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Propostas para Plano de Governo na Área Ambiental

Propostas para Plano de Governo na Área Ambiental

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O documento "Propostas para Plano de Governo na Área Ambiental", elaborado pelo Instituto EcoFaxina, reúne propostas ambientais de governo para os candidatos a prefeito de Santos nas eleições 2012.

Os candidatos que aderirem às propostas deverão fazer o download e assinar a Carta Compromisso Socioambiental. A carta pode ser baixada no seguinte endereço: http://pt.scribd.com/doc/99818398/Carta-Compromisso-Socioambiental
O documento "Propostas para Plano de Governo na Área Ambiental", elaborado pelo Instituto EcoFaxina, reúne propostas ambientais de governo para os candidatos a prefeito de Santos nas eleições 2012.

Os candidatos que aderirem às propostas deverão fazer o download e assinar a Carta Compromisso Socioambiental. A carta pode ser baixada no seguinte endereço: http://pt.scribd.com/doc/99818398/Carta-Compromisso-Socioambiental

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Published by: Instituto EcoFaxina on Jul 11, 2012
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07/12/2012

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DIAGNÓSTICO

O sistema estuarino recebe esgoto não tratado de todas as cidades que o constituem. Altos níveis de bactérias, substâncias que consomem oxigênio, fenóis, metais e pesticidas são detectados na água, e encontrados em alta concentração em alguns pontos do sedimento (SIQUEIRA et al., 2005). São cerca de 170 milhões de litros de centenas de produtos químicos, entre eles diciclopentadieno, acetato de vinila, acrinolonitrila, benzeno, tolueno, acrilato de etila, coperaf (a base de hexano) e solventes (cellosolve, ciclopentano, acetato de butila), todos inflamáveis (Poffo, 2007). Santos, Cubatão e São Vicente têm cerca de um milhão de habitantes e, no período de férias, esse número praticamente duplica, elevando a toxicidade das águas a níveis críticos, pelo excesso de esgoto. As favelas de palafitas geram uma enorme quantidade de resíduos sólidos que são descartados diretamente nas águas e margens do estuário. Somente na região da Zona Noroeste de Santos são cerca de 30 mil pessoas que vivem em palafitas e geram aproximadamente 30 toneladas de resíduos sólidos por dia. A navegação em diversos pontos do estuário se torna muito prejudicada pelo excesso de sacos plásticos, tecidos, cordas e outros materiais que se prendem ao hélice, muitas vezes danificando o motor da embarcação. A fauna estuarina e marinha vem sofrendo incessantemente os efeitos dos resíduos sólidos em seu habitat. Animais como aves, tartarugas, peixes e golfinhos estão se alimentando com plástico, ingerem grandes quantidades, pois durante milhares de anos de evolução nunca conviveram com outra espécie que gerasse lixo. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza 1,5 milhão de animais marinhos morrem sufocados, estrangulados, afogados ou por inanição. Atualmente são despejadas aproximadamente 7 milhões de toneladas de resíduos nos mares do mundo. Áreas como o bairro Jardim São Manoel na Zona Noroeste de Santos, campeão em número de casos de dengue, sofrem com a proliferação do mosquito Aedes aegypti, tendo em vista as milhares de embalagens plásticas que acumulam água da chuva. As quantidades de sólidos sedimentáveis transportados pelos rios tem aumentado muito, à medida que os desmatamentos no planalto e nas encostas da Serra fogem de controle. Esse material é tão fino que normalmente não sedimentaria, porém em contato com os sais presentes na água do mar, eles floculam, agregam partículas poluentes, coagulam e as depositam em camadas, originando o lodo. Até o momento nenhuma ação efetiva foi tomada por parte do poder público no sentido de reduzir o descarte de resíduos sólidos dentro do estuário ou recuperar as áreas impactadas. Uma ação emergencial de limpeza, se colocada em prática, trará benefícios econômicos em diversos setores, com destaque para a pesca (aumento da biodiversidade), o turismo, a saúde e a navegação.
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O mangue e a fauna do estuário de Santos pedem

socorro!

AÇÕES A CURTO PRAZO
1. Criar infraestrutura para coleta de resíduos sólidos no estuário Elaborado pelo Instituto EcoFaxina, com o apoio da Universidade Santa Cecília, o “Sistema de Coleta Ambiental de Resíduos” consiste na formação de uma frente de trabalho com base na criação de um novo profissional dentro do setor de coleta de resíduos, o “Agente de Coleta Ambiental”, responsável pelo trabalho de limpeza dentro do estuário e a reciclagem do material coletado. O trabalho de coleta será realizado dentro do estuário de Santos utilizando chatas e balsas de baixo calado com capacidade para 3 toneladas. Os resíduos serão transportados até o galpão de reciclagem, em que o processo de triagem e beneficiamento do material plástico terá como produto final placas plásticas com 2,20m x 1,10m, em diversas espessuras, para utilização na construção civil, substituindo o tradicional madeirite ou compensado naval em diversas utilizações, como fabricação de armários e carteiras escolares, placas de sinalização, na construção civil e inclusive dentro do Porto de Santos, tendo em vista a alta durabilidade em relação as intempéries. O produto permite a utilização de todos os tipos de serra, prego, parafuso, é termoacústico e não propaga chamas. O galpão de reciclagem deverá servir também como um Ecoponto ou Posto de Entrega Voluntária para o descarte de todos os tipos de resíduos sólidos, inclusive o lixo eletrônico. O Sistema de Coleta Ambiental de Resíduos trará capacitação e geração de renda para jovens desempregados que habitam palafitas e diminuirá consideravelmente o aporte de resíduos sólidos no sistema estuarino, com uma média prevista de 80 toneladas brutas coletadas por mês e a produção de até 5.333 placas. Já existem produtos semelhantes no mercado, porém a baixa oferta e os preços altos tornam o madeirite e o compensado naval mais competitivos na disputa de mercado. 2. Inserir a Educação Ambiental como disciplina obrigatória na grade curricular dos ensinos Fundamental e Médio no município Propiciar um diálogo através do caráter transformador da Educação Ambiental como disciplina escolar para a construção de uma sociedade sustentável. As aulas deverão fomentar processos continuados que possibilitem o respeito à diversidade biológica, cultural, étnica, juntamente com o fortalecimento da resistência da sociedade a um modelo devastador das relações de seres humanos entre si e destes com os recursos naturais e o meio ambiente. A Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) evidencia a capilaridade que se deseja imprimir a essa dimensão pedagógica no Brasil, exprimindo, em seu artigo 2º, inciso X, a necessidade de “promover a educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente”.

Educação Ambiental + Recuperação Ambiental =

Geração de Renda

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3. Instalar lixeiras com tampa no jardim da orla da praia A lixeira sem tampa não previne a ação do vento, que pode carregar resíduos como os filmes plásticos utilizados em embalagens de alimentos, sacolas, além de outros materiais leves. Contribuindo assim para a poluição do meio ambiente. 4. Coibir a pesca predatória dentro do estuário de Santos Fiscalizar ou conceder a alguma ONG poder de fiscalização sobre a atividade pesqueira nos canais do estuário, proibindo a utilização de métodos predatórios. 5. Exigir que todo estabelecimento público e comercial possua bituqueira na entrada É notória a quantidade de bitucas de cigarro depositadas nas calçadas e sarjetas da cidade, principalmente em bares, padarias e casas noturnas, assim como em áreas de comércio e prestação de serviços. Os fumantes possuem o hábito de descartar as bitucas nas calçadas antes de entrarem nos estabelecimentos. 6. Espalhar bituqueiras próximas aos bancos da orla da praia A maioria dos fumantes que frequentam a orla descartam suas bitucas no jardim, no calçadão e até mesmo na areia da praia, que absorve as toxinas que estão concentradas no filtro, prejudicando o ecossistema, além de dar um aspecto de sujeira, sendo muito prejudicial ao turismo. 7. Distribuir placas com informações ecológicas em pontos de grande circulação na Zona Noroeste, nos morros e na orla de Santos A eficácia na utilização de placas com informações ecológicas é comprovada em regiões de ecoturismo, onde as pessoas são incentivadas a adotarem uma postura ecológica. Acreditamos que a utilização em locais da cidade, onde a linha que separa o ambiente urbano do natural é bastante tênue, traga os mesmos benefícios, propiciando a conscientização dos cidadãos e a conservação desses locais. 8. Fiscalizar os “carrinhos de praia”quanto a disponibilização de cinzeiros e lixeiras em quantidade proporcional aos guarda-sóis Os canudos, bem como as embalagens plásticas dos canudos, utilizados pelos banhistas nos guarda-sóis compõem grande parte do microlixo que se acumula na areia e não é coletado pelos através dos rastelos utilizados pelos tratores para a limpeza da areia. 9. Acabar com as ligações de esgoto nos canais de drenagem Verificar periodicamente as ligações de esgoto das residências e estabelecimentos próximos aos canais de drenagem da cidade e penalizar os infratores. 10. Fiscalizar a venda de pescados no Mercado de Peixes Capacitar guardas municipais e guardiões cidadãos para a fiscalização da venda de pescados e frutos do mar no Mercado de Peixes quanto as épocas de defeso, comprimentos e espécies comercialmente proibidas.

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11. Triplicar a arborização nos espaços livres urbanos A cidade necessita de pelo menos o triplo de árvores existentes hoje, principalmente na Zona Noroeste. Destacam-se como benefícios da arborização urbana a estabilização e melhoria do microclima, a diminuição da poluição atmosférica e sonora, a oferta e valorização de espaços de convívio social, a diminuição do escoamento (runoff) de águas da chuva pela interceptação das árvores, a melhora na saúde física e mental da população e a melhor estética e consequente valorização econômica das propriedades. 12. Oferecer a coleta de líquidos contaminantes ao setor de serviços Diversos estabelecimentos prestadores de serviços geram rejeitos líquidos que são tóxicos, corrosivos, inflamáveis e ou reativos. Sem uma opção correta para o descarte, os proprietários acabam despejando essas substâncias perigosas diretamente na rede de esgoto, tendo como destino, através do emissário submarino, a baía de Santos. Alguns optam por armazenar esses líquidos em locais não adequados, o que não é uma prática segura. Tendo em vista a quantidade de estabelecimentos que necessitam de uma opção para o descarte correto dessas substâncias, se torna urgente a criação de um serviço público de coleta e destinação de rejeitos líquidos, evitando a contaminação ambiental e possíveis acidentes. Serviços de gráfica, copiadora, cromação, estamparia e serigrafia são exemplos de estabelecimentos que seriam atendidos pelo serviço público de coleta.

Ilha Urubuqueçaba, Santos/SP
Foto: William Rodriguez Schepis

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AÇÕES DE MÉDIO A LONGO PRAZO
1. Relocação das famílias que vivem em palafitas A ocupação dos manguezais por submoradias acarreta vários prejuízos para o ecossistema e para o município, tendo em vista que a supressão da flora natural e a consequente perda de habitat para espécies que se reproduzem e se alimentam no estuário, ocasiona a diminuição na oferta de pescado e o assoreamento do leito dos canais. O esgoto e o lixo domiciliar são hoje as grandes fontes poluidoras do estuário. Somente na região do Dique da Vila Gilda, cerca de 6 mil famílias vivem sobre o manguezal, na que é considerada a maior favela de palafitas do Brasil. Essas submoradias ocupam as margens do manguezal e lançam todo tipo de esgoto e lixo nas águas do estuário. Nas áreas próximas às palafitas onde a água é extremamente poluída, crianças e idosos nadam, extraem alimentos e contraem vários tipos de doenças. 2. Limpeza e reflorestamento após a retirada das palafitas Após a coleta e a destinação correta dos resíduos, através do Sistema de Coleta Ambiental de Resíduos, as margens estuarinas antes ocupadas por palafitas deverão receber mudas de Rhizophora mangle e Avicennia schaueriana, espécies nativas da flora local. Com o reflorestamento das margens a fauna, composta em por peixes, aves e macroinvertebrados, retornará gradativamente, melhorando a produtividade pesqueira e atraindo as aves que fazem parte do ecossistema. Algumas áreas deverão receber mudas de forma planejada, levando-se em conta o enorme potencial do ecossistema para o ecoturismo, propiciando o contato e a interação do munícipe ou turista com as belezas da fauna e flora do estuário de Santos. 3. Tratamento Secundário de Esgoto e prolongamento do Emissário Submarino O esgoto lançado pelo emissário submarino forma uma barreira à circulação da água na baía, retendo os sedimentos. Nessas condições, o que sai do emissário não se dilui no oceano, como se pretendia quando foi construído. As propriedades físicas do fundo do mar contribuem para que a sujeira não saia dali: 43% da área de fundo é lodo, que absorve o que houver na água, poluentes inclusive. Uma barreira formada por uma pluma tóxica age como uma espécie de “biombo” que inibe a entrada de organismos no estuário e contamina a área da baía, considerada como de “baixa circulação”. Os efluentes são lançados na pior posição e sem tratamento adequado. Em muitos países os emissários, em locais de baía, chegam a até 15 Km da costa e a profundidades superiores a 20 m, diferentemente do de Santos, com uma distância de 4,4 Km e 12,5 metros de profundidade. Para ser lançado ao mar o esgoto deve receber tratamento secundário, que elimina grande parte da matéria orgânica poluente, chegando a até 95% de eficiência. O que melhoraria significativamente a balneabilidade das praias, que ostentam uma média anual péssima/ruim a mais de uma década.
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O conceito de se “tornar verde” começa “vivendo o azul”, tomando decisões diárias tendo em mente a saúde dos oceanos.

As florestas de mangue são consideradas pela ciência as mais eficientes do mundo no sequestro e armazenamento do carbono (CO2) da atmosfera (50x mais que as floresta tropicais), exercendo um papel fundamental para a manutenção do clima do planeta. São conhecidas como berçários naturais para milhares de organismos marinhos e por formarem uma linha de proteção costeira contra a ação das ondas e de ventos fortes.

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