Universidade Federal de Santa Maria

CCSH – Centro de Ciências Humanas
Departamento de Filosofia
Disciplina: Pesquisa para o Ensino de Filosofia
Profª Elisete M. Tomazetti








Didática para Sala de Aula

Disciplina: Pesquisa para o Ensino de Filosofia
Profª Elisete M. Tomazetti






ACADÊMICOS:
Edson Tadiotto
Gerson Lucas Padilha
Josué M. de Andrade
Lorena Miranda







Santa Maria, dezembro de 2008.
INTRODUÇÃO


Sempre que nos deparamos com novas possibilidades dentro da prática docente,
imaginamos que podemos ser autênticos, pois levaremos ao outrem novidades, desejos e
explanações de uma história no caso da filosofia, que aconteceu a milhares e milhares
de séculos, é função do educador em filosofia, para o desenvolvimento de seu trabalho,
trazer á tona todo o envolvimento/encantamento que motivou o formato de conceitos,
idéias e que gerou todos os novos modelos de educação da atualidade; motivados por
isso ainda persistimos nos recursos audiovisuais seqüenciados por textos relevantes ao
mesmo tema ora proposto, que conduzira o aluno a reflexão e posteriormente a
construção de seus próprios conceitos. Baseado neste discurso, nosso tema proposto
será sobre valores, ético-morais que orientam as ações, individuais e sociais.



JUSTIFICATICA


Nosso trabalho foi elaborado com bases no documentário “Somos Todos Um”
que questiona qual é o sentido da vida? o que é Deus?, assim como caminho que o ser
humano está propiciando a ele mesmo, como as questões do planeta e como tudo tem
influência direta nas relações do dia-a-dia: as verdades, as crenças, os valores e o
sentimento de liberdade. Esse documentário conceituamos como um instrumento que
aproxima a linguagem do cotidiano dos alunos, tornando uma aula mais dinâmica
porque poderá despertar discussões de cunho estritamente filosóficos como: quem
somos nós, para onde vamos, quem é Deus, porque o planeta está na situação que esta;
enfim, esses problemas são tematizados e problematizados de forma que o aluno sinta-
se intimado a prestar seu depoimento: a partir desse momento podemos introduzir
questões pertinentes a Ética, dentre elas, as crenças, verdade, o bem e mal e assim por
diante.


METODOLOGIA


A linguagem cinematográfica sempre desperta nos jovens interesses e
curiosidades, pois a cena cinematográfica é sem dúvida um veículo atraente, motivador
e que a todos nos agrada. Por esse motivo tomamos conhecimento do documentário
“Somos Todos Um” e imediatamente nos apropriamos dos temas ali suscitados; esse
documentário deverá ser apresentado aos alunos acompanhado de textos filosóficos com
os mesmos temas como: a reflexão sobre o sentido da vida, como fazer o bem, ser feliz
e livre etc. A partir destas idéias levantadas vamos refleti-las a luz de princípios éticos.
Será utilizados fragmentos do capítulo I e II do livro Ética a Nicômacos de Aristóteles,
onde é tematizado a felicidade e os meios para atingi - lá. Como toda ciência prática, a
ética deve determinar a essência do fim a ser alcançada, a natureza do agente e das
ações e os meios para realizá-las. Dado a densidade da linguagem e a complexidade da
estrutura e do conteúdo, o texto clássico será acompanhado de um texto de apoio,
retirado do livro Introdução a História da Filosofia de Marilena Chauí. Esses textos
deverão servir como base, um auxílio para o melhor desenvolvimento do trabalho
proposto. Logo após vamos propiciar a esses alunos como prática educativa um debate
onde serão discutidos esses textos citados (em anexo); e deverão de cada texto e do
documentário, produzir um resumo sintetizando as idéias apreendidas conforme o
cronograma.


APRESENTAÇÃO DA ATIVIDADE DIDÁTICA PARA USAR EM SALA DE AULA:


CRONOGRAMA DA AULA:

1 – DVD (Documentário: Somos Todos Um)

1.1 – Assistir no grande grupo.
1.2 – Debate / discussão para o entendimento.
1.3 – Para entregar: fazer uma escrita sobre o documentário, envolvendo o debate feito logo
após.

2 – TEXTO 1 (Fragmentos do livro I e II, Ética a Nicômacos de Aristóteles)

2.1 – Leitura no grande grupo.
2.2 - Debate / discussão para o entendimento.
2.3 - Para entregar: fazer uma escrita sobre o texto 1, envolvendo o debate feito logo após.

3 – TEXTO 2 (Fragmentos de Marilena Chauí, Introdução à História da Filosofia – (Dos pré-
socráticos a Aristóteles )

3.1 - Leitura no grande grupo.
3.2 - Debate / discussão para o entendimento.
3.3 - Para entregar: fazer uma escrita sobre o texto 2, envolvendo o debate feito logo após.

4 - AVALIAÇÃO

4.1 – Desenvolver um texto crítico, tendo como base o documentário assistido (DVD
documentário Somos Todos Um) e os textos 1 e 2.
4.2 Pontuação: 2 pontos para cada escrita entregue e 4 pontos para a avaliação final.
PARTES DO TEXTO DE MARILENA CHAUÍ – Introdução à História da Filosofia –
(Dos pré-socráticos a Aristóteles)
Vindo de uma família e de uma corporação de médicos, Aristóteles classifica os homens
segundo tipologia de caracteres estabelecida pela medicina grega. Ao estudar o Corpus
hippocraticus, somos formados por dois componentes: os quatro elementos (terra, água, fogo e
ar, cada um deles composto de duas entre as quatro qualidades, isto é, quente, frio, seco e
úmido) e os quatro ‘sucos” ou humores (sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra). Nosso
caráter é nosso temperamento, isto é, o modo como se temperam os quatro elementos e os
quatro humores, havendo sempre a predominância de um deles sobre os outros, disso
resultando, como vimos, os quatro caracteres fundamentais: sanguíneo, fleumático, colérico e
melancólico, cada um dos quais podendo ser, pelo menos, de dois tipos, conforme a
predominância das duas qualidades que compõem cada um dos quatro elementos (e cada um dos
caracteres possui subdivisões ou subtipos, conforme as circunstâncias tenham atuado no
momento de nossa concepção ou de nosso nascimento, ou conforme as circunstâncias de nossa
vida – por exemplo, uma doença – tenham afetado nosso caráter fundamental). Cada caráter ou
temperamento possui desejos diferentes, pois para cada um deles os objetos de prazer e dor são
diferentes. Pelo mesmo motivo, cada caráter determina ou causa paixões diferentes e está mais
propenso a determinadas doenças, a determinados vícios e a determinadas virtudes. No entanto,
em todos eles, os vício é sempre o excesso ou a falta entre dois pontos extremos opostos (assim,
por exemplo, temeridade é excesso de coragem; e covardia é falta de coragem). Dizer que o
vício é excesso ou falta significa dizer que ele é a falta de medida ou de moderação.
Podemos então dizer que a causa material da ação é o éthos, a causa formal, a natureza
racional do agente, a causa final, o bem e a causa eficiente, a educação. A unidade das quatro
causas é a virtude.
O que é a virtude? A medida entre os extremos contrários, a moderação entre os dois
extremos, o justo meio, nem excesso nem falta. Como vimos, ao estudar os pré-socráticos,
medida não tem apenas um sentido quantitativo, mas sobretudo qualitativo, significando
moderação. Moderar é pesar, ponderar, equilibrar e deliberar, é a ação que institui a medida, o
métron, para aquilo que, por si mesmo e em si mesmo, não possui ou não conhece medida ou
limite. Na ética aristotélica, a medida moderadora é o médio, o justo meio. A ética é, pois, a
ciência prática da moderação ou, como diz Aristóteles, da prudência. A virtude é virtude de
caráter ou força do caráter educado pela moderação para o justo meio ou a justa medida.
Assim, no Livro II da Ética a Nicômaco, Aristóteles escreve: A virtude é uma disposição
constante para agir de um modo deliberado, consistindo numa medida relativa a nós,
racionalmente determinada e tal como seria determinada pelo homem prudente.
A virtude não é uma inclinação (o desejo é inclinação natural), mas uma disposição. Não é
uma aptidão, como julgara Platão, ao considerar a areté uma dynamis a ser atualizada pela
tékhne fundada na epistéme, segundo as funções da alma. Para Aristóteles, a virtude é um hábito
adquirido ou uma disposição constante e permanente para agira racionalmente em conformidade
com uma medida humana, determinada pelo homem prudente. A tarefa da ética é orientar-nos
para a aquisição desse hábito, tornando-nos virtuosos e, se possível, prudentes. Que hábito é
esse? O exercício da vontade sob a orientação da razão para deliberar sobre os meio e escolher
os fins nas ações que permitam satisfazer o desejo sem cair em extremos. Por isso a curiosa
afirmação de Aristóteles, no Livro II da Ética a Nicômaco, de que nos tornamos bons praticando
atos bons: Adquirimos as virtudes graças a uma atividade anterior, como também acontece nas
outras artes. As coisas que devemos aprender antes de faze-las são as que aprendemos fazendo-
as. Por exemplo, chega-se a construtor, construindo, a tocador de lira, tocando. Da mesma
maneira, realizando ações justas nos tornamos justos, realizando ações temperadas, nos
tornamos temperantes, realizando ações corajosas, nos tornamos corajosos.
O desejo é paixão, páthos, passividade, submissão aos objetos exteriores que nos afetam e aos
impulsos e inclinações interiores, determinados por nosso temperamento. A virtude é ação,
atividade da vontade que delibera e escolhe segundo a orientação da razão, a qual determina os
fins racionais de uma escolha, com vista ao bem do agente, isto é, sua felicidade. O virtuosos é
feliz porque prudente e prudente porque moderador e moderado.
Em si mesmos, os desejos não são bons nem maus; em sim mesmas, as coisas desejadas não
são boas nem más. O desejo torna-se mau e o objeto torna-se mau quando não se submetem à
medida racional; tornam-se bons quando se submetem a essa medida. Por isso, diz Aristóteles,
não nascemos bons, mas nos tornamos bons com os atos bons, pois atualizam nossa
potencialidade para a razão e para a felicidade.
CONSIDERAÇÃO FINAL


A prática docente dentro de uma sala de aula para alunos adolescentes requer
inevitavelmente uma boa retórica, criatividade e paciência, pois envolver esses jovens
que muitas vezes saem de um cotidiano massificado, desestimulados e que muitos
acabam desconhecendo muitos valores sociais, tanto de direito quanto de deveres;
busca-se assim por meio desta aula criar uma consciência desses valores e prepará-los
para o exercício de sua cidadania de forma consciente e que através disto possa produzir
pensamentos próprios e autônomos.
Através da introdução e elucidação dos conceitos filosóficos com valor
cognitivo intrínseco possibilitará aos alunos ampliar e aprofundar as idéias sobre o
universo vivido, aperfeiçoando e transformando as estruturas cognitivas pela afetação
desafiadora do meio, despertando assim para o apetite intelectual enraizado na natureza
humana que possibilita o indivíduo constituir-se e apropriar-se enquanto ser racional.

REFERÊNCIA


Documentário: DVD Somos Todos Um. 2006.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. 3º Ed. Brasília, 2001.

CHAUÍ, Marilena. Introdução à Historia da Filosofia, dos pré-socráticos a
Aristóteles. Vol. 1, 2º edição ver., e ampl. - São Paulo ed. Cia das Letras, 2002.