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A importância da lógica jurídica e da teoria da argumentação para o operador do direito

A importância da lógica jurídica e da teoria da argumentação para o operador do direito

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Published by: Sandra Caldeira on Jun 30, 2011
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A importância da lógica jurídica e da teoria da argumentação para o operador do direito.

Falar de Lógica Jurídica será falar de Teoria da Argumentação e da sua aplicabilidade no Direito uma vez que ambas se tornam imprescindíveis para a prática jurídica. A Lógica Jurídica surge como resposta à necessidade de estruturar o discurso e a linguagem normativas tão próprias do Direito, contudo, e uma vez que o conteúdo do direito é dinâmico, em constante transformação o raciocínio jurídico relativo à aplicação da norma não pode de forma alguma limitar-se à mera operação dedutiva. Assim, e segundo a maioria da doutrina, a Lógica Formal mostra-se insuficiente para o Direito uma vez que a argumentação jurídica racional opera com valores subjacentes num determinado t mpo e espaço. e Posto isto, surge a necessidade de, como resposta a situações consideradas urgentes pela Teoria Jurídica contemporânea, nomeadamente na tentativa de estabelecer um método que possa ser considerado, uma Teoria da Argumentação. Pode-se falar de Lógica desde os tempos mais remotos, contudo este conceito destacou-se com Aristóteles que lhe atribuiu princípios de tal forma sólidos e que até hoje são tidos como válidos e, como Santo Tomás de Aquino considerou, a Lógica é uma arte, é um método que permite bem-fazer uma obra segundo certas regras. A LÓGICA JURÍDICA Tendo em conta os institutos básicos da Lógica pode-se explicar a necessidade da existência de uma Lógica Jurídica que delineie formas ou estruturas de discurso ou de linguagem normativa próprias do direito´. Assim, a Lógica jurídica divide-se em 2 formas: as apofânticas e as deônticas. A forma deôntica refere-se a um dever-ser objectivo onde a norma traz uma estrutura lógica, cognoscente da conduta, formalizada e representativa da linguagem do direito positivo, que se expressa por meio de normas. Segundo esta perspectiva pode-se considerar que o Direito pretende responder às necessidades sociais de forma a permitir a convivência pacífica entre os homens, logo, compreender-se-á o seu conteúdo dinâmico e em constante transformação de forma a ultrapassar a estagnação da norma. No que diz respeito à forma aponfântica, ou seja, do ser, da prática, do concreto, do que efectivamente ocorre na realidade e que nem sempre corresponde ao que está previsto na forma deôntica uma vez que retrata uma mera possibilidade. Desta forma na formalização da norma, ocorrente pela sua estrutura deôntica, não se consegue abranger todo o conteúdo do Direito e acompanhar a sua evolução histórica, uma vez que esta vai mais além do que dita a norma. Direito é mais do que lei, mais do que regra, mais do que norma e é exactamente por isso que o intérprete não pode ficar adstrito a ela ignorando o grande mundo que é o sistema jurídico. A norma pretende trazer a segurança, mas isso não implica o alcance da justiça. Esta segurança é garantida pela forma deôntica, que cuida da estrutura da norma e que impõe um dever-ser. Logo o movimento do pensamento deve ser dedutivo, partindo do geral (norma) para o individual (regular as relações jurídicas) tratando os argumentos do ponto de vista da sua correcção formal. A estrutura deôntica é verificada, portanto, pela Lógica Formal. Poder-se-á assim afirmar que a lógica é jurídica sem deixar de ser formal porque está vinculada a uma região ou domínio de objectos, as normas jurídicas, e se apresenta como uma formalização da linguagem que serve de expressão aos significados que são as normas. Sendo uma formalização dessa linguagem, a lógica jurídica, por sua vez, é uma linguagem com referência geral ao domínio dos objectos jurídicos. Assim, podemos dizer que o apofântico é que permite a justiça e a equidade das decisões judiciais, por meio do movimento indutivo. Raciocínios jurídicos A prática do Direito consiste, de forma fundamental, em argumentar. O bom jurista é definido, na maioria das vezes, como aquele que tem capacidade de formular argumentos e manejá -los com habilidade. E a linguagem assume importante papel na elaboração dos raciocínios jurídicos. De acordo com a maioria da doutrina existem dois tipos de raciocínios no Direito: os lógico-dedutivos ou lógico-formais e o dialético que tratam de argumentação jurídica. Enquanto uma operação lógico-formal prevê uma demonstração de seus postulados, a argumentação é um mecanismo de pensamento prático. A insuficiência da Lógica Formal para o Direito Desde o positivismo jurídico, a justiça passou a ser uma qualidade do que é legal, baseada na representatividade, sendo formal, para garantir a segurança jurídica. A legitimidade e a legalidade se confundiam. Kelsen, formalista ao extremo, considerava a justiça como um ideal irracional, importando-se apenas com a lei posta, que se estruturava por meio de regras. O positivista, portanto, busca estabelecer uma separação rigorosa entre Moral e Direito, diferentemente do Direito natural que defende um padrão de validade baseado na moral que é superior ao do Direito positivo.
Para o positivismo, a actividade do juiz é meramente declarativa ou reprodutiva de um direito preexistente, isto é, de um conhecimento puramente passivo e contemplativo de um objecto já dado.

que o estudo da Lógica Jurídica e da Teoria da Argumentação é fundamental para o operador do Direito. são factores que determinam a conduta humana. Para que uma justificação racional da acção e do pensamento seja possível.Não nos podemos afastar da ideia de que o positivismo jurídico encontra a sua base na Lógica Formal. locais. a fim de evitar o arbítrio e a insegurança jurídica? Toda lide implica um desacordo. na busca da persuasão e do convencimento do seu público. É um instrumento para o fim do Direito. culturas e tradições? Ela poderá ser justificada e controlada racionalmente. por mais que ele não tenha conhecimento das normas. fazem parte da vida do Direito. mas argumentar. Isso transforma a teoria do discurso em base de uma teoria da justiça. os fundamentos de nossas acções e de uma porção significativa dos nossos pensamentos constituem-se actos subjectivos e arbitrários´. por meio de uma argumentação motivada e também racional. CONSIDERAÇÕES FINAIS A importância do desenvolvimento de uma teoria da argumentação no Direito para responder aos problemas urgentes expressos pela teoria jurídica contemporânea reside na tentativa de estabelecer um método de argumentação jurídica que possa ser considerado racional. a justific ação de uma escolha ou decisão. sempre haverá uma margem de liberdade do juiz. A realidade jurídica é um campo imensamente maior do que aquele coberto por uma legislação formalmente válida. Pelo que se poderá deduzir que os raciocínios meramente dedutivos baseados na lógica formal serão insuficientes para atender ao Direito. o que nos conduz para além da posição emotivista-subjetivista. O uso prático da razão pretende fornecer regras e critérios que podemos submeter à adesão de todos. mas que justiça é essa? Será possível uma justiça universal. A segurança existe para alcançar a justiça. . e o papel do juiz é encontrar uma solução razoável. Entram aqui. ou seja. podem variar em função do tempo. aceitável. O Direito tem uma função social a cumprir. a ética e a responsabilidade do julgador. É exactamente por isso que existe a possibilidade de se recorrer ao Judiciário. DIREITO. mas também a norma-regra. só que de forma diversa. ao argumento de que ³a expressão de um julgamento de valor. na medida em que oferece meios de estabelecer um raciocínio jurídico corre e cto verdadeiro. conclui-se que não só a norma-princípio emana valores. seguindo os ditames clássicos. O conteúdo axiológico de uma regra é bem menor do que o teor de um princípio. A estrutura fechada da regra não permite uma análise valorativa tão grande como ocorre com a estrutura aberta e abstracta dos princípios. Concluímos. Pode-se asserir que a justiça sempre estará presente na essência do ser humano. temos a busca efetiva pela justiça. E as interpretações. vinculada a esta função social. o mais confuso de todos os val res uma vez que a o análise lógica da noção de justiça constitui um verdadeiro desafio. ou seja. já que. o valor-mestre do qual emanam os demais. A interpretação do Direito não tem como excluir a ratio legis. Assim. por mais que se tente controlar racionalmente as decisões. Assim. as controvérsias na actividade de aplicação da lei são inevitáveis. Posto isto parece complexo reduzir o Direito a um aglomerado de leis. E a argumentação jurídica racional opera com valores aceitos num determinado tempo e espaço. ARGUMENTAÇÃO E DISCURSO A justiça é o objectivo maior do Direito. ela supõe a intervenção de uma vontade. Da mesma maneira. para tentar resolver as incertezas acerca da justiça surgiu a Teoria do Discurso uma solução para o dilema. nem subjectiva. constituindo assim uma relação -se entre o racional e o irracional. assim. inclusive a segurança. Além disso. já que os valores. de modo efectivo. é necessária uma teoria geral da argumentação que parta do paradigma da racionalidade prática. terá sempre uma pré-compreensão do Direito. não pode ser realizado. aceita em todos os povos. pois uma lei necessariamente terá que ser interpretada para ser aplicada. pelo fato de se constituir um ser axiológico. podemos perceber que uma teoria da justiça só será aceitável quando levarmos suficientemente em conta os interesses e necessidades bem como a tradição e cultura de todos os implicados. É impossível elaborar um conceito de justiça que seja aplicado em qualquer sociedade. Segundo esta teoria podemos argumentar de modo racional sobre a justiça. e não uma conclusão impessoal e impositiva a partir de premissas. mas principalmente por princípios que contém e exprimem valores. Toda justificação racional demanda uma argumentação racional porque justificar não é calcular. nem arbitrária. que é. por sua vez. Assim há que delimitar uma racionalidade mínima para o valor justiça. um conflito. Diante disso e sendo a sentença uma decisão. sem dúvidas. Por outro lado. Nos dias que correm a norma jurídica é formada não só por regras. sem referência à sociedade que deve reger. Não adianta ao profissional do Direito saber tudo o que está previsto nas normas se não conseguir organizar suas ideias e efectivamente aplicá-las.

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