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UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE JORNALISMO E RELAÇÕES PÚBLICAS CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL / JORNALISMO

A EDUCAÇÃO BILINGÜE PORTUGUÊS / LIBRAS COMO INICIATIVA SOCIAL / EDUCACIONAL

CELACOM’ 2005 “O LEGADO UTÓPICO DE MÁRIO KAPLÚN”

Bruno César Cova GALHARDI Daniel Augusto Ribeiro PEREIRA Guilherme Enrico SALVIATI Talita Kubinhetz Barros ITABAIANA

A educação bilíngüe Português / Libras como iniciativa Social / Educacional
Bruno César Cova GALHARDI – Curso de Jornalismo (UMESP) Daniel Augusto RIBEIRO Pereira - Curso de Jornalismo (UMESP) Guilherme Enrico SALVIATI - Curso de Jornalismo (UMESP) Talita Kubinhetz Barros ITABAIANA - Curso de Jornalismo (UMESP)

Introdução
Uma condição fundamental de todo comunicador é saber comunicar, escreveu Mario Kaplún em El Comunicador. A comunicação é um fator indispensável em nosso cotidiano, é um processo que envolve o receptor e interlocutor a alcançarem uma idéia comum, um destino único. Os portadores de deficiência auditiva não gostam da denominação de deficientes auditivos, por isso trataremos deles como surdos, assim como eles mesmos aceitam ser chamados. Analisando as formas de comunicação dos surdos, temos a Libras (Língua Brasileira de Sinais), que é reconhecida no Brasil como meio legal de comunicação e expressão. Utilizando-se da Libras, existem o Oralismo, enfatizando a comunicação de surdo com ouvinte, o Bilingüismo, que garante o entendimento entre surdos e surdo e ouvinte desde que a língua de sinais seja oferecida como uma língua natural e eficiente, entre outras. Língua natural para os surdos, a Libras não é aproveitada em sua totalidade nem pelo ensino fundamental e médio tampouco pelo superior. O aluno assiste à aula e não pode compreende-la. No Brasil, há somente 10 faculdades que contam com intérpretes, somando 27 deles. Sem tais ‘tradutores’ não há como o aluno deficiente abarcar o conhecimento transmitido a não ser que o próprio docente seja fluente em Libras, assim sendo, a aula seria totalmente tangível e acessível para os alunos em questão. A maioria das crianças surdas é filhos de pais que escutam normalmente, ou seja, a maior parte da população de surdos tem pais ouvintes. E nesse caso, se a criança só mantiver contato com os pais, a possibilidade de ela não conseguir lidar com a deficiência é

muito maior. O infante surdo deve ter constante contato com adultos, também, surdos e fluentes em Libras para se acostumarem e adquirirem uma linguagem espontânea, assim como disse Vigotsky: a linguagem é a ferramenta lingüística do pensamento. Deste modo, a linguagem, cuja função primaria é a comunicação e se adquire no intercambio social, entra em uma indissolúvel relação com a capacidade de generalização que ocorre na base da atividade pensante (VIGOTSKY, 1934). Os surdos enfrentam uma árdua luta na sua comunicação e aprendizagem. São poucas as pessoas que sabem Libras com fluência e insuficientes são as escolas, colégios, universidades que aplicam a Libras em seu programa.

Diadema e a E. M. E. E. Olga Benário Prestes.
Situada no aglomerado industrial do ABCD, em São Paulo, Diadema, município com área total de 30,7 km2, é marcada pela presença de indústrias e fábricas. Da mesma forma, é considerada uma das cidades com maior índice de violência na região. Há uma grande parcela da população considerada carente, e ainda sem acesso pleno a todos os recursos oferecidos pelo município. Neste município encontramos a Escola Municipal de Ensino Médio (E. M. E. E.) Olga Benário Prestes, fundada em 1988 e com, atualmente, 167 alunos (entre 1a a 8a séries e mais três salas de Educação de Jovens e Adultos, EAJ), onde se observa um trabalho sério e extremamente responsável. Com uma equipe de docentes quase sempre formados em pedadagogia com especialização em EDAC (Educação de AudioComunicação), a instituição, localizada na Rua São Genaro, 149, Centro de Diadema, é a única em seu município a prestar atendimento exclusivo ao Surdo. Mesmo com a grade curricular limitando-se ao Ensino Fundamental, o Olga Benário Prestes passa a exercer um papel fundamental na vida do Surdo. É na instituição que ele poderá manter contato com seus semelhantes de maneira facilitada, buscar apoio dos docentes em variadas situações, ou simplesmente cultivar as amizades que criou durante sua passagem pela escola. Não raro, como relatam os docentes, ex-alunos mantêm contato

estreito com o colégio, relatando mudanças e acontecimentos marcantes em suas vidas. Não seria de todo exagero dizer que a E. M. E. E. Olga Benário Prestes cumpriria um papel de “segunda casa” entre seus alunos e ex-alunos. Afora isso, a instituição ainda conta com cursos de aperfeiçoamento aos docentes e uma bibliografia que cumpre papel de sustentáculo teórico para a metodologia de Libras (linguagem dos sinais), como o uso de dicionários e enciclopédias especializadas, que facilitam a comunicação entre docentes e alunos. Destaque também para o papel de fonoaudiólogos e demais profissionais que fornecem subsídios complementares aos alunos e até mesmo a comunidade na qual a instituição está inserida, como a realização de oficinas que iniciam os interessados na linguagem das Libras.

Ensino Fundamental, o primeiro passo para a inclusão.
Partindo-se do paradigma da Escola Municipal de Ensino Especial (E. M. E. E.) Olga Benário Prestes, em Diadema, SP, é crível conceituar a etapa que inclui da 1a a 8a série (Ensino Fundamental) do Parâmetro Curricular Nacional (conhecido como PCN, e que determina a grade curricular regular que deve constar em toda instituição de ensino público brasileiro), como indispensável para a integração do Surdo a sociedade. A primeira vista, contudo, é possível proceder de uma análise imediatista, alicerçada pela metodologia de ensino utilizada pela instituição; a despeito da gradativa implantação do método bilíngüe (ensino de Libras e também do Português), iniciado a cerca de seis anos, ainda impera o ensino, principalmente da 1a a 4a a série, de Libras como principal forma de comunicação, justamente pela facilidade de expressão do educando. Esta inclusão social não estaria prejudicada com a priorização das Libras como forma de comunicação em uma sociedade que desconhece tal linguagem? A experiência obtida na E.M.E.E. Olga Benário Prestes mostra que não. As Libras, mais do que um instrumento de comunicação restrito ao Surdo (e que portanto, isoladamente, contribuiria com o processo de segregação), é o canal fundamental para a recepção de conhecimentos por esses indivíduos. Seria uma demonstração prática da

máxima “"A cada tipo de Educación corresponde una determinada concepción y una determinada practica de la Comunicación" (Kaplún, El Comunicador Popular, pág. 17). As Libras no Ensino Fundamental asseguram a democratização da informação ao Surdo. Com a facilidade de captação com essa língua (que possui entre suas estruturas e variações próprias a ausência de preposições e apenas três tempos verbais, a saber: Passado, Presente e Futuro) é possível a abordagem de temas complexos com uma compreensão facilitada ao educando. No que concerne à prática diária de ensino, notamos algumas particularidades na instituição. Até a 4a série do Ensino Fundamental, professores polivalentes são encarregados de salas de, no máximo, 10 alunos, o que proporciona uma monitoria constante e assegura assistência muitas vezes individualizada. Quanto ao método de ensino, o material didático, quase sempre adaptado, é voltado ao aspecto visual por excelência. O uso de cartazes, folhetos, etc., elaborados pelo próprio docente são freqüentes e auxiliam a expressão e a contextualização social do aluno. Outro ponto que nos chama a atenção é o constante uso de jornais, mesmo em salas de educandos mais jovens. Assuntos atuais e de complexidade variável surgem nas aulas e são alvo da compreensão e até mesmo questionamentos dos alunos, se adaptando a proposta de Kaplún, “durante o processo de comunicação não há receptores passivos, ambos são sujeitos do processo como emissores de mensagens”. A maioria dos professores é formada em pedagogia com algum tipo de especialização voltada as Libras (na maioria das vezes o EDAC – Educação em AudioComunicação). Um ponto que vale ressaltar é o uso de microcomputadores. Infelizmente, na escola não há o uso deles, devido à verba restrita, tampouco a maioria dos alunos tem acesso a esse tipo de tecnologia em suas casas, pertencentes a comunidades carentes. Contudo, experiências e observações demonstram que o uso de computadores e adaptações sensoriais próprias para Surdos é de extrema ajuda para o desenvolvimento cognitivo. A partir da 5a série, o professor polivalente cede lugar a professores especializados em cada disciplina. Ainda que todos sejam concursados, não é exigido domínio ou especialização em Libras deste professores. Entretanto, o processo de aprendizado do

docente ocorre em paralelo à administração de suas aulas, e não raro são auxiliados pelos próprios alunos na comunicação. Uma das maiores barreiras nesta etapa é codificar o conhecimento e informação do PCN para as Libras. Alguma informação que, para uma classe de ouvintes, poderia demandar vários minutos de explanação, para uma classe de Surdos pode ser mais bem exemplificada por uma figura que elucide o fato ou ao menos forneça alguma espécie de base visual para a compreensão plena da explanação. Mesmo com as diferenças metodológicas e de captação cognitiva, o conhecimento adquirido pelo Surdo é extremamente similar, senão idêntico, ao de um aluno ouvinte que tenha freqüentado uma E.M.E. F padrão.

Ensino Médio, a transição para o mundo ouvinte.
Completado o Ensino Fundamental, a E. M. E. E. Olga Benário Prestes não dispõe do Ensino Médio, como a grande maioria das escolas específicas para surdos. Nesse ínterim, resta ao Surdo, caso deseje prolongar seus estudos, ingressar em uma escola para ouvintes. Nessa transição, o uso exclusivo de Libras durante o ensino fundamental é muitas vezes questionado, pois fornece entraves quanto à adaptação para os métodos dos ouvintes. Ainda assim, as Libras no ensino fundamental são as responsáveis pela grande captação de informação e conhecimento que, sem os mesmos, impossibilitariam o Surdo de integrar-se a sociedade. Exclusivamente no caso do município de Diadema, esse processo de adaptação para a escola de ouvintes pode receber o acompanhamento do Centro de Atenção à Inclusão Social (CAIS), uma instituição pública que desenvolve trabalho pedagógico com pessoas de necessidades especiais, buscando dar suporte educacional ao processo de inclusão dessas pessoas nas salas de aula do ensino regular. Além de fornecer apoio aos alunos com necessidades especiais, entre eles os Surdos, o CAIS promove cursos de aperfeiçoamento e reciclagem de professores, voltado ao melhor método de ensino que atenda as necessidades desse grupo.

Em uma escola de ouvintes, o Surdo confronta as dificuldades que encontraria na sociedade, em seu dia-a-dia. É fundamental o apoio dos docentes e dos colegas para que a transição transcorra da melhor maneira possível e não interfira, em grandes proporções, com o método de captação de conhecimento do Surdo.

O surdo e o processo de Comunicação Social
A barreira comunicacional do surdo implica na deficiência tanto patológica como social. A acessibilidade da comunicação é por direito de todos através da Lei Federal Nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que promove a eliminação de barreiras de comunicação. A comunicação é a base fundamental para o desenvolvimento, iniciado na família e enriquecido na vida em sociedade. Por isso o estimulo a aprendizagem da Libras por parte da sociedade como um todo é fundamental para promover uma melhor qualidade de vida para os surdos. Porém é imprescindível desenvolver atividades de aprendizagens da Libras por parte de profissionais de suma importância na sociedade como: médicos, enfermeiros, policiais, educadores, dentre tantos outros é fundamental para o estimulo á convivência dos surdos com os ouvintes falantes, fornecer ajuda, conhecimento e auxiliar o surdo em suas atividades, além de quebrar as barreiras da discriminação. Sem políticas de integração da sociedade com o surdo, ele se torna um estrangeiro em sua terra natal. Deve-se sociabilizar a idéia de integrar e não somente “alocar” ao mundo do ouvinte falante. Porém, para a pessoa surda obter a acessibilidade, além do intérprete da Libras, se constitui através da utilização de recursos tecnológicos adaptados, tais como: • • Sinalização visual-luminosa, campainhas que quando tocadas piscam as luzes do ambiente, placas indicativas de emergência, senha em filas, etc.; Telefone TDD, aparelho com teclado e visor, onde a mensagem digitada aparece em uma tela;

Central de intermediação surdo-ouvinte, serviço telefônico onde uma telefonista intermedia ligações entre um surdo ligando de um TDD e um ouvinte que não possua este aparelho;

• • • • • •

Surdos discam 0800 51 78 01; Ouvintes discam 0800 51 78 02; Número único 1402; Aparelhos com alarme vibratório, despertadores e celulares; Celulares com envio de mensagem e texto; Programas de televisão com legendas, closed-caption e/ou janelas com interpretação em Língua de Sinais.¹

Começar no âmbito educacional na “mescla” de alunos ouvintes falantes e surdos, na ativação da integração social, embasados em técnicas de adaptação e programas de inclusão, através de políticas de integração são imprescindíveis para que se expanda as oportunidades educacionais, "...os programas e os currículos terão de ser necessariamente diferentes, adaptados às necessidades educacionais específicas das crianças deficientes. A filosofia e o fundamento científico terão de presidir a elaboração do desenho curricular, deverão respeitar os estilos e os biorritmos preferenciais de cada criança, isto é, deverão adotar uma filosofia centrada na semelhança diferenciada e não na semelhança indiferenciada que tem caracterizado os programas escolares vigentes." ²

A educação como forma de integração para todos
O aprendizado da Libras é para todos, pois do que valeria se apenas quem essencialmente precisa do visual para suprir a falta de um sentido soubesse falar e entendêlo. Escolas de todos os tipos, especiais ou não, deveriam produzir programas e conteúdos voltados a integração do surdo com o ouvinte falante. Para quem sofre de deficiência auditiva o atendimento em locais como hospitais, delegacias, escolas, não facilitam a tão difícil vida de um surdo nos momentos de maior

precisão. A implantação de uma grade curricular nas faculdades de medicina voltada ao atendimento a pessoas com deficiências, tem de incluir o aprendizado da Libras, e a implantação do uso de interpretes nos grandes centros de atendimento tem de ser colocado em pratica. A necessidade, portanto, em contratar o intérprete para a sala de aula e para o diadia, se dá pelo fato de os alunos surdos, além de obviamente não escutarem, não tem domínio da leitura labial e nem da Língua Portuguesa. Embora estejam cercados pelo português, eles têm dificuldade de leitura, pois não conhecem muitas palavras. Isto acontece porque eles não as utilizam no dia-a-dia. Ou pelo fato de nunca ter “ouvido” a palavra. Pois o surdo de nascença tem grande dificuldade para entender coisas abstratas, que ele nunca viu, o português é extremamente difícil para ser compreendido para a grande maioria dos deficiente auditivos, para ele a compreensão de uma junção de letras formando uma palavra como exagerado, se confunde com o muito. Por isso o uso de interpretes, e que os atendimentos de base da sociedade os profissionais saibam lidar com esse tipo de comunicação dá a possibilidade de que as pessoas com necessidades especiais viva e conviva com as demais pessoas de sua comunidade.

A problemática da comunicação dos surdos
No Brasil não há produção literária específica para orientar professores de Surdos. Há um número considerável de títulos tratando do Surdos no âmbito da fonoaudiologia e da medicina. Os professores são formados em pedagogia com habilitação em educação de deficientes áudio , e a grande maioria tem o primeiro contato com surdos na sala de aula, logo não são fluentes na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). A Libras é considerada a Língua Natural do surdo, pois sua forma de comunicação é gestual e não sonora, ele se comunica por sinais e não por palavras. Entende-se por sinais gestos manuais com algum significado literal. O idioma ainda não é totalmente estruturado e sofre inúmeras variações de acordo com as regiões, comunidades locais e famílias. Como o português a Libras possui regionalismos e gírias locais, portanto os sinais para uma

mesma palavra podem variar de um lugar para o outro. Também as comunidades locais possuem gestos para representar as peculiaridades do meio de convivência de um grupo de surdos. Os alunos surdos de São Bernardo do Campo sabem o sinal da UMESP, porém os de Diadema não. Os problemas na comunicação em sinais aparece na casa da criança durante a infância. Geralmente pobres, as famílias muitas vezes não fazem o curso de Libras, oferecido gratuitamente pela escola, por não Ter dinheiro para ir até o local das aulas. Assim criam sinais de maneira rudimentar. Quando o surdo é alfabetizado passa a utilizar outros sinais diferentes dos de casa, e ele é obrigado a se comunicar em três idiomas: o português, a Libras, e a linguagem informal de casa. Da diferenciada gramática da Libras surgem as dificuldades em aprender português. Nos sinais não se usam preposição e artigo por exemplo. Há somente três tempos verbais, são: passado, presente e futuro. E não se conjugam os verbos em todas a pessoas. O português se torna muito difícil para os surdos, posto que sua língua natural é a língua de sinais. Em conseqüência os surdos preferem as matérias exatas que são mais visuais e não dependem tanto da oralidade. Especificamente no ambiente escolar os surdos têm acesso limitado a todo o conteúdo das aulas devido a falta de fluência do professor. Quando os professores chegam a sala de aula sabem pouco ou desconhecem libras, e não existem livros nos quais possam se amparar e desenvolver aprendizagem. O aprendizado de matérias como história, geografia e português depende de uma boa aula, pois os textos são muito complexos para os surdos.

Educar para sociabilizar
Somente no final dos anos 90 foi implementado o bilingüismo na escola Olga Benário Prestes. Antes utilizava-se o método de oralidade, ou seja, forçavam o surdo a falar e treinar o ouvido para sentir a vibração das palavras. Porém os que sofrem de perda severa da audição sofriam, pois não escutavam e tampouco sentiam a vibração.

A partir do início do bilingüismo surgiu uma nova questão ainda não resolvida. Educar o surdo em uma escola de idioma próprio onde ele é estimulado a se utilizar desta linguagem não seria, despropositadamente uma forma de segregação? A experiência da educação bilingüe possibilita maior comunicação entre os surdos, pois há fluencia na expressão de idéias. Comunicación es el proceso por el cual un indivíduo entra en cooperación mental com outro hasta que ambos alcanzan una conciencia común, (Kaplún.1985:64). Em conseqüência o surdo sofre isolamento social quando tenta se comunicar em um idioma estranho à maioria da população. Ë preciso também analisar os problemas de interação alunos-professor. Na educação surda a questão aluno-professor é raramente baseada na comunicação, mas é, principalmente, na transmissão de informações. Información, por el contrário, el cualquier transmisión unilateral de mensajes de un emisor a un receptor, (Kaplún.1985:64) .Este contexto é transformado a medida que o bilingüismo se consolida e os professores passam a adquirir léxico em Libras. Por outro lado, o surdo que vai para uma escola de ouvintes sofre preconceito e também é segregado. As pessoas ainda não estão preparadas para lidar com as diferenças. Todo ser humano tem direito à comunicação, à informação e à opinião. Privar o surdo de sua língua natural é priva-lo de participar do mundo. O isolamento é um problema social que vai muito além dos muros da escola. A diferença segrega e é segregada.

O que os surdos esperam da educação e da sociedade
A expectativa dos surdos, primeiramente, é a de se formar uma escola especializada para surdos, pois sem ela, eles não podem ter uma expectativa maior que a de cursar o ensino fundamental. O mercado de trabalho tem o preconceito de não aceitar os surdos – ou qualquer pessoa com deficiência –, e esquecem que mesmo sendo surdos, cegos, eles têm a capacidade de trabalhar ou auxiliar no serviço.

A educação dos surdos é tratada somente no nível de educação fundamental. Não tendo nenhuma escola, que se utilize de Libras, para a pessoa cursar e assim, conseguir ingressar em uma faculdade de sua escolha. O colégio para surdos é inexistente. Portanto, não há como o surdo continuar seus estudos a não ser em uma escola de ouvintes. Há no Brasil cerca de 300 estudantes surdos matriculados no ensino superior. Mas a escassez de um recurso específico que permita aos alunos o acesso ao aprendizado atrapalha ou inviabiliza sua permanência nos bancos escolares.

Considerações Finais
Ingressar em um universo diferente só nos fez entender o quanto ele é próximo e parecido ao nosso. A educação surda é uma iniciativa que visa integrar o surdo, capacitá-lo a expressar sua opinião e construir um papel social diferente do lugar-comum. Os professores com toda a dificuldade de aprender um idioma sem estrutura definida, com uma variedade de dialetos muito maior que o português, são empenhados em proporcionar a eles um ensino de qualidade. Da crítica dos que não conhecem às iniciativas pioneiras os desafios enfrentados por surdos e educadores são muitos. A todo o momento estão caminhando no estreito limite entre integração e segregação. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para que a educação de surdos seja completamente estabelecida. E há muito que se dizer, discutir e escrever sobre surdos, no entanto há quem trabalhe para vencer um desafio diário. Educar para a diversidade é um dos temas mais discutidos na atualidade e podemos ver na educação bilíngüe Português / Libras um exemplo prático e assertivo. O tema segregação, ainda muito questionado é bastante ambíguo. Por um lado pudemos identificar as dificuldades do aluno que ingressa em uma escola de ensino médio não especializada. Por outros vimos surdos felizes, se comunicando livremente e absorvendo conteúdo das aulas. Tivemos dificuldades em encontrar literatura sobre a educação para surdos e diante disto nos perguntamos se segregar é reuni-los na tentativa de ajudá-los ou ignorá-los?

Podemos afirmar que pesquisar a educação de surdos nos pôde acrescentar muito mais do que temos a possibilidade de repassar. Tivemos ainda oportunidade de descobrir algumas iniciativas, que apesar de tão próximas de nós, ainda são desconhecidas. Neste ano de 2005 a UNESCO reconheceu as línguas de sinais do mundo como forma legítima de comunicação, e todo dia 21 de fevreiro será dedicado a discussão das línguas de sinais.

Bibliografia
KAPLÚN, Mário. El comunicador popular. Quito: CIESPAL, 1985. ________. A la educación por la comunicación. La práctica de la comunicación educativa. Santiago de Chile: UNESCO, 1992. PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, Maria Cristina dos Santos; CESPEDES lívia. Constituição da República Federativa do Brasil 2005. São Paulo: Saraiva Acervo do Pensamento Comunicacional Latino-Americano José Marques de Melo. http://www2.metodista.br/unesco/PCLA/revista8/perfis%208-1.htm Acesso em março/2005 http://www.fapiso.com.br/pesqresult.asp?acao=p009 Acesso em 08/04/2005 http://fonopara.tripod.com.br/artigo2.htm Acesso em 08/04/2005 http://www.dwa.eng.br/lei-10098.html Acesso em março/2005 http://www.feneis.com.br/Libras/notLibras_2005/Unesco_apoia_Lenguas_Signos.htm Acesso em 08/04/2005

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