o vazio precisa apenas ser preenchido, mas não sou eu que vou te preencher, pois isso tu mesmo farás. A ti dou apenas o primeiro passo. Dar-te-ei um coração e o resto se fará por si só. Assim que recebeu o coração a vida habitou o Senhor das Trevas, que jamais pensou ou sentiu a luz. Um misto de bem e mal o desequilibrou e ele fugiu para lugares longínquos da Terra para tentar se compreender dentro da insanidade e loucura que o consumia. Aos deuses titãs Animus levou a consciência, mostrando a eles tudo que até então haviam feito de perverso. Deu a eles a dor do arrependimento, mas mostrou também a misericórdia e o perdão. A partir dessa mudança causada por Animus as crianças deram os primeiros passos na escola. Acordaram de um sono de muitas eras como se fossem apenas alguns segundos, mas agora eles não estavam sozinhos na Terra. Havia também os seres criados pelos deuses titãs e começou então a convivência entre seres Evins, filhos dos Amorazins/Eloins e os filhos dos deuses titãs, que não devemos esquecer que também eram filhos dos Amorazins, porém em estágios diferentes. Aos filhos desses deu-se o nome de Ofenins, pois eram filhos da ignorância e da falta de sabedoria. Traduzindo corretamente eram “filhos do sono”, pois a sabedoria é aquilo que desperta o homem e a ausência da mesma é o que a faz dormir para a verdade. A Terra agora estava em festa, pois como escola agora estava completa e, como toda escola, tinha diferentes classes e estágios. Seus alunos agora começariam a aprender e, como sempre, havia os rebeldes, os mansos, os desligados, os medrosos, os traiçoeiros, etc. Os deuses sentiam na sua própria pele como era difícil controlar seres ainda tão inconscientes. Diante de tanta inconsciência muitos conflitos eram gerados e alguns alunos terminavam por destruir uns aos outros e observando isso Animus chamou os deuses titãs e lhes comunicou que não permitiria mais que o vazio voltasse a ter tanto poder como antes. Sua existência no momento era fundamental para o equilíbrio das leis naturais e não para causar devastação. Animus então repartiu um deus titã ao meio, separando-o em dois, masculino e feminino e disse ao feminino: - A ti dou as “emoções” da água e a leveza do vento, mas deves lembrar-te sempre que tens também a cólera das tempestades, dos furacões e somente com o tempo deverás aprender a conviver contigo mesmo. Dirigindo-se ao masculino disse: A ti dou a “razão”, a firmeza da terra e a coragem do fogo, mas deves te lembrar sempre que o fogo devasta, destrói a terra, estremece e engole até sua mais bela criação e, para te ajudar, terá também o tempo que tudo te ensinará.

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Assim Animus deu essa dádiva aos demais deuses e todos os seres vivos, para que se sentissem atraídos uns pelos outros e logo se multiplicassem. Tendo filhos eles aprenderiam a amar e a ter responsabilidade pelas vidas que geravam. Os seres agora haviam abandonado a imagem de assexuados ou hermafroditas e se transformado em dualidade, algo para eles muito estranho. A princípio eles passaram a negar suas partes e passaram a se envolver com partes que não eram suas. Foi então que as ditas ‘almas gêmeas’ deram o primeiro passo para a separação onde o reencontro levaria muitas e muitas eras. Misturam-se as almas e assim criam-se os primeiros karmas. A continuação dessa história vocês já conhecem, pois já expliquei lá no começo, quando afirmo que as 12 raças planetárias que aqui se encontram eram formadas pelas 3 raças novas e especiais. Essas três raças são os shangrillês, atlantes e lemurianos, também conhecidos como elfos, povo médio e povo vermelho. Além desses também havia o povo gigante, os filhos dos titãs. Os elfos eram conhecidos como o povo dourado. Eles desenvolveram habilidades para lidar com metais e tinham um alto nível de conhecimento das ervas. Tinham também o dom da profecia e da cura, mas nem todo elfo era de pele clara. Havia elfos mistos, mas eram todos de muita beleza. O povo médio era conhecido como os moriás ou anões, o que é um grande erro, pois naquela era um anão tinha 2 metros de altura. Eram pessoas alegres, tinham grande força física e eram excelentes construtores, mas não gostavam muito de se misturar. O povo vermelho, também conhecido como ruivos ou povo escarlate, era um povo altamente desconfiado. Ótimos ferreiros, se divertiam entre si, mas raramente sorriam pros outros. Os gigantes viviam entre todos os povos da maneira que eram aceitos ou tolerados. As intrigas, brigas e guerras jamais acabaram, mas agora o Senhor das Trevas trazia o equilíbrio. Ele agora representava a espada de Deus, que terminava por equilibrar os dois nas guerras. Tirava com uma mão e dava com a outra. Existiram sete eras antes da última era, a do Sol: a era de Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus, e Saturno e a era unificada , onde o governo era de todos. Essa era foi uma tentativa de evitar a era do Sol, que ia destronar os deuses titãs. Sol e Lua sempre reinaram juntos como chamas gêmeas e só agora é que de fato nossa história começa. Após tantas eras de confrontos, destruição e pouca evolução a Terra havia entrado num caos total. O equilíbrio havia se desfeito. Ninguém mais se entendia. Veio então uma primeira destruição, parcial, da Terra. A visão de Ezequiel agora se cumpria como uma profecia de muitas eras. O homem de ouro (Sol), prata (Lua), bronze (Marte), cobre (Vênus), ferro (Júpiter) e barro (Saturno) havia desmoronado por terra. Agora enfim passara a vigorar uma nova era, a do Sol, da Lua e de Mercúrio e agora todos os povos unificaram-se em apenas três raças: atlantes, lemurianos e shangrillês e os semi-deuses. A seqüência daqui pra frente vocês já conhecem. Vem a história dos sentinelas, os seres celestiais que se infiltraram na Terra para ajudar na evolução daqueles que sobraram. Esses seres, como já foi relatado, revelaram segredos aos seres que aqui viviam, segredos da origem universal e outros. Se envolveram com esses seres relacionando-se com eles, tendo filhos e, por fim, mesmo sem desejarem, trouxeram a destruição definitiva das eras dos deuses. Mais uma vez a Terra passaria por grandes mudanças e dessa vez seu eixo foi alterado profundamente. Agora sei que posso voltar à nossa queda, ou melhor, à nossa renúncia, como antes estava explicando. Na primeira etapa da nossa missão como renunciados ou anjos caídos nós ainda tínhamos consciência, como antes já havia explicado. Viemos para a Terra encarnados com vários privilégios, mas tínhamos que nos manter discretos para não chamar a atenção dos sobreviventes da transformação. Havia ainda na Terra seres com muito poder,
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que lutavam para obter o cetro de rei e Senhor da Terra. A Terra jamais viveu sem conflitos e no meio de tantas guerras nós tínhamos que encarnar de maneira sutil, pois a Terra não deveria saber da nossa existência entre os mortais para não atrapalhar a evolução deles. Após a destruição dos imperadores das sombras e da Era das Águas resolvemos dar início a uma linhagem de seres que aprenderiam para mais tarde ensinar, afinal nossa maior preocupação eram nossas próximas encarnações como mortais. Nessa primeira parte nós podíamos ser mortais, mas ainda tínhamos a consciência, pois tudo havia sido permitido pelo Pai, porém nas próximas vezes não podíamos ter certeza do que aconteceria e para que todos possam compreender tudo isso sem enlouquecer vou contar-lhes as encarnações mais importantes em ordem cronológica e por época. A primeira foi num período da Era Diluviana. Nessa era ficamos conhecidos como as “três graças divinas”. Mais claramente foi a época bíblica de Eva e Adão. Quero lembrar que toda a destruição da Terra da época dos deuses já havia acontecido e agora era um novo tempo, porém ainda havia gigantes, semi-deuses e magos remanescentes de Atlântida, Shangrillá e Lemúria. Para que a sabedoria e a comunicação com o Divino não se apagasse da Terra criou-se um clã de três tribos bem diferentes. Essa é a parte mais difícil da História desmistificar, tudo que até hoje foi velado por ser perigoso. Primeiro vamos contar a história de Prometeu e Pandora, depois a de Eva e Adão, etc. Em primeiro lugar no Carmelo ou Jardim das Delícias ainda não habitavam seres humanos. Era um lugar sagrado ao qual somente os Eloins tinham acesso. Ao redor desse jardim a Arda/Ada/Erde/Edda foi constituída. Na verdade esse jardim preservava o registro de tudo que já havia acontecido na Terra, do que estava acontecendo e do que ainda ia acontecer. Ali se mantinha o livro de registros de Haziel, sempre aberto encima de um púlpito protegido por uma imensa luz que devorava aqueles que ousavam tocá-lo. Os Elohins não precisavam temer o livro, pois Haziel também era um deles. Vamos agora voltar aos filhos de Prometeu. Prometeu era um ser celestial que tinha um conhecimento superior aos 12 deuses dirigentes das tribos, mas eles não sabiam disso, pois acreditavam que ele era mais um ser como eles. Por ver tanta destruição Prometeu preferiu manter seus escolhidos escondidos e bem longe dos olhos dos deuses, mesmo sabendo que isso prejudicaria a evolução deles, porém eles não demoraram para descobrir o segredo de Prometeu e assim decidiram que aqueles seres teriam que passar por transformações ainda mais drásticas do que todos os que já habitavam a Terra. Era a única maneira de alcançar a evolução suficiente para o convívio com os demais. Prometeu nada podia fazer. Ele sabia que a Lei da Evolução tinha que se cumprir, porém as tarefas aplicadas a esses seres eram demasiadamente severas e ao invés de fazê-los evoluir eles pareciam regredir, não alcançando a evolução necessária para viver entre os demais. Os deuses julgaram que aquelas criaturas não podiam viver na Arda e os condenaram a viver na Morada das Sombras até que tivessem consciência para se misturarem com os demais. Nesse lugar também viviam outros seres que os deuses não julgavam dignos de andar na luz. Longo foi o tempo que os protegidos de Prometeu viveram ali como rejeito da obra divina, porém devemos dizer que nem todos os deuses eram iguais. Havia entre eles seres bons ou de bom senso e justiça. Estou me referindo a Diana, Minerva e Vênus, que por vezes visitavam a Morada das Sombras para instruir as criaturas que ali viviam. Com a ajuda delas Prometeu viu seus protegidos começarem a evoluir e a partir de então não desejavam mais viver nas sombras escondidas, porém o conselho ainda não autorizava a saída deles para uma vida nova. Prometeu decidiu não mais aceitar as ordens daqueles que eram inferiores a ele, afinal os deuses não sabiam, mas também eram filhos de Samiazy, daquele que renunciou. Primeiro Prometeu trouxe da luz o fogo para aquecer e iluminar a
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Terra das Sombras e com a ajuda das três deusas, Diana, Minerva e Vênus, ele trouxe à Terra mais um ser celestial como ele. Ela era conhecida como a portadora dos dons e das dores. Pandora (Pan Coran, Pomo de Ouro, Petis Sophia), que mitologicamente afirma-se ter uma caixa cheia de pragas e desgraças. Pandora foi descoberta antes mesmo de ser levada a Prometeu, pois foi delatada por uma deusa chamada Eres ou Discórdia. Essa deusa apresentou Pandora aos deuses e também apontou quais foram as três deusas que a ajudaram a nascer. Os outros deuses se sentiram traídos pelas três deusas mais poderosas do Olimpo, mas elas já estavam preparadas para o julgamento dos deuses e também já haviam escolhido o próprio destino, mas mantiveram essa atitude em segredo. Como era de praxe o julgamento dos deuses se baseava em uma competição entre Zeus (Júpiter) e o réu, porém as três deusas levaram Pandora para representá-las diante do supremo deus. Começou a competição. Pandora respondera a todas as perguntas de Zeus, o que o deixou furioso, mas agora viria a vez do deus e ele tinha que responder às perguntas de Pandora, que poderiam ser apenas três contra mil do deus. A primeira pergunta foi: “Quem sou eu?” Zeus, irado pela insignificância da pergunta, respondeu aos berros: “És um ser forjado por três deusas traidoras”. A segunda pergunta foi: “Quem é maior que tu?” Mais uma vez Zeus se irou e disse: “Nada passa diante de mim para ser maior do que eu”. Terceira e última pergunta: “Quem é aquele que nasceu de si próprio?” Zeus se calou e só então percebeu que havia caído em uma armadilha que ele próprio havia criado. Pandora deu as respostas: “Eu sou teu pai, tua mãe, aquele que te gerou e tu não me conheces, pois assim deveria ser. Eu sou o teu início e o fim para onde tu retornarás. Por isso hoje e sempre serei maior do que tu, porém maior do que eu e tu é aquele que nasceu de si próprio, aquele que não tem começo ou fim, aquele que não tem idade ou tempo, mas que habita todos os lugares e todos os tempos”. Zeus havia sido vencido por um ser celestial cuja existência ele ignorava. Assim as três deusas deram seu veredito final. Aproximaramse do púlpito e disseram: Pandora não é nossa criação e sim nós criação dela. Nós apenas colaboramos para sua materialização neste mundo, mas agora é nosso dever nos unirmos a ela para todo o sempre e assim se fundiram com Pandora. Dessa união surgiu a forma mais bela de ser jamais vista, com luz, sabedoria, força, beleza, doçura, encanto e harmonia. Era um ser perfeito. A perda das três deusas causou um desequilíbrio no Olimpo. Apolo, deus das artes; Baco, deus da alegria, da colheita, do vinho; Hermes, o deus mensageiro, senhor dos ares, resolveram ficar ao lado de Prometeu, deixando assim o Conselho dos Deuses cada vez menor. Esses três deuses também receberam a revelação de que eram filhos do gigante Sentinela, que na verdade era também um ser celestial. Também se uniram a ele tal qual as três deusas. Zeus, enfurecido, mergulhou a Terra no caos, destruindo-a e matando tudo que nela tivesse vida. Foi então que os nove seres celestiais adentraram na Terra (isso já contando com Prometeu e Pandora), que para salvar a raça humana da fúria de Zeus e seus aliados abnegaram do Olimpo. Mas nem tudo terminaria aí. Após essa transformação a Terra ficaria parcialmente livre dos deuses. Os seres celestiais mudaram a aparência de alguns seres que haviam sido cobaias dos deuses, além daqueles que hoje chamamos de dinossauros, mas a destruição havia sido grande e a Terra mais uma vez tinha que contar com a ajuda dos seres celestiais para se reestruturar. Como Prometeu Samiazy ainda não havia renunciado à sua condição divina. Vamos deixar bem claro que o mito relatado na Ilíada diz que ele foi condenado por Zeus por ter dado o fogo divino à humanidade. Isso significa, apenas alegoricamente, que ele levou a luz da sabedoria para um povo cego pela ignorância. A Caixa de Pandora representa apenas
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todos os nossos erros, toda nossa incompreensão. Em suma, o simples fato de recebermos um conhecimento sem jamais tê-lo praticado. Assim como tudo na vida somente sentindo na própria pele é que vamos ter a consciência do que é certo ou errado. A sabedoria que Prometeu deu aos homens é o tesouro dos Nibelungen, que atrai a cobiça do mais fraco levando-o à loucura. Na lenda a Caixa de Pandora libertou os males dessa sabedoria mal utilizada, porém antes que todos os dons saiam da caixa ela a fecha, deixando presa lá dentro a Yonah, a pomba da paz e da esperança. Isso significa que uma nova oportunidade seria dada à humanidade e que um novo Portador da Luz viria à Terra para ajudá-la no seu estágio de evolução. Mas como isso poderia acontecer se Prometeu estava condenado a viver aprisionado pelo resto de sua eternidade para expiar os seus crimes? Ele fora condenado por ter roubado o fogo sagrado e tê-lo utilizado de maneira incorreta, criando assim o caos e a destruição de seus próprios filhos, além de desprezar a pobre Pandora, que enlouquecera após saber do conteúdo da caixa e todo o mal que ela causou. Ela foi viver na Caverna do Sono, onde encontrou Morpheu, que a condenou a um sono profundo de muitas eras, enquanto Prometeu teria seu fígado comido diariamente por uma águia, que Zeus enviara para se alimentar de seu inimigo, porém a salvação de Prometeu estava naquela pomba, que não havia saído da Caixa de Pandora e muitas eras mais tarde ela teria o nome de Hércules ou Cristo. Aqui as três deusas foram unificadas a um ser criado por elas. Isso não foi apenas para dar a entender que elas eram um só ser, mas para afirmar que elas são as várias faces de um ser celestial chamado Ayrimael. O mesmo foi feito com os três deuses, que somando deram o mesmo resultado, sem esquecer um pequeno detalhe. Marte e Vulcano (ou Hefesto) são dualidades de um só ser, portanto nunca existiram separados. Apenas a mitologia os separou. Basta observar que Vulcano se apaixona por Minerva logo que ela sai da cabeça de seu pai, porém para decepção dele ela pede ao pai que sua virtude seja sempre preservada. Sendo assim Zeus nada pode fazer para ajudar Vulcano. A outra face de Minerva é Diana, outra deusa também casta, deusa da Lua, das gestantes, dos animais, etc. e que é irmã de Apolo (ou Febo), deus do Sol. Vênus ou Afrodite é a deusa da beleza, dos mares cobiçados por todos, mas que termina se casando com Vulcano, o ferreiro real, aquele que cortejou Minerva, que se transforma em Marte ou Áres, o deus da guerra, das transformações, um verdadeiro leão que só é domado pela bela Vênus, que termina desarmando-o. Por isso ela se casa com Vulcano. Ele era um ser rejeitado e vivia o tempo todo nas profundezas dos vulcões, onde forjava as armas para a guerra. As lendas separaram esses seres com estórias diferentes apenas para florear e aumentar suas proezas, mas terminaram por confundir a mente de alguns jovens estudiosos que buscam um pouco de conhecimento nesses relatos. Agora vamos continuar a avançar no tempo e retirar os véus que ainda encobrem a nossa história. Leia a estória de Siegfried e Brunhilde. Saímos da mitologia grega para entrar na nórdica. Brunhilde era uma valquíria, filha de Wotan (ou Odin), o equivalente a Zeus. Por desobedecer uma ordem do pai ela termina sendo castigada a dormir um sono de eras, sem época para acabar. Foi salva por Siegfried, o herói que trava inúmeras lutas e acaba vencendo Wotan. Procure ler a lenda completa de Siegfried, o Anel dos Nibelungen. Só depois da mitologia nórdica e grega é que podemos adentrar na história de Eva e Adão. Aqui também se encontra a mitologia egípcia, afinal os israelitas ocupavam o território egípcio quando a Gênese começou a ser escrita. O livro escrito por Moisés é uma réplica da história de Ísis. Por isso chama-se Gênesis, a genética ou gene de Ísis. Moisés contou apenas o que aconteceu após a última transformação. Isso quer dizer que ele relatou
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apenas o que aconteceu quando os anjos caíram ou renunciaram a suas condições divinas. Moisés conta que Eva comeu o fruto proibido iludida pela serpente que era Lúcifer, já banido por Deus. Ora, mas se Lúcifer foi banido por Deus o que estaria fazendo no paraíso? Eu explico. Nunca houve um paraíso, mas sim um monte chamado Jardim das Delícias ou Monte Carmelo ou para os templários Camelot e ninguém jamais foi banido. O que houve foi apenas a perda da inocência para o alcance da sabedoria, onde entra novamente o fogo de Prometeu. Após a última transformação da Era dos Deuses os humanos foram massacrados e agora tudo ia recomeçar. Os 9 seres celestiais agora sabiam o que era dar responsabilidade e poder a seres ainda não preparados. Uma observação muito importante a se fazer nessa história é o fato de Prometeu ter planejado salvar a sabedoria através de Pandora. O que ficou, mitologicamente falando, dentro da Caixa de Pandora foi uma pomba, a Pomba da Esperança. Essa pomba era Eva ou Ísis, a mãe de toda a humanidade, porém há um segredo em tudo isso. Nós falamos aqui das várias eras e destruições da Terra, inclusive o dilúvio que levou os deuses, os dinossauros e muito da raça humana. Então nos resta dizer que o Adão Cadmo, aquele que recebeu o título de Senhor da Terra, jamais existiu. Vejam o nome de ÍSIS e de SARA. Agora é só inverter o nome da primeira: SISI. Assim em egípcio seu nome significa “luz criadora” ou “mãe”. O nome SARA também significa “luz” ou “grande luz”. Ambas são criadoras, mães, ambas são a mesma pessoa, a Eva mitológica. O nome YAWE, que quer dizer “Deus” ou “Senhor” é a união de Eva e Adão, homem e mulher, dois pólos, duas energias. Melchizedek, o arcanjo Metatron ou Enoch e Prometeu era o Senhor da Coroa. Aquele que preside a Terra também é o nosso anjo caído Lúcifer. A Arca de Noé que salvou alguns exemplares das espécies vivas da Terra também é só uma alegoria à Caixa de Pandora. Veja que Noé solta primeiro um corvo para ver se as águas tinham baixado e só depois ele solta uma pomba, que retorna para dentro da arca trazendo no bico um ramo verde, a esperança que se renova mais uma vez. Na Caixa de Pandora o corvo representa a morte e a destruição, que não tem volta. A pomba branca é a esperança do que virá. Noé é o nosso Prometeu ou o nosso Auriga, o nosso Chariot, o cocheiro dos deuses, que trouxe no velocino de ouro a nossa origem genética, ou melhor, os exilados de Capela. Melchizedek, Enoch ou Noé trouxe para um lugar seguro e distante dos olhos dos semi-deuses ou de sábios mal-intencionados as seis graças divinas. Eram no total sete com ele. Ele viveu por muitos anos dentro de uma caverna, que foi batizada com o seu nome pelos seus “filhos”. Agora vai ficar mais fácil para vocês compreender o que estou tentando explicar. Sei que parece muito complicado e confuso, mas acreditem que não posso deixar passar os detalhes, justamente para que mais tarde tudo fique mais claro. A nossa Eva, Ísis ou Sara era um ser muito especial. Ela era uma semi-deusa, assim como seu irmão Adão, Osíris ou Abraão. Esses eram os seres que Auriga / Noé trouxe no velocino de ouro para salvá-los da fúria de Zeus, porém esses não eram os únicos seres vivos na Terra após o dilúvio. Melchizedek deu a eles um paraíso como moradia, pois a caverna que eles foram habitar era protegida por uma vasta área verde chamada Zoar ou Esplendor (lembrem-se que Sara era fruto das 3 graças, deusas, e ela mesmo tinha o dom das três graças e Abraão tinha o mesmo dos deuses. Noé tinha 3 filhos e 3 noras. É uma forma alegórica de se referir às três graças masculinas e femininas). Abraão e Sara eram totalidades de um só ser. Isso significa que ela era só o feminino e ele só o masculino, pois ambos eram a herança dos deuses sem mistura. Eles deveriam aprender a verdadeira sabedoria e assim passá-la para o próximo, pois a Terra agora precisaria muito dela. Os anos passaram e Melchisedek construiu no centro daquele paraíso a primeira escola. Chamou-a de Salem ou Calem. Isso aconteceu na transição da era de
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Sagitário para Escorpião. A era de Áries, o carneiro do zodíaco, é também conhecida como a era dos exilados de Capela. Capela significa cabra = aqueles que sobreviveram à era de Aquário. Ao criar essa escola Melchizedek buscou mais seres que sobreviveram à destruição e procurou atraí-los para a escola afim de ajudá-los a evoluir. Dentre eles ele encontrou raros exemplares da raça humana: dois eram semi-deuses, Sara e Abraão. Outra era Hagar, uma elfa de rara beleza, que já tinha um bom nível de conhecimento. Sua memória não havia sido afetada pela mudança do eixo da Terra. O outro era Lot, um sábio que também manteve sua memória. Lot era casado e tinha uma bela esposa, mas essa ainda tinha muito que evoluir. Hagar era a primeira filha de Lot, porém ele revelou a Melchizedek que a mãe de Hagar havia morrido na destruição e que ele na verdade era seu pai apenas de criação, pois a recebeu ainda muito pequena e a criou como filha. Mais tarde Lot se casou e teve duas filhas com sua nova esposa, porém seu cuidado maior era com Hagar, que era muito rejeitada pelas outras mulheres da casa. Entre as filhas e a esposa de Lot havia muito ciúme da sabedoria e beleza de Hagar. Melchizedek pediu a Lot a guarda de Hagar, garantindo que ali ela estaria segura e teria um aprendizado mais aprofundado, desenvolvendo todo seu conhecimento. Lot preferiu primeiro falar com Hagar. Se ela aceitasse viver em Salem tudo seria feito de acordo com a vontade de Melchizedek. Hagar gostou muito de Sara e Abraão. Viu neles um igual a ela e sentia que Melchizedek jamais lhe faria mal algum. E assim foi. Alguns anos se passaram e a escola de Salem cresceu. Muitos sobreviventes vinham para conhecer o Rei da Paz e da Sabedoria e por ali terminavam ficando. Abraão e Hagar pareciam atraídos um pelo outro, o que muito agradava Melchizedek, porém Sara só tinha olhos para seu muito amado Melchizedek, que por ela também nutria verdadeiro amor. Entretanto ele já conhecia o destino e sabia que ainda era um ser celestial e mesmo Sara, também sendo, já não se lembrava mais disso. Obs.: Sara era a nossa Pandora, que junto com Prometeu causou a queda dos deuses (queda significa torná-los mortais, destruindo a imortalidade. Isso só aconteceu porque a humanidade recebeu a consciência de que esses seres não eram assim tão imortais e tinham pontos fracos. Essa consciência foi a sabedoria presenteada por Prometeu e Pandora, que revelou os segredos dos deuses aos seres humanos). Era para o próprio bem de Sara e Abraão que eles não soubessem de sua origem celeste, pois podiam chegar a se lembrar de toda a corrupção dos deuses e podiam vir a prejudicar a evolução dessa nova raça. Melchizedek mantinha o cetro, o trono de safira, a carruagem sagrada, as pérolas e o vaso com um líquido da divindade, tudo em um altar que seria do Rei da Terra. A carruagem foi o transporte que ele usou para fugir com as duas crianças. O cetro do poder era o mesmo que pertenceu a Zeus. Era a Lança das Eras. Tudo que acontecia nesse planeta era registrado nesta lança. Não era exatamente na lança, mas em um pergaminho sagrado que só podia ser lido por aquele que possuísse a lança, pois nela estava contido o “código da lei universal”. Era gravado em um idioma que só os seres celestiais sabiam ler (Zeus perdeu a lança para Pandora no dia em que ela o venceu na disputa de perguntas. Não contente com a situação Zeus mandou dois lobos gigantes perseguirem Pandora, mas ela se defendeu com a própria lança matando os lobos de Zeus. Aí ele pediu que os ciclopes acorrentassem Prometeu a uma rocha e o resto da história vocês já sabem). Mas voltando à verdadeira história, Melchizedek nomeou aquela lança de “A Lança do Destino dos Humanos Mortais”, afinal não havia mais deuses, apenas semi-deuses e mesmo assim eles nem sempre sabiam quem realmente eram. Melchizedek olhava para Salem e via nela a bela escola dos filhos dos anjos caídos renunciados e agora também dos deuses caídos. Muitas vezes ele olhava para o trono azul de safira e se perguntava: “Quem será o mais
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nobre dentre esses mortais a se sentar neste assento de espinhos? Quem será o sagrado de meu Pai que beberá do cálice amargo desse vaso divino? Quem será o Escolhido que resistirá à tormenta desse líquido que contém a sabedoria de todas as eras, que já foram e ainda virão? O Pai não demorou muito para responder a suas perguntas. Em um sonho Melchizedek viu um ser que com ele conversava, revelando-lhe o futuro e mostrando-lhe uma cruz cheia de sangue. O tempo viria e ajudaria Melchizedek a colocar tudo no seu devido lugar. Vendo que Lot era bom e tinha humildade em aprender Melchizedek o tornou sacerdote da escola de Salem. Agora ele podia também ensinar a outros o conhecimento e a sabedoria sagrada dos sagrados, porém advertiu que não se ensinasse nem revelasse a Abraão o mistério de sua origem, pois somente sua alma, no tempo certo, se encarregaria disso. Abraão era a essência de três seres de muito poder e agora, naquele corpo, ele ainda não saberia controlar sua fúria caso ela viesse à tona. Lot sabia do que Melchizedek estava falando, pois em sua mente ele ainda guardava as lembranças mais difíceis e dolorosas do passado. Melchizedek sabia que mais cedo ou mais tarde Abraão despertaria e, é claro, todo seu lado bom e seu lado letal se confrontariam numa eterna briga em busca de compreensão. Hagar e Abraão se uniram para a felicidade daqueles que os amavam. Pareciam estar sempre felizes, como se a vida fosse realmente um paraíso. Sara se dedicava ao aprendizado. Sempre que podia procurava aprender mais com Melchizedek e com Lot, aquele por quem ela tinha imensa consideração. Lot, já sendo bem idoso, tinha Sara como uma filha ou sobrinha. Este título foi dado porque Lot foi chamado de irmão do senhor, ou seja, irmão de Melchizedek. Por vezes Lot conversava com Sara a respeito dos seus sentimentos por Melchizedek e dizia a ela que tivesse paciência e sabedoria, pois todas as coisas têm o seu tempo. Sara dizia a Lot que amava Melchizedek, mas que seu amor não era da carne. Por isso sentia-se feliz apenas de estar ao seu lado e que não precisava de mais nada além disso. Um dia Melchizedek chamou Lot para uma conversa muito particular. Quando Lot chegou Melchizedek lhe disse: - Hoje, meu amigo, vou contar-te uma história que a mais ninguém tu deverás revelar. - Mas, meu senhor, por que me julgas digno de tão grande graça? - Ora meu amigo Lot, há muito te conheço, muitas eras já passaram. Sei que tu és de Ishtara e que me conheces desde que fui o Prometeu. - Perdoe-me Senhor, eu apenas sinto vossa presença ou, explicando-me melhor, sinto a presença do fogo sagrado em vós. - Então chegue mais perto, meu amigo, e procure não se assustar com o que irás ver. Melchizedek tirou o manto que cobria seu corpo e deixou à mostra o seu peito. Ao lado de sua costela direita havia uma ferida aberta que não sangrava mais, porém parecia jamais sarar. - Como podes ver, meu amigo, essa marca eu carregarei até o dia do julgamento dos celestinos. Admirado e ao mesmo tempo compadecido disse: - O senhor de fato é o Filho da Luz. Me lembro de sua história, de seu martírio para libertar o conhecimento para os humanos. - Eu sou um imortal, Lot. Por pouco tempo, mas ainda sou. Os seres celestiais são os únicos que são imortais e por isso essa dor me persegue já há tanto tempo que terminei me acostumando com ela, mas o que tenho para te contar é ainda mais importante, porém primeiro gostaria que me respondesse algo:
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Tu conseguiste encontrar em tuas caminhadas pela Terra algum descendente dos três primeiros filhos. Lot ficou visivelmente surpreso com a pergunta de Melchizedek e perguntou: - Estais a falar dos filhos teus? - Sabes que eu não tive três filhos com Pandora. Tive apenas um. Os outros são filhos de Cadmo (aquele que chamam de Adão) e Eva. - Meu senhor, sei que os filhos do ferreiro foram protegidos por Vulcano durante esse período, porém após a última transformação eles passaram a viver ainda mais escondidos, pois sempre foram rejeitados pelos deuses e por Cadmo e como não era possível encontrá-los não mais os procurei. - Quando soube que o senhor e Pandora haviam cada um recebido as três graças logo pensei que transformariam a Terra e destronariam Zeus, como realmente aconteceu. - Ora meu caro Lot, tu sabes que seres celestiais não podem ter filhos entre si. Depois da batalha eu voltei a ser apenas Prometeu. Zeus me furou com a Lança das Eras e para evitar tamanho sofrimento àqueles que se uniram a mim eu os separei do meu corpo. Eles então criaram um ser ainda não animado, feito apenas do lado masculino com as suas essências e me deram para levar a um lugar onde tudo recomeçaria. - Mas senhor, Pandora não havia tirado de Zeus a lança? - Sim, mas ele se utilizou de chantagem, ameaçando matar os meus protegidos, e por isso me entreguei aos gigantes Ciclopes. Eu não podia colocar em risco minha real imagem, nem podia mexer no ritmo da Terra sem a presença dos outros seres celestiais. Tive que ceder. Pandora, vendo o ocorrido, devolveu a Lança do Destino a Zeus. Ele a amaldiçoou com o canto de Hipnos, que só Morpheu sabia. Assim, para não prejudicar as três graças que a ajudaram, Pandora as libertou de seu corpo. Elas lhe deram um ser criado por suas essências, mas ainda não animado. Novamente éramos apenas dois seres celestiais. Mais tarde as três deusas e os três deuses resolveram animar os seres e os chamaram de Cadmo e Harmonia, ou biblicamente Adão e Eva. Eles os uniram e desejaram que deles uma linhagem de seres fortes viesse ao mundo, mas para garantir isso esses deuses deram a Harmonia o Cálice da Sabedoria, feito com um pouco da minha essência e com a essência de Pandora. Harmonia concebeu dois filhos gêmeos. Um de pele rosada e cabelos claros ao qual foi dado o nome de mel, Abel. “Filho” em outro idioma também é abelha. O outro filho era um elfo como Abel, porém não era um elfo de pele clara, mas um de pele mais escura, cabelos negros e brilhantes. Mais tarde veio outro filho, muito parecido com Abel na aparência. Cadmo não gostava de seu filho de pele escura. Não sabia porque ele era tão diferente até que a desconfiança venceu e ele perguntou a Zeus porque aquele filho não era igual aos outros. Zeus disse simplesmente que aquele filho não era dele, mas de um ser rebelde que tentara destruir toda a Terra. Adão Cadmo revoltou-se com Harmonia pela traição e a acusou de ter um filho da discórdia dentro de sua própria casa. Nossa Eva / Harmonia, defendeu-se falando toda a verdade sobre a batalha recente dos deuses trazendo um pouco de luz à mente de Adão Cadmo. Adão se convenceu com a história da mulher, porém todavia nunca gostou daquele que chamou de
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Caim, o “Forjado.” Caim era um ser “celestial” em um corpo mortal. Ele tinha uma elevada sabedoria, possuía caráter passivo e equilibrado e seus irmãos também não eram de muita briga, mas Cadmo os incitava sempre a lutar com a desculpa de que um dia teriam que fazer isso. Naquela época era comum os seres humanos ofertarem sacrifícios aos deuses e para ver a coragem dos seus filhos. Cadmo os fazia caçar animais perigosos para os sacrifícios, mas Caim se recusava a fazer isso, pois se dava muito bem com os animais e toda a natureza. Ele tinha uma integração com tudo que vivia. Para não desagradar seu pai ele ofertava o que colhia da lavoura. Adão Cadmo não gostava e nem se agradava das oferendas de Caim e deixava isso bem claro para todos saberem. Os irmãos tentavam animar Caim pedindo a ele que um dia fizesse um único sacrifício, assim o Senhor Adonai Adão Cadmo ficaria satisfeito e talvez parasse de rejeitá-lo, mas Caim rebatia dizendo: - Não vejo motivo algum para tirar a vida de seres inocentes somente para agradar meu pai. Que mal essas criaturas me fizeram para que eu as sangre? Ora, meus irmãos, creio que meu pai jamais se agradará da minha pessoa e temo, e sei, que algo muito além do meu conhecimento venha a acontecer. - Do que estás a falar – pergunta Seth. - Ainda não sei, meu irmão, mas quero deixar bem claro que preciso dar a você algo que aprendi sobre a natureza, as estrelas e os animais. - Estás a brincar, Caim. Como vais nos ensinar isso? – disse Abel. - Não é difícil, vocês aprenderão com muita facilidade. A partir daquele dia Caim passou a ensinar os segredos da natureza a seus irmãos. Adão não gostava de vê-los tão unidos. Após alguns anos Abel já era casado. Caim não desejava casar, pois temia pelo futuro que já pressentia. Seth também já tinha o seu Deus maior em tudo e ele não se agradava do cheiro de sangue. Zeus e Cadmo ficaram irados com Caim e planejaram seu fim e de sua esposa. Adão os chamou e aos dois filhos já casados deu presentes. Para Abel ele deu um anel forjado pelos ciclopes de Vulcano e a Seth deu outro anel semelhante. Um tinha uma pedra azul (para Seth) e o outro tinha uma pedra vermelha (para Abel). Caim nada recebera de seu pai, o que muito desagradou Eva/Harmonia, que já andava muito entristecida com aquela situação. Caim abraçou sua mãe e disse: - Não te preocupes, minha querida mãe, eu não desejo ter um anel daqueles e mesmo que tivesse ganhado um eu não poderia usá-lo, pois são presentes cheios de armadilhas dos deuses, que os ofertaram a meu pai com algum intento obscuro. Pobres dos meus irmãos, pois eles perderão a razão logo que perceberem o poder que tem naqueles anéis. Após ouvir isso Eva / Harmonia foi até Adão Cadmo e o investigou até que ele contasse a verdade. Ele revelou que os anéis foram um presente dos deuses para seus filhos e não disse mais nada. Depois disso Adão Cadmo foi até Caim e ao se aproximar dele foi logo insultando-o: “Tu és um maldito! Como ousas pôr tua mãe contra mim. Eu te renego e na minha presença não desejo ver-te nunca mais. Tu és um verme covarde, que não tem coragem nem de matar um animal menor que tu e como um covarde tu morrerás bem longe de mim.” Caim ouviu as injúrias de seu pai, mas antes que ele saísse da sua frente ele disse: “Existe um Deus maior que o senhor e os seus e tenho certeza que Ele não se agrada do cheiro do sangue que o senhor oferta aos seus deuses. E isso não é tudo. Ele também ouve e
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vê tudo que o senhor e seus deuses fazem, mas vocês são tão cegos que jamais O verão”. Adão virou-se contra Caim, mas temendo que suas palavras fossem verdade foi até Zeus e o questionou sobre esse Deus de que Caim havia falado. Zeus disse: - Acaso tu duvidas do meu poder, ó Cadmo. Não percebes que além de mim não há outro? Eu vou destruir este teu rejeito lançando-o longe das minhas vistas como fiz com Ares / Vulcano. Esse deus maldito me deu muito trabalho. Vivia lançando a cólera entre os deuses. Consumia a todos com o seu rancor e sua ira incontrolável. Terminou sendo o ser mais detestado do Olimpo. Então o lancei nas profundezas da terra, de onde ele lançava chamas de fogo tentando consumir a Terra. Essa foi a era mais difícil para todos os deuses. Para aplacar a sua ira lhe oferecemos uma das deusas em casamento, porém ele escolheu justamente a filha que ninguém jamais ousaria pedir: minha mui amada Minerva, a sagrada espada da justiça do Olimpo. Ela não seria de homem algum, pois para ser justa tinha que ser livre e por ninguém se apaixonar. Era casta, pura por vontade própria, não se corrompia nem se permitia corromper. Afrodite, sua irmã e melhor amiga assumiu seu lugar para preservar a integridade da irmã tão querida. Senhora de encantadora beleza e hipnotizante fala, Afrodite aplacou a ira de Marte / Ares / Hefesto / Vulcano (dualidades de um só ser). Assim ele passou a servir os outros deuses, mas se manteve longe do Olimpo, preferindo as profundezas da terra, às quais já estava habituado. Hoje já não é mais nosso inimigo, porém não sabemos até quando a beleza de Afrodite o manterá calmo. Acredito que esse teu filho, Cadmo, poderá me trazer os mesmos problemas que Hefesto, mas de uma maneira um tanto diferente. Ele pode persuadir deuses e elfos a acreditarem em outro deus, o mesmo Deus que o maldito Prometeu pregou e assim conseguiu um desequilíbrio entre os dirigentes desse mundo, mas minha sabedoria venceu a dele e até hoje eu o mantenho sob meu domínio e nada pode fazer. Ele ousou dar o conhecimento a seres inferiores e sem estrutura. Eles foram banidos para longe de meus olhos e vivem no Érebro até que se humilhem o bastante pela afronta que me fizeram. - Mas e agora Senhor, o que faremos com Caim?, perguntou Cadmo. - Os anéis que dei a teus dois filhos os farão se afastar de Caim. Então tu verás a discórdia surgir entre eles e logo Caim será morto por um dos irmãos, mas tu deves levar essa lança, pois Caim não é um ser qualquer. Se for filho daquela serpente que me roubou o Fogo do Conhecimento só poderá ser morto por essa lança, que deve atravessar o seu peito. Assim Adão Cadmo voltou para sua casa planejando sua vingança contra Caim, mas o que ele não contava era que as três graças (Diana, Afrodite e Minerva) tecessem o destino de maneira bem diferente de seu plano. O anel dado a Abel o deixou desorientado. Ele passou a desejar um animal sagrado que se escondia no Vale dos Espinhos, lugar que ninguém habitava. Ele se embrenhou atrás do bicho e na sede de poder tê-lo nem percebeu que estava todo arranhado pelos espinhos. Ao abaixar-se para pegar o animal terminou perfurando os dois olhos, ficando cego. Caim que, preocupado com a demora do irmão resolveu procurá-lo, achou-o e o levou para casa. A mãe tratou do filho e, percebendo a maldade que o anel havia lhe causado, retirou-o de seu dedo enquanto ele dormia. Para não despertar a ira de Adão Cadmo ela pediu a Vulcano que forjasse outro igual, mas sem a influência maléfica de Zeus. Vulcano, que não morria de amores por Zeus, assim o fez.
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Abel acordou todo cheio de dores e sem enxergar. Caim, com seu conhecimento de ervas, amenizou o sofrimento do irmão e recuperou apenas 30% de sua visão, o que fez Abel ficar muito agradecido ao irmão, que salvara sua vida e ainda podia dar-lhe um pouco da visão, porém Abel não conseguia distinguir pessoas ou coisas a mais de 100 metros. Só quando se aproximava mais. A sua esposa deu-lhe grande felicidade ao ter filhos gêmeos, assim como ele e Caim eram gêmeos. Ele, para homenagear o irmão, chamou o menino de Jubal-Caim e a menina de Naema. Seth também teve filhos com Zitra, a irmã de Mirni. Duas lindas elfas, uma casada com Seth e a outra casada com Abel. Mirni, a esposa de Abel, era arqueira como ele e, temendo que um dia o marido viesse a cometer um erro grave resolveu ela mesma caçar em seu lugar, o que terminou por frustrar o plano de Adão Cadmo, que via nas caçadas do filho a oportunidade de acabar com Caim. Seth não era caçador e andava mais ocupado em erguer um templo para sua própria adoração (efeito do anel). Um dia, estando Caim sentado às margens do rio, Adão Cadmo chamou Abel e, sabendo que ele não conseguia distinguir nada à distância, preparou seu arco e tornou a lança como uma flecha e a entregou nas mãos do filho dizendo: “Eu venho aplacar tua tristeza. Vejo que há muito tu não caças animal algum por causa da tua pouca visão, mas agora garanto-lhe que almoçarás um saboroso javali. Vês o vulto lá à beira do rio? É um animal que se encontra a beber água. Sei que mesmo com pouca visão tua mira continua certeira”. Abel, que de fato estava nostálgico, alegrou-se do convite do pai e, sem notar maldade alguma, lançou a flecha certeira, que atingiu Caim bem no alto de sua costela direita. Caído e sangrando muito pelo ferimento Caim ficou enfraquecido, mal podia se mexer. Abel se aproximou e logo viu que cometera um erro fatal. Deseperado ele gritava o nome de Caim, pedindo-lhe perdão, pois não sabia que era ele o seu alvo. Seus gritos chamaram a atenção de Eva / Harmonia, que, desesperada, corria na direção deles, mas ainda estava longe e iria presenciar o pior dia de sua vida. O medo de Abel chegar a revelar seu plano tomou conta de Adão Cadmo. Ele pegou uma pedra bem grande e acertou a cabeça do próprio filho Abel. Eva viu a cena toda, mas nada podia fazer. Sua voz não saía da garganta e além disso ela ainda não estava tão próxima a ponto de poder impedir o ato criminoso de Adão Cadmo. Quando chegou perto e viu seus dois filhos banhados de sangue ela perguntou a Adão como pudera cometer tamanho crime, falando claramente que vira o que havia acontecido com Abel. Nesse instante, para salvação de Eva, a esposa de Abel também se aproximava, já de arco em punho. Eva lhe disse: “Mira teu sogro para que possamos sair daqui vivas ou ele nos matará também.” Eva observou que Caim ainda respirava, porém Abel não mais. Ela removeu das costas de Caim a lança e enterrou Abel ali mesmo. Disse a Mirni: “Pega teus filhos, pois precisamos partir ainda hoje. O teu sogro atentará contra nossas vidas e não nos deixará viver, creias nisso.” Mirni, que era extremamente forte e boa de pontaria, ganhou tempo amarrando Adão a uma árvore até que ela e sua sogra preparassem a fuga e assim elas fugiram levando Caim e os filhos de Abel. Desceram para as terras escuras e passaram a viver em cavernas, pois Adão, ao ser libertado, logo disse a todos que Caim havia matado seu irmão com uma pedrada na cabeça. Sua mãe, para tentar protegê-lo, fugira com ele e raptara Mirni e seus filhos. Seth se irou ao saber que Caim havia cometido tamanha maldade e perguntou a seu pai se sabia o motivo. Adão disse que Caim resolvera oferecer o seu irmão como um sacrifício aos deuses e já que Abel era aquilo que ele mais amava obviamente os deuses se agradariam do sacrifício. Seth achou estranho, pois Caim não era dado a sacrifícios. Foi então procurar Zeus, que confirmou a estória de Adão. Zeus disse a Seth que jamais deveria deixar sua descendância se misturar com a descendência de Caim, pois agora ele era um ser
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condenado e errante e seria também amaldiçoado pelos deuses. Temendo a maldição Seth prometeu jamais permitir a tal mistura, embora acreditasse que Caim jamais fosse ter filhos, pois não desejava se casar ou se unir a alguém. Ali mesmo, na caverna que Caim e sua família resolveram habitar, havia várias galerias e um dia, já recuperado da flechada, ele resolveu explorá-las e qual não foi sua surpresa ao encontrar uma bela mulher adormecida em sono profundo. Ele carregava em sua cintura a flecha que o havia ferido, sem saber que essa era a lança de Zeus. O simples fato de estar perto da lança acordou Pandora que, logo que abriu os olhos, pôde ler na mente de Caim tudo que havia acontecido durante o tempo em que permanecera sob os efeitos hipnóticos de Morpheu. Sem dizer nem uma palavra ela também reconheceu em Caim seu gene e o dela. Tirou dele a lança e, usando seus dons celestiais, apagou da memória de Caim sua imagem. Fez isso para preservá-lo de vir a saber que era um celestino, o que poderia causar grandes problemas. De posse da lança ela o libertou. Ela disse: “Liberta nossos protegidos do Érebro e volta para enfrentar Zeus”. Acontece que houve aquela transformação, meu caro Lot. Eu sei que Adão Cadmo e Eva/Harmonia não sobreviveram a ela, pois as três graças femininas e masculinas os fizeram reencarnar nesses seres que hoje você conhece como Abraão e Sara e me incumbiram de mantê-los longe dos olhos dos semi-deuses, afinal qualquer deus podia reencarnar como um semi-deus e podia até mesmo manter a memória do passado e, reconhecendo os dois podia trazer de volta suas lembranças e isso seria um prejuízo ainda maior do que aquele passado. Não sabemos qual a aparência que Zeus tem agora, mas sei que tinha habilidade suficiente para se reprogramar para uma vida com lembranças. Ele pode ter perdido seu cetro e o seu reino, mas não perdeu sua sede de vingança. - Dar-te-ei duas boas notícias, meu senhor Melchizedek. A primeira é que Hagar, a princesa élfica, é da linhagem direta de Caim com Mirni. Por isso tem tão elevada sabedoria e pele tão semelhante à dele. A outra é que alguns filhos de Seth também sobreviveram e têm também dois filhos, que eram filhos de Jubal-Caim, o filho de Abel. Esse é o neto chamado de Tubal-Caim. Foi criado por Caim, que tudo lhe ensinou. Dizem que é um ferreiro que incorporou os poderes de Hefesto, pois sabe usar a forja como o próprio. Do outro filho não sei o nome. Barsilai é filho de Caim e o chamam de O Homem de Ferro, pois recebeu de seu pai o segredo de como misturar os minerais, assim como Tubal-Caim. - Mas isso não são apenas boas notícias, meu bom Lot, são verdadeiros milagres. É muito bom saber que a raça dos três filhos de Cadmo ainda existe, pois isso mostra que o equilíbrio não foi quebrado. Você sabe porque digo isso. Cada filho de Cadmo representa seis lados das virtudes, com exceção de Caim, que tinha a maior de todas, a sabedoria e a consciência, mas Caim não é válido. Ele era um ser celestino forjado inconsciente dessa condição, porém Abel e Seth possuíam as virtudes dos seis deuses que forjaram Cadmo e Harmonia. Por isso tinham as virtudes e seus opostos. De fato essa foi uma boa notícia, mas lembro-me que Cadmo amaldiçoou os filhos de Caim pedindo a Seth que jamais permitisse a mistura dos seus filhos com os de Caim e isso ainda deverá durar muitas eras. - Mas agora, meu caro Lot, o que tenho para te contar é de suma importância. Caim e Abel voltaram a nascer nos mesmos pais que tiveram na primeira vida.

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Não pode ser – disse Lot com seu semblante visivelmente preocupado. Meu senhor, por que eles fizeram tal escolha? Isso não os coloca novamente diante do erro do passado? - As escolhas foram feitas por eles mesmos e nada podemos mudar, Lot. Apenas temos que lapidar Sara e Abraão na vida atual para que o erro não seja assim tão grave. - Mas então o senhor está afirmando que a história vai se repetir mais uma vez? - Lot, atenta para o que eu vou te dizer. Tal qual a primeira vez nossa Sara passará muitas encarnações fugindo de seu esposo para proteger seus filhos. - Por que isso, meu senhor? - Porque dela sempre nascerão aqueles que se oporão à lei de seu pai e criarão suas próprias leis. Eu devo partir, Lot, e confiarei a ti e a Sara o Segredo dos Elohins (anjos caídos), os construtores divinos. Aqui nesse planeta deverá ter sempre sete Eloins intercalando encarnações, mas o mais importante que você precisa saber é que três sempre nascerão na mesma época e sempre se encontrarão, mesmo que seja por um curto encontro. Dar-te-ei um exemplo disso: As encarnações de Caim e Abel nessa Nova Era. Isso não significa que os dois serão seres celestiais (Elohins). Você bem sabe que o único era Caim, mas posso garantir a ti que já existe um Elohim vivendo na Terra. Mais um vindo ficará faltando apenas mais um. - Perdoe-me a indiscrição, mas esse que já está na Terra sois vós? - Essa é uma pergunta que eu não posso te responder, pois tu deverás sentir a resposta em teu próprio coração. - Senhor, me lembro que os Elohins são forjados, pois não têm um nascimento normal como os demais seres. - Isso é verdade, Lot. Todos sempre nascem forjados. - Perdoe-me Senhor, mas agora me deixaste confuso, pois se o Senhor é um ser celestial (Elohim) quem o forjou, ou melhor, como trocou a aparência de Prometeu para Melchizedek? Rindo da expressão confusa de Lot Melchizedek disse: - Acalma-te homem, isso eu posso te explicar. Eu sou um dos arquitetos dessa Terra (Ada) e minutos antes dela eu e meus irmãos já havíamos nascido. Sou mais velho que o Sol que tu hoje observas. Em mim moram as infinitas eras. Eu Sou desde o princípio, tal qual meus irmãos. Um dia, em novas eras que ainda estão por vir, minha história será tão reescrita e mudada que muito da verdade se perderá, não porque a verdade desaparecerá, mas porque os homens desejarão que ela seja escondida e velada. Eu terei muitos nomes e muita confusão se criará. O simples fato de alguns saberem a verdade sobre mim os condenará à morte, porém mesmo assim eu sempre estarei de volta à Terra. Eu, Caim e Pandora somos os três primeiros da velha e da nova era. Caim foi forjado de mim e Pandora. Por ser diferente se tornou o pomo da discórdia. Pandora seria a primeira Eva, eu o primeiro Adão na Gênesis do Livro da Terra, mas como não renunciamos a nossas condições divinas ainda somos imortais. Isso significa, meu caro Lot, que Pandora não está morta, mas anda pela Terra. Como eu ela assumiu uma nova aparência para não se permitir ser reconhecida. Nós, os Elohins, não podemos morrer, Lot.
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Podemos apenas trocar nossa aparência, mas nossa energia permanece. Por isso tu não acreditavas que eu tinha a alma de Prometeu. - Mas, Senhor, eu sei que Caim dizia a verdade quando falava de um Deus que os deuses não conheciam. Por acaso esse Deus é o Senhor? - Sim e não, Lot. Eu sou aquele que teve a idéia da criação da Terra (Ada) e juntamente com os meus irmãos tornamos essa idéia uma realidade, mas isso ainda é a aritmética da Merkabah, que vou te ensinar calmamente para que você possa compreender como tudo isso foi feito. Como eu te dizia, eu sou o arquiteto desse projeto, porém existe um arquiteto superior a todos os arquitetos, pois foi Ele que gerou todos os seres, mas ninguém jamais o gerou. Ele gerou-se a si mesmo. Idealizou-se e projetou-se. Ele é um ser jamais imaginado, pois a imaginação humana jamais o alcançou, entretanto eu afirmo que Ele se permite ter todas as faces, pois em tudo Ele habita. Por isso quando Caim disse que tudo Ele vê e sabe estava realmente se referindo ao Supremo Arquiteto. Eu sou apenas parte do seu imenso projeto e a Terra nada mais é que parte do meu projeto, que na verdade também é projeto dEle. Assim como tu, Lot, és muito importante no projeto dessa Terra. - Mas do que estais a falar, meu Senhor? Por que credes que eu seria importante. Sou apenas mais um dentre tantos mortais. - Entenda, Lot, todos nós somos importantes no projeto divino, porém existem aqueles que têm consciência de seu trabalho e outros que ainda não precisam ter, pois de qualquer forma todos vão cumprir sua parte. Lot, meu bom amigo, preciso que me acompanhes a um lugar de onde deves manter segredo até o dia da revelação. Falando isso Melchizedek passou sua mão suavemente pela parede de pedra e, sem dizer uma palavra, ela pareceu se dissolver ao seu toque e surgiu uma porta de onde vinha uma luz azul imensamente forte. Lot levou as mãos aos olhos tentando se proteger da luz, que aos poucos foi se tornando mais amena. Adentrando o recinto luminoso ficou deslumbrado com a imensa energia que habitava aquele lugar. Lot ficou tão leve que parecia flutuar. Era tudo tão cheio de paz e calma, que quase se projetou para fora de seu corpo, mas Melchizedek o pegou pela mão, puxando-o de volta à realidade. - Senhor, que lugar é esse? - Aqui, Lot, é a sala do trono do Senhor da Terra, mas daquele que ainda está por vir. - Como assim? O Senhor não é o Senhor da Terra? - Sim, eu sou, mas só até o momento. Virá alguém ainda muito maior, que se sentará nesse trono. Lot ficou visivelmente confuso. Não entendia mais nada. - Olhe Lot, tudo funciona de maneira bem simples. Mesmo que hoje você ainda não compreenda eu tentarei te explicar. Há muitas eras já passadas eu e outros Elohins construímos a Terra, mas tal qual a evolução do Pai a nossa foi semelhante e ousamos agir como Ele. Os filhos não devem conhecer os pais para que aprendam a ter confiança em si mesmos e assim passem a descobrir seus sentimentos e a sabedoria que, ao passar do tempo, vão adquirindo. Isso não significa que Deus jamais tenha se deixado ver por seus filhos, pelo contrário. O Pai sempre esteve à mostra para aquele que desejou conhecê-Lo, afinal para encontrá-lo não é preciso ir muito longe. Basta
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procurá-Lo dentro de si. Mas como estava a te dizer, a Terra foi construída para ser uma escola e não um planeta natal, afinal todos os seres que viriam para aprender aqui já haviam nascido em outro planeta. Especificando melhor, seu universo é como uma grande comunidade e dentro dela existe uma escola. Essa é justamente a parte que cabe à Terra. Para o cargo de professores nós designamos seres de doze comunidades diferentes. Eles eram como dirigentes que haviam alcançado um nível de consciência melhor que os demais, no entanto eles teriam que provar para si mesmos se serviriam ou não para o cargo de responsáveis por seus próprios irmãos. Após a construção da Terra os alunos dessas doze comunidades foram matriculados nessa escola e aqueles com um certo nível de consciência foram inscritos como professores. A esses nós demos um pouco de sabedoria a mais e permitimos ter a memória de quem eram, porém aos alunos tivemos o cuidado de deixar que fossem se conhecendo mais calmamente para evitar um choque, afinal seria a primeira vez que eles se encontrariam. Jamais haviam se visto, tampouco imaginavam que existissem seres diferentes deles. E foi assim que começaria a história dos deuses e dos mortais, da luxúria à devastação, da beleza às aberrações, criaturas metamorfoseadas oprimidas pela cegueira de deuses loucos por um cetro de rei do Reino. Apesar de tudo nós jamais deixamos a Terra. De uma maneira ou de outra nós sempre tivemos participação. Só não desejávamos interferir na evolução dos nossos filhos, pois tudo que devemos fazer é orientá-los, pois, como nós, eles são dotados de livre-arbítrio. Essa é uma das leis mais poderosas do universo, porém da mesma maneira que eles nós também a possuímos e nos cabe avaliar a hora de utilizá-la em prol dos nossos filhos. Tudo é feito de maneira que não venha a desfazer o equilíbrio das normas (amor, vida e liberdade). Assim, meu caro Lot, eu dei o primeiro passo me revelando a você como senhor criador de algumas das criaturas que nessa escola habitam, mas eu não sou o único pai. Existem outros e eles também vão descer aqui e se revelar a seus filhos, assim como eu, porém eu te digo que todos eles serão eu e eu hoje e sempre serei eles, pois juntos somos as pilastras dessa grande escola e se uma delas quebrar a casa cai. Por isso nós, os anjos Elohins, formamos a Árvore do Conhecimento, a Kabalah ou Merkabah (ver desenho na pg. 105). Cada um de nós trará um nível de conhecimento à Terra, mas no geral será sempre uma maneira evoluída de alcançar a sabedoria. Vejamos a sabedoria ou o conhecimento que eu vim oferecer à Terra. É o conhecimento de sua própria natureza. Resumidamente eu vim oferecer à Terra a explicação de tê-la construído, porque ela serve de escola, vim dar à Terra a consciência de sua origem, como foi sua criação e até mesmo quem são aqueles que hoje a habitam. Eu sou aquele que descortina as eras passadas e futuras, sou o Senhor que revela os mistérios do passado mais remoto e o futuro mais distante. Sou o primeiro daqui e de mim nascerão outros como eu, que vão ensinar os dons da cura de todos os males, estejam eles na alma, no corpo ou na mente. Vão ensinar o poder da palavra, o poder do crer para criar, o poder de destruir para reconstruir, o poder do conhecimento, do perdão, da abnegação e do amor. Enfim, meu bom Lot, Elohins sempre estarão indo e vindo à Terra inferior. Nós a chamamos de inferior por estar adormecida na
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ignorância ou falta de sabedoria. Por isso nosso dever é elevar a escola do seu nível inferior a um nível médio. Depois disso os homens estarão aptos a viver sem a nossa interferência. Porém, para que o futuro venha a se realizar é preciso que o presente comece a construí-lo. É aí que você se faz tão necessário. Em primeiro lugar vou te contar o que significa ser um Samiazy, um ser que renunciou à condição divina para viver como um mortal. A partir do momento em que passei a criar os meus filhos eu renunciei à condição divina da inocência, só não tinha consciência disso. Na verdade, meu amigo, só existem duas épocas extremamente distantes em que de fato os homens são livres. A primeira é a época da inocência, aquela em que somos como crianças, não conhecemos a culpa, o certo e o errado. Essa época chamamos de começo ou nascimento ou despertar do espírito. A segunda é a época onde a renúncia termina por nos libertar. É quando nossos filhos (criaturas geradas a partir de nossas ações) já estão desenvolvidos o suficiente para criarem e educarem seus próprios filhos. Ao deixá-los não os estamos abandonando. Estamos apenas abandonando o convívio para que eles tenham a privacidade e o livre-arbítrio de criar seus filhos como desejarem. Assim nos libertamos da responsabilidade de educá-los, mas jamais do fato de amá-los. Assim eles nos mostrarão se realmente aprenderam aquilo que nós lhes ensinamos. A essa época nós chamamos de fim, mas é um fim relativo, pois a evolução é contínua e o caminho infinito para o aprendiz divino. Eu hoje, meu caro Lot, me encontro no fim, pois sei o que fiz e estou fazendo minha parte para evoluir os frutos de minhas ações. Na verdade todos os Elohins construtores da Terra estão nessa época. Alguns têm uns 3 mil anos pela frente, outros uns 6 ou 7 mil. Isso para nós não é tanto tempo assim, afinal se eu fosse revelar minha idade temporal a você ela não caberia em números. Posso fazer você sentir o caminho que percorri até aqui. Isso te ajudará a compreender como foi meu início, porém não te dará um tempo preciso, pois o tempo não existia. Tudo que existia era apenas espaço e idéias, que o Pai tentava preencher de qualquer maneira. Não havia ordem, pois o Pai não a conhecia. Em suma, o tudo e o nada andavam de mãos juntas, pois tudo estava ali, mas não era possível ver, tocar ou sentir. Além disso eu ainda teria que contar as infinitas eras que já vivi em vários ou inúmeros planetas, mas agora eu tenho coisas mais importantes para lhe revelar e são elas que você deve guardar em sua memória, pois quando eu terminar de contar tudo estará consumado e eu deverei dar início ao meu próprio fim. A você, Lot, darei sabedoria futura, pois sei que sua alma já possui o conhecimento necessário para receber tal responsabilidade e, além disso, foi escolhido pelo Pai para preservar a história da Terra. Lot, Sara, Abraão e Hagar serão os portadores dos novos enviados. Serão os pais dos seres chamados Elohins, que vão nascer com forma e aparência humanas, porém eles não saberão que receberão tamanha graça, mas antes que isso aconteça Abraão terá a pior de suas provas. Zeus o achará e trará de volta sua memória. Ele se lembrará que foi Adão Cadmo e que era um aliado de Zeus. Desta vez será muito difícil ajudar Abraão a recuperar a razão, pois ele lutará bravamente pelo cetro, pelo trono e pelo reino dessa nova Terra. Mas hoje existe algo a nosso favor: o conhecimento que foi dado a Abraão a respeito da verdade e de tudo que nela existe. Isso
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haverá de nos ajudar muito. Abraão travará uma batalha contra mim e contra tudo que já lhe ensinei (ver pg. 185). O mais importante vem depois desta batalha. Após ter um filho com Hagar Abraão a desprezará juntamente com seu filho. Isso após descobrir que ela descende de Caim e, o que é o pior, mais uma vez tentará matar o Filho da Luz que voltará à Terra, só que dessa vez ele virá de Sara, pois eu a alimentarei com o cálice sagrado da divina sabedoria e darei a ela o pomo, o fruto do conhecimento que deverá se perpetuar aqui nessa Nova Terra. [Eu serei sacrificado no lugar de Isaac] Ele trará o conhecimento, mas também trará muitas guerras. Na época da batalha entre Abraão e eu surgirá alguém que você já conhece muito bem. Pandora, minha amada portadora dos dons, será futuramente conhecida como Gabriel, o mensageiro ou portador das mensagens divinas, porém ela hoje não tem mais a aparência de um ser feminino. Vive escondida dentro de um corpo masculino a que deu o nome de Golaha [Golias, Golaha = transmigrador ou aquele que transporta. Tanto Pandora quanto Melchizedek foram considerados os capitães da grande nave que transportou a humanidade na época do dilúvio]. Ela virá para ajudar a trazer Abraão à razão, que trocará seu nome para Samael e durante um período de insanidade ele criará o reino da carne livre, o Carnival. Seu papel em tudo isso é ser escriba e proteger Sara e Hagar e mais tarde, junto com Golaha, você deve ajudar Abraão a reparar o mal que fez. Ele então receberá as relíquias, a trípode de asas (Uma pira de 3 pernas onde Prometeu acendeu o fogo sagrado dos deuses e o deu para a humanidade. Esta relíquia permaneceu com os judeus por todas as eras e é citada na Bíblia diversas vezes. Até mesmo quando os profetas são levados ao cativeiro juntamente com o povo conseguem manter oculta essa relíquia, que nunca saiu das mãos deles). Ele manterá o fogo divino sempre aceso, pois é a luz do primeiro Sol, aquele que alguns chamam de Hiperion (Na verdade essa pequena chama é o nosso Sol, que alguns cavaleiros do Graal chamam de Sol Pequeno. A pira é uma espécie de ornamento sagrado criado para homenagear o Anjo da Luz que a trouxe. Para a humanidade seu valor é inestimável por ter sido feita por um dos anjos caídos quando estiveram na Terra a ensinar a humanidade). O velocino de ouro é a verdadeira Caixa de Pandora, como já expliquei antes. Também a Arca de Noé, pois dentro dela não veio apenas o ser humano, mas também tudo que ele precisaria para viver nessa Nova Terra. Falta explicar que essa também é a Arca da Aliança, que tem o cajado de Aarão, que sempre florece (o cetro ou lança de Zeus / Wotan), o pote sagrado onde é preservado o cálice da sabedoria, as pérolas indicando os anjos caídos que ainda devem vir à Terra e o olho-talismã. Obs.: Não devemos esquecer que Melchizedek era chamado de Capelino por ter vindo aqui esclarecer os humanos. Ele era um anjo caído. Ele foi considerado o bode expiatório dos deuses. Caro leitor, a partir daqui a estória que se segue (até a pg. 261) não é verdadeira, mas será mantida porque várias informações nela contidas são reais e os ensinamentos que ela contém são muito valiosos. A principal falha é não revelar que Moisés e Ramsés eram a mesma pessoa. Num futuro não muito distante Melchizedek voltaria na pele de um faraó, que entraria para a história. Seu nome, Akhenaton, traduzido corretamente é Arquetatom ou
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Arketeton. Esse também foi o nome que ele deu à cidade feita em homenagem a Deus. Não podemos deixar de lembrar que o primeiro faraó do Egito foi Melchizedek, mais conhecido pelo nome Miquerinos, Micherions, Michel. Aí chegamos ao nome do anjo, pai desses filhos da Terra. Hiperion ou Michel, Miguel arcanjo, o grande Herodes divino, que no Livro de Enoch tem piedade de seus irmãos caídos e mais tarde termina vindo à Terra para ajudá-los, mas Enoch não deixa isso muito claro. É preciso observar o comportamento do anjo para compreender. Voltando a Akhenaton, esse arquiteto divino veio em meio a um grande confronto. Moisés havia nascido príncipe, afinal um dos filhos de José do Egito era o faraó e a diferença é que os herdeiros do trono dele não tinham o mesmo carisma que seu pai. Observe Manasses e Neftali. Eram filhos de José e logo que Jacó lançou a profecia sobre seus filhos ele se dirigiu aos filhos de José, que seriam a herança do próprio Jacó. Segundo o trato que ele fez com Akhenaton ele abençoou um e amaldiçoou o outro a ser escravo e servir. Veja que da linhagem daquele que virou escravo nasceu justamente Manasses, o Moshé ou “homem das águas” e não “trazido das águas”. Moisés, Moshé e Manasses significa também “homem de Seth” (homem que esquece), pois Seth também significava “água”, a grande serpente Tifon, “o homem branco”. Neste período Moisés seria aquela coluna que estabelece e Akhenaton a que traz o poder. Nossa história começa em um Egito dividido ao meio pelo Alto e Baixo Egito. Uma parte era o reino de Ramsés e de Moisés o outro. Era o reino do arquiteto divino que desejava ensinar ao povo os caminhos para a liberdade. Seus primeiros aliados foram Miriam e Aarão, aqueles a quem Akhenaton confiou os segredos das relíquias de Capela (Melchizedek). Esses dois na realidade tiveram mais importância na história do que se conta. Miriam era sacerdotiza formada pela escola de Melchizedek, assim como Aarão e Moshé aprendeu tudo que sabia formado pela escola de Seth.A antiga maldição dos filhos de Seth e dos filhos de Caim agora daria uma pequena trégua. Era preciso unir forças para libertar o povo israelita da escravidão causada pela profecia de Jacó. É preciso lembrar que o único povo judeu que existia naquela época eram os filhos da tribo de Judá, o segundo filho mais abençoado por Jacó, perdendo apenas para Levi Aton, que foi o abençoado entre o céu e a terra. O povo de Israel era geral, pois todos os filhos de Jacó se tornaram israelitas quando seu pai recebeu este nome após ter brigado com um anjo, que na verdade nunca foi anjo. Era nada mais nada menos que seu próprio irmão Esaú, onde na luta Jacó, para se livrar da maldição de seu pai Isaac, matou o próprio irmão, fato omitido pela história, porém o corte na coxa de Jacó o torna senhor dos senhores (obs.: leia a benção que Jacó deu aos filhos em Gn 49). Na época de Moshé os israelitas eram em grande número se reunissem todas as tribos, mas havia duas tribos totalmente rejeitadas pelas outras: os hebreus, que eram um povo nômade sem misturas com os filhos de Israel e os judeus da tribo de Judá, que só tinham como aliados os levitas, que estavam sendo exterminados pelas outras tribos. Esses últimos, também conhecidos no passado como ‘leviatons’, os filhos de Aton, os profetas do Deus único. levi = unido, Aton = Sol ou Deus = o Deus único de Akhenaton. O fundador da tribo de Cohen Aarão = arca, irmão de (Deus) sublime. Miriam = estrela do mar, luz das águas. Aarão era mais que um simples sacerdote. Era chamado por Akhenaton de irmão e por Miriam ele tinha também a mesma afeição. Nessa época Akhenaton não concordava com as leis criadas pelos antigos, principalmente a respeito dos sacerdotes, que viviam enriquecendo às custas do povo, mas não era só isso. Os filhos de Jacó não estavam mais contentes com o que possuíam e brigavam entre si pelo poder, o que trouxe muita confusão, pois havia dois governantes no Egito. Um que os protegia e o outro
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que os enganava. Na verdade Ramsés instruía os homens de acordo com as leis e normas de seu pai Seth, seus sacerdotes e seus deuses. Akhenaton não admirava os deuses, acreditava em um só Deus, pai de todo o universo. Os filhos de Jacó agora eram mistos e viviam divididos entre esses dois governantes. Os filhos de Seth eram Ramsés e Nefre. Esse segundo não é cityado na história. A guerra foi declarada entre os sacerdotes de Aton e os de Amon. As 12 tribos ficaram divididas em meio a esse confronto religioso. Para o lado de Aton foram duas importantes tribos: a de Judá e de Levi. Foi a partir daí que surgiu a guerra interna entre as tribos judias, afinal ninguém sabia ainda que a herança que um dia fora de Levi(aton) agora seria transferida para Aarão. Leviaton transferiu as relíquias de Miquerinos ou Melchizedek para o templo de Aton, onde sabia que nasceria o Arketeton / Akhenaton e muito antes dele nascer tudo já estava pronto para ele. Na verdade Leviaton guardava um segredo apenas para si: o encontro que teria com Akhenaton. Para quem não sabe Akhenaton era parente de sangue de Zafenate Panéia. Akhenaton era o 13º dos filhos de Ismael, o filho rejeitado de Abraão, e Zafenate Panéia era o 13º filho de Jacó, filho de Isaac, irmão de Ismael. Como todos sabem Isaac teve apenas dois filhos gêmeos: Esaú e Jacó. Ismael teve 12 príncipes, sendo que o 13º seria o rei Akhenaton. Jacó teve 12 filhos e um 13º, que também reinaria como faraó. No Livro dos Mortos do Egito toda a história é muito bem relatada. A Torah apenas copiou o início e depois passou a revelá-la como se fosse a história de autoria apenas dos israelitas (judeus). Voltemos ao breve encontro entre os dois décimo-terceiros das tribos. Na infância Akhenaton teve um professor chamado Imhotep, que lhe ofertou uma espada sagrada. Essa espada estava junto com as relíquias de Melchizedek. Era sua espada. Ele havia pedido para Basilai forjá-la. De acordo com o conhecimento de Basilai aquela seria a Espada do Invencível. Melhor dizendo, aquele que a possuísse seria três vezes mais poderoso. Basilai disse que o próprio Caim havia surgido do nada para ajudá-lo a forjá-la, assim assegurando seu poder. Na luta dos 4 contra 5, a Guerra de Tróia, de Samael contra Melchizedek, havia um ser chamado Nimrod, que foi agraciado por Melchizedek com essa espada. Nimrod era filho de Samiramis ou a Ísis dos egípcios. Mais tarde, vendo que Nimrod cairia numa armadilha de seu parente (tio) Seth (egípcio) ou Samael (primeiro nome de Abraão) Melchizedek tentou guardar a espada do poder, mas não deu tempo. Nimrod foi assassinado por Samael, teve seu corpo esquartejado em 14 pedaços, exatamente como na lenda de Osíris e que também marca as 14 gerações que levaria para o Cristo reencarnar como o último Salvador. Nimrod = fogo de Deus ou mesmo Miguel, um dos anjos de Deus. Após a terrível luta entre Melchizedek e Samael a espada foi recuperada e guardada para um futuro que logo chegaria. Leviaton foi o filho mais abençoado por Jacó por pregar o Deus único e por ter o dom da profecia. Nele o pai tinha confiança que sua fé não cairia por terra nem seria esquecida. De fato o filho tão amado de Jacó deu início a uma religião que ainda era muito pequena e pouco conhecida, pois os deuses estavam ainda muito em evidência. Mesmo após a queda deles o povo ainda os temia e acreditava que voltariam a encarnar entre os homens. O horror, temor e devoção a esses seres eram tão grandes que por todos os cantos se via templos erguidos em sua homenagem. Quando o príncipe Leviaton morreu, deixou para aquele que chamou de irmão toda a responsabilidade de continuar a missão de dar sabedoria verdadeira ao povo. Essa era a missão mais dura que alguém podia receber, pois acender uma fogueira do fogo eterno em meio a milhares de fogueiras ilusóricas é de fato uma missão para poucos. Akhenaton era demasiado jovem quando perdeu Leviaton, o Zafenate Panéia, e já demasiado cansado quando teve que se unir a Moshé, que aqui vamos chamar por seu verdadeiro nome, que consta do Livro dos Mortos egípcio: Manasses. A
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sorte de Akhenaton foram os dois fiéis amigos, Aarão e Miriam, que fundaram a tribo dos Cohen para não serem totalmente dizimados pelas outras tribos, mas jamais deixaram de ser leviatons, jamais deixaram de ser unidos a Aton. A tribo de Judá também não era uma tribo muito bem vista pelos outros, seus próprios irmãos. Aos poucos foram também se unindo a eles os filhos da tribo de Dã, que era mal-vista por ter ganho o poder de julgar. Seriam como os juízes daquela época. Akhenaton agora tinha o rei das tribos (Judá), o juiz (Dã) e os sacerdotes (Levi/Cohen). Assim o poder das outras tribos ficara reduzido, pois seus principais poderes agora os abandonavam. Sem juizes perderam a lei, sem sacerdotes perderam os conselhos e as normas para os guiar e sem o líder ficaram como filhos sem pai, porém isso só veio a acontecer por vontade do próprio povo, que vivia se desentendendo entre si. Do outro lado do Egito o reino de Ramsés crescia, pois ele dava ao povo esperança, usando para isso seus deuses e tendo também como aliado Moshé ou Manasses. Cabia agora a Miriam tentar trazer Moshé à razão, o que não foi muito fácil, mas Miriam ainda não sabia que já tinha uma forte aliada, Zaíra, filha de Jetro, o Senhor da Montanha, aquele a quem Ramsés jamais tentou, pois temia seu desconhecido poder. Zaíra era amiga de Miriam e também simpatizante da doutrina de Akhenaton. Quando Miriam ia conversar com Moshé Zaíra ia junto. Sua beleza era evidente. Era filha dos Elohins castanhos e Elfos morenos. Tinha longos cabelos cheios de cachos, formas perfeitas, olhos azuis penetrantes, educação requintada, sabia mais de três idiomas, incluindo o élfico, falado apenas pela sua linhagem, já quase extinta. Rica, nada queria de Moshé (Moisés) senão o seu amor, mesmo sabendo que ele era um ser muito fechado, de poucas palavras, mas que não deixou de perceber a bela que acompanhava sua irmã. Aos poucos Moisés passou a ir ao encontro de Akhenaton e recebeu dele a revelação de sua missão. Moisés tentou negá-la, pois era homem pacifico, não gostava de guerras. Akhenaton argumentou que também era pacífico e jamais suportara guerras e justamente por isso pedia a ele para libertar seu povo antes que fosse feito escravo dos deuses mais uma vez, pois é o que já vinha acontecendo. Disse: - Tudo bem, sabes que um confronto se aproxima entre Ramsés (Ramasses) e eu, porém me resta dizer-te que tu fostes escolhido para dar continuidade àquilo que comecei, pois meus dias se aproximam do fim e não terei herdeiros para levar adiante minha missão, pois será morto aquele que vier a se assentar no meu trono. Ramsés me odeia e não é de hoje, digo, dessa vida. Seu ódio por mim vem sendo alimentado há muitas eras. Eu sou o filho do Prometeu divino e ele é filho das graças, que está aqui para aperfeiçoar todo o conhecimento que já possui e não sabe. Eu sou aquele que idealiza e vocês aqueles que concluem a missão. Eu já a tenho carregado há muito tempo. Agora é a sua vez, mas você não estará sozinho. Terás a companhia da tua irmã e de Aarão, a quem dei todas as instruções que tu precisas para cumprir a tua missão. Com a ajuda dos Cohen, filhos dos Leviaton, de Judá e Dã você encontrará forças para mostrar ao povo o poder que eles precisam para enxergar o caminho certo. Quanto a mim, devo permanecer aqui enquanto tu deves organizar tua retirada com o quarto de homens que desejar segui-lo. Se eu for contigo a ira de Ramsés será grande e não poderá ser aplacada. Você sabe que ele mandará destruir tudo que já construí, até mesmo Akhetaton, a Cidade do Senhor (Sol), que ele já não respeita. Depois lembra-te, Moshé, tu já tens 40 anos, a idade que te dá autoridade de rabino, mas peço que sejas humilde, pois Aarão e Miriam chegaram a mim muito antes de ti e há muito já estão adiantados na Kabalah (Merkabah). Por isso eu confio tanto neles.
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Sei que conheço deles as almas transparentes e dedicadas ao Senhor. Quanto a ti o trabalho é árduo, mas experimentarás na prática todo o conhecimento que já possuis. Quando partires não deves te preocupar, pois teu povo encontrará auxílio nas terras de Jetro, o senhor da montanha de Gondor. Ele é mais que um homem comum. É um grande sacerdote de uma linhagem quase extinta. Ele é filho remanescente de Atlântida e ainda carrega no sangue a herança dos Elohins. Tu não deves permitir que teu povo o conheça, pois eles o adorariam como a um deus e Jetro não precisa disso. Ele já vive aqui há eras, pois a vida dos elfos é longa e nessas longas eras ele já sofreu muitas tentações. Não sejas tu mais uma para ele. Deves lembrar também que teu povo deve estar ciente de ter que trabalhar e de que nada nasce da noite para o dia, afinal tudo que Jetro tem não servirá por muito tempo. Vocês terão que se organizar, pois um novo lar não pode ser construído sem a colaboração de seus moradores. Após explicar tudo a Manassés Akhenaton observou um silêncio perturbador e cheio de desconfiança por parte do seu futuro sucessor. - Sei o que estás a pensar, meu jovem Manasses. Sei que para ti é muito difícil crer que tudo que te relatei venha a ser verdade, mas a causa maior do teu silêncio não é o que te contei, mas porque eu te contei. Afinal tu és parte oposta dessa situação. Estás preocupado em descobrir porquê te relatei meus planos, ciente de que és da casa de Ramsés. A resposta é muito simples: eu não tenho nada a esconder, nem de ti e tampouco de Ramsés. Obviamente sei que ele não concorda com os meus propósitos e seria pedir muito a Aton um milagre desses. Quanto a ti Manasses eu apenas sei que és escolhido para ajudar o teu povo e mais do que isso eu não poderei te revelar, pois cabe à tua alma avaliar o caminho que há muito escolheste trilhar. Rompendo o silêncio Manasses (Moisés, Moshé) disse: O que te faz crer que eu vá trair Ramsés? E se eu vier a fazê-lo como me livrarei de sua ira. Tu sabes que no Templo da Cabeça de Asno Dourada (Seth) nada passa desapercebido. - Eu não estou pedindo a ti que traia Ramsés (Ramasses). Estou apenas dizendo que tens escolhas. Sei perfeitamente dos poderes dos adoradores de Seth, o deus, mas acima de tudo confio no meu único Deus, do qual Aton é tão somente uma fagulha. - Eu sei do que estás falando. Tu falas do Deus dos antigos, o Deus que ninguém vê ou pode tocar, mas que em tudo está. Ora Senhor, eu não o compreendo. Vós sois filho desses costumes, habitais a terra dos senhores da criação. Por que os negais como filho que abandona a casa de seus pais? - Isso aqui não é a casa dos meus pais, Manasses, tampouco sou filho desses costumes. Meus pais há muito se uniram para ser um só e essa história tu já conheces. Não participo dos costumes em que não creio, não compactuo com os crimes sacerdotais, pois posso falar com meu Deus sem essas cerimônias. - Admiro tua fé, mas não participo da mesma. Portanto não aceitarei tua proposta. Procure outro louco para assumir o teu lugar. Ramsés tem razão ao dizer que tu és um louco e que vens há muito prejudicando a mente do povo. Na verdade tu és a causa de toda essa desavença. O povo está confuso e

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dividido e tudo por culpa de um senhor insano e insensato, que só pensa em alcançar fama ou glória. - Estás enganado, tolo Manasses. Tu ficarás com toda a fama e glória no futuro. Toda minha história será apagada por ti e Ramsés e como duas estrelas rivais alcançarão o mais alto brilho, mas isso não me incomoda. Eu não vim aqui com os mesmos propósitos que tu e Ramsés. O poder e a glória não me corrompem mais. Eu já os conheci. Sei das dores e das falsas delícias desse manjar de vermes. Por isso os deixo para vocês. - O que te faz crer que eu desejo a fama? - Olhe para você, Manasses. És um alto sacerdote dos antigos segredos, possuis o conhecimento da magia, mas ainda não tens a sabedoria e a consciência do que realmente isso significa. Um homem sábio não estaria aqui me ouvindo após eu ter pronunciado as palavras poder, fama e glória, pois esse homem, em sua sabedoria, ignoraria essas palavras ou as entenderia como uma ofensa à sua integridade e aos seus ouvidos sábios, que muito provavelmente guardaria a lembrança de já ter passado por essa experiência. Sua reação ainda é de um aprendiz sedento pelas conquistas, cheio de vontade de ser adorado, venerado e respeitado, mas pudera eu te dizer o que de fato é isso em simples palavras. Não, eu não posso te dizer o que é isso, Manasses. Tu terás que aprender essa parte sozinho, pois o rei que todo homem é já está dentro dele, só precisa ser acordado e o teu acordará para ser rei de milhares. Obviamente que tu não serás um bom rei, mas também fica claro que não serás de todo mau. O poder vai te subir à cabeça antes mesmo de serdes coroado. Eu vejo tuas mãos sujas de sangue. Um sangue que escorre como água de nascente e não se esgota. Tua sede de justiça será mais forte que tua sabedoria. Não irão te respeitar por amor, mas por imposição e medo, mas um dia, Manasses, tu irás te lembrar dessa conversa e nesse dia tu então irás compreender tudo que hoje te falo. Te ficará tão claro como água cristalina. Tu então enxergarás teu povo como hoje eu os enxergo e te enxergarás tão profundamente que verás em tua alma teu verdadeiro EU. Nesse dia tu realmente serás um rei, um rei não mais dos homens, mas um rei de si mesmo. Será que estás pronto para tudo que vais viver? Não, tu não estás pronto, mas desejas vivê-lo, isso eu vejo nos teus olhos. Manasses saiu enfurecido da presença do faraó Akhenaton. Foi para longe, onde não pudesse ser encontrado. Precisava meditar sobre o que ele tinha falado. Precisava achar uma razão para as tolices daquele ser. Na verdade precisava compreender porque estava se preocupando tanto com as loucuras daquele tolo faraó. Manasses não entendia o que teria a ganhar aceitando a proposta de Akhenaton. Além disso trair Ramasses, seu irmão, seria uma atitude covarde, mas Manasses lembrou-se que era neto de Jacó e lembrou também das previsões que seu avô havia feito deixando bem claro que Manasses seria um grande rei aclamado pelo povo, que os salvaria das sete pragas que estavam para chegar ao Egito mais uma vez. Na verdade Manasses não se lembrava, mas ouvira falar que na época de Zafenate Panéia o Egito foi tomado pela fome. O povo e o gado adoeceram. A miséria e a doença assolavam todas as terras menos as dos filhos de Jacó e o faraó, que pareciam estar protegidos por uma força maior, porém o que se falava era que José (Zafenate Panéia) tinha demasiados poderes ocultos, que tanto podiam destruir como salvar. Entre alguns povos das tribos eram histórias e mais histórias sobre Zafenate Panéia. Alguns o descreviam como um
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faraó maldoso, que fez cair a miséria sobre o povo só para tê-lo como escravo, tirando suas terras, seus bois, suas cabras, ovelhas e todo campo de alimento. O povo vendeu tudo que possuía ao faraó, até mesmo a sua liberdade. O Senhor do Egito se tornou dono de todas as terras do Alto e Baixo Egito, mas segundo os planos de Zafenate Panéia nasceria um rei ainda maior, que seria Arketeton (arquiteto) da Sabedoria em forma divina. Esse rei seria Akhenaton e até mesmo no futuro sua sabedoria seria utilizada e falada por aquele que viria a ser Salomão. Foi então que Manasses se interessou pela proposta de Akhenaton, mas se Akhenaton tinha mesmo o segredo Manasses tinha que saber e dar um jeito de possuí-lo também. Mas como fazer isso? Afinal, ninguém jamais tinha tocado no cajado de Akhenaton, ninguém jamais havia entrado no seu salão secreto, onde ele guardava as relíquias dos deuses. Era uma época muito difícil no Egito. Estava havendo uma epidemia de lepra e muita gente já havia morrido por causa dessa doença. As Casas da Cura viviam cheias e as dos Mortos também, mas havia uma diferença entre a parte egípcia governada por Akhenaton. Esse faraó não jogava nem mandava para o exílio no deserto os seus doentes, como fazia Ramsés. Ele ensinava a seus médicos ungüentos feitos de ervas colocadas em ataduras com as quais se enfaixava os doentes, que além disso bebiam três vezes ao dia um cálice de um remédio amargo feito de raízes. Assim em uma semana o paciente parecia recuperado, recebendo apenas pequenos cuidados de seus familiares. Akhenaton não aceitava as provocações de Ramsés, pois não gostava de guerras nem de ver seu povo morrer, mas para viver na terra desse faraó tinha que se obedecer a lei de adorar apenas o Deus único. Não era mais permitido adorar outras imagens de deuses. Já no templo de Ramsés havia uma cabeça de asno (homenagem a Seth) toda feita de ouro. Mais embaixo existiam ainda uns cultos secretos que se mantinham longe dos olhos dos faraós. Manasses conta: - Resolvi voltar e contar a Ramsés que iria seguir o meu caminho e que a partir daquele dia eu deixaria seu palácio, mas que eu não iria para o palácio de Akhenaton. Para Ramsés isso foi muito mais que uma traição. Foi a lança que daria início a uma guerra, pois ele tinha certeza que minha mudança era influência de Akhenaton. Ele declarou guerra ao faraó do Deus único incitando sacerdotes e povo a destruir os vermes que desdenhavam dos primeiros deuses ousando destruir suas imagens e calando seus cultos. A princípio Akhenaton não deu resposta a Ramsés ignorando-o como se ignora uma pedra de uma pedreira, o que deixou Ramsés ainda mais enfurecido, pois ele esperava uma resposta só para fazer um pouco de sangue rolar. Prevendo as reações de Ramsés Akhenaton pediu a Aarão e Miriam que preparassem o povo para subir a montanha. Eles teriam que se preparar para atravessar o mar (na verdade um rio). Foi quando me juntei de fato a Aarão e Miriam. Como conhecia os truques que os sacerdotes usavam para demonstrar ao povo que falavam com os deuses passei a mostrar ao povo que tudo não passava de uma grande farsa, mas povo é povo. Não adere a mudanças com facilidade e não é de uma hora para outra que os fazemos crer em algo. Um dia o faraó Akhenaton disse ao povo: - Guardem seus filhos dentro de casa e não os tirem da frente de vossos olhos, pois Ramsés quer beber o sangue dos inocentes para acordar o deus Seth, o vampiro da primeira geração (vampiro> vam ou vanus = vão + pirro ou piro = fogo : fogo sem rumo, fogo enlouquecedor, devastador). Seth, como todos
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sabem, foi aquele que colaborou ativamente para a era das trevas na Terra e se ele acordar mais uma vez tudo tornará a acontecer. Miriam, que tudo ouvia, disse: - Mas tu és o nosso Osíris, o Sol Celeste. Ele não te matará uma segunda vez. - Miriam, minha amada irmã. Tu e Aarão devem partir com o povo que desejar te seguir. Eu ficarei aqui para enfrentar o meu destino. Se Seth acordar é a mim que ele quer e com certeza não medirá esforços para alcançar seu propósito. Tu vais levar o Grande Mistério e o manterá sempre protegido. Meu cajado dou agora a Aarão, pois muito o ajudará. Esse meu encontro com Seth está escrito já há muitas eras. Se não for hoje vai ser amanhã. É algo que eu não posso evitar. Sei que mais cedo ou mais tarde vai terminar acontecendo. Eu já fiz tudo que podia. Durante esses longos anos venho trabalhando para evoluir a humanidade, mas os poucos que compreenderam isso não podem mais viver aqui, pois já não é mais um lugar seguro. Aarão, tu tens sabedoria o bastante para executar essa missão. Além disso tens a proteção da tribo de Judá. Manasses agora é um a mais para ajudar nessa trajetória. Todo o ouro e a prata que tenho serão distribuídos entre as tribos e seus líderes para que tenham um recurso básico de sobrevivência quando se encontrarem fora das terras do Egito. Não acredito que Ramsés liberte seus escravos, tampouco que venha a lhes dar alguma providência. Isso vai caber a Manasses, pois só ele deverá enfrentar o seu irmão. Isso é tudo que tenho para vos falar. Agora apressem-se. Ele deu a Miriam e Aarão as relíquias que haviam sido de Melchizedek, pedindo a eles todo o cuidado necessário. Após uma despedida triste Aarão e Miriam partiram com lágrimas nos olhos por deixar à própria sorte o mestre que tinham como um pai. Graças às instruções de Akhenaton Aarão comandou o povo e logo que haviam atravessado o rio puderam ver o que aconteceu na sua antiga terra: uma chuva de meteoros cobria toda a terra do Egito. Todos ficaram observando, tentando compreender o que estaria acontecendo ali. Miriam e Aarão subiram a montanha de Jetro, pois ele tinha o conhecimento superior e podia lhes informar o que de fato acontecia ali. Zaira fez companhia a Manasses na ausência dos dois. Jetro recebeu Aarão e Miriam juntamente com as relíquias sagradas e logo as guardou em lugar seguro. Depois se dirijiu aos dois e disse: - O nosso Príncipe da Luz sacrificou-se para evitar um mal maior. Ele enviou todos os seus súditos para a salvação e recebeu a ira de Ramsés sozinho, mas não se preocupem. A ira do Pai Maior destruiu o muito que Ramsés acreditava ter. A única cidade que ficou em pé foi Akhetaton, porém por maior que tenha sido o susto de Ramsés não foi o bastante. Ele levantará novas paredes e cobrirá a história de Akhenaton. Fará como se fosse sua própria cidade, mas isso não vem ao caso. Eu preciso da ajuda de vocês para transportar o corpo de Akhenaton. Ele está morto dentro do Templo do Sol, na câmara secreta, que eu sei muito bem que só vocês dois conhecem. Eu não estou pedindo que voltem lá comigo, pelo contrário. Isso não será preciso, pois através das relíquias sagradas isso é muito mais fácil. Vou preparar o ritual. Abrindo uma pequena arca Jetro tirou de dentro dela um jarro com um líquido amargo. Depois a pérola referente à vida de Akhenaton, o talismã e o Livro das Eras. Pediu a Miriam que segurasse o jarro e a Aarão o cajado. Fez um círculo ao redor deles e de si.
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Abriu o livro e começou a ler e falar numa língua desconhecida. O cajado de Aarão subitamente saiu de suas mãos e ficou no ar de uma hora pra outra. Ele começou a florecer e dar fruto. Era apenas um fruto. Jetro colheu esse fruto e o colocou dentro do jarro que Miriam segurava. O fruto logo se dissolveu desaparecendo completamente e o líquido amargo transformou-se em um pó branco, que Jetro tratou de transferir para um outro jarro transparente, onde ele se transformou novamente em líquido. Jetro fechou hermeticamente o jarro, não permitindo a entrada de ar e logo que fez isso o líquido virou pó mais uma vez. Ele então explicou para Miriam e Aarão que aquele pó era a essência dos patriarcas divinos, aqueles que haviam concebido a humanidade: pai, mãe e o primeiro filho ou também os 7 sábios Elohins, Senhores da Criação da Arda. - Sempre que isso for agitado voltará a ser esse líquido amargo cor de sangue, mas é por bem que não venha a ser mexido sempre, tampouco aberto, pois esse pó chama-se Sopro Vitae, aquele que é soprado no nariz e concebe a vida imortal. Outrora também foi conhecido como Sopro dos Deuses ou da deusa Minerva, aquela que soprou a vida para os filhos de Prometeu. Vocês já devem conhecer esta história, pois são os discípulos mais próximos do Príncipe do Sol. - Sim – disse Miriam. O irmão Akhenaton já havia nos contado um pouco sobre os mistérios e também nos ensinou os Caminhos Kabalísticos, a origem da Grande Árvore dos Mistérios da Vida e os 22 caminhos das eras planetárias dentro do planeta Terra, nos falou das 12 tribos interplanetárias que deram origem à Terra e as infinitas crises que vivemos até hoje. Sinto tanto ter vivido apenas sete anos de sua sabedoria, quando sei que poderia ter aprendido ainda muito mais. Lamento do fundo da minha alma saber que ele se foi, pois sei que agora toda verdade que ele queria para seu povo será pagada pela ganância dos sacerdotes e eu pouco poderei fazer para mudar isso. - Não te condenes, Miriam. Tu e Aarão vão levar adiante a sabedoria de Akhenaton. Sei que não será fácil, mas veja por um ponto de vista otimista. Tu tens como aliados os juízes da tribo de Dã e a tribo de Judá. É a esperança de onde virá uma nova pérola, um novo Enviado das Estrelas. Além desses teu amado Aarão não terá a tribo dizimada, pois criou uma nova tribo dentro dos levitas, os Cohens. Não te esqueças que tens também os filhos dos Nefitilis. Tu deves sempre te lembrar que não és irmã de Moshé (Manasses), pois ele se tornou filho de Jacó no dia em que este o reivindicou de Zafenate Panéia. Tu não deves saber direito tua própria história, minha querida, mas tanto tu quanto Aarão não estão aqui à toa. A visão que vocês têm é muito grande e deve trazer a sabedoria necessária à humanidade. Não deves te envergonhar se não conseguires alcançar o teu intento. O mais importante é alcançar o intento divino, aquele que não conhecemos. Zafenate foi um sábio muito grande, pois já possuía sabedoria na alma. Ele foi dado a Jacó e não concebido por Jacó. Eis que vou te revelar como tudo isso aconteceu. Jacó tinha um irmão chamado Esaú. Esaú era muito querido por seu pai Isaac, pois era homem forte, cheio de alegria e vigor. Jacó era melancólico, caseiro, pacífico, muito semelhante à sua mãe, mas em seu coração se escondia sua verdadeira face. Jacó era um homem rancoroso, que guardava ressentimentos ou mágoas por longo tempo e a pior das mágoas era o fato de Isaac se agradar mais de Esaú. Este casou-se e com o passar do tempo
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e seu trabalho enriqueceu. Possuía grandes rebanhos de animais e grandes também eram suas lavouras, o que muito agradava a Isaac, que via no filho um homem honesto, trabalhador e merecedor de tudo que possuía, porém Jacó não sabia que seria merecedor de um bem muito precioso. Ele seria o pai das 12 tribos. Jacó se submeteu a trabalhar para seu irmão por um período visando as vantagens que teria, mas Esaú não foi assim tão generoso com Jacó. Disse a ele: - Eu sempre fui forçado à vida difícil desde minha infância. Tu foste protegido por nossa mãe, que não te deixava lavorar pesado, mas agora se queres algo na tua vida terás que dar o suor de teu rosto e assim eu te serei justo e reto na hora de teu pagamento. Jacó não tinha muita opção e aceitou a proposta de Esaú. Anos mais tarde, já bastante estruturado, ele inventou uma briga para fugir, levando consigo aquilo que não lhe pertencia. Pegou um número maior de animais roubando o irmão e não foi só isso. A culpa caiu sobre as costas de seus escravos. Mas Esaú não era tolo e não acreditou nas palavras de Jacó e jurou persegui-lo por todas as terras. Dois anos se passaram e eles não voltaram a se falar, porém quando fez cinco anos Esaú resolveu que estava na hora de dar um basta naquela intriga, afinal ele tinha rebanhos incontáveis pastando em campos cada vez maiores, suas lavouras eram bem-aventuradas e sua casa cheia de filhos saudáveis que seguiam o mesmo caminho do pai. Suas filhas eram belíssimas, chamavam a atenção dos senhores mais nobres e ricos, que muitos dotes ofereciam para desposá-las. Enfim Esaú tinha tudo. Entre seu povo era um homem respeitado e honrado, porém havia algo que ainda o incomodava. Ele tinha que devolver a Jacó algo que lhe pertencia e infelizmente Jacó não sabia que possuía. Golaha, o sentinela celestial das eras agora havia encarnado em um corpo humano, mas ainda era um Elohim, só não podia revelar isso a ninguém. Por isso tinha que agir como um ser humano normal. Seu nome era Esaú, o irmão de Jacó, e ele tinha que dar a Jacó o filho que teve, mas não soube, pois na sua fuga terminou deixando para trás a mulher que ele tanto dizia amar, mas que jamais pôde lhe dar um filho. Esaú tinha conhecimento das coisas ocultas do universo e prometeu a Jacó ajudá-lo a ter um filho com sua amada, que por sinal era filha de Esaú. Agora era hora de Jacó saber dessa verdade. Zafenate Panéia (Zafenate = o Salvador + Penéia = todos: o Salvador de todos) era o nome do pequeno menino que traria um dos seres celestiais para viver entre os homens [Obs.: como já disse antes os três sempre nascem juntos, mas não exatamente na mesma época, ou melhor dizendo, no mesmo ano. Às vezes um está partindo e o outro está chegando, pois tudo é apenas uma questão de troca de corpo. Às vezes não precisa nem mesmo nascer. Basta encontrar uma alma que deseje ceder o corpo. É o que na maioria das vezes acontece. “As filhas de seres celestiais não podem ter filhos de homens comuns. Isso só é possível com o uso da sagrada magia.”] Todos acreditavam que Zafenate Panéia trouxe Moshé / Manasses, o seu filho, mas na verdade, minha querida Miriam, ele trouxe você à vida. Por isso você tinha tanta facilidade em compreender o Arketeton Akhenaton. Ao ouvir isso Miriam, que já estava silenciada ouvindo a história que Jetro contava, mais perplexa e assustada ficou. Percebendo o susto Jetro disse: - Não te perturbes. Ouça tudo até o final e só então compreenderás tua missão. Na vida, nas eras, poucos são aqueles que sabem da existência de um ser celestial vivendo na Terra. Teu pai te manteve distante de Manasses e Jacó, teu avô, para te preservar da influência deles. Manasses, como tu sabes, recebeu este nome porque Jacó disse a Zafenate Panéia: “Teu filho será meu para que tu te lembres da época em que já tinhas vida boa e de mim se
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esqueceu. Portanto seu nome será ‘esquecimento’ (Manasses = homem do mar, homem esquecido, Seth, o tirano. Moshé = Moisés = tirano).” Ele já era um jovem ambicioso de alma e podia vir a prejudicar tua evolução. Quando tu nasceste foste levada para o outro lado do Egito para crescer dentro da verdade que Zafenate conhecia e para não ter o mesmo destino que ele teve quando ainda era garoto. Esaú foi devolver Zafenate a Jacó em um encontro secreto, pois não desejava causar confusão em sua casa, mas Jacó armou-lhes uma armadilha para dar cabo da vida de Esaú, que na verdade precisava trocar de aparência urgentemente, pois tinha que voltar para a terra, mas seu corpo atual já estava velho e não lhe serviria mais. Foi nesse encontro que Jacó disse que lutou com um anjo e que o aprisionou ali até que este falasse seu nome. Na verdade o nome que o tal anjo deu foi ‘Esaú’, que, é claro, Jacó conhecia muito bem, mas durante a luta injusta Esaú chamou Jacó de Jarel ou Jael = cabra ou bode selvagem. A luta foi injusta porque Jacó levou outros seis homens, que tentaram matar Esaú. Esse, porém, era forte e mais alto que os homens de Jacó. Não os matou com seus golpes, apenas os adormeceu. Em sua ira Jacó partiu para cima de Esaú, que sem titubear cortou-lhe sem gravidade maior a virilha, porém isso tornou Jacó estéril, não podia mais ter filhos, mas já tinha o suficiente. Daí Jacó saiu mancando, recebendo o apelido de ‘côxo.’ Após ser ferido e amedrontado Jacó tentou fugir, mas Esaú o alcançou e lhe deu nos braços o menino Zafenate Panéia. Ele parou e enfim ouviu tudo que Esaú tinha para falar. Envergonhado e ao mesmo tempo cheio de alegria Jacó não sabia o que fazer, mas Esaú disse: - Isso não é tudo. A mãe dele ainda vive e se tu ainda a desejas vai à procura dela, que te espera amanhã para meu velório, pois hoje eu morrerei pelas mãos dos comparsas de meu irmão. Jacó disse: - Não, eu não desejo mais tua morte. Perdoa-me. - Eu te perdôo, Jacó, mas lembra-te: da minha casa tu só vais tirar aquele que deseja sair e nada mais. Tudo que a ela pertencer ela poderá retirar, pois a herança dela já está prescrita, assim como a de todos os meus filhos. Jacó só teve tempo de ver seus homens se aproximarem de súbito e, a pauladas, derrubarem Esaú. Estarrecido e sem palavras Jacó caiu sem forças, pois já havia perdido muito sangue. Quando voltou a si perguntou a um de seus homens onde estava o menino. Ele estava dormindo ali perto para não ver o que haviam feito com Esaú. Esaú foi jogado dentro de uma caverna e lacrado com uma pedra. Assim ninguém jamais saberia o que tinha acontecido, porém Jacó lembrou-se das palavras do irmão e preferiu levar seu corpo para ser velado entre os seus. O ferimento em sua perna o ajudaria a sair limpo dessa história. Na casa de Esaú Jacó foi aparentemente sozinho, pois havia dado ordens a um verdadeiro exército para observar tudo de lugares estratégicos. Jacó entrou na casa de Esaú levando seu corpo e também se fingindo de vítima de um espancamento. Além do corte na coxa ele criou mais ferimentos e arranhões, o que de fato causou grande impacto em todos que foram socorrê-lo e ainda simulou uma perda de consciência. Quando acordou do falso desmaio perguntou por Esaú, como ele estava, mas logo recebeu a notícia de que ele estaria morto, como já era sabido por Jacó. Ele contou que fora ao encontro de seu irmão, mas ao chegar no lugar marcado havia um anjo do Senhor. O anjo estava irado com Esaú e Jacó por eles terem envergonhado a casa de seu pai Isaac e por isso ele iria limpar a honra de
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Isaac lutando contra seus filhos até vencê-los. Isso causou grande medo no povo, que temia a fúria dos deuses, que costumavam adorar. O anjo só poupou a criança, pois era um ser inocente e Jacó já o havia enviado à sua casa sob a custódia de seus homens. Com essa estória conseguiu o que queria, mas num futuro não muito distante o preço lhe foi cobrado. Aarão pede desculpas e interrompe Jetro por um minuto. Ele precisa compreender algo que não estava batendo na história. - Senhor, nossos parentes contam que Jacó se casou com as mulheres da casa de Labão e não da casa de seu próprio irmão. - Sim Aarão, isso também é verdade. As duas primeiras esposas de Jacó eram da família de Labão, mas a mãe de Zafenate não. Ela era filha de Esaú. Esse também foi um dos motivos da guerra entre eles, pois Esaú não permitia isso que para ele era uma ofensa: misturar sangues que jamais deviam se misturar. Porém Labão não usou de honestidade com Jacó e este fez o mesmo, tendo ele já uma grande nação. Não podia ficar sem terras para seu povo e seus animais. Ao contrário daquilo que se comenta Esaú não era um ser rancoroso e cheio de ódio como Jacó, que fez o mesmo que seu pai. Lançou sobre seus filhos profecias cruéis condenando-os a viver separados, assim como Abraão fez com Ismael dizendo que ele seria como um jumento, que seria contra todos e todos contra ele (nessa passagem bíblica Hagar diz: deus ao vivo, El Roi. Na verdade não é o Deus, mas apenas Abraão. Vem daí também a adoração à cabeça de asno dourada). Esaú deu alguns anos de trabalho a Jacó pagando-lhe muito bem, mas isso eu já contei. Vamos terminar a parte de Zafenate Panéia. Este, aos sete anos de idade, disse a seu pai que havia sonhado com uma coroa de doze estrelas sobre sua cabeça, mas que também via essas estrelas se transformarem em escorpiões e serpentes, que mais tarde passariam a comer umas às outras. Jacó percebeu que os sonhos de Zafenate passaram a se tornar realidade, pois viu a morte de uma das esposas de Jacó e a chamou antes que ela partisse dessa vida. Ele pressentia as besteiras que seus irmãos mais velhos iam fazer. Algumas vezes contava para o pai, outras preferia se calar, pois percebeu que já não estava sendo bem visto pelos irmãos. Aos doze anos Zafenate teve um sonho que muito o impressionou. Sonhou que se via no futuro, vendido como escravo, virava rei de 12 estrelas, mas que essas 12 estrelas viravam víboras e tentavam atacá-lo. Ele ia cortando as víboras em vários pedaços até que elas não se mexessem mais. Era a segunda vez que ele tinha esse sonho, só que dessa vez era bem mais completo. Ele, com sua pouca idade, compreendeu o que pôde e no passar dos anos o resto se revelou. Tudo aconteceu como em seus sonhos. As víboras cortadas significava que seus irmãos terminariam vendendo tudo que possuíam para o faraó, ficando à mercê de sua vontade para sobreviver. A idéia de Zafenate era esperar uma estrela nascer, pois em um de seus sonhos ele já havia visto Akhenaton e este trazia uma pequena estrela e dava de presente a Zafenate. Esta pequena estrela é você, Miriam. Bem, tudo que Zafenate fez foi para proteger o povo das víboras de seus sonhos e o restante dessa história vocês já viveram e por isso a conhecem muito bem. Mas agora temos que dar um jeito em Moshé, que acaba de criar um ídolo em sua honra e até já deu um nome a ele. Ele está dizendo ao povo que são o rejeito dos deuses, são o bode expiatório de Mênfis. Isso já não é um trabalho para mim, mas para tu Aarão e para tu Miriam, que apesar de estar assustada com tudo que te foi relatado deves te manter firme diante dos confrontos que ainda virão. Então Aarão pergunta:
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Sei que não tenho sabedoria o bastante, mas se não era para nos trazer a discórdia por que Akhenaton nos pediu uma aliança com Moshé? - Aarão, Moshé é um líder e sabe convencer o povo. Ele tem coragem e tirania o bastante dentro de si. Você e Miriam serão o pêndulo da balança que tentará evitar que ele vá longe demais nas suas insanidades. É por isso que ele foi escolhido. Alguém tem que fazer a parte mais dura e fria, o que não é o teu caso e nem o de Miriam, que apesar de sábia tem um coração ainda muito levado pelas emoções. A frieza de Moshé será uma boa maneira de refrear os impulsos do povo, mas a tua sabedoria aliada à justiça de Miriam conquistarão a multidão. Vocês verão isso ao passar do tempo e aprenderão a colocar Moshé no seu devido lugar. Passados alguns meses nas terras de Jetro o povo fez um bom acampamento e graças à esperteza de Miriam e Aarão o povo saiu do Egito prevenido com animais, sementes, aves e vários utensílios, além da boa quantidade de ouro que Akhenaton distribuiu entre eles. Moshé se interessava ainda mais por Zaira, mas seus interesses iam além da beleza da jovem. Ele sabia que seu futuro sogro era um homem rico e muito sábio e também o guardião das relíquias. Não demorou muito para Moshé buscar uma aliança com Jetro, que já conhecia as intenções de seu futuro genro. Aos poucos Jetro passou suavemente a dar corda para Moshé só para ver até onde iam as suas ambições. Permitiu o casamento dele com sua filha, o que deixou Moshé mais à vontade para falar de suas intenções. Miriam e Aarão tinham um filho chamado Jashá, um jovem sábio que havia sido criado dentro dos costumes de Akhenaton. Esse jovem havia sido escondido dos olhos de Ramsés e Moshé, que só veio a conhecê-lo nas terras de Jetro, mas não sabia quem eram seus pais, pois ele disse ter sido criado por Jetro, que confirmou. Era uma maneira que Miriam e Aarão encontraram de não levantar suspeita ou a ira de Moshé, que podia vir a se vingar no rapaz por qualquer briga que viesse a acontecer dentro do conselho que cuidava do povo. Na hora certa eles saberiam usar esse trunfo a seu favor. Jashá estava sempre presente nas reuniões. Era uma ordem expressa de Jetro, que não podia aparecer, mas usava o rapaz para ser o observador. Na verdade ele estava familiarizando o rapaz com aquilo que ele deveria ser no futuro. O tempo foi passando e Miriam e Moshé passaram a ter discordâncias constantes. Ela preferia o diálogo em primeiro lugar. Só depois, quando já não houvesse jeito, era necessário o uso de outros métodos. Moshé preferia criar guerras, matar e expulsar pessoas de seus territórios só para tomar-lhes as terras e seus animais. Isso sem deixar de lembrar o fato de mandar matar homens, mulheres, crianças e até mesmo bebês de peito. Suas medidas radicais já estavam indo longe demais. Jashá passou a documentar a luta entre Miriam e Moshé (e mais tarde as pessoas lembraram dessa batalha com o nome de Os irmão Marah = amarga e Moshé = o tirano). Não é verdade que Miriam tenha se tornado amarga. Isso é porque a raiz de Marah é traduzido assim, mas a tradução de seu nome eu já expliquei anteriormente. Na verdade Miriam se tornou uma guerreira, que passou a bater de frente com Moshé. Para o povo ela era a piedosa, defensora e amada senhora, que eles tanto respeitavam. As tribos de Judá e Dã não eram muito amigas de Moshé, mas aos poucos ele foi influenciando as outras tribos com o sonho de obter mais terras, mais animais. Obviamente que para isso ele ia matar alguns seres que jamais lhe fizeram mal algum. Ele passou a conquistar grande quantidade de terras e dessa maneira também passou a subir de importância para o povo, mas ao mesmo tempo era temido. Para impor a lei ele usava de métodos cruéis, mandando para o sacrifício famílias inteiras bem diante do povo para que
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eles observassem o castigo que sentiriam na pele se passassem por cima de suas leis. Houve uma época em que ele tentou tirar Miriam das reuniões visando afastá-la para sempre. Ele a trancou dentro de um poço escondido e a deixou lá por uma semana, para desespero de Aarão, Jashá e do povo. Aarão e Jashá sabiam que ele havia feito algo de errado, mas não podiam levantar a ira do povo contra Moshé, pois os defensores dele entrariam em atrito com os de Miriam e isso terminaria em sangue dos dois lados. Jetro localizou Miriam e a recolheu. Viu que ela havia sofrido na pele os conhecimentos de magia de Moshé e a questionou porque não havia se defendido. Ela temia que Moshé se vingasse em seu povo e por isso permitiu que ele a ferisse. Jetro a curou e avisou que ela tinha que retornar com urgência, pois o povo já estava realmente pronto para entrar em guerra por causa do seu sumiço. Aarão e Jashá, membros do conselho, se recusavam a participar das reuniões e outros representantes também, o que deixava o povo curioso para saber o que estava acontecendo. Moshé arrumou uma desculpa. Disse que Miriam estava muito doente e que se afastara para repousar até estar totalmente curada. Enquanto isso seria melhor esperar. Isso acalmou um pouco a ira do povo, mas frustrou os planos de Moshé. Miriam voltou e dessa vez trouxe com ela grandes revoluções. A primeira foi separar o seu povo do povo de Moshé, deixando bem claro que nenhum homem, mulher ou jovem de seu povo o ajudaria em suas guerras sangrentas por terra. Primeiro ela conversou com os líderes das tribos, expôs e ouviu opiniões. Eles já estavam satisfeitos com o que tinham, pois agora já tinham a colheita das sementes que tinham trazido do Egito, o leite para fazer o pão e os ovos. Miriam dizia: Não matem seus animais até que venham a ter mais de seis dúzias, nem os sacrifiquem, pois vamos precisar do que eles têm para nos oferecer. Lembrem do que o Príncipe do Sol nos ensinou. Para aquele que tem uma vaca sempre haverá leite, pão e queijo, mas se sacrificá-la um dia a carne acaba e não terás mais nada. Era apenas uma questão de reeducar o povo e ela sempre tinha boas idéias. Por isso seu povo aprendeu a respeitá-la. Em concordância as tribos deram a palavra final a seus dirigentes e junto com Miriam eles foram falar com Moshé, que a princípio recebeu bem a proposta de Miriam, mas era puro fingimento, pois o pior ainda estava por vir. Moshé roubou animais e frutas, alimentos de quase um mês das tribos de Miriam, mas dessa vez Miriam foi falar com ele sozinha. Prometeu a seu povo que traria todo o alimento de volta até o anoitecer e pediu a todos que não fizessem nada até que ela voltasse da conversa com Moshé. Logo na entrada da tenda de Moshé os guardas barraram a entrada dela. Ela falou apenas duas palavras e eles caíram em sono profundo. Ela entrou e sem medo algum sentou-se diante de Moshé, que sentiu uma presença muito forte e assustadora vindo com Miriam. Ela disse a ele: - Senta-te, cala-te e aprende a ouvir, pois essa será a primeira vez que tu verás quem realmente sou. Petrificado com as palavras de Miriam Moshé não entendeu o que estava acontecendo. Tentou balbuciar palavras mágicas, mas ela apenas mostrou a ele um símbolo na palma de sua mão. Desse símbolo saía luz. Moshé parecia conhecê-lo, mas temê-lo também. Assim Miriam começou a falar tudo que desejava. Disse: Meu povo é de seres livres, Moshé. Mesmo que ainda não saibam andar com suas próprias pernas eles são livres, assim como teu povo também o é. Assim também são os outros povos que viviam nessas terras que tu, sem dó
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nem piedade, massacraste apenas para furtar-lhes o chão que não pertence nem a ti nem a homem nenhum. Nesse longo tempo que venho convivendo contigo percebi que muito pouco conheces da alma humana, mas como poderia eu exigir isso de um ser que não conhece nem a si mesmo. Sei que não posso negar tuas grandes conquistas para com o povo. Tu ofertaste mais terras para a lavoura e colocaste certas regras dentro dessa enorme comunidade, que obviamente precisava de tua mão para guiá-los, mas nos últimos tempos vens aproveitando do prestígio que alcançaste para derrubar pessoas que não tem a intenção de te destruir, pois entendem a necessidade da tua presença e o quanto ela é fundamental, apesar de não concordar com teus meios radicais e cruéis. Eu não te desejo mal, nem vivo a te oferecê-lo como fazes incessantemente contra a minha pessoa. Ao contrário do que tu pensas eu não sou o teu principal inimigo. Na verdade tu devias temer o único que não conheces. Ele é tão poderoso quanto tu e não teme te destruir. É uma pena que tu ainda não o tenhas percebido, mas hoje eu estou me sentindo caridosa e vou te dar uma pista gigantesca para que tu o encontres e tentes controlá-lo, antes que ele venha a te destruir. Olha-te no espelho, Moshé, e verás o único ser que tu realmente deves temer. Irado Moshé tentou erguer seu bastão contra Miriam, mas ela proferiu apenas essas palavras: - Sabes qual é a diferença entre nós, meu irmão? Tu acreditas naquilo que aprendeste, eu sinto e vivo. Crédito é dado pelos olhos, razão é dada aos homens a troco de algo que um dia se espera de volta. Ao sentir EU SOU, ao ser EU FAÇO. O bastão de Moshé não obedecia seu comando. - Entenda Moshé, eu não estou aqui para te humilhar perante os irmãos, pois se assim o fosse eu não teria vindo sozinha. Tudo que quero é que me devolva tudo que foi tirado do meu povo e que isso seja feito em apenas uma hora, caso contrário vou fazer isso de outra forma, que acredito sim, virá a te deixar desacreditado perante aqueles que tu lideras. Tu sabes que posso fazê-lo, mas acredito que não é teu desejo que eu o faça. Saibas que não é o meu também, mas venho hoje deixar-te bem esclarecido. Jamais ouse levantar tuas mãos contra mim novamente. Como sabes não gosto de conflitos, mas posso afirmar-te que tu jamais desejarás ver-me como tua inimiga. Após essa conversa Miriam saiu e foi a seu povo e já podia vê-los recebendo de volta tudo que fora roubado na noite anterior. O povo proclamou Miriam como sua salvadora e a partir daquele dia todo o acampamento foi dividido, mas Miriam sabia que Moshé não deixaria isso assim. Ele ia encontrar um jeito de ter o poder da maioria novamente para si só para tentar derrubá-la, mas Miriam foi a Jetro e explicou que seria melhor partir com seu povo para outro lugar antes que os dois lados agora divididos começassem a entrar em conflitos maiores do que aqueles que já possuíam anteriormente. Jetro disse: Existe a montanha de Nimrod. Eu mesmo estou indo para lá. Se tu e teu povo desejarem, podem vir comigo. Serão bem-vindos, mas devo antes avisar os que já vivem lá e ajudá-los a aumentar as lavouras. As casas são cavernas, lugares agradáveis para se viver.

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Mais uma vez Miriam reúne os dirigentes de seu povo e juntos chegam a uma conclusão. Era melhor partir e deixar aquelas terras para Moshé antes que ele enterrasse todos nela. Mas nem todo o povo queria deixar aquilo que havia construído e alguns resolveram ficar, aliando-se a Moshé. Os que partiram encontraram moradia e terras e uma vida sem conflitos, mas os que ficaram tiveram que se unir às barbáries de Moshé, que queria ser dono de todas as terras ao seu redor. Milhares de homens, mulheres e crianças morreram, muitas terras foram invadidas e o conquistador seguia seu caminho saqueando e matando o povo que encontrava. O povo de Miriam viveu uma época de paz até que chegou o dia da fatalidade. Durante anos Moshé havia aumentado seu exército de homens e se tornara um gigante. Moshé também tinha um segredo, que só se revelou nessa ocasião. Ele havia encantado a bela elfa Zaira e ela revelou onde era guardada a Arca das Relíquias Sagradas e não era só isso. Ela havia roubado para Moshé a aliança que um dia um Elohim havia usado. Era como um anel de poder, que só podia ser usado por seres puros, caso contrário traria ao seu usuário a fome incessante pelo poder. Jetro preveniu Miriam e Aarão do que havia acontecido e das conseqüências também. Aarão e Miriam sabiam que ninguém jamais havia dominado o poder do anel e que somente os Elohins podiam fazê-lo, mas agora o último havia sido Akhenaton, que já não estava mais entre eles. Perguntaram a Jetro o que poderia ser feito para evitar a desgraça que estava por vir. Jetro disse que tudo dependia exclusivamente deles, pois eram os únicos que tinham a mesma sabedoria de Akhenaton. De certa forma isso deixou os dois bastante preocupados, mas não havia outro jeito. Era preciso enfentar Moshé e sua loucura. Miriam e Aarão prepararam um campo mágico ao redor da montanha visando proteger o povo. Moshé chegou com um número muito grande de homens. Chamou Miriam aos gritos. Ela surgiu. Saiu da montanha sozinha e caminhou em direção a Moshé. Em determinado ponto ela parou e perguntou: - O que queres de mim, Moshé? Olhou para aquele ser tão cheio de ira e de aparência sombria. Seus olhos pareciam desejar sangue. Moshé nada disse, apenas avançou para cima de Miriam, que rapidamente puxou a espada de Nimrod, luminosa, flamejante, inquebrável. - Ora, mas que surpresa. Tu também sabes pegar em uma espada. O que mais sabes fazer, Miriam? Teu antigo senhor te ensinou segredos que não cabem a mulheres. Por isso não era respeitado pelos grandes sacerdotes. Ele era uma profanação à raça masculina, pois ignorava que as mulheres jamais chegariam a ser líderes, rainhas, pois são seres inferiores a nós. Nós os homens, minha cara Miriam, somos o sagrado, pois somos os únicos que tem a semente da vida. Vocês mulheres não possuem esse dom. - É verdade, Moshé, mas de que te serve esse dom se tu não tens a terra para plantar tua semente? Acaso tu és como as rãs do Egito, ou melhor, tu és a relíquia única que sobrou da era em que mulher e homem não eram distinguidos pelo sexo, pois eram como os anjos assexuados. Eu não sabia que tu não precisavas mais de Zaira e das tuas outras esposas para ter filhos, a não ser que tu agora estejas usando a Lei de Piro, estás dando vida a corpos sem alma (piro também é conhecido por corpo vazio, sem alma, bruxaria muito comum que anima estátuas, bonecos de barro e até mesmo corpos de defuntos).

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Moshé, cheio de raiva com as observações de Miriam, começou a invocar forças terríveis. Uma grande escuridão no céu se fez. Cobras começaram a surgir, brotar do chão como se fossem mato, porém a confiança de Miriam estava inabalável. Ela disse: Eu já conheço essas ilusões, Moshé. Não tens nada de novo para me mostrar? - Não sejas irônica, irmã. Não te cabe bem este comportamento. - Não é ironia, irmão. Eu sempre fui bem-humorada, lembra-se? Tu que nunca suportaste minha alegria, sempre me feriu com tuas censuras, nunca acreditaste que o poder possa andar lado a lado com a alegria, mas como se pode cobrar alegria de um ser que cria leis que incentivam a morte e o medo? É claro que tu não sabes o que é ser feliz. Se soubesse não teria criado tamanho horror. Hoje eu sei qual é o teu lema: olho por olho e dente por dente, mão por mão, pena de morte àqueles que eu achar que erraram ou seria pena de morte àqueles que Moshé não deseja mais ver? O que faz um homem sábio, Moshé, não são as leis que ele impõem a seu povo, mas a maneira como ele as delega. Se tu não te lembras mais do significado dessa palavra eu posso acordá-la na tua mente. Delegar, meu irmão, é compartilhar com os outros, palavra essa de que tu nunca gostaste. Quando se trata de poder ele tem que ser só teu e hoje é mais um motivo para estares aqui. - Estás melhorando nas palavras, irmãzinha. Ficaste mais audaciosa. Pena que seja tarde demais para ti. Abrindo os braços ele fez a terra estremecer ao redor deles. Miriam fincou a espada no chão e o tremor parou. Ela gritou: - Como ousas ferir a mão que te dá auxílio. A natureza te provê de tudo. É essa paga que tu ofereces? - Não Miriam, eu não quero a natureza, eu quero você. Você sempre foi uma pedra muito grande no meu caminho, mas que agora eu vou remover de uma vez por todas. Você sempre teve tudo, sempre foi a amada, a respeitada, a grande senhora, a salvadora do povo e das tribos. Eu, eu nunca tive o que você teve. O povo nunca usou de sinceridade comigo. Eu só alcancei tudo que tenho e sou hoje pelas leis que impus. Eu fiz tudo para dar ao povo mais e mais terras, mas você, você nunca gostou das minhas idéias, dos meus métodos. Você pôs o povo contra mim, Miriam, e eu terminei me tornando o bode expiatório do deserto. Me tornei o bode errante. Só um imbecil foge para o deserto com um povo limitado, sem cultura e acredita que vai ser líder. Você me roubou o trono até mesmo no deserto e eu continuei sendo o bode expiatório, mas hoje tem um lado muito bom nisso tudo. Eu tenho um ídolo em minha própria homenagem. Eu já lhe falei sobre ele. É o meu bode de Mênfis, que reina lado a lado com o grande senhor Seth. E você, Miriam, vai ser lembrada como, no futuro? Já mandaste esculpir alguma coisa em tua honra? Não, é claro que não. Teu senhor não respeitava os deuses das primeiras eras. Ele não acreditava neles, não é mesmo, Miriam? Mas e agora, onde está o teu senhor? Cadê todo o poder do inabalável rei Aton, o Senhor dos Senhores? Será que ele sabe que hoje você tem um encontro marcado com ele? - Sim, Moshé, não só ele sabe disso como eu também. Há muito espero por esse encontro.
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A resposta de Miriam veio como uma ventania, que trouxe confusão à sua mente. O que Miriam realmente estaria pensando para dar essa resposta? Ela era o ser mais forte e sábio na arte da magia. Por que estaria falando isso? Além do mais sua face não mudou nada. Nem mesmo uma fagulha de medo era possível encontrar em seus olhos. Pelo contrário, brilhavam serena e calmamente, cheios de confiança como ele jamais havia visto. Moshé então aproveitou e disse: - Não vamos fazê-lo esperar tanto. Vamos, Miriam, lute comigo e eu te ajudo a seguir o mesmo caminho que o teu senhor e logo estarão livres de mim. - Não te preocupes, Moshé, eu já conheço esse caminho. Mais uma vez o mistério envolto nas palavras de Miriam. O que ela quis dizer quando afirmou que já conhecia o caminho? Na verdade este era um segredo que só Miriam e Jetro compartilhavam. Mais ninguém sabia os segredos escondidos por trás dessas palavras. Moshé investiu para cima de Miriam invocando encantamentos que dispersam a energia vital do ser atingido, mas nem uma gota de energia saía de Miriam, o que assustou Moshé, pois isso só aconteceria se o ser atingido tivesse atingido o último grau do conhecimento ou se já estivesse morto. Entre as duas hipóteses ele ficou com a primeira. Miriam agora era uma grã-sacerdotisa, tinha o domínio dos elementos, podia transmutá-los, mas como teria chegado tão alto em tão pouco tempo? Mas isso agora não importava. Ele tinha o Anel dos Senhores da Terra e isso o tornava invencível. Miriam e Moshé passaram horas ali num combate mágico. Moshé, já irritado, perdeu seu controle e começou a fazer a conjuração do Livro dos Mortos para trazer Seth de volta à vida. Miriam fez um contra e o fez ficar mudo e petrificado. Sem poder se mexer ou falar Moshé sentiu medo, porém ainda não sabia o que estaria por vir. Miriam tirou facilmente o anel de seu dedo e o colocou em um pequeno saquinho amarrado à sua roupa. Depois disso ela disse: Agora eu vou acabar contigo, Moshé. Vou reduzir-te ao pó que sempre fostes. Moshé, que podia apenas ver e ouvir, tornou seu olhar desesperado, tentando pedir algo que não conseguia. Olhava atentamente para Miriam e tentava ver nela uma fagulha de esperança, mas ela estava impenetrável como jamais estivera. O que tinha acontecido com a Miriam do passado, que jamais pensou em matar alguém? Por que havia mudado tanto? De repente as palavras do faraó Akhenaton voltaram à sua mente. Após tantos anos tudo que Akhenaton havia dito agora realmente fazia sentido. Moshé passou sua vida inteira brigando pelo poder e a glória, mas nunca os possuiu de verdade. No entanto sua irmã, que não procurava isso, já o tinha alcançado, porém parecia não se importar com isso. Era como se isso fosse algo muito comum em sua vida. Mas por que ele não sentia como ela, por que? Por que ele tinha aquela sede tão desesperada pelo poder, por que isso o consumia e a ela nada fazia? Miriam, que lia sua mente, rompeu o silêncio e disse: - Eu lhe darei a resposta para esse teu enigma, Moshé. Eu não aprendi a verdade ou a magia sagrada na intenção de possuí-la, de tê-la para mim como um objeto pessoal. Eu aprendi com o Senhor Akhenaton que a verdade e a magia sagrada são formas de vida divinas, que por si são livres e em si libertam aqueles que as compreendem. Libertam dos preconceitos, dos falsos dogmas, dos medos, mas acima de tudo nos libertam de nós mesmos, pois somos nós nossos piores inimigos. Sendo assim como poderia eu aprisionar quem me liberta? Logo que passei a agir e sentir dessa maneira compreendi que para ter a magia sagrada eu teria que me entregar primeiro a ela, permitir que ela me tomasse e adentrasse por todas as minhas entranhas. Só depois
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disso ela me faria merecedora ou não de sua honrosa companhia. E tu, meu irmão, fizeste o caminho contrário. Tu tentaste fazer da magia divina tua prisioneira e ela te levou ao que tu és hoje. Apesar de ver em teus olhos um pedido de compreensão, um pequeno véu que se descortina, eu não terei piedade de ti hoje, Moshé. Eu terei que cumprir o destino para o qual fui incumbida e o farei sem dó nem piedade de ti. Ao término de suas palavras Miriam pegou algo em um pequeno saquinho que tinha junto da sua cintura. Era um óleo mágico. Ela passou uma pequena gota na fronte de Moshé. A partir daquele instante Moshé foi transportado para dentro de sua consciência e lá se defrontou com todas as pessoas que havia julgado, matado, etc. Ele não apenas via suas vítimas, mas elas falavam com ele, o acusavam de suas dores, de seu sofrimento, o condenavam pela falta de compreensão, pela mávontade em ouvi-las, pelo julgamento injusto. Crianças choravam pedindo ajuda, procuravam os pais mortos e vice-versa. O desepero tomou conta de Moshé, que não sabia como se defender de tantos algozes. Seus atos de crueldade foram tantos que pareciam intermináveis. Enquanto isso Jetro , que tudo observava, disse para Aarão: Agora é a hora certa. Eu devo agir, porém mais ninguém aqui deve fazer nada até que eu volte. Jetro estava calmo o tempo todo. Em nenhum momento seu semblante se alterou. Ele saiu com o cajado de Elohim, fez o sono cair sobre o povo e os soldados de Moshé, menos sobre Miriam e Moshé. Logo em seguida foi até Miriam e percebeu o que estava para acontecer. Levou-a para dentro e a Moshé também, pois este estava completamente preso dentro de sua consciência, revendo suas ações. Miriam havia passado em sua fronte ‘o óleo da verdade interior’ e o efeito dele só acabava em 24 horas. Mas isso agora não era assim tão importante. Zaira estava de volta ao normal e cuidava de Moshé, mas Miriam estava morrendo. A verdade não era bem que estivesse morrendo, pois isso já havia acontecido semanas antes desse encontro. Era chegada a hora de revelar a Aarão e a Jashá o que realmente estava acontecendo com Miriam. Em desespero Aarão e Jashá vieram ao encontro de Jetro na câmara sagrada onde Miriam se encontrava semi-inconsciente. Ao entrar Aarão assustou-se ao ver sua amada, que de um momento para o outro passou da vida para a morte. Olhou para Jetro e perguntou o que estava acontecendo, porque ele não fazia nada. Se era o rei élfico, tinha o dom da cura. Jetro disse: - Se tu me ouvires poderei te relatar o que aconteceu. Aarão levou as mãos aos olhos cobrindo a face já com lágrimas enquanto Jashá ternamente acariciava os longos cabelos de sua mãe. Ele disse: - Conte, Senhor Jetro, conte a meu pai, pois eu já sei do que se trata. Eu também carrego a marca da lança do destino e também sinto a dor que minha mãe sentia. Também sei que aquele que carrega essa marca jamais encontrará a cura. Aarão olhou para Jetro e perguntou: - Do que ele está falando? Jetro disse: Aarão, o teu filho está se referindo à maldição de Prometeu, aquele que trouxe para a humanidade o conhecimento que um dia o libertará. Prometeu foi o anjo caído chamado Samiazy, que renunciou à sua condição divina para evoluir a humanidade, mas ao fazer isso terminou criando sua própria prisão.
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Ele teria que viver aqui na Terra até que todo o trabalho fosse concluído, ou melhor, até que todos tivessem evoluído. Para isso ele recebeu uma marca. A lança do destino foi atirada em seu peito do lado direito, mais propriamente próximo do fígado. Esse corte nunca fechou, mas essa não foi sua única marca. Ele também recebeu um anel que tinha uma pedra com o peso de uma montanha, mesmo sendo pequena. A pedra cada dia parecia mais pesada. Era o peso das ações humanas diante do conhecimento que Prometeu trouxe. Quanto maior o número de pessoas evoluídas mais leve a pedra se torna. Quanto maior o número de seres ainda ignorantes de saber, mais pesada ela fica. O primeiro filho de Samiazy chamava-se Shain = vida, mas ele já nasceu doente, pois nasceu com a marca do pai e ainda sofreu como o pai o toque da lança, história essa que você já conhece. Shain também teve outros filhos que nasciam com a marca da maldição. Na verdade o que alguns acreditam ser uma maldição é apenas a marca daqueles que vêm para carregar o mundo nas costas ou para dar continuidade à sabedoria sem deixála desaparecer nem ser esquecida. Não sei se tu te lembras, mas o Príncipe do Sol tinha essa marca, que dores insuportáveis chegaram a lhe causar. Muitas vezes ela chegou até mesmo a sangrar por ele ter feito esforço em demasia para segurar a maldade de tantos sacerdotes do Egito. Em determinado momento a dor avisa que chegou a hora e não é mais possível viver nesse mundo. É preciso partir e esse momento chegou para Miriam há duas semanas atrás, mas ela teve uma visão com o Príncipe do Sol e ele disse que estaria com ela fazendo-a suportar as dores até que sua missão tivesse realmente acabado. Na verdade ele sempre esteve com ela o tempo todo. Por isso Miriam era tão forte e a todos fortalecia com sua segurança. Tu, meu amigo, deverias ter orgulho da esposa que tiveste e do filho escolhido, que vive ao teu lado, pois agora a parte que vem é missão de vocês dois e ambos terão que mostrar ter muita sabedoria e compreensão para dar continuidade a ela. Após essa conversa nada mais podia ser feito. Era preciso esperar que as próxima horas mostrassem o destino. Três dias se passaram. Antes de voltar a Moshé e Miriam Jetro chamou Jashá para uma conversa em particular e disse: - Eu te chamei aqui para te revelar que eu também devo partir e por essa razão vou deixar a ti e teu pai incumbidos de guardar as relíquias sagradas. Tu sabes que essas relíquias são importantes para a humanidade, pois são a única prova da aliança de um ser imortal com os mortais. Tu não precisas se preocupar com isso, Senhor Jetro. Eu sei que os três se vão e voltam sempre, mas que precisam fazer isso sempre juntos. Gostaria apenas de saber quem dos três o senhor é, se isso não for ofendê-lo. - Não é nenhuma ofensa para mim, Jashá. Eu, Krysnasvary, há pouco tempo fui Nimrod, mas preferi mudar de aparência, pois um deus errante e louco continua perseguindo seres como eu. Não podemos matá-lo, pois ele faz parte do pêndulo da balança que equilibra esse mundo. Akhenaton, como tu já sabes, era o Príncipe do Sol, e foi Melchizedek (Pandora), mas seu nome celestino era Agkrüpymallaya = Ayrimael. Samiazy foi Prometeu, mas em um determinado momento ele trocava de aparência com Pandora. Às vezes eles se faziam passar um pelo outro só para confundir o deus que nos
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persegue. Na troca mais importante Prometeu, o Samiazy, tinha assumido o papel de Melchizedek, mas o abandonou dando-o a Ayrimael e se chamou Garivaram = Golaha. Agora, meu sábio Jashá, chegou o momento de trocarmos novamente de aparência, forma e lugar, mas vou ter que confiar a ti e a teu pai aquilo que a mim foi confiado. - Mas e quanto a Moshé? - Não te preocupes com ele, pois ele não é mais a pessoa que tu conheceste. Venha comigo e eu te mostrarei. Jashá acompanhou Jetro até o local onde Moshé estava e lá viu que ele havia sofrido de fato uma grande transformação. Sua aura emanava luz, calma, algo que não existia em Moshé. Jashá sabia que agora Moshé realmente cumpriria a missão para a qual havia sido designado. Mas agora ele se voltou mais uma vez para Jetro, pois precisava saber um pouco mais sobre sua missão e o mistério que envolvia seres como ele. Chamou Jetro para uma outra sala e seriamente começou a falar: - Senhor Jetro, eu sei que não és o Grande Criador. Sei também que os outros dois também não o são, mas sei que todos que aqui vivem são vossos filhos, ou seja, filhos do arco-íris, filhos dos 7 raios, Elohins divinos. Sei que por trás de vocês existe o Senhor de todos os Senhores, Aquele que tem todas as faces, que tudo vê, tudo habita. Aprendi com minha mãe e meu pai a compreender os mistérios da criação. Dentre tantas coisas gostaria apenas que, se fosse possível, o senhor me respondesse algumas perguntas. - Pergunte então e eu responderei – disse Jetro. - Quem são vocês e quem somos nós? - Bem direta tua pergunta. Por isso dar-te-ei uma resposta direta. Nós somos seres interplanetários conscientes e vocês seres planetários inconscientes. - Desculpe-me senhor, mas essa parte eu também já conheço. Vou ser mais direto. De que planeta o senhor vem? - Jashá, todos que vivem na Terra são filhos de doze planetas diferentes, mas estão aqui para aprender, pois essa é a escola. Mas eu e os outros somos originalmente filhos da Matrix divina, que não tem nome, mas que agora é conhecido como Planeta do Princípio Divino. Eras e eras se passaram e alguns de nós foram descobrindo que haviam criado criaturas com suas emoções, tal qual o Pai. Essa história você já conhece e por isso vou me adiantar. Nossas emoções tinham um planeta natal, que correspondia à nossa personalidade. Por exemplo o Sol corresponde à casa dos filhos de Miguel Arcanjo. A Lua corresponde à casa dos filhos de Gabriel e assim por diante, mas o máximo de nossa semelhança com algum desses planetas é o fato de sermos os responsáveis por aqueles que nasceram neles. Em suma, somos criaturas livres no universo por termos alcançado a consciência divina. Não temos morada fixa. Nosso dever é evoluir as criaturas que criamos, a quem demos na verdade apenas a personalidade, pois todo ser já existe mesmo que ainda não tenha acordado. - Eu sei como é essa história, senhor Jetro, não se preocupe, mas me diga o que de fato são aqueles como minha mãe e eu, aqueles que nascem com a marca. - Esses, meu bom rapaz, são aqueles que forjamos. São seres que há muitas e muitas eras nós vínhamos evoluindo secretamente entre nossos próprios filhos. Não que os outros não mereçam o mesmo, mas tudo é como foi com o
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Pai. Vocês foram as nossas primeiras emoções, aquelas que despertaram quando nós nem sabíamos o significado da palavra emoção. Resumindo, em um efeito dominó, evolução em cadeia, vocês são os primeiros a evoluirem e logo poderão desempenhar o papel de pai como nós estamos fazendo há milhares e milhares de eras. Muitos dentre vós foram aqueles que outrora foram chamados de deuses e alguns até continuam a ser chamados e no futuro continuarão com esse título. Depois que terminar o estágio na escola chamada Terra nós não seremos mais responsáveis por vocês. Assim se tornarão filhos do mundo, que deverão descobrir suas próprias responsabilidades com seus filhos, mas isso não significa que vocês estarão abandonados, sem pai. Apenas terão que fazer tudo como um dia foi conosco. Tudo bem, isso eu já compreendi e agradeço muito pela boa vontade em me responder, mas me diga: Por que o velocino sagrado, sendo o meio de transporte de vocês para os outros planetas, nem sempre é usado por vocês? O chariot ou velocino, como você diz, não pode ser usado a esmo. Devemos ter cautela, pois ele é algo altamente cobiçado por seres mortais que, sem sabedoria alguma, desejam viajar até outros planetas, mas não sabem o que os espera lá. Obviamente este não é o único veículo, como nunca foi. Na época da grande inundação você bem sabe que muitos de nós voltaram para um curto exílio num planeta natal chamado Capela. E isso só aconteceu graças às naves atlantes, shangrillês e lemurianas, que se mantinham muito bem guardadas, sem contar que Xanthus também ajudou muito com seus navios voadores. Salomão chamou os extraterrestres e foi abduzido. Todo Messias vem em uma nave que parece uma estrela, mas não é uma. Deus, que só tinha idéias e idealizou tudo, começo e fim, só depois criou o corpo (explodiu sua alma). Hoje não existem mais muitas naves como essas na Terra, pois nós fizemos a escolha de vez por outra reencarnar em um corpo previamente preparado, afinal você sabe que não podemos nascer naturalmente como vocês. Por isso foi ensinado a você tudo que deve ser feito para possibilitar o nosso nascimento. Sei que essa era mais uma de suas perguntas, mas não se preocupe. Todas as informações necessárias para isso você já possui e todo material também. Toda vez que um ser tiver que voltar à Terra uma nave vem com um mensageiro e deixa o material que não é possível encontrar aqui. Depois essa mesma nave é vista apenas mais duas vezes: na hora do nascimento e na hora da morte. Tu te lembras do que viu no dia em que Akhenaton morreu? Sim, eu me lembro. Não estou falando apenas da chuva de meteoros. Estou falando que isso serviu apenas para disfarçar a nave que veio buscar o que não podia ficar na Terra. O restante, como tu já sabes, eu fiz. Eu trouxe a essência de Akhenaton para o Cálice da Vida, mas seu corpo jamais será achado. Em seu lugar surgirão um dia muitos seres ou múmias, que pretenderão fazer passar por ele, mas nenhuma será verdadeira. Por que isso? Por que não desejam ser encontrados? É muito simples, Jashá. A humanidade tem hoje uma aparência semelhante e já tem muitos preconceitos. Nas eras passadas a aparência também já foi
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motivo de medo e destruição. No futuro o motivo continuará sendo o mesmo: ignorar o que não compreende, distorcer, profanar por medo, porém como aqui é uma escola deve ter de tudo um pouco e lá na Caverna das Antigas Civilizações existem inúmeros exemplares de seres bastante diferentes, mas posso lhe afirmar que todos são apenas exemplares daquilo que um dia foi a aparência humana. Das primeiras eras de exemplares nossos deixamos apenas três, no tamanho sentinela, e em corpos que fizemos questão de alterar. Senhor Jetro, tudo isso só aconteceu porque o senhor e os outros resolveram construir a torre planetária? Quando eu estava disfarçado de Nimrod construí Babel, o palácio do Chariot. Os sete estavam na Terra e cada um resolveu criar a biblioteca genealógica dos sete regentes planetários. Era como uma escola profissionalizante, que dava o conhecimento daquilo que sabíamos aos nossos filhos. Chamamos os magos astarianos para serem os professores dessa escola, mas muitas guerras e confusões nos esperavam. Jetro, com todo respeito que lhe tenho, não me lembro da torre da escola de Salém ter mudado de nome – interrompeu Jashá. Calma, meu jovem. Não estou querendo confundi-lo, mas a antiga escola de Salém foi fundada por Melchizedek e dentro dela havia a torre dos 7 círculos, construída especialmente para preservar registros e, é óbvio, ensinar, mas quando tudo começou a mudar e o perigo começou a reaparecer seu nome foi mudado várias vezes. Não por nós, mesmo porque todos sabiam que torre de Salém, Silo, Jericó e Babel eram tudo a mesma coisa. Essa distorção aconteceu com o passar do tempo e com a destruição da torre, porém tu bem sabes que essa não era a única torre que havia em Salém. Mas é muito difícil manter uma escola como aquela por muito tempo em pé ou inteira. Veja Akhenaton. Ele a reergueu, mas o orgulho de Ramsés a destrói. É certo que não fará uma destruição completa, pois é mais viável passar uma história por cima daquela e ter uma nova história para um enganoso futuro, mas não te preocupes, Jashá, a chama da verdade nunca se apagará. Ela sempre se manterá acesa por todos os séculos, mas nem todos terão acesso a essa luz. E ainda o encontrarei, Jetro? Por que me perguntas isso? Tu sabes que ainda me encontrarás e sabes também que te lembrarás disso tudo quando vier a me rever. Mas agora preciso de ti para que Moshé e teu pai Aarão dêem continuidade à missão que aqui vieram cumprir. Mas hoje, meu bom Jashá, para que o povo confie mais em ti eu te chamarei de Jashá ou Eleazar e tu serás pai de Finéias, o profeta. Tu e tua família vão se separar de Aarão e Moshé, pois tu e teu filho serão líderes da nação de tua mãe. Teu pai vai ajudar Moshé, mas a Arca não ficará inteira nas mãos do povo de Moshé. Por isso hoje eu crio dois caminhos: um para a nação de Miriam e outro para a nação de Moshé. Peço a ti que não faças mais sacrifícios a Azaziel, como o povo de Moshé ainda continuará a fazer. Ele é o bode emissário lançado ao deserto para expiar os pecados que não são dele, mas de cada ser que os comete. Ensine teu povo que a Lei da Ação e da Reação não se paga com sacrifícios de animais. Procure sempre se lembrar dos ensinamentos do Príncipe do Sol, pois esse legado é muito precioso. Não te preocupes com Moshé. Ele agora será um bom líder para seu
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povo, pois Miriam deu a ele a consciência que faltava para a realização da Grande Obra. Muitos anos se passaram e as palavras de Jetro se cumpriram. Moshé havia mudado muito o seu comportamento. Ele delegou responsabilidades aos líderes de seu povo, que lhe causaram grandes problemas, conflitos internos e externos. Muito sangue ainda rolou e muitos seres ainda foram sacrificados. O Princípio da Vida de Moshé é simplesmente o relato do quanto um ser pode chegar a se tornar perigoso quando descobre suas origens sem ter sabedoria suficiente para compreendê-las. Ele sabia que era herdeiro do sangue dos deuses e que de uma foram ou de outra poderia até ter os mesmos poderes que um deles. Moshé copiou os primeiros livros da Gênesis, do original egípcio, a gene de Ísis. Aos poucos esses mesmos livros foram alterados por seu povo, só para aplicar algumas diferenças, mas ele não é o autor de nada. Afinal cópia não é autoria e, como tudo, também não pertencia ao Egito, mas ao arcanjo da Sabedoria, Haziel, que forneceu tudo a Melchizedek. Esse, antes da transformação, usando outro nome, passou tudo para sábios e depois para Lot, que passou para Abraão e este para seus filhos e assim por diante. Alguns anos já haviam se passado quando chegou mais uma vez a época certa, ou seja, os planetas estavam para entrar em alinhamento. Isso significa que o momento de abertura de portais era propício e o nascimento de enviados também. Golaha, Garivaram, o sentinela dos tempos, ainda vivia e sabia que viriam para a Terra mais dois seres escolhidos. Dois nazaretas, dois seres que teriam um nascimento esplendoroso, mas algo não seria assim tão perfeito, pois tudo havia mudado muito após a época em que Aarão e Jashá haviam se separado. O povo de Miriam, liderado por Jashá, não seguiu o povo de Moshé, pois não estavam dispostos a seguir as rigores da lei dele. Rumaram para a Mesopotâmia e aos poucos aliaram-se aos senhores daquele lugar. Os babilônios não eram um povo de viver em guerra, mas ainda mantinham costumes e dogmas religiosos reverenciando os deuses de eras passadas, o que de certa forma tornou a vida de Jashá bastante complicada junto aos protegidos, que se misturavam ao culto dos babilônios. O mesmo aconteceu com Aarão quando veio a morte de Moshé. O povo não respeitava suas leis com ele ainda vivo, mesmo sendo linha dura. Moshé chegou a dizer a Aarão várias vezes que já estava cansado e que não suportava mais o seu fardo. Moshé, a mando e desmando das armadilhas do povo, quase dizimou a tribo dos levitas, que tinham o dom de ser odiada pelos outros que, de uma forma ou de outra, sentiam inveja pelo fato dos levitas e dos Cohen serem autoridades sacerdotais. Eram como sagrados, pois eram o oráculo de Deus, que revelava aos homens a direção. Não se pode negar que vários deles tentaram se vingar de seus algozes amaldiçoando-os ou inventando maldições divinas para castigar aqueles que os odiavam, mas em suma o povo queria acabar com os levitas e cohens por vários motivos: o dízimo, os sacrifícios obrigatórios e a repreensão contra suas vontades. As leis de Moshé eram por demais rígidas e os sacerdotes também podiam dar a palavra juntamente com os juízes, isso quando não eram juízes-sacerdotes, o que era muito pior. Além disso eles tinham um poder superior a qualquer outro. Eram guardiões dos mistérios da Arca e alguns seres temiam que muitos dos males que os assolavam era obra de bruxaria dos sacerdotes para manter o povo em rédeas curtas, sob controle, e isso é fato. Voltando à Arca, o povo de Miriam assim como o de Moshé jamais aceitaram a divisão das relíquias sagradas e durante anos tramaram para possuí-las por completo. Várias dessas tentativas terminaram em sangrentas batalhas e muitas mortes. O alinhamento trouxe dois grandes sóis sobre a face da Terra. O primeiro foi chamado de Samuel (essa tradução já está no começo do livro. Samuel, como já expliquei, significa “ele é deus” e ao
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mesmo tempo é o nome do Arcanjo Samael, o anjo de Marte, o guerreiro, também Samiazy) e o outro raio de luz chamou-se originalmente Sansão = Sol, e esse teve sua história profanada, sendo mais tarde dada a outro ser, ou melhor, lhe deram outro nome: Saul (= alcançado por oração, emprestado, solicitado). Aqui quero deixar uma pequena observação. Os seres alcançados por oração foram Samuel e Sansão, pois biblicamente é declarado que suas mães são estéreis e que ambas vão ao templo falar com um profeta, que lhes avisa que vão conceber um filho. Ambas as mães fazem um voto de que se seus filhos nascerem serão nazaretas (Não terão cabeças raspadas, deixando sempre os cabelos longos. Os nazaretas costumavam ser passivos e profetas de grande poder. A história de Sansão e Samuel chega a ter tantas semelhanças que quase se fundem em uma só pessoa. O problema é que a história de Samuel continua e à de Sansão não foi dado o mesmo valor, porém basta observar melhor a história de Saul que Sansão novamente reaparece. Mas vamos deixar claro que o comportamento de Sansão não era o de Saul. Veja que Saul era homem gra