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A VITRINA COMO ESTRATÉGIA SEDUTORA NOS ESPAÇOS DE CONSUMO

A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo
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A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo

UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

ELIANA MARIA TANCREDI ZMYSLOWSKI

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A VITRINA COMO ESTRATÉGIA SEDUTORA NOS ESPAÇOS DE CONSUMO

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO MESTRADO EM DESIGN PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

Orientadora Dra. Kathia Castilho

São Paulo, agosto/2009

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A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo

Z72v

Zmyslowski, Eliana Maria Tancredi Vitrina como estratégia sedutora dos espaços de consumo Eliana Maria Tancredi Zmyslowski. – 2009 82p.: il.: 21 cm. Orientador: Drª Kathia Castilho. Dissertação (Mestrado em Design) - Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2009. Bibliografia: p.79-81. 1. Design. 2. Desenho do efêmero. 3. Design de interiores. 4. Espaços comerciais. 5. Ambientação. 6. Vitrina. I. Título.

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou Parcial do trabalho sem autorização da Universidade, do autor e do orientador. ELIANA MARIA TANCREDI ZMYSLOWSKI
Mestranda em Design pela Universidade Anhembi Morumbi, Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Farias Brito. Designer de Interiores com especialização em iluminação. Professora em curso de Design de Interiores e Vitrinismo da instituição SENAC em São Paulo. SóciaDiretora da empresa Zmyslowski Arquitetos ltda., onde atua como designer e arquiteta de interiores. Participa de Congressos , Seminários e Banca de júri na área de Arquitetura e Design de Interiores.

CDD 741.6

Email: eliana.zmyslowski@globo.com

Ms. Dra.Vitrina 5 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ELIANA MARIA TANCREDI ZMYSLOWSKI Vitrina MESTRADO EM DESIGN A VITRINA COMO ESTRATÉGIA SEDUTORA NOS ESPAÇOS DE CONSUMO DISSERTAÇÃO DE MESTRADO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU . Dra Kathia Castilho Orientadora – Universidade Anhembi Morumbi – São paulo Profa. Dra. APROVADA PELA SEGUINTE BANCA EXAMINADORA: Profa.Suiça Prof. Vevey . PhD Ecole Supérieure de Visual Merchandising. Maria Izabel Meirelles Reis Branco Ribeiro Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo Profa.COMO REQUISITO PARCIAL PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE MESTRE EM DESIGN. Agosto/2009 . Sylvia Demetresco. Álvaro Guillermo São Paulo.

A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 6 .

. Muito obrigada! . Gisela Belluzzo. sobrinhos.. cunhados. meu amigo de longos anos. Vânia Ulbricht.. Aos meus pais.. Jofre Silva. e em especial a minha ex-aluna e colega de trabalho Virginia Paranhos que me ajudou traduzindo alguns textos. Ao Álvaro Guillermo.. Liaberia. afetivos. Engracia C. sempre me incentivou e ajudou a desenvolver essa tarefa. Aos meus filhos. espirituais. Domingos e Antonia. meu amor e companheiro. Dias. que muito me ensinaram com seus conhecimentos e em especial a Sylvia Demetresco. Agradeço também aqueles que indiretamente me ajudaram nesse curso. Regina A. A querida professora e orientadora Kathia Castilho. A toda minha família. por sempre me conduzir aos bons caminhos. e meu arquiteto favorito. vocês não tem ideia o quanto me ajudaram. a assistente do mestrado.. e por compreenderem minha ausência em alguns momentos nesses dois últimos anos. Em especial aos meus sobrinhos. Ao Carlos. profissionais . que me ajudou a revisar essa dissertação. Eliana Acar e a Sandra R. as razões de todos os meus esforços. irmaos. de certa forma. o designer Renato Mininel Junior que criou a apresentação gráfica dessa dissertação e a publicitária Vanessa F. Suzane Barreto e Monica Moura. por estar sempre ao meu lado me ajudando com seus ensinamentos materiais.Vitrina 7 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo AGRADECIMENTOS Agradeço ao Pai e único Mestre. Rosane Preciosa. Aos colegas da Universidade Anhembi Morumbi: Rafael Ribeiro.. da Fonseca. Aos professores do Mestrado Claudia Marinho. com muita sabedoria e paciência.. por ter dado o primeiro empurrão na iniciação desse mestrado e vários outros empurrões ao longo do curso. Escridelli do SENAC Aos meus alunos que. por mais esta oportunidade. ouviram com atenção as discussões sobre o tema dessa dissertação. mesmo indiretamente compartilharam a mais essa etapa de minha vida. a minha assistente em casa e aos meus filhotes caninos que me fizeram companhia por muitas madrugadas. a recepcionista. o manobrista.. Tati e Caio.

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A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo

“A janela-vitrina é a passagem da luz, do ar e do olhar; é o espaço da ambiguidade na qual se mesclam os universos do exterior e do interior, para criar um novo mundo que contém um pouco de cada um, e que faz nascer a vitrina com encenação ou como a abertura da parede que se torna um novo instrumento de visão”.

Profa. Dra.Sylvia Demetresco, PhD

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RESUMO

ABSTRACT

Este estudo tem como objetivo analisar e identificar os aspectos envolvidos na criação, execução e percepção de uma vitrina nos espaços de consumo, mais especificamente na área do Design de Interiores. Verificamos nesses espaços a presença e a atuação de sujeitos que não se comportam apenas como consumidores, mas também, como espectadores, observadores e interagentes. Percebemos que a vitrina acompanha a trajetória da sociedade, reconfigurando-se para melhor adequar-se à sua época. Ela não somente tem o papel de expor produtos, mas também de inter-relacionar o sujeito ao espaço, apropriando-se de elementos de diversas áreas profissionais dentre elas, Arquitetura, Design, Luminotécnica, Tecnologia, tornandose transdisciplinar. Das análises obtidas, verificamos que a vitrina tem como suporte em uma ambientação a composição de elementos visuais e espaciais. Assim investigamos a importância do Design de Vitrinas abrangendo estratégias sedutoras na relação do sujeito, produto e espaço.

This study has as purpose to analyse and identify aspects encompassed by creation, execution and perception of shopwindows in consumption spaces, more specifically in Interior Design sector. We perceived in such spaces the presence and actuation of subjects that do not behavior as consumers, but also as spectators, observers and interagents. We observed that shopwindows follow the society route, readjusting themselves in order to better suit their epoch. Shopwindows do not only have a product exhibition role, but they also allow the inter-relation between subject and space, assuming elements from several professional sectors, amongh them: Architecture, Design, Luminotechnics, Technology, so becoming an interdisciplinary subject. From the analysis accomplished, we checked that a shopwindow has as support in any environment the composition of visual and spacial elements. Thus we investigated the importance of Shopwindows Design to encompass attractive strategies regarding the subjectproduct-space relation.

Palavras Chave: Design. Desenho do Efêmero. Design de Interiores. Espaços comerciais. Ambientação. Vitrina

KEY-WORDS: Design. Ephemeral Design. Interior Design. Commercial Spaces. Space Settings. Shopwindows

A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo

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Sumário

INTRODUÇÃO 1. REVISÃO DE CONCEITOS 1.1.DEFINIÇÕES 1.1.1. Design 1.1.2.O designer e seu papel no Design de Vitrinas 1.1.3.Decoração 1.1.4. Design de Interiores

12

19 21 23 23 25 28

1.1.5. A importância do designer ao longo da história do Design de Interiores 1.1.6. Design de Vitrinas 1.2. ESPAÇOS 1.2.1. Espaço físico comercial 1.2.2. Lojas do Design de Interiores 1.2.3. Shopping Center Temático na área da Decoração 1.2.4. As inter-relações dos espaços físicos comerciais com o Design de Interiores 1.3. SUJEITO E PRODUTO 1.3.1.O Sujeito, espectador, observador e interagente no espaço físico comercial 1.3.2.O Sujeito e o Produto no espaço físico comercial 1.3.3.As inter-relações do sujeito do produto e do consumo no espaço físico comercial no Design de Interiores

30 32 37 38 41 41 43 44

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2. OS ESPAÇOS E OS SENTIDOS DO SUJEITO 2.1. Os espaços físicos comerciais e os sentidos 2.2. As inter-relações dos espaços e os sentidos com o sujeito nos espaços físicos comerciais no Design de Interiores 2.3. As interferências tecnológicas nos espaços domésticos 3. A VITRINA E SUA TRAJETÓRIA 3.1.Origens da vitrina 3.2. A vitrina como espacialidade 3.3. A relação da vitrina entre a teoria da construção e a teoria da percepção no Design de Interiores CONSIDERAÇÕES FINAIS

51 55 58 61

69 73 75

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Para elucidar como se pretende abordar os assuntos nessa dissertação. 1.cit. visão). por muitas vezes. planejando espaços que se possam se adequar às necessidades e perfis do sujeito. Explicaremos com detalhes como acontece a percepção sensorial pelos sujeitos nos espaços físicos comerciais e como estes se apropriam dos sentidos para atrair os consumidores. Discutiremos sobre Design. o vestuário. e como isso é refletido nos âmbitos domésticos. a Decoração e o Design de Vitrinas. Para MOURA (2003) “a interdisciplinaridade diz respeito àquilo que é comum entre duas ou mais disciplinas ou ramos de conhecimento. veremos a relação da vitrina entre a teoria da construção e da teoria da percepção. ocorre quando uma única disciplina. percorrendo a origem e trajetória da vitrina ao longo de sua história. Decoração. campo de conhecimento ou ciência não é capaz de esgotar um assunto”. olharemos atentamente o nosso objeto de estudo no terceiro capítulo. observador e interagente. estabelecendo diferenças no que seria loja. Coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino. Após essa primeira análise.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 12 Vitrina Introdução F Frente à complexidade e diversidade de espaços físicos comerciais em diversos segmentos. tendo sempre o sujeito como mediador. mais especificamente o espaço comercial. Essa ambientação na construção comercial é a vitrina. que intensificam a trajetória da elaboração e construção da ambientação de uma vitrina do Design de Interiores. onde serão abordados em três capítulos. como se comporta no espaço físico comercial. Primeiramente. nosso principal objeto de estudo. entraremos no segundo capítulo com discussões sobre os espaços. a vitrina faz uma conexão entre sujeito e produto. Por fim. Atrelada à exposição de produtos em feiras. Após uma breve análise dos espaços comerciais e desses sujeitos. faremos conceituações que servirão como base para o desenvolvimento da pesquisa. veremos como acontece a relação dos três elementos (espaço. O Design de Hipermídia. podemos citar. para finalizar. temos a seguir (ver figura 01) uma idéia da organização do pensamento da autora desse estudo. mas especificamente tratado nesse estudo: o Design de Interiores. a importância de alguns profissionais da área do Design. veremos que a vitrina foi se aperfeiçoando à medida que surgiam transformações no comércio. as residências contam com a presença de aparelhos eletrônicos para a facilidade do dia a dia. Também será discutida. visto que são fundamentais na especificação deste trabalho e necessários enquanto compreensão destas abordagens. Cada vez mais práticas e funcionais. Sempre procuraremos relacionar esses espaços com a área do Design de Interiores que. de certa forma. sem que se ressaltem as possíveis relações entre elas. repassam a proposta percebida ao seu ambiente doméstico. Ver Monica MOURA . surgem os profissionais específicos que criam ambientações como verdadeiros cenários para atrair o consumidor. a dissertação foi dividida em três estudos. . Para discutir esse tema proposto. audição. levando este a perceber os espaços por meio dos seus sentidos que. E. Espaço e Vitrina. olfato. A composição da ambientação deve ser pensada de modo que chame a atenção do consumidor. nesse primeiro capítulo. tese de doutorado. Apontamos para o topo do organograma as equipes multidisciplinares e interdisciplinares1 que podem atuar no Design. paladar. Esses últimos atuam diretamente nos espaços físicos comerciais que englobam o espaço exterior e interior. Nesses espaços físicos comerciais. O que se pretende discutir prioritariamente nesse estudo é a ambientação no espaço físico comercial na proposta do Design de Interiores. podem influenciar o âmbito doméstico e/ ou vice-versa. sujeito e produto) com os nossos sentidos (tato. a alimentação e a medicação. Também mostraremos a importância da influência tecnológica na ambientação do espaço comercial.2003 :113. com base numa axiomática geral. sobre o sujeito. Design de Interiores e Design de Vitrinas. no segundo capítulo. ponto de vista comum. Design. que consequentemente leva ao consumo. shopping center e shopping center temático. podendo ser espectador. Assim. dentre eles. E diante disso o designer deve estar atento à importância das mudanças. Falaremos ainda. na visão do sujeito que analisa a ambientação na vitrina do Design de Interiores. Trabalho simultâneo de uma gama de disciplinas.

A pesquisa será abordada de forma qualitativa. tese doutorado. estabelecendo relações entre o sujeito. se destaca e valoriza as ambientações dos espaços físicos comerciais e acaba atraindo o sujeito para dentro desses espaços. e então. O Design de Hipermídia. como a Arquitetura e a Sociologia. Ver Monica MOURA . Há uma individualidade. nem tão pouco avaliando se a vitrina por meio da ambientação promove a compra dos produtos nos espaços destinados ao consumo na área da Decoração. Design de Ambientes. Para MOURA (2003). tendo a vitrina como componente central. Observamos que os espaços de consumo são simplesmente influenciados pela tendência atual da sociedade. Assim. A metodologia aplicada no estudo baseia-se na análise e leitura de livros. Estudos que visam à compreensão de maneira prática da construção estratégica de sedução e do consumo nos espaços físicos comerciais do Design de Interiores. como fundamentação teórica e prática. viva e atuante nos espaços de consumo e tem se firmado como uma promissora na área do desenho do efêmero. teóricos e práticos nas interfaces nos espaços físicos comerciais do Design de Interiores.cit. cada vez mais recorrente. Design de Vitrinas e Design de Modas. as modas se tornam mais segmentadas e de curta duração. que desenvolvem trabalhos no campo profissional e de ensino relacionados aos espaços físicos comerciais no Design de Interiores. Design de Interiores. podemos dizer que a vitrina é efêmera. . relacionando aspectos conceituais. o produto e o espaço físico comercial na área da Decoração. Com isso buscamos aspectos relevantes que farão parte da composição desse estudo dissertativo. começamos a verificar as efemeridades. textos. seria difícil estudar a vitrina sem recorrermos a um pensamento transdisciplinar. 2. Portanto. ou bibliografias referentes ao Design e a algumas de suas ramificações. artigos. a reflexão sobre como uma vitrina bem planejada.Vitrina 13 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo O objetivo deste trabalho é a análise na ótica do Design. estamos indiretamente tratando de vendas de produtos. projetada e construída. o consumo tem sofrido grandes mudanças e que há uma busca insaciável de produtos que atendam à individualização do sujeito. defende o design como teoria transdisciplinar com base em iniciativas de “núcleos interdisciplinares que se formam em torno de projetos e pesquisas em comum. Não estaremos discurssando sobre áreas do Marketing e suas estratégias. Quando falamos de uma vitrina. além de uma grande quantidade de informações transmitidas e recebidas. e desta forma. pois lidamos com a área comercial e com os espaços de consumo. as pesquisas e trabalhos de equipes transdisciplinares2 . como: Decoração. contam com diferentes áreas de conhecimento contribuindo com o trânsito do saber”.2003 :113. Também usaremos. Verificamos que na contemporaniedade.

encontrarmos ambientações planejadas e projetadas de forma universal. percebemos que é comum neste segmento do Design de Interiores. onde a diversidade de materiais e produtos contribui para uma diferenciação no planejamento e projeto de uma ambientação em uma vitrina. como objeto de estudo. Design e suas ramificações. nos dias de hoje. ocorreu em função de trabalhos profissionais desenvolvidos em equipes multidisciplinares e interdisciplinares dentro do shopping center temático Lar Center. Nesse lugar. são feitas consultorias e atendimentos direcionados aos clientes. surge com tipos de consumidores claramente diferenciados. Alguns desses projetos. onde contemplam diferentes interesses para diversos sujeitos. que vivemos em uma sociedade de consumo que.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 14 Vitrina A escolha da vitrina. . de certa forma. Por meio desses projetos. no qual acumulamos experiências de projetos focados no Design de Interiores. dificultando que esses visualizem e interpretem os seus interesses específicos. cursos e palestras para estudantes e profissionais ligados a área de Arquitetura. Podemos perceber. são: atendimentos aos clientes.

Vitrina 15 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Equipes multidisciplinares e interdisciplinares Design sujeito Design de Interiores. Decoração e Design de Vitrinas Espaços físicos comerciais Espaço exterior Espaço interior Vitrina Produto Consumo Figura 01 – Esquema de raciocínio criado pela autora dessa dissertação .

A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 16 .

1 .

A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 18 .

Nessa dissertação. ao ser elaborada. é necessária uma aproximação sobre sua essência. seria fruto da própria origem de sua palavra. para isso. fica claro que BONFIM também compartilha da ideia proposta por Denis Cardoso no que se refere à associação entre forma. deve ajustar o corpo humano em sua superfície com aproximadamente os quatro ângulos retos (ver figura 02). conceitualmente. Aqui. É seguindo nessa direção. Se esses estiverem entre 90 e 110 graus. designando sua função” (BOMFIM. como exemplo. (Cf. quando a forma como um componente estético está ligado à função final do produto. de desenhar e planejar. se preocupa com o resultado final do projeto. o autor nos deixa entender que a dificuldade em uma definição 2. como Design de Produtos. “desenhar” algo. mas também. as diferentes conceituações acerca do Design fazem com que seja impossível formar uma definição fixa e linear sobre ele. dentre as áreas profissionais com as quais o Design está relacionado. podemos dizer que ele se torna referência para diversas áreas profissionais com objetos de estudos diversificados.Vitrina 19 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Q 1. fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. 3. ou melhor. Nesta dissertação. Rafael Denis Cardoso. Para uma melhor explicação do conceito “função de acordo com a finalidade”. Retomando o historiador Rafael Denis Cardoso. outro estudioso da área. dentre outras. o Design. e verificamos que esses mesmos objetos são importantes para defini-lo. segundo Quando verificamos no dicionário2. verbo que abrange os dois sentidos. 2004:14).org. para suas ramificações. diz que este aceita não somente o valor de planejar e projetar algo. serão detalhadas mais adiante. que busca conceituações na ambiguidade de seus sentidos. Analisando a citação acima. Assim. a “cadeira de trabalho”. notamos que ele.1.Uol-dicionário Michaelis (acesso em 22/ 05/ 2009). (BOMFIM. o significado da palavra design3. E BONFIM ainda propõe: “O princípio da finalidade permitiria justificar um objeto ou ser. mas também conceber. uma “cadeira ergonômica”4 . Design de Interiores e Design de Vitrinas que. BONFIM chega a afirmar: “O primeiro passo para a constituição de uma teoria sobre o design poderia ser. dentre outras. há diferentes definições para conceituá-lo. quando se refere à atuação do Design.acessado em 26/05/2009). 4 Considera-se uma cadeira ergonômica aquela que atende as normas da ABNT.br . Algumas delas serão destacadas nesse estudo. que o Design.1996:11). associa-se a cada área de sua atuação. portanto a definição de seu objeto de estudo e. discutiremos especificamente as áreas de Decoração. o Design Gráfico. . executar: “A origem mais remota da palavra está no latim designare. serão considerados confortáveis e ergonomicamente corretos. usaremos. Refletindo ainda sobre a visão proposta por BONFIM. usamos inicial minúscula. fundada em 1940. quando nos referimos ao termo “design”. usamos inicial maiúscula. Já para a definição de um profissional e estudioso da área. Design de Ambientes. como não só planejar. Design de Games. função e finalidade. Para Gustavo BOMFIM 1996. e olhando as diversas atividades com as quais o Design se associa.1 Design decorre da existência de vários fatores e relações metodológicas conceituais e projetuais sobre o objeto de estudo que se insere no Design.1996:12). desenhar. como profissão.abnt. que dependem especificamente da área de estudo a ser tratada. Eles contribuem para a sua caracterização e. e quando nos referirmos à profissão de Design(er). essa cadeira. onde algumas serão destacadas e citadas neste estudo. por consequência. como o Design de Joias. causa e natureza”. vimos que ela tem o sentido de “planejar”.órgão responsável pela normalização técnica no Brasil. www. Trata-se de uma entidade privada e sem fins lucrativos e de utilidade pública.1 DEFINIÇÕES 1. Percebemos que. REVISÃO DE CONCEITOS 1. o de designar e o de desenhar” (DENIS Cardoso.

De pouco vale uma faca que não corta. pois. Porém..“O corpo no Trabalho” (1999) . (GUILLERMO. e servirão para a finalidade de se trabalhar e/ ou estudar (figura 03). fazendo uma análise dos conceitos citados e estudados para essa dissertação.01-003). Primo A. O corpo no trabalho. classificando-as de acordo com seu uso e especificando suas características físicas e dimensionais.Os objetos têm determinados motivos para existirem. com diferentes ângulos que confortavelmente atenderão à finalidade da pessoa que se encontra na praia. a posição do corpo humano se coloca de outra maneira. colabora também com a proposta defendida nesse estudo quando relacionamos função com finalidade. A Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou em 1996 uma norma brasileira para cadeiras (15:300. Assim é possível avaliar claramente seu potencial funcional. 1999:56). uma das razões para que os objetos existam é referente ao poder de uso de sua função. cit.Ilustrações de posições de conforto de uma cadeira. em um ambiente de praia. de certa forma.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 20 Vitrina a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas5 . não terá a função adequada para uma pessoa que deseja tomar sol. ou descansar olhando o mar. ! ! ! ! ! ! Figura 03 . Quando nos referimos ao uso sabemos seu valor e este se estende à função para a qual foi desenhado. “. Cf.. como também pode estar ligado à preocupação funcional final do produto. em uma cadeira de praia. Elas ilustram o Livro . Entre eles devemos destacar seu valor de uso e seu valor de fruição.Ilustração de uma cadeira ergonômica 5. podemos verificar que essa mesma cadeira ergonômica.Autor Primo A. Ele. 2002: 30) De acordo com o comentário de GUILLERMO (2002). BRANDIMILLER Figura 02 .BRANDIMILLER. Dessa maneira. entendemos que o Design está tanto relacionado ao ato de planejar e projetar algo a ser produzido. .

na trajetória que vai desde o processo industrial dos produtos até os dias de hoje. seria interessante voltarmos ao passado para compreender como se deu a origem do Design e suas ramificações.2 O designer e seu papel no Design de Vitrinas Após a análise do item anterior acerca das implicações do que seria design. planejar um produto e o ato de fabricar esse mesmo produto. a estética (qual a cor mais adequada ao ambiente?). principalmente com o avanço das novas tecnologias e novos materiais. o transporte (como uma cadeira de praia será transportada até a praia?). (DENIS Cardoso. o Design tem como marco fundamental esta separação nítida da concepção entre o ato de projetar. São assuntos nos quais não adentraremos neste estudo. Ainda para Rafael CARDOSO (2004:15). A 1. os quais têm permanecido geralmente anônimos. a história do Design surge no começo do século XIX. 2004: 16) .Vitrina 21 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Além disso. bem como o papel do designer na elaboração de uma vitrina. além do profissional especifico da área. bem como as discussões referentes aos aspectos que influenciam o Design como área de atuação profissional. Segundo Rafael CARDOSO. tenderam a emergir de dentro do processo produtivo e eram aqueles operários promovidos por quesitos de experiência ou habilidade a uma posição de controle e concepção. não só as medidas em relação à sua função e finalidade. passando por diversas mudanças.1. em relação às outras etapas da divisão de trabalho”. Para GUILLERMO (2002: 21): “A origem ou história do design no Brasil tem início bem mais próximo: na década de 1930 quando alguns arquitetos começaram a projetar equipamentos para interiores”. “Os primeiros designers. o Design de Vitrinas. nós nos reteremos ao estudo de uma de suas ramificações. que são relevantes na hora da criação e elaboração de um produto e se inserem na concepção do Design. como também. na época da Revolução Industrial. Antes de adentrarmos na discussão sobre a vitrina. dentre outros. é importante que se diga que há outros aspectos que influenciam o resultado final de um produto.

como também pela funcionalidade. essa ambientação promove produtos que podem ser funcionais. estéticos (Design de Joias. (Cf. Esse conceito será ampliado e discutido ao longo dessa dissertação. ou seja. Ela pode valer-se de produtos reconhecíveis tanto pela função e fruição estética.michaellis – acessado em 02/ 05/ 2009). justificando-o. este tem pouca visão comercial e de conceitos de visual merchandising8 para avaliar erros e acertos na área. (BLESSA. Um designer de interiores. desde o planejamento. (Cf. como afirma GUILLHERMO (2002: 30): “Quando verificamos seu valor de fruição estamos na verdade avaliando seu componente estético”. 2008: 06) Para a complementação da criação de vitrina. Optamos. 8. Design de Vitrinas).Técnica de trabalhar e aperfeiçoar ao varejo na ambientação de um espaço comercial. Profissional habilitado a efetuar atividades relacionadas ao design. voltaremos a falar de uma de suas ramificações que foi evoluindo ao longo da história. e o visual 6. para este estudo. o Design de Moda. E ainda: “Se entendermos que o produto atende a sua função de uso e sua estética. dentre elas. Publicação brasileira que classifica as diversas atividades dos trabalhadores do país. pois iremos abordála como fosse composta por uma ambientação que tem por função a reprodução do uso de produtos que compõem a prática cotidiana do âmbito doméstico. o termo se refere a qualquer indivíduo que esteja ligado a alguma atividade criativa ou de projeto. até a produção e gestão de produtos.“SM+f (inglês) indivíduo que planeja ou concebe um projeto ou modelo. percebemos que o Design está associado a diversos elementos. a arquitetura e a decoração para aclimatar. o Design de Produtos. Ele cria o clima decorativo para ambientar os produtos da loja”. UOL. profissão que será também melhor descrita ao longo do trabalho.br. estéticos e sensoriais. pode ser atrelado a qualquer idéia do fazer. seria uma pessoa apta a construir ambientações em vitrinas. Assim. quando utilizamos ou apreciamos um produto estaremos definindo sua forma em função de sua finalidade. . projeto. criação. voltando para o nosso objeto de estudo. porém. Segundo a CBO – Classificação Brasileira de Ocupações7. dentre eles: espaciais (Design de Interiores. acessado em 02/ 06/ 2009). podemos entender que possam existir produtos onde a sua função seja simplesmente a de nos dar prazer” (GUILLERMO. 7. é necessário também ter conhecimentos na área do Marketing. Assim.” (Cf. por tratar da vitrina no espaço físico comercial do Design de Interiores. conceber e executar um produto e que está relacionado à produção de valores espaciais. Em inglês. http://www. trazendo prazer. o Design de Interiores e o Design de Ambientes. como um entendedor e solucionador de problemas para diversas áreas de atuações profissionais e atestando o pluralismo de suas conceituações. há diferentes tipos de atividades que o designer pode executar no Design. motivar e induzir os consumidores à compra. Após alguns aspectos históricos do Design e do surgimento dos profissionais da área. 2002: 32) Para GUILLERMO (2002). O merchandising visual usa o design.gov. podemos dizer que o Design de Vitrinas. o poder de fruição estará valorizado pelo poder ou prazer de uso do produto. Design de Moda) e sensoriais (Design de Ambientes).A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 22 Vitrina Ao longo de sua história. UOLdicionario Michaelis – acessado em 02/ 06/ 2009). “Visual merchandising é a técnica de trabalhar o ambiente do ponto-de-venda criando identidade e personificando decorativamente todos os equipamentos que circundam os produtos. que é objeto de estudo dessa dissertação: a vitrina. Esses profissionais que atuam no Design são considerados designers6 . diferentes profissionais foram se especializando e atuando no Design. práticos e até admirados pela estética.mtecbo. Analisando algumas atividades desse profissional. de certa forma.

sons e etc. largura e altura). mas também desejados”. . para serem não só vistos. o produto.Vitrina 23 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo merchandiser seria o profissional indicado para atuar na equipe transdisciplinar na montagem dela. Ver João GOMES FILHO. de criar desejos”. propõe prazer da apresentação do produto e do viver uma experiência prazerosa na loja”. (DEMETRESCO. prometer transformações e mostrar sua eficácia. por eles. Dessa forma. (DEMETRESCO. essa ambiência com todos esses elementos se torna uma ambientação. a imagem e o consumidor em cenografias especiais. na forma de expor os artigos. ao mesmo tempo. cor. A composição desse espaço que se transforma em um cenário se faz presente de elementos como: luz. qualificar produtos. como se fosse um “cenário”. as vitrinas não só apresentam produtos. portanto. tem o papel de produzir uma composição na ambiência9 de uma vitrina. 02) O designer de interiores. tornando a uma vitrina um verdadeiro objeto de desejo. O VM. ao criar uma encenação na vitrina e na loja. na intenção de encontrar o caminho para apresentação dos produtos nas vitrinas. textura. a partir da técnica adquirida por meio de estudos. diferenciando-se da palavra ambientação. mas também. 2008: 45 in Revista Dobras – v. Ergonomia do Objeto . movimentos. mas também de cores. psicológico. e é dessa forma que podemos dizer que o designer de vitrinas é um construtor de imagens que através de uma “cena” seduz o sujeito como espectador. especialmente preparado para o exercício de atividades humanas. Usaremos. estaremos também dizendo que o Design Ainda de acordo com DEMETRESCO. 9. 02) de Vitrinas está associado a elementos e valores espaciais. a palavra ambiência para tratarmos de um espaço quando tem um suporte físico. “São verdadeiramente criadores de imagens que relacionam a marca. por várias vezes ao longo do estudo. atuando no Design de Vitrinas. meio estético. pois não é formada apenas de volume (comprimento. ambiente. 2008: 45 in Revista Dobras – v. Como diz DEMETRESCO (2001: 16): “O vitrinista constroi espaços a partir de materiais distintos. odores. 2003: 204. Espaço arquitetonicamente organizado e animado que constitui propriamente de um meio físico e. que não necessita de um meio físico para sua existência. visuais e sensoriais. “VMs misturam e circulam entre os designers de produtos. nas lojas. dentre outras. provocam diversas sensações que mobilizam o sujeito. cit. os estilistas e as marcas. quando nos referirmos a um vitrinista como autor de uma vitrina. para.

A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 24 Vitrina N 1. escritórios. embelezar. revestimentos. adornar. bolas e Papai Noel) e também as cores (verde. espaços. ou seja. Nessa complexidade. na qual os componentes como os enfeites (sinos. podemos citar a Decoração de Interiores. em alguns segmentos profissionais percebe-se que essas atividades ainda estão em coexistência. Esta interação pode ser feita por meio do perfil do indivíduo como cliente. pois sua proposta caminha na direção da ornamentação. Ainda segundo o caderno Universo do Design de Interiores. pois relaciona peças. são considerados parte integrante dos espaços interiores. publicado pelo Centro de Educação em Design de Interiores do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio. residências. enquanto na Decoração isso não ocorre. acessado em 02/ 05/ 2009). varandas. O 1. . ou a um tema. Hoje. uma mesa para ceia de Natal. alguns espaços exteriores. Ornamentar. pois é visto como um especialista no planejamento dos espaços com os quais as pessoas têm contato mais próximo. que singularmente se relacionam a uma peça. a um produto..4 Design de Interiores O Design de Interiores é complexo em sua área de atuação. começou a se notar que a essa não tinha só o papel de ornamentar.1. dourado e prata) se associam à data festiva do Natal. Porém. locais de trabalho. como usuários desses espaços. SENAC (1998). os quais se relacionam ao espaço a ser estudado. Talvez.. iluminação. carros. verifica-se o conceito de Decoração. com a função a que eles se destinavam. Dentre algumas atividades relativas a essa área.1. Segundo o caderno Universo do Design de Interiores. Isso ocorreu devido à necessidade de maior abrangência da Decoração aos espaços. 10. SENAC (1998). Percebemos. (Cf.. verificamos que o termo “decoração” vem do verbo “decorar”10 .”.. ao longo dos últimos 50 anos.3 Decoração Na continuidade desse capítulo.tr. assim se referindo sobre o acesso e o uso entre elas e os espaços. como os citados. que impõe suas vontades.. Seguindo de referência para o estudo. mas. vermelho. “V. a Decoração seria uma área profissional que se refere ao universo de atividades nos conhecimentos práticos e determinantes nas ornamentações de diversas linguagens. fachadas. também. como Itália. podia interferir na relação direta das pessoas. Inicialmente. o Design de Interiores trata do espaço utilizado pelas pessoas. anseios e desejos. para o entendimento da importância da elaboração e da construção de uma ambientação em uma vitrina. como as residências. sejam eles residenciais ou comerciais. Podemos citar.) e os exteriores (jardins. produtos. terraços. o caderno Universo do Design de Interiores (1998) nos ajuda a definir a Decoração de Interiores como uma atividade que engloba os espaços interiores (ambientes. França e Espanha. mobiliário. de recreação e serviços ou de transporte.) de qualquer espaço físico ou virtual.. como exemplo de decoração. enfeitar. o designer de interiores pode ser também chamado de arquiteto de interiores em alguns países. o principal fator diferenciador entre as duas áreas é que há interação das pessoas como clientes no Design de Interiores.: dicionário UOL Michaelis. que houve uma adequação de conceitos da Decoração de Interiores para o Design de Interiores. locais públicos e de lazer.

que promoveu uma imagem mais profissional do que a de seu antecessor. mas resolver um problema. 11. John Louis Graz (Genebra.trecho do artigo da Revista New York Times de 1964). Sua posição firme surgiu a partir de uma noção em desenvolvimento sobre a ‘profissão de design de interiores’. 13. visando a solucionar e satisfazer as novas situações decorrentes desse processo industrial. Ingressa no curso de arquitetura. surge na década de 1950 nos Estados Unidos. dar a resposta mais sutil a uma confusão de dados. Knoll fazia parte de um movimento no início da década de 50 para profissionalizar o designer de interiores na América do Norte e desempenhou um papel fundamental na definição do então “novo” campo de Design de Interiores. com quem se associou em 1943 e fundou uma companhia impar na época. A importância do designer ao longo da história do Design de Interiores ambos ministrados por entidades de ensino reconhecidas pelo MEC . de quem aprende uma multiplicidade de técnicas e estilos. Trabalhou para Walter Gropius. oferece a oportunidade de percebermos a importância do Design de Interiores por meio da mudança e percepção dos designers no campo de atuação na área. Anteriormente a esse período. design e publicidade com Carl Moos (1873-1959). www. mobilizar um espaço”. mas também de outros. artista gráfico. as cidades se tornaram mais evidentes e importantes. . na Escola de Belas Artes de Munique. “Mais do que no “gosto” é aí que reside o sentido atual da decoração: não mais implantar um teatro de objetos ou criar uma atmosfera. estudou arte na Academia de Cranbrook com Eero Saarinen e no Instituto de Tecnologia com Mies Van der Rohe. (BAUDRILLARD. os profissionais considerados decoradores.acessado em 21/ 05/ 2009). “Eu não sou uma decoradora… o único lugar que eu decoro é a minha própria casa” (Florence Knoll . Houve a valorização não somente do espaço residencial. A carga horária mínima de 800 horas é obrigatória para a titulação. Gabriel Vernet e Daniel Baud-Bovy (1870-1958). Florence. Segundo a ABD – Associação Brasileira de Designers de Interiores . por meio de sua iniciativa de participar e divulgar esse movimento. mas também o de planejar o espaço residencial e/ ou comercial. Foi arquiteta e design de interiores.Ministério da Educação. Suíça 1891 . a atuação dos decoradores precisou ser mais bem analisada porque passou não só ter o papel de ornamentar. onde é aluno de Eugène Gilliard (1861-1921). Em 1946. John Graz13 . 12. como os comerciais.org – seção biografia autores . De 1911 a 1913.São Paulo. 1980). a partir da figura do decorador. 2007: 62) A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo A profissão do designer de interiores. como informa o “Diário da História do Design” (Journal of Design History. o ‘decorador de interiores’.wikipedia.br. Seus trabalhos frequentavam regularmente o Museu de Arte Moderna. (Journal of Design History.org. Marcel Breuer e Wallace. (Cf. cuja atuação era reservada aos espaços residenciais. seu marido morre e ela continua à frente da companhia até se aposentar em 1965. Com o processo industrial iniciado no século XIX. a partir do ano 2000.Vitrina 25 A 1. a atividade do decorador passou a estar relacionada ao Design e foi denominada “designer de interiores”11 oficialmente pelo Congresso Nacional Brasileiro. exemplificamos todo o processo do surgimento e valorização do Design de Interiores. foram se aprimorando e trabalhando também em outros espaços. Aqui no Brasil.site acessado em 15/ 05/ 2009). escultor. que atuavam nos âmbitos residenciais somente pelo “bom gosto”. Assim. bem como empresas fornecedoras de produtos e serviços. 2007: 6174). estuda decoração. Analisando as carreiras de alguns designers que tiveram importantes reconhecimentos nessa área.” (Cf. É discípulo também de Edouard Ravel.: Journal of Design History. a textura e o conforto”. em 1920.5. Florence Knoll12. destacamos a arquiteta e designer de interiores norteamericana e reconhecida internacionalmente. Brasil. decorador. www. Florence casou-se com Hans Knoll.1. Em 1955. Inicialmente. onde permanece de 1913 a 1915. e pela ABD. pois abrange disciplinas necessárias para a qualificação do profissional. Retorna à Escola de Belas Artes de Genebra. o designer de interiores pode se qualificar por meio de duas maneiras: o curso técnico ou superior de Design de Interiores. que foi reconhecido não só na linguagem semiótica do funcionalismo. São associados à ABD profissionais formados em cursos superiores. técnicos ou faculdades de Design de Interiores e arquitetos com formação em Arquitetura de Interiores. Fonte: Itaú Cultural (Cf. Pintor. mas também na necessidade humana para a cor. operacionais. institucionais. período em que passa boa parte do tempo em companhia dos irmãos Regina Gomide (1897-1973) e Antônio Gomide (1895-1967). decoração e desenho da Escola de Belas Artes de Genebra em 1908. 2007). Os interiores foram caracterizados pelo modernismo humanizado.abd. Ela nasceu em 1917. 1997: 31) Assim. a Knoll Planning Unit.

afrescos. Hoje. podemos visitar suas obras no Instituto John Graz16. ainda no Brasil. Fundado por Annie Graz. Cf. mas também foi o primeiro a pôr em prática no Brasil o conceito do design total. em Odessa (1896). 16. na contribuição para o desenvolvimento cultural e na integração de artes plásticas e do design na contemporaneidade. Além disso. no Teatro Municipal. “No panorama do design de mobília nos últimos anos estão também novos grupos de designers. tão presente na Bauhaus. e morreu em São Paulo (1972). em 2005.:: www. Maria Cecília Loschiavo dos. 15. 1995: 40) designers de interiores. passou a ser mais complexa em sua área de atuação e muitos elementos.1994: 60) Com essa nova preocupação de relacionar o projeto arquitetônico ao projeto de interiores. vitrais e afrescos. que buscam através do mobiliário articular respostas para as demandas decorrentes das maneiras de estar. banheiros e jardins. Loja de móveis inaugurada na cidade de São Paulo em 1952. Como professor dessa Universidade e da disciplina Composições Decorativas. Representou uma verdadeira renovação de linguagem. desde então. acessórios e tecidos. vitrais. projetou e construiu para si mesmo aquela que foi considerada a primeira residência moderna do país. A Semana de Arte Moderna. outra forma de valorizar o estudo dos espaços interiores foi quando Jacob Ruchiti (sócio da Loja Branco & Preto) instituiu.onde o cliente pudesse encontrar desde profissionais capacitados a desenvolver um projeto de arquitetura de interiores contemporâneo até todos os elementos. previu sua distribuição no espaço. naturalizou-se entre 1927 e 1928. Sua criação nos ajuda a estudarmos melhor o Design do Mobiliário no Brasil.” (SANTOS. foram considerados também A história do Design de Interiores. os princípios de “organização de espaço” no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.org – seção biografia autores .br. Gregori Warchavchik14 . Plínio Croce. como único designer dentre vários outros artistas da época. – acessado em 24/ 05/ 2009). de sentar. (Cf. luminárias. principalmente quando trabalhou com outro arquiteto. os quais criavam um projeto de edificação pensando nos espaços interiores: “. Segundo ACAYABA (1994). na Rua Vieira de Carvalho. Eles projetavam e executavam projetos de residências paulistanas desenhando móveis. org. já se preocupava em desenvolver trabalhos relacionados à Decoração. tecidos. Hwa. John Graz participou da Semana de Arte Moderna de 192215 . fundaram a loja de móveis Branco & Preto17 . Móvel Moderno Brasileiro. (SANTOS. também chamada Semana de 22. “John Graz não foi só pioneiro no desenho de mobília. arquitetos. na liberdade criadora da ruptura com o passado e até corporal. Nasceu na Ucrânia.wikipedia. as luminárias. 14. na busca de experimentação. como móveis. artistas. de vivenciar os espaços interiores de nossos dias”. e sem fins lucrativos. marceneiros. Roberto Aflalo. anteriormente à inauguração da loja Branco & Preto. 17. contribuindo na trilha do caminho nos interiores dos espaços físicos comerciais no Design de Interiores. Chegou ao Brasil em 1923. tapetes. pois a arte passou então da vanguarda experimentalista para o modernismo mais sólido.: SANTOS. : www. luminárias e cerâmicas que completassem o trabalho”. como peças decorativas. Carlos Millan e Chen Y. (Cf. Dessa forma. 1995:110. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos.. Já na década 50. 1995: 168). maçanetas. em 1922. (ACAYABA.: www. (Cf. painéis. pioneira na área de Design de Interiores. e isso está diretamente relacionado com os espaços interiores residenciais.. destacamos a importância de outros arquitetos: Miguel Forte. Foi um dos principais nomes da primeira geração de arquitetos modernistas do Brasil. Graz projetou móvel. Jacob Ruchti. . o Instituto acredita na consolidação de suas obras. ele impôs seus princípios de combinação estética e criativa nas aulas de desenho arquitetônico.org – acessado em 21/ 05/ 2009).wikipedia.institutojohngraz. passaram a fazer parte de um projeto de Interiores. estava somente relacionada ao mobiliário. ocorreu em São Paulo de 11 a 18 de fevereiro.acessado em 21/ 05/ 2009). na década de 60.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 26 Vitrina no Brasil.

Responsável pela criação da revista Casa Cláudia. essa ligação pode ser considerada “generalista”. expandindo o conhecimento como experiência para sua carreira profissional. escritórios de empresas e. no Rio de Janeiro. Possui projetos executados em todo o Brasil e no exterior. em 1932.acessado em 15/ 10/ 2008). que é do arquiteto. mais complexa. 1994: 37). (EUA). a finalidade do curso era procurar despertar e desenvolver a sensibilidade estética e a imaginação criativa de cada aluno”.PE. e Planejamento de Interiores no Instituto Joaquim Nabuco. pela editora Index. o designer de interiores passou a ser atrelado a outra atividade 18. ingressou na Editora Abril como editora de Decoração e Culinária em várias revistas femininas. Dessa maneira. Polonesa radicada no Brasil formou-se em Arquitetura em 1958 pela Cornell University. Cursou a Faculdade Nacional de Arquitetura . Porém. podemos dizer que o designer de interiores. edita a revista Espaço D’. como aquelas relacionadas à paisagem urbana. dentre outras. Por exemplo. À medida que foi ganhando importância e foi atuando em diversos espaços. e a jornalista e também arquiteta Olga Krell19. estamos ordenando espaço – isto é. alguns profissionais em nosso país tinham a intenção de desvincular o Design de Interiores da Arquitetura.. esteve algumas vezes atrelado a alguma outra atividade. Possui especialização em Publishing pela Stanford University. Analisando essas informações. ou uma obra de arquitetura. que é a combinação de uma sensibilidade estética de caráter crítico. assim como Florence Knoll. Desde 1997. 1993. Nasceu em Pernambuco. uma mesa uma escultura. percebia a diferença na linguagem estética e criativa entre os espaços. Para exemplificar. já que o curso de graduação de Arquitetura e Urbanismo aborda outras questões. divulgarem a emancipação do Design de Interiores. à decoração. que não são necessárias e essenciais para a atuação junto ao Design de Interiores. no seu surgimento. Foi responsável por centenas de projetos de arquitetura de interiores e ambientação de residências. ao fazermos um desenho. hotéis. estamos definindo limitando ou sugerindo espaço. com uma imaginação e fantasia de caráter criativo”.Universidade do Brasil. ao planejamento urbano e regional. . (ACAYABA. (Cf. sobretudo. Recife . uma pintura ou um cartaz.br/exibe_artistas-acesso15/10/2008). Califórnia. dedicada ao design de interiores. em NY (EUA). A empresa Olga Krell Associados oferece serviços de consultoria para o mercado de decoração. (Cf.niteroiartes. prédios públicos. Desde modo.: http://www. ou ainda quando concebemos uma cadeira. era confundido com a atividade do decorador. por meio de seus trabalhos. à arquitetura e ao estilo de vida. a arquiteta e designer de interiores Janete Costa18 . 19. o aluno em seu aprendizado. Em 1963. a partir da década de 50. procuravam. ao longo de todo o processo de seu desenvolvimento profissional. por exemplo. talvez por ter se originado das necessidades que a Decoração não solucionava. com.Vitrina 27 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo “A essência da Composição está no talento.com.br/exibe_artistas . lembrou que.. 1979. de 1976 a 1990. que. Citamos. Publicou o livro Interiores.: http://www. e faleceu em 2008. Embora houvesse a valorização do espaço interior como extensão do projeto arquitetônico.niteroiartes.

recorta um espaço em uma ambientação. logo.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 28 Vitrina E 1. verifica-se que a vitrina não é só exposição de produtos. de outro.: http://www. o Design de Vitrinas é uma área do Design que se ocupa do planejamento e projeto de uma vitrina.6. por sua vez. além das adaptações nos banheiros e provadores. É preciso encontrar e classificar todos consumidores e conectá-los aos seus produtos. Aqui no Brasil. 2005: 81) Enquanto havíamos conceituado o Design de Vitrinas para mostrar a importância do designer na elaboração de uma vitrina e também para ilustrarmos o nosso objeto de estudo.” (DEMETRESCO. O espaço é adaptado para atender às necessidades de portadores de deficiências físicas: são quatro lugares para cadeirantes. o que provém de mostruário de produtos para fins comerciais.com. Cf. Iniciamos dando significação à palavra vitrina . a “Rbk Concept Store”.gdmtricolor. a vitrina será o resumo de palavras com sentidos que tomam forma e cor numa disposição espacial”. Entendemos aqui a ambientação em uma vitrina como resultado final de um projeto. criando uma identidade forte e presente e sempre reiterante.br – acessado em 26/ 05/ 2009) . de um lado. (DEMETRESCO. dentro do estádio do Morumbi. segundo DEMETRESCO. Um exemplo é a loja Reebook-SFC20. a megaloja é a maior sediada em um estádio na América Latina. onde os visitantes não só fazem compras. mas também são atraídos e inseridos no universo do futebol (ver figura 04). também podemos encontrar seu significado com o nome de montra. A Reebok e o São Paulo inauguraram. que. Cf. Conforme reforça DEMETRESCO: “É possível perceber que há uma indústria com um produto a ser exposto: esse produto tem história. Além de loja. da empresa. estéticos e sensoriais. associando-se a valores espaciais. em 27 /07/ 2007. somando ! Figura 04. a Rbk Concept Store é também um camarote VIP com 101 poltronas e visão privilegiada do campo. uma megaloja que efetua a parceria entre a marca esportiva e o São Paulo Futebol Clube. Ela emoldura.que vem da palavra francesa vitrine. Design de Vitrinas vários elementos traduzidos em uma só linguagem. portanto. cor e um conceito que deverão surgir na encenação e. agora no texto discutiremos seus aspectos mais relevantes. com uma linguagem única e coerente para cada comércio. que traz como ambientação o conceito da marca do São Paulo Futebol Clube. exibindo os produtos que serão ofertados aos indivíduos. que transmita a mensagem de sua marca. suas qualidades e especificidades. 2005: 53) Assim. provém do vocábulo vitre (vidro). plena de sentidos.: http://www.Com 700m2. percebemos grande facilidade por todos os lados para o acesso a informações e a vitrina acaba assumindo o “papel” de centralizar e informar o indivíduo sobre o produto.1. da marca.Foto da loja Reebook-SFC. “O consumidor sofre com a pluralidade e com a multiplicidade das linguagens oferecidas. Assim. seus produtos. mas também pode ser a história do produto. Devido ao mundo estar cada vez mais globalizado e informatizado.br – acessado em 26/ 05/ 2009 20. isto é.com. no estádio do Morumbi. estando ou não no interior de um espaço físico.gdmtricolor. e das tribos existentes.

profissionais que utilizam a ambientação (vitrina) como suporte de demonstração para exposição de seus produtos. em segundos.br – acessado em 20/ 05/ 2009). para outros simples meio de trabalho. . não só uma uniformização espacial e estética. Para alguns. é o maior evento de arquitetura e decoração da América Latina. de São Paulo. que direta ou indiretamente. uma ambientação encenada em uma vitrina de qualquer área do comércio pode traduzir toda a mensagem proposta e permitir. onde cada ambiente exposto era composto por peças de mobiliário e acessórios criados por vários profissionais de áreas diferentes. duas na América Latina (Peru e Panamá) e também na Suécia. ou seja. que marcou sua entrada no mercado europeu. objeto de conhecimento. em São Paulo. Como mostra a figura 05.: www. podem fazer parte de uma ambientação.Criada em 1987 no Brasil. o dormitório organizado pela designer de interiores Fátima Lima Figura 05 . (SANTOS. citamos a Casa Cor Goiás 200821. E desse modo cabe ao designer de vitrinas desenvolver ambientações que se diferenciam de outros espaços.com. (DEMETRESCO.Vitrina 29 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Ainda de acordo com DEMETRESCO (2005). 1988: 1) Por exemplo. (Cf. Na composição das vitrinas de diversas áreas do comércio. Uma sensibilização imediata que podemos chamar de sedução. Como diz o autor: “A vitrina é uma montagem que concentra inúmeras áreas que se fundem para criar uma imagem cujo propósito é gerar prazer por alguns segundos”. torna-se possível com a articulação de instrumentos do Design. criação do designer internacionalmente conhecido Philippe Starck.Site www. e os painéis do artista plástico Tagnini. “O espaço está no centro das preocupações dos mais variados profissionais. percebemos muitas vezes que vários outros profissionais utilizam o espaço da vitrina para expor seus produtos.casacor. Dentre as peças mostradas.com.br 21. Podemos dizer que o espaço é o mais interdisciplinar dos objetos concretos”. e possui atualmente 13 franquias no Brasil. Assim.Casa Cor Goiás 2008 – ambiente dormitório de casal . mas também sensorial. as luminárias pendentes Romeo Soft. 2001: 25) Paniago está composto por peças assinadas por diferentes profissionais em diversas áreas. estão o criado-mudo em laca preta criado pela própria designer e executado pela marcenaria Elementos Móveis e Objetos. até como um processo histórico.casacor. percebemos na exposição dos produtos. Há desde os que o vêem como um produto histórico. uma atração instantânea do indivíduo por esse espaço.

2 ESPAÇOS 1. Assim.2. ocorre quando uma única disciplina. melhor dizendo. “Essa associação dos arquitetos ao design reside exatamente nos termos de seu conceito de projetar e planejar que são também atribuições desses profissionais”. arquitetonicamente construído com piso. pois a transdisciplinaridade não é domínio de um indivíduo. a política é atraída pelo espaço urbano porque nele encontra um campo propício para a divulgação de programas. o Design. (MOURA. o eletricista. com suas características transdisciplinares. a formação de uma teoria do Design não é conquista de uma única pessoa. o espaço é objeto de investigação de várias áreas de conhecimento. ou ainda a área compreendida entre limite da marcenaria de um armário”. Para mencionar esse mosaico transdisciplinar. acentuando o conhecimento do trabalho de outros profissionais de diversas áreas do saber.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 30 Vitrina Dessa forma. como o usuário. o tapeceiro. a Decoração. Entendemos esse profissional como parte de uma equipe multidisciplinar e interdisciplinar. incluindo os próprios usuários. A arquitetura se ocupa do espaço enquanto ambiente construído e funcional. A autora defende o design como teoria transdisciplinar com base em iniciativas de “núcleos interdisciplinares que se formam em torno de projetos e pesquisas em comum. contam com diferentes áreas de conhecimento contribuindo com o trânsito do saber”. e o designer de vitrinas tem o “papel” de organizar também outras atividades que se inserem na criação de uma ambientação de vitrina. campo de conhecimento ou ciência não é capaz de esgotar um assunto”. ela se forma e se desenvolve através de processos dialógicos entre participantes envolvidos nas diferentes situações de projeto. dentre elas. a demografia estuda o adensamento populacional no espaço. 2002: 96) Entre essas várias significações que a palavra assume. paredes e cobertura. piso e o teto de um determinado ambiente.1 Espaço físico comercial Segundo MOURA. ideologias e poder. as especulações da economia estudam as explorações das riquezas materiais e produtivas que têm o espaço como cenário. “É chamado de espaço a área compreendida entre paredes. pois tratamos de uma vitrina no espaço físico comercial no Design de Interiores que diretamente está ligado à Arquitetura. que evolui para uma teoria transdisciplinar. o geógrafo observa o espaço territorial e social. “Com distintas características. Segundo GUILLERMO (2002: 21). (FERRARA. seu significado será tratado como um espaço construído. “A interdisciplinaridade diz respeito àquilo que é comum entre duas ou mais disciplinas ou ramos de conhecimento. intensifica e valoriza o produto executado por equipes. nos reteremos para este estudo naquela referente a conceitos baseados na Arquitetura. o Design de Interiores e o Design de Vitrinas. citamos alguns profissionais que fazem parte da criação e construção de uma ambientação. organizado ou não”. tomamos como base a definição complexa e unificada de Lucrécia D’ Alessio FERRARA (2002). verificamos que o Design de Vitrinas engloba várias outras áreas de atuações. Quando citamos “espaço”. 2003: 113) Q 1. 2005: 26) . Para um reconhecimento conceitual do espaço físico. as análises sociológicas e históricas estudam-no enquanto campo de lutas de movimentos sociais preocupados com a divisão do trabalho e das riquezas acumuladas no tempo. de seu livro Design de Espaços. o marceneiro. (GURGEL.

psicológicos e ambientais que influenciam o uso dos espaços (equipamentos. emprestando-lhe sua habilidade para garantir fundamentos para um bom projeto. Por esta identificação do usuário. Isso pode acontecer no processo da concepção no uso ou na escolha dos elementos que farão parte desse espaço. complementados por projeções ortogonais bidimensionais22. um lugar reconhecido e personalizado. Portanto. Lembramos que um objeto bidimensional só tem duas dimensões: largura e profundidade. Design de Interiores e Design de Vitrinas. que gera uma projeção com três dimensões tradicionais – altura. dizemos que esse espaço não se faz só com elementos estruturais (piso.Vitrina 31 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Portanto. 22. Hoje. Por meio do processo pós-Revolução Industrial. algumas ramificações do Design. fazem do designer um “curador” dos espaços. como Design de Ambientes. 2003: 208). crianças. Quando tratamos desses espaços no Design de Vitrinas. ou seja. culturais. jovens. a partir da década de 50. mas também com as pessoas que ali frequentarão. físicos. Um objeto tridimensional tem como objetivo a geração de entidades em três dimensões: altura largura (profundidade) e comprimento. mobiliário e objetos de modo geral na habitação) por parte de seus usuários: bebês. e o maior desafio para o designer é satisfazer anseios e desejos dos usuários. “Os fatores humanos. adultos. usaremos um sistema de referência baseado em planos horizontais e verticais. A composição da ambientação dos espaços físicos comerciais no Design de Interiores é um lugar definido por um espaço construído em uma vitrina. (GOMES FILHO. associamos os elementos espaciais. ele sofreu várias transformações. vimos que esta tem a finalidade de expor um produto e despertar o desejo de compra deste. verificamos que houve uma grande evolução ao longo de sua história. visuais e sensoriais ao modo de vida e perfil dos sujeitos que utilizam e influenciam esses espaços. falamos da construção de cenários projetados que tem o objetivo de estimular a imaginação dos consumidores e conduzi-los a situações desejadas. parede e cobertura). ao descrevermos um espaço por meio de uma representação gráfica. ou seja. chamando-se de projeção tridimensional23. 23. Esse sistema estabelece uma relação geométrica com o espaço arquitetônico. idosos e muito idosos”. fazendo dele um lugar próprio. comprimento. sociais. ele acaba intervindo na organização espacial e interage com o resultado espacial. . Essa relação entre sujeito e espaço será discutida mais adiante na dissertação. largura (profundidade). Quando falamos de espaços comerciais e fazemos um recorte para a vitrina. sejam elas pelas suas dimensões ou pelos seus serviços. Quando tratamos do espaço comercial.

Elas representam aquilo que se chamou de “revolução de vendas”.: www.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 32 Vitrina Q 1. como. pela a grandeza de seu espaço. um “novo” modelo de espaço para comércio. significava status passear pelos interiores e arredores da loja.net/wp-images/mappin1937 24. Dentro desse contexto. Na década de 30. baseando-nos na ordem de grandeza das construções edificadas. o Mappin25 . foi uma das pioneiras do comércio varejista. e trouxe para São Paulo. o Bon Marché (1869).paulistano. Para a compreensão de nosso estudo. Maria Lúcia & CAMARGO. “No nível popular.acessado em 20/ 05/ 2009). inovou ao colocar etiquetas com os preços nas vitrines. (BUENO & CAMARGO. Mais conhecida como Mappin Stores. abordaremos algumas lojas específicas na área do Design de Interiores que tiveram grande atuação no início da história dos espaços físicos comerciais. Antecipou o “conceito” de shopping center. cit. como a Macy’s (1858) em Nova York. Verificamos que até hoje muitas lojas de departamentos ainda comercializam alguns tipos de peças na área da Decoração. o Mappin era o ponto de encontro da elite paulistana. surgem na Europa e nos Estados Unidos as lojas de departamentos24. Foi a propulsora do crediário.html e www.1937 – Loja Mappin na Praça Ramos de Azevedo (SP) . No início do século XIX. ou seja. Quando falamos em loja como um espaço físico comercial. Várias residências tiveram seus interiores influenciados por esses estilos.: BUENO.br/mappin. Inicialmente. Entre os anos 40 e 50. Em 29 de novembro de 1913. foi trazida posteriormente para o Brasil. a Wanamaker’s na Filadélfia (1877) e a Selfridge’s em Londres (1909).2. as pessoas percebiam possibilidades de escolha de produtos em função da alta demanda oriunda do processo industrial. verificamos que os interiores domésticos passaram a apresentar diferentes estilos nas configurações dos espaços. construções de médio porte caracterizadas pela diversidade e variedade de produtos de varejo em um só espaço físico.). 2008:32 25. 2008: 32) ! Figura 06 . Cf. Lojas do Design de Interiores Já no Brasil. esse período foi marcado pela democratização do lazer e da moda e pelo surgimento de lojas de departamentos (grands magasins ou shopping centers). . podemos dizer que elas tiveram um “papel” importante na história dos espaços e estão diretamente ligadas à história mundial do consumo.(Cf. com sede na cidade de São Paulo. os irmãos ingleses Walter e Hebert Mappin fundaram a Mappin Stores na rua 15 de Novembro. na década de 20. reunindo produtos de diversos tipos em um único local. uma loja de departamento era denominada como “bazar” . referimo-nos à construção de pequeno porte. pois além de apresentar um numero maior de novidades.ealecrim. por exemplo: cadeiras e mesas. Assim.wikipedia.almanack. Luis Otavio de Lima (org. ela também atraía consumidores que na época tinham mais condições de pagar os preços do varejo (ver figuras 06 e 07). Ela existiu por 86 anos em São Paulo. que será detalhada no decorrer desta dissertação. Fundada em 1774 na Inglaterra.Foi uma loja de departamentos tradicional do Brasil. a La Samaritaine (1870) e as Galerias Lafayette (1895) em Paris. vale notar que a primeira loja de departamentos surge alguns anos depois.com .nom.seção loja de departamento .Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mappin nos sites http://www.2. Cultura e consumo: estilos de vida na contemporaneidade.

mais especificamente do ”comércio do luxo” no Brasil. a loja Mappin seria um grande marco para o crescimento do comércio. Essa loja atendia a uma sociedade com um perfil diferenciado e permitia aos usuários a aproximação com as mercadorias.html e www. tinha um perfil semelhante ao apresentado pelo Mappin (veja as figuras 08 e 09).wikipédia.com/2007_03_01_archive. A Loja Mesbla S.net/wp-images/mappin1937 Figura 08 .ealecrim.almanack. fazendo uma análise mais cuidadosa na experimentação antes de decidir ou não pela compra.br/mappin.paulistano. Isso permitiu o aumento na interatividade entre o produto e o consumidor.acessado em 02/ 05/ 2009).: www. foi uma cadeia de lojas de departamentos brasileira que iniciou suas atividades em 1912.com . outra loja de departamentos surge no Brasil. .2004 – Loja Mappin na Praça Ramos de Azevedo (SP) .Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mappin nos sites http://www.nom.seção loja de departamento . olharvirtual. no prédio de numero 83 da rua da Assembleia. teve sua falência decretada em 1999. a Mesbla26 . no centro da cidade de Rio de Janeiro.html 26. Dessa forma.blogspot. Esta loja. ! Figura 07 . filial da firma francesa Mestre& Blatgé. A transparência do vidro faria ainda mais a conexão do espaço exterior com o interior. sem compromisso de compra.1960 – Loja Mesbla (RS) . Ainda na mesma época. filial de uma firma francesa. Justifica-se por esta razão a presença de vidros em fachadas de vitrinas.A. os produtos foram ficando cada vez mais próximos do público e o usuário começava a tocar nas mercadorias.Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mesbla no site http://www.(Cf. possibilitando maior visibilidade do sujeito para o interior da loja.Vitrina 33 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Segundo Wanda FERRON (1995) em sua tese de doutorado.

Móvel Moderno Brasileiro.. nos manequins. a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar. o que chamou mais a atenção para a trajetória da fábrica foi o fato de. mas também os espaços e outros acessórios componentes da loja. Móvel Moderno Brasileiro. a intelectualização e a desestruturalização do tempo e do espaço. Não podemos deixar também de citar que algum tempo depois surgem as Lojas Oca27 e a Móveis Z28 . Segundo ele. Figura 09 . 28. mudança da base econômica. Maria Cecília Loschiavo dos. “A sociedade pós-industrial provém de um conjunto de situações provocadas pelo advento da indústria. inovou o modelo de seu espaço interior para atender uma sociedade com um novo perfil pós-industrial. SANTOS. originária da Segunda Guerra Mundial. com pouca tecnologia.com/vidlib7/e2. que vinha manifestando novas ideias e conceitos diferenciados.. a fábrica foi destruída por um incêndio em janeiro de 1961 e marcou a história do design do país. total. cada vez mais os interiores dessas lojas de departamentos eram apresentados em formas de cenários para que o consumidor fosse atraído não só em adquirir produtos. mais importante que a simples execução de tarefas. principalmente pela filosofia do bom e barato. a difusão da escolarização e difusão da mídia.html ! Ela expunha seus produtos aos clientes de forma diferenciada. o desenvolvimento tecnológico. “Os diversos estudos sobre lojas de departamentos concordam plenamente em um ponto: muito do sucesso desse tipo de empreendimento ocorreu em razão da teatralidade com que a loja apresentava seus produtos – seja nas vitrines. Cf. tais como o aumento da vida média da população. hottopos.blogspot. Antes era a padronização das mercadorias. Elian Alabi LUCCI. produção de informação e serviços. procuravam expor os produtos de forma diferenciada. cit. Ver SANTOS. cit. quadros e tecidos (ver a figura 10). que absorve hoje cerca de 60% da mão-de-obra. 2007: 51) Já por volta da década de 50. Loja de móveis inaugurada em 1954 no estado do Rio de Janeiro pelo arquiteto e designer Sergio Rodrigues. a especialização do trabalho.acessado em 01/ 06/ 2009). Maria Cecília Loschiavo dos. ou seja. com/2007_03_01_archive. 27. (. agora o que conta é a qualidade da vida. a loja de decoração Branco & Preto.htm . mais que a indústria e a agricultura juntas.1995:126. criando ambientações que valorizavam não só os seus móveis. a “Móveis Artísticos Z” ter conseguido se projetar nacionalmente no ramo do design mobiliário. A ”Móveis Artísticos Z” tinha como alvo principal a classe média. Cf. olharvirtual. fazer uma mesma coisa em tempos e lugares diferentes (simultaneidade)”. que assim como a Branco & Preto. (BONADIO.) A sociedade pós-industrial se diferencia muito da anterior e isso se percebe claramente no setor de serviços. seja nos balcões – envolvendo-os em novas simbologias. como tapetes. mas também para as outras significações que o espaço lhe proporcionava. nos anúncios.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 34 Vitrina Assim. crescente na década de 50.1995:104. além daquelas utilitárias e conhecidas”. Foto retirada de documento histórico sobre a Loja Mesbla no site http://www. . Fundada em 1948.: http://www. (do artigo A Era Pós-Industrial. 2004. citada anteriormente. em virtude da difusão de novas tecnologias. pois o trabalho intelectual é muito mais freqüente que o manual e a criatividade.1964– Vitrina da Loja Mesbla (RS) feita por Zeméco desenhista e vitrinista da empresa.

a primeira loja da Tok & Stok.tokstok.com. é inaugurada em um espaço de 80m2 .1978 . Ela trazia uma proposta inédita no Brasil: uma loja descomplicada com preços expostos em cada produto e estoque guardado no próprio local. surge com um “novo” layout nas suas ambientações interiores (ver figuras 11 e 12). (ACAYABA. não podemos esquecer de mencionar a loja Tok & Stok29. Ela.. (Cf. 1994: 06 e 07) Do mesmo modo que as lojas se adequaram às novas transformações sofridas pela sociedade pós-guerra. Em fevereiro de 1978.br ! 29.Fachada da 1ª loja Tok&Stok na Av. os consumidores também foram influenciados pelo modelo apresentado nas lojas.: www.acesso 16/04/2009). ! Figura 11 .tokstok. ainda presente atualmente. Ainda analisando os estabelecimentos que tiveram importância na história pelo modo que expunham seus produtos. Essa diferenciação.Site www. eles copiavam para seus âmbitos residenciais as exposições vistas nesses estabelecimentos comerciais.Vitrina 35 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo “Nesse período de pós-guerra houve em todo mundo uma verdadeira revolução estética que ensejou a manifestação de novas idéias. A loja de móveis surgiu do desejo de acompanhar as transformações que ocorriam no mundo – além de ser fruto de uma demanda local”.. e dessa forma contribuíram para a configuração dos interiores residenciais.Um dos ambientes produzidos pelos “Móveis Z” Ilustração de publicidade na década de 1950. ou seja. vimos que o espaço interior doméstico começa a ser fortemente influenciado pelas lojas. Com isso. na década de 80. provém Figura 10 . br . . São Gabriel (SP) Foto retirada do documento histórico da Loja Tok&Stok .com.

Percebe-se que há uma passagem que induz o sujeito a percorrer os ambientes. fazendo com que ele se sinta em seu âmbito residencial (ver figuras 13 e 14).br ! Figura 13 . convidando o sujeito a percorrer os interiores da loja.Ambientes integrados da Loja Tok&Stok . dormitório.tokstok. Figura 12 . salas e cozinha. É como se eles fossem “passarelas”. dentre eles.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 36 Vitrina da forma como seus corredores estão projetados.com.2004 Fachada da loja Tok&Stok de Copacana (RJ) Foto retirada do documento histórico da Loja Tok&Stok Site www.

Fazemos um “recorte” no estudo dos shoppings centers e nos especificamos nos shoppings “temáticos”. restaurantes. Shopping center ou centro comercial é uma estrutura que contém estabelecimentos comerciais como lojas. os shopping centers funcionam como pequenas cidades. O shopping center como espaço construído apresenta muitas vezes um layout que se diferencia do contexto urbano ao redor. foi somente na década de 80 que eles se expandiram em nosso país. em suas delimitações.br .Vitrina 37 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Essa característica das lojas Tok & Stok é muito importante para entendermos a história dos espaços comerciais e o desenvolvimento das ambientações na área da Decoração. 31. de lazer e serviços.” (2006:180) Ainda para PADILHA (2006).. que são aqueles relacionados a um determinado tema.3. . playground. abastecimento de água. limpeza. Shopping pioneiro e especializado em Decoração.com. inaugurado em 12 de junho de 1987.acessado em 28/ 05/ 2009). sendo um verdadeiro “templo do consumo” não só no âmbito das mercadorias. Os primeiros shopping centers foram construídos no Brasil. mas. Vale notar. Reconhece sua origem nos Estados Unidos do pós-guerra.2. porque possuem uma estrutura administrativa. já que busca. caracterizado pelo seu fechamento em relação à cidade. seja porque já sabe que nesse shopping existe a loja que procura ou simplesmente para preencher um desejo de passear e observar independente se vai realizar a compra ou não. Como diz PADILHA: “A construção dos shoppings centers como espaços e símbolos de uma sociedade que valoriza o espetáculo de consumo de bens materiais e de lazer-mercadoria. (Cf.wikipedia. Shopping Center Temático na área da Decoração Figura 14 – Exibição “passarela”.larcenter. parques de diversões e estacionamento. Nesse tipo de shopping encontra-se 30. o shopping center veio para atender a todas as expectativas dos consumidores. Especialmente no Brasil. que esse modelo serviu como base a outras lojas comerciais no Design de Interiores. lanchonetes. O sujeito que busca esse tipo de shopping tem a intenção pré estabelecida. salas de cinema. manutenção de infra-estruturas e transporte.acessado em 02/ 06/ 2009). como também por toda infra-estrutura que proporciona às pessoas. aquele que apresenta dimensões consideradas para construção civil como um espaço de médio e grande porte. www. com serviços de segurança. momento em que o crescimento econômico e a urbanização planejada exigiam novas fórmulas para a expansão do comércio..: www. P 1. valores como qualidade de vida e bem-estar. agregando não só elementos ligados ao consumo. nas áreas: administrativa. (Cf.com – seção shopping center . higiene e segurança. como também atribuídos ao conforto.Loja Tok&Stok Podemos chamar um espaço físico comercial de shopping center30. social. na década de 60. seguindo o padrão norte-americano.

Layout decorado criado pela autora da dissertação em outubro de 2008. Um exemplo desse modelo é o shopping Lar Center31. com o mesmo modelo tri-partido burguês francês que há mais de 100 anos foi exportado para todo o Ocidente. acessórios decorativos. ! 32. Antes de continuarmos a discussão sobre o modelo tri-partido32 no espaço comercial. Decoração & Design Center. A 1.2.CDRom. mas que poderia ser atribuída à outra em qualquer região do Brasil (ver figuras 15 e 16).br/nomads/livraria . em entrevista ao catálogo Jovens Profissionais 2008.usp. como a rede Interlar e o D & D. modelo utilizado pela burguesia europeia do século XIX (Cf. em São Paulo. Figura 15 . Glorinha Baumgart. notamos que as vitrinas das lojas (espaços comerciais) seguem com propostas de ambientações que objetivam despertar o interesse e o desejo do público consumidor. Ele abriu caminho a dezenas de outros shoppings com propostas semelhantes. por Álvaro Guillermo. As inter-relações dos espaços físicos comerciais com o Design de Interiores Ao caminharmos pelos espaços interiores de um shopping center temático específico na área do Design de Interiores. : TRAMONTANO. na Região Norte da cidade. que fizeram com que a casa deixasse de ser apenas moradia para se transformar num espaço prazeroso de aconchego”. usamos como exemplo um desenho da planta de uma casa na cidade de São Paulo. íntima e de serviços. Modelo de tripartição burguesa de classificação do espaço residencial: entre área social. dentre outros. Disponível em: http://www. . como: mobiliário. Rio de Janeiro: Anais . como o primeiro shopping center temático na área de Decoração no Brasil. espaços ligados a áreas de atuações do tema escolhido. Dessa maneira.visitado em 13/ 10/ 2008). tapetes. Segundo informação da proprietária do Lar Center. Habitação.Modelo tripartido de espaços interiores residenciais.38 Vitrina A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo apenas em seus interiores. Ele surge em 1987. “o Lar Center sempre esteve em sintonia com a evolução das tendências relacionadas ao tema. é interessante esclarecermos primeiramente como ele se apresenta na organização dos interiores residenciais. cortinas. Marcelo . Suas lojas são compostas por produtos na área do Design de Interiores. hábitos e habitantes: tendências contemporâneas metropolitanas.4.eesc. 2000.

favoreto. ! ! Figura 17 Modelo tripartido de espaços interiores de um loft Layout decorado pela Favoreto Engenharia e retirado do site: http://www. que mesmo em um projeto de uma planta residencial. tipo de apartamento criado a partir da compartimentação de um grande espaço coberto. Dic. sem divisórias (como um galpão ou armazém) – orig.Layout decorado criado pela autora da dissertação em outubro de 2008. sala de jantar e lavabo) representado pela cor vermelha. .Vitrina 39 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Verificamos que essa planta possui uma distribuição nitidamente estanque e compartimentada dos setores: social (living. que interfere nos espaços independentes de suas áreas métricas. íntimo (quartos e banheiros) de cor azul. íntimo e serviços são claramente determinados e diferenciados na distribuição dos espaços ambientais domésticos que indiscutivelmente transferem para as ambientações nos espaços físicos comerciais do Design de Interiores (ver figuras 17 e 18). na atualidade. pois ainda não conseguimos nos desprender fisicamente e socialmente desse modelo. os setores social.htm ! Figura 16 . como são apresentadas nas plantas de uma construção tipo loft33 . ilustrados de amarelo.eng. localizações ou mesmo condições econômicas dos sujeitos. Figura 18 ! 33. Percebemos.br/ evidence/imagens/pl_loft. onde não há paredes ou divisórias entre os ambientes. Essa configuração tripartida pode ser também verificada em vários desenhos de plantas residenciais. lavanderia e dormitório de empregados). e serviços (cozinha. UOL michaellis – acesso 02/06/2009.

Mesmo notando nesse século “discussões” a respeito de espaços e sociedade em diversas áreas científicas. mesmo que imaginárias. . “Sm (ingl): Recinto onde são exibidos exemplos ou amostras dos produtos que podem ser comprados num estabelecimento comercial. os espaços comerciais usufruem desse modelo para atrair os consumidores.1997: 86) Assim. “Para falar ou entender uma língua. a antropologia. dentre elas a sociologia. instigando-o a adquiri-las como ambientações. ainda atual. cultural. Por exemplo. quando um indivíduo olha para um sofá exposto na vitrina e o imagina em seu âmbito doméstico. verificamos que o modelo tripartido existe e demarca física e socialmente uma análise entre o “homem e o seu habitar”. até certo ponto. dentre outros. com esses espaços.br . e.breton. Figura 19 – Show room da Loja Breton .Site: www. não precisamos ser visualmente alfabetizados para fazer ou compreender mensagens. pois o perfil do sujeito é um fator marcante e relevante para a atividade comercial. aparecendo no show-room34 compondo o espaço comercial (ver a figura 19). que ao se depararem com as ambientações conhecem e distinguem como uma linguagem que interpretam independente de seu envolvimento. Essas faculdades são intrínsecas ao homem. acabam por manifestar-se com ou sem o auxílio da aprendizagem e de modelos”.(DONDIS. induz o olhar dos consumidores quando passeiam pelos corredores de um shopping.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 40 Vitrina Notamos que esse modelo de construção tipo loft também está presente em determinados espaços interiores de certas lojas comerciais. a arquitetura.: Dic.com. regional.” (Cf. quando o indivíduo interfere na organização dessas ambientações. ele poderá adquiri-lo mesmo que não esteja adequado ao seu espaço.acessado em 02/06/2009 ! 34. como veremos no próximo texto. O contrário também ocorre. UOL michaellis – acessado em 02/ 06/ 2009). Dessa forma. não é preciso ser alfabetizado. podemos dizer que as ambientações propostas como cenários espaciais nas lojas podem influenciar o consumidor. Percebemos que esse modelo.

O sujeito. pois mesmo que ele não adquira o produto. Essas características permitem que os grupos se diferenciem entre si. (RATTO. podendo ou não selecionar o produto exposto nela. escolaridade) do grupo ao qual ele pertence. “O comportamento desse espectador é equivalente ao de um leitor que. observador e interagente no espaço físico comercial A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Nessa dissertação. N 1. Entretanto. sexo. entre eles: raça.3 SUJEITO E PRODUTO P Para a compreensão do estudo. se encontra em um espaço comercial e assiste a proposta da ambientação. ainda que de um modo sucinto. relacionamos a seguir. seguindo as descrições literárias de um romance ou de um conto. (GOMES FILHO. sexo. espectador. e a relação deles com o produto. falamos de um sujeito como indivíduo que possui diferentes características pessoais. imagina e “vê” o que está sendo narrado. observador e interagente). “Este é um assunto bastante complexo. ou até mesmo do próprio estilo de vida. 1999: 25) . como se os lugares e os espaços nos quais os “heróis” estão agindo estivessem à sua frente”. mas que serão analisadas por meio de um estudo de perfil (idade. necessitamos de algumas das características do perfil do indivíduo. que diretamente está ligado ao espaço comercial. sem compromisso. O espectador de qualquer forma é um consumidor. uma ideia proposta pelo cenário da ambientação. uma vez que pode envolver longos estudos e pesquisas para a obtenção de dados precisos e confiáveis para o projeto do produto.Vitrina 41 1.3. do modo de pensar e se divertir. alguns fatores importantes que influenciam decisivamente a interface do usuário com o objeto e que precisam ser levados em consideração para o melhor projeto possível do objeto.1. Adentraremos nessa relação associando-a com o consumo. baseando-se em trabalhos profissionais da área. discutiremos os diferentes tipos de sujeito (espectador. entre outros. faixa etária e instrução”. O sujeito se torna um espectador quando. biótipo. para conceituarmos o que é sujeito. 2003: 36) Segundo GOMES FILHO (2003). podemos determinar uma maior complexidade nas conceituações do sujeito. ele poderá consumir um conceito. Assim.

que impõem nesses perfis suas vontades. a vitrina é percebida tanto em função da relevância prática ou objetiva do produto para o passante. olhando apenas por prazer. Segundo FERRARA (1981:15): “. (OLIVEIRA. Porém. ao percorrer os corredores de um espaço comercial em um shopping à procura de um sofá. (LIMA. o espectador. ao mesmo tempo em que difere e personaliza. “lê” a imagem da ambientação como se estivesse lendo um livro. ou seja. E esta interação pode ser feita por meio dos perfis dos sujeitos (grupo ao qual ele pertence). E. poderá levar uma poltrona ou uma luminária. uma relação de trocas. “As imagens são percebidas pelo observador a partir de seu grau de pertinência. podendo ser de forma intuitiva. eles desempenham um “papel” muito importante na concepção da ambientação criada. trataremos de um fator importante. equivalente a um leitor. Desta forma. anseios e desejos. quando esse sujeito interage com o espaço. Podemos dizer que o observador pode estar préselecionando o produto antes de chegar ao espaço comercial. Já quando verificamos um sujeito como “observador”. um indivíduo que procura um sofá. quanto da relevância das referências simbólicas que ela pode estimular no observador”. só percorre lojas comerciais que lhe mostram ambientações que tenham sofás. Por exemplo. podemos dizer que a criação de um cenário na ambientação de uma vitrina favorece e valoriza seus produtos. liga o indivíduo ao social justamente a partir do reconhecimento do apreço ao objeto pelo grupo”.. poderá observar a ambientação no qual se insere um sofá que mais o agrada. Ele. e não lojas de cozinhas ou de banheiros. que é a relação entre o sujeito com o espaço. em vez de levá-lo. . Assim.. por meio da interação deles com o espaço. vamos tratar de um sujeito que atentamente observa o produto como que o estudasse por vários ângulos antes de adquiri-lo. os sujeitos não são apenas espectadores das mensagens criadas pelo visual merchandising. ou até o conjunto composto pelas peças. 2006: 158) No processo de consumo. Assim.reorganiza e inventa o repertório a partir da experiência de atribuição do significado”. esse mesmo sujeito como observador também poderá ser atraído por outro produto que não havia sido pré-selecionado.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 42 Vitrina Segundo RATTO (1999). É como se ele persistisse em suas ações para com o produto. 1997: 53) “Ao mesmo tempo em que individualiza seu usuário ou possuidor na representação simbólica. o objeto também serve de amálgama social. É como se ele já fizesse uma pré-escolha do produto. isto é.

mas tudo o que possa ter um resultado produzido. “Foi toda a concepção da decoração que mudou. de uma evocação de objetos fechados que se correspondiam: hoje os objetos não se correspondem mais. sistema de produtos e sistema de informações que mantêm com o homem uma efetiva relação de utilização em nível intelectual. mas principalmente pelos shoppings e centros comerciais. podemos chamar de produto. e quando falamos na relação entre eles. um objeto. interagente. interagentes e/ ou consumidores. o sujeito pode ser fortemente influenciado pelos espaços comerciais. lançado no meio do caminho (em latim. uma ambientação resultante de estudos e planejamentos. de um conceito. podemos fazer uma analogia com uma peça de teatro. em grego. ao analisarmos um produto individual no espaço comercial. De acordo com FLUSSER (2007). é uma explosão de ambientações que tendem a nos fazer esquecer que estamos diante de espaços comerciais.O conjunto de produtos pode formar verdadeiros cenários. ou uma poltrona. um sofá. a plateia seria o sujeito observador. Desta forma. e assim atrair o sujeito como consumidor. Ao relacionarmos o sujeito ao produto e ao espaço. observador e interagente. No espaço comercial do Design de Interiores.Vitrina 43 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo P 1. O ator da peça seria o produto. 2003: 24) Juntamente a GOMES FILHO (2003). visualiza uma ambientação da vitrina. “Conceituamos o termo objeto para todo e qualquer ambiente. percebemos que nessa relação o produto executa o “papel” principal. como espectador. 1997: 31) Após abordarmos nesse estudo alguns tipos de sujeito. Tratava-se de um discurso poético. se torna o mundo em que estamos e somos”. físico e sensorial”. por exemplo. comunicam: não tem mais presença singular. que. tapetes. Vale destacar que o produto pode estar presente entre o sujeito e o espaço. Assim. pois ele. ele pode não transmitir nada. como citamos no início da dissertação. como. Para FLUSSER (2007: 194): ”Um objeto é algo que está no meio. pode ser substituído nesse estudo pelo termo objeto. observadores. dentre eles: sofá. espectador. se o produto não estiver presente no espaço. na nossa locomoção pelas ruas. uma marca. É como se esse resultado produzido fosse rendimento de uma mesma produção. Assim. eles são construídos de modo a nos fazer sentir que estamos no espetáculo de seu mundo. não só uma peça. por exemplo. ou seja. muitas vezes. o espaço. e muito menos como consumidor. Portanto. mas. ou de uma ambientação. se um espaço não contém o produto. principalmente se tratando de um espaço comercial. sejam eles espectadores. produto. cortinas. Singularmente. uma logo. mesas. (BAUDRILLARD. de uma marca. como se intermediasse a mesma. 1997: 49) Para OLIVEIRA (1997). e percebe que em determinado . (GOMES FILHO. problema). focaremos também no produto. nos diversos “tipos” de sujeitos. pelo nosso interagir com ele.3. verificamos que muitas vezes ele necessita de outros produtos. espectador. a vitrina pode ser o resultado de um produto final. não conseguem transmitir a ambientação de uma sala de estar. sem alteração em seu significado. poltronas. na atualidade. “O que vemos. (OLIVEIRA. a fim de ser identificado. Não intervém mais agora o gosto tradicional como determinação do belo segundo afinidades secretas. Mais propriamente. uma coerência do conjunto feita de sua simplificação como elementos de código e do cálculo de suas relações”. no melhor dos casos. É importante realçar que o termo produto. o cenário. ob-jectum. podemos dizer que o produto está sempre próximo ao sujeito e ao espaço. é como se um ator não estivesse representando seu papel na “cena teatral”. para a criação dessa ambientação são necessários vários produtos.2 O sujeito e o produto no espaço físico comercial não existirá uma mensagem que será transmitida ao sujeito como observador.

Os consumidores procuram “significações associadas”. do produto e do consumo no espaço físico comercial no Design de Interiores A sociedade de consumo pós-moderna está associada à complexidade humana.3 As inter-relações do sujeito. que estimulam um consumo mais amplo (ver figuras 20 e 21). ou seja. Por exemplo.3. ele pode comprar o produto ou simplesmente copiar a função (dependendo do produto multifuncional) e/ ou cenário (imagem) que o exibe. compra ou uso dos produtos. ou seja. mas a procura do prazer imaginário que a imagem do produto empresta”. ou a ideia do cenário. caracterizada pelo prazer oriundo das sensações. o consumo não é seleção. pode ser ou não inatingível. que vai muito além da exposição do determinado produto (colchão). por muitas vezes. hábitos. Na visão de BARBOSA (2004). A 1. uma loja de móveis tem uma construção espacial e apresentação dos seus produtos com cenários diferentes de uma loja de colchões ou de uma loja de cozinhas. e o prazer oriundo da ideia do produto. . estamos falando de um consumidor que pode ou não adquirir um produto exposto pela ambientação. em uma loja de colchões. O espaço pode oferecer formas variadas de propostas e de organizações estético-sensoriais. É como se esse cenário o remetesse a um mundo imaginário que. quando falamos em consumo. é preciso criar. a partir do séc. Para tanto. Controle através da imaginação e da memória. projetar e organizar cada um dos espaços de modo que o sujeito se identifique e se associe ao produto na individualização do perfil. desejos. Ao analisarmos uma loja que oferece produtos para um determinado segmento. envolve seus valores. (BARBOSA. Por exemplo.. gostos e necessidades em uma escala extremamente intensificada.. XVII há uma insaciabilidade. o consumidor pode comprar o produto (colchão). como consumidor.44 Vitrina A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo momento ela pode ter um sentido muito além do que lhe é mostrado. “. ancoradas nos sentidos e nos estímulos exteriores. percebemos que a mesma deve se adequar ao possível consumidor. o consumo seria uma relação entre o sujeito. 2004: 53) Assim.

. o consumo passa a não ser só material.. muitas vezes teatrais ou fantásticos.Vitrina 45 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Como afirma FERLAUTO (2003: 74): ”Agora se cria e se produz em função das exigências do usuário e do consumidor.Loja de Colchões Copel ( antes .sem ambientação) Foto Tirada pela autora no Shopping Lar Center – 15/07/2008 Figura 21 . Para ele.Loja de Colchões Copel (depois-com ambientação) Foto Tirada pela autora no Shopping Lar Center – 15/07/2008 . focado apenas adesão do produto exposto.. e o consumo assemelhou-se a uma performance. os consumidores potenciais eram incentivados a admirar as exposições. (. mas também emocional. pois muitas vitrinas são personificadas para serem admiradas e consumidas por meio dos anseios e desejos dos consumidores.. Desejamos algo que nos represente e que responda aos nossos sonhos e desejos”.) Os vendedores das lojas ! ! Figura 20 .Os produtos tornaram-se uma espécie de espetáculo. Já para BUENO & CAMARGO (2008: 33): “Nesses ambientes.

... 1997: 207) . Para que haja consumidor. De acordo com BAUDRILLARD (1997).A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 46 Vitrina eram instruídos a não falar com os consumidores para não distraí-los da contemplação dos objetos exibidos. Na contemporaneidade. Muitas expõem seus produtos em verdadeiros cenários. e a vitrina expõe esses produtos com conceitos. L. com manipulações objetivas para serem admiradas. como também manipula o consumidor e suas expectativas. através de seus produtos. os desejos se materializam em objetos como produtos que serão consumidos. a cultura. a toda hora. Muitas áreas do comércio. tentando traduzi-la em opções de consumo. os sentimentos. Para o autor (1997: 207) o consumo invade o produto: “. e a vitrina é a ferramenta que intensifica o processo do consumo. desejadas e consumidas. atitudes. os projetos. etc. expostas por meio de anseios. (BAUDRILLARD.. valores psicológicos.. produto e consumo. mas na sua diferença”. da arte. intensificando a relação entre eles.: é consumido – jamais na sua materialidade. do marketing também se preocupam com o visual merchandising de seus produtos. que está em série. todas as forças próprias do homem acham-se integradas como mercadoria na ordem de produção e se materializam em forças produtivas para serem vendidas. na inter-relação dos espaços comerciais. o espaço comercial. mesmo que de forma abstrata. mas mundos possíveis para a concretização de seus anseios. estéticos e posição na sociedade. É MENDES (2006) que identifica que “. O sentido que ele coloca na palavra “personalizar” é a respeito da integração do sujeito ao produto. hoje em dia todos os desejos. é necessário que a ambientação seja atraente. as vitrinas passam não só a expor produtos como mercadorias. Desta forma. Frank Baum. à exponenciação de produtos e ao despertar de desejos criam relações vivas entre o produto e o sujeito que vê por meio de cenários criados. busca atender as expectativas da sociedade contemporânea. Os profissionais que atuam nesses espaços cênicos que se destinam à comercialização de sonhos. é como se ele “personalizasse”. Portanto. e para todas as idades.assim as necessidades. muito mais do que um produto singular. e não só se adapta. todas as paixões e todas as relações abstratizam-se (e se materializam) em signos e em objetos para serem compradas e consumidas”. Passou-se da satisfação de velhos desejos para a produção de outros novos”. Esses espaços construídos para o estímulo ao consumo sugerem. “. mas também a proporcionar entretenimentos com suas ambientações. percebemos que as ideias. por exemplo.o autor de O mágico de Oz. torna-se “viva” e atuante no espaço comercial. desejos e prazeres. as exigências. por exemplo. intensificando a valorização dos produtos expostos. os anseios. Segundo os autores. o saber. a partir do século XIX.. da arquitetura. no Design de Interiores podemos notar que a relação entre sujeito. luzes e idéias advindas dos cenários de peças teatrais”.. decorou vitrinas de importantes lojas de Chicago utilizando cores. o consumo está por toda parte.

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A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 50 .

por exemplo. conforto. vimos a emergência do Encasulamento. O fato de o indivíduo querer humanizar os espaços. “O consumidor não compra mais um endereço. discursou Luiz 35. O encasulamento evocava imagens calorosas de lares. quem sabe iniciar um negócio em casa”. acessado em 18/ 05/ 2009). O envolvimento também pode estar marcado pela relação experimental do sujeito com o espaço. o cocooning36 . em 1981. dizemos que há uma humanização dos espaços. o dormitório. os edifícios residenciais possuem espaços variados em lazer e serviços. quando o lado de fora se torna muito difícil e ameaçador. passando por diversas áreas de análise. queríamos nos referir a entocar-se.Vitrina 51 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo T 2. “O consumidor não compra uma casa. A segurança do lar é o que importa. existe um envolvimento do sujeito com os espaços comerciais. resume os anseios dos compradores de imóveis. Segundo Faith POPCORN (1997). está relacionado à quantidade de tempo que ele passa dentro deles. Um número cada vez maior de pessoas está transformando suas casas em verdadeiros ninhos . academia. mais especificamente uma loja comercial na área da Decoração. (POPCORN. estabilidade ou uma satisfação que ele tão almeja. assistem filmes pela TV a cabo. Na contemporaneidade. 36. (POPCORN. um conceito de proteção social”. . Por exemplo. Por exemplo. utilizando cada vez mais os interiores deles. favorecendo a busca ao seu casulo. necessidade. como a Sociologia e a Antropologia. sejam eles o carro. Encasulamento é o impulso de ficar dentro de casa.fazem nova decoração.: http://marketing.com. Os empreendimentos premiados. ao procurar uma mesa e suas respectivas cadeiras em uma loja comercial na área da Decoração. uma busca de bem-estar. um indivíduo que dorme. o escritório ou a casa. das ciências exatas às humanas. física. home-theater (sala de TV). o shopping. Vários fatores levam os indivíduos a procurarem espaços fechados. 1997: 53) Quando tratamos de espaços residenciais. encomendar comida em casa e ver os programas favoritos na televisão. Embora fosse a época do sexo. De diversão em casa. um dos sócios da agência de publicidade LewLara. social ou emocional. ele compra um sonho. acreditamos que o consumidor futuro estaria ansiando por enroscarse na cama com uma deliciosa pizza. procuramos inter-relacionar os cinco sentidos. O profissional palestrou aos vencedores do Prêmio Master Imobiliário 2007. dentre outros. identifica o encasulamento como uma das dezesseis principais tendências para as próximas décadas. de conforto.br/43987/AS-16-TENDENCIAS-DE-FAITH-POPCORN. “Quando cunhamos o termo Encasulamento. varanda com churrasqueira. home-office (escritório em casa). trabalha e se locomove de um espaço fechado a outro. dentre eles: segurança. De carinho. Assim. Percebemos que o homem contemporâneo passa a maior parte do dia em espaços fechados.spaceblog. (Cf. Nesse texto. como: espaço-gourmet. compra acolhimento” . 1997: 37) Tanto o espaço como os sentidos são analisados e discutidos por diversas áreas de estudo. Hoje. prazer. as ambientações dos espaços comerciais tornam-se verdadeiros laboratórios experimentais de variadas situações cotidianas dos espaços domésticos. os conceitos de marketing do setor e as inovações tecnológicas apontam os desejos do consumidor. criadora do verbo “encasular” e “grande guru” de tendências pessoais e de negócios. de certa forma. seja ela. ou seja. De ninhos. percebemos que cada vez mais as construtoras investem em espaços que concretizam essa satisfação emocional do sujeito em permanecer mais tempo nos em espaços residenciais e comerciais. De entrar em sintonia com aqueles de quem gostamos”. Criar um casal de filhos. analisando particularmente o sujeito que se relaciona ao espaço físico.a citação do publicitário Luiz Lara. drogas e rock and roll. seja na criação e/ ou na participação dos mesmos. estuda. passa mais de 80% do seu dia dentro desses espaços35. utilizam a internet para fazer compras e usam a secretária eletrônica para filtrar o mundo exterior. o sujeito poderá dar conta do tamanho da mesa e da quantidade de cadeiras que necessita quando imagina a cena do “jantar em família” em seu âmbito doméstico. OS ESPAÇOS E OS SENTIDOS DO SUJEITO “Por exemplo.

acabam utilizando na criação dos seus ambientes. ou até mesmo institucionais. “Para o publicitário. Os decoradores estão à procura de mesas. preferencialmente). peças de arte. hotéis. Além de inteligente e inovadora. Alguns hospitais. a rede La Bergère vai abrir em Maastricht. “Além do terreno bem escolhido.Ambiente de banheiro ! . (Entrevista NOTÍCIAS .com. dentre outros. verificamos a existência de outros espaços comerciais. disse Lara.globo. ao analisar a busca dos indivíduos Figura 22 . cadeiras. a estratégia da La Bergère é acima de tudo econômica. “As pessoas encontram argumentos racionais para justificar a compra do imóvel. Em um setor competitivo como o de hotelaria. na Holanda. o mercado imobiliário precisa se reinventar e apresentar conceitos e novas ferramentas de mídia e relacionamento.: www.br) Ao estudar os espaços físicos. da construção de qualidade e do atendimento impecável. que procuram se assemelhar aos espaços residenciais.Ambiente de sala de estar Fotos tiradas pela autora da dissertação em visitação a exposição no MUBE – Museu Brasileiro da Escultura .11/09/2007. posters. por Karina Yamamoto – Cf.junho 2008 ! Figura 23 . o primeiro hotel do mundo (denominado.SP . antiguidades e plantas (cactus. Para atrair hóspedes e criar um ambiente que tenha a aconchegante atmosfera de um lar doce lar. Hotel X) inteiramente decorado com móveis e quinquilharias usadas de consumidores comuns.com) Os designers de interiores. por enquanto. as escolhas de imóvel são emocionais. e acessórios que lembram o âmbito doméstico.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 52 Vitrina Lara. museus. O preço pago por objetos usados é bem inferior ao que seria gasto caso a rede comprasse tudo novinho em folha”. mas a decisão é emocional”. (Reportagem NOTÍCIAS 17/04/2009. medidas criativas fazem toda a diferença. peças do mobiliário. “Pessoas que não gostam de hotéis dizem que até os mais confortáveis e luxuosos são muito impessoais.-Ana Cristina Dib – www.casa.

it. Abitare Il Tempo em Verona: mostra de mobiliário e objetos decorativos a cada ano apresenta uma nova proposta.SP . revestimentos. 24. como exemplo. com os espaços expostos no Mube – Museu Brasileiro da Escultura. 25).junho 2008 37. ! Figura 25 – Ambiente de sala de jantar ! . Podemos citar. formando verdadeiros shows teatrais. Ela destacou. desejos e necessidades desses indivíduos. Foram apresentados em 2008 diferentes projetos de ambientes experimentais. simulavam uma casa metropolitana com sala. Figura 24 – Ambiente dormitório Fotos tiradas pela autora da dissertação em visitação a exposição no MUBE – Museu Brasileiro da Escultura . Elas criam ambientações espetaculares com cores. sonoros e com aromas que mudavam de acordo com o ambiente demonstrado.Vitrina 53 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo aos interiores dos espaços. na cidade de São Paulo. banheiro. para proporcionarem espaços mais aprazíveis e aconchegantes nessas ambientações. mobiliários. Foram mostrados ambientes domésticos carregados de efeitos visuais.abitareiltempo. Não podemos deixar de citar que muitos dos elementos e equipamentos utilizados nessas ambientações são favorecidos pelas novas tecnologias. organizada por Simoni Micheli. os espaços comerciais se apresentam como cenas usando alguns elementos e equipamentos. 23. No Brasil. dormitório. estéticas e tecnológicas para que as ambientações passem a responder cada vez mais os anseios. algumas propostas no Design de Ambientes: Domestic Campus de Simoni Micheli e The luxury of emotions.: www. (Cf. podem criar nos mesmos estratégias técnicas. Os ambientes se distinguiam pela percepção sensorial individual de cada sujeito que ali entrava. climatização. luminárias. luzes e sons. tivemos uma pequena amostra desta feira internacional. Diretamente. Abitare Il Tempo em Verona37 . a feira internacional que acontece anualmente na Itália. dentre outros. em junho de 2008 (ver figuras 22. como: peças. Assim. acessado em 25/ 05/ 2009). em 2008.

programa de desenho que gera uma representação gráfica dimensional (2D) e/ ou tridimensional (3D)40 . ambiente). pode-se fazer com que a figura dê a impressão de apresentar.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 54 Vitrina Como dito anteriormente. para controlar jogo de luzes. Mas é válido dizer também que os recursos tecnológicos empregados nesses espaços podem favorecer. . Maya. os âmbitos residenciais. Esses processos computadorizados podem ser feitos por meio de software39 .Software : 3D Max Modelos de softwares para espaços interiores . pré-programadas para facilitar nossas vidas”. com detalhes. outras influências da tecnologia na elaboração dos espaços no Design de Interiores. “(Ingl) Suporte lógico.spaceblog. ( Cf. ou da computação gráfica. variedade e estabilidade suficiente para avançar em tendências de mercado. regras e documentação relacionados com o funcionamento e manejo de um sistema de dados.Perspectiva 3D . dentre outros recursos.: www. contendo energia. Cf. iremos discutir especificamente. 1997: 64) Figura 26 .wikipédia. suporte de programação. também. sons contribuindo com as ambientações dos espaços comerciais.com. como. por exemplo. (Cf.br/43987/AS-16-tendências-de-Faith-POPCORN. acessado em 12/ 05/ 2009). acessado em 18/05/2009) 39. favorecendo a visualização de um objeto (produto. o click é a solidificação dos diferentes interesses individuais presentes no inconsciente coletivo. dentre eles. Mas com o auxílio de óculos especiais que fundem determinados pontos da figura. ZBrush. acessado em 12/ 05/ 2009). Já existem cerca de mil das chamadas Casas Inteligentes nos Estados Unidos. Agora. Atualmente. veremos. já que as alterações e transformações dos espaços comerciais sugestionam os sujeitos a modificarem as composições de seus espaços domésticos.Ambiente dormitório Planta Baixa 2D Software : Auto Cad 2004 ! Mais adiante. Segundo Faith POPCORN (1997). profundidade. o que dá maior semelhança com o objeto representado. ! Figura 27 . “Há uma mudança efetiva nas casas que estamos transformando em Casulos? As casas do futuro estão se tornando cada vez mais amigáveis. projetadas para facilitar cada vez mais o dia a dia das pessoas.2D.Ambiente dormitório . Uol-Michaelis. como ferramentas avançadas e direcionadas em especialização projetual (ver figuras 26 e 27). os softwares mais utilizados no segmento são: 3Ds Max. métodos e procedimentos. luzes. Qualquer representação gráfica de um objeto apresenta-se com duas dimensões . Programas que atuam para diversas atividades profissionais. o uso da informática como ferramenta para planejar e projetar os espaços. 40. Imagens em 3D são imagens de duas dimensões elaboradas de forma a proporcionarem a ilusão de terem três dimensões. mesmo que indiretamente. as novas tecnologias (NT) criam efeitos computadorizados. com. ele também é muito utilizado pelos designers no planejamento e projeção de espaços. Estamos no auge de mudanças importantes (mudanças que podem inspirar novas áreas do Click38 ). Outra forma de percebemos a grande utilização dos recursos tecnológicos nas habitações são as recentes “casas inteligentes”. Conjunto de programas.: http://marketing.layouts decorados Projetados pela autora da dissertação em outubro de 2008 38. (POPCORN. Embora o computador possa ser usado na composição das ambientações. cores.

“Temos uma forma única de explorar os sentidos ao longo da vida. ou melhor. Dizem que é o sentido mais explorado. quanto menos utilizamos. 2008: 22) Além de nos ajudar a valorizar situações. onde seus elementos são reais e percebidos por meio de nossos sentidos. (Álvaro GUILLERMO. Damos. por algo exterior: experimentar com emoção! Ir adiante e olhar para trás : este seria o caminho para criar produtos com flashes no passado com formas de viver. da encenação ao interior da loja. ao serem estimulados. o sentido do olfato. percebemos que há uma associação entre eles. ”A fantasia com espaço de projeção dos desejos não satisfeitos comprova a existência real desses Nossa questão é analisar por meio dos sentidos do individuo como se dá o processo perceptivo das ambientações nos espaços comerciais. a ordem é orientar as pessoas. principalmente quando olhamos uma ambientação como um espaço doméstico de desejo de consumo. ”Portanto.Vitrina 55 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo C 2. (MENDES. Também é evidente que. fossem repassados mesmo que idealizados. (Álvaro GUILLERMO entrevista para revista Kaza. do ponto de vista sensório-perceptivo. já que os nossos sentidos ajudam a valorizar muitas situações únicas e individuais. como exemplo. dentre outras. e que talvez não as perceberíamos. 2008: 22) No Design de Interiores muitas ambientações montadas são vistas como um verdadeiro cenário estimulando o nosso imaginário. tanto no projeto como no destinatário”. espaciais ou não (REVISTA KAZA. mais do que qualquer outro. (MARCONDES. nossos sentidos. por alguém. (DEMETRESCO. “Na fantasia de trilhar a estrada de modo singular. para interagir com o mundo”. e. 2006: 21) . Como se esses. entrevista para REVISTA KAZA. O cheiro de desinfetante pode nos lembrar alguns ambientes específicos como banheiro. pois os seres humanos chegam a desenvolver mais de 80% dele em relação a outros sentidos. como se fossem os nossos próprios ambientes domésticos: uma sala de estar. à medida que nos acostumamos com situações corriqueiras. 2008). menos graça terá de viver”. esquecemos a função deles em nossa vida – e. Os espaços físicos comerciais e os sentidos próprios desejos”. que “move” de todas as maneiras e para todos os lados os sujeitos. sejam elas espaciais ou emocionais. dependendo do ambiente. Inicialmente.1988:28) Percebemos que os nossos sentidos podem tornar esses cenários. 2005: 89) Compartilhando da crescente inquietação dos meios de comunicação e da ciência que estudam os espaços e os sentidos corporais. permitindo-nos obter experiências que ajudarão a contar nossa história. ou seja. Sobrevivemos se há uma ruptura e devemos criar um repertório com bases sólidas que contenha uma multiplicidade de sensações. Ao visualizá-la. e levamos essa ambientação imaginária para casa. o ser humano é um animal predominantemente óptico: utiliza a visão.1. podem nos remeter a determinadas lembranças. ou o cheiro de pipoca pode nos lembrar de um cinema. nos permitimos aflorar e reprimir esses sentidos. citamos a visão como um sentido poderoso que conduz. uma cozinha. chegamos até a “pensar com olhos”. sejam elas com referências físicas. para os espaços físicos comerciais. A transformação interna depende de certa possibilidade diante dos elementos exteriores – deixar-se tocar por algo. ”São eles que potencializam situações para que possamos perceber o mundo ao nosso redor de uma forma muito singular e única e que contribuem para que nossa identidade possa ser formada de maneira diferente das dos outros”. cenas inventadas como fantasias. Podemos dizer que estamos sempre sendo estimulados visualmente a perceber os espaços. e viceversa. por outro.

exposições. eles se relacionam de tal maneira que a ausência de um interfere na presença do outro. se o seu corpo acomoda-se confortavelmente na peça. o paladar é especificamente percebido em espaços na área da degustação. Atualmente. os odores. Limite a partir do qual o meio não consegue mais digerir os elementos causadores das transformações em curso e acaba por perder as características naturais que lhe deram origem. a maioria dos sujeitos é estimulada primeiramente pelo sentido da visão e depois pelo o tato. pois o sujeito. e isso pode acarretar uma verdadeira poluição visual e sonora41 . e nossos sentidos estão cada vez mais sendo estimulados a perceberem os cheiros. Por exemplo. 319. e caso ele não queira ficar com a peça depois de experimentar e testar em seu espaço doméstico. investem em ambientações com estratégias que valorizam a predominância de um sentido para que 41. Por exemplo. É o que ocorre em enfermidades como a gripe. ele poderá devolvê-la à loja. gráficas e sonoras. certificando-se nesses atos. sente vontade de “mexer” para comprovar e confirmar o tipo e qualidade do produto. em seu artigo. as imagens. assim como o olfato. A ausência do olfato reduz sobremaneira as percepções do paladar. estando muito próximo do sentido do olfato. Experimentar no toque das mãos a textura de um tecido comprovando se é macio. como por exemplo. fazendo com que a mensagem seja percebida de maneira passiva. Porém. percebendo essa demasia de informações. Portanto. seja pelos testes de resistência ou de conforto. ele precisa tocar.: VARGAS. dentre elas. O sujeito não quer simplesmente “ver” um móvel ou outra peça qualquer. ou seja. o sentido do tato está cada vez mais presente nos dias de hoje. shoppings temáticos. A lógica do espaço terciário cit. que traduzem mensagens dessas informações. É preciso se assentar em um sofá para descobrir se o produto está ergonomicamente correto. A audição e o olfato são considerados sensores do corpo de um indivíduo. Alguns espaços comerciais para atingirem nossas emoções utilizam o “som ambiente” para deixá-los mais aprazíveis e aconchegantes. palpar. Não podemos deixar de citar que.” (BARRETTO. lojas de tapetes ou até mesmo de mobiliário.pg. sentar. pois nada substitui o contato direto do consumidor com o produto quando o assunto é Decoração. auxiliando no controle do apetite e da quantidade de alimentos que são ingeridos. Dessa maneira. nessas ambientações. podemos ou não nos direcionar para onde vem o barulho. a sensibilização olfativa traz a memória do sabor correspondente e o corpo prepara-se para receber o alimento com a produção de saliva — daí a expressão popular “dar água na boca”. como verdadeiras “antenas”. valorizando e destacando os produtos. os sons. Ver e sentir o efeito de uma iluminação planejada em um ambiente. Dando continuidade. seja pela visão ou pelo tato. Cf. já que para outros sentidos esses fatores não são tão perceptíveis aos sujeitos. algumas lojas na área da Decoração. . “Vale lembrar que as sensações olfativas funcionam ao lado das sensações gustativas. feiras) no Design de Interiores exploram muito o sentido da visão. somos demasiadamente expostos a muitos estímulos. O mesmo pode acontecer com aromas e fragrâncias. ao notar visualmente um produto. E não menos importante do que os outros sentidos. alguns dos espaços comerciais. permitem que o cliente leve para a casa a peça em consignação.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 56 Vitrina Percebemos que as ambientações nos espaços físicos comerciais (lojas. 2008: 149) Vivemos em um mundo repleto de informações variadas por todos os lados. 2001. E o contrário também é verdadeiro. principalmente por meio de cores e de iluminação. Geralmente. mexer e até levar para casa para experimentar os produtos. Segundo BARRETO (2008) . nos espaços mencionados. percebemos que cada vez mais os sujeitos querem pegar. ouvirmos o bater em uma porta mesmo não estando no mesmo ambiente em que ela se encontra. e se quisermos. Heliana Comin. o “toque” das mãos nos sofás das ambientações nos dá a certeza de um bom tecido. as comprovações reais de testes no produto. prejudicando o recebimento dessas e de outras mensagens. a audição. é o sentido que nos afeta mais emocionalmente nas suas percepções espaciais do que os demais sentidos.

com atmosfera brasileira com percepções diversas. Elas são experimentadas e sentidas pelo sujeito. diferenciando-se para cada tipo de sujeito. determinam a configuração dos espaços e vice-versa. olfativas. da luz e do som (alto e baixo). como música. de efeitos das cores (relaxante e estimulante). enfim. Um exemplo é a Niketown. Por exemplo. que variam entre os sujeitos. auditivas e oníricas”. a Samsung Experience. a ambientação. devemos levar em consideração essa interação do sujeito com o espaço. visuais. Os produtos sozinhos já não conseguem ser atraentes. dentre elas. a ideia de criar algo como cenário para despertar sensações. a percepção se dá de forma exclusiva e individual. oferece em seu espaço vários artigos que completam os sonhos de seus consumidores. a Levis em Londres. Assim. podemos citar as sensações por meio de temperaturas (quente e frio). o atendimento adequado. podemos sentir o calor do fogo e o aconchego do ambiente. de certa forma. cria-se uma verdadeira “troca” que humaniza e valoriza muito mais os espaços. tornando-as verdadeiros laboratórios experimentais. porém. é importante que. emoções e as reações que os sujeitos sentirão. localizada na zona sul no Morumbi Shopping é uma loja conceito. também dizemos que os sentidos se misturam. os espaços estimulam os sentidos dos sujeitos para que eles observem e percebam as ambientações propostas. inovadora que estimula os 5 sentidos dos consumidores e convida-os para uma experiência dos modelos expostos. ou seja. decoração. Hoje quando necessitamos de algo. em Nova York. pois são os produtos que vão invadir e conviver na intimidade de nossas casas. eles 42. as agências de tendências. É uam tendência mundial. Para tanto. além de mostar muito bem as soluçoes de seus produtos. o nosso estilo. No Brasil. Quanto mais os espaços se constituírem de acordo com as expectativas dos sujeitos. precisam de certa forma conversar com o consumidor usando uma linguagem muito mais complexa. gustativas. de certa forma. gerando a individualização destes que é uma . Além dos cinco sentidos citados anteriormente. “A indústria. procuramos aquilo que nos identificamos e que tenha uma relação direta com a nossa personalidade. ao planejarmos ou projetarmos ambientações nos espaços para propostas no Design de Interiores. A Tommy Hilfinger. Quando falamos em espaços comerciais no Design de Interiores o conceito é o mesmo e talvez mais complexo. flagship stores apresenta um conceito inovador de demonstrar toda a força e potência. faz com que o sujeito seja altamente suscetível a estímulos e acabe interagindo com o mesmo. pois o comportamento. gerando um conjunto de percepções e sensações interconectadas por processos sensoriais. sons e cores agradáveis e aconchegantes que nos fazem lembrar referências conhecidas. sem esquecer a Natura que inaugurou sua loja conceito em Paris em janeiro de 2005. uma situação considerada pelas reações de “sensações simultâneas”. Alguns espaços comerciais são chamados de lojas conceito que denomindas flagship stores. Com isso. Faz parte dessa linguagem universal o espaço. 2005: 143) Podemos dizer que há estímulo nos espaços comerciais para um grupo de sujeitos. Podemos dizer que uma loja conceito. pois.Vitrina 57 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo o sujeito interprete melhor a ambientação. podemos perceber várias sensações. Chegamos a uma situação sinestésica42 . a Prada e a L`Oreal também já apostaram na ideia. todos querem seduzir e tentar o consumidor por meio de sensações táteis. que além da inovação na apresentação dos produtos possibilita ao consumidor customizar sua calça. inaugurada em outubro de 2005 na cidade de São Paulo. (DEMETRESCO. Eles podem se utilizar de cheiros. Verificamos então que. a distribuição. em uma loja de artigos infantis. artesanato e degustação. por exemplo. eles podem ser estimulados e induzidos quase que todos ao mesmo tempo. quando olhamos para uma sala com lareira. o marketing. podemos sentir um perfume que nos lembre uma “colônia de bebê”. Assim. tudo que possa se tornar atraente. mesmo que essa lareira seja artificial. Sinestesia é uma palavra de origem grega proveniente de “syn” (simultânea) e “aesthesis” (sensação). livros. ou seja. mais estes dois elementos estarão próximos.

com abrangência do fenômeno social e sensorial. musical. dos sujeitos em relação àqueles. O consumidor seduzido não é um enganado. surgiu a vontade de aliarmos uma visão focada no Design de Interiores. muitos espaços comerciais são representados e apresentados ao sujeito como verdadeiros cenários que o estimulam e o atraem em um jogo de sedução. Cf. De acordo com o repertório de cada um. isso implicou uma revolução perceptiva de mão dupla: o mundo transformou-se para que se pudesse atingir essa situação. o sujeito.. Como citamos anteriormente. como se esse momento de consumo fosse único e individual para cada grupo (sujeito). aguçando-lhes o apetite pelo lúdico. os seres humanos se utilizam dessas capacidades intelectuais de formas variadas para resolverem soluções e problemas. não só devemos mencionar os espaços multisensoriais. pois o espaço físico já foi tratado no capítulo anterior. 11 de julho de 1943) é um psicólogo cognitivo e educacional estadunidense ligado à Universidade de Harvard e conhecido em especial pela sua teoria das inteligências múltiplas. Portanto.com. Por exemplo. que são identificados pelas inteligências. além de chamar a atenção das crianças (públicoalvo). E isso influi sobre o imaginário das pessoas. pelo espetáculo. quando seduzido. Isso permite ao Design ter a possibilidade de ser o grande produtor e gestor desse processo de transformação. posteriormente. tornando-se mais consciente nas interpretações das ambientações. veremos o significado do espaço sensorial. É como se essa sedução fosse dar formas as ambientações. autor das Teorias das Inteligências Múltiplas.e mergulhou num imaginário puro. Para Howard GARDNER43. explorados pelos sentidos e sensações. sociais e sensoriais. (Gilles LIPOVETSKY. “. o sujeito acaba sendo treinado e induzido a sofrer imersões sensoriais nos espaços. enquanto para outras podem passar despercebidas. pelo teatral. A 2. e. interpessoal e intrapessoal. . onde quem ganha é o consumidor. por 43 Howard Gardner (Scranton.2 As inter-relações dos espaços e os sentidos com o sujeito nos espaços físicos comerciais no Design de Interiores. livre da verossimilhança. ou seja. certas ambientações podem chamar a atenção para algumas. cada indivíduo tem uma potencialidade humana que atende “a capacidade de resolver problemas ou de elaborar produtos que sejam valorizados em um ou mais ambientes comunitários”. Com as mudanças constantes que acontecem na contemporaneidade. fazendo conexão entre os espaços e o sujeito.58 Vitrina A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo grande tendência do mundo contemporâneo. social e emocional. daremos significado ao espaço social. acessado em 08/ 06/ 2009. Pennsylvania. mas também os espaços multinteligentes. uma vitrina para o “dia das crianças”. aberto à criatividade sem entraves. Segundo GARDNER (1995). Essa definição citada por Gardner se aproxima muito do que considera como um processo em que a mensagem passada varia de acordo com o estado de espírito de cada um. Percebemos que há uma análise individual do sujeito para cada momento e espaço. Para ele. espacial. marcado por meio da relação física.: www. Ora. Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 12 • junho 2000: 08) Para Gilles Lipovetsky. Podemos dizer que o espaço social. estará sempre ciente de sua percepção sensorial. Ao tratarmos das inter-relações dos espaços físicos com a sedução e os sentidos do sujeito. também atrairá os adultos que possuem crianças na família. na perspectiva dos estudos do Design de Interiores. longe do culto da objetividade das coisas. mas um encantado”. Para inter-relacionar os espaços físicos.wikipedia. nas relações dos espaços comerciais como os sujeitos. sinestésica. mesmo estando fascinado pela representação espacial nas ambientações. é determinado por áreas que são setorizadas de acordo com as funções a que se destinam como. estas teorias foram identificadas às inteligências linguística. que mergulha em um mar de aparências e fantasias sensoriais e sedutoras. os seres humanos dispõem de graus variados dessas inteligências e elas se combinam e se organizam de maneiras diferentes para cada ser..

ainda que possa ser tomado como tal.Vitrina 59 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo exemplo. até porque o que a define. a quarta pele – o meio social e a identidade e a quinta pele – a humanidade. Pintor. transferira as cenas expostas que mais lhe agradam ao seu espaço doméstico. personalizado individual ou familiarmente. 2005:121). se evidencia no espaço residencial ou comercial por meio das relações experimentais dos sentidos do usuário com o espaço. 15 de dezembro de 1928 —19 de fevereiro de 2000). de fato. sendo de grande influência na arquitetura orgânica moderna. artista gráfico e arquiteto (Viena. instável e não linear. nas inter-relações desses com o sujeito.org . a segunda pele – a vestimenta. buscamos componentes (odores. não só como uma capa. Cria-se. . é neto do conhecido filósofo Joseph Maria Stowasser. Eles nos deixam a entender que o espaço residencial ou comercial pode ser composto pelo mobiliário e/ ou usuário. Como vimos anteriormente. Sua áreas de conhecimento foram a pintura e a arquitetura. há uma organização e priorização nos espaços domésticos. dentre outros. por meio da percepção. ao visualizar as ambientações comerciais. Dizemos que o espaço sensorial é imensurável. e da diferenciação. luzes) que o definam em sua natureza física e social. sala de jantar). por serem usuários de um espaço construído. mesmo que elas sejam idealizadas. PINI. ampliando do sujeito. 2002: 64) Os habitantes de uma casa. podemos 44. é produzido e construído pelos aspectos dos usuários que o utilizam. O sujeito. Assim. podemos verificar que. Ed. sociais (sala de estar. Entende-se aqui o espaço construído como estruturalmente edificado.. (Cf. Friedrich Stowasser. varanda. é o espaço destinado a sociabilização. 1992:62) Vimos que divisão setorizada demarcada pelo espaço social também é defendida por GURGEL (2005) e FERNANDES (1992). o conjunto arquitetônico. Com isso. atendendo às necessidades. deve ter uma atmosfera que propicie a convivência entre as pessoas”. sociais e sensoriais.correspondem as Cinco Peles : a primeira pele – a epiderme. E ainda:“É a sociedade que produz o espaço social. “. O espaço sensorial destina-se aos adjetivos dos sentidos. closet). íntimos (dormitório.: TCPO – Código de Obras.” (FERNANDES. pode acontecer que este. não é configuração espacial. uma vez que se apresenta como sendo muito mais do que uma simples membrana física. Segundo Antonio FERNANDES (1992: 69): “Trata-se de um espaço descontínuo. mais conhecido pelo nome de Friedensreich Hundertwasser. sugerir outras possibilidades para seus limites e suas fronteiras. Portanto. lavanderia). sons. os setores domésticos. dessa maneira. de lazer (terraço. que se iniciam com uma atenção seletiva em relação ao espaço. 2008). Essa composição depende das relações sociais e funcionais às quais o espaço se destina. (GURGEL. de alguma forma.: www. Analisados os espaços físicos.” (PIRES. ou seja. um espaço construído 44 chamado de “casa”. anseios e desejos específicos de cada usuário. por sua vez. em correspondência com a própria visualidade do mundo simbólico. a terceira pele – a casa do homem. mas como dimensão e extensão do próprio corpo. a casa seria resultante de uma modalidade de uso de um espaço construído. 2008: 321) Pensar um ser humano com cinco peles é. que Suzana Barreto MARTINS (2008) estabelece na leitura das Cinco Peles de Hundertwasser para argumentar a sobrevivência do ser humano em sua existência terrena. através da apropriação da natureza. mas seu uso. 45. jardim). segundo o Código de Edificações Civil (Cf. a ser experimentado emocionalmente por meio dos sentidos do sujeito. da divisão do trabalho. O espaço sensorial.seção biografia artes .. Pele que incorpora diferentes dimensões e de múltiplas formas. É uma representação que resulta de uma apreensão sensorial e imagética da realidade”. pode interpretar e organizar as suas impressões. a natureza e o meio ambiente. “Nota-se que “casa” não é apenas a edificação. em arquitetura. Um lugar que.acessado em 20/ 05/ 2009). de serviços (cozinha.wikipedia. fazem desse um lugar um ambiente próprio.“O espaço social. quando atendesse às funções previstas para operar como uma casa” (BRANDÃO. Grosso modo. Tal idéia nos possibilita citar e entender a proposta de HUNDERTWASSER45 .

(AUGÉ. uma das tendências pessoais indentificada pelo encasulamento do sujeito e a casa pode ser seu grande casulo. por exemplo. ao analisarmos o artigo de Cláudia Teixeira MARINHO. associação que. Lugares e não-lugares se opõem (ou se atraem). faz da vitrina um espaço-nãolugar. O lar é um lugar que não tem lugar. o não-lugar é utópico. A volta ao lugar é o recurso de quem freqüenta os não-lugares (e que sonha. podendo até dizer que a casa tem a “cara” de seus habitantes. constituindo uma identidade própria e personalizada que. como as palavras e as noções que permitem descrevê-las”. cadeiras. sofás. para um espaço ser chamado de “lar”. social e emocional. mesas.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 60 Vitrina dizer que a casa é uma extensão do corpo. pode se fundir com um espaço-nãolugar que se compõe de uma imagem. reais e palpáveis. Para Marc AUGÉ (1994: 88). 1994: 98) Ao falarmos de casa como espaço-lugar. Ao observarmos uma ambientação em uma vitrina no Design de Interiores. de passagem e de imagens. podemos fazer uma analogia com espaço-lugar de sujeito. onde esse artista. onde cada um encontra seu lugar e seu perfil. podemos associá-las ao nosso âmbito doméstico. O lugar do artista na cidade.. por muitas vezes. é valorizada e intensificada pela contemporaneidade. Nossas casas são construídas para serem habitadas. ele precisa ter a participação não só física e social do sujeito. quando imaginária. “Lugar do artista com endereço certo na cidade. à esquerda da auto-estrada)”. sua terceira pele. Ressaltamos aqui. ou seja. os lugares e os espaços. discute-se sobre espaços-lugares que estabelece o ateliê como lugar do artista. no cartaz. mais uma vez a importância da teoria do “cocconing”. configura o ateliê como um espaço construído para seu devido fim. percebemos que. e não somente uma relação de um espaço construído para acomodá-los. como sujeito. Nele. e o lar evoca esse lugar.. Para Marc AUGÉ (1994:80).. os lugares e os nãolugares misturam-se. A casa como um lugar caracterizado por um espaço imaginário é um espaço chamado de “lar”. mas também emocional. mas a Dizemos que o espaço construído como casa pode possuir características muito próximas aos seus habitantes. por exemplo. sempre a um lugar específico (na vitrine. 2004: 145) Portanto. Um espaço doméstico compartilhado por todos. o ateliê se configura pelas determinações impostas pela feitura de uma obra que se traduz mais como um modo de relação do artista com o espaço e menos com a configuração concreta de um local pensado para uma produção específica”. “Na realidade concreta do mundo de hoje. a casa configura com seus habitantes um contato físico. Ela se torna um lugar “certo” para seus usuários. a troca alusiva de algumas senhas. (AUGÉ. o espaço é produzido pela prática dos lugares.. uma ideia imaginadora. com uma residência secundária enraizada nas profundezas da terra). Entretanto. na convivência e na intimidade cúmplice dos locutores”. (MARINHO. tais como se fixam no espaço e na palavra. interpenetram-se.1994:101) Também podemos dizer que uma ambientação em um espaço-lugar composto por peças verdadeiras. (AUGÉ. A possibilidade do não-lugar nunca está ausente de qualquer lugar que seja. à direita do aparelho. “A modernidade em arte preserva todas as temporalidades do lugar. E ainda: “Nos não-lugares da supermodernidade. 1994: 73) essência do habitar excede o espaço. A casa é um espaço-lugar. .O lugar se completa pela fala.

eles são pequenos e triplicaram suas funções. compactas. dentre outros acontecimentos (ver figura 28). e um dos fatores que iremos nos reter nesse estudo é a inserção das novas tecnologias que provocam alterações e transformações nos espaços. conversar. funcional e que contenha equipamentos que o auxilie nas tarefas. em modelo tipo “cozinha americana”. comer. exigindo do designer um planejamento mais detalhado para um melhor aproveitamento espacial. seja para cozinhar. Percebemos que antigamente os dormitórios eram muito espaçosos e tinham apenas como mobiliário a cama. elas apresentam máquinas para todos os tipos e gostos. além de fogão. o armário e.Vitrina 61 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo F 2. que se reuniam nesse local. Até alguns anos atrás. Assim. Fatores culturais. pois hoje o sujeito requer uma cozinha prática. dentre outras atividades. purificadores. jogar videogame. Eles passaram a ser utilizados para estudar. Talvez.3 As interferências tecnológicas nos espaços domésticos espaço doméstico a sofrer modificações em seus projetos espaciais devido à influência tecnológica. pois suas funções eram apenas de descanso e “depósito” de vestimentas. uma cômoda. não acomodem tantas pessoas. tornando-se uma expansão da sala de estar.São Paulo ! . Hoje elas estão menores. sociais e tecnológicos podem influenciar em mudanças nos espaços domésticos. funcional e estético. quando muito. ela era espaçosa para acomodar muitas pessoas. muitas integradas com as salas.Piracicaba – SP ! Figura 29 . geladeira e freezer (ver figura 29). A cozinha foi o primeiro e talvez o principal ambiente no Figura 28 .Foto do modelo de cozinha tipo ‘fazenda” . como: trituradores. Hoje. multiprocessadores.Foto do modelo de cozinha tipo “americana” . assistir televisão. com as novas tecnologias.

com acessado em 20/05/2009 ! .br .acessado em 12/05/2009 Figura 31 . social e emocional. atendendo a vários estilos e perfis de usuários. marca. estes âmbitos são influenciados pelo habitante e como o este interage no espaço doméstico. modelo.com. Novas atitudes e novas máquinas combinam-se produzindo novos espaços domésticos”.brastemp. As alterações e as transformações dos espaços domésticos estão relacionadas à evolução e inserção da tecnologia em nosso cotidiano. 2002: 94) Com isso. (BRANDÃO. e o espaço doméstico deve se adequar a elas. linha e cor (ver figura 30). Essas novas formas de “pensar” nos espaços domésticos fazem com que o Design de Interiores. Essas transformações decorrem porque surgem formas diferenciadas do padrão no qual estamos acostumados a viver. diferenciados entre si pelo tamanho.Perspectiva em 3D – Kasa Digitália – Karim Rashid . crie estratégias de espacializações para um novo modelo de espaços.Foto tirada do site www. que diretamente tem a tecnologia como papel fundamental: “Para pensar casas contemporâneas convém começar por suas transformações mais evidentes.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 62 Vitrina Percebemos uma diferenciação e individualização na criação dos equipamentos.karimrashid.Modelos de equipamentos retirados do site: http://www. interferindo na relação física. Figura 30 . De certa forma. conseguimos perceber e compreender como a tecnologia pode ser influenciada na relação do habitante com os âmbitos domésticos. forma.

34 e 35 ).Vitrina 63 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Na Feira Internacional de Móveis em Milão . acessado em 20/ 05/ 2009). 33. um licenciado em Design Industrial da Universidade de Carleton.Ambiente Sala de Jantar . Nessas ilustrações.Foto tirada do site www.acessado em 20/05/2009 ! 46.karimrashid.Foto tirada do site www. com objetos decorativos que deram ao espaço uma sensação única e provocadora aos usuários que ali passavam. 32. Karim Rashid. como.Kasa Digitália . Esse espaço apresentou uma nova coleção de cores brilhantes e provocatórias.karimrashid. Ottawa. principalmente Figura 32 . criado e projetado pelo designer egípcio Karim Rashid46.Ambiente Sala de Jantar .karimrashid.Kasa Digitália . Ele apresentava vários efeitos tecnológicos em ambientes domésticos totalmente cobertos (ver figuras 31. Com o passar do tempo. iluminação e arte. Figura central na área do Design de Interiores. tornou-se uma figura em design interior de escala mundial.com. A abordagem de Rashid para com o design pode ser descrita como funcional e atenciosa em relação ao contexto em que o artigo está inserido para o uso diário.Salone Del Móbile 2008. . trabalhou com muitas marcas famosas. percebemos que cada vez mais os espaços domésticos poderão ser reconfigurados. foi exposto um modelo de espaço residencial chamado de Kasa Digitália. mobiliário.: www.com acessado em 20/05/2009 ! Figura 33 .com . (Cf.

Foto tirada do site www. Com isso.Kasa Digitália .Ambiente Cozinha . Figura 34 . tornando os ambientes mais “inteligentes”.com acessado em 20/05/2009 ! Figura 35 .Ambiente Sala de Estar . abrigando novas formas e novas funções.Foto tirada do site www. 2007: 97) Para Álvaro GUILLERMO. e mais. mais humanizados. sociais e sensoriais. Essa nova composição dos espaços os tornará mais próximos dos indivíduos.Kasa Digitália . “No futuro os espaços comerciais serão lugares onde os ambientes físicos e as realidades virtuais vão convergir e estarão em interação constante. Nessa situação em que o espaço como suporte dessa tecnologia torna-se mais caro e sofisticado. Não podemos deixar de citar que os espaços como mediação das ciências tecnológicas precisam se compor preparando se com infra-estrutura para receber toda essa tecnologia. que estimulam os designers de interiores a criarem espaços domésticos. e a tecnologia digital será a mediadora. na contemporaneidade as novas tecnologias auxiliarão na interação virtual do sujeito com o espaço comercial. tornando os espaços domésticos um verdadeiro laboratório de experimentações físicas.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 64 Vitrina devido às novas tecnologias.karimrashid. compreendemos que a história individual de um sujeito pode ser influenciada pelas interrelações com os espaços físicos. (GUILLERMO. percebemos como os espaços também são influenciados pelo sujeito. sociais e sensoriais.karimrashid.com acessado em 20/05/2009 ! .

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A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Vitrina 68 .

veremos as significações do que seria uma vitrina. dessa maneira. Eles acabam atraindo os consumidores e criam uma identificação com os diferentes tipos de usuários. sempre haverá uma intenção comercial na transmissão de suas mensagens. A VITRINA E SUA TRAJETÓRIA 3. em tendas. De forma geométrica.. construção e percepção. (MENDES.1 Origens da vitrina Ao longo desse estudo. um modo possível de apreender as relações sociais de uma época. representando. 2006: 54) Da lógica de exposição de produtos à venda. ou mesmo em espaços construídos. dentre os quais o Mercado de . Grandes exposições comerciais. 2004: 23) Embora muitas vezes a vitrina exponha produtos. e também sobre as etapas do processo de sua criação. além de mostramos a existência de sua relação com o sujeito.. ela também pode representar ideias e conceitos. Desde os tempos mais remotos até os dias de hoje. P Podemos denominar uma vitrina como um espaço concebido por suas delimitações visuais que propõe uma composição de produtos nas mais diversas variedades exposições em todo o mundo. pode também apresentar outras formas que possibilitam delimitar um espaço visual. (DEMETRESCO. os produtos são expostos de maneiras diversificadas. em qualquer uma dessas funções que ela assume. de certo modo.Vitrina 69 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo A 3. em feiras. da perspectiva de um contexto histórico”. discutiremos as implicações da vitrina como espacialidade.. sejam no chão. mencionamos a origem da palavra vitrina. “Sabemos que as vitrinas qualificam o lugar em que se encontram. na exposição de produtos em ambientações. nas ruas. mostrando como ela se originou e se aprimorou ao longo da história. os comerciantes sentiram a necessidade de informar a clientela sobre seus produtos e serviços”. podemos dizer que há o aprimoramento que se desenvolve ao longo de sua história.as vitrinas são uma forma de manifestar o imaginário social. Mas. geralmente quadrada ou retangular. Agora. ocultas dentro das lojas. sua importância no Design de Interiores.. como lojas e shoppings. Além disso. “Como as mercadorias saíram das ruas – onde eram expostas diretamente a consumidores e transeuntes – e passaram a ficar.

Depois.seção ilustrações de Roma acessado em 20/ 05/ 2009. Localizado entre as colinas do Quirinal e do Capitólio. durante o reinado de Trajano.wikipedia. No Mercado de Trajano. que não precisavam mais montar e desmontar barracas e/ ou tendas. já que poderia haver danos ou até furtos. Neste contexto.O complexo surgiu contemporaneamente ao Fórum de Trajano. flores. facas e armas. os produtos eram voltados para o exterior de uma forma aleatória na suas exposições. os artigos das colônias. acabou por gerar um modelo pioneiro de um shopping center. no segundo e no terceiro. eram posicionados nichos de madeira especialmente preparados ou adaptados em partes da construção para sediar a exposição de produtos. por medida de segurança. ao longo dos anos houvesse a preocupação de abrir vãos nas fachadas para que os sujeitos enxergassem os produtos nos interiores dos espaços fechados. favoreceram o início dessa trajetória (ver figura 36). o vidro acabou sendo utilizado com uma transparência que contribuía para a visão das mercadorias pelo sujeito e na segurança dos produtos. nesses lugares fechados. 47. No térreo. peixes e crustáceos. 1997: 16) Figura 36 . essas mesas foram transferidas para o interior dos espaços comerciais.: www. Os sujeitos circulavam em corredores nesse mercado que. essa medida facilitava as atividades dos comerciantes. tornando-se um balcão.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 70 Vitrina Trajano47. Os espaços comerciais nesta época. sobre o balcão. em viveiros de água doce e do mar. numa zona ocupada por palácios modernos. as mercadorias eram expostas na praça central do mercado em tábuas como mesas a céu aberto.Roma Foto retirada do site: www. de certa forma. temperos e tecidos. e no quinto. sem nenhum cuidado relativo à organização estética ou com a visibilidade dos clientes. vendiam-se joias. frutas. ainda permanecia o problema de segurança e da pouca visibilidade dos produtos. (DEMETRESCO. houve a necessidade de se abrir grandes janelas (vãos) para que os observadores pudessem enxergar os produtos. “Nos estabelecimentos. os comerciantes levavam-nas a lugares específicos e. careciam de qualidade nas montagens das vitrinas. Por muitas vezes. Assim. totalizando cento e cinqüenta lojas”.org.org . distribuídos em cinco andares. 1990: 12) Com a preocupação de as mercadorias serem expostas em áreas acessíveis. Abertas às portas e janelas de madeira. que originalmente se estendia ligeiramente além dos atuais limites da área arqueológica. como especiarias. O complexo apresenta seis andares com várias salas. Além disso. .. compreendia um conjunto de estabelecimentos. “Esse foi.Mercado de Trajano . na realidade. muitas vezes. onde as mercadorias deveriam ser facilmente expostas para que o observador/ consumidor pudesse ver o produto exposto. o primeiro shopping center da história. no início do século II. (Cf. O Mercado de Trajano é o nome moderno de um complexo de edifícios em Roma da época imperial. lá estavam os produtos aos olhos do freguês”.wikipedia. (OLIVEIRA. fechados.acessado em 15/06/2009 ! Embora. no quarto ficavam os escritórios públicos.

as vitrinas eram verdadeiras atrações visuais nas cidades. 38 e 39). antes do reinado da Rainha Vitória. consequentemente.Vitrina Loja Harrod’s.Vitrina 71 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo “..: www. Um exemplo de loja.” (DEMETRESCO. sendo a maior loja da capital inglesa. com uma arquitetura invejável de espaços amplos e grandes fachadas que. com divisões de madeira e. não tinham preocupação com a organização e seleção dos itens exibidos. as vitrinas necessitavam de uma atenção especial para a composição da Alguns anos depois. tornando mais acessíveis nas construções de vitrines nos edifícios comerciais. que aplicava esse tipo de exposição arbitrária dos produtos foi a Loja Harrod´s48 (ver figuras 37. por meios de técnica fantasiosas de estímulo ao consumo. o espaço comercial começa a ganhar mais importância e.Paisagem Urbana: uma mídia redescoberta (MENDES. podemos dizer que o vidro também faz parte da evolução da vitrina.wikipedia. Harrods foi estabelecida em 1834 na então pobre área de East End. Ao mesmo tempo em que se reestruturavam espacialmente. Para todas as pessoas. melhorando assim sua apresentação. 1990: 16) Muitos eram colocados arbitrariamente e. de certa forma. . (MENDES. 2001: 154) Após a Revolução Industrial. O lema da Harrods é Omnia Omnibus Ubique . consequentemente. Ocupa uma área de 4.“Todas as coisas. os desejos e anseios da sociedade burguesa industrial”.2006:56) 48. Assim. seção loja de departamentos -acessado em 15/ 06/ 2009). atendendo a uma demanda de cidadãos que ostentavam aparências e poderes.por volta de 1800 essas vitrines de vidro eram formadas por quadrados. Vale notar. Com o tempo. Portanto. as indústrias passaram a desenvolver produtos cada vez mais sofisticados e diversificados.Londres . seus produtos passam a ser mais valorizados. reconhecida mundialmente pela coleção de produtos variados em suas vitrinas. com o desenvolvimento do desenho e o aperfeiçoamento do estilo. pois chegaram a ser concebidas por artistas e arquitetos renomados. ampliaram e melhoram a exposição dos produtos. expostos com mais destaque e segurança.. que embora a exposição dos produtos fosse desorganizada.” (VARGAS. “Se até o início do século XX as mercadorias eram empilhadas. Figura 37 . (Cf. “Uma das contribuições mais significativas das lojas de departamentos para a arquitetura comercial foi à invenção das vitrinas.5 acres e tem 92 m² de espaço de venda.1909 Iamgem do livro . Em todo lugar”. 2006: 55) Embora essas exposições de produtos nas lojas de departamentos tenham sido importantes na apresentação espacial. elas se transformaram em verdadeiras obras de arte. poderiam atrair ou não os consumidores para os interiores dos espaços comerciais. só por volta de 1860 que deixaram de ser raridades. limparam-se as lojas e as vitrinas.org. já no século XX. a partir de 1920. a arquitetura comercial surge com grandes lojas de departamentos. cujos projetos expressavam.

Foto Loja Harrod’s. (.londres. como Dana O’Clare e Tom Lee”.acessado em 15/06/2009 ! .A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 72 Vitrina exposição dos produtos. O objetivo era de atrair os sujeitos para interior da loja.Londres .guide. André Breton e Salvador Dali fizeram vitrinas na década de 1930. 1990: 16) Esses profissionais eram responsáveis por transformarem os espaços comerciais em cenários que estimulavam os consumidores às compras.Londres 2005 www. elas começaram a ser decoradas por grandes artistas e arquitetos renomados. ao longo do séculoXX.) Artistas famosos como Marcel Duchamp. Por isso.acessado em 15/06/2009 ! Figura 39 .Loja Harrod’s. (DEMETRESCO. “A partir de 1930. e isso. começou realmente a pesquisa de vitrinas e o estudo do detalhe e da estética. pode ser notado até os dias de hoje.org .wikipédia. Muitos artistas e profissionais da área criavam seus projetos como obras de arte.com.1909 Iamgem retirada www...Surgiram vitrinistas reconhecidos e dedicados nos Estados Unidos. Figura 38 .br .

são apreensíveis através de visualidades e comunicabilidades”. não há reajuste do foco do olhar. A espacialidade de uma vitrina vai além dos aspectos visuais.2 A vitrina como espacialidade Na pós-modernidade há algumas maneiras de percebemos a espacialidade. o espaço é colocado nos seus limites pelas espacialidades que o representam e que. poderia induzir o olhar para “além” da imagem. na representação. embora simultânea. mas perspectivas e comunicantes.. seria o “olhar para fora”. na duplicidade dos espaços. (FERRARA. “Tudo. nos possibilita perceber que. mas um olhar centrado e fixo que imobiliza o usuário distante. (BIGAL. 2001: 60) A palavra espacialidade deriva de espaços e determina um “recorte” para seu reconhecimento físico. Uma delas seria o “olhar para dentro” como se o observador buscasse um foco.Vitrina 73 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo A 3. (FERRARA. se emoldura em uma transparência que cega a diversidade do olhar. A vitrina com sua ambientação. a vitrina expõe um intrincado jogo estratégico do olhar. uma relação linear de causa e consequência. O olhar fixo e centrado se deve a transparência das vitrinas envidraçadas. observável . entre espaço e espacialidade. A vitrina como espacialidade. o auto-espaço. no sentido físico e emocional: “Muito mais do que produtos. a harmonia de um espaço necessariamente bi-dimensional e ortogonal a fim de que fosse possível desenhar geometricamente figuras proporcionais e simétricas. podendo esses serem ou não físicos.2001: 07) Outra maneira de percepção espacial. marcada como moldura limitada pela visão espacial. a vitrina conduz o olhar do sujeito impedindo que este enxergue além de suas delimitações espaciais. linha e plano como bases gráficas fundamentais da representação do espaço bidimensional”. marcas e serviços. inclusive. de sua própria imagem refletida”. ao contrário. Para BIGAL (2001). E elas acabavam por convidar o observador a olhar de “dentro para fora” (tridimensional). podemos dizer que reconhecemos uma espacialidade desde a época do Renascimento. 2007: 18) Não necessariamente a vidraça faz a conexão do exterior ao interior entre os espaços. na realidade. ”Porém. (BIGAL. foram criadas representações com formas bi-dimensional e ortogonal nas pinturas. não há. dimensões do espaço que já não são apenas físicas. delimitando uma imagem. do “visível” ao “invisível”. Não há desvio do ponto de vista. pode ser a visão do espectador ao interior da imagem da ambientação. Portanto. 2007: 14) Nesse período. assumiria o papel de porta de entrada para esse interior. das categorias representativas do espaço. figuras do plano nas suas articulações entre ponto. como a transparência do vidro. o interior. mas constrói. espacialidades são delimitações de espaço. no sentido de uma “janela” que emoldura um espaço. cujas regras de combinação pressupõem uma fenomenalidade imagética rigorosa”. além de chamar a atenção do sujeito para o interior. ou seja. “Essa relação expandida. à visualidade. por sua vez. Ela funcionaria como uma “janela” fazendo mediação do “exterior” com o “interior”. na vidraça. 2007: 13) Dentro das áreas da Arquitetura e das Artes..” (FERRARA. possibilitando idéias imaginadoras expandidas desse enquadramento. Note-se também que esta mediação do “exterior” ao qual referimos. aquela representação não é apenas gráfica como faz supor o espaço criado pela perspectiva. “A espacialidade renascentista foi construída pela perspectiva que oferecia.

Sabemos que o tempo que esse sujeito passa em frente a uma vitrina é temporário e limitado. ”Portanto. movimento. Uma ambientação em uma vitrina pode se utilizar dos sentidos do sujeito para construir e organizar esteticamente composições que podem ser atrativas a ele. essa imagem cria cenários espetaculares que convidam o espectador para ele “ir além” do que lhe é oferecido. O artifício de sugerir ao observador que a superfície da fachada de uma vitrina estenda-se para além de um plano único confere uma extensão maior do que a realidade que o atrai. sobretudo. favorecem a construção dessa imagem descentralizada do olhar do observador. ela também nos convida a ir além dele. 2007: 15) sentidos. mas real em sua concepção. diluindo distinções entre o real e imaginário. dentro de um espaço imaginário. podendo interagir com o sujeito por meio de seus . a centralidade é substituída pela frontalidade que descentra o ponto de vista do observador. sim. aprofunde seu olhar. o volume. desenha o espaço criando uma visualidade voltada para a comunicabilidade de um lugar contextual que ela. a luz que. Para tanto. O recurso cria a ilusão de estar dentro da ambientação. Conforme analisado. cor. agora. mas. pode revelar ou esconder. fazendo com que este não apenas passe rapidamente em frente a ela.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 74 Vitrina pelos sujeitos. Desta forma. Alguns elementos como luz. Ela é formada por um conjunto complexo de relações existentes entre a forma de construir e organizar os produtos como elementos capazes de definir sua espacialização.” (FERRARA. deve ser atrativa. obrigando-o a ver e descobrir a tridimensionalidade. Ao mesmo tempo que ela delimita nosso olhar. o movimento e. luz. nos chamando para a interpretar o interior de um espaço. há diferentes maneiras de percebermos a espacialidade em uma vitrina. Ele deve então receber o convite para uma aproximação mais profunda do que a de passagem.

Alguns projetos se mostram inviáveis por diferentes razões. Portanto enfatizaremos que é preciso planejar. mudando de tempo em tempo. “Aristóteles afirmava que o olhar de todos os nossos sentidos é o que nos faz adquirir o maior conhecimento e nos faz descobrir as maiores diferenças”.”. é como mapear o problema. produtos. “Com essas “ferramentas” em mãos. Muitos elementos como cor. poderemos pensar no processo de criação. Visto que esses aspectos foram elaborados pela autora da dissertação em função de trabalhos profissionais executados na área do Design. quando falamos em ambiência. forma. Elas podem ser objetivas e subjetivas. nos referimos ao espaço propriamente físico. (DEMETRESCO. é a forma de organizar e construir concretamente uma ambiência. a execução. permitindo aproximações sem. e variam de forma cada vez mais acelerada.”. no entanto. Por exemplo. ter ideias para criar soluções. perder suas singularidades. ocupam diferentes lugares físicos e congelam diferentes ambientações que acabam materializando a função espaço-tempo. aportando uma lisibilidade à idéia. O briefing deve criar um roteiro de ação para criar a solução que o cliente procura. execução e percepção. desejos e necessidades de clientes. sair para ver vitrinas era o melhor passeio nas grandes cidades. Geralmente. com algo com os quais as pessoas se identifiquem e que associem na sua personalização. tendência.wikipedia. fazem parte da composição de uma ambientação. As vitrinas refletem as mudanças de cada época. Como em uma analogia da leitura de um livro. o criador tem como recurso orientador a palavra. muitas vezes criado pela percepção sensorial. construir e organizar ambientações nas vitrinas. há uma exigência do observador em ver e compreender imediatamente e individualmente a percepção espacial e sensorial de uma ambientação. o que não mudou muito nos tempos atuais. roupas. 2001: 88) Nem sempre tudo que se cria é executado. objetos. todas as vitrinas em um shopping center estão em um único espaço integrado.3 A relação da vitrina entre a teoria da construção e a teoria da percepção no Design de Interiores “Para a produção de uma vitrina. pois o briefing quer uma proposta visual “concreta”. com o briefing.Vitrina 75 N 3. (DEMETRESCO. como quadros que interferem na visibilidade dos espaços exteriores e interiores. eventos. 2005: 81) A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo Na relação da teoria da construção e da percepção. Desde a década de 50. o sujeito lê e percebe toda ação construtiva da ambientação como um cenário. cultura. iluminação. essas vitrinas são efêmeras. A primeira etapa – criação – se refere à concepção de um planejamento e projeto que se inicia pela escolha dos produtos e dos elementos que formarão a composição do conteúdo de uma determinada ambientação. . Para DEMETRESCO (2005: 80). de uma cor e. já que uma encenação é visual e matérica. Elas acompanham as evoluções dos produtos e da sociedade em que estão inseridas. Nesse sentido. já que elas não são permanentes. (Cf. e lembramos que. falamos em ambientação. moda. 49. de uma textura. dotando-lhe de uma materialidade. mesmo que seja por poucos segundos de tempo. de acordo com a época. Na ambientação de uma vitrina para o Design de Interiores. noções de sentimentos. e com estas pistas. que é semelhante a todas as áreas criativas.org – acessado em 16/ 06/ 09). São imagens efêmeras congeladas pelo ver e sentir de um “olhar”. junto com os produtos.: www. dentre outros. quais os fatores essenciais devam ser considerados em sua construção. ideias de cor. sejam elas vitrinas. podemos relacionar a maneira de construir e organizar uma vitrina de uma ambientação com o envolvimento de três aspectos importantes na sua invenção: criação. e conceitos para os quais precisa criar um linguajar visual. como segunda etapa. etc. textura. Como se a ideia do planejar uma vitrina levasse em consideração o briefing49 do espaço. por fim. ou seja. visando a captar anseios. De acordo com DEMETRESCO (2005). região. Quando há um ambiente físico ou imaginário.

Por exemplo. que é a percepção sensorial da transmissão da mensagem que o sujeito. fizeram com que ele se voltasse para a sedutora tarefa de produzir outra decifração do mundo que se apresenta como um novo desafio perceptivo e se propõe a reinventar a percepção do mundo e. É como se fosse a imagem percebida além dos olhos. o sujeito é convidado a não somente usar sua visão. Muitas vezes. é feita de forma seletiva. Por exemplo. é um trabalho espetacular do Design e das ambientações criadas por profissionais da área. recebe por meio dos seus sentidos. outros não podem ver ou o fazem de maneira distinta. Muitas conquistas físicas e sensoriais nas vitrinas em relação à sua criação. preenchendo quase todo o campo de sua visão. 2002: 59) . associando-a às suas sensações e emoções. como também outros sentidos. Isso é válido. muitas transformações fazem com que o sujeito seja altamente induzido a usar sua percepção sensorial. fazem dessas ambientações verdadeiros cenários. as vitrinas são construídas visando a chamar a atenção do sujeito. também. (FERRARA. e ele percebe a mensagem exposta na ambientação. a visão pelo homem das coisas materiais é sempre deformada”. “As transformações tecnológicas. “Por isso. e que pode variar de sujeito para sujeito. A percepção é sempre um processo seletivo de apreensão. execução e percepção. dessa forma. como receptor. surge a última etapa que é a percepção. encontramos manifestações dessa mudança”. diferenciando-os entre os espaços comerciais nas mais variadas áreas de atuações.A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 76 Vitrina Assim. em vários momentos. na contemporaneidade. cada pessoa a vede forma diferenciada. cientificas e artísticas que marcaram o século 20. para profissionais com diferente formação e para o homem comum. coisas que um arquiteto. Do ponto de vista espacial. pessoas diferentes apresentam diversas versões do mesmo fato. pelo fato de que toda nossa educação. um artista vêem. 1988: 21) Percebemos que. podemos verificar em uma vitrina cenas espetaculares criadas para entreter o sujeito. Assim. o aparelho cognitivo tem importância crucial nessa apreensão. formal ou informal. Se a realidade é apenas uma. (SANTOS.

vontades e desejos que podem estar refletidos e incorporados nessas ambientações. a diversidade. Percebemos que. então. intensificando essa relação produto-espaço. trouxeram grandes importâncias aos espaços e ao consumo no setor. atendendo momentaneamente à imaginária identificação e adesão dessa ambientação por meio das emoções e das sensações dos sujeitos. Com esse estudo. trazendo recordações. Assim. Desta forma. trazendo aos sujeitos um sentimento agradável e acolhedor. pois os sujeitos só buscavam em espaços comerciais aquilo que realmente precisavam e necessitavam para seu lar. criando novos “tipos” de espaços para atender necessidades. indiretamente. Isso significa que houve a preocupação no planejamento. foi sofrendo transformações que. Essas ambientações ganham a atenção dos designers contemporâneos. juntamente com a Arquitetura. aos espaços comerciais na contemporaneidade estão cada vez mais buscando não só atender esses fatores. Para satisfazê-los. pois os produtos não precisavam ser ambientados em cenários para induzirem o sujeito ao consumo. vários fatores favorecem a escolha dos produtos. pudemos entender que. Verificamos que as ambientações despertam nos sujeitos sensações e emoções que foram ou que desejam ser vivenciadas ou experimentadas. como também determina a configuração de um espaço comercial. como também antecipar tendências nos setores. especificamente tratado nesse estudo. os acessórios. A composição dos produtos. do . a forma de apresentação dos produtos nos espaços comerciais. Mergulhado em um cenário. Percebemos que a criação da ambientação em uma vitrina não só valoriza. a concorrência dos produtos. anseios e desejos dos sujeitos. mais especificamente no Design de Interiores. Portanto encontramos a possibilidade de experimentações e possíveis identificações de nossos espaços domésticos que. a fim de verificar possíveis relações que valorizam a criação e construção das ambientações de vitrinas nos espaços de consumo. criação e organização das ambientações para que as pessoas se identificassem com as mensagens expostas e as associassem aos seus perfis. alguns espaços repensaram o modelo de concepção da vitrina. a oferta. desde a Revolução industrial. Espaço e Vitrina. a ambientação desse espaço pode representar algo mais significativo. dentre eles. podem estar incorporados nas ambientações dos espaços comerciais. Pensamos. que a criação de uma ambientação em uma vitrina é um elemento fundamental na configuração de um espaço de consumo. Tal relação do produto-espaço só se efetiva em uma ambientação de uma vitrina devido à necessidade da valorização dos produtos nos espaços comerciais. Verificamos que os produtos eram vistos de forma singular e individual nos espaços comerciais. a iluminação. ao longo dos anos. Criam-se verdadeiros cenários que podem ser identificados com o próprio espaço doméstico ou desejados por um sujeito. Essa ambientação no espaço comercial do Design de Interiores permite e valoriza a visualização dos produtos que ali são apresentados. por meio de uma imersão sensorial. todo o cenário criado na ambientação determina e intensifica a mensagem a ser transmitida. o sujeito é acionado e incorporado na ambientação do espaço comercial.Vitrina 77 A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo CONSIDERAÇÕES FINAIS E Este estudo percorreu análises sobre Design . Ela é responsável por construir um elo entre os produtos-espaços e os sujeitos. que pensam tratar a criação da vitrina como estratégia de sedução nos espaços de consumo. É justamente neste sentido que o espaço comercial contemporâneo utiliza os sentidos de um sujeito. muito além do que a realidade mostra. para torná-lo um possível consumidor.

construir e organizar estrategicamente as ambientações em uma vitrina nos espaços comerciais do Design de Interiores. também são. pois percebem que o retorno vale à pena. pois a ideia era enfatizar didática e profissionalmente a importância de como é preciso e necessário planejar. Mesmo que sejam espectadores. seja ele material e/ ou emocional. definitivamente. Pensamos que nossos objetivos foram alcançados. .A vitrina como estratégia sedutora nos espaços de consumo 78 Vitrina espaço comercial no Design de Interiores. consumidores. interagentes. Podemos verificar na análise realizada que a ambientação em uma vitrina é um elemento ativo dentro da dinâmica nos espaços de consumo e que alguns espaços residenciais e comerciais investem na criação e execução de cenários. prolonga a ação constante da participação dos sujeitos na ambientação. projetar. observadores. Sendo efêmera. criar. A ambientação em uma vitrina produz toda uma atmosfera em que os produtos que se inserem na composição dessa ambientação viabilizam um contato emocional com os sujeitos.

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