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ABUSO SEXUAL EM CRIANÇAS

ABUSO SEXUAL EM CRIANÇAS

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SANDERSON, Christiane, ABUSO SEXUAL EM CRIANÇAS – Fortalecendo Pais e Professores para proteger crianças de abusos sexuais. M.

Books do Brasil Editora, São Paulo, 2005

Capítulo 7

Sinais e Sintomas de Abuso Sexual em Crianças
Olhando para trás, sou capaz de ver que todos os sinais [de ASC: Abuso Sexual em Crianças] estavam ali, apenas não podia vê-los. Se ao menos eu tivesse tido a chance de perceber o que meu filho estava tentando me mostrar, teria impedido aquilo antes... e ele ainda estaria vivo. Mãe de uma criança vítima de abuso sexial que cometeu suicídio

D

epois de observar o impacto do ACS sobre crianças a atenção agora será concentrada em como pais, professores e outras pessoas podem saber se uma criança está sendo ou foi abusada sexualmente. Nem todas as crianças são capazes de revelar o abuso por temerem as consequências, mas podem encontrar múltiplas maneiras de comunicar seus medos e ansiedades aos adultos. Esse meios, de tão sutis, podem passar despercebidos ou serem muito evidentes e, ainda assim ignorados. Como já vimos antres, o impacto do ASC, tal como a série de sintomas, pode variar imensamente entre as crianças. Embora existam muitos sintomas em comum, há também muitas diferenças. A dificuldade para os pais, professores e profissionais que cuidam de crianças é saber quais sinais e sintomas procurar a fim de agir de modo adequado e proteger a criança. Como existe uma ampla variedade de sinais, é preciso cuidado para não aplicar uma abordagem de “conferir a listinha de compras” às manifestações de ASC ou para não considerar que a presença de um sintoma indique necessariamente que a criança foi vítima de abuso sexual. Pais e professores devem estar atentos para não elaborar nehuma hipótese quanto à possibilidade de abuso sexual com base na presença de um único sintoma. Muitos dos sinais e sintomas individuais podem indicar outros problemas que a criança esteja eventualmente enfrentando. É essencial observar tanto a criança quanto a constelação de sinais e símbolos indicativos do ASC. É preciso contextualizar a situação conhecendo a criança, sua família e seu mundo social, assim como os sinais e sintomas observados. Para proteger as crianças de modo adequado, precisamos evitar julgamentos precipitados da ocorrência do abuso, uma vez que um diagnóstico errado ou prematuro pode causar trauma desnecessário tanto na criança quanto na família.
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Desse modo, devemos estar também conscientes de que as crianças podem fazer de tudo para negar que estão sendo abusadas, mesmo quando isso chama a atenção dos outros. É preciso um equilibrio delicado entre estar consciente da série de sinais e sintomas, da observação sensível e das tentativas de se comunicar com a criana para realmente concluir se ela está sendo abusada ou não. Uma comunicação menos direta pode ser observada em crianças mais jovens, com menos de 5 anos, que são incapazes de verbalizar a experiência, especialmente se elas são treinadas para acreditar que o contato sexual é uma parte normal de seu mundo e de sua experiência social. Crianças mais velhas, de até 12 anos, também podem achar difícil comunicar diretamente suas experiências de ASC, assim, procuram maneiras indiretas de fazê-lo. Embora os adolescentes tenham habilidades verbais mais sofisticadas, também podem considerar, até certo ponto, difícil revelar diretamente o ASC por causa do constrangimento de estar envolvido com abuso sexual. Em um primeiro momento, este capítulo examinará os efeitos do ASC que causam uma variedade de sinais e sintomas na criança. Ainda que um único sintoma individual não indique ASC, mudanças no comportamento da criança que apresente vários sinais preocupantes combinados podem ser motivo de preocupação. Os efeitos observados do ASC podem ser agrupados nas seguintes categorias: 1. Efeitos emocionais; 2. Efeitos intepessoais; 3. Efeitos comportamentais; 4. Efeitos cognitivos; 5. Efeitos físicos; 6. Efeitos sexuais. Cada uma dessas categorias será discutida, considerando alguns dos sinais ou sintomas que a criança pode apresentar e o que eles representam. Pais e professores precisam estar conscientes desses sinais, visto que, frequentemente, as crianças mais mostram do que contam para os adultos que alguma coisa as está perturbando. Esse é um fato importante no caso do ASC, porque tanto pode ocorrer de o abusador silenciar a criança por meio de ameaças quanto ela pode estar apavorada demais para dizer ou sentir-se constrangida ou culpada para revelar o abuso. De acordo com o Stop it Now! UK and Ireland (2002), os fatos mais preocupantes a que se deve atentar são as mudanças no comportamento, especialmente as listada no quadro a seguir.
Observar se a criança • Tem comportamento sexual inadequado com brinquedos e objetos; • Tem pesadelos e distúrbios do sono; • Torna-se isolada e retraída; • Passa por mudanças de personalidade, sente-se insegura; • Retoma comportamentos de quando tinha menos idade, como por exemplo, fazer xixi na cama; • Tem medos inexplicáveis de lugares e pessoas em particular;
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Isso. • Medo. ainda assim. A criança cujo corpo responde ao contato sexual com prazer ou orgasmo pode se sentir duplamente envergonhada com a resposta de seu corpo. timidez. A sensação de vergonha também é incitada pelo sigilo do ASC e pelo caráter furtivo que pode envolver os encontros sexuais. Dessa forma. Explorando esses efeitos. • Confusão. • Inferioridade. A vergonha pode ser um fator poderoso para esconder o abuso sexual. • Apresenta mudanças nos hábitos alimentares. sabem que o ASC é errado e. • Raiva. ou DSTs. pode se sentir envergonhada com o que está fazendo. A vergonha tem uma função em todas as culturas. • Recebe presentes e dinheiro sem motivo. Resumo dos sinais emocionias do ASC • Vergonha. sentem algum prazer com os atos sexuais. • Torna-se cheia de segredos. Embora esses não sejam os sinais mais comuns associados ao ASC.• Tem ataques de raiva. como dor e feridas sem explicação nos genitais. provavelmente. uma vez que a criança sente vergonha do corpo. • Apresenta sinais físicos. inadequação. em particular. falta de confiança e iniciativa. pais e professores serão capazes de entender o que a criança está tentando mostrar por meio dessea comunicação. Geralmente as crianças aprendem que suas partes íntimas são algo para ser escondido e que devem se sentir nvergonhadas quando as mostram ou quando brincam com elas em público. ódio e desrespeito por si mesma. de si mesma e dos próprios 3 . ansiedade. • Culpa. Esse conhecimento permite que pais e professores tomem a atitude apropriada para proteger a criança. repulsa. Efeitos emocionais O impacto do ASC pode produzir uma série de efeitos emocionais (veja quadro a seguir). • Congelamento. A criança sentirá essa pressão porque. hostilidade. • Falta de poder. se é um segredo. • Dúvidas sobre si mesma. impotência. contrangimento. pois assegura que o indivíduo cumpra as normas sociais de comportamento. humilhação. deve haver algo de vergonhoso a respeito da atividade – apesar das garantias em contrário do abusador. cada um com um significado específico. as crianças são capazes de mostrar aos pais e professores uma larga variedade de impactos. sensação de falta de valor. é verdade para crianças mais velhas que. O mais comum é a vergonha. quando a criança é coagida a uma atividade sexual que envolva essas partes do corpo.

manifestam seu temor de vários modos – elas sentem medo na hora de trocar a fralda ou na presença de determinada pessoa (geralmente o abusador) e. a vergonha evoca a ansiedade em relação a si mesma. Ou ela não sente nada (como resultado da dissociação) ou se sente tão inundada pela intensidade das emoções que passa a temer a combustão interna. perplexidade e confusão. o que resulta em um turbilhão emocional no qual os sentimentos não podem ser expressos nem contidos. sofre um enorme impacto em sua habilidade de equilibrar as emoções. O medo é um outro sintoma principal do ASC. em geral. A criança se sente tão sem poder interna e externamente que é incapaz de desenvolver um senso de auto-eficácia e competência. pois oscilam entre esses dois pontos. A falta de confiança nos outros. Mais frequentemente. em certas situações. que são desencadeadas pela experiência da vergonha. duvida e desconfia de si mesma e dos outros. Um sinal freqüente é 4 . Às vezes. Uma criança pequena teme as reações dos pais diante da descoberta do abuso e teme igualmente a perda da relação “especial” que mantém com o abusador. Nos casos me que o ASC é acompanhado de violência. temem ficar sozinhas em casa com uma certa babá ou ao receber visitas. patética e estúpida. procurando reafirmação e aprovação. desamparo. a criança pode desenvolver fortes reações de fobia a coisas associadas ao abuso sexual. à sobrevivência e aos outros. assim. especialmente porque a criança não entende nada e. Ainda que a criança inicialmente não tema o abuso. nervosa e ansiosa. Ela parece vulnerável e mostra um alto grau de dependência. as crianças teme pela sua vida tanto por não concordarem com o abuso quanto por revelarem o segredo. Em alguns casos. reagindo com respostas com alto nível de temor. Uma profunda sensação de inadequação e de ausência de iniciativa acompanha essa falta de confiança. Uma consequência do fato de setem incapazes de controlar as emoções é o insucesso em tentarem se acalmar e se reconfortar. faz com que elas evitem procurar conforto e tranquilidade com os adultos. considera-se incapaz de controlar tanto o mundo externo quanto seu caótico mundo interior e. A criança pode parecer tensa. carência generalizada e falta de autonomia. Essas crianças podem desenvolver comportamentos obssessivo-compulsivos para estabelecer uma sensação de controle em resposta a um mundo interno caótico e fora de controle. A criança passa a generalizar essa falta de confiança. como timidez. Vergonha está relacionada com uma grande variedade de emoções. Esse fato pode levar a uma percepção fragmentada do eu. inferioridade. incapazes de verbalizar. se apavora em qualquer situação ou em qualquer encontro com adultos ou crianças mais velhas. constantemente atenta aos outros. falta de valor próprio e aversão por si mesma. o medo é indiscriminado e a criança. desgosto. decorrente do ASC. impotência. Ela se sente inútil. por se culpar e sentir raiva de si mesma por ser incapaz de fazer algo em relação ao abuso. também. Crianças com menos de 5 anos. A criança fica assustadfa demais para expressar sua ansiedade e suas necessidades emocionais para os outros por medo de ficar exposta e de sofrer mais abuso. a uma diminuição da auto-estima e uma imagem do corpo extremamente precária. E todos esses induzem a mais humilhação.sentimentos. As emoções das crianças ficam muito polarizadas e elas não podem controlar o que estão sentindo. A esses sentimentos somam-se ainda outros. ela temerá a revelação do segredo e suas consequências.

• Hostilidade e agressividade com os outros Na verdade. Ela é inibida em relação a si mesma. não só para não atrair a atenção apenas para si mesma entre eles como também entre outras crianças. • Inibição. alienação. • Redução das habilidades de comunicação. medo e confusão. A criança que se sente profundamente envergonhada pode evitar a intimidade nos relacionamentos por causa da necessidade de encobrir ou negar o sentimento de vergonha. • Solidão. Essas crianças raramente mostram alegria ou vivacidade. O medo da exposição é tão grande que ela talvez venha a evitar a intimidade com membros da família e com amigos pelo temos de que o segredo escape inadvertidamente. • Erotização da proximidade. ocultar-se. • Confusão de papéis – criança/pseudo adulto. De fato. timidez. isolamento. Efeitos intepessoais Os efeitos interpessoais do ASC nas crianças se concentram em como elas se relacionam com os outros e na qualidade de seus relacionamentos (veja quadro a seguir). • Superdócil. O medo dessa possibilidade e o sentimento de vergonha que o acompanha são tão intensos que a criança evita proximidade ou intimidade para proteger esse segredo. • Falta de confiança em si mesma e nos outros. que evita o contato visual. O ato de esconder-se e de evitar cronicamente a proximidade resulta em uma criança sem vontade de ser afagada. tenta esconder o rosto e oculta o corpo sob várias camadas de roupa. Mostram-se assustadas e ocas. à sua idade e ao seu corpo. Ela pode se retrair a tal ponto para conseguir seu intento que se torna quase invisível. quase mortas por dentro. falta de espontaneidade e de iniciativa. ódio. • Necessidade de se esconder. evita proximidade/abraço/afago/carícias com os outros. a criança parece apática em sua cautela. a origem dessa resposta é um turbilhão interno de vergonha.a “frieza”. A criança externaliza sua mágoa e raiva com ataques. mais como uma observadora do que uma participante. em especial com adultos. hostilidade. violência e raiva e culpa os outros. hostilidade. Agir assim só faz com que se 5 . depressão. • Auto-suficiência. parecem traumatizadas. supersensibilidade às necessidades e atitudes dos outros. a criança quer apenas desaparecer para evitar contato com os outros. tristeza e autoculpa. cautelosa. Resumo dos sinais interpessoais do ASC • Medo da intimidade. As crianças sexualmente abusadas também podem experimentar um profundo sentimento de mágoa e raiva. A criança que internaliza suas respostas ao ASC apresentará sinais de recolhimento. Seja qual for o modo como responde emocionalmente. O medo de ser segurada no colo ou afagada dificulta para ela qualquer tipo de ligação. sem nenhuma espontaneidade. Ela pode parecer cronicamente tímida em situações sociais. ansiedade.

e desempenham papéis semi-adultos. pois isso pode levá-la a um abuso sexual posterior. isolada e alienada dos outros. assim. que a mantém segura em relação ao não expor o segredo e a nunca experimentar a sensação de impotência que sente como 6 . ela pode ser capaz de evitar o abuso por meio de técnicas de distração ou de estimular a si mesma para o abuso. Essas crianças parecem muito auto-suficientes. ela não pode mostrar sua vulnerabilidade ou carência. estão constantemente buscando as respostas dos adultos e tentando antecipar-se a elas. e ela acaba. o que mascara suas próprias necessidades desesperadas. conversa e espontaneidade reduzidos. Uma criança sexualmente abusada sente pavor de mostrar sua vulnerabilidade e suas necessidades caso essas sejam exploradas mais tarde. é também uma forma de se manter alheia ao contato com os outros.sinta cada vez mais solitária. Uma criança que está sendo sexualmente abusada e ainda é tratada como criança fora da situação do abuso sexual torna-se confusa sobre como deve se relacionar com os outros. como nos esportes. Essas crianças apresentam uma “pseudomaturidade”. Elas quase se tornam a “mamãezinha” ou o “homem da casa”. Algumas crianças ficam em um contante estado de “prontidão” ou alerta. Podem revezar papéis de adultos e infantis ao setem protegidas pelos pais ou agirem como superprotetoras de outras crianças mais novas. A criança que externaliza suas respostas ao ASC evita a proximidade e a intimidade com os outros por meio de mostras de hostilidade. especialmente com os pais e demais adultos. que as fazem parecer sensatas. apesar de ainda ser uma criança. silencio. A criança sexualmente abusada não possui muitas habilidades apropriadas e desenvolvidas de comunicação e pode apresentar riso. Caso a criança preveja o que vai acontecer. ela é encorajada a agir sexualmente com os adultos. Com essa atitude. Ela também pode evitar situações em que seu corpo se torne o foco da atenção. perigos potenciais. especialmente irmãos menores. o que a torna ainda mais vulnerável a abusos sexuais. domínio e controle. Algumas crianças estão sempre atentas ou se mostram hipervigilantes me relação aos outros. Essas crianças também se tornam dóceis demais e são muito “úteis” aos outros. responsáveis demais para sua idade. A falta de espontaneidade e de iniciativa da criança é demonstrada na aceitação passiva de qualquer instrução dada por um adulto. É uma estratégia de autoproteção em que a criança se mantém um passo à frente ao monitorar respostas. antecipando o que o adulto vai fazer depois. São supersensíveis às necessidades e humores dos outros em detrimento das próprias necessidades. Não se trata apenas de um modo de exercer poder. pouca curiosidade e falta de interesse e exploração. para conseguir aprovação externa e a comprovação de que são “boas”. fugir ou paralisar. O ASC distorce o sentimento de identidade da criança e causa confusão de papéis. O abusador traiu a necessidade da criança de amor e afeto. enquanto internamente se sentem “más”. especialmente parentes e professores. acessos explosivos de raiva e agressividade. se armando ou se preparando para o próximo episódio de assédio sexual. Por outro lado. É desconfiada em relação aos outros e parece extremamente cautelosa com qualquer interação pessoal. na natação ou em atividades físicas que envolvam despir-se ou trocar-se na frente dos outros. ativando as respostas primitivas de lutar. É uma forma de autopreparação.

inclusive atos sexuais sofridos pela criança ou aqueles que ela teve de praticar no abusador. Um efeito extremamente potencial do ASC é a erotização da raiva e da proximidade. dessa maneira. ela pode encenar o abuso sexual. premeditadas e controladas pela criança. Brincar ainda pode ser uma expressão purificadora e um alívio para a perturbação. Tudo isso é planejado inconscientemente para colocar uma barreira entre elas e as demais pessoas. brincar pode revelar muito sobre o mundo interno e as experiências de uma criança sexualmente abusada. especialmente se a raiva e a violência acompanharem o abuso sexual. evitando.resultado de abuso sexual. Enquanto brinca de “mamãe e papai” ou de “médico”. Contudo. Muito nesse jogo é de natureza sexual e bem diferente da exploração sexual mútua e consensual encontrada em crianças que não foram sexualmente exploradas. o que reflete o interesse no abusador em relação à sua genitália. devemos ser cuidadosos para não considerar que. seu contato com todo o resto. A maioria das crianças apenas participa esporádica e espontaneamente de explorações sexuais. Essas crianças parecem controladoras. a criança esteja sendo sexualmente abusada. Estar em contato demonstra a vulnerabilidade. ela pode concentrar seus exames nos órgãos genitais da outra criança. Além disso. A inserção da medicação e objetos na vagina e no ânus como parte do procedimento médico pode representar o que realmente ocorreu durante o abuso sexual. Nesses jogos. altamente arrogantes e corretivas para com os outros. Cenas da criança sendo violentada podem ser revividas. uma vez que ela teme qualquer intimidade. Em outras palavras. essa criança brinca de modo muito sério e não demontra a alegria que a maioria das crianças exibe quando participa de explorações sexuais consensuais. Em geral. Brincar é um modo de adotar diferentes papéis e experimentar como é ser um personagem em particular. Efeitos comportamentais Muitas crianças que têm sido abusadas sexualmente tentam comunicar suas experiências por meio do comportamento. Ela teme que sua vulnerabilidade seja exposta ou que seja dominada e precisa se defender contra isso. que quase sempre não quer se desviar da seqüência dos eventos – o que indica a necessidade da repetição do trauma para ganhar uma sensação de domínio sobre ele. compreendê-la e obter uma sensação de domínio. a criança sexualmente abusada pode dirigir a atuação de outras crianças nesses papéis. A criança abusada sexualmente sempre vai querer trazer elementos sexuais para a brincadeira. Brincar é um modo natural e criativo pelo qual a criança obtém significado a partir da sua experiência e dá sentido ao mundo. o melhor modo de defesa se torna o ataque. A criança pode reencenar seu abuso sexual por meio de uma brincadeira tanto com outras pessoas quanto com brinquedos. apenas por apresentar um dos sintomas comportamentais listados (veja quadro abaixo). As brincadeiras sexuais podem parecer planejadas. a carência e o sentimento de impotência da criança. 7 . o que impede a criança de estar perto demais. Brincar também é um modo de a criança reencenar a própria experiência. Ao brincar de “médico”. Sentimentos de raiva e hostilidade também podem se tornar erotizados. a confusão e as ansiedades internas. Um veículo universal de comunicação infantil é a brincadeira. tornando-a repetitiva e obssessiva.

Outras crianças que foram abusadas sexualmente podem sentir desconforto em incluir órgãos sexuais em detalhes.Quando brinca sozinha. A criança também pode externalizar nos brinquedos a raiva contida. nos desenhos de crianças que não foram sexualmente abusadas. Nessa brincadeira. ela deseja dominar seu próprio reino e pode se identificar com o abusador submetendo os brinquedos às mesmas violações às quais foi submetida. Se a linguagem contiver frases e palavras muito adultas. Uma menininha que tomava remédios para dormir toda vez que era abusada sexualmente desenhou repetidadas vezes figuras em que calmantes apareciam. podem representar simbolicamente beijos desconfortáveis. também. se é que aparecem. ameaçadas ou caçadas por monstros. Durante a brincadeira. especialmente sexuais. Isso contrasta com os desenhos das crianças que foram abusadas sexualmente. outros aspectos presentes. as crianças comunicam seu mundo interno e social por meio de desenhos e pinturas. que geralmente são representadas por simples bonecos de pauzinhos. Imagens detalhadas da genitália masculina são raras. a criança pode encenar o ASC com seus brinquedos. pequenas narrativas que eventualmente incluem suas experiências atuais de abuso sexual ou representações simbólicas de serem dominadas. além de cabelos longos ou possivelmente uma forma de saia. Os desenhos podem relatar atividades sexuais atuais. mas podem ressaltar algumas características – como grandes mãos o grandes bocas –. objetos utilizados durante o abuso sexual e. Ainda que as crianças teham imaginação vívida. como mamilos. bonecas ou bichos de pelúcia. A criança pode desenhar abertamente enormes pênis e vaginas em imagens de adultos. é importante ouvir cuidadosa e atentamente suas histórias para extrair o sentido subjacente e o que estão tentando comunicar. Outras crianças podem relatar sua falta de poder e impotência diante do abusador em desenhos que apresentam monstros que abusam de crianças. mas sem saber de fato por que eles estavam lá. Crianças pequenas sempre desenham imagens de pessoas significativas em seu mundo. Apesar de as histórias sobre monstros fazerem parte do imaginário da criança. é a qualidade da história e o que está sendo representado que pode dar uma pista se ela está sendo abusada sexualmente ou não. nádegas ou genitália. As crianças também podem tentar comunicar suas experiências de abuso sexual ao contar histórias. as quais representam aspectos e características do abusador. Grandes lábios vermelhos ou mãos enormes. O desenho delas sempre apresenta as partes sexuais do corpo em detalhes. Raramente os desenhos incluem as partes escondidas do corpo. Também podem incluir peitos grandes com mamilos. A criança pode estar imitando a linguagem utilizada pelo abusador sem saber realmente o que ela 8 . eis aí um indício de um conhecimento muito sofisticado sobre comportamento e atividade sexual. algo que não pode fazer na vida real com o abusador. É util ouvir a linguagem que acompanha essas encenações. Esse bonecos de pauzinhos quase sempre não têm sexo e não contêm características sexuais declaradas. O uso da linguagem também pode nos dar pistas e indícios das experiências da criança. deproporcionais. já que podem indicar com o abusador tem agido com a criança e com essa vê a si mesma em relação ao abusador. sexo oral ou carícias.

à traição e à explosão presentes nos ASC. Podem indicar as experiências atuais da criança. A fusão de raiva e erotismo também pode ser reencenada. alimentação e carinho extras. O assistente social vivia fazendo perguntas. brinquedos. quase sempre está associada a distúrbios emocionais. choram demais e são difíceis de serem tranqüilizadas. 9 . Essas crianças vivem em busca de estimulação e atenção e tendem a ser muito mandonas. violação. mas Tim não sabia responder. na verdade. Em alguns casos. ainda. sentia-se bem melhor quando podia pôr fogo em cobertores e lençóis. Um sintoma mais grave associado ao ASC é atrar fogo nas coisas. tímidas e apáticas. Jogos que representam temas de destruição. não gostava. ela se põe a repeti-la na esperança de extrair algum significado. em crianças que já dominam suas necessidades fisiológicas. A baixa concentração faz com que pareçam descuidadas e vulneráveis a acidentes. A criança sexualmente abusada pode regredir para um estágio anterior de desenvolvimento. não sabia ralmente por que estava sendo tirado dos pais. animais. interno em um abrigo. às vezes. tomar mamadeira. Todo que o sabia era que adorava ver as chamas ardendo e a sensação boa que esse fato lhe proporcionava. Podem também ocorrer problemas de alimentação e de sono. Atos punitivos. os pais eram horríveis com ele e faziam coisas de que. Sempre que pensava no que os pais o obrigavam a fazer. distúrbios comportamentais e de conduta. têm pouco controle e pouca capacidade de suportar frustração. bichos de estimação e outras crianças podem representar a experiência de abuso sexual. Perder o controle das necessidades durante o dia quando já sabe usar o penico também indica que a criança enfrenta problemas emocionais. Tudo o que sabia é que se sentia enojado quando tinha de fazer essas coisas. Exemplos comuns de comportamento regressivo são chupar o dedo. perecem tensas. mas não entendia por que isso o aliviava. como no exemplo seguinte: Tim Tim. são irritadiças. Na realidade. Crianças mais novas que foram sexualmente abusadas podem parecer inibidas em sua curiosidade. As atividades recreativas cotidianas da criança também podem fornecer pistas de seu mindo interno e social. Quando não há nehuma razão médica para a falta de controle das necessidades. em sua exploração e em suas brincadeiras. fazer xixi na cama geralmente indica que a criança passa por experiências difíceis. Em geral. aniquilação etc. Elas reagem mal à novidades. usar fraldas ou fazer xixi na cama. imóveis. As crianças podem apresentar. mas não conseguia lembrar exatamente o que era.significa. “congeladas”. são agressivas e intimidadoras tanto em relação aos adultos quanto a outras crianças. Essa última atitude. Elas são facilmente excitáveis. Ele sabia que. no qual expressa sua necessidade de cuidado. o que aumenta a irritalibidade. um garoto pequeno e frágil de 6 anos. representando a confusão da criança quanto ao amor. Ao tentar compreender a linguagem. ele se escondia em seu quarto e brincava com fósforos. Também não entendia por que agia assim em seu quarto. cruéis e sádicos contra objetos. a ponto de ficarem hiperexcitadas. que se manifestam como ataques de raiva ou ódio em com freqüência histéricos. atos extremados de violência.

pois acidentes ocasionais podem ocorrer com a maioria das crianças. histórias e jogos. a criança tenta controlar de outro modo um mundo caótico e sem controle. essas ocorrências precisam ser colocadas em perspecitva. chupar o dedo. como pôr fogo em objetos. ela tambémm pode demonstrar o desejo de 10 . tentativsas de suicídio. ataques histéricos. cuidado. do qual sentem vergonha. Isso também se manifesta em crianças que não querem mudar de roupa ou tomar banho. incapazes de verbalizar suas experiências.Obviamente. • Promiscuidade. tais como fazer xixi na cama. tentam se proteger de alguém que possa se aproximar demais delas. estão testanto os pais ou os adultos que tomam conta delas para certificar-se de que estarão por perto para protegê-las de algum dano futuro. Antes de pensar que a criança está sendo abusada sexualmente. Ao rejeitar a comida. hipersensíveis a reprimendas de qualquer tipo. Essas crianças se tornam grudentas. afeto e proteção. Essa falta de controle pode refletir a falta de controle que a criança experimenta ao ser submetida ao abuso sexual. é preciso observar a freqüência e a regularidade da perda de controle. Mudanças nos padrões de sono ou nas atividades recreativas podem ser sinais de perturbações na criança. • Presentes e dinheiro sem explicação ou motivo. • Temas sexuais em desenhos. como fugir ou lutar e vulnerabilidade a acidentes. tanto se a criança se recusa a comer como se come demais – o que pode causar transtornos alimentares. A criança abusada pode chamar a atenção para seu desconforto por mudanças no comportamento em relação ao sono. O comportamento regressivo é mais comum em crianças menores. • Comportamento regressivo. • Distúrbios de conduta. dependência. à alimentação e à busca de estímulo. E ainda serve para esconder o corpo. sempre choram por qualquer coisa e se tornam inexplicavelmente mandonas. Resumo dos sinais comportamentais do ASC • Brincadeira sexualizada. Fazer cocô nas calças também pode ser um modo de a criança expressar a sensação de ser “má” ou “fedida” na esperança de evitar novos assédios sexuais. Ao se tornarem “fedidas” e sujas. O comportamento regressivo também é um modo de a criança se fazer de bebê novamente e evitar qualquer responsabilidade em relaçao ao crescimento e ao que lhe é imposto pelo abuso sexual. • Comportamentos perigosos. machucar a si mesma. Modificações nos comportamentos alimentares são características. Ao ficar sem comer. • Mudanças nos padrões de sono e alimentação. É um modo de ela mostrar sua necessidade de amor. • Comportamento autodestrutivo. De algum modo.

Mudanças no comportamento alimentar. representam uma tentativa da criança sexualmente abusada de ter algum controle em um mundo do fora do controle. Outras podem usar pedra-pomes ou outros objetos para se esfregar até ficarem completamente vermelhas e em carne viva. comem demais e se purgam. O ciclo constante de se empanturrar e se purgar tem o efeito desejado. há a necessidade de punir a si mesma. para evitar ser o foco de qualquer atenção e principalmente de qualquer asséedio sexual futuro. Por outro lado. Sua sexualidade é inadequadamente despertada. a criança acredita que se estiver com excesso de peso não mais será desejável e. especialmente o surgimento de distúrbios como a anorexia nervosa e alguns níveis de bulimia nervosa. Esse é um modo de aliviar a dor emocional e psicológica. Algumas crianças se arranham até sangrar. a atratividade da criança está mais em sua vulnerabilidade e em sua impotência do que em estereótipos culturais ligados ao tema. o que é representado pelo ato de ficar doente. A única área em que acreditam ter algum controle é em relação ao que ingerem ou eliminam. Melanie detestava que o pênis dele espirrasse uma coisa esbranquiçada sobre ela porque a fazia sentir-se toda grudenta e aquilo não cheirava bem. estando superalimentada. Infelizmente. perder ou ganhar peso não protege a criança do ASC. como essa excitação sexual está fora da norma da sociedade. evitará o abuso sexual. Ela não entendia exatamente o que ele queria dizer porque na verdade ela não fazia nada. Esses comportamentos alimentares dão à criança a impressão de ter algum controle sobre sua vida caótica. Melaine O abusador de Malaine sempre dizia que ela era uma “garotinha muito suja” leválo a fazer o que ele fazia com ela. superestimulada e superexcitada. seja para preencher o vazio que sente por dentro. O cilclo constante de ingerir grandes quantidades de comida até se sentir mal a ponto de vomitar pode representar simbolicamente a experiencia de abuso sexual. ela ficara mais forte fisicamente para resistir a qualquer assédio sexual. Em uma cultura em que ser magro é muito valorizado. encolher-se. Essa é uma tentativa da criança de desfazer a sensação de sentir-se “suja” e tentar sentir-se “limpa". Outra crença ilusória é que. Algumas crianças também podem tomar vários banhos e desenvolver comportamentos de higiene obsessivo-compulsivos. Algumas crianças desenvolvem bulimia. Essas crianças não tem poder sobre o abuso e são constantemente controladas pelo desejo do abusador.sumir fisicamente. a criança se pune pelo que ela sente que está fazendo de errado e por não ser capaz de evitar o abuso sexual ou escapar dele. sendo capaz de espantar o abusador. A dinâmica do ASC tem mais a ver com o poder do que com a atratividade sexual. ou seja. o que pode incluir sensações de prazer. Elas também se sentem sem o poder de revelar o abuso. Para muitos pedófilos. cutucam feridas e cascas na pele. seja para engordar de tal modo que se torne o menos atraente possível. impedindo que os machucados cicatrizem. Outros comportamentos autodestrutivos podem ser vistos tanto aberta quanto veladamente. portanto. Exemplos evidentes de que a criança machuca a si mesma são golpear-se ou bater a própria cabeça em paredes e móveis. A primeira vez que isso aconteceu achou 11 . Contudo. a criança pode tentar se reconfortar por meio da comida.

Essa dinâmica é vista por vezes em crianças mais velhas abusadas sexualmente que podem ter atitudes muito promíscuas. Ao se colocar em perigo. como sair correndo na esperança de escapar do abuso sexual futuro. A criança pode racionalizar e considerar isso uma alternativa melhor ao ASC. Infelizmente. Alguns modos mais sutis de autoflagelação são caracterizados pelo fato de a criança sempre se expor a riscos ou perigos. 12 . Esses comportamentos parecem pseudosuicidas. então. em parte por causa da dissociaçao que aprenderam a praticar. elas anestesiam a dor interna. esta sendo paga pela atividade sexual. Apesar de três banhos bem quentes todos os dias. Crianças sexualmente abusadas também podem ter comportamentos de risco. dai. a agir como cafetão. Então. Outras formas de autoflagelação podem ser mais leves. A criança pode se tomar uma causadora de acidentes ou procurar o perigo deliberadamente ao atravessar a rua bem na frente dos carros. o que pode levar ao hábito de mentir e de roubar ou a outras delinquências para obter meios de comprar drogas. ela ainda se sentia suja e não conseguia entender o motivo. a prostituição pelo “salvador”. os cortes podem incluir os seios. Ainda que essas atividades se dêem exclusivamente com colegas e pareçam consensuais as razões por trás dessa promiscuidade costumam estar no histórico de ASC. Mesmo o ato de se esfregar com desinfetante e pedra-pomes não mudava como ela se sentia por dentro. em vez de fazer sexo sem nenhuma recompensa financeira. elas podem decidir comercializar a única coisa de valor que acreditam possuir. os genitais e as áreas relacionadas. a morte física lhes parece uma alternativa oportuna. Sempre que Melanie pensava sobre o que o abusador fazia com ela. Ainda que não pareçam alcoolizadas. Crianças mais velhas lançam mão de analgésicos ou de medicamentos. Em casos graves. pelo memos.que ele tinha urinado nela o que a fez se sentir muito suja. especialmente nas áreas que têm sido foco de abuso sexual. Além disso. Algumas meninas abusadas sexualmente costumam sentir compulsão por cortar de forma deliberada os lábios externos e internos da vagina com lâminas de barbear na esperança de extirpar o foco do abuso sexual. A criança pode ser impelida. Várias crianças abusadas sexualmente de fato se sentem mortas por dentro. Em alguus casos. se fere gravemente ou acaba morrendo por causa de um acidente mais sério. Algumas crianças têm aprendido como se automedicar desde muito jovens ou a roubar goles de álcool dos armários dos pais. entre as quais se cortar. muitas vezes. sentia se suja e precisava ir-se lavar. Por mais que se lavasse. a criança. trocando a atividade sexual pela maneira desesperada de buscar amor e atenção. enquanto outras cortam os seios e os mamilos. vendendo o corpo dela para outros pedófilos. fugir as coloca de novo a mercê de adultos pedófilos. Algumas crianças podem ser impelidas a formas mais extremas de automutilação. uma criança um pouco mais velha pode tentar suicidio como alternativa à morte em vida a que sente estar condenada. nunca se sentia limpa. assim como para um circulo de sexo infantil ou bordel infantil. que passara. tendo em vista que muitas crianças sexualmente abusadas não atribuem nenhum valor a si mesmas além daquele de ser desejadas sexualmente como objeto sexual. que podem lhes oferecer abrigo em troca de favores sexuais e assim criar um circulo vicioso de abuso sexual. visto que. enquanto outras experimentam drogas.

roupas ou presentes em troca do contato sexual. Depois de tê-lo violentado brutalmente o homem se mostrou muito amável. fora sua recompensa por ter deixado o homem violentá-lo. Carlos estava certo de que sua primeira experiência como garoto de programa não tinha sido um caso de abuso sexual em crianças porque ele consentira em trocar sexo violento por afeto. aceitação e afeto. Esse caso demonstra claramente o nível de distorção perceptiva e cognitiva em que o ato agrassivo de violentar é racionalizado como um encontro consensual em que a criança troca sexo por afeto. Por vezes. Além disso. Isso significava que Carlos poderia sempre participar de atividades sexuais de extremo sadomasoquismo em que apanhava muito. o abusador presenteia a criança com um celular para ser usado exclusivamente para falar com ele. Essa promiscuidade coloca as jovens adolescentes não apenas em risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis como também as expõe à gravidez. que pode recompensar a criança por participar de certas atividades sexuais ao oferecer dinheiro. Aos 12 anos. abraçando. Os psicólogos usam o termo cognitivo para 13 . seu estímulo foi mais o afeto do que o dinhelro que recebia. Também mostra como a violência é erotizada e se incorpora ao comportamento sexual aprendido. Carlos concordou. Carlos conheceu um homem mais velho que lhe ofereceu dinheiro para acompanhá-lo até seu quarto de hotel. Durante os 25 anos como profissional do sexo. Esse foi o início da carreira de Carlos como garoto de programa e prostituto. era chicoteado e violentado antes de ser abraçado e conseguir ter orgasmos. para identificar a fonte desses agrados. atenção e memória deficientes como a uma compreensão limitada do mundo (veja o quadro na página 224).Crianças abusadas sexualmente aprendem a associar atenção e afeto com comportamentos sexuais e usam seu conhecimento sexual para serem aceitas e receberem afeto dos colegas. A troca é uma dinâmica potente utilizada por um pedófllo no processo de aliciamento. acariciando e afagando o menino e dando lhe bastante atenção. A troca pode ser mais sutil. Sintomas cognitivos Como discutido no capítulo anterior. Quando começou a terapia. Carlos adorou esse aspecto do encontro e sentlu que isso. Dinheiro e presentes podem ser vistos como parte do processo de aliciamento em que o abusador tenta aumentar a atividade sexual com a criança ao lhe prometer dinheiro ou presentes. o impacto do abuso sexual na criança resulta em vários transtornos cognitivos. Sabia que se tratava de abuso sexual. Carlos Carlos tinha sido abusado sexualmente pelo irmão mais velho dos 8 aos 12 anos. É importante questionar sempre presentes e dinheiro ganhos sem explicação. mais do que o dinheiro. a violência que acompanhou o primeiro contato sexual por dinheiro ficou misturada com o amor e o afeto que recebia depois. e acreditam que só podem receber isso por meio de atividades sexuais. Muitas vezes. como mostra o exemplo a seguir. como fizeram no relacionamento de abuso sexual. elas buscam apenas aprovação. não só quanto à concentração.

Já vimos como o ASC e o trauma podem afetar a capacidade da criança de se dissociar das próprias experiências e como isso afeta a integração da autoidentidade e dos sistemas de memória. por outros adultos e pela sociedade em geral. elas culpam a si mesmas por algo que alguém está fazendo com elas e sobre o qual não têm poder nem controle. Crianças sexualmente abusadas quase sempre se sentem culpadas e. As crianças horrorizadas pelo abuso sexual podem negar o que esteja acontecendo. Alexandra tentou negar o que lhe estava acontecendo pensando em coisas boas e desejando que o abuso acabasse logo. de alguma forma. Um relacionamento aparentemente amoroso pode se tornar um pesadelo abusivo sexualmente. O medo das conseqüências da revelação pode levar a criança a negar o ASC mesmo que já tenha sido constatado. Quando Alexandra foi para uma nova escola. como a forma pela qual a criança compreende o mundo. crença reforçada por livros de histórias e filmes. como algo ruim está acontecendo com ela. Para lidar com os assédios sexuais noturnos. uma garota começou a espalhar boatos de que ela e o padrasto faziam sexo. Um dos efeitos do ASC é distorcer a percepção de mundo da criança. como no exemplo a seguir. Crianças pequenas quase sempre acreditam que as coisas ruins só acontecem a pessoas más. lhe dá sentido. Mesmo quando teve a oportunidade para revelar o abuso sexual o medo das consequencias de admitir a verdade pesou mais do que a oportunidade de acabar com o ASC um fato que sempre esteve presente na consciencia de Alexandra. ela é má. Muitos abusadores negam o ASC por acreditarem que ele seja uma expressão de amor. Alexandra O padrasto de Alexandra abusava sexualmente dela desde que a menina tinha 7 anos. Isso também distorce sua percepção do que é certo e o que é errado. embora não estejam fazendo nada. Vários outros processos também são cruciais. 14 . ela se sentia constrangida e amedrontada demais para revelar a verdade.descrever processos como a percepção. Negou os boatos e assegurou ao diretor que o padrasto nunca faria algo tão reprovável. a tomada de decisão e todas as funções envolvidas na aprendizagem da experiência em um modo adaptativo. a atenção e o modo de contar. Isso distorce a realidade. Pais e outros adultos desejam negá-lo porque é horrível demais acreditar que alguém possa fazer isso com crianças. Quando foi chamada pelo diretor da escola. o que as faz se sentirem bem ou mal. Negar a realidade do ASC para si mesma pode ser o único modo de a criança sobreviver ao abuso. Alexandra ficou aterrorizada. estratégias de planejamento e testes de como usar a informação de modo adequado. A sociedade pode também negar o ASC por não o compreender ou por não saber como lidar com ele. consolidar a informação e retrabalhá-la. interpreta suas experiências. levando a uma confusão sobre quais os comportamentos adequados e inadequados entre adultos e crianças. culpam-se pelo que está acontecendo com elas. já que. então. que ainda não é capaz de pensar de modo abstrato acreditará que. A negação é um efeito difundido do ASC não apenas pelas crianças como também pelos abusadores. Uma criança em um estágio de desenvolvimento cognitivo inicial. Ela não conseguia entender como a garota havia descoberto.

pois mina sua capacidade de acreditar nas próprias experiências e julgamentos. pode impedir que a criança obtenha um sentimento de conquista. pode ser muito difícil aprender qualquer coisa na escola. pela criança. Em sua vida de criança. ouve dizer que é normal adultos e crianças fazerem sexo. podendo provocar a ridicularização por parte de professores e colegas e aumentar a sensação de isolamento e alienação. Muitas dessas crianças também podem ser estudantes brilhantes e entusiásticos. da realidade do ASC para um mundo interior de confusão e perturbação. Para essas crianças. A falta de concentração é mais evidente na escola. O medo e o terror da realidade do ASC tornam irrelevante o aprendizado na escola. Como alternativa. assim. a criança pode entrar em um mundo de fantasia em que tem o poder e o controle que lhe faltam no mundo real. Essa distorção da percepção e da realidade da criança causa um enorme impacto nela. Por isso. quase rudes em suas respostas. acabará por semear a solidão. a sensação de impotência e de inutilidade e aumentará a vulnerabilidade a mais abuso sexual. O baixo nível de desempenho educacional é freqüentemente confundido com dificuldades de aprendizagem e. A dificuldade em se concentrar faz com que elas não absorvam ou não armazenem informações nem aprendam ou tentem relembrá-las. que nada pecam em inteligência. já que a escola é como um refúgio do 15 . Ela pode se refugiar sonhando acordada. Mais tarde. Por outro lado. Conseqüentemente. e focaliza toda sua atenção na sobrevivência. A criança fica preocupada com sua dor interna. conseguir sobreviver à experiência. Além disso. o que influencia sua capacidade de perceber o que acontece à sua volta. confusão ou que antecipa o próximo acesso sexual não vai conseguir prestar atenção no que se espera que aprenda na escola. se uma criança com menos de 5 anos. Essas crianças se comportam como se estivessem em um mundo de sonho e parecem aéreas na classe. esse subaproveitamento servirá para reforçar uma auto-imagem já frágil em que se acreditam idiotas e estúpidas. que tem pouco ou nenhum conhecimento do comportamento sexual adequado. Essa criança estará preocupada com o próximo assédio sexual. crianças abusadas sexualmente podem ter um desempenho insuficiente na escola. algumas crianças podem se sobressair na escola. Uma criança que ainda não domina o conhecimento do mundo e baseia-se mais nos adultos para guiá-la e ensinar-lhe os comportamentos adequados acreditará no que os adultos lhe disserem. Uma criança que está sempre preocupada. o que a impossibilita de se concentrar no mundo exterior. mesmo que isso contraste com o que ela realmente sente e vivencia. Essas crianças sempre chegam cedo e são as últimas a sair. terror. se ignorado. saber que Paris é a capital da França não está na sua lista de prioridades. habilidade e aproveitamento acadêmico. Esse recolhimento é necessário para se proteger e. ela acreditará nisso.É importante saber em que estágio de desenvolvimento cognitivo a criança se encontra no que diz respeito à compreensão do significado que extrai de suas experiências. com medo. apesar de não serem capazes de acompanhar as aulas ou de se aplicar nos trabalhos escolares. Uma criança para quem se diz “Olhe o que você me obrigou a fazer” ou “Percebo que você gosta que eu toque seu pênis” acreditará no adulto. Um outro efeito da distorção da realidade é a fuga. em como lidar com ele. pelo fato de ser esse o único lugar seguro para elas.

em que coisas inexplicáveis acontecem. ao passo que a maturidade emocional fica presa em um nível de desenvolvimento referente a uma criança muito mais nova. Em geral. a rotulação inadequada. ou seja. Na supergeneralização. A escola também dá oportunidade para que ela se distraia de sua confusão emocional ao concentrar toda sua energia em adquirir conhecimento. Isso acontece em parte porque elas precisam decifrar o incompreensível e também desenvolver estratégicas para antecipar e evitar o abuso sexual. a filtragem mental. que apresentam grande maturidade intelectual. Refugiar-se nos livros pode impedi-las de aprender habilidades sociais com os colegas. Crianças sexualmente abusadas. Esse pensamento é característico de crianças mais novas que não são capazes de levar em conta as sutilezas entre duas idéias extremas. a criança tende a ver o mundo em uma categorização como "Não tenho absolutamente nenhum valor" ou "Todo mundo é brilhante". o que pode fazer com que minimizem o abuso sexual e seu efeito sobre elas. ela pode ficar "presa" em um modo particular de pensamento e compreensão do abuso. tornando-as estudantes muito bemsucedidos. o que difere do modo de se relacionar com os demais a sua volta. na maioria das vezes. desenvolvem habilidades cognitivas. tomada de decisão e fuga. a criança ge-neraliza sua própria experiência para outras situações. o aumento ou a minimização. inteligentes. Ler e aprender se tornam um meio de escapar de sua realidade aterrorizante e obter significado em um mundo muito desestruturado e confuso. a desqualificação do positivo. No pensamento tudo ou nada. O desenvolvimento precoce dessas habilidades pode levar a um aproveitamento acadêmico alto. o que também pode mantê-las a salvo de se aproximar demais dos outros por medo de serem expostas ao abuso. A criança pode evitar voltar para casa se isso estiver associado a ser sexualmente abusada.abuso sexual que ela vivencia fora dali. Exemplos disso podem incluir 16 . mais cedo do que as crianças não abusadas sexualmente. sensatas para além de sua idade. Esse apoio a mantém a salvo do sentimento de devastação emocional e permite que construa habilidades acadêmicas que não demandam muita energia emocional. a criança mais nova sexualmente abusada tende a se engajar em pensamentos extremos. a supergeneralização. Seu relacionamento se dá com a aprendizagem e o conhecimento. Outras podem sofrer de pensamentos recorrentes em que o assédio sexual é repetidamente revivido ou ter fantasias violentas incontroláveis. essas crianças parecem extremamente brilhantes. Elas podem se tornar leitores ávidos. a racionalização emocional. como estratégias de planejamento. Enquanto as crianças mais velhas em um estágio de desenvolvimento cognitivo posterior são mais capazes de tolerar a ambivalência. Distorções cognitivas comuns associadas ao ASC são: "tudo ou nada". Outros sintomas cognitivos associados às crianças que têm sido sexualmente abusadas incluem a hipervigilância. procurando farejar qualquer ameaça. as conclusões precipitadas. sempre procurando saciar sua sede de conhecimento. Algumas negam o abuso sexual como estratégia para sobreviver a ele. as declarações "deveria" e a personalização. a criança fica superalerta o tempo todo. Dependendo do estágio de desenvolvimento cognitivo em que a criança esteja.

na filtragem mental. ela exagera os erros e deficiências para além da proporção. em que a criança pensa ser impossível deixar entrar qualquer experiência positiva em outras áreas de sua vida ou desconsidera qualquer atributo ou habilidade positiva. baseada em uma única falha como "Eu não disse não e não me defendi o suficiente do abuso sexual. baixa auto-estima e raiva. De modo semelhante. visto que o impacto total poderia ser devastador demais para a percepção de si mesma. No aumento. A criança racionaliza que "Eu fui responsável pelo abuso porque me sinto muito mal sobre não ter dito não". a criança assume a responsabilidade de algo em que não deveria haver nenhuma. que não está baseada em nenhuma evidência real. logo todos os homens são abusadores sexuais". fazendo com que essas crianças acreditem que todos os homens querem ser sexuais com elas. filtra os aspectos positivos. Exemplo comum disso é a criança que toma para si toda a responsabilidade pelo abuso sexual ao fazer declarações como "Devo ter sido responsável pelo abuso sexual porque gostei e porque meu corpo respondeu ao abuso". Finalmente. Urna declaração deveria é "Eu deveria ter dito não ou ter chutado o abusador onde machuca". acreditando que deveriam sempre se comportar de acordo com essas altas expectativas. Essas crianças são geralmente perfeccionistas ao tentar desfazer o quão mal se sentem a respeito de si mesmas."Sou abusada por um homem. o que mostra quanto sou inútil". o que pode ser visto em uma criança mais nova que só consegue se relacionar de modo sexual com adultos do mesmo sexo que o abusador. Esse tipo de pensamento está relacionado com a racionalização emocional. na personalização. eles não vão mais querer ser meus colegas". Na minimização. Muitas crianças sexualmente abusadas têm expectativas irreais de si mesmas. conseqüentemente. Exemplo comum disso é "Todo mundo que me conhece vai me culpar pelo abuso sexual. ou atribuição inadequada. Os abusadores que colocam essa responsabilidade sobre a criança ajudam a reforçar a atribuição inadequada. A minimização ou o aumento pode ser extremamente devastador da auto-estima da criança. por isso sou fraca e patética. Exemplo disso poderia ser o da criança que nega sua capacidade de ir bem na escola ao dizer para si mesma que "Foi pura sorte eu ter tirado um 10" ou "O professor deve ter sentido pena de mim e resolveu me dar uma nota alta". Essa minimização ou negação permite que a criança sobreviva à experiência. a criança diminui os efeitos devastadores do abuso sexual como forma de proteger do impacto real que ele tem. vou sempre permanecer ferida". Um bom exemplo disso é quando os sentimentos de vergonha e culpa sobre o abuso são equacionados com o sentimento de responsabilidade por ele. a criança invariavelmente imagina uma conclusão negativa. que pode ser própria da idade e certamente reflete com precisão a experiência da criança. Nas conclusões precipitadas ou inferências arbitrárias. Isso está relacionado com a desqualificação do positivo. 17 . a criança concentra-se exclusivamente em todos os aspectos negativos do eu e. O fracasso em realizar essas expectativas causa culpa. A rotulação inadequada é caracterizada pela criação de uma autoimagem completamente negativa. o que pode levar ao fatalismo do tipo "Fui tão devastada pelo abuso sexual que nunca mais vou ser capaz de levar urna vida normal. pela criança. Essa tese pode contribuir para um medo generalizado de todos os homens.

A escuta cuidadosa. a criança pode apresentar hematomas e. nádegas. • Dissociação. sangramentos. mas o abusador ejaculou sobre a criança. • Distorções cognitivas. Se a força e a violência foram utilizadas. e o fato de o abuso ser algo ruim e ter acontecido com ela não faz dela uma criança má. especialmente nas coxas e na área genital. baixo ventre e coxas podem estar igualmente presentes. a presença de sêmen pode ser detectada na área genital e anal. pode haver sêmen sobre seu corpo. não importa como ela se comporte. Também podem ocorrer traumas nas regiões oral. Resumo dos sinais cognitivos do ASC • Baixa concentração e atenção. Se não houve penetração. sensível e gentil da criança. na Sintomas físicos Um dos aspectos mais difíceis do abuso sexual em crianças é que ele freqüentemente não deixa nenhum sinal nem marcas físicas (veja quadro abaixo). • Negação. Se houve penetração. Esse é particularmente o caso de crianças que foram aliciadas por um longo período no qual não houve nenhuma penetração na vagina ou no ânus. • Transtornos de memória. pode ser um caminho longo para melhorar sua autoestima e permitir que ela se livre do fardo da responsabilidade. Alguns abusadores que não penetram a criança com o pênis podem causar danos visíveis com a penetração dos dedos ou a inserção de objetos estranhos nos orifícios genitais. Pode haver evidência de doenças sexualmente transmissíveis. é crucial que os adultos forneçam informações factuais e precisas para corrigir qualquer informação errada dada a ela pelo abusador. do reto e da uretra. pode apagar esses sinais. ajudando-a a obter uma percepção mais acurada do abuso. contudo.Quando a criança confessa o ASC. Traumas nos seios. genital e retal. sua boca ou suas roupas. podem existir sinais físicos explícitos dele. • Refúgio na fantasia. • Sub/superaproveitamento escola. • Hipervigilância. Forçar a criança a tomar banho depois do assédio sexual. Incluindo o risco da infecção pelo HIV. 18 . Se o abuso sexual for acompanhado de violência e penetração forçada. As crenças da criança e o significado que ela extraiu do ASC precisam ser confrontados e substituídos por pensamentos mais precisos e compreensivos. Isso torna bastante difícil detectar o ASC apenas por meio do exame fisico. Uma criança nunca é responsável pelo abuso sexual. em alguns casos.

Em crianças mais velhas do sexo feminino há o risco de gravidez. • Desconforto em relação ao corpo. o que pode simbolizar o abuso sexual oral. Sinais físicos mais sutis são as doenças psicossomáticas recorrentes. a criança está assustada demais para dizer quem a engravidou. especialmente dor genital e retal sem nenhuma explicação médica ou infecção presente. inflamação e infecção nas áreas oral. sem explicação médica. Resumo dos sinais físicos do ASC • Hematomas e sangramento. nádegas. Se esses sintomas não puderem ser explicados do ponto de vista médico. Algumas crianças sofrem de sonambulismo e terrores noturnos. • Gravidez. • Dores e doenças psicossomáticas. como medo de ir para a cama. A masturbação mútua ou o sexo oral não deixam necessariamente quaisquer sinais físicos. inflamação ou infecção persistentes e recorrentes nas áreas oral. • Traumas físicos nos seios. 19 . A criança pode ter coceira. Algumas crianças têm dores de garganta recorrentes. coxas e baixo ventre. podem indicar abuso sexual. genital e retal. • Traumas físicos nas regiões oral.Muitos abusadores não deixam sinais visíveis de hematomas. Distúrbios alimentares. retal e uretral. Problemas estomacais recorrentes. sem infecção presente. pode haver sintomas físicos associados ao ASC. podem representar o medo da criança de danos em decorrência da ingestão de sêmen ou do medo de gravidez. genital e retal. mas isso nem sempre está associado com o ASC. sonambulismo. • Odores estranhos na área vaginal. • Presença de sêmen. falta de higiene e de asseio também podem indicar a dor emocional da criança. insônia e pesadelos recorrentes. vaginal. Contudo. sangramento ou traumas. • Danos visíveis em razão da inserção de objetos estranhos nos orifícios genital. e é sempre mais fácil dizer que foi o namorado ou o resultado de uma relação sexual consensual. Geralmente. Odores vaginais estranhos também podem ser um indício. já que podem ocorrer distúrbios neurológicos nos padrões do sono. • Coceira. retal ou uretral. • Distúrbios do sono: pesadelos. • Doenças sexualmente transmissíveis. Outros sintomas físicos que podem indicar algum trauma ou perturbação emocional na criança são os vários tipos de distúrbios do sono.

os sintomas são comportamentos aprendidos que têm sido praticados e repetidos durante o abuso sexual e tornaram-se o único modo conhecido pela criança de se relacionar com os outros. Crianças que tentam lidar com o ASC e compreendê-lo podem apresentar comportamentos sexuais repetitivos e persistentes. Devemos evitar 20 . for paga por isso. São vários os sinais e sintomas que podem ser apresentados por crianças sexualmente abusadas. por este ter dito a ela que é normal. Em crianças mais velhas. ela acredita que esse é o único meio de obter atenção e afeto e. a promiscuidade precoce pode ser urna forma de elas repetirem as experiências de abuso sexual. assim como o abusador. Alguns deles são uma forma de a criança chamar a atenção para o abuso sexual e constituem o modo escolhido de comunicar sua dor interna em lugar da revelação verbal. Essas crianças vão tocar os adultos de forma inadequada e pedir para eles tocarem suas áreas sexuais. A criança pode se esfregar no adulto. a criança não consegue entender por que os outros adultos ficam incomodados quando ela age assim com eles ou com outras crianças. A criança acredita que o único meio de se relacionar com outros adultos é tocá-los nas áreas sexuais ou se comportar de modo sexualmente sedutor. a masturbação compulsiva não é completamente satisfatória para a criança. Uma compreensão mais acurada do comportamento sexual. Em geral. Crianças mais novas ingenuamente acreditam que é isso o que os adultos querem e de que gostam.Sintomas sexuais A criança abusada sexualmente pode tentar comunicar sua experiência de abuso por meio de comportamentos sexuais incomuns (veja quadro a seguir). simulando uma relação sexual ou masturbação. e estão. incorporando temas adultos que destoam do conhecimento apropriado ao nível de desenvolvimento da criança. Essa promiscuidade pode às vezes levar não apenas à gravidez como também à prostituição. quer oferecer sexualmente a si mesma para satisfazer suas necessidades. O exibicionismo repetitivo e compulsivo é outro modo do qual a criança pode lançar mão para tentar comunicar as experiências de abuso. Esses comportamentos geralmente representam o que a criança aprendeu a fazer com o abusador sexual e. Em alguns casos. Algumas ficam totalmente perturbadas depois da masturbação. portanto. compelidas a agir desse modo. assim. geralmente praticada em público. Muitas crianças que são prostitutas ou garotos de programa têm uma história de abuso sexual. O que está claro é que o impacto do ASC varia de criança para criança e que seus sinais e sintomas também podem variar muito. A masturbação compulsiva. também pode indicar que ela vivenciou o ASC. uma vez que a criança de alguma forma já foi capaz de perceber que pode obter algum tipo de controle sobre a experiência de abuso sexual se. Esses podem se manifestar em relação a outras crianças ou serem dirigidos aos adultos. Também pode beijar outros adultos – além do abusador – de um modo sexual. os sintomas são reencenações repetitivas do abuso sexual que a criança se sente compelida a representar para lhe dar um significado e ter domínio sobre ele. ao menos. rolando no chão em profunda dor psicológica e emocional. Em outras circunstâncias. pode ser urna forma de comunicar a experiência de abuso sexual da criança. Embora a criança possa não estar deliberadamente procurando por contato sexual com os colegas.

• Medo do sexo. • Compreensão claramente sofisticada do comportamento sexual. 21 . • Temas sexuais nos trabalhos artísticos. crianças ou brinquedos. Tendo adquirido esse conhecimento e essa consciência dos vários sintomas e si-nais. Esses sinais e sintomas podem apenas alertar o adulto sobre a dor e a pertur-bação da criança e não são critérios de diagnóstico seguros por si mesmos. • Promiscuidade. a atenção deve ser concentrada em como interpretá-los e compreendê-los em relação à criança sexualmente abusada. • Prostituição. • Gravidez na adolescência. • Masturbação compulsiva. pois alguns deles podem estar associados a outros problemas e dificuldades. É essencial que os adultos contextuali-zem os sinais e sintomas observados e percebam a constelação de indícios antes de assumir que a criança esteja sendo abusada sexualmente. Resumo dos sinais sexuais do ASC • Comportamentos sexuais inadequados e persistentes com adultos. • Problemas menstruais. • Exibicionismo.tirar conclusões precipitadas de que a criança esteja sendo abusada sexualmente diante da presença de apenas um ou dois dos sintomas. O importante é ter conhecimento de quais sintomas têm sido relacionados ao ASC. em histórias ou em jogos.

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