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Processo do Trabalho - Princípios

Processo do Trabalho - Princípios

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CONCURSOS TRT 8ª (PARÁ), TRT 10ª (DF/TO) e TST.
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Processo do Trabalho Princípios

Para o Direito os princípios cumprem um papel de fundamental importância, pois, são os princípios que cumprem o mister de conter os regramentos mais básicos da matéria estudada. Os princípios são, assim, os pilares de fundamento que encontram-se expressos ou omissos nas normas jurídicas e ajudam os operadores do Direito a interpretá-las e aplicá-las no caso concreto.

Dentro da linha do estudo dos princípios de determinada disciplina jurídica, se faz necessária a observação da existência de princípios gerais e específicos.

No âmbito do Direito Processual do Trabalho, os princípios gerais observados são os princípios Gerais do Direito Processual Comum, ou seja, os princípios do Direito Processual Civil.

Princípios comuns ao Processo Civil e o Processo do Trabalho:

Princípio dispositivo O Princípio dispositivo ou da demanda é a faculdade dada ao interessado em provocar o Poder Judiciário para a solução do seu litígio. Conforme Carlos Henrique Bezerra Leite: Trata-se, pois, da livre iniciativa da pessoa que se sente lesada ou ameaçada em relação a um pedido de que se diz titular. Importante frisar que no Processo do Trabalho existem algumas exceções a referido princípio, inclusive pela distribuição do Jus Postulandi, obrigando a justiça do Trabalho a dar andamento Ex Officio a vários atos e procedimentos pela falta de conhecimento específico das partes que litigam nesta esfera judiciária.

Princípio Inquisitivo Em complemento ao princípio dispositivo, tem-se o princípio inquisitivo ou do Impulso Oficial. Uma vez exercida pelo autor a provocação do Poder Judiciário, o processo passará a correr pelo chamado impulso oficial. Os atos serão realizados de ofício pelo simples fato de que o Poder Judiciário tem a obrigação de julgar os processos que chegam ao seu conhecimento.

Princípio da instrumentalidade Informa neste princípio a ideia de que o processo é a linguagem, é o meio pelo qual o Direito Material é realizado no Poder Judiciário. Também conhecido como princípio da finalidade, observa-se a finalidade do ato a ser realizado e não, necessariamente, o ato. Ou seja, cumprida a sua finalidade e não havendo nulidades insanáveis, mesmo que o ato não tenha sido realizado como ordena a lei processual, o mesmo será válido.

Princípio da Impugnação especificada A contestação é momento de se afirmar tudo o que se busca, de maneira completa e tempestiva, sob pena da ausência da própria defesa. Assim, para que a contestação (ou a própria defesa) tenham o condão de tornar toda matéria controvertida, deve impugnar todos os fatos alegados na inicial. Referida impugnação não é considerada quando apenas genericamente considerada, mas sim, a impugnação específica sobre todos os pontos alegados e informados na inicial. É o chamado: Ônus da impugnação especificada, contido de maneira expressa no artigo 302 do CPC.

Princípio da Estabilidade da Lide A estabilidade informada no nome do princípio pode ser facilmente alterado para imutabilidade, pois, é essa a ideia que se busca. A causa, uma vez apresentada ao Judiciário, e citada a parte adversa, não mais poderá ser alterada ou desistida, se não com a aquiescência de ambas as partes. Referido princípio é relativo inclusive pela possibilidade de acordo entre as partes para alteração dos termos da inicial, porém, não pode o autor, apenas por ser o titular da ação, modificar a lide após a formação do processo. No Processo Civil as causas, até o seu saneamento podem ser modificadas havendo acordo, porém, após, nem por vontade de ambas as partes. Ocorre que, no Processo do Trabalho, não há saneamento, o processo é saneado em audiência, sem qualquer análise da lide em momento anterior. Pode ser dito, então, que, mesmo na audiência, havendo acordo entre as partes, poderá haver modificação da lide, porém, deverá haver o respeito aos outros princípios como: Contraditório e Ampla Defesa.

Princípio da Preclusão Tendo em vista que o processo deve sempre seguir para atingir seus objetivos, inclusive de forma oficial (impulso oficial), realizar ou deixar de realizar um ato no momento em que se deveria fazê-lo deve ter consequências. Um grande exemplo são as nulidades: Nulidade não deve ser declarada de ofício; salvo quando a nulidade for sobre matéria de ordem pública, que cabe ao Magistrado declarála. Tipos de preclusão: Consumativa é a preclusão pelo consumo do prazo, ou seja, pela realização do ato. Mesmo realizado no primeiro dia do prazo, uma vez realizado, não há que se falar em novo ato para modificar o primeiro. Temporal é a preclusão pelo decurso do prazo in albis (em branco). Lógica é a realização de um ato que, por lógica, modifica direitos posteriores. O melhor exemplo: Exceção de Incompetência apresentada impede a apresentação posterior de conflito de competência. Imagine que se realiza a exceção em um processo, para tanto, se concorda que a Justiça do Trabalho é competente, mas o local de curso do processo está errado. Depois se ingresse com Suscitação de Conflito de Competência, dizendo que a Justiça do Trabalho não é competente para o ato. Existe, por lógica incoerência entre o primeiro ato e o segundo. Ordinatória perde-se a faculdade de realização de determinado ato pelo simples fato de não se ter realizado um ato anterior que legitimaria o segundo. Exemplo: deixar de depositar em juízo o valor da execução, impede a apresentação dos Embargos à Execução. Máxima é a própria Coisa julgada, ou seja, a preclusão dos prazos para recursos de mérito, transitam em julgado a matéria e impedem qualquer outro recurso.

Princípios específicos do Processo do Trabalho:

Princípio da Proteção Tendo em vista o Jus Postulandi das partes, não é difícil encontrar, no Processo do Trabalho, um empregado analfabeto e um empregador formado, com pós-graduação, e que já está acostumado com o trâmite da audiência. Para proteger esse desequilíbrio criado pelo próprio Poder Econômico, assim como na normal Material, o Direito Processual, realiza alguns desequilíbrios na legislação, para buscar garantir às partes igualdade frente ao Magistrado. Porém, essa proteção é temperada, como diz Mauro Schiavi em seu livro, pois o objetivo não é a completa inversão de papeis, mas sim, a equidade aristotélica, o tratamento desigual dos desiguais.

Princípio da Informalidade A informalidade é uma das maiores garantias de Justiça do Processo do Trabalho pois, mesmo que o litigante não conheça o processo como todo, de forma simples, pode peticionar nos autos e garantir o seu exercício de Direito. Como exemplo pode-se ver o artigo 899 da CLT que informa serem protocolados, os recursos, em petições simples. Mais que isso, o Processo do Trabalho deve fluir de forma clara, simples e acessível a todos, cabendo às partes se manifestarem da forma que souberem e ao Magistrado, receber referidas manifestações de forma a dar seguimento ao feito.

Princípio da Simplicidade A simplicidade é o resultado da comparação do Processo do Trabalho e o Processo Civil, pois, o processo trabalhista corre de forma mais simples e, por isso, mais rápido e menos burocrática. O objetivo da simplicidade é garantir o acesso à Justiça pelas próprias partes que não dependerão de um patrono exercer seus direitos neste ramo especializado da justiça.

Princípio da Celeridade É um reflexo direto da simplicidade e da informalidade dos atos. O Processo Trabalhista, por cuidar, na maior parte dos casos, de verbas salariais que serão usadas para a subsistência da parte, deve ser realizado de maneira rápida e simples.

Princípio da Oralidade Os atos processuais devem ser realizados, primordialmente, verbal, permitindo uma realização mais rápida e simples do processo. Dentro do 1º Grau, a ideia é de que os procedimentos sejam realizados mais simples e sem demoras, ou seja, de maneira verbal, desde a inicial até as manifestações finais da instrução processual. A oralidade deixa de ser realizada nos graus recursais, sendo exigido o peticionamento para os recursos, mesmo que de forma simples.

Princípio da Subsidiariedade O Processo do Trabalho não é completo, melhor, não precisa ser completo, pois, pela existência do Direito Processual Comum, os institutos comuns aos processos já se encontram definidos, não havendo necessidade de se repetir tudo o que já está regulamentado. Assim, aplica-se o artigo 769 da CLT, garantindo a aplicação subsidiária nos processos, a saber: Processo de conhecimento CPC; Processo Cautelar CPC; Processo de Execução Lei de Execuções Fiscais e após o CPC.

Princípio da Função Social do Processo do Trabalho Referido princípio é uma consequência lógica da observação através dos tempos, percebendo-se o Processo do Trabalho como de fundamental importância para reduzir e dirimir os abusos dos empregadores e tomadores de serviços face ao proletariado, tendo em vista o desequilíbrio criado pelo Poder Econômico.

Princípio da Conciliação Os Processos na Justiça do Trabalho devem ser instruídos para mostrar, às partes, as vantagens de uma composição entre as mesmas. Ora, se foram as partes que viveram a situação que provocou a lide, nada mais lógico do que as mesmas terem em suas mãos o poder para dar fim ao processo resolvendo a lide por acordo.

Princípio da Normatização Coletiva É a ideia do exercício do Poder Legislativo pelo Poder Judiciário. O Tribunal do Trabalho pode, nos casos em que se verificarem as condições necessárias, proferir as chamadas Sentenças Normativas, decisões que serão aplicadas não apenas para as partes, mas sim, para uma coletividade inteira, passando a ser norma para a categoria envolvida.

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