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Apostila Saúde Pública

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ESCOLA ESTADUAL PROFESSOR ARY DE OLIVEIRA GARCIA

APOSTILA DE SAÚDE PÚBLICA
PROFESSOR MARCOS GAIA

CUBATÃO 2009
1

SUMÁRIO

PG.

1. Relação saúde-doença ....................................................................04 2. História Natural das doenças ...........................................................05 3. Métodos de descrição da doença no tempo e no espaço ...............07 4. Conceitos básicos em epidemiologia ...............................................10 5. Fatores Relacionados com a Condição de Saúde das Populações ........17 6. Indicadores de Saúde ......................................................................18 7. Saúde - Indicadores básicos e políticas governamentais ................22 8. Sistema de Informação de Doenças de Notificação Compulsória ...24 9. Doenças crônico degenerativas e o processo de envelhecimento ..27 10. O paradoxo da saúde brasileira .....................................................28 11. SUS (Sistema Único de Saúde) .....................................................30 12. A Bioética .......................................................................................31 13. Questionário ....................................................................................32 14. Referências Bibliográficas ...............................................................34

CUBATÃO 2009
2

PREFÁCIO
O objetivo desta apostila é demonstrar os principais conceitos da Saúde Pública, as principais questões ligadas a saúde, além de questões sobre políticas de gestão e epidemiologia. Construir este instrumento, através de compilações e textos na íntegra foi tarefa que demandou alguns critérios e muitas horas de leitura. Este exemplar carecerá de correções e atualizações constantes, lembrando que, em nenhum momento, aconselho-vos a consultar somente esta apostila, mas sim recorrer aos livros e trabalhos científicos, de inúmeros estudiosos conceituados.

O futuro... é onde guardamos nossas esperanças, em ser, concretizar. Para chegar ao futuro, subimos uma escada onde o degrau que estamos é o AGORA. O AGORA é o lugar sagrado no tempo / espaço onde temos a oportunidade divina de criar e sentir, sentir intensamente cada momento, que servirão de experiência para que vivamos numa nova realidade, o FUTURO. Marcos Gaia

3

trabalho. Sinais (ou sinais clínicos): são os efeitos das alterações fisiológicas que podem ser observadas ou medidas por outros indivíduos (ex. este conceito está em desuso. como a renda. a agentes e/ou a fatores genéticos que levam a essas alterações. etc. liberdade. médicos. “Se a saúde se distribui. no seu sentido mais amplo. É um problema de natureza social decorrente do nível de vida dos indivíduos. veterinários. Esta definição descreve um objetivo utópico. mentais e sociais que tendem a romper este equilíbrio. É uma 4 . “Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar doenças. Uma delas. (Mello. RELAÇÃO SAÚDE E DOENÇA Conceito e importância da Saúde Pública. Winslow. meio ambiente.1. que a saúde não depende somente de profissionais e casas de saúde. vertigem. pois a questão da saúde passa invariavelmente pelas condições socioeconômicas da população.São exemplos de sintomas dor. possui o mérito de reconhecer. escrita pelo Ministério da Saúde. e não meramente a ausência de doenças ou defeitos”. prolongar a vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência. social e geograficamente. através de esforços organizados da comunidade para o saneamento do meio ambiente. embora muitos estudiosos ainda busquem uma definição para saúde. a redistribuição da saúde implica na redistribuição da renda”. citado por Leavel & Clark (1976). Portanto. A alteração dos processos fisiológicos produz manifestações denominadas de sintomas e/ou sinais de doença. Conceitos de Saúde e Doença Saúde : “É um estado de completo bem estar físico. a organização de serviços médicos e paramédicos para o diagnóstico precoce e o tratamento preventivo de doenças. que irá assegurar a cada indivíduo. e o aperfeiçoamento da máquina social. em 1986. transporte. renda. físicoquímicas. OMS. um padrão de vida adequado à manutenção da saúde”. Isto ocorre quando o indivíduo ou população são expostos a condições ambientais desfavoráveis. dentro da comunidade.). etc. habitação. náusea. as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida”. A Saúde Pública objetiva prevenir doenças e promover saúde em populações através de esforços comunitários. A doença ocorre quando há perturbação funcional dos processos fisiológicos a nível celular . o controle de infecções na comunidade. emprego. É uma manifestação subjetiva da doença. É assim o resultado das formas de organização social e da produção. lazer. diz: “A saúde é resultante de alimentação. Quando se cogita oferecer soluções para elevar o nível de saúde deve-se considerar que o problema não pode ser resolvido com a formação de um número maior de hospitais (mesmo que muito bem aparelhados) e profissionais de saúde altamente especializados . educação. é um equilíbrio orgânico resultante de um ajustamento do organismo no sentido da manutenção de um balanço positivo contra forças biológicas. Doença: “Alteração de um desvio do estado de equilíbrio de um indivíduo com o meio”. Sintomas são os efeitos das alterações fisiológicas que são detectáveis somente pelo próprio indivíduo. mental e social. porém. 1982). tendo como principal instrumento a Epidemiologia. OMS. acesso e posse de terra e acesso aos serviços de saúde. poético e impossível de ser alcançado.

et al. antes que ele receba o estímulo-doença. Carlos Gentile de. raça. que podem ser classificadas em: a. 5 .Resistente: O organismo dispõe de defesa contra o estímulo-doença. São Paulo: Atheneu. M.Z. et al. 2. Elementos de Epidemiologia Gera. c. o vomito.Refratário: O organismo não oferece condições para o surgimento do estímulodoença. J.manifestação objetiva da doença São exemplos a febre. inapetência. Saúde Oficial. Epidemiologia e saúde. isto é. Relação Hospedeiro.1982 ROUQUAYROL. CLARK EG. São Paulo: McGraW-Hill. MELLO. perda de peso. A História Natural de uma doença têm início antes do envolvimento do indivíduo. · Período Patológico: abrange as modificações que se passam no organismo. Este risco pode tornar-se maior ou menor pela influência de alguns fatores. alteração da locomoção etc. sistema imunológico e condições socioeconômicas. o agente e o meio ambiente que afetam o organismo na produção de doenças.Suscetível: Apresenta fator de risco para o desenvolvimento do estímulo doença. Saúde e doença são termos relativos. Medicina Preventiva. Rio de Janeiro:Medsi. Bibliografia: JEKES. portanto. Epidemiologia. estado nutricional. Rio de Janeiro: Marco Zero. exclusivos e estáticos. Fatores de risco de um hospedeiro são fatores responsáveis pela intensidade de adaptação às agressões produzidas pelo agente.2001. fertilidade baixa. Apresenta desenvolvimento em dois períodos seqüenciais: · Período Epidemiológico: enfoca as relações suscetível-ambiente. 1976. A História Natural das Doenças é na realidade um quadro esquemático que descreve as múltiplas e diferentes enfermidades. 2002. sexo. Porto Alegre: Artmed. perda de pelo). Considerações sobre o Hospedeiro. medicina popular. com demarcação de limites é incorreta. LEAVEL H. a conceituação simplista de que saúde e doença são dois estados recíprocos. b. A resistência do hospedeiro é influenciada pela idade. HISTÓRIA NATURAL DAS DOENÇAS Definição : Dá-se o nome de História Natural das Doenças ao conjunto de processos interativos que compreendem as relações existentes entre o hospedeiro. bioestatística e medicina preventiva. A suscetibilidade de um hospedeiro diante de um agente casual (agente causador de determinada doença) é condicionada por várias características próprias do hospedeiro.1999. criando condições para a realização de diferentes métodos de prevenção e controle das diversas doenças.F. Outros sinais são mais obscuros e podem necessitar de instrumentos sofisticados (alterações dos valores bioquímicos) ou períodos de observação longos (ex. W. LESER. Agente e Ambiente.

em maior ou menor escala de acordo com a espécie do agente.: catapora. 6 . poeiras. Os fatores ambientais que atuam na relação hospedeiro – agente são agrupados em : . superlotação de escolas. Considerações sobre o ambiente Influencia a probabilidade e as circunstâncias para o contato entre o agente e o hospedeiro. Ex. . etc. traumatismos. o vetor.  Patogenicidade: capacidade de um agente produzir alterações em um organismo. Ex. etc.  Agentes Físicos: ferimentos por arma branca ou de fogo. Normalmente estudamos os vetores biológicos (insetos. falta de higiene. reproduzindo-se ou desenvolvendo-se. condições sanitárias precárias. mamíferos. etc.em um conceito mais amplo podemos incluir grupos de seres humanos (traficantes. Vetor é todo fator que transporta um agente de doença de um indivíduo para o outro. viciados.  Imunogenicidade: capacidade de um agente induzir o organismo a uma resposta (resposta imune). Porém.) como vetores. Ex. “Para ser um transmissor eficaz de doença. o vetor deve ter uma relação específica com o agente.: Gripe. 2000). agente e meio ambiente. temperaturas altas. acidentes automobilísticos.: bacilo do tétano. Tipos de agentes:  Agentes Biológicos: microorganismos infecciosos. Características do Agente:  Infectibilidade: capacidade de penetrar em um organismo.etc.Fatores socioeconômicos: favelas.Fatores Biológicos: vetores. Os vetores A História Natural de uma doença é normalmente descrita por três fatores: hospedeiro . para algumas doenças é necessário acrescentar um quarto fator. etc. entretanto. principalmente em crianças. .  Virulência: capacidade de um agente causar alterações graves no organismo. etc. antibióticos. etc. etc. Raiva. Ex. É avaliada pela freqüência em que a infecção se manifesta na comunidade. moluscos.) ou mesmo objetos (agulhas contaminadas. vacinas.Fatores Físicos: enchentes. O agente apresenta algumas características que influem na instalação ou transmissão de uma doença. vem como na qualidade de vida do indivíduo.: Tuberculose. etc.  Viabilidade: capacidade de um agente de sobreviver fora de um hospedeiro. o ambiente e o hospedeiro” (Jekel. reservatórios.Considerações sobre o Agente.  Influências sociais e psicológicas: podem ser considerados agentes na produção de problemas de saúde. É avaliada pelo número de seqüelas ou óbitos no portador do agente. O meio ambiente pode atuar de algum modo na relação estímulo-doença.  Agentes Químicos: substâncias tóxicas. alérgicos. Ex.).

reduzindo a duração de sua incapacidade. e também conjunto de medidas que visam impedir doenças. Doença epidêmica: Abundante. A ocorrência esporádica sugere que a agente. As doenças endêmicas são o resultado de equilíbrio. mas não é freqüente. 2000) Portanto a história natural da doença pode ser resumida da seguinte forma: Os fatores comportamentais. Segundo Leavell & Clarck . não é previsível e a ocorrência é localizada. infecta o hospedeiro. Limitação da capacidade para Doença Sintomática Precoce e Reabilitação para Doença Sintomática Tardia. ocorre com regularidade previsível com apenas pequenos desvios na freqüência esperada. Níveis de Prevenção Conjunto de ações que visam evitar que o estímulo-doença se manifeste. No entanto este equilíbrio pode ser perturbado por fatores ambientais e ligados ao hospedeiro. em longo prazo. Promoção de Saúde e Proteção Específica. depois que se estabeleça o defeito. Quanto mais baixo for o grau de endemicidade melhor é o equilíbrio entre ambos. recuperar o doente. Prevenção Terciária: medidas aplicadas no período patogênico. os níveis de prevenção são os seguintes:    Prevenção Primária: medidas aplicadas no período pré-patogênico. enquanto o vetor pode ser estudado com o ambiente. esporadicamente. biológicos. A freqüência média da doença endêmica pode ser baixa (hipoendêmica). Prevenção Secundária: medidas aplicadas no período patogênico. Doença endêmica: É constante. Excede a freqüência normal esperada (mais de duas vezes o desvio padrão acima da média) e este aumento não é predictível. Doença esporádica: Ocorre raramente ou não é freqüente. entre agente e hospedeiro. geralmente. antes que se estabeleça o defeito. A doença ocorre num determinado momento e espaço. MÉTODOS DE DESCRIÇÃO DA DOENÇA NO TEMPO E NO ESPAÇO 3. Diagnóstico Pré-sintomático e Tratamento. 7 . genéticos e imunológicos estão. relacionados ao hospedeiro. Não tem regularidade. impedir seqüelas e em última analise evitar a morte. ou o agente está sempre presente e a doença clínica resulta de outros fatores. fatores nutricionais e também os biológicos podem relacionar-se com o agente.Fatores envolvidos na história natural da doença (Jekes. moderada (mesoendêmica) ou alta (hiperendêmica).

B. figura como causa necessária da doença. O vírus da mixomatose intencionalmente introduzido na Austrália para controlar os oelhos provocou uma mortalidade elevada (80% a 90%). Em 15 anos a população de coelhos chegou aos 20%.Indireto: Contacto com fezes frescas. Depois de alguns anos verificouse que a taxa de fatalidade inicial de 99% passou para 90% e o tempo entre a infecção e a morte aumentou. portanto. No estado natural o hospedeiro mais resistente tem maior probabilidade de sobrevivência.Direto: Contacto físico com o animal infectado. água.Transmissão por contacto a. suscetível e ambiente. soro.Transmissão por veículo. O processo de transmissão envolve 4 elementos básicos: agente casual. saliva ou membranas fetais incluindo objetos recentemente contaminados como bebedouros e comedouros. Métodos de Transmissão da Infecção Há três métodos comuns de transmissão: A. por gotículas e microgotículas. O termo pandemia é usado para exprimir uma epidemia de larga escala (países e continentes). sangue e outros produtos biológicos. urina. Ex. 8 . É o caso das doenças venéreas e micoses. fonte. alimentos. de um agente vivo que. Ao longo do tempo a relação entre agente e hospedeiro tende a mudar de parasítica (favorecendo o agente) para comensal (que não favorece nem um nem outro). As microgotículas formam aerossóis de resíduos secos provenientes de animais infectados e podem ser levadas a longas distancias no ar. ar. a produção de doença e morte não favorece a perpetuação do agente. Com o tempo e um ambiente estável a ocorrência de doença passa de epidêmica para endêmica e depois para esporádica. A raiva e a peste bovina são exceções à regra. O Processo de Transmissão e Fontes de Infecção Doenças Transmissíveis São aquelas em que ocorre a transmissão de um hospedeiro para o outro. Veículos: são objetos ou substâncias inanimadas nos quais o agente é transportado.Uma doença epidêmica sugere um desequilibro grande com o agente em vantagem. b. Este desequilíbrio é comum quando uma nova estirpe do organismo aparece (mutação) ou quando o hospedeiro é exposto pela primeira vez ao agente. dentro do conceito de multicasualidade. superfícies de caixas e sacos de alimentos e instrumentos cirúrgicos. a seleção natural favorece os microorganismos menos patogênicos. Do ponto de vista ecológico. Gotículas emanadas a curta distância no espirro e na tosse diretamente para as membranas mucosas de um animal são.

E o caso de Babésias em algumas espécies de carraças. (II) Com desenvolvimento: O organismo passa por um período de desenvolvimento dentro ou fora do veículo. Método de transporte ao hospedeiro de interesse. mosquitos.Transmissão mecânica. Também tem importância a amplitude de movimento dos vetores. Grau de proteção que é dado ao agente no vetor. Ex. C. O agente multiplica-se e sofre um desenvolvimento.Transmissão biológica propagativa. b.4. 9 . O agente infeccioso passa por uma fase essencial do seu desenvolvimento no vetor.Transmissão vetorial. Ex.2 . b.Transmissão biológica ciclopropagativa. O vetor atua como "agulha voadora" . b) por via indireta: O vetor transfere o agente infeccioso a partir das excreções de um animal infectado para o animal são via alimento ou água. carrapatos) como também pequenos mamíferos (ratos) ou outros vertebrados (peixes e pássaros).1. Vetores são transportadores vivos dos agentes. E o caso de algumas espécies de estrongilóides e fungos. Grau de ubiqüidade.A transmissão veicular é a passagem dos agentes infecciosos entre animais através de veículos. algumas espécies de mosquitos ainda muito menos. Agentes que vivem nas superfícies expostas estão mais expostos ao efeito negativo do ambiente para a sua sobrevivência. E o caso das leptospiras na água. As condições climáticas têm um efeito importante na ubiqüidade de certos vetores. O agente infeccioso multiplica-se no vetor. O vetor tem uma função biológica essencial na vida do agente. mosquitos ainda menos.3. b.Transmissão biológica com desenvolvimento. Eles transportam o agente e garantem o contacto com hospedeiros específicos. Quanto mais comuns são maior é a eficiência. Os vetores voadores e vetores não voadores têm expressão diferente na rapidez com que se desenvolve um foco. Esta transmissão pode-se fazer : a)por via direta: O vetor transfere o agente infeccioso de um animal doente para um saudável. Staphiloccus no leite. Fatores que afetam a eficiência dos veículos e vetores. ar é muito comum. O organismo infeccioso não se multiplica apenas sobrevive o intervalo de transmissão. a-Transmissão mecânica. mosquitos estão quase totalmente ausentes de áreas onde a primeira geada da época de inverno ocorreu. Nos vetores não voadores fatores como transmissão transovárica ou intervalo entre as refeições assumem importância epidemiológica considerável. Pode ser (I) Propagativa: O agente infeccioso multiplica-se no veículo ex. b b. água menos. (III) Ciclopropagativa: Neste caso há desenvolvimento e multiplicação do agente dentro ou fora do veículo.5. b.Transmissão biológica. Os vetores mais importantes são artrópodes (moscas. Umidade protege a viabilidade do agente. E o caso dos ovos de muitos nematódeos e larvas no solo. O transporte pode ser ativo como no caso do mosquito e a febre do Vale do Rift ou passivo como no caso das moscas que transportam Salmonella nos seus apêndices e contaminam por acaso o alimento que vai se consumido pelo hospedeiro.

Esta transmissão introduz complicações em relação ao controle do agente. O termo também é usado para um grande número de indivíduos duma certa espécie para os quais se está a fazer inferências baseada na informação de uma amostra. · congênita (adquirida) · via do colostro/leite. A unidade de amostra é importante porque pode limitar as inferências causais acerca dos indivíduos através dos resultados obtidos de uma amostra. Cada nível tem características superiores às do nível anterior. Transmissão do agente dentro do vetor.Muitos vetores são hospedeiros intermediários e em menos casos hospedeiros definitivos. 4. · transmissão á distancia {microgotículas} Vertical. · O nível de organização selecionado para um estudo específico ( a unidade de amostragem nos estudos observacionais e a unidade experimental nas experiências de campo) é a unidade de amostra para o estudo em causa. O agente passa verticalmente do vetor infectado para a sua descendência via ovário. Pode ser por: · via venérea. Significa transmissão de uma geração para outra. · A estrutura da população tem níveis de complexidade e qualidade diferente . Transmissão transovárica. · respiratória (inalação). Babésia canis em carraças. · oral (ingestão). CONCEITOS BÁSICOS EM EPIDEMIOLOGIA I – Introdução Definição: Disciplina que estuda a distribuição e os determinantes de saúde e doenças de populações e o desenvolvimento de estratégias para melhorar a saúde e a produtividade nessas populações. População: Conjunto de indivíduos que têm uma (ou mais) característica (s) em comum. População em risco: Setor da população que é considerada susceptível (biologicamente em risco) de adquirir uma doença. Ex. · transovárica · transestadial. · Freqüentemente não é o indivíduo mas o grupo. É a transmissão de agentes infecciosos entre animais da mesma geração e pode ocorrer por qualquer dos métodos previamente descritos. · pele córnea e membranas mucosas (contacto sexual). Transmissão transestadial. · hereditária. 10 . A unidade de trabalho em epidemiologia é o grupo (representativo da população) e não o indivíduo. O agente persiste no vetor à medida que ele passa por diferentes estádios de desenvolvimento. Horizontal.

Objetivos: · Determinara origem da doença cuja causa é conhecida. Postulados de Henle (1840) e de Kock (1884) 11 . A maioria do trabalho epidemiológico é trabalho de campo (empresa. · Relacionamento recíproco: as variáveis influenciam-se mutuamente. Em Epidemiologia significa que dois eventos têm que ocorrer simultaneamente mais ou menos freqüentemente do que seria esperar ao acaso. Relacionamento estatístico · Relacionamento assimétrico: quando uma variável não influi sobre a outra. ao meio ambiente.). · Epidemiologia Clínica: estuda os pacientes em locais de cuidados à saúde.· A unidade de amostra é também a base para determinar os graus de liberdade usados nos testes estatísticos. Uma causa de doença poder ser um evento. · Determinara causa da doença inicialmente desconhecida. É um termo utilizado no dia a dia . cidade clínica etc. social e espiritual da população. · Relacionamento simétrico: uma variável influência somente sobre a outra. condição ou característica que joga um papel essencial para produzir uma ocorrência da doença. As observações epidemiológicas relacionam-se e derivam-se de situações do campo embora a análise dos dados se possam fazer no "laboratório". Para o efeito se usam testes estatísticos.Associações estatísticas Indicam que modalidades de dois atributos aparecem juntos mais vezes (associação positiva) ou menos (associação negativa) do que seria esperado no caso de independência. Variável: termo que pode assumir diferentes valores. CONCEITO DE CAUSA Causa é algo que produz um efeito ou resultado. III . O conhecimento da relação causa-efeito é à base de cada decisão terapêutica em Medicina. também é chamada de relação casual . · Estudar os fatores que afetam a que afetam a freqüência e a distribuição das doenças. ao comportamento humano e ao estudo psicológico. estuda as origens comunitárias dos problemas de saúde relacionados à nutrição. de maneira a melhorar o diagnóstico e o tratamento de várias doenças bem como o prognóstico para pacientes já afetados pela doença. Os resultados dos testes estatísticos indicam a probabilidade de o fenômeno em estudo ocorrer por mero acaso. II -Classificação da Epidemiologia · Epidemiologia Clássica: orientada para a população.

São econômicos e têm perspectivas no futuro. · A eliminação da causa deve resultar na diminuição da incidência de doença. Há as experimentações verdadeiras quando a alocação dos indivíduos ao tratamento é feito ao acaso ou "quasi" verdadeiras quando esta alocação não e feita ao acaso. · O número de novos casos deve ser maior nos expostos a causa do que nos não. expostos. · Estado portador. · Nos estudos observacionais o epidemiologista observa mas não influencia ou controla diretamente a variável independente ou dependente. experiências controladas e mesmo estudos teóricos. · Efeitos múltiplos de causas simples. I. 12 . · O organismo deve ser isolado e cultivado em cultura pura. · Na experimentação controlada quer ela seja feita no laboratório ou no campo as variáveis estão sob controle. · Temporalmente a doença deve seguir-se à exposição a causa.Natureza dos estudos epidemiológicos. II. · O organismo deve causar doença específica quando inoculado num animal susceptível. Estes postulados não podiam ser aplicados a doenças com : · Fatores etiológicos múltiplos.Seqüência do Raciocínio Epidemiológico Os estudos observacionais processam-se em 3 etapas. Raciocínio epidemiológico É o estabelecimento de um raciocínio próprio.O pressuposto básico era o de que uma doença tinha uma causa e que uma causa particular resultava numa doença específica: · O organismo (causa) deve estar presente em cada caso de doença. de acordo com as teorias do conhecimento. · Fatores não relacionados com o agente (idade. · Deve existir um espectro biológico mensurável de respostas dos hospedeiros. · A doença deverá ser reproduzida experimentalmente. Postulados de Evans (Conceito unificado de causa) · A proporção de indivíduos com a doença deve ser superior nos que estão expostos à causa do que nos não expostos. · Nos estudos teóricos as condições de campo são simuladas as variáveis independentes manipuladas e o resultado avaliado. raça) · Fatores causais quantitativos. · Prevenindo ou modificando a resposta do hospedeiro deverá diminuir ou eliminar a xpressão da doença. · A exposição à causa deverá ser mais comum nos casos de doença do que nos casos sem doença. · O organismo deve ser recolhido do animal inoculado e identificado. · As observações clínicas os estudos descritivos e o conhecimento da doença levantam as hipóteses que são trabalhadas em estudos observacionais.

2. poluição. b. a mesma pode ser a causa de uma doença. em diferentes populações ou em diferentes grupos de uma mesma população ou em tempos diferentes para uma mesma população. etc. o mesmo pode ser a causa da mesma. Cidade. etc. Se está associada estatisticamente está dentro de critérios (biológicos) aceitáveis para indicar que as variáveis estão causalmente associadas? 3. · Condições de habitação e ambiente: saneamento. Dados básicos importantes nesta etapa: · Tempo de ocorrência: ano. a presença ou ausência deste fator pode ser cauda da doença. Elas podem ser comprovadas por: · Estudos experimentais: São aqueles realizados em laboratórios. das condições de saúde e da ocorrência de doenças. raça. · Local: País.Analogia Consiste na comparação do quadro epidemiológico de doenças suficientemente semelhantes para sugerir a hipótese de que certas causas são comuns a ambas.etc. etc. sexo. A variável independente (determinante) está estatisticamente associada à variável dependente? 2.1. Na seleção da hipótese casual evidencia-se a existência da relação entre a variável independente ou fator casual (papel preponderante no mapeamento de dois conjuntos) e a variável dependente (depende de outra variável de outro conjunto).Comprovação da hipótese É a interpretação dos achados e conclusões para posterior utilização em Saúde Pública.Concomitância Quando um fator varia em freqüência concomitantemente com a freqüência da doença. no campo com 13 . d. 3. Estado . semana. 4.Etapas do Raciocínio Epidemiológico 1.Seleção de hipóteses As hipóteses epidemiológicas especificam sempre a variação do grau de complexidade casual. É possível elaborar a natureza e conseqüência da associação causal em modelos experimentais? III. mês. são propostos quatro métodos de encaminhamento de raciocínio para a formulação de hipóteses: a.Concordância Quando as circunstâncias apresentam apenas uma variável em comum.Método da diferença É baseado na diferença verificada na freqüência de uma doença quando sob circunstâncias distintas e algum fator que pode ser identificado em alguma delas. c. · Atributos pessoais: idade.Formulação da hipótese: Não existe uma orientação rígida para a formulação de hipóteses.Descrição Consiste na descrição da distribuição em termos de freqüência.

variáveis sob controle. Conceito 4. No ambiente há fatores (determinantes) climáticos por ex. biológico. Conceito 2. Conceito 1. A doença está relacionada com o ambiente (físico. Os determinantes são variáveis independentes (fatores de risco). Dr. A Epidemiologia gera informação para decisão racional na prevenção da doença ou para a otimização da saúde. O estudo começa com a observação da história natural da doença (experimentação natural). na espécie de interesse e no seu ambiente natural. IV. FATORES RELACIONADOS COM A CONDIÇÃO DE SAÚDE DAS POPULAÇÕES I – Determinante O determinante é um fator ou variável que pode afetar a freqüência.Conceitos básicos. Experimentação de campo controlada deve ser feita sempre que possível. sociológico). Por exemplo. CBPP na América do Norte. A contribuição especial da epidemiologia é fornecer informação sobre a freqüência e distribuição da doença. para verificar a existÊncia de associações estatísticas que comprovem sua existência. Para estudar o efeito do ambiente comparam-se ambientes diferentes. 14 . Procura-se saber porque é que a doença ocorre. · Estudos não experimentais: São aqueles verificados através de grupos populacionais. " Os fenômenos de massa são predictíveis" Podem por essa razão ser razoavelmente bem quantificados. identificar os fatores (determinantes) e quantificar a inter-relação entre saúde e doença. distribuição e severidade com que a doença ocorre na população. Para o efeito são necessários conceitos básicos de estatística e demografia. Snow e cólera em Londres 30 anos antes da identificação do agente. Conceito 3. coordena o uso de outras disciplinas e técnicas científicas no processo de investigação da doença.Ex. num estudo de associação entre a deficiência de um macroelemento e a ocorrência de uma doença. Ex. 5. tipo instalação/incidência de doenças respiratórias em suínos ou falta de fibra/diarréia/coccidiose em coelhos. Ex. temperatura e umidade que influenciam a sobrevivência de parasitas e vetores e portanto variam a freqüência de ocorrência de doenças parasitárias e vetoriais. O efeito medido quer pela produtividade quer pela ocorrência de doença é a variável dependente. Os estudos observacionais são um alternativa para a investigação nos países em desenvolvimento. Nesta experimentação o tipo. A Epidemiologia analisa os problemas de doença de forma global. tempo e a dose de infecção é deixado a natureza e os possíveis fatores do ambiente que modificam os efeitos são incorporados para que os resultados sejam diretamente aplicáveis. No primeiro caso descreve-se a doença (quanto existe e como está distribuído) No segundo caso testam-se hipóteses. coelhos/coccidiose/temperatura/umidade Há também fatores não climáticos como o maneio e as instalações. No primeiro caso estamos a falar de Epidemiologia descritiva no segundo de Epidemiologia analítica. junta os resultados e produz uma visão tão completa quanto possível de como uma doença se mantém na população e na natureza. Muitas vezes os estudos experimentais não são praticáveis por várias razões inclusive econômicas. Este objetivo também é procurado por outras disciplinas.

por exemplo. O vírus da raiva infecta um grande número de espécies. Mastite. · Mecanismos de defesa (imunitário). A idade deve ser sempre incluída quando se descreve a distribuição da doença. · Patrimônio genético. muitos fatores que podem afetar a forma como a doença ocorre com a idade. Em geral animais jovens são mais susceptíveis que adultos a um grande número de doenças mas. Abscesso nos gatos como resultados de lutas. ou a diferentes exposições no passado de animais de diferentes idades presentemente. sexo.. São inerentes ao organismo e estabelecem a receptividade do indivíduo. Os determinantes de doença (fatores de risco) estão associados ao hospedeiro. Exemplos : As cadelas estão em maior risco de contrair “diabetes mellitus” de que os machos. É importante considerar se a distribuição é devida á própria idade . 15 . · Sexo. no entanto. a raça. · Idade.O macroelemento é a variável independente e a doença (estado de saúde) a variável dependente.Determinantes relacionados com o Hospedeiro A maioria dos agentes é capaz de infectar um grande número de espécies de hospedeiros. O vírus da peste suína infecta suínos. II –Determinantes Intrínsecos ou Endógenos são as características físicas ou fisiológicas do hospedeiro ou do agente de doença (hospedeiro intermediário ou vetor) geralmente determinado geneticamente. A idade. são mais resistentes as doenças transmitidas por carraças. aos efeitos correntes de exposição ambiental recente a animais de diferentes idades presentes. Alguns agentes têm maior especificidade do que outros. A. As diferenças e importância é evidente nas doenças reprodutivas. b) Sexo: Muitas das doenças associadas ao sexo do animal estão diretamente ou indiretamente relacionadas com as diferenças anatômicas e fisiológicas existentes. metrite e tumor da mama nas fêmeas. o estado fisiológico e o contacto prévio com o agente são fatores intrínsecos mais importantes. ao ambiente (incluindo o agente) e ao tempo. A susceptibilidade á infecção está relacionada com a capacidade do agente se estabelecer no hospedeiro. · Condições fisiológicas. Há. Isto tem particular importância para a sobrevivência dos agentes e alguns hospedeiros podem funcionar como portadores ou reservatórios naturais do agente. Se o impacto da doença no nível de produção está a ser estudado a doença é a variável independente e o efeito na produção variável dependente. Também podem ocorrer diferenças relacionadas com o comportamento ou os métodos de maneio. a) Idade: Provavelmente é a variável mais importante do hospedeiro porque o risco de doença está mais proximamente relacionado com a idade do que com os outros fatores.

de origem genética e a imunidade adquirida é a resistência resultante de exposição (natural ou artificial) prévia ao agente quer esta resulte de contacto direto (imunidade ativa) ou resistência passada pela mãe (que contatou previamente com o agente).Método de exposição ao agente: Alguns agentes têm especificidade grande para determinados tecidos (ex. são necessárias 200 vezes mais partículas de vírus do que as necessárias no cão para que a infecção se estabeleça na doninha). A imunidade pode ser inata ou adquirida. d. d. Com Salmonella typhi 10 organismos são suficiente. Campylobacter foetus só pode ser transmitido por contacto genital. Esta resistência pode ser humoral (mediada por anticorpos) ou celular (mediada por células). secreções genitais etc. moderada e baixa. d) Estado Imunitário da população A disseminação da doença depende não só da natureza do agente causal mas também no estado imunitário dos indivíduos e na estrutura e dinâmica da população. Bovinos com área periocular despigmentada são mais susceptíveis a cancro da vista.2 .4 . d. Quando os hospedeiros estão muito próximos a probabilidade da infecção se estabelecer num grupo de indivíduos é maior do que aquela que seria de esperar se os animais estivessem a distância. a dose e o ambiente do indivíduo. ou não como no caso de Babesia bovis que escapa quando um carraça se alimenta de sangue num animal infectado.Forma de saída do agente do hospedeiro ou vetor. por outro lado com Salmonella typhimurium são necessários 250000. A imunidade é relativa depende da natureza do agente. sobretudo. O equilíbrio é estabelecido da 16 .1 . vírus da raiva perto dos nervos.Dose do agente recebida Mesmo que o modo de exposição seja o adequado se não existir um número mínimo de partículas infectivas o agente pode não se estabelecer. As relações entre infecção e doença são dinâmicas. d. O número necessário varia com a espécie animal (ex. Salmonella por via digestiva mas não pode ser estabelecida na pele).3. Pra efeitos didáticos pode considerar-se alta.Concentração do hospedeiro. Na África Bos tauros são em geral mais susceptíveis as carraças que Bos indicus. vírus da peste suína). Outros podem ser estabelecidos por qualquer das formas (ex. O agente pode escapar de diferentes formas: fezes. A imunidade inata é. mas pode ser ingerido). Algumas raças de bovinos cavalos caprinos e ovinos são mais resistentes à tripanossomíase que outras. Este modo de saída determina muitas vezes a taxa de infecção. leite. Alguns têm que ser ingeridos (ex. bocados pele necrosada.c) Raça : As diferenças entre raças no que respeita a risco de doença e nível de produtividade são comuns e o efeito da raça deve ser considerado e controlado quando se estudam os efeitos dos outros fatores na ocorrência de doença ou na produtividade. A diferenças nas raças podem ser separadas em dois componentes: diferenças devido a fatores genéticos e diferenças devido a fatores fenotípicos.

B) Solo: Afeta a vegetação e. Podem também afetar os hospedeiros intermediários ou os vetores e. frio. hospedeiro intermediário ou vetor. O reservatório é uma espécie animal ou substância inanimada sem a qual o agente não persiste.5 . umidade etc. Nos adultos a sua ação é mais indireta (condições de stress) causando baixa de resistência à infecção e a doença. podem atuar como agentes etiológicos quer individualmente. doenças transmitidas por carraças. vento. vacinas. determinar o tipo e a amplitude da transmissão. Podem causar doença em animais jovens e recém nascidos. No primeiro caso o hospedeiro retém alguma imunidade mas no segundo não. C) Homem: As características do agente são determinantes importantes na interação com o hospedeiro e o ambiente. Eles também afetam o agente. febre aftosa. Este conhecimento tem sido usado com sucesso no controle de doenças como helmintoses. a nutrição originando desequilíbrios e aumentando a susceptibilidade do hospedeiro as doenças.Determinantes Extrínsecos ou Exógenos: São as características que estão associadas de alguma forma ao ambiente (vetor ou hospedeiro intermediário se presente). muitas vezes acompanhado por criação de condições favoráveis para a sobrevivência de alguns agentes ou do hospedeiros intermediários. A . É possível prever quando os hospedeiros estão em maior risco ou quando o agente é mais susceptível as medidas de controle. deficiências minerais e nutricionais. solo . portanto. alterando a importância relativa das doenças presentes inclusive introduzir novas. portanto.Determinantes relacionados com o ambiente. D) Fauna: Muitos animais são reservatórios de agentes infecciosos. a1 Macroclima : Calor. São principalmente o clima. os de doenças telúricas via pH e estrutura do mesmo (capacidade de retenção de água). Infelizmente. O homem tem a capacidade para alterar o ambiente onde vive e onde mantém os animais. Estas áreas permitem um contacto entre animais agentes ou vetores e portanto aumentam a probabilidade de transmissão da doença. Nestas condições helmintíases e tripanossomíases podem ocorrer na época do ano mais desfavorável quando o hospedeiro agente e vetor estão concentrados nas fontes permanentes de água. fauna e o agente a) – Clima. III . d. alterando fundamentalmente o microclima para favorecer a produção e produtividade. homem. a2 Microclima: Pode em certa medida contrariar as expectativas e criar condições propícias para a sobrevivência do agente ou hospedeiro intermediário em condições macroclimáticas adversas Ex. Isto também pode acontecer com outras doenças como peste bovina. febre aftosa. tripanossomíase.interação entre os mecanismos de resistência do hospedeiro e infectividade e virulência do agente. Juntamente com o solo podem afetar quer o agente quer o hospedeiro (e a sua sobrevivência e a sua susceptibilidade) e as interações entre ambos. Alguns agentes infecciosos invadem os mecanismos de defesa dos hospedeiros alterando as suas características antigênicas quer ligeiramente quer profundamente. poço de água ou pastagem irrigada em ambiente árido. chuva. controle de movimento etc. 17 . O solo também pode afetar a sobrevivência de agentes como. por exemplo. O homem é capaz de interferir diretamente no processo de doença através do uso de drogas. quer combinados. São exemplos o tripanosoma e o vírus da febre aftosa.Variação antigênica.

para qual ainda não dispomos de instrumentos e metodologias que atendam plenamente essas necessidades. esgana. Mensurar o estado de saúde e bem-estar de uma determinada população é.Determinantes relacionados com o agente da doença. não só uma necessidade para que sejam feitos diagnósticos. dirofilariose. direta ou indiretamente. · Ciclozonoses: necessitam de mais do que um hospedeiro vertebrado para sobreviver (teníases. parvovirose. sem sinais dessa doença mas capaz de disseminar esse agente. 6. Alguns autores preferem considerar uma categoria separada para o agente na tríade hospedeiro-agente-ambiente. IV . raiva) o agente perpetua-se numa só espécie de hospedeiro. Nestas doenças embora exista um agente como causa próxima da mesma.salmonelose). O portador (carrier) é um indivíduo infectado por um agente de doença. · Patogenicidade: Particularidade de um agente de doença de conhecida virulência de produzir doença em um conjunto (variado) de hospedeiros num conjunto (variado) de condições ambientais. o alojamento e o maneio são importantes fatores na ocorrência destas doenças. equinococose e hidatidose).Os reservatórios garantem a persistência do agente no meio e os portadores a disseminação dos mesmos. como também é uma tarefa complexa. Chama-se de portador incubatório quando é capaz de disseminar o agente antes do aparecimento de sinais clínicos (ex. clostrídios etc) necessitam de locais não animados usualmente solo e água para se desenvolverem/sobreviverem. 2000). As zoonoses são um exemplo ilustrativo das formas complexas de como os agentes e animais se combinam para garantir a sobrevivência e a transmissão dos agentes infecciosos. · Virulência:capacidade de um agente infeccioso de causar doença num hospedeiro em termos de freqüência e severidade. · Infectividade: capacidade do agente da doença em estabelecer-se no Hospedeiro. INDICADORES DE SAÚDE Existem inúmeras evidências de que a saúde contribui efetivamente para a qualidade de vida dos indivíduos ou de populações. brucelose mastite. · Saprozoonoses: (os agentes da histoplasmose. realizadas intervenções e avaliados os impactos das mesmas nesta população. doença de Newcastle) que maior efeito negativo têm na produtividade e na saúde dos animais de companhia.. 18 .febre aftosa) e Chama-se de portador convalescente quando é capaz de dessiminar o agente depois dos sinais de doença terem desaparecido (ex. como na Saúde Pública. para que indivíduos e populações tenham um elevado nível de saúde (Buss. · Metazonoses: há a intervenção de um hospedeiro vertebrado e outro invertebrado (tripanosomiase. a análise da situação de saúde das populações encontra espaço privilegiado na Epidemiologia e em outras disciplinas afins.Chama-se de portador verdadeiro quando é capaz de disseminar a doença sem apresentar quaisquer sinais clínicos (ex. coccidiose. babesiose e cowdriose). assim como diversos componentes da vida social humana contribuem. · Zoonoses diretas: (brucelose. Lembramos que.. a preferência aqui é tratar do agente como componente do ambiente. crytococose. tuberculose. aspergilose. mas não é absolutamente necessário para a perpetuação do agente. a alimentação. Pleuropneumonia). São mais difíceis de detectar que os animais clinicamente doentes. portanto. No entanto são as infecções dentro da mesma espécie (febre aftosa.

quantificação das curvas de mortalidade proporcional. l) Liberdade humana. o primeiro ítem. a busca de dados de “nãosaúde”.Alguns dos indicadores de saúde comumente utilizados no Brasil. incluindo analfabetismo e ensino técnico. dados de morte e de doença. de acordo com os dados estatísticos disponíveis. no ano considerado CMI=__________________________________________________________X 1000 Total de nascidos vivos de mães residentes nessa área no referido ano 3. esperança de vida. h) Habitação. k) Segurança social. no ano considerado CMNN=-________________________________________________________X 1000 Total de nascidos vivos de mães residentes nessa área no referido ano 19 . c) Educação. incluindo condições demográficas. j) Recreação. com inclusão de saneamento e instalações domésticas. senão o mais importante. coeficiente de mortalidade infantil e coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis. a convocar um grupo de trabalho encarregado de estudar métodos satisfatórios para definir e avaliar o nível de vida das coletividades humanas. em 1952. A necessidade de que uma medida que pudesse expressar o “padrão de vida” ou o “”índice de vida levou a ONU. i) Vestuário. f) Consumo e economias gerais. Coeficiente de mortalidade geral. ou seja. Dada a impossibilidade prática do uso de apenas um indicador global. Nº de óbitos de cças de de 0 a 27 dias em certa área. g) Transporte. portanto. A saúde é. b) Alimentos e nutrição. ao se avaliar o nível de saúde dessa população. Coeficiente de mortalidade infantil. no ano considerado CMG= ________________________________________________________ X 1000 População residente na área. Total de óbitos de residentes em certa área. e) Mercado de trabalho. Coeficiente de mortalidade neonatal. foram sugeridos os seguintes componentes de nível de vida: a) Saúde. Apresentam-se a seguir alguns modelos para a determinação dos principais coeficientes ( também denominados taxas) mais utilizados em saúde pública: 1.Dada uma série de dificuldades para se medir “saúde” de uma população. d) Condições de trabalho. são os seguintes: razão de mortalidade proporcional (índice de Swaroop & Uemura). é freqüente. curvas de mortalidade proporcional. ajustada para o meio do ano 2. para a mensuração do nível de vida. Nº de óbitos de <de 1 ano residentes em certa área. coeficiente de mortalidade geral.

Coeficiente de mortalidade neonatal precoce. no ano considerado CMPN= _______________________________________________________X 1000 Total de nascidos vivos de mães residentes na área e ano + óbitos fetais 8. residentes nessa área e ano 12. Nº de óbitos de cças de 28 a 364 dias em certa área.4. em uma área e ano considerados CEN=________________________________________________________ X 1000 População de mulheres da referida faixa etária. Nº de nascidos vivos em determinada área e ano considerado CBN=________________________________________________________ X 1000 População total residente nessa área e nesse ano 13. Razão de masculinidade ou razão de sexos. Coeficiente de mortalidade perinatal*. Proporção de idosos na população. Nº de óbitos fetais (22 semanas ou mais de gestação) + nº de óbitos de cças de 0 a . no ano considerado CMNNP= ______________________________________________________X 1000 Total de nascidos vivos de mães residentes nessa área no referido ano 5. Nº de pessoas de 60 e mais anos. . no ano considerado CMNNT=______________________________________________________ X 1000 Total de nascidos vivos de mães residentes nessa área no referido ano 6. Razão de mortalidade proporcional ou índice de Swaroop & Uemura. no ano considerado CMPNN=______________________________________________________ X 1000 Total de nascidos vivos de mães residentes nessa área no referido ano 7. Nº de filhos nascidos vivos de mães de determinada faixa etária. Nº de óbitos de cças de 0 a 6 dias em certa área. residentes em área e ano considerados PIP= _________________________________________________________X 100 População total residente nessa área e nesse ano 20 . Nº de nascidos vivos com baixo peso ao nascer. Nº de óbitos de pessoas com 50 e mais anos.500g PNVBP=______________________________________________________ X 100 Total de nascidos vivos de mães residentes nessa área e ano 9. Coeficiente bruto de natalidade. Coeficiente específico de fecundidade. Nº de óbitos de cças de 7 a 27 dias em certa área. Coeficiente de mortalidade neonatal tardia. residentes . até 2. Nº de residentes do sexo masculino na área e ano considerados RM=_________________________________________________________ X 100 Nº de residentes do sexo feminino na área e ano considerados 11. 6 dias em certa área. Coeficiente de mortalidade pós-neonatal. residentes em certa área e ano ISU= _________________________________________________________X 100 Nº de óbitos totais na população residente na área e ano considerados 10. Proporção de nascidos vivos de baixo peso ao nascer.

Nº de óbitos ocorridos num dado grupo etário na população Residente numa determinada área e no ano considerado CMId= ______________________________________________________X 100. Coeficiente de prevalência por período. Nº de óbitos por causas de ligadas a gestação. CMM=_______________________________________________________ X 100. Coeficiente de incidência. CMD=_______________________________________________________X 100. Coeficiente de mortalidade específico por idade. no ano considerado . parto e puérpio em certa área. Nº de casos novos (iniciados) na população residente na área e ano considerados CI= ________________________________________________________ X 100. b) Letalidade : Ë definido pelo maior ou menor poder que tem uma doença em provocar a morte de pessoas que adoeceram por esta doença. Nº de casos surgidos a partir de contato com o caso-índice CAS= _____________________________________________________ X 100 Nº total de pessoas que tiveram contato com o caso-índice Para que possamos fazer uso desses índices é necessário a compreensão dos conceitos usados em Epidemiologia.000 População do referido sexo.000 População residente exposta ao risco nesse período. Nº de óbitos específicos ocorridos em residentes de determinado sexo numa área e ano considerados CMS= ______________________________________________________ X 100.000 População residente nessa área e ano 17.000 População do referido grupo etário residente nessa área e nesse ano 18. residente nessa área e nesse ano 19. c) Morbidade : Ë o comportamento das doenças e agravos à saúde em uma população 21 . Coeficiente de ataque secundário.14. nessa área e nesse ano 20.000 População residente na área no mesmo período 21. Nº de óbitos por determinada doença ocorridos na população residente numa área e ano considerados. Coeficiente de mortalidade materna. Nº de casos existentes (novos + antigos) na população residente em determinado período e área considerada CP= _______________________________________________________ X 100. Nº de óbitos de determinada doença em área e ano considerados CL= ________________________________________________________ X 100 Nº de casos dessa doença nessa área e nesse ano 15. abaixo relacionados: a) Mortalidade (coeficiente): Ë definido como quocientes entre as freqüências absolutas de óbitos e o número de expostos ao risco de morrer. Coeficiente de mortalidade por determinada doença. Coeficiente de letalidade. Coeficiente de mortalidade específico por sexo.000 Nascidos vivos de mães residentes nessa área e nesse ano 16.

Sudeste e o Distrito Federal. Norte e Centro-oeste. e o surgimento de novas. havia uma divisão de trabalho entre o Ministério da Saúde e os antigos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAP's). são quase quatro vezes menores que as vigentes no início dos anos 40. Elas continuam existindo. em grande medida. Isto não significa que as enfermidades transmissíveis tenham desaparecido. A esperança de vida média do brasileiro aumentou consideravelmente. com a urbanização acelerada. como a cólera. ambos provocados em grande parte pelo cotidiano das grandes cidades. O primeiro cuidava da saúde coletiva. cobertos pela proteção previdenciária. 7. em que pese a heterogeneidade interna de seus indicadores. como a Aids. A estrutura de morbidade e o perfil de mortalidade sofreram substanciais transformações. sobretudo em função do baixo estado nutricional de boa parte de crianças e recém-nascidos. associadas aos fluxos migratórios. Já os Estados do Sul. Regiões como o Nordeste são portadoras de padrões de 30 enfermidade muito próximos dos países mais atrasados da África. a mortalidade por causas. em algumas distribuições cronológicas. g) Tendência : A incidência de doenças. e) Incidência : Defini-se como a razão entre o número de casos novos de uma doença que ocorre em uma comunidade.Ë o caso em que. ou qualquer outro evento de importância epidemiológica. Essa contingência sistemática da freqüência de doenças ou de óbitos. da logística de distribuição de vacinas e da assistência médica mais elementar à população de baixa renda das regiões onde o governo não poderia oferecer um serviço de melhor qualidade e hotelaria. Até os anos 60. O Nordeste. o Brasil ainda apresenta diferenças regionais em seus indicadores de saúde. em função do fenômeno ou do período de tempo considerado. As principais causas de morte. ainda que concentradas em determinados bolsões de pobreza rural e. e a população exposta ao risco de adquirir referida doença no mesmo período. d) Prevalência : Pode ser definido como a relação entre o número de casos conhecidos de uma dada doença e a população. observa-se que os máximos e os mínimos ocorrem sempre nos mesmo período. mantêm condições de saúde similares às de muitos países desenvolvidos. Ásia e América Latina. hoje. As taxas de mortalidade infantil. SAÚDE . quando observado por longos períodos de tempo. os indicadores de saúde no Brasil registraram grandes progressos. ainda apresenta altas taxas de mortalidade infantil.exposta. antes centradas nas chamadas doenças transmissíveis. A estrutura do sistema de saúde no Brasil mudou muito nos últimos 30 anos.INDICADORES BÁSICOS E POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS Ao longo dos últimos 50 anos. embora ainda sejam altas no contexto mundial e latino-americano. Já os IAP's voltavam-se para o atendimento médico aos trabalhadores inseridos em algumas categorias profissionais e suas famílias. num período suficientemente longo de anos. f) Sazonalidade : Também conhecida como variação sazonal . encontram-se entre as enfermidades crônico-degenerativas (problemas cardiovasculares e neoplasmas) e nas causas externas. em um intervalo de tempo determinado. marcam novas características de nosso perfil de doenças. podem apresentar estabilidade. é denominada tendência secular do evento. Apesar dos progressos registrados. O retorno de endemias antes erradicadas. 22 . notadamente nas regiões Nordeste. exigindo novas formas de ação preventiva do governo. aumento ou decréscimo de suas taxas. por exemplo. como os acidentes e homicídios.

A trajetória do sistema de saúde no Brasil não deixou de evidenciar. um sistema voltado ao atendimento dos grupos sociais de menor renda. mas a composição das equipes de saúde ainda é inadequada. O financiamento do setor saúde no País tem sido insuficiente para cobrir os propósitos de universalização. na medida que se centra no médico e no atendente de enfermagem. com aumento da autonomia dos Estados e Municípios na montagem de estruturas de prestação de serviços de saúde adequadas a cada realidade. pelo setor público. gasta-se pouco e mal com saúde. 23 . pertencem ao setor privado. através de um sistema de pagamento prospectivo chamado AIH. cabendo ao setor público a responsabilidade dos estabelecimentos ambulatoriais (postos e centros de saúde) especialmente nas regiões mais pobres do País. no entanto. Grande parte dos estabelecimentos hospitalares e dos leitos. a estrutura de oferta dos serviços de saúde no Brasil é hegemonicamente privada. o peso de categorias indispensáveis. A Constituição de 1988 instituiu o Sistema Unido de Saúde (SUS). além dos autônomos que desejassem contribuir para a previdência social. tanto de nível superior como médio. uma vez que as classes de média e alta renda podiam contar com os chamados sistemas privados de medicina supletiva que se expandiram a taxas bastante elevadas. ainda são grandes o déficit e as brechas de cobertura do sistema de saúde brasileiro. notadamente trabalhadores inseridos nas empresas de maior porte e famílias de classes média e alta. na composição interna destas. iniciou-se uma forte tendência à expansão de cobertura do sistema de saúde em relação à população brasileira. implantadas progressivamente pelo Ministério da Saúde. em sua maior parte. na prática. Em 1976 foi criado o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) como órgão responsável por toda a assistência médica à população dependente de trabalhadores formais. No País. trazendo como corolário uma queda da qualidade e da cobertura do sistema público. os antigos IAP's foram unificados no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Torna-se necessário aumentar a interdisciplinaridade das equipes de saúde e ampliar. Não foi por outro motivo que o sistema recebeu reformas. Pode-se dizer que o número de profissionais dessa área se expandiu consideravelmente nos últimos anos. como os profissionais habilitados de enfermagem. acentuou-se a tendência para que o SUS passasse a ser. O Brasil conta também com uma estrutura de recursos humanos em saúde em forte expansão. Em seus primeiros anos de vigência. bem como estratégias de descentralização acopladas aos programas de expansão de cobertura. Hoje. uma vez que boa parte dos esforços financeiros do setor não têm sido canalizados para os segmentos mais carentes da população. este sem formação básica. integralidade e equidade. As reformas apontam cada vez mais para a descentralização. para efeito de assistência médica.A partir dos anos 60. nos moldes dos tradicionais sistemas de proteção social existentes nos países europeus que adotaram a via do welfare state. Com isso. No início dos anos 90 ocorreu uma forte crise institucional e financeira do setor saúde no Brasil. com a incorporação. que passou a ter como meta a cobertura universal de toda a população brasileira. Em 1967. o SUS não apresentou resultados satisfatórios. como os rurais e os indigentes. Dessa forma. Apesar de ser um sistema de saúde financiado. de todos os trabalhadores com carteira de trabalho assinada. alguns problemas básicos que ainda precisam ser resolvidos. Ao longo dos anos 70 e 80 ampliaram-se os segmentos populacionais não-contribuintes incorporados ao sistema de saúde. esses sistemas cobrem cerca de 35 milhões de pessoas.

SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA Fontes de Dados A informação é o dado trabalhado. O Ministério da Saúde e o governo federal .em parceria com os Estados e Municípios encontram-se em permanente busca de novas definições que permitam ao sistema de saúde brasileiro ganhar mais eficiência e alcançar os objetivos de cobertura e equidade. a partir das informações geradas. especialmente dos segmentos mais pobres da população.As mudanças também apontam para a necessidade de definir prioridades de saúde que permitam equacionar os grandes problemas da população. ao lado da implantação de sistemas de informação que tornem mais transparentes os resultados obtidos e os gastos necessários para alcançá-los. feita à autoridade sanitária por profissionais de saúde ou qualquer cidadão. para fim de adoção de medidas de intervenção pertinentes. definir novas estratégias de ação e estabelecer metas e prioridades. que permitam maior autonomia aos hospitais e redes de serviços de saúde na gestão de pessoal e na organização da oferta para suprir as necessidades de cada região. Assim sendo. para o desencadeamento da investigação e das medidas de prevenção e controle dos agravos. é importante que tenhamos acesso aos dados. As reformas ainda devem estar baseadas em novos mecanismos de administração e gerenciamento. Texto de André Cezar Medici 8. O principal desafio é administrar adequadamente os escassos recursos disponíveis para que possam suprir necessidades e carências. além de permitir. sendo fundamental para o conhecimento dos casos. ou seja.1 Notificação Notificação é a comunicação da ocorrência de determinada doença ou agravo à saúde. A informação gerada pela Vigilância Epidemiológica destina-se à tomada de decisões. A notificação é o primeiro passo do Sistema de Vigilância Epidemiológica (SVE). Boa parte dos hospitais públicos e privados no Brasil carecem de sistemas de informação que permitam obter dados financeiros e contábeis sobre custos dos principais procedimentos. através das seguintes fontes: 1. Critérios Os critérios mais utilizados para a seleção das doenças que compõem o elenco das doenças de notificação compulsória são as seguintes: 24 . O que notificar Para organizar um Sistema de Vigilância Epidemiológica. quais as doenças cuja ocorrência deverá ser notificada. avaliar o impacto das medidas adotadas. é necessário que sejam definidas quais as doenças que ficarão sob vigilância. A notificação tem sido a principal fonte da Vigilância Epidemiológica a partir da qual na maioria das vezes se desencadeia o processo INFORMAÇÃO – DECISÃO – AÇÃO. analisar o comportamento epidemiológico das doenças.

Malária. são incluídas nas listas de todos os países membros da OPAS/OMS. Severidade – Medida pelas taxas de letalidade (proporção de óbitos por uma doença entre os que tiveram esta doença). e) Transcendência – Definido como um conjunto de características apresentadas por agravos. seqüelas etc. Exemplos: Cólera. Hanseníase. Sífilis Congênita. absenteísmo ao trabalho. hospitalizações. e hoje estão restritas a três: Cólera. eliminação ou erradicação de algumas doenças. Tuberculose. mortalidade. custo do diagnóstico e tratamento. de acordo com sua apresentação clínica e epidemiológica. Tuberculose. f) Epidemias. Exemplos: Hanseníase. Malária. medo. Exemplos: Doenças imunopreveníveis como o Sarampo. Exemplos: Hepatites B e C. Febre Amarela e Peste. Exemplos: Surtos e/ou epidemias de Hepatite A. Mecanismos próprios de notificação devem ser instituídos. das quais as mais importantes são. Difteria. Hanseníase. Poliomielite. conjuntivite. c) Potencial de disseminação – É expresso pela transmissibilidade da doença através de vetores e demais fontes de infecção. Exemplos: Raiva humana. Varicela.a) Regulamento Sanitário Internacional – As doenças que são definidas como de notificação compulsória internacional. Dengue. Eliminação – ou erradicação regional é a cessação da transmissão determinada infecção em ampla região geográfica ou jurisdição política. d) Vulnerabilidade – Doenças para as quais existem instrumentos específicos de prevenção e controle permitindo a atuação concreta e efetiva dos serviços de saúde sobre indivíduos e coletividades. obrigatória. Exemplos: Poliomielite. Tétano. prevalência. Não se pode retirar a medida de controle porque a doença pode ressurgir. Relevância – que subjetivamente significa o valor que a sociedade imputa à ocorrência do evento através da estigmatização dos doentes. Exemplos: Sarampo. colocando sob risco outros indivíduos ou coletividades. surtos e agravos inusitados – Todas as suspeitas de epidemias ou de ocorrência de agravo inusitado devem ser imediatamente notificados aos níveis hierárquicos superiores pelo meio mais rápido de comunicação disponível e devidamente investigados. anos potenciais de vida perdidos. Entende-se por: Controle – Manutenção de uma determinada doença ou agravo com número reduzido de casos. 25 . Doença Meningócica. b) Magnitude – Doenças com elevada freqüência que afetam grandes contingentes populacionais. perdas de vida. que traduzem pela incidência. Dengue. devido a presença do agente em outras regiões. Relevância Econômica – Devido às restrições comerciais. Poliomielite. AIDS. Sarampo. AIDS. através de operações ou programas desenvolvidos com o objetivo de reduzir sua incidência e/ou prevalência. AIDS. indignação quando incide em determinadas classes sociais. definidos de acordo com a apresentação clínica e epidemiológica do evento. Doença Meningócica. g) Compromissos Internacionais – O Governo brasileiro vem firmando acordos juntamente com os países membros da OPAS/OMS que visam empreender esforços conjuntos para o alcance de metas continentais ou até mundiais de controle.

Os gestores municipais e estaduais do Sistema Único de Saúde não podem excluir doenças e agravos componentes do elenco nacional de doença de notificação compulsória.º 993 de 04 de setembro. Os gestores estaduais e os municipais do Sistema Único de Saúde podem incluir outras doenças e agravos no elenco de doença de notificação compulsória. de forma a permitir a suspensão de qualquer medida de prevenção ou controle. de acordo com o quadro epidemiológico em cada uma dessas esferas de governo. As inclusões de outras doenças e agravos devem ser comunicadas pelos gestores estaduais e municipais do Sistema Único de Saúde à FUNASA.Erradicação – Cessação de toda a transmissão da infecção pela extinção artificial da espécie do agente em questão. Segundo a Portaria N. imediatamente. · Leishmaniose Visceral · Leptospirose · Malária (em área não endêmica) · Meningite por Haemophilus influenzae · Peste · Poliomielite · Paralisia Flácida Aguda · Raiva Humana · Rubéola · Síndrome da Rubéola Congênita · Sarampo · Sífilis Congênita · Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) · Tétano · Tuberculose Todo e qualquer surto ou epidemia. 26 . deve ser notificado. em seu âmbito de competência. Exemplo: Varíola. independente de constar na lista de doenças de notificação compulsória. publicada no Diário Oficial da União de 05 de setembro de 2000. são as seguintes: · Cólera · Coqueluche · Dengue · Difteria · Doenças de Chagas (casos agudos) · Doença Meningócica e Outras Meningites · Febre Amarela · Febre Tifóide · Hanseníase · Hantaviroses · Hepatite B · Hepatite C · Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em gestantes e crianças expostas ao risco de transmissão vertical. assim como a ocorrência de agravo inusitado. as Doenças de Notificação Compulsória em todo território nacional. às Secretarias Municipal e Estadual de Saúde e à Fundação Nacional de Saúde/FUNASA.

por Serviços de Verificação de Óbito (SVO) e Institutos Médico . em seu artigo 64. Doenças neuro-psiquiátricas · Demência: epidemiologia. é necessário que outras fontes de notificação sejam consultadas: atestados de óbito. além das doenças e agravos constantes na lista nacional. Os profissionais de saúde. 27 . Assim. sendo obrigatório a médicos e outros profissionais de saúde. muitas vezes o sistema de vigilância pidemiológica não fica sabendo de todos os casos de DNC. · Depressão: epidemiologia. ensaios clínicos e tratamento. devem realizar a busca ativa das notificações. métodos de diagnóstico. entrada de exames laboratoriais cuja suspeita seja de um DNC.Legais (IML). prevenção. prevenção e farmacogenética. portanto.083 de 23/09/98 que dispõe sobre o Código Sanitário do Estado de São Paulo. Apesar da notificação ser compulsória. Esta mudança do perfil epidemiológico no Brasil e em algumas partes do Mundo exige indicadores sensíveis e reformulações essenciais nas políticas de gestão da saúde. 9. isto é. A Lei 10. etc. por locais de trabalho. e verificar se houve a ocorrência de alguma DNC. o profissional de saúde é obrigado a proceder a investigação epidemiológica pertinente para a elucidação do diagnóstico e tomar as medidas de controle cabíveis. são de notificação compulsória: Esquistossomose Tracoma Febre Purpúrica Encefalite por arbovírus Leishmaniose tegumentar Acidentes por animais peçonhentos Eventos adversos pós vacinas Quem deve notificar Segundo o artigo 8º da Lei 6. periodicamente.259 de 30/10/75 “é dever de todo o cidadão comunicar à autoridade sanitária local a ocorrência de fato comprovado ou presumível de casos de doença transmissível. Envelhecimento · A autonomia. no Estado de São Paulo. grande preocupação para a Saúde Pública. na medida do possível. A autoridade sanitária deverá informar ao notificante. registros hospitalares e ambulatoriais. DOENÇAS CRÔNICO DEGENERATIVAS E O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO O envelhecimento da população e a grande incidência de doenças crônicodegenerativas convertem-se em importantes causas de morbidade e mortalidade.Pela Resolução SS 60. marcadores biológicos. a notificação de casos suspeitos ou confirmados das doenças de notificação compulsória”. constituindose. bem como aos responsáveis por organizações e estabelecimentos de ensino. no exercício de sua profissão. independência e inserção social do idoso. estende esta obrigatoriedade aos responsáveis por estabelecimentos prisionais. de 17/02/92 e Comunicado CVE publicado em 30/08/94. ir pessoalmente aos hospitais e outros serviços de saúde. as medidas que forem adotadas. estatísticas das escolas. Recebida a notificação.

Isso também faz com que o governo tenha de investir mais na prevenção e tratamento desses tipos de doença. da Colômbia. em 1992. hipertensivas e degenerativas.1% da população brasileira. · Diabetes: fatores predisponentes. eles somavam 11. o brasileiro já se preocupa com doenças do coração. Hoje. do Paraguai e de Honduras na mortalidade infantil. Nos EUA e na Europa. novas modalidades terapêuticas. fatores de risco e prevenção da arterosclerose. com quase oito anos a mais que a dos homens. Doenças ósseas. mostram que o número de idosos (pessoas com 60 anos de idade ou mais) chegou a 14. além de visitar regularmente o geriatra. daqui a 25 anos. Alagoas tem o maior índice do país (66. passando a representar 9. caiu mais de 20%. apesar da queda na década ter sido representativa. E com força total. · Patogênese. cálculos estimam que. cardiovasculares e renais · Osteoporose: prevenção e fatores de risco. Isso vem aumentando em muito a expectativa de vida e. De 1992 para 1999. · Biocompatibilidade de materiais para o tratamento de doenças crônico-degenerativas. este era de 88. se compararmos esses dados com os indicadores de outros países. O Brasil. a miséria no país das disparidades traz de volta enfermidades já consideradas erradicadas. sua qualidade. · Tratamento conservador da insuficiência renal crônica.9% do total. tolerância e/ou rejeição. pelo menos uma população envelhecida. a coisa complica.por Diogo Dreyer Se por um lado os números do Censo 2000 mostram que a mortalidade infantil foi reduzida mostra também que a população brasileira está mais idosa. tratamento das complicações crônicas .4 milhões. · Repercussão tegumentar das doenças metabólicas. · Mecanismos fisiopatológicos e moleculares do diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial. segundo o IBGE. 10. Outro indicador ligado à saúde que chama a atenção no censo é a diminuição da mortalidade infantil. · A constante avaliação de interações e repercussões sistêmicas da multiterapia medicamentosa no idoso. Os resultados do Censo 2000.1‰). essa população poderá ser superior a 30 milhões. divulgados em dezembro do ano passado. eles.3 anos. e terapêutica. relacionadas aos idosos. Entretanto. já que. · Transplantes: tecnologias aplicadas.5 milhões no final da década de 90. prevenção.7‰. se não ótimos indicadores sociais. Mas. sofrendo o aumento de doenças relacionadas à velhice. · Prevenção da perda e regeneração miocárdicas.· O idoso com múltiplas afecções. isto é. que vem mantendo uma tendência histórica de queda. passando de 43‰ para 34. O PARADOXO DA SAÚDE BRASILEIRA 02/08/2002 . 7. Estamos na frente. 28 . Para se ter uma idéia.6‰. elas vivem 72. caminha para ter. A expectativa de vida das mulheres segue sendo a maior.6 anos. por exemplo. metabólicas. apenas 64. por outro. principalmente. Uma população mais velha é um fator atribuído a países desenvolvidos com ótimos indicadores sociais. a indústria farmacêutica fatura alto descobrindo curas e formas de aliviar as doenças crônico-degenerativas. No início da década. Em média.

aponta o perigo do ressurgimento desses tipos de enfermidade nos países em desenvolvimento. a maioria da população depende do atendimento público e gastam-se U$ 470. O remédio faz parte do programa de governo de todos os candidatos à Presidência da República. oficialmente. aplicando apenas o que manda a lei orçamentária. na última década. como em tudo no Brasil. É uma unanimidade entre os candidatos que privilegiar as iniciativas de saneamento básico. até mesmo no do ex-ministro da Saúde. A cura para a saúde brasileira não parece precisar de tratamento de choque. Outro relatório. como a aids. como a dengue e a cólera. que preferem não gastar com saúde. que coincidem com o aumento de gastos específicos. O país passou. o pesadelo é a questão dos planos privados de saúde. que surgiram como uma alternativa à descrença no SUS (Sistema Único de Saúde).8% dos lares brasileiros. e ressalta que a falta de vontade política e políticas de saúde mal-empregadas são os vilões dessa história. José Serra. A recente lei de responsabilidade fiscal ainda faz medo às administrações públicas. Nos EUA. outros sofrem por doenças que já foram consideradas até mesmo erradicadas. em 28. a desigualdade é marca registrada também no que se refere à saúde. Esses são dados da OMS e compreendem gastos públicos e privados. mostra que. Já para a classe média. No Brasil. Contribuem para colocá-la num verdadeiro estado terminal o surgimento de novas doenças. eles praticam preços abusivos e desrespeitam os direitos do consumidor. Somam-se a isso a elevação gradativa do investimento per capita em saúde no Brasil e. a complementação alimentar e a difusão de práticas de higiene e vacinação produz o máximo de resultado com o mínimo de custo. cólera e malária. mais de 250 mil pessoas e provocou cerca de 60 mortes no estado do Rio de Janeiro no verão passado se transformou até em assunto de capa da revista americana Newsweek. Ao menos uma melhoria dá sobrevida ao brasileiro na hora da enfermidade. principalmente.055 por habitante anualmente. elaborado pela Unicef. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para ir mais longe: A epidemia de dengue que infectou. a ida à farmácia está pesando menos no bolso. incluindo o Brasil. por mudanças no perfil demográfico e epidemiológico da população que não tiveram a merecida atenção. Com a introdução dos medicamentos genéricos no mercado. O resultado reflete-se nas filas dos postos de saúde e hospitais dos grandes centros. 29 . fazer com que a maior parte do dinheiro do SUS fique no sistema público em vez de ser desviado para os provedores privados. são gastos U$ 4. o recrudescimento de doenças transmissíveis nas regiões de fronteira e a baixa cobertura de saneamento básico e de vigilância epidemiológica. Se por um lado alguns sofrem de doenças relacionadas ao desenvolvimento. na guerra travada ano após ano contra a dengue (mal que já foi até mesmo considerado erradicado) e em epidemias de tuberculose. Como não têm uma regulamentação rigorosa. Mas o aumento das doenças crônico-degenerativas provocadas pelo envelhecimento da população não é nem de perto a maior preocupação com a saúde brasileira. onde praticamente não existe atendimento hospitalar sem um seguro saúde. lançado no início do mês de julho. o que multiplica as oportunidades para a corrupção. principalmente em áreas básicas. o abastecimento de água é feito de maneira inadequada e alerta para o descaso com o saneamento básico.Doença de rico x doença de pobre E. Faz parte da estrutura básica de qualquer país que queira passar a se preocupar com sua população de idosos. Soma-se ao sucateamento do sistema público de saúde os continuados cortes de orçamento.

por outro lado. acompanhar a execução e fiscalizar as ações de saúde nas três esferas de governo: federal. 11. ou privadas. ofertando serviços com qualidade adequados às necessidades.Paulo mostra como.142/90. impõem cotas a médicos e pagam pouco a esses profissionais. pode opinar. Associados. contratadas pelo gestor público de saúde. 30 .SUS .foi criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis n.Paulo apresenta o perfil do idoso brasileiro. estadual e municipal. Através do Sistema Único de Saúde. com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à Saúde da população.Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil. como a FIOCRUZ . SUS (Sistema Único de Saúde) O Sistema Único de Saúde . independente do poder aquisitivo do cidadão.º 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde) e nº 8. higiene e adequação de instalações que atendem ao público. sejam públicas (da esfera municipal. estabelece duas formas de participação da população na gestão do Sistema Único de Saúde: as Conferências e os Conselhos de Saúde onde a comunidade. de exames. internações e tratamentos nas Unidades de Saúde vinculadas ao SUS. A reportagem da revista IstoÉ mostra a volta de doenças que já deveriam estar erradicadas e que acabam virando epidemias no Brasil. seu aumento e propagação (Vigilância Epidemiológica) são algumas das responsabilidades de atenção do SUS. através de seus representantes. laboratórios. democratizando as informações relevantes para que a população conheça seus direitos e os riscos à sua saúde. Do Sistema Único de Saúde fazem parte os centros e postos de saúde. priorizando as ações preventivas. onde atua a Vigilância Sanitária. todos os cidadãos têm o direito a: consultas. hospitais incluindo os universitários. a saúde brasileira fica doente. estadual e municipal. precisam usar esses planos. Com o aumento da população idosa no Brasil.Dengue. CONTROLE SOCIAL NO SUS A Lei Nº 8. às vezes correm para o médico achando que. O setor privado participa do SUS de forma complementar. muitas das preocupações voltam-se para essas pessoas. Essa reportagem do jornal O Estado de S. Essa reportagem do jornal O Estado de S. tornando obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão. tuberculose. assim como o controle da qualidade de remédios. de 28 de dezembro de 1990. hemocentros (bancos de sangue). na busca pelo lucro. por meio de contratos e convênios de prestação de serviço ao Estado – quando as unidades públicas de assistência à saúde não são suficientes para garantir o atendimento a toda população de uma determinada região. O controle da ocorrência de doenças. sarampo. de alimentos. as empresas de planos de saúde não investem em prevenção de doenças. O SUS se propõe a promover a saúde. hanseníase. definir. sendo proibidas cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto.142. O Sistema Único de Saúde tem como meta tornar-se um importante mecanismo de promoção da eqüidade no atendimento das necessidades de saúde da população. Preocupadas com despesas de curto prazo. só porque estão pagando. O SUS é destinado a todos os cidadãos e é financiado com recursos arrecadados através de impostos e contribuições sociais pagos pela população e compõem os recursos do governo federal. estadual e federal). exames. além de fundações e institutos de pesquisa.

uma figura retórica. após a realização das Conferências estaduais e municipais. Os Conselhos de Saúde são os órgãos de controle do SUS pela sociedade nos níveis municipal. São componentes dos Conselhos os representantes do governo. esconder-se à verdade. A BIOÉTICA A Bioética não deve ser. Foi o relatório final da 8ª Conferência Nacional de Saúde de 1986 que serviu de base para a elaboração do capítulo sobre saúde da nossa Constituição Federal de 1988. na prática. o direito constitucional à saúde com qualidade e o respeito à dignidade humana. devem funcionar e tomar decisões regularmente. bem intencionada e livre de qualquer preconceito. entre a debilidade da condição do paciente e um frio diagnóstico. refletir-se no real poder da população em modificar planos. contudo. 31 . dos prestadores de serviços. prevaleça-se aquilo que acrescentar menos sofrimento ao sofrimento já estabelecido pela própria doença. isto é. dos profissionais de saúde. A palavra que conforta pode ser a mesma que desestimula. De quatro em quatro anos deve acontecer a Conferência Nacional de Saúde. do governo. quando foi criado o Sistema Único de Saúde. de caráter permanente e deliberativo. O uso da “não maleficência” pode ser um importante indicador para situações que sejam “nós” onde. “O Controle Social não deve ser traduzido apenas em mecanismos formais e. dos prestadores de serviços. acompanhando. nos estados e no país. Eles foram criados para permitir que a população possa interferir na gestão da saúde. estadual e federal. Esta prática tem e deve ser sincera. dos profissionais de saúde e usuários. (Relatório final da 9ª Conferência Nacional de Saúde de 1992) “Com a participação da comunidade na gestão do SUS se estabelece uma nova relação entre Estado e a Sociedade. sim. uma vez que eles são quem melhor conhecem a realidade da saúde da comunidade.Como Funcionam as Conferências e os Conselhos de Saúde Nas Conferências. O legítimo representante dos cidadãos usuários do SUS defende os interesses e necessidades da população que mais precisa e usa os serviços do SUS. não só no campo da saúde”. onde são apontados os rumos para aperfeiçoamento do SUS. reúnem-se os representantes da sociedade (que são os usuários do SUS). Para conhecer melhor os Conselhos de Saúde procure a Secretaria Municipal de Saúde do seu município e veja como pode participar. (Guia de Referência para Conselheiros Municipais – Ministério da Saúde) 12. de forma que as decisões do Estado sobre o que fazer na saúde terão que ser negociadas com os representantes da Sociedade. dependendo do diagnóstico apresentado ao paciente. Os Conselhos de Saúde funcionam como colegiados. exercendo o controle social ao lutar para garantir. parlamentares e outros para “avaliar a situação da saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde” nos municípios. políticas. mas deve ajudar a reforçar a relação médico-paciente. meramente. controlando e fiscalizando a política de saúde e propondo correções e aperfeiçoamentos em seu rumo. Por isso ela é entendida como uma das formas mais avançadas de democracia”. defendendo os interesses da coletividade para que estes sejam atendidos pelas ações governamentais. sem.

Dr. 10) Defina história natural das doenças.Por sua condição fragilizada. Se comparado ao placebo. a preocupação com o uso da palavra em situações tão delicadas deve cada mais ser considerado. dependendo de como for usada. equilibrando os termos técnicos se for necessário. 8) Cite 3 variáveis relacionadas ao meio ambiente e explique-as. 13. pois o profissional de saúde certamente entrará em contato com situações que não teve a oportunidade de vivenciar na Universidade. seu histórico de vida. Texto do Prof. fruto de treino e moldado com paciência. Max Grinberg da Comissão de Bioética do Hospital das Clínicas de São Paulo e Diretor da Unidade de Valvopatia do Instituto do Coração (InCor). trabalhar a relação médico-paciente-família para que esta (a família) seja um agente amenizador no processo de tratamento do paciente. Alertar sobre o risco de determinado tratamento ou o seu sucesso não deve ser um ato terrorista ou poderemos estar convidando-o a abandonar qualquer procedimento proposto. Explique-as. Por isso o trabalho constante de explicar. que é um medicamento inerte mas que pode causar algum efeito pela expectativa que gera ao paciente. Saber como falar. suavizar a linguagem ou trazê-lo mais para a realidade é antes de tudo. 5) Cite 4 doenças crônico degenerativas. 2) Defina epidemiologia clássica e epidemiologia clínica. 6) Cite 3 variáveis relacionadas ao agente e explique-as. 9) O que são zoonoses. a palavra também pode causar um bom ou mau efeito. Cite 3 exemplos. 11) Quais os 4 tipos de agentes existentes. 3) Quais as 4 etapas do raciocínio epidemiológico. Cite e explique. são todos fatores essenciais. re-explicar. a maneira como entende o tratamento e a confiança estabelecida com o médico devem ser consideradas sempre. QUESTÕES A SEREM RESPONDIDAS 1) Defina saúde. 32 . Independente do estilo de comunicação de cada um. 4) Explique as mudanças do perfil epidemiológico do Brasil e como influenciam nas políticas de gestão e recursos do país. 7) Cite 3 variáveis relacionadas ao hospedeiro e explique-as.

13) O que são vetores. somente as nomenclaturas).12) Quais os 3 fatores que influenciam a probabilidade e as circunstâncias entre o agente e o hospedeiro. 15) Para que servem os indicadores de saúde? 16) Cite 3 indicadores usados na saúde (não são necessárias as expressões. 24) Defina sinais e sintomas e dê 3 exemplos para cada. eliminação e erradicação. 25) O que é notificação? 26) Cite e explique 3 critérios para que uma doença passe a ser de notificação compulsória. para a melhora do dimensionamento estatístico destes agravos? 33 . 23) A saúde pública está apoiada em um importante “tripé”. 18) Defina mortalidade e morbidade. 14) Cite e explique os 3 níveis de prevenção. 20) Defina tendência e tendência secular. Explique e dê 2 exemplos. doença endêmica. 17) Defina prevalência e incidência. 22) Defina: saúde. Cite-o e explique cada uma de suas “pernas”. 21) Defina doença esporádica. 19) Defina letalidade e sazonalidade. 28) Cite 5 doenças de notificação compulsória. Cite e explique. doença epidêmica. 29) Quem pode notificar uma doença? 30) Quais as outras fontes de notificação podem ser consultadas. 27) Defina controle.

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