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srie de importantes questes filosficas e cientficas que devem ser entendidas no seu
contexto.
Outro exemplo clssico de uma relao conflituosa entre religio e cincias a
publicao do livro conhecido como A origem das espcies, de autoria de Charles Darwin
(1809-1882), publicado em 24 de novembro de 1859, que props uma teoria cientfica para a
evoluo biolgica das espcies, por meio da seleo natural.
Alguns cientistas da poca concordaram com a teoria da evoluo proposta por
Darwin, outros duvidaram que a seleo natural fosse um mecanismo suficientemente
poderoso para conduzir as espcies a mudar ao longo do tempo. Ainda houve os que se
opuseram teoria de Darwin, por parecer entrar em conflito com dois princpios bblicos: a
imutabilidade das espcies e a idade relativamente jovem da Terra.
Alm da suposta disputa entre cincia e religio, a histria traz tambm exemplos de
que ambas coexistiram pacificamente, como parceiros na busca de entendimento. Para alguns
cientistas, nos sculos XVII e XVIII, o cristianismo desempenhou papel central nos seus
esforos cientficos: os casos de Kepler, Robert Boyle (1627-1691), Isaac Newton (16421727) e Ren Descartes (1596-1650) so os mais evidentes (RUSSELL, 2001).
Nos sculo XIX e XX, foram diversas as formas de relaes entre a cincia e a
religio, como evidencia Barbour (2004, p. 9):
As novas descobertas cientficas puseram em xeque muitas ideias religiosas
clssicas. Reagindo a isso, algumas pessoas defenderam doutrinas tradicionais,
outras abandonaram a tradio e outras ainda reformularam antigos conceitos luz
da cincia (BARBOUR, 2004, p.9).

Antes de adentrarmos de forma mais detalhada as polmicas relaes entre religio e


cincia, necessrio que se faa uma breve explanao acerca desses conceitos.

4.1 Religio

A religio faz parte da cultura dos povos que a vivencia e envolve prticas que
reverenciam um nico deus ou vrios deuses. Sempre esteve presente nas mais diferentes
culturas, tendo a funo de integrar as pessoas, contribuindo com a vivncia em sociedade.