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Apostila Maquinas eletricas 1 - CEFET_SC

Apostila Maquinas eletricas 1 - CEFET_SC

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  • 11 EELLEETTRROOMMAAGGNNEETTIISSMMOO
  • 1.1 INTRODUÇÃO
  • 1.2 CONCEITOS
  • 1.2.1 Campo Magnético e Linhas de Campo Magnético
  • 1.2.2 Fluxo Magnético
  • 1.2.3 Densidade de Campo Magnético
  • 1.2.4 Permeabilidade Magnética
  • 1.2.5 Relutância Magnética
  • 1.3 FENÔMENOS ELETROMAGNÉTICOS
  • 1.3.1 Descoberta de Oersted
  • 1.3.2 Lei da Atração e Reação de Newton
  • 1.3.3 Campo Magnético criado por Corrente Elétrica
  • 1.3.4 Fontes de Campo Magnético
  • 1.3.5 Força Magnetizante (Campo Magnético Indutor)
  • 1.3.6 Força Magneto-Motriz
  • 1.3.7 Lei de Ampère
  • 1.3.8 Força Eletromagnética
  • 1.3.9 Indução Eletromagnética
  • 22 TTRRAANNSSFFOORRMMAADDOORREESS
  • 2.1 INTRODUÇÃO
  • 2.2 DEFINIÇÃO
  • 2.2.1 Princípio de funcionamento
  • 2.3 TRANSFORMADOR IDEAL
  • 2.3.1 Equação Fundamental de um Transformador Ideal
  • 2.4 TRANSFORMADOR COM PERDAS
  • 2.4.1 Transformador operando em vazio
  • 2.4.2 Transformador operando com carga
  • 2.5 MODELO EQUIVALENTE DO TRANSFORMADOR
  • 2.5.1 Simplificação do Circuito Equivalente
  • 2.6 O DESEMPENHO DO TRANSFORMADOR
  • 2.6.1 Características de Placa
  • 2.6.2 Rendimento
  • 2.6.3 Regulação de Tensão
  • 2.7 MARCAS DE POLARIDADE
  • 2.7.1 Polaridade Aditiva ou Subtrativa
  • 2.7.2 Teste de Polaridade
  • 2.8 TRANSFORMADOR MONOFÁSICO E TRIFÁSICO
  • 2.8.1 Transformador Monofásico
  • 2.8.2 Transformador Trifásico
  • 2.9 ASSOCIAÇÃO DE TRANSFORMADORES
  • 2.9.1 Transformadores em Paralelo
  • 2.9.2 Banco Trifásico de Transformadores
  • 2.10 ENSAIO DE CURTO-CIRCUITO E CIRCUITO ABERTO
  • 2.10.1 Ensaio de Curto-Circuito
  • 2.10.2 Ensaio de Circuito Aberto
  • 2.11 AUTOTRANSFORMADOR
  • 2.12 TRANSFORMADOR PARA INSTRUMENTO
  • 33 MMOOTTOORR DDEE IINNDDUUÇÇÃÃOO
  • 44 EEXXEERRCCÍÍCCIIOOSS
  • ELETROMAGNETISMO
  • TRANSFORMADORES
  • MOTOR DE INDUÇÃO

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE SANTA CATARINA UNIDADE JOINVILLE

APOSTILA DE MÁQUINAS ELÉTRICAS I

PROF. ANA BARBARA KNOLSEISEN SAMBAQUI, D.ENG. VERSÃO 1.0 JOINVILLE – JANEIRO, 2008

Esta apostila é um material de apoio didático utilizado nas aulas da unidade curricular Máquinas Elétricas I, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (CEFET/SC), Unidade Joinville. Portanto, este material não tem a pretensão de esgotar o assunto abordado, servindo apenas como primeira orientação aos alunos. O aluno deve desenvolver o hábito de consultar e estudar a Bibliografia Referenciada original para melhores resultados no processo de aprendizagem. Neste material estão sendo usados o sentido convencional da corrente elétrica e o Sistema Internacional de Unidades (MKSA).

Prof. Ana Barbara Knolseisen Sambaqui anabarbara@cefetsc.edu.br

Prof. Ana Barbara K. Sambaqui

Máquinas Elétricas I

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ÍNDICE
ÍNDICE .................................................................................................................................................................................................... 2 1 ELETROMAGNETISMO .................................................................................................................................................................... 1 1.1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................................... 1 1.2 CONCEITOS ....................................................................................................................................................................... 1 1.2.1 Campo Magnético e Linhas de Campo Magnético ....................................................................................... 1 1.2.2 Fluxo Magnético ................................................................................................................................................. 3 1.2.3 Densidade de Campo Magnético..................................................................................................................... 3 1.2.4 Permeabilidade Magnética ............................................................................................................................... 3 1.2.5 Relutância Magnética ........................................................................................................................................ 5 1.3 FENÔMENOS ELETROMAGNÉTICOS ..................................................................................................................................... 6 1.3.1 Descoberta de Oersted ..................................................................................................................................... 6 1.3.2 Lei da Atração e Reação de Newton............................................................................................................... 6 1.3.3 Campo Magnético criado por Corrente Elétrica ........................................................................................... 6 1.3.4 Fontes de Campo Magnético............................................................................................................................ 7 1.3.5 Força Magnetizante (Campo Magnético Indutor) ...................................................................................... 11 1.3.6 Força Magneto-Motriz ..................................................................................................................................... 12 1.3.7 Lei de Ampère................................................................................................................................................... 13 1.3.8 Força Eletromagnética .................................................................................................................................... 13 1.3.9 Indução Eletromagnética................................................................................................................................ 17 2 TRANSFORMADORES ................................................................................................................................................................... 22 2.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................... 22 2.2 DEFINIÇÃO ...................................................................................................................................................................... 23 2.2.1 Princípio de funcionamento............................................................................................................................ 23 2.3 TRANSFORMADOR IDEAL .................................................................................................................................................. 23 2.3.1 Equação Fundamental de um Transformador Ideal.................................................................................. 24 2.4 TRANSFORMADOR COM PERDAS ....................................................................................................................................... 25 2.4.1 Transformador operando em vazio .............................................................................................................. 25 2.4.2 Transformador operando com carga............................................................................................................ 26 2.5 MODELO EQUIVALENTE DO TRANSFORMADOR .................................................................................................................. 27 2.5.1 Simplificação do Circuito Equivalente .......................................................................................................... 29 2.6 O DESEMPENHO DO TRANSFORMADOR ............................................................................................................................ 29 2.6.1 Características de Placa .................................................................................................................................. 29 2.6.2 Rendimento ....................................................................................................................................................... 30 2.6.3 Regulação de Tensão ...................................................................................................................................... 30 2.7 MARCAS DE POLARIDADE................................................................................................................................................. 31 2.7.1 Polaridade Aditiva ou Subtrativa .................................................................................................................. 32 2.7.2 Teste de Polaridade ......................................................................................................................................... 32 2.8 TRANSFORMADOR MONOFÁSICO E TRIFÁSICO ................................................................................................................. 33 2.8.1 Transformador Monofásico............................................................................................................................. 33 2.8.2 Transformador Trifásico.................................................................................................................................. 34 2.9 ASSOCIAÇÃO DE TRANSFORMADORES .............................................................................................................................. 36 2.9.1 Transformadores em Paralelo ....................................................................................................................... 36 2.9.2 Banco Trifásico de Transformadores............................................................................................................ 37 2.10 ENSAIO DE CURTO-CIRCUITO E CIRCUITO ABERTO.................................................................................................... 39 2.10.1 Ensaio de Curto-Circuito ........................................................................................................................... 39 2.10.2 Ensaio de Circuito Aberto.......................................................................................................................... 40 2.11 AUTOTRANSFORMADOR .............................................................................................................................................. 40 2.12 TRANSFORMADOR PARA INSTRUMENTO ...................................................................................................................... 40 3 MOTOR DE INDUÇÃO .................................................................................................................................................................. 41 4 EXERCÍCIOS ............................................................................................................................................................................... 42 ELETROMAGNETISMO ....................................................................................................................................................................... 42 TRANSFORMADORES ........................................................................................................................................................................ 44 MOTOR DE INDUÇÃO ........................................................................................................................................................................ 46

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1 ELETROMAGNETISMO

1.1 INTRODUÇÃO
O magnetismo, como qualquer forma de energia, é originado na estrutura física da matéria, ou seja, no átomo. O elétron gira sobre seu eixo (spin eletrônico) e ao redor do núcleo de um átomo (rotação orbital) como mostra a Figura 1.

Figura 1: Movimento dos elétrons nos átomos.

Na maioria dos materiais, a combinação entre direção e sentido dos efeitos magnéticos gerados pelos seus elétrons é nula, originando uma compensação e produzindo um átomo magneticamente neutro. Porém, pode acontecer uma resultante magnética quando um número de elétrons gira em um sentido e um número menor de elétrons gira em outro sentido. Assim, muitos dos elétrons dos átomos dos ímãs girando ao redor de seus núcleos em direções determinadas e em torno de seus próprios eixos, produzem um efeito magnético em uma mesma direção que resulta na expressão magnética externa. Esta expressão é conhecida como campo magnético permanente e é representado pelas linhas de campo.

1.2 CONCEITOS
1.2.1 Campo Magnético e Linhas de Campo Magnético Campo magnético é a região ao redor de um imã, na qual ocorre uma força magnética de atração ou de repulsão. O campo magnético pode ser definido pela medida da força que o campo exerce sobre o movimento das partículas de carga, tal como um elétron. A representação visual do campo é feita através de linhas de campo magnético, também conhecidas por linhas de indução magnética ou linhas de fluxo magnético, que são linhas envoltórias imaginárias fechadas, que saem do pólo norte e entram no pólo sul. A Figura 2 mostra as linhas de campo representando visualmente o campo magnético.

Figura 2: Linhas de campo magnético.

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Se dois pólos diferentes de ímãs são aproximados haverá uma força de atração entre eles. as linhas de campo se concentrarão nesta região e seus trajetos serão completados através dos dois ímãs. as características das linhas de campo magnético: • são sempre linhas fechadas: saem e voltam a um mesmo ponto. as linhas de campo entre as superfícies paralelas dispõem-se praticamente paralelas. as linhas são orientadas do pólo sul para o pólo norte. • saem e entram na direção perpendicular às superfícies dos pólos. Estas distorções são chamadas de espraiamento. as linhas vão se inclinando até se tornarem praticamente verticais na região polar. Assim. originando um campo magnético uniforme. Prof. Figura 3: Distribuição das linhas de campo magnético. Se dois pólos iguais são aproximados haverá uma força de repulsão e as linhas de campo divergirão. ou seja. • as linhas nunca se cruzam. todas as linhas de campo têm a mesma direção e sentido em qualquer ponto.Assim. No caso de um imã em forma de ferradura. A Figura 4 mostra essa situação. as linhas saem do pólo norte e se dirigem para o pólo sul. a agulha de uma bússola acompanha a inclinação dessas linhas de campo magnético e se pode verificar que na região polar a agulha da bússola tenderá a ficar praticamente na posição vertical. Sambaqui Máquinas Elétricas I 2 . Na prática. Estas situações estão representadas na Figura 3. Figura 4: Campo magnético uniforme e espraiamento. mas nas bordas de um elemento magnético há sempre algumas linhas de campo que não são paralelas às outras. mais intenso será o campo magnético numa dada região. dificilmente encontra-se um campo magnético perfeitamente uniforme. No campo magnético uniforme. • dentro do ímã. • nos pólos a concentração das linhas é maior: quanto maior concentração de linhas. serão distorcidas e haverá uma região entre os ímãs onde o campo magnético será nulo. • fora do ímã. Ana Barbara K. Uma verificação das propriedades das linhas de campo magnético é a chamada inclinação magnética da bússola. Nas proximidades do equador as linhas de campo são praticamente paralelas à superfície e a medida que se aproxima dos pólos. Entre dois pólos planos e paralelos o campo é praticamente uniforme se a área dos pólos for maior que a distância entre eles.

for colocado na região das linhas de Prof. haverá uma imperceptível alteração na distribuição das linhas de campo. como vidro ou cobre. Figura 6: Vetor densidade de campo magnético: tangente às linhas de campo. como mostra a Figura 5.2. A unidade de fluxo magnético é o Weber (Wb). 1. Assim: B= φ A (1) onde: B: densidade fluxo magnético.4 Permeabilidade Magnética Se um material não magnético. onde as linhas de indução estão muito próximas umas das outras. se um material magnético. Ana Barbara K.2. cuja unidade Tesla (T). B será pequeno. Sambaqui Máquinas Elétricas I 3 . Onde as linhas estiverem muito separadas.2. 1. for colocado na região das linhas de campo de um ímã.3 Densidade de Campo Magnético A densidade de campo magnético. Figura 5: Fluxo magnético : quantidade de linhas de campo numa área. Entretanto. como mostra a Figura 6. O número de linhas de campo magnético que atravessam uma dada superfície perpendicular por unidade de área é proporcional ao módulo do vetor B na região considerada.2 Fluxo Magnético O fluxo magnético. metro quadrado [m2] 1T = 1Wb/m2 A direção do vetor B é sempre tangente às linhas de campo magnético em qualquer ponto. como o ferro.1. densidade de fluxo magnético ou simplesmente campo magnético. Assim sendo. é definido como a quantidade de linhas de campo que atingem perpendicularmente uma dada área. é uma grandeza vetorial representada pela letra B e é determinada pela relação entre o fluxo magnético e a área de uma dada superfície perpendicular à direção do fluxo magnético. Tesla [T] Φ: fluxo magnético. B terá alto valor. sendo que um Weber corresponde a 1x108 linhas do campo magnético. simbolizado por φ. Weber [Wb] A: área da seção perpendicular perpendicular ao fluxo magnético. O sentido do vetor densidade de campo magnético é sempre o mesmo das linhas de campo.

Os materiais que têm a permeabilidade um pouco inferior à do vácuo são chamados materiais diamagnéticos. Figura 8: Efeito da blindagem magnética na distribuição das linhas de campo. Este princípio é usado na blindagem magnética de elementos (as linhas de campo ficam concentradas na carcaça metálica não atingindo o instrumento no seu interior) e instrumentos elétricos sensíveis e que podem ser afetados pelo campo magnético.campo de um ímã. µ. Portanto. como mostra a Figura 7. cobalto e ligas desses materiais têm permeabilidade de centenas e até milhares de vezes maiores que o vácuo. A permeabilidade magnética de todos os materiais não magnéticos. Se diferentes materiais com as mesmas dimensões físicas são usados. Aqueles que têm a permeabilidade um pouco maior que a do vácuo são chamados materiais paramagnéticos. A relação entre a permeabilidade de um dado material e a permeabilidade do vácuo é chamada de permeabilidade relativa. Esta variação se deve a uma grandeza associada aos materiais chamada permeabilidade magnética. madeira. um material na proximidade de um ímã pode alterar a distribuição das linhas de campo magnético. Ana Barbara K. Esses materiais são conhecidos como materiais ferromagnéticos. A permeabilidade magnética do vácuo. ou ainda [H/m]. aço. Figura 7: Distribuição nas linhas de campo: material magnético e não magnético. alumínio. níquel. Sambaqui Máquinas Elétricas I 4 . assim: Prof. A permeabilidade magnética de um material é uma medida da facilidade com que as linhas de campo podem atravessar um dado material. µ0 vale: µ 0 = 4 ⋅ π ⋅ 10 −7 ⎡ Wb ⎤ ⎢ A⋅ m⎥ ⎣ ⎦ (2) A unidade de permeabilidade também pode ser expressa por [Tm/A]. como o cobre. vidro e ar é aproximadamente igual à permeabilidade magnética do vácuo. estas passarão através do ferro em vez de se distribuírem no ar ao seu redor porque elas se concentram com maior facilidade nos materiais magnéticos. A blindagem magnética (Figura 8) é um exemplo prático da aplicação do efeito da permeabilidade magnética. a intensidade com que as linhas são concentradas varia. Materiais magnéticos como o ferro. Assim: H=Wb/A.

valendo entre 2. Figura 9: Campos magnéticos de alta e baixa relutância. como os ferromagnéticos. [Ae/Wb]. estas se dirigem para o de maior permeabilidade. Materiais com alta permeabilidade. µr ≥ 100 para os materiais ferromagnéticos. de baixa permeabilidade. A relutância magnética é determinada pela equação: ℜ= onde: 1 l ⋅ µ A (4) ℜ: relutância magnética.m]. 1. têm relutâncias muito baixas e. ou seja. Quando dois materiais de permeabilidades diferentes apresentam-se como caminho magnético para as linhas do campo. Isto é chamado de princípio da relutância mínima.000 e 6. [m2]. Entretanto a relutância é inversamente proporcional à permeabilidade magnética. representa um caminho magnético de menor relutância para as linhas de campo. µ: permeabilidade magnética do meio. Já o vidro. [m]. Estas grandezas são diretamente proporcionais ao comprimento do material. Ana Barbara K. A: área da seção transversal. enquanto a resistência é diretamente proporcional à resistividade elétrica. A relutância magnética é uma grandeza análoga à resistência elétrica (R) que pode ser determinada pela equação que relaciona a resistividade e as dimensões de um material: R=ρ⋅ l A (5) Podemos notar que a resistência elétrica e a relutância magnética são inversamente proporcionais à área.µr = µm µ0 (3) onde: µr: permeabilidade relativa de um material (adimensional) µm: permeabilidade de um dado material µ0: permeabilidade do vácuo Geralmente.5 Relutância Magnética A relutância magnética é a medida da oposição que um meio oferece ao estabelecimento e concentração das linhas de campo magnético. não proporciona grande concentração das linhas de campo.000 em materiais especiais.2.000 nos materiais de máquinas elétricas e podendo chegar até a 100. l: comprimento médio do caminho magnético das linhas de campo no meio. de alta permeabilidade. maior área menor resistência ao fluxo de cargas elétricas e ao fluxo de linhas de campo. Na Figura 9. proporcionam grande concentração das linhas de campo magnético. Para os não magnéticos µr ≅ 1. [Wb/A. Isso representa um caminho magnético de alta relutância. portanto. Sambaqui Máquinas Elétricas I 5 . concentrando-as. podemos perceber que o ferro. Prof.

1. fluxo Magnético variante sobre um condutor gera (induz) corrente elétrica. evidenciando a presença de um campo magnético produzido pela corrente. quando havia corrente elétrica no fio. Nos anos seguintes. Oersted verificou que a agulha magnética se movia. a agulha retornava a sua posição inicial.3. Conclusão de Oested: Todo condutor percorrido eletromagnético. orientando-se numa direção perpendicular ao fio. Este campo originava uma força magnética capaz de mudar a orientação da bússola. cria em torno de si um campo Em decorrência dessas descobertas. São três os principais fenômenos eletromagnéticos e que regem todas as aplicações tecnológicas do eletromagnetismo: I. 1.3. se uma corrente elétrica é capaz de gerar um campo magnético. Interrompendo-se a corrente. Figura 10: Experiência Oersted.1.3 Campo Magnético criado por Corrente Elétrica No mesmo ano que Oersted comprovou a existência de um campo magnético produzido pela corrente elétrica. outros pesquisadores como Michael Faraday. ou seja.2 Lei da Atração e Reação de Newton Da Lei da Ação e Reação de Newton. II. foi possível estabelecer o princípio básico de todos os fenômenos magnéticos: Quando duas cargas elétricas estão em movimento manifesta se entre elas uma força magnética além da força elétrica (ou força eletrostática). que é um ímã. Este campo magnético de origem elétrica é chamado de campo eletromagnético.3. campo magnético provoca ação de uma força magnética sobre um condutor percorrido por corrente elétrica. Além disso. então um imã deve provocar uma força num condutor percorrido por corrente. ao longo da direção norte-sul. Para o experimento mostrado na Figura 10. um professor e físico dinamarquês chamado Hans Christian Oersted observou que uma corrente elétrica era capaz de alterar a direção de uma agulha magnética de uma bússola. por corrente elétrica. III. o cientista francês André Marie Ampère. um campo magnético é capaz de gerar corrente elétrica. Prof. condutor percorrido por corrente elétrica produz campo magnético. preocupou-se em descobrir as características desse campo. Sambaqui Máquinas Elétricas I 6 .3 FENÔMENOS ELETROMAGNÉTICOS 1.1 Descoberta de Oersted Em 1820. os cientistas concluíram que. Karl Friedrich Gauss e James Clerk Maxwell continuaram investigando e desenvolveram muitos dos conceitos básicos do eletromagnetismo. então o contrário é verdadeiro. Ana Barbara K. pode-se concluir que se um condutor percorrido por corrente provoca uma força de origem magnética capaz de mover a agulha da bússola.

Figura 12: Simbologia para representação do sentido das linhas de campo no plano. : representa um fio. ou então com a simbologia estudada.As linhas de campo magnético são linhas envoltórias concêntricas e orientadas. com sentido de entrada neste plano. A Regra de Ampère. também chamada de Regra da Mão Direita é usada para determinar o sentido das linhas do campo magnético. como mostra a Figura 11. Ana Barbara K. os demais dedos indicam o sentido das linhas de campo que envolvem o condutor Para a representação do sentido das linhas de campo ou de um vetor qualquer perpendicular a um plano (como o plano do papel) utiliza-se a seguinte simbologia: : representa um fio. Figura 11: Linhas de campo magnético criado por uma corrente elétrica: concêntricas.4 Fontes de Campo Magnético Além dos ímãs naturais (magnetita) e os ímãs permanentes feitos de materiais magnetizados. O sentido das linhas de campo magnético produzido pela corrente no condutor é dada pela Regra de Ampère. Uma corrente intensa produzirá um Prof. como mostra a Figura 12. uma linha de campo ou um vetor com direção perpendicular ao plano. com sentido de saída deste plano. considerando-se o sentido convencional da corrente elétrica. Regra de Ampère – Regra da mão direita: Com a mão direita envolvendo o condutor e o polegar apontando para o sentido convencional da corrente elétrica. Se estes condutores tiverem a forma de espiras ou bobinas. uma linha de campo ou um vetor com direção perpendicular ao plano. O campo magnético gerado por um condutor percorrido por corrente pode ser representado por suas linhas desenhadas em perspectiva.3. É possível gerar campos magnéticos através da corrente elétrica em condutores. Sambaqui Máquinas Elétricas I 7 . pode-se gerar campos magnéticos muito intensos. 1. Campo Magnético gerado em torno de um Condutor Retilíneo A intensidade do campo magnético gerado em torno de um condutor retilíneo percorrido por corrente elétrica depende da intensidade dessa corrente.

r: distância entre o centro do condutor e o ponto p considerado. [T]. ou seja. quando a distância r for bem menor que o comprimento do condutor (r<<ℓ).campo intenso. como mostra a Figura 14. Campo Magnético gerado no centro de uma Espira Circular Um condutor em forma de espira circular quando percorrido por corrente elétrica é capaz de concentrar as linhas de campo magnético no interior da espira. [m]. [A]. Prof. Figura 13: Representação do campo magnético em função da corrente elétrica. O vetor B que representa a densidade de campo magnético ou densidade de Fluxo em qualquer ponto. inversamente proporcional à distância entre o centro do condutor e o ponto e depende do meio. A densidade de campo magnético B num ponto p considerado. µ: permeabilidade magnética do meio. Isso pode ser comprovado pela observação da orientação da agulha de uma bússola em torno de um condutor percorrido por corrente elétrica. Ana Barbara K. com inúmeras linhas de campo que se distribuem até regiões bem distantes do condutor. é diretamente proporcional à corrente no condutor. Uma corrente menos intensa produzirá poucas linhas numa região próxima ao condutor. Figura 14: Vetor campo magnético tangente às linhas de campo. Sambaqui Máquinas Elétricas I 8 . Permeabilidade magnética no vácuo: µ⋅I 2π ⋅ r (6) µ 0 = 4π ⋅ 10 −7 [T ⋅ m / A] (7) Esta equação é válida para condutores longos. Isso significa que a densidade de campo magnético resultante no interior da espira é maior que a produzida pela mesma corrente no condutor retilíneo. conforme mostrado na equação matemática: B= onde: B: densidade de campo magnético num ponto p. [T.m/A]. apresenta direção sempre tangente às linhas de campo no ponto considerado. Ι: intensidade de corrente no condutor. conforme mostrado na Figura 13.

Entre duas espiras os campos se anulam pois têm sentidos opostos. mais intenso e mais uniforme será o campo magnético. como mostra a Figura 16. e o resultado final é idêntico a um campo magnético de um imã permanente em forma de barra. Campo Magnético gerado no centro de uma Bobina Longa ou Solenóide Um solenóide é uma bobina longa obtida por um fio condutor isolado e enrolado em espiras iguais. para os campos magnéticos: B= µ⋅I 2R (8) onde: B: densidade de campo magnético no centro da espira circular. Prof. Ana Barbara K. Quanto mais próximas estiverem as espiras umas das outras.Para a determinação do campo magnético no centro de uma espira circular. [T. µ: permeabilidade magnética do meio. Ι: intensidade de corrente no condutor. R: raio da espira.m/A]. e igualmente espaçadas entre si. lado a lado. [T]. o sentido das linhas de campo magnético que envolvem o condutor da espira circular (Figura 15). Assim. a regra da mão direita também é válida. Quando a bobina é percorrida por corrente. [A]. O polegar indica o sentido da corrente elétrica na espira e os demais dedos da mão direita. os campos magnéticos criados em cada uma das espiras que formam o solenóide se somam. Figura 16: Representação do campo magnético gerado por um solenóide percorrido por corrente. Sambaqui Máquinas Elétricas I 9 . No centro do solenóide os campos se somam e no interior do solenóide o campo é praticamente uniforme. [m]. Podemos observar que as linhas de campo são concentradas no interior do solenóide. Figura 15: Representação do campo magnético gerado por uma espira circular.

Figura 18: Representação de um toróide. [T. pois o magnetismo residual é muito baixo. O sentido das linhas de campo pode ser determinado por uma adaptação da regra da mão direita. Ι: intensidade de corrente no condutor. Ana Barbara K. Sambaqui Máquinas Elétricas I 10 . Os toróides são capazes de proporcionar a maior concentração das linhas de campo magnético. Cessada a corrente ele perde a magnetização.A densidade do campo magnético (densidade de fluxo magnético) no centro de um solenóide é expresso por: B= µ⋅N ⋅I l (9) onde: B: densidade de campo magnético no centro da espira circular. e seu núcleo pode ser de ar ou de material ferromagnético. Figura 17:Regra da mão direita aplicada a uma bobina. [T]. [A]. l: comprimento longitudinal do solenóide. [m]. Geralmente as bobinas toroidais são feitas com núcleos de ferrite. como mostra a Figura 18. Pode ser provado matematicamente que a densidade de campo magnético no interior das espiras (no núcleo) do toróide é dada por: Prof. Um Eletroímã consiste de uma bobina enrolada em torno de um núcleo de material ferromagnético de alta permeabilidade (ferro doce. Campo Magnético gerado por um Toróide Uma bobina toroidal (toróide) é um solenóide em forma de anel. µ: permeabilidade magnética do meio. por exemplo) para concentrar o campo magnético.m/A]. N: número de espiras do solenóide. como ilustra a Figura 17.

[A]. [T. Ι: intensidade de corrente no condutor. l: comprimento longitudinal do solenóide. [T]. Quanto maior a permeabilidade magnética µ do Prof. pode-se concluir que os vetores densidade de campo magnético e campo magnético indutor se relacionam pela equação: B = µ⋅H (12) Isso significa que uma dada bobina percorrida por uma dada corrente produz uma dada força magnetizante ou campo magnético indutor. a densidade de fluxo magnético no interior da bobina será alterada em função da permeabilidade magnética do meio.m/A]. [m]. Ι: intensidade de corrente no condutor. Portanto. N ⋅I l (11) O vetor H tem as mesmas características de orientação do vetor densidade de campo magnético (B). pois como o núcleo tem forma circular ele é capaz de produzir um caminho magnético enlaçando todas as linhas de campo. [m]. Pode ser chamado de Vetor Campo Magnético Indutor ou Vetor Força Magnetizante (H) ao campo magnético induzido (gerado) pela corrente elétrica na bobina. por exemplo) a densidade de campo magnético varia para esta mesma bobina. Ana Barbara K. porém independe do tipo de material do núcleo da bobina. 1. [Ae/m]. l: comprimento do núcleo magnético. N: número de espiras do solenóide. A densidade de campo magnético fora do núcleo do toróide. independentemente da permeabilidade magnética do material do núcleo (meio). r: raio médio do toróide. [m].3. Sambaqui Máquinas Elétricas I 11 . Ao variar o valor da permeabilidade magnética do meio (alterando o material do núcleo da bobina. N: número de espiras do solenóide. O vetor densidade de campo magnético na bobina pode ser dado por: µ⋅N ⋅I 2π ⋅ r (10) B= resolvendo.B= onde: B: densidade de campo magnético no centro da espira circular. [A]. µ⋅N ⋅I l N ⋅I l B B µ definindo: = H= µ O módulo do vetor campo magnético indutor ou vetor força magnetizante H numa bobina pode ser dado por: H= onde: H: campo magnético indutor. tanto na região externa como interna é NULO.5 Força Magnetizante (Campo Magnético Indutor) Se em uma dada bobina for mantida a corrente constante e mudado o material do núcleo (permeabilidade µ do meio). µ: permeabilidade magnética do meio.

ou seja. é uma relação entre a Força Magnetizante e a Densidade de Fluxo Magnético resultante. a força magnetizante (H) e a densidade de fluxo (B). Portanto: A Densidade de Fluxo Magnético B é o efeito da Força Magnetizante H num dado meio µ.6 Força Magneto-Motriz A Força Magneto-Motriz (fmm) é definida como a causa da produção do fluxo no núcleo de um circuito magnético. o efeito da força magnetizante no núcleo será tanto maior. fmm = N ⋅ I onde: fmm: força magneto-motriz. for esticada até atingir o dobro do seu comprimento original (dobro do valor de l). podemos determinar a Força Magnetizante H produzida por um condutor retilíneo. Ι: intensidade de corrente no condutor. N: número de espiras do solenóide. para uma espira circular e para uma bobina toroidal: • Para um condutor retilíneo: H= • Para uma espira circular: I 2π ⋅ r (13) H= • Para uma bobina toroidal: I 2⋅ R N ⋅I 2π ⋅ r (14) H= (15) Deve-se ter em mente que a permeabilidade magnética de um material ferromagnético não é constante. maior a densidade de campo magnético induzida no núcleo.3. Sambaqui Máquinas Elétricas I (17) 12 . Prof. [m]. [Ae/m]. a força magneto-motriz produzida por uma bobina é dada pelo produto. Ana Barbara K. [Ae]. [A]. pois: B= e. terá a metade do seu valor original. com um certo número de Ampère-espira (fmm). então: H= finalmente. µ⋅N ⋅I l N ⋅I l fmm l H= como fmm = N ⋅ I . l: comprimento médio do caminho magnético.meio. sendo esse comportamento dado pela Curva de Magnetização do material. Analogamente. 1. (16) Se uma bobina. Assim. fmm = H ⋅ l onde: H: força magnetizante ou campo magnético indutor.

Força Eletromagnética sobre um Condutor Retilíneo Para um condutor retilíneo colocado entre os pólos de um ímã em forma de ferradura (Figura 19).3. Esta lei foi é válida para qualquer situação onde os condutores e os campos magnéticos são constantes e invariantes no tempo e sem a presença de materiais magnéticos. φ: fluxo magnético. l µ⋅A B H H ⋅l B⋅ A µ= Substituindo uma na outra. Oersted confirmou. Esta Prof. Quando cargas elétricas em movimento são inseridas em um campo magnético. com base na terceira lei de Newton. o que é visualizado pois este campo exerce uma força magnética na agulha de uma bússola. Sambaqui Máquinas Elétricas I 13 .3. [Ae]. Um condutor percorrido por corrente elétrica. [Ae/Wb].8 Força Eletromagnética Cargas elétricas em movimento (corrente elétrica) criam um campo eletromagnético. [Wb]. há uma interação entre o campo e o campo originado pelas cargas em movimento. equação é a mesma que determina a densidade de campo magnético em um dado ponto p em torno de um condutor retilíneo: B= µ⋅I 2π ⋅ r (19) 1. Ana Barbara K. dentro de um campo magnético sofre a ação de uma força eletromagnética. Para um condutor retilíneo. Essa interação é manifestada por forças que agem na carga elétrica. tem-se: φ = B⋅ A fmm ℜ φ= onde: fmm: força magneto-motriz. ℜ= e sendo o fluxo magnético. 1. que um campo magnético de um ímã exerça uma força em um condutor conduzindo corrente.7 Lei de Ampère (18) A Lei de Ampère expressa a relação geral entre uma corrente elétrica em um condutor de qualquer forma e o campo magnético por ele produzido. quando este condutor for percorrido por corrente uma força é exercida sobre ele. denominadas forças eletromagnéticas. No sentido reverso.A Relutância Magnética é dada por: ℜ= e. ℜ: relutância magnética.

percorrido por uma corrente elétrica de intensidade Ι e sendo θ o ângulo entre B e a direção do condutor. aumentaremos a intensidade da força F exercida sobre o condutor. como mostra a Figura 20. Se aumentarmos a intensidade da corrente I. Portanto. Assim. [N]. A intensidade da força eletromagnética exercida sobre o condutor também depende do ângulo entre a direção da corrente e a direção do vetor densidade de campo magnético. a direção da força é sempre perpendicular à direção da corrente e também perpendicular à direção do campo magnético. Da mesma forma. são determinados pela Regra de Fleming para a mão esquerda (ação motriz). Figura 20: Força eletromagnética sobre um condutor retilíneo. A Regra de Fleming é usada para Prof. Se o sentido da corrente for invertido. um condutor percorrido por corrente elétrica submetido a um campo magnético sofre a ação de uma força eletromagnética. Regra da mão esquerda (ação motriz): Quando um condutor percorrido por corrente é submetido a um campo magnético surge uma ação motriz devido à força magnética resultante. B: densidade de campo magnético ou densidade de fluxo magnético [T]. Assim. [A]. Também pode ser comprovado que se o comprimento (l) ativo do condutor (atingido pelas linhas de campo) for maior. mas na direção perpendicular às linhas do campo magnético. Sambaqui Máquinas Elétricas I 14 . o módulo do vetor força magnética que age sobre o condutor pode ser dado por: F = I ⋅ l ⋅ B ⋅ senθ onde: F: força eletromagnética. (20) Pela equação (20). Ana Barbara K. a intensidade da força sobre ele será maior.força não age na direção dos pólos do ímã. I: corrente elétrica. l: comprimento ativo do condutor sob efeito do campo magnético. um campo magnético mais intenso (maior densidade B) provoca uma intensidade de força maior. mas há uma inversão no sentido da força exercida sobre o condutor. e quando o campo e a corrente tiverem a mesma direção (θ=0º) a força sobre o condutor será nula. [m]. θ: ângulo entre as linhas de campo e a superfície longitudinal do condutor [o ou rad]. a direção da força continua a mesma. quando o campo for perpendicular à corrente (θ=90º) a força exercida sobre o condutor será máxima. Figura 19: Sentido da força eletromagnética sobre o condutor. considerando um condutor retilíneo de comprimento l sob a ação de um campo magnético uniforme B. pois o resultado é uma força que tende a provocar movimento. A direção e o sentido da força que o condutor sofre.

I. F. θ: ângulo entre as linhas de campo e a superfície longitudinal do condutor [o ou rad]. e sendo a corrente provocada pelo movimento de cargas elétricas.determinar a relação entre os sentidos da força magnética (F). Ana Barbara K. Uma partícula carregada eletrostaticamente e em movimento dentro de um campo magnético sofre a ação de uma força eletromagnética. do campo magnético (B) e da corrente elétrica (I). v: velocidade de deslocamento. • o dedo médio indica o sentido do corrente. ∆q ∆t l = ∆v ⋅ ∆t Sendo a força eletromagnética. Força Eletromagnética sobre uma Partícula Carregada Se um condutor percorrido por corrente elétrica e inserido num campo magnético sofre a ação de uma força eletromagnética. cujas direções são ortogonais (perpendiculares entre si). B. indicador e médio de tal forma que fiquem ortogonais entre si: Ação Motriz – Regra da Mão Esquerda: quando resulta uma força: • o dedo polegar indica o sentido da força magnética. verifica-se que um movimento livre de partículas carregadas eletrostaticamente também sofrem a ação de forças eletromagnéticas quando atravessam um campo magnético. • o dedo indicador representa o sentido do vetor campo magnético. I. • o dedo indicador representa o sentido do vetor campo magnético. B – densidade de campo magnético ou densidade de fluxo magnético [T]. q: quantidade de carga elétrica da partícula. [C]. [N]. (21) Prof. F = I ⋅ l ⋅ B ⋅ senθ a intensidade da força magnética sobre uma partícula carregada em movimento dentro de um campo magnético pode ser dada pela expressão: F = q ⋅ v ⋅ B ⋅ senθ onde: F: força eletromagnética. Sambaqui Máquinas Elétricas I 15 . B. F. Figura 21: Regra de Fleming. • o dedo médio indica o sentido do corrente. [m/s]. Ação Geradora – Regra da Mão Direita: quando resulta uma corrente gerada: • o dedo polegar indica o sentido da força magnética. A corrente elétrica pode ser dada pela relação entre carga e tempo: I= e a distância é dada pela relação. como mostra a Figura 21. Para usarmos a Regra de Fleming devemos posicionar os dedos polegar.

são três as possíveis situações: a) Partícula com carga positiva em deslocamento constante na direção do campo Como a partícula se desloca na mesma direção do campo magnético. Considerando uma partícula carregada positivamente.movimento circular uniforme. O movimento será retilíneo uniforme (MRU). no caso). Como a partícula continua se deslocando. mesmo que a partícula esteja se deslocando em sentido contrário ao do campo. Prof. Essa força poderá ser de atração ou de repulsão conforme os sentidos das correntes nos condutores. Figura 22: Partícula positiva em movimento retilíneo uniforme. Sambaqui Máquinas Elétricas I 16 . o campo criado pela própria nesse caso a partícula executará um MRU devido à componente da velocidade na mesma direção do campo e um MCU devido à componente da velocidade transversal ao campo. e quando as partículas se deslocam na mesma direção das linhas de campo a força eletromagnética será nula. surge uma força devido à interação entre os campos eletromagnéticos por eles gerados. Isso resulta em uma força magnética no sentido do campo mais fraco (para cima. O resultado será um movimento helicoidal. Ana Barbara K. o fenômeno continua ocorrendo e a força atuante sobre ele provoca uma alteração constante de trajetória. c) Partícula com carga positiva em deslocamento oblíquo à direção do campo Ao entrar perpendicularmente à direção do campo B. o campo criado pela própria partícula em movimento faz com que do lado de cima da mesma o campo resultante fique enfraquecido. Figura 23: Partícula em deslocamento transversal . não há interação entre os campos e conseqüentemente a trajetória da partícula não sofre alterações. ao mesmo tempo no lado de baixo o campo é reforçado devido à coincidência do sentido das linhas de força. caracterizando um movimento circular uniforme (MCU). b) Partícula com carga positiva em deslocamento transversal à direção do campo Ao entrar perpendicularmente à direção do campo B. Figura 24: Partícula em deslocamento helicoidal.Desta equação podemos depreender que a força eletromagnética será máxima quando as partículas incidirem perpendicularmente às linhas de campo. Força Eletromagnética sobre Condutores Paralelos Quando dois condutores próximos e paralelos são percorridos por corrente elétrica.

onde o enrolamento 1. d: distância entre os centros dos condutores. devido à lei da ação e da reação de Newton. este vetor é perpendicular à superfície longitudinal do condutor. é dada por: F12 = I 2 ⋅ l 2 ⋅ B1 ⋅ sen (90 o ) Substituindo uma expressão na outra: F12 = µ ⋅ I1 ⋅ I 2 ⋅ l 2 2π ⋅ d12 (22) onde: F: força eletromagnética. A Figura 25 ilustra essas situações. chamado de primário. o inglês Michael Faraday e o americano Joseph Henry se dedicaram a obter o efeito inverso. é possível verificar que a força é de atração quando os condutores são percorridos por correntes de mesmo sentido e de repulsão quando percorridos por correntes de sentidos contrários.Aplicando a Regra da Mão Esquerda. a força elétrica que atua no condutor 2 devido ao campo gerado pelo condutor 1. Sambaqui Máquinas Elétricas I 17 . obter corrente elétrica a partir do campo magnético. através de uma chave interruptora. A força que age no condutor 1 devido ao campo gerado pelo condutor 2 é análoga. µ: permeabilidade magnética do meio. [N].I2: corrente elétrica nos condutores. à bateria (fonte de tensão contínua) que faz circular uma corrente Prof. A partir dessa descoberta. em 1820 Oersted descobriu que uma corrente elétrica produz campo magnético. Sabemos que um condutor percorrido por corrente elétrica cria um campo magnético de intensidade dada por: B= µ⋅I 2π ⋅ r No condutor 1 a corrente I1 cria um campo magnético B1 que atua no condutor 2 que está a uma distância d12 do primeiro e pode dado por. Desta forma. A Figura 26 mostra um dos dispositivos usados por Faraday. ou seja.9 Indução Eletromagnética (23) Como visto. l: comprimento dos condutores. [C]. B1 = µ ⋅ I1 2π ⋅ d12 As linhas de campo geradas por um condutor atingem o outro condutor e como o vetor densidade de campo é sempre tangente às linhas de campo.3. [A]. Assim: F12 = F21 = F 1. é uma bobina com N1 espiras de condutor isolado e está conectado. [m]. Figura 25: Força eletromagnética entre condutores paralelos: (a) atração e (b) repulsão. I1. Ana Barbara K. [m].

pois são bobinas de condutores isolados. chamado de Indução Eletromagnética e que relaciona a tensão elétrica induzida (fem) devida à variação do fluxo magnético num circuito elétrico. que ocorre logo após a chave ser fechada pois a corrente é crescente. chamada de força eletromotriz induzida (fem) ou tensão induzida. Sambaqui Máquinas Elétricas I 18 . o galvanômetro acusa uma pequena corrente de curta duração. é gerada uma corrente no enrolamento secundário. ao acionar sucessivas vezes a chave interruptora no circuito do enrolamento primário. Esses três momentos podem ser explicados da seguinte maneira: • enquanto o campo magnético criado pela corrente no enrolamento primário cresce é gerada uma corrente no enrolamento secundário. com sentido oposto à anterior. não há corrente no enrolamento secundário. Este campo magnético é intensificado pois as linhas de campo são concentradas pelo efeito caminho magnético do núcleo de material ferromagnético de alta permeabilidade. Faraday fez as seguintes observações: • no momento em que a chave é fechada. Em 1831. esta força eletromotriz induzida fará circular uma corrente elétrica induzida. O secundário está monitorado por um galvanômetro que detecta qualquer corrente que circular no enrolamento. chamado de secundário. O experimento de Faraday mostra que se numa região próxima a um condutor. Ana Barbara K. É importante salientar que não haja contato elétrico entre os enrolamentos primário e secundário e nem destes com o material do núcleo. Conclusão de Faraday: A simples presença do campo magnético não gera corrente elétrica. • ao abrir a chave. sendo que quando o campo no enrolamento primário se estabiliza (se torna constante) a corrente cessa no enrolamento secundário. aparecerá nos seus terminais uma diferença de potencial (ddp). o galvanômetro não mais acusa corrente. em sentido oposto. As linhas de campo geradas pelo enrolamento 1 passam por dentro do enrolamento 2. • enquanto o campo magnético permanece constante no enrolamento primário. Michael Faraday enunciou a lei que rege este fenômeno. A Lei de Faraday diz o seguinte: Prof. o galvanômetro volta a indicar uma corrente de curta duração. • enquanto o campo magnético diminui no enrolamento primário. Caso o circuito elétrico esteja fechado.contínua e esta gera um campo magnético. bobina ou circuito elétrico houver uma variação de fluxo magnético. que é uma bobina com N2 espiras de condutor isolado. Figura 26: Força eletromagnética entre condutores paralelos: (a) atração e (b) repulsão. pois logo após a chave ser aberta o campo magnético se anula no enrolamento primário. Para gerar corrente é necessário variar fluxo magnético. • após a corrente cessar e durante o tempo em que a chave permanecer fechada.

a Lei de Lenz é expressa pelo sinal negativo na equação da Lei de Faraday. Lei de Lenz: O sentido da corrente induzida é tal que origina um fluxo magnético induzido. a Lei de Faraday diz que a tensão induzida em um circuito é igual ao resultado da taxa de variação do fluxo magnético no tempo e é dada pela divisão da variação do fluxo magnético pelo intervalo de tempo em que ocorre. é induzida uma força eletromotriz. circulará uma corrente que. Assim. Assim. chamado de fluxo magnético indutor.Em todo condutor enquanto sujeito a uma variação de fluxo magnético é estabelecida uma força eletromotriz (tensão) induzida. na bobina. Em um condutor imerso em um fluxo magnético variável. Esse fenômeno observado é explicado pela Lei de Lenz. Ou seja. quanto mais o fluxo variar num intervalo de tempo. se o circuito elétrico for fechado. chamado de fluxo magnético induzido. que se opõe à variação do fluxo magnético indutor. ela própria criará um fluxo magnético. Na Figura 27 a aproximação do imã provoca um aumento do fluxo magnético perto da bobina. tanto maior será a tensão induzida. com sinal trocado. Conseqüentemente. que se oporá à variação do fluxo magnético indutor causador da tensão (fem) induzida. [Wb/s] N:número de espiras na bobina. O campo criado tenta impedir a aproximação do imã. Quando o ímã se afasta. Sambaqui Máquinas Elétricas I 19 . ε = −N ⋅ onde: ε: força eletromotriz induzida (tensão induzida). um condutor se movimentando dentro de um Prof. o efeito é contrário. tenta parar o imã para manter o fluxo magnético constante (variação de fluxo nula). pela análise do experimento de Faraday é possível observar que quando o fluxo magnético variante era crescente a corrente induzida tinha um sentido. [V]. ∆φ/∆t: taxa de variação do fluxo magnético no tempo. ∆φ ∆t (24) Figura 27: Indução eletromagnética. Quando o fluxo magnético variante era decrescente a corrente induzida assumiu um sentido contrário. Conseqüentemente começa a circular. que numa bobina é diretamente proporcional ao número de espiras. uma corrente que cria um campo magnético com polaridade inversa ao do imã. Devemos lembrar que a corrente induzida circula num determinado sentido devido à polaridade da força eletromotriz induzida (tensão induzida). A polaridade dessa força eletromotriz induzida será tal que. Ana Barbara K. Contudo. Tensão Induzida em Condutores que cortam um Campo Magnético Quando um imã se movimenta nas proximidades de um condutor ou bobina induz força eletromotriz (tensão).

portanto. Em (c) ocorre uma situação intermediária. com velocidade constante v. Sambaqui ∆φ ∆t ∆φ = B ⋅ ∆A ⋅ sen90° 20 Máquinas Elétricas I . circula uma corrente induzida provocada pela força eletromotriz induzida. como mostra a Figura 28. Sendo o fluxo magnético. Há. φ = B ⋅ A ⋅ senθ O fluxo magnético depende da densidade do campo magnético. pois θ=90o. pela Lei de Faraday: ε =− Sendo θ=90o. Figura 28: Condutor em movimento dentro de uma campo magnético. não há variação de fluxo magnético sobre a sua superfície longitudinal (θ=0o). portanto. então. em função da polaridade magnética e do sentido do movimento do condutor. Com base na Lei de Faraday. Em (a) não há indução porque o condutor não corta linhas de campo e. Prof. não há corrente induzida. Se o condutor estiver parado. uma relação ortogonal entre as direções do fluxo magnético. não atravessa linhas de campo. da área do condutor atingida pelas linhas do campo magnético e do ângulo em que estas linhas atingem o condutor. A Figura 29 indica o sentido da corrente induzida num condutor. portanto. não sofre variação de fluxo magnético e. no interior de um campo com densidade de fluxo B. do movimento relativo do condutor (ou bobina) e da corrente induzida. é possível encontrar uma equação particular para determinar a tensão induzida em condutores que se movimentam no interior de um campo magnético. Ana Barbara K. Em (b) a indução é máxima. Figura 29: Movimento de um condutor dentro de um campo magnético. Supondo que o condutor tenha comprimento l e percorre uma distância ∆x. O sentido da corrente induzida num condutor em movimento dentro de um campo magnético pode ser dado pela Regra da Mão Direita. indução de força eletromotriz (tensão). pois 0o<θ<90o.campo provoca variação de fluxo magnético sobre sua superfície longitudinal (corta linhas de campo) e sofre. Se o circuito estiver fechado. portanto.

B ⋅ (∆x ⋅ l ) ∆t ∆x ∆t v= então. [m]. Este princípio se aplica nos geradores de corrente alternada. v: velocidade do condutor (perpendicular ao campo). B: densidade de fluxo magnético. por exemplo. Este princípio se aplica nas bobinas das velas de ignição nos motores dos automóveis e também nos transformadores. b) o condutor está estacionário e o campo magnético se movimenta. l:comprimento ativo do condutor no campo magnético. Prof. por exemplo. [V]. [m/s].ε =− ε =− mas a área ∆A é função de ∆x e do comprimento do condutor l. assim: B ⋅ ∆A ∆t e sendo a velocidade média no intervalo é dada por. [T]. Este princípio se aplica nos geradores de corrente contínua. Ana Barbara K. c) o condutor e o eletroímã que gera o campo magnético estão estacionários e a corrente alternando do estado ligado para desligado causa a pulsação do campo magnético. ε = −B ⋅ l ⋅ v onde: ε: força eletromotriz induzida num condutor que corta um campo magnético. (25) Dessa forma podemos concluir que a corrente pode ser induzida em um condutor através de três maneiras: a) o condutor é movido através de um campo magnético estacionário. Sambaqui Máquinas Elétricas I 21 .

que se referem aos valores de tensão de linha no caso trifásico: • Transmissão: 230kV. o que é facilmente realizado. rapidez. Portanto. precisa ser transmitida até os centros consumidores e. 138kV. confiabilidade. 34. • Subtransmissão: 69kV. produzida em grande quantidade nas usinas. os níveis de tensão mais usados em todo o mundo. No transporte de energia elétrica existe uma relação direta entre o nível de tensão e a quantidade de potência ativa transmitida. transmissão e distribuição (Figura 30) costumam coexistir grandes e pequenos fluxos de energia. quanto maior a tensão.16kV e 6. Prof.9kV. a eletricidade é um excelente meio de transporte de energia de um ponto a devido: grande capacidade de transmissão (economia de escala). não-poluente. 220V.8kV. • Distribuição secundária: 115V.5kV. 750kV. 2. Sambaqui Máquinas Elétricas I 22 . em circuitos de corrente alternada. 13. Ana Barbara K. grande flexibilidade de distribuição na medida do consumo. 4. eficiente (poucas perdas). A energia elétrica. através de transformadores.1 INTRODUÇÃO Como outro. 500kV. ou seja. maior a potência transmitida. por sua vez.3kV. 600 kV(CC). • • • • • • se sabe. e em particular no Brasil. 23kV. distribuída a cada consumidor. uma linha de transmissão trifásica de 230 kV é capaz de transmitir cerca de 200 MW. 440V. • Sistemas industriais: 220V.6kV. Figura 30: Representação de um sistema elétrico. em um sistema de geração. 440kV. 127V. • Distribuição primária: 11. A título de informação geral. Por exemplo. uma linha de 500kV tem capacidade para transmitir 1200 MW e uma linha de 750 kV cerca de 2200 MW. Isso então permite controlar a quantidade de potência transmitida simplesmente variando o nível de tensão ao longo do sistema. 380V.2 TRANSFORMADORES 2.

transfere energia elétrica de um ou mais circuitos (primário) para outro ou outros circuitos (secundário). Devido a este é induzida uma tensão na bobina de saída (ou secundário). Ana Barbara K. as seguintes hipóteses devem ser assumidas: todo o fluxo deve estar confinado ao núcleo e enlaçar os dois enrolamentos. isoladas deste. criando assim um fluxo magnético variável no núcleo. cuja operação pode ser explicada em termos do comportamento de um circuito magnético excitado por uma corrente alternada. não existindo conexão elétrica entre a entrada e a saída do transformador. Uma tensão variável aplicada à bobina de entrada (primário) provoca o fluxo de uma corrente variável. a permeabilidade do núcleo deve ser tão alta que uma quantidade desprezível de fmm é necessária para estabelecer o fluxo. usando a mesma freqüência.2.1 Princípio de funcionamento Todo transformador é uma máquina elétrica cujo princípio de funcionamento está baseado nas Lei de Faraday e Lei de Lenz. Então. 2. 2. que varia de acordo com a razão entre os números de espiras dos dois enrolamentos (Figura 31). as perdas no núcleo devem ser desprezíveis. É constituído de duas ou mais bobinas de múltiplas espiras enroladas no mesmo núcleo magnético. o transformador é um conversor de energia eletromagnética. A Figura 32 mostra o desenho esquemático de um transformador ideal: Prof. mas. com tensões e intensidades de correntes diferentes. Para • • • • considerar um transformador ideal. Figura 31: Princípio de funcionamento de um transformador.3 TRANSFORMADOR IDEAL O os transformadores podem ser representados por um modelo idealizado. levando ao que se convencionou chamar transformador ideal. as resistências dos enrolamentos devem ser desprezíveis.2. geralmente. Sambaqui Máquinas Elétricas I 23 .2 DEFINIÇÃO A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) define o transformador como: Um dispositivo que por meio da indução eletromagnética.

O fato de se colocar a carga Z2 no secundário fará aparecer uma corrente I2 tal que: Prof.1 Equação Fundamental de um Transformador Ideal Como o fluxo que enlaça os enrolamentos primário e secundário é o mesmo e induz uma força eletromotriz (fem) nestes. é obtida a chamada equação fundamental dos transformadores: a= onde: a: relação de transformação. V1 = N1 ⋅ e. [Wb/s]. ∆φ ∆t ∆φ ∆t (26) V2 = N 2 ⋅ (27) onde: V1. as tensões estão entre si na relação direta do número das espiras dos respectivos enrolamentos. Aplicando a lei de Faraday nos dois enrolamentos. Figura 33: Transformador ideal com carga. Sambaqui Máquinas Elétricas I 24 . sendo a denominada de relação de espiras de um transformador.3. Conectando ao transformador ideal uma carga Z2 ao seu secundário. 2. ∆φ/∆t: taxa de variação do fluxo magnético no tempo. Dividindo as duas relações e considerando as tensões no primário e secundário. V2: tensão nos enrolamentos primário e secundário. V1 N1 = V2 N 2 (28) Ou seja. N2:número de espiras no enrolamento secundário. conforme mostra a Figura 33. [V]. N1:número de espiras no enrolamento primário.Figura 32: Representação do transformador ideal. Ana Barbara K.

permitindo transferir ao secundário cerca de 98% da energia aplicada no primário: P1 P2 PCu PFe Pe Ph Figura 34: Perdas no transformador real. Perdas no ferro: a. por histerese: energia transformada em calor na reversão da polaridade magnética do núcleo transformador. Ana Barbara K. A Figura 34 representa as perdas no transformador real.4. há perdas ôhmicas nos enrolamentos e há perdas magnéticas (histerese magnética) no núcleo: 1. Prof. conforme ilustra a Figura 35. por correntes parasitas: quando uma massa de metal condutor se desloca num campo magnético.1 Transformador operando em vazio Seja um transformador operando em vazio. Essas correntes produzem calor devido às perdas na resistência do ferro (perdas por correntes de Foucault). que graças às técnicas com que são fabricados. havendo fluxo de dispersão nos enrolamentos. Desta maneira tem-se: então. os transformadores apresentam grande eficiência. os transformadores reais apresentam perdas que devem ser consideradas. Uma força magnetomotriz (fmm1) de mesmo valor mas contrária a 2 deve aparecer no enrolamento 1 para que o fluxo não varie. 2. no primário. circulam nela correntes induzidas. pois nem todo o fluxo está confinado ao núcleo. Perdas no cobre: resultam da resistência dos fios de cobre nas espiras primárias e secundárias. b.4 TRANSFORMADOR COM PERDAS Ao contrário do transformador ideal. sem carga conectada no enrolamento secundário e alimentado. por uma fonte de tensão alternada senoidal.I2 = V2 Z2 (29) Esta corrente irá produzir uma força magnetomotriz (fmm2) no sentido mostrado. ou seja. ou é sujeita a um fluxo magnético móvel. na relação inversa do número de espiras. Sambaqui Máquinas Elétricas I 25 . 2. Da mesma forma. As perdas pela resistência do cobre são perdas sob a forma de calor (Perdas Joule) e não podem ser evitadas. 2. fmm2 = N 2 I 2 = N1 I1 = fmm1 I1 N 2 1 = = I 2 N1 a (30) (31) o que indica que as correntes no primário e secundário de um transformador ideal estão entre si.

e a tensão V1 é aproximadamente igual a E1=ε1. ou seja. conforme ilustra a Figura 36. A tensão alternada da fonte. Ana Barbara K. devido à histerese do núcleo). a corrente de excitação é exatamente à corrente de entrada.Figura 35: Transformador operando em vazio. Como o fluxo é alternado. que é responsável pelo estabelecimento do fluxo através do núcleo. pela lei de Faraday. chamada corrente de excitação ou magnetização. é alternado e aproximadamente senoidal. que representa a potência dissipada nas perdas por histerese e por corrente parasita. A corrente de excitação é composta pela corrente de magnetização (I0). 2. Sambaqui Máquinas Elétricas I 26 . E. as tensões V1 e V2 podem estar em fase (defasagem é nula) ou em oposição (defasagem é 180º). pois a resistência da bobina e a corrente de excitação no primário são muito pequenas. Uma pequena parte do fluxo se dispersa no ar (fluxo de dispersão). guardando uma relação entre si que depende da relação entre o número de espiras no primário (N1) e do secundário (N2). Figura 36: Transformador operando com carga. Contudo. variável no tempo. cria um fluxo magnético no núcleo de material ferromagnético. Prof. ao ser aplicada na bobina do primário. ou seja. com o secundário aberto a força eletromotriz (fem) E2=ε2 é exatamente igual a V2. Essa corrente. dependendo do sentido relativo dos enrolamentos (horário ou anti-horário). como uma conseqüência direta da lei de Lenz. sendo desta maneira a tensão V1 aproximadamente igual a E1 pois a potência de entrada sem carga é aproximadamente igual à potência dissipada no núcleo. faz circular nessa bobina uma corrente alternada (embora não seja senoidal. uma carga está conectada no enrolamento secundário.2 Transformador operando com carga Seja um transformador alimentado no primário por uma fonte de tensão alternada senoidal e operando em carga. mas uma grande parte percorre o núcleo indo atravessar as espiras do enrolamento secundário. e pela corrente de perda no núcleo. Isso ocorre pois com o secundário em aberto e V1 na referência. A tensão V1 no enrolamento primário e a tensão V2 no enrolamento secundário são normalmente diferentes em valor eficaz. Esse fluxo (fluxo de magnetização). uma tensão (senoidal) é induzida no secundário. cujo sentido é dado pela regra da mão direita.4.

O sentido dessa corrente é dada pela lei de Lenz. o fluxo de magnetização tende a diminuir no enrolamento primário. A representação das perdas Joule nos enrolamentos é realizada através da inserção das resistências R1 e R2. As perdas no ferro podem ser representadas por uma resistência.5 MODELO EQUIVALENTE DO TRANSFORMADOR O circuito equivalente do transformador é constituído de elementos de circuito: resistências e indutâncias. a corrente I2 se estabelece imediatamente. o nível da corrente no primário de um transformador sob carga tem uma relação direta com o nível da corrente no secundário. denominadas reatâncias de dispersão. a corrente no secundário é nula e a corrente no primário é a corrente de excitação. Ana Barbara K. tais que as quedas de tensão nessas reatâncias são numericamente iguais às parcelas das fem’s induzidas pelos respectivos fluxos de dispersão.A corrente I2 no secundário não é mais nula. pois é muitas vezes maior que a corrente de excitação que é nãosenoidal. Figura 38: Representação da dispersão no transformador. Sambaqui Máquinas Elétricas I 27 . A Figura 36 mostra a situação em regime permanente. ou seja. em paralelo com a fem induzida pelo fluxo mútuo (Figura 39). Em outras palavras. assim existe também fluxo de dispersão no enrolamento secundário e a corrente I1 no primário não se restringe mais à corrente de excitação. A Figura 38 mostra a representação da dispersão nos enrolamentos primário e secundário. que é o estágio final alcançado após o seguinte transitório: imagine que o transformador está inicialmente em vazio. tendo um valor bem maior que esta última. atingindo o regime permanente após algum tempo. as quais são as resistências próprias dos enrolamentos do primário e do secundário. Portanto. Quando se conecta uma carga Zc=Z2 no secundário. Prof. 2. a corrente I1 no primário aumenta para evitar que o fluxo de magnetização decresça. pois o fluxo magnético gerado pela corrente do secundário deve se opor ao fluxo de magnetização produzido pelo primário. pois a tensão V2 está presente. provocando uma reação também baseada na lei de Lenz. denominada de resistência de perdas no ferro. Essa corrente no primário é aproximadamente senoidal. Figura 37: Representação das perdas Joule do transformador. Os efeitos do fluxo de dispersão no primário e no secundário do transformador são simulados por reatâncias indutivas. como mostra a Figura 37.

mostrada na Figura 42: Prof. Figura 40: Representação da permeabilidade do fluxo magnético do transformador. X1. X2: indutância de dispersão. Ana Barbara K. O efeito da permeabilidade finita do fluxo ferromagnético é representado inserindo uma reatância indutiva em paralelo com a fem induzida. Xm: reatância de magnetização. pela qual flui a corrente I0. onde: R1. Assim. Rf: perdas no ferro.Figura 39: Representação das perdas no ferro do transformador. [Ω]. R2: resistência das bobinas. mostrada na Figura 40. é denominada reatância de magnetização do transformador. A corrente de excitação ou de magnetização (I0) possui uma forma não senoidal devido às não idealidades do núcleo. Sambaqui Máquinas Elétricas I 28 . [Ω]. Essa reatância. o circuito equivalente do transformador real é mostrado na Figura 41: R1 X1 RC R2 X2 Xm Transformador ideal Figura 41: Circuito equivalente do transformador. [Ω]. [Ω].

Sambaqui Máquinas Elétricas I 29 . Uma característica típica de placa pode ser: Transformador 4400/220V.6 O DESEMPENHO DO TRANSFORMADOR O desempenho de um transformador deve ser levado em consideração em aplicações práticas. 2.5. seja de medidas experimentais ou ainda de cálculos baseados em um modelo de circuito.1 Simplificação do Circuito Equivalente Em estudos em que a precisão não é tão rigorosa.6. O circuito equivalente elétrico simplificado é apresentado na Figura 43: Figura 43: Circuito equivalente simplificado. o rendimento e a variação da tensão com a carga. 60Hz. Ana Barbara K. RCC = R1 + a 2 R2 = r1 + a 2 r2 X CC = X 1 + a 2 X 2 = x1 + a 2 x 2 (32) (33) 2. Estas características indicam que com uma freqüência de 60Hz as tensões nominais representam a operação próxima do joelho da curva de magnetização (região que separa a Prof.1 Características de Placa O fabricante de uma máquina elétrica indica normalmente nas características de placa as condições de operação normal do transformador. algumas simplificações podem ser feitas face às seguintes evidências: • as resistências próprias dos enrolamentos são reduzidas. a potência de saída. 2. são importantes as relações de tensões.Figura 42: Corrente de magnetização. Na qual. 10kVA. Neste caso. na medida em que o cobre é bom condutor. Estes dados podem ser obtidos seja das especificações do fabricante (características de placa). • a impedância resultante do paralelo entre a resistência de perdas no ferro e a reatância de magnetização é muito maior que as demais impedâncias do circuito equivalente do transformador.

2 Rendimento É a relação entre a potência consumida na saída do transformador e a potência fornecida à entrada do transformador. Assim temos: η= P P2 potência na saída = 2 = potência na entrada P1 P2 + perdas (34) 2.22V). devese aumentar a tensão no secundário. Assim. que com V1=220V resultará numa tensão maior (V2=122. sob carga variável. seja o transformador com 1100 espiras no primário e 500 espiras no secundário apresentado na Figura 44. as tensões 4400 e 220V são ditas tensões eficazes nominais. Como V2=V1/a. compensando a queda de tensão. 2. Usando qualquer lado como secundário a saída nominal será 10kVA.8. se N1 passar para a posição A teremos 900/500=1. é empregado um regulador que pode estar presente no próprio transformador. Uma fórmula aproximada é dada por: ℜ= V1 − V2 × 100% V2 Máquinas Elétricas I (36) Prof. A regulação ℜ pode ser avaliada pela seguinte expressão: ℜ= valor sem carga − valor com carga máxima × 100% valor com carga máxima (35) A regulação pode ser positiva ou negativa e está ligada a uma diminuição ou aumento do número de espiras (para o regulador atuando no primário).6. sendo que qualquer uma pode ser o primário ou secundário.3 Regulação de Tensão Para manter na saída de um transformador. Ana Barbara K. e desta maneira para uma tensão de entrada de 220V teremos 110V na saída. o valor de a deve diminuir. Se devido a uma variação da carga.região considerada linear da região onde ocorre a saturação) e a corrente de excitação e as perdas no núcleo não são excessivas. através de derivações na bobina do primário. Como exemplo. Sambaqui 30 .6. um nível de tensão constante. das duas bobinas. a tensão na saída cair. Neste caso. o que é importante para avaliar a corrente máxima permitida. Figura 44: Transformador com tap variável. deve-se operar as derivações para corrigir este problema. ou seja. Na posição OB tem-se uma relação de espiras a=1000/500=2. em volts.

Esta condição está de acordo com a lei de Lenz: o sentido da corrente induzida sempre contrária a causa que lhe deu a origem. ou seja. Para este caso. Para que a lei de Lenz seja satisfeita. mostra também um transformador monofásico. a corrente secundária I2 deverá sair do terminal inferior do enrolamento secundário. deve-se considerar a tensão V2 como sendo a nominal. Figura 45: Transformador – enrolamento secundário no sentido horário. a cada instante o sentido dessa corrente deve ser tal que se oponha a qualquer variação no valor do fluxo magnético Ø. que circulará no núcleo no sentido horário (regra da mão direita). utilizando-se o circuito equivalente do transformador.7 MARCAS DE POLARIDADE As marcas de polaridade são os símbolos utilizados para identificar as polaridades dos terminais de um transformador. entretanto. 2. a corrente secundária I2 deverá sair do terminal superior do enrolamento secundário. A Figura 45 mostra um transformador monofásico com enrolamento do primário no sentido anti-horário e o do secundário no sentido horário. a intensidade da corrente secundária e a sua relação de fase com a tensão secundária dependem da natureza da carga. Considerando a corrente instantânea I1 crescente entrando no terminal superior do enrolamento primário. Ana Barbara K. É óbvio que. Num transformador. criará um fluxo magnético Ø crescente. Sambaqui Máquinas Elétricas I 31 . Para indicar os sentidos dos enrolamentos é que se utiliza o conceito de polaridade. A Figura 46.Importante: Para se determinar a regulação. Figura 46: Transformador – enrolamento secundário no sentido anti-horário. o sentido da corrente instantânea no secundário depende exclusivamente do sentido relativo dos enrolamentos. Prof. com uma única diferença em relação à figura anterior: o enrolamento do secundário está no sentido anti-horário. V2=(N2/N1)V1 e então calcular V1 para o V2 estabelecido.

Polaridade Aditiva: é quando os fluxos dos enrolamentos primário e secundário se somam. 2. enquanto que no enrolamento secundário a corrente sai pela marca de polaridade. as marcas de polaridade são apresentadas na Figura 47.1 Polaridade Aditiva ou Subtrativa Polaridade Subtrativa: é quando os fluxos dos enrolamentos primário e secundário se subtraem. Ao ligar um terminal primário a um terminal secundário correspondente e aplicar a tensão a um dos enrolamentos.2 Teste de Polaridade Para determinar a polaridade de um transformador pode ser utilizada uma tensão de corrente contínua (bateria de 6 a 10 V). Ana Barbara K. As marcas de polaridade são apresentadas na Figura 48. ligados conforme o esquema da Figura 49.7. uma chave e um galvanômetro com zero central. Figura 49: Esquema para teste de polaridade de um transformador. a tensão entre os terminais não ligados é igual à diferença das tensões nos enrolamentos.7. Sambaqui Máquinas Elétricas I 32 . Figura 47: Transformador com polaridade subtrativa. Ao ligar um terminal primário a um terminal secundário não correspondente e aplicar a tensão a um dos enrolamentos. a tensão entre os terminais não ligados é igual à soma das tensões nos enrolamentos. Prof.Regra de Polaridade: No enrolamento primário a corrente entra pela marca de polaridade. Figura 48: Transformador com polaridade aditiva. 2. Neste caso.

sendo que cada um deles pode ter um número de espiras diferentes. Conforme já visto. a polaridade será subtrativa. a polaridade será aditiva. um dos enrolamentos é chamado primário e o outro chamado secundário. 60Hz Em geral.8. Sambaqui Máquinas Elétricas I 33 . Relação de Transformação A relação de transformação em um transformador monofásico. sua potência aparente (VA). Prof. [V]. dependendo do tipo de circuito onde estão conectados. Quando há a necessidade de maiores potências são utilizados transformadores trifásicos.1 Transformador Monofásico Um transformador monofásico é constituído por dois enrolamentos (bobinas) instalados em um mesmo núcleo de material ferromagnético. 2. como já foi vista. Figura 50: Representação de um transformador monofásico. os transformadores monofásicos possuem pequena capacidade de potência aparente. sua freqüência de operação (Hz). Se a deflexão for no sentido positivo. um transformador abaixador para uso doméstico tem a seguinte especificação: 220/127 V. se a deflexão por no sentido negativo. Especificação de um transformador monofásico Os • • • transformadores monofásicos são normalmente especificados usando dois parâmetros: sua relação de transformação (a). é definida como a relação entre as tensões primária e secundária: a= V primário Vsec undário = V1 N1 = V2 N 2 (37) onde: V1: valor da tensão eficaz no enrolamento primário. deve-se observar o sentido da deflexão do ponteiro do galvanômetro.8 TRANSFORMADOR MONOFÁSICO E TRIFÁSICO Os transformadores podem ser monofásicos ou trifásicos. Por exemplo. chamada capacidade de transformação (1000VA). [V]. Ana Barbara K.O procedimento deste método é o seguinte: ao fechar a chave faca. 300VA. V2: valor da tensão eficaz no enrolamento secundário. 2. conforme pode ser verificado na Figura 50.

os quais podem estar conectados tanto em Y (estrela) quanto em ∆ (triângulo ou delta). Outra maneira de construir transformadores trifásicos é utilizar uma estrutura mononuclear. defasagem angular requerida. bem como permite modularidade na instalação. devido à economia de ferro no núcleo: como os fluxos das três fases somam zero a todo instante. A ligação em Y ou ∆ dos enrolamentos é estabelecida através da conexão dos seus terminais. Sambaqui Máquinas Elétricas I 34 . Figura 51: Conexão Y ou ∆. conforme ilustrado na Figura 53. ∆-Y e ∆-∆.8. Cada um desses tipos possui propriedades diferentes que determinam o uso mais adequado conforme a aplicação.2. bem como os respectivos enrolamentos secundários. O transformador com núcleo trifásico leva vantagem sobre a associação ou banco de transformadores monofásicos. Prof. pode-se eliminar o caminho de retorno do fluxo. Essas várias formas de conexão dão origem aos quatro tipos de ligação dos transformadores trifásicos: Y-Y.2 Transformador Trifásico Um transformador trifásico é constituído de pelo menos três enrolamentos no primário e três enrolamentos no secundário. A vantagem da conexão em banco trifásico é a facilidade de manutenção e substituição dos transformadores monofásicos. Y-∆. Um transformador trifásico mononuclear é constituído de apenas um núcleo de material ferromagnético sobre o qual são colocados os enrolamentos primários e secundários idênticos. nível de isolamento. etc. A Figura 52 mostra um banco trifásico com ligação Y-∆. o que leva a uma estrutura magnética plana com uma perna do núcleo para cada fase. bitola dos condutores por fase. A escolha da associação adequada depende de diversos fatores como: acesso a neutro. Ana Barbara K. Figura 52: Representação de um transformador trifásico (Y-∆). Um banco trifásico é constituído por três transformadores monofásicos idênticos. sistema de aterramento. podem estar conectados em Y ou em ∆. sendo que os respectivos enrolamentos primários. Os transformadores trifásicos são normalmente construídos de duas maneiras: em banco ou mononuclear. a título de ilustração. na qual se representa uma conexão Y-∆. conforme mostra a Figura 51.

é obtida a tensão de fase no enrolamento secundário a' como: Vf2=V1/a√3 Lembrando que na conexão ∆ a tensão de fase é igual a tensão de linha. os enrolamentos bb' (em verde) correspondem ao segundo monofásico e os enrolamentos cc' (em azul) correspondem ao terceiro monofásico do banco. Relação de Transformação Em transformadores trifásicos. conectados na forma Y-∆. Isso acontece nas formas de conexão Y-∆ e ∆-Y. então a relação de transformação fica: V primário Vsec undário = V1 V1 a 3 =a 3 (38) Evidentemente a relação de transformação é diferente da relação de espiras. O mesmo raciocínio é utilizado para obter a relação entre as correntes de linha no primário e no secundário. Ana Barbara K. Nesta figura. bb'. Essa tensão de fase está aplicada no enrolamento primário a e utilizando a equação fundamental das tensões. Se o primário está conectado em Y e a tensão de linha é V1. Prof. os enrolamentos aa' (em vermelho) correspondem ao primeiro monofásico. Seja um banco trifásico de três transformadores monofásicos ideais. Sambaqui Máquinas Elétricas I 35 . conforme mostrado na Figura 54.Figura 53: Transformador trifásico mononuclear com ligação Y-∆. a relação de transformação pode não ser igual à relação de espiras. De acordo com o tipo de conexão. a relação de transformação é dada pelo quociente entre a tensão de linha do primário e a tensão de linha do secundário. então a tensão de fase é Vf1=V1/√3. cc'. Figura 54: Transformador trifásico com ligação Y-∆. A relação de espiras a=N1/N2 se refere aos enrolamentos transformador transformador transformador aa'.

constituindo o que chamamos de um banco de transformadores em paralelo. de modo que as novas unidades são instaladas em paralelo com a unidade já existente. conforme ilustra a Figura 55.9 ASSOCIAÇÃO DE TRANSFORMADORES 2. Esse deslocamento pode ser percebido através de um diagrama fasorial. é necessário tomar cuidado com as defasagens quando. devido a um acréscimo da energia consumida pela planta industrial. Portanto. a defasagem muda de sinal.9. A tensão de linha VAB do secundário está atrasada de 30° em relação à tensão correspondente Vab do primário. para garantir uma distribuição uniforme da carga entre os transformadores. que as novas unidades sejam mais semelhantes possíveis às antigas. Nesse caso. Figura 55: Transformador trifásico com ligação ∆-Y. O sentido da defasagem depende da seqüência das fases. Rcc). a relação de transformação é dada por: V primário Vsec undário = V1 3 V1 a = a/ 3 (39) É importante destacar que a relação de transformação e a relação de espiras coincidem no caso das conexões Y-Y e ∆-∆. Sambaqui Máquinas Elétricas I 36 . Essa forma de ligação é normalmente utilizada nos transformadores abaixadores de tensão nas redes urbanas de distribuição. Isto é parcialmente garantido se as impedâncias de curto-circuito (Xcc. Se trocarmos a seqüência das fases. Ana Barbara K. forem iguais. Prof. 2. há a necessidade da instalação de transformadores adicionais para suprir este acréscimo de consumo. desejase conectar dois transformadores trifásicos em paralelo.Uma situação semelhante será observada no caso de uma conexão ∆-Y.. Convém.1 Transformadores em Paralelo Muitas vezes. abaixo. por exemplo. em que os alimentadores primários ficam conectados no lado primário do transformador (∆) e do lado secundário (Y) saem os alimentadores secundários de distribuição com neutro (220V e 127V). Importante: Uma característica da associação Y-∆ é o deslocamento angular de ± 30° que resulta entre as tensões terminais correspondentes do primário e do secundário. em p.u.

2 Banco Trifásico de Transformadores Como vimos. na medida em que três transformadores monofásicos é mais caro que um único transformador trifásico. O único cuidado nesta conexão é observar que os terminais da estrela são os terminais de mesma polaridade das unidades monofásicas. sua substituição é rápida e menos onerosa que a substituição de um transformador trifásico e. Assim. Ana Barbara K. a despeito do caráter econômico envolvido. cujos enrolamentos primário e secundário são conectados em estrela (Y). o que não ocorre quando um defeito acomete um transformador trifásico. Figura 57: Banco trifásico Y-Y. Conexão Estrela-Estrela A Figura 57 mostra um banco trifásico constituído por três transformadores monofásicos. associando-se convenientemente seus enrolamentos. Este procedimento. dependendo ainda do tipo de conexão utilizado. 2. o suprimento de energia pode ser parcialmente garantido com apenas dois transformadores. Sambaqui Máquinas Elétricas I 37 .Cuidados adicionais devem ser tomados nas conexões. ao se associar em paralelo dois enrolamentos. Se ocorrer uma contingência que implica inutilização de um transformador. apresenta flexibilidade de operação vantajosa em alguns casos. Prof. para evitar circulação de correntes entre os enrolamentos. Figura 56: Associação de transformadores em paralelo.9. devem-se conectar os pontos de polaridades semelhantes. como indicado na Figura 56. é possível utilizar transformadores monofásicos para transformação de tensões em sistemas trifásicos.

Os valores nominais do banco trifásico de transformadores resultam: Potência nominal do banco: Sbanco=3xSnom Tensão nominal de linha do primário: VB1=V1nom Tensão nominal de linha do secundário: VB2=V2nom Conexão Estrela-Triângulo A Figura 59 mostra um banco trifásico constituído por três transformadores monofásicos. Sambaqui Máquinas Elétricas I 38 .Sejam os valores do transformador monofásico: Snom: potência nominal V1nom: tensão nominal do primário V2nom: tensão nominal do secundário Os valores nominais do banco trifásico de transformadores resultam: Potência nominal do banco: Sbanco=3xSnom Tensão nominal de linha do primário: VB1=√3x V1nom Tensão nominal de linha do secundário: VB2=√3x V2nom Conexão Triângulo-Triângulo A Figura 58 mostra um banco trifásico constituído por três transformadores monofásicos. Ana Barbara K. Os valores nominais do banco trifásico de transformadores resultam: Potência nominal do banco: Sbanco=3xSnom Tensão nominal de linha do primário: VB1=√3x V1nom Tensão nominal de linha do secundário: VB2=V2nom Prof. cujos enrolamentos do primário estão conectados em estrela (Y) e os enrolamentos do secundário conectados em triângulo (∆). cujos enrolamentos primário e secundário são conectados em triângulo ou delta (∆). Figura 58: Banco trifásico ∆-∆.

Com estes dados é possível determinar os parâmetros de curto-circuito. ou seja. 2. a corrente e a potência no primário. em duas situações: com o secundário curto-circuitado ou com o secundário em aberto.10.1 Ensaio de Curto-Circuito Com o secundário curto-circuitado. as perdas nos enrolamentos e as perdas por dispersão.10 ENSAIO DE CURTO-CIRCUITO E CIRCUITO ABERTO Os ensaios que envolvem os transformadores consistem em medir a tensão. Com este procedimento são medidas a corrente de curto circuito (Icc). Ana Barbara K. X1.Figura 58: Banco trifásico Y-∆. R2: resistência das bobinas. [Ω]. (40) (41) Prof. X2: indutância de dispersão. desprezando-se as perdas no núcleo: Z cc = Rcc Vcc I cc P = cc I cc 2 2 X cc = Z cc − Rcc Rcc 2 X X 1 = a 2 ⋅ X 2 = cc 2 R1 = a 2 ⋅ R2 = onde: R1. 2. Sambaqui Máquinas Elétricas I 39 . aplicar corrente nominal ao primário através de uma fonte de tensão reduzida (1 a 6 % da tensão nominal). a tensão de curto-circuito (Vcc) e a potência de curto circuito (Pcc). [Ω].

de 2 a 6 % do valor nominal.12 TRANSFORMADOR PARA INSTRUMENTO Prof. Sambaqui Máquinas Elétricas I 40 . Xm: reatância de magnetização. [Ω]. [Ω-1]. A corrente será então reduzida. [W]. [Ω-1]. 2. Rf: perdas no ferro. [Ω].11 AUTOTRANSFORMADOR 2. Ana Barbara K.2 Ensaio de Circuito Aberto Com o secundário em aberto. que dizem respeito ao núcleo: Y0 = Gf = V0 I0 P0 V02 Bm = Y02 − G 2 f Rf = Xm = 1 Gf 1 Bm (42) (43) onde: Gf: condutância (considera a perda de potência no núcleo por histerese e correntes parasitas). Bm: suscetância (considera o armazenamento de energia). aplicar tensão nominal ao primário e medir a potência de circuito aberto (P0).2. P0: perdas no núcleo do transformador. a corrente de circuito aberto (I0) e a tensão de circuito aberto (V0). o que permite desprezar as perdas nos enrolamentos.10. Com este procedimento é possível determinar os parâmetros a vazio.

3 MOTOR DE INDUÇÃO Prof. Ana Barbara K. Sambaqui Máquinas Elétricas I 41 .

Ana Barbara K. b) desenhe as linhas de campo magnético e sua orientação. Qual é a intensidade e o sentido da corrente Ι2.96Ae/m E5. de modo que o campo magnético no ponto P seja nulo? R: 3. c) indique os pólos norte e sul. O que é campo magnético? Como pode ser representado? Quais as características dessa representação? E2.04T Prof. Qual a diferença entre H e B? E4. com 600 espiras e percorrido por uma corrente de 2A? R: 12000Ae/m E8. Sambaqui Máquinas Elétricas I 42 . Calcular o campo magnético no centro de um solenóide de 10 cm de comprimento. R: 0.4 EXERCÍCIOS ELETROMAGNETISMO E1.1Ae/m E6. Para o eletroímã da figura abaixo: a) determine a densidade de fluxo magnético no núcleo. Calcular a intensidade de campo magnético indutor a 50 cm do centro de um condutor percorrido por uma corrente elétrica de 3 A.6A E7. R: 0. Por que a forma como o condutor está disposto influi na intensidade do campo eletromagnético? Em que caso é mais intenso? E3. Qual é a intensidade de campo magnético indutor H no ponto A da figura a seguir? R: 11.

No instante t=0 o lado direito da bobina está na borda do campo e a bobina leva 0.67Ae/m E11. Calcular o valor da densidade de campo magnético no interior do material.E9.2T E12. Determine o campo magnético indutor H para uma bobina de 6 polegadas de comprimento. 2624. quando H=300Ae/m temos B=0. R: 4. Qual o valor da permeabilidade relativa para H=300Ae/m? R: 796 E13. Em um campo magnético indutor H=100Ae/m é colocado um pedaço de material ferromagnético cuja permeabilidade relativa é µr=1600 para este valor de H. No esquema da figura abaixo.2s para sair totalmente da região do campo. Ana Barbara K. b) a força eletromotriz induzida e a corrente induzida que circula na bobina.3T. R: 952. A resistência elétrica da bobina é 150Ω. Para o mesmo material do item anterior. E15. podemos afirmar que existe ddp entre: ()AeB ()CeD ()AeC ()AeD ()BeD E14.2x10-4Wb for estabelecido por uma fmm=400Ae.71Ae/m E10.10-3Wb/s.53mA.28V. 8.10-2N. Uma bobina quadrada de 4cm de lado contém 200 espiras e está posicionada perpendicular a um campo magnético uniforme de 0.46. Prof. Qual a intensidade da força por metro que atua entre eles quando a corrente no primeiro for 5A e no segundo 8A? R: 160µN/m.4kAe/Wb. como mostra a figura 7. R: 0. Calcular o valor do campo magnético produzido por um condutor de 2 m de comprimento. 5. percorrido por uma corrente de 3 A quando este condutor for uma espira circular.8T. 2. c) o sentido da corrente induzida. Determine a relutância de um circuito magnético se um fluxo de 4. e) a força média requerida para mover a bobina. R: -6. Sambaqui Máquinas Elétricas I 43 . Dois condutores estão separados pela distância de 5cm.8.18J. Esta bobina é rápida e uniformemente extraída em movimento perpendicular a B para uma região onde B cai abruptamente a zero.4. 1. Determine: a) a taxa de variação do fluxo magnético na bobina. d) a energia dissipada na bobina.

c) A impedância “vista”pela rede. Em circuito aberto os instrumentos conectados no primário indicaram 0.57A.13ºA. Comprove a relação de impedâncias do transformador. 60Hz apresenta os seguintes parâmetros: R1=3Ω. E23. Determine: a) Os parâmetros do transformador. Estimar a corrente com o secundário aberto e com uma carga de 600∠30°W. R: 100∠0ºV. 16. conectada no lado BT (baixa tensão). Rf=90kΩ e Xm=20kΩ. 60Hz. 13800/440V. Complete a tabela. 1000∠0ºVA.13ºA.TRANSFORMADORES E16.979.031Ω. E19.7A. v1 (t ) = 2 220 cos(377t ) . b) Utilizando o modelo ideal. Determine as correntes nominais de um transformador de potência monofásico de 11MVA. X1=30Ω. 13.32∠-38. d) A potência ativa consumida pela carga. c) A corrente no primário. Em curto circuito obteve-se 400W e 125V no primário. O núcleo de aço silício laminado de um transformador tem um comprimento médio de 0. determine a tensão de saída e a corrente solicitada da rede sabendo-se que é conectada uma carga de 20+j15W ao secundário. b) Calcular o rendimento do transformador.42A e 100W. E18. R2=3mΩ.32∠-38.8/0.55ºA.57A. E21. Um transformador monofásico ideal apresenta as grandezas instantâneas indicadas. b) A corrente na carga. Determine: a) A corrente na carga quando o primário é alimentado por tensão nominal.2kW. para uma tensão de entrada igual a 1000V. E22.8∠-53.6m e uma seção reta de 0. A entrada é de 200 V (eficaz) em 60Hz. A bobina do primário tem 150espiras e a do secundário 450 espiras. Pesquise: Quais eletromagnéticos? os efeitos práticos do uso de entreferros em dispositivos E17.005m2. R: -j0. 23.55ºA. X2=0. 5∠0ºA. R: 797A. O primário é alimentado por uma fonte de tensão senoidal dada por a) A tensão no secundário. e) A potência aparente consumida pela carga.93∠53. Já o voltímetro colocado no secundário indicou 500V. 3. E20. Ana Barbara K. Um transformador ideal com N1=500 espiras e N2=250 espiras alimenta uma carga resistiva de 10Ω. 10∠0ºA. 3. d) A potência aparente fornecida ao primário. b) A corrente no primário. R: 88∠-53. O primário de um transformador tem capacidade nominal de 10A e 1000V. 1000∠0ºVA. Determine: E24.66kV. 44 Prof. 4. Sambaqui Máquinas Elétricas I . a) Desenhe o circuito equivalente do transformador refletido ao primário. Um transformador de 250kVA. 2.13A. R: 0. Um transformador monofásico ideal de 13800/440V alimenta uma carga indutiva de impedância ZL=3+j4Ω. R: -j0.

42A e 100W. Estes transformadores são utilizados para a montagem de um banco trifásico na ligação estrela – triângulo. Ana Barbara K. constituindo o que se denomina um banco de transformadores em paralelo. b) As correntes nominais do banco de transformadores. Determine: a) A potência nominal do banco. Determine: a) Os parâmetros do transformador. Já o voltímetro colocado no secundário indicou 500V.E25. Prof. b) A tensão de linha que deve ser aplicada ao primário do banco de modo a se obter tensão nominal no secundário alimentando carga nominal do banco com fator de potência 0.2A.8/0. Sambaqui Máquinas Elétricas I 45 .8 indutivo. O primário de um transformador tem capacidade nominal de 10A e 1000V.44kV-60Hz. as resistências e a impedância de magnetização podem ser desprezadas. 18. de potências nominais 100kVA e 150kVA são conectados em paralelo. b) Considerando o transformador como ideal. E27. Em curto circuito obteve-se 400W e 125V no primário. 10∠-36.600/380(V)–60Hz apresenta reatância de curto circuito de 24Ω. Dois transformadores de 13. 380V. para uma tensão de entrada igual a 1000V. R: 1+j3Ω.1A e 568.87ºA.430V. Determine: a) A potência nominal do banco de transformadores. E26. R: 250kVA. Para este problema. 11. 12.020V. Três transformadores idênticos de 150kVA – 6. determine a corrente solicitada da rede sabendo-se que é conectada uma carga de 20 + j 15 W ao secundário. a tensão de linha nominal do primário e a tensão de linha nominal do secundário. Em circuito aberto os instrumentos conectados no primário indicaram 0. R: 550kVA.

MOTOR DE INDUÇÃO Prof. Ana Barbara K. Sambaqui Máquinas Elétricas I 46 .

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