Capítulo 2 Estudo das Fundações

1. Definição de fundação A estrutura de uma obra é constituída pelo esqueleto (figura 1) formado pelos elementos estruturais, tais como: lajes (cinza), vigas (vermelho), pilares (verde) e fundações (azul), etc. Fundação é o elemento estrutural que tem por finalidade transmitir as cargas de uma edificação para uma camada resistente do solo. Existem vários tipos de fundações e a escolha do tipo mais adequado é função das cargas da edificação e da profundidade da camada resistente do solo. Com base na combinação destas duas análises optar-se-á pelo tipo que tiver o menor custo e o menor prazo de execução.

Figura 1: Estrutura de uma edificação.

Eventualmente. enquanto a tabela 2 as sobrecargas ou cargas úteis em lajes de piso ou de forro de acordo com a sua finalidade. As cargas da edificação Edmundo Rodrigues 36 As cargas da edificação são obtidas por meio das plantas de arquitetura e estrutura. onde são considerados os pesos próprios dos elementos constituintes e a sobrecarga ou carga útil a ser considerada nas lajes que são normalizadas em função de sua finalidade. Compartimento Laje de forro Laje de piso de residência Laje de piso de escritório Laje de piso de enfermarias e recepções Salas de aula. Tabela 1: Peso específico dos materiais mais empregados em uma construção. A tabela 1 fornece o peso específico dos materiais mais utilizados nos elementos constituintes de uma construção. assembléias Biblioteca – sala de leitura Biblioteca – sala de estante de livro Depósitos Arquibancadas Sobrecarga – kgf/m2 100 200 200 250 350 250 a ser determinado em cada caso a ser determinado em cada caso 400 . Material Alvenaria de pedra Alvenaria de tijolo maciço revestido Alvenaria de tijolo furado revestido Concreto simples Concreto armado Revestimento com madeira (taco) Ladrilho e pedras de piso Mármore de 2 a 3 cm de espessura Revestimento de tetos e pisos de lajes com argamassa Telhado completo – telha francesa Telhado completo – telha canal Telhado completo – cimento amianto Madeira de lei Peso específico 2200 a 2400 1600 1300 2200 2500 45 50 80 a 90 25 125 150 90 900 Unidade kgf/m3 kgf/m3 kgf/m3 kgf/m3 kgf/m3 kgf/m2 kgf/m2 kgf/m2 kgf/m2 kgf/m2 kgf/m2 kgf/m2 kgf/m3 Tabela 2: Sobrecargas ou carga úteis em lajes de piso e de forro.Técnica das Construções 2. em função da altura da edificação deverá também ser considerada a ação do vento sobre a edificação.

* l. Pedregulhos compactos e mistura de areia e pedregulho. aterros. Rocha viva. Solo concrecionado. Areia fina fofa. * são exigidos estudos especiais ou experiência local 4. Para obras de pequeno vulto sujeitas a cargas relativamente pequenas. argila muito mole.2. Estudo do subsolo – Capítulo 1 . Tipo de solo Tensão admissível (kgf/cm2) a. as fundações podem se classificadas em: • fundações superficiais (diretas): quando a camada resistente à carga da edificação ou seja. tais 35 como: xistos e ardósias. O que caracteriza. Areia grossa fofa e areia fina compacta.Técnica das Construções 3. e a mais de 3 m de profundidade. f. Argila dura. é transformada em carga distribuída. Tabela 3: Tensão admissível no solo (fs) recomendada pela ABNT. que o solo seja capaz de suportá-la (figura 2a). 1 k. sendo que. principalmente uma fundação rasa ou direta é o fato da distribuição de carga do pilar para o solo ocorrer pela base do elemento de fundação. 2 j. onde está implantada a sua base. diábase e basalto. maciça sem laminação. Argila rija. Depósitos compactos e contínuos de matacões e pedras de 10 várias rochas. Argila média.Planejamento das Construções”). • fundações profundas (indiretas) são aquelas cujas bases estão implantadas a mais de duas vezes a sua menor dimensão. de um modo geral propõem sugestões para o tipo de fundação mais adequado para que o binômio estabilidade-economia seja atendido (veja item “2. a carga aproximadamente pontual que ocorre no pilar. tais como: gnaisse. Pedregulhos soltos e mistura de areia e pedregulho. num valor tal. 2 g. não excede a duas vezes a sua menor dimensão ou se encontre a menos de 3 m de profundidade. 5 e. granito. onde a base da fundação está implantada. fissuras ou sinal de 100 decomposição. 1 h. Resistência ou capacidade de carga do solo Edmundo Rodrigues 37 A determinação da tensão admissível. Argila mole. Para obras de vulto sujeitas à carga elevadas só pode ser realizada por empresas especializadas. b. Rochas laminadas com pequenas fissuras estratificadas. que além do estudo do subsolo. c. Outra característica da fundação direta é a necessidade da abertura da cava de fundação para a construção do elemento de fundação no . resistência ou capacidade de carga do solo fs consiste no limite de carga que o solo pode suportar sem se romper ou sofrer deformação exagerada. 3 i. Classificação das fundações De acordo com a profundidade do solo resistente. a resistência fs do terreno poderá ser obtida por meio de tabelas práticas em função do tipo de solo (tabela 3). 8 d. Areia 3 grossa compacta.

(a) (b) Figura 2: Fundação direta ou rasa (a) e indireta ou profunda (b). constituindo-se. em um elemento cravado por meio de um bate-estaca.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 38 fundo da cava. A fundação profunda. a qual possui grande comprimento em relação a sua base. normalmente. . apresenta pouca capacidade de suporte pela base. por exemplo. dispensa abertura da cava de fundação. porém grande capacidade de carga devido ao atrito lateral do corpo do elemento de fundação com o solo (figura 2b). A fundação profunda.

baldrames. tendo em vista. constituindo-se em uma distribuição de carga tipicamente superficial (figura 3c). sendo este o elemento que transmite a carga para o solo ao longo de todo o seu comprimento (figura 3b). não exigindo da camada do solo de apoio uma grande resistência. que as cargas são relativamente pequenas. concreto simples ou de concreto armado. uma parede que se apóia no baldrame.Técnica das Construções 5. onde houver pilar existirá um bloco de fundação distribuindo a carga do pilar para o solo (figura 3a). por exemplo. As fundações diretas classificam-se em: • • • blocos de fundações. O radier é uma laje de concreto armado. radier. concreto simples ou de concreto armado. tijolos maciços. ou seja. Quando o baldrame é construído de concreto armado ele recebe o nome de sapata corrida. É usado de forma econômica quando as cargas são pequenas e a resistência do terreno é baixa. tijolos maciços. as possíveis soluções em fundação direta para um silo multicelular (figura 4). . Quando um bloco é construído de concreto armado ele recebe o nome de sapata de fundação. A seguir são apresentados os diferentes tipos de fundação direta para uma obra simples composta de dois compartimentos (figura 3) e. Os blocos podem ser construídos de pedra. Fundação direta em blocos O que caracteriza a fundação em blocos é o fato da distribuição de carga para o terreno ser aproximadamente pontual. Fundação direta em baldrame A fundação em baldrame apresenta uma distribuição de carga para o terreno tipicamente linear. que distribui a carga total da edificação uniformemente pela área de contato. Fundações superficiais ou rasas ou diretas Edmundo Rodrigues 39 Em projetos de construções rurais são usadas principalmente fundações diretas. em desenho tri-dimensional. Fundação direta em radier A fundação em radier é constituída por um único elemento de fundação que distribui toda a carga da edificação para o terreno. Um baldrame pode ser construído de pedra. sendo uma boa opção para que não seja usada a solução de fundação profunda.

2 V1a−0.2 5.3 P6−0.50m 0.2x0.00m V4−0.2x0.6x0.3 P4−0.2 (a) Solução em Baldrame Forma da Fundação 0.00m 5.20m 5.3 P2−0.2x0.20m 5.3 P2−0.0 P6−0.00m C4−0.3 P4−0.2 5.2 C2b−0.50m 5.2x0.2 P5−0.3 5.1 B4−1.2x0.2 C1b−0.2x0.2 V1a−0.2x0.2x0.3 P2−0.2x0.2x0.2x0.3 0.2x0.2x0.2x0.0 P1−0.3 L1 − D=0.2x0.2x0.50m 1.0 P5−0.2x0.2x0.3 P3−0.6x0.2x0.10m C2a−0.2x0.20m Forma Nível de Piso P1−0.3 C3−0.20m Forma Nível de Piso P1−0.2 P1−0.2 V1b−0.0x1.2 B2−1.00m V4−0.00m Ba4−0.0x1.1 V2a−0.00m C4−0.6x0.3 5.90m 0.3 P4−0.00m 0.60m Ba1−0.2x0.3 5.2x0.2 V2b−0.2 Corte Longitudinal V5−0.1 L2 − D=0.00m 0.2x0.2x0.2x0.2x0.3 C5−0.2x0.2 C1a−0.2x0.3 P6−0.2x0.2x0.0 P2−0.2 V2a−0.2x0.2x0.2x0.2 Ba3−0.50m P6−0.3 Ba2−0.6x0.00m V3−0.2x0.2 P5−0.2x0.2 (b) 0.2 C1b−0.0 P4−0.0x1.3 5.2x0.1 L2 − D=0.3 V3−0.3 P6−0.3 C5−0.2 B5−1.2x0.20m C2a−0.3 Edmundo Rodrigues 40 Forma Nível de Cobertura P2−0.2x0.3 C3−0.2x0.0 P3−0.2x0.2 P5−0.2x0.2x0.2 Forma Nível de Cobertura 0.2x0.2x0.2x0.2x0.90m 0.3 P3−0.10m 2.00m 2.2 V1b−0.2x0.00m .2 P5−0.2 C2b−0.Técnica das Construções Solução em Blocos Forma da Fundação B1−1.2x0.60m 5.2 L1 − D=0.3 P3−0.20m 5.2 P1−0.2 C1a−0.20m 5.2x0.3 5.3 5.0x1.2x0.2x0.2x0.6x0.2 Ba5−0.2x0.00m 5.0x1.2x0.2x0.2 Corte Longitudinal V5−0.0x1.00m 2.2 P4−0.2x0.2x0.2 B6−1.3 P3−0.2 5.2 B3−1.2x0.2 V2b−0.20m 5.

20m 5.8 L1 − D=0.1 L2 − D=0.2x0.2 V1b−0.2x0.10m .00m 0.2x0.2 C1b−0.3 P4−0.2 0.90m 0.2x0.85(B − b) sendo: B = dimensão da base do bloco e b = dimensão do pilar.2x0.20m C2a−0.00m 0.3 5.50m 0.2x0.20m 5.2 P5−0. Dimensionamento de um bloco de fundação Os blocos são fundações em concreto simples ou ciclópico e caracterizados por uma altura relativamente grande em relação às dimensões da base.80m C4−0. Sendo fsolo a resistência do terreno (tensão admissível) e F a carga que chega ao bloco pelo pilar.2x0.0x5.3 C5−0. além disso.2x0.2x0. em baldrame (b) e em radier (c).2x0.00m 5.00m 2. 0.20m Forma Nível de Piso P1−0.00m Ra1−11.00m 5.2 5.3 P4−0.2 C2b−0.20m 5.3 C3−0.2x0. Nas construções comuns os blocos são usados para cargas de até 50000 kgf e.3 P2−0.1 V2a−0.2x0.2x0. 6.2x0.2 V2b−0.3 5.2 C1a−0.3 P6−0. necessária para que trabalhem essencialmente à compressão.3 5. não é aconselhável o emprego de blocos em terrenos com resistência inferior a 1 kgf/cm2 (0.50m 5.2x0.2 Corte Longitudinal V5−0.2 Figura 3: Fundação em blocos (a).2x0.2x0.Técnica das Construções Solução em Radier 11.2x0.2 P5−0.3 P6−0. a área da base pode ser calculada em uma primeira tentativa pela expressão: F S≥ fsolo Como os blocos são geralmente quadrados. para que a tensão admissível não seja ultrapassada deve-se ter: F ≤ fsolo S Portanto.2x0. Quando se deseja economizar material.2x0.2 V1a−0.3 P3−0.3 P3−0.2x0. temos para o lado B do quadrado: B= S Quanto à altura dos blocos experiências recomendam adotar a expressão: H = 0.00m V4−0.3 V3−0.2x0.2x0.20m Edmundo Rodrigues 41 Forma da Fundação Forma Nível de Cobertura P1−0. pode-se adotar o bloco com a forma escalonada.1 MPa).3 P2−0.2x0.2x0.2x0.

.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 42 Figura 4: Silo multicelular com possíveis soluções de fundação direta.

Enquadram-se nessa categoria as estacas pré-moldadas de concreto armado. com remoção de material. concreto (pré-moldadas e moldadas “in situ”). Nessa categoria se enquadram entre outras as estacas tipo broca. sendo três os tipos principais: • • • estacas tubulões caixões Estacas de fundação São elementos alongados. ou se confeccionam no solo de modo a transmitir às cargas da edificação a camadas profundas do terreno (figura 6). um novo tipo de estaca é introduzido no mercado e a técnica de execução de estacas está em permanente evolução. Entre os principais materiais empregadas na confecção das estacas se pode citar: • • • madeira.Técnica das Construções 7. As estacas também são classificadas em estacas de deslocamento e estacas escavadas. chamado bate-estaca (figuras 9 e 10). aço. As estacas de deslocamento são aquelas introduzidas no terreno através de algum processo que não promova a retirada do solo. sendo as estacas tipo Franki o exemplo mais característico dessas últimas. as estacas metálicas. A execução de estacas é uma especialidade da engenharia. Estas cargas são transmitidas ao terreno através do atrito das paredes laterais da estaca contra o terreno e/ou pela ponta (figura 5). as estacas apiloadas de concreto e as estacas de concreto fundido no terreno dentro de um tubo de revestimento de aço cravado com a ponta fechada. . Existe hoje uma variedade muito grande de estacas para fundações. as estacas de madeira. Fundações Profundas Edmundo Rodrigues 43 Quando o solo compatível com a carga da edificação se encontra a mais de 3m de profundidade é necessário recorrer às fundações profundas. As estacas escavadas são aquelas executadas “in situ” através da perfuração do terreno por um processo qualquer. com um equipamento. executada manual ou mecanicamente e as do tipo “Strauss”. cilíndricos ou prismáticos que se cravam (figuras 7 e 8). Com certa freqüência.

Figura 9: Bate-estaca de queda livre. . Figura 7: Estaca de madeira. Figura 6: Estaca de concreto moldada "in situ”.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 44 Figura 5: Mecanismo de resistência da fundação profunda. Figura 8: Estaca de concreto pré-moldado. Figura 10: Bate-estaca de martelo diesel.

a aroeira. Diâmetro (cm) 20 25 30 35 40 Estacas metálicas As estacas metálicas são constituídas principalmente por peças de aço laminado ou soldado tais como perfis de seção I e H. Sua cravação é facilitada. como também por trilhos. isto é golpeando-se o topo da estaca com pilões geralmente de queda livre. A carga máxima atuante sobre a estaca é obtida Carga (kN) 150 200 300 400 500 .Técnica das Construções Estacas de madeira Edmundo Rodrigues 45 As estacas de madeira são empregadas nas edificações desde a antigüidade. principalmente como fundação de obras provisórias. já acaba completamente com esse componente responsável pela corrosão. Do ponto de vista estrutural. porque a quantidade de oxigênio que existe nos solos naturais é tão pequena que a reação química tão logo começa. porque. Entretanto. Durante a cravação a cabeça da estaca deve ser munida de um anel de aço de modo a evitar o seu rompimento sob os golpes do pilão. os valores apresentados na tabela 4. bem retos e regulares. A principal vantagem das estacas de aço está no fato de se prestarem à cravação em quase todos os tipos de terreno.5 mm de toda sua superfície em contato com o solo. cravados normalmente por percussão. geralmente reaproveitados após sua remoção de linhas férreas. diante das dificuldades de se obter madeiras de boa qualidade. As estacas de madeira nada mais são do que troncos de árvores. se limita a cortar as diversas camadas do terreno. a maçaranduba e o ipê. Para obras definitivas tem-se usado as denominadas “madeiras de lei” como por exemplo a peroba. adotar como ordem de grandeza. Pode-se no entanto. No entanto. a carga admissível das estacas de madeira depende do diâmetro e do tipo de madeira empregado na estaca. sua utilização é bem mais reduzida. o que deve ser evitado aplicando –se substâncias protetoras como sais tóxicos à base de zinco. Tabela 4: Cargas admissíveis usualmente adotadas em estacas de madeira. quando perdem sua utilização por desgaste. quando mantida permanentemente submersa. Neste tipo de tratamento recomenda-se o consumo de aproximadamente 15 kg de creosoto por m3 de madeira tratada quando as estacas forem cravadas em terra. No Brasil a madeira mais empregada é o eucalipto. ao contrário dos outros tipos de estacas. se estiverem sujeitas à variação do nível d’água apodrecem rapidamente pela ação de fungos aeróbicos. Hoje em dia já não existe preocupação com o problema de corrosão das estacas metálicas quando permanecem inteiramente enterradas em solo natural. Também é recomendado o emprego de uma ponteira metálica para facilitar a penetração da estaca e proteger a madeira. de modo a garantir a segurança a NBR 6122 exige que nas estacas metálicas enterradas seja descontada a espessura de 1. resultando uma área útil menor que a área real do perfil. cobre ou mercúrio ou ainda pela aplicação do creosoto. Atualmente. permitindo fácil cravação e uma grande capacidade de carga. A duração da madeira é praticamente ilimitada. em lugar de fazer compressão lateral do terreno.

além de poderem atravessar correntes de águas subterrâneas o que com as estacas moldadas no local exigiriam cuidados especiais. a) Estacas pré-moldadas de concreto São largamente usadas em todo o mundo possuindo como vantagens em relação as concretadas no local um maior controle de qualidade tanto na concretagem.0 72. A tabela 5 apresenta a carga para alguns perfis e trilhos fabricados pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). Tipo de perfil Estaca de concreto As estacas de concreto podem ser pré-moldadas ou concretadas no local.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 46 multiplicando-se a área útil pela tensão admissível do aço fc = fyk/2 onde fyk é tensão característica à ruptura do aço da estaca.5 40. calculada com σc = fyk/2 = 120 MPa.5 56.1 47. Tanto nas estacas vibradas quanto nas centrifugadas a cura do concreto é feita a vapor.9 TR 32 Trilhos 400 (300) 371. Podem ser confeccionadas com concreto armado ou protendido adensado por centrifugação ou por vibração.3 TR 37 (CSN) 450 (350) 446.1 700 606 77. este de uso mais comum.4 TR 25 350 (250) 320.5 31.2 TR 50 600 (450) 569. de modo a permitir a desforma e o .5 64. Figura 11: Área útil de estaca metálica.8 TR 45 550 (400) 503.6 TR 57 Nota: Os valores entre parênteses referem-se a trilhos velhos com redução máxima de peso de 20% e nenhuma seção com redução superior a 40%. que é de fácil fiscalização quanto na cravação. Tabela 5: Cargas máximas em estacas metálicas completamente enterradas.3 300 273 Perfis laminados I 8”x 4” 34.3 I 12” x 51/4” 250 (200) 246.8 ª 5 400 377 CSN (1 alma) I 10”x 4 /8” 48. Denominação Área (cm2) Peso (N/m) Carga máxima (kN) 400 371 H 6”x 6” 47. A utilização de trilhos velhos como estacas só é possível quando a redução do peso não ultrapassar 20% do teórico e nenhuma seção tenha área inferior a 40% da área do trilho novo.

Por isso. Essas emendas podem ser constituídas por anéis metálicos ou por luvas de encaixe tipo ”macho e fêmea” quando as estacas não estivem sujeitas a esforços de tração tanto na cravação quanto na utilização (figura 12). A seção transversal dessas estacas é geralmente quadrada. Figura 12: (a) Emendas por anel metálico e (b) emendas por luvas. Para não onerar o custo de transporte das estacas. o seu comprimento é limitado a 12m. ou em caso contrário. hexagonal. octogonal ou circular. quando se precisar de estacas com mais de 12m as peças devem ser emendadas. mas não diminui o tempo total necessário para que o concreto atinja a resistência final. onde a altura h e a espessura e da chapa são função do diâmetro da armadura longitudinal e do diâmetro da estaca. Figura 13:Emenda tipo soldável em estaca pré-moldada. podendo ser vazadas ou não. emenda do tipo soldável. como indicada na figura 13. desde a fabrica até a obra. no entanto a carga admissível só poderá ser fixada após a análise do perfil geotécnico do terreno e sua cravabilidade.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 47 transporte da mesma no menor tempo possível. A carga máxima estrutural das estacas pré-moldadas é em geral indicada nos catálogos técnicos das empresas fabricantes. as estacas devem permanecer no estoque pelo menos até que o concreto atinja a resistência de projeto. . Tendo em vista que a cura a vapor só acelera o ganho de resistência nas primeiras horas.

pela forma que são escavadas e pela forma de colocação do concreto. A estaca tipo Franki usa um tubo de revestimento cravado dinamicamente com a aponta fechada por meio de bucha e recuperado após a concretagem da estaca. para serem ensaiados a 3. Para amortecer os golpes do pilão e uniformizar as tensões por ele aplicadas à estaca. b) Estacas concretadas “in situ” Existe uma grande variedade de tipos de estacas concretadas no local. instala-se no topo desta um capacete dotado de “cepo” e “coxim” conforme é mostrado na figura 14. quando bem aplicada. De um modo geral crava-se um tubo de aço até a profundidade prevista pela sondagem geotécnica. O concreto com estas características deve atingir fcc28 ≥ 20 MPa e o controle tecnológico do concreto durante a execução da estaca deve prever retirada regular de corposde-prova. enchendo–se com concreto que vai sendo apiloado até que se retire o tubo. Entre os vários tipos existentes destacam-se as estacas tipo Franki e as estacas tipo Strauss. Para tanto. A adoção dessas cargas depende da análise dos elementos do projeto. e continuar para cada grupo de 15 ou 20 estacas executadas. Figura 14: Detalhe do capacete da estaca. A execução de estacas tipo Franki. . A armação da estaca é constituída por barras longitudinais e estribos que devem ter dimensões compatíveis com o diâmetro do tubo e do pilão. O concreto usado na execução da estaca é relativamente seco com baixo fator água-cimento. diferenciadas entre si. utilizado em geral de modo a facilitar a passagem da estaca pelas diversas camadas do terreno. utiliza-se um tipo de guindaste especial chamado de bate-estaca que pode ser dotado de martelo (também chamado de pilão) de queda livre ou automático também denominado martelo diesel. salvo casos particulares como aqueles constituídos por espessas camadas de solo muito mole.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 48 Existem vários processos para cravação das estacas pré-moldadas. de modo a permitir o forte apiloamento previsto no método executivo. no entanto qualquer que seja o processo. iniciando-se ao se executar as primeiras estacas. praticamente não sofre restrições de emprego diante das características do subsolo. principalmente. 7 e 28 dias. podendo ser diminuídas ou aumentadas em projeto de condições especiais. A tabela 6 apresenta as cargas admissíveis usuais adotadas em projetos de rotina das estacas tipo Franki executadas pelas empresas que atuam no mercado brasileiro. no final a estaca será sempre cravada por percussão. resultando em um concreto de slump zero.

φ L Qc (kN) Qt (kN) 30 15 450 85 35 18 550 100 40 22 800 130 Edmundo Rodrigues 49 52 30 1300 240 60 35 1700 270 L – profundidade máxima recomendável Qc – carga admissível de compressão Qt – carga admissível de tração A seguir são relacionados alguns aspectos da estaca tipo Franki. e que a diferencia dos outros tipos de estacas concretadas no local contribuindo para a elevada carga de trabalho da estaca: • • • a cravação com ponta fechada isola o tubo de revestimento da água do subsolo. aumenta o diâmetro da estaca em todas as direções. a base alargada dá maior resistência de ponta que todos os outros tipos de estaca. que é absorvida pelo concreto seco da mesma. bem como. o apiloamento da base compacta solos arenosos. . aumentando sua a resistência de ponta.Técnica das Construções Tabela 6: Dados básicos para projeto das estacas tipo Franki. consolidando e reforçando seu contorno. Em solos argilosos o apiloamento da base expele a água da argila. o apiloamento do concreto contra o solo para formar o fuste da estaca compacta o solo e aumenta o atrito lateral. o comprimento da estaca pode ser facilmente ajustado durante a cravação. • • Figura 15: Fases de execução da estaca tipo Franki. que fazem parte do método de execução. o que não acontece com outros tipos de estaca executada com ponta aberta.

inicialmente. etc. mesmo se necessário executivamente. permitindo a mudança de locação antes da concretagem. a presença de corpos estranhos no solo. pois a retirada de amostras permite comparação com a sondagem à percussão. consistindo na retirada de terra com sonda ou piteira e. até atingir a profundidade desejada e posterior concretagem com apiloamento e retirada da tubulação. em argilas muito moles saturadas e em areias submersas. pelo menos na sua etapa final. Não deverá ser utilizada a pedra 2. Diâmetro externo do revestimento (cm) Carga admissível estruturalmente (kN) (NBR 6122) c) Tubulões de fundação 22 200 27 300 32 400 42 700 52 1070 Os tubulões são elementos estruturais de fundação profunda. Tabela 7: Cargas admissíveis em estacas tipo Strauss não armadas. e nesses casos esta solução não é indicada. geralmente. simultaneamente. consistência plástica (abatimento mínimo de 8 cm) e fcck de 15 MPa.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 50 As estacas tipo Strauss foram projetadas. o concreto utilizado deve ter um consumo mínimo de 300 kgf/m3. é indispensável um controle rigoroso da concretagem da estaca de modo a não ocorrer falhas. A carga de trabalho será fixada após análise do perfil geotécnico do terreno. como alternativa às estacas pré-moldadas cravadas por percussão devido ao desconforto causado pelo processo de cravação. Como principais desvantagens das estacas tipo Strauss podemos citar: • • • quando a pressão da água for tal que impeça o esgotamento da água no furo com a sonda. O processo é bastante simples. Por utilizar equipamento leve e econômico a estaca tipo Strauss possui as seguintes vantagens: • • • • • • ausência de vibrações e trepidações em prédios vizinhos. possibilidade de verificar durante a perfuração. Já o concreto das estacas armadas deve ter um abatimento mínimo de 12 cm e fcck de 15 MPa. autonomia. matacões. A tabela 7 apresenta as cargas admissíveis para estacas tipo Strauss não armada de acordo com a NBR 6122 em função do diâmetro externo do tubo de revestimento. a adoção desse tipo de estaca não é recomendável. possibilidade de montar o equipamento em terrenos de pequenas dimensões. pois a maior ocorrência de acidentes com estas estacas devem-se a deficiências de concretagem durante a retirada do tubo. No caso das estacas não armadas. para completar a geometria da escavação e . possibilidade de execução da estaca com o comprimento projetado. importante em regiões ou locais distantes. quer quanto à vibração ou quanto ao ruído. aberto no terreno com um tubo de aço de diâmetro mínimo de 70cm de modo a permitir a entrada e o trabalho de um homem. construídos concretando-se um poço revestido ou não. introduzir tubos metálicos rosqueáveis entre si. As estacas tipo Strauss podem ser armadas ou não. o risco de seccionamento do fuste pela entrada de solo é muito grande. dotados de uma base alargada. possibilidade da constatação das diversas camadas e natureza do solo.

São utilizados em solos onde haja a presença de água e que não seja possível esgotá-la. seja de camisa de aço ou de camisa de concreto.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 51 fazer a limpeza do solo. é possível apoiar cada pilar em um único fuste. razão pela qual esses tubulões têm sua profundidade limitada a 34m abaixo do nível do mar. Neste caso a camisa metálica pode ser recuperada ou não. Em qualquer etapa da execução deve-se observar que o equipamento deve permitir que se atenda. podendo esse revestimento ser constituído de uma camisa de concreto armado ou por uma camisa metálica. sem revestimento e não armados no caso de existir somente carga vertical e os a ar comprimido ou pneumático. Deve-se evitar trabalho simultâneo em bases alargadas de tubulões. rigorosamente. normalmente. a pressão máxima de ar comprimido empregada é de 3. em lugar de diversas estacas.4 atm (340 kPa). Figura 16: Geometria de um tubulão de fundação. O fuste do tubulão é sempre cilíndrico enquanto a base poderá ser circular ou em forma de falsa elipse. sendo possível penetrar em vários tipos de rocha. as escavações podem atravessar solos com pedras e matacões. as vibrações e ruídos provenientes do processo construtivo são de muito baixa intensidade. eliminando a necessidade de bloco de coroamento. pode-se observar e classificar o solo retirado durante a escavação e compará-lo às condições do subsolo previstas no projeto. os tempos de compressão e descompressão previstos pela boa técnica e pela . Os tubulões a ar comprimido são sempre revestidos. Quando comparados a outros tipos de fundações os tubulões apresentam as seguintes vantagens: • • • • • • os custos de mobilização e de desmobilização são menores que os de bate-estacas e outro equipamentos. Em tubulões ar comprimido (figura 17). Divide-se em dois tipos básicos: os tubulões a céu aberto. especialmente quando se tratar de tubulões a ar comprimido. cuja distância entre centros seja inferior a duas vezes o diâmetro ou dimensão da maior base. o diâmetro e o comprimento do tubulão pode ser modificado durante a escavação para compensar condições do subsolo diferentes das previstas.

só se admitindo trabalhos sob pressões superiores a 150 kPa quando as seguintes providências forem tomadas: • • • • estar à disposição da obra equipe permanente de socorro médico. que seja garantida a renovação do ar.Técnica das Construções Edmundo Rodrigues 52 legislação em vigor. . estar disponível na obra câmara de descompressão equipada. existir na obra compressores e reservatórios de ar comprimido de reserva. sendo o ar injetado em condições satisfatórias para o trabalho humano Figura 17: Construção de um tubulão a ar comprimido.

São utilizados. Este tipo de fundação profunda é destinado a escorar as paredes da escavação e impedir a entrada de água enquanto vai sendo cravado no solo. de seção transversal quadrada ou retangular que tem as paredes laterais pré-moldadas.Técnica das Construções d) Caixões de fundação Edmundo Rodrigues 53 Os caixões como o próprio nome sugere é um grande caixão impermeável à água. Terminada a operação o caixão passa a fazer parte da infra-estrutura. . Falta o desenho Figura 18: Forma esquemática de um caixão de fundação. como fundação de um pilar de ponte em que a substituição de dois ou mais tubulões por um caixão que os envolva seja mais econômica. por exemplo.